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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mercado e as peças para Lopetegui

Faltam duas semanas para o fecho do mercado. E uma das frases mais interessantes de Lopetegui enquanto técnico do FC Porto foi que só olha para o mercado «para melhorar a equipa», nunca para a deixar mais frágil. Num clube assumidamente vendedor como o FC Porto, é curioso o treinador assumir esta postura.

O plantel ainda vai forçosamente emagrecer, pois não haverá lugar para todos, mas a questão das entradas ainda não está sentenciada. Há quem peça um central, há quem deseje um extremo, mas o pedido que tem recolhido maior unanimidade é o do tal médio criativo para fechar o meio-campo, o jogador capaz de driblar em zona interior, distribuir jogo, fazer o último passe, ele próprio aparecer em zonas de finalização e sem nunca comprometer no processo defensivo.

9,5M€ por colocar
A lógica diria que esse médio está nos quadros do clube: Quintero. Estão quase 10M€ investidos num jogador que está a dois anos de terminar contrato e que ainda nem tem clube para jogar em 2015-16. O FC Porto nunca se enganou quanto ao seu talento. Quintero tem um excelente pé esquerdo, faz bem o último passe, tem bom remate, bate bem as bolas paradas, tem capacidade de drible curto acima da média... Só lhe falta uma coisa: saber jogar futebol. Ou duas: aprender a ser futebolista. O talento está lá, mas as componentes físicas e psicológicas estão abaixo dos exigível. Lopetegui deu-lhe alguma continuidade de jogos em 2014-15, e Quintero chegou a parecer que ia engatar, mas não aguentou.

Entende-se que Lopetegui não veja em Quintero o tal médio que falta ao plantel, mas importa não esquecer uma coisa: Quintero não é mercadoria que já podemos dar como descartável. Primeiro, porque estão 10M€ investidos num jogador que foi contratado em 2013-14, sem intervenção de Paulo Fonseca na altura, numa época negra a nível financeiro. Segundo, porque sabemos que tem talento. Não é um caso perdido. É um caso que a SAD não pode nunca dar como perdido, seja desportiva, seja financeiramente. Por diversos motivos Quintero pouco ou nada evoluiu em dois anos, e grande parte desse motivos são de responsabilidades imputadas ao jogador, mas o FC Porto não pode desistir dele, pois foi uma grande aposta do clube. E mesmo que não seja aposta no clube, exige-se máximo empenho na reabilitação e evolução do jogador. Ao clube e ao atleta.

De volta ao ponto inicial. Lopetegui, logo na 1ª jornada, já deu uma excelente resposta à carência no plantel. Ao envolver tanto os laterais no processo ofensivo, permitir aos extremos explorar o espaço interior e ganhar através de Herrera e Imbula grande verticalidade no meio-campo e capacidade em aparecer em zonas de finalização, o FC Porto disfarçou muito bem a falta do tal médio. Mas há uma pergunta que se impõe, e que deve ser feita ao treinador: o plantel está preparado para jogar sempre assim e não receber o tal médio? Lopetegui dirá, certamente, que não, pois um treinador que fala do mercado como Lopetegui o fez é um treinador que sente que ainda falta algo.

E com isto recuamos até 2013, a lembrar o caso Bernard. Há quem recorde que o FC Porto errou ao deitar todas as fichas em Bernard, dando o jogador por garantido, e depois já não teve capacidade para encontrar uma alternativa quando apareceu o Shakhtar. Nada mais falso, pois Bernard assinou pelo Shakhtar na primeira semana de agosto. Havia tempo de sobra para contratar uma alternativa. Não havia era outra coisa.

Plano B, precisa-se
O prejuízo apresentado no final da época justificou tudo: o FC Porto não teve condições financeiras para contratar mais ninguém. Acreditou-se em Licá e os resultados ficaram à vista. Bernard era um jogador com preço de mercado de 20M€, mas isso não significa que o FC Porto tinha capacidade para contratar um jogador desse preço. Era simplesmente o que a Doyen tinha para oferecer.

Dois anos depois, situação idêntica com Lucas Lima. Os grandes investimentos em Casillas e Maxi Pereira, já para não falar em Imbula, alimentaram a crença de que o FC Porto quase podia chegar a qualquer jogador no mercado. Mas o efeito está mais próximo do contrário: depois dum esforço tão grande em trazer 3 ou 4 jogadores mais experientes para a equipa titular, não restou grande margem para mais investimentos.

Porque é que não se vislumbra, para já, alternativa a Lucas Lima? Porque Lucas Lima é o que a Doyen tem para oferecer. O FC Porto só teve um grande investimento esta época, Imbula, e também envolveu a Doyen. Caso contrário, todas as contratações do FC Porto estariam feitas ou a custo zero (que implica normalmente maiores comissões, prémios e salários), ou no mercado nacional. O FC Porto está a investir (e muito bem) com extrema disciplina. Sobretudo se tivermos em conta a situação de alguns ativos.

É um balanço que poderá ser aprofundado depois, mas entre os emprestados do FC Porto estão investidos mais de 25M€. Ora isto é quase tanto como o valor contabilizado para compras de passes em 2015-16. Isto significa que houve uma série de investimentos que ou foram maus, ou precisam de mais tempo, ou simplesmente falharam. Depois, há um jogador de 9,5M€ para colocar (Quintero), um central de 7,7M€ que ainda não é titular (Indi) e dois ativos caros (Alex Sandro e Herrera), de mais de 17M€, que estão entre a renovação e a lei do mercado. Isto para não falar em Adrián López, que já se sabe que vai sair mas não em que moldes, e jogadores caros ainda sem o futuro resolvido, como Quiñones ou Rolando.

Investimento para 2015-16
Além disso, o FC Porto já tem uma lista de potenciais compras para 2015-16. Como por exemplo Aboubakar, de quem a SAD só tem 30% e cada parcela de 10% custa entre 1 a 2 milhões; Brahimi, de quem a SAD ainda pode resgatar mais 25% (até ver pagou 5,3M€ por 50%); Tello, emprestado pelo Barcelona, que tem opção de compra que só poderá ser exercida com grande ginástica financeira. Estes 3 ativos são candidatos às tais grandes vendas que permitem à SAD (sobre)viver acima das suas possibilidades operacionais todos os anos. Mas ainda vão custar mais do que já custaram. E tendo em conta que é cada vez mais raro ver um jogador com 100% do passe nas mãos do FC Porto, a percentagem de receita tem tendência a diminuir. Além disso, ainda em 2015-16, há a contar uma folha salarial que possivelmente será a maior da história da SAD e a própria liquidação de reforços já contratados, como Imbula e qualquer outra possibilidade que a Doyen possa ter. Uma venda, é certo, poderia dar mais alguma liquidez para o curto prazo e reduzir a necessidade de mais-valias para o 2º semestre. Mas apenas Alex Sandro tem mercado para isso neste momento. Portanto, ou a Juventus abre de facto os cordões à bolsa, ou Pinto da Costa terá que explicar como é que recusou 30M€; e se quiser explicar que os 30M€ não eram cash, então talvez tenha que explicar como se prescindiu da oportunidade de ter Óliver Torres pelo menos mais um ano. Como o presidente que todos conhecemos não é homem de ficar de mãos atadas na hora de negociar jogadores, aguardemos.

Tendo em conta que é quase impossível fugir a um défice operacional sempre acima dos 30 milhões de euros, aliado a todos os gastos previstos/possíveis para 2015-16, entende-se que a margem para investir ainda mais no plantel está reduzida. Daí tanta espera por Lucas Lima e pela Doyen, como há dois anos houve esperança e crença em Bernard e na Doyen. E em 2013-14, Licá e o bom início de época disfarçaram muita coisa. Daí a importância de agora avaliar a situação com o máximo pragmatismo: o plantel que Lopetegui tem em mãos dá mesmo as garantias necessárias para cumprir os objetivos do FC Porto?

Se sim, força, vamos para a guerra com o que temos, e quem achar que é suficiente no final estará sempre sujeito à eventualidade de explicar por que é que afinal não era suficiente. Se não, então mais que nunca o FC Porto terá que recuperar o toque de midas e procurar soluções baratas, com um euro no bolso - e esse euro não precisa de ser de um fundo. Lopetegui, enquanto treinador do FC Porto, também tem que ter a capacidade de sugerir nomes low cost para reforçar o plantel, como o fez tão bem com Óliver, Marcano e até Varela ou Rúben Neves, em diferentes circunstâncias e moldes negociais, e não tão bem com Campaña ou Andrés Fernández.

Largos dias têm duas semanas. É o tempo de acabar de compôr o plantel e de aprender com os erros cometidos em 2013-14.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Habemus presidente

A entrevista de Pinto da Costa a O Jogo foi o prólogo da vitória de Pedro Proença nas eleições da Liga. E podemos começar por aqui: é uma ótima solução. Tem o perfil ideal, ironicamente até mesmo por ter sido árbitro - vai ter muitos, muitos conflitos e discórdias para mediar e vai colher ódios de diversas facções.

A Liga não está no centro de poder de decisão no futebol português, mas é a entidade que representa os clubes. Logo, era essencial ter na sua liderança alguém íntegro, competente, que não chega onde chega por subserviência, que percebe de futebol e gestão.

Pedro Proença foi uma pessoa que sempre fez por merecer respeito no panorama do futebol português. Pela ignorância de milhares de pessoas, muitas vezes foi dado como principal culpado pela derrota do Benfica contra o FC Porto no clássico do «golo do Maicon». É preciso imensa burrice ou má fé para culpar Pedro Proença por isso, tendo em conta que o erro, que existiu, foi do auxiliar Ricardo Santos. Mas o facto de Pedro Proença ter chamado a si próprio a responsabilidade mostra desde logo que tem o perfil ideal na Liga: não tem medo de responsabilizar-se por erros que não comete, notando que se a sua equipa erra, ele erra. Assim se forma um bom líder.

Ser adepto do Benfica não importa. De lembrar que o próprio presidente Pinto da Costa foi presidente da Liga. Fernando Gomes é portista e, apesar de ter sido um bom dirigente do FC Porto, tem sido um mau presidente da FPF para o futebol português - mas há quem tenha mais razões de queixa do que outros. A competência não tem clube. 

Pedro Proença tem o perfil ideal para presidir à Liga. Resta apresentar trabalho que sustente a escolha. Em termos de propostas, há as novas tecnologias de arbitragem a implementar, naming para a segunda liga, regulamentar as apostas online, aumentar as receitas e fomentar a sustentabilidade dos clubes - os dois últimos serão os maiores desafios do programa. Outro aspeto a merecer total atenção é ver que passamos de um ex-presidente anti-Olivedesportos (Mário Figueiredo) para um que tinha o apoio de Joaquim Oliveira. Para já fica a nota. Boa sorte, meu querido.

Passando à entrevista de Pinto da Costa, eis os destaques.

Um lateral de 30M€
Alex Sandro. Excelente notícia a garantia de que vai renovar. Dos três grandes, o FC Porto é o que perdeu mais titulares: Danilo, Casemiro, Óliver e Jackson, e ainda podemos incluir Quaresma e Fabiano. Temos a aposta da continuidade no treinador, mas há muito no futebol e nos métodos de Lopetegui que tem que ser melhorado e, em alguns aspetos, mudado. Basta lembrar o que se passou na última vez que o FC Porto jogou sem os dois laterais dos últimos anos: goleada em Munique.

Um misto de audácia, coragem e risco confirmar que recusou 30 milhões por Alex Sandro. Porque isso vai elevar a expetativa face à mais do que provável transferência no próximo verão. Alex Sandro deixou de ser o lateral dos quase 10M€: passou a ser o lateral dos 30M€. Só me lembro de dois laterais esquerdos vendidos dentro desse valor, Coentrão e Luke Shaw. É realista pensar em Alex Sandro com valor de mercado de 30M€ daqui a um ano? Se a sua continuidade ajudar o FC Porto a atingir os seus objetivos, uma eventual descida no preço valerá a pena; mas para o FC Porto atingir os seus objetivos, muito provavelmente necessitaremos de um Alex Sandro tão bom ou melhor do que no último ano. Um paradoxo com o qual nos devemos preocupar mais tarde. Até lá, metam lá Rafa a rodar numa equipa de primeira liga, ok?

Políticos. Ver políticos no futebol cheira a esturro a Pinto da Costa. Escolha de palavras algo discutível, tendo em conta que escolheu Fernando Gomes para pegar na pasta das finanças da SAD. Não é que o responsável financeiro tenha que ser um génio da tática - Angelino Ferreira não o era -, e uma estrutura pressupõe que diferentes competências se complementem. Mas que era evitável, era, ainda que a intenção tenha sido arrumar com Luís Duque.

Descartado em 2011-12
Rafa. Faz todo o sentido descartar a sua contratação. Não tanto pelo absurdo que era pedir 10M€ por metade do seu passe, mas sim por se tratar de um jogador que, quando estava no Feirense, recebeu vários pareceres positivos do departamento de scouting e o FC Porto, mesmo no ano de criação da equipa B, descartou a sua contratação. Nem iria ser uma contratação para o 11 ou que iria melhorar fracamente o plantel no curto prazo. Neste momento, só faz sentido ir ao mercado para contratar soluções mais experientes e/ou melhores para o curto prazo do que as que já se encontram no plantel. Vale também para o ponta-de-lança, claro.

Camisolas. «Não somos vendedores de camisolas». Ok, não somos. Mas quando temos um jogador com o mediatismo de Casillas, faz todo o sentido pensar em sê-lo. O próprio FC Porto ganhou grande apreço em mercados como México ou Colômbia. O FC Porto só tem a ganhar em pensar em expandir o seu mercado de vendas e merchandising. De notar que não se falou do patrocínio. Porquê? Provavelmente porque Pinto da Costa não quis falar disso. À atenção de Helton, a propósito do seu silêncio ruidoso para com Lopetegui.

Casillas. Pinto da Costa diz que Casillas ganha tanto como Fabiano e Andrés Fernández juntos. Então, desportivamente de facto foi bom emprestar os dois guarda-redes para arranjar espaço para Casillas. Resta saber se Granada e Fenerbahçe vão pagar os seus salários na totalidade. De qualquer forma, o aspeto mais relevante aqui é questionar como é que Fabiano e Andrés tinham salários tão altos, fazendo fé que Casillas custará 2,5 milhões limpos esta época. Fabiano tinha meio ano de titularidade quando renovou até 2019 - meia época depois foi dispensado. E Andrés foi contratado por um valor baixo, nunca jogou no campeonato, um ano após chegar foi emprestado e ainda assim também tinha, aparentemente, um salário alto. Assim se explica uma folha salarial de 70M€.

Para terminar, o aspeto mais curioso. O FC Porto precisa de um médio criativo? Sim. Danilo Pereira é um médio criativo? Não. Imbula é um médio criativo? Não. Então por que é que as contratações de Danilo e Imbula fizeram, segundo Pinto da Costa, com que Lucas Lima deixasse de ser essencial? Well played. 

PS: Gonçalo Paciência renova e segue para a Académica. Era essencial jogar com regularidade esta época. Um jogador que esteja no 3º ano de sénior tem obrigatoriamente que estar numa primeira liga, caso contrário torna-se difícil evoluir no sentido de jogar no FC Porto. É melhor do que Rabiola, é melhor do Rafael Lopes. É também menos experiente, mas é para isso que vai para a Académica: acumular experiência, golos e prosseguir a sua evolução. Esperemos que o futebol de José Viterbo seja algo mais do que jogar para o pontinho e na raça e que ajude Gonçalo a evoluir. Ficamos à tua espera. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Braçadeira, estatuto ou prémio

Lopetegui, que é o tipo de treinador que prefere decidir quem é o capitão (ao invés de deixar o balneário votar), recomendou que Alex Sandro fosse incluído no grupo de capitães. Isto leva a uma única questão: é uma sugestão por o perfil de Alex Sandro ser adequado ou é um trunfo nas negociações para renovar?

O JOGO 23-07-2015
Não é segredo para ninguém que o FC Porto tem pouca mobília no plantel. Helton, o jogador com mais anos de casa, vai ser suplente durante quase toda a época. Maicon esteve perto de sair, mas acabou por ficar e já com estatuto reforçado (como foi prova o facto de ter sido o porta-voz na apresentação dos equipamentos, em detrimento de por exemplo Helton). Varela tem anos de casa, já foi sub-capitão, mas após ter estado uma época fora percebe-se que não seja considerado. Se Rolando não estivesse encostado, nem haveria discussão.

Tirando os nomes referidos, o elemento mais antigo do plantel é Alex Sandro. Tendo em conta a antiguidade, acaba por ser um passo natural. Mas será que o perfil de Alex Sandro encaixa no que deve ser o capitão do FC Porto? Talvez não. A questão que resta é, quem mais há?

Alex Sandro é um jogador discreto. Nunca deu entrevistas a jornais portugueses (apenas uma à Revista Dragões), gosta de estar sossegado no seu canto e dentro de campo poucas vezes o veem a gritar com os colegas ou a dar instruções. Além disso, é um jogador que pediu para sair este verão. Pinto da Costa recusou abordagens bem interessantes, o que quer dizer que está plenamente convicto da sua continuidade (ou que algum clube torna-lo-lá pelo menos no segundo lateral mais caro da história do FC Porto).

É que desta vez nem há tempo para uma saída de emergência como foi a de Álvaro Pereira, que foi vendido ao Inter por metade do que poderia ter saído um ano antes para o Chelsea, pois na altura o uruguaio tinha contrato por quatro anos. Alex Sandro só tem um. E não parece a melhor das apostas dar a braçadeira a um jogador com a promessa de sair um ano depois. Foi esse o caso de Jackson Martínez, mas o perfil do jogador era completamente diferente. 

A braçadeira não devia ser recebida com base nos anos de casa, mas sim no perfil. Por exemplo, André André, quando estava emprestado pelo Varzim, foi promovido a capitão na primeira semana de treinos dos sub-19. E Lucho González foi o primeiro estrangeiro a ser capitão na primeira época no FC Porto. Quando o perfil está lá e há bom balneário, um líder surge naturalmente.

Não é a primeira vez que Lopetegui usa a braçadeira com uma segunda intenção. Há um ano quis que Quaresma, desde o primeiro dia, se sentisse valorizado, acarinhado e importante no grupo. Correu mal, pois ao primeiro jogo em que foi para o banco agiu como um capitão não pode agir. Ficou sem a braçadeira. Alex Sandro terá um dado a seu favor se ficar, que é o da titularidade quase indiscutível. Helton não vai ser titular, Maicon não terá o lugar garantido no 11 (mesmo que inicie a época assim), Alex Sandro sim. Pode, por isso, entrar em campo muitas vezes como capitão. Oxalá Lopetegui não se engane quanto ao seu perfil e que haja balneário capaz de seguir um jogador que até há bem pouco tempo queria sair e que, se ficar, provavelmente sairá em 2015-16. Terá também de haver um crescimento de Alex Sandro no sentido de ganhar voz de comando dentro e fora de campo.

PS: Se o deixarem cá estar quietinho, em breve a braçadeira de capitão poderia deixar de merecer dúvidas quanto à sua atribuição.

domingo, 19 de julho de 2015

Lidar com precedentes

Discute-se a ausência de um central, a definição do meio-campo e a chegada do ponta-de-lança que falta. Uma questão não menos importante, pelo contrário, tem passado um pouco ao lado: o caso Alex Sandro. À data de hoje, está a pouco mais de cinco meses de poder assinar por outro clube a custo zero.

Renovação: a que custo?
Os responsáveis do FC Porto sabem que Alex Sandro sente que é tempo de abraçar outro desafio. Danilo, o seu companheiro de sempre, já saiu. O FC Porto passou a ter apenas quatro brasileiros no plantel - menos, nos últimos anos, só na primeira época completa de Mourinho. Já passou 4 anos no FC Porto e ouviu, da boca do diretor-geral, que joga num clube onde os jogadores têm ciclos de três épocas para sair. Tem convites tentadores, mais para o jogador do que para o clube, como é natural para um jogador que está quase em final de contrato. Que fazer?

Quando um jogador em fim de contrato hesita em renovar, tende-se a condenar o jogador e realçar que a SAD fez o seu papel. «Já ofereceram a renovação e o jogador não quis. Querem que faça o quê, que lhe aponte uma arma à rótula!?» Pois, mas esta não pode justificar tudo. Sendo Alex Sandro um jogador em quem a SAD investiu quase 10M€ e que é hoje reconhecidamente um dos laterais esquerdos de maior potencial, a SAD não pode nunca perder o controlo da situação do jogador. É responsável por um alto investimento num ativo caro, valioso e que continuará a ter alta cotação desportiva e/ou financeira. 

Não se podem admitir mais Cebolladas, sobretudo neste fase financeira, de exigível rigor devido ao fair-play financeiro e à própria sustentabilidade da SAD. Assuma-se: ou renova ou sai por um valor aceitável/possível. Alex Sandro tinha um contrato de 5 anos e houve muito tempo para tratar e antecipar esta situação.

Há possibilidades de recuperar o investimento, seja negociando o passe, seja estudando-o como possível moeda de troca (coisa que o FC Porto raramente faz, pois por norma a SAD não precisa de jogadores, mas sim de dinheiro, logo seria necessário uma grande conjugação de oportunidades para isso acontecer). Certo é que a SAD não se pode deixar ultrapassar por esta situação. O problema não está apenas na manutenção de Alex Sandro. Estará também na necessidade de voltar a atacar o mercado. 

A renovação não é uma impossibilidade, pois Pinto da Costa é perito em convencer jogadores que estão decididos a sair com a promessa clássica de permanecerem mais uma época, com melhor salário, e então esperar por melhores possibilidades de mercado. A questão é: o que é preciso para convencer Alex Sandro a ficar?

Sempre que o FC Porto tem que convencer um jogador a ficar, já estamos a ir por um mau caminho. Os jogadores têm que desejar representar o FC Porto, e não o contrário. Não há nada que uma boa proposta de renovação (veja-se os casos de Fernando ou Jackson Martínez) não resolva. E os jogadores, depois disso, não se acomodam, pelo contrário, ficam mais incentivados do que nunca, ao perceberem o esforço que o FC Porto está a fazer por eles. Pelo menos os bons profissionais.
Precedente aberto

No final, tudo se pode resumir à proposta de renovação. Mas oferecer uma proposta não chega. É preciso que todas as partes sintam que estão a fazer o possível. E tudo se resume a esta questão: não terá Alex Sandro, agora, legitimidade em pretender ganhar tanto ou mais do que Maxi Pereira no FC Porto?

Alex Sandro só precisou de 2 anos no FC Porto para ser bicampeão, coisa de que Maxi precisou 7 anos para fazer. Alex Sandro tem os melhores anos de carreira pela frente. Maxi Pereira não. Alex Sandro tem o potencial para dar um grande encaixe financeiro à SAD a curto/médio prazo. Maxi Pereira não. Alex Sandro é cobiçado por alguns dos melhores clubes estrangeiros. Maxi Pereira nunca o foi. Por fim, Alex Sandro empenhou-se, mesmo muitas vezes em modo molengão, durante 4 anos em combater a trincheira da qual Maxi Pereira fazia parte.

Maxi Pereira trocou o Benfica pelo FC Porto. Alex Sandro não faria o contrário. Por tudo isto, Alex Sandro tem toda a legitimidade em querer ganhar tanto ou mais do que Maxi Pereira. É um precedente que foi aberto, e agora cabe à SAD lidar com ele. Alex Sandro não pode dar prejuízo. Seja financeiro, seja desportivo. A contratação de Maxi Pereira não era apenas um risco pelo que custa, mas sim por aquilo que podem passar a custar os seus colegas. Precedente aberto, tempo de lidar com ele. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Análise 2014-15: os laterais

Já tinham uma enorme importância com Vítor Pereira, mas com Lopetegui a influência cresceu. Os laterais do FC Porto são cada vezes mais asas de ataque, responsáveis por dar profundidade ao mesmo tempo em que também saibam procurar o espaço interior. Lopetegui até poderá variar a dinâmica de jogo em 2015-16, mas de certeza que a importância dos laterais não sofrerá alterações. Resta saber se teremos soluções à altura.

Alex Sandro só fez um golo mas teve 5 assistências, na Champions foi o 2º jogador do FC Porto com mais milhas nas pernas (o primeiro foi Herrera), foi o lateral com melhor média de cruzamentos e sofreu mais faltas do que as que cometeu. Danilo fez 7 golos, 5 assistências e contagiou tudo e todos pela forma como galgava pelo corredor, cortava para dentro e arrastava marcações. A SAD investiu e arriscou imenso nestes dois laterais, que felizmente corresponderam. Foram donos e senhores das laterais nos últimos anos, não deixando espaço para mais ninguém entrar. Mas um dia teremos que os substituir, e esse dia aproxima-se. Vamos às análises da época 2014-15.

Danilo - Que mais se pode dizer? Que faz um jogador que ouve da boca do sr. Scolari «não te chamo à seleção porque jogas no FC Porto»? Danilo podia ter pedido para sair rapidamente de Portugal. Mas não. Cerrou os dentes, honrou o símbolo e chegou a titular da seleção do Brasil como jogador do FC Porto, mesmo que só o tenha sido após Scolari sair. Foi top 5 esta temporada, fez-se um dos melhores laterais do mundo e ninguém mais que ele merecia ter saído com um título. Vai para o Real Madrid, clube que nenhum jogador em Portugal pode recusar, e deixa um vazio. Não só dentro de campo como nos corações dos portistas. O investimento, 13M€ + encargos, valeu cada cêntimo. Grande contratação, grande jogador, grande profissional, grande venda. 

Alex Sandro - Normalmente, quando um jogador em fim de contrato hesita em renovar, tende-se a condenar o jogador e realçar que a SAD fez o seu papel. «Já ofereceram a renovação e o jogador não quis. Querem que faça o quê, que lhe aponte uma arma à rótula!?» Pois, mas esta não pode caber. Sendo Alex Sandro um jogador em que a SAD investiu quase 10M€ e que é hoje reconhecidamente um dos laterais esquerdos de maior potencial, a SAD não pode nunca perder o controlo da situação do jogador. É responsável por um alto investimento num activo caro, valioso e que continuará a ter alta cotação desportiva e/ou financeira. Não podemos ter mais Cebollas. Assuma-se: ou renova ou sai por um valor aceitável/possível. Alex Sandro tinha um contrato de 5 anos e houve muito tempo para tratar e antecipar esta situação. E ainda há. Conforme já foi descrito no segundo parágrafo, fez uma boa época e é uma mais-valia que vale a pela blindar. E continuar a rentabilizar, seja em campo ou na SAD.

Ricardo Pereira - Sempre que joga, cumpre. Mas é aposta maioritariamente em jogos teoricamente menos exigentes, como os jogos das Taças ou envolvido no esquema de rotação. Tem 21 anos, uma larga margem de progressão pela frente e renovou contrato recentemente. Ultrapassou Opare na hierarquia de opções de Lopetegui, ficando como a alternativa a Danilo, mas a opção de colocar Reyes em Munique pode dizer muito da confiança a curto prazo para fazer de Ricardo o titular no lado direito da defesa. Compreende-se que Lopetegui queira uma solução no mercado, mas não podemos cometer loucuras. Ironicamente, quando contratámos Danilo, não precisávamos dele (havia Fucile e Sapunaru e o primeiro jogo de Danilo até foi a médio - não sabiam que fazer dele). Agora precisamos de um lateral e não encontraremos nenhum com a qualidade imedita de Danilo. Por outro lado, se Ricardo não for já titular, vai para a 3ª época no FC Porto como mera alternativa. Assim é difícil crescer. Cruza e ataca bem, mas defensivamente tem lacunas, sobretudo quando lhe metem a bola nas costas da defesa e tem que fechar em zona mais interior. Limitações próprias da idade... ou de um extremo?

José Ángel - Uma boa aposta do FC Porto no mercado, contratação de pouco risco e muita pertinência. Lateral de propensão ofensiva, que sabe cruzar bem, mas ainda não conhece o momento certo para soltar a bola e muitas vezes enrola-se demasiado, a ponto de depois perder o lance. Havendo Alex Sandro, é difícil jogar. Sem Alex Sandro, é uma solução mais do que interessante para começar a nova época. É preciso ter em conta que esteve várias semanas consecutivas sem jogar e poucas vezes fez 2 ou 3 jogos seguidos. Assim, é difícil ganhar consistência. Conseguindo uma sequência de jogos, pode tornar-se dono da posição. É para ficar.

Opare - O Tribunal do Dragão vai analisar, à parte, os jogadores emprestados, mas como Opare iniciou a época entra aqui. Uma questão: valeu a pena entrar numa guerra de empresários, com ameaças de queixas contra o FC Porto à FIFA, por Opare? Podia ter valido, mas nem houve hipótese de Opare mostrar o seu valor. Assim, qualquer análise torna-se injusta para o jogador. À partida seria alternativa para Danilo e Alex Sandro, mas depois houve a hipótese de ir buscar Ángel e Lopetegui gostou mais de Ricardo. Foi emprestado ao Besiktas, alternou entre o banco e a titularidade, fala-se da existência de mercado na Turquia. Tendo o FC Porto de gerar mais valias e emagrecer a folha salarial, e havendo jovens de valor para a posição a evoluir nas camadas jovens, ou integra-se Opare no plantel ou que se siga uma transferência. 

Os bês - David Bruno, agora com 23 anos, há muito que devia ter sido cedido a outro clube. É o jogador com mais anos de clube nos nossos quadros, já fez pré-épocas com a equipa A e precisa da possibilidade de futebol de primeira liga. Tem mais um ano de contrato, foi habitual titular na equipa B, ora à esquerda ora à direita, e é altura de sair do FC Porto, para jogar a um nível superior, pois aqui a oportunidade não parece que vá surgir. Victor García: esperava-se a época de afirmação, mas não evoluiu tanto quanto se desejaria. Ainda é jovem, tem 20 anos, é um jogador que faria todo o sentido o FC Porto manter. Se houver hipóteses de comprar e colocá-lo na primeira liga, óptimo. Se até o Pedro Queirós lá consegue jogar, o Victor também consegue. E seria bom começar a abrir já espaço para Fernando Fonseca.

Rafa: andou-se a perder tempo com um projecto de lateral Kayembé que era tão bom que chegou ao Arouca para jogar a extremo. Rafa vai estar no Mundial sub-20 e poucos duvidam que será um dos destaques. É sempre redundante esperar evolução dos bês quando não há um treinador com um mínimo perfil que o recomende para isso (opinião por cá, mas podem sempre pedi-la aos jogadores), mas Rafa, que tem um pé esquerdo com régua e esquadro, necessita de melhorar vários aspetos defensivos do seu jogo. Próprio da idade. 

Pergunta(s): quem deve ser o sucessor de Danilo? José Ángel está pronto para assumir a vaga de Alex Sandro?

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Colheita eficaz, com alguma parra a mais

Há trabalho a fazer
Aproximam-se as férias, há transferências e renovações de contrato para tratar, o FC Porto deitou fora a última possibilidade que tinha de passar para a frente do campeonato e ainda temos que disputar 3 jornadas com a amargura de saber que de pouco ou nada valerá. Mas ainda há um acesso directo à Liga dos Campeões para confirmar, jogadores que querem e têm que acabar a época em bom plano e o símbolo que ostentam nesta fase da época é o mesmo que utilizariam numa final da Liga dos Campeões.

Este plantel sabe que podia e pode render muito mais. E o melhor exemplo disso é o festejo de Brahimi no 1x0, ele que após levar nas orelhas de Lopetegui pela sua recente forma, que teve a última gota na Luz, não hesitou em festejar com o treinador, reconhecendo e aceitando as críticas.

É importante acabar a época com uma sequência de vitórias. Em 2009-10 fizemos um campeonato pior, onde não houve colinho mas houve túnel e acabámos a 8 pontos do Benfica, mas fechámos a época com uma série de 8 vitórias consecutivas (mãe das coincidências, desde que os castigos do túnel foram reduzidos) e começámos a lançar a época dourada de 2010-11. A temporada de 2015-16 começa já a ser preparada, até porque não podemos - nem vamos - voltar a ter um plantel com 15 jogadores novos, mas alguns estão a jogar o seu futuro nestas últimas semanas.





Laterais (+) - Um dos melhores jogos de Ricardo pelo FC Porto. Deu imensa profundidade e velocidade ao flanco, está a cruzar melhor e não cometeu nenhuma falha defensivamente. Não é forte como Danilo nos movimentos interiores, mas a estratégia de meter Quaresma a dar-lhe o corredor funciona bem. Alex Sandro foi quem mais vezes cruzou e esteve igualmente bastante activo, neste caso melhor no espaço interior, e entendeu-se bem com Brahimi, embora por vezes não tome as melhores decisões (já não é a primeira vez que o bracinho, na grande área, pode dar problemas). Renovação para ontem!
Um remate, um golo

Casemiro (+) - Continua a senda de boas exibições. O facto de ter Herrera ou Óliver sempre perto dele no início de construção melhorou a equipa. Mantém sempre a equipa equilibrada, dá a dimensão física que mais ninguém o consegue fazer no meio-campo e tem reduzido o número de faltas que faz de jogo para jogo, melhorando imenso no timing das entradas.

Virtude no meio (+) - O Brahimi dos 3 primeiros meses da temporada apareceu ontem no Bonfim. Mais objetivo, mais confiante e a funcionar muito bem nas costas de Jackson na primeira parte, deixando o corredor aberto para o lateral. A equipa esteve irrepreensível na circulação de bola na primeira parte e, depois, contou com o virtuosismo de Brahimi para desfazer a última linha do Setúbal. 13 golos e 10 assistências em época de estreia. Não fosse a ausência na CAN e a má forma que já arrastava desde Dezembro e teria números muito superiores. Com consistência poderá explodir em 2015-16. Palavra para Jackson, com participação nos dois golos. Oportuno e eficaz.





E chutar? (-) - Lopetegui diz que o FC Porto podia e devia ter matado o jogo logo na primeira parte, por ter tido oportunidades para isso. Na verdade, não teve. Não podemos confundir o caudal ofensivo, a boa circulação de bola e o domínio absoluto com oportunidades de golos. Se cumprirmos os 3 primeiros pontos, estamos mais perto do quarto. Mas a verdade é que Helton faz 4 defesas, enquanto o guarda-redes do Setúbal só faz uma em todo o jogo. O FC Porto, tal como na Luz, procura muito pouco a baliza. Desta vez, tivemos a felicidade de Brahimi e Jackson aproveitarem as suas oportunidades. Mas fizemos muito pouco para matar o jogo e construir uma vitória mais folgada.

Apatia pós-balneário (-) - Diz quem conhece o balneário do FC Porto que Lopetegui fica sem ar nos pulmões quando dá as palestras ao intervalo. O próprio treinador talvez tenha que aprender que a linha que separa o discurso aguerrido que motiva os jogadores e o que os deixa nervosos é ténue. Os jogadores regressam dos balneários nervosos, lentos, com pouca disposição para pressionar. Percebe-se que Lopetegui tem também a intenção de deixar que o adversário suba um bocado para explorar as transições rápidas, mas fazer isso com 1x0, num contexto de liga portuguesa, é demasiado arriscado. Temos muito trabalho a fazer neste capítulo. De lamentar a lesão de Iván Marcano.

domingo, 12 de abril de 2015

Ao colinho da determinação

Teoricamente, o que nesta altura vale muito pouco, era o teste mais difícil para o FC Porto até ao final da época, além do clássico. Mais uma vez, a equipa superou-se. Ninguém criou tantas situações de golo e rematou tantas vezes em Vila do Conde como o FC Porto. Houve pressa em resolver, sem pensar na Champions, e quando foi preciso responder a um lapso a equipa não se coibiu. 

Abordagem correta
Só uma grande exibição, com empenho e determinação, conseguiria superar novamente a (in)competência do Conselho de Arbitragem da FPF: para um jogo em casa da última equipa a derrotar o Benfica, nomeia uma dupla de auxiliares composta pelo 46º melhor auxiliar (de uma lista de 53) da época passada (Bruno Trindade) e pelo 11º do escalão C2N3 (Sergio Jesus). O resultado esteve à vista.

Lopetegui não pensou um único segundo no Bayern - prova disso foi a forma insistente como pedia sempre mais pressão, mais concentração, mais critério, e inclusive a gestão da equipa - e o FC Porto passou um teste difícil. Será difícil projetar já o que esperar de um jogo que se vai disputar entre uma eliminatória europeia, mas contra a Académica interessará acima de tudo vencer, se possível por números generosos. E vamos ver se o mestre Viterbo também fará a gentileza de entrar borradinho no Dragão, com 3 centrais e a deixar-nos jogar no meio-campo deles sem pressão. De certeza que nos daria jeito arrumar esse jogo nos primeiros 20 minutos.





Laterais (+) - Impecáveis. O FC Porto esteve muito forte no envolvimento pelos corredores, graças à excelente exibição de Danilo e Alex Sandro. O primeiro jogou ao nível que nos habituou e que impressionou o Real Madrid, com mais um bom golo. Mas o seu melhor momento é no último lance do jogo: entra com tudo para ganhar um lance na grande área, para fazer o 4x1, o árbitro apita e a primeira coisa que Danilo vai fazer é explicar ao colega como é que queria a bola passada para rematar. À Capitão. Alex Sandro esteve endiabrado no ataque - foi o jogador que mais vezes rematou, deu muito apoio a Brahimi, esteve forte nos movimentos interiores e, apesar de muitas vezes demorar a soltar a bola, foi isso que lhe permitiu dar o 2x0 a Danilo. 

Criatividade (+) - Três estilos virtuosos, três estilos diferentes, três boas exibições. Com Herrera algo desconcentrado (talvez o único) e Casemiro com pouca margem para aventuras no ataque, Óliver foi dinamizador da equipa, que solicitava os flancos, dava sempre a linha de passe para o toque curto e foi soberbo na pressão, sem fazer uma única falta em todo o jogo. Brahimi esteve bem melhor. Tem mais liberdade do que Quaresma para levar a bola em vez de procurar já o cruzamento, desposicionou várias vezes a defesa do Rio Ave, esteve três vezes perto do golo (numa até o celebrou) e apesar de por vezes se agarrar demasiado à bola só teve duas perdas. Já Quaresma voltou a apostar na fórmula enquadrar-cruzar: fez 10 cruzamentos, mais 7 do que Danilo, teve dois remates perigosos além do seu golo e dá um jeitaço na forma altruísta como pressiona e fecha o corredor. Ter Lopetegui deve ter sido a melhor coisa que lhe aconteceu na carreira depois de Bölöni.

Impecável
O esteio (+) - Se algo custou no jogo de ontem, foi ver que aquele Marcano não vai defrontar o Bayern. Varreu tudo o que havia para varrer, não cometeu uma única falta em todo o jogo, foi sempre rápido e prático a sair a jogar e não merecia que Danilo e Maicon tivessem sido papados no golo do Rio Ave. Um central completíssimo, que em boa verdade faz lembrar a afirmação de Pedro Emanuel no FC Porto: chegou algo já tarde, mas em boa hora e a tempo de se tornar importantíssimo.

Outros destaques (+) - Excelente, a estratégia de Lopetegui, a pedir pressão e agressividade sem parar na primeira parte, como é hábito. A reacção à perda da bola é o ponto mais forte do FC Porto e vai também ser a nossa principal arma frente ao Bayern. Ainda não foi desta que os cantos renderam, mas pela primeira vez viu-se a equipa tentar marcá-los de forma diferente, o que pelo menos mostra que Lopetegui já percebeu que há algo de errado (finalmente!). E um destaque para Aboubakar. Não foi feliz na finalização, nota-se que é um jogador que baixa a cabeça quando as coisas não correm bem, mas o mérito do 3x1 é dele, pelo trabalho e pelo altruísmo em oferecer o golo a Hernâni, que se estreou a marcar.





A rever (-) - Genericamente, não houve nenhum erro táctico ou no plano de jogo. A equipa esteve sempre bem posicionada, sempre preparada para responder ao pouco perigo do Rio Ave. Os dois lances de maior perigo do adversário são erros individuais, não estruturais: a má abordagem de Danilo e a falha de Maicon na dobra, no golo do Rio Ave, e uma falha de Herrera (não pode cometer estes lapsos na Champions) na saída de bola. Erros que contra o Bayern podem custar muito caro. 

PS: O coitadinho do Bayern jogou ontem com amostras de jogadores como Xabi Alonso, Dante, Bernat, Lahm, Thiago, Müller, Götze e Lewandowski. Provavelmente, qualquer um destes jogadores seria titular e estrela no FC Porto, que só por acaso ganhou em Vila do Conde sem o seu maior assistente (Tello) e o seu maior goleador (Jackson). Mas o Bayern é que está debilitado, coitado.

sexta-feira, 13 de março de 2015

O craque que trabalha na sombra

Ser um adjunto numa equipa técnica é sempre uma tarefa algo ingrata. Como é natural, o treinador principal é sempre o protagonista, seja para o bem, seja para o mal. E às vezes quando os números 2 saem da sombra então se revelam e mostram o quão contribuíram para o sucesso do treinador principal. É o caso de Vítor Pereira, que já ganhou muitas coisas sem Villas-Boas; já Villas-Boas continua sem ganhar nada sem Vítor Pereira.

Isto para falar de um nome que tem passado despercebido e que já merece reconhecimento: Juan Carlos Martínez, o preparador físico da equipa técnica de Lopetegui. O adjunto até é Julián Calero, mas Lopetegui trabalha com Juan Carlos Martínez há mais tempo e é por isso que o preparador físico vai para o banco durante os jogos, troca opiniões directamente com Julen e é olhos e ouvidos ao longo da semana.

Um trabalho com nota positiva
Mas o que mais importa destacar é a excelente preparação física do plantel do FC Porto, a pouco mais de 2 meses do fim da época. Já houve algumas lesões musculares e mazelas, mas abaixo do que costuma ser frequente nas equipas ao longo da temporada. O FC Porto, exceptuando castigos, nunca ficou com mais que um titular indisponível de uma só vez (Óliver luxou duas vezes o ombro, ou seja, não é uma lesão que indicie má preparação física, mas sim um infortuito do jogo - à imagem do que aconteceu com Danilo). São poucos os treinadores que trabalham com tão poucas condicionantes. Além disso, ainda não se ouviram queixas do FC Porto face ao desgaste do calendário e também à enorme pressão psicológica que é ter que andar a correr atrás do prejuízo no campeonato. Não dá para secundar a importância deste factor. Mens sana in corpore sano.

Outro pormenor importante é a capacidade de jogadores pouco utilizados no FC Porto entrarem na equipa sem que se note falta de rotinas ou preparação física A primeira parte deve-se ao trabalho táctico desenvolvido por Lopetegui nos treinos, a segunda ao trabalho de preparação física. Se já existiram problemas de falta de rodagem, foram de ordem táctica, não física. Jogadores como José Ángel, Campaña, Ricardo e até Evandro conseguiram entrar na equipa sem que esta se ressentisse. 

Outro dado que comprova o bom trabalho de Juan Carlos Martínez é... Alex Sandro. Sobretudo na última época, era muitas vezes criticado por ser molengão e aparentar estar cansado. A verdade é que Alex Sandro está numa forma física impressionante e é neste momento o defesa com mais quilómetros percorridos na Champions: 88,78. São mais de 11 quilómetros por jogo.

Defesas com mais quilómetros na Champions
Já elogiámos Julen Lopetegui pela construção e evolução do plantel, agora é hora de reconhecer que a equipa técnica também foi bem composta com vista à preparação física dos jogadores. Aguenta, coração, pois à entrada para a fase decisiva da época pulmão não falta.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A semente, os frutos e a colheita

Alegria, orgulho e gozo. Muito gozo. Dá gozo ver este FC Porto crescer. Há não mais que um ano víamos o FC Porto atravessar a sua pior época desportiva em muitos anos. Caótico, de rastos, com pouco ou nada que se relacionasse com os pergaminhos do clube.

Hoje vimos um FC Porto que faz 10 jogos consecutivos na Liga dos Campeões invicto. Um FC Porto que goleia e dá espectáculo, que satisfaz os adeptos e impressiona por essa Europa fora. Um FC Porto que tem vários jogadores de classe mundial e cobiçados a essa escala. Um FC Porto que fez da qualidade e da garra amigas íntimas.

10 jogos, 0 derrotas
Dá gozo. Dá gosto ver o crescimento do FC Porto de Lopetegui que muitos, inclusive portistas, condenavam ao insucesso. Ainda não ganhámos nada, não. Superámos as expectativas financeiras e desportivas na Champions, mas ainda não ganhámos nada e ninguém se dá por satisfeito.

Há quem julgue que ter «cultura de exigência» é o mesmo que ter que vencer obrigatoriamente todas as épocas. Essa é uma realidade à parte à qual ninguém corresponde mais do que o FC Porto. Cultura de exigência não significa obrigatoriadade de vencer. Significa a obrigatoriedade de lutar por todas as vitórias e de crescer e evoluir no sentido de chegar a essas vitórias. E agora temos garantias nesse sentido.

O FC Porto está entre as 8 melhores equipas da Europa. Não vale a pena dizer muito mais sobre a Champions. Quando o adversário for sorteado, certamente que a equipa técnica de Lopetegui vai estudar a melhor solução para o FC Porto potenciar as suas qualidades e inibir as do rival. Em relação ao campeonato, está difícil. Vamos lutar pelos 30 pontos que restam sem as garantias de que seja suficiente. Mas com ou sem título, o FC Porto tem a melhor defesa europeia, pratica um futebol ao alcance de poucos, desenvolveu um punhado de jogadores para a nata financeira do futebol europeu e volta a afirmar-se como grande clube europeu.

Conseguir tudo isto numa época com nova equipa técnica, novo plantel e logo após uma das piores épocas das últimas décadas... É de facto necessária uma «cultura de exigência» especial para não se perceber a importância e a magnitude do que o FC Porto de Lopetegui está a construir.

Este apuramento é fruto do que foi plantado no início da época. E a colheita não se vai limitar à época 2014-15.





O futebol de Lopetegui (+) - Lembram-se do FC Porto que mastigava o jogo em trocas entre os centrais e Casemiro e que dependia da profundidade dos corredores? A evolução desta equipa em todos os seus processos é notória. Fortíssimos na transição defensiva, organizados e objectivos na construção, quase perfeitos na pressão e na recuperação (quase sem fazer faltas!). Quando um grande clube espanhol precisar de um treinador, de certeza que o nome de Lopetegui não vai faltar na imprensa espanhola.
Futebol de equipa grande

Defesa (+) - O próximo a dizer que o Martins Indi tem que jogar merece levar com um balázio do Casemiro no nariz. A dupla Maicon-Marcano merece crédito absoluto. Há não muito tempo opinava-se que o FC Porto precisava de um grande central para fazer dupla com Indi. E de repente, zás, temos uma grande dupla. Martins Indi é um enorme central (e vai ter que jogar nos 1/4), mas quando temos uma dupla de centrais a render a este nível não há discussão possível. Alex Sandro está em grande forma e vem de uma sequência de enormes exibições. Hoje foi competentíssimo na direita. Indi também mostrou que é alternativa caso acontecessa alguma coisa a Alex Sandro na Europa. 

Casemiro (+) - Comparar o jogo do Casemiro em Basel com o jogo no Dragão é comparar realidades paralelas. Tem sido dos jogadores mais elogiados aqui nas últimas semanas e volta a merecer total destaque. Não é forte no início de construção, mas tendo o apoio de Evandro ou Herrera fica tudo mais simples. Defensivamente está um muro, é fortíssimo no desarme (faz cada vez menos falta e melhorou imenso no timing das entradas), dá dimensão física ao meio-campo do FC Porto e até teve o seu momento Hugo Almeida na Champions. Isto não é um bom momento. É evolução.

Controlo e equilíbrio
Herrera e Evandro (+) - Óliver estava no banco. Óliver estava no banco. Óliver estava no banco. É preciso repetir, porque a forma como Evandro e Herrera jogaram e se completaram hoje fez parecer que tínhamos dois Ólivers em campo. Herrera volta a aparecer num nível muito superior. Forte no transporte, no apoio a Casemiro e aos extremos, na ocupação dos espaços e na pressão. E depois há Evandro, um equilibrador perfeito, forte nas transições (por incrível que pareça, sobretudo na defensiva), oferece sempre soluções e linhas de passe, também pressiona e recupera bem. Como é que só aos 28 anos chegou à Champions? Já agora: com Evandro em campo, o FC Porto nunca perdeu. Acreditem em coincidências.

Brahimi (+) - Bons olhos te vejam, Yacine! Já sentíamos saudades daquela rotação, da maneira como desafia o seu centro de gravidade e torce os rins aos adversários, daquele serpentear estonteante. Em época de estreia na Champions, são já 5 golos e 3 assistências. É provavelmente o extremo mais produtivo da história do FC Porto numa só UCL.

5 golos, 3 assistências
Evolução à frente (+) - Tello, mesmo não tendo marcado hoje, faz sobretudo duas coisas que me deixam satisfeito. A primeira é logo no primeiro minuto fazer um sprint de 30 metros para ir tentar ganhar uma bola. A segunda é já nos descontos fazer um sprint de 30 metros para tentar ganhar uma bola. É isto que faltava ao futebol de Tello, o inconformismo, a capacidade de pressionar, usar a velocidade nos momentos defensivos e de pressão. O resto vem por acréscimo. E como foi bom ver Aboubakar. Aboubakar, quando chega ao FC Porto, é um jogador que encosta no último central e fica sempre de pé à frente, à espera de poder correr e jogar direto para a baliza. Hoje o que vimos foi Aboubakar durante 90 minutos a tentar fazer o papel de Jackson, a ir receber a bola nos lançamentos laterais e a jogar de costas para a baliza. Lopetegui está a fazer um excelente trabalho com ele (e Gonçalo vai pelo mesmo caminho). E no meio de tudo isto, ainda faz um golo Àbombakar. Não olha para o lado, não levanta a cabeça. Aquele momento era dele, e merecia-o. Três golos na Champions para um avançado suplente não está nada mal.





Quem se esqueceu de falar? (-) - Quando goleamos por 4x0 na Champions e reduzimos o adversário a pó não é possível apontar grande coisa. Mas porque é a saúde de um dos nossos que estava em causa, é preciso ser rigoroso na avaliação do lance: a pancada de Fabiano a Danilo nasce de uma falha de comunicação na defesa. Pior que custar um golo, é custar a saúde de um dos nossos. Felizmente Danilo está bem, mas isto começa numa falha de comunicação que não pode acontecer na Champions, nem no campeonato, nem sequer num treino.

E agora já todos queremos que chegue rapidamente ao dia 15, para vermos novamente o FC Porto de Lopetegui. É esta ânsia de querer que o próximo jogo chegue rapidamente que nos dá as certezas de que estamos no caminho certo.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Só faltou uns alfinetes

Campo pequeno, adversário desmembrado mas organizado, pressão de não poder falhar (o que não constitui novidade) e um frio de rachar. Paciência e eficácia, o que se pedia. E chegou em doses mais do que suficientes. Lopetegui, o mister chato que está sempre a rodar a equipa e que nunca repete 11s (ou não, isso era antes, agora é porque definiu uma base), e a equipa passam com distinção um teste que podia tornar-se muito difícil. Fica para a posterioridade que há quem vá deixar ali pontinhos na segunda volta. Vale a pena dizer de Miguel Leal aquilo que Pinto da Costa disse um dia de Leonardo Jardim, quando estava no Beira-Mar, e de Vítor Pereira, quando ainda era adjunto de Vilas-Boas. 





Alex Sandro e a defesa (+) - Já lá vamos às assistências de Herrera. Ou começemos já por aqui: é Alex Sandro quem começa as jogadas dos 2 golos, com duas incursões pela zona central. Maicon fez o melhor jogo em muito tempo, mas Marcano deu mais uma amostra de que está no 11 para ficar. Danilo sempre bem no apoio ao extremo e na profundidade, mas hoje uns furos abaixo de Alex Sandro e algo perdulário na definição.

Assim, sim
Casemiro (+) - Hoje não houve Miro, houve Casemiro. Tirando um lance de contra-ataque do Moreirense onde é o último (!!!) jogador a recuperar posição e só chega à sua zona já depois do Arsénio ter rematado, esteve bem. Soltou Herrera e Óliver, esteve bem nas dobras, posicionou-se sempre bem e esteve certinho no passe.

Herrera (+) - Cá vai a heresia: em termos de golos/assistências, tem números melhores esta época do que a média do João Moutinho no FC Porto. Isto porque é cada vez mais desequilibrador além do papel de equilibrador no meio-campo. Um pormenor a melhorar: muitas vezes quando desce no meio-campo em recuperação, acaba por ser em velocidade e depois aborda os lances com muita impetuosidade, a quente (foi o jogador que mais faltas fez). É preciso mais calma e contenção nestas abordagem.

Um novo papel (+) - Depois do grande golo ao Paços, já se sabia o que Quaresma ia fazer. Uma, duas, três, quatro trivelas, tudo lances que saíram mal. Dito isto, hoje Lopetegui adapta-o à única posição que Quaresma, nos próximos meses, vai poder jogar no FC Porto. Já não tem velocidade para romper e ganhar nas costas da defesa, por isso tem que jogar cada vez mais em zona interior, apoiado no flanco por um lateral bastante ofensivo. E só pode fazer isso se o próprio Quaresma souber fechar o corredor. Hoje fê-lo muito bem. Tacticamete, das melhores exibições que já fez.

5000 (+) - Tinha que ser ele. Jackson Martínez picou o ponto e entrou na história do FC Porto. Continua a um nível altíssimo, a todos os níveis, e jornada após jornada vai simplificando o que muitas vezes corre o risco de se tornar difícil. Nota para a maneira como a equipa pressiona, cada vez melhor, embora o modelo de Lopetegui continue com o mesmo problema: se nos barram os corredores, isto pode correr muito mal. Que bom é ter Jackson...





Um acessório para o Tello
Contra-pé (-) - As bolas paradas, nomeadamente os cantos, são mesmo o calcanhar de aquiles deste FC Porto. Não só ofensivamente (precisamos de uma média de 70 a 80 cantos para fazer um golo), mas também defensivamente: a equipa nunca está preparada para o contra-golpe. O Moreirense aproveita 3 lances de transição rápida que podiam ter dado problemas. Querendo colocar 5 jogadores na grande área há sempre esse risco, mas o FC Porto está excessivamente permeável nestes lances.

Falta de uns alfinetes (-) - Ao contrário do que já se lê e ouve por aí, não houve egoísmo do Tello naquele lance. Não houve egoísmo simplesmente porque ele não tirou os olhos do chão. Houve sim uma deficiência técnica na visão de jogo, num produto de uma escola onde se joga de cabecinha levantada. Estás a ver esta foto aqui ao lado, Tello? É isto que fazem na polícia militar chinesa. Experimenta fazer um treino assim, que de certeza que te vai fazer bem. 

PS: Com Maicon e Quaresma em campo, Danilo foi o sub-capitão. Por falar em Danilo, arranja lá maneira de ver um cartão na próxima jornada, onde não haverá a menor desculpa para não ganhar.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Marcar cedo e cedo resolver dá 3 pontos e faz crescer

Jackson. Letal.
Simples, eficaz, satisfatório. Ganhar era essencial, ganhar com qualidade era importante. Não é coincidência que nos últimos 3 jogos tenhamos visto menos Brahimi e que nesses 3 jogos o FC Porto tenha conseguido um score de 11-0. A equipa, colectiva e tacticamente, está mais forte. Já não depende da inspiração de A ou B, porque o ABC já está organizado. As ideias de Lopetegui estão assimiladas e readaptadas. Há uma base, há uma dinâmica definida, há uma equipa no verdadeiro sentido do termo. Há uma equipa preparada para perder Brahimi durante 2 meses.

Começar por elogiar a titularidade de Indi. Não se admitiria outra coisa. Colocar Indi no banco com o pretexto do cartão amarelo seria o mesmo que dizer que a cabeça já estava no jogo com o Benfica. Não há pior do que passar essa mensagem aos jogadores. E apesar da questão da rotatividade e dos jogadores terem que estar preparados para jogar a qualquer altura, sentar hoje Indi seria o mesmo que dizer a Maicon e a Marcano que é melhor proteger o Indi do que correr o risco de jogar com eles contra o Benfica. Boa gestão de Lopetegui, havendo apenas a surpresa pelo regresso da dupla Indi-Maicon.

Total confiança em treinador e jogadores para regressar à liderança. Vamos acabar o ano na frente.





Ruben Neves e o meio-campo (+) - Não foi coincidência nenhuma que tenhamos sufocado a Académica durante toda a primeira parte. Tudo começou na acção deste menino. O posicionamento e simplicidade de processos é do melhor que temos no nosso campeonato. Eu vi o Fernando no primeiro golo do FC Porto. Consegue matar uma jogada e transformá-la de imediato numa ocasião de golo. É de classe. E falar em classe é falar em Oliver, que como Deco não corre, desliza. O Tsubasa demorava 12 episódios para correr de uma baliza à outra. Já o «nosso» (infelizmente com aspas) Oliver tem pezinhos omnipresentes e consegue estar em todo o lado, à hora certa, no momento exacto. E como não há 2 sem 3, outra vez Herrera. Essencial no equilíbrio, excelente a chegar à frente, mais um golo e uma assistência. Que mais se pode pedir?

Ruben graúdo, Tello
a crescer

Alex Sandro (+) - O melhor elogio que lhe posso fazer: parecia um Danilo canhoto. Não tem a qualidade nas diagonais do colega, mas esteve incansável no apoio ao ataque, certo a defender, desta vez foi mais rápido a reagir e a executar e só falta um pouco mais de acerto nos cruzamentos. Está a subir de rendimento. 

Jackson Martínez (+) - Dois excelentes golos. O primeiro com recepção orientada e remate colocado, o segundo a dar razão a um treinador a quem muito deve, Vítor Pereira. Dois golos que mataram a Académica bem cedo e que permitiram ter uma noite descansada, até mesmo para o próprio Jackson na segunda parte. É bom que comece a rematar mais vezes de fora da grande área, porque um jogador com esta capacidade de baixar e segurar a bola tem que aproveitar essa valia. Uma palavra para Tello, que pelo 3º jogo consecutivo é decisivo no ataque.





Dois reparos (-) - Quando o colectivo não funciona, é mais fácil um jogador sobressair com uma grande jogada individual. Quando a equipa está bem colectivamente, jogadores que fazem das jogadas individuais a sua arma podem tender a apagar-se mais. Foi isso que aconteceu a Brahimi. Tem que aprender, vai aprender, a jogar mais simples, a jogar bem sem jogar à... Brahimi. E atenção à tentação de sair a jogar apoiado dentro de uma cabine telefónica. Viu-se o FC Porto arriscar demasiado a tentar sair em apoio quando a linha de pressão já estava quase na linha de fundo. Uma equipa grande, de classe, não joga com bicada para a frente, mas tem que haver um equilíbrio. Um Magique ou um Rui Pedro não são grande ameaça. Mas se um Gaitán ou um Jonas apanha a bola naquela zona, pode haver problemas. Como já houve esta época e já custou caro.





- Paulo Sérgio, definitivamente, não percebes nada disto. Então não viste que o Rui Pedro e o Ivanildo são ex-jogadores do FC Porto!? Porque é que os meteste em campo? Como o Lito Vidigal explicou, esses 2 jogadores, mesmo não tendo contrato nenhum com o FC Porto (que lucra em caso de futuras transferências), iam sentir-se pressionados e condicionados! Aliás, o Carlo Ancelloti até já decidiu que quando defrontar o Manchester United não vai utilizar o Ronaldo, porque tem medo que ele se sinta condicionado por jogar contra o ex-clube. E a FIFA até vai aprovar uma norma para os jogadores nunca defrontarem o clube onde forem formados, por causa dos 5% que têm direito em cada transferência. Os rapazes sentem-se demasiado condicionados.

Dragão de Ouro ou
Águia de Prata?
Reafirma-se o que foi dito aqui. Isto já não é uma questão de discutir se o jogador estava ou não adiantado, se houve ou não mão na bola, se o defesa tocou ou não no avançado. Quanto às arbitragens, são já muitos anos para compreender que todos acabam por ser prejudicados e beneficiados, uns mais do que outros, mas não tenciono andar com uma balança atrás. O clubismo não deixa ninguém ter uma análise imparcial neste tema. Metam um sportinguista, um benfiquista e um portista em fila e se calhar todos eles, no fim da época, são capazes de vender a mãe para provar que o seu clube é o mais prejudicado. Não tenho paciência para os maníacos que fazem zoom e slow motion em cada lance, gosto demasiado de futebol para isso. Mas para isto já não é preciso zoom nem régua e esquadro. Está patente, aos olhos de todos, um desvirtuar da competição, uma renúncia de ética no Benfica-Belenenses. Rui Pedro Soares diz que fez do filho sócio do FC Porto desde que nasceu. Um conselho: há coisas mais importantes do que associar imediatamente um filho a um clube, como ensiná-lo a crescer com integridade e sem subserviência. Porque esta decisão de Rui Pedro Soares não serviu apenas os interesses do Belenenses (2 bons jogadores a baixo custo), serviu também os do Benfica num âmbito de concorrência desleal.

- Lopetegui afirmou, e muito bem, que vai rodar jogadores contra o Shakhtar Donetsk. É pena que Opare, Reyes, Ángel e outros não estejam inscritos na UEFA, mas mesmo que não saia uma mudança tão extremista como a que se sugere abaixo, é uma excelente oportunidade para dar um jogo de Champions aos menos utilizados. E com jeitinho arranja-se ali um espaço para alguém da lista B na convocatória...


PS: Quando referi aqui o caso Maciel, quando o Jesus treinava o Leiria, um pormenor importantíssimo passou ao lado: foi o próprio Benfica a fazer a denúncia para a abertura do inquérito na liga (ler aqui). Diria aos dirigentes do FC Porto, olho por olho, dente por dente. Mas como é a primeira vez que dois jogadores são impedidos de jogar contra um clube com o qual não têm nenhum contrato, nem dá para aplicar essa velha máxima.