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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Análise 2014-15: os guarda-redes

Quem gosta de basquetebol conhece esta frase: «Os ataques ganham jogos, as defesas campeonatos». Infelizmente, no futebol isto não é regra, caso contrário o FC Porto teria tido uma época muito melhor.

O menos batido da Europa
Depois de no espaço de 6 meses termos perdidos 4 esteios defensivos (Helton, por lesão, e Otamendi, Mangala e Fernando), o FC Porto conseguiu, em 2014-15, acabar a época com a melhor defesa das 25 principais ligas europeias. Tudo isto quando houve muita crítica a Fabiano ao longo da época e aos defesas-centrais. Quando ser a defesa menos batida da Europa não chega, o que chegará?

Claro que não se pode reduzir tudo aos números. Os guarda-redes do FC Porto raramente ganham jogos, pois por norma temos boas defesas e os adversários poucas vezes conseguem criar perigo. E este ano tivemos algo que ajudou a essa estatística, que foram grandes melhorias na reação à perda da bola. Por isso, um guarda-redes do FC Porto pode fazer 50 defesas, mas basta um erro para ficar marcado

Um dos primeiros pedidos de Lopetegui quando chegou foi um guarda-redes. E tinha nome: Navas, ainda antes do Mundial 2014. O FC Porto não agiu a tempo e perdeu-se o guarda-redes. A época teria sido melhor? Impossível saber. Facto é que mesmo com um guarda-redes contestado em parte da época, conseguimos ter a melhor defesa europeia. Agora, volta a haver um pedido de um novo guarda-redes. O nome já é conhecido, Perin, do Génova (e diria que será mais difícil ir buscá-lo ao Génova do que teria sido ir buscar Navas ao Levante). Mas a maior surpresa é a revelada por Pinto da Costa quanto à possível continuidade de Helton. 

Se renovar, mais gente terá que sair. Em Novembro foi alertado: o FC Porto tem que parar de contratar guarda-redes só porque sim, porque isto já é uma prática habitual e que se adivinhava novamente para 2015-16. Não podemos ter 4 guarda-redes com idade sénior no plantel. O ideal seria 2 seniores + o guardião titular da equipa B. Perin, a prioridade, não é uma contratação de ocasião mas sim de grande aposta de médio prazo. Não há memória de o FC Porto ter investido a sério num guarda-redes jovem já internacional por uma grande seleção europeia. Que tem grande potencial, tem. O valor investido e o leque de guarda-redes para 2015-16 definirão se se tratará, ou não, de uma boa contratação, isto se houver condições para a fechar.

Passemos à análise dos guarda-redes de 2014-15, a exemplo do que será feito nos outros setores.


Helton - É preciso uma enorme determinação para, aos 36 anos, conseguir superar uma lesão que a muitos outros jogadores ditaria o fim de carreira. É o mais carismático jogador do plantel, que entende a mística do clube, que ganhou 7 campeonatos e viu o que foi preciso para o FC Porto não ganhar os únicos 3 que falhou. Está bem fisicamente e tem condições para jogar mais um ano. Não sei se vai ficar, mas só faria sentido se fosse para continuar como número 1. Porque por mais peso que Helton possa ter no balneário, sendo ele um dos mais bem pagos do clube tem que render em campo, não fora dele. O problema esta época, muitas vezes, foi não haver voz de comando dentro de campo, não no balneário. Se Lopetegui quiser e entender que Helton será uma mais-valia, que siga a renovação. Caso contrário, preparem a estátua para o museu, porque Helton bem a merece.


Fabiano - Regressemos ao início: foi o guarda-redes menos batido da Europa. Ficou marcado pelos 6 golos em Munique, mas não tem culpa que a sua defesa, no espaço de poucos minutos, seja três vezes batida no jogo aéreo e sofra três golos. Tentou aproximar-se do que Lopetegui pretendia, o tal guarda-redes que oferece sempre linha de apoio na construção e joga com os pés. Evoluiu, mas passou de titular à bancada (ironicamente, na pré-época passou de possível dispensado a titular). Tem contrato até 2019. Se for para passar a época na bancada, que a SAD procure uma solução para ele no mercado.

Andrés Fernández - A mais estranha aposta de Lopetegui. Foi pé frio, pois em 4 jogos o FC Porto só venceu um. Mas em nenhum teve culpas. A verdade é que pouco ou nada pudemos ver de Andrés. Fazendo fé no R&C da SAD, custou não mais que 1,2M€, mas é estranho que tenha sido contratado para ser prioridade em relação a Fabiano, mas na verdade poucos meses depois Fabiano renovou contrato. Não pode ficar no FC Porto em 2015-16 se não for para jogar. Emprestá-lo a uma equipa de primeira liga, preferência estrangeira, que lhe garantisse a titularidade e cobrisse os salários seria o ideal, ou então recuperar o investimento. Lopetegui conhecia-o bem antes de o contratar. Não justificou a aposta do treinador ou houve erro de avaliação?

Ricardo Nunes - É ingrato dizer isto a um adepto do FC Porto que nem uma oportunidade teve, mas foi uma contratação que se sabia desde o primeiro dia desnecessária. Nem sequer serviu para facilitar as inscrições na Champions. Em termos de plantel principal, em 2014-15 só serviu para desfilar o equipamento. Um contrato de 4 anos para um guarda-redes trintão que se sabia que não seria titular? Que o FC Porto o deixe sair no fim da época, porque aqui não vai jogar e merece mais para a sua carreira do que fazer número. Ter um guarda-redes trintão só para jogar na equipa B e na Internacional Cup não cabe na cabeça de ninguém.

Os bês - Kadú pouco ou nada evoluiu nos últimos 2 anos e é tempo de sair do FC Porto por empréstimo, onde possa jogar com regularidade, de preferência tentando colocá-lo num clube com um bom treinador de guarda-redes, que bem precisa. Caio, nos seus 2 primeiros anos de sénior, fez 2 jogos pela equipa B. Se não puder jogar mais em 2015-16 (Filipe Ferreira e Andorinha já vão ter idade de sénior), é tempo de o deixar sair. E claro, o nome de que todos falam: Raúl Gudiño. Nada justificaria a não exerção da cláusula de compra. É um jogador de enorme potencial, que vai ter o primeiro ano de sénior, e faz todo o sentido que seja o titular da equipa B. 

Pergunta(s): faz sentido contratar mais um guarda-redes para a equipa principal? Perin é a solução ideal? Quem deve sair? Quem devem as opções na equipa A e B?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As redes que não precisam de mais peixe

Desde 2005-06, quase se pode afirmar que o FC Porto só teve 2 guarda-redes titulares: Helton e Fabiano. Helton foi o sucessor de Baía e só deixou a baliza por culpa da sua grave lesão. Tirando Helton e o agora titular Fabiano, só jogava quem entrava no esquema de rotação nas taças.
O digno sucessor de Helton

Mesmo só havendo 2 guarda-redes titulares nos últimos 8 anos, a verdade é que o FC Porto contratou desde então 10 guarda-redes. Além dessas 10 contratações que incluem o agora titular Fabiano, o FC Porto teve Paulo Ribeiro, Hugo Ventura, Tiago Maia e Kadu a rodarem como 3º guarda-redes do plantel.

Não se pode ignorar que a baliza é uma posição que requer rotação no mercado. Ninguém se conforma eternamente com o estatuto de número 2. Se não jogam, procuram sair e rodar noutro lado. O melhor exemplo disso é Beto. Estava tapado por Helton, foi para Braga, depois para Sevilha e hoje é titular num dos melhores campeonatos do mundo e não deve nada além de alguns centímetros ao titular da Selecção.

É também uma posição onde os jogadores atingem a maturidade mais tarde e onde podem levar anos e anos até evoluírem para um patamar que justifique o FC Porto. Mas nada disto que se acaba de referir justifica uma coisa: ter mais recursos do que aqueles de que se necessita e se pode usar.

Este foi o quadro de contratações de guarda-redes dos últimos anos:

2007-08 - Nuno Espírito Santo
2008-09 - Nenhum
2009-10 - Beto
2010-11 - Pawel K.
2011-12 - Bracalli
2012-13 - Fabiano, Stefanovic 
2013-14 - Bolat e Matos
2014-15 - Andrés e Ricardo

Só em 2008-09 o FC Porto não contratou nenhum novo guarda-redes. De resto tem sempre sido contratado um ou mais guarda-redes por época, muitas vezes por intermediários repetentes. Dos últimos 10 contratados, só Fabiano foi titular e só Beto mostrou capacidade para ser o número 1 (quanto a Andrés ainda é cedo para tirar conclusões). Mas passamos a avaliar a pertinência de cada contratação.

Nuno, eterno suplente
Nuno Espírito Santo - Na primeira passagem foi a sombra de Baía, na segunda a de Helton. Teve uma segunda vida no FC Porto pela mão de Jorge Mendes, ou não tivesse sido ele o primeiro jogador a ser representado pelo empresário (conheceram-se numa discoteca em Caminha, com 30 anos, ainda Jorge Mendes não tinha mais do que um pequeno clube de vídeo e um acordo publicitário no Lanheses). Um dos guarda-redes mais caros da história do clube, que mesmo sem ter sido titular e comprometendo muitas vezes (o melhor momento foi o jogo do hat-trick de Jankausas em Braga) conseguiu tornar-se acarinhado pelos adeptos.

Beto - Um bom suplente de Helton, que como mostrou mais tarde podia perfeitamente ser o número 1. Guarda-redes de Teixeira da Silva, saiu do Leixões abaixo da cláusula de rescisão (750 mil€) e depois saiu para o Braga a custo zero. O FC Porto ficou com 50% do passe e depois recebeu cerca de 500 mil€ (não confirmados) pela transferência para o Sevilha.

Pawel Kieszek - Guarda-redes de Gaspar Freire, não fez um único jogo no Braga no campeonato antes de vir para o FC Porto (onde ia ser o suplente de Helton e de Beto). Contratação que não obedeceu a qualquer lógica desportiva. Enterrou na Taça da Liga, fez dois jogos na Taça, 10 minutos no campeonato e foi emprestado ao Roda. Depois saiu. Assinou um contrato de quatro anos, num péssimo negócio que nada justificava.

Bracalli - Guarda-redes de António Araújo, falou-se num contrato de 3 anos, não confirmado. A sua contratação empurrou Beto para o Cluj no último dia do mercado. Mostrou alguma qualidade no Nacional, era um guarda-redes experiente. Fez alguns jogos nas taças e um ano depois foi encostado, dando lugar a outro guarda-redes. Rezam as crónicas que tinha uma relação difícil com Will Coort e também saiu pela porta pequena.

Fabiano - Único guarda-redes contratado desde Helton que conseguiu ser titular. Guarda-redes de Gaspar Freire, terá custado 1,2M€, valor não confirmado. Teve que esperar pela lesão de Helton. Uma infelicidade na base de outra felicidade. 

Nome sem história
Stefanovic - Guarda-redes de António Araújo, uma contratação surreal. Chegou no Verão que fez 24 anos e nas equipas B só há espaço para 3 jogadores maiores de 23. Queimou-se assim uma vaga na equipa, algo absolutamente desnecessário, violando-se logo a lógica da equipa B ser para lançar os jovens jogadores - neste caso foi-se ao mercado, não se sabe por que valores, contratar um jogar de idade superior aos regulamentos. Nem o Arouca o quis e nem no Chaves joga. Contrato de 3 anos.

Bolat - Pouco a acrescentar ao que já tinha sido analisado aqui. Teve direito a um contrato de 5 épocas. Na primeira época mal jogou enquanto cá esteve. Na segunda foi emprestado para ser suplente de Muslera ao Galatasaray. Ou seja, o FC Porto preocupou-se em arranjar um clube que lhe pagasse o salário em vez de encontrar um clube onde pudesse jogar regularmente. Lógica desportiva nem vê-la na estrada de ligação a Liége, que recentemente trouxe os irmãos Djim e um interessante extremo (ou lateral?) que tinha acabado o contrato com o Standard, mas que afinal custou 2,615M€. O sucesso com Mangala não pude justificar tudo.

Matos - É caso para dizer, Stefanovic, estás perdoado. Um guarda-redes de 34 anos que não jogava no Leixões foi contratado para ser suplente da equipa B. Como é claro não houve interesse desportivo nesta contratação. Mas há quem diga: é importante para o Kadu e para os mais jovens terem um jogador mais experiente a treinar com eles. Essa desculpa quase que faz sentido, mas acontece que existe uma coisa chamada treinador de guarda-redes que dedica 100% do seu tempo e atenção aos guarda-redes.

Não há espaço para Ricardo
Ricardo - Podia ter sido importante nas inscrições para a Champions, mas afinal foi irrelevante, porque o FC Porto inscreveu os 2 GR estrangeiros. Disse-o no dia em que foi contratado: é um razoável guarda-redes, mas que tinha muito boa imprensa na Académica, pois há sempre simpatia para portugueses que jogam em clubes de menor dimensão e pegar nestes casos de jogadores portugueses dava sempre jeito para embirrar com o Paulo Bento. Contrato de 4 anos, sem qualquer pespectiva de futuro no FC Porto. Em princípio vai ser emprestado à Académica em Janeiro. Tem 32 anos e está em fileira para se juntar ao clube dos que chegam, vêem e vão-se embora sem jogar. Tendo em conta que Lopetegui já estava contratado e já se sabia que queria um novo guarda-redes (Navas opção 1, Andrés opção 2), a contratação de Ricardo queimou tempo, dinheiro e o próprio jogador, que até agora a única coisa que pôde fazer foi desfilar com o equipamento. Merecia mais, até porque (não) está a jogar no clube do coração.

Andrés Fernandez - Cedo para fazer juízos de valor, embora tenha dito na pré-época: a contratar um guarda-redes, que fosse para ser titular. Fabiano surpreendeu Lopetegui e para já é o número 1, tendo já renovado contrato. Vai ser difícil para Andrés ganhar o lugar mas há uma contratação para justificar.

Este foi o balanço dos últimos 10 guarda-redes contratados. Neste momento o FC Porto tem 11 guarda-redes no clube com contrato profissional, 2 deles emprestados. Tudo isto para dizer desde já: não é necessário contratar nenhum guarda-redes em 2015-16. E quando digo que não é necessário, não significa que não possa haver uma saída e que seja necessário colmatar uma vaga. Mas se ninguém sair, que não se contrate A para empurrar B. Estamos bem servidos de guarda-redes.

O futuro passa por aqui
Helton à partida vai reformar-se no fim do ano. Ficam Fabiano e Andrés a lutar pela titularidade, duas excelentes opções. Ricardo, temo, vai rodar, rodar e rodar. Não faz sentido continuar cá para ser 3º guarda-redes. Stefanovic vai sair no fim da época e sobra o caso de Bolat para resolver. Na equipa A. não é preciso mais nenhum guarda-redes.

E na B? Kadu tem tido sucessivas oportunidades, mas apesar de ser um miúdo trabalhador e portista continua sem mostrar capacidade para a equipa A (uma opinião que não é consensual). Caio já merecia ter tido uma oportunidade. De qualquer forma, defendo que seria interessante tirar Kadu da zona de conforto e tentar emprestá-lo na próxima época, ainda que não imagine que algum clube lhe dê a titularidade na primeira liga. 

Além de Kadu e Caio, há Raul Gudino, que ainda é sub-19. Mexicano, está emprestado e há cláusula de compra. Já mostrou algumas qualidades e o Chivas diz que o FC Porto vai comprá-lo no fim da época. Por quanto? Não se sabe. Mas que a sua contratação obedeça a uma lógica desportiva e não à contratação da praxe para a baliza. Se não for para ser um dos 2 GR da equipa B, não vale a pena contratá-lo.

Mas para 2015-16 o FC Porto já tem 2 guarda-redes com grande potencial para a equipa B: Andorinha e Filipe Ferreira. Andorinha é o guarda-redes mais promissor do FC Porto. Junior de segundo ano, nada justifica que não seja um dos 2 GR da equipa B da próxima época. Depois há Filipe Ferreira, que esta época está tapado por Gudino e Andorinha, caso contrário podia estar a mostrar o seu potencial.

Tirando Helton e Stefanovic, que vão terminar contratado, e Gudino, que está emprestado, para 2015-16 há Ricardo, Fabiano, Andres, Bolat, Kadu, Andorinha, Caio e Filipe Ferreira para dividir entre equipa A e B. O ideal seria ter 2 GR na equipa A e 3 na B, sendo que o 3º guarda-redes da equipa A seria o 1º da B. Há pelo menos 8 guarda-redes garantidos para a próxima época, por isso nada justifica contratar mais. Nada. Estamos bem servidos. 





- Com a confirmação das renovações de Ivo e André Silva, não resta nenhuma promessa em fim de contrato. Notícia a registar com agrado, resta encontrar espaço competitivo para eles. Na equipa A a curto prazo será difícil (defendo que na Taça da Liga devemos usar os jovens), por isso resta tentar desenvolvê-los tanto quanto possível na equipa B e depois pensar num empréstimo ou numa subida à equipa A. Tudo isto para dizer que a lógica dos guarda-redes se deve aplicar às outras posições na equipa A e B: é tempo de espremermos os recursos que temos, não de pensar já em ir buscar mais. A situação financeira da SAD não recomenda mais do que ataques cirúrgicos ao mercado, pelo contrário, recomenda e bem que se aproveite todos os recursos que já temos à disposição. E Ivo e André Silva são 2 dos mais promissores desses recursos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Trio de capitães definido, trio de guarda-redes por resolver (já com Andrés Fernández)

Maicon, Quaresma e Jackson Martínez serão os capitães do FC Porto para a época 2014-15. Os dois primeiros fazem valer o seu estatuto de mobília da casa (o primeiro mais como líder natural, o segundo mais como vedeta da equipa), enquanto o terceiro é uma surpresa que demonstra os grandes planos que Lopetegui tem para Jackson como referência da equipa.
Jackson passa a capitão

A braçadeira não terá sido atribuída com base em votação (prática que de resto não é habitual no FC Porto), mas sim por indicação do treinador, o que atesta uma vez mais a voz de comando no balneário.

Maicon foi totalista contra Genk e Saint-Étienne, e mesmo com Indi sem ainda ter jogado e Marcano sem ter chegado somou pontos na pré-época. A sua continuidade no plantel não era dado adquirido, mas para já começa como líder da defesa.

Quaresma, contrariamente a muitas expectativas, tem merecido a confiança de Lopetegui na pré-época dentro e fora dos relvados. A concorrência nas alas vai ser forte, mas neste momento Quaresma é titular no 11 base e serão os reforços quem terão que o sentar, não o contrário. RQ7 não é o protótipo de capitão à Porto, mas as juras de amor ao clube e o estatuto pesaram.

E agora Jackson Martínez, considerado por Vítor Pereira e Paulo Fonseca o jogador mais profissional do plantel e eleito por Pinto da Costa o Homem do Ano. Os mais importantes membros num clube (presidente e treinador) consideram Jackson um profissional exemplar, mas meia dúzia de iluminados, que devem saber mais do que treinador e presidente e que devem conhecer profundamente toda a novela em torno de transferência/renovação/troca de empresários, ainda falam em «mercenário». Não vamos repetir a defesa ao jogador, mas pode lê-la aqui.

Então e Helton? E eis Andrés Fernández

Não, Helton não foi excluído do lote de capitães. Mas não só continua a recuperar de uma grave lesão (não só como futebolista mas enquanto cidadão comum) como pode estar de saída do plantel, uma vez que é dado como praticamente impossível que o jogador, aos 36 anos, recupere a tempo de resgatar o seu lugar no FC Porto - factor que levou ao tal desabafo que deu que falar, de alguém que merecia mostrar-se a Lopetegui.

Fim de carreira
em perspectiva
Helton dificilmente será inscrito para 2014-15, numa altura em que o FC Porto tem 3 guarda-redes para a equipa A: Ricardo, Fabiano e o reforço confirmado Andrés Fernández. Para a equipa B há Kadú e Caio, este último a permanecer no clube contra algumas expectativas. Para os sub-19, dois dos mais promissores portugueses na baliza, Andorinha e Filipe Ferreira (pode chegar um terceiro aos juniores, uma grande surpresa e que podia dar a Andorinha ou até a FF já espaço competitivo na B, mas é uma possibilidade que não é líquida). Bolat foi emprestado e Stefanovic aguarda colocação.

Ricardo, já se sabe, será útil devido às inscrições na UEFA, mas foi um guarda-redes contratado sem intervenção de Lopetegui e nem sequer foi utilizado nos dois últimos jogos de preparação. Português, portista, experiente, com alguma qualidade (por ser guarda-redes da Académica teve, durante grande parte da época, boa imprensa, sobretudo porque tem sempre que haver implicações com as convocatórias da FPF)... mas aparentemente ainda sem convencer o treinador. O empréstimo a um clube português é condicionado pelo sentido de voto na LPFP (bem como qualquer outro negócio).

De Fabiano recuperamos o que foi dito após o jogo de apresentação: «Se o FC Porto não perdeu foi graças a ele, com meia dúzia de defesas decisivas. Merece o destaque, embora só tenha sido solicitado no seu ponto forte: defender remates entre os postes. O problema, segundo a leitura de Lopetegui, é as saídas aos cruzamentos (não há memória de o ter necessitado de fazer durante o jogo) e a participação no início de construção (quando pressionado, raramente consegue jogar simples nos centrais e acaba sempre por recorrer ao balão, além de ter dificuldades a lateralizar)». Além disso, há o facto de ser um guarda-redes que não encurta o espaço entre a linha defensiva e a grande área. A exibição contra o Saint-Étienne foi vistosa mas não um teste àquelas que Lopetegui considera ser as suas limitações. Alguma imprensa falou do interesse do Valência, algo que se desconhece como sendo verdade. Ter Fabiano como 3º guarda-redes ou deixar sair Ricardo para ficar com 2 estrangeiros é igualmente complicado na perspetiva de inscrições na UEFA...

Contrato de 4 anos,
cláusula de 30 milhões
E agora Andrés Fernández. Lopetegui quis Navas, que não se concretizou; o plano B era o espanhol do Osasuna (finalmente, a «equipa sombra» a funcionar), que por ser uma equipa que desceu de divisão há quem considere que Andrés não tem qualidade para o FC Porto. Será esse motivo? Vamos recordar os 10 melhores guarda-redes da história do clube, de onde vieram...

Baía foi formado no clube, ainda que depois tenha passado pelo Barcelona antes de regressar. Helton veio da UD Leiria, hoje enterrada no CNS. Barrigana, Américo e Zé Beto foram todos formados no FC Porto, tal como Rui Teixeira e Acúrcio. João Fonseca e Tibi vieram do Leixões. Sobra Mlynarczyk, o campeão de Viena, que chegou ao FC Porto aos 32 anos, proveniente do Bastia... equipa que desceu de divisão em França nesse ano. O O Bastia é melhor do que o Osasuna?

Os bons guarda-redes do FC Porto foram sempre formados no clube ou contratados a clubes de nível inferior. Logo, não é por vir do Osasuna que Andrés Fernández não serve. Não é o plano A, mas é uma contratação mais barata do que seria Navas, o que significa que o investimento na baliza saiu mais curto do que o esperado (2,5 milhões de euros, sendo que o Osasuna só tem direito a 25% e o dinheiro é encaminhado para fins tributários), o que pode libertar verbas para o reforço de outros sectores - neste momento, falta oficializar Ivan Marcano. O resto é novela mexicana e incógnitas, dependentes sobretudo de saídas - urge começar a libertar vagas no plantel e a reforçar os cofres com vendas, ainda que o empréstimo vá ser solução para grande parte dos excedentários.

Bem vindo, Andrés Fernández (Mister, espero que tenha acertado).