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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Análise 2017-18: os médios

Contrato até 2022
Danilo Pereira - Um dos maiores elogios à época do FC Porto é recordar que a equipa esteve privada durante quase meia época do médio-defensivo, possivelmente o mais importante e valioso jogador no arranque da pré-época. Adaptou-se ao esquema de dois médios de Sérgio Conceição, sem nunca perder a sua preponderância defensiva: nas 19 jornadas em que alinhou na Liga, apenas foi driblado em 5 ocasiões por adversários. Danilo foi também o médio de toda a competição com maior percentagem de duelos ganhos (63%) e de duelos aéreos ganhos (72%). Marcou apenas uma vez na Liga, mas esteve em quatro dos golos do FC Porto na Champions. Estava na calha para a saída no fim da época, mas a lesão obrigou a SAD a rever os seus planos para o médio - e ainda bem para a equipa, que conserva um dos melhores jogadores, profissionais e candidato a integrar o grupo de capitães.

Contrato até 2020
Sérgio Oliveira - A surpreendente escolha de Sérgio Conceição para os jogos grandes estava longe de correr bem, pois entre seis jogos de Champions e clássicos, o FC Porto venceu apenas um com o médio no 11. Mas Sérgio Oliveira acabou por aproveitar o espaço com a lesão de Danilo Pereira para entrar no 11, e por lá se manteve até ao final da época. Esteve a um nível muito elevado em fevereiro, com 3 golos e 2 assistências na Liga, mas apesar da notória evolução esta época continua a faltar a consistência que possa fazer dele um jogador «de época». Ganhou intensidade e já não é apenas o médio que chutava e batia livres, tendo sido o 5º maior criador de ocasiões de golo do FC Porto, mas muitas vezes «desliga-se» do jogo. A continuidade de Danilo e Herrera deve remetê-lo ao papel de alternativa válida para a próxima época, sendo que a sua situação contratual terá que ser revista muito em breve. 

Contrato até 2019
André André - Cumprida a terceira época no FC Porto, é tempo de dizer adeus a André André. Os dois bons meses que realizou com Lopetegui já vão longe e, a caminho dos 29 anos e a uma época do final de contrato, o médio português não apresenta o nível desejado para jogar num FC Porto campeão. Jogou apenas 331 minutos no Campeonato, apenas três vezes como titular, e apesar do apreço mantido pela massa adepta por jogadores portugueses e portistas - sobretudo os não saem nem são vendidos à primeira oportunidade - não faz sentido manter André André no plantel para mais uma época a alternar entre banco, bancada e minutos residuais de jogo. O seu regresso a Guimarães está a ser negociado e resta desejar boa sorte a André André e felicidades futuras, menos nos jogos contra o FC Porto. 

Contrato até 2019
Héctor Herrera - Porquê sempre ele? Foi, por razões óbvias, um dos rostos da conquista do título. Mais do que o golo na Luz, que mudou a história do Campeonato, Herrera distinguiu-se pela forma incansável com que se apresentou jogo após jogo, encaixando na perfeição no papel idealizado por Sérgio Conceição para o meio-campo. No FC Porto, Herrera foi o médio com mais desarmes (83), o 3º principal criador de oportunidades de golo (50) e o médio que mais duelos ganhou (221). Numa época de grande exigência para o mexicano, muitas vezes a ter que trabalhar por dois no meio-campo, destaca-se o facto de ter sido desarmado apenas 22 vezes em 29 jornadas, estatística que contraria a imagem de displicência que tantas vezes lhe foi associada, bem como o facto de ter sido o 3º jogador com mais passes para o meio-campo adversário e o 5º com mais passes no último terço. 

A defender ou a atacar, foi uma época completa e de bom nível de Herrera, que agora levanta questões para o futuro. Aos 28 anos, está a uma época do final de contrato; já atingiu o seu pico de valorização, mas Sérgio Conceição não pode perder meia equipa. Logo, está entre a saída e a possibilidade de passar a ser «mobília», pois dificilmente haverá contexto mais favorável para uma transferência e tão grande estado de graça entre os adeptos. Com Sérgio Conceição, e esta forma de jogar, é essencial que permaneça, mas a grande oportunidade de uma venda pode não voltar a aparecer. 

Contrato até 2021
Óliver Torres - Foi o principal dinamizador do bom futebol praticado pelo FC Porto no início da época, mas deixou de ser opção para Sérgio Conceição, sobretudo quando a aposta em dois médios passou a ser mais declarada. Chegou a ser expectável que pudesse sair em janeiro, a tempo de encontrar uma solução que contornasse a avultada verba que teria que começar a ser paga ao Atlético (a SAD pagou 5 dos 20 milhões de euros no primeiro semestre), mas o espanhol permaneceu na Invicta. Que Óliver tem nos pés futebol e ideias de jogo que não existem em mais nenhum jogador do FC Porto, ninguém pode duvidar; mas que as suas caraterísticas não eram as mais ideais para o meio-campo de Sérgio Conceição, também não. Agora, ou Sérgio Conceição tem um papel ativo para Óliver em 2018-19, ou o seu posicionamento no clube terá que ser revisto. Óliver não pode ser uma mera alternativa, um jogador que vai para o banco ou entra para os 20 minutos finais e que só joga perante a indisponibilidade de um ou dois colegas. Não é um estatuto condizente com o seu custo. Óliver tem que jogar na próxima época, pois um dos maiores investimentos da história do FC Porto não pode estar «parado». As escolhas de Sérgio Conceição não têm que obedecer a durações de contrato ou dinheiro investido, mas o caso de Óliver não pode ser tratado como apenas mais um - de recordar que na informação prestada à CMVM o FC Porto referiu-se à cláusula de compra como sendo opcional, não obrigatória. Óliver tem que jogar na próxima época, seja aqui ou noutro clube, ou pelo menos ser um jogador para o qual Sérgio Conceição terá planos mais ativos, mesmo que isso demore mais alguns meses de trabalho. 

Compra obrigatória
Paulinho - Não conseguiu entrar no «comboio» da equipa e acabou por ter um papel irrelevante na segunda metade da época. Não foi um pedido expresso de Sérgio Conceição, mas tinha caraterísticas que poderiam ter sido úteis ao FC Porto (nomeadamente a forma como coloca bolas em zonas de finalização), sobretudo quando pensamos o quão inconsistentes jogadores como Hernâni, Otávio ou Corona foram sendo. Os três jogadores que chegaram ao FC Porto por empréstimo em janeiro fizeram-lo meramente por contingências no fair-play financeiro, por isso à partida Paulinho fica no FC Porto a título definitivo - a que preço, é a questão, pois é um jogador que tem várias limitações na dimensão física. É demasiado frágil para jogar no miolo do meio-campo, mas não é rápido e explosivo o suficiente para pressionar na frente e dar largura ao jogo do FC Porto. O pior que poderia acontecer é Paulinho ficar no FC Porto não por aquilo que Sérgio Conceição viu nos últimos meses, mas pelo que ficou acordado com o Portimonense em janeiro. Mas tendo em conta que vimos, com Sérgio Oliveira, a grande diferença que pode ser para Sérgio Conceição ter um jogador em janeiro e tê-lo numa pré-época, esperemos que Paulinho se revele reforço e não um fardo

Contrato até 2021
Otávio - Esteve longe da desejada época de afirmação - acabou por ter apenas pouco mais de metade do tempo de utilização da temporada 2016-17. Numa época em que a SAD decidiu reforçar a aposta em Otávio (comprou 15% do seu passe à GE Assessoria, em novembro, por 2,1 milhões de euros - uma verba que se calhar poderia ter desbloqueado uma renovação de contrato bem mais pertinente no plantel...), o brasileiro nunca conseguiu encher as medidas aos olhos do treinador, apesar de ter sido titular na reta final da temporada. Embora não duvidem que Otávio é um jogador de potencial e talento, andou muitas vezes perdido entre a meia direita e a zona central, e acabou por ter mais cartões (5) do que intervenção em golos (3) na Liga. Foi sendo alternativa, curta, num plantel em que a concorrência não deveria ser a mais feroz para o brasileiro. Acabou por fazer melhores jogos em 2016-17 do que nesta temporada. 

É de recordar que Otávio custou inicialmente 2,5 milhões por 33% do passe (a SAD entretanto passou a declarar ter apenas 32,5%). Em outubro de 2016, a SAD comprou mais 20% de Otávio, por 2,9 milhões de euros. E no primeiro semestre comunicou a compra de mais 15%, a troco de 2,1 milhões de euros - e é deveras curioso que a GE Assessoria, uma empresa que tinha apenas 20% do passe de Otávio quando o brasileiro foi negociado para o FC Porto, já conseguiu vender 35% à SAD. Contas feitas, são já 7,5 milhões de euros investidos em Otávio, de quem o FC Porto tem 67,5% do passe, proporção que faz dele um dos ativos mais caros do clube. A aposta em Otávio foi reforçada em época de contenção financeira e de incumprimento do fair-play financeiro, algo que terá que dizer muito da aposta no brasileiro no médio prazo. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dois golpes pela metade

Um grande jogo? Não, de todo. Um jogo em que a vitória esteve em risco? Também não. Uma vitória que acabou por ser natural e justificada? Sim. Primeira parte deplorável, como muitas outras, segunda parte com qualidade revelada a espaços. Em dose suficiente para ganhar em Chaves, mas dificilmente suficiente para colmatar a falta de consistência que vale campeonatos.

Sobressaiu o facto de o FC Porto ter jogado com um meio-campo bem diferente daquele que seria, à partida, o preferencial no início da época (Danilo, Herrera e Óliver), e da vitória ter nascido precisamente através das unidades de meio-campo, com André André em particular destaque e a reviver o momento de forma que chegou a ter em outubro/novembro de 2015. 

Já não há grande margem para sonhar com o título, mas a luta mantém-se de pé até ao final.




André André x2 (+) - A vitória deve-se a dois momentos de André André no jogo. Primeiro, por ser capaz de se adiantar na linha de pressão sobre o portador da bola. Os momentos que antecedem o 2x0 são sugestivos: o FC Porto tem 6 jogadores nos últimos 20 metros! Isto é algo que tem faltado desde o início da época: soluções à entrada da grande área.

André André tem Soares a correr para a marca de penálti, mas tem também quatro soluções livres de marcação ao lado: tem Corona aberto na linha, Jota no eixo, Otávio a dois metros e ainda tem Rúben Neves na meia direita para entrar na grande área. Entre todas estas opções, optou pelo remate, ao qual a sua posição e enquadramento também convidavam. 

No lance do 2x0, um exemplo de como é questionável a forma como os avançados do FC Porto têm sido usados. Mas antes, um lance que também tem faltado esta época: um médio a aparecer em zonas de finalização servido por um outro elemento do meio-campo. Grande passe de Otávio, desmarcação inteligente de André André. Mas repare-se que Soares, logo antes do passe de Otávio, está completamente sozinho... encostado junto à linha. Não está a arrastar nenhum defesa, não está numa zona de perigo, não está na jogada. Os otimistas dirão que estava a abrir espaço na zona central para André André entrar. Como, se não tirou de lá nenhum defesa? Felizmente, a pintura de Otávio e André neste lance foi letal. Caso contrário, seria mais um exemplo de que nada vale ter um finalizador se ele não estiver em zonas de... finalização.


Rúben Neves (+) - É um clássico, uma repetição em todos os jogos em que Rúben joga no lugar de Danilo: Danilo tem coisas que Rúben não tem, mas Rúben dá outras coisas ao jogo. Maior capacidade de circulação, mais toques e passes na bola, maior amplitude no momento da saída e algumas tentativas de meia distância. É certo que Rúben não ganhou nenhum lance de cabeça, mas ainda assim teve 16 assinaláveis intervenções defensivas que ajudaram a manter a baliza de Casillas a seco. 




Um clássico de primeira (-) - Nos últimos 7 jogos, o FC Porto saiu para o intervalo a vencer em dois. Contra o Setúbal, com um belo golo de Corona aos 45+1' num momento de inspiração individual, e contra o Belenenses, por Danilo, numa bola parada. Dois golos específicos e que disfarçaram, na altura, primeiras partes em que o FC Porto revelou inúmeras dificuldades para criar lances de perigo, para jogar de forma organizada e orientada na procura do 1x0. Um futebol sem ideias, sem ambição, sem querer procurar a vitória desde o primeiro minuto. Algo que vai-se tornando numa imagem de marca desta equipa, incapaz de jogar bem em primeiras partes - e muitas vezes sem conseguir recuperar do prejuízo nas segundas.

Já agora fica o aviso: o jogo contra o Marítimo terá, à partida, 90 minutos. Jogar apenas 45 tem tudo para correr mal. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Tondela não merecia isto

As críticas foram bem audíveis nos últimos dias. E trata-se, de facto, de uma grande injustiça. O Tondela, na visita ao estádio de um grande do futebol português, perdeu por 4-0. Mas o problema não esteve apenas no resultado final, mas em dois lances nos quais o Tondela foi claramente prejudicado.

Falamos de um penalty e de uma expulsão, imerecidas e injustificadas, que acabaram por prejudicar o Tondela no jogo em causa. Jogar no estádio de um grande do futebol português já é, por si só, complicado. Mas quando a equipa da casa beneficia de um penalty mal assinalado, e vê um jogador do Tondela ser mal expulso, só se pode lamentar o tratamento de que o Tondela foi alvo.

Passando às imagens, o lance em causa é este:


Neste lance, André Almeida não sofre qualquer falta de Pica na grande área. Não havia grande penalidade a favorecer o Benfica, nem o Tondela ficaria sem um dos seus defesas. O Benfica acabou por vencer por 4-0. Venceria de qualquer maneira? Certamente. Mas custa sempre ver um clube modesto, como o Tondela, ser assim prejudicado pela arbitragem em casa de um grande. Felizmente, Gilberto Coimbra, presidente do Tondela, reagiu de pronto a esta injustiça...

Hmm, afinal não. Criticou o Sporting e o Jorge Jesus depois de ir a Alvalade e queixou-se imenso da arbitragem agora que o Tondela perdeu com o FC Porto, também por 4-0. Contra o Benfica, por incrível que possa parecer, Gilberto Coimbra não se lembrou de condenar a arbitragem.

De certeza que não terá nada a ver com isto.


No que diz respeito ao FC Porto, uma vitória sem sobressaltos, ainda que não há-de ser sempre que, no espaço de 3 minutos, a equipa beneficie de um penalty e uma expulsão, momentos que certamente ajudaram a que, na segunda parte, o 4x0 até tenha sido pouco para todas as ocasiões que a equipa construiu. 

53 pontos em 22 jornadas, um saldo bastante positivo e acima das expetativas, sobretudo tendo em conta que, nas últimas 12 épocas, só por 3 vezes o FC Porto tinha mais pontos nesta fase: no segundo ano com Jesualdo Ferreira, na época com Villas-Boas e na segunda época com Vítor Pereira. Três épocas que acabaram em festa nos Aliados. Se há momento para acreditar é este, independentemente do que se passar na eliminatória com a Juventus.




Rúben Neves (+) - Tem que haver algo de extraordinário para Rúben Neves não ser titular no FC Porto. E há: chama-se Danilo Pereira, imprescindível pelo que acrescenta à equipa. Mas Rúben Neves tem a capacidade de dar ao meio-campo do FC Porto uma qualidade de circulação de bola, de amplitude de jogo e de cabecinha a construir (sem Óliver em campo, a sua importância neste aspeto foi ainda maior) incomuns.

Um exemplo. Nos últimos 4 jogos, Danilo Pereira fez 36 passes no meio-campo adversário. Rúben Neves, que joga na mesma posição, fez mais contra o Tondela. 

Rúben Neves vs. Tondela
São jogadores de caraterísticas muito diferentes, o que ajuda a explicar a diferença. Mas Rúben Neves tem essa capacidade: de empurrar a equipa para os últimos 45 metros. O facto do Tondela ter jogado com 10, e ter deixado de pressionar tanto, ajudou a essa subida, claramente, mas é uma capacidade intrínseca no futebol de Rúben Neves: obriga todas as linhas a subir, pela forma como circula a bola. Defensivamente, também não esteve longe do rendimento habitual de Danilo, com 19 ações defensivas, entre recuperações, desarmes e intercepções. O único problema de Rúben é este: só podem jogar 11 de cada vez. Mas pode ter o que nem todos tiveram: muitos anos de FC Porto pela frente.


André André (+) - O seu melhor jogo esta época. Esteve literalmente por todo o lado, impecável no passe (93%), recuperou várias vezes a posse no meio-campo adversário e manteve, em sintonia com Rúben Neves, a equipa equilibrada no meio-campo na transição defensiva. Uma exibição a fazer lembrar o seu grande momento de forma em outubro/novembro de 2015, tamanho que foi o pulmão que foi capaz de mostrar em campo.

André André vs. Tondela
A capacidade de criar (+) - Sim, jogar em superioridade numérica, contra uma das equipas com maiores fragilidades do campeonato, ajuda. Mas foi um dos jogos em que o FC Porto mais capacidade teve de levar a bola a zonas de finalização. Foram efetuados 18 passes que deixaram um colega em situação privilegiada para atirar à baliza e fazer jogo. Foi o recorde desta época, também com grande destaque para o número de entradas na grande área do Tondela (51). Dos 24 remates, 15 foram feitos dentro da grande área do Tondela, o que mostra a facilidade para criar situações de finalização. Além disso, foram efetuados 33 cruzamentos, ainda que desses só 8 tenham tido seguimento direto na grande área. Quando se cria oportunidades desta forma, ninguém terminará o jogo a lamentar a ineficácia: no meio de tantos lances, pelo menos um há-de entrar.

Outros destaques (+) - Mais dois golos para a dupla André Silva/Soares, a revelar um bom entendimento - Soares mais fixo no eixo central, André Silva sempre mais recuado e a cair muitas vezes nas faixas. O golo de Soares foi uma delícia de finalização, a colocar a bola onde quis. Já leva 4 jogos em 3 jogos, uma excelente média - os «dois pares de golos» que se pediam para ajudar o FC Porto na luta pelo título podem já estar feitos -, embora haja ainda muita coisa para melhorar quando é forçado a ir para o 1x1 (foi o único, a par de Rúben Neves, que não fez nenhum drible - não que tenha precisado para marcar) e na forma como tem que perceber as movimentações dos colegas (algo que o levou a ser o jogador com mais perdas de bola em campo). 

Há ainda a destacar que, dos 10 remates que André Silva e Soares fizeram, nove foram efetuados dentro da grande área. Ou seja, a bola está a chegar à grande área e aos pontas-de-lança. Quando assim é, tudo é mais fácil. Palavra ainda para um bom jogo de Corona.




A rever (-) - Os golos e a superioridade numérica na segunda parte ajudam a que isso se «esqueça», mas no primeiro tempo foi nítido, uma vez mais, o fosso que é criado entre o meio-campo e a linha avançada. Faltava muitas vezes alguém para ir receber a bola entre linhas e uma referência no eixo central. André André tinha limites para subir, pois só sobraria Rúben Neves no meio-campo, e Otávio aparecia poucas vezes em zonas interiores. Jogar com apenas dois médios obriga a uma disciplina e versatilidade na dinâmica da equipa que o FC Porto, com estas unidades, ainda não revelou da forma desejada. Isto provocou, algumas vezes, um desequilíbrio na zona central, algo que poderia ter sido muito perigoso - aos 30 minutos já tínhamos os centrais e o médio defensivo amarelados.

Quando se criam muitas oportunidades, a bola acaba por entrar. Mas a forma como foram desperdiçadas várias ocasiões, com André Silva, Soares e Otávio à cabeça, não é coisa para se repetir. Foram ocasiões que, falhadas noutro jogo qualquer, poderiam ter custado caro. Como por exemplo contra a Juventus.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Análise 2015-16: os médios

Dizem, e bem, que o meio-campo é o coração da equipa e que sem ele nada funciona. Nos últimos três anos, que coincidem com a ausência de títulos, tem sido difícil para o FC Porto manter o setor estável. Na pré-época de 2013-14, só transitaram Lucho, Fernando e Defour da temporada anterior. Em 2014-15, só Herrera e Quintero já estavam no plantel. E no arranque para 2015-16, só Rúben Neves, Herrera e Evandro repetiram a presença no plantel principal.

Manter um meio-campo estável é essencial. Basta reparar no último tricampeonato: Fernando e João Moutinho estiveram sempre lá. Lucho entrou em 2011-12, quando saiu Guarín, e Defour ia surgindo como alternativa recorrente. 

No tetracampeonato, entre 2005 e 2009, Lucho González e Raúl Meireles estiveram sempre no plantel. Quando Paulo Assunção saiu na 3ª época, Fernando estava pronto para assumir. Havia uma base sólida no meio-campo.

Nos últimos três anos isso não existiu. Herrera foi o único denominador comum no meio-campo nas últimas três épocas. Experimentámos três/quatro médios-defensivos (Fernando, Casemiro, Rúben Neves, Danilo). Quintero, Rúben Neves e Evandro foram, além de Herrera, os únicos a fazer mais do que uma pré-época, mas nenhum deles foi verdadeiramente um titular indiscutível. Houve jogadores que só tiveram gás para algum tempo (Josué, Carlos Eduardo ou André André), outros que estavam de passagem (Óliver), outros que nunca chegaram a engatar (Defour e Imbula), outros que, por diversas razões, pouco ou nada acrescentaram (Campaña ou Bueno). 

Daí que o ideal seria mexer o menos possível no meio-campo para a próxima época. Conseguir finalmente alguma estabilidade no setor. Mas olhando ao plantel e ao mercado, já é possível prever que será difícil. Uns vão sair, outros vão entrar. Para já, manter Danilo Pereira e Rúben Neves seria essencial, pois o resto é um grande ponto de interrogação. 

Contrato até 2019
Danilo Pereira - No dia da sua contratação, O Tribunal do Dragão considerou que Danilo era a melhor contratação da época. Não era difícil prevê-lo: bastava olhar para a autoridade como que agarrava o meio-campo do Marítimo pelo pescoço. Danilo tem tudo o que um médio defensivo deve ter: capacidade física, bom jogo aéreo (fez 6 golos na sua primeira época de FC Porto, tantos quanto Fernando em toda a sua carreira no clube), sabe sair a jogar (87% de eficácia), agressivo mas limpo no desarme (um cartão a cada 350 minutos), capacidade para ganhar metros no terreno enquanto mantém a retaguarda segura. É um médio-defensivo completo, com tudo o que é preciso ter. Além disso, não só é um excelente profissional como é um potencial líder de balneário, que pode e deve integrar a lista de capitães para 2016-17. A SAD comprou 80% do passe por 2,8M€ (de lamentar que 20% tenham ficado em Portimão, pois este valeria cada cêntimo) e Danilo pode ser um dos destaques do Euro 2016. Com a capacidade física e técnica que tem, pode jogar em qualquer campeonato. Que tudo seja feito para que seja na Liga NOS em 2016-17.

Contrato até 2019
Rúben Neves - Época difícil para o menino prodígio do meio-campo, sobretudo mediante a troca de treinadores. Começou com uma utilização algo intermitente no início da época. Danilo Pereira agarrou cedo o lugar mais recuado do meio-campo, enquanto em 2014-15 Rúben Neves foi dono da posição enquanto Casemiro fazia os adeptos arrancarem cabelos. Começou a coexistir com Danilo, jogando um pouco mais adiantado no meio-campo, mas com a troca de treinadores teve que readaptar o seu jogo. Com Lopetegui, num futebol de posse e circulação, Rúben Neves era peixe na água. Com Peseiro, pedia-se mais verticalidade aos médios, um estilo ao qual Rúben não estava habituado. Nunca é de mais esquecer que tem 19 anos e só agora terminou o seu percurso enquanto júnior. No último ano, ganhou dimensão física e começou a arriscar mais vezes o remate. Há ainda aspetos a evoluir, como o jogo aéreo e a marcação, mas continua a ser um talento muito acima da média, por onde passa o futuro do FC Porto. Logicamente, para manter, para bem do presente e do futuro.

Contrato até 2019
Sérgio Oliveira - Não era opção para Lopetegui, mas em março Peseiro deu-lhe a titularidade e Sérgio Oliveira manteve o lugar até ao final. Alguns bons jogos, outros em que passava ao lado do jogo, sem intensidade suficiente para o meio-campo. Destaca-se pela meia distância (dois bons golos), mas esconde-se demasiado do jogo quando não tem a bola nos pés, além de ter que melhorar muito na reação à perda. A sua continuidade ou não no plantel deve seguir o aval de Nuno Espírito Santo. Se for primeira escolha para 2016-17 será uma surpresa - esperemos que boa. 


Contrato até 2018
Evandro - Perto de completar 30 anos, é possível que Evandro tenha feito a última época no FC Porto. Deixa claramente a impressão de que foi subaproveitado esta época. Evandro é um médio completo, capaz de ser integrado em qualquer momento do jogo. Mas ora por decisão de Lopetegui ou Peseiro, ora por problemas físicos, ora porque havia outras prioridades e só podiam jogar 11, Evandro acabou por ter um papel demasiado secundário. A sua experiência poderia ser importante no plantel, mas sendo titular e tendo quase 30 anos é difícil ter planos de longo prazo para Evandro. 


Contrato até 2019
Héctor Herrera - Até dezembro esteve em má forma, mas a partir daí conseguiu finalmente acordar e foi, a par de Danilo Pereira, o melhor jogador da segunda volta do campeonato. Curiosamente, esteve melhor com José Peseiro do que Lopetegui. Com Lopetegui, Herrera era mais influente nas ações defensivas. Recuperava mais bolas, fazia mais desarmes. Com Peseiro, Herrera começou a jogar mais à frente e destacou-se no ataque: rematava mais, fintava mais, criava mais situações de golo. Isto mantendo sempre a eficácia de passe de 85% (infelizmente, muitos adeptos memorizam mais facilmente um passe errado de Herrera do que seis de outro jogador). Herrera continua a ter as virtudes e defeitos de sempre: não se cansa de correr, pressionar, transporta bem o jogo, dá sempre apoio aos corredores, aparece bem entre linhas e é um médio que tem golo (nove na última época). Por outro lado, é sabido que erra muitas vezes no momento de soltar a bola e no passe de primeira. Isto porque Herrera é um médio de transição, não de posse/circulação. Curiosamente, agora que chega um treinador que joga(va) mais em transição rápida (Nuno), é que Herrera está mais próximo da saída. É um dos mais valiosos do plantel, já fez 3 épocas e o FC Porto precisa de vender. Não surpreende que, mediante uma boa proposta, possa sair. No último verão, o FC Porto atribuiu uma procuração para o vender por 30M€. Provavelmente nenhum clube chegará a esse valor, mas Herrera é jogador para gerar uma mais-valia acima de 18M€. Caso a decidir antes da pré-época. 

Contrato até 2019
André André - O grande arranque de época, em que fez 2/3 meses de alta rotação, só levantava uma questão: conseguiria André André manter o excelente momento de forma durante a maior parte da época? Infelizmente, não. A quebra começou por problemas físicos e André André não conseguiu igualar o nível que exibiu na primeira metade da época. Será difícil ser um titular indiscutível, mas a sua valia e utilidade no plantel são claras. Justifica plenamente a continuidade, e oxalá estas semanas sirvam para recuperar em plenitude de todos os problemas físicos. É essencial apresentar-se bem no arranque da próxima época.


Contrato até 2020
Alberto Bueno - Considerado como médio, pois Bueno só teria espaço no FC Porto como 3º médio, não como avançado num 4x3x3. Os adeptos habituaram-se a vê-lo no boletim clínico. Dois meses para recuperar de uma «contusão num pé», semanas de tratamento... E na última vez em que jogou no campeonato, ainda levou, indiretamente, com um coro de assobios antes da sua entrada em campo. Lamentável. Jogador muito mal aproveitado na sua primeira época. Lopetegui geriu mal a sua situação logo nas primeiras semanas, quando havia claramente um défice de criatividade no meio-campo, mas ainda assim Lopetegui hesitava em colocá-lo atrás de Aboubakar. Depois, entre problemas físicos e falta de ritmo de jogo, acabou por nunca ser opção. Há uma decisão para tomar: ou fica para jogar, ou sai. Bueno é demasiado caro para ser suplente. Nuno terá que decidir prontamente se as suas caraterísticas encaixam ou não nos seus planos, caso contrário Bueno é um jogador que não deixará de ter algum mercado. 

Os jogadores que estiveram cedidos a outros clubes serão analisados no post destinado aos emprestados.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios 2015-16? Que médios justificam a titularidade para 2016-17?

domingo, 31 de janeiro de 2016

Controlo em alta rotação

Ao 15º jogo, o FC Porto voltou finalmente a ganhar em Lisboa e arredores. E conseguiu-o com uma reviravolta, coisa tão difícil de completar nos últimos tempos. Ainda com pouco tempo de preparação, José Peseiro já introduziu parte substancial daquilo que pretende para o FC Porto: uma equipa com menos posse de bola, que consiga chegar à baliza adversária com menos passes e que faça uso dos três corredores para o fazer.
Liberdade e influência

A estrutura está clara: um duplo pivô no meio-campo, André André com liberdade para pisar os flancos, extremos muito solicitados na zona central e laterais sempre projetados. O FC Porto tenta ser mais rápido nas transições, o que fez com que acabasse o jogo com menos posse de bola do que o Estoril (apenas 47%) e que até falhasse mais passes do que os adversários, mas a eficácia em momentos chave (contra-ataque, bola parada e recarga) premiou um justo triunfo.

A ditadura da posse de bola e circulação curta e lenta foi posta de parte, mas resta ver como é que o FC Porto se adaptará contra equipas mais fortes no contra-ataque, que aproveitem as dificuldades acrescidas que o FC Porto vai passar a ter no momento de transição defensiva. Por outro lado, a filosofia de José Peseiro assenta muito nisto: o problema não é sofrer dois golos, é não marcar três. E assim foi. O FC Porto sofreu, mas o caudal ofensivo garantiu a reviravolta. Boa vitória.







André André (+) - Ponto prévio: o plantel continua a carecer de um médio criativo. É bom lembrar isto, pois a exibição de ontem de André André pode dizer o contrário. Excelente jogo, a lembrar a boa forma do início de época. Teve liberdade para cair nos flancos (a maior parte das vezes na direita) e chegar a zonas de finalização, sem com isso deixar de baixar no terreno para reforçar o meio-campo - muito bem na disputa e na recuperação. Soube ser o motor da equipa ao longo de todo o jogo, lembrando que muitas vezes a melhor finta é um bom passe. 

Laterais, outra vez (+) - Layún já leva 15 assistências, 12 no campeonato. Arrancou decidido para o 1x1 e bateu o canto que permitiu a Danilo dar a volta ao resultado. Fez uma primeira parte de elevadíssimo nível, inclusive colmatando o apagão dos extremos no ataque. Maxi Pereira entendeu-se muito bem com André André sob a meia direita e soube controlar todas as investidas do Estoril pelo seu flanco, além de ter ganhado 17 disputas de bola (o recorde desta época). E viu o cartão que, à partida, lhe vai permitir defrontar o Benfica na Luz. Será essencial ter o melhor Maxi - este - nesse jogo.


Herrera (+) - Sempre a subir de rendimento ao longo do jogo, até chegar a uma segunda parte em que mostrou o seu melhor futebol. Por norma mais forte no transporte, Herrera foi excelente na circulação de bola, tendo arriscado mais em passes adiantados sem com isso os errar. Continua a ser muito forte na recuperação de bola e na pressão ao adversário, desta vez jogando com maior tranquilidade e confiança. Agora falta aquilo que muitas vezes lhe tem faltado: consistência e continuidade.

Outros destaques (+) - Quem já jogou futebol, sobretudo como ponta-de-lança, percebe o falhanço de Aboubakar. Foi um enorme falhanço, sem dúvida, mas a partir do momento em que a bola ressalta o golo mais simples de fazer pode tornar-se difícil de fazer. Tirando esse momento, voltou às boas exibições. Fez um golo, segurou melhor a bola e desta vez soube ir ao encontro dela quando o contrário não acontecia. Uma palavra para o belo jogo de Marcano na defesa e para Varela - dois minutos após ter entrado em campo, pois quando entrou pareceu estar a dormir, mas depois foi inteligente e útil na circulação e manutenção da bola no meio-campo do Estoril. Danilo falha no golo do Estoril, mas foi ao ataque redimir-se e ofereceu sempre simplicidade e capacidade física ao meio-campo.







Apagão dos extremos (-) - A ação de André André e dos laterais coincidiu com algo poucas vezes visto no FC Porto desde o início da época: o apagão de Corona e Brahimi em simultâneo. Curiosamente, os dois jogadores mais virtuosos da equipa foram aqueles que menos se destacaram. Não é que tenham jogado mal, mas os principais lances de perigo do FC Porto não passaram por eles. Numa visão optimista, só uma equipa com um coletivo e dinâmica fortes consegue fazer três golos e uma reviravolta sem intervenção direta dos seus criativos. Ou houve sorte e eficácia, ou vimos um coletivo que dispensou as individualidades.

Dia 1 de fevereiro fecha o mercado. Depois será feita a análise às entradas e saídas que se consumarão no último dia de inscrições. Segue-se o primeiro de três jogos para o ponto de honra chamado Taça de Portugal. Não há espaço para rotação, nem para experiências: há que tentar matar as esperanças do Gil Vicente já no primeiro jogo.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Chicotada psicológica

O termo «chicotada psicológica» é um dos mais bem conseguidos do léxico do futebol português. Porque trocar de treinador a meio da época é, sobretudo, retirar o ar pesado que se abate sobre uma equipa quando o treinador é contestado. Os jogadores são os mesmos, o trabalho desenvolvido até então é o mesmo, e muitas vezes o staff técnico também é o mesmo. Mas a disposição muda, pois o princípio básico quando se substitui um treinador é melhorar.

O FC Porto passou com tranquilidade e competência um teste que poderia tornar-se difícil. Exatamente o mesmo 11 do último jogo e uma primeira parte longe de ser brilhante, mas na segunda parte, sobretudo após o golo de Corona, a equipa soltou-se para uma agradável exibição.

Quarta-feira é dia de regresso ao Bessa, num jogo que certamente não será tão fácil como este último. É um ciclo em que seis dos próximos sete jogos são disputados fora do Dragão. Urge resolver a questão da equipa técnica o quanto antes, até porque não faz sentido reforçar e/ou arrumar a casa sem o aval do novo treinador.





Tração à frente (+) - Com ou sem cunho de Rui Barros, foi a grande mudança na estratégia do FC Porto em relação aos últimos jogos: o papel dos médios interiores no início de construção. Com Lopetegui, um dos médios baixava sempre para junto do trinco/pivô - e no último jogo viu-se o absurdo que era os três médios baixarem para o início de construção. Ontem, Herrera e André André nunca baixavam: Danilo Pereira ficava sozinho no início de construção, e os médios ficavam em zonas mais adiantadas para receber a bola. Isto pode ser um risco contra equipas que pressionam muito à frente, mas não num contexto de futebol português funciona bem. O FC Porto jogou mais a pensar na progressão e na baliza do que na linha de passe, o que fez a diferença.

O meio-campo (+) - Um regalo. Danilo fez um jogo quase perfeito, não só porque aguentou a retaguarda sozinho - deu velocidade à equipa no primeiro passe e, depois do 2x0, libertou-se para o ataque, tendo feito uma belíssima assistência e um belo golo de calcanhar. Herrera fez um jogo completo, de grande intensidade: apareceu na zona do ponta-de-lança (bom golo), esteve envolvido em todas as transições da equipa, impecável na variação de flancos, na pressão, na recuperação e a oferecer linhas de passe. André André esteve uns furos abaixo dos colegas de setor, mas não deixou de fazer um bom jogo, com a assistência para Herrera e no apoio aos flancos. Destaque ainda para a excelente entrada de Evandro na partida.


Outros destaques (+) - Além do envolvimento de Maxi Pereira e Layún (já leva 9 assistências) no ataque, é de destacar o papel de Brahimi e Corona nos flancos. O argelino é mais forte a puxar marcações; o mexicano é mais forte a furá-las. Brahimi foi o principal dínamo criativo da primeira parte, mas Corona roubou a cena pela forma como fez o 2x0 - pegar na bola, arrancar e rematar, com objetividade e velocidade. E claro, há que destacar Aboubakar. Começou por ser perdulário, como nos últimos jogos, mas apareceu no sítio certo para conseguir duas belas finalizações.

Nada a destacar negativamente, na medida em que se trata de um momento delicado para o clube, de transição - e ainda não se sabe para onde, ou para quem. Golear por 5-0 em casa do Boavista, coisa que não se via há 34 anos, é positivo sob quaisquer circunstâncias. Resta aguardar, continuar a apoiar os jogadores e dar máxima tranquilidade a Rui Barros para preparar o jogo de quarta-feira, no qual um dos objetivos da época estará em jogo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Parece fácil. Não é

4 jogos, 10 pontos. Aos 12 milhões de euros pela presença na fase de grupos, já se acrescentam 5M€ pela prestação da equipa. Falta um ponto para chegar aos oitavos-de-final, arrecadar mais 5,5M€ e fazer o market pool disparar para valores na ordem dos 4M€. Os objetivos ficarão assim cumpridos para a edição 2015-16 da Champions. Para já, importa bater o Dynamo Kiev. Vencer, pois o FC Porto não sabe jogar para o pontinho. Nem devia.

A um ponto dos 1/8
O FC Porto cumpriu a difícil obrigação. Três vitórias consecutivas na fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que era na dupla-jornada com o Maccabi e na receção ao Dynamo que tudo ficaria decidido. Não ficamos em euforia por ter 9 pontos, sentimo-nos com dever cumprido por ter 10. Há que ganhar ao Dynamo para sentenciar este objetivo da época. Se pudermos ir a Londres discutir o primeiro lugar já com a qualificação assegurada, melhor, até porque todos conhecemos o historial altamente negativo do FC Porto em Inglaterra.

A vitória contra o Maccabi não foi brilhante, mas foi boa, segura, tranquila. Ganhar um jogo fora de casa na Champions merece sempre nota positiva. É sempre difícil, seja em Barcelona ou Borisov, Haifa ou Munique. Que o diga por exemplo Jorge Jesus, que em toda a sua carreira só ganhou 3 jogos fora de casa na Champions, aos colossais Otelul, Anderlecht e Basel. Lopetegui já vai em 4, com uma ida aos 1/4 da Champions pelo meio e mais uma aos 1/8 à distância de um ponto. A carreira do treinador que diz que se for para o estrangeiro vai a uma final da Champions resume-se a uma única passagem de fase de grupos. É caso para dizer: se Lopetegui, sendo mau, já faz mais do que Jesus, que é bom, na Champions, então imaginem se Lopetegui fosse bom. Irony alert, convém apontar.



Danilo Pereira (+) - O jogo em que melhor se entendeu com Rúben Neves. Nem uma falta em todo o jogo, ocupou sempre bem o espaço, mesmo estando muitas vezes desapoiado no momento defensivo. Foi o médio com melhor eficácia de passe (91%), mas não se limitou a jogar simples, como foi exemplo dois excelentes passes a rasgar para Tello e Aboubakar. Exibição completa.

Layún já marca
Laterais (+) - Dos pés de Maxi Pereira e Layún já saíram sete passes para golos esta época. Por esta altura, há um ano, Danilo e Alex Sandro tinham fabricado apenas três golos. Ofensivamente a equipa não perdeu nada. Excelente assistência de Maxi Pereira para André André, antes de um belo golo de Layún, a fazer uso da parte positiva de ter um destro a jogar à esquerda. A grande diferença é que Layún tem rasgo para ser extremo e procurar a baliza - nunca veríamos Fucile, que tantas vezes jogou à esquerda, fazer um golo daqueles, por exemplo. Maxi Pereira não tem culpa do penalty, por ter sido um lance inventado pela equipa de arbitragem, logo defensivamente também estiveram ambos competentes.

André André (+) - O movimento e o cabeceamento no 2x0 é de goleador. Fez a abertura para Tello inaugurar o marcador. Apareceu bem entre linhas, deu espaço para Maxi subir no corredor, ajudou a dar apoio em zona interior, arrancou faltas, pressionou. Mais uma exibição completa de André André. Isto já não é apenas um excelente momento de forma. E ontem até recebemos a boa notícia de que, daqui a uns aninhos, a linhagem dos Andrés poderá ter mais um membro. O FC Porto agradece.

Cristian Tello (+) - Mesmo no seu pior momento de forma, Tello tem um dom: saber onde posicionar-se. Consegue sempre encontrar o espaço vazio onde sabe que pode criar perigo. Quando a bola entra no seu espaço, já se sabe que vai chegar a zona de perigo, mesmo que ele nem sempre tome a melhor decisão. Excelente na desmarcação e finalização do 1x0, muito bem na assistência para Layún. Combinou muito bem com o lateral e respondeu a tudo: à ausência de Brahimi, à presença de Corona no banco e à entrada de Varela. Assim o lugar é dele.



Joga quem rende (+) - Herrera (8M€), Imbula (20M€) e Corona (10,5M€). O FC Porto tinha jogadores mais caros no banco do que o 11 titular. E mesmo que estes três jogadores sejam nomes que o FC Porto tem que valorizar, Lopetegui não obedece a preços ou estatutos. Não estavam bem, deu oportunidades a outros. E quem entrou correspondeu da melhor forma. Assim se obriga o plantel a estar sempre a 100% e em máxima concentração competitiva. Além disso, é de destacar a importância de uma vitória numa equipa - nunca é de mais lembrar - renovada. Tello, contratado em 2014, era o jogador em campo com mais jogos pelo FC Porto, e está longe de ser um veterano.


Ausência de pressão (-/+) - Quando jogamos fora, na Liga dos Campeões, não podem esperar ópera rock (inserir estilo de música favorito). Vencer já é bom. Vencer de forma folgada, melhor ainda. E vencer com absoluta tranquilidade, como o FC Porto o fez, melhor ainda. Ainda assim, há muito a rever, sobretudo a forma como o FC Porto (não) pressionou o Maccabi. O FC Porto deixou uma equipa limitada tecnicamente ter 48% de posse de bola. Podemos assumir que se tratava de uma estratégia, uma vez que Lopetegui saberia que o Maccabi, sendo tecnicamente limitado, podia ter bola mas não criaria perigo. 

Em parte, é verdade. O Maccabi corria pelo corredor central, mas quando chegava à grande área o FC Porto quase sempre resolvia - apesar de Casillas ainda ter sido forçado a algum trabalho. O FC Porto nunca aplicou no seu jogo uma pressão constante, ainda que possa ter entendido que não precisava de o fazer. O FC Porto não teve menos posse de bola do que o habitual (52%) por ter feito transições mais rápidas, mas sim por não ter pressionado tanto o adversário e não ter recuperado tantas bolas.

Ainda assim, de destacar negativamente o distanciamento entre linhas do FC Porto, o que expõe a equipa a riscos que, contra o Dynamo ou Chelsea, terão consequências, e a ineficácia em alguns lances de finalização. Nada impediu a vitória tranquila em Haifa, mas fica a garantia de que contra o Dynamo ou o Chelsea esta estratégia/erros/displicência terá outras consequências. Tempo de pensar no Vit. Setúbal, cuja única derrota esta época foi em casa do Marítimo.


PS: Mariana Cabral apresenta-se assim no Expresso: «Quando disse em casa que queria ser jornalista, o pai, também ele jornalista, levou as mãos à cabeça e proibiu-a.» A avaliar pela sua crónica da vitória do FC Porto em Israel, o paizinho tinha muita razão. O ramo ficava a ganhar. Já agora, menina (visto não poder utilizar o termo jornalista), recordemos lá a matemática da última vez em que o Benfica saiu de Israel. 

Na verdade, a menina tem razão: equipa portuguesa + viagem a Israel = a 3. É matemática. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Não houve plano B(raga)

Depois de 20 vitórias consecutivas, podemos sempre contar com duas coisas: esta sequência de vitórias, mais tarde ou mais cedo, tinha que acabar; e quando acabasse a amargura iria ser muita. Assim o foi. Dez meses sempre a ganhar no Dragão foi um feito assinalável, quase ímpar, e não sabemos quando nos daremos ao luxo de voltar a ver o FC Porto (ou outra equipa) ganhar 20 jogos consecutivos em casa. Há que dar todo o mérito a Lopetegui e aos jogadores por este percurso, que será muito difícil de repetir.

Nessas 20 vitórias, o FC Porto não se limitou apenas a ganhar: fê-lo sendo sempre, sempre melhor do que o adversário. Ao 21º jogo não foi diferente: o FC Porto foi melhor do que o Braga. Mas não fez o suficiente. Não o fez. Aceitamos o deslize, até porque é extremamente raro haver um 0x0 no Dragão e o Braga é um dos três melhores adversários da liga, e como Lopetegui disse o FC Porto, a jogar como ontem, ganha 90% dos jogos. Mas o jogo de ontem fazia parte dos tais 10% em que é necessário fazer um pouco mais.





Layún (+) - À esquerda ou à direita, já nos habituámos à forma aguerrida como sobe no corredor, corta para dentro e procura sempre tabelas. Defensivamente está longe de ser o mais fiável, mas no Dragão os laterais têm sobretudo que jogar no meio-campo adversário. Layún fê-lo bem, cruzando sempre com perigo e procurando movimentos de ruptura. Tem apenas que melhorar a meia distância, pois arrisca muitas vezes o remate, mas quase sempre sem perigo.

André André (+) - Não é, nem nunca será, o médio a quem possamos delegar a responsabilidade de fazer o último passe ou de romper sozinho entre linhas. Lopetegui já o deverá saber, por mais que tenha que tentar conjugá-lo com Imbula no meio-campo. Mas foi sempre o elemento mais esclarecido do FC Porto, a transportar jogo, a pressionar, a arrastar marcações. Apareceu sempre muito bem nas zonas descaídas para o lado direito e esteve impecável no trabalho defensivo. Continua num excelente momento de forma. Nota positiva para Danilo Pereira e para a dupla Indi-Marcano, que na verdade nem teve assim muito que fazer, mas nos últimos 5 jogos o FC Porto só consentiu um golo - do Chelsea, livre de Willian. E, claro, para Aboubakar, que está constantemente a ter que fazer pela equipa o que a equipa não faz por ele.





Modelo sem alternativa (-) - É bom que Lopetegui tenha uma ideia clara de jogo, que faz sempre do FC Porto uma equipa autoritária, sempre mais atacante, que remata mais, tem mais bola e mais oportunidades para marcar. Esse mérito é permanente. Mas já todos perceberam que, num contexto de futebol português, às vezes temos que procurar atalhos e saber contar com um adversário que não quer jogar futebol, não quer atacar e que vai defender com 11 até ao final. O FC Porto não lidou com isso.

Não houve um único fora-de-jogo assinalado ao FC Porto em todo o jogo. Porquê? Porque o Braga jogou sempre, sempre com bloco baixo (grande exibição do nosso Ricardo Ferreira, portista de formação e coração, e de Boly, uma revelação que merece atenção). Isso anulou quase por completo Tello, que nunca teve espaço para atacar, e Brahimi, que levou sempre com marcação apertada. O FC Porto nunca subiu as suas linhas: continuou sempre à procura dos espaços. Lopetegui confiou demasiado de que o Braga iria eventualmente subir, mas isso não aconteceu. O FC Porto tinha que estar preparado para jogar sempre em 40 metros, sobretudo na segunda parte.

Além disso, o FC Porto nem sequer teve assim tantas oportunidades de golo. Foram 16 remates, tudo bem, mas tirando o remate de Tello, aos 40 minutos, Kritciuk nem teve que fazer nenhuma defesa de encher o olho. Não houve nenhum tiro que deixasse o bruaá na bancada, nem que Kritciuk não conseguisse segurar à primeira. Além disso, o FC Porto só fez 5 remates na grande área em todo o jogo. 11 foram de fora da grande área. Isso diz tudo das dificuldades da equipa em entrar na grande área. 

Sacrificar Aboubakar (-) - Aboubakar continua a trabalhar mais para o FC Porto do que o FC Porto para ele. Em 90 minutos, a equipa não lhe deu uma única boa bola para ele finalizar na grande área. Nada. O FC Porto usa e abusa das descidas de Aboubakar. Ele faz isso muito bem, mas depois não sobra ninguém na grande área. Aboubakar baixa, distribui e arranca para a grande área, mas quando lá chega já o Braga tem a defesa completamente composta. Foram 14 cruzamentos, mas não apareceu nenhum cabeceamento de verdadeiro perigo, nem sequer um desvio em lance de bola corrida. O FC Porto tem que dar mais jogo a Aboubakar em vez de pedir-lhe sempre o contrário. Sobretudo estando o Braga completamente recuado. Em vez de tentar aproximar um médio de Aboubakar, Lopetegui deveria ou fixar Aboubakar, ou então lançar Osvaldo e permitir, aí sim, que Aboubakar pudesse jogar mais recuado. Assim, vai faltar sempre presença na grande área por parte do FC Porto.

Muito pouco (-) - Cissokho foi inexistente em todo o jogo. Não atacou, não deu apoio a Brahimi, não cruzou. Lento, nervoso e sem nunca parecer integrado na equipa. Não tem muito ritmo, é certo (o FC Porto não contratou um lateral de 15M€ - contratou um lateral que não calçava no Aston Villa), mas não é a jogar assim que vai ter mais oportunidades. Imbula foi sempre lento, pouco esclarecido e sem justificar a titularidade. Se Lopetegui foi capaz de sentar Herrera, Imbula tem que perceber que não pode jogar só pelos termos em que foi contratado. Tem que se soltar, tem que ser mais rápido e esclarecido, mas a ideia de Lopetegui em aproximá-lo de Aboubakar correu muito mal. Tello, exceção a dois ou três lances, pouco conseguiu fazer. Corona continua a ser um corpo estranho e a pensar que tem sempre que tentar fintar 2 ou 3 quando recebe a bola.

Dois pontos perdidos, nada irrecuperável. Se fizermos a nossa parte, poderemos recuperar a liderança em breve. Entretanto, há que matar o apuramento para os 1/8 da Champions e cumprir a obrigação na Taça de Portugal. Jogaremos sempre para ganhar, mas não vamos ganhar sempre se jogarmos sempre da mesma forma. À atenção de Lopetegui e do plantel.



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

André André André

Trabalha, assiste e marca
Queríamos a 17ª, aí a temos. Com sofrimento e mérito, coisas sem as quais não se ganham clássicos. Ganhou quem mais fez por isso. Ganhou a única equipa a fazer por isso. 

Começamos com 13 pontos em 5 jornadas. Nos últimos 17 anos, melhor só com Villas-Boas, em 2010, e Jesualdo Ferreira, em 2007. As primeiras duas provas de grande exigência em 2015-16 foram superadas e revelaram um FC Porto de luta, de garra, que nunca desiste e luta pela vitória até ao fim - tanto em Kiev como no clássico foi já nos últimos 10 minutos que o FC Porto se adiantou no marcador, embora o Dynamo ainda tenha chegado ao empate.

O Benfica de Rui Vitória, sem qualquer surpresa, apresentou-se no Dragão para jogar como equipa pequena. 35% de posse de bola, lances de perigo só nas bolas paradas e à espera que Gaitán sacasse alguma da cartola. Já vimos o FC Porto de Lopetegui entrar com maiores ou menores cautelas em campos adversários, mas nunca o vimos deixar de tentar assumir o jogo, ter mais bola, impôr controlo e domínio.

Foi isso que aconteceu neste clássico. O FC Porto sofreu dois sustos em dois cantos... e nada mais. De resto só deu FC Porto. O Benfica defendeu bem, muito bem diria. Não nos causou tantas dificuldades como por exemplo o Estoril (43% de posse de bola no Dragão e 11 remates, quase o dobro dos que o Benfica fez ontem), e estatistificante foi tão bom como o Vit. Guimarães na primeira jornada (35% de posse e 6 remates), mas foi uma vitória difícil de alcançar. Mas de plena justiça.

São apenas mais três pontos. O FC Porto corre contra si próprio na luta pelo título, pois estamos na liderança. Só perderemos o primeiro lugar se escorregarmos. Logo, seja contra o Sporting ou o Benfica, contra o Moreirense ou o Arouca, os pontos valem o mesmo, pois à primeira escorregadela, seja contra quem for, podemos perder o primeiro lugar. É nosso, há que defendê-lo.





André x3 - O orgulho do pai, que em 40 jogos contra o Benfica curiosamente nunca tinha feito um golo. André André teve o sangue frio de, aos 86 minutos, já com 10 quilómetros nas pernas, saber ter a calma para resolver um clássico de extrema importância. Antes disso já era o MVP. Incansável, mesmo jogando a partir da ala direita foi o mais perigoso do FC Porto, com o cruzamento e o passe a rasgar para Aboubakar. Guarda a bola como poucos, arranca várias faltas, pressiona e ocupa os espaços de forma sempre pertinente e desta vez até se destacou um pouco mais no transporte. O mais difícil está feito, que era encontrar espaço no FC Porto entre uma dupla de médios de quase 30M€, havendo ainda Herrera e Evandro de fora e até Sérgio Oliveira e Bueno na bancada (ou seja, quatro médios que não calçaram e até davam um belíssimo meio-campo titular). Lopetegui, que nunca olha ao estatuto do jogador, deu-lhe a oportunidade e agora André André é titularíssimo no FC Porto. Com mérito de quem trabalha com sangue de dragão e faz com que o seu espírito eleve as suas qualidades.

Perceber o erro (-/+) - Foi absolutamente decisiva a entrada de Silvestre Varela. Embora Lopetegui tenha demorado bastante tempo a reagir, a estratégia de deixar Corona a deambular entre a zona central e o flanco direito para criar desequilíbrios falhou redondamente. Notou-se a falta de entrosamento não só de Corona com a equipa mas na própria estratégia. Além disso, a entrada de Varela desviou André André de vez para a zona central. O Benfica passou a jogar em 40 metros, sempre recuado e sem sair para o ataque. 

A estratégia adequada
Cojones e cérebro (+) - Muitos adeptos são apaixonados, amam o FC Porto, mas como é natural não percebem de futebol. Ontem ouviu-se uns quantos ao minuto 82, quando Aboubakar dá lugar a Osvaldo. Meus caros: o FC Porto tinha o Benfica completamente entalado no meio-campo, estava a conseguir fazer circular a bola e a dominar por completo o jogo, mas Rui Vitória tinha acabado de reforçar o meio-campo e estava em superioridade numérica no setor. Que queriam? Que o FC Porto ficasse com dois médios, Danilo e Imbula/André André (nenhum deles um criativo para zonas mais adiantadas), a segurar o meio-campo contra quatro do Benfica!? Só pode ser gozo.  Queriam que o FC Porto passasse a jogar com chutão para a frente, à espera que Osvaldo ou Aboubakar apanhassem uma bola na grande área (sendo que o Benfica esteve melhor no jogo aéreo)!? O FC Porto manteve a sua estrutura, a sua identidade e foi por isso que ganhou o jogo. Osvaldo, fora da zona do ponta-de-lança, abriu espaço no corredor central para Brahimi entrar e Varela ocupar a zona 9. A partir daí, André André (que se calhar até podia sair se quisessem ficar a jogar com 2 pontas-de-lança...) aparece em zona de finalização e resolve. Lopetegui teve a coragem de não cair na tentação de ir para o chuveirinho. E com isso ganhou o jogo. Já Rui Vitória, por exemplo, acabou o jogo contra o Arouca com Gaitán, Pizzi, Jonas, Victor Andrade, Carcela, Mitroglou e Raúl Jiménez na frente. «Ah, assim mostra que fez tudo para ganhar o jogo, ao meter a carne toda no assador». Ai mostra? Tem piada, perdeu. E Lopetegui ganhou.

13ª jornada sem sofrer golos
Outros destaques (+) - A linha defensiva esteve sempre bem, pois os problemas que o Benfica causou foram através da estratégia defensiva de toda a equipa do FC Porto, não em lances de bola corrida. Iker Casillas defendeu o pouco que houve para defender, mas que podia ter custado dois golos (foi exatamente assim que o Benfica ganhou em 2014 no Dragão). Rúben Neves teve algumas dificuldades em lidar com a capacidade física do Benfica no meio-campo, mas nunca perdeu a serenidade, embora tenha sido bem menos influente no passe do que é habitual e tenha falhado na marcação. Brahimi, mesmo sem um grande jogo, teve o mérito de insistir, insistir e insistir: foi o jogador que mais faltas arrancou (6) e que mais ataques fez (14, contra 6 de Gaitán, o mais perigoso do Benfica). E Aboubakar, embora tenha falhado duas grandes ocasiões, voltou a fazer o trabalho de um médio enquanto não lhe davam bola. Merecia o momento que André André teve, mas celebrou-o com igual reconhecimento.





Bolas paradas (-) - Precisamente no último clássico com o Benfica, fez-se aqui uma crítica à abordagem defensiva do FC Porto de Lopetegui: marcação H-H em vez de marcação à zona. Resultado, Rúben Neves ficou a marcar Mitroglou, o jogador mais perigoso do Benfica no jogo aéreo. Em dois cantos, Mitroglou quase fez dois golos. É certo que em 2015 só sofremos três golos no Dragão, mas não é a primeira vez, sobretudo nos grandes jogos, que se mostra a fragilidade do FC Porto nas bolas paradas defensivas, sobretudo por culpa da marcação.

Distanciamento (-) - Na primeira parte o FC Porto quase não existiu ofensivamente. Júlio César nem tocou na bola na primeira parte. O Benfica defendeu muito bem, mérito nisso. As subidas de Layún e Maxi foram sempre bem controladas, logo deixou de haver sentido nos movimentos interiores de Brahimi e Corona (completamente ao lado do jogo). Por outro lado, o FC Porto passou largos minutos sem ideias no corredor central. Havia demasiado distanciamento entre linhas. Imbula recebia a bola e já tinha 2 ou 3 adversários em cima dele. E mantém-se a incógnita em relação a Imbula: é ele que julga que cada vez que recebe a bola tem que tentar arrancar ou são mesmo instruções de Lopetegui? Imbula deveria jogar mais vezes a toque curto e desistir de tentar sempre transportar a bola, sobretudo quando o adversário ainda está fresco. Como no meio-campo do FC Porto havia um défice de criatividade e Corona estava à margem, houve excessiva dependência de Brahimi. E dos pés do argelino não saiu um cruzamento ou um remate com perigo, embora tenha depois conduzido a jogada do 1x0. É certo que nos clássicos não se tem 10 ocasiões de golo, mas 45 minutos sem criar perigo é muito tempo para o FC Porto, seja contra quem for.



PS: André Silva poderia ter estado ontem aos pulos a celebrar o golo de André André. Não esteve porque quase lhe arrancavam o pé com uma entrada assassina, daquelas que podem pôr em risco a carreira de um jogador. Que o FC Porto se faça valer de todas as vias possíveis para garantir que este lance, e outros, não possam nunca gozar de impunidade. As melhoras, André! Volta rápido, pois quantos mais Andrés tivermos, melhor.