quinta-feira, 31 de julho de 2014

Reforço de luxo para o ataque

A renovação de Jackson Martínez já se discute desde abril de 2013, por isso é normal que o último update, trazido pelo jornal O Jogo, seja recebido com algum cepticismo. Será desta? A dois anos do final do contrato, depois de rejeitadas uma oferta do Atlético de Madrid e a abordagem do Valência (que só pode apresentar proposta concreta quando Lim tiver acordo com banca, credores e direcção), ou renovava ou saía. Lopetegui quer fazer dele referência na equipa, Pinto da Costa só queria perder dois dentes do tridente Mangala-Fernando-Jackson. É a hora de juntar todas as partes na mesa e fechar a renovação.

Renovação à vista...
outra vez
Autor de 60 golos em 2 épocas, Jackson Martínez é um ponta-de-lança de classe mundial e o FC Porto não conseguiria ir buscar um sucessor à altura no mercado neste momento. Na última época esteve menos fugaz, mas foi apenas ele? Não foi a pior época em 32 anos de presidência de Pinto da Costa? Na última temporada, era o próprio Jackson quem alimentava o deserto de ideias que era o FC Porto (até marcou em 6 competições diferentes!); esta época, já vai ter quem o alimente de bandeja - o melhor assistente da última época, Josué, foi dispensado, por isso as expectativas face ao rendimento de Jackson e da equipa só podem aumentar.

O estatuto de mais bem pago do plantel e a braçadeira de capitão são dois trunfos que mostram que Jackson pode fazer o contrato da sua vida no FC Porto (que estava disposto a pagar cinco milhões de euros brutos/época a Fernando, um jogador essencial mas improdutivo em termos ofensivos), um clube ao qual só deve gratidão. Mas como já foi dito, não foi Jackson a exigir uma renovação, mas sim algo que lhe foi proposto, por isso o FC Porto deve cumprir com o prometido, de preferência antes do início da época, de modo a garantir um Jackson motivado por poder oferecer as melhores condições à sua família... e perceber que no FC Porto é considerado parte essencial da família.

Empréstimos em marcha

A continuidade de Jackson (a renovação não será à Falcao, uma vez que ninguém chegou à cláusula de rescisão actual, logo não será depois de aumentada - se for aumentada... - que alguém irá avançar), ainda sob ameaça do Valência, abre ainda mais expectativas face aos encaixes que a SAD terá que fazer durante o defeso. Mangala ainda não foi oficializado no City, Iván Marcano ainda está em trânsito, Defour é um nome para libertar uma vaga no plantel. À margem destes 3 processos, começam a ser colocados alguns emprestados.

Última oportunidade
para se mostrar
Abdoulaye e Licá, diz a imprensa desportiva, vão ser emprestados ao Rayo Vallecano. Dois jogadores que partilham o mesmo intermediário (a imprensa nunca revelou o nome do empresário dos 2 jogadores e não será desta) para Espanha, curiosamente num clube no qual Lopetegui já treinou (até onde se sabe, uma mera coincidência).

Abdoulaye tem apenas mais 2 anos de contrato (já foram investidos mais de 1,5 milhões no seu passe) e vai ter uma época decisiva para si, caso se confirme o empréstimo. Tem potencial, mas no FC Porto nunca se conseguiu impor. No Rayo, terá a seu favor o facto de ser cruzar todas as jornadas com grandes avançados; mas vai jogar numa equipa que não assume o jogo e que não sobe muito a linha defensiva, algo que não o vai preparar para jogador num grande como o FC Porto, uma equipa habituada a dominar os jogos e que pressiona à saída do meio-campo.

Quanto a Licá, que custou 1,6 milhões por 60% do passe, o dilema é diferente. Tem 25 anos, não vai evoluir no sentido de se tornar numa aposta válida para o 11 do FC Porto. O Rayo surge à sua medida: uma equipa que vai defrontar vários adversários que assumem o favoritismo, o que lhe vai permitir encaixar num modelo de contra-ataque, onde se sente como peixe na água. É um profissional exemplar, um portista digno do nome, mas que não cabe no FC Porto. Não é um problema de falta de qualidade, mas sim de qualidades «erradas» (verticalidade, explosão no espaço, velocidade, bola nas costas da defesa).

Licá tem contrato até 2017 e confirma-se um dos receios para o defeso: a dificuldade em encontrar clubes compradores. Os empréstimos aliviam a carga salarial, mas é uma solução temporária e que não ajuda à necessidade de garantir encaixes como alternativa a Jackson Martínez. Josué e Ghilas ainda têm as respectivas situações por resolver, e curiosamente até são 2 jogadores a quem um empréstimo poderia ser benéfico. Varela é o outro nome já excluído do plantel e que vai ser transferido, restando ainda saber como terminará o braço de ferro com Rolando.

Quanto a Caballero, cuja contratação/gestão já aqui mereceu muitas críticas, segundo o Record vai ser emprestado ao Aves, equipa com um projecto de subida de divisão. O mesmo jornal diz que Gonçalo Paciência pode seguir o mesmo caminho, informação totalmente falsa - e ainda bem.

PS1: Às 18.00 de hoje, Portugal - Alemanha. Rafa, Francisco Ramos, Tomás, Ivo Rodrigues e André Silva podem ser campeões europeus de sub-19.

PS2: Andrés Fernández herda a camisola de Fernando, a 25, enquanto José Ángel fica com a de... Rolando (14).

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Trio de capitães definido, trio de guarda-redes por resolver (já com Andrés Fernández)

Maicon, Quaresma e Jackson Martínez serão os capitães do FC Porto para a época 2014-15. Os dois primeiros fazem valer o seu estatuto de mobília da casa (o primeiro mais como líder natural, o segundo mais como vedeta da equipa), enquanto o terceiro é uma surpresa que demonstra os grandes planos que Lopetegui tem para Jackson como referência da equipa.
Jackson passa a capitão

A braçadeira não terá sido atribuída com base em votação (prática que de resto não é habitual no FC Porto), mas sim por indicação do treinador, o que atesta uma vez mais a voz de comando no balneário.

Maicon foi totalista contra Genk e Saint-Étienne, e mesmo com Indi sem ainda ter jogado e Marcano sem ter chegado somou pontos na pré-época. A sua continuidade no plantel não era dado adquirido, mas para já começa como líder da defesa.

Quaresma, contrariamente a muitas expectativas, tem merecido a confiança de Lopetegui na pré-época dentro e fora dos relvados. A concorrência nas alas vai ser forte, mas neste momento Quaresma é titular no 11 base e serão os reforços quem terão que o sentar, não o contrário. RQ7 não é o protótipo de capitão à Porto, mas as juras de amor ao clube e o estatuto pesaram.

E agora Jackson Martínez, considerado por Vítor Pereira e Paulo Fonseca o jogador mais profissional do plantel e eleito por Pinto da Costa o Homem do Ano. Os mais importantes membros num clube (presidente e treinador) consideram Jackson um profissional exemplar, mas meia dúzia de iluminados, que devem saber mais do que treinador e presidente e que devem conhecer profundamente toda a novela em torno de transferência/renovação/troca de empresários, ainda falam em «mercenário». Não vamos repetir a defesa ao jogador, mas pode lê-la aqui.

Então e Helton? E eis Andrés Fernández

Não, Helton não foi excluído do lote de capitães. Mas não só continua a recuperar de uma grave lesão (não só como futebolista mas enquanto cidadão comum) como pode estar de saída do plantel, uma vez que é dado como praticamente impossível que o jogador, aos 36 anos, recupere a tempo de resgatar o seu lugar no FC Porto - factor que levou ao tal desabafo que deu que falar, de alguém que merecia mostrar-se a Lopetegui.

Fim de carreira
em perspectiva
Helton dificilmente será inscrito para 2014-15, numa altura em que o FC Porto tem 3 guarda-redes para a equipa A: Ricardo, Fabiano e o reforço confirmado Andrés Fernández. Para a equipa B há Kadú e Caio, este último a permanecer no clube contra algumas expectativas. Para os sub-19, dois dos mais promissores portugueses na baliza, Andorinha e Filipe Ferreira (pode chegar um terceiro aos juniores, uma grande surpresa e que podia dar a Andorinha ou até a FF já espaço competitivo na B, mas é uma possibilidade que não é líquida). Bolat foi emprestado e Stefanovic aguarda colocação.

Ricardo, já se sabe, será útil devido às inscrições na UEFA, mas foi um guarda-redes contratado sem intervenção de Lopetegui e nem sequer foi utilizado nos dois últimos jogos de preparação. Português, portista, experiente, com alguma qualidade (por ser guarda-redes da Académica teve, durante grande parte da época, boa imprensa, sobretudo porque tem sempre que haver implicações com as convocatórias da FPF)... mas aparentemente ainda sem convencer o treinador. O empréstimo a um clube português é condicionado pelo sentido de voto na LPFP (bem como qualquer outro negócio).

De Fabiano recuperamos o que foi dito após o jogo de apresentação: «Se o FC Porto não perdeu foi graças a ele, com meia dúzia de defesas decisivas. Merece o destaque, embora só tenha sido solicitado no seu ponto forte: defender remates entre os postes. O problema, segundo a leitura de Lopetegui, é as saídas aos cruzamentos (não há memória de o ter necessitado de fazer durante o jogo) e a participação no início de construção (quando pressionado, raramente consegue jogar simples nos centrais e acaba sempre por recorrer ao balão, além de ter dificuldades a lateralizar)». Além disso, há o facto de ser um guarda-redes que não encurta o espaço entre a linha defensiva e a grande área. A exibição contra o Saint-Étienne foi vistosa mas não um teste àquelas que Lopetegui considera ser as suas limitações. Alguma imprensa falou do interesse do Valência, algo que se desconhece como sendo verdade. Ter Fabiano como 3º guarda-redes ou deixar sair Ricardo para ficar com 2 estrangeiros é igualmente complicado na perspetiva de inscrições na UEFA...

Contrato de 4 anos,
cláusula de 30 milhões
E agora Andrés Fernández. Lopetegui quis Navas, que não se concretizou; o plano B era o espanhol do Osasuna (finalmente, a «equipa sombra» a funcionar), que por ser uma equipa que desceu de divisão há quem considere que Andrés não tem qualidade para o FC Porto. Será esse motivo? Vamos recordar os 10 melhores guarda-redes da história do clube, de onde vieram...

Baía foi formado no clube, ainda que depois tenha passado pelo Barcelona antes de regressar. Helton veio da UD Leiria, hoje enterrada no CNS. Barrigana, Américo e Zé Beto foram todos formados no FC Porto, tal como Rui Teixeira e Acúrcio. João Fonseca e Tibi vieram do Leixões. Sobra Mlynarczyk, o campeão de Viena, que chegou ao FC Porto aos 32 anos, proveniente do Bastia... equipa que desceu de divisão em França nesse ano. O O Bastia é melhor do que o Osasuna?

Os bons guarda-redes do FC Porto foram sempre formados no clube ou contratados a clubes de nível inferior. Logo, não é por vir do Osasuna que Andrés Fernández não serve. Não é o plano A, mas é uma contratação mais barata do que seria Navas, o que significa que o investimento na baliza saiu mais curto do que o esperado (2,5 milhões de euros, sendo que o Osasuna só tem direito a 25% e o dinheiro é encaminhado para fins tributários), o que pode libertar verbas para o reforço de outros sectores - neste momento, falta oficializar Ivan Marcano. O resto é novela mexicana e incógnitas, dependentes sobretudo de saídas - urge começar a libertar vagas no plantel e a reforçar os cofres com vendas, ainda que o empréstimo vá ser solução para grande parte dos excedentários.

Bem vindo, Andrés Fernández (Mister, espero que tenha acertado).

terça-feira, 29 de julho de 2014

Jackson Martínez, Mangala, o BES, José Ángel e as eleições na Liga

Jackson Martínez disse o politicamente correcto: vai continuar (está contratualmente obrigado a isso, afirmá-lo não é nenhuma declaração de amor ao clube) e está disposto a renovar (possibilidade que lhe foi proposta há mais de um ano, envolveu troca de empresários e que até hoje não se concretizou - lamentável, pois não foi Jackson a exigir uma renovação, mas sim algo que lhe foi sugerido face à elevada cobiça no mercado). A expectativa de uma oferta do Valência mantém-se, mas enquanto Lim não tiver acordo com o Bankia e a Fundacion VCF não há negócio possível.

À espera do Valência
Leonardo Jardim também o aprecia, mas a dupla Pinto da Costa-Lopetegui mantém a posição: Jackson é essencial e para manter. É extremamente difícil imaginar a sustentabilidade da SAD em 2014-15 sem este encaixe, ainda que alguns excedentários possam garantir algumas verbas. A verba líquida a receber de Mangala pode ajudar a esclarecer o ponto de situação para o exercício corrente, sendo certo que é preciso vender mais. Bater 30 milhões de euros limpos por Jackson Martínez, a caminho dos 28 anos e com apenas mais dois anos de contrato, é uma chamada «proposta irrecusável».

Em condições normais, a venda de Mangala terá que ser oficializada até quinta-feira, data em que vence o maior empréstimo bancário do FC Porto: 30 milhões de euros ao BES. Salvo algum acordo que tenha sido alcançado no último trimestre, ou a SAD paga 23 milhões de euros até 31 de julho e mais 7 milhões em outubro; ou terá que liquidar os 30 milhões de euros na totalidade assim que venda Mangala ou Jackson Martínez. Se Mangala não for vendido até quinta-feira, a liquidação do empréstimo deverá entrar por outra via que só os intervenientes conhecerão...

Mangala «vale» tanto como 5 do Benfica na balança da banca

Mangala: quinta-feira
há deadline
Nota: este empréstimo de 30 milhões ao BES é o maior da SAD, ainda que haja outro obrigacionista com maturidade em maio (será quase inevitável renová-lo). De qualquer forma, é de notar que este FC Porto que, dizem, está em «all in» prepara-se para liquidar o seu maior compromisso financeiro recorrendo a uma única venda. Entretanto, na Segunda Circular usa-se a crise do BES como desculpa para a liquidação total do plantel: como se já não se soubesse, atempadamente, que entre empréstimos bancários e obrigacionistas o Benfica tinha a pagar/cobrir mais de 174 milhões de euros só até final de 2014. O Benfica, há um ano, não fez vendas de relevo e gastou 49,3 milhões em reforços. Já o FC Porto, este ano, não ultrapassou ainda os 30 milhões de euros e, contando com Mangala, já fez vendas milionárias. Curiosamente, ninguém ouviu falar em «all in» do Benfica há um ano...

O FC Porto, com Mangala, quase cobre o seu maior empréstimo bancário em vigor. Já o Benfica, para cobrir o seu maior empréstimo com o BES, de 64,3 milhões de euros, com maturidade em abril último, teve que vender quatro titulares (Oblak, Garay, Markovic e Rodrigo) e um jogador que até decidiu uma meia-final contra o FC Porto (André Gomes). E não esquecendo que o melhor jogador (Matic) foi vendido ao valor do Papel Comercial. Adiante.

É cedo para debater as consequências da permanência de Jackson no plantel, uma vez que esta é uma novela candidata até ao final do mercado de transferências, pois não há data para a conclusão do impasse no Valência e a eventualidade do FC Porto falhar a fase de grupos da Champions (para o grupo de trabalho isto nem pode passar pela cabeça, mas para a SAD pode e deve) pode complicar as contas, até porque as previsões para 2013-14 com as receitas da UEFA ficaram oito milhões de euros acima do obtido. E enquanto esta novela não se resolve, outra novela mexicana fica presa. O que seria da silly-season sem isto?

José Ángel até 2018

Como já tinha sido referido, trata-se de uma boa aposta: não só como alternativa como sobretudo como sucessor para Alex Sandro (sim, também há Rafa, a médio prazo). José Ángel assinou por 4 épocas, ficou com cláusula de 30 milhões de euros e é uma garantia de qualidade para as laterais, onde a SAD enfrenta o mesmo dilema que Jackson Martínez: Danilo e Alex têm contrato por mais 2 anos, são dois atletas bem pagos e a renovação impõe-se a curto prazo... ou a saída a médio.

A Roma anunciou que fica com 50% de uma futura transferência e que o negócio foi alcançado a... custo zero. Uma meia surpresa, na medida em que o negócio envolve uma terceira parte famosa neste defeso, que dispensa detalhes.


Novas eleições na Liga

Seara reentra em cena
Há o assassino, há o coveiro... e há o salvador da Liga: o CJ da FPF ditou a repetição das eleições para a presidência da LPFP, um tema quente em altura inoportuna, tendo em conta que há um plantel para fechar e o campeonato começa dentro de 2 semanas. Mário Figueiredo, que de burro e bronco nada tem, não vai largar o osso. Já Carlos Deus Pereira, que já foi apresentado pel'O Tribunal do Dragão neste post, consegue cumprir o sonho de reabrir as portas do Benfica, o clube do coração, após ter violado de forma repugnante e inaceitável o papel democrático que se exige num presidente de uma Mesa da AG.

Fernando Seara conseguiu reunir o apoio do FC Porto (ou, pelo menos, do topo hierárquico) e vai manter a sua lista. É expectável que o sentido de voto não se altere, sobretudo porque mesmo que Rui Alves reentre na corrida não conseguirá competir com os apoios de Seara. E esse sentido de voto pode muito bem condicionar, impedir ou permitir negócio entre os diversos clubes da liga, numa altura decisiva do defeso, onde os excedentários do FC Porto serão apetecíveis. 

PS1: O FC Porto contratou, à data de hoje, 4 espanhóis (vêm mais 2) por 13 milhões de euros (para efeitos contabilísticos, não necessariamente com implicações imediatas na tesouraria): fala-se em espanholização e armada espanhola. O Benfica tem, no seu plantel, 11 brasileiros, dos quais 6 foram contratados esta época (e um já vai ser despachado), por... 13 milhões de euros. «Puxa cara, não é escola de samba não, é normal, né?» 

PS2: O Sporting lamentou que Bruno de Carvalho tenha cumprido um castigo de 29 dias, antes do CJ da FPF ter anulado a suspensão de mês e meio, e crê que isto demonstra que falta «dignificação, transparência, rigor e credibilidade» ao futebol português. Pobres, imaginem como seria se tivessem tido o seu melhor jogador suspenso durante 4 meses, que no final a pena tivesse sido reduzida para 3 jogos e que com isso tivessem perdido um campeonato.

domingo, 27 de julho de 2014

As peças estão cá, falta montar o puzzle

O FC Porto tem muita qualidade individual para a época 2014-15, mas isso por si só não faz uma boa equipa. O jogo de apresentação contra o Saint-Étienne (0-0) mostrou que as peças ainda não estão encaixadas, o que é normal para muitos jogadores que jogaram juntos pela primeira vez.

Faltam mais 3 semanas antes de iniciar a época a nível oficial. É importante que o plantel que seguir para estágio em Inglaterra seja já o definitivo, uma vez que os problemas demonstrados no jogo de hoje não foram de ordem física, mas sim técnico-táctica. Não é um problema de qualidade, mas de falta de rotinas

Os assobios, esses, foram lamentáveis. É compreensível que centenas de adeptos, sobretudo emigrantes, não tenham muitas oportunidades de ver o clube do coração ao vivo, por isso esperavam um grande espectáculo hoje. Uma mentalidade desajustada: hoje não era dia para ver o espectáculo, mas sim para mostrar que os jogadores podem contar com o apoio da massa associativa para, quando a bola rolar a sério, então sim darem espectáculo. A exigência terá tempo para subir, quando o plantel estiver completo e as rotinas de jogo já forem assimiladas. Hoje, assistiu-se a uma triste demonstração de adeptos de festas.

Bonés

Rúben Neves (+) - Repetem-se os elogios. Sabe jogar e fazer jogar, e mesmo tendo 17 anos sabe simplificar os processos de jogo com uma maturidade incrível. Com a idade dele, claro que vai ter que ter espaço competitivo nos sub-19 ao longo da época (para a equipa B há Tomás Podstawski), mas mostrou que é digno da confiança de Lopetegui, que já demonstrou que não olha ao BI para decidir se confia nos jogadores.
Ponto forte em evidência

Fabiano (+) - Se o FC Porto não perdeu foi graças a ele, com meia dúzia de defesas decisivas. Merece o destaque, embora só tenha sido solicitado no seu ponto forte: defender remates entre os postes. O problema, segundo a leitura de Lopetegui, é as saídas aos cruzamentos (não há memória de o ter necessitado de fazer durante o jogo) e a participação no início de construção (quando pressionado, raramente consegue jogar simples nos centrais e acaba sempre por recorrer ao balão, além de ter dificuldades a lateralizar).

O aviso necessário (+/-) - Uma importante descida à terra para quem já deitava foguetes: lembremos que o FC Porto ainda não está na Liga dos Campeões (e já há quem lunaticamente já fale em ir longe nela), tem zero pontos e tanto Sporting como Benfica não vão deixar de ter plantéis melhores do que 15 das 18 equipas da primeira liga. Vai ser uma corrida como as outras, em que todos começam da estaca zero... com a diferença que o FC Porto está a reconstruir uma equipa a todos os níveis e vem da sua pior época em 30 anos! Por isso, não é a expectativa que deve ser grande, mas sim a paciência e o apoio!

Machados

Corpos estranhos (-) - Como já foi dito, é impossível que ao primeiro jogo os processos colectivos já estejam assimilados entre os reforços. Mas é claramente um dado urgente a melhorar: o de saber o que fazer à bola e o que fazer sem ela, o saber não só movimentar-se como antecipar as movimentações dos colegas. Colectivamente a equipa não funcionou e muitas vezes viu-se forçada a recorrer ao pontapé longo, sem sucesso. Além disso, a dificuldade em encontrar espaços foi uma constante - e vai ser sempre assim ao longo da época, com autocarros estacionados no Dragão.

Falta poder de fogo
Sem matador e sem disparar (-) - Ao longo de 90 minutos, o FC Porto só conseguiu um momento de finalização na grande área, quando Adrián rematou (mal) para defesa do guarda-redes adversário (além de outro lance de Quintero). Este é um dado preocupante, pois se Lopetegui optar por jogar com um avançado móvel (Adrián não funciona no eixo do 4-3-3 - foi contratado para que função?), então outros jogadores têm que aparecer em zonas de finalização na grande área. O FC Porto não conseguiu fazer isso uma única vez. Jackson Martínez chega amanhã... E que jeito dará ter o seu melhor futebol!

Linha defensiva (-) - Lopetegui não mexeu na defesa, excepção feita a quando tirou Reyes para lançar Kelvin no tudo-por-tudo. Mas confirmou-se o receio sobre este modelo: com a linha defensiva muito alta, o FC Porto tem que reagir com rapidez à bola nas costas da defesa. Isso não foi feito e o Saint-Étienne foi sempre forte no contra-ataque. Ah: e não era o posicionamento mais adiantado do guarda-redes que ia mudar isto, mister. Nota positiva para Maicon e um alerta para Alex Sandro: agora vai haver concorrência, não apenas um tapa-buracos para uma titularidade garantida. E isso vale também para quem tem «nome» e foi caro, mas que não mostrou nem metade da atitude (esta não depende da pré-época nem da falta de rotinas, ou se tem ou não se tem) do Ricardito.

PS1: Está confirmada a saída de Silvestre Varela, que pediu formalmente para sair, tal como já tinha feito há um ano. A saída já aqui tinha sido avaliada, no início de junho, por isso resta desejar as melhores felicidades à carreira do jogador, que merece a oportunidade de conseguir um contrato mais vantajoso para a sua carreira e família. Sobre Abdoulaye, Josué, Licás e Ghilas já se tinha falado aqui

Um Ángel da Guarda para Alex Sandro

A imprensa italiana antecipou aquela que podia ser uma possível surpresa para o jogo de apresentação deste domingo: José Ángel está a caminho do FC Porto. Defesa-esquerdo, 24 anos, e para variar mais um compatriota e velho conhecido de Lopetegui.

Ángel, alternativa e
sucessor
O FC Porto garante não só uma excelente alternativa a Alex Sandro como um potencial sucessor a curto/médio prazo, não esquecendo que temos um dos melhores laterais sub-19 europeus para lapidar (Rafa, que vai cumprir a primeira época como senior, na equipa B).

Já anteriormente apontado ao Barcelona, é também um jogador pertencente à carteira da Doyen Sports, com quem recentemente a SAD negociou Brahimi e com quem falta, ainda, oficializar o negócio Mangala e resolver o impasse com Defour.

José Ángel deve assinar este domingo e será o sexto espanhol garantido pelo FC Porto - Andrés Fernández e Iván Marcano já têm ambos acordo, embora ainda não tenham sido oficializados, por isso ainda não se juntaram a Óliver Torres, Adrián e Tello. Seis jogadores espanhóis em dois meses, mais do que todos aqueles que o FC Porto teve em 120 anos de história.

Que tenham tantos cojones como o treinador que lhes abriu as portas do FC Porto, é o que desejo a cada um. A por ellos!

Era uma vez um lateral-esquerdo. Não, dois. Oh pá, três!

Eliseu foi oferecido ao FC Porto em maio, quando estava em final de contrato com o Málaga, pelo seu representante da ProEleven. O FC Porto rejeitou, apesar de Lopetegui ter dito: «É este o jogador que quero!» Mas Pinto da Costa respondeu: «Calma, vamos arranjar melhor».

O FC Porto não conseguiu contratar, por 7 milhões de euros, o melhor lateral-esquerdo que teve na última década. O jogador até estava disposto a reduzir o salário, mas era demasiado caro. Então, Pinto da Costa passou à acção: vamos à caça dos laterais, por esse preço arranjamos 2 bons!

Djavan foi o primeiro. O jogador que há um ano era avançado no futebol amador custou 1,5 milhões de euros. «Para esse tínhamos o Cortez!», protestou Lopetegui junto de Pinto da Costa. «Não, olha que este é que é bom! Até o Sporting e o Benfica o queriam!», argumentou.

Benito, o segundo. Custa 3 milhões de euros. «Ok», concordam Pinto da Costa e Lopetegui. Um mês depois... «Porra, precisamos de um lateral-esquerdo! Estes 2 não dão garantias!», reclamou o treinador. «Calma, eu vou buscar o Eliseu! Só custa 1,5 milhões de euros, é um excelente negócio para nós!». «Mas ó presidente, eu avisei-o há um mês quando ele estava livre! E agora que ele renovou é que vão buscá-lo!?».

Eliseu, o terceiro, por 1,5 milhões. Seis milhões de euros investidos em 3 jogadores, na tentativa de colmatar a ausência do lateral que saiu e custava 7 milhões de euros (sendo que sozinho ganhava menos do que os 3 reforços juntos). Tudo isto para descrever que este seria o tipo de gestão normal para um clube que há 3 meses era dado como morto e em fim de ciclo. O FC Porto, diziam. Só o FC Porto podia estar envolvido neste enredo, afinal de contas, é o clube que está em fim de ciclo!

Agora, troquemos FC Porto por BenficaPinto da Costa por Luís Filipe Vieira e Lopetegui por Jorge Jesus. Ups, afinal estamos mesmo a falar da gestão do clube que, ainda há bem pouco tempo, se congratulava pelo triplete e pelo novo ciclo de domínio no futebol português.

Já ouvi falar em muitos inícios e fins de ciclo. Mas é a primeira vez que vejo um a terminar numa pré-época. 

sábado, 26 de julho de 2014

O FC Porto de Lopetegui

Longe dos holofotes, Lopetegui desenvolve há muito o projecto de FC Porto à sua imagem. Já teve mais mediatismo do que Vítor Pereira (por incrível que possa parecer, o treinador bicampeão não deu uma única entrevista ao Porto Canal enquanto esteve no clube), mas só na véspera do jogo de apresentação aos sócios e adeptos deu uma entrevista ao jornal O Jogo. Dela sobressai que as contratações «são reforços do FC Porto e não do Lopetegui». 

Lopetegui partilha
mérito e responsabilidade
Mesmo sem ainda se ter estreado em jogos oficiais, Lopetegui já deixou claro que é tão rigoroso consigo próprio como com o meio que o rodeia. Assumiu, desde o início, que forma com Antero Henrique e Pinto da Costa o tridente que se propõe a recolocar o FC Porto na rota de títulos. Na entrevista, partilha os méritos das contratações de vários internacionais de calibre... mas também a responsabilidade.

Lopetegui tem a capacidade, única de um treinador do FC Porto nos últimos anos, de identificar se determinado jogador é bom o suficiente para melhorar o plantel. Mas não é o treinador quem pode decidir se são bons negócios. Ao treinador cabe a responsabilidade de avaliar o que Casemiro, Tello ou Adrián (e os demais) podem fazer com a bola nos pés; à SAD cabe avaliar como enquadrar esses activos dentro das suas limitações orçamentais e, sobretudo, não esquecer que o FC Porto não acaba hoje, nem amanhã, e que nada obriga a que se hipoteque o futuro a médio prazo com um «all in» no presente. Felizmente, o equilíbrio parece encontrado.

Independentemente da força que Jorge Mendes está oferecer às posições negociais do FC Porto no defeso, é claro que muitas das contratações são de Lopetegui. Possivelmente, Casemiro, Óliver, Tello e Adrián não teriam na Liga ZON/NOS Sagres uma preferência se não fosse pelo treinador. Mas Lopetegui expôs bem a sua visão: não é o FC Porto que está a trabalhar para Lopetegui, mas sim Lopetegui que está ao serviço do FC Porto. Para fazer um bom trabalho, precisa de uma boa matéria prima. O treinador sugere os ovos, a SAD vê se os preços na mercearia são aceitáveis, e depois já haverá condições para fazer a omelete. Amanhã, contra o Saint-Étienne, há o primeiro aperitivo para o banquete 2014-15.

O Mágico que nunca irá desaparecer

O último acto do Mágico
Pagar 400 mil contos, corria o ano de 1998, por 50% de um jogador que o Benfica não quis aproveitar do satélite Alverca, ainda por cima avaliando-o em 800 mil contos e dividindo o seu passe com Jorge Mendes, soava a qualquer coisa de loucura. E foi. E foi também uma das melhores apostas da história do FC Porto e da presidência de Pinto da Costa.

O Mágico não desapareceu. Pelo contrário, mostrou que jamais desaparecerá. O jogador que não corria, deslizava pelo campo, teve a homenagem merecida. Deco ajudou o FC Porto a chegar mais alto; e talvez Deco nunca tivesse sido Mágico se não tivesse sido pelo FC Porto. Tem lugar merecido no melhor 11 da história do clube e o reconhecimento eterno. O agradecimento é mútuo.

Nomes como Vítor Baía e Jorge Costa, sobretudo estes, mereciam ter a sua própria despedida e reconhecimento e é uma pena que para voltarem a ser aplaudidos no Dragão tenha que ter sido numa homenagem a outro jogador (porque não, em 2017, uma homenagem aos campeões de Viena 30 anos depois?). Mas homenagear Deco é também homenagear a mística portista, que Baía e Jorge Costa ajudaram a construir e que teve o contributo de muitos outros que passaram ontem pelo Dragão. Todos eles diziam o mesmo: não há nada como isto. Tal como não voltará a haver outros como eles, como Deco.


quinta-feira, 24 de julho de 2014

O passe reduzido a um quinto, o talento por inteiro

Para os leitores d'O Tribunal do Dragão não é uma surpresa, para quem acreditava que o FC Porto iria mesmo ficar com 100% de Brahimi por 6,5 milhões de euros uma ilusão desfeita. A alienação já era esperada e o facto da SAD assumir a posição minoritária do negócio mostra que não estamos assim tão gastadores no curto prazo.

O negócio anunciado
que se confirma
O FC Porto está apostado em construir um grande plantel para 2014-15, com um núcleo de 18 jogadores de qualidade indiscutível (não apenas um bom 11), mas isso nunca significou pagar grandes quantias para o exercício corrente. Os próprios 11 milhões de euros por 60% de Adrián López, no lançamento do 1º trimestre de 2014-15, serão «esclarecidos» a seu tempo.

No caso de Brahimi, caso se valorize até à fasquia dos 30 milhões de euros, a Doyen Sports verá a sua fatia de 5 milhões de euros valorizar-se até 24 milhões. O FC Porto salvaguardou a hipótese de recompra, mas sempre mediante uma verba inflacionada. O FC Porto, já se sabe, é melhor do que qualquer taxa de juro para qualquer investidor.

Por isso, à imagem do que foi dito de Adrián López, vale o mesmo para Brahimi: não veio para ser um activo financeiro, mas sim desportivo. Não vem a pensar numa grande transferência daqui a 2 ou 3 anos, mas sim para ajudar o FC Porto a garantir os seus objectivos desportivos no curto prazo.

O FC Porto fica com o jogador, a Doyen Sports com o activo financeiro. Em 2004-05, muitos se entusiasmaram com a vinda de Luís Fabiano, mas pouco se recordam que 75% do passe ficou na posse de um fundo de investimento. Pensemos naquilo que o jogador pode fazer com a bola nos pés e não na percentagem do passe que a SAD detém, porque a vinda de Brahimi desde o início que só era possível mediante o acordo com a Doyen. E se os adeptos ficaram entusiasmados com a vinda do jogador, não é por agora a SAD ficar com 20% que deve ser o contrário: foram retirados 80% ao passe do jogador, mas não ao seu talento.

PS1: A alienação à DS liberta a venda de Mangala para o City, sendo que os valores podem vir a ser uma grande e boa surpresa - não a verba paga pelos ingleses na totalidade do negócio, mas sim aquela que vai caber ao FC Porto. Lembrem-se que, à partida, seriam apenas 56,67%...

O pânico desprovido de coerência

Colunistas, adeptos rivais e comentadores desportivos partilham do mesmo momento de pânico: o investimento do FC Porto para 2014-15. Uns falam em petróleo, outros comentam como se se tratasse de um investimento sem paralelo em toda a história do futebol português. Como tanto gostamos de fazer n'O Tribunal do Dragão, vamos aos números.

Investimento para 14-15,
mas a médio prazo
Até ao momento, o investimento é inferior a 30 milhões de euros. Adrián (60%, 11M), Indi (100%, 7,7M) e Brahimi (100%, 6,5M) foram os únicos números declarados. Ainda chegarão pelo menos mais três jogadores ao plantel, pelo que o investimento vai certamente superar a barreira dos 30 milhões de euros.  Mas virtualmente, são despesas que só a venda de Jackson Martínez, caso avance e se confirme por uma verba superior a 30 milhões (por menos não haverá negócio), conseguiria por si só cobrir. E estamos a falar de uma dúzia de jogadores contratados com qualidade insuspeita, ao preço de uma... venda.

E agora vamos recuar até 2013-14. Alguém se recorda de tal pânico face ao investimento do FC Porto? Fazendo as contas: 7M por Reyes, 8 por Herrera, 3,8 por Ghilas, 5 por Quintero, 1,6 por Ricardo, 1,5 por Licá, 0,9 por Carlos Eduardo e 0,5 por Josué. Tudo sem contar com encargos adicionais, e mesmo sem comprar nenhum jogador a 100% (o FC Porto já tinha metade de Josué), em 2013-14 foram investidos 28,3 milhões de euros só na aquisição de passes. Mais do que o FC Porto já investiu, até ao momento, a pensar em 2014-15. Porque é que na altura ninguém entrou em pânico?

E agora vamos às contas deste ano, 2014-15. Assumindo que o FC Porto vai ultrapassar com facilidade os 30 milhões de euros em investimento, grande parte dessa verba não será corrente. Quer isto dizer que o FC Porto não vai pagar tudo esta época, como é lógico, e que as contratações incluem tranches que aliviam os problemas de tesouraria no curto prazo. Além disso, as terceiras partes vão avançar para alienações no decorrer de 2014-15. O FC Porto verá os passes serem reduzidos e no futuro irá certamente ver os fundos lucrarem 3 ou 4 vezes mais, mas isso minimiza o investimento no curto prazo enquanto se garantem jogadores de calibre.

São assim as contas para 2014-15, num FC Porto que se vender Jackson Martínez vai superar os 70 milhões de euros em encaixes com vendas, devendo ainda lucrar mais com os excendentários e podendo ainda chegar a somas razoáveis com nomes como Defour e Varela. Em termos de investimento, mesmo que em termos contabilísticos supere os 30 milhões de euros, em 2014-15 o FC Porto terá uma parte significativa da verba remetida à rubrica de fornecedores e vai recuperar parte do investimento no curto prazo com alienações de passes.

Numa perspectiva global e simplista (aquela em que os «desopinadores» se baseiam, ora por desconhecimento de causa, ora por abafo ao mesmo), vamos assumir que o investimento é 30 milhões de euros. 30. Curiosamente, nos últimos 3 anos não há memória de ter havido ebulição e alarido por números... «ligeiramente» superiores. 






quarta-feira, 23 de julho de 2014

André Silva, uma pérola que pode sair a custo zero

Antes do entusiasmo, a realidade: o FC Porto volta a desvalorizar (ou a secundar) o potencial das pérolas que tem na própria formação. Depois de Gonçalo Paciência, o melhor avançado português sub-21, ter renovado apenas em abril e só até 2016 (desde janeiro que podia ter assinado por outro clube, mas o portismo falou mais alto), agora é André Silva que pode assinar por outro clube a partir de janeiro.

Contrato acaba em 2015
Cinco golos em dois jogos no Europeu de sub-19, números que não surpreendem. Tal como Ibrahimovic, cresceu com as artes marciais. Fez grande parte da formação como médio-ofensivo e extremo, mas perante a falta de pontas-de-lança nos quadros do FC Porto foi testado na posição 9. Nunca mais de lá saiu. Com 15 anos podia ter ido para o AC Milan, mas continuou agarrado ao sonho: singrar no FC Porto.

O Tribunal do Dragão ouviu que o contrato do avançado de 18 anos acaba em 2015, por isso em janeiro pode assinar por outro clube. E de certeza que os olheiros na Hungria não estavam a preenches sudokus enquanto André Silva fazia um poker. No último ano, houve quem tivesse renovado duas vezes, mesmo sendo um jogador da formação. Já o melhor avançado sub-19 português, está a pouco mais de cinco meses de poder sair.

Gonçalo Paciência foi despromovido à equipa B. Haverá espaço para ambos no 4-3-3 de Luís Castro? De qualquer forma, a preocupação do momento é outra: o FC Porto tem que se batalhar pela renovação de André Silva com a mesma força com que vai negociar um Caballero (com o devido respeito pelo jogador, é apenas usado como exemplo) à América do Sul. Porque de certeza que o FC Porto não encontra, neste momento, nenhum avançado de 18 anos melhor em parte nenhuma. E este tem sangue azul.

Reportagem de Miguel Marques Monteiro, no Porto Canal:


PS1: Cinco jogadores do FC Porto titulares na selecção sub-19 que se qualificou para as meias-finais do Europeu. André Silva já dispensa apresentações. Rafa é o melhor lateral-esquerdo português da sua geração e será titularíssimo na B (haja coragem para ser lançado na A durante a época); Podstawski confirma que o FC Porto tem dois excelentes 6 de grande potencial (Rúben Neves o outro) para o médio prazo, e o provável é que jogue Tomás na B, pois Rúben Neves ainda é sub-19; Francisco Ramos vai cumprir o primeiro ano de sénior, na equipa B, e é mais um talento made in Póvoa para ser lapidado no Dragão; Ivo Rodrigues é o extremo habilidoso que o FC Porto não tinha na sua cantera há, talvez, dez anos. Lopetegui tem aqui muito por onde apostar. Mas não é Lopetegui quem tem que decidir a aposta na formação, até porque não foi o treinador a permitir que algumas destas pérolas chegassem a fim de contrato.

O negócio Brahimi

Negociado em baixa
a pensar na alienação
Um mês depois da anunciada companhia que Ghilas iria ter para ir à mesquita, Brahimi foi oficializado no FC Porto. O inesperado é que caso seja encontrada colocação para Ghilas, Brahimi terá que ir à mesquita sozinho. Adiante. No início de julho, O Tribunal do Dragão torceu o nariz aos moldes do negócio que estavam a ser discutidos: 10 milhões de euros. À CMVM, o FC Porto declarou que comprou 100% por 6,5 milhões.

Uma diferença substancial. Mais não se justificaria por um jogador que tinha pouco ou nenhum mercado (embora o diretor de comunicação do Granada tivesse tentado agitar as águas - imaginem o que era termos o Rui Cerqueira a fazer ameaças ao Valência pelo Jackson!), mas que tem qualidade que vai melhorar o plantel. Agora, há que meter a conversa com Lopetegui em dia, até porque rompe com a tendência da chegada de reforços que rumaram ao FC Porto muito por causa de um telefonema e do factor treinador - Brahimi viria de qualquer maneira.

Vamos aos números. Apesar da SAD ter adquirido 100% do passe por 6,5 milhões de euros, o destino de Brahimi deverá ser o mesmo de Defour e Mangala aquando das negociações com o Standard: alienação do passe junto da Doyen Sports, que também participa na vinda de Casemiro em dois negócios com carimbo de Alexandre Pinto da Costa. Em termos de mercado, neste momento um terço de Brahimi vale uns apetecíveis 2,145 milhões de euros. Se o jogador se valorizar até à fasquia dos 30 milhões de euros, o fundo, na eventualidade de adquirir um terço (deverá ser mais), quadruplica os lucros. Daí que o negócio tenha baixado para 6,5 milhões de euros, uma vez que isso aumenta a hipótese de valorização por outra via.

O negócio não é, a curto prazo, mau para o FC Porto, pelo contrário. Garante um jogador de qualidade apetecível (dizem ser o «rei do drible», embora no meu caso particular aprecie mais uma triangulação do que um túnel) para ajudar a lutar pelos objectivos em 2014-15, minimiza o investimento a curto prazo (a despesa não será toda corrente) e muito provavelmente fará a alienação no decorrer do segundo trimestre 2014-15, à imagem do que sucedeu na parelha Walter-James-Moutinho e Mangala-Defour. 

No fundo, jogadores que o FC Porto não teria contratado sem... fundos. Readquirir depois as percentagens pode ser excessivamente caro (James), por vezes torna-se impossível e perde-se uma parte significativa do bolo (Mangala), e até pode-se tornar num problema quando os jogadores não têm mercado e os fundos não podem nunca assumir o prejuízo (Walter e Defour). Um risco que dependerá muito dos pés de Brahimi, que oxalá tenha o sucesso de James, Moutinho ou Mangala.

Bem vindo, Brahimi.

terça-feira, 22 de julho de 2014

As dispensas de Lopetegui e o que separa Josué de Licá

Portista de gema e criticado...
Um é português e portista ferrenho: todos concordam com a sua saída. Outro é português e portista ferrenho: muitos estão contra a sua dispensa. Falamos de Josué e de Licá, os dois maiores portistas de gema do plantel. Mas afinal, como é que dois jogadores que têm a seu favor o facto de serem portistas de berço podem motivar reacções tão diferentes quanto às suas dispensas?

O único factor diferencial é a qualidade. Josué tem mais talento que Licá. Isto justifica que a saída de Licá seja aceite por todos e que a dispensa de Josué motive tanta ira? Na verdade, tal como na dispensa de Licá, a saída de Josué assenta num único princípio: o treinador entende ter melhores soluções para as posições que ocupa.

Josué é um nome apreciado por muitos adeptos, pelo seu espírito barrista e aguerrido. Mas não iria ser titular no FC Porto em 2014-15. E não quer ficar no FC Porto se não for para jogar. Muitos adeptos agarram-se em demasia ao portismo de Josué e esquecem-se que o próprio jogador não quer ficar no FC Porto se for para ficar no banco.

... portista de gema
e aclamado
Josué era apreciado por Paulo Fonseca, o treinador que evitou que fosse dispensado do Paços de Ferreira. Não era apreciado por Luís Castro e não é por Lopetegui. Tem qualidade, falta-lhe consistência e intensidade. O treinador experimentou-o nas posições 8 e 6 e não gostou do que viu. Se entende que vai ter melhores soluções para o lugar, tem o direito a prescindir de Josué. Se ninguém da SAD e do clube coloca entraves à sua saída, é uma decisão que merece apoio. Sobretudo porque o jogador não quer estar no banco. Não faz sentido os adeptos valorizarem o portismo de Josué mais do que o próprio Josué, que desde que passou a suplente com Luís Castro já falava, no seu círculo próximo, em sair no fim do ano.

As dispensas de Lopetegui

Depois de Bolat, Tiago Ferreira, Pedro Moreira, Tiago Rodrigues, Izmaylov, Tozé, Caballero e Djalma (sendo que Rolando foi oficialmente excluído do plantel e Victor Garcia tornou-se tabu), confirmam-se então as saídas de Abdoulaye, Josué, Licá e Ghilas. Todos dispensados com reconhecimento do treinador, o que é importante. Por vezes, é melhor não trabalhar com os jogadores que não se quer do que trabalhar com os que se quer. Uma pequena apreciação a cada um.

Abdoulaye - Transformar centrais pernetas em centrais de eleição é uma marca da casa. Mas isso só se consegue jogando com regularidade, algo que no caso de Abdoulaye não seria possível. Já fez capas por interesses de Dortmund e Liverpool, mas creio que mais numa estratégia de representação/valorização do que de correspondência à realidade. Se houver uma oportunidade de jogar com regularidade por empréstimo, bom; caso contrário, pelo menos que se recuperem os mais de 1,5 milhões de euros que foram investidos no passe de um júnior recrutado no Senegal. 

Josué - Como já perceberam, aceito a dispensa de Josué. Por saber que o jogador não quer ficar no FC Porto se não for para jogar e por, sobretudo, entender que se vai sair é porque há melhores soluções para a sua posição. Mas é isso que falta confirmar: um meio-campo verdadeiramente forte. 

Licá - Bom profissional e dedicado, mas isto não devia ser cartão de visita, devia ser uma exigência para qualquer profissional. Mas é cada vez mais raro ver um portista de coração, por isso é natural que este tipo de jogadores recolha um carinho especial. Mas no caso de Licá, tirando as primeiras semanas de 2013-14, isso curiosamente nunca se confirmou. Foi sempre um mal-amado, por algumas limitações técnicas. Merece a oportunidade de relançar a carreira, tendo tal como Josué mercado em Itália.

Ghilas sai e abre vaga
para ida ao mercado
Ghilas - André Silva acaba de fazer um poker no Europeu de sub-19. Não surpreende. Numa curta análise d'O Tribunal do Dragão às camadas jovens, já tinha sido defendido que temos o melhor avançado português sub-19 e o melhor sub-21 (Gonçalo). Qual foi a última vez que tivemos duas pérolas tão promissoras para a posição 9? Infelizmente, isso não significa que mesmo com a saída de Ghilas vão ter mais oportunidades no curto prazo. Gonçalo já foi «despromovido» à equipa B e a saída de Ghilas vai ser colmatada com uma nova contratação, podendo ainda surgir outra caso seja confirmada a saída de Jackson. No caso de Ghilas, não conseguiu jogar com a regularidade desejável e já no mercado de inverno tinha estado perto de sair. Um empréstimo pode ser uma boa solução, mas o balanço não é positivo na relação investimento/rendimento. E não é necessariamente culpa do jogador.

Incógnitas - Kelvin e Sami, dois jogadores que estavam virtualmente dispensados antes do estágio, estão a conseguir baralhar as contas. E têm algo a seu favor: serem jogadores formados localmente. O FC Porto tem que inscrever 4 jogadores com este estatuto. Ricardo, na baliza, e Quaresma estão garantidos. Abdoulaye, Josué e Licá estão dispensados, por isso as outras 2 vagas vão ser discutidas com Varela (cuja saída está a ser negociada e está autorizado a estar ausente do grupo de trabalho), Ricardo Pereira (também a agradar a Lopetegui), Kelvin e Sami. Pelo menos 2 terão que sair. Já Carlos Eduardo pareceu ganhar a corrida a Josué na luta pelo miolo, enquanto o lugar de Fabiano pode estar em risco: Ricardo tem que ser inscrito na UEFA (não ser que o número 2 fosse alguém da lista B) e dificilmente Fabiano terá um papel de 3º guarda-redes no clube...

O sorriso de quem sabe que nunca esquecerá

James cumpriu o sonho de jogar no maior clube do Mundo. Quatro anos depois, chega ao Real Madrid

Andrés Fernández, solução de Lopetegui para a baliza

Keylor Navas continua a ser jogador do Levante, mas a garantia do Real Madrid de que vai pagar a cláusula de rescisão de 10 milhões de euros assim que encontrar colocação para Diego López levou o FC Porto a dar o guarda-redes costa-riquenho como perdido. 

27 anos, 2,5 milhões de euros,
sem experiência internacional
A premissa já era conhecida: Lopetegui não queria necessariamente Navas, queria um guarda-redes melhor do que Fabiano. Navas era o primeiro da lista, mas o Mundial 2014 valorizou-o demasiado e o FC Porto tardou em agir. Tal como no caso de Clasie (o FC Porto, ao comprar Martins Indi, fortaleceu a posição negocial do Feyenoord e levou a que o clube holandês já não fosse obrigado a vender), o FC Porto deixou que o Levante fizesse as vendas de que necessitava e que reuni-se melhores condições para segurar Navas. O Real Madrid tem o pássaro a mão, então é tempo de passar ao plano B.

Andrés Fernández estava há muito referenciado como o número 2 de Lopetegui para a baliza. Tem 27 anos, joga no Osasuna, e segundo o Navarra Sport já há acordo para a transferência, por 2,5 milhões de euros. Nunca jogou num grande clube (além de Osasuna, jogou no Maiorca B e no Huesca), nem sequer passou pelas selecções jovens de Espanha. Tem tudo para não ser uma escolha consensual.

Ao custar 2,5 milhões de euros, Andrés Fernández seria a contratação mais cara da história do FC Porto para a baliza. A insatisfação para com Fabiano não tem que ver com a sua capacidade entre os postes, mas sim fora deles e no jogo com os pés. Como já foi possível ver durante a pré-época, o FC Porto vai pressionar com as linhas muito altas e Lopetegui quer que o guarda-redes preencha o espaço entre a linha defensiva e a grande área. Pode Andrés Fernández ser essa solução? Estará um guarda-redes sem qualquer experiência internacional pronto para a responsabilidade que é defender a baliza do FC Porto?

PS: Helton publicou uma mensagem enigmática, possivelmente mais a ver com um desabafo do que com um anúncio. É uma lesão com uma gravidade que os 36 anos já não permitirão que recupere a ponto de voltar a jogar ao mais alto nível. É um guarda-redes bem pago, que em 2014-15 não vai jogar, mas não deixa de ser um símbolo do FC Porto. Mas não há muito mais a acrescentar ao que já tinha sido dito a 5 de julho pel'O Tribunal do Dragão: «Dificilmente fará mais do que o jogo de despedida, se fizer».

Um recado contranatura e o lançamento de uma campanha solidária

Antero Henrique estava em silêncio praticamente desde a célebre entrevista em que disse que o FC Porto não ia abdicar de ter a melhor equipa para passar a ter a melhor formação. Uma entrevista que servia essencialmente de promoção ao Museu mas em que todos os temas abordados, desde o treinador ao plantel, tiveram tiros ao lado. Nove meses depois, Antero Henrique deixa uma curta frase ao jornal O Jogo: Jackson só sai pela cláusula

Antero deixou recado.
Mas a quem?
Um aviso contranatura, inesperado e sobretudo surpreendente por quem o profere. Desde o início que há um único clube capaz de pagar aquilo que o FC Porto pede por Jackson Martínez (não os 40 milhões da cláusula, porque o FC Porto nunca vendeu um jogador pela cláusula de rescisão, mas sempre acima de 30M): o Valência.

Não é segredo para ninguém que esta negociação só é possível através da dupla Peter Lim-Jorge Mendes. E é aqui que está a surpresa: todos os negócios de Jorge Mendes com o FC Porto são directamente tratados com o presidente, sem interferência de Antero Henrique e de qualquer outro administrador. Jorge Mendes é o único empresário que reporta sempre e apenas directamente a Pinto da Costa. 

É uma surpresa, por isso, que seja Antero Henrique a deixar o recado para o mercado (será mesmo para o mercado?), após 9 meses de quase absoluto silêncio. Sobretudo porque o CEO da SAD era próximo de Luis Manso, o empresário que foi substituído por Luis Henrique Pompeo (próximo de Alexandre Pinto da Costa) na representação de Jackson, que esperou durante mais de 1 ano por uma renovação de contrato prometida que nunca se concretizou.

Entretanto, Jackson pediu mais uma semana de «férias». Ninguém será ingénuo ao ponto de acreditar que isto não tem que ver com o impasse numa possível transferência, até porque foi noticiado publicamente que os mundialistas tiveram férias pré-Mundial de modo a que regressassem aos trabalhos mais cedo. A vontade de Jackson, e é importante recordar isto, não é apenas uma transferência, mas sobretudo ter um contrato melhor. Não é mal pago, e se não fosse o FC Porto talvez ainda estivesse perdido no México, mas se lhe prometeram uma renovação de contrato caso não fosse transferido há que cumprir. Já com mais de um ano de atraso.

Campanha solidária

O Tribunal do Dragão lança hoje uma campanha de solidariedade: vamos doar o dinheiro pelo mecanismo de solidariedade de James Rodríguez a Bruno de Carvalho. De recordar que o presidente do Sporting expressou a sua indignação por, no negócio de 70 milhões de euros com o Mónaco, James ter sido avaliado em 45 milhões de euros e João Moutinho em 25 milhões.

Um apoio à Missão Pavilhão
Recapitulando: James Rodríguez foi o melhor marcador e jogador (para quem tem olhos) do Mundial 2014. Depois de ter sido vendido ao Mónaco por 45 milhões, um ano depois ruma ao Real Madrid por 80 milhões de euros. São 125 milhões de euros no espaço de um ano. Mais, para entrar no Real Madrid, ao que tudo indica vai sair Di Maria, que neste momento tem lugar em qualquer equipa do mundo... menos numa em que haja James Rodríguez, pelos vistos.

Já João Moutinho... Qualquer portista sabe que é um jogador fabuloso. Não necessariamente uma máquina por si só, mas é o jogador que faz funcionar qualquer máquina. Mas tem e sempre teve um problema: não é decisivo. São raros os momentos em que faz um golo que decida um jogo todas as épocas e, para um jogador de 25 milhões, produz pouco ofensivamente. Daí que tenha sido considerado uma das 10 desilusões da época em França pelo L'Equipe. Até Kroos, um jogador superior a Moutinho, não foi vendido por muito mais pelo Bayern, mesmo sendo 4 anos mais novo. Um ano depois, ninguém ousaria pagar 25 milhões de euros por Moutinho ao Mónaco, até porque faz 28 anos este verão.

Com a transferência de James para o Real Madrid, o FC Porto tem a receber 1,2 milhões de euros, por ser um jogador formado no clube. Sugerimos que essa verba seja doada ao presidente do Sporting, como compensação para o péssimo negócio que foi a venda de João Moutinho por parte do FC Porto. Isto segundo a análise de um clube que em toda a sua história só vendeu um jogador por mais de 15 milhões de euros. Os 1,2 milhões podem ajudar o clube dos 3 milhões de adeptos, que em 3 meses para a missão pavilhão vendeu seis mil kits... entre os 250 mil necessários. Quem chega primeiro: a missão pavilhão a 250 mil kits ou o Vieira a 300 mil sócios?

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Djalma: à espera de quê?

Chegou ao FC Porto em 2011, proveniente do Marítimo, a «custo zero». O FC Porto ficou com 90% do passe de Djalma e cedeu 10% à Pacheco e Teixeira, com sede em Matosinhos, tal como a Promosport, do empresário António Teixeira, que todos os anos faz negócios com o FC Porto e que é carinhosamente tratado como o «agente das sobras», pois raramente oferece negócios realmente rentáveis ao clube.

Sem espaço, mas
a render anualmente
Djalma jamais seria mais do que um jogador útil. Da época 2011-12 retêm-se dois momentos: um falhanço no jogo decisivo contra o Zenit e o jogaço que fez na Luz, na vitória por 3-2. Angolano, é um jogador formado em Portugal, sempre útil nas inscrições para a UEFA, mas rapidamente se percebeu que nunca ia ultrapassar o campo da utilidade.

Então, a SAD alienou 25% de Djalma ao recém-criado fundo Soccer Invest Fund. Está registado na CMVM e é uma ramificação da MNF Gestão de Activos. O valor nunca foi oficialmente declarado, embora alguma imprensa tivesse apontado para 500 mil euros. O FC Porto disse-o assim:

«A alienação dos direitos desportivos e económicos sobre os jogadores Rúben Micael, Djalma (25% dos direitos económicos) e Iturbe (15% dos direitos económicos), que ocorreram igualmente neste período, não geraram resultados significativos

A CMVM é a única entidade que tem acesso à lista de investidores ligados à Soccer Invest Fund. Sabe-se apenas que Lino de Castro, ex-administrador do Sporting, é um dos nomes com ligação ao fundo de investimento. Certo é que o FC Porto avançou para uma série de negócios com esse fundo: 20% de Mikel, por 200 mil euros, 5% de Fucile, por 110 mil, 10% de Edú, por 100 mil, e 11% (depois passaram a 15%, pois havia a opção de comprar mais 4%) de Iturbe, por cerca de um milhão de euros.

Desconhece-se quantos jogadores continuam ligados ao SIF (não há conhecimento de negócios com os rivais da Segunda Circular), mas Fucile, Edú e Iturbe já não estão ligados ao FC Porto. Sobra Mikel, que se lesionou com gravidade, e Djalma, o nome que vai manter a máquina a mexer. Pelo terceiro ano consecutivo, foi emprestado a um clube turco.

Djalma tem 27 anos e jamais será aposta no FC Porto, já todos perceberam isso, e tem mais 2 anos de contrato. Esta era a altura de tentar vender o jogador a título definitivo. Mas o «agente das sobras» parece ter dificuldades em fazer grandes vendas. Beto (foi a custo zero para Braga, com 50% de uma futura venda garantida), Caetano, Candeias, Rabiola, Sereno, Soares e Tiago Rodrigues são alguns dos seus jogadores que tiveram ligação ao FC Porto e que, com excepção a Beto, nunca tiveram nem nunca vão ter papel relevante na equipa principal, nem foram vendidos por valores significativos. Curiosamente, o seu destino é quase sempre empréstimos sucessivos... Tiago Rodrigues é o próximo que se prepara de saltar eternamente de empréstimo em empréstimo até lado nenhum.

Avaliado em 2 milhões
em negócio com o SIF
Recentemente, António Teixeira intermediou a venda de Castro ao Kasimpasa. A imprensa falou em 3 a 3,5 milhões de euros. A SAD declarou 2 milhões. Só no próximo R&C é que se descobrirá qual foi a real mais-valia com a venda de um jogador sempre muito acarinhado pelos adeptos, embora também sem a qualidade que se exigia para ser um indiscutível.

A crítica aqui prende-se com a política em voltar a emprestar um jogador de 27 anos que nunca mais vai jogar no FC Porto. Mesmo em empréstimos, não deixa de haver encargos. E a diferença é que o FC Porto em vez de pagar de uma só vez os encargos por uma venda, anda a pagar anualmente por empréstimos. Sempre ao mesmo protagonista. Que esperam? Que Djalma saia em fim de contrato e até lá se garanta um clube que, todos os anos, pague uma parte do salário? Não seria mais rentável deixar o jogador, desde já, sair por uma verba de um milhão de euros?

E aqui está o problema. Com Djalma avaliado em cerca de 2 milhões de euros pela alienação ao SIF, o FC Porto não aceita uma valorização inferior no mercado, de modo a que o fundo não fique em prejuízo aquando da venda. A SAD surge assim condicionada pela avaliação que fez aquando da alienação de Djalma. O mais provável é que os empréstimos se sucedam até 2016, ano do fim de contrato, e que o SIF (desconhece-se se haverá uma cláusula de indemnização pela saída de um activo em fim de contrato) seja apenas mais um entre os fundos que passam, pastam e dão lugar a outros nos prados do futebol português.

Os fundos e as transferências

O Diário de Notícias, cuja equipa de Grande Investigação é do melhor (e talvez do pouco de bom) que há no jornalismo português, com excelentes investigações sobre Caso BPN, Orçamentos de Estado, PPP, Estado Social e até organizações secretas, publicou agora um trabalho interessante sobre os fundos em Portugal.

Vale bem a leitura. N'O Tribunal do Dragão só recorremos a informações oficiais para a análise, como aqui, mas o DN publicou alguns dados que se desconhecia, e até alguns que são errados (o empresário Romeu Magalhães, por exemplo, não tem 50% de Ghilas). E ainda não foi desta que alguém descobriu o nome do empresário de Kelvin.

Dão conta, por exemplo, que a transferência de Roberto está a ser alvo de uma investigação da PJ (curiosamente, envolvido na mesma fornada de inquéritos que o último capítulo relacionado com o Apito Dourado - mas incrivelmente, o jornal Expresso decidiu só publicar a notícia de que as transferências de Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho estão a ser investigadas e de que terá havido desvio de fundos para contas suíças, ignorando a investigação ao negócio Roberto), como a Ongoing e Joe Berardo ganham dinheiro às custas do SLB e como o Sporting tem um recorde de 22 jogadores alienados a fundos espalhados por paraísos fiscais. Mas o que importa é o FC Porto e é essa leitura que O Tribunal do Dragão recomenda.

Aqui há uma opinião formada e clara em relação aos fundos de transferências: não a favor da proibição, mas sim da regulação e da transparência. Criou-se a ideia de que os fundos são essenciais aos clubes portugueses - e são, mas apenas para que continuem a viver acima das suas possibilidades. Os fundos são parceiros essenciais para que os melhores clubes portugueses sejam superiores a equipas suíças, austríacas, belgas e polacas, apesar de Portugal ter um PIB inferior ao desses países. Não é esse o problema, mas sim a falta de transparência em alguns processos. Não devia ser necessário escavar tão fundo para saber quem está por trás dos... fundos. Se são meros investidores, o que há a esconder?

domingo, 20 de julho de 2014

Como tentar criar uma polémica que não existe

O jornal A Bola escreveu, no seu site, uma informação verdadeiramente surpreendente. Passamos a reproduzi-la:

O presidente do Hellas, pelos vistos, «revelou» aquilo que já se sabia desde que Iturbe assinou pelo FC Porto: tinha uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.  Uma coisa que já se sabe desde 2011, quando Iturbe assinou por cinco épocas com o FC Porto.

Ora, o que o jornal A Bola quer fazer parecer, vá-se lá saber com que propósito, era que a cláusula de compra do Iturbe para o Hellas era de 60 milhões de euros. Valeu a tentativa, mas há um problema:

Conforme foi declarado à CMVM, a cláusula de compra de Iturbe por parte do Verona era de 15 milhões de euros. A cláusula do contrato com o FC Porto, válida para qualquer outro clube, é que era de 60 milhões de euros.

Portanto, o encaixe com Iturbe ainda dá para qualquer coisa. Uns quê, três Garays?