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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Quercus Suber L.

«O Rui Pedro só está no FC Porto em virtude da empresa onde Alexandre Pinto da Costa era sócioJorge Nuno Pinto da Costa, 12-12-2016

Retemos esta frase do presidente do FC Porto na sua entrevista ao JN. Sensivelmente 24 horas depois de um trabalho particularmente interessante da Mediapart ter sido publicado em França. Leituras aqui e aqui.
O valor da cortiça

Descobrimos que Alexandre Pinto da Costa é um herói, o responsável pela presença de Rui Pedro no plantel do FC Porto. O ramo da cortiça é muito valioso em Portugal. Representa cerca de 0,7% das exportações do PIB. Mas desconhecia-se que a cortiça pudesse ter tamanha valia.

«Si le joueur Rui Pedro Silva participe à dix matchs, Alexandre touchera 100 000 euros. Cela peut singulièrement compliquer la tâche de l’entraîneur du club, qui cherche à préserver son poste. Doit-il engraisser la famille du président? Ou sélectionner la meilleure équipe possible?»

Diz portanto a investigação da Mediapart que Alexandre Pinto da Costa receberá 100 mil euros após 10 jogos que Rui Pedro fizer na equipa principal, levantando ainda suspeitas sobre se isso não irá interferir nas opções de Nuno Espírito Santo (algo que é grave). Não admira que Américo Amorim seja o homem mais rico de Portugal. Aparentemente, a cortiça sai mesmo cara.

Apenas uma outra frase, que nos leva para um tema mais abrangente: «Vamos aproveitar cada vez mais os que nascem cá em vez de jogadores da Nigeria, Malásia, MaliJorge Nuno Pinto da Costa, 12-12-2016

Uma mudança de política que já tinha sido associada à entrada de Luís Gonçalves na estrutura. Curioso é que o FC Porto, que tem vários nigerianos ligados ao clube que implicaram investimentos recentes (Chidozie, Ezeh, Moses, Mikel, Musa - que nunca jogou pela B mas é muitas vezes chamado para treinar na A), assuma esta posição 24 horas depois de isto ter sido publicado.

Quando foi divulgado o mapa de intermediários da FPF, O Tribunal do Dragão assinalou a polivalência do empresário Edmund Chu, intermediário de Ezeh e Chidozie. «Curiosidade para a RAMP Management, que esteve envolvida na compra/renovação de Chidozie. Edmund Chu já tinha sido mencionado como intermediário de Chidozie. Confuso, até o próprio identificar-se nas redes sociais como sendo presidente... da RAMP. Ou seja, cobram comissão a empresa e o presidente.»

Agora a referida investigação conta que em 2012 o FC Porto assinou um contrato com a RAMP, que tinha como missão indicar jogadores ao FC Porto de Gana, Congo, África do Sul, Zâmbia e Nigéria. A RAMP fica com uma comissão de 18 mil euros, torna-se parte interessada de uma futura venda do jogador e até 2015 assume 25% do passe do atleta. Um exemplo comprovado já tinha sido o caso de Fidélis, agora no Portimonense, o clube que mais tem recebido/trocado nigerianos com o FC Porto. 

A investigação da Mediapart, feita com documentos através do Football Leaks (que muitos parecem preferir fingir que não existem a desmenti-los), diz que com o fim da partilha de passes com terceiros o FC Porto passou a remunerar melhor os intermediários: 75 mil euros por cada vez que um jogador fizer cinco jogos pela equipa B (por norma só são considerados jogos em que o jogador atue pelo menos 45 minutos) e o direito de ser agente do jogador no futuro.

Isto levanta questões. Lembram-se de Mbola? Integrou a equipa B em 2012, ano em que o suposto acordo com a RAMP foi assinado. É um jogador da Zâmbia, um dos países referidos no acordo de observação.

Mbola era um jogador sem qualidade. Basta recordar a sua estreia na equipa B: 5 minutos em campo e foi expulso. Desde então, tornou-se uma opção fantasmagórica na equipa B. Fez um jogo a titular em novembro, outro em dezembro, outro em março. Chegamos a maio e às duas últimas jornadas do campeonato. Mbola faz os dois jogos a titular e, com isso, chega aos 5 jogos como jogador do FC Porto, precisamente a quantidade referida pela Mediapart. Foi embora no final da época e nunca mais ouviram falar dele. Até onde sabemos, coincidências. Na proveniência do jogador, no número de jogos. Coincidências. Muitas. 

A Mediapart fala detalhadamente sobre Chidozie. Diz que o FC Porto pagou 500 mil euros ao Riverlande Youth Club e 75 mil euros de comissão «em nome próprio» a Edmund Chu. «Um montante superior aos 10% autorizados». Calculam então que cada jogador menor pode permitir um encaixe de 975 mil euros à RAMP. 

Porquê? São acusações gravíssimas que aparecem nesta investigação e que, perante qualquer ato de transparência, princípio ético e legalidade, só têm que ser desmentidas pelo FC Porto. A saber: «Na correspondência a que tivemos acesso, o agente Saif Rubie, descontente com a forma como o FC Porto tratou o jovem ganês Christian Atsu, ameaçou contar aos media a maneira como o clube se comporta de início ao fim, incluindo os acordos com a RAMP e todas as vantagens usufruídas pelo clube com os contratos assinados com jogadores africanos jovens vulneráveis». 

Passando depois a um caso já aqui conhecido, o de Generoso Correia, um negócio muito... generoso. Questionando ainda o envolvimento de D'Onofrio, que no último verão trouxe Depoitre e que segundo estas contas já faturou 10 milhões de euros em comissões com o FC Porto, com o Benfica também envolvido. Dinheiro esse que terá sido escondido em offshores, mas quanto a isso os adeptos do FC Porto só podem estar descansados. Afinal Pinto da Costa deixou claro que o FC Porto não opera em offshores e em paraísos fiscais. 

O presidente anunciou então o fim da aposta em jogadores de países como Nigéria, Malásia e Mali, para passar a privilegiar a aposta em portugueses. Fica por perceber uma questão: qual o balanço desta parceria com a RAMP que se desconhecia? Quem teve a ideia? Que assume os frutos/resultado desta parceria? Quando custou e quanto rendeu ao FC Porto?

Agora, segundo afirma Pinto da Costa, é passado. Mas se o preço da cortiça não baixar, não parece que vá servir de muito. 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Uma questão para a France Football e um prémio

Portanto, Pinto da Costa quer Vítor Pereira (perante a eventual indisponibilidade de Jorge Jesus), Antero Henrique quer Marco Silva... e Alexandre Pinto da Costa quer Paulo Sousa. Foi isto que a France Football escreveu. Uma notícia que merece particular curiosidade por ter sido escrita por Nicolas Vilas Boas, um jornalista luso-descendente que tem alguma proximidade com o FC Porto.

E disto, aquilo que mais curiosidade desperta não é saber quem vai ser o treinador do FC Porto para 2016-17. É saber por que raio Alexandre Pinto da Costa teria opinião nesta matéria.


De um lado temos o presidente do FC Porto, que tem sempre a palavra na escolha do treinador. Do outro temos o recentemente promovido a membro do Conselho de Administração e diretor-geral da SAD. E por fim temos um empresário que, de acordo com o próprio Pinto da Costa, é um «agente independente», que exerce a sua função de empresário livremente e sem qualquer ligação ao FC Porto. 

Então, temos que perguntar à France Football: por que haveria de interessar a opinião de Alexandre Pinto da Costa sobre o futuro treinador do FC Porto? Vão perguntar aos restantes 200 e tal empresários do futebol português quem é que eles gostariam de ver no FC Porto? Seria um exercício de rigor. Se a opinião de Alexandre Pinto da Costa é importante, também deveriam perguntar a todos os outros empresários que estão registados na FPF. Uma questão de coerência. 

Neste momento, discutir sobre quem será o futuro treinador do FC Porto não é mais do que especulação. Há dois anos, passou-se o mês de abril a debater a sucessão de Luís Castro, enquanto Lopetegui já andava no Dragão a ver os jogos e a tirar notas. 

Que se repita a história, até porque por esta altura a SAD já tem que saber se José Peseiro fica ou não. Pinto da Costa disse, e bem, que nenhum treinador pode estar dependente de uma final de uma Taça de Portugal, pela imprevisibilidade que 90 minutos podem ter. É verdade. Mas isso serve para o bem e para o mal. Jesualdo Ferreira acabou 2009-10 a ganhar 10 jornadas consecutivas e conquistou a Taça de Portugal, mas a decisão já estava tomada. Que volte a ser o caso com José Peseiro. 

Entretanto, algo que merece a nossa curiosidade. Nuno Vicente está longe de ser um dos melhores árbitros assistentes em Portugal. Na verdade, tem sido dos piores. Depois de ter sido 23º classificado em 2013-14, na última época foi o 38º classificado. 
Nuno Vicente

Mas Nuno Vicente tem sido injustiçado e tem uma visão periférica. Por exemplo, no Benfica B-Freamunde, em que o Benfica B desceria de divisão se não ganhasse, conseguiu ver o que mais ninguém viu: quando o marcador estava 0x0, disse a Bruno Paixão que a falta que ele tinha assinalado fora da grande área era, afinal, penalty. E reparem que ele nem sequer era árbitro auxiliar: era quarto árbitro. O bandeirinha não sugeriu a Bruno Paixão que mudasse a sua decisão, mas o 4º árbitro, que nem sequer acompanhava a jogada, decidiu fazê-lo. Brilhante. 

Hoje recebe o prémio merecido: foi nomeado para a final da Taça da Liga... como árbitro assistente. E adivinhem quem será o 4º árbitro: António Godinho, precisamente um dos assistentes no Benfica B-Freamunde. Mas o árbitro, desta vez, não é Bruno Paixão... mas sim o wonderboy Fábio Veríssimo, um dos internacionais promovidos por Vítor Pereira contra as diretrizes da FIFA.

Vítor Pereira merece deixar o Conselho de Arbitragem em ombros. Há quem diga que merece um lugar no Museu Cosme Damião. Discordemos: merece é que abram o Museu Vítor Pereira, e que metam lá os troféus conquistados pelo Benfica durante o seu mandato no CA. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Verdades de 1 de abril

Saúde-se a prontidão de Alexandre Pinto da Costa. No dia seguinte a ver a sua cara chapada no CM, a Energy Soccer emite de pronto um comunicado e o empresário dá uma entrevista de grande destaque ao JN. Coisa rara nos tempos que correm.

O Correio da Manhã pegou em informações que já eram do domínio público e deu uma injeção de sensacionalismo no tema. E como seria de esperar, cometeu imprecisões, que foram de pronto identificadas pela Energy Soccer no seu comunicado.

O caso de Ricardo Quaresma é um exemplo. Já se sabia, desde a época 2013-14, que havia uma despesa de 500 mil euros associada à sua contratação. O CM escreveu que Alexandre Pinto da Costa recebeu 500 mil euros de comissão, enquanto o empresário desmente e diz isto: «Na contratação do jogador a Energy Soccer não emitiu qualquer factura ao FC Porto SAD por este negocio.»

De realçar a insistência de afirmar que a Energy Soccer não emitiu nenhuma fatura ao FC Porto. Tem uma explicação, porque é verdade. Conforme se pôde ver no R&C, o FC Porto não tinha nenhuma dívida à Energy Soccer, mas sim à DNN.

Dívidas a outros clubes e entidades - Relatório e Contas 2014-15
Por isso, neste dia 1 de abril, Alexandre Pinto da Costa não mentiu: de facto, a Energy Soccer não passou nenhuma fatura ao FC Porto, pois quem o fez foi a DNN (uma empresa fundada em 1999, de Pedro Pinto, e que está ligada a dois treinadores do FC Porto, Luís Castro e José Peseiro).

E aqui é que surge o fenómeno Football Leaks, que publicou um acordo entre a Energy Soccer (Segundo Outorgante) e a DNN (Primeiro Outorgante), para que a DNN transferisse para a Energy Soccer metade do dinheiro que viesse a receber do FC Porto.

Acordo entre a Energy Soccer e a DNN na transferência de Quaresma
Assim se explica como é que a Energy Soccer não emitiu nenhuma fatura ao FC Porto e diz ter recebido apenas 596 mil euros, ao contrário dos cerca 2M€ que foram noticiados. É verdade, ninguém mentiu. Tal como o FC Porto também não pagou nada por Casemiro à Energy Soccer: o FC Porto pagou à Vela, do Universo Doyen, e depois a Vela transferiu dinheiro para a Energy Soccer e a Pesarp. Tudo explicado. 

Do comunicado da Energy Soccer não há muito mais a destacar, mas a empresa diz que entre as transferências de Atsu, Rolando e Álvaro Pereira ajudou a SAD a ter um encaixe de 16,6 milhões de euros. Atsu e Rolando saíram por valores reduzidos (1,5M€ cada), enquanto Álvaro Pereira saiu por 10M€, mais variáveis. E aqui é curioso que a venda de Álvaro Pereira seja usada para aumentar o bolo do encaixe. Porque se é verdade que a Energy Soccer não colaborou, diretamente, na compra de Quaresma, também é verdade que a Energy Soccer não emitiu nenhuma fatura ao FC Porto na venda de Álvaro Pereira - quem fez o pagamento foi a IG Teams & Players, no valor de 25 mil euros (por, segundo o documento divulgado, um serviço prestado em setembro de 2012, no mês seguinte à venda de Álvaro Pereira ao Inter). 

A IG Teams & Players é uma empresa bem mais conhecida no universo do Benfica: metade dos seus ativos são jogadores que estão ligados ao Benfica ou que já passaram pelo clube, casos de Derlis González, Claudio Correa, Francisco Vera, Urreta e Funes Mori (não tem nenhum jogador atualmente ligado ao FC Porto).

Na entrevista ao JN Alexandre Pinto da Costa não diz nada de revelador na parte dos negócios, mas admite que também faz negócios de prospecção para o FC Porto «ou qualquer outro clube». O empresário diz que tem uma carteira com muitos clientes, que negoceia com vários clubes e que só não revela quem representa por que não quer.

O que torna a Energy Soccer «tão diferente e especial»
É um caso único no nosso futebol. Todos os empresários da nossa praça gostam de publicitar as suas carteiras de jogadores e divulgarem, publicamente, que negoceiam com vários clubes. Seja uma Onsoccer ou uma Promosport, uma International Foot ou uma US11. Mas a Energy Soccer é um caso único que prima pela discrição. Isso já será uma preferência de Alexandre Pinto da Costa, e a maneira como a gere só a ele lhe dirá respeito, mas de facto todas as notícias de transferências que são mencionadas no site da Energy Soccer têm a intervenção do FC Porto. Todas do FC Porto, nenhuma a envolver qualquer outro clube. A nível de imprensa, também nunca houve notícias a envolverem Alexandre Pinto da Costa em negócios que não contassem com o FC Porto. Mas o empresário garantiu que é assim porque é assim que quer.

E é aqui que a análise pode ser aprofundada. O que têm em comum Atsu, Rolando ou Álvaro Pereira? Todos saíram, digamos, a mal do FC Porto, ou como disse a Energy Soccer, não faziam parte do projeto desportivo. É um padrão algo comum. Mas como de facto o FC Porto não emitiu nenhuma fatura à Energy Soccer por Álvaro Pereira, então talvez não faça sentido associar a venda ao Inter à Energy Soccer. A não ser que ela tenha trabalhado de borla - isso seria louvável. 

Portanto, qual foi a maior venda do FC Porto com intermediação de Alexandre Pinto da Costa? Tendo em conta que o próprio admitiu que não recebeu comissões na saída de Carlos Eduardo (diz que recebeu 100 mil euros no total «das duas operações», mas isso foi a comissão no momento da compra ao Estoril), então as maiores vendas a envolver diretamente a Energy Soccer foram Atsu e Rolando, por 1,5M€ cada (o Besiktas informou que pagou 1,2M€ por Quaresma, a Energy Soccer diz que o FC Porto recebeu 1,5M€).

O jogo das diferenças
E aqui vemos o quão ridículo é comparar estas operações com, por exemplo, os negócios de Jorge Mendes. O chavão «todos os clubes pagam comissões» e «todos os empresários recebem comissões» é de uma leviandade que não pode estar presente na discussão destes temas. Por exemplo, o desafio de calcular quanto já recebeu Jorge Mendes de comissões do FC Porto seria de facto interessante. Mas antecipando a conclusão: é o empresário que mais dinheiro deu ao FC Porto.

A experiência mais recente nem é boa, com Jorge Mendes a deixar o FC Porto a arder no negócio Adrián López, por quem a SAD já pagou quase 8M€ ao Atlético. Mas Jorge Mendes é, de longe, o empresário que mais bons negócios já fez com o FC Porto. James, Falcao, Mangala, Anderson, Danilo, Pepe, Ricardo Carvalho, tantos outros.

Jorge Mendes nem sequer era o empresário de alguns destes jogadores, mas surgiu como intermediário. E nisso não há problema nenhum, desde que o empresário chegue à SAD do FC Porto e apresente boas propostas. No dia em que Alexandre Pinto da Costa chegar à SAD e bater ali uma proposta de 20 ou 30M€ por algum jogador do FC Porto, maravilha, pode e deve levar a comissão a que tem direito, e de certeza que ninguém se insurgirá contra isso (pelo contrário, até será elogiado). Mas enquanto estivermos a negociar jogadores por 1,5M€, a custo zero ou a recrutar jogadores para a equipa B dos quais a SAD só assume parte do passe, comparações com Jorge Mendes são um sacrilégio. Além de que há inúmeras notícias de negócios de Jorge Mendes com clubes um pouco por todo o mundo, não apenas com o FC Porto.

Também se tem insistido muito que, se Alexandre Pinto da Costa tiver algum jogador que interesse ao FC Porto, a SAD não deixará de querer o jogador. Óbvio. Mas como não se conhece a carteira de jogadores de Alexandre Pinto da Costa, nunca se sabe ao certo. Aliás, a maioria dos negócios em que Alexandre Pinto da Costa surgiu associado ao FC Porto foram vendas, não compras. Não se conhece nenhum jogador que o empresário, neste momento, represente que possa interessar ao FC Porto. O resto são chavões para lugares comuns. Votos para que cheguem das mãos de Alexandre Pinto da Costa à SAD muitas propostas de 20M€ para cima, pois o FC Porto bem necessita delas, e que esses serviços de scouting continuem a descobrir muitos craques. O perfume do futebol de Fede Varela tem deslumbrado na equipa B.

Sobre as acusações do Football Leaks para a elaboração de contratos pré-datados não houve comentários. A Doyen também reagiu junto da imprensa, orgulhando-se que «o FC Porto teve sempre lucro em negócios por nós intermediados». A Doyen só foi fundada em 2011, ainda não há muitos exemplos de negócios - Mangala, que até foi intermediado com o City por Jorge Mendes, foi o melhor de todos e um dos melhores da história da SAD; Imbula e Defour cobriram basicamente os custos; Brahimi está na calha para sair e vamos ver se a receita será assim tão grande. 

Que os negócios gerem lucro para o FC Porto não é favor nenhum: é uma obrigatoriedade. Com o tipo de gestão que pratica, o FC Porto precisa de vendas para sobreviver. Mas precisa de grandes vendas. A vender Defours ou Atsus, a SAD não durava muito. É preciso grandes negócios, como Mangala, por exemplo. Pode ser a diferença entre só ter que vender dois jogadores ou ter que vender meia dúzia deles. Além de que, escusado será dizer, o risco dos negócios está sempre em cima do FC Porto, que é quem tem que fazer evoluir os jogadores e pagar os salários. Os fundos nunca têm prejuízo.

A Doyen também não comentou diretamente as dúvidas sobre os contratos pré-datados, mas considera que se não fosse a Vela, com o seu contrato de scouting assinado em janeiro de 2015, Casemiro nunca teria vindo para Portugal. Por isso aqui fica o agradecimento à Vela, que conseguiu descobrir um jogador do Real Madrid que poucos conheciam. Portanto quando Casemiro agradeceu a Pinto da Costa e Lopetegui o seu papel na sua transferência para o FC Porto, esqueceu-se de mencionar a Vela. Ficou-te mal, Miro, pois não era qualquer um que te ia descobrir ali perdido no modesto Real Madrid - daí que por exemplo o Benfica, que não te conhecia, nem te tenha tentado desviar na semana em que assinaste pelo FC Porto. Depois das acusações do Football Leaks, a Energy Soccer reagiu, a Doyen reagiu, e acaba por não surgir nada mais de revelador.

Candidatura(s) admitida(s)
Ainda em relação à entrevista de Alexandre Pinto da Costa, o que mais se destaca é não descartar ser um futuro candidato à presidência do FC Porto, dizendo que tem sido abordado por muita gente que lhe reconhece «capacidade». Oxalá que essa lista de pessoas apoiantes de Alexandre não seja como a carteira de jogadores da Energy Soccer, se não permanece tudo em segredo. Alexandre Pinto da Costa diz ainda que tem «no sangue o melhor professor possível». É verdade, mas como disse Pinto da Costa, «o FC Porto não é uma monarquia», pelo que certamente isso nunca será um cartão de visita. Até porque se para uns está no sangue, outros trabalham há anos, ininterruptamente, ao lado de Pinto da Costa na SAD, e não é por isso que têm valias para virem a ser presidentes do FC Porto. 

Mas para já só Pinto da Costa se chega à frente, pelo que não faz sentido falar noutros nomes para a presidência do clube - até porque mais do que nomes, o que interessa é o projeto e as soluções de presente e futuro. Já agora, a três semanas da eleição para a presidência do FC Porto, falta ainda conhecer o programa para o 14º mandato. É uma ânsia conhecê-lo.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Onde há fumo há fogão

Energy Soccer, empresa de agenciamento de Alexandre Pinto da Costa, fundada em 2012

--- ROLANDO--- 
100 mil euros de comissão pelo empréstimo ao Nápoles
Comissão acrescida de IVA: 123 mil euros
Comissão de 60 mil euros pelo empréstimo ao Inter (que por sua vez pagou 75 mil à ES)

Valor pago pelo FC Porto acrescido de IVA: 73,8 mil euros
10% do valor a receber pela venda de Rolando ao Marselha (150 mil euros de 1,5M€)

--- CHRISTIAN ATSU ---

150 mil euros de comissão pela venda ao Chelsea

Valor acrescido de IVA: 184,5 mil euros

--- RICARDO QUARESMA ---

Pagamento de 500 mil euros de comissão na transferência a «custo zero»

Garantia de receita de 10% do valor pago pelo Besiktas em variáveis
Pagamento de 156 mil euros de comissão pela venda ao Besiktas

--- ÁLVARO PEREIRA --- 


Pagamento (pela IG Teams & Players) de comissão + IVA pela venda de Álvaro Pereira

--- CARLOS EDUARDO ---
100 mil euros de comissão pela compra ao Estoril
Pagamento por parte do Estoril, de 180 mil euros

Pagamento do FC Porto acrescido de IVA: 123 mil euros

Mais-valia de 10% atribuída pelo Estoril

--- FEDERICO VARELA (EQUIPA B) ---

Pagamento de 70 mil euros por um jogador «livre». SAD só tem 50% do passe

--- EXTRA TRANSFERÊNCIAS: AÇÕES DA FC PORTO, SAD ---



À margem das transferências: a Investiantas SGPS (que chegou a deter 12% do capital da SAD), aqui representada por Pinto da Costa e Adelino Caldeira, transferiu todas as suas ações da SAD do FC Porto para a Energy Soccer, de Alexandre Pinto da Costa, em dezembro de 2014, por 1,254 euros (60 cêntimos por ação).

--- CASEMIRO ---

Resumo do Record: o Football Leaks entretanto já publicou todos os documentos
O Football Leaks acusou o FC Porto de colaborar num «esquema para financiar Alexandre Pinto da Costa». Num clube tão preocupado - ou com gente tão preocupada - com blogues anónimos, só podemos esperar que amanhã o FC Porto esteja a título oficial a reagir e desmentir esta acusação do Football Leaks, que é gravíssima.

Em relação ao negócio Casemiro, o Football Leaks diz haver uma celebração de contratos pré-datados. Os contratos começaram a ser discutidos em setembro, foram assinados em dezembro/janeiro de 2015 e ficaram com datas anteriores à sua celebração, de modo a mostrar que eram algo já pensado e planeado e não uma justificação montada para a transferência de dinheiro. Uma acusação gravíssima do Football Leaks, portanto.

Ou seja, segundo o Football Leaks, o facto de o Real Madrid ter acionado a cláusula de retorno de Casemiro não tem nada a ver com os contratos de scouting (a tal moda que já tinha sido comentada) que o FC Porto fez com a Vela, que por sua vez transferiu o dinheiro para a Energy Soccer e para a Pesarp SGPS. É fácil também identificar esta segunda entidade:

Energy Soccer, informação legal disponível
Casemiro já era jogador do FC Porto e já começava finalmente, após muita insistência de Lopetegui e muito desespero dos adeptos, a render a um nível aceitável. Finalmente percebia-se que estava ali a surgir um jogador capaz de jogar numa equipa grande. E aí sim terão sido celebrados estes contratos de scouting. Mal podemos esperar para ver todos os craques que a Vela, leia-se Doyen, vão apresentar ao FC Porto por 300 mil euros em despesas de observação. Não é preciso José Peseiro ou os olheiros do FC Porto se preocuparem mais: a Vela faz a papinha toda.

De recordar que o FC Porto informou, no R&C de 2014-15, que os «custos com serviços de prospecção de mercado» enquadravam-se na secção «Trabalhos especializados», nos Fornecimentos e Serviços Externos. Ora em 2010-11, ano de conquista da Liga Europa e de uma época memorável, esses «Trabalhos especializados» custaram 3,595M€. Em 2014-15, os «Trabalhos especializados» tiveram custos de 11,813M€.

Se O Tribunal do Dragão já teve honras de repreensão oficial, então o Football Leaks, que acusa o FC Porto de atos gravíssimos que não se enquadrariam em nenhum tipo de gestão legítima, está tramado: o FC Porto vai certamente desmentir todo e qualquer tipo de irregularidade, reivindicar a legitimativamente de todas estas operações e agir judicialmente contra o atentado ao bom nome da SAD do FC Porto. A não ser, claro, que O Tribunal do Dragão seja o culpado de tudo isto. Nunca se sabe.

Recordando a palavra do presidente, há dois meses: «O meu filho não é pelo facto de ser meu filho que não pode ter a profissão que entender. Entrou numa sociedade de agenciamento de jogadores. Se tiver jogadores que interessem ao FC Porto a todos os níveis, não é por ele ser o agente que eu vou deixar de os contratar. Mas digo-lhe francamente, creio que não há nenhum jogador do FC Porto, tirando um miúdo dos juniores - que eu sei que foram eles que o trouxeram, esse sei porque foi tratado comigo porque era um jogador que nos interessava e que ainda hoje é júnior -, creio que não há nenhum jogador do FC Porto no nosso plantel de que ele seja agente ou empresário, como queira considerar».

De facto, Pinto da Costa disse a verdade: Alexandre Pinto da Costa não é empresário de nenhum dos jogadores da equipa A. Mas a Energy Soccer, que foi fundada apenas em 2012 (após pai e filho se terem reaproximado e feito as pazes) e tem um capital social de 10 mil euros, já recebeu, diretamente ou indiretamente, da SAD do FC Porto cerca de 2M€, excluindo eventuais futuras receitas por variáveis e verbas pagas por outros clubes/entidades a envolver jogadores do FC Porto. E fê-lo intermediando transferências de jogadores que inicialmente não eram, sequer, agenciamentos pela Energy Soccer, embora esta tivesse sido delegada para os efeitos de intermediação dos contratos, ou através deste negócio Casemiro.

Aqui fica o aplauso a Alexandre Pinto da Costa, um empresário de sucesso (embora se desconheça que alguma vez tenha feito um negócio relevante sem envolver o FC Porto, até porque a Energy Soccer oculta a sua lista de jogadores). Bernardino Meireles passou toda a sua vida enganado: o futebol é que é. De facto, há os que querem dividir o clube, e há os que enriquecem às custas do clube, ao mesmo tempo em que este não conquista títulos, assume prejuízos recorde e distancia-se da sua identidade, dentro e fora de campo. Ou isto é tudo uma grande invenção do Football Leaks para desestabilizar o FC Porto. Está tudo bem. Pelo menos na rua Rua António Nicolau de Almeida, está tudo bem.