Mais de cinco semanas depois desta frase de Nuno Espírito Santo, o FC Porto recebeu 4 jogadores para o plantel principal. Depoitre, contratação em contrarrelógio pela mão de Luciano D'Onofrio e que chegou sem aparentar encaixar muito bem no que estava a ser preparado até então por Nuno Espírito Santo; Óliver Torres (que estava de facto há muito tempo identificado e, este sim, tinha que ser um jogo de paciência) e Diogo Jota (a hipótese possível para ter mais um extremo, mais rápido e vertical, sem implicar grandes custos imediatos), ambos por Jorge Mendes; e a fechar o mercado, Boly, que não a era prioridade do FC Porto, tanto que o clube preferiu esperar até ao limite pela possibilidade de ter Mangala por empréstimo, em vez de fechar logo um jogador que chegou a estar com tudo feito para rumar ao FC Porto antes de Rafa.
O plantel está fechado e o FC Porto pode ter conseguido ontem o melhor reforço da época. Chama-se Yacine Brahimi. O plantel, comparativamente há um ano, pode não ser estar necessariamente mais fraco (entre os jogadores que terminaram a época, entre os que podiam ter um papel importante só saiu Aboubakar), pelo contrário, resta saber se será suficiente para lutar pelos objetivos propostos. Estamos melhores do que há uma semana, estamos melhores do que há um mês. Mas estamos a falar da necessidade de recuperar mais de uma dúzia de pontos em relação a Benfica e Sporting (tomando por referência a classificação da última época). São três fortes candidatos ao título, e ninguém no FC Porto pode assumir a dianteira do favoritismo, por reconhecer o quão difícil será lutar por este título. O mercado de transferências não foi tão bom como o de Mark Zuckerberg, isso não. Mas o plantel não piorou, que é algo que não pôde ser dito na pré-época de 2015-16.
Começando pela questão financeira. A SAD só vai apresentar o seu orçamento para 2016-17 na segunda quinzena de outubro, mas esperam-se tempos muito difíceis. A SAD está sistematicamente a falhar nas suas metas financeiras, sobretudo de há dois anos e meio para cá. O FC Porto precisava mais de 70M€ de mais-valias no último exercício, e não as fez. Alex Sandro foi a última boa venda do FC Porto. E apesar de o FC Porto ainda ter conseguido recuperar nas receitas da UEFA que estavam previstas, ao apurar-se para a Champions (dar por garantido o apuramento para 2017-18 seria novamente um risco enorme), é claro que não vai chegar. Se terá que haver vendas em janeiro, o futuro o dirá.
Já neste mês de Setembro há um reembolso/renegociação de 17M€ ao Novo Banco, que tinha como garantias Herrera ou Brahimi. Nenhum deles saiu. O orçamento para 2016-17 já terá um buraco que em tudo se espera superior a 40M€ (vai ser o maior da história do futebol português), a avaliar pelas receitas que não entraram na última época; e se o FC Porto voltar a apresentar um orçamento suicida, muito distante da autos-sustentabilidade, assusta imaginar a quantidade de jogadores que tenha que ser vendida no final da época. E se Jorge Mendes (uma vez mais, um exemplo de que sem propostas de Jorge Mendes é bem mais difícil para o FC Porto vender jogadores) não tiver propostas boas, mais difícil será. (IN)felizmente, já tem mão sobre as nossas duas maiores pérolas da formação, Rúben Neves e André Silva. É certamente um tema mais apropriado para o final da época 2016-17, mas que quando chegar não pode deixar ninguém surpreendido.
Já neste mês de Setembro há um reembolso/renegociação de 17M€ ao Novo Banco, que tinha como garantias Herrera ou Brahimi. Nenhum deles saiu. O orçamento para 2016-17 já terá um buraco que em tudo se espera superior a 40M€ (vai ser o maior da história do futebol português), a avaliar pelas receitas que não entraram na última época; e se o FC Porto voltar a apresentar um orçamento suicida, muito distante da autos-sustentabilidade, assusta imaginar a quantidade de jogadores que tenha que ser vendida no final da época. E se Jorge Mendes (uma vez mais, um exemplo de que sem propostas de Jorge Mendes é bem mais difícil para o FC Porto vender jogadores) não tiver propostas boas, mais difícil será. (IN)felizmente, já tem mão sobre as nossas duas maiores pérolas da formação, Rúben Neves e André Silva. É certamente um tema mais apropriado para o final da época 2016-17, mas que quando chegar não pode deixar ninguém surpreendido.
Desportivamente falando, vamos começar por Brahimi. É de um amadorismo histórico a gestão do FC Porto do seu caso. Todos davam como adquirido que Brahimi iria sair. Não saiu, também porque a Doyen Sports é incapaz de fazer uma boa venda para o FC Porto. O FC Porto já deu muito dinheiro a este fundo, que tem sido incapaz de arranjar boas propostas para jogadores do FC Porto (ou pelo menos que se tenham concretizado em saídas). Repare-se que o maior negócio com intervenção da Doyen, Mangala, só foi possível porque foi Jorge Mendes a conduzir as negociações com o City. E agora a Doyen não arranja sequer uma boa saída para Brahimi? Façam lá uma coisa: quando arranjarem uma boa proposta por Sérgio Oliveira, visto que compraram 25% do passe já depois da FIFA ter proibido a partilha de passes por terceiros, o FC Porto volta a negociar com vocês. Boa? O Sporting já fez mais dinheiro sem Doyen do que o FC Porto com Doyen. A refletir.
![]() |
| Reforço entre o caos |
E do lado contrário podemos ver exemplos que envergonham o FC Porto - aliás, não envergonham o FC Porto, envergonham sim quem tomou estas decisões para o clube. Slimani estava vendido ao Leicester, mas jogou contra o FC Porto e marcou; e há bem pouco tempo, Matic também já estava vendido ao Chelsea, ainda fez birra numa manhã de clássico, mas foi a jogo e ajudou a derrotar o FC Porto.
Pobre do portista que aceitar que Benfica e Sporting façam mais para ganhar os seus jogos do que o FC Porto. Isso é inaceitável! O FC Porto tinha um ativo valioso nos seus quadros que não estava a utilizar. Quem inibiu a sua utilização deve assumir responsabilidades. Podia haver a hipótese/necessidade de sair, mas que estivesse integrado e a jogar até então. Compreender-se-ia a sua ausência se o FC Porto já tivesse um sucessor/alternativa, mas não tinha. Ou tinha Adrián López, que chegou a estar dispensado na equipa B. Uma explicação sobre este caso, é o mínimo que se pode pedir, sobretudo com a imprensa inglesa a afirmar que o FC Porto recusou 40M€ por Brahimi. Depois de termos testemunhado, na novela Rafa-Braga-Benfica-Araújo (só para não dar um exemplo do FC Porto), que um simples empresário pode deitar um negócio que estava feito a perder por causa de uma comissão, seria bom o FC Porto explicar por que é que Brahimi acabou por não sair. Não finjam que não se passa nada. Estamos em 2016, na era da comunicação.
E agora tem que começar a reabilitação de Brahimi, percebendo que pode ser o maior reforço para o FC Porto esta época. Vai ser um grande desafio para Nuno Espírito Santo, recuperar o jogador. Tem todas as caraterísticas que podem interessar a NES, mas em janeiro vai para a CAN, e não está com ritmo competitivo. Se estiver bem, se estiver comprometido com o FC Porto (não é fácil, pois é um jogador que estava convencido de que ia sair - não estamos a falar de um jogador que estava a jogar e que mantinha a mera expetativa de sair), Brahimi pode ser um grande reforço. Até lá, que se explique a sua ausência. E não deixem Nuno Espírito Santo em fogo cruzado, a responder por decisões que não tenham sido tomadas por ele.
E agora vamos ao último negócio do defeso - tirando Areias, mais um entre muitos negócios difíceis de compreender que o FC Porto tem vindo a fazer com o V. Guimarães nos últimos anos, tendo o único de facto pertinente sido a contratação de Ricardo Pereira. Seria, sem dúvida, interessante o FC Porto revelar a cláusula de compra que tem de Areias. Interessante ou chocante. Mas ei, pode dar sorte: a última vez que o FC Porto teve um Areias em campo ganhou ao Chelsea. E era Nuno o guarda-redes. Pronto, está explicado.
![]() |
| Qualidade =/= preço |
Mas Boly vale, à data de hoje, uma avaliação de 8M€? Não, não vale. Não só porque isso torná-lo-ia o defesa-central mais caro da história do FC Porto e uma das maiores vendas da história do Braga. Depois de quase mais uma comidela, que seria o negócio Rafa (em boa hora o FC Porto não o fez), António Salvador volta a rir-se na hora de negociar com o FC Porto. Faz uma boa venda e fica com uma dupla de centrais bastante boa de jogadores dispensados pelo FC Porto (Ricardo Ferreira, que infelizmente está lesionado e era/é o melhor defesa do Braga, e André Pinto).
Todos os jogadores comprados pelo FC Porto nesta janela de transferências chegaram com uma avaliação entre 6 e 8M€. Foi assim com Boly, Depoitre, Layún, Felipe e Alex Telles. O resto dividiu-se entre empréstimos e jogadores em free-agent (considerem mudar esta expressão para expensive-agent). Como se explica então que o FC Porto, tendo dificuldades financeiras, só tenha comprado jogadores na casa dos 6M€?
Aqui já se reflete o quão mal a SAD está a lidar com o fim da partilha de passes imposto pela FIFA. Há três épocas, o FC Porto dificilmente absorveria a totalidade dos passes de todos estes jogadores. Neste caso, é logo obrigado a comprar os 100%, pelo que todas as compras estão a ser inflacionadas nesse sentido. Além disso, são contratações cujo maior impacto (no que toca ao pagamento a outros clubes) não é imediato. O que explica que se prefira o caro, a pagar mais tarde, em detrimento do mais barato, mas a pagar mais agora. É perceber, mas não é concordar.
É de recordar que os centrais mais caros da história do FC Porto (Indi e Reyes) foram emprestados. Felipe, o 3º mais caro, está a adaptar-se. Marcano está a fazer um grande início de época, mas não é difícil adivinhar que, ao primeiro erro, metem-lhe a cabeça na guilhotina. À partida, pensando em Boly, Marcano e Felipe, é natural que se mantenha a dupla de centrais atualmente titular. Mas quando chega um central de 8M€, por norma tem que jogar. Não faz muito sentido NES encostar Marcano na sua melhor fase, tal como não fará sentido um central de 8M€ não jogar. Certo é que passamos a ter, pelo menos, 3 centrais para o totobola, pois Reyes e Chidozie (que continua no clube) não contavam para Nuno.
É bom não esquecer que Boly, há um ano, estava na lista de dispensáveis do Braga. Depois de ter mostrado algumas coisas boas no Auxerre (ainda que não esquecendo que, mesmo após duas épocas na Ligue 2, nenhum clube francês lhe quis pegar - atenção à condição física!), saiu e foi para a equipa B. Só teve a oportunidade de fazer um jogo na equipa A. No arranque da época 2015-16, Paulo Fonseca deu-lhe uma oportunidade e Boly agarrou-a. Fez uma boa época, mas apenas isso: uma boa época. E de repente já merece ser o defesa mais caro da história do FC Porto, do Braga e de todo o futebol português?
A história de que os jogadores valem o que os clubes pagam por eles é muito gira, mas é para clubes que respiram saúde financeira, não para o FC Porto, que vem acumulando prejuízos colossais. Os clubes que não dependem de mais-valias para subsistir, esses sim, podem pagar o que quiserem; mas para quem, além de depender de mais-valias, nem sequer fez essas mesmas mais-valias, não.
Dito isto, enunciemos as qualidades de Boly. Sim, porque Boly tem qualidade. O que está em causa é o preço aplicado ao contexto. Boly é um central que joga muito bem na dobra. Antecipa-se muito bem, corta muitos lances em antecipação, chega facilmente primeiro aos cruzamentos, ganha quase tudo pelo ar. Além disso, Boly mostrou, em Braga, ser bastante competente no primeiro passe. Não inventa. É o típico central que limpa tudo.
Mas há o lado contrário. Boly joga muito melhor na dobra do que na marcação, e tem muitas dificuldades quando é forçado a manter posição. No 1x1, Boly (ainda) treme muito, chega a ser duro de rins. Tudo o que seja para limpar, contem com Boly. Mas se um avançado vai para cima dele, a coisa complica-se. Aí Boly já não é um especialista no desarme.
No Braga, Boly preocupava-se sobretudo em limpar e afastar as bolas da grande área. Para o lado que estivesse virado, fazia o corte. E faz isso muito bem. Mas no FC Porto não vai poder ser assim. O FC Porto não mete simplesmente a bola para fora. Bolas cortadas pela linha lateral, ou pela linha de fundo, só em caso de extrema necessidade. Aqui, Boly tem que transformar um desarme num início de construção. Recuperar e sair a jogar. Vai ser uma nova realidade para ele. Por isso, sim, Boly tem qualidade; mas não tem qualidade que valha o que custa, e há muitos aspetos no seu jogo que vão necessitar de maturação.
Como o FC Porto teve boas referências de Boly enquanto profissional - soube esperar pela sua oportunidade em Braga -, oxalá chegue com toda a disponibilidade para aprender e evoluir. O fardo do que custou não estará sobre ele.
![]() |
| Alternativa |
Com a chegada de Óliver Torres e a possível recuperação de Brahimi, o FC Porto fica com outros argumentos para lutar pelos seus objetivos. Mas isso não invalida que uma pré-época assumidamente iniciada em Abril deste ano não podia espelhar tamanha desorganização e má gestão. Não tivesse o FC Porto conseguido o apuramento para a Champions e as coisas podiam estar bem mais feias. E não era preciso muito para isso acontecer: bastava apanhar um Tiago Martins em Roma.
Tendo em conta que o FC Porto ainda cedeu vários jogadores (uma vez mais, o FC Porto não comunicada nada aos adeptos, que só vão sabendo das saídas de jogadores através da imprensa), vamos deixar essa análise para um próximo post, até porque com a pausa para os jogos internacionais será tempo de deixar Nuno Espírito Santo e o plantel trabalharem. Mas alguém se lembra de Helton?
Muitos adeptos esquecem que Helton ainda é um profissional assalariado do FC Porto. Helton não terminou a carreira, nem rescindiu contrato. A única coisa que a SAD e Helton informaram, num comunicado conjunto, foi que Helton não integraria o plantel de 2016-17. À data de hoje, não havendo ainda confirmação contrária, Helton é um futebolista do FC Porto que não tem colocação. Como o é Quintero, por exemplo. Se não fosse pedir muito, resolver as coisas com o ex-capitão do FC Porto calhava bem.
Dispensemos o clichê do vamos à luta com os que temos. Havíamos de ir com quem? Com os que não temos? Tem que ser dessa forma, não poderia ser de outra. 1/8 da Liga dos Campeões, tentar lutar pelo título até ao final e entrar na Liga dos Campeões, fazer os possíveis para regressar ao Jamor. Em cada jogo, deixar claro que o FC Porto esgotou todas as armas à sua disposição para ganhar. É o mínimo que se pode pedir. E o máximo também. Força, equipa.
Dispensemos o clichê do vamos à luta com os que temos. Havíamos de ir com quem? Com os que não temos? Tem que ser dessa forma, não poderia ser de outra. 1/8 da Liga dos Campeões, tentar lutar pelo título até ao final e entrar na Liga dos Campeões, fazer os possíveis para regressar ao Jamor. Em cada jogo, deixar claro que o FC Porto esgotou todas as armas à sua disposição para ganhar. É o mínimo que se pode pedir. E o máximo também. Força, equipa.










