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quarta-feira, 7 de junho de 2017

O árbitro vermelho

Adão Mendes é mais conhecido pelas funções que desempenhou na União de Sindicatos de Braga do que propriamente pela sua carreira como árbitro de futebol. No entanto, no meio tinha uma alcunha particularmente curiosa. Assim o recorda o Correio do Minho.

«No mundo da arbitragem era apelidado de 'árbitro vermelho' tendo em conta a sua filiação partidária», assim o recordam. Mas afinal, parece que a alcunha de «árbitro vermelho» se justificava por algo mais do que a sua filiação partidária.

O FC Porto não usou cartilhas, indiretas ou suspeitas: apresentou provas, factos, que atestam a forma como o Benfica controla a arbitragem. Este «esquema de corrupção para favorecer o Benfica» remonta à época 2013-14, precisamente a primeira do ciclo do tetra do Benfica e logo após o último título do FC Porto. Coincidência? Cabe ao Ministério Público apurar. 

É impossível ignorar, tanto quanto ver um golo marcado com a mão através do vídeo-árbitro. Os e-mails estão aqui como estiveram as escutas do Apito Dourado (processo de existência de corrupção no futebol português que apanhou, entre outros, Luís Filipe Vieira em escutas) no Youtube. O FC Porto foi julgado nas (in)devidas instâncias, mesmo pagando o preço de Portugal terminar em Leiria, e conseguiram associar uma imagem de 30 anos de corrupção ao FC Porto por culpa de dois jogos contra dois clubes simpáticos - Beira-Mar e Estrela de Amadora -, que já nem se encontram no mapa de futebol profissional em Portugal. E, diga-se, dois jogos dos quais o FC Porto nem precisava para ser campeão em 2003-04. Só conseguiram encontrar isso? A sério?

Agora, investiguem, enquanto se aplaude a posição do FC Porto, pela voz de Francisco J. Marques, de expor a teia de corrupção com factos e voz viva. Quando os interesses comungam na defesa do FC Porto e no combate aos adversários, não pode haver outra posição possível.

É de recordar, curiosamente, a posição do então diretor de comunicação do Benfica, João Gabriel, quando Marco Ferreira deu uma entrevista ao As em que falou da forma como Vítor Pereira protegia o clube da Luz. «Um frete do As ao amigo basco», chamou-lhe João Gabriel.

Então e agora? Será que esta também é um frete ao amigo basco? Não. É apenas a forma como o tetracampeonato do Benfica está a ser visto lá fora. Sujinho, sujinho, sujinho. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Voucher Federação

Fernando Gomes vai, sem surpresa, ser reeleito presidente da FPF no início de junho. Quase numa espécie de périplo do futebol português, foi recolhendo apoios dos clubes pouco a pouco. Pinto da Costa questionou, na entrevista do início de abril, e bem, onde fica a Liga no meio de tudo isto: para que serve a Liga, que supostamente representa os clubes, se depois os clubes andam a conta-gotas a anunciar apoios a Fernando Gomes?

Não há que confundir as coisas. Fernando Gomes foi um bom gestor financeiro do FC Porto, que esteve diretamente associado ao ciclo de maior sucesso do clube e ao crescimento da SAD. Já enquanto presidente da FPF, Fernando Gomes tem contribuído para o tratamento marginal que o FC Porto tem recebido, como foi exemplo o ignorar de duas das maiores figuras do futebol nacional durante a Gala dos 100 anos da FPF, José Maria Pedroto e Pinto da Costa. As águas, pelo menos aqui, não se misturam. Apreço pelo homem que foi administrador da SAD do FC Porto, nada de positivo a dizer sobre o presidente da FPF.

Dito isto, aquilo que mais destaca da lista de Fernando Gomes: José Manuel Meirim passa a presidente do CD da FPF e José Fontelas Gomes é o novo presidente do CA. 

Na primeira entrevista do mês, Pinto da Costa disse que não podia apoiar Fernando Gomes, por não conhecer a sua lista. Já na sua última entrevista, o presidente disse isto, a propósito dos sucessores de Vítor Pereira e Herculano Lima: «Não sei quem vai para lá, porque o FC Porto não interfere nem tem nada a ver com isso». Ficou assim conhecida a posição do clube face a este tema na entrada para o novo mandato da SAD.

José Manuel Meirim foi uma surpresa. Era habitualmente o homem a quem a imprensa recorria para comentários sobre a justiça desportiva. Por hábito, poupa-se a considerações pessoais (uma mais valia) e limita-se a tentar interpretar e enquadrar os regulamentos. Agora vai presidir ao Conselho de Disciplina da Federação. Um grande passo, e desejemos que faça o melhor possível pela justiça desportiva. 

Mas recuemos até 2013 e a uma competição que não tem grande apreço por parte do FC Porto, a Taça da Liga. Todos se recordam do caso das 72 horas, a envolver Fabiano, Abdoulaye e Sebá. O CD concluiu e deliberou que o FC Porto não infringiu nenhuma regra. Mas se José Manuel Meirim fosse na altura presidente do CD da Federação, se calhar esta célebre capa do jornal A Bola já teria sido verídica.


Com isto podemos passar para a célebre história dos vouchers. A defesa do Benfica - aliás, de benfiquistas, pois o clube esteve sempre calado em todo o processo - que alternativa lhe sobrava? - insistiu sempre no tal limite de 200 francos, omitindo que esta norma é aplicada pela UEFA às competições europeias, não à liga portuguesa. Já os regulamentos da FPF, esses sim, indicam que só eram admitidas ofertas de valor simbólico e não-comercial. Mas as ofertas do Benfica, conforme foi analisado aqui, tinham valor comercial e não tinham defesa em quaisquer regulamentos. Ora e o que pensa José Manuel Meirim de tudo isto?


Com isto chegamos ao sucessor de Vítor Pereira, José Fontelas Gomes, o protagonista da palhaçada fresquinha, para quem oferecer jantares e artigos de valor comercial aos árbitros é normal, mas ceder material de banho a um árbitro - algo que segundo o CM o FC Porto fez a Artur Soares Dias - já deve ser passível de uma averiguação. Igualmente, Fontelas Gomes também sempre defendeu a prática do Benfica ao longo de todo o processo.

De recordar o seu papel na época 2014-15. Quando Lopetegui, praticamente o único elemento do FC Porto a contestar as arbitragens, se atreveu a dizer que não podiam ser o árbitros a decidir o campeonato, José Fontelas Gomes ficou ofendido. Curiosamente, a APAF nunca ficou ofendida com nenhuma das afirmações de Jorge Jesus ao longo dos últimos anos, nem quando João Gabriel falou de um campeonato que era «um tributo aos árbitros».

Nos últimos anos nenhum treinador do FC Porto acusou diretamente um árbitro de errar deliberadamente, de querer prejudicar o FC Porto ou beneficiar o Benfica. Jorge Jesus, não raras vezes, proferiu declarações bem mais graves em torno das arbitragens. Mas nunca mereceu nenhum reparo. Limpinho. Descubra as diferenças:


Fontelas Gomes conseguiu o apoio de ilustres árbitros como João Capela, Manuel Mota, Jorge Ferreira, Bruno Paixão ou Carlos Xistra, e enquanto presidente da APAF habitou-se a condenar publicamente o FC Porto sempre que falava das arbitragens; já sobre os ataques do Benfica, nem uma palavra. Quando João Gabriel disse que o título do FC Porto era um tributo aos árbitros, ninguém da APAF se revoltou; já aquando Pinto da Costa criticou Soares Dias em 2014, Fontelas Gomes levou de imediato as declarações do presidente do FC Porto ao Conselho de Disciplina.

Isto para concluir: José Manuel Meirim e José Fontelas Gomes. O que têm em comum? Ambos já se manifestarem publicamente de forma desfavorável em relação a FC Porto, ao mesmo tempo em que defenderam a legitimidade da prática do Benfica no caso dos vouchers. Condenaram o FC Porto, defenderam o Benfica, agora chegam a dois dos cargos mais importantes do futebol português.

Mas «o FC Porto não tem nada a ver com isso».

domingo, 17 de abril de 2016

Dia de eleição

O FC Porto é um clube único, e isso aplica-se também ao seu processo eleitoral. Os associados do FC Porto não estão habituados a eleições porque, nos últimos 30 anos, a maioria nunca sentiu necessitar delas. Pinto da Costa sempre foi o homem pelo qual a massa portista se guiou.

Hoje não volta a ser muito diferente. Neste momento, a maioria dos adeptos do FC Porto quer mudanças. Mas querem que essas mudanças sejam levadas a cabo por Pinto da Costa, o único presidente do nosso futebol que consegue ser eleito com um currículo e não com um projeto eleitoral. Convenhamos, nenhum outro pode ser eleito por currículo, pois nenhum outro tem o currículo de Pinto da Costa. Mas os últimos três anos de FC Porto em pouco honraram não só o historial do clube mas a própria obra de Pinto da Costa.

Pinto da Costa tem 78 anos, terá 82 no final do mandato, e está perto de se tornar o presidente há mais anos à frente de um clube europeu (Santiago Bernabéu esteve 35 no Real Madrid). O 14º mandato pode muito bem ser o último de Pinto da Costa à frente do clube. Porque a obra de Pinto da Costa é eterna, mas nenhum homem o é.

A caminho do 14º mandato
Em 2012 Pinto da Costa dizia ao L'Équipe que pretendia deixar a presidência do FC Porto num prazo de cinco anos, ou seja em 2017. Foi na altura uma afirmação que fazia sentido - o seu mandato acabaria em 2016, mas os estatutos do FC Porto previam que a direção pudesse continuar mais um ano caso não houvesse uma lista concorrente; assim sendo, Pinto da Costa sairia em 2017.

Mas a alteração de estatutos do FC Porto aumentou os mandatos para quatro anos, e a direção prescindiu assim do direito que teria a ter o tal ano extra. Isso significa que Pinto da Costa assume um compromisso com o clube e os sócios até 2020, não até 2017, pois nenhum associado vai eleger o presidente pensando em que este possa sair antes do tempo - nenhum mandato pode servir para ganhar um campeonato e sair pela porta grande, mas sim para o cumprir na sua totalidade.

Na altura, aquando da alteração de estatutos, poucos terão discutido os efeitos que isto traria aquando do 14º mandato. E o mesmo se poderá dizer a propósito do processo eleitoral. Como muitos portistas nunca sentiram necessidade de precisar de eleições, são muitos os que agora estranham a forma como o FC Porto conduz os atos eleitorais.

O regulamento eleitoral, que cumpre os termos do artigo 50 dos estatutos do FC Porto, não recebeu qualquer tipo de objeção até há bem pouco tempo. Sim, o FC Porto é um clube completamente ultrapassado nos seus atos eleitorais, indigno para um clube que tem associados espalhados por todo o muno.

Só pode votar quem comparece no Dragão, o que afasta muitos interessados do ato eleitoral, pelas mais diversas indisponibilidades geográficas. O voto online, bem como a possibilidade de votar através das diversas casas do FC Porto espalhadas pelo país, deveria ser uma realidade já para o ato eleitoral de 2020. Não se aceita de outra forma. De certeza que há portistas que queriam votar em Pinto da Costa e não puderam; tal como outros queriam fazer o seu voto de protesto e não o puderam fazer. 

O FC Porto sente que nunca precisou de eleições, mas um dia vai precisar. Neste momento não há rivais pois ninguém aguenta o peso/responsabilidade de antecipar o fim da era Pinto da Costa no clube. Qualquer candidato que avance para a presidência do FC Porto seria, neste momento, considerado um inimigo do clube pela massa adepta. Pois desafiar Pinto da Costa é desafiar o FC Porto, sentem. Homem e clube confundem-se há anos, mas um dia o FC Porto vai ter que viver, a todos os níveis, sem Pinto da Costa; e nesse dia terá que ter um ato eleitoral adequado.

De facto, é uma manifesta hipocrisia só agora que o FC Porto «bateu no fundo» (palavras do presidente) criticar o ato eleitoral. Há um ano poucos ou ninguém se lembraram de o fazer. Isso é ponto assente. Mas ainda assim há a destacar, por exemplo, o boletim azul para a eleição dos corpos gerentes, no qual é particularmente difícil riscar ou escrever alguma mensagem que inutilize o boletim. Já na folha da eleição para o Conselho Superior, branca, é fácil de o fazer.

Não há também o local mais adequado para votar. As eleições são organizadas com a lógica de que, como só há uma lista, então só se vota nessa lista. A própria explicação das bonitas meninas nas urnas, dando a indicação de que «é só meter o boletim na urna porque só há uma lista», deixa um tanto a desejar. O Dragão não está preparado para receber pessoas que não queiram votar em Pinto da Costa; mas o clube não é de Pinto da Costa; Pinto da Costa é que é presidente do clube por vontade e decisão dos sócios.

Neste caso, só escreve e só vai às mesas quem não vota a favor de Pinto da Costa, ou que opte pelo ato de riscar alguns dos nomes das listas. Mesas corridas aos olhos de toda a gente não são mesas de voto. Sobretudo porque o artigo 3 do Regulamento Eleitoral diz claramente que a eleição é feita por «escrutínio secreto». Se alguém vai às mesas e saca da sua caneta, ou se é só receber o boletim e entregar, o secretismo deixa muito a desejar.

Mas lá está, sempre foi assim. É uma manifestação de hipocrisia, pois em 2013, quando Pinto da Costa foi eleito com mais de 99% dos votos expressos, não terá havido muitas críticas ao ato eleitoral. Por isso, aqui fica o desejo de que as coisas sejam severamente corrigidas no próximo ato eleitoral, com ou sem Pinto da Costa (o próprio Miguel Bismarck já admitiu rever a impossibilidade de votar em branco). O FC Porto tem que ser um clube preparado para eleições, coisa que não é, porque nunca sentiu necessidade de ser.

Quanto às eleições propriamente ditas, O Tribunal do Dragão foi abordado em dois sentidos: um para declarar apoio a Pinto da Costa antes das eleições; outro para publicitar um movimento de apelo ao voto nulo, como forma de protesto pelo trabalho feito nos últimos anos e como alerta para a SAD. Os dois casos foram descartados, pois O Tribunal do Dragão é um espaço de «defesa, crítica e análise ao FC Porto», não é um espaço para a promoção de sentidos de voto em atos eleitorais.

Pinto da Costa já foi elogiado e já foi criticado neste espaço. Porque aqui não se julgam as pessoas: julgam-se sim as ações e os atos de gestão - que por sua vez podem dizer muito de determinada pessoa. Pinto da Costa, enquanto presidente do FC Porto, já foi muitas vezes aclamado e defendido neste espaço; mas Pinto da Costa, enquanto candidato à presidência do FC Porto, está sujeito ao mesmo que os outros - os traços gerais da sua candidatura (não se pode falar em programa eleitoral) foram explicados no Porto Canal e foram devidamente analisados aqui, tal como se faria se o Manuel Joaquim quisesse candidatar-se à presidência do FC Porto. 

Pinto da Costa disse, genericamente, o que pretende para o 14º mandato. O resto é a palavra dos sócios, a mais importante em todo o processo. Mas podemos reconhecer que todos os associados, sejam os que entregam o boletim, sejam os que sacam da caneta, querem o mesmo: que o FC Porto volte a vencer e a orgulhar os seus adeptos pela personificação de mística, garra, honra e sede de vencer. No final das contas, há dois grandes grupos de associados: aqueles que continuam a acreditar em Pinto da Costa; e aqueles que querem acreditar uma última vez em Pinto da Costa. E haverá ainda certamente aqueles que queriam acreditar, mas não receberam sinais suficientes por parte do presidente nos últimos meses, o que também será uma posição legítima.

Pinto da Costa pode não voltar a ter outro mandato para corresponder a essa confiança. A boa notícia é que, a partir de hoje, terá 4 anos pela frente para reerguer não só o clube como a sua obra. Com o reconhecimento que os associados não estão a votar nele para premiar o seu passado, mas sim para regressar às vitórias no 14º mandato. 

Esta pode não ser a eleição em que Pinto da Costa recebe menos votos (essa ocorreu em 1991, quando Martins Soares conseguiu pouco mais de 20%), mas poderá ser aquela que mais votos nulos teve. Cabe a Pinto da Costa decidir o que quer fazer: ou ignorar quem não votou nele, pois não precisou desses votos para ser reeleito; ou tentar reconquistar a confiança desses associados, tentando unificar o clube e os adeptos, em vez de ignorar/criticar quem o contesta. Se seguir a segunda, o presidente já entra a ganhar no 14º mandato.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Segunda exceção

«Uma exceção

O Dragões Diário segue todo o universo FC Porto, oficial e não oficial. E, naturalmente, segue O Tribunal do Dragão, atraído pela versão dr. Jekyll do blogue, que faz a defesa do FC Porto, e procura desvalorizar a versão mr. Hyde, mais próxima de outras páginas nossas adversárias. Infelizmente, o blogue tomou o Dragões Diário como alvo, sem ter percebido o objetivo desta newsletter, que é fundamentalmente fazer um resumo da atividade do nosso clube, à imagem do que acontece com outras newsletters de clubes, como a do Real Madrid, por exemplo. Os 21.740 subscritores ativos comprovam o sucesso da iniciativa e, se há muita coisa escrita no blogue que não se pode comprovar, podemos garantir que é falsa a informação de que “são cada vez mais os que cancelam a subscrição”, o que é escrito com leviandade, sem fonte, provavelmente um “wishful thinking”, vá lá saber-se porquê. Há uma grande diferença entre este Diário e O Tribunal do Dragão, aqui nada é escrito sem ter um autor de carne e osso, ninguém está escondido atrás de um teclado. O Tribunal do Dragão é anónimo, o que é sempre um grande obstáculo à credibilidade. Ainda assim, desejamos para o Tribunal do Dragão o mesmo que a toda a blogosfera do FC Porto, respeitando a opinião de cada um: que faça a defesa do FC Porto e que possa celebrar muitas vitórias, que é afinal o que todos mais queremos. E assim encerramos esta exceção.»

Dragões Diário, 24-03-2016

Esta já não será a primeira exceção, será a segunda. A primeira, estarão recordados, motivou o post «O Tribunal dos factos», a propósito de um comentário do oficial de ligação aos adeptos nas redes sociais. Sim, pois era isso o que estava em causa. O que o adepto Fernando Saúl pudesse dizer teria a mesma importância e consideração que qualquer outro adepto comum do FC Porto. Mas o que o «oficial de ligação aos adeptos» pudesse dizer, aí sim, já era importante. Se é um membro representativo da massa adepta, então importava claramente esclarecer qual o objetivo.

Na mesma linha, a segunda exceção. O Dragões Diário dedicou hoje um parágrafo ao Tribunal do Dragão e diz ter sido tomado como «alvo»,  pois «o objetivo desta newsletter é fundamentalmente fazer um resumo da atividade do nosso clube».

Podemos começar por aqui, certamente. Na base desta reação do Dragões Diário estão os comentários no post anterior a propósito das críticas a Vítor Baía. E aí questionamos: que tem a ver o que diz Vítor Baía com «a atividade do nosso clube?». Não é dirigente, não está ligado a nenhum cargo do clube, não é um assalariado do clube. É um dos muitos comentadores em espaço televisivo, tais como Pedro Guerra, Rui Gomes da Silva ou tantos outros. De notar que esses não cometem gralhas: cometem ataques. Mas no dia em que o Benfica completou o ciclo de um ano desde a última vez em que viu ser marcado um penalty contra si, criticar Vítor Baía era mais importante, aparentemente. Aliás, importa lembrar que O Tribunal do Dragão nunca elogiou a intervenção de Vítor Baía ao dizer que «varria a estrutura toda» - pelo contrário, criticou-a, pela leviandade com que fez tal afirmação e por não a ter sustentado. Logo, este nem sequer é um dos espaços que rejubilaram com as críticas de Vítor Baía.

Mas o Dragões Diário desta vez não dedicou uma única palavra a Vítor Baía. Segundo é possível ler, na base desta reação está isto: «Podemos garantir que é falsa a informação de que “são cada vez mais os que cancelam a subscrição”, o que é escrito com leviandade, sem fonte, provavelmente um “wishful thinking”, vá lá saber-se porquê».

Claramente, O Tribunal do Dragão fez essa afirmação com demasiada leviandade. Por isso vamos fazer uma coisa: vamos à maior comunidade de adeptos do FC Porto na internet, o conhecido Portal dos Dragões. Depois, carregamos na página «Tópico destinado ao Dragões Diário» e vemos os posts colocados por diversos portistas desde o tal comentário em relação a Vítor Baía. Viewer discretion is advised, pois há muitos comentários pouco simpáticos em relação ao Dragões Diário, além dos vários adeptos que dizem ter cancelado a subscrição.

Portanto, aí está a «fonte» d'O Tribunal do Dragão, a maior e mais antiga comunidade de adeptos do FC Porto na internet. Os 21.740 subscritores são sem dúvida um motivo de orgulho para o Dragões Diário. Mas cá fica uma dica: quando quiserem desmentir categoricamente uma informação, podem fazer algo tão simples quanto informar quantos subscritores tinham antes de 21-03-2016 e quantos têm agora. Por que não fizeram o «antes» e «depois»? Aí sim, poderiam ter desmentido indubitavelmente a informação e conseguido que O Tribunal do Dragão tivesse escrito algo errado. O mea culpa seria prontamente assumido, pois teria sido prestada uma mentira aos leitores deste espaço. A não ser que todos os portistas que dizem ter cancelado a subscrição sejam mentirosos, o que não parece ser o caso.

Prosseguindo, «Há uma grande diferença entre este Diário e O Tribunal do Dragão». Há uma grande diferença, claramente. A diferença é que O Tribunal do Dragão, desde o primeiro dia, nunca alterou o seu registo, assumindo-se sempre como um «espaço de defesa, crítica e análise ao FC Porto». Já o Dragões Diário, que assume ser um órgão independente do FC Porto, ao mesmo tempo em que é a newsletter oficial, depois explica-se aos leitores dizendo que escreve o que os superiores mandam. É confuso.

Também há uma diferença entre ser um blogue de adeptos e ser um jornal que dá a palavra oficial ao FC Porto. E uma coisa é gerir um blogue em tempo livre, outra é fazendo-o como atividade profissional e serviço remunerado do FC Porto (face a alguns comentários, sempre anónimos, que têm surgido, não se preocupem, ninguém vai trocar de lugar). E há que assumir a desilusão: O Dragões Diário comparar-se ao Tribunal do Dragão, um blogue com modestos e apenas 6.000 likes no Facebook e 3,3 milhões de pageviews, mostra uma pequenez na qual o FC Porto não se pode nunca rever.

Há que reconhecer porém a importância de, entre tantos blogues que já escreveram teor crítico ao Dragões Diário (inclusive ontem), O Tribunal do Dragão ter sido o escolhido para a crítica. Mas diga-se, fizeram-lo com pertinência: O Tribunal do Dragão tinha de facto que sustentar a afirmação de que havia pessoas a cancelar a subscrição Dragões Diário, o que acabou por fazê-lo. 

Depois, à falta de melhor, o Dragões Diário, sem procurar qualquer informação contrária ou sequer tentar contactar alguém que fosse do blogue (ou será que fê-lo?), escreve que este espaço «é anónimo, o que é sempre um grande obstáculo à credibilidade». A questão do anonimato é sempre interessante, sobretudo pelo interesse subjacente que arrasta. Não basta saber se é o Miguel que escreve: é preciso saber onde vive, onde trabalha, o seu percurso profissional, conhecer a sua família, qual o seu signo, de que cor é a roupa interior, se prefere carne ou peixe ou se deixa o som da televisão em números pares ou ímpares. Ninguém está a acusar o Dragões Diário de o fazer, mas é interessante que tenham questionado o «anonimato» numa tentativa de retirar a credibilidade a este espaço.

E aí podemos falar da questão da credibilidade. De facto, é grave questionar o FC Porto, que é o que acabam por fazer. Se O Tribunal do Dragão, nas suas análises, recorre aos R&C e a documentos oficiais do FC Porto para escrever alguns dos seus posts, e se os mesmos não são considerados credíveis, então na verdade estão a dizer que o FC Porto não é credível. Coisa que nunca foi feita neste espaço, pois os R&C do FC Porto são tratados e analisados com a minuciosidade que se implica.

Mas segundo essa filosofia, se este post (apenas para dar um exemplo) fosse assinado pelo Manuel Joaquim, toda esta informação já teria um significado completamente diferente. Os números são exatamente os mesmos, mas sabe-se lá porquê a assinatura no final do texto dar-lhes-ia um complementar e novo significado.

Como O Tribunal do Dragão nunca teve desejos de protagonismo (o máximo que fez para se promover foi criar uma página no Facebook), está aqui no seu cantinho na bluegosfera. Não fez acordos publicitários com ninguém e, desde o primeiro dia, cria e alimenta os mais diversos conteúdos de defesa em relação ao FC Porto. Se isto não tivesse interesse, provavelmente o blogue tinha fechado logo no seu início. Mas há o reconhecimento de que são muitos os leitores que gostam de ler este espaço, desde o primeiro dia, e é um gosto fazê-lo, inclusive quando as opiniões divergem.

O Tribunal do Dragão conclui com desejos do mesmo que o Dragões Diário: «Que faça a defesa do FC Porto e que possa celebrar muitas vitórias, que é afinal o que todos mais queremos.» Mas realçando uma pequena diferença: há dezenas de blogues do FC Porto na internet, onde qualquer adepto pode criar um; já newsletters oficiais do FC Porto só temos uma. Quem não gostar de ler O Tribunal do Dragão pode e deve ler outros blogues do FC Porto. Mas quem não gostar de ler o Dragões Diário não tem outra escolha relativamente a uma newsletter oficial do clube. Pois, ou então lêem blogues.

O Tribunal do Dragão não se atreverá a dizer, desta vez, que hoje houve ainda mais pessoas a cancelarem a subscrição do Dragões Diário. É o que vários portistas estão a escrever no referido portal, mas soaria a déjà vu, e este espaço não tem uma importância assim tão grande para ser tema de Dragões Diário dois dias consecutivos.

Concluindo, mas não sem antes questionar o que seria mais interessante na perspetiva do FC Porto: criticar O Tribunal do Dragão ou dar eco a coisas como isto. E assim encerramos esta exceção.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Um salto ao México

É muito difícil encontrar jogadores mexicanos que se afirmem em grandes clubes europeus. Há sempre algum fogo de vista, com exemplos que vão de Chicharito a Giovani dos Santos, mas são poucos os jogadores mexicanos na Europa que têm conseguido manter um nível alto ano após ano.

No FC Porto, Héctor Herrera tem sido por vezes um exemplo de alguma inconsistência, apesar de na época 2014-15 ter sido dos melhores jogadores da equipa e de estar agora, em 2016, a recuperar a boa forma e a influência na equipa. Diego Reyes não se conseguiu afirmar no FC Porto nas duas primeiras épocas. Agora está na Real Sociedad, onde recuperou a titularidade perdida no final de 2015. Jesús Corona está a ter as dificuldades de adaptação típicas de um primeiro ano no FC Porto, com troca de treinadores e modelo de jogo pelo meio. Já Layún tem sido provavelmente o jogador mexicano em melhor forma na Europa em 2015-16, talvez a par de Chicharito.

É difícil o jogador mexicano brilhar ao mais alto nível na Europa, mas o FC Porto acredita muito no seu potencial. E isso está refletido nos investimentos que foram feitos nos últimos anos. E após terem sido leakados mais pormenores do contrato de Reyes (que não eram novidade, antes confirmação) e das suspeitas (independentemente de alheias ao FC Porto) lançadas no México, oportunidade para (re)ver as condições contratuais que trouxeram os últimos mexicanos para o FC Porto.

Herrera e Reyes foram contratados no exercício de 2012-13, apesar de só terem sido reforços para 2013-14. Herrera, por 80% do passe, custou 8M€, mais 1M€ de encargos; Reyes, por 95% do passe, custou 7M€, mais 2,092M€ de encargos; a SAD procedeu de imediato à alienação de 47,5% do passe por 3,5M€ à Gol Football Luxembourg, uma offshore de Pini Zahavi (que ganhou 6,2M€ com a compra e revenda de 35% do passe de James Rodríguez em 2013 - inicialmente o FC Porto tinha gastado 5,1M€ em 70% do passe e a GFL tinha comprado 35% por 2,55M€).

Isto é, por Reyes e Herrera existiram encargos de 3,092M€. Estes encargos podem incluir diversas coisas, como prémio de assinatura, direitos de imagem ou comissões. As quantias não são discriminadas, mas a SAD, no R&C de 2013-14, acrescentou esta informação:


Com a divulgação dos contratos de Reyes e Herrera, há vários pormenores que constituem novidade. 

O negócio Herrera
Em 2013-14, Herrera fez o número de jogos suficiente para que a SAD fosse obrigada a comprar mais 10% do seu passe ao Pachuca por 1,5M€; a SAD continuou a ter 80% de Herrera. Em 2014-15, Herrera fez o número de jogos suficiente para a SAD fosse obrigada a comprar mais 10% por mais 1,5M€. Ou seja, a totalidade do passe de Herrera ficaria por 11M€. Mas a SAD continua a declarar deter 80%.

Numa carta complementar ao negócio com o Pachuca, as partes acordaram que «20M€ seria um excelente preço para considerar uma venda futura», sendo que a cláusula de rescisão de Herrera era de 30M€. E aqui já é referido que a compra dos restantes 20% em relação ao Pachuca não eram obrigatórios, mas sim uma opção. O acordo terá mudado, com uma condição: se o FC Porto rejeitasse mais de 20M€ por Herrera, o FC Porto teria que pagar o valor proporcional pelos restantes 20%. Neste caso, esta mudança foi vantajosa para o FC Porto.

As comissões para a transferência de Herrera terão sido surpreendentemente baixas. Há apenas referência a um pagamento de 300 mil euros (a 4 prestações) a Nicholas Blair, tendo como referência 10% da remuneração anual de Herrera. A FIFA passou ter como referência 3% da remuneração líquida como comissão, mas nenhum clube está a seguir esta prática - que tecnicamente seria uma regra, não uma recomendação, mas a FIFA parece ter criado a regra para a meter na gaveta. 

Em outubro último, aí sim, grandes novidades sobre Herrera, com o pedido de empréstimo de 5M€ à For Gool, uma empresa de Teodoro Fonseca (que controla o Portimonense e detém o passe de Gleison, que convenientemente já está a ser chamado de novo Hulk antes de o FC Porto comprar o seu passe - já tinham feito o mesmo com Ismael Díaz, e no site oficial do FC Porto está escrito que Marega «tem caraterísticas físicas e técnicas que fazem lembrar Hulk»; padrão interessante para valorizar os jogadores).

O acordo era complexo. Se Herrera, o que acabou por acontecer, ficasse no clube, a taxa de reembolso era de 5%. Bem aceitável. Se Herrera fosse vendido à margem da For Gool, subia para 9%; e se fosse a For Gool a tratar da saída, a percentagem seria de 10% da venda. Ou seja, na eventualidade de Herrera sair por 30M€ (o valor da procuração para vender o jogador), a For Goal recebia 3M€ - 60% do valor que emprestou ao FC Porto. Ter uma proposta de 30M€ por Herrera seria de facto muito bom, certamente. Jorge Mendes também cobra comissões de 10% como referência. Mas isto não é uma mera comissão: é uma taxa de empréstimo. E seria de 60%. Tendo em conta que o FC Porto paga uma taxa de juro média anual de 5,02%...

Um negócio em dupla
Depois de Herrera, Reyes, que esteve em destaque nos últimos dias por causa das ligações que foram feitas a um cartel mexicano. É um assunto que pode não ser afeto diretamente ao FC Porto, mas Matías Bunge, representante do Grupo Comercializador Cónclave (ligado ao cartel de Juárez), já se identificou na imprensa com sendo empresário de Diego Reyes, Héctor Herrera e Jesús Corona. Confirmando-se quaisquer tipo de irregularidades, o FC Porto não pode voltar a negociar com este agente, nem com quaisquer parceiros afetos ao tema. Um clube só é tão transparente quanto os parceiros que escolhe para negociar. À mulher de César não basta ser...

No caso de Corona, já tinha sido noticiado que custou 1,25M€ em comissões: 500 mil euros para a Northfields Sports (ligada a Marcelo Simonian) e 750 mil euros, a três tranches, para a «Cantera Latina». O que é a Cantera Latina? Precisamente uma empresa de Matías Bunge, em Barcelona, registada junto da Federação Espanhola. 

No caso de Reyes, a imprensa pegou nas informações do Football Leaks e falou numa comissão de 700 mil euros a Matías Bunge, ou seja, os 10% dos 7M€ por 95% do passe. Mas é bom lembrar que o FC Porto alienou 47,5% do passe. Entretanto Matías Bunge pode ganhar mais 200 mil euros, em caso de renovação de contrato, e mais 300 mil pela transferência para outro clube. Dá 1,2M€ no total.

Mas curiosamente, no documento de 12 de dezembro de 2012 que tinha sido divulgado, estas condições já estavam todas pré-definidas, mas estava ainda prevista uma mais-valia de 10% para o agente. Não se sabe se a mesma continua aplicável ou se terá sido rejeitada. 

O mais curioso é que o Football Leaks tenha divulgado agora os pormenores relacionados com a Conclave, quando em 2015 já o tinha feito, na altura mostrando ainda um contrato com o empresário Ricardo Rivera (em representação da Northfields Sports) que carecia de assinaturas. O mesmo previa uma comissão de 500 mil euros e uma mais-valia de 10% acima dos 8M€. 

Curiosamente, 500 mil euros já tinha sido quanto a Northfields Sports lucrou por Corona. E é difícil crer que a SAD se tenha disponibilizado a pagar duas comissões aos mesmos protagonistas por dois jogadores diferentes. Os tempos em que só se pagava comissões no momento da venda já vão distantes, mas pagar comissões a dobrar num só ato de compra (uma no contrato do jogador, outra no contrato entre os clubes) é um ato de audaz modernismo.

Com as suspeitas a envolver os mencionados intervenientes num esquema de lavagem de dinheiro no México, nada mais é de esperar que o FC Porto apure toda a transparência dos envolvidos. Sobretudo quando o presidente do FC Porto afirmou, em outubro, que quer continuar a apostar no mercado mexicano. E de preferência, reservar as comissões altas para o momento em que os empresários oferecem boas propostas de venda ao FC Porto, não no momento da compra, na qual qualquer sujeito pode surgir no papel de intermediário; já para arranjar propostas para vender jogadores por 30M€ ou mais, não é qualquer um que o faz. Prova disso é que ainda não vimos nenhuma boa proposta trazida por estes agentes, mas para a intermediação no momento da compra receberam confiança redobrada. É caso para dizer: têm que ser mesmo bons empresários, que vão dar muito dinheiro ao FC Porto.


PS: O Dragões Diário, o órgão independente do FC Porto que só escreve o que os superiores do FC Porto mandam (foram os próprios a admiti-lo, por mais confuso que possa parecer), deu-nos a conhecer que Vítor Baía errou numa das suas análises, ao dizer que Bruno Alves e Meireles tinham saído após Dublin. É a segunda gafe de Vítor Baía, um dos muitos comentadores em espaço televisivo, e o Dragões Diário, entre todas as Guerras que poderia comprar, escolheu Vítor Baía. Ao segundo erro, não perdoaram, mais parecendo que Vítor Baía era tratado não como alguém que cometeu uma gralha, mas sim como um inimigo.

O rigor e os factos são importantes, e Vítor Baía errou. Que tem isso a ver com o FC Porto? Nada. Está no seu programa a título pessoal, e de certeza que não está no topo daqueles que mais disparates sobre o FC Porto dizem. Mas ao errar no espaço de um ano (Bruno Alves e Meireles saíram em 2010, não em 2011), Vítor Baía teve honras de críticas oficiais do FC Porto. É caso para dizer: cuidado, José Peseiro, que ao próximo erro estás completamente tramado. Peseiro disse que Herrera, capitão do FC Porto, está «há ano e meio no clube». Na verdade está há dois e meio, quase três. E como para o Dragões Diário não é admissível falhar num espaço temporal de um ano, à próxima falha Peseiro pode muito bem ser o próximo visado.

Felizmente, a maioria dos portistas já não se está está a rever neste registo, e são cada vez mais os que cancelam a subscrição do Dragões Diário, o que devia ser um alerta para reverem o serviço que prestam. Vai aparentando que há mais pessoas a precisar do Dragões Diário do que o FC Porto. O Dragões Diário já cometeu imensas gralhas, muito mais graves do que as de Vítor Baía; a diferença é que Baía faz o que quer a título pessoal, não está em representação oficial do FC Porto. Provavelmente nunca exercerá um cargo de grande importância no FC Porto, pois, opinião, nunca aparentou ter o perfil para isso (se quiser que prove o contrário). Mas é isso que mais surpreende: se um Vítor Baía (por mais ou menos gralhas que cometa, por melhor ou pior gestor que seja, ninguém duvida que só quer o melhor para o FC Porto e que o clube retome o rumo das vitórias) já causa tanta comichão, então há demasiada inquietação e falta de confiança no FC Porto.

PS2: A propósito dos jogadores mexicanos e da desejada compra de Layún, refira-se que o FC Porto tem até 30 de junho para comprar Layún, pagando 3M€ no momento em que exerce a opção de compra e mais 3M€ a 31 de julho. Se deixar passar estes prazos, terá que negociar a compra com o Watford, leia-se, com Giampaolo Pozzo. O FC Porto pagou 500 mil euros pelo empréstimo de um ano. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

O valor da palavra

Jornal de Notícias
Pode muito bem ser entendido como uma crítica a Vítor Baía, que foi a única personalidade ligada ao FC Porto a admitir publicamente uma futura candidatura à presidência do clube, mas que se ficou pela afirmação de que «varria tudo». Ou quiçá seria mesmo uma vontade do presidente. Pinto da Costa disse que «se tivesse entrado uma candidatura credível, não seria candidato». Por mais nobres ou provocatórias (na medida em que ninguém acabou por avançar com uma candidatura) que fossem as intenções de Pinto da Costa por trás desta frase, não são as palavras mais motivadoras para avançar para o 14º mandato.

Por outras palavras, os associados do FC Porto podem votar em Pinto da Costa por acreditarem que é a melhor hipótese; mas Pinto da Costa só se apresenta a votos por não haver outra hipótese (melhor). Os sócios confiam mais em Pinto da Costa do que o próprio Pinto da Costa?

Para responder a estes últimos 3 anos de péssima memória, é preciso um excelente programa para o 14º mandato. Assim sendo, se Pinto da Costa não decidisse avançar, ia deixar de lado o seu programa para o 14º mandato? Ou não há ainda sequer programa? Pinto da Costa, aliás, disse que só na terça-feira deu luz verde a Fernando Cerqueira para avançar. 

Em 2011-12 Pinto da Costa disse ao L'Équipe que ia deixar o FC Porto num prazo máximo de 5 anos. Esse quinto ano seria a época que se avizinha. Mas como é óbvio, nenhum associado quererá votar num mandato de 4 anos para, ao fim da primeira época, haver logo mudança de presidente. Por isso só temos que assumir que Pinto da Costa quer e vai cumprir os 4 anos que tem pela frente.

Aliás, se houvesse de facto intenção de Pinto da Costa em passar a pasta, então não se teria alterado os estatutos. É muito simples: o artigo 89 dos estatutos do FC Porto previa o seguinte. «Na hipótese de os Presidentes da Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal manifestarem até ao dia 20 de Março do final do triénio, das suas disponibilidades para continuarem em exercício de funções e não surgir qualquer candidatura até 15 Abril, haver-se-à o seu mandato prolongado por mais 1 ano.»

Tendo em conta que não houve candidatos, a atual direção não precisaria de se candidatar para o 14º mandato: bastava avançar para o ano extra em causa e, quiçá, dar tempo a eventuais interessados para avançarem (se bem que provavelmente só o farão quando Pinto da Costa se retirar, pois ninguém quererá ficar sob a pressão de ter antecipado, oficialmente, o fim da era Pinto da Costa). Mas face à mudança de estatutos, então só se pode admitir um compromisso absoluto com o clube para os próximos 4 anos. Muito provavelmente será o último mandato de Pinto da Costa, mas que pelo menos seja apresentada a base para os próximos 4 anos; os associados querem saber em que estão a votar. E não querem votar num presidente que se retire ao fim 1 ou 2 anos de mandato.

Uma curta nota pelo meio, a propósito de alguns comentários que têm surgido, com uma analogia política que se fará entender: para se ter o direito a ter uma voz crítica sobre o governo, não é preciso formar um partido, nem fazer carreira de político; da mesma forma que ter algumas opiniões populares e fundamentas sobre o governo não qualifica ninguém para o substituir ou para ser político. Para bom entendedor...

Adiante, estas foram as palavras de Pinto da Costa à imprensa. Não sabemos, pode ter sido uma mera bicada aos candidatos, um toque de ironia. Mas uma coisa é o que Pinto da Costa diz à imprensa. Outra é o que diz aos associados, ou, como já disseram, entre família. Isto claro, a propósito do que disse Vítor Serpa, que confirmou que falou com Pinto da Costa durante 15 minutos na Gala dos Dragões de Ouro e que foi o próprio presidente a convidá-lo. Pedro Marques Lopes, um dos portistas mais notáveis da nossa praça, confirmou que esteve à conversa com os dois na Gala.

Ou Vítor Serpa e Pedro Marques Lopes mentiram, ou Pinto da Costa mentiu. E nenhum adepto pode ser inocente ao ponto de não reconhecer para que lado está a pender a balança. Como não há registos audiovisuais da intervenção do presidente na AG, há quem já fale em más interpretações: uns dizem que Pinto da Costa garantiu que não convidou, nem sequer viu Vítor Serpa na Gala; outros dizem que Pinto da Costa só disse desconhecer quem convidou Vítor Serpa, e que não terá falado com ele. 

Jornal A Bola, a outra «versão»
Seja como for, algo falhou aqui. Poderão dizer que isto é uma coisa insignificante - e até é, quando comparado com tantas outras coisas dos últimos anos. Mas o problema está mesmo aí: mentir numa questão tão insignificante quanto esta, não à imprensa, mas a sócios que o olharam nos olhos? Porquê? Para quê?

Nenhum erro poderá ser tão grave quanto não admiti-lo. Se aconteceu como com Suk, em que o homem lhe caiu ali nos braços, tudo bem, há que ser politicamente correto, educado, cordial. Mas mentir, nunca. Até podiam convidar Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho: nada seria tão grave quanto mentir nesta questão. E alguém mentiu. Depois, só há duas coisas piores do que a mentira: fingir que nada aconteceu ou insistir na mesma.

Na questão de Casillas, é de destacar que não foi proposta propriamente uma renovação: simplesmente o FC Porto quer ativar o ano de opção que tem no contrato. A única novidade é que, a partir de 2017, o Real Madrid deixa de contribuir no salário de Casillas. Logo, ou Casillas reduz para quase um terço o seu salário em 2017-18, ou terá que ser o FC Porto a suportá-lo (na verdade não será, pois é impossível fazê-lo, portanto só uma grande redução salarial de Casillas viabilizará a sua continuidade no FC Porto). 

Não é necessária grande pressa para renovar contrato com um jogador que terá 36 anos e não terá mercado quando o contrato com o FC Porto terminar (terá 37 no ano de opção), mas percebe-se que Pinto da Costa tenha optado por deixar uma mensagem forte depois da encomenda publicada no El Confidencial. E nisso fê-lo bem. Depois do Euro 2016, Casillas possivelmente perderá a titularidade na seleção espanhola e veremos em que medida o futebol europeu ainda o motiva, sobretudo com a MLS a chamar por ele. Nada que não se resolva à mesa para benefício de todas as partes. Com o valor da palavra presente, de preferência.

PS: A título de curiosidade...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O pós-Maicon na defesa

Não é uma situação comparável à de Jorge Costa, mas que acaba com um desfecho idêntico: empréstimo a outro clube. Não concordo com a saída de Maicon, mas entendo, desejando apenas que a palavra de José Peseiro tenha sido essencial na resolução deste processo.

Renovar, sair e... voltar?
É um processo que já é habitual na SAD: renovar com jogadores antes de eles serem emprestados, mesmo sem que isso implique que há planos futuros para os atletas em causa. Izmailov, Kelvin ou Walter são alguns exemplos recentes de jogadores que renovaram antes de serem emprestados. 

Maicon renovou por mais um ano, e desconhece-se se o São Paulo vai assumir a totalidade dos salários do jogador. Sendo um empréstimo válido por apenas quatro meses, Maicon vai basicamente fazer alguns jogos no campeonato paulista, onde só vai ter possibilidades de fazer dois ou três jogos a sério, e deverá participar em alguns jogos na fase de grupos da Libertadores. Basicamente, vai ocupar-se até se decidir, no final da época, o que fazer com o jogador.

Até lá, o FC Porto fica com apenas dois centrais dos que começaram a época, Marcano e Indi. Se em janeiro já todos realçavam que havia carências no eixo defensivo, agora pior ainda. Oxalá não se caia no erro de achar que Chidozie vai ser a solução para todos os problemas. Ainda se trata de um jogador inexperiente, e não é um (bom) jogo que muda isso. Todos são inexperientes antes de começar, mas há uns contextos mais favoráveis do que outros para integrar jovens.

É também um desafio para José Peseiro, que nunca trabalhou com nenhum grande central nem fez evoluir um grande defesa. Os melhores defesas com que trabalhou foram Beto e Polga, o que não é um grande atestado. Além disso, no FC Porto havia a tradição de os centrais habitualmente titulares fazerem um acompanhamento aos jovens que vão sendo lançados. Indi e Marcano dificilmente assumirão esse papel perante Chidozie ou Verdasca.

Verdasca à espreita
Falando em Verdasca, trata-se de um dos poucos sobreviventes do projeto Visão 611. Da equipa de sub-14 que em 2009 foi apresentada, restam também Andorinha, Rui Moreira e Rúben Macedo. Mas Verdasca ainda passou pelo Boavista, antes de regressar para os juvenis. É um central de grande valor e potencial, mas há que compreender os riscos de fazer a estreia frente a um tal de Aubameyang, que passa por qualquer defesa antes que este consiga pronunciar o seu nome.

Chidozie também se estreou a frio na Luz e teve nota bastante positiva. Falhou no lance do golo do Benfica, mas a partir daí não voltou a errar, o que não era fácil. Mas o adversário não deixou de ter oportunidades para complicar a vida ao FC Porto. Há a expetativa de Marcano recuperar a tempo, mas se tiver que jogar Verdasca há que haver tolerância e compreensão para as circunstâncias da sua estreia. O problema não é o miúdo que entra cometer erros: é não ter vindo nenhum reforço para o setor. Felizmente, José Peseiro está a trabalhar com o que tem em vez de lamentar o que não tem - e estaria no seu direito fazê-lo.

Na Alemanha, há que lutar por um resultado que dê perspetivas de apuramento na segunda mão, no Dragão, reconhecendo que o favoritismo está do outro lado - como esteve na maioria das grandes conquistas europeias do FC Porto.

PS: A inútil Comissão de Instrução e Inquérito da Liga, que legitimou quem infringiu os regulamentos, instaurou um processo contra o FC Porto pelo que se escreveu no Dragões Diário após o jogo com o Arouca. De um organismo inútil, não se pode esperar outra coisa senão parvoíces destas. Por outro lado, possivelmente seria evitável se o Dragões Diário, em vez de andar a fazer um joguinho de parentescos e coincidências face ao árbitro, se limitasse a factos. Mas nem isso conseguiram fazer, pois nem sequer foram capazes de reconhecer que o golo anulado a Brahimi era responsabilidade do árbitro auxiliar (que continua sem nome), não de Rui Costa. O Dragões Diário queixa-se que «a Liga de Clubes quer silenciar a livre expressão de opinião», mas o que o Dragões Diário fez também não foi dar opinião, foi enumerar uma série de coincidências familiares em relação a Rui Costa, insinuações sem concretização, quando a única coisa que tinha que fazer era identificar o erro gravíssimo do auxiliar de Rui Costa. Mas nem isso conseguiram fazer, fazendo lembrar a ridícula campanha do Benfica contra Pedro Proença por um erro de Ricardo Santos. Por fim o Dragões Diário diz hoje, pela primeira vez, que é uma espécie de «provedor do sócio». Se é, deixa ainda mais a desejar, pois raramente aborda os temas que realmente inquietam a massa adepta do FC Porto - basta passar os olhos pela bluegosfera. Quando o FC Porto apresentou o Dragões Diário, era descrito como um jornal diário para informar os adeptos do clube. Mas hoje diz-se que afinal é algo para «dar eco ao sentimento dos milhares de adeptos subscritores». Em que ficamos?

PS2: O blogue continua temporariamente sem sondagens para os prémios MVP.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A Taça e três elefantes na sala

Um dérbi à antiga: um Boavista a jogar sob a máxima «é canela até ao pescoço» e um FC Porto a ter que lutar contra muito mais do que 11 jogadores do outro lado. A equipa sobreviveu e apurou-se para as meias-finais da Taça de Portugal. Faltam 3 jogos para atingir o objetivo de regressar aos títulos esta época, e numa eliminatória a duas mãos (algo feito pela FPF para ajudar os clubes grandes a chegar ao Jamor) não pode haver desculpa nenhuma para admitir outra coisa que não seja eliminar o Gil Vicente (há quanto tempo ninguém ouve o Fiúza falar?).

Lisboa é que é bom
O FC Porto ganhou, mas há muito mais a discutir. Não só a questão do treinador, mas sobretudo o que se passou ontem no Bessa. Tanto a expulsão de Imbula como o penálti de Indi não deixam margem para dúvidas: são boas decisões. O problema foi o critério utilizado por Nuno Almeida, o árbitro algarvio que só serve para apitar nos estádios de Benfica e Sporting.

É ver para crer: Nuno Almeida apitou 12 jogos do Benfica, dos quais 11 em casa. O único que apitou fora foi... o jogo entre Arouca e Benfica, em campo neutro, em Aveiro. A jogar em casa e apitado por Nuno Almeida, o Benfica tinha vencido sempre todos os jogos.

O historial com o Sporting também é maravilhoso: em 15 jogos, 14 em Alvalade. Os 12 primeiros foram todos em Alvalade. Ao 13º, foi a Vizela arbitrar um jogo fácil para o Sporting, da Taça de Portugal. 

Em relação ao FC Porto, foi o 10º jogo, o 4º fora de casa. No espaço de 1 ano, Nuno Almeida já arbitrou dois jogos do FC Porto fora de casa, tantos quanto Benfica e Sporting nos últimos 13 anos em que arbitrou. É um exemplo do critério de Vítor Pereira.

Que faz o FC Porto em relação a isto? Uma piadinha no Dragões Diário. O critério de Vítor Pereira e Nuno Almeida quase atiraram o FC Porto para fora da Taça de Portugal - neste momento o troféu que mais hipóteses temos de conquistar. Que faz o FC Porto? Nada, zero, caladinho. Agora ainda pior, pois já não temos um treinador que se insurja contra isso nas conferências de imprensa.

E agora falamos do nosso Rui Barros. Ele próprio o diz: é um homem grato ao FC Porto, ao serviço do FC Porto, que vai dar sempre o melhor de si. Só há um problema: não é, nunca foi, e nunca quis ser treinador principal de futebol.

Muitos outros ex-jogadores do FC Porto fizeram parte de equipas técnicas do clube, mas a determinada altura quiseram dar os seus próprios passos de treinador. De João Pinto a Domingos, de Pedro Emanuel a Capucho, há muitos exemplos de homens que quiseram efetivamente ser treinadores principais.

Não é o caso de Rui Barros. Ele é portista, sente-se bem no FC Porto e quer contribuir para o clube. Dará sempre o seu melhor. Mas não é treinador principal.

Portista, mas não treinador
Nem vale a pena discutir o perfil técnico-táctico, nem o facto de ter trabalhado de perto com vários treinadores do FC Porto (Nuno, Pedro Emanuel e Costinha são exemplos de treinadores de quem se dizia terem absorvido os conhecimentos de Mourinho, mas saíram pela porta pequena dos clubes por onde passaram). Rui Barros é demasiado boa pessoa e demasiado correto para exercer um cargo desses. Rui Barros não será o tipo de treinador/homem que vai repreender os jogadores do FC Porto, que se vai insurgir contra as arbitragens, que vai ter o punho de ferro que se exige no dia a dia de um treinador do FC Porto. Não é um comunicador, tanto que, na sua humildade, até deixou escapar na flash-interview que ia ser o treinador em Guimarães, tendo depois sido obrigado a corrigir isso na conferência de imprensa. É um amigo, uma pessoa agradável, mas tem pouco ou nada daquilo que caracteriza um grande treinador principal.

Enquanto estiver no cargo de treinador, Rui Barros não vai receber outra coisa que não seja apoio. Porque a responsabilidade não é sua. Não é treinador principal, nunca foi, logo não lhe podemos exigir o quer que seja. Está no cargo que ocupa de alma e coração, mas não será a ele que se podem apresentar as faturas em caso de falhanço de objetivos. Se Lopetegui ainda cá estivesse, de certeza que culpavam Lopetegui. Como já não cá está e Lopetegui já não pode ser culpado (ou será que pode?), não esperem que isso recaia em Rui Barros.

Daí que faça este comentário aqui, e não nos Machados, pois Rui Barros jamais poderá estar associado a algo negativo neste FC Porto: a hesitação após a expulsão de Imbula. O FC Porto estava rebentado fisicamente e não tinha meio-campo. Brahimi estava esgotado, Varela só fechava o flanco e Herrera estava sozinho a segurar o meio-campo todo. Rui Barros demorou 16 minutos a decidir entrar Rúben Neves, e olhava para ele de minuto a minuto, com claro ar de indecisão. Podia ter custado caro, pois aqui é o treinador quem tem que dar a resposta. Mas acontece que Rui Barros, um grande futebolista do FC Porto, não é treinador.

Portanto, quando Pinto da Costa disse que o futuro treinador do FC Porto vai ser «uma pessoa», não foi de todo a resposta ideal. Pelo menos, que seja um treinador.





Herrera (+) - Foi ele, quase sozinho e como pôde, que segurou o meio-campo do FC Porto na segunda parte. Fechava os espaços, segurava a bola e pressionava quase num fenómeno de omnipresença. Ainda conseguia levar a bola ao ataque, como foi exemplo o último remate de Aboubakar. Teve a importante ajuda de Danilo a proteger as suas costas. Desde a saída de Evandro (que até estava muito bem na partida), Herrera teve que jogar por dois: primeiro quando Imbula estava em campo; depois quando Imbula saiu.

Brahimi (+) - Um lance, uma eliminatória. Contra-ataque, deixa dois jogadores para trás e finaliza com eficácia. Fosse sempre assim. Foi o jogador em maior evidência na primeira parte e entendeu-se bem com Layún nas subidas pelo corredor. Bonita a forma como festejou o penalty defendido por Helton.

Varela a defender (+/-) - A atacar, foi quase uma nulidade. A defender, esteve impecável. A verdade é que qualquer lateral gosta de jogar com Varela no seu flanco, pois é um jogador inteligente, certinho taticamente, que está sempre bem posicionado no momento defensivo. O problema é que quando elogiamos um atacante pelo que este faz defensivamente, é porque falta algo no ataque. A Varela, faltou-lhe tudo do meio-campo para a frente. Defensivamente, esteve impecável.

O momento (+) - Primeiro, Indi salvou Helton de uma grande asneira, embora tenha sido mais demérito de Uchebo do que o contrário. Depois, foi a vez de Helton salvar um disparate de Indi. Helton detesta ser suplente, e não é Casillas que muda isso, mas quando é chamado a campo diz presente. Merece ir ao Jamor e ir à tribuna levantar esta Taça.







A entrada de Imbula (-) - Não é só a entrada para a expulsão: é a entrada em campo. Os adeptos têm que meter algo na cabeça: quem se esforça e trabalha ao máximo nos treinos, joga. É sempre assim. Os treinadores são sempre sensíveis ao trabalho desenvolvido pelos seus jogadores ao longo da semana. Imbula não joga mais porque parece que anda cá a passear e a fazer um favor ao FC Porto.

Acorda, rapaz!
Absolutamente inaceitável a sua postura em campo. Quando olhamos para ele, vemos que há ali um touro capaz de pegar na bola, arrancar, deixar dois ou três jogadores para trás e criar logo perigo. Nós já o vimos fazer isso, sabemos que há ali talento - não de 20M€, oh se não, mas há ali coisas boas.

O problema é que o Imbula que vemos em campo é lento, preguiçoso, completamente à margem da equipa. Mesmo que tenha entrado a frio, após a lesão de Evandro, teve o intervalo para aquecer como devia ser. Mas nada mudou. Não recupera bolas, não age com rapidez, não pressiona, não transporta, não mete o pé, nada. 

É certo que nem era suposto Imbula vir para o FC Porto, mas a Doyen não se entendeu com os parceiros de Milão e Imbula veio fazer uma época ao futebol português. Esperavam que chegasse, engatasse e se valorizasse a grande nível. O problema é que para isso é preciso uma coisa muito importante: trabalhar. Imbula anda desinteressado, próprio de quem sabe que, jogando bem ou mal, no fim da época já terá para onde ir. O problema é que é o FC Porto quem lhe paga, todos os meses, o salário. Mas Imbula pouco ou nada se esforça e nem a saída de Lopetegui lhe parece ter dado vontade de acordar. Se não soubéssemos que há ali potencial, ninguém se dava ao trabalho de se preocupar. Mas exigimos muito mais de Imbula pois sabemos que ele pode dar muito mais. Pode e deve, se não que se faça a vontade do pai dele. 

Muitos adeptos, há uma semana, diziam que queriam ver o que Imbula faria com um bom treinador. Eu estou mais interessado em ver o que Imbula faria comportando-se como um futebolista profissional do FC Porto.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A «mania» de dizer que todos os jogos são difíceis

Três vitórias consecutivas aliviaram um pouco a contestação que se ia formando em torno de Lopetegui. Aliás, não aliviaram: adiaram. Ao próximo mau resultado, não duvidem que volta a cair tudo em cima do treinador. Vem aí um ciclo de jogos dificílimo, de três deslocações decisivas, e só um FC Porto de nível máximo conseguirá superá-lo. E isso implica que tenha que ser muito mais do que o treinador a não cometer erros do passado.

Neste momento, decorridas 12 jornadas, podemos resumir o campeonato a isto: Maxi, no último segundo, atirou à barra nos Barreiros; e o Sporting voltou a ganhar pela margem mínima, nos Barreiros, com uma grande exibição de Rui Patrício. Um estádio, dois detalhes, dois pontos. Assim se separa o primeiro do segundo classificados.

As palestras e os jogos difíceis
De qualquer forma, tem-se observado um fenómeno em torno de Lopetegui. Há portistas que se queixam que Lopetegui diz sempre a mesma coisa: que os jogos são difíceis, que os adversários têm qualidade. Das duas, uma: ou não veem nunca conferências de imprensa, ou vale tudo para bater no treinador.

Meus caros, todos os treinadores dizem isso de todos os jogos: que vai ser um jogo difícil, que o adversário tem qualidade, que é melhor do que diz a classificação. São os clichês usados sempre. O FC Porto, nem sequer nenhum outro clube, nunca teve um treinador a afirmar a peito cheio que o jogo ia ser fácil e que iam golear. Isso não existe. Até Villas-Boas dizia sempre o mesmo: que ia ser um jogo difícil.

O que se verifica é mais uma tentativa de, subtilmente, associar um comportamento normal a uma crítica ao treinador do FC Porto. Faz lembrar as palestras de Paulo Fonseca. Todos os treinadores dão palestras no primeiro treino pós-jogo, muitos deles de duração superior a uma hora. Mas a determinada altura a comunicação social deu tanto ênfase às palestras de Paulo Fonseca que os portistas começaram a achar que era algo de outro mundo, algo de errado.

Ora, os jogos difíceis estão para Lopetegui como as palestras estavam para Paulo Fonseca. São coisas normais, mas que muitos querem usar como forma de pressão e crítica aos treinadores do FC Porto.

Para Lopetegui, dizer que os jogos são difíceis parece um sacrilégio, quando na verdade são palavras de respeito ao adversário e de alerta aos jogadores do FC Porto. Curioso, ninguém parece estar muito incomodado com o facto de Jorge Jesus dizer exatamente o mesmo antes de todos os jogos.

1ª jornada, Tondela: «O primeiro jogo tem sempre uma ansiedade. Por muita experiencia que tenham jogadores e treinadores é sempre difícil. Não há jogos fáceis em Portugal»

2ª jornada, Paços de Ferreira: «Vamos para o jogo na máxima força, também em termos de confiança mas sabendo que é um jogo difícil. Estou farto de dizer que não há jogos fáceis no campeonato português»

3ª jornada, Académica: «Vamos defrontar um adversário que ainda não somou pontos e que está ansioso por vencer. Depois, sabemos que quando jogam contra uma equipa grande, os níveis de ansiedade e emoção aumentam. Vai ser um jogo difícil. O campeonato português é competitivo e as equipas médias estão mais fortes»

4º jornada, Rio Ave: «[O Rio Ave] é um adversário por tradição difícil. O Rio Ave é mais difícil no seu estádio, é uma equipa bem trabalhada, com bom treinador (...) Temos sensação e convicção que vai ser difícil»

5ª jornada, Nacional: «Vai ser um jogo difícil, como é apanágio nos jogos do campeonato. Vamos jogar contra uma boa equipa, que não é fácil de bater, bem trabalhada, como um bom treinador, com muita experiência do nosso futebol»

6ª jornada, Boavista: «Vamos jogar com um adversário forte (...) O Boavista também é uma equipa grande e vai ser um jogo difícil, como são todos os jogos do campeonato português»

7ª jornada, V. Guimarães: «Sabemos que vamos ter dificuldades (...) É um Vitória com mais valor em termos técnicos e individuais do que aquilo que a classificação demonstra»

8ª jornada, Benfica: «A equipa está preparada o suficiente para encontrar um adversário difícil»

9ª jornada, Estoril: «Vai ser um jogo difícil, como é óbvio. Mais difícil do que outros, porque o Estoril é quarto»

10ª jornada, Arouca: «O jogo vai ser difícil, porque é uma equipa que à nona jornada ainda só perdeu um jogo»

11ª jornada, Belenenses: «Um dérbi que nunca é fácil seja em que altura for. O Belenenses tem bons jogadores, com qualidade e está a fazer um bom início de época. Vai ser um jogo difícil»

12ª jornada, Marítimo: «À partida sabemos que um dos nossos rivais não ganhou lá, é uma razão para estarmos atentos. Depois é um ambiente difícil, onde a equipa do Marítimo é forte»

Jorge Jesus ainda não falou na antevisão à 13ª jornada, mas podem anotar: vai dizer que espera um adversário difícil. Tal como Lopetegui o fará. Não é um defeito do treinador do FC Porto: é feitio de todos os treinadores.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A armadilha chamada Gomes da Silva e a honra do visado

Palavras ocas
Foi preciso sete meses, mas a CII da Liga finalmente decidiu pronunciar-se sobre o esquema de viciação de resultados que alegadamente tinha sido proposto por Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, a Bruno de Carvalho, homónimo do Sporting. Para concluir basicamente o seguinte: não passou tudo de um mal entendido. Pausa para rir, continuemos.

Já nos habituámos a que a palavra de Bruno de Carvalho valha muito, muito pouco. Depois de ter deixado fugir a vitória frente ao Benfica em Alvalade, era preciso algo para desviar a atenções e sacudir culpas. E foi daí que surgiu aquele célebre post no Facebook em que o presidente do Sporting falou da suposta aliança para alternar campeonatos.

Sete meses foi o tempo de que a CII precisou para avaliar o sucedido. Foi o tempo suficiente para o Benfica confirmar a conquista do título, cumprir toda a pré-época e já ter a época 2015-16 em pleno andamento. Sete meses. O tempo necessário para que quase toda a gente já se tenha esquecido, que já haja novos entretenimentos na praça pública e que a decisão do CII possa sair sem o mínimo impacto mediático.

Uma vez mais, as instâncias do futebol português mostram uma precisão de timing maravilhoso. Recordemos, por exemplo, quando Jorge Jesus agrediu Luís Alberto no final de um Benfica x Nacional, em janeiro. Só a 9 de abril saiu o castigo... de 11 dias. Adivinhem em que dia acabou o castigo? No dia do Benfica x FC Porto para a Taça de Portugal.

Outro exemplo foi quando criticou o auxiliar Ricardo Santos de validar um golo em fora de jogo contra o Benfica. Jorge Jesus disse que o erro foi premeditado. Foi preciso esperar 187 dias para que a decisão sobre o castigo (de 15 dias) a Jorge Jesus saísse. Resultado: saiu durante uma pausa para jogos internacionais, o que permitiu que o então treinador do Benfica não falhasse um único jogo oficial.

Como desviar atenções
Agora, a CII da Liga decidiu divulgar o seu parecer a 21 de setembro. Precisamente no dia seguinte ao FC Porto ter derrotado o Benfica. Os portistas andam mais contentes, muitos já nem se lembram da forma como se forjou o campeão 2014-15, muitos já cederam à ideia que muitos pretendiam implementar (culpar Lopetegui pelo título ganho pelo Benfica). Que belíssimo timing para divulgar a conclusão sobre a investigação à Liga Aliança, sem dúvida. E agora até andamos entretidos com o Rui Gomes da Silva e ninguém se lembra de reagir às conclusões do CII.

Enquanto andamos num toma-lá-dá-cá com o vice do Benfica, a CII lá passa entre as gotas da chuva. Estão a fazer exatamente o que pretendiam: desviar todas as atenções da Liga Aliança. E Rui Gomes da Silva sabia que tinha que chamar a si próprio as atenções, de forma bem marcante, pois o programa em que participa, O Dia Seguinte, foi transmitido logo após a CII da Liga emitir o seu comunicado. Resultado: todos falam do Rui Gomes da Silva, mas ninguém fala da CII da Liga. Armadilha fácil e eficiente.

Agora vamos aos pareceres da CII. Bruno de Carvalho, o quase auto-proclamado profeta do futebol português que tinha as soluções para todos os podres que ele dizia existir (é como um anus, não é?), fez o que faltava: desvalorizar as palavras dele próprio. Depois de termos chegado ao ponto em que ninguém liga ao que Bruno de Carvalho diz, o próprio Bruno de Carvalho deixou de ligar ao que ele próprio diz. Depois de ter denunciado a suposta aliança proposta por Vieira... Voltou atrás.

COMUNICADO OFICIAL N.9 88/1.5-16 - LIGA
Neste caso, a questão mantém-se: como é que Luís Filipe Vieira poderia garantir que o FC Porto não voltaria a ganhar campeonatos sem implicar viciação de resultados? Bem, em 2014-15 mostrou como é possível (todas as equipas, em todas as épocas, fazem meia dúzia de jogos menos bons, mesmo quem é campeão - logo não se poderá nunca resumir o 2.º lugar do FC Porto aos pontos perdidos na Madeira ou na receção ao Benfica). Mas não deveria então a CII da Liga convidar Luís Filipe Vieira a explicar - ou desmentir - o tal alegado esquema?

Não toquem na honra do visado!
Nada disso. Pelo contrário, a CII só está preocupada que as palavras de Bruno de Carvalho pudessem ferir a honra de Luís Filipe Vieira. O presidente do Benfica esteve calado em todo o processo e nem se atreveu a abrir a boca aquando do tal post de Bruno de Carvalho. Possivelmente porque não sentiu «a sua honra visada», ou seja, não se importou que o associassem a possíveis práticas de manipulação de resultados. Ou talvez não tinha como o desmentir.

Falou-se de uma possível proposta de manipulação de resultados em 2014-15 e todos viram, ao longo da época, como o Benfica foi segurando e aumentando a sua vantagem na liderança da liga. Ainda assim, a CII nunca achou pertinente pedir a Luís Filipe Vieira um depoimento, nem o Benfica achou por bem tentar defender o seu presidente. Uma boa estratégia, pois acabou por contribuir para que a palavra de Bruno de Carvalho, uma vez mais, não valesse absolutamente nada no futebol português.

Mas para a posterioridade, fica aquela que era a verdadeira preocupação da CII: não a integridade da liga portuguesa, mas sim que a honra de Luís Filipe Vieira não fosse afetada. Ou seja, as palavras de Bruno de Carvalho teriam pertinência disciplinar se fossem ofensivas para o presidente do Benfica. Como Vieira esteve calado em todo o processo, saiu a ganhar. Assim se fez o vencedor do campeonato 2014-15.


PS: Uma nota: os regulamentos de Competições preveem castigos e punições para dirigentes/treinadores/atletas que incentivem à violência ou que coloquem em causa a integridade ou bom nome dos intervenientes. Se Rui Gomes da Silva infringiu estes dois segmentos e o FC Porto se sente, com direito, ofendido, resta avançar para uma participação às instâncias disciplinares da Liga, imediatamente, pois dois dias consecutivos de Dragões Diário já é dar demasiada atenção ao ex-ministro do PSD sem avançar para consequências disciplinares.