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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Como ele cresceu!

Ainda ninguém sabia o que eram padres, missas e e-mails, mas já se perspetivava um grande futuro a Fábio Veríssimo, o «wonderboy» que, literalmente no espaço de um mês, passou das distritais para o estatuto de árbitro internacional, com apenas um par de jogos de I Liga no currículo e atropelando as diretrizes da FIFA

É caso para dizer: como cresceu o menino! Bruno Paixão, VAR para o Feirense x FC Porto, deve ter ficado orgulhoso com o que testemunhou, recordando os seus célebres desempenhos no Campomaiorense x FC Porto (99/00) ou no Gil Vicente x FC Porto (11/12). Veríssimo honrou a herança de Paixão.

Mas de facto, há que ter a sensibilidade de discutir uma coisa: Fábio Veríssimo fez o que fez por ser um árbitro inqualificado para o cargo?; ou fê-lo por estar condicionado e sob pressão? Tudo bem, à partida, quem está condicionado e sob pressão já não pode ser qualificado para o cargo. Mas estará Fábio Veríssimo refém de que sabem enumerar nomes, moradas, famílias, matrículas e mais detalhes - alguns deles ilícitos - da vida pessoal dos árbitros? É a questão que se impõe, sabendo que o resultado acaba sempre por ser o mesmo: benefício para o Benfica, prejuízo para o FC Porto.

Sérgio Conceição e os jogadores escaparam à rasteira e, de uma jornada de Benfica x Sporting, tiraram o máximo proveito: o regresso à liderança isolada, com os registos que têm acompanhado a equipa - invencibilidade, melhor ataque e melhor defesa. Dizer que foi na raça de pouco vale, porque a raça, por si só, não ganha nada. Mas quando é acompanhada por esta inteligência e qualidade, sim, faz a diferença.

O FC Porto fez, e bem, uma exposição ao Conselho de Arbitragem, mas não pode deixar que esta tenha o mesmo resultado das anteriores. Por exemplo, já poucos se recordarão que o FC Porto fez o mesmo relativamente à arbitragem de Rui Costa na receção ao Arouca, em 2015-16, após erros que envolviam um golo mal anulado e um penálti (com consequente expulsão) perdoados. Mas se calhar a coisa de que muitos mais rapidamente se recordam foi que Maicon escorregou nesse jogo e desistiu de um lance.

Outro exemplo, o FC Porto-Chaves da época passada, que também foi alvo de uma exposição face à arbitragem de Vasco Santos. De que resultou? De nada, pois logo depois houve uma derrota com o Moreirense e empates com Feirense e Paços de Ferreira, e já ninguém quis saber de arbitragem. Aliás, só nessa época, até ao mês de dezembro o FC Porto fez não uma, nem duas, mas sim cinco exposições ao Conselho de Arbitragem. Que efeito tiveram? Zero. Benfica campeão, FC Porto prejudicado, o mesmo filme das últimas épocas. O erro não pode ser repetido. 




Brahimi (+) - Já teve intervenção direta em 16 golos nesta época, o último dos quais o 1x0 nesta visita ao Feirense. Num jogo em que foi difícil para as individualidades «aparecerem», Brahimi voltou a ser denominador comum na criatividade do FC Porto, tendo sido eficaz em todas as tentativas de drible no meio-campo adversário. Teve 65 ações com bola, por exemplo mais do que Aboubakar e Marega juntos, e fez dois dos cinco remates enquadrados do FC Porto.


Aboubakar (+) - O único à frente de Danilo Pereira a conseguir acompanhar o ritmo de Brahimi e a acrescentar coisas à equipa. Abriu o marcador, com o seu 24º golo nesta época, criou mais uma ocasião flagrante de golo e tentou sempre oferecer soluções à equipa, quase sempre longe dos últimos 25 metros. Não esteve tão assertivo no passe como seria desejável, mas acabou por revelar-se novamente decisivo num jogo muito difícil, do qual se destacaram ainda Danilo, Alex Telles e pouco mais - Felipe cometeu vários erros, mas quem acaba por fazer o golo da vitória, no único remate do FC Porto à baliza do Feirense na segunda parte, tem que merecer destaque. 

O regresso de Óliver (+) - Este mês de janeiro vai ser a oportunidade para esclarecer uma coisa: ou Óliver não contava porque o FC Porto já tinha a sua saída alinhavada para este mês, ou porque era uma opção de Sérgio Conceição. Se é opção, é sem dúvida a mais discutível decisão do treinador. Não por Herrera estar mal (pelo contrário), mas por Óliver ser, em qualquer dia da semana, melhor do que André André e Sérgio Oliveira (que, bem vistas as coisas, não conta para o esquema habitual, mas sim para quando é necessário mudar de esquema inicial). Falhou apenas um passe nos últimos 55 metros e deu calma à equipa, sobretudo após o 2x1, além de ter orientado a equipa para o ataque - André André fez apenas cinco passes para a frente no meio-campo adversário. E enquanto Óliver teve 6 ações defensivas, André André teve apenas duas, tendo perdido a maioria das jogadas que disputou. Óliver é melhor. Quem quer ser campeão tem que jogar com os melhores mais vezes. 




Já lá vão 5 dias (-) - Não custa muito lembrar: o mercado está aberto. E podemos continuar com as graçinhas de que não são precisos jogadores se todos estiverem disponíveis, ou que Messi e Ronaldo são muito caros, mas desvalorizar esta questão - coisa que certamente pelo menos Sérgio Conceição não o faz - é abusar da sorte. Para todos os efeitos, apesar das contingências provocadas pelo apito, foi apenas de bola parada que o FC Porto conseguiu rematar à baliza do Feirense na segunda parte. Uma cabeçada de Felipe, um golo. Faltam soluções, e não basta estarem todos disponíveis.

André André, Corona e Marega estavam disponíveis, mas não conseguiram boas exibições. Hernâni estava disponível, mas pouco mais serve do que para fazer número. Layún, que queriam fazer sair, teve que entrar na equipa para ajudar a segurar a vantagem. Soares, que (também prejudicado pela lesão) tem tido dificuldades em fugir à descrição de que é melhor reforço de inverno do que um jogador para médio prazo, é a única alternativa para o ataque neste momento. Não chega. Sérgio Conceição merece melhores condições, merece mais consideração. 

À 11ª jornada o FC Porto tinha 4 pontos de vantagem sobre o Sporting. Passado duas jornadas perdeu a vantagem. Neste momento voltou a isolar-se na liderança, com dois pontos de vantagem. Cabeça. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Aboubashow contra ventos e Coentrões

As circunstâncias prometiam dificuldades que os primeiros 25 minutos confirmaram, desde às condições climatéricas aos efeitos (físicos ou mentais) pós-Champions. Mas isto de trocar o chutão para a frente e as bolas em profundidades nos avançados pela circulação, posse e por uma maior elaboração das jogadas é mesmo coisa para dar tranquilidade, soluções e qualidade à equipa. Um jogo que se podia ter tornado um grande problema resultou numa das melhores exibições das últimas semanas e revelou uma equipa que anda de pontaria afinada, com 10 golos em 4 dias, antes de três jogos consecutivos para três competições diferentes no Dragão no espaço de oito dias. Não há margem para vacilar, mas a jogar assim fica mais fácil. 





Aboubakar (+) - O Professor Bambo e o Mestre Guirrasy podem estar descansados: se depender de Fábio Coentrão, ninguém lhes tira o emprego. Um bom golo de cabeça, um penalty batido de forma defensável mas que matou o jogo (o sexto em seis tentativas na carreira - nunca falhou uma grande penalidade) e uma finalização à ponta-de-lança, antes de voltar a fazer uma assistência de grande qualidade. No espaço de quatro dias, Aboubakar marcou cinco golos e assistiu dois.

É altura de uma pequena retrospetiva. Na época passada, André Silva marcou 21 golos e fez oito assistências, em 44 jogos. Aboubakar, em 22 jogos, já marcou por 20 vezes e fez cinco passes para golo. Ou seja, ainda dezembro não vai a meio e Aboubakar já praticamente pulverizou o registo do seu antecessor (ou deveríamos compará-lo a Depoitre?), tendo desde já batido a sua melhor marca de golos na carreira. 

No Bonfim, curiosamente, não foi feliz nas suas tentativas de 1x1 (exceção ao lance do penálti), mas destacou-se a ir buscar jogo atrás, a tabelar e a abrir espaço para os colegas. E quando chegou aos últimos 20 metros, foi para ser letal: tocou oito vezes na bola na grande área - seis delas foram remates e noutra ganhou um penálti. A melhor maneira de se servirem de Aboubakar é... servindo-o. Já agora, é bom dizê-lo: ainda bem que renovou e que a SAD conseguiu a totalidade do passe antes de janeiro. 


Marega (+) - Deixar de despejar bolas no flanco direito, à espera que Marega apanhe alguma, não só favoreceu a equipa como o próprio jogador. Se no primeiro golo teve a sorte que lhe faltou contra o Benfica, no segundo conseguiu uma finalização perfeita, já depois de ter descoberto sozinho o espaço para assistir Aboubakar para o 4x0 (num lance ao seu estilo, em que quase parece enterrar a bota no relvado antes de conseguir fazer o passe). Marega vai sendo isto, capaz do mau e da utilidade, de falhar com a baliza escancarada e depois fazer um chapéu perfeito ao guarda-redes. Após mês e meio sem intervenção direta em golos da equipa, voltou a colaborar em três e já chegou aos 15 (10 golos, 5 assistências) nesta temporada, números que superam o maior dos otimistas.

Adaptação (+) - Maxi no flanco, Ricardo novamente adiantado, Diego Reyes ao lado de Marcano. Três alterações em diferentes setores, mas tudo funcionou na equipa, curiosamente melhor do lado direito do que do lado esquerdo. Apesar dos calafrios provocados pelo Vitória nos primeiros minutos, a equipa rumou a uma exibição que prova que é possível criar várias ocasiões de golo e chegar com facilidade à grande área sem que isso implique procurar atalhos que não existem no relvado - leia-se, usar e abusar do passe longo. A equipa circulou melhor a bola, Herrera e Danilo seguraram o meio-campo e as oportunidades do Vitória foram escassas. Uma noite descansada.




Que eficiência no VAR? (-) - Aboubakar tentou uma roleta na grande área, sofreu falta, Tiago Martins viu - depois de não ter visto Aboubakar ser agarrado no lance do primeiro golo. Penálti, sem margem para dúvidas. De repente, entra a comunicação do VAR e nasce a confusão. Que indicação recebeu Tiago Martins? De que era penálti? Se era, então porque necessitava Tiago Martins de ir confirmar as imagens, já que a sua decisão inicial era validada pelo VAR? Então o que se passou? Terá Tiago Martins recebido indicações do VAR de que o lance... não era esclarecedor? Ou que não era penálti? Se assim foi, será que o VAR, com recursos a imagens televisivas, conseguiu ver menos do que Tiago Martins no relvado? É verdade, se houve dúvidas, o árbitro foi tirá-las a limpo junto das imagens. Mas se assim é, abre-se o precedente de, doravante, os árbitros irem ver as imagens para confirmarem todas as decisões que tomam? Uma vez mais, o VAR, por cada dúvida que tira, lança outra.

Líder, a depender de si próprio, com o melhor ataque e a melhor defesa da Liga - o FC Porto já não marcava tanto nem sofrida tão pouco, à 14ª jornada, desde a época 1995/96. A duas semanas do natal, isto é rendimento que valha duas ou três prendinhas no sapatinho de Sérgio Conceição. Bem merece.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Não é preciso mais nada

Como unha e carne. O ponto 3 do artigo 61º já desmantela a teoria de que possa haver Pedro Guerra sem Benfica. Não pode. O regulamento disciplinar da FPF é muito claro e refere-se a «dirigentes, representantes e colaboradores». Logo, quando o próprio Pedro Guerra se enuncia como um mero «colaborador» do Benfica, já está a dar reconhecimento suficiente para que o clube seja julgado pelas suas ações.


E face às últimas revelações no Porto Canal, vimos que Adão Mendes, vice-presidente da AF Braga - membro da APAF -, apelou ao administrador do Benfica Paulo Gonçalves para que a nota de Manuel Mota fosse «positiva», depois de um Marítimo-Vit. Guimarães. 

Porquê este interesse em que Manuel Mota tivesse nota positiva num Marítimo-Vit. Guimarães, um jogo que não interferia com os objetivos do Benfica? Porque no jogo seguinte que apitou na I Liga, Manuel Mota foi chamado precisamente a arbitrar o Benfica-Rio Ave

Ora, poderia ser difícil que Manuel Mota fosse chamado a arbitrar um jogo de um candidato ao título tendo nota negativa num Marítimo-Vit. Guimarães. Mas Manuel Mota lá foi nomeado para o Benfica-Rio Ave. Lembram-se do que aconteceu nesse jogo?

Podemos começar por lembrar que Roderick, ex-Benfica, não foi convocado para esse jogo, por alegados problemas físicos. Certo é que 3 dias depois foi chamado para jogar na Liga Europa e que agora foi transferido para o Wolves, uma das lavandarias, perdão, clubes geridos por Jorge Mendes. 

O Benfica venceu esse jogo por 1-0, golo de Talisca, aos 60 minutos. Golo esse que não deveria ter acontecido, pois foi precedido de uma falta por marcar de Maxi Pereira. E oito minutos depois, aconteceu isto:


Esmael Gonçalves acabou por introduzir a bola na baliza e fazer aquele que poderia ter sido o 1x1 final. Porquê tanto interesse em que Manuel Mota tivesse nota positiva? Pois assim a sua nomeação para o Benfica-Rio Ave não seria comprometia por uma má prestação numa jornada anterior. E todos constataram a imensa felicidade e circunstâncias que levaram o Benfica a esta vitória sobre o Rio Ave. 

Há também a assinalar o interesse em que Manuel Mota tivesse uma boa classificação. Afinal, não sendo Manuel Mota internacional, segundo os regulamentos só seria recomendável para arbitrar jogos de grande dificuldade se ficasse no top 12 da classificação dos árbitros. E ficou, numa posição confortável mas numa classificação particularmente renhida - bastava ter menos 0,035 pontos e Manuel Mota ficaria abaixo da classificação necessária. 

Perante estas circunstâncias e o pedido para que Manuel Mota tivesse nota positiva, vemos uma infração do ponto 1 do artigo 61º, que proíbe «comportamento ou decisão destinados a modificar ou falsear a veracidade e a autenticidade de documentos, procedimentos ou deliberações». Neste caso, a modificar a nota atribuída a um árbitro que estava na lista dos meninos queridos do Benfica.

Não é preciso mais nada para que o Benfica seja punido à luz destas normas. Apenas que os regulamentos e respetivas punições sejam aplicados. 

AGORA PARTILHEM TUDO. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O árbitro vermelho

Adão Mendes é mais conhecido pelas funções que desempenhou na União de Sindicatos de Braga do que propriamente pela sua carreira como árbitro de futebol. No entanto, no meio tinha uma alcunha particularmente curiosa. Assim o recorda o Correio do Minho.

«No mundo da arbitragem era apelidado de 'árbitro vermelho' tendo em conta a sua filiação partidária», assim o recordam. Mas afinal, parece que a alcunha de «árbitro vermelho» se justificava por algo mais do que a sua filiação partidária.

O FC Porto não usou cartilhas, indiretas ou suspeitas: apresentou provas, factos, que atestam a forma como o Benfica controla a arbitragem. Este «esquema de corrupção para favorecer o Benfica» remonta à época 2013-14, precisamente a primeira do ciclo do tetra do Benfica e logo após o último título do FC Porto. Coincidência? Cabe ao Ministério Público apurar. 

É impossível ignorar, tanto quanto ver um golo marcado com a mão através do vídeo-árbitro. Os e-mails estão aqui como estiveram as escutas do Apito Dourado (processo de existência de corrupção no futebol português que apanhou, entre outros, Luís Filipe Vieira em escutas) no Youtube. O FC Porto foi julgado nas (in)devidas instâncias, mesmo pagando o preço de Portugal terminar em Leiria, e conseguiram associar uma imagem de 30 anos de corrupção ao FC Porto por culpa de dois jogos contra dois clubes simpáticos - Beira-Mar e Estrela de Amadora -, que já nem se encontram no mapa de futebol profissional em Portugal. E, diga-se, dois jogos dos quais o FC Porto nem precisava para ser campeão em 2003-04. Só conseguiram encontrar isso? A sério?

Agora, investiguem, enquanto se aplaude a posição do FC Porto, pela voz de Francisco J. Marques, de expor a teia de corrupção com factos e voz viva. Quando os interesses comungam na defesa do FC Porto e no combate aos adversários, não pode haver outra posição possível.

É de recordar, curiosamente, a posição do então diretor de comunicação do Benfica, João Gabriel, quando Marco Ferreira deu uma entrevista ao As em que falou da forma como Vítor Pereira protegia o clube da Luz. «Um frete do As ao amigo basco», chamou-lhe João Gabriel.

Então e agora? Será que esta também é um frete ao amigo basco? Não. É apenas a forma como o tetracampeonato do Benfica está a ser visto lá fora. Sujinho, sujinho, sujinho. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Despenalização

«Em Inglaterra, quando um jogador é mal expulso é-lhe retirada a punição. No nosso jogo contra o Moreirense, foi mal expulso um jogador nosso e não lhe retiraram o cartão».

Nuno Espírito Santo, 06/01/2017

O texto de hoje do Dragões Diário, nomeadamente o primeiro parágrafo, foi tão pertinente e incisivo que dispensa que se lhe acrescente algo. Fosse, seja, sempre assim. Era preciso cultivar a ideia de que Danilo Pereira foi expulso por insultos ao árbitro. E se a FPF foi cúmplice nisso, o FC Porto só tem que agir para apurar consequências e responsabilidades. A Assembleia Geral da FPF tem mais de 80 delegados. Dêem-lhes que fazer. 

Nuno Espírito Santo notou, e bem, que Danilo Pereira não viu o seu cartão amarelo ser retirado, algo que provavelmente aconteceria em Inglaterra. Mas a verdade é que Portugal tem precedentes de despenalização de cartões.

Hoje como há 15 anos atrás, há coisas que não mudam. Vamos recordar o FC Porto x Benfica de 2001-02. Reviravolta, golos de Deco, Alenichev e Capucho (chapéu!), grande jogo. Se o Benfica ganhasse, passava à frente do FC Porto. Como perdeu, ficou a 3 pontos e mais perto do 5º lugar do que do 3º. Não era o tempo de ficarem sem o seu melhor jogador. Então o que acontece? O insuspeito Record traz o relato de então, com Simão Sabrosa a ser despenalizado de um cartão amarelo.


O precedente já tinha sido aberto antes, também a envolver o Benfica, e também a envolver o FC Porto. Neste caso, com Poborsky, que foi castigado com um cartão amarelo depois de ter simulado uma falta para penalty - Vítor Baía não lhe tocou, mas Nuno Gomes fez justiça ao falhar o penalty. Acontece que o CJ da FPF decidiu depois retirar o cartão amarelo a Poborsky.

Certo. Reformularam-se os organismos, mudaram as pessoas, mas o denominador em comum mantém-se. Não é que o FC Porto seja sempre o lesado. Por exemplo, Cabral viu vermelho direto num Braga x Benfica. Que aconteceu? O cartão vermelho foi-lhe retirado e na jornada seguinte já estava a jogar na Luz.

Os tempos até eram dourados para o FC Porto, que era pentacampeão, mas nem isso parecia ajudar o clube junto do CJ da FPF. Nem José Guilherme Aguiar, pois o FC Porto tentou uma despenalização de Jardel contra o mesmo SC Braga, por má amostragem de um cartão amarelo que resultou numa expulsão, mas o jogador não foi despenalizado. 

Também houve precedentes? Houve. Costinha e McCarthy já viram ser retirados cartões que tinham sido mostrados erradamente. Então, é caso para questionar: por que é que agora Danilo não teve o mesmo direito? Vamos supor que foi, como a FPF quis cultivar, por insultos ao árbitro. Então, vamos novamente calcular os precedentes.

Quando Rui Vitória, no Marítimo x Benfica, mandou Vasco Santos para o Ricardo Carvalho sem prenome e sem V (algo que as imagens televisivas mostraram, ao contrário de qualquer tipo de insulto por parte de Danilo), que aconteceu? Nada, só um calorzinho na orelha. 


Mas isto na Luz faz escola. Reparem na naturalidade com que Pizzi, porventura o melhor jogador do Benfica nesta fase, admitiu no 15º Encontro Nacional de Jovens Árbitros (uma vez mais, a proximidade entre clube e arbitragem sobressai) que insulta árbitros. «Já chamei nomes, já disse várias coisas que não se podem dizer aqui». Não deve haver nenhum jogador que nunca tenha soltado uma palavrinha para a mãe de um árbitro. O problema é a diferença de tratamento e os precedentes que só vão servindo o Benfica. 

Porque não foi Danilo despenalizado? Que responda a FPF. E se é tão claro que Danilo foi expulso por protestos, então qual o motivo para não o terem afirmado publicamente, protegendo assim o seu árbitro e evitando serem alvo de chacota em todo o mundo pela expulsão mais ridícula de sempre? Pois.

Numa jornada em que o Benfica vai a Guimarães, o FC Porto a Paços de Ferreira e ao primeiro deslize do rival podemos passar a depender de nós próprios na luta pelo título, todo o cuidado é pouco. 

PS: À saída do supermercado, ao fazer marcha atrás, não vi uma velhinha que estava sossegada na berma da estrada e passei-lhe por cima. Seguindo os ensinamentos da escola Luís Godinho, vou processar a malandra por se ter metido à frente - neste caso atrás - e agredido a minha viatura. A não ser que alguém se lembre de distribuir mails a denunciar que a velhota me insultou. É capaz de ajudar. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

23 dias e três jogos

«O FC Porto precisa que as arbitragens estejam à altura daquilo que desejamos para a verdade desportiva. Eu acho que ainda é muito cedo para fazer uma análise. Não se pode, ao fim de 10 jogos, analisar o trabalho de um conselho de arbitragem». Pinto da Costa, JN, 12-12-2016

«Sobre a terceira equipa [a de arbitragem] vai ser feita uma exposição à Comissão de Análise amanhã [terça-feira], porque todos vimos o que se passou, mas não podemos analisar. Estão a acontecer coisas estranhas. Já começa a ser demais e estamos a ficar fartos (...) Fomos postos fora da Taça pelo João Capela e ontem vi um jogo com o senhor João Capela a arbitrar. Estão perfeitamente à vontade e não compreendo como é que o Conselho de Arbitragem (CA) não toma medidas contra o que está a acontece». Pinto da Costa, 19-12-2016

«Definitivamente, não há vergonha no futebol português e quem menos vergonha tem é quem é responsável por este estado de coisas, com o Conselho de Arbitragem à cabeça, com nomeações sempre a piorar». Dragões Diário, 04-01-2017

Recapitulando. A 12 de Dezembro, o presidente do FC Porto considerava que era muito cedo para fazer avaliações sobre o Conselho de Arbitragem. De recordar que um mês antes o clube já tinha publicado um vídeo com 12 penaltys que ficaram por marcar esta época. Se 12 grandes penalidades não eram já motivo para avaliação, só faltava saber quantos lances seriam necessários para o presidente do FC Porto reconhecer que o clube estava a ser prejudicado sucessivamente.

Uma semana depois, essencialmente após a derrota em Chaves, Pinto da Costa já veio mudar o discurso e estranha que o Conselho de Arbitragem (que uma semana antes não merecia que julgassem o seu trabalho) não «tome medidas», apelando a uma intervenção

E agora, 23 dias depois de Pinto da Costa ter afirmado que o Conselho de Arbitragem não merecia que se fizesse uma análise sobre o seu desempenho? Passaram-se três jogos: o FC Porto venceu o Chaves (mesmo tendo um golo anulado e um penalty por marcar), empatou na receção ao Feirense (com 3 possíveis lances de penalty por marcar) e perdeu na visita ao Moreirense da forma que todos viram.

Então, 23 dias e três jogos depois, é caso para perguntar: ainda é cedo para fazer uma análise ao Conselho de Arbitragem?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O fracasso é mútuo

Começando pela parte desportiva. A posição d'O Tribunal do Dragão em relação à Taça da Liga já é conhecida: uma Taça que deve ser destinada à promoção dos talentos da equipa B e como espaço competitivo para os suplentes. Mas a partir do momento em que o próprio FC Porto assume o objetivo de vencer esta Taça, é óbvio que a avaliação sobre o desempenho nesta competição tem que obedecer a critérios mais exigentes - sobretudo quando o treinador não abdica de apostar numa base de jogadores habitualmente titulares ao longo da competição. 

Posto isto, a participação do FC Porto na Taça da Liga voltou a ser um fracasso. Três jogos (dois em casa), apenas dois pontos e dois golos marcados, exibições cinzentas e que só revelaram qualidade a espaços - e quando a qualidade ia sobressaindo, um apito fazia questão de a inibir (já lá vamos). 

Este é o 10º ano de Taça da Liga. Já foi uma competição desvalorizada pelo FC Porto (na verdade começou a sê-lo devido aos maus resultados), mas nos últimos anos tem sido sempre comentada como sendo um objetivo para o clube (não obviamente uma prioridade, mas uma competição para vencer). E a verdade é esta: o FC Porto nunca ganhou a Taça da Liga porque nunca foi suficientemente competente para o fazer. E era o troféu que mais hipóteses o FC Porto tinha de conquistar esta época, na medida em que a competição é curta e o formato altamente favorável para os grandes clubes. 

Ao longo destes 10 anos, o FC Porto ganhou menos de metade dos jogos que disputou na Taça da Liga. Tem uma média de golos marcados de 1,35/jogo (muito pobre, tendo em conta que joga contra adversários teoricamente inferiores), um golo sofrido por jogo, e nos últimos 7 jogos de Taça da Liga o FC Porto não ganhou nenhum e perdeu 5. Isto poderia ser relativizado se o FC Porto assumisse que a Taça da Liga serviria para colocar em cena as segundas linhas e a equipa B. Mas não, foi assumido que era para ganhar. E o desempenho nesta competição não está à altura dos pergaminhos do FC Porto. Isto transcende as prestações dos jogadores e de NES nos últimos três jogos. 

Em relação ao que se passou em Moreira de Cónegos, foi uma vez mais o produto dos internacionais de proveta. O Tribunal do Dragão, na sua modesta e pequena posição no Universo Porto, orgulha-se de ter sido um dos primeiros espaços (senão mesmo o primeiro) a denunciar que a promoção de jovens árbitros estava a ir contra os regulamentos da FIFA e que não augurava nada de bom ao FC Porto. Enquanto isto acontecia, os responsáveis do FC Porto andavam ocupados com temas bem mais importantes, certamente. Como por exemplo preocupar-se imenso com o que iam escrevendo os blogues.

A forma como Luís Godinho expulsa Danilo mostra que não há respeito pelo FC Porto, e que os árbitros se sentem impunes perante qualquer decisão que tomem em prejuízo do FC Porto. Danilo Pereira é um jogador à Porto, uma das referências do atual clube, e ainda assim Luís Godinho nem pestanejou na hora de puxar do cartão. Mas alguém acredita que há 20, 15, 10 anos atrás, um árbitro agiria da mesma maneira se se virasse e visse Jorge Costa, Aloísio ou João Pinto? Não se trata de intimidar. Trata-se de impor respeito. 

Era coisa para rir - tanto que Pinto da Costa riu mesmo - se não fosse um assunto tão sério. O FC Porto tem tomado posição através de algumas vozes críticas, mas nada muda na arbitragem nacional. A contagem dos 19 penaltys é por certo exagerada, mas todos os lances têm algo em comum: em caso de dúvida, assinala-se contra o FC Porto. Redes sociais não chegam. Note-se que até o jornal O Jogo escreve que Danilo foi expulso porque «reclamou atraso de bola» e «não conteve os protestos». Se fosse Fejsa, A Bola tinha capas para a semana inteira. 

Andamos há semanas a dizer que é tempo de dizer «basta». Dizer basta não muda nada, porque a voz do FC Porto não tem sido respeitada, ouvida e considerada nos últimos meses. NES, no final do jogo, tocou num tema importante: o de ter que convencer os jogadores de que o que eles vão fazer é mais importante do que a arbitragem. Pois isto derruba o moral de qualquer jogador, o de saber que estão em campo inclinado.

Há portistas que dizem que uma equipa à Porto supera qualquer erro de arbitragem. Não brinquem. Nenhuma, nenhuma equipa consegue jogar jogo após jogo sabendo que vai ter sempre decisões de arbitragem em seu prejuízo. É que não estamos a falar de um, dois ou três jogos. É semana após semana. E nada muda.


Qualquer discussão do ponto de vista tático soa a repetição (como sempre, bastou ganharem um pequeno ciclo de jogos - que era suposto o FC Porto ganhar! - para muitos se deixarem levar pela euforia, querendo ver crescimento e evolução no que eram serviços mínimos), por isso apenas nota para algo que NES tem que abandonar: o politicamente correto.

O que estas intervenções serenas, mansas e monocórdicas de NES vão demonstrando é uma preocupação de não querer associar em demasia a sua imagem à de uma defesa acérrima do FC Porto, sob pena de não encurtar as opções que possa ter para a sua carreira no futuro. Um treinador do FC Porto que esteja preocupado com a simpatia que vai ter da generalidade não tem sucesso, ponto. Se NES sente que os seus jogadores, o seu grupo de trabalho estão a ser lesados, tem que liderar o grito de revolta. A diferença na ousadia do discurso entre um guarda-redes em final de carreira e um treinador no início da mesma vão sendo demasiado grandes. Não esquecendo que não pode ser o treinador a tomar a posição que os dirigentes não tomam. Ninguém poderá terminar a época a afirmar «a culpa foi do NES». 

FC Porto novamente prejudicado, outra participação de péssima qualidade na Taça da Liga. Os maus resultados na Taça da Liga não podem beliscar o que vai acontecer no que resta do Campeonato, mas arbitragens como a de ontem - a começar pelo afastamento de Danilo de Paços de Ferreira - podem muito bem fazê-lo. Que vai o FC Porto fazer relativamente a isso, é a questão. 

Depois de 40 mil no Dragão, num jogo de Taça da Liga, e 28 mil adeptos num treino aberto, o FC Porto devia mais aos seus associados. Aqueles que precisam de algo mais do que memórias do passado, e que reconhecem que o amanhã do clube é mais importante do que o ontem.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A mãozinha por trás de um padrão

Estão cumpridos os clássicos da primeira volta. O Benfica ganhou 4 pontos, um deles sacado no Dragão nos descontos, o Sporting conseguiu 3 pontos e o FC Porto teve um empate com sabor a derrota. Destacam-se duas conclusões: o Benfica, sendo inferior nos dois clássicos, teve os melhores resultados; e as decisões consideradas difíceis, polémicas ou duvidosas dos árbitros favoreceram todas o Benfica. 

Seguem seis lances que envolvem situações de bola na mão vs. mão na bola na grande área, todos eles ocorridos nos clássicos desta época. Nenhum deles é absolutamente conclusivo: todos geram dúvidas. E todos eles foram arbitrados em constante prejuízo do FC Porto e benefício do Benfica. 

Primeiro caso, a envolver Gelson Martins no momento anterior ao golo do empate do Sporting frente ao FC Porto. Tiago Martins mandou jogar.


Mesmo jogo, nova situação de braço na bola na grande área, desta vez com Bryan Ruiz. O Sporting virou para 2-1 na sequência do lance e o FC Porto perdeu em Alvalade.


FC Porto-Benfica. Mitroglou joga a bola com o braço na grande área do Benfica. Artur Soares Dias nada assinala. 


Exatamente no mesmo lance, a bola ressalta para o braço de Felipe. Aqui, Soares Dias assinala falta do defesa do FC Porto, que tinha acabado de assistir André Silva para o que seria o 1x0 na primeira parte. 


Mais recentemente, o Benfica-Sporting. Pizzi joga a bola com o braço na grande área, sem oposição de qualquer adversário, e lança o contra-ataque que o Benfica transformou no 1-0.


No mesmo jogo, novo lance a envolver um braço, a bola e a grande área. Sem oposição, Nelson Semedo joga a bola com o braço. Jorge Sousa nada assinalou.


São, todos eles, lances que suscitam dúvidas. Não são unânimes, e neste caso são lances que vão além do clubismo, pois diferentes pessoas de diferentes clubes podem ter diferentes opiniões. O que só mostra que o vídeo-árbitro, neste caso, não vai servir absolutamente para nada, pois só vai adensar polémicas e dúvidas - qualquer benfiquista defende que estes lances são legais, enquanto qualquer sportinguista/portista vai considerar que houve infrações. Imaginem quando um árbitro tomar decisões através das mesmas imagens que qualquer adepto vê...

Mas o que está em causa é isto: em todos estes lances, o FC Porto foi sempre a equipa prejudicada, seja contra Benfica, seja contra o Sporting. Quando chegou a vez do Benfica-Sporting, foi o Sporting a ser o prejudicado. O que se conclui? O FC Porto, em caso de dúvida, foi desfavorecido em todos os lances que envolvem mão, bola e a grande área; o Benfica foi favorecido em todos; e o Sporting foi beneficiado contra o FC Porto e prejudicado contra o Benfica. 

Mas não há-de ser mais do que um punhado de coincidências. Daquelas que valem campeonatos. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Chaves e Champions

A culpa não foi do Layún, nem do Depoitre, nem do André Silva. O FC Porto podia ter falhado os 5 penaltys: a explicação para uma derrota em Chaves nunca pode passar pelo desempate por grandes penalidades. Nunca. O FC Porto poderia e deveria ter garantido o apuramento muito antes. 

O FC Porto só tinha perdido uma vez na sua história em Chaves, e já lá iam quase 30 anos. Os flavienses conseguiram construir uma boa equipa, desde o Euromilhões até às ideias de um Jorge Simão promissor, mas em condições normais o FC Porto teria que ter vencido tranquilamente aquele jogo. Mas lá está: não houve condições normais.

Depois de ter mostrado o seu melhor futebol da época contra o Benfica, o FC Porto regressou ao nível habitual demonstrado desde o início da época. Uma equipa que não explora, de todo, todas as suas capacidades; limitada na procura da baliza adversária; que não recebe sinais esclarecedores a partir do banco; que demonstra falta de ambição na procura da vitória. Tudo isto não impediu que o FC Porto tivesse oportunidades para marcar e vencer o jogo. Depois, João Capela decidiu brilhar.

Nuno Espírito Santo diz que foi um penalty. O Dragões Diário e o Facebook do clube dizem que foram três. O Tribunal d'O Jogo diz que foram dois. Não é conclusivo, mas há um facto: em todos os lances de dúvida, João Capela arbitrou sempre em desfavor do FC Porto (com exceção de um penalty por marcar para o Chaves). São demasiados erros.

Há adeptos que defendem que o FC Porto tem que ganhar apesar dos erros de arbitragem, dizendo que isso faz parte do ADN do clube: vencer contra os erros de arbitragem. Entendendo o porquê dessa afirmação, não: não é normal errar tantas vezes, e sempre em desfavor do FC Porto. Foram contabilizados 12 penaltys desde o início da época. Provavelmente nem todos os lances são referentes a grande penalidade, mas lá está: em caso de dúvida, foi sempre, sempre contra o FC Porto

Recordando a época 2014-15. O Benfica não jogava bem, mas enquanto a equipa tremia, não havia um erro de arbitragem a deitá-la abaixo. Neste caso, o FC Porto também não joga bem. Mas contrariamente ao que sucedeu ao Benfica, o FC Porto não tem aquele erro de arbitragem a puxá-lo para cima nos momentos difíceis. Nenhum clube o deve ter, diga-se. Mas os critérios deveriam ser iguais para todos, e não têm sido.

Foi bom ver a reação do FC Porto à derrota em Chaves. Pinto da Costa decidiu falar (algo que se tornou uma raridade após maus resultados), e bem, mas foi de lamentar a falta de sintonia entre Nuno Espírito Santo e a comunicação do FC Porto. O treinador queixa-se de um penalty, para depois o FC Porto reclamar que são três? Se não há sintonia dentro do próprio clube nas críticas à arbitragem, nada feito. 


As críticas têm sido relativamente vorazes, mas é preciso que os seus destinatários tenham consequências. Repare-se que o Conselho de Arbitragem nem ousou abrir a boca. Ao contrário do que já fez em situações anteriores, nem sequer se deu ao trabalho de tentar defender publicamente João Capela. Por isso, das duas uma: ou ignora por completo a posição do FC Porto - que, diga-se, nunca pareceu muito incomodado quando o Benfica era beneficiado pela arbitragem, algo que indiretamente prejudicava o FC Porto -, ou quem cala consente

Tendo em conta que já é dia de Champions e que uma crónica ao jogo de Chaves já viria fora de horas, apenas algumas considerações sobre o afastamento da Taça de Portugal. Foi o adeus à competição que o FC Porto, teoricamente, mais hipóteses teria de ganhar esta época, pois era a maios curta - ainda que também seja aquela que permite menor margem de erro, mas também é a que reúne adversários mais acessíveis. Foi-se um dos objetivos.

Disseram os protagonistas, no final do jogo, que o FC Porto foi a única equipa a querer assumir o jogo e a querer resolver a questão antes dos penaltys. Meus caros, mas seria de esperar o quê? Que fosse o Chaves a mandar no jogo? Não brinquem. Em qualquer campo em Portugal, com duas ou três exceções, o FC Porto vai ser sempre a equipa a querer mandar no jogo, a querer dominar, a querer marcar. Isso não é uma valia: é uma obrigação.

Criticar Nuno Espírito Santo é algo que vai soando a repetição, pois infelizmente quase sempre que mexe na equipa durante os jogos a tendência é para piorar, mas a gestão da partida não foi bem conseguida. Aos 78 minutos, sai Otávio, o único criativo do meio-campo, e entra Depoitre, que nos últimos 2 meses só tinha jogado uma vez e que arrisca ser um dos maiores flops da história do FC Porto, sem que ninguém possa ficar surpreendido. A batata quente foi bem cedo chutada para as mãos de Nuno, mas há uma grande diferença entre não conhecer Campaña e contratá-lo meramente por empréstimo, sem comichões, e contratar Depoitre, um avançado limitadíssimo que se tornou, sem que o seu percurso ou valia desportiva o justificasse, um dos mais caros da história do FC Porto. De qualquer forma, O Tribunal do Dragão manifestou, aquando da sua contratação, o otimismo de que Depoitre talvez conseguisse fazer mais golos do que Tiago Caeiro. Para já está ela por ela: 1 golo para cada um. Confiança, vai conseguir!

Para o prolongamento, Nuno fez dupla alteração. Entrou Evandro, que não jogava há 3 meses e só tinha feito 6 minutos em Roma. E entrou Layún, para o meio-campo. Três medidas tomadas por Nuno que fogem a qualquer tipo de padrão que fosse sendo trabalhado desde o início da época. Soa a desespero. E muitas vezes, Nuno transpira insegurança a partir do banco. Olha para o banco, olha para os suplentes que estão a aquecer, conversa com o adjunto, passa as mãos na cabeça, olha para o banco e repete o ciclo. Nuno já mostrou saber preparar jogos, como o fez muito bem contra o Benfica; mas na hora de mexer no jogo e de reagir, tem sido limitadíssimo e, pior ainda, prejudica a equipa. 

Por fim, o FC Porto descobriu, mais de 2 anos depois, que Brahimi é muito mau profissional. Deve ser terrível enquanto elemento de balneário, treina muito mal e o FC Porto, por estar num excelente momento de forma, até se dá ao luxo de o levar a Chaves, só para o ter 30 minutos a aquecer e mandá-lo para o duche. Para Copenhaga é que já nem valeu a pena gastar dinheiro no bilhete de avião. Mas brincamos? Brahimi, o mais virtuoso jogador do FC Porto, não conta? Algo de muito mau devo ter feito Brahimi, só pode. Há quem diga que seria curioso cruzar uma espécie de Mendes vs. Doyen desde o início da época. Certo é que quem perde é o FC Porto. Tirem Gelson ao Sporting e Pizzi ao Benfica, e vejam o resultado. 

Agora, se Nuno não usa Brahimi porque não pode, estão a prejudicar as suas condições de trabalho. Se Nuno não usa porque não quer, está a prejudicar o seu próprio trabalho e o rendimento do plantel. Se Brahimi fez algo de errado, à partida então nem deveria ser convocado ou colocado a aquecer. As razões desconhecem-se, mas só perde o FC Porto.


Hoje, em Copenhaga, o apuramento para os 1/8 da Champions pode ficar resolvido. Na UEFA, o FC Porto poucas queixas tem tido da arbitragem. Por isso, mostrem que em Chaves o que mais pesou na balança não foi o treinador, o plantel ou a exibição, mas sim a arbitragem. Falhar na Dinamarca seria dar razão a quem acha que as arbitragens são uma desculpa para uma equipa sem estofo. Não desperdicem esta oportunidade. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

E isto, é da nossa conta?

Ficámos recentemente a saber, através do presidente Pinto da Costa, que o Benfica ganhar um campeonato à conta das arbitragens, não só pelas decisões dentro de campo como pelas ofertas que violam os regulamentos fora dele, é algo que não diz respeito ao FC Porto - mesmo que seja o FC Porto o lesado nesta história.


Assim sendo, é caso para perguntar. O que se passou no Bonfim, já diz respeito ao FC Porto? Passámos de uma situação em que o FC Porto podia terminar o clássico na liderança da Liga para uma situação em que o Benfica pode sair do Dragão com 8 pontos de avanço. O Benfica nunca, nunca teve 5 pontos de avanço sobre o FC Porto à 9ª jornada. É a primeira vez, e com uma quantidade anormal de lesões no plantel. 

Podemos resumir tudo isto ao penalty não assinalado? Não. Mas é um facto que o FC Porto foi lesado nesse jogo por essa decisão. O problema é que o FC Porto já entrou naquele ciclo vicioso anteriormente aqui comentado: sempre que houver 2 ou 3 vitórias consecutivas, vai haver muita confiança, vão chover elogios ao treinador, dizer que afinal o plantel tem valor suficiente e que os críticos têm é que estar calados; ao primeiro deslize, volta a cair tudo em cima do treinador, porque não presta, porque não é Porto, porque é uma vergonha o jogador A, B e C jogarem nesta equipa. Já não vamos sair deste ciclo vicioso. Vai estar tudo, tudo dependente dos resultados. Mesmo que não consigam compreender que a diferença entre um bom e um mau resultado pode ser um ressalto, uma defesa, uma bola no ferro, um penalty - a exibição é exatamente a mesma!

O FC Porto tinha 27 vitórias consecutivas sobre o V. Setúbal e ganhou todos os jogos no Bonfim desde 1998. Até sábado. Tudo por causa do penalty? Não, certamente não. O problema não é apenas o que aconteceu ao minuto 84, mas também o que aconteceu até ao minuto 84. A equipa construiu as suas oportunidades, podia perfeitamente ter ganho o jogo. Não foi aquele jogo estéril onde o FC Porto não dava ares de ser capaz de ganhar a um V. Setúbal que só pretendia defender. Mas foi novamente um jogo em que o FC Porto demonstrou pouquíssima clarividência, e poucos sinais da mesma a partir do banco. 

Fomos prejudicados? Sim. Tivemos ocasiões para ganhar? Sim. Jogámos ao nível exigido nesta fase? Não. O FC Porto tem alguma coisa a ver com a obra de João Pinheiro em Setúbal? Não sabemos. Que o diga o presidente Pinto da Costa, ou então alguém do FC Porto que faça algo mais do que aquilo que qualquer adepto pode fazer: sacar um frame, ir ao paint, fazer uma bolinha e meter no Facebook. É essa a resposta do FC Porto? Fazer aquilo que qualquer adepto pode fazer? Terminemos, que isso também não deve ser da nossa conta. 





Danilo Pereira (+) - É incansável em campo e os elogios à sua postura também. Ganhou metros no terreno e deixou claramente a impressão que poderia ir mais além, mas tinha instruções para não subir em demasia, pois era o único a segurar o meio-campo. E com a saída de Herrera (era o jogador com mais cortes, recuperações de bola e desarmes em campo até ao momento da sua substituição, mas lá está, estava a fazer um excelente trabalho defensivo, mas a colaborar pouco no ataque - por outro lado, quem tem Óliver, Jota, André Silva e Otávio à frente, devia reunir criatividade e versatilidade suficiente para fazer estragos), Danilo ficou ainda mais desapoiado. Cumpriu novamente e vem sendo o melhor jogador do FC Porto nas últimas semanas.


Felipe (+) - Sabemos que algo correu mal quando destacamos um central contra uma equipa defensiva como o V. Setúbal. Com Marcano desta vez numa noite má (cometeu imensos erros na saída de bola), Felipe limpou tudo à entrada da grande área, foi forte no jogo aéreo e ainda foi ao ataque tentar o golo. Exibição segura, limpa e bem conseguida. Os elogios à sua exibição acabam por ser uma crítica à equipa: o V. Setúbal pouco fez no ataque, mas ainda assim os dois jogadores que mais se destacaram foram de caraterísticas defensivas. Nota ainda para Layún, novamente o principal municiador do ataque e o jogador que mais lances de perigo criou. 





Desacerto (-) - O FC Porto rematou, rematou muito. Mas rematou quase sempre mal. Em mais de 20 remates do FC Porto, só 3 foram à baliza. Nesses 3 Bruno Varela brilhou, mas nem sequer podemos dizer que o guarda-redes do V. Setúbal fez uma super exibição, pois a verdade é que a esmagadora maioria dos remates do FC Porto saíam todos por cima ou ao lado. Em toda a segunda parte, pior ainda: Bruno Varela só fez uma defesa. Uma. Em 45 minutos em que o FC Porto jogou no meio-campo do adversário. Pouquíssimo.

Pinheirinho (-) - Façamos contas. O FC Porto entrou, ao longo da partida, 55 vezes na grande área do V. Setúbal. 55! Fez mais de 30 cruzamentos. André Silva e Diogo Jota não estavam a conseguir ganhar bolas de cabeça. Então, para que serve um ponta-de-lança de 1,91m, que só por acaso é o 2º ponta-de-lança mais caro da história do FC Porto? Pois é. Pinto da Costa chutou de pronto a responsabilidade da contratação de Depoitre para Nuno, mas alguém já percebeu que deu asneira. E essa conclusão é tirada da pior forma possível: não pelo que Depoitre faz em campo, mas por nem sequer lhe darem a hipótese de entrar num jogo em que as suas caraterísticas fariam sentido. Nos últimos 7 jogos, Depoitre só teve direito a jogar 25 minutos contra o Gafanha. Foi para isso que o sr. D'Onofrio andou em viagens-relâmpago, de rastos, a suar e a fazer a Madre Teresa de Calcutá corar de inveja?

A euforia (-) - Muitos leitores perguntaram por que é que O Tribunal do Dragão não fez comentários sobre o célebre quadro de Nuno Espírito Santo. Simples, pois aquilo foi um fait-divers, uma mão cheia de nada, uma teoria oca para entreter, um exercício de banalidade. De que falava Nuno Espírito Santo? De compromisso, de cooperação, de comunicação, de união, de determinação, de atitude. Ora, estas 6 caraterísticas não descrevem um jogador à Porto: o que descrevem é toda e qualquer equipa de futebol que se preze! Conhecem uma equipa de sucesso que não tenha tido compromisso? Onde não tenha havido união? Onde não tenha havido atitude? Não há compromisso sem determinação e atitude; não há união sem cooperação. Isto é uma teoria para um livro do Luís Campos, não para discurso direto de um treinador do FC Porto! Se Nuno tivesse feito aquela apresentação depois de uma derrota, os mesmos que lhe acharam graça provavelmente ridicularizariam a sua apresentação. Quando precisamos de quadros para explicar teorias, quando o maior problema é a prática... Mas há quem tenha visto nisto uma «aula». Aula? Se querem aulas, o melhor seria mesmo técnico-táticas.

A segunda parte vai de encontro a algo já aqui muitas vezes comentado: os portistas, sendo os adeptos mais exigentes do mundo, também se tornaram uma massa que se empolga com muito pouco. Aquele tal ciclo vicioso. Precisamos de ser otimistas, precisamos de estar motivados, mas a forma como se passaram a valorizar vitórias que outrora seriam vistas como normais ou banais é preocupante. Nuno falou em «euforia dos adeptos». Euforia? Euforia? Não, a sério, euforia!? O FC Porto ganhou categoricamente na Choupana, ao Nacional, por 4x0. Bom jogo. Ganhou contra o Gafanha, como seria de esperar em qualquer dia que ganhasse. Ganhou em Brugge com um penalty em cima do final, caso contrário já teria os oitavos da Champions hipotecados. E ganhou em casa ao Arouca, algo que também deveria ser encarado como normal. Nuno descobriu euforia nos adeptos depois destes resultados? Ou o treinador lê mal as coisas, ou foram de facto os adeptos do FC Porto que se habituaram a muito pouco.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Será que chega?

Admitamos uma coisa: o Sporting tem uma estratégia. Pode funcionar ou não, mas tem uma estratégia. E passa muito pelo seu diretor de comunicação, Nuno Saraiva: fazer barulho. Com Nuno Saraiva a mandar bitaites (esqueçam, o professor Hernâni Gonçalves não merece que usem esta expressão de forma tão depreciativa) dia sim, dia sim, Octávio Machado calou-se. E Bruno de Carvalho também passou a ser menos interventivo publicamente e no Facebook.

A ideia é colocar Nuno Saraiva a fazer barulho para que não se debatam outros temas. Porque enquanto se discute o que Nuno Saraiva escreve, esquecem-se outras questões. Como por exemplo, o elevado prejuízo apresentado pelo Sporting, de 32 milhões de euros, só ultrapassado pela gestão de Godinho Lopes; as arbitragens; o facto do Sporting ter um dos - senão o - plantéis mais caros da sua história; as polémicas que envolvem Jorge Jesus; ninguém questiona as novas contratações, que assim têm todo o tempo para se adaptarem e não há pressão sobre elas; É uma estratégia. 

O FC Porto não tem que se preocupar com o que diz Nuno Saraiva. O Sporting cortou relações institucionais com o FC Porto, logo podem muito bem depositar os seus desejos hipócritas de boa sorte para as competições europeias no prenome do Ziegler. Mas é impossível ficar alheio ao convite deixado pelo diretor de comunicação do Sporting, e citando:

«Também vos convido a visitar o nosso Museu Sporting. Está, reconheço, nesta fase, tecnologicamente menos evoluído. Mas, no que respeita a troféus conquistados, tinham de ampliar o vosso no mínimo 10 vezes o tamanho actual.»

Portanto, 10 vezes? Será que chega? Vamos lá ver.

O Sporting tem dois museus. E segundo a insuspeita WikiSporting, o Museu do Sporting tem 1000 metros quadrados, entre oito áreas temáticas de exposição. E o Museu Leiria tem 500 metros quadrados. Portanto entre dois museus, o Sporting tem 1500 metros quadrados de história e oito áreas temáticas.

Agora vamos ajudar Nuno Saraiva a descobrir as dimensões do Museu do FC Porto:


Fazendo então as continhas. O Sporting, tendo dois museus, tem uma área de 1500 metros quadrados e oito zonas temáticas. E o FC Porto tem um espaço de 7000 metros quadrados, com 27 áreas temáticas (e nem vale a pena assinalar a diferença tecnológica e a qualidade da infraestrutura), que tornou-se a maior atração do país

Então tendo o FC Porto um espaço que é imensamente maior do que o do Sporting, recheado de troféus internacionais que são desconhecidos em Alvalade, Nuno Saraiva sugere que o Museu tem que ser aumentado no mínimo 10 vezes? É caso para dizer, bem podem colocar-se em bicos de pés, mas ainda terão que comer muita sopinha para poderem preencher uma área de 7000 metros quadrados de conquistas.

Posto isto, e em dia de FC Porto x FC Copenhaga, há que mencionar uma situação que passou em branco nas duas últimas semanas. Chidozie foi suspenso por dois jogos na Segunda Liga, por causa do lance que aconteceu aos 37 segundos deste vídeo.

O exercício é muito simples: comparar esta suposta cotovelada de Chidozie a outros lances que estão na memória recente de todos os portistas e adeptos do futebol português. E também comparar a celeridade com que estes casos são tratados. 


Este lance aconteceu a 28/08 e Chidozie, dois dias depois, estava a ser suspenso por 2 jogos. É de uma rapidez imensa, sobretudo quando comparada por exemplo com a cotovelada de Slimani a Samaris, lance que demorou quase 5 meses para ser analisado e que terminou com absolvição por parte da Justiça Federativa - antes de em Junho, já após o fim da época, deliberarem por fim um jogo de suspensão. E é difícil descobrir em que medida esta ação de Chidozie pode ter sido mais violenta do que a forma como Coates, William Carvalho e Slimani abordaram determinados lances no último Sporting x FC Porto. O problema é este e a palavra vai ser cada mais utilizada: critério, conforme explica o insuspeito Jorge Coroado. Venha do grego, kritérion, ou do latim, criteriu, o critério é essencial para compreender em que medida é que as coisas podem ser julgadas e comparadas. Seja entre comparar este lance de Chidozie com os de Slimani, seja entre perceber a diferença entre 1500 e 7000 metros quadrados. 

Mas o critério não pode desagradar a todos. Bruno de Carvalho, até há bem pouco tempo, defendia ferozmente o regresso ao sorteio dos árbitros e o fim do sistema de nomeações. 


E agora, que o sistema de nomeações se manteve? Ah, como as coisas mudam...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Uma nova escola

Já é por demais conhecida a história de Alexandre Gomes, filho de José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem, e que foi este ano contratado pelo Sporting. Vamos admitir a extrema coincidência de uma pessoa com forte influência na arbitragem ter um filho a jogar nos juvenis do Sporting. O miúdo é por certo o último a ter culpa de coisa alguma.

Mas o problema é quando se começa a formar um ligeiro padrão. No final de maio, Luciano Gonçalves chega à presidência da APAF. E depois do clássico entre Sporting e FC Porto, teve a sua primeira grande intervenção pública nessa condição. Disse isto.

«Não faz sentido, semana após semana, este tipo de críticas à arbitragem. Na nossa opinião, o Tiago Martins fez uma grande arbitragem no seu primeiro clássico». 

A bem da verdade, não foi a primeira vez que se pronunciou sobre a arbitragem. Depois das críticas do Benfica à arbitragem de Manuel Oliveira, veio a público dizer isto: «Criticar o árbitro, dizer que ele errou faz parte, é o mundo do futebol. Agora daí a levantar este ambiente de crispação junto dos árbitros e dos dirigentes da arbitragem é completamente errado. O ambiente criado pelo presidente do Benfica é desnecessário». Ena, um líder da APAF a mandar o presidente do Benfica ter cuidado com o que diz? Bravo! Como pode alguém criticar o presidente do Benfica? Hmmm...

Entretanto, José Fontelas Gomes saiu da APAF para o Conselho de Arbitragem. Luciano Gonçalves fazia parte da sua lista e foi então apoiado por Fontelas Gomes, por ser visto como uma solução de «continuidade». Elogie-se a sua intenção de tornar públicos os relatórios dos árbitros. Por certo, todos temos curiosidade em ver o que disse Tiago Martins no seu relatório de jogo. 

Mas a sintonia com José Fontelas Gomes vai muito além da arbitragem. Pois, Fontelas Gomes não é o único a ter um filho a jogar no Sporting. 



Não precisamos de mais do que fazer o exercício de imaginar o que se diria se Fontelas Gomes e Luciano Gonçalves tivessem os seus filhos a jogar no FC Porto. Quantos e quantos conflitos de ética tentariam descobrir? Neste caso, silêncio absoluto. 

Luciano Gonçalves fez carreira de árbitro, embora nunca ao mais alto nível. Mas teve também outras profissões. Por exemplo, no passado recente, era distribuidor independente da Herbalife, uma empresa de suplementos nutricionais. Não há problema nenhum em sê-lo, logicamente. 

Mas uma vez mais, é de uma extrema e inocente coincidência ver um dos parceiros da Herbalife, promovido pelo próprio Luciano Gonçalves...


Não sabemos o que levava aquele batido do Slimani, mas deve ser rico em nutrientes que fortalecem as articulações do cotovelo. Há mais, desde apresentações a televisão de boa qualidade (tudo publicações de Luciano Gonçalves nas redes sociais tornadas públicas). 


E no final, um bom manjar sabe sempre bem. 


Mau seria Luciano Gonçalves não aproveitar a visibilidade do terceiro maior clube português para promover a marca com a qual trabalhava. Fez ele muito bem. Mas é interessante imaginar como seria chegar ao Olival e ver os jogadores do FC Porto a brindar com herbalife, com filhos de pessoas influentes da arbitragem em Portugal nos escalões de formação, o Sporting a queixar-se da arbitragem e depois fazermos todas as ligações aqui descritas.

A terminar, uma questão: alô, FC Porto? Está aí alguém?

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Pontapé de saída

Quem não se lembra do colinho que até atropelou os regulamentos da FIFA? Tiago Martins e Fábio Veríssimo foram promovidos a árbitros internacionais contra as diretrizes da FIFA, que indicam que os árbitros «devem ter arbitrado regularmente na principal divisão do seu país durante pelo menos dois anos».

Tiago Martins foi promovido quando tinha dois jogos de Primeira Liga, enquanto Fábio Veríssimo, no espaço de um mês, passou de árbitro na distrital a árbitro internacional.

Entretanto, mudou a mosca, mas o resto permaneceu intacto. Saiu Vítor Pereira, entrou José Fontelas Gomes. Mas não sem em novembro último Vítor Pereira pisar, uma última vez, as recomendações da FIFA. João Pinheiro, então com 27 anos e apenas dois jogos de Primeira Liga, foi promovido a internacional, juntamente com Sérgio Piscarreta, que em 2015 passou do C2N3 para a primeira categoria. E que bem correu.


Piscarreta foi despromovido no ano seguinte não só à sua promoção à primeira categoria mas também no seu ano de estreia como árbitro internacional. Isto no ano seguinte à histórica descida de Marco Ferreira, que logo depois abandonou a arbitragem e revelou o que passava nos bastidores. Nunca será de mais lembrar. 


O Conselho de Arbitragem não só promove árbitros contra as diretrizes da FIFA como é capaz de, no ano seguinte, despromover o mesmo árbitro. É histórico para Piscarreta. Nenhum outro campeonato na Europa tem um caso idêntico. 

E agora vemos a ascensão de João Pinheiro, um jovem árbitro, agora de 28 anos, que foi promovido a árbitro internacional em novembro de 2015 - um mês após ter apitado pela primeira vez um jogo grande, no caso um jogo do Benfica na Taça de Portugal. Tirando isso, tal como Tiago Martins, tinha apenas 2 jogos de Primeira Liga na carreira. 

João Pinheiro foi um de 11 árbitros a declarar apoio a José Fontelas Gomes na corrida à presidência do Conselho de Arbitragem, num elenco de luxo que contava com nomes como João Capela, Carlos Xistra, Bruno Paixão, Jorge Ferreira e Manuel Mota. E agora, na primeira época completa que terá Fontelas Gomes como presidente do CA, o jovem árbitro vai estrear-se num jogo grande da Primeira Liga.

Qual? O Tondela - Benfica. Oxalá o jogo corra bem, pois seria tramado um jovem e promissor árbitro, internacional aos 27 anos, ficar desde logo manchado pela histórica dificuldade do Benfica em começar os campeonatos a vencer.


Está dado o pontapé de saída para a carreira de Fontelas Gomes à frente do CA, na mesma jornada em que Fábio Veríssimo, outro internacional precoce, vai arbitrar o FC Porto, enquanto Carlos Xistra vai dirigir o Sporting. Sporting esse que merecerá todo o interesse em ser seguido durante a época 2016-17, em particular a sua equipa de juvenis, que contratou o talentoso Alexandre Gomes. Que só por mera e impertinente coincidência é filho de José Fontelas Gomes. Aquela perguntinha que irrita: o que se diria se fosse o FC Porto?

PS: Já foi dito praticamente tudo sobre o caso Depoitre. Ninguém sabia que o jogador não podia ser inscrito para o playoff da Champions. Mas a quem gere os destinos do FC Porto é sempre exigível muito mais. E nem é exigir assim tanto, basta saber os regulamentos das provas em que o clube está inscrito. O presidente confirmou que o assunto foi tratado com máxima celeridade, enquanto estava a acompanhar a Volta, e Depoitre chegou ao Porto na companhia de D'Onofrio às 2 da manhã. Pinto da Costa diz que foi inscrito com o objetivo de estar disponível para a Champions. Ou seja, não houve nenhuma reserva ou cautela assumida, pois a verdade é que o FC Porto julgava que o jogador podia jogar. Não podia, até porque o regulamento não permite diferentes interpretações. Felizmente o «esclarecimento» publicado pelo FC Porto não é assinado pelo Conselho de Administração, senão a vergonha seria ainda maior. Ou então é maior ainda por não ser diretamente assumido, e por ter que ser Nuno Espírito Santo (já começa!) quem teve que responder às questões sobre esse tema.

Depoitre vs. pré-época
Mas de facto, é confusa a questão de contar com Depoitre já para o playoff da Champions. Conforme foi defendido no post anterior, o FC Porto passou toda a pré-época a treinar e a trabalhar um esquema no qual Depoitre não encaixa (pelo menos nunca tão bem como André Silva). E era com uma semana de trabalho que ia já ser opção contra a Roma? As caraterísticas de Depoitre são mais importantes do que os mais de 50 treinos que Nuno fez com o plantel? É verdade que meter um ponta-de-lança forte na grande área para o chuveirinho não é a tática mais complicada de se trabalhar, mas o FC Porto teve quase 2 meses para preparar uma dinâmica de jogo forte, em que se assuma e possa confiar em André Silva. Se Depoitre iria fazer falta, tinha que ser contratado muito antes, não em cima do fecho das inscrições. A demora tem uma palavra, a mais utilizada nos últimos três dias: amadorismo. Um erro que não víamos em Portugal desde que o Sporting, de Godinho Lopes, tentou inscrever Marius Niculae (com as devidas diferenças, de bem maior gravidade pendente para o FC Porto). Bater no fundo não é perder com o Tondela, é ter um ato de gestão só à altura do Sporting de Godinho Lopes. 

Embora Depoitre tenha sido contratado com o objetivo de estar já disponível contra a Roma, não foi contratado para jogar apenas o playoff. A época será longa e oxalá consiga revelar utilidade em jogos futuros. De preferência antes do final do mês. Porque se acham que já seria útil com uma semana de treinos, então isso só pode deixar água no boca para quando tiver um mês de trabalho.

O FC Porto começa amanhã um campeonato para o qual não é favorito. Não, o FC Porto não é favorito para ser campeão em 2016-17. E o que é isso de ser favorito? Basicamente, aquilo que o Bayern Munique era na final da Taça dos Campeões Europeus de 87, ou aquilo que o Manchester United era nos oitavos de 2004, ou aquilo que a França era no Euro 2016. O padrão está bem claro: o favoritismo cai quando se depara contra uma equipa onde todos remam para o mesmo lado, em prol do bem comum e maior. O problema existe quando acham que isto tem que começar pelos internautas, e não pelos superiores. A Nuno Espírito Santo e ao plantel uma mensagem de força e incentivo. Enquanto lutarem pelo FC Porto, os portistas lutarão com vocês.

PS2: Só para lembrar. O International Board aprovou uma série de alterações nas leis de jogo para esta época, que o FC Porto vai estrear em Vila do Conde. Era só mesmo para lembrar. Não vá alguém esquecer-se dos regulamentos.