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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Análise 2017-18: os atacantes (2)

Contrato até 2021
Vincent Aboubakar - No início da época, perspetivava-se que Aboubakar, sendo titular, conseguiria sem problemas superar as contribuições em golos de André Silva na última época. E assim foi, com o camaronês a conseguir 26 golos e 7 assistências. Mas o mais notório é que Aboubakar praticamente fez isso em meia época, o que diz muito do elevado rendimento que teve até janeiro e da grande quebra que sofreu desde então. 

Entre problemas físicos e quebra de rendimento, Aboubakar fez apenas um golo e uma assistência nos últimos quatro meses da época. Até então, os seus golos foram sendo sempre sinónimo de vitórias - o FC Porto venceu 18 dos 19 jogos em que Aboubakar marcou. O camaronês, além dos golos que marcou, criou tantas ocasiões de golo flagrantes como Soares e Marega juntos (13), mas dos três foi aquele que teve menor eficácia em duelos ganhos (41%) e dribles eficazes (53%). Embora grande parte dos golos de Aboubakar pareçam quase sempre obtidos em esforço (há quase sempre um ressalto ou um desvio ao barulho), terminou a época como melhor marcador da equipa, mas a sua época teve claramente um «antes» e «depois». O mesmo é dizer que o Aboubakar da primeira parte da época tem tudo para se manter como referência goleadora da equipa, mas o Aboubakar pós-janeiro não pode carregar as dependências ofensivas da equipa. 

É de recordar que a SAD comprou a totalidade do passe de Aboubakar no decorrer da época, elevando o seu custo total a 11,5 milhões de euros, além da operação de renovação de contrato ter custado 5,1 milhões de euros (verba que inclui prémio de assinatura e comissões, tendo sido uma das renovações contratuais mais caras da história da SAD). É um ativo que tem que continuar a ser rentabilizado, até porque não aparenta haver compradores (pelo menos que agradem a todas as partes) que cubram o investimento em Aboubakar, mas o avançado tem que ser mais do que um jogador de meia época, embora ter tido interferência direta em 33 golos sejam números que muitos avançados não conseguem numa temporada inteira. 

Contrato até 2019
Gonçalo Paciência - Repescado no mercado de inverno, na altura quando a saída de Soares estava a ser negociada, o avançado português acabou por ser remetido a um papel secundário no FC Porto, até porque o brasileiro acabou por ficar no plantel. Foi apenas duas vezes titular, uma contra o Sporting (o único jogo em que conseguiu ter interferência decisiva, no passe para Brahimi), e de resto foi suplente utilizado de forma residual. A segunda metade da época acabou por quebrar o rendimento que estava a ter em Setúbal e, neste momento, parte no último lugar da hierarquia de opções para o ataque e dificilmente o FC Porto terá interesse em ir ao mercado pescar um jogador para ser suplente de Gonçalo Paciência. Ainda assim, face às caraterísticas e talento reconhecido por todos os que já trabalharam com o avançado, a um ano do final de contrato justificar-se-ia a renovação, pois o avançado, mesmo não ficando no plantel, pode perfeitamente ser titular na grande maioria das equipas da I Liga. Tudo dependerá do aval do Sérgio Conceição, sendo certo que ou joga com regularidade em 2018-19, ou arriscar-se-á a carregar o rótulo de eterna promessa. 

Contrato até 2020
Moussa Marega - O inesperado melhor marcador da equipa no Campeonato. Semana após semana, Marega conseguia combinar os mais sofríveis números no contacto com bola com a garantia de que ia fazendo um golo por jornada. Sérgio Conceição encontrou uma forma de encaixar a dimensão física de Marega na equipa e fazer com que o maliano, embora poucas vezes conseguisse acertar uma diagonal ou um cruzamento, tivesse sempre presença no ataque, ajudasse a esticar o jogo e a pressionar a linha defensiva adversária. Não é assim tão comum conseguir 22 golos no Campeonato - o último a fazê-lo foi Jackson, em 2013 -, por isso Marega distingue-se pela média de golos que conseguiu na Liga, uma surpresa que talvez não encontra paralelo desde os tempos de Pena. 

E agora? Agora seria a oportunidade perfeita para conseguir uma grande venda com Marega. Um jogador pelo qual ninguém dava dois tostões (daí que a SAD tenha dado 30% do passe de Marega ao Vitória de Guimarães aquando da contratação de Soares), que só não foi dispensado no início da época porque não sobravam mais opções e que foi reabalitado. O próprio jogador, mesmo sendo aclamado pela massa adepta, não se inibiu de afirmar que gostaria de ir para Inglaterra, mesmo sem saber se haveria propostas: Marega sabe que esta época foi única. Tem 27 anos, dois anos de contrato para cumprir e há que ter em conta o desempenho nos jogos grandes.

Entre Champions, clássicos e até os jogos com o SC Braga, foram 15 partidas em que Marega não só ficou em branco como foi sendo invariavelmente a unidade de menor rendimento na equipa - exceção à exibição no Mónaco, onde fez duas assistências. É certo que a I Liga não tem apenas quatro equipas, por isso Marega pode continuar a ter golo contra a maioria dos adversários, mas é altamente improvável ultrapassar este pico de valorização. O jornal O Jogo já deu conta de uma alegada recusa de 25 milhões de euros por Marega e, sendo verdade, seria apenas e só uma das três melhores (não confundir com maiores) vendas da história do FC Porto. A média de golos é um mérito intocável, mas Marega desperdiçou tantas ocasiões de golo flagrante como Soares e Aboubakar juntos (21 - 9 delas em clássicos), embora dos três o maliano tenha sido o jogador que melhor eficácia de dribles (65%) e duelos ganhos (48%) teve, tendo sido também o mais rematador (96 disparos na Liga, contra 77 de Aboubakar e 53 de Soares). Ainda assim, e apesar da evolução desde o início da época, foi o pior passador do plantel (67%) e o jogador com maior percentagem de perdas de posse nas provas da UEFA. Continuar a apostar num esquema de jogo tão dependente da dimensão física de Marega é uma fórmula que pode não surtir o mesmo sucesso na próxima época. Por isso, sim, se houver propostas, poderá ser a altura ideal para Marega sair... Restando saber se Sérgio Conceição planeia, ou não, continuar a apostar num esquema que privilegie - ou que faça mesmo depender - a presença de Marega.

Contrato até 2021
Tiquinho Soares - Se Aboubakar só durou até janeiro, Soares só durou em fevereiro. Esteve à beira de sair no mercado de inverno, mas o negócio falhou e Soares acabou por permanecer no plantel, tendo de imediato sido puxado para a titularidade por Sérgio Conceição, que recuperou bem o avançado. Soares entrou a matar, com 10 golos em fevereiro, mas desde então não mais voltou a marcar, vítima de uma lesão que lhe tirou um mês de competição numa altura em que estava em excelente forma. O brasileiro já tinha tido o azar de perder a titularidade logo no arranque da época, fruto de nova lesão, e a sua produtividade ofensiva acabou por se revelar curta nas últimas semanas da temporada. Dificilmente terá mercado para sair e tudo aponta para a sua continuidade no FC Porto, com o desafio de ter que melhorar a sua média de golos na Liga (um a cada duas jornadas).

sábado, 7 de junho de 2014

Sami confirma o melhor reforço da época

Rossato: Contratado
e dispensado.
«Fiquei surpreendido. Fui chamado à SAD e informado que vou para Espanha. Fui apanhado totalmente de surpresa, não contava sair.»

O verão de 2004 prometia ser de felicidade para o brasileiro Rossato. Levou o FC Porto a pagar 1,2 milhões de euros por ele, mais o passe de Serginho, depois de ter sido uma revelação no campeonato, com 10 golos, fruto de um pontapé canhão que prometia fazer as delícias dos adeptos.
Cumpriu a atribulada pré-época, com a troca de Del Neri por Victor Fernández pelo meio, e no penúltimo dia de mercado foi informado de que estava dispensado. O contrato de quatro épocas com o FC Porto ficou sem efeito e Rossato foi de imediato transferido para a Real Sociedad, sem se estrear no Dragão.

Dez anos depois, eis Sami. O agora ex-avançado do Marítimo, que em 2013-14 foi dos jogadores menos produtivos no campeonato entre assistências e golos (1), assinou por quatro anos pelo FC Porto, cuja camisola não deverá chegar a vestir em jogos oficiais. Então, a que se deveu a sua contratação?

Em fim de contrato com o Marítimo, Sami estava livre para assinar por qualquer clube desde janeiro, mês da aproximação ao FC Porto, já prevista. Em março, procuração e pré-acordo assinados, numa altura onde o nome do futuro treinador era uma incógnita. Sami foi uma contratação sem interferência de qualquer treinador, mas é sabido que a estrutura gosta de negociar à margem desse processo: os treinadores duram menos tempo no clube do que administradores e intermediários.

Com a chegada de Lopetegui, surge a questão: o que fazer com Sami? 

Sami, o negócio que interessava
e o jogador que pouco interessará
Desportivamente - o último factor a ter sido em conta neste negócio -, não é melhor do que nenhuma das soluções que o plantel já oferece. Tem qualidade, mas dificilmente terá a que o FC Porto precisa. O facto de já ter 25 anos não deixa antever a maior margem de progressão. De qualquer forma, discutir a valia futebolística que Sami pode dar ao plantel torna-se irrelevante: não foi por isso nem para isso que foi contratado.

Sami pode perfeitamente ser incluído nos trabalhos de pré-época, mas o destino, à partida, está traçado e não passa pelo Dragão. Mas o mais importante no tema Sami acaba por não ser o papel do jogador, mas o papel do treinador sobre o jogador.

Mais reprovável do que contratar um jogador que o treinador não quer seria impôr-lhe um jogador que não quer. Lopetegui tem a palavra. Um treinador firme, com pulso de ferro, era o que se pedia. Um treinador que só responde a uma pressão no FC Porto: à de vencer. 

Co Adriaanse.
É impossível perceber que tipo de treinador será técnica e táticamente neste momento. Treinar uma seleção pouco tem a ver com treinar um clube, e a experiência de Lopetegui é residual em clubes. Do treinador ao homem vai uma grande distância, mas o primeiro depende muito do segundo.

Resta perceber os limites e a razão de ser um treinador firme. Co Adriaanse foi contratado por ser exigente, duro, inflexível e fiel às suas ideias. E foi despedido por ser exigente, duro, inflexível e fiel às suas ideias.

No entanto, Co Adriaanse queria um ponta-de-lança, Van Hessenlink, que dizia valer «por dois» e que custava 8 milhões de euros, após uma época onde fez 11 golos em 40 jogos na Holanda. Razoável? Não. E o tempo deu razão a Pinto da Costa perante a intransigência de lhe oferecer esse jogador.

Pode Lopetegui exigir a aquisição de um jogador nestes moldes? Não pode. Mas pode e deve sempre seguir - neste caso, continuar a seguir - duas normas quando o mercado é o tema.
1. «Por esse preço, arranjamos melhor».
2. «Esse não é melhor do que os que cá estão. Não quero».