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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A confiança não pode enganar ninguém

Aly Cissokho não foi convocado por Lopetegui para defrontar o Estoril. Não há problemas físicos, foi opção técnica. Uma surpresa? Não, não pode ser. Porque a verdade é apenas uma: Cissokho não está, neste momento, pronto para se apresentar ao nível de Alex Sandro.

Tempo: Cissokho ainda
não o teve
Há uma diferença entre um jogador que custa 26 milhões de euros à Juventus e outro que é dispensado pelo Aston Villa. Por termos visto a belíssima meia época de Cissokho em 2008-09, muitos adeptos chegaram ao ponto de dizer que Cissokho era igual ou melhor do que Alex Sandro. Neste momento, é impossível sequer compará-los.

Desde fevereiro de 2015, Cissokho só fez dois jogos oficiais. Dois. O último pelo Aston Villa, em abril, e o jogo na Madeira. Tendo os laterais uma enorme importância no FC Porto de Lopetegui, não se pode pedir a um jogador que fez dois jogos em meio ano que chegue e faça com que não se sinta a saída do dono do lado esquerdo da defesa dos últimos três anos. Alex Sandro é o terceiro lateral esquerdo mais caro de sempre. Não será fácil substituí-lo.

Muitos acharam que Cissokho quase não precisaria de período de adaptação por já ter jogado no FC Porto. Completamente errado. Cissokho não conhece nada deste FC Porto. Temos uma concorrência que não tínhamos em 2008-09, novos colegas, novo treinador, novos processo de jogo. É tudo novo para Cissokho, que nem sequer estava a jogar no Aston Villa. Além disso, chegou já com a pré-época perto do fim e ainda teve o azar de se lesionar. Na Madeira, aos 5 minutos cometeu um erro grave e ficou marcado para todo o jogo. Tudo estava contra Cissokho, que além disso jogou com Brahimi (que pouco ajuda os laterais, mesmo nas combinações ofensivas) no seu flanco pela primeira vez.

Por ninguém do FC Porto ter dito o contrário, nasceu a teoria de que o FC Porto já sabia que ia perder Alex Sandro e que Cissokho foi contratado para precaver essa saída. Não é, nem pode ser assim. Por todos os motivos acima referidos, não podíamos pensar em Cissokho como um jogador com totais condições para chegar e assumir logo a titularidade.

Perdemos mais do que
um mero titular
Como alternativa a Alex Sandro, entendia-se e subscrevia-se, pois até permitiria a Ángel jogar uma época com regularidade. Pinto da Costa deu vários sinais ao mercado - e a Lopetegui - de que Alex Sandro seria para ficar. Quando saiu, depositou-se todas as fichas em Cissokho e congelou-se Ángel. Depois da exibição de Cissokho nos Barreiros, de repente «já não serve».

Nos Barreiros quase toda a equipa esteve mal, não foi apenas Cissokho. E não são estes 90 minutos a dizer que Cissokho não pode chegar, ver e vencer: é tudo o que foi descrito acima. Cissokho precisa de treinar, inteirar-se ainda melhor sobre a nova realidade do FC Porto, ganhar confiança e rotinas de jogo.

Cissokho não ser convocado é normal. Anormal foi ter lançado Cissokho já contra o Marítimo, até porque quando começou a semana tudo apontava para a titularidade de Alex Sandro. E agora, à 3ª jornada, o FC Porto vai usar o terceiro jogador diferente nessa posição. Passamos de uma dupla de laterais que custou 22,6 milhões de euros e foi transferida por 57,2 milhões de euros para outra contratada a custo zero. Maxi Pereira começou muito bem, mas é mais do que natural que haja uma quebra de qualidade no conjunto das laterais.

Percebe-se que Lopetegui tenha pedido uma solução mais experiente e de provas dadas para o lado esquerdo da defesa. Mas por outro lado, se Lopetegui já tinha aprovado as contratações de Ángel e Cissokho, a margem para pedir um terceiro jogador fica curta (tudo tem um limite para as exigências do treinador). É muito difícil encontrar um bom lateral-esquerdo, mas a terceira tentativa não pode ser uma mera aposta, tem que ser uma certeza.

Os adeptos podem manter total confiança em Cissokho. Mas essa confiança não pode encobrir a realidade do presente: a saída de Alex Sandro deixou um buraco que vai levar tempo para cobrir. Tempo esse de que Cissokho ainda não dispôs o suficiente. E tal como 90 minutos não podem condenar Cissokho ao insucesso, não vão ser os 90 minutos de quem ocupar o seu lugar contra o Estoril que darão à SAD a mensagem de que podem passar o domingo descansados sem pensar em inscrições na segunda-feira.

PS: Caro Simonian, queremos Otamendis e Falcaos, não queremos Predigers ou Quiñones (rescindir contrato com um jogador que custou 2M€ sem nem sequer divulgar uma informação oficial nesse sentido!?). E depois da insistência dos últimos anos em aproveitar o último dia do fecho do mercado para inscrever, com alguma pressão e discrição, ditas promessas (Quiño em 2012, Kayembé em 2013, Otávio em 2014), fica o desejo para o último dia do mercado: não precisamos de promessas, precisamos de certezas.

PS2: Pinto da Costa vai ser operado no sábado (não esta sexta-feira), uma cirurgia simples. sem riscos e sem relação com os problemas de 2012. O presidente voltará depressa e a 100%.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Oportunidades

Pablo Osvaldo é oficialmente reforço, mesmo com uma ambiguidade que soa a José Régio. «Não sabemos de onde vem, sabemos que vem para aqui.» No momento do R&C do 1º trimestre poderemos avaliar com maior rigor a transferência, esperemos, mas para já importa destacar que o contrato defende o investimento da SAD. Um ano de contrato, dois de opção. Boa decisão.

Se o FC Porto for campeão e Osvaldo fizer uma boa dose de golos, ninguém se importará com os meios, nem com quanto custaram os meios. Só não queiramos comprar a história cor de rosa de que o Uruguai é agora uma forma de fugir aos impostos numa contratação. Interessante, é tão vantajoso que só se lembraram de o fazer com Osvaldo? Porque não, só para citar outro jogador contratado a custo zero, com Maxi Pereira, que até é uruguaio? Na duração do contrato, o FC Porto defendeu-se bem. Esperemos que também o tenha feito nos valores e meios praticados para contratar Osvaldo.

Com golos tudo se resolve
Ao jogador, exigimos o mesmo que a outro qualquer: empenho e respeito. Osvaldo não será julgado pelo que fez no passado. Será julgado pelo que fizer ao serviço do FC Porto. «Enquanto formos bons rapazes somos sempre comidos». Este de bom rapaz não tem nada. Mas aquilo em que estamos mais interessados é em ter um bom profissional, um bom goleador e boa concorrência para Aboubakar.

Entretanto, Cissokho regressou a casa e fica com o seu 28. Uma contratação interessante, na medida em que se trata de um jogador de qualidade, que conhece os cantos à casa, e a verdade é que desde que deixou o FC Porto foi sempre titular com regularidade em grandes equipas ou grandes ligas, por maiores ou menores críticas que recebesse. E era um negócio de ocasião, daqueles que se aproveita no momento ou pode-se lamentar mais tarde.

Será uma boa alternativa a Alex Sandro, que não pode sair do FC Porto. Primeiro, por Pinto da Costa ter dado a renovação como garantida. Segundo, porque se já foram rejeitados 25 milhões limpos (isto para não referir os 30M€ comentados por Pinto da Costa na entrevista a O Jogo), ou estamos à espera que algum clube perca a cabeça por um jogador quase em fim de contrato ou não é mesmo para vender. Não é para vender, mas já o sabem: o FC Porto não está obrigado a vender jogadores até ao final de Agosto, mas se não o fizer terá que o fazer entre Janeiro e Junho de 2016, possivelmente até com negócios de antecipação como foram Otamendi e Danilo. Nada que a SAD já não saiba.

Assim, abre-se a porta para José Ángel rodar e ser titular noutras paragens. Desenganem-se, Ángel foi uma boa contratação, na medida em que obedecia a uma lógica: jogador com escola, experiente, titular em bons clubes e bons campeonatos. Além disso, chegou ao FC Porto sem encargos no imediato. Foi uma boa contratação. Foi uma boa alternativa a Alex Sandro na última época, mas se em 2015-16 não voltaria a ser titular e não havia confiança para lhe entregar a titularidade em caso de saída de Alex Sandro, procurar uma solução no mercado é uma decisão que se compreende.

A terminar, uma curiosidade: Cissokho em dois pares de meses no FC Porto ganhou tantos títulos como Dani Osvaldo em toda a carreira. Sim, Osvaldo, é assim que as coisas funcionam por cá.