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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Balanço do mercado e a força que resta

Fechou o mercado de inverno, e com ele chega a questão à qual importa sempre responder nesta altura: o FC Porto termina o mês mais ou menos forte? Na época passada, o FC Porto chegou ao final de janeiro claramente mais fraco, algo que acabou por se confirmar no fecho da temporada. Desta vez, o FC Porto chega ao início de fevereiro com menos variedade de soluções no plantel, com apenas mais uma opção no ataque... mas não necessariamente mais fraco.

Soares foi a única contratação, mas Nuno Espírito Santo teve outro reforço de luxo do qual ninguém tem falado: não perdeu nenhum titular. Todos os jogadores que saíram (Sérgio Oliveira, Evandro, Adrián e Varela) não estavam a ser nem primeiras nem segundas opções no FC Porto. Poupa-se na folha salarial e, desta forma, outros jogadores que não têm jogado muito mas que estavam no plantel, casos de Rúben Neves ou João Carlos Teixeira, teoricamente podem ter mais chances de serem opção. 

Entre os que saíram, Evandro era aquele que mais útil poderia ter sido ao FC Porto. Um médio completo, capaz de corresponder a qualquer momento do jogo e que seria útil em qualquer fase da temporada. No Hull, já jogou mais em duas semanas do que em meia época no FC Porto. 

NES nunca olhou para ele como opção, por isso a sua saída não acaba por surpreender, ainda que saia como um jogador que o FC Porto não aproveitou da melhor forma. Com o mesmo número de oportunidades, faria igual ou melhor do que outros concorrentes na sua posição. 

A saída de Sérgio Oliveira só merece subscrição. Passou meio ano só a treinar, pois entre o fecho do mercado de verão e o de inverno não jogou um único minuto. O Tribunal do Dragão comentou, na época passada, que Sérgio Oliveira tinha que aproveitar ao máximo os tempos com José Peseiro, pois provavelmente não voltaria a ter um treinador no FC Porto a dar-lhe tanto tempo de jogo. Assim foi. NES até o utilizou no início da época em 2 jogos, mas rapidamente se percebeu que nunca seria opção válida. A mentalidade competitiva também ajuda a evoluir, coisa que Sérgio Oliveira não revelou nos últimos meses. Vai jogar no Nantes, uma boa colocação por parte do FC Porto. No final da época há que rever a sua situação, mas dificilmente algum dia será opção inicial no clube. 

Chegou também o fim da era de Silvestre Varela no FC Porto. Oficialmente, pois já tinha acabado muito antes. Curiosamente, um dos primeiros posts d'O Tribunal do Dragão defendia que Varela devia ter saído em junho de 2014, terminando um ciclo no clube no momento apropriado. Já sai tarde, já bastante longe dos seus melhores tempos no FC Porto.

Varela é o melhor marcador português do Estádio do Dragão. Foi tricampeão, ganhou a Liga Europa, Taças e Supertaças. Abriu os 5x0 contra o Benfica, matou o Sporting na Taça, marcou no Jamor, resolveu no dilúvio de Coimbra e foi essencial para qualquer treinador que tenha passado no FC Porto desde 2009, exceção agora a Nuno Espírito Santo. Para quem não se recorda, foi um jogador contratado a custo zero, depois de uma época no Estrela da Amadora e dispensado pelo Sporting.  Fez 236 jogos, marcou 50 golos, fez 38 assistências, ganhou 11 títulos. Foi uma excelente contratação do FC Porto, que só pecou pelo momento tardio da saída. Maiores felicidades para o último jogador campeão pelo FC Porto a deixar o plantel. Faz parte da história do FC Porto e será recordado como tal. 

Sobra Adrián López, novamente de regresso ao Villarreal. NES tentou uma espécie de reabilitação logo em agosto (de certeza que Jorge Mendes agradeceu, pois revelou-se incapaz de encontrar uma solução para Adrián, e parece cada vez mais limitado aos milhões da treta no raide Rio Ave-Benfica-Atlético-Valência-Mónaco-Wolves), quando não tinha muito mais por onde escolher e não havia reforços à vista, mas infelizmente não correu bem. Há uma barreira, sobretudo psicológica, que impede Adrián de vingar no FC Porto. Não resta muito mais do que desejar o mesmo que na época passada: que se valorize em Espanha e seja possível o FC Porto fazer um encaixe com uma transferência, embora sejam poucas as vezes em que o FC Porto consegue de facto fazer bom dinheiro com excedentários.

Quanto a entradas, temos então Soares. Não será de estranhar se NES o utilizar já contra o Sporting, para tentar ganhar o jogador. Se Soares tiver a felicidade de contribuir ativamente para uma vitória no clássico, ganha desde logo um crédito enorme sobre a sua contratação. A sua contratação sugere que NES vai continuar no esquema de 2 avançados até ao final da época, restando saber qual a composição do meio-campo. Se o FC Porto não contratou nenhum médio e dispensou 2, não faz sentido ser agora que passe a jogar com 4, como contra o Estoril. Com Brahimi e Otávio de regresso, NES já tem todas as condições para formar um 11 muito forte, ainda que o plantel não tenha a profundidade e alternativas idealizadas. Mas sem lesões e castigos até ao final da época, e sem um calendário particularmente sobrecarregado, o FC Porto tem pelo menos uma base de 13 ou 14 jogadores que tem que jogar para ganhar em qualquer estádio em Portugal. 

Há que assinalar também a reintegração de Kelvin, mas não será surpresa nenhuma se NES nunca o considerar como opção. O minuto 92 aconteceu há quase 4 anos. Kelvin não evoluiu nada desde então e para as alas parte como última opção. E se por acaso faltarem extremos, o mais provável é NES fazer o mesmo que fez contra o Estoril: preferir abdicar de extremos e reforçar o meio-campo. Dificilmente será opção para o que resta da época, nem com NES nem com qualquer outro treinador no FC Porto. 

O FC Porto chega ao início de fevereiro com menos soluções, mas não com um plantel mais fraco. Não saiu nenhum titular, e ao contrário do que aconteceu no início da época, em que nem era claro se NES podia utilizar Brahimi, desta vez já não há a ameaça de uma saída antes do fim da época. E com isto conclui-se: neste momento, o FC Porto está com melhores condições para lutar pelo título. 


O FC Porto chega ao início de fevereiro novamente com uma das melhores defesas da Europa. Marcano e Felipe tornaram-se, com todo o mérito, uma dupla de centrais que dá todas as garantias. André Silva já deixou para trás todas as suspeitas (se é que elas ainda existiam) sobre se seria capaz de se assumir como o goleador da equipa. Brahimi está totalmente reabilitado. Danilo é neste momento um dos melhores trincos da Europa. Ou seja, em todos os setores temos elementos fulcrais que estão num excelente momento de forma. Mas não é tempo para continuar num limbo tático, com um sistema híbrido que acaba por não funcionar em parte alguma. NES não pode inventar no que resta da época. Já sabe que não vai perder ninguém, já sabe que tem jogadores dos quais não pode prescindir. Já não restam mais desculpas para errar, inventar ou ter mentalidade pequenina - livrem-se de, no caso de fazerem o 1x0 frente ao Sporting, fazerem o mesmo que fizeram contra o Benfica. 

O mais difícil foi conseguido: o FC Porto volta a depender de si próprio. Começámos janeiro a 4 pontos do Benfica. Neste momento, estamos a um. Mais: aos 78 minutos do Estoril x FC Porto, muitos já temiam ficar a 6 pontos do Benfica. As coisas mudam muito rapidamente. Tal como podem mudar nas próximas duas jornadas: os jogos contra Sporting e Guimarães vão ser extremamente difíceis.

Neste momento, não temos que olhar para o Benfica: só temos que pensar em chegar ao fim da 21ª jornada com 50 pontos. O rival vive um período de enorme instabilidade. Repare-se que o Benfica não conseguiu ganhar um único jogo em que tenha sofrido o primeiro golo da partida. Nem um. Quando sofre primeiro, o Benfica é incapaz de dar a volta ao jogo. É uma equipa que se enerva com muita facilidade. 

Além disso, o Benfica não conseguiu resistir ao mês de janeiro sem vender um titular. E pior do que isso: Luís Filipe Vieira teve que andar pela China e por Inglaterra a fazer leilão, a ver se pegavam em algum. Ao contrário de NES, Rui Vitória perdeu um jogador importantíssimo. E qualquer balneário fica desestabilizado ao perceber que vai haver alguém a ter que sair, quer queira quer não, porque o clube precisa de vender. Não é por acaso que o Benfica piorou precisamente no momento crucial do mercado de transferências. E agora já sente o bafo do FC Porto na nuca, e sabem que ao mínimo deslize podem perder a liderança.

Do lado do FC Porto, o momento é de concentração e responsabilidade. Basta perder com o Sporting e tudo entra novamente num estado depressivo. Para o Sporting, esta vai ser a sua derradeira palavra na luta pelo título: se perdem, adeus. É uma oportunidade tão grande para o FC Porto como para o Sporting. E só um pode estar satisfeito no final. 

A grande força do FC Porto 2016-17 está no balneário, no grupo de jogadores. É o espírito de união e crer que se formou no grupo de trabalho que nos permite estar, neste momento, numa posição que deixa o FC Porto com condições na luta pelo título, algo que é assinalável depois de toda a preparação e gestão da pré-época. São os jogadores, mais do que nunca, que fazem os adeptos acreditar. Faltam 15 finais até ao final da época, e este grupo de jogadores merece o apoio dos adeptos até ao final. Sábado será um bom dia para mostrar isso mesmo. Alguém vai sair do Dragão de rastos. Que seja quem já lá ajoelhou. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Em Roma sê Porto

Já era difícil, agora tornou-se ainda mais. Não foi um problema de falta de empenho, de todo. Antes de falta de eficácia, cabeça e bastante clarividência em alguns momentos do jogo. O caudal ofensivo esteve lá, mas houve demasiada precipitação, tanto que em mais de 60 minutos a jogar contra 10 o FC Porto só marcou de penalty. E numa segunda parte que até foi bem conseguida, além do penalty (não esquecendo outro que ficou por marcar), o FC Porto só fez mais um remate na direção da baliza adversária. A parra foi vasta, a uva nem tanto e ainda não se percebe muito bem o que pretende Nuno Espírito Santo semear e colher, sabendo que os terrenos que tem à disposição não são os mais férteis. Os ventos de Roma ameaçam levar tudo. Pensemos nisso depois de vencer o Estoril.





Movimentações de André Silva
André Silva (+) - André contra o mundo. Se é certo que não foi particularmente incisivo no remate (apenas 2 em 8 à baliza), André Silva garante uma coisa que, por exemplo, Aboubakar não conseguia fazer: presença permanente. O FC Porto sente sempre que André Silva está ali. Sente sempre que há uma referência para segurar a bola, para vir buscar jogo, para atacar o espaço na grande área. É um ponta-de-lança completo, desinibido. Estreou-se na Europa com um golo, aos 20 anos. Fernando Gomes tinha 22. Não errou um único passe (15/15), arrancou 5 faltas e correu todo o meio-campo adversário, nunca tendo deixado de marcar presença na grande área, ligeiramente descaído para a direita. Vejam o heat map. Será muito difícil ir à Champions, mas se o FC Porto tiver hipóteses de ir as mesmas passarão muito por André Silva.

Movimentações de Otávio
Otávio (+) - Outro menino em estreia em noites de Champions. Também contribuiu para muito desacerto nos remates (1/6, capítulo a melhorar), mas foi sempre a gota de criatividade e capacidade individual no FC Porto. Foi o mais solicitado durante toda a partida (tocou 80 vezes na bola), meteu 5 bolas em zona de finalização e foi dos poucos a ter capacidade para, num rasgo, abrir a defesa da Roma. Está a acrescentar - e a disfarçar - muitas coisas neste arranque de época, e é cada vez mais claro que faz a diferença em zonas interiores. Quando, ou se, chegar um extremo ao plantel, desviá-lo para ser o homem mais adiantado do meio-campo será um passo natural.




Não foi discreto, foi péssimo (-) - Nuno analisou que o FC Porto teve «20 minutos discretos». Não foram discretos. Na verdade deram bem nas vistas, de tão maus que foram. O FC Porto iniciou a partida como uma equipa incapaz de assumir o jogo, de construir uma jogada, de fazer circular a bola. A pressa de meter a bola na frente era tanta que o chutão para André Silva chegava a ser irrisório. O FC Porto quer ser uma equipa de transição rápida, mas isto não é transição rápida, isto é dar a bola ao adversário e não perceber que tem que ter calma para construir, calma para perceber que para jogar em transição rápida é preciso ter espaço; e por vezes é preciso criar esse espaço antes de isso acontecer. Este trio de meio-campo - melhor, a organização deste trio - dificilmente durará muitos jogos (Herrera não pode jogar tão atrás, André não pode jogar tão à frente), ainda que o FC Porto tenha esboçado um 4x4x2. O FC Porto chega aos 35 minutos com 30% de posse de bola. Nunca vimos uma equipa vir ao Dragão ter tanta posse de bola aos 35 minutos. Dirão que isso, por si só, não ganha jogos. Mas a verdade é que a Roma massacrou durante todo esse período e, não fosse a expulsão de Vermaelen, as coisas poderiam ter ficado ainda mais feias. 

Chuta, cruza, chuta, cruza (-) - O FC Porto teve oportunidades para ganhar o jogo. Atacou muito (67 vezes), mas muitas vezes sem nexo. Os remates de fora da grande área (13) quase nunca levaram perigo. O FC Porto teve sempre dificuldades em entrar ou aproximar-se da grande área em progressão. Na segunda parte, a equipa descobriu espaço nos corredores, mas os jogadores poucas vezes conseguiam ir à linha, optando por cruzar ainda com alguma distância. O FC Porto fez 30 cruzamentos na partida, 22 dos quais na segunda parte, mas há limites para André Silva; e o FC Porto perdeu muito com a saída de Adrián López, cujas movimentações estavam a beneficiar André Silva (e o espanhol teve ações importantes no ataque). O mais irónico é que, a determinada altura, o FC Porto está sempre a meter bolas na grande área e faltava lá mais alguém para ganhar nas alturas, para bater os centrais. Depoitre, Aboubakar e Gonçalo Paciência, por diferentes razões, não deram um contributo que podia ter sido útil. 

A tradição (-) - 13 minutos de competições europeias 2016-17 e o FC Porto já tem um lance para o Watts da Eurosport. Casillas tremeu (depois salvou várias vezes o FC Porto), Alex Telles salvou, mas os fantasmas da época anterior continuam: o FC Porto treme pela mais pequena coisa na defesa. O autogolo de Felipe é um infortuito, mas em 2 jogos são já 2 golos sofridos em pontapés de canto. Na transição defensiva, o FC Porto está demasiadas vezes exposto e desequilibrado, sendo lento a recuperar. Na Roma, a maioria dos jogadores do seu 11 seriam titulares no FC Porto, o que diz muito da sua qualidade, mas uma vez mais o FC Porto sofre mais por erros próprios do que por imposição do adversário. Marcano vai sendo o melhor elemento da defesa. Isso se calhar diz muito.

O banco (-) - Nuno Espírito Santo não tem culpa da escassez de opções no banco. É inaceitável que um jogador valioso como Brahimi, o principal desequilibrador do FC Porto, não conte para o playoff da Champions. Para os mais esquecidos, foi muito graças ao argelino que o FC Porto passou o playoff de 2014-15. Para que raio foi Brahimi apresentado, então? Para não desvalorizar o ativo da Doyen? Para quê, se depois não conta para jogos importantes? Outrora o FC Porto vendia jogadores depois de eles darem o seu importante contributo à equipa; agora não só os jogadores não saem como não dão o seu contributo. No meio de tudo isto, Nuno fica com opções curtas para ir à Champions. A jogar contra 10, com a Roma completamente encostada às cordas, o FC Porto não teve opções para dar companhia a André Silva; e então que faz o FC Porto quando tem hipóteses de matar a eliminatória? Tira o jogador mais criativo da equipa (Otávio) e mete Evandro. Isto não é um FC Porto que explorou todas as suas opções para ganhar. Também porque, na verdade, não havia muito por onde escolher. Uma eliminatória começa a perder-se assim. E a culpa não foi de Nuno, nem de Felipe, nem de Herrera, nem de Depoitre. 

Duas notas. Rúben Neves não é o primeiro, nem o último jogador que está para entrar, mas depois o treinador muda de ideias. Não sabemos o que se passou durante a semana. Não sabemos se Rúben treinou sempre com os titulares, ia jogar de início e depois, em cima da hora, Nuno mudou de ideias; não sabemos o que lhe disse Nuno ao intervalo; nem sabemos o que levou Nuno a mudar de ideias. O treinador diz que num minuto as coisas mudam, e só ele saberá o que é, aos seus olhos, mudou naquele momento. Mas Rúben Neves, naquele momento, não foi o Rúben profissional; foi o Rúben adepto. Queria ver o FC Porto ganhar, queria ajudar, e deixou-se levar pela emoção. Está a viver uma nova realidade, pois saiu um treinador que favorecia as suas caraterísticas (Lopetegui) e tem tentado, nos últimos meses, encaixar em dinâmicas diferentes. Mas Rúben tem que ser mais rijo. A sua oportunidade vai chegar novamente. Rúben Neves não está aqui de passagem. É presente e futuro do FC Porto. Teve uma quebra, assumiu-o e vai fortalecer-se. À Porto.

A titularidade de Adrián López, que curiosamente foi relevada antecipadamente na TSF, por João Ricardo Pateiro, que também já tinha confirmado Nuno Espírito Santo como treinador do FC Porto atempadamente. Qual é o primeiro dado a retirar desta titularidade? É que Adrián tem que ser titular frente ao Estoril. Nenhum adepto do FC Porto admitirá que isto tenha sido uma titularidade à Cristian Rodríguez vs Barcelona na Supertaça Europeia, com a intenção de valorizar o jogador para uma venda. Por isso, a opção de Nuno visa recuperar o jogador, recuperar o ativo. E assim é, agora há que mantê-la.

Não valerá de nada Adrián ter jogado de início frente à Roma para agora voltar para o banco. Se é para recuperar o jogador, vamos recuperá-lo, mantendo uma aposta fixa. Por exemplo, teria sido demasiado fácil atirar André Silva para o banco depois das suas dificuldades iniciais até chegar ao primeiro golo pelo FC Porto. Mas José Peseiro, com a sorte de não haver uma alternativa a garantir mais, manteve a aposta em André Silva e os resultados estão à vista. Adrián teve ações interessantes frente à Roma, não foi de todo a tábua rasa que chegámos a ver em 2014-15, e é um ativo caro no plantel. Por isso, se é para recuperar o jogador, que se tenha a certeza que o FC Porto fez tudo o que era possível. Passar da titularidade para o banco ou para a bancada seria um sinal de que a titularidade de Adrián visava a sua valorização no mercado, e não a sua reintegração no FC Porto. Ninguém admitiria isso. Por isso, vamos Adrián, de início contra o Estoril. 

E esta é para calar os críticos, que dizem que o FC Porto não dá oportunidades aos jogadores da equipa B. Adrián López, há um mês, estava na equipa B e agora foi titular no play-off da Champions. Tomem lá!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

À procura de uma saída limpa

Adrián López vai deixar o FC Porto. E no momento da sua saída, como em toda a época, ouvimos que o FC Porto «pagou 11 milhões por 60% do passe». Porque não chega repetir nem duas nem três vezes, cá vai mais uma: não, não pagou. Não pagou porque não tinha que pagar.

A hora de sair
O Tribunal do Dragão terá sido porventura o único espaço que sempre lembrou isso mesmo, até que em Maio finalmente alguém acordou . Não é uma desculpa para o negócio, é uma constatação de factos. Adrián López chegou ao FC Porto através da ligação Mendes-Madrid, estrada que nunca é um 2+2=4. 

A avaliação da transferência foi alta, mas esse não é o problema. Problema só haverá se não for encontrada uma solução para a saída de Adrián.

Se Adrián López iniciasse a segunda época ao serviço do FC Porto, aí sim os 11M€ seriam abatidos em grande parte. Não tem, nem nunca teve, nada a ver com a saída de Falcao, até porque quando Adrián chegou ao FC Porto só faltava pagar cerca de 200 mil euros pelo colombiano. É habitual que a generalidade dos adeptos só se preocupe apenas com o futebol e deixe «as contas e os números» para a SAD e os dirigentes. Mas talvez o estigma dos 11M€ fosse ultrapassado se a SAD tivesse explicado atempadamente, minimamente que fosse, o negócio Adrián.

Desportivamente, Adrián López foi uma contratação que falhou. Gerou entusiasmo no momento da sua contratação (genericamente todos acharam o jogador caro, mas esperavam que fizesse coisas boas dentro de campo), mas por diversos motivos não se afirmou. Mas o que vai definir se isto foi um péssimo negócio vai ser a forma como Adrián López sair.

Há duas alternativas possíveis. Primeira, ceder o jogador por empréstimo, esperar que haja algum tipo de reabilitação desportiva e daqui a um ano esperar o encaixe. Mas isto implicaria que os 11M€ teriam que começar a ser pagos durante o segundo ano, salvo um acordo com Jorge Mendes e o Atlético. A segunda alternativa passa por simplesmente transferir Adrián a título definitivo. Como é quase impensável continuar a avaliar Adrián López em 11M€ (nem vale a pena falar em 18,3M€), há que tentar minimizar tanto quanto possível o prejuízo. E perceber se haverá um crédito à Roberto/Pizzi no futuro.

Problema não são os jogadores caros e internacionais que não se afirmam. Problema são aqueles sem provas dadas para entrar na equipa A e que grão a grão vão enchendo um papo de despesas com jogadores contratados sem lógica desportiva. Um papo talvez mais caro do que muitos Adriáns. É preferível perder algum dinheiro com um jogador que tinha provas dadas num grande clube, numa grande liga, do que perder dinheiro em contratações de catálogo. Podem dizer que Adrián só foi contratado pela ligação a Jorge Mendes, o que é verdade, mas esta era uma peça de provas dadas. 

Podemos compreender que Adrián López tenha tido problemas de adaptação, falta de confiança, azar com lesões, dificuldades em encaixar-se na equipa... Mas tudo tem um limite. O FC Porto é um clube feito de e para homens de barba rija, que têm que saber lidar com a pressão a toda a hora, lutar pelo seu espaço na equipa, perceber quando ou como é possível dar mais. Adrián López tinha que acordar na pré-temporada. O que se viu foi um jogador conformado com o seu próprio insucesso, sem demonstrar a mínima vontade de reescrever a sua história no FC Porto. Assim não dá.

O FC Porto tentou tirar o melhor de Adrián. Mas Adrián nunca pareceu interesse em tirar o melhor de si próprio ao serviço do FC Porto. Assim, é melhor seguir caminhos separados. A forma como a sua saída for concretizada vai definir, em plenitude, quão (menos) mau foi o negócio. Que a troika Mendes, Atlético e FC Porto encontre a saída limpa que pode separar Adrián de uma mera contratação que correu mal de um negócio que foi um desastre.

domingo, 14 de junho de 2015

Análise 2014-15: os avançados

A hora da sucessão
Há Jackson Martínez e há o resto. O resto tem potencial, mas quando há Jackson não há espaço para muito mais do que esperar na sombra do colombiano. Pela terceira época consecutiva, não conseguimos ter o melhor ataque do campeonato, ficando sempre atrás do Benfica. Mesmo assim, Jackson consegue durante três épocas seguidas ser o melhor marcador, faz 92 golos em 3 épocas e tornou-se um dos melhores pontas-de-lança do mundo. Sem ele, as últimas três épocas teriam sido bem mais complicadas do que o foram.

E agora, a sucessão. Um tema que tem sido difícil de gerir. Aboubakar é o sucessor natural, Gonçalo Paciência pouco tempo tem de primeira equipa e André Silva ainda não o tem. Alberto Bueno foi um negócio de oportunidade, com vista a algo mais do que um 4x3x3. Entre Kléber, Ghilas e até Walter e Caballero há 16M€ investidos sem retorno à vista. Leonardo Ruiz vai fazer a primeira época na B, restando saber se demoram muito a fechar a compra do passe (sem desculpas para inflações à Kayembe). Ainda vai chegar mais um ponta-de-lança do mercado. O natural seria Aboubakar partir como primeira opção, até porque Gonçalo não vai começar a pré-época, abrindo espaço para a terceira vida de Kléber. Mas podemos admitir que está tudo em aberto no que toca ao ataque, seja em 4x3x3, seja no 4x4x2 que na época passada só funcionou na cabeça de Lopetegui e frente ao BATE. Vamos à análise.

Jackson Martínez - Passou a época a receber elogios semana após semana, logo tudo o que se diga agora torna-se redundante. Talvez só Danilo possa competir com ele na designação de melhor jogador da época. Foram três anos a levar a equipa às costas, na mais ingrata das tarefas - fê-lo não em tempos de hegemonia, como Jardel, Lisandro ou até Falcao, mas sim durante três épocas de grande dificuldade e exigência para o FC Porto. É o 2º melhor marcador estrangeiro da história do clube, só atrás do insuperável Jardel. Além de toda a valia desportiva, saindo pela fasquia dos 30M€ ainda se torna num excelente negócio financeiro para a SAD. Merecia sair com mais títulos na bagagem. É sempre subjetivo definir quem é o melhor, mas foi o mais completo ponta-de-lança que o FC Porto teve em muitos anos.

Aboubakar - Chegou para crescer na sombra de Jackson. Aproveitou dentro do possível as suas oportunidades, fazendo 8 golos na época de estreia e revelando o potencial que levou o FC Porto a apostar na sua contratação. Não é Jackson, claro que não. Mas pode ocupar o lugar de Jackson, mesmo que isso implique que Lopetegui passe a utilizar o seu 9 de maneira diferente. Jackson Martínez jogava pela equipa, enquanto que neste caso a equipa terá que jogar um pouco mais para Aboubakar. E a própria equipa, sobretudo do ponto de visto criativo no meio-campo, terá que render muito mais, pois Jackson disfarçava muita coisa. Aboubakar tem condições para começar a próxima época como primeira opção, desde que lhe peçam para fazer de... Aboubakar, não de Jackson.

Adrián López - Tal como Falcao não é o jogador que viram no Man. United esta época, Adrián também não é o que mostrou no FC Porto. No início da época, foi uma contratação que genericamente gerou entusiasmo, excepção à parte de ter chegado por 11M€, tão reais quanto os 8,6M€ de Roberto ou os 6M€ de Pizzi. É certo que o feitio do jogador não ajudou. Não é que seja mau profissional, mas revelou-se frágil psicologicamente para aguentar a pressão de as coisas não terem começado desde o início a correr bem. Mas também foi contratado para uma equipa na qual não tinha espaço. Não podia ser extremo, não podia ser 9. Lopetegui tentou encaixá-lo naquela variação de 4x4x2, mas o esquema não funcionou de todo. E sendo esse o único esquema onde Adrián podia entrar, o jogador também ficou sem grande margem. Depois veio a lesão e terminou a história de Adrián no FC Porto. Ficando no plantel o FC Porto teria que começar a liquidar os 11M€, mas nem um décimo do investimento conseguiu justificar - e o pior é a massa salarial. Logo há que esperar que Jorge Mendes encontre uma solução.

Gonçalo Paciência - Tem caraterísticas raríssimas. Estivesse já a jogar numa liga estrangeira (na Bélgica ou na Holanda, por exemplo, os jogadores jovens começam mais cedo a jogar nas primeiras equipas) e já o comparariam a Ibrahimovic. No FC Porto, num clube onde a exigência é máxima e havia Jackson Martínez, era difícil ter muito tempo de jogo. Podia ter saído por empréstimo, mas Lopetegui quis que ficasse a trabalhar e evoluir sob a sua supervisão. É bom de mais para estar na equipa B ou limitado a minutos residuais na equipa A. Já vai para a 3ª época de senior, logo precisa de jogar numa equipa principal. Se Lopetegui não encontrar espaço competitivo para ele, talvez o empréstimo seja a melhor solução. Resta responder à questão: quem chegar do mercado terá mais potencial e oferecerá mais a curto prazo do que Gonçalo Paciência? Não faz sentido contratar um projeto de jogador quando temos um projeto chamado Gonçalo. Nem sequer investir no mercado quando o contrato de Gonçalo acaba em 2016.

Os bês - André Silva foi prejudicado pelo impasse na sua renovação e, de certa forma, pela tentativa de coexistir com Gonçalo na equipa B, desviando-o para uma ala - o seu lugar é a posição 9. Vai para o 2º ano de sénior, o que indicia que possa continuar na B, mas se já podermos aumentar o estímulo competitivo a que está sujeito só há a ganhar. Anderson (que só chegou em janeiro) e Roniel fizeram uma época exemplar daqui para que não devia servir uma equipa B - como porta de importação para jogadores cujo agenciamento é melhor do que o talento demonstrado.

Pergunta(s) - O sucessor de Jackson deve vir do mercado ou do plantel? Que papel para Gonçalo Paciência em 2015-16?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Em 2015-16 não pode haver versão BETA

Entre os jogadores dos 4 maiores campeonatos europeus, o único que o FC Porto tem possibilidades de contratar e que já tenha atingido a barreira dos 15 golos chama-se Alberto Bueno. Por si só, isto já é relevante. Mas tratando-se de um jogador que tem escola, já é um conhecido do treinador do FC Porto e que pode chegar a «custo zero», então tudo se conjuga para uma rara e boa possibilidade de negócio.

O que fazer com Bueno?
Sobra a questão: para que precisa o FC Porto de Bueno? Para que precisa o FC Porto de um segundo avançado num 4x4x2, se a tentativa de encaixar Ádrian López nesse esquema não funcionou e se os melhores resultados com Lopetegui saíram do 4x3x3?

Bueno, ele próprio o reconhece, rende como segundo avançado. Tem um excelente toque de bola, é ágil, remata muito bem dentro e fora da grande área, razoavelmente rápido, bom no drible curto, que sabe ir buscar jogo atrás e aos flancos. Se o FC Porto pode ir buscar tudo isto a «custo zero», num jogador já formado, trata-se de facto de uma boa oportunidade de negócio, pois o risco da contratação falhar é reduzido. Mas existe, claro.

Imaginando um contrato de 4 anos e que contará sempre com a inflação de outros clubes interessados (dois milhões brutos/ano já seria mais do que bueno, pois daria 100 mil euros líquidos mensais - os jogadores em Portugal por norma ganham a 10 meses/ano -, salário que só quem é titular de valia do FC Porto devia ter), restando ainda saber como fica a questão das novas normas da FIFA para as transferências (3% do contrato?), Bueno teria que chegar e render, pois no final da segunda época já terá 28 anos. O FC Porto não está obrigado a ter só jogadores para valorizar e vender, conforme já aqui foi explicado, até porque raramente tem mais que 5/6 no plantel para esse efeito. Mas os que não são para valorizar e vender têm que ser para render na equipa. Bueno, em segundo ano de contrato, nunca poderia ser um suplente à procura de afirmação. Não temos espaço para isso nessas circunstâncias.

Não ganharia nunca mais do que Ádrian e não há o peso de 11M€ nas costas. Logo, como sucessor de Ádrian, seria uma boa contratação. A questão é que o FC Porto não precisa de sucessores para jogadores que não são titulares. Antes de pensar em Bueno, o FC Porto teria que pensar no que fazer com Ádrian. A não ser que o carro seja para devolver ao stand... ou que Lopetegui tenha outros planos para a próxima época.

No 4x3x3 de Lopetegui, Jackson é um jogador nuclear. Não há muitos outros pontas-de-lança que consigam fazer o que Jackson faz em termos tácticos - se há, se calhar o FC Porto não os pode pagar. Bueno até tem algumas características que Jackson usa, mas não tem a capacidade de aguentar a bola e a dimensão física de Jackson.

Ninguém faz o que faz
Jackson Martínez
Por outro lado, há Aboubakar, que tem sido moldado para ser o 9 da próxima época, e Gonçalo Paciência, cujas características se aproximam mais de Jackson do que Aboubakar. Ghilas é vítima de si próprio (se calhar, por isto já se percebe porque é que foi dispensado por Lopetegui e pouco jogava com Paulo Fonseca - mas é sempre mais fácil bater no treinador), Kléber tem características físicas e técnicas interessantes mas está muito desgastado na sua ligação ao FC Porto (a um ano do fim de contrato, ou sai ou fica no plantel - renovar para emprestar seria questionável), Walter é um fardo pesado e Caballero precisa de futebol de primeira liga antes de sonhar sequer em ser opção no FC Porto. Leonardo terá a sua primeira época na B e a André Silva faria bem rodar noutro lado, pois não vão ter espaço na equipa A. E sobra, claro, Ádrian López, que deve ser o primeiro caso a resolver e esclarecer.

Sabendo-se que Bueno não pode jogar sozinho num 4x3x3 (se pode, não é por já ter mostrado serviço nessa posição, logo seria apenas uma ideia de Lopetegui - e isso aumenta os riscos da aposta) e que já há Aboubakar e Gonçalo Paciência, que estão a trabalhar nesses moldes desde o início da época, irá Lopetegui pensar no 4x4x2 para a próxima época? Ter um plano B é útil. Mas na próxima época não há margem absolutamente nenhuma para Lopetegui testar ou inventar a meio da época.

A ideia de manter Lopetegui para 2015-16, independentemente de ganhar ou não títulos esta época, pressupõe que assim seja dada continuidade e estabilidade ao plantel. Se mudássemos de táctica, essa continuidade já estaria comprometida. Ter plano B tudo bem, ir para a segunda época ainda a pensar em experiências seria um risco demasiado grande. 

Tudo isto para defender que a contratação de Alberto Bueno tem que obedecer a uma ideia clara, que é o plano jogo de Lopetegui para 2015-16. Plano esse que desta vez não poderá estar em fase experimental, e não se deve cometer o erro cometido com Ádrian López - criar uma táctica para encaixar um jogador. Bueno é um bom jogador que tem tudo para ser uma boa contratação. Mas tem que vir para ocupar um lugar, não para que se crie um lugar para ele.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Trânsito nos dois sentidos

Já lá vão três semanas de mercado. Opare (Besiktas) e Kelvin (Palmeiras) já saíram. Ricardo, o guarda-redes, vai pelo mesmo sentido. Da equipa B Candé, Djim (Freamunde), Tiago Rodrigues (Nacional) e Kayembe (Arouca) também foram à procura de tempo de jogo noutros patamares. Janeiro vinha sendo aproveitado para emagrecer o plantel, mas o trânsito vai acabar por surgir nos dois sentidos.

O FC Porto já perdeu 4 das soluções que tinha para jogar nas alas. Como? Óliver Torres afirmou-se no miolo. Ricardo Pereira passa de vez a lateral com o empréstimo de Opare. Kelvin saiu por empréstimo. E Ádrian López vai estar afastado dos relvados pelo menos até Março.

Ádrian só em Março
Brahimi e Aboubakar vão estar na CAN até ao início de Fevereiro, na melhor das hipóteses. Quem sobra para as alas? Cristian Tello e Quaresma. Há Quintero, que pode jogar a partir dessa posição (a partir de, não em, que são coisas diferentes), e Otávio é uma aposta de futuro da SAD e dificilmente de presente para Lopetegui.

Sobra a equipa B. Ivo Rodrigues e Gonçalo Paciência já deram um primeiro passo para subir de patamar. E Gonçalo é mesmo, neste momento, a única alternativa a Jackson Martínez. Da mesma forma que Ivo, que até está lesionado, é a única alternativa de raiz a Tello e Quaresma nesta altura. A alternativa chama-se Ricardo Pereira, motivo pelo qual Victor Garcia passou a trabalhar com o plantel principal, para ser alternativa a Danilo e soltar Ricardo no corredor.

A lesão de Ádrian López foi um revés. Não pelo que o jogador era, mas por aquilo que poderia passar a ser. Com a paragem até Março, Ricardo Pereira, Ivo Rodrigues e Gonçalo Paciência (há André Silva, mas precisa da titularidade na B primeiro), além de Quintero, são forçosamente as alternativas ao 11. Não é de todo uma coisa má, pelo contrário. Um misto de circunstâncias desfavoráveis, mas que permitem e bem que jovens valores se revelem. De qualquer forma, abriu-se a porta para a SAD contratar mais um atacante no mercado até ao fim do mês.

Tendo em conta que no mercado de Inverno a ideia é melhorar de imediato a equipa, não faz sentido apostar na contratação de jovens valores que necessitam de tempo de adaptação e evolução. Um Adriano, um Janko, até mesmo um Izmaylov (sem problemas físicos), jogadores que possem chegar e jogar. A dicotomia é perceber se será possível encontrar um nome que possa, simultaneamente, acrescentar qualidade no curto prazo à equipa e que possa dar algo mais do que os jovens que estão na sombra. O princípio básico da equipa B devia ser ocupar as vagas da equipa A.

Mas importa lembrar que os bês vão ter mais 23 jornadas da segunda liga, com vários jogos à quarta-feira, além da International Cup. Seria bom apostar na promoção dos Sub-19, mas com o início da segunda fase faz sentido que Folha mantenha os melhores jogadores às suas ordens, ainda de olho num brilharete na Champions de juniores. O cobertor fica curto.

Apela-se por isso ao tal toque de midas nesta janela de mercado, onde além da contratação de um atacante há mais uma incógnita para resolver: a situação de Reyes. Em Braga tinha a oportunidade para ganhar o lugar, mas mais rapidamente assinou a dispensa.
Não será Reyes a
ser substituído

De recordar que Reyes foi contratado em Dezembro de 2012, dois meses depois de anunciado um prejuízo de 35,7 milhões de euros na época anterior. Negociar com um euro no bolso é uma arte, empurrar com a barriga nem tanto. No caso de Reyes houve uma grande aposta de futuro por parte da SAD, até porque na altura tínhamos como centrais Maicon, Otamendi, Mangala, Rolando e até Abdoulaye e Sereno. Não havia carência nos quadros.

Foi uma jogada de antecipação, tanto que antes de vir já estava alienado, com 47,5% à muito falada e pouco conhecida Gol Football Luxembourg, por 3,5 milhões de euros. Metade do preço de Reyes, que custou 7 milhões de euros por 95% (se quiserem dizer 9, então passem a incluir as comissões/encargos/prémios de assinaturas em todos os jogadores, para não haver incoerência). Como a partilha de risco é um mito e caso os negócios corram mal os fundos têm que ser indemnizados, não há apenas pressão desportiva sobre Reyes. Há também financeira.

Continuo a confiar no potencial do jogador. A questão é que nos últimos 18 meses pouco ou nada evoluiu, mas também porque poucas oportunidades teve para ter continuidade no 11. Mas há o paradoxo: Reyes comete erros porque não joga mais ou não joga mais porque comete erros? O empréstimo é a solução ideal para o jogador.

Então chegando à altura de empresar Reyes, é necessário ir ao mercado contratar um central? Se é por causa de Reyes... não. Ao emprestar Reyes, o FC Porto estará a ceder o seu 4º central. Então continuaria a ter Maicon, Indi e Marcano, além de Lichnovsky promovido a 4º central. O problema estava resolvido, não fosse a equipa B ficar com carência entre os seus centrais. Por outro lado, são poucas as oportunidades em que o 4º central tem oportunidade de jogar (Reyes que o diga), por isso Lich continuaria maioritariamente a jogar pela B.

Por isso, se a possível saída de Reyes implica uma ida ao mercado, não significa que Lopetegui está insatisfeito com Reyes. Significa sim que não está satisfeito com o rendimento de Maicon e/ou Marcano nas duplas com Martins Indi e que prefere melhorar já a dupla de centrais titulares. Mas então surge de imediato o problema anterior: haverá possibilidades no mercado para contratar um central para chegar e pegar logo na equipa, quando o central de 7 milhões ainda não serve?

O mercado fecha a 2 de Fevereiro. E como manda a tradição, tem tudo para começarmos a estar atentos ao F5. Falta saber com que necessidade e a que preço.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Evandro, Quintero, Quaresma e a prova dos 9 na Taça da Liga

Quintero em destaque
Pronunciar o nome «Taça da Liga» é quase tão eficiente como contar carneirinhos. Mas não restam dúvidas de que é uma prova que o FC Porto quer ganhar. Disse-o o representante da SAD no sorteio e dizem-lo as opções de Lopetegui (não necessariamente os 11 titulares, mas a forma como geriu os 2 primeiros jogos no que toca a substituições). Se é uma Taça para ganhar, espera-se então que se atinga um determinado nível exibicional. Um nível que hoje não foi atingido...

... e era difícil que fosse o contrário. Mudanças em todos os sectores, na dinâmica da equipa, nas funções de jogadores que já foram titulares mas em diferentes tarefas (Rúben, Campaña, Quintero, Ádrian)... Com tantas mudanças em tantos capítulos, era difícil esperar muito.

Dia de estreia para Ivo Rodrigues. Nervoso e condicionado fisicamente, pareceu. Não foi a estreia que idealizou mas as oportunidades voltarão a surgir se o nível na equipa B se mantiver elevado e a vaga no plantel principal surgir. Quanto a Gonçalo Paciência, claro que todos gostaríamos de ter visto um pouco dele, mas é de recordar que no Domingo fez 90 minutos de elevada exigência contra o Benfica B. Já teve um prémio importante pelo trabalho que está a desenvolver ao ser convocado. Já tinha acontecido com Ivo em Vila do Conde: convocatória e banco. Só depois veio a titularidade.

Saudar o regresso do capitão, Helton. Dificilmente voltará a ser o número 1, mas o papel de um capitão não se esgota dentro das 4 linhas. No que toca à Taça da Liga segue-se o Braga, onde será preciso mostrar bem mais do que hoje.





Evandro (+) - Sempre de cabeça levantada, tudo o que faz faz bem. Num meio-campo sem rotinas, teve sempre uma linha de passe para dar e soube conduzir o jogo. É um médio completo e um exímio marcador de penaltys, coisa tão rara por estas bandas. Quanto mais tempo de jogo tiver, maior qualidade terá para oferecer à equipa.

Quintero (+/-) - Juanfer, Juanfer... O golo e os pormenores de classe mostram (uma vez mais) que é um jogador de um talento enorme. E no meio de uma boa exibição, demonstra-se mais uma vez o porquê de não ser titular absoluto no FC Porto. A reacção à perda da bola é lenta (a principal diferença em relação a Oliver), não ganha um lance no corpo-a-corpo e quando a equipa não tem bola desaparece. Isto são lacunas que o Quintero tem que colmatar, mas que também têm que ser disfarçadas pelo colectivo.  Num 11 renovado e sem rotinas, era difícil ajudá-lo. Com a bola nos pés faz a diferença. Para ser titular indiscutível no FC Porto, também tem que saber jogar sem ela.

A rever (+/-) - Ricardo e José Ángel foram os jogadores que melhor replicaram as rotinas da equipa habitualmente titular. Sempre ofensivos, por vezes até em demasia e com muito espaço descoberto nas suas costas, que o U. Madeira lá aproveitou para fazer um golo (após uma perda de bola de Quaresma, antes da má reacção de Reyes, claramente a precisar de tempo de jogo e rotinas, aqui ou noutro clube). Pouco havia para fazer, mas o que havia Marcano fez bem. De Quaresma, fez um golo e ganhou um penalty, mas não consegue ultrapassar um jogador em velocidade. E está na fase da carreira em que já não é suposto fazê-lo. Quaresma não pode ser o jogador que rasga no FC Porto, porque já não tem velocidade para tal. Pode (e deve ser) o elemento que recebe, permite o movimento exterior do lateral, cruza e procura o jogo interior de forma mais simples. Não é por acaso que Jesualdo, um treinador que bem o conhece, disse que nesta fase da carreira tem que trocar de posição, como fez por exemplo Luís Figo. Campaña e Rúben mantiveram sempre o meio-campo equilibrado, mas num jogo destas características convém que alguém mais do que o terceiro médio (no caso Evandro) dê algo mais ao ataque.





Prova dos 9 (-) - Os jogos da Taça da Liga têm características próprias. Lopetegui roda a equipa e, com isso, roda também as rotinas de jogo. E hoje houve um grande problema. O FC Porto está habituado a um modelo onde Jackson tem um papel importantíssimo. E não é apenas por causa dos golos, mas pela sua movimentação: solta-se dos centrais para baixar, segura sempre a bola, ganha no ombro-a-ombro, consegue tocar e depois rodar para a grande área, onde é igualmente forte no jogo aéreo e a finalizar de primeira.

Um ponta-de-lança assim é raro (e curiosamente havia um protótipo de tal no banco). O que se viu hoje? Ádrian sem conseguir fazer o papel de Jackson. Nem era suposto, pois não tem características para isso. Uma, duas, três vezes em que Ádrian baixa para receber na zona central e perde a bola. Percebe-se que Lopetegui o teste na posição 9 enquanto Aboubakar está na CAN, e é de esperar que um jogador do estatuto de Ádrian cumpra minimamente bem o papel. Mas o jogador estava a começar a mostrar qualquer coisa a jogar a partir de um flanco e este jogo foi, digamos, um hiato na sua evolução. Adrian não pode jogar sozinho a 9. Ou joga a partir de um flanco ou como 2º avançado num 4x4x2.  Dado o contexto deste jogo, percebe-se a aposta na posição 9, mas não parece ser solução para quando for a doer.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O pior jogador da história do FC Porto na relação custo/rendimento

Gosto de dizer que os treinadores de bancada estão em vias de extinção. Agora há uma nova classe: os dirigentes de bancada. Hoje em dia, o comum adepto já não se satisfaz apenas em comentar as questões técnico-tácticas. Os adeptos gostam de discutir as finanças das SAD, os preços dos jogadores, os investimentos, a gestão da administração, etc. Nada fica ao acaso. 

A cara feia que todos
queremos ver no Dragão
E por isso, aos olhos de muitos adeptos o problema de Ádrian López não está na apatia com que tem jogado. Está no investimento. O problema em Ádrian não é a falta de agressividade, o facto de não conseguir mandar um bico para a baliza ou de olhar para a bola com a mesma estranheza com que eu olhava para o quadro durante as aulas de física («que é esta merda?»). O problema de Ádrian é que custou 11 milhões de euros.

Danilo, Alex Sandro e Herrera já passaram por isso. Ser refém do preço que custou é complicado para qualquer jogador. Chega-se a ignorar o princípio mais básico: os jogadores não têm culpa dos preços que lhes colocaram. Mas claro que têm o dever de tentar corresponder ao máximo a esse investimento. Ádrian ainda não o fez, mas a facilidade com que já se considera Ádrian o maior flop da história do FC Porto é assustadora.

Pergunta: quem é o pior jogador da história do FC Porto na relação investimento/rendimento? Como Ádrian é o nome mais recente e a segunda contratação mais cara da história do clube (não confundam contratação com investimento num jogador já contratado; a maior parte do investimento feito em Hulk foi feito quando ele já estava contratado, logo não é a contratação mais cara da história do FC Porto, mas sim o investimento mais caro), é normal que já o associem a isso. E sem grande razão de ser, diga-se.

Um nome: Quintana. Chegou na era em que o FC Porto se fartou de contratar em quantidade e raramente em qualidade. Diziam que era o novo Paredes. Na verdade uma parede, no sentido literal da palavra, era capaz de ser dado mais jeito. Um jogador tão mau que foi dispensado na pré-época do Moreirense. Na altura, esse jogador custou mais de 500 mil contos, cerca de 3M€ na moeda actual.

Quintana, um investimento
não menos grave
Em 2001, o FC Porto apresentava receitas de 32M€. Foi a partir daqui, quando o FC Porto começou a fazer vendas milionárias, que a SAD começou a subir a fasquia dos investimentos. A venda de Jorge Andrade (por 11,6M€), por exemplo, na altura significou 24% das receitas totais do clube, incluindo as transações de passes.

Então que se façam agora as contas. O que é mais caro? Comprar Quintana por 3M€ quando há receitas de 32M€ ou comprar Ádrian por 11M€ numa época em que se enquadra um orçamento de 114M€ e em que os proveitos com transferências incluídas vão chegar aos 140M€?

Ádrian nunca poderá ser considerado o pior jogador do FC Porto na relação custo/rendimento. Porque antes dele houve Quintana e outros exemplos. Pena foi contratado com uma avaliação superior a 7M€, embora a SAD só tenha comprado 25% do passe. Ibarra custou na altura 8,85M€, valor bruto que incluía o contrato do jogador. Mas pagar este valor por um lateral-direito quando as receitas eram menos de metade das actuais, torna Danilo numa pechincha. O início do século XXI tem diversos casos de investimento extremamente mal calculados e francamente maus na SAD, curiosamente logo nos primeiros anos em que foi constituída. Ádrian não é nenhum mal isolado.

A bem da verdade, que têm Quintana, Pena, Ibarra ou Ádrian em comum? Não é a questão de ser ou não flop. É serem jogadores cujo investimento é feito acima daquela que é a realidade financeira do FC Porto. Um décimo das receitas investido num único profissional, sobretudo quanto este não rende, é um risco em Portugal. Mas o risco é o modelo de gestão de Pinto da Costa há 30 anos. Não queiram é fazer parecer que Ádrian é um pecado no meio de tudo isto. Não é. O investimento de Ádrian equipara-se ao que foi feito há mais de 10 anos em Ibarra ou Quintana. Ádrian não é nenhum caso isolado. A política da SAD é exactamente a mesma desde há vários anos, desde Ádrian a Quintana. Ádrian, na relação custo/rendimento/receitas da SAD, precisa de flopar muito para chegar a Quintana.

Tudo isto para tentar aliviar o fardo do jogador. Eu próprio já assumi o desencanto com as suas exibições até aqui. Mas o jogador é vítima do seu próprio contexto no plantel. Não é bem 9. Não é bem extremo. E no 4-3-3 de Lopetegui, que estava a dar resultados, tem pelo menos 2 jogadores melhores do que ele para cada uma dessas posições. O próprio jogador estava iludido que saíndo do Atlético, campeão espanhol e vice europeu, para jogar na Liga ZON Sagres faria com que fosse ele e mais 10. As coisas não correram como ele pretendia. Mas será o primeiro a ter este problema?

Mariano, um bom exemplo
Ádrian tem 437 minutos de jogo, um golo e uma assistência. Lisandro López, nos 434 primeiros minutos no FC Porto, também só fez 1 golo. Outro exemplo, Mariano González. Quem não se lembra do trapalhão que nem correr conseguia? Tropeçava sozinho, quanto mais quando tinha a bola nos pés. A verdade é que Mariano demorou 847 minutos até ter um bom momento no FC Porto. A assistência que Lucho lhe deu no minuto 90 contra o Paços de Ferreira foi melhor que ir ao psicólogo.

Não se pode dizer que Mariano fosse um predestinado. Mas acabou por ser dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos. Fez o primeiro golo do tetra. Marcou no último minuto em Old Trafford. Resolveu uma meia-final. Deu um torcicolo ao Rui Patrício. Foi capitão de equipa. E a verdade é que até aquele golo ao Paços de Ferreira era um dos maiores barretes da história do FC Porto (não se pode ignorar o que ganha hoje um jogador comparado com há 12 anos).

Para quem não se recorda, o FC Porto tem 4 avançados que custaram mais de 16M€ emprestados a outros clubes, Walter, Kléber, Caballero e Ghilas. E isto é apenas o custo, porque a avaliação nestes 4 jogadores foi superior a 23M€. O FC Porto tem 18 jogadores com contrato profissional emprestados, a suportar a maioria dos seus salários, e desses talvez só 2 ou 3 tenham hipóteses de voltar a representar o FC Porto. Ádrian tem que carregar sozinho o fardo dos 11M€ quando há casos tão ou mais pesados?

Ádrian López tem que render mais. E vai render mais. Mas o jogador tem que ser avaliado pelo ponto de vista estritamente desportivo. Porque se o foco da crítica for os 11M€, então não deve ser Ádrian a ser criticado. Pelo menos não sozinho. Deve ser Quintana, Ibarra, Pena. Ou os 4 avançados de 16M€ que estão emprestados. Por outras palavras, deixa de haver críticas a um jogador e passa a haver críticas à gestão da SAD. E como assobiar a SAD durante os jogos não deixa a equipa mais perto de ganhar, é tempo de tentar puxar por Ádrian, como também o fizemos por Mariano e Lisandro. E valeu bem a pena, não valeu?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A diferença entre uma táctica feita para um jogador e uma táctica feita para uma equipa

Se estou com dificuldades financeiras, à partida não vou comprar um carro de 11 mil euros. Impensável. Mas posso conhecer um tipo num stand com contactos priveligados e com uma grande rede de negócios. O tipo oferece-me o carro por 11 mil euros. Digo que não posso. Mas o tipo sabe negociar. «Pagas agora uma parte, ficas com o carro durante um ano e vês se gostas. Daqui a um ano se quiseres ficas com o carro e pagas o resto. Senão eu vendo o carro a alguém e deixo-te recuperar o que investiste». Perfeito, confio no tipo do stand e vou experimentar o carro durante um ano. Estou tranquilo porque no final recupero o investimento, ou pelo menos grande parte dele. Era como se tivesse o carro emprestado por um ano. O problema é o dinheiro que vou gastar em gasolina e na manutenção ao longo do ano, sobretudo se o carro estiver sempre a dar avarias.

Que papel para Ádrian
neste FC Porto?
O carro chama-se Ádrian López, o tipo do stand Jorge Mendes, a gasolina e a manutenção são o salário de Ádrian e as avarias o momento de forma do jogador. Não encontro analogia melhor e é inevitável começar por aqui.

Nunca estive preocupado com os 11 milhões de Ádrian. Porque o seu empresário se chama Jorge Mendes. Só assim Ádrian veio para o FC Porto. Tal como o Benfica falhou na aposta num jogador espanhol e depois viu o investimento ser coberto (que acabou por ter não o reembolso monetário, mas a compensação de contrapartidas em igual valor), o FC Porto pode perfeitamente gozar do mesmo. A Gestifute já tirou mais de 20M€ do FC Porto e vai continuar a ser parceira. O problema é que a gasolina para manter Ádrian é cara. Muito cara, pois só assim se convencia um jogador a trocar o campeão espanhol pela liga portuguesa. E além da gasolina ser cara, não há maneira do carro arrancar. Será que o carro foi colocado na pista certa ou haverá mesmo um problema no motor?

Dizer que Ádrian foi um pedido de Lopetegui pode aliviar a pressão sobre a SAD, que deixa de ser uma entidade gastadora para passar a ser uma SAD que soube satisfazer as pretensões do treinador. Um pouco de cada, diria. Mas 11M€ são sempre um investimento pesado, sobretudo tendo em conta o que Ádrian deve ganhar por época e imaginando-se o que terá sido o prémio de assinatura. Claro que a SAD e Lopetegui estão sob pressão, porque é preciso meter um activo caro a render. Ádrian vai forçosamente voltar a ter oportunidades. Não se percebe é o contexto em que foi lançado hoje.

Na altura da contratação foi colocada a questão: para que posição vinha Adrian? 9? Avançado interior? Ou esta posição de hoje que ninguém conseguiu perceber (sobretudo Ádrian) bem o que era? Dá a impressão que o FC Porto apresentou-se não com uma equipa para ganhar ao Estoril, mas com uma equipa onde Ádrian pudesse jogar. 9 não é, pois há Jackson e Aboubakar. Podia ser ala, mas Lopetegui não quis. Durante 1 hora, Ádrian esteve perdido em campo. Mas o mais assustador veio depois: saem Casemiro e Ádrian, entram Quintero e Aboubakar. Lopetegui manteve a táctica. Afinal não era uma táctica a pensar em Ádrian, mas no FC Porto. E isso foi ainda mais grave: não só errou na táctica para potenciar Ádrian como na táctica para potenciar o FC Porto.





Novo esquema
não convence
A estratégia de Lopetegui (-) - O FC Porto vai estar 15 dias sem jogar. Alguns jogadores vão às Selecções, outros ficam por cá e Lopetegui já pediu para marcar 1 ou 2 jogos treino. O que é que Lopetegui vai ensaiar durante esses 15 dias? O 4-3-3 que estava a dar resultados ou este 4-4-Adrianperdidoalipelomeio-1? Era tempo de criar raízes, consolidar processos. Que fosse uma estratégia para encaixar Ádrian, já era mau. Mas depois de ver que afinal Jackson e Aboubakar também jogaram na frente, foi ainda pior. É a primeira vez em que associo directamente Lopetegui a uma perda de pontos. E hoje o mister deu todas as razões para os adeptos se queixarem. Contra o BATE funcionou, mas é bom lembrar que tudo começou como hoje: Brahimi a resolver. E por muito que respeitemos o BATE, não é mais equipa do que o Estoril. Contra o Sporting foi o que foi. Agora volta a dar maus resultados. Lopetegui estava a encontrar soluções para todos os problemas. Mas o que fez hoje foi colocar um problema no meio do que estavam a ser soluções.

Ádrian (-) - Além da questão táctica, que é responsabilidade (não diria culpa, mas responsabilidade) de Lopetegui, há a questão técnica, que aqui já é responsabilidade do jogador. E avaliar Ádrian enquanto jogador do FC Porto está a tornar-se complicado. Parece ter medo de aleijar a baliza e a bola. Não se impõe na equipa e fica sempre timidamente de braços estendidos à espera que alguém lhe passe a bola. Tem um irritante vício de tentar transformar o que devia ser passes simples em toques de calcanhar (será para ganhar confiança?). Não consegue ultrapassar um jogador, a fazer lembrar as limitações que tinha... Licá. Que se passa, Ádrian? Para um avançado internacional espanhol, que foi campeão no Atlético, é fácil encontrar uma avaliação de 11 milhões. Mas para um jogador do FC Porto que não consegue fazer um remate ou uma finta, a coisa torna-se muito complicada.

Havia mais por onde destacar negativamente. Maicon desconcentrado, Danilo a deixar muito espaço nas costas (foi por ali que entrou o 1-1), Fabiano estava bem mas foi demasiado anjinho no penalty e Quaresma não percebeu que tendo Aboubakar e Jackson na área tem que é meter lá a bola e não tentar mais um e outro adorno (e Quaresma está para os livres como Jackson para os penaltys, e a situação em que tira a bola das mãos de Brahimi devia dar direito imediato a banco). Mas hoje os erros começaram na táctica, e a partir daí tudo foi um castelo de cartas. 





Herrera contra o mundo
Herrera (+) - Porque é que Herrera rende mais no México do que no FC Porto? É fácil. Porque o México joga com 3 centrais, há mais espaço no meio-campo e as transições são mais rápidas. No FC Porto não é assim. Joga-se um futebol de posse, em espaço curto e priveligia-se a circulação de bola. Ou pelo menos era assim. O FC Porto de Lopetegui usa cada vez mais transições rápidas e pratica um futebol mais directo. A boa notícia é que Herrera sobressai neste esquema. Hoje valeu por 3 pulmões num meio-campo em que tinha que fazer tudo. Mesmo tudo. Tinha que baixar para receber a bola, tinha que oferecer linha de passe entre-linhas, fazer o transporte e ainda tinha que perceber o que é que Ádrian andava a fazer ali pelo meio. Não é tarefa fácil. É jogador à Porto, ponto.

Oliver Torres (+) - Tudo o que o pequeno faz, faz bem. E Ádrian tem que meter olhinhos no golo. Percebe a movimentação de Jackson, percebe onde a bola vai cair e depois consegue marcar com frieza. Quem joga nas costas de Jackson tem que saber antecipar o que Jackson vai fazer. Oliver entrou com garra, com vontade e ajudou a decidir. Um pormenor: a lei da vantagem não se aplica ao penalty. Por isso, se Oliver não tivesse conseguido marcar, era a primeira derrota do FC Porto, pois o penalty não seria assinalado. Nota para Brahimi, que volta a ter um lance de magia, mas volto a dizer: tem que soltar mais a bola. Cada vez mais, porque vai ter que se habituar a levar com 2 ou 3 defesas em cada jogo.

Tozé (+) - Nem vale a pena comentar as lamentações dos que já clamam que Tozé tinha lugar no FC Porto. Nem merece comentários. Tozé não tem lugar no FC Porto. Não ia jogar no FC Porto. Ia jogar tanto como Ricardo ou Kelvin. O empréstimo era a melhor solução para dar minutos ao jogador, disso não há a menor dúvida. O que se elogia aqui é a postura do jogador e o seu profissionalismo. O tempo do Manaca já lá vai (será?), mas o que se diria sobre o jogador se falhasse o penalty? Fez com facilidade aquilo que se tornou difícil no FC Porto e ainda se desculpou. Não tens que pedir desculpa, apenas continuar a fazer aquilo de que gostas, que é jogar futebol. O FC Porto não tinha possibilidades de te garantir minutos esta época, quiçá no futuro as coisas mudem. Quem sempre tratou o FC Porto com honra e respeito, como Tozé, merece sempre ser feliz.

O FC Porto admite erros. E às vezes para se evoluir e corrigir, é preciso insistir nesses mesmos erros. O FC Porto goleou o BATE por 6-0 (e na altura não houve um adepto que não elogiasse a táctica!), perdeu por 3-1 com o Sporting e empatou hoje com o Estoril a jogar no 4-4-Adrianaliperdidopelomeio-1. O que não se pode admitir é repetir sempre o mesmo erro e esperar resultados diferentes. Se Lopetegui quer um esquema alternativo, com Ádrian-Jackson ou Jackson-Aboubakar na frente, tudo bem, de certeza que pode vir a ser útil. Mas nenhum esquema alternativo pode comprometer o meio-campo e travar a evolução da equipa. Se ganharmos os 4 próximos jogos do campeonato, vamos acabar o ano na liderança, se calhar até mesmo na liderança isolada. Não há margem para vacilar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O investimento em Adrián López e o destino do dinheiro de Mangala

Adrián López: genericamente, uma contração aprovada; e naturalmente um negócio cujos números merecem algum nariz torcido. O mais recente reforço do FC Porto é só e apenas a contratação mais cara da história do clube, na perspectiva da avaliação da totalidade do passe com base nos 60% adquiridos por 11 milhões de euros (mesmo que o pagamento, obviamente, seja doseado). Quer à partida dizer que Adrián está avaliado em 18,3 milhões de euros. Ou talvez não.

Pagar o investimento
com golos
Segundo o Mundo Deportivo, o Atlético vendeu os 100% de Adrián, mas um fundo de investimento ficou com 40%. Será que pagou 7,33 milhões de euros por essa parte? É uma situação que, infelizmente, não é nem ficará esclarecida. Se o FC Porto comprasse a totalidade do passe e depois alienasse, os detalhes seriam conhecidos. Assim, se houve a repartição do passe antes da transferência para o FC Porto, é algo que não é do domínio público. Que o jogador é do interesse de Lopetegui, já se sabe. Se interessaria se não houvesse ligação a Jorge Mendes, quem sabe...

Em 2010-11, quando tinha 24 anos e marcou 11 golos na Liga Europa, Adrián López talvez valesse esses 18,3 milhões de euros. Hoje não vale isso, opino, na medida em que fez 7 golos nos últimos 2 anos. As reacções dos adeptos do Atlético têm sido minimamente consensuais: fizeram um grande negócio ao lucrar tanto com Adrián.  Também acho que Adrián não vale os 18,3 milhões de euros, mas também não considerei correcto quando avaliaram um jogador da segunda divisão do Japão em 11 milhões de euros.  Cada caso é um caso e estes nem são comparáveis, mas provou-se que o FC Porto estava certo e oxalá se volte a repetir.

Adrián tem mais valor do que dizem os números das 2 últimas épocas, disso ninguém duvida. Mas vem ocupar o topo da folha salarial do clube e, tendo em conta que tirando Cissokho e Anderson as grandes vendas do FC Porto ficaram sempre pelo menos 2 anos no clube, Adrián em 2016 terá 28 anos e terá que ser vendido por pelo menos 20 milhões de euros para não gerar prejuízo. Ou pelo menos seria assim, se isto fosse uma contratação que encaixasse no modelo compra-valorização-venda. Não é.

Na sequência do que foi dito no último post, trata-se de uma aposta no objectivo e não no modelo. Não me vou focar no custo que Adrián teve financeiramente, mas sim no que vai render desportivamente. De qualquer forma, sendo um jogador excessivamente caro, terá sempre altas expectativas sobre o seu rendimento em campo. O Adrián de 2011-12 tem tudo para ser uma estrela no FC Porto. Oxalá tenha sido esse que o FC Porto comprou. Não gosto do investimento, mas gosto do jogador e há razões para crer que a SAD avaliou devidamente os riscos e os benefícios desta aposta nos 2 campos, desportivo e financeiro. Até porque com Jorge Mendes, há sempre mais cauda para além do rabo.

Dinheiro de Mangala já tem destino

«Vendemos A, B e C por X milhões de euros e depois ficamos com Y para comprar D, E e F.» Quem nunca vestiu a pele de dirigente de bancada e fez estas contas para formar o plantel que gostava de ver no FC Porto? É um exercício habitual, mas muitas vezes o dinheiro que dá entra no clube já tem destino. É o caso de Mangala.

Falta o ok de Manchester
Como já aqui foi explicado, assim que o FC Porto vender Mangala ou Jackson Martínez tem a liquidar um empréstimo de 30 milhões de euros ao BES. Há que fazer a salvaguarda de um eventual acordo no último trimestre, mas desconhece-se e o último relatório e contas explica numa alínea que a liquidação será obrigatória: «Caso a Empresa aliene, ceda ou transfira a propriedade dos direitos económicos dos passes dos jogadores Mangala e Jackson Martinez que detinha à data de abertura do financiamento antes do término da maturidade do mesmo, está obrigada a liquidá-lo imediata e antecipadamente».

Se o FC Porto não vendesse Jackson nem Mangala, tinha que pagar 23 milhões de euros agora, em julho, e 7 milhões em outubro. Como Mangala já fez exames médicos em Manchester e aguarda-se apenas a confirmação oficial, o mesmo vai ser liquidado. Expectativa ainda para ver qual será o encaixe líquido com o jogador.

Neste ponto, realçar que o FC Porto acaba por liquidar o seu maior empréstimo ao BES, o maior «financiador» da SAD no que a banca diz respeito. Face ao impasse em torno da sucessão (não vamos divagar e maçar-vos com o tema) no BES, o acesso a financiamento bancário pode complicar-se nos próximos meses, o que implica que os empréstimos obrigacionistas e os fundos de investimento (admito, com alguma relutância) vão assumir uma importância relevante de modo a que o clube continue a cumprir com os seus compromissos e a formar um grande plantel.

No que toca ao BES, ficam por liquidar um empréstimo de 17 milhões de euros (tranche de 5,5 já em setembro), um de 2,1M (até abril de 2015) e um de 1,75M (até janeiro de 2016). Nota ainda para uma CCC, de 10 milhões de euros, que vence em agosto de 2014 e que tem como garantia o valor a receber de Hulk pela venda ao Zenit - acabou de pagar a última tranche, de 10 milhões de euros, no fim de 2013-14.

Fernando valia por dois. E
vai ser rendido por dois
Independentemente do dinheiro de Mangala já ter destino, o clube vai continuar a investir em nomes fortes para atacar o título e a Champions em 2014-15, sendo que ainda vão chegar jogadores para todos os sectores. O prazo de duas semanas de Lopetegui está a esgotar-se, mas ao longo desta semana que agora começa esperam-se muitas novidades no que toca à construção do plantel, já a trabalhar na Holanda.

Jackson continua a ser a grande dúvida e a leitura às contas continua a dizer que é praticamente impossível mantê-lo, mas só a SAD saberá o que pretende fazer. Certo é que mesmo após a chegada de Adrián, está um novo avançado a caminho. E para o lugar de Fernando, ao contrário do inicialmente previsto (até porque Mikel se lesionou), devem chegar 2 jogadores, nomes que passaram pela imprensa. O que quer dizer que o meio-campo vai ter que emagrecer e que há jogadores que vão sair. Pergunta: quem gostariam de ver entrar e quem não se importariam de ver sair?

PS. Como já foi notícia, o FC Porto atribuiu a procuração a Paul Stefani para negociar Defour com o PSV. Mesmo desconhecendo que planos Lopetegui podia ter para o jogador, uma transferência que cobrisse o investimento já seria bom para todas as partes, mas o PSV não é conhecido por ser um clube propriamente gastador - só por uma vez gastou 10 ou mais milhões com um jogador, Kezman, e foi há 13 anos. A saída é a solução que melhor agradará a todos, mas resta saber se a proposta agrada ao FC Porto.