Mostrar mensagens com a etiqueta Contratos e Renovações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Contratos e Renovações. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Víctor Garcia, Gudiño e Quintero

Até 2020
Não há como abordar estes temas sem fingir qualquer tipo de surpresa. Víctor Garcia renovou, Gudiño também e Quintero também. São três promessas que ainda podem dar muito ao FC Porto. Mas são também mais um exemplo de uma gestão que deixa muito a desejar.

Começando por Raúl Gudiño, era por de mais óbvio que um contrato de três anos para o guarda-redes mais caro da história do clube era um disparate. Todos conhecem o potencial de Gudiño. É provavelmente o melhor guarda-redes a jogar numa equipa de formação do FC Porto na última década. Mas deram-lhe apenas um contrato de 3 anos.

Que significava isso? Que a curto prazo o FC Porto voltaria a fazer-lhe um novo contrato, que implicaria novamente o pagamento de comissões. Porque é isso que acontece: gerir assim este tipo de contratos resulta, meramente, no pagamento de comissões a dobrar. 

Mas o caso de Víctor Garcia é mais grave. Recordando um post anterior:

Até 2020
«O FC Porto podia tê-lo comprado logo no primeiro ano em que esteve emprestado? Podia, pois podia. Mas terá sido mais interessante deixar que fosse a Northfields Sports, uma empresa de Marcelo Simonian, a comprar primeiro Victor Garcia, por uma ninharia, para depois o FC Porto comprar 50% do passe com inflação: 1,8M€. Alguma vez viram algum jogador sair da Venezuela com uma avaliação de 3,6M€?»

O pior não foi pagar 1,8M€ por Víctor Garcia. Foi ter-lhe dado apenas um contrato de um ano! Em dezembro, Víctor Garcia lá renovou até 2020. A SAD pagou comissões a dobrar numa operação incompreensível, pois se o jogador mais caro da Venezuela só tem direito a um contrato de um ano...

Quanto a Quintero, continua a ser o que era quando foi contratado: um projeto de jogador. Um rapaz com talento, mas muito longe de ainda ser um futebolista capaz de jogar numa equipa grande.

Até 2021
A isso muito se deve a falta de empenho de Quintero nos 2 primeiros anos do FC Porto. Chegou a pensar que era a estrela, que era o melhor sub-20 do Mundial, e esqueceu-se que no FC Porto só vinga quem trabalha ao máximo. Não jogou mais com Paulo Fonseca porque se aplicava pouco nos treinos. Não ficou com Lopetegui por não se aplicar o suficiente e estar sempre chateado com o mundo.

Ainda assim, a SAD assumiu um investimento de 9,5M€ nos 100% do passe de Quintero. Como o contrato acabava em 2017, ou se assumia o prejuízo e procurava-se a transferência definitiva, ou aumentavasse ainda mais a aposta em Quintero, mesmo sem este nunca ter dado provas de evolução. A SAD escolheu o segundo caminho.

A experiência de Quintero em França não está a ser a melhor. Só começou a ser titular no fim de novembro e tem apenas um golo e duas assistências. Falta-lhe tudo o que um grande futebolista precisa de ter: regularidade, consistência e grande disponibilidade de trabalho. Ter olhinhos no pé esquerdo não chega.

Mas após esta renovação, de 4 anos, só podemos admitir que Quintero vai regressar ao plantel do FC Porto no verão. Sobra a questão: que treinador é que a SAD idealizou para ajudar Quintero a evoluir no curto prazo? Uma renovação destas pressupõe grandes planos para Quintero, e de Quintero para o FC Porto. O mesmo se aplica a Gudiño e Víctor García: não ter planos de médio prazo após estes negócios, nomeadamente de integração no plantel em 2016-17, seria simplesmente um mau ato de gestão.

PS: O treinador será tema depois de ser apresentado, pois primeiro é preciso ouvir que justificação Pinto da Costa tem para todo este processo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O preço de uma cláusula

Em Imbulição, impunha-se a questão a propósito do comunicado do FC Porto à CMVM sobre a transferência de Jackson Martínez para o Atlético: «Temos só um pequenino problema semântico: «Irá exercer a cláusula de rescisão». Irá, mas quando?»

O R&C anual de 2014-15 revela que o Atlético não pagou, de facto, a cláusula de rescisão de Jackson Martínez no dia em que o FC Porto enviou o comunicado à CMVM. O comunicado do FC Porto já apontava nesse sentido, ao anunciar o «irá exercer». Foi uma informação comunicada já perto da meia-noite, para evitar que a SAD tivesse o segundo ano consecutivo de prejuízos - um saldo negativo acumulado de quase 65M€ em dois anos.

Daí que os 35M€ do Atlético estejam na rúbrica de clientes, em dívida, no final de 2014-15. Note-se que o FC Porto tem a receber quase 60M€ de outros clubes ao longo do exercício 2015-16, inclusive 2M€ da transferência de Souza do São Paulo para o Fenerbahçe. Há ainda a dívida do Fluminense, de 2,125M€, mas que provavelmente não será paga, uma vez que se trata da transferência de Walter. De referir ainda que entre as dívidas não correntes, tirando a transferência de Alex Sandro, só está prevista a entrada, para 2016-17, de 12M€ do Real Madrid (Danilo) e 2,5M€ da Doyen (possivelmente para encaminhar para o Granada, por Brahimi).

Dívidas de outros clubes ao FC Porto durante o período de 2015-16
De volta ao tema inicial, a cláusula de rescisão de Jackson Martínez. O Atlético nunca anunciou o pagamento da cláusula de rescisão. Aliás, o Atlético anunciou isto no seu site: «Atlético de Madrid y Oporto han llegado a un acuerdo para el traspaso de Jackson Martínez a nuestro club». Se o Atlético paga a cláusula de rescisão, não tem que chegar a acordo com ninguém. Tem que depositar o dinheirinho e pronto.

Foi Henrique Pompeu a apresentar a proposta do Atlético, por fax, na condição de procurador. O empresário, que tinha direito a 5% da receita, até fez ameaças públicas ao FC Porto. Se o Atlético apresentasse, de facto, os 35M€ a pronto e Jackson invocasse a rescisão, o FC Porto só tinha era que aceitar.

Apesar das dúvidas que se levantaram sobre se o Atlético paga, ou não, a cláusula de rescisão, no R&C o FC Porto, no ponto (iii) da alínea d) das Alienações, anuncia o pagamento de um valor a Jackson Martínez pela rescisão de contrato. Se se tivesse tratado de uma transferência normal, não haveria motivo nenhum para um pagamento por rescisão ao jogador. Logo pode-se depreender a existência do pagamento da cláusula, possivelmente em julho.

Distribuição de lucro
Por outro lado, o ponto (ii) levanta a maior questão de todas. «Proporção do valor da mais-valia atribuível à Northfields Sports B.V.» Não sendo o valor especificado, entre as quatro alíneas é possível apontar para uma comissão superior a 2M€. O FC Porto comunicou à CMVM que teria que atribuir 5% a Pompeo, mas nunca falou de nenhuma mais-valia a esta empresa sem grande informação pública de Marcelo Simonian. Se o Atlético paga a cláusula, o FC Porto não tem que pagar comissões a ninguém. Se alguém ligado a Jackson as exigia, teria que ser o Atlético de Madrid a pagar. 

Jackson chegou com Manso, passou para Pompeo e agora gera uma comissão, nunca antes especificada, para Simonian? Porquê? A fazer lembrar o caso de Otamendi, jogador que chegou ao FC Porto pelas mãos do referido empresário. A 31-12-2013, o FC Porto tinha 100% do passe de Otamendi. No início de fevereiro vendeu-o ao Valência, por 12M€, e anunciou que deduziu «a proporção no valor de venda do passe detidos por terceiros (10%)». Ou seja, no espaço de um mês, foram subtraídos 10% ao passe de Otamendi. Não se soube por quanto, nem a quem, nem porquê.

A venda de Jackson Martínez, sob qualquer circunstância, foi um excelente negócio financeiro, na medida em que se tratava de um ponta-de-lança já quase com 29 anos, a gerar uma mais-valia superior aos 21/22M€ que eram a base para um bom negócio. Mas se a cláusula de rescisão é paga, não há sentido em que o FC Porto assuma despesas em relação ao negócio. Muito menos de um valor bem considerável, a um empresário que nada tinha a ver com o negócio e numa transferência na qual, supostamente, o dinheiro só teria que cair na conta. As restrições da FIFA para comissões de 3% não servem para nada se depois se andam a atribuir «mais-valias» desta magnitude.

PS: André André e André Silva foram eleitos os melhores jogadores de agosto e setembro dos campeonatos profissionais nacionais. Dois dragões que vão conquistado a pulso, e com extremo mérito, o seu lugar no FC Porto. Parabéns aos dois!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Então, Rúben Neves renovou contrato

Rúben merece mais
do que um apontamento
Sabiam? Quem não sabia, pelos vistos, devia saber. Rúben Neves renovou contrato por mais duas épocas, até 2019. Confusos? Normal.

Aparentemente foi uma informação que passou algo despercebida, mas a 19 de setembro o Dragões Diário publicou: «Rúben Neves tem 18 anos, estreou-se na primeira equipa com 17, desde logo mostrando uma maturidade que o ajudou a queimar etapas no processo de formação. Até por isso e também pelo que mostrou já esta época e durante a época passada, não é fácil desestabilizá-lo, mas não deixa de ser patético ver alguma imprensa – a do costume – noticiar um alegado interesse do Chelsea, afirmando-se que tem contrato até 2017. A data que se lê no contrato, que é o que conta e não a vontade de alguns, é 2019. Rúben, como até aqui, responderá no campo

Foi o site Tuttomercato, em Itália, a dar conta desta notícia que envolvia o Chelsea... citando alegadamente imprensa inglesa. Em Portugal foi citada pel'A Bola, acrescentando que o jogador tinha contrato até 2017. Ou seja, a informação que era de domínio público e oficial. Normal, portanto.

A última vez que o FC Porto se pronunciou sobre o contrato de Rúben Neves foi a 17 de outubro de 2014, na altura quando renovou até 2017 (não podia renovar por mais de três épocas por ser menor de idade). Quem renovou até 2019, na altura, foi Fabiano. Desde então, nunca mais o FC Porto, nem a nível oficial nem através de redes sociais ou outros meios, voltou a anunciar qualquer renovação de contrato de Rúben Neves.

E agora, para surpresa geral, o Dragões Diário surge a afirmar que Rúben Neves tem contrato até 2019, como se fosse uma informação de domínio público e algo já sabido. Nenhuma imprensa pareceu interessada ou sequer notou na novidade. Será possível que o FC Porto tenha renovado contrato com o nosso Menino de Ouro sem informar os sócios e adeptos? E se renovou, será esta a melhor forma de anunciar a renovação, como uma mera nota de rodapé numa notícia sobre uma especulação de mercado?

Levantam-se questões. Se Rúben Neves prolongou o seu contrato até 2019, por que fê-lo por 4 épocas e não por 5, que seria mais apropriado à sua qualidade e potencial? Se Rúben Neves renovou, a cláusula de rescisão de 40 milhões de euros mantém-se? Tratar-se-á de um contrato-promessa já previsto aquando da renovação até 2017 (um tipo de prolongamento de contrato que gera sempre dúvidas, como foi exemplo no caso Bruma-Sporting, embora por norma possa ser aplicável pelos clubes como renovações automáticas se nenhuma das partes se opor)? Muitas questões, nenhuma resposta. Aliás, uma aparente resposta que já todos deveriam saber.

Nos últimos 4 anos, o FC Porto anunciou todas, todas as renovações de contrato dos seus jogadores da equipa principal (o último caso em que isso não aconteceu foi Rúben Micael, em 2011, uma renovação só desvendada pelo relatório e contas). Renovar com Rúben Neves, possivelmente o médio de 18 anos mais promissor à escala mundial, não é uma informação digna de ser anunciada como deve ser?

Rúben Neves é muito mais do que um mero futebolista aos olhos dos adeptos, por tudo aquilo que simboliza, e querê-mo-lo connosco muitos e longos anos. Aos 18 anos já é vice-capitão do FC Porto. Não tratem a sua situação contratual como um mero apontamento secundário, pois Rúben Neves merece muito mais que isso. E os adeptos também merecem saber o quão salvaguardado está, de facto, o futuro do Menino de Ouro.

PS: Uma boa notícia relativamente a André Silva, cujos primeiros sinais indicam que a lesão não terá sido tão grave quanto se temia e as melhores expetativas apontam para um regresso em outubro. De qualquer forma, mantém-se o apelo de que o FC Porto se deve fazer valer de todas as vias possíveis para garantir que entradas como a que deu origem a esta lesão não possam nunca gozar de impunidade. E a própria FPF (alô?), se de facto se preocupasse com os clubes e as camadas jovens, deveria reagir à forma como acabou de ficar sem o seu melhor ponta-de-lança sub-21 para dois jogos de qualificação para o Europeu.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Análise ao fecho de mercado: as rescisões

O que é feito de Rolando, Quiñones e Djalma? Já todos sabemos que deixaram o FC Porto, mas saíram sem que o FC Porto divulgasse uma única informação oficial nesse sentido. Mesmo sendo jogadores dispensados, estes três elementos foram campeões nacionais, tiveram textos de apresentação no site oficial, representaram o FC Porto dentro e fora de campo e não eram três sacos de batatas dos quais ninguém daria conta. Não há razão nenhuma para o FC Porto não ter avançado com uma informação oficial no seu site sobre as saídas dos jogadores. Já com Opare aconteceu o mesmo.

Sem surpresa, o FC Porto limitou um pouco a dança de empréstimos e avançou para algumas rescisões. É preferível, na maior parte dos casos, assumir a rescisão de contrato e o prejuízo do que andar a arrastar situações que não trazem nada de positivo. É certo que nem sempre é fácil rescindir, pois é raro o ser humano abdicar do seu salário em prol de algo inferior, mas são situações com as quais há que tentar lidar da melhor forma. Se havia lógica desportiva para contratar determinado jogador, é perfeitamente admissível assumir a má contratação. Quando se contratam jogadores que se sabe que vão acabar por sair, como foi feito com Sami, aí sim já é um mau ato de gestão. 

O número de rescisões, como foi antecipado aqui, aumenta exponencialmente a partir do momento em que a FIFA proíbe a partilha de passes e aplica restrições às comissões. Há formas de o contrariar, como é lógico, pois a FIFA nunca fechará uma porta sem deixar duas janelas abertas. Por exemplo, no momento da contratação de um jogador, o clube pode aumentar o prémio de assinatura e o futebolista, posteriormente, acorda o que tiver que acordar com o seu representante. Mas as dispensas e rescisões vão ser cada vez mais habituais. Opare foi dispensado logo à segunda época. E Rolando e Djalma, que já tinham sido cedidos três vezes, já não passaram deste verão. Apenas alguns exemplos. Passando a rever cada um.

2 jogos pelo FCP
Quiñones - Chegou no último dia do mercado de 2012. Vítor Pereira tinha na pré-época Alex Sandro, Emídio Rafael (ainda a recuperar de lesão) e até David Addy, todos superiores a Quiñones, para o lado esquerdo da defesa. A contratação, por si só, já não faria sentido, mas o FC Porto recebeu mais um jogador pela mão de Marcelo Simonian. Quiñones custou 1,98M€ por 80% do passe. Fez um jogo na Taça, outro no campeonato e de repente parecia que já nem contava para o totobola. Vítor Pereira não o pediu, não indicou a sua contratação, logo é natural que não lhe tenha dado grandes oportunidades. Se não contava para o treinador, como se dá logo um contrato de quatro épocas a Quiño? Como se justifica que tenha ficado na equipa B, logo ao segundo ano, a tapar o lugar a Rafa em vez de ser logo cedido a uma equipa de primeira liga? 

Até podemos salvaguardar que não havia interessados. Mas isso só torna este negócio ainda pior, com o FC Porto a avaliar em 2,5M€ um lateral, com um contrato de 4 épocas, que nem às mais modestas equipas da primeira liga interessava. À 3ª época foi para o Penafiel... para jogar a maior parte do tempo a médio-ala esquerdo. Isto diz tudo da indiferença do FC Porto em relação a Quiño, que foi contratado para ser lateral-esquerdo, mas a determinada altura já ninguém se importava que andasse a médio-ala no Penafiel. Um empréstimo deveria obedecer a uma lógica de potenciar as caraterísticas do jogador, não apenas arranjar um clube que se ocupe do atleta durante um ano. Agora Quiñones rescindiu. Tudo foi mau, desde o negócio à gestão. Quem teve a ideia de o trazer e, subitamente, não mais aparentou se preocupar com a evolução do jogador?

20 jogos, 3 golos
Djalma - Foi uma boa contratação. Já tinha 3 épocas de Marítimo na primeira liga, qualidade acima da média e quando foi contratado havia espaço para um extremo das suas caraterísticas no plantel. Mas a partir do 2º ano deixou de contar. E a partir daí, já devia ter sido assumido que Djalma não voltaria a fazer parte dos planos do FC Porto. Ao invés disso, três empréstimos consecutivos para a Turquia, que não resultaram em nada.

Agora falta saber que (ou se) prejuízo deu Djalma, pois o «custo zero» do angolano levanta algumas questões. Recordando o texto «Djalma, à espera de quê?», de julho de 2014:

Djalma chegou ao FC Porto em 2011, proveniente do Marítimo, a «custo zero». O FC Porto ficou com 90% do passe de Djalma e cedeu 10% à Pacheco e Teixeira, com sede em Matosinhos, tal como a Promosport, do empresário António Teixeira, que todos os anos faz negócios com o FC Porto e que é carinhosamente tratado como o «agente das sobras», pois raramente oferece negócios realmente rentáveis ao clube. (...) 
Então, a SAD alienou 25% de Djalma ao recém-criado fundo Soccer Invest Fund. Está registado na CMVM e é uma ramificação da MNF Gestão de Activos. O valor nunca foi oficialmente declarado, embora alguma imprensa tivesse apontado para 500 mil euros. O FC Porto disse-o assim: 
«A alienação dos direitos desportivos e económicos sobre os jogadores Rúben Micael, Djalma (25% dos direitos económicos) e Iturbe (15% dos direitos económicos), que ocorreram igualmente neste período, não geraram resultados significativos.» 
A CMVM é a única entidade que tem acesso à lista de investidores ligados à Soccer Invest Fund. Sabe-se apenas que Lino de Castro, ex-administrador do Sporting, é um dos nomes com ligação ao fundo de investimento. Certo é que o FC Porto avançou para uma série de negócios com esse fundo: 20% de Mikel, por 200 mil euros, 5% de Fucile, por 110 mil, 10% de Edú, por 100 mil, e 11% (depois passaram a 15%, pois havia a opção de comprar mais 4%) de Iturbe, por cerca de um milhão de euros. 
Desconhece-se quantos jogadores continuam ligados ao SIF (não há conhecimento de negócios com os rivais da Segunda Circular), mas Fucile, Edú e Iturbe já não estão ligados ao FC Porto. Sobra Mikel, que se lesionou com gravidade, e Djalma.

Ora, o SIF, que se saiba, não voltou a fazer negócios (exceção feita a João Moutinho, quando ainda estava no Sporting, só negociou jogadores do FC Porto). E como os fundos por norma partilham os lucros, não o risco, resta saber em que medida os 35% (10% ao empresário e 25% ao SIF) que foram cedidos/alienados pelo FC Porto podem agora ter resultado num reembolso aquando da rescisão. A rever no R&C. De Djalma, só se torna incompreensível como é que nunca houve propostas concretas por um jogador que sempre teve um valor de mercado acima de 2M€, inclusive na avaliação do SIF. Ainda não foi desta, Teixeira.

175 jogos, 17 golos
e 11 títulos
Rolando - Terminou a ligação de Rolando ao FC Porto. Como? Não se sabe. Foi capitão do FC Porto, ganhou diversos títulos, sempre foi central com bom mercado, mas sai e não se lê uma palavra sequer do clube. Rescindiu ou foi transferido? A SAD não pareceu interessada em esclarecer. O R&C poderá fazê-lo, mas foi a cereja no topo do bolo que foi a péssima gestão deste caso. Segundo uma das versões, há uma compensação de 1,5M€. Se quiserem fazer gestão à Bruno de Carvalho, ao incluir no lucro do negócio o dinheiro que se poupa em salários, poderemos falar numa verba de cerca de 3,3M€. Houve em tempos propostas superiores (sim, 15 milhões de euros - e tanto aclamaram a alegada preferência por Praet e Tielemens que os dois jovens belgas nem sequer chegaram para ser rumor na silly season), mas tudo neste caso correu mal. Há quem afirme Rolando nunca mais, pois nenhum jogador está acima do clube. Toda a razão. Mas Rolando nunca teve problemas com o FC Porto, «o clube». Sublinhe-se, como «o clube». Discutiu-se a integração há um ano, voltou-se a fazê-lo este ano e agora, por fim, Rolando muda-se para Marselha, apenas porque concordou que fosse a Doyen Sports a tratar de tudo. Há quem diga que há parcialidade quando, aqui, se fala do caso Rolando. Mas é claro que há parcialidade, pois todas as opiniões são parciais. E esta é a que se queimou um capitão, um ativo, um futebolista. Distribuam as culpas por quem quiserem, mas quem perdeu foi o FC Porto.

Melhores felicidades profissionais e desportivas a Quiñones, Djalma e Rolando, campeões pelo FC Porto.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Braçadeira, estatuto ou prémio

Lopetegui, que é o tipo de treinador que prefere decidir quem é o capitão (ao invés de deixar o balneário votar), recomendou que Alex Sandro fosse incluído no grupo de capitães. Isto leva a uma única questão: é uma sugestão por o perfil de Alex Sandro ser adequado ou é um trunfo nas negociações para renovar?

O JOGO 23-07-2015
Não é segredo para ninguém que o FC Porto tem pouca mobília no plantel. Helton, o jogador com mais anos de casa, vai ser suplente durante quase toda a época. Maicon esteve perto de sair, mas acabou por ficar e já com estatuto reforçado (como foi prova o facto de ter sido o porta-voz na apresentação dos equipamentos, em detrimento de por exemplo Helton). Varela tem anos de casa, já foi sub-capitão, mas após ter estado uma época fora percebe-se que não seja considerado. Se Rolando não estivesse encostado, nem haveria discussão.

Tirando os nomes referidos, o elemento mais antigo do plantel é Alex Sandro. Tendo em conta a antiguidade, acaba por ser um passo natural. Mas será que o perfil de Alex Sandro encaixa no que deve ser o capitão do FC Porto? Talvez não. A questão que resta é, quem mais há?

Alex Sandro é um jogador discreto. Nunca deu entrevistas a jornais portugueses (apenas uma à Revista Dragões), gosta de estar sossegado no seu canto e dentro de campo poucas vezes o veem a gritar com os colegas ou a dar instruções. Além disso, é um jogador que pediu para sair este verão. Pinto da Costa recusou abordagens bem interessantes, o que quer dizer que está plenamente convicto da sua continuidade (ou que algum clube torna-lo-lá pelo menos no segundo lateral mais caro da história do FC Porto).

É que desta vez nem há tempo para uma saída de emergência como foi a de Álvaro Pereira, que foi vendido ao Inter por metade do que poderia ter saído um ano antes para o Chelsea, pois na altura o uruguaio tinha contrato por quatro anos. Alex Sandro só tem um. E não parece a melhor das apostas dar a braçadeira a um jogador com a promessa de sair um ano depois. Foi esse o caso de Jackson Martínez, mas o perfil do jogador era completamente diferente. 

A braçadeira não devia ser recebida com base nos anos de casa, mas sim no perfil. Por exemplo, André André, quando estava emprestado pelo Varzim, foi promovido a capitão na primeira semana de treinos dos sub-19. E Lucho González foi o primeiro estrangeiro a ser capitão na primeira época no FC Porto. Quando o perfil está lá e há bom balneário, um líder surge naturalmente.

Não é a primeira vez que Lopetegui usa a braçadeira com uma segunda intenção. Há um ano quis que Quaresma, desde o primeiro dia, se sentisse valorizado, acarinhado e importante no grupo. Correu mal, pois ao primeiro jogo em que foi para o banco agiu como um capitão não pode agir. Ficou sem a braçadeira. Alex Sandro terá um dado a seu favor se ficar, que é o da titularidade quase indiscutível. Helton não vai ser titular, Maicon não terá o lugar garantido no 11 (mesmo que inicie a época assim), Alex Sandro sim. Pode, por isso, entrar em campo muitas vezes como capitão. Oxalá Lopetegui não se engane quanto ao seu perfil e que haja balneário capaz de seguir um jogador que até há bem pouco tempo queria sair e que, se ficar, provavelmente sairá em 2015-16. Terá também de haver um crescimento de Alex Sandro no sentido de ganhar voz de comando dentro e fora de campo.

PS: Se o deixarem cá estar quietinho, em breve a braçadeira de capitão poderia deixar de merecer dúvidas quanto à sua atribuição.

domingo, 19 de julho de 2015

Lidar com precedentes

Discute-se a ausência de um central, a definição do meio-campo e a chegada do ponta-de-lança que falta. Uma questão não menos importante, pelo contrário, tem passado um pouco ao lado: o caso Alex Sandro. À data de hoje, está a pouco mais de cinco meses de poder assinar por outro clube a custo zero.

Renovação: a que custo?
Os responsáveis do FC Porto sabem que Alex Sandro sente que é tempo de abraçar outro desafio. Danilo, o seu companheiro de sempre, já saiu. O FC Porto passou a ter apenas quatro brasileiros no plantel - menos, nos últimos anos, só na primeira época completa de Mourinho. Já passou 4 anos no FC Porto e ouviu, da boca do diretor-geral, que joga num clube onde os jogadores têm ciclos de três épocas para sair. Tem convites tentadores, mais para o jogador do que para o clube, como é natural para um jogador que está quase em final de contrato. Que fazer?

Quando um jogador em fim de contrato hesita em renovar, tende-se a condenar o jogador e realçar que a SAD fez o seu papel. «Já ofereceram a renovação e o jogador não quis. Querem que faça o quê, que lhe aponte uma arma à rótula!?» Pois, mas esta não pode justificar tudo. Sendo Alex Sandro um jogador em quem a SAD investiu quase 10M€ e que é hoje reconhecidamente um dos laterais esquerdos de maior potencial, a SAD não pode nunca perder o controlo da situação do jogador. É responsável por um alto investimento num ativo caro, valioso e que continuará a ter alta cotação desportiva e/ou financeira. 

Não se podem admitir mais Cebolladas, sobretudo neste fase financeira, de exigível rigor devido ao fair-play financeiro e à própria sustentabilidade da SAD. Assuma-se: ou renova ou sai por um valor aceitável/possível. Alex Sandro tinha um contrato de 5 anos e houve muito tempo para tratar e antecipar esta situação.

Há possibilidades de recuperar o investimento, seja negociando o passe, seja estudando-o como possível moeda de troca (coisa que o FC Porto raramente faz, pois por norma a SAD não precisa de jogadores, mas sim de dinheiro, logo seria necessário uma grande conjugação de oportunidades para isso acontecer). Certo é que a SAD não se pode deixar ultrapassar por esta situação. O problema não está apenas na manutenção de Alex Sandro. Estará também na necessidade de voltar a atacar o mercado. 

A renovação não é uma impossibilidade, pois Pinto da Costa é perito em convencer jogadores que estão decididos a sair com a promessa clássica de permanecerem mais uma época, com melhor salário, e então esperar por melhores possibilidades de mercado. A questão é: o que é preciso para convencer Alex Sandro a ficar?

Sempre que o FC Porto tem que convencer um jogador a ficar, já estamos a ir por um mau caminho. Os jogadores têm que desejar representar o FC Porto, e não o contrário. Não há nada que uma boa proposta de renovação (veja-se os casos de Fernando ou Jackson Martínez) não resolva. E os jogadores, depois disso, não se acomodam, pelo contrário, ficam mais incentivados do que nunca, ao perceberem o esforço que o FC Porto está a fazer por eles. Pelo menos os bons profissionais.
Precedente aberto

No final, tudo se pode resumir à proposta de renovação. Mas oferecer uma proposta não chega. É preciso que todas as partes sintam que estão a fazer o possível. E tudo se resume a esta questão: não terá Alex Sandro, agora, legitimidade em pretender ganhar tanto ou mais do que Maxi Pereira no FC Porto?

Alex Sandro só precisou de 2 anos no FC Porto para ser bicampeão, coisa de que Maxi precisou 7 anos para fazer. Alex Sandro tem os melhores anos de carreira pela frente. Maxi Pereira não. Alex Sandro tem o potencial para dar um grande encaixe financeiro à SAD a curto/médio prazo. Maxi Pereira não. Alex Sandro é cobiçado por alguns dos melhores clubes estrangeiros. Maxi Pereira nunca o foi. Por fim, Alex Sandro empenhou-se, mesmo muitas vezes em modo molengão, durante 4 anos em combater a trincheira da qual Maxi Pereira fazia parte.

Maxi Pereira trocou o Benfica pelo FC Porto. Alex Sandro não faria o contrário. Por tudo isto, Alex Sandro tem toda a legitimidade em querer ganhar tanto ou mais do que Maxi Pereira. É um precedente que foi aberto, e agora cabe à SAD lidar com ele. Alex Sandro não pode dar prejuízo. Seja financeiro, seja desportivo. A contratação de Maxi Pereira não era apenas um risco pelo que custa, mas sim por aquilo que podem passar a custar os seus colegas. Precedente aberto, tempo de lidar com ele. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Que contas, Danilo? (E uma nota sobre a Liga Aliança)

Dentro de duas semanas vamos conhecer as contas semestrais da SAD. Logo quaisquer dúvidas, ou parte delas que possa haver, serão esclarecidas. Mas a propósito do interesse de Barcelona e Real Madrid em Danilo, O Jogo publicou uma notícia que merece a atenção: diz que o FC Porto tem 90% do passe de Danilo.


Isto é uma grande novidade. Porquê? Porque não se ouviu falar em lado nenhum de uma alienação ou venda de 10% do passe. Depois porque no último R&C é dito que a SAD tem 100% de Danilo, a mesma percentagem que é declarada desde o primeiro dia em que a sua contratação foi incluída nos relatórios. Tendo em conta que a informação oficial está à distância de meia dúzia de cliques, ou O Jogo está a dar uma novidade que levanta questões (para onde foram os 10%?), ou cometeu uma imprecisão.

O FC Porto, para efeitos oficiais, tinha/tem 100% do passe de Danilo. Uma SAD pode ter que dar 10% a um clube, mas isso não implica que deixe de ter os 100%. Porque uma coisa é ter uma percentagem do passe, outra é ter direito a uma percentagem de uma venda. Na prática, pode ser o mesmo. É o que vai acontecer quando a FIFA proibir a partilha de passes, algo que já foi explicado aqui. Os fundos/empresários vão deixar de ter percentagens de passes, mas vão passar a ter direito a percentagens de futuras vendas.

Continuando, neste caso de Danilo há um dado que embora nunca tenha sido oficializado pode ajudar a perceber onde foram buscar estes 90%.

As contas do passe de Danilo
«O Porto ainda se comprometeu com o Peixe a lhe repassar 10% do lucro numa futura transação por Danilo», Globoesporte, em Julho de 2011. Sendo Danilo o mais caro activo contratado pela SAD, para desaparecerem 10% teria certamente que ser declarado à CMVM. Por isso o que está aqui em causa são mesmo, ou devem ser, os tais 10% a que o Santos tem direito. 

Danilo já disse que há conversações para renovar o contrato. Na altura ainda não era público que Barcelona e Real Madrid estavam interessados (pelo menos é o que dizem os jornais espanhóis com afiliação aos 2 clubes). Este interesse muda muita coisa. O Barça está impedido de registar contratos até 2016, o que já complica a possibilidade de um leilão com o Real Madrid. Mas seja como for, este interesse só reforça a pressão e necessidade de renovar rapidamente com Danilo. Se o FC Porto não tiver o jogador protegido com maior longevidade no contrato, os interessados no Verão vão querer sempre negociar por baixo (a não ser que haja mesmo leilão e que um puxe pelo outro). Depois, se Danilo por acaso não renovasse, o FC Porto acabaria sempre por ter que vendê-lo no Verão.

Como só se admite que as partes renovem, vamos acreditar que o FC Porto consegue mais um grande negócio e que no Verão Danilo sai por 30M€. A cláusula é de 50M€, mas não vale a pena pensar em mais. Talvez só Dani Alves tenha sido vendido por mais, isto no que toca aos laterais-direitos. Por isso, tomemos os 30M€ como referência.

Pode-se desde já deduzir 3,5M€ para a amortização contabilística do primeiro contrato. Se Danilo renovar, como se espera, é expectável que a amortização suba para um valor que não fugirá aos 5,5M€ (por padrão, o FC Porto nunca renova com titulares por menos de 3 anos - no caso de Jackson, o vínculo foi estendido por um ano, mas as novas condições contratuais entraram logo em vigor, ou seja de 2014 a 2017).

É urgente renovar
Depois, a intermediação. Quando Danilo foi contratado, os encargos foram de 27,12% do valor da transferência (negócio explicado aqui). Que percentagem de intermediação esperar? 10% é o valor referência do mercado de empresários, mas se a contratação de Danilo já foi inflaccionada, poderá acontecer o mesmo na saída? Não se sabe, mas aponte-se para os 10%. Saltam 3M€.

Por fim, os 10% que é suposto dar ao Santos/DIS. São 10% da futura venda ou 10% da mais-valia gerada pela transferência? Se forem 10% da futura venda, saltam mais 3M€. Se forem 10% da mais-valia, à partida saltam 1,7M€. Mas O Jogo diz que o FC Porto só tem 90% do passe de Danilo, algo que se possa crer tratar-se dos tais 10% do passe, não da mais-valia.

Assim, dos 30M€ que à partida seriam o valor da transferência, sobra uma mais-valia de 18,5M€. Considerando que Jackson Martínez pode gerar uma mais-valia entre 20M€/21M€ e que Defour e Mangala já geraram cerca de 25M€, ficam a faltar 2M€/3M€, valor que pode subir pela contratação de Hernâni (ou simplesmente não existir, por via da receita-extra na UEFA). Tendo em conta os jogadores que o FC Porto tem emprestados, este défice, a existir, tem que ser coberto com a venda de excedentários. Assim se mantém a regra de Pinto da Costa de não vender mais de 2 titulares por época, sem que isso implique transitar novamente resultados negativos para 2015-16.

PS: O jornal O Jogo traz à capa, numa frase, o escândalo da manipulação de resultados proposta por parte do Benfica (se não existiu a proposta, que o Benfica não desmentiu, então existe mentira e difamação de Bruno de Carvalho, que coloca em causa a integridade do futebol nacional). Nos restantes jornais, nem uma palavra. Pelos vistos A Bola e o Record acharam que o mais interessante no comunicado de Bruno de Carvalho foi ter chamado Papa a Vieira, a típica frase para entreter o povo. É este o nosso futebol. Mas se o próprio FC Porto não quer/quis reagir, que fazer? Esperar pela Liga? Pela CII? Pelo MP? Pela FPF? Dormientibus non sucurrit jus.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Obviamente, Óliver

Do «não comento» chega-se com facilidade ao «não desminto». E se não desminto, «admito». É o suficiente para criar uma história ou alimentá-la. Neste caso uma história por muitos ansiada: a permanência de Óliver Torres no FC Porto.

Muita especulação...
Enrique Cerezo diz a O Jogo a frase mais básica e natural de todas. «É natural que o FC Porto queira ficar com Óliver». A notícia estaria em dizer o contrário. Qual é o objectivo do FC Porto? Ganhar títulos. Como é que se consegue isso? Tendo uma equipa forte. Com Óliver Torres, o FC Porto é mais ou menos forte? Dispensa-se a resposta.

Infelizmente, o pensamento SADista de ver no futebol unicamente um negócio está cada vez mais enraizado em alguns adeptos. A ponto de ainda hoje criticarem o FC Porto por estar a valorizar Óliver Torres para o Atlético. Como se não estivesse a acontecer o contrário - Óliver é que está a valorizar o FC Porto, pois há um FC Porto com e sem Óliver. Com Óliver é muito mais forte. 

Claro que não é possível dissociar a vertente económica-financeira da desportiva. No FC Porto estão interligadas, Mas o objectivo principal é sempre o sucesso desportivo. Ter Óliver Torres, mesmo por empréstimo, deixa o FC Porto mais perto desse sucesso desportivo. Submissão? Parvoíce. Qualquer jogador titular do FC Porto iria para o Atlético, vice-campeão europeu e campeão espanhol. E nenhum titular do Atlético iria para o FC Porto. É a realidade, não necessariamente pela dimensão do clube, mas pelo contexto desportivo e financeiro em que está envolvido.

Nos últimos 10 anos o FC Porto só teve 6 emprestados. Uma média das mais baixas que hão-de encontrar no futebol europeu. Ter jogadores emprestados é uma operação natural. No FC Porto criou-se um preconceito em redor disso, unicamente pela obsessão (e necessidade) de comprar-valorizar-vender. Mau é investir milhões em jogadores que nem sequer entram para melhorar o 11 titular. Ólivers? Mais, por favor.

... e uma certeza: craque
Dito isto, o plano para manter Óliver em 2015-16. Um plano que não é mais que especulação e uma sopa de possibilidades. Claro que o FC Porto gostaria de manter Óliver. Claro que Óliver gostaria de ficar no FC Porto de Lopetegui se não entrar nos planos de Simeone. Mas certezas não há absolutamente nenhuma.

É normal que Óliver não tenha feito parte do plantel do Atlético de Madrid. Afinal trava-se de um suplente do Villarreal. Mas há uma grande diferença entre ser um suplente do Villarreal e o maestro do FC Porto. Óliver é hoje muito mais jogador do que era há seis meses. Diz-se que não se enquadra no estilo que Simeone prefere. Um dia hei-de descobrir que tipo de estilo prescinde de um jogador combativo, tecnicista, tacticamente inteligente, que joga e faz jogar, se adapta a várias posições e momentos do jogo e nunca se esconde de nada. Hoje não é o dia.

Pagar a cláusula de rescisão de Óliver é impossível. Uma contratação a título definitivo teria que envolver várias partes, nomeadamente clubes, Gil Marin, Jorge Mendes e o próprio Óliver. Renovar o empréstimo, quiçá. Muitas possibilidades e especulações, nenhuma certeza. Aliás, há uma certeza: este Óliver tem lugar em qualquer FC Porto, seja à luz de que contrato for. E se se conjugar alguma possibilidade de permanência, será sempre uma excelente notícia para a principal ambição do FC Porto: o sucesso desportivo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Pagar a cláusula de rescisão de Óliver. E eis Quintero a 100%.

«Não precisamos do Óliver emprestado, temos o Quintero». Provavelmente ouviram ou leram algures esta frase durante a pré-época. A fechar 2014, é tempo de a recuperar e concordar: Quintero continua a ter um potencial tremendo, mas Óliver é neste momento mais jogador.

Óliver. Nem com meia
cláusula
Quintero aparece quando tem bola. Óliver aparece onde a bola estiver. Quintero faz a diferença com a redondinha nos pés. Óliver faz a diferença com ou sem ela. Esta é a grande diferença. Mas num clube que depende excessivamente de mais-valias com transferências, o mais natural seria apostar no jogador que a SAD tem definitivamente e não temporariamente. O futebol de Óliver não obedece a essa lógica, apesar de Quintero também já ter tido espaço na equipa principal.

Hoje confirma-se o que já tinha sido adiantado aqui: a SAD investiu 4,5M€ para ficar com a outra metade do passe de Quintero, que passa agora a ser uma das poucas trutas que o FC Porto tem a 100%. Um passo natural tendo em conta a fé da SAD no potencial do jogador (foi contratado sem indicação de Paulo Fonseca na altura), mas também o ter que se preparar para na próxima época jogar sem Óliver Torres.

É uma esperança já manifestada por muitos portistas, a de ficar com Óliver Torres. É como é natural nestas alturas já se fazem contas de merceeiro para comprar Óliver ao Atlético, pelos 24M€ da cláusula de rescisão. Como é lógico, é absolutamente impossível bater a cláusula de rescisão, e não é por Quintero ser mais barato, é mesmo pela forma como as cláusulas de rescisão funcionam e que muitos desconhecem.

Um exemplo. O comunicado à CMVM pela saída de Villas-Boas
«A FC Porto -- Futebol, SAD vem informar que foi hoje notificada da intenção do seu treinador, André Villas-Boas, de resolver, sem justa causa, o contrato de trabalho desportivo em vigor com esta sociedade, accionando a respectiva cláusula de rescisão, de imediato».

Reparem na diferença entre este e qualquer outro comunicado à CMVM. Não é referido uma única vez o nome do Chelsea. Porque não foi (nem podia ser) o Chelsea a bater a cláusula de rescisão. Para a cláusula de rescisão ser accionada, o pedido tem que ser feito por uma das partes que a celebrou. Neste caso, Villas-Boas. Foi Villas-Boas a pedir para sair pela cláusula de rescisão e fez o depósito de 15M€ na SAD do FC Porto (como é claro, com dinheiro que lhe tinha sido endereçado pelo Chelsea com esse propósito).

Quintero vai ter que
explodir
Isto para dizer que o FC Porto não pode bater a cláusula do Óliver. Nem o Valência bate a cláusula do Enzo Pérez, nem o Arsenal a do William Carvalho e nem o PSG a do Brahimi. Porque para isso acontecer têm que ser o Óliver, ou o Enzo, ou o William, ou o Brahimi a pedirem para accionar as respectivas cláusulas de rescisão.

E como é claro, isso não chega. Para uma cláusula de rescisão ser accionada, o dinheiro tem que cair todo de uma só vez. Um pagamento limpo e a pronto. No caso do FC Porto, isso implicaria pagar 24M€ por Óliver a pronto. Uma barbaridade, claro. Nem por 12M€ seria possível.

O FC Porto nunca conseguiria ter 24M€ em caixa para esse propósito. Nem para outro propósito qualquer. De recordar que até Junho estão previstos mais 40M€ em mais-valias com transferências. Vender Jackson e um dos laterais não deve chegar para cobrir este valor, porque estamos a falar de 40M€ limpos de comissões, prémios e etc.

As duas maiores contratações do FC Porto até há bem pouco tempo, Danilo e João Moutinho, foram pagos em tranches anuais (Hulk não é a contratação mais cara, é o jogador mais caro, coisas diferentes, porque para ser contratado só custou 5,5M€; o resto do investimento veio quando já estava contratado e já era jogador do FC Porto). O caso de Ádrian não foi aprofundado, mas como é lógico também envolve um investimento reduzido a curto prazo. Não há outra forma de clubes portugueses negociarem jogadores caros, tem que envolver prestações (quase todos os jogadores são contratados assim) e/ou terceiros.

Por isso, para ficar com Óliver só havia dois cenários possíveis: a) prolongar o empréstimo; b) negociar com o Atlético, com Jorge Mendes (tem parte do passe mas não é empresário dele) e com o jogador. Mas agora que há Quintero a 100% e é imperativo colocar o jogador a render dentro e fora de campo, nada justifica que na próxima época haja novo emprestado a tapar Quintero, logo um dos poucos jogadores que temos a 100% (embora possam esporadicamente jogar juntos, mas isto apenas para dizer que nem vale a pena falar mais sobre a cláusula de Óliver).

sábado, 13 de dezembro de 2014

Danilo, uma excepção de sucesso, não uma regra

No espaço de uma semana, foram apontados dois laterais brasileiros ao FC Porto, Mayke e Marcos Rocha. Coincidência ou não, os dois melhores laterais que jogam no Brasil. E ambos foram apontados ao FC Porto justificando uma possível saída do Danilo.

Negociação para renovar
É verdade que o contrato de Danilo acaba em 2016, mas vai renovar pelo FC Porto. As negociações avançam, resta saber para que sentido: manter um lateral que é de top mundial ou fortalecer a posição negocial do FC Porto para uma eventual saída no fim da época?  O orçamento prevê que tenhamos que fazer mais 40 milhões de euros em transferências e Danilo é um dos mais valiosos jogadores e activos que a SAD tem (e a 100%). 

Por menos de 30 milhões de euros, Danilo seria mal vendido. Tem 23 anos, é de Seleção Brasileira, tem estofo de líder no balneário, é um profissional exemplar e tem muita, muita qualidade. Custou 13 milhões de euros, apesar de ser provavelmente o único jogador em Portugal que quando é para referir o preço alguns resolvem incluir tudo, prémio de assinatura e intermediação inclusive. É responsabilidade de cada portista desmistificar isso.

Independentemente da renovação avançar, o FC Porto um dia terá que substituir Danilo. E como vimos no último jogo com o Shakhtar, Ricardo é um projecto de sucessão de excelente qualidade. Opare ainda não pôde mostrar nada, mas o mês de Janeiro será uma oportunidade para isso. Na equipa B, David Bruno não tem estofo para jogar na equipa principal e a situação contratual de Victor Garcia é desconhecida, um pouco à imagem de Kayembé há um ano. Nos sub-19, um nome que merece atenção: Fernando Fonseca.

O FC Porto já tem nos seus quadros laterais de grande qualidade e que podem ser alternativas e sucessores de Danilo a médio prazo. Mas de rajada são apontados Mayke e Marcos Rocha, dois laterais caros, que jogam em clubes associados ao Banco BMG. O mesmo BMG também esteve associado ao negócio Danilo.

E daqui chegamos ao título do post: o negócio Danilo deve ser uma excepção, não uma regra. Mayke e Marcos Rocha são laterais cujo preço pode chegar aos dois dígitos. E o FC Porto não se pode dar ao luxo de voltar a investir com essa dimensão.

Felizmente, muitos adeptos defenderam Danilo nos últimos três anos e agora confirma-se que os 13 milhões de euros valeram cada cêntimo. E isso pode perfeitamente dar moral para contratar outro lateral por esse preço. «Mayke/Marcos Rocha/Seja quem for custa 10 milhões? E então, o Danilo também custou 13 e foi um craque!» Danilo não pode ser usado como um exemplo de um grande investimento que deu certo, porque o FC Porto não tem capacidade, neste momento, para fazer investimento igual, Não o deve fazer, sobretudo tendo já alternativas no plantel.

Desde 2011-12, época em que chegou Danilo (e Alex Sandro, Defour e Mangala, negócios que o FC Porto fez com um euro no bolso), o FC Porto apresentou prejuízo líquido de 56 milhões de euros e o passivo aumentou 46 milhões. E perguntam: não podem Alex Sandro, Mangala e Danilo cobrir esse prejuízo? É um facto que sim. Mas as mais-valias devem sustentar a actividade corrente e anual do FC Porto, não os buracos que vão sendo acumulados.

O FC Porto pode e deve continuar a procurar Danilos, mas em qualidade, não em preço. E sobretudo, tentar aproveitar os Danilos que já há no plantel.

PS: Tentaste, Bruno. Tentaste.

sábado, 29 de novembro de 2014

O essencial do primeiro Relatório e Contas da época

O Tribunal do Dragão apresenta os principais dados do R&C do primeiro trimestre da época 2014-15, que contempla os meses de Julho, Agosto e Setembro, com análises e reflexões nos diversos tópicos. 

- Resultados. Mesmo com a receita extraordinária da Champions, sem transação de passes o FC Porto tem um prejuízo operacional de 1,9M€ nos primeiros 3 meses. Com a transação de passes, o resultado líquido é de 13,469M€. A necessidade de gerar mais-valias já é sabida e vão ser necessários à partida mais 40 milhões até 30 de Junho.

Fernando Gomes
- Passivo vs Activo. O passivo total subiu 35,687M€ para 269,15M€, ainda que o passivo remunerado tenha baixado 14,952M€. Em contrapartida o activo disparou 49,161M€ para 249,557M€, basicamente graças às contratações para esta época. Assim os capitais próprios negativos reduziram para 19,59M€, o que é sempre importante, mas a SAD continua em situação de falência técnica (a operação Euroantas só entra no 1º semestre). Sobre a Euroantas, ler aqui e aqui.

Preocupante e nada de novo (o Braga tem a única SAD que não está em falência técnica, que tem um activo que cubra o passivo), mas com a operação Euroantas no segundo trimestre os capitais próprios já serão os maiores do futebol português (12,5M€), não esquecendo que tal só foi possível recorrendo ao Estádio - quem quiser a perspectiva positiva, o Sporting já usou todo o estádio e está afundado em falência técnica há anos e para os próximos (são mais de 100 milhões), e o Benfica vai continuar nessa situação, embora em menor grau (resta saber como ou se Gaitán, Enzo, Salvio e etc. resolvem a situação que tende a agravar a curto e médio prazo). Nada que nos interesse, mas há sempre quem goste de um ponto de referência. Como ponto negativo e já habitual, o grande défice entre o passivo e o activo correntes, que é de 95,133M€. Tal implica dependência da banca e de créditos para fazer face às despesas mensais e muita ginástica na tesouraria da SAD, uma situação que se repete ano após ano.

- Proveitos operacionais. Crescem de 17,5M€ para 26,65M€ graças à Liga dos Campeões, essencialmente. No primeiro trimestre já entraram 11,6M€ da Champions. As receitas de bilheteira subiram (mais jogos em casa), houve uma receita extraordinária no jogo do Deco e num concerto, de resto nada significativo. Como gerar mais receitas operacionais é o desafio.

- Custos operacionais. Um total de 28,56M€ nos primeiros 3 meses da época, sem contar com transferências. O custo do plantel já se reflecte: de 10,9M€ para 15,5M€, essencialmente a única rubrica com grande aumento, apesar dos FSE terem aumentado 1,3M€ (uma rubrica que tem sido consideravelmente e cada vez mais dispendiosa - mais informação aqui).

- Comissões. Mudou o responsável pela pasta financeira, mudou também a forma de prestar a informação. Neste caso, não prestar a informação. O FC Porto pagou 6M€ em comissões a empresários este trimestre. De recordar que só estão apresentadas 7 contratações no R&C, além de um bolo de «outros jogadores» de 1,175M€ (Andrés?). Ora para 7 contratações vemos... pagamentos a 15 empresas/empresários em comissões ou serviços de intermediação. Isto de tratar de uma transferência é extremamente trabalhoso, tanto que até é necessário dividir a tarefa por uma média de dois empresários para cada jogador. A maioria das empresas não tem informação significativa na internet, logo não há muito por onde explorar. De realçar aqui que o FC Porto não só deu 5% de Jackson Martínez a Henrique Pompeo como ainda lhe pagou um serviço de intermediação (de quanto? Não se sabe), isto ignorando a hipótese de ele estar associado a outro jogador do plantel (o que seria ainda mais preocupante).

Otávio: 32,5%
- Contratações. Marcano custou 2,65M€ por 100% do passe, valor dentro do noticiado. Evandro foi mais caro do que o inicialmente noticiado: 2,35M€ por 100%, havendo ainda o empréstimo do Tozé e a partilha de direitos económicos com o Estoril. Quanto a Otávio. A avaliação está relativamente dentro do noticiado (7,5M€, um milhão a mais do que o que saiu na imprensa), mas neste caso o preço foi 2,5M€ por 33% do passe, comprados a um clube à Rentistas, fundado há poucos anos (curiosamente em... Minais Gerais, terra do Banco que deu nome ao Museu), e não ao Internacional. 12% já terão ficado noutras mãos. É também sabido que Otávio foi uma aposta da SAD, não de Lopetegui, apesar de ser um miúdo de talento. Resta saber quando o veremos, e com isto é mais um jogador caro que praticamente só vai jogar na B. Apostas que só se justificam se forem integradas no plantel principal a médio prazo.

- Faseamento de pagamento. Outra das informações que não é disponibilizada. Havia expectativa sobretudo para conhecer quanto já custou efectivamente Ádrian até ao momento (relacionados aqui e aqui), mas a SAD não detalha nenhuma informação sobre isso. Dos 42,9M€ investidos na contratação de reforços, há um efeito de atualização de 2,2M€, a propósito de uma parcela que vence de 5 jogadores: Indi, Ádrian, Brahimi, Evandro e Otávio. 

- Mangala e Defour. Confirmado que geraram uma mais-valia de 25,48M€. Negócios positivos, sobretudo o de Mangala. Teria sido interessante ver a intermediação, mas mais uma vez essa informação agora deixou de aparecer.

45% de «Lich» vendidos
- Empréstimos dão prejuízo. Nos primeiros 3 meses da época, os jogadores emprestados pelo FC Porto custaram 831 mil euros, e em contrapartida renderam 230 mil euros. Ou seja, o FC Porto mantém jogadores emprestados que só dão prejuízo e muito provavelmente dificilmente voltarão a vestir a camisola do FC Porto. Olhando para esta tabela do sempre atento Reflexão Portista, quantos teriam/terão lugar no plantel? No final da época é importante varrer a casa. Se agora temos equipa B, não faz sentido continuar a ter um plantel de emprestados pela Europa fora.

- Percentagens alienadas. O FC Porto pagou 1,837M€ por Lichnovsky, mas já só tem 55%. O FC Porto começa por informar que comprou 33% de Otávio, mas na listagem dos activos depois só aparece 32,5%. De Andrés Fernández temos 90% do passe (não há informação sobre os outros 10%, mas o Osasuna vendeu tudo o que tinha). Entre os jogadores que a SAD considera activos valiosos na perspectiva do mercado, não há nenhum em final de contrato e há 5 com vínculos que terminam em 2016: Danilo, Alex Sandro, Quiñones, Kléber e Kelvin. Kayembé, Brahimi, Ádrian e Otávio são os jogadores com os maiores contratos (até 2019).

- Excedentários. O FC Porto ainda tem 50% de Prediger, 70% de Soares e 25% de Souza. São os únicos 3 ex-jogadores dos quais o FC Porto ainda tem uma percentagem declarada.

A qualidade paga-se...
e bem paga
- Clientes. O Atlético de Madrid deve 344 mil euros ao FC Porto. O Man. City deve 11,3M€ por Fernando e Mangala. O Fluminense deve 2,125M€ por Walter. O Lyon ainda está a pagar Cissokho e Lisandro (deve 750 mil euros). O Kasimpasa deve 1,05 por Castro. E há outros clubes não discriminados que devem 1,59. Além disso, o Anderlecht deve 1,5 por Defour + 3 não correntes. Por fim, a Doyen deve ao FC Porto 2,5M€ + 2,5M€ não correntes (em causa o dinheiro de Brahimi, que deverá ser usado para efeitos de liquidez a curto prazo). O Chelsea, o Zenit e o Valência já acabaram de pagar Atsu, Hulk e Otamendi. Tirando Defour e a Doyen, o dinheiro em falta vai entrar todo no decorrer do exercício.

- Recuperar Brahimi. Como foi dito na altura, a história de que era possível recuperar os 80% de Brahimi por 8M€ estava muito mal contada. O FC Porto pode recuperar até 55% até 2017, enquanto a Doyen pode vender os seus 80% até essa data. Por quanto? Não se sabe. É o que falta às operações com os fundos, transparência. Se não é possível saber quem, pelo menos que se saiba quanto. Disse que Brahimi iria ser como Hulk: vai tornar o caro barato na altura de recuperar o passe. Mas se de facto a Doyen pediu 20M€ ao Sporting por Brahimi, é bom preparar o estômago para quanto pode custar recuperar o passe deste mago da bola, que é bom lembrar, só chegou ao FC Porto por via da Doyen. E uma qualidade destas paga-se... E bem.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

As renovações de Fabiano e Ruben Neves

Dois nomes que dificilmente contavam para o totobola no início da pré-época: Fabiano porque era conhecida a vontade de Lopetegui de ter um novo guarda-redes, Ruben Neves porque tinha acabado a época nos juvenis. Agora dois exemplos de que o trabalho e o profissionalismo pode não só valer um lugar entre os titulares como também novos contratos.

Renovação acertada
Começando por Ruben Neves. A cláusula de 40 milhões de euros é perfeita. Os clubes quase nunca batem cláusulas de rescisão, porque para isso acontecer tem que ser uma das partes (clube ou jogador) a invocar a rescisão unilateral. No FC Porto, nos últimos 14 anos isso só aconteceu com André Villas-Boas. Logo, Ruben Neves está mais do que protegido.

Entretanto já se lê a questão: porque é que renovou apenas até 2017? Simples, porque não podia renovar por mais. A FIFA não permite que menores de 18 anos assinem contratos de duração superior a 3 épocas desportivas: «Players under the age of 18 may not sign a professional contract for a term longer than three years. Any clause referring to a longer period shall not be recognised».

Na renovação com Rúben Neves o importante não era a duração, mas sim um salário mais condizente com o estatuto do jogador e uma cláusula de rescisão mais adequada. Um casamento perfeito, de fácil resolução. Quando já puder tirar a carta de condução, já pode assinar um contrato de longa duração com o FC Porto.

Confiança reforçada
Quanto a Fabiano, o contrato até 2019 é uma clara aposta por parte da SAD e de Lopetegui. O contrato de Helton acaba em 2015 e não será naturalmente renovado, o que significa que Fabiano está de pedra e cal no plantel do FC Porto. Andrés Fernández foi contratado como solução directa para o 11, mas Fabiano soube defender o posto que era seu. A cláusula de rescisão de 30 milhões de euros é altíssima face ao estatuto/posição do jogador, algo que deixa todas as partes tranquilas.

E agora Danilo, Alex Sandro... e Kelvin

Partindo do princípio que Abdoulaye e Izmaylov, emprestados, só renovarão se for para evitar uma saída a custo zero (têm contratos até 2016), e que Quaresma terá quase 33 anos quando terminar o seu actual contrato, o FC Porto tem mais três casos para resolver nos próximos meses: Danilo, Alex Sandro e Kelvin.

Kelvin já deveria ter sido emprestado em Agosto e oxalá assim o seja em Janeiro. Desde o minuto 92, deitou 18 meses da carreira ao lixo. Não evoluiu porque não teve espaço para isso. Na equipa B não há estímulo competitivo. Pode ter minutos de jogo, mas não terá evolução. Foi um jogador caro para o FC Porto (três milhões de euros) e já deu ao clube um momento que vale esse dinheiro... Mas o minuto 92 devia ser apenas um momento da sua carreira no FC Porto, não toda a carreira no FC Porto. Empréstimo em Janeiro e, mediante o serviço que mostrar no novo clube, a renovação de contrato seria o cenário ideal.

Renovar até Junho ou sair
Danilo e Alex Sandro são duas trutas na SAD. Danilo custou 13 milhões, Alex Sandro 9,6 e a SAD tem ambos a 100%. Na entrevista de Fernando Gomes ao Porto Canal, já ouvimos o responsável pela pasta financeira do clube a admitir - no clássico «não posso prometer nada» - que a Euroantas, ou engenharia financeira similar, pode ser novamente uma botija de oxigénio para as contas a médio prazo, devido ao fair-play financeiro. Para evitar tal operação, uma vez que o FC Porto não vai reduzir os custos operacionais e dificilmente aumentar significativamente as receitas em 2014-15 (só com uma boa Champions), a SAD poderá não resistir às saídas de Danilo, Alex ou ambos (mediante o que acontecer com Jackson Martínez).

Os casos de Danilo e Alex Sandro são fáceis de compreender: ou a saída fica já alinhava antecipadamente e não haverá renovação até Junho (e desta vez não há efeitos Mendes), ou serão para manter e a renovação de contrato terá que ser tratada até lá, de modo a evitar uma inaceitável saída a custo zero. De recordar que Ricardo renovou até 2019 (Opare ainda não se mostrou) e há José Ángel para o lado esquerdo - há quem diga que também há Kayembé, mas curiosamente para o treino de ontem Lopetegui preferiu chamar Rafa.

Há sucessores na forja. Resta saber se haverá compradores capazes de pelo menos dobrar o investimento em Danilo e Alex Sandro... ou se o FC Porto terá capacidade para manter um ou dois destes jogadores. Decisão para ser executada mais tarde, mas que tem que ser planeada atempadamente. Certamente já o estará.

PS: Dos casos de jogadores que estão entre a renovação e a saída excluem-se os sub-19 e a equipa B.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Duas boas notícias para Lopetegui e o que separa André Silva de Caballero

Acompanhei a qualificação da Selecção de Sub-21 para o Europeu, e apesar do resultado excessivamente à holandesa (sofrer 4 golos, mesmo ganhando, é motivo para reflexão), vi com satisfação o apuramento. Mas não foi a única boa notícia do dia: Lopetegui esteve em Paços de Ferreira a ver a partida.

De manhã deu treino no Olival, onde a equipa prepara o clássico da Taça de Portugal, e à tarde foi ver os Sub-21... ou prosseguir essa preparação para sábado? Ruben Neves e Ricardo deram hoje duas excelentes respostas para combater o vírus FIFA, ainda que mesmo com a ausência de vários internacionais haja alternativas de sobra no Olival. Lopetegui tem um dilema para resolver: valorizar os jogadores que ficaram a trabalhar nas duas últimas semanas, ou recorrer a jogadores que entram directamente no 11 só com um treino? A rotatividade é uma faca de dois gumes, mas Lopetegui tem sabido usá-la. 

Ricardo, um exemplo
Mas se Casemiro não estiver a 100%, o mais natural e ideal será que Ruben Neves entre no 11 da Taça. Hoje mostrou uma nova vertente: o jogo aéreo em bolas paradas ofensivas. No FC Porto, muitas vezes é ele a bater os cantos, mas desta vez foi lá cima marcar de cabeça. 17 anos e um jogador cada vez mais completo. Há que elogiar ainda a elegância com que respondeu ao interesse da Juventus: «Tenho contrato com o meu Porto». O «meu» faz toda a diferença. És dos nossos, Ruben.

Sobre Ricardo, repetem-se os elogios que já tinham sido feitos aqui. Mas desta vez foi como extremo que Ricardo mostrou serviço, com 2 excelentes golos, além de ter feito 80 minutos quase sempre de grande intensidade. tendo atirado para o banco Ricardo Horta e Carlos Mané. Para o jogador, seria importante que se clarificasse a sua posição dentro do clube, pois é complicado para um jovem evoluir quando é um tapa-buracos. Mas para o FC Porto, é um luxo ter um jovem português competente para jogar a lateral e que no ataque sabe sabe fazer golos, sempre com dedicação e empenho em todos os momentos.
Destaque ainda para Tozé. Fui defensor do seu empréstimo ao Estoril, pois nenhum jogador deve ficar 3 anos consecutivos na equipa B e no FC Porto de Lopetegui não ia ter espaço, por maior que fosse a rotação. Infelizmente, no Estoril está a acontecer o que se temia: o clube prefere valorizar os seus próprios activos em vez de lançar Tozé como um indiscutível. É forte nas bolas paradas, tem um chuto potente e é óptimo nos passes de ruptura... mas não chega. Tozé necessita de evoluir e oxalá continue empenhado. Mais um destaque para Sérgio Oliveira, de quem o FC Porto mantém parte do passe, que está a crescer muito no Paços de Ferreira e é patrão do meio campo da Selecção de Sub-21. Depois de Josué, oxalá que haja nova segunda vida na Mata Real.

E depois disto chegamos à posição 9. Gonçalo Paciência, que se tudo correr bem será o 9 titular no Europeu, está lesionado. Quando se lesionou, Rui Jorge chamou André Silva, a nossa promessa de 18 anos da formação. Mas para o playoff André Silva já não foi chamado, pois não joga no FC Porto B desde Agosto. 

Diariamente aparecem leitores a perguntar o que se passa com André Silva - perguntas tão repetitivas, de quem mais nada procura, que cheguei a um ponto de rejeitar todos os «comentários». O jornal A Bola já adiantou que o motivo para não jogar trata-se de uma recusa do jogador em renovar contrato, que acaba no fim da época, por isso em Janeiro pode assinar por outro clube a custo zero
Um talento pelo qual
importa lutar

O alerta já tinha sido dado aqui, há 3 meses, e o caso não conheceu desenvolvimentos desde então. Aliás, segundo o que veio a público, sabe-se: o FC Porto fez a sua parte, ofereceu a renovação, e o jogador é que recusou. Vistas assim as coisas, é fácil condenar o jogador e declará-lo persona non grata. Mas estas histórias têm sempre duas versões.

Sabe-se que o FC Porto ofereceu a proposta de renovação. Então a questão que sobra é simples: será que ofereceu tanto a André Silva como a Quiñones, Abdoulaye ou Caballero (com o devido respeito aos 3 profissionais)? André Silva não tem direito a ser burguês, pois revelou-se no FC Porto nos últimos 3 anos. Mas será que está a ter exigências altas ou será que está simplesmente a pedir que o FC Porto o trate como um dos maiores goleadores do Europeu de Sub-19?

A posição que defendo é simples: André Silva tem o direito de exigir ganhar tanto como Caballero. E o FC Porto tem o dever de lutar tanto por André Silva como lutou por Caballero. É injusto para Caballero que o dê como exemplo, pois é mais um jogador que tem o sonho de se afirmar no FC Porto e que aos 16 anos já fazia golos na Libertadores, mas importa recordar o contexto da sua contratação.

«(...) Mauro Caballero, que em Maio dizia à RR que tinha confiança e esperança em Lopetegui para chegar à equipa A. É sabido que Gonçalo Paciência é o único ponta-de-lança para começar a pré-temporada. Onda está Caballero? Tal como Bolat, nem na lista apresentada pelo FC Porto se encontra, e no Olival nem sinal dele. Só para refrescar a memória. Estamos a falar de um jogador que envolveu um litígio e a FIFA; um jogador que fez capas de jornais a ser apresentado como alternativa imediata a Jackson; e que mal chegou relegou logo André Silva e Gonçalo Paciência, os dois mais promissores avançados portugueses, para segundo plano. 

Mais um refresco: em Janeiro de 2013, o advogado Gerardo Acosta garantia que o FC Porto ia pagar 365 mil euros, apenas por direitos de formação. Chegou o Relatório e Contas e o que se viu foi 1,53 milhões de euros pagos à MHD, S.A. »

Se o FC Porto ofereceu tanto a André Silva como a Caballero, fez a sua parte e bem (André Silva é a única promessa da formação em fim de contrato, por isso o trabalho do clube deve ser elogiado nos restantes casos). Se não o fez, então há algo a aprender: ou se acabam os Caballeros, ou tem que estar preparado para que os melhores jogadores da sua formação exijam ganhar tanto como os jovens estrangeiros que chegam ao clube.

Com 18 anos, pode ir
ao Europeu de Sub-21
André Silva foi naturalmente observado durante o Europeu e agora o jornal A Bola fala do interesse de um clube inglês. O jogador não tem empresário e não se pode comprometer com ninguém antes de 1 de Janeiro (e se se comprometer fica sem jogar até Junho, e com isso já não vai ao Europeu de certeza), portanto há tempo para um volte-face de entendimento entre clube e jogador - neste momento mais um desejo do que possibilidade. Estamos a falar de um dos mais promissores avançados Sub-20 do futebol europeu. Nosso. Português. Portista. Barato.

Não interessa se vai ser um Bock, um goleador da formação que nunca chegou à primeira liga, ou um Fernando Gomes, o maior goleador da história do clube. O que importa é o que o jogador é hoje e o potencial que apresenta. Importa também ouvir Lopetegui: que planos teria ele a médio-prazo para o jogador?

André Silva é um jogador pelo qual o FC Porto deve lutar, tanto quanto luta por um jovem valor sul-americano. E André Silva tem o direito de exigir que seja valorizado na mesma medida que qualquer jovem avançado sul-americano que o FC Porto vá buscar. Desta vez não é uma conquista que está em causa, FC Porto. É algo que já é nosso. E por vezes, o melhor território que podemos conquistar é que aquele que nos pertence.

Como Ruben Neves, oxalá que André Silva ainda possa afirmar que está «orgulhoso por renovar com o meu Porto».

PS: Muita gente preocupada com o interesse (nada mais que isso) do Sporting no jogador. É natural, saber que um dos mais promissores avançados europeus está em vias de ficar livre, aliada à possibilidade de dar uma facada no rival, é sempre apetecível. O FC Porto também não deixou de estar atento a Bruma, por exemplo. Mas cá vai um desafio: porque é que um dos melhores jogadores dos juniores do rival do último ano está quase em fim de contrato, encostado e não joga na equipa B? Ups.