400M€ para o Benfica, 446M€ para o Sporting e 457,5M€ para o FC Porto. Estão assim fechados os contratos para a cedência dos direitos televisivos dos três grandes para um período de 10 anos. A impressão geral é que tanto FC Porto como Sporting negociaram contratos acima das suas expetativas; já o Benfica ficou muito aquém das suas potencialidades, na medida em que, apesar de o seu contrato com a NOS não incluir patrocínio, a sua avaliação deveria ser proporcionalmente muito superior à de FC Porto e Sporting, mediante a sua quota de mercado.
Já foi avaliada a relação Benfica vs. FC Porto nos seus contratos, depois do Benfica ter assumido a desvalorização da BTV. Quando, a partir do fim da época, se começarem a refletir os ganhos com publicidade, o Benfica vai continuar a ganhar mais do que o FC Porto, certamente. Mas muito provavelmente os ganhos com publicidade do FC Porto vão crescer mais do que os do Benfica. É esse o desafio para a SAD: antes de pensar em fazer tanto como o rival, é preciso acentuar um crescimento superior ao do rival.
Depois do FC Porto ter assinado com a PT/Altice e o Benfica com a NOS, o Sporting tornou-se o joker. A operadora que ficasse com o Sporting ficava com a maior quota do mercado televisivo português. E o Sporting conseguiu um acordo bastante positivo. Não superior ao do FC Porto, mas superior à dimensão do clube que o assina.
Uma vez mais, vimos um comunicado à Sporting. O Sporting, para iludir novamente os desatentos e meter um número mais gordinho nas manchetes, resolveu incluir os termos da renegociação com a PPTV no seu contrato com a NOS, de modo a anunciar os 515 milhões. Faz lembrar a história de anunciar vendas de jogadores «por um valor até X», ou de incluir no seu R&C coisas como ser o detentor de «50 a 100% do passe de Carrillo». É um embelezamento de contas que se tornou a imagem de marca de Bruno de Carvalho. Isso ele faz bastante bem, mobilizar/iludir a massa adepta.
O interessante aqui é de facto os termos da renegociação do Sporting com a PPTV, de Joaquim Oliveira, que controla 5,47% da SAD do Sporting. Joaquim Oliveira decidiu dar mais dinheiro ao Sporting, num contrato que iria terminar em 2018, só porque sim? Claramente que havia interesse em levar o Sporting para a NOS, de modo a que a SportTV garantisse já 2 dos 3 grandes sem ter que andar em negociações paralelas. Um pequenino incentivo? De qualquer forma, qual seria o valor global anunciado pelo FC Porto se incluísse também o dinheiro que vai entrar da PPTV até 2018?
Sinceramente, não há interesse. Bruno de Carvalho diz que não lhe interessa os números propagados, mas sim o dinheiro real. Nós concordamos com isso, mas todos os seus atos de gestão dizem precisamente o contrário, com os tais comunicados à Sporting. No fim da época, nos R&C, quando virmos as receitas televisivas incluindo ainda a PPTV, veremos quem fica a ganhar. Mas é interessantíssimo acharem que o Benfica, estando na NOS, tem direito a um aumento por uma cláusula devido ao contrato entre a Meo e o FC Porto, mas ninguém fazer a mesma associação entre o contrato do FC Porto com a PPTV e o do Benfica com a NOS (a tal cláusula de 80%).
Em relação ao FC Porto, há de facto algo muito negativo no contrato com a Meo: o país inteiro sabe algo que o próprio comunicado oficial não sabe. Falamos da publicidade estática, claramente.
O comunicado do Sporting especifica muito claramente: cedeu o «direito de exploração da publicidade estática e virtual do Estádio José Alvalade» à NOS, à imagem do que acontecia no contrato com a PPTV. Agora, tentem lá descobrir em que parte do comunicado à CMVM o FC Porto informa que cedeu os direitos de publicidade estática à PT.
O que o FC Porto informa é claramente isto: «Direito de Exploração Comercial de Espaços Publicitários do Estádio do Dragão». O FC Porto não informa a cedência de qualquer totalidade dos seus espaços publicitários, nem de publicidade estática. Há o direito de exploração comercial de espaços publicitários (parcial), não dos espaços publicitários (totalidade). Não é dúvida semântica, é informação oficial.
O FC Porto vai poder continuar a publicitar outras marcas no Estádio do Dragão. Não há nenhuma exclusividade devida à PT. Como é lógico, o FC Porto não vai publicitar a marca de empresas concorrentes da PT. Mas pelo que se ouve, até nas comparações do acordo do Benfica, até parece que o FC Porto está refém de algo ou alguém no acordo publicitário. O FC Porto continua a ter múltiplos contratos de publicidade no seu recinto. A saber: Coca-Cola, Fidelidade, Vitalis, Lasa, Ibersol, Repsol, Gestifute, Powerdade, Liberty Seguros, BMG, Takeshy Kurosawa, Pedras, JN, Safira, Doyen, dreamMedia, Ferpinta, BPI, Grupo Amorim, SportTV, Solverde, Grupo Metalcon e mais recentemente a Buzztrade. A Meo terá a publicidade mais vincada, naturalmente, mas continuaremos a ter muitas marcas associadas ao FC Porto.
Na comparação dos termos com o Sporting, o FC Porto cedeu os direitos de transmissão e distribuição do Porto Canal por 12 épocas e meia, mais meio ano do que o Sporting em relação ao seu canal. O FC Porto já devia uma explicação aos adeptos, que têm manifestando muitas dúvidas em relação a isto, mas nada indica que só quem tenha Meo possa ver o Porto Canal. O mesmo poderá ser distribuído por outras operadoras. O contrário não seria admissível, até porque Pinto da Costa anunciou, há um mês, uma nova grelha e imagem do Porto Canal, cujos direitos de transmissão já tinham sido comprados pela Vodafone e pela NOS.
No que toca ao patrocínio nas camisolas, o Sporting garantiu-o por 12 anos e meio, 5 épocas a mais do que o FC Porto. Era sabido que o Sporting pretendia 2,5M€ por patrocinador para as camisolas (a avaliar pelo pedido à Qatar Airways), sensivelmente metade do valor referência do FC Porto. A longa duração é opção do rival, nada a dizer. No que toca ao FC Porto, o acordo de patrocínio foi excelente. À partida, se a SAD cumprir com o que estava orçamentado, o FC Porto vai atingir ganhos com publicidade de 16M€, pela primeira vez na sua história. Mais 63% do que os ganhos do Sporting em 2014-15, por exemplo, embora as realidades económicas (e as demais) dos dois clubes não possam ser comparadas.
Em 2016 o FC Porto já terá um novo contrato: ou renegoceia com a Unicer ou rompe-se uma ligação de longa duração ao clube. E a ligação à Warrior mantém-se. Desconhecendo-se ao certo a relação Nike vs. Warrior, os ganhos com patrocínios nas duas últimas épocas oscilaram apenas 0,2%. Nada de significativo. Além disso, apesar de só o Benfica assumir um acordo inicial de 3 épocas, tanto FC Porto e Sporting acabarão, ao fim dos primeiros 3 ou 4 anos de contrato, de assumir renegociações dos termos, como é natural.
O FC Porto já tem um crescimento das suas receitas operacionais, em toda a linha, assegurado. Foi um dossiê gerido com competência da SAD e que garantiu um excelente acordo, o melhor do futebol português com uma operadora. Não há nada mais a merecer preocupações dos portistas neste capítulo.
As nossas preocupações podem e devem estar exclusivamente centradas no Sporting e no clássico de dia 2. Não é a Taça da Liga que nos pode retirar o foco - até Villas-Boas perdeu o primeiro jogo da Taça da Liga, frente a uma equipa madeirense, no Estádio do Dragão, a jogar com uma grande maioria de titulares. Nem é um contrato de direitos televisivos que o pode fazer. Neste momento não é 457,5 milhões o número a merecer a nossa preocupação. São três. Três pontos.


















