Aly Cissokho não foi convocado por Lopetegui para defrontar o Estoril. Não há problemas físicos, foi opção técnica. Uma surpresa? Não, não pode ser. Porque a verdade é apenas uma: Cissokho não está, neste momento, pronto para se apresentar ao nível de Alex Sandro.
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| Tempo: Cissokho ainda não o teve |
Há uma diferença entre um jogador que custa 26 milhões de euros à Juventus e outro que é dispensado pelo Aston Villa. Por termos visto a belíssima meia época de Cissokho em 2008-09, muitos adeptos chegaram ao ponto de dizer que Cissokho era igual ou melhor do que Alex Sandro. Neste momento, é impossível sequer compará-los.
Desde fevereiro de 2015, Cissokho só fez dois jogos oficiais. Dois. O último pelo Aston Villa, em abril, e o jogo na Madeira. Tendo os laterais uma enorme importância no FC Porto de Lopetegui, não se pode pedir a um jogador que fez dois jogos em meio ano que chegue e faça com que não se sinta a saída do dono do lado esquerdo da defesa dos últimos três anos. Alex Sandro é o terceiro lateral esquerdo mais caro de sempre. Não será fácil substituí-lo.
Muitos acharam que Cissokho quase não precisaria de período de adaptação por já ter jogado no FC Porto. Completamente errado. Cissokho não conhece nada deste FC Porto. Temos uma concorrência que não tínhamos em 2008-09, novos colegas, novo treinador, novos processo de jogo. É tudo novo para Cissokho, que nem sequer estava a jogar no Aston Villa. Além disso, chegou já com a pré-época perto do fim e ainda teve o azar de se lesionar. Na Madeira, aos 5 minutos cometeu um erro grave e ficou marcado para todo o jogo. Tudo estava contra Cissokho, que além disso jogou com Brahimi (que pouco ajuda os laterais, mesmo nas combinações ofensivas) no seu flanco pela primeira vez.
Por ninguém do FC Porto ter dito o contrário, nasceu a teoria de que o FC Porto já sabia que ia perder Alex Sandro e que Cissokho foi contratado para precaver essa saída. Não é, nem pode ser assim. Por todos os motivos acima referidos, não podíamos pensar em Cissokho como um jogador com totais condições para chegar e assumir logo a titularidade.
| Perdemos mais do que um mero titular |
Como alternativa a Alex Sandro, entendia-se e subscrevia-se, pois até permitiria a Ángel jogar uma época com regularidade. Pinto da Costa deu vários sinais ao mercado - e a Lopetegui - de que Alex Sandro seria para ficar. Quando saiu, depositou-se todas as fichas em Cissokho e congelou-se Ángel. Depois da exibição de Cissokho nos Barreiros, de repente «já não serve».
Nos Barreiros quase toda a equipa esteve mal, não foi apenas Cissokho. E não são estes 90 minutos a dizer que Cissokho não pode chegar, ver e vencer: é tudo o que foi descrito acima. Cissokho precisa de treinar, inteirar-se ainda melhor sobre a nova realidade do FC Porto, ganhar confiança e rotinas de jogo.
Cissokho não ser convocado é normal. Anormal foi ter lançado Cissokho já contra o Marítimo, até porque quando começou a semana tudo apontava para a titularidade de Alex Sandro. E agora, à 3ª jornada, o FC Porto vai usar o terceiro jogador diferente nessa posição. Passamos de uma dupla de laterais que custou 22,6 milhões de euros e foi transferida por 57,2 milhões de euros para outra contratada a custo zero. Maxi Pereira começou muito bem, mas é mais do que natural que haja uma quebra de qualidade no conjunto das laterais.
Percebe-se que Lopetegui tenha pedido uma solução mais experiente e de provas dadas para o lado esquerdo da defesa. Mas por outro lado, se Lopetegui já tinha aprovado as contratações de Ángel e Cissokho, a margem para pedir um terceiro jogador fica curta (tudo tem um limite para as exigências do treinador). É muito difícil encontrar um bom lateral-esquerdo, mas a terceira tentativa não pode ser uma mera aposta, tem que ser uma certeza.
Os adeptos podem manter total confiança em Cissokho. Mas essa confiança não pode encobrir a realidade do presente: a saída de Alex Sandro deixou um buraco que vai levar tempo para cobrir. Tempo esse de que Cissokho ainda não dispôs o suficiente. E tal como 90 minutos não podem condenar Cissokho ao insucesso, não vão ser os 90 minutos de quem ocupar o seu lugar contra o Estoril que darão à SAD a mensagem de que podem passar o domingo descansados sem pensar em inscrições na segunda-feira.
PS: Caro Simonian, queremos Otamendis e Falcaos, não queremos Predigers ou Quiñones (rescindir contrato com um jogador que custou 2M€ sem nem sequer divulgar uma informação oficial nesse sentido!?). E depois da insistência dos últimos anos em aproveitar o último dia do fecho do mercado para inscrever, com alguma pressão e discrição, ditas promessas (Quiño em 2012, Kayembé em 2013, Otávio em 2014), fica o desejo para o último dia do mercado: não precisamos de promessas, precisamos de certezas.
PS2: Pinto da Costa vai ser operado no sábado (não esta sexta-feira), uma cirurgia simples. sem riscos e sem relação com os problemas de 2012. O presidente voltará depressa e a 100%.
PS2: Pinto da Costa vai ser operado no sábado (não esta sexta-feira), uma cirurgia simples. sem riscos e sem relação com os problemas de 2012. O presidente voltará depressa e a 100%.







