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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Salazar estaria orgulhoso

Despedida do Estádio do Dragão da época 2016-17, com a garantia de que se completará um ciclo de, pelo menos, cinco anos sem que voltemos a festejar um título na nossa fortaleza. A mesma fortaleza em que o FC Porto não consentiu uma única derrota esta época, mas em que somou três empates que comprometeram seriamente a luta pelo título.

Mas ao contrário do que se possa fazer crer, este não é um título que se perde em casa - o FC Porto, na época 1999-2000, somou 49 pontos em 51 possíveis e mesmo assim não deu para chegar ao título. Este é um título que se perdeu por muitas vias: começando pela pré-época, com uma má escolha para o cargo de treinador e uma má abordagem na gestão/reforço/definição do plantel; perdeu-se com sucessivos erros arbitrais que impediram o FC Porto de ganhar pontos e confiança preciosas em algumas jornadas; perdeu-se com a falta de crescimento da equipa e de qualidade individual em alguns momentos; perdeu-se porque o FC Porto falhou em quase todos os momentos decisivos, enquanto o Benfica raramente tremeu quando o FC Porto pressionou - mesmo que tenha havido fatores externos a reforçarem-lhes as varetas na hora da pressão. Inegável, mas para a história fica sempre o mesmo: o FC Porto perdeu este título de campeão para o Benfica. Mais um. 

E agora? E agora há quem clame que o Benfica pode ser tetra pela primeira vez, mas que o FC Porto continua a ser o único penta. Quem diria, um portista cada vez mais agarrado ao passado para combater a realidade do presente. Talvez ignorem é que, dentro de um ano, o penta pode muito bem deixar de ser um exclusivo, sobretudo se não houver melhorias necessárias de forma gritante, desde a equipa técnica à postura da SAD em todas as posições do futebol profissional (desde o mercado aos órgãos de poder), bem como reajustes no plantel em todos os setores. E acima de tudo, não pensar que é com uma troca de treinadores que se resolvem todos os problemas, sobretudo quando conseguem escolher um pior do que o que já cá estava, sem quaisquer valias ou currículo que o recomende para o FC Porto.

Esta vitória sobre o Paços de Ferreira não será recordada nos livros de história, infelizmente, mas não deixa também de ser curioso a facilidade com que desta vez se apitaram duas grandes penalidades a favor do FC Porto. Ainda assim, a maior história do jogo não é essa. Já lá vamos.





Héctor Herrera (+) - Um golo atípico na sua carreira, de cabeça, e uma bela assistência para Diogo Jota. Sem Danilo de início e com André André a baixar muitas vezes no início de construção, aproveitou para se libertar e foi o jogador mais interventivo em campo, tendo não só chegado várias vezes a zonas de finalização como tido diversas ações defensivas (16 no total). Uma boa exibição, mas ainda assim não deve continuar a haver muitas pessoas que teriam recusado uma proposta de 30M€ por ele no último verão. Fica também uma palavra para mais uma exibição bastante razoável de Otávio no meio-campo. 

Diogo Jota (+) - Entrou, agitou o ataque, fez um golo, arrancou um penálti e confirmou um estatuto invulgar para um jogador emprestado no seu primeiro ano de equipa grande: é o jogador do FC Porto com maior influência direta em golos por minuto no Campeonato. Diogo Jota faz um golo ou assistência a cada 110 minutos, uma média excelente para um menino que completou apenas 20 anos em dezembro. E agora? Agora terá a palavra o FC Porto, o Atlético de Madrid e Jorge Mendes. Não necessariamente por esta ordem. 





Será que chega? (-) - Quando Soares chegou ao FC Porto e teve uma entrada a matar, não tardaram as comparações com grandes goleadores da história do FC Porto. Uns falaram em Derlei, outros chegaram a Jardel. Mas talvez a comparação mais ajustada seria esta: Adriano. Não necessariamente pela qualidade técnica dos jogadores, mas por terem tido o seguinte papel: excelentes como reforços de inverno, mas talvez não o suficiente para serem considerados titulares no FC Porto a longo prazo.

Soares superou claramente as expetativas no FC Porto - 12 golos em 16 jogos é sempre excelente, apesar de nos últimos 9 jogos ter apontado apenas 3. Mas será necessário ponderar seriamente se terá a capacidade de se assumir como um titular indiscutível e decisivo no FC Porto. Adriano (que curiosamente também foi determinante num clássico contra Sporting, este sim verdadeiramente decisivo e a valer o título) também chegou, foi determinante na luta pelo título, mas a longo prazo viu-se que não deu para mais. 

Soares, que teve uma exibição francamente má no seu último jogo no Dragão (nenhum remate, nenhuma jogada de perigo), pode e deve ter a oportunidade de fazer a pré-época com a equipa, quiçá com um treinador que saiba trabalhar avançados, e com isso talvez até consiga evoluir e afirmar-se como uma solução de créditos de médio prazo, em vez de ser apenas um reforço de inverno com impacto imediato. No entanto, o presente recomenda que ninguém entre na próxima época a pensar que o FC Porto será Soares e mais 10. 

A cuspidela de Nuno (-) - Nuno Espírito Santo deu os parabéns ao Benfica. Nuno Espírito Santo deu os parabéns ao Benfica. Nuno Espírito Santo deu os parabéns ao Benfica. Sim. O mesmo Benfica que se aguentou na liderança ao som do apito, que tem ostracizado o FC Porto em todas as ocasiões, que vários portistas tentaram combater ao longo do último ano, com um revoltante sentimento de injustiça. Não, o FC Porto não jogou futebol de campeões em 2016-17, mas que ninguém diga que o Benfica jogou muito mais. Não foi um campeão incontestável. Nunca saberemos o que aconteceria em campos menos inclinados.

Mas o que faz NES? Cospe em toda a luta dos portistas ao longo da época, ao felicitar o Benfica. Percebe-se, de certa forma, que o faça. Afinal, os comentadores afetos ao Benfica em espaço televisivo têm feito questão de elogiar, e muito, NES desde o início da época. Por uma dupla razão: não só têm todo o interesse desportivo em manter NES no FC Porto como mantêm de pé o bom nome de um cliente de Jorge Mendes. E podem ter a certeza: não faltarão, nos próximos dias, benfiquistas a enaltecerem que fez um excelente trabalho e que merece continuar. Nem é preciso cartilha para o antecipar. Preocupante é que também haja portistas a partilharem dessa opinião, mas é um direito que lhes assiste. O problema é que as consequências, depois, tocarão a todos. 

O orgulho de Salazar (-) - Muitos portistas - e o próprio clube nas suas vias oficiais - decidiram chamar a este Campeonato a Liga Salazar. Mas muito possivelmente o que mais honra o legado de António Salazar não é o tetra do Benfica: foi o que se passou nas bancadas do Estádio do Dragão, com os Colectivo 95 a serem impedidos de fazer o que já se fez em tantas outras ocasiões - manifestarem o total e legítimo direito à crítica. À crítica. Não à ofensa, não à difamação, não ao insulto. À crítica. 

Os Colectivo não são a claque mais popular de Portugal, todos sabem isso. Mas são tudo aquilo que deve ser uma claque. Não priorizam merchandising ou proximidade com dirigentes/funcionários em detrimento da sua postura de adeptos independentes no Estádio do Dragão. Apoiam. Sofrem pela equipa. Viajam com a equipa. Estão lá nos maus momentos. Mas também têm algo fundamental: ter posição crítica. Essa mesma posição que, note-se, foi censurada por quem tem no seu cargo uma função que inclui a «ligação» entre adeptos. Os C95 esperaram pelo final da época para assumirem essa posição crítica. Ao longo da temporada, nunca faltou apoio à equipa. E agora, no final da temporada e numa fase em que se impõe a análise e o balanço, querem inibir o direito de opinião a quem sempre batalhou pelo FC Porto!?

O próprio presidente do FC Porto já tinha feito a distinção entre os verdadeiros portistas e os demais, entre os bons e os maus. Este episódio foi nesse sentido: bom portista, aparentemente, é aquele que fecha os olhos a tudo o que está mal, que come e cala, e que começa cada vez mais a invocar o passado em vez de se preocupar com presente e futuro. Não é uma conversa nova: já vem desde o milagre de Kelvin. São quatro - a caminho de cinco - anos a seco.

Nenhum, nenhum dos portistas que vibraram com o golo de Kelvin, há quatro anos, imaginaria que esta seria a realidade do presente: o Benfica se calhar está mais perto de ganhar o quinto Campeonato consecutivo do que o FC Porto o primeiro em cinco anos. 

Fica aqui uma total de manifestação de solidariedade para com os C95, como não poderia deixar de ser num espaço que também sempre fez uso da crítica legítima, sustentada e construtiva. Ainda assim, a tarja erguida não parece corresponder totalmente à verdade: o espírito de campeão já não parece viver em todos os portistas. 


Pró ano há mais. Do mesmo?

quarta-feira, 8 de março de 2017

Lanterna e poste de iluminação

Sim, isto aconteceu. «Quem não salta é lapião». É isto que está escrito na base de um dos castigos aplicados ao FC Porto no jogo frente ao Nacional, devido a cânticos de parte dos adeptos. 


«Quem não salta é lapião». Uma expressão muito curiosa no relatório à responsabilidade de António Soares e Álvaro Maia, os delegados escolhidos para o FC Porto x Nacional. Afinal de contas, o que significa «lapião»? Que palavra é essa tão grave que justifica uma menção no relatório?

Abrimos o dicionário... e nada. A palavra «lapião» não existe. No entanto, o FC Porto foi multado por parte dos seus adeptos, aparentemente, ter gritado que «e quem não salta é lapião».

Isto já é motivo suficiente para o FC Porto se recusar a aceitar este castigo, pois o Conselho de Disciplina nem sequer é competente o suficiente para citar uma palavra corretamente num relatório. Mas vá, admita-se que o que estava em causa era a expressão «e quem não salta é lampião».

Mas nesse caso, o que significa ao certo «lampião»?


Algo está aqui a faltar nos dicionários Porto Editora. Vejamos. «Quem não salta é uma lanterna», é ofensivo? «Quem não salta é um poste de iluminação pública», é pejorativo? Onde está exatamente a ofensa em «lampião»? Cabe a quem escreveu o relatório e quem atribuiu um castigo ao FC Porto com base nele o esclarecer.

Sim, nas trocas de bocas entre adeptos, os benfiquistas são tratados muitas vezes por lampiões, e os portistas por tripeiros. Nesse caso, se «lampião» é uma palavra que motiva um castigo, onde está o castigo aplicado ao Benfica quando os adeptos, em pleno jogo, decidiram cantar «tripeiro, cabrão»?


Relativamente à segunda expressão que é invocada, o «filhos da puta SLB». Por mais absurdo que seja os adeptos do FC Porto estarem a pensar no Benfica quando a sua equipa está a golear o Nacional (o tempo é sempre mais bem aplicado em apoio à equipa do que em ofensa ao adversário - sobretudo ao adversário que nem sequer está em campo), onde esteve a coerência do Conselho de Disciplina durante o último Benfica x FC Porto?


Antes de cada pontapé de baliza, os adeptos do Benfica gritaram «filho da puta» dirigido a Iker Casillas, guarda-redes do FC Porto. Houve menção disso no relatório de jogo? Houve castigo com base na mesma ofensa? Ou o tratamento é diferente entre os adeptos do FC Porto e do Benfica?

Antes de pagar qualquer tipo de multa, o FC Porto só tem que invocar estas questões e precedentes. E a Porto Editora tem que atualizar o seu dicionário. 

PS: Uma vez mais, o FC Porto volta a receber multas por culpa dos petardos nas bancadas. Ou a(s) claque(s) assume(m), de vez, o fim desta brincadeira que no final da época custa dezenas de milhares de euros ao clube, ou então talvez seja boa ideia o FC Porto começar a apresentar essas faturas aos responsáveis pelo lançamento de petardos. Não digam que não é possível organizar uma coreografia ou falanges de apoio expressivas e pujantes o suficiente sem petardos. Se não é, nesse caso, o FC Porto já sabe a quem tem que apresentar as próximas faturas pelo lançamento de material pirotécnico. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O jogo além de Herrera

Minuto 87: Héctor Herrera entra em campo.

Minuto 88: O FC Porto ganha um lançamento de linha lateral... e bate a bola diretamente para Ederson. O FC Porto entrega a bola ao Benfica ao minuto 88.

Minuto 89: Cruzamento do lado direito do Benfica. O FC Porto tem 6 jogadores metidos na sua grande área, para 3 do Benfica. A equipa deixa de pressionar e recua todas as suas linhas.

Minuto 89: Falta ganha por André Silva. O FC Porto perde a bola menos de 10 segundos depois e permite um ataque rápido do Benfica.

Minuto 90: Rúben Neves, no seu meio-campo, atira a bola para a frente, tentando apanhar Layún nas costas da defesa. A bola saiu pela linha lateral. Posse novamente para o Benfica.

Minuto 90: Alex Telles ganha no corpo-a-corpo e a bola vai sair pela linha de fundo, o que daria pontapé de baliza e mais alguns segundos a Casillas. Mas Layún evitou que a bola saísse, foi prontamente pressionado e foi forçado a pontapear para a frente, entregando a bola ao Benfica.

Minuto 90'+1: Rúben Neves desmarca Herrera pela direita. Herrera podia ir para a bandeirola de canto, aguentar lá a posse e ganhar tempo. Mas preferiu ir diretamente para a zona central, onde já tinha 3 jogadores do Benfica a fechar-lhe o corredor. O lance acabou por quase dar a Rúben Neves a possibilidade do 2x0. Foi a última aproximação à grande área para tentar matar o jogo.


90'+2: Eliseu mostra agilidade pela primeira vez na partida e desvia-se do corte de Herrera.

90'+2: Herrera e Maxi, que estavam junto à bandeirola de canto, viram as costas e correm para a grande área. Ninguém se apercebeu que André Horta estava ali completamente sozinho, pronto para receber a bola. O FC Porto tem neste momento os 11 jogadores enfiados na sua grande área. A pressa de povoar a grande área foi tanta que ninguém pensou que o Benfica tinha pelo menos 2 jogadores livres para ir receber o canto curto.

90'+2: Herrera é o único a sair na pressão e tenta evitar o passe para Pizzi. André Horta puxa para dentro e cruza.


90'+2: Lisandro, entre Danilo e Rúben Neves, faz o golo.

Estes foram os minutos finais do clássico entre FC Porto e Benfica. E resumem uma coisa: falta de maturidade. Uma equipa que não foi capaz de aguentar a bola 10 segundos na reta final. Uma equipa que entregou voluntariamente a bola ao Benfica. Que não foi pragmática, não soube jogar com o relógio. Uma equipa que acusou toda a sua inexperiência para os minutos finais. Faltou uma coisa importantíssima: liderança. No banco e dentro de campo. 

É sempre difícil de perceber o que se passa em campo: se por instrução dos treinadores, se por decisão própria dos jogadores. Exemplos disso são o lançamento de linha lateral, que resulta numa bola bombeada para Ederson, e a bola que Herrera tem aos 90'+1. Foi Nuno Espírito Santo que não deu instruções para segurar a bola? Ou foram os jogadores que tiveram pressa em meter a bola na grande área do Benfica?

Provavelmente nunca saberemos. O que sabemos é que os minutos finais revelaram muito mais do que um corte mal calculado de Herrera: revelaram uma equipa que demonstrou imaturidade num momento crucial. Não sabemos se faltaram instruções devidas a partir do banco, ou apenas liderança em campo. O que sabemos foi que o FC Porto não teve a clarividência necessária para segurar a bola nos minutos finais de um clássico, frente a um Benfica que esteve muito longe de ser uma equipa ameaçadora. Não esquecendo que tinham vários titulares de fora, enquanto o FC Porto tinha todos os jogadores disponíveis. Sim, ninguém ficou impressionado com este Benfica. Mas se tirarem uma mão cheia de titulares ao FC Porto, as coisas também são capazes de não correr da melhor forma.

Este tipo de acontecimentos não é inédito. Para quem não se recorda, o golo de Kelvin começou num lançamento de linha lateral para o Benfica, que João Moutinho intercetou. São coisas que acontecem. Pequenas falhas que têm depois grande impacto. Mas em suma, nunca em lado algum viram algum clube perder um campeonato porque um jogador chutou uma bola para canto.

De todos os erros que podem ser cometidos no futebol (agressão, penalty no último minuto, auto-golo, falta à entrada da grande área...), Herrera cometeu talvez o mais banal de todos eles: calculou mal um corte. Aquele lance, aquela pressa de querer pontapear a bola contra Eliseu com toda a força para ganhar o lançamento, mostrou um jogador que teve mais coração/garra do que cabeça/calma. E aquele momento recomendava isso mesmo: calma.

Não sabemos que instruções Nuno deu a Herrera. O que sabemos é que vários jogadores do FC Porto não tomaram as melhores decisões nos últimos minutos do clássico. Mas é verdade que um jogador com a experiência de Herrera devia ter noção de que, naquele momento, era necessário outro tipo de abordagem. A não ser que lhe tenham dado indicação contrária.

Todos se estão a centrar no mau corte de Herrera, mas esquecem algo: a facilidade com que as equipas estão a conseguir marcar ao FC Porto em lances de bola parada. Foi assim com o Rio Ave, com o Sporting, com o Boavista e agora com o Benfica. Nuno Espírito Santo tem uma forma própria de trabalhar as bolas paradas: coloca três jogadores em marcação H-H e o resto em defesa à zona. Algo a rever: são muitas vezes os adversários que estavam na marcação à zona que conseguem o cabeceamento. Por exemplo, no momento do cruzamento de André Horta, Danilo não está a marcar ninguém. Está sozinho. André Silva e Alex Telles estão na zona de Lisandro. Depois, André e Alex ficam para trás, enquanto Lisandro faz o movimento de aproximação, já com a frente ganha a Rúben Neves. Quando Danilo aborda o lance, já com Felipe também solto, já tem a bola nas suas costas. Coisas como o corte de Herrera acontecem uma vez em 50 jogos. Já as bolas paradas são situações que têm que ser trabalhadas durante todos os jogos.


Em relação a Herrera, importa lembrar que é capitão do FC Porto. E não é capitão pelo seu espírito de liderança, por ser carismático ou por ser o melhor jogador da equipa. Nem é capitão como condição de uma renovação de contrato. É capitão porque é um jogador respeitado por todo o balneário. E não tem culpa que não haja um João Pinto ou um Jorge Costa no plantel. Faz bom balneário, é empenhado. Não, não beija o símbolo, não mete fotos bonitas com hashtags na internet. Empenha-se, respeita e faz-se respeitar. 

Herrera sempre teve caraterísticas que não eram as mais adequadas para o meio-campo do FC Porto nos últimos anos. Por exemplo, seria um jogador talhado para as mãos de Jesualdo Ferreira. Com Paulo Fonseca, Luís Castro, Lopetegui, Peseiro ou Nuno Espírito Santo, viveu alguns períodos difíceis. Com Lopetegui fez a melhor época, com José Peseiro foi o melhor jogador da segunda volta de 2015-16. Nas últimas semanas, está a atravessar um momento menos positivo.

Suficiente para merecer o repúdio de que tem sido alvo por muitos adeptos? Não! Herrera não agrediu ninguém. Não ofendeu um colega. Não desrespeitou o símbolo do FC Porto. Não desistiu de um sprint. O que fez Herrera? Quis entrar com tudo num lance onde tinha que ter calma. É este o pecado que justifica toda essa revolta que por aí vai? Se assim for, pobre do jogador do FC Porto que for expulso, ou que falhar um penalty, ou que fizer uma falta que dê um golo ao adversário. Vão fazer Fernando II de Aragão e Isabel de Castela parecerem meninos. 

Herrera foi decisivo na excelente Champions 2014-15, com 4 golos. E já este ano, para quem não se recorda, fez duas assistências no play-off. Com a camisola do FC Porto já fez 20 golos e 22 assistências. Esteve em momento cruciais para o FC Porto nos últimos anos, sempre com respeito e profissionalismo com a camisola que veste.

Nunca fez birra para sair, coisa que tantos outros heróis dos adeptos fizeram. E uma questão: Herrera tem culpa que tivessem rejeitado uma proposta de 30M€ por ele? Não. Aliás, há dúvidas que algum adepto, por mais que goste de Herrera, tivesse rejeitado uma proposta de tal valor por ele. Moutinho, Deco, Lucho, Maniche, Fernando, Meireles (e aquele auto-golo na Choupana?) e Guarín (que também sentiu na pele o que é ser mal-amado) saíram por bem menos e conseguiram mais do que Herrera ao serviço do FC Porto. 

Aqui, mantendo a postura que sempre teve, Herrera não merecerá outra coisa que não o mesmo respeito com o qual trata o FC Porto. Ou seja, máximo respeito. No último clássico na Luz, marcou ao Benfica e foi o melhor em campo. No último jogo, falhou Eliseu, um jogador no qual devia ser mais fácil acertar do que na baliza. O que se vê é adeptos a confundir o erro do futebolista com o homem. E fazem ataque pessoais ao homem. Vergonhoso! Se o pior que tivermos para dizer de Herrera da sua passagem pelo FC Porto foi que chutou uma bola para canto, ninguém vai perder o sono. Mas que há quem precise de acordar, há.

Ânimo, Héctor!

sábado, 6 de agosto de 2016

Loucura

Vamos à matemática. Quanto dá loucura x 10? É a conta que se impõe depois do FC Porto ter, no treino aberto aos adeptos, conseguido colocar quase 20 mil portistas no Dragão, apesar da pré-época estar a ser, na sua globalidade, mal preparada e gerida. Não necessariamente no plano técnico-tático, mas na construção e redefinição do plantel, com o efeito dominó resultante da ausência de vendas e da queda de receitas na UEFA.

Ter 20 mil portistas em apoio aos jogadores e ao treinador, nesta fase, é louvável. Poderíamos dizer que foi uma «loucura azul», mas isso seria mentir. «Loucura» foi quando o jornal A Bola se rendeu aos «milhares de adeptos» presentes no treino aberto do Sporting. E por milhares, entenda-se pouco mais de 2 mil.



Mas a «loucura» pode significar muito mais. «Loucura» foi quando o Benfica, que ao contrário do FC Porto atravessa um dos melhores períodos do seu historial, abriu as portas aos adeptos. E neste caso, por loucura entenda-se isto, segundo o JN: «Cerca de 2700 adeptos».


Portanto, se ter 2000 ou 2700 adeptos num treino é uma «loucura», o que dizer de 20 mil? Mais: os que foram ao Dragão não foram movidos por vitórias ou por uma boa fase do FC Porto. Foram adeptos que querem começar já a puxar pela equipa para a nova época. Neste caso, não é a equipa a puxar pelos adeptos, é o contrário.

É mais que óbvio que, à 3ª jornada do campeonato, as opiniões dos portistas já serão revistas, seja pela negativa ou pela positiva. É sempre assim. Nuno Espírito Santo, não deixando nunca de ter sido uma aposta de enorme risco, tem sido genericamente bem acolhido pela massa adepta, mas no final de agosto, depois do jogo com o Sporting e do playoff com a Roma, já haverá muita gente a mudar de opinião. Para o bem ou para o mal.

Não é fácil preparar uma época com tantas indefinições. Os adeptos não podem nunca ser insensíveis ao facto de treinador e jogadores não terem culpa do atraso na (re)definição do plantel (no caso do treinador, não pode dispensar um jogador se não tiver garantias de que virá outro). Agora só podemos contar com uma coisa: é com este treinador, e com estes jogadores, que o FC Porto terá que se bater para tentar entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Não vale a pena pensar em reforços-surpresa hoje ou em contratações-relâmpago até segunda-feira. É com quem já cá está que o FC Porto terá que tentar bater a Roma, favorita - aquela palavra que o FC Porto aprendeu a ultrapassar na sua história - para o playoff.

Nuno Espírito Santo, por mais limitações que possa ter, já tem que saber com que o 11 o FC Porto vai começar a luta contra a Roma. É impensável que um jogador seja contratado e que, com 1 ou 2 treinos, entre logo para um playoff - a não ser que se tratasse de alguém que já trabalhou com NES e que saiba o que o treinador quer.

Isso não invalida em nada a má preparação da SAD desta época. Pinto da Costa assumiu, no início de abril, que a época anterior tinha acabado e que os jogadores estavam numa espécie de «pré-época» para esta temporada. Cinco meses depois, a uma semana do arranque da época, o FC Porto não só tem posições carenciadas como não conseguiu nenhuma venda relevante.

O plantel foi avisado, no início de abril, que a preparação para a época 2016/17 já tinha começado. Mas talvez tivesse sido boa ideia afixar o mesmo aviso na SAD.

E agora? Agora vamos com as armas que temos. É o ideal? À partida não. Mas se Pinto da Costa afirmou que «já todos perceberam que esta será uma equipa à Porto», então não temos motivos para estar preocupados. A Roma que se cuide, pois Pinto da Costa não é senhor de se limitar a chavões e frases de ordem só para apaziguar as águas. Pois não? Isso sim, seria uma «loucura».

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Rui Vitória não seria campeão no FC Porto

No futebol português, os treinadores são bestiais quando ganham e bestas quando perdem. Rui Vitória é apenas mais um exemplo. Em fins de outubro já se discutia a sua saída, que poderia muito bem ter sido carimbada à 11ª jornada, em caso de derrota em Braga. Perdeu 7 jogos na primeira parte da época, dos quais 4 clássicos, e à 8ª jornada levou 3x0 em casa do Sporting e já estava a 7 pontos da liderança. Isto depois de uma pré-época sem ganhar um único jogo. Acabou campeão.

No FC Porto, Rui Vitória não seria campeão. E o que está em causa nem é a valia técnico-tática do treinador, nem o aparo dado por Vítor Pereira e pelo sistema encarnado, mas sim algo mais.

Quando o Benfica estava a perder 3x0 com o Sporting na Luz, ficando já a 7 pontos da liderança e no 6º lugar, vemos uma grande onda de apoio ao treinador e à equipa no minuto 70. 

Ser protegido nas derrotas
Já quando o FC Porto estava a vencer a Académica por 3x0, subindo pela primeira vez à liderança isolada do campeonato nos últimos dois anos... Os adeptos decidem brindar o treinador com uma grande assobiadela, por ter preferido lançar um jogador em vez de outro. Os mesmos adeptos que assobiam ao primeiro passe falhado. Os mesmos que assobiaram Brahimi antes de este marcar o penalty no último jogo no Dragão, por preferirem que tivesse sido André Silva a marcar.

O Estádio do Dragão deixou de ser um estádio temido pelos adversários. Deixou de sê-lo porque os adeptos da casa pressionam mais o FC Porto do que os adversários. Vejam-se as intervenções de treinadores como Jorge Simão e Filipe Gouveia quando foram ao Dragão: explicaram que a intenção das suas equipas era aguentar até os adeptos do FC Porto começarem a assobiar e a pressionar os seus jogadores. E dizem isto sem rodeios, sem hesitação. 

Rui Vitória não seria campeão no FC Porto porque, em outubro, já teria mil e um pedidos de demissão. Não chegaria a terminar a época, tamanha que seria a pressão sobre ele. 

Quem não se lembra da primeira derrota de Paulo Fonseca no campeonato? Depois de perder em Coimbra, tinha 200 adeptos à espera no Dragão, com tochas e insultos. Estava a 2 pontos da liderança. Imaginem como seria se já tivesse perdido 7 jogos e estivesse no 6º lugar do campeonato (não desvalorizando o fator Liga dos Campeões e os empates, que numa perspetiva de um candidato ao título são quase tão negativos como derrotas).

Paulo Fonseca, apesar de tudo, ainda aguentou mais do que Vítor Pereira, que em setembro de 2011, depois de uma derrota com o Zenit, já era altamente contestado e insultado. E num passado mais recente temos Lopetegui, que à primeira derrota foi eliminado da Taça pelo Sporting; Rui Vitória também foi eliminado da Taça pelo Sporting, mas o tratamento foi bem diferente. Antes de Lopetegui perder o seu primeiro clássico já Rui Vitória tinha perdido 4.

Os treinadores do Benfica, ao contrário dos do FC Porto, não são sob eterno escrutínio e crítica por parte da imprensa. Os do Sporting também são mais protegidos, embora sem comparação com o Benfica. Quem treina o FC Porto, à primeira derrota, fica marcado. O problema é que grande parte da massa adepta, ao invés de combater esse fenómeno, contribui para ele.

O sentido crítico tem que estar sempre presente. Mas uma coisa é fazê-lo no final dos jogos, de forma sustentada e legítima. Outra é pressionar a própria equipa ao longo dos 90 minutos, começando bem cedo a assobiar os jogadores. O FC Porto pode ter jogadores mais ou menos talentosos, mas de certeza que nenhum deles quis deixar de singrar no FC Porto. A diferença entre o razoável jogador e o bom jogador está, muitas vezes, na força anímica que lhe é transmitida. Até Rui Vitória Carlos Carvalhal percebeu isso

Na última época, vimos o treinador do Benfica aplaudido na hora da derrota e o do FC Porto assobiado na hora da vitória. Em novembro, foi notícia que um grupo de adeptos do Benfica forçou a entrada no Seixal para dar um aperto aos jogadores. Coincidência ou não, depois desse aperto o Benfica ganhou 22 de 24 jornadas, e a única que perdeu foi graças à grande exibição de Casillas na Luz.

Quando falamos em aperto, não é intimidação, nem insulto. Esses só merecem repúdio. Por aperto entenda-se deixar uma mensagem clara aos jogadores, de que exigimos esforço máximo da parte deles, e que os adeptos só estarão com eles se sentirem esse esforço. Por outro lado, se um plantel sabe que os adeptos e até membros do próprio clube estão contra determinado treinador, esse treinador perde força sobre o plantel. 

Rui Vitória esteve sempre protegido. Uma questão: quantas vezes ouviram Rui Costa falar publicamente durante esta época? Bastou uma: em novembro, para dizer que em Rui Vitória não se tocava. Quem, no FC Porto, poderá fazer esse papel, de declarar confiança num treinador na hora da derrota? É que falar na hora da vitória é fácil e pouco necessário. 

Mobilizar os adeptos: uma necessidade já para a próxima época
Há outra questão que deveria merecer mais preocupação por parte do FC Porto: a capacidade de mobilizar os seus adeptos. O Sporting, 3º força do futebol português, conseguiu levar mais 120 mil adeptos ao seu estádio do que o FC Porto, tendo uma média de ocupação de 78,07%, contra os 64,48% do FC Porto.

Poderão dizer que isso deve-se ao facto de o Sporting ter lutado pelo título até ao fim, enquanto o FC Porto ficou fora da luta mais cedo. Nada mais errado. Na grandiosa época de 2010-11, em que o FC Porto varreu tudo, tivemos uma média de 35 379 adeptos/jogo. Na época, seguinte, baixou para 33 574. E na última época do tri, a média baixou ainda mais, para 28 205. Como se explica que o FC Porto, em qualquer uma das épocas em que foi campeão, tenha menos adeptos do que o Sporting (39 mil por jogo esta época), que não ganhou nada além de uma Supertaça?

Até 2013, o FC Porto teve sempre, sempre mais adeptos do que o Sporting. Desde o golo de Kelvin, a tendência inverteu-se, e agora o Sporting leva mais gente ao seu estádio, com a maior taxa de ocupação do nosso futebol (78.07%). Isso explica-se pelo pouco empenho do FC Porto em mobilizar a sua massa adepta. Não vemos incentivos suficientes à criação de novos sócios, mais promoções na venda de bilhetes, mais iniciativas de proximidade clube-adeptos. 

Por que não propor-se ao desafio de, a partir da próxima época, o FC Porto tentar atingir a média de assistências de 40 mil adeptos? De certeza que mais promoções na venda de bilhetes não vão empobrecer a SAD, na medida em que as receitas de bilheteira não representam uma grande fatia nas receitas operacionais. Se fosse um fator decisivo, então bem que se podia tentar acabar com a venda ilegal de bilhetes em redor do Dragão, esse sim um fator que lesa o clube financeiramente. A capacidade de mobilizar os adeptos é, também, um espelho da gestão do clube; e se há cada vez menos adeptos portistas nos estádios, nenhum administrador da SAD pode estar satisfeito ou sequer rever positivamente o seu trabalho neste campo. 

Pressionar o rival, não o FCP
Por outro lado, os adeptos do FC Porto devem propor-se ao desafio de voltarem a fazer do Estádio do Dragão um estádio temido. Porque a identidade de um estádio não está no seu treinador, nem nos jogadores: está nos adeptos!

Quando pensam no estádio do Dortmund, a primeira coisa em que pensam não é no Reus nem no Aubameyang: é nas coreografias dos adeptos, na muralha amarela. Quando pensamos em Anfield Road, não pensamos em outra coisa senão naquele You'll Never Walk Alone. Quem pensa no Estádio do Dragão, tem que pensar que, além de ter que defrontar o FC Porto, ainda tem que levar com a pressão de milhares de adeptos que vão puxar pela sua equipa até ao final e tentar perturbar o adversário ao máximo.

Fica o desafio. O FC Porto tem que voltar a ser um clube temido, e isso começa pela postura que os adeptos vão ter perante o treinador e os jogadores ao longo dos 90 minutos de cada jogo, nunca esquecendo que tem que haver retribuição do outro lado. 

Não será no Dragão, mas nos próximos 2 jogos oficiais o FC Porto pode ganhar 2 troféus. Não há melhores circunstâncias para (re)começar. Voltemos a ser um clube uno, temido e cujos adeptos lutam ao lado da equipa até ao minuto 90, ou até ao minuto 92. Um clube de raça e orgulho. Um clube onde qualquer Rui Vitória conseguisse ser campeão.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Com vista a 2020

Presidente reeleito, entrevista pós-eleições dada, tempo de análise. A começar pela afluência às urnas, sem dúvida uma notícia que se saúda: o facto de o número de votantes quase ter dobrado, apesar de continuar a haver lista única. Quando o FC Porto passar a ser um clube minimamente modernizado e globalizado no processo eleitoral, abrindo espaço para votar online e nas casas do FC Porto espalhadas pelo país, o número de votantes vai certamente disparar - algo que deve ser uma realidade (no máximo) já para 2020.

Pinto da Costa pareceu estar sempre mais satisfeito com o aumento do número do votantes do que preocupado com a grande quantidade de votos nulos. Embora admitindo que possa ter havido quem votou em 2013 mas não votou em 2016, de umas eleições para as outras houve 1145 «novos» votantes. Ora e desses «novos» votantes, há mais portistas a votarem em Pinto da Costa do que contra: 494 fizeram votos nulos, mas 651 votaram a favor.

Ou seja, mais portistas às urnas significou mais votos para Pinto da Costa. Nessa perspetiva, é natural que o presidente esteja satisfeito e desvalorize os votos contra. Mas uma coisa é o número de votos, outra é a percentagem. E 21% de votos nulos, equivalente a 505 votantes, é um número muito elevado e que serve claramente de alerta.

Vejamos. Nos cinco atos eleitorais do séc. XXI que antecederam este último, Pinto da Costa foi sempre reeleito, com as seguintes percentagens:

2013: 99,13%; 1258 votos (11 nulos)
Um sócio a votar
2010: 98%; nº de votos não divulgado
2007: 98,6%; 3820 votos (51 nulos)
2004: 99,3%; 1068 votos (8 nulos)
2001: 98,8%; 1258 votos (12 nulos)

Embora em 2010 não tenha sido divulgado o número de votantes (fica a ressalva), entre 2001 e 2013 foram contabilizados 82 votos nulos. Ou seja, no simples ato eleitoral de 2016, os votos nulos aumentaram 6 vezes mais do que no espaço espaço de 12 anos. Não é possível minorizar a quantidade de votos nulos, de todo, pois foi francamente elevada quando avaliada por este prisma. E confirma sinais já dados antes, como uma AG que não teve espaço na sala para todos os sócios (mais de 300, quando anteriormente marcavam presença 20 a 40); e a própria lista de apoio à recandidatura de Pinto da Costa, desta vez, recolheu apenas 10 mil assinaturas, ao contrário das 20 mil do passado recente (neste caso não se pode tirar ilações definitivas, pois não se sabe se quantas pessoas a Comissão de Apoio à Recandidatura abordou para assinarem). 

Mas logo no anúncio dos resultados foi dito que a percentagem de votos nulos devia-se ao facto de muitos adeptos terem escrito mensagens de apoio a Pinto da Costa, e que por isso os seus votos foram inutilizados. De facto, houve movimentos de apelo ao voto nulo em alguns espaços da internet, e um grupo de associados fez questão de fazê-lo no próprio dia e imediações do Dragão - o «Acorda Porto». Dezenas de adeptos pelos mais diversos espaços ligados ao FC Porto na internet afirmam que fizeram votos nulos, e vários até tiraram fotos para as publicarem (não o deveriam fazer, pois o voto é secreto, mas o procedimento também pouco teve de secreto). 

O que se desconhecia, de todo, é que alguns adeptos tenham optado por votos nulos para apoiar Pinto da Costa. Não só são visionários como, esses sim, estão de parabéns: cumpriram na íntegra o artigo 3 do Regulamento Eleitoral, ao votarem com o maior secretismo. Não criaram sites, não tiraram fotos aos seus boletins, não fizeram cartazes; chegaram, escreveram «Força Porto» e «Força Presidente», inutilizaram os votos e está feito.

Essa foi a justificação da mesa da Assembleia Geral, e como não podemos ver os votos, ninguém a pode desmentir. Mas cá fica a reflexão: porque é que nenhum dos votantes se lembrou, entre 2001 e 2013, quando Pinto da Costa venceu sempre as eleições com mais de 98% dos votos, de escrever mensagens de apoio a Pinto da Costa nos boletins? Só se lembraram de o fazer em 2016, logo quando houve um movimento de apoio ao voto nulo como forma de protesto? Assinale-se a coincidência. A percentagem de votos nulos deve ser levada muito a sério, por todas as razões enumeradas nestes parágrafos.

Quanto à entrevista, Pinto da Costa começa por dizer que não vê nos votos nulos um «cartão amarelo». E depois segue-se uma comparação infeliz e sem qualquer espécie de sentido, ao questionar o que sentirão o Presidente da República e o primeiro-ministro. Primeiro, Marcelo Rebelo de Sousa não é o maior presidente da história da República, nem sequer António Costa é o melhor primeiro-ministro de sempre; Pinto da Costa, esse sim, é o melhor presidente da história do futebol, logo comparar-se a esses dois nomes é reduzir-se a si próprio. Depois, nenhum deles concorreu sozinho para os respetivos cargos. Poderia ser apenas uma piada e uma forma de abrir uma conversa bem disposta, mas não fez qualquer espécie de sentido. 

Pinto da Costa diz que não sentiu qualquer tipo de fúria dos adeptos, inclusive quando esteve a poucos metros das mesas de café onde os sócios estavam a votar. Mas o presidente esperava ser contestado naquele local? Não, os associados foram lá para votar secretamente, não foram lá para contestar o presidente - até porque quem vai às urnas não espera encontrar lá o candidato em quem vai, ou não, votar. Outra reflexão para futuras eleições: se houver dois candidatos à presidência do clube, poderá estar um deles em amena cavaqueira ao lado dos votantes? Certamente que não seria bem visto. 

De destacar o pormenor de Pinto da Costa ter dito que «durante anos não faltam candidatos», mas a verdade é que ninguém, nos últimos 3 anos, manifestou qualquer desejo de ser já candidato - Vítor Baía deixou claro que gostaria de avançar quando Pinto da Costa saísse; já António Oliveira, a candidatar-se, será sempre também depois de Pinto da Costa sair (até lá continuará a fazer eternos elogios ao presidente; pois nas futuras eleições, provavelmente a massa associativa verá com muitos melhores olhos alguém que sempre defendeu e elogiou Pinto da Costa do que alguém que o criticou).

Diga-se que falar de sucessão um dia após Pinto da Costa ser reeleito não faz nenhum sentido. Agora que Pinto da Costa foi reeleito, só temos que nos preocupar com o trabalho do presidente a ser desenvolvido até 2020. Em 2013, Pinto da Costa disse que «quem vier a seguir só tem que não estragar». Mas se o presidente acaba de reestruturar a SAD e se o clube «bateu no fundo», então é porque há coisas que, se não estão estragadas, então têm que ser altamente melhoradas. Não há maior desafio para Pinto da Costa do que, daqui a 4 anos, continue ou não no FC Porto, poder dizer: «Quem vier a seguir só tem que não estragar».

Entrevista ao Porto Canal, a 18-04-2016
Depois, Pinto da Costa passou para uma parte bastante agradável da entrevista e motivadora para todos os adeptos do FC Porto. Diz o presidente que não gostava que os filhos ou a mulher sucedessem ao seu lugar. Muito bem Pinto da Costa, desde logo a fazer afirmações com as quais todos os portistas se podem identificar. O único filho(a) de franca utilidade ao FC Porto é André André (o exemplo mais reconhecido; há também certamente outros frutos a ter em conta, como Francisco Ramos ou Afonso Sousa). O presidente deu ainda um voto de confiança a toda a sua estrutura, dizendo inclusive que vê nela gente como capacidade para suceder ao seu lugar.

Pinto da Costa pode e deve ter influência na escolha do seu sucessor no futuro. E deve exercê-la da seguinte forma: chegando ao dia das eleições e votando. Qualquer outra ação, como disse e bem, seria um atestado de mediocridade à capacidade dos sócios. Quando Pinto da Costa sair, e tendo em conta que foi através do presidente que (quase) todos os administradores chegaram ao FC Porto, mandam os princípios éticos e de serviço ao clube que acompanhem todos a sua saída. Depois, se algum deles quiser candidatar-se, então que o faça; o resto são os sócios a decidir. 

Pareceu valorizar-se excessivamente a vitória sobre o Nacional. Foi uma boa exibição, mas foi contra o Nacional, uma das piores equipas a jogar fora de casa no campeonato; e foi no Dragão, onde no passado recente todos os adversários caíam. Foi uma boa vitória, uma boa exibição, mas se a equipa não vencer em Coimbra já ninguém se lembrará deste jogo. Se calhar, daqui a um mês, quem viu este jogo só se lembra de um jogador do Nacional: do guarda-redes, o que diz muito da sua qualidade este ano. Ah, e Chidozie não jogou neste jogo. 

No que toca a contratações, as declarações de que Pinto da Costa deseja «duas ou três» contratações cirúrgicas foram importantes com vista à estabilidade no plantel. Não se pode pedir o título - ou torna-se difícil fazê-lo - quando se perdem 7 titulares de uma época para a outra (algo que foi francamente ignorado na projeção para esta época por muita gente). A questão dos eventuais regressos de ex-jogadores foi mencionada, e é natural que Pinto da Costa o vá tentar. O presidente anunciou que a equipa do próximo ano vai ser «uma equipa à Porto». E que melhor garantia disso do que fazer regressar jogadores à Porto? Veremos se se desenha alguma possibilidade de isso acontecer.

Curiosa a afirmação de que Hernâni, que aparentemente vai regressar, «está a brilhar no Olympiacos». De facto, quando Hernâni joga, deixa sempre a impressão de que merecia um pouco mais de oportunidades. Mas se não as tem, então é por algum motivo. Hernâni só foi 5 vezes titular no campeonato grego (contando apenas com os campeonatos nacionais, jogou menos do que Quintero no Rennes), mesmo com um treinador (Marco Silva) cujo modelo de jogo (contra-ataque/transição rápida/insistir pelos flancos) encaixava nas suas caraterísticas. Se a questão é Marega vs. Hernâni, nem merece discussão; que Hernâni tenha condições para se impor no FC Porto, restam muitas dúvidas. Mas essas devem ser dissipadas pela avaliação do treinador.

De qualquer forma, as afirmações de Pinto da Costa levam a crer que não se vão contratar Maregas, Hernânis ou quaisquer outros jogadores que: não tenham qualidade; não tenham caraterísticas adequadas; necessitem de grande período de adaptação; sejam com vista a melhorar o plantel mas não necessariamente o 11. Segundo o presidente, quem vier será para chegar, ver e jogar. Plano subscrito.

Pinto da Costa entrou depois num tema inesperado: o impacto que os pagamentos ao Estado têm no FC Porto. Em «Não temos que pagar as contas do Benfica», já tinha sido aqui realçado que o FC Porto é sem dúvida um dos maiores clientes do Estado, enquanto outros beneficiam de perdões, isenções e afins.  Mas a afirmação de Pinto da Costa de que o FC Porto paga 40M€ de impostos, tendo um orçamento de 150M€, merece algum enquadramento.

O presidente já tinha anunciado, em setembro, que o FC Porto pagou 31,68M€ de impostos na última época. Agora refere-se ao pagamento de 40M€ no último ano. Numa SAD que teve despesas operacionais de 110M€, e cujos custos totais com aquisições da última época ascenderam a 53,3M€, falar em 40M€ de impostos requer um melhor enquadramento. Por exemplo, há que ter em conta a dedução do IVA, e o facto da responsabilidade do IRS ser aplicável a todos os jogadores e trabalhadores do FC Porto. Que o FC Porto é um clube sem apoios, sem dúvida; mas já o era há 10, 20, 30 anos.

Pela primeira vez, Pinto da Costa revelou os números da proposta da NOS que o FC Porto teve em mãos: 320M€. Se assim foi, confirma-se, se ainda havia dúvidas, de que o negócio com a MEO foi o melhor possível para a SAD, com ou sem comissões - a acusação de Bruno de Carvalho que nunca teve resposta ou receptor. Mas falar do contrato de direitos televisivos como alternativa à falta de financiamento por parte dos bancos não faz sentido. Os bancos não dão receitas operacionais: antecipam verbas, financiam a atividade corrente da SAD, emprestam dinheiro; já as receitas televisivas sempre fizeram parte da gestão operacional da SAD. 

Pinto da Costa realçou a importância que Reinaldo Teles e Antero Henrique vão ter na gestão do futebol nos próximos 4 anos. Assim sendo, esperamos ver Reinaldo e Antero Henrique, pelo menos uma vez por época, no Porto Canal a falar sobre cada época desportiva; se temos dois dirigentes que vão ser influentes no futebol da SAD, então há que ouvi-los, para não se esgotar tudo em Pinto da Costa e no treinador. Desde que o Porto Canal foi criado, quantas pessoas responsáveis pelo futebol do FC Porto vimos dar entrevistas além de Pinto da Costa?

Sobre o treinador, por esta altura o FC Porto já tem que saber se vai ficar ou não com José Peseiro. Jesualdo Ferreira também acabou 2009-10 a ganhar 8 jornadas consecutivas e a conquistar a Taça de Portugal, mas saiu. Logo, nada do que Peseiro possa fazer neste fim de época devia mudar a decisão da SAD (Pinto da Costa admitiu, e bem, que não pode ser a Taça a decidi-lo). Se quer mantê-lo, que seja pela convicção que têm à data de hoje, e não por aquilo que forem às últimas jornadas. Pinto da Costa não podia fazer outra coisa senão reforçar a confiança de um treinador que pode ganhar a primeira Taça para o Museu do FC Porto, mas uma coisa é o discurso para fora e para o balneário, outra é a posição interna da SAD.

Depois não podia faltar o «espaço L», que parece tornar-se obrigatório em todas as entrevistas de Pinto da Costa: falar de Lopetegui. A bem da verdade, quem puxou o tema foi Miguel Guedes, que recentemente culpou Lopetegui por toda a má época do FC Porto. Mas uma vez mais, perdeu-se mais tempo a falar de Lopetegui do que do presente/futuro treinador do FC Porto. Aqui não vamos regressar a este tema: se Lopetegui sentir que deve dizer algo, que o faça, pois está no seu direito.

Direito esse de que já usufruiu Angelino Ferreira. Os adeptos do FC Porto sempre tiveram a sensibilidade de nunca misturar os assuntos pessoais e particulares de Pinto da Costa como a sua atividade no clube - e o mesmo se poderá dizer de todos os outros dirigentes, desde Reinaldo Teles a Antero Henrique -, mas foi isso que o presidente fez relativamente a Angelino Ferreira, ao falar na Gaianima. Também não seria nada bonito o ex-administrador vir agora dizer que Pinto da Costa ou Antero Henrique andam preocupados com a Operação Fénix e com as acusações do Ministério Público, ou que Reinaldo Teles esteve ocupado com o BPN. Evitável e inoportuno. Uma realidade onde nos tornamos amigos de quem nos atacava (Carlos Pereira, por exemplo) e em que nos viramos contra quem trabalhou durante vários anos na SAD e é portista é algo no qual poucos portistas se devem rever.

A entrevista termina com o tema (lançado por Júlio Magalhães, diga-se) mais ansiado pelos portistas: Pinto da Costa a manifestar apoio político ao PCP e a discutir o momento do país. Era mais interessante do que, por exemplo, debater o enquadramento do fair-play financeiro para esta época, sem dúvida.

Presidente reeleito, entrevista de lançamento (goste-se ou não) dos próximos 4 anos dada. Este foi o caminho que os associados do FC Porto, ou a sua maioria, escolheram. A confiança foi dada, agora há que correspondê-la por parte da SAD. Mãos à obra - neste caso, à reedificação da obra a que chamamos FC Porto. 

Pergunta(s): Reações à entrevista do presidente e que expetativas no lançamento do novo mandato?

quinta-feira, 24 de março de 2016

Segunda exceção

«Uma exceção

O Dragões Diário segue todo o universo FC Porto, oficial e não oficial. E, naturalmente, segue O Tribunal do Dragão, atraído pela versão dr. Jekyll do blogue, que faz a defesa do FC Porto, e procura desvalorizar a versão mr. Hyde, mais próxima de outras páginas nossas adversárias. Infelizmente, o blogue tomou o Dragões Diário como alvo, sem ter percebido o objetivo desta newsletter, que é fundamentalmente fazer um resumo da atividade do nosso clube, à imagem do que acontece com outras newsletters de clubes, como a do Real Madrid, por exemplo. Os 21.740 subscritores ativos comprovam o sucesso da iniciativa e, se há muita coisa escrita no blogue que não se pode comprovar, podemos garantir que é falsa a informação de que “são cada vez mais os que cancelam a subscrição”, o que é escrito com leviandade, sem fonte, provavelmente um “wishful thinking”, vá lá saber-se porquê. Há uma grande diferença entre este Diário e O Tribunal do Dragão, aqui nada é escrito sem ter um autor de carne e osso, ninguém está escondido atrás de um teclado. O Tribunal do Dragão é anónimo, o que é sempre um grande obstáculo à credibilidade. Ainda assim, desejamos para o Tribunal do Dragão o mesmo que a toda a blogosfera do FC Porto, respeitando a opinião de cada um: que faça a defesa do FC Porto e que possa celebrar muitas vitórias, que é afinal o que todos mais queremos. E assim encerramos esta exceção.»

Dragões Diário, 24-03-2016

Esta já não será a primeira exceção, será a segunda. A primeira, estarão recordados, motivou o post «O Tribunal dos factos», a propósito de um comentário do oficial de ligação aos adeptos nas redes sociais. Sim, pois era isso o que estava em causa. O que o adepto Fernando Saúl pudesse dizer teria a mesma importância e consideração que qualquer outro adepto comum do FC Porto. Mas o que o «oficial de ligação aos adeptos» pudesse dizer, aí sim, já era importante. Se é um membro representativo da massa adepta, então importava claramente esclarecer qual o objetivo.

Na mesma linha, a segunda exceção. O Dragões Diário dedicou hoje um parágrafo ao Tribunal do Dragão e diz ter sido tomado como «alvo»,  pois «o objetivo desta newsletter é fundamentalmente fazer um resumo da atividade do nosso clube».

Podemos começar por aqui, certamente. Na base desta reação do Dragões Diário estão os comentários no post anterior a propósito das críticas a Vítor Baía. E aí questionamos: que tem a ver o que diz Vítor Baía com «a atividade do nosso clube?». Não é dirigente, não está ligado a nenhum cargo do clube, não é um assalariado do clube. É um dos muitos comentadores em espaço televisivo, tais como Pedro Guerra, Rui Gomes da Silva ou tantos outros. De notar que esses não cometem gralhas: cometem ataques. Mas no dia em que o Benfica completou o ciclo de um ano desde a última vez em que viu ser marcado um penalty contra si, criticar Vítor Baía era mais importante, aparentemente. Aliás, importa lembrar que O Tribunal do Dragão nunca elogiou a intervenção de Vítor Baía ao dizer que «varria a estrutura toda» - pelo contrário, criticou-a, pela leviandade com que fez tal afirmação e por não a ter sustentado. Logo, este nem sequer é um dos espaços que rejubilaram com as críticas de Vítor Baía.

Mas o Dragões Diário desta vez não dedicou uma única palavra a Vítor Baía. Segundo é possível ler, na base desta reação está isto: «Podemos garantir que é falsa a informação de que “são cada vez mais os que cancelam a subscrição”, o que é escrito com leviandade, sem fonte, provavelmente um “wishful thinking”, vá lá saber-se porquê».

Claramente, O Tribunal do Dragão fez essa afirmação com demasiada leviandade. Por isso vamos fazer uma coisa: vamos à maior comunidade de adeptos do FC Porto na internet, o conhecido Portal dos Dragões. Depois, carregamos na página «Tópico destinado ao Dragões Diário» e vemos os posts colocados por diversos portistas desde o tal comentário em relação a Vítor Baía. Viewer discretion is advised, pois há muitos comentários pouco simpáticos em relação ao Dragões Diário, além dos vários adeptos que dizem ter cancelado a subscrição.

Portanto, aí está a «fonte» d'O Tribunal do Dragão, a maior e mais antiga comunidade de adeptos do FC Porto na internet. Os 21.740 subscritores são sem dúvida um motivo de orgulho para o Dragões Diário. Mas cá fica uma dica: quando quiserem desmentir categoricamente uma informação, podem fazer algo tão simples quanto informar quantos subscritores tinham antes de 21-03-2016 e quantos têm agora. Por que não fizeram o «antes» e «depois»? Aí sim, poderiam ter desmentido indubitavelmente a informação e conseguido que O Tribunal do Dragão tivesse escrito algo errado. O mea culpa seria prontamente assumido, pois teria sido prestada uma mentira aos leitores deste espaço. A não ser que todos os portistas que dizem ter cancelado a subscrição sejam mentirosos, o que não parece ser o caso.

Prosseguindo, «Há uma grande diferença entre este Diário e O Tribunal do Dragão». Há uma grande diferença, claramente. A diferença é que O Tribunal do Dragão, desde o primeiro dia, nunca alterou o seu registo, assumindo-se sempre como um «espaço de defesa, crítica e análise ao FC Porto». Já o Dragões Diário, que assume ser um órgão independente do FC Porto, ao mesmo tempo em que é a newsletter oficial, depois explica-se aos leitores dizendo que escreve o que os superiores mandam. É confuso.

Também há uma diferença entre ser um blogue de adeptos e ser um jornal que dá a palavra oficial ao FC Porto. E uma coisa é gerir um blogue em tempo livre, outra é fazendo-o como atividade profissional e serviço remunerado do FC Porto (face a alguns comentários, sempre anónimos, que têm surgido, não se preocupem, ninguém vai trocar de lugar). E há que assumir a desilusão: O Dragões Diário comparar-se ao Tribunal do Dragão, um blogue com modestos e apenas 6.000 likes no Facebook e 3,3 milhões de pageviews, mostra uma pequenez na qual o FC Porto não se pode nunca rever.

Há que reconhecer porém a importância de, entre tantos blogues que já escreveram teor crítico ao Dragões Diário (inclusive ontem), O Tribunal do Dragão ter sido o escolhido para a crítica. Mas diga-se, fizeram-lo com pertinência: O Tribunal do Dragão tinha de facto que sustentar a afirmação de que havia pessoas a cancelar a subscrição Dragões Diário, o que acabou por fazê-lo. 

Depois, à falta de melhor, o Dragões Diário, sem procurar qualquer informação contrária ou sequer tentar contactar alguém que fosse do blogue (ou será que fê-lo?), escreve que este espaço «é anónimo, o que é sempre um grande obstáculo à credibilidade». A questão do anonimato é sempre interessante, sobretudo pelo interesse subjacente que arrasta. Não basta saber se é o Miguel que escreve: é preciso saber onde vive, onde trabalha, o seu percurso profissional, conhecer a sua família, qual o seu signo, de que cor é a roupa interior, se prefere carne ou peixe ou se deixa o som da televisão em números pares ou ímpares. Ninguém está a acusar o Dragões Diário de o fazer, mas é interessante que tenham questionado o «anonimato» numa tentativa de retirar a credibilidade a este espaço.

E aí podemos falar da questão da credibilidade. De facto, é grave questionar o FC Porto, que é o que acabam por fazer. Se O Tribunal do Dragão, nas suas análises, recorre aos R&C e a documentos oficiais do FC Porto para escrever alguns dos seus posts, e se os mesmos não são considerados credíveis, então na verdade estão a dizer que o FC Porto não é credível. Coisa que nunca foi feita neste espaço, pois os R&C do FC Porto são tratados e analisados com a minuciosidade que se implica.

Mas segundo essa filosofia, se este post (apenas para dar um exemplo) fosse assinado pelo Manuel Joaquim, toda esta informação já teria um significado completamente diferente. Os números são exatamente os mesmos, mas sabe-se lá porquê a assinatura no final do texto dar-lhes-ia um complementar e novo significado.

Como O Tribunal do Dragão nunca teve desejos de protagonismo (o máximo que fez para se promover foi criar uma página no Facebook), está aqui no seu cantinho na bluegosfera. Não fez acordos publicitários com ninguém e, desde o primeiro dia, cria e alimenta os mais diversos conteúdos de defesa em relação ao FC Porto. Se isto não tivesse interesse, provavelmente o blogue tinha fechado logo no seu início. Mas há o reconhecimento de que são muitos os leitores que gostam de ler este espaço, desde o primeiro dia, e é um gosto fazê-lo, inclusive quando as opiniões divergem.

O Tribunal do Dragão conclui com desejos do mesmo que o Dragões Diário: «Que faça a defesa do FC Porto e que possa celebrar muitas vitórias, que é afinal o que todos mais queremos.» Mas realçando uma pequena diferença: há dezenas de blogues do FC Porto na internet, onde qualquer adepto pode criar um; já newsletters oficiais do FC Porto só temos uma. Quem não gostar de ler O Tribunal do Dragão pode e deve ler outros blogues do FC Porto. Mas quem não gostar de ler o Dragões Diário não tem outra escolha relativamente a uma newsletter oficial do clube. Pois, ou então lêem blogues.

O Tribunal do Dragão não se atreverá a dizer, desta vez, que hoje houve ainda mais pessoas a cancelarem a subscrição do Dragões Diário. É o que vários portistas estão a escrever no referido portal, mas soaria a déjà vu, e este espaço não tem uma importância assim tão grande para ser tema de Dragões Diário dois dias consecutivos.

Concluindo, mas não sem antes questionar o que seria mais interessante na perspetiva do FC Porto: criticar O Tribunal do Dragão ou dar eco a coisas como isto. E assim encerramos esta exceção.

sexta-feira, 18 de março de 2016

O valor da palavra

Jornal de Notícias
Pode muito bem ser entendido como uma crítica a Vítor Baía, que foi a única personalidade ligada ao FC Porto a admitir publicamente uma futura candidatura à presidência do clube, mas que se ficou pela afirmação de que «varria tudo». Ou quiçá seria mesmo uma vontade do presidente. Pinto da Costa disse que «se tivesse entrado uma candidatura credível, não seria candidato». Por mais nobres ou provocatórias (na medida em que ninguém acabou por avançar com uma candidatura) que fossem as intenções de Pinto da Costa por trás desta frase, não são as palavras mais motivadoras para avançar para o 14º mandato.

Por outras palavras, os associados do FC Porto podem votar em Pinto da Costa por acreditarem que é a melhor hipótese; mas Pinto da Costa só se apresenta a votos por não haver outra hipótese (melhor). Os sócios confiam mais em Pinto da Costa do que o próprio Pinto da Costa?

Para responder a estes últimos 3 anos de péssima memória, é preciso um excelente programa para o 14º mandato. Assim sendo, se Pinto da Costa não decidisse avançar, ia deixar de lado o seu programa para o 14º mandato? Ou não há ainda sequer programa? Pinto da Costa, aliás, disse que só na terça-feira deu luz verde a Fernando Cerqueira para avançar. 

Em 2011-12 Pinto da Costa disse ao L'Équipe que ia deixar o FC Porto num prazo máximo de 5 anos. Esse quinto ano seria a época que se avizinha. Mas como é óbvio, nenhum associado quererá votar num mandato de 4 anos para, ao fim da primeira época, haver logo mudança de presidente. Por isso só temos que assumir que Pinto da Costa quer e vai cumprir os 4 anos que tem pela frente.

Aliás, se houvesse de facto intenção de Pinto da Costa em passar a pasta, então não se teria alterado os estatutos. É muito simples: o artigo 89 dos estatutos do FC Porto previa o seguinte. «Na hipótese de os Presidentes da Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal manifestarem até ao dia 20 de Março do final do triénio, das suas disponibilidades para continuarem em exercício de funções e não surgir qualquer candidatura até 15 Abril, haver-se-à o seu mandato prolongado por mais 1 ano.»

Tendo em conta que não houve candidatos, a atual direção não precisaria de se candidatar para o 14º mandato: bastava avançar para o ano extra em causa e, quiçá, dar tempo a eventuais interessados para avançarem (se bem que provavelmente só o farão quando Pinto da Costa se retirar, pois ninguém quererá ficar sob a pressão de ter antecipado, oficialmente, o fim da era Pinto da Costa). Mas face à mudança de estatutos, então só se pode admitir um compromisso absoluto com o clube para os próximos 4 anos. Muito provavelmente será o último mandato de Pinto da Costa, mas que pelo menos seja apresentada a base para os próximos 4 anos; os associados querem saber em que estão a votar. E não querem votar num presidente que se retire ao fim 1 ou 2 anos de mandato.

Uma curta nota pelo meio, a propósito de alguns comentários que têm surgido, com uma analogia política que se fará entender: para se ter o direito a ter uma voz crítica sobre o governo, não é preciso formar um partido, nem fazer carreira de político; da mesma forma que ter algumas opiniões populares e fundamentas sobre o governo não qualifica ninguém para o substituir ou para ser político. Para bom entendedor...

Adiante, estas foram as palavras de Pinto da Costa à imprensa. Não sabemos, pode ter sido uma mera bicada aos candidatos, um toque de ironia. Mas uma coisa é o que Pinto da Costa diz à imprensa. Outra é o que diz aos associados, ou, como já disseram, entre família. Isto claro, a propósito do que disse Vítor Serpa, que confirmou que falou com Pinto da Costa durante 15 minutos na Gala dos Dragões de Ouro e que foi o próprio presidente a convidá-lo. Pedro Marques Lopes, um dos portistas mais notáveis da nossa praça, confirmou que esteve à conversa com os dois na Gala.

Ou Vítor Serpa e Pedro Marques Lopes mentiram, ou Pinto da Costa mentiu. E nenhum adepto pode ser inocente ao ponto de não reconhecer para que lado está a pender a balança. Como não há registos audiovisuais da intervenção do presidente na AG, há quem já fale em más interpretações: uns dizem que Pinto da Costa garantiu que não convidou, nem sequer viu Vítor Serpa na Gala; outros dizem que Pinto da Costa só disse desconhecer quem convidou Vítor Serpa, e que não terá falado com ele. 

Jornal A Bola, a outra «versão»
Seja como for, algo falhou aqui. Poderão dizer que isto é uma coisa insignificante - e até é, quando comparado com tantas outras coisas dos últimos anos. Mas o problema está mesmo aí: mentir numa questão tão insignificante quanto esta, não à imprensa, mas a sócios que o olharam nos olhos? Porquê? Para quê?

Nenhum erro poderá ser tão grave quanto não admiti-lo. Se aconteceu como com Suk, em que o homem lhe caiu ali nos braços, tudo bem, há que ser politicamente correto, educado, cordial. Mas mentir, nunca. Até podiam convidar Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho: nada seria tão grave quanto mentir nesta questão. E alguém mentiu. Depois, só há duas coisas piores do que a mentira: fingir que nada aconteceu ou insistir na mesma.

Na questão de Casillas, é de destacar que não foi proposta propriamente uma renovação: simplesmente o FC Porto quer ativar o ano de opção que tem no contrato. A única novidade é que, a partir de 2017, o Real Madrid deixa de contribuir no salário de Casillas. Logo, ou Casillas reduz para quase um terço o seu salário em 2017-18, ou terá que ser o FC Porto a suportá-lo (na verdade não será, pois é impossível fazê-lo, portanto só uma grande redução salarial de Casillas viabilizará a sua continuidade no FC Porto). 

Não é necessária grande pressa para renovar contrato com um jogador que terá 36 anos e não terá mercado quando o contrato com o FC Porto terminar (terá 37 no ano de opção), mas percebe-se que Pinto da Costa tenha optado por deixar uma mensagem forte depois da encomenda publicada no El Confidencial. E nisso fê-lo bem. Depois do Euro 2016, Casillas possivelmente perderá a titularidade na seleção espanhola e veremos em que medida o futebol europeu ainda o motiva, sobretudo com a MLS a chamar por ele. Nada que não se resolva à mesa para benefício de todas as partes. Com o valor da palavra presente, de preferência.

PS: A título de curiosidade...

quinta-feira, 10 de março de 2016

O Tribunal dos factos

Um leitor alertou para o facto e não há como ficar indiferente. Fernando Saúl, o «oficial de ligação aos adeptos do FC Porto», terá publicado um comentário que diz o seguinte: «Quanto ao Tribunal do Dragão a seu tempo perceberemos porque existe e qual o objectivo. Uma coisa é certa para desunir tem servido e bem!»

O Tribunal do Dragão ainda não chegou sequer ao 2º aniversário, mas vá, já lá vai um tempito desde junho de 2014. Como não sabemos de quanto mais tempo Saúl (e quiçá outros adeptos) necessitará para perceber «por que existe e qual o objetivo» d'O Tribunal do Dragão, vamos dar uma ajuda: é um espaço de defesa, crítica e análise ao FC Porto

É esta a designação do blogue desde o primeiro dia: um espaço de defesa, crítica e análise ao FC Porto. De e para portistas. A análise é inerente a qualquer post. Depois há a defesa e há a crítica. A defesa é feita por amor ao FC Porto. E a crítica é feita... por amor ao FC Porto.

Nos últimos dias tem havido um boom mediático do blogue, e ao qual importa reagir, a começar por aqui: o Tribunal do Dragão não tem, ou não publica, informações privilegiadas. O Tribunal do Dragão, nomeadamente nos posts relacionados com a atividade da SAD, só recorre a documentos oficiais e às informações que o próprio FC Porto presta à CMVM. 

A isto há a juntar o fenómeno Football Leaks, obviamente. São documentos oficiais e são pertinentes, pois revelam informações que a SAD do FC Porto não presta e que são complementares a quem se interessa pela saúde financeira do clube e pelo seu futuro. E acima de tudo, são informações que estão à disposição de qualquer adepto. O Tribunal do Dragão não revela nada que não esteja no domínio público. 

Factos. Apenas factos. O Tribunal do Dragão não reagiu ao processo instaurado a Carlos Abreu Amorim, por uma simples razão: fez acusações generalizadas, e como tal terá que as sustentar e provar. O Tribunal do Dragão não faz acusações. Limita-se a expor factos e a levantar questões sobre os mesmos. Factos, meus caros.

E estes factos não podem causar urticária, porque são os atos de gestão da SAD do FC Porto. Uma gestão com coisas boas e coisas más. E isso deve ser comentado. Tal como podemos elogiar o grande corte do Marcano, mas depois criticar a sua escorregadela. O bom golo do Aboubakar, mas depois a sua perda de bola. A boa finta de Brahimi, mas depois o seu mau passe. 

Nas últimas semanas, tem havido mais posts críticos em relação a alguns atos de gestão. Sobretudo porque a SAD preparou o maior orçamento de sempre, mas o plantel é dos menos bons dos últimos anos. E porque há negócios que merecem legítimas interrogações. Porquê? Porque isto não é o diz que disse. São factos. São documentos assinados pelo FC Porto. São os Relatórios e Contas enviados à CMVM.

Além dos factos, O Tribunal do Dragão orgulha-se de ter sido um dos espaços que mais defendeu o FC Porto dos escândalos da Liga Aliança, dos vouchers e demais. Através dos separadores «Segunda Circular» e «Coisas que dá jeito abafar», há uma vasta variedade de posts que atestam o interesse deste espaço: defender o FC Porto.

O Tribunal do Dragão, no último ano e meio, fez muito mais pela defesa do FC Porto em espaço público do que muitos assalariados do clube. Bernardino Barros ou Miguel Guedes são exemplos de comentadores que recorrem aos conteúdos d'O Tribunal do Dragão para as suas análises em espaço televisivo. Porque há um interesse comum: a defesa do FC Porto.

Num só post dos separadores «Liga Aliança» e «Coisas que dá jeito abafar», O Tribunal do Dragão se calhar tem mais conteúdo público de defesa do FC Porto do que de muitos dos seus dirigentes no último ano e meio. 

Vamos fazer um curto exercício. Quem foi que expôs as negociatas do Benfica e do BES e os benefícios municipais? Quem foi que defendeu, com provas e esclarecimentos, a SAD do FC Porto de ataques desprovidos da imprensa? Quem é que tem sistematicamente exposto todos os podres da arbitragem nacional, na qual o FC Porto anda a ser comido há anos, desde o trabalho de Vítor Pereira às nomeações? Quem é que, ainda há pouco tempo, expôs matéria para o melhor jogador do Benfica ser suspenso e o tratamento privilegiado que é dado a Jorge Jesus? Quem é que mostrou a Robertada? Muitos mais se poderia dizer, de ataques que vão desde João Gabriel a Bruno de Carvalho, de Fontelas Gomes a Gomes da Silva. Uma pista: não foi Antero Henrique, nem Adelino Caldeira, nem Fernando Gomes. Pinto da Costa teve algumas intervenções públicas, mas excessivamente superficiais quando estamos a falar de benefício declarado a outro(s) clube(s) em prejuízo do FC Porto.

O Tribunal do Dragão faz o que gostaria que fosse o clube a fazer. O que provavelmente todos os leitores deste espaço gostariam que fosse o clube a fazer. Faz o que muitos outros grandes blogues portistas fazem diariamente. Perde-se algum tempo, é verdade. Mas se quem nunca recebeu um tostão do FC Porto consegue arranjar tempo para, através de um trabalho de pesquisa, montar textos assim, de certeza que quem é muito bem pago pela SAD também o consegue fazer. Algum portista consegue concordar que o FC Porto fez tudo o que estava ao seu alcance para combater todas as incidências, desde o colinho aos vouchers, das últimas épocas? Não, não fez. E quem acha que fez, provavelmente também acha que um trio d'ataque com Kaviedes, Esnaider e Quinzinho limpava a Champions.

O Tribunal do Dragão é isto. Um espaço de defesa, crítica e análise ao FC Porto. Como não há desejos de protagonismo, ficam as ideias e os factos. Acreditem, são a única coisa que pode ter interesse aqui, não é o bilhete de identidade. Que dava jeito para endereçar de forma mais objetiva as muitas ameaças que o blogue tem colecionado - é obra, são mais as ameaças devido a posts sobre o FC Porto do que sobre Benfica ou Sporting -, provavelmente dava. Mas, pelas mãezinhas que nos fizeram portistas, juremos: não foi O Tribunal do Dragão quem criou nenhum dos factos aqui relatados.

Esperamos que o Saúl, e eventualmente outros portistas menos esclarecidos, tenha conseguido compreender o objetivo e o interesse. Já está escrito no museu: «Tudo o que fazemos, tudo o que pensamos fazer, tem uma exclusiva finalidade: servir o FC Porto!». Servir. Não se servir dele. Se houver dúvidas quanto à diferença, pode sempre ser feito outro post explicativo. Ou meramente continuar a publicar factos

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Feliz natal, Marítimo

A opinião d'O Tribunal do Dragão em relação à Taça da Liga já é conhecida. E é permanente: é uma competição que serve como espaço competitivo para as segundas linhas do plantel e para lançar jovens. Mas a partir do momento em que o FC Porto assume que conquistar esta prova é um objetivo, então a análise que fazemos à competição tem que ser forçosamente diferente.

Ao primeiro jogo o FC Porto já está fora da competição (não vale a pena pensar em outra coisa que não seja dar minutos aos menos rodados e aos jovens nos próximos dois jogos). Numa fase de grupos (com duas equipas da II Liga!) a 3 jornadas, e tendo o FC Porto começado em casa, isto só pode ser considerado um enorme fracasso.

Carlos Pereira
Pior: pela primeira vez na sua história, o FC Porto perdeu com o Marítimo em casa. Foram precisos 43 jogos e 84 anos para isso acontecer. Um dia feliz para Carlos Pereira, muito bem recebido na tribuna por Pinto da Costa. Mas enfim, o homem foi importante na vinda de Danilo Pereira, não é? Tão importante que Danilo nem era do Marítimo, mas sim do Portimonense/Teodoro Fonseca.

Em 2015, o FC Porto perdeu 3 jogos nas competições nacionais. Todos com o Marítimo. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. E se pensávamos que da maldição da Madeira já nos tínhamos livrados, eis que vêm cá os madeirenses para despertar os eternos fantasmas de contestação a Lopetegui.

Já entrando nos Bonés e Machados (não vale a pena individualizar - falar deste jogo é falar de coisas negativas, e só com muito boa vontade mencionar um ou dois pormenores positivos). O 11 escolhido por Lopetegui para este jogo foi bom. Mas isso depende da perspetiva para a competição.

Capitão na baliza, dupla de centrais rodada e experiente, regresso de André André após lesão, jogadores de segunda linha lançados (que, nos casos de Varela e Tello, era também a tentativa de ganhar os jogadores - Ángel tem estado bem sempre que joga, é um caso diferente) e espaço para inserir jovens, nomeadamente Víctor Garcia, André Silva e até Sérgio Oliveira. Quanto ao 11, nada a apontar.

O problema é que uma equipa que quer ganhar uma determinada competição não pode mudar 10 jogadores de um jogo para o outro. Percebemos que é o jogo pós-natal e que há clássico em Alvalade no sábado, mas notou-se claramente que Lopetegui montou um 11 sem rotinas, setores pouquíssimo ligados, jogadores com pouco ritmo. Para quem, como eu, secundariza a Taça da Liga, não pode criticar; para quem quer ganhar a Taça da Liga, então não há outra coisa a fazer. Lopetegui diz no jogo que o seu trabalho é preparar a equipa para todas as competições. Alguém viu hoje uma equipa preparada para ganhar a Taça da Liga?

A primeira parte foi normal. FC Porto mais perigoso, mesmo acusando a falta de rotinas, e não marca por manifesta falta de eficácia. Depois acontece o inesperado. O Marítimo abre a segunda parte com um golo de bola parada (que foi o capítulo em que o FC Porto mais melhorou em relação à época passada - na verdade, o único em que melhorou). Depois, Marcano, que já tinha estado mal com Maicon no primeiro lance, está diretamente ligado mais a dois golos do Marítimo. Um desastre de noite para os nossos centrais. Não há treinador ou equipa que resistam a três lances assim, capitais. Que responsabilidades podemos imputar ao treinador por 3 golos sofridos por erros dos centrais? E com a ineficácia que se verificou até ao último lance do jogo, só podia correr mal.

A contestação ao treinador
O jogo fica marcado pela grande contestação a Lopetegui, claro. Uma coisa é assobiar o treinador quando está a ganhar por 3x0. Outro é fazê-lo quando o FC Porto, pela primeira vez na sua história, está a perder por 3x0 em casa com o Marítimo e fica virtualmente eliminado de uma competição ao primeiro jogo. Pinto da Costa achou que só devia falar dos assobios a Lopetegui logo na semana seguinte à subida à liderança. Neste momento, já todos sabem que as vitórias só significam uma coisa: a contestação a Lopetegui fica no congelador até ao próximo mau resultado. Mas se o próximo mau resultado acontecer no dia 2, a porta do congelador corre o risco de nunca mais fechar.

Dia 2, pela primeira vez, o FC Porto de Lopetegui vai defender a liderança isolada do campeonato. Uma oportunidade, ou talvez a última, para equipa e treinador mostrarem o quão preparados estão e o quão querem conquistar o campeonato. 

PS: Tendo em conta que hoje era dia de jogo, o regresso ao debate sobre os direitos televisivos fica para depois.