Noite de Assembleia Geral, destinada à alteração dos estatutos do FC Porto. Que alterações? Através de uma tripinha do jornal O Jogo tivemos acesso à informação dos pontos em «discussão». A divulgação feita pelo FC Porto às Assembleias Gerais continua a ser manifestamente curta. Foi anunciada no site do clube, mas porque não publicitá-la nas redes sociais? E porque não criar uma newsletter que fosse encaminhada para todos os associados? Tão simples, tão útil. Seria interessante que estas alterações pudessem ter sido debatidas antes da Assembleia Geral, à qual a esmagadora maioria dos associados não comparece/não pode comparecer, de forma calma e ponderada, sem a agitação típica que possa causar constrangimentos e que iniba quem lá esteja com as melhores intenções clístenianas. Dictum et factum, mas se até a Platão desagradou.
Uma das novidades é a passagem dos mandatos para quatro anos. Nos anteriores estatutos, estavam previstos 3+1 (triénio normal, mais a possibilidade de exercer um ano complementar se a direcção assim o entender e se não houver novas listas). Uma alteração que não provoca grande diferença, sobretudo pela realidade que o clube viverá no pós-Pinto da Costa.
Pinto da Costa é o único presidente do futebol mundial que não precisa de programa eleitoral. É reeleito sistematicamente pelo seu currículo, pela sua obra. Assume algumas apostas, como é exemplo mais recente o Museu e o Porto Canal, mas os objectivos e modelo do FC Porto já estão tão enraizados (valorizar jogadores, conquistar títulos, subsistir por uma mão para bater com a outra, repetir) que Pinto da Costa nem precisa de programas eleitorais. Ora isso vai mudar.
Se as coisas estão a correr mal, culpa-se o treinador, os jogadores, o árbitro, e por aí fora. Só por último se culpa o presidente (e é preciso muito para chegar aqui). Quando Pinto da Costa sair, vai nascer no FC Porto uma coisa que quase não existiu nos últimos 30 anos: oposição. No pós-Pinto da Costa, se as coisas correrem mal, não há-de faltar quem questione o novo presidente. Por isso, o aumento de três para quatro anos pouco muda, porque o sucessor estará sob máxima pressão a partir do primeiro ano. Ninguém ousa questionar a obra de Pinto da Costa. Quando sair, o FC Porto vai ganhar facções críticas como nunca antes visto.
Outro dos destaques passa a ser a necessidade de maior tempo de filiação para exercer diretos de associado e cargos no FC Porto. Doravante, é preciso ter 12 meses enquanto associado para votar, enquanto até aqui eram necessários apenas 3. Para integrar os órgãos sociais, passam a ser necessários 5 anos, em vez de apenas um. E para ser candidato à presidência do FC Porto, passa a ser necessário 10 anos de filiação ininterrupta, em vez de 5. São medidas, portanto, que não beneficiam nenhum eventual candidato à presidência do FC Porto. No máximo, poderiam é afastar alguém. Passa ainda a ser obrigatório apresentar uma lista com 300 assinaturas, e não 50, para apresentar uma candidatura aos órgãos sociais.
Um assunto que causou celeuma durante a tarde era a possibilidade de grupos organizados (claques) passarem a usufruir de quotas mais baixas em relação aos outros sócios - e com isso a eventualidade dos grupos associados ao mesmo sentido de voto crescerem rapidamente e influenciarem futuras eleições. No artigo 27 dos novos estatutos passa a constar:
Ou seja, pertencer a grupos organizados faculta a facilidade de ser associado do FC Porto, quando o mais «normal» seria o contrário. Afinal, primeiro somos adeptos do clube, não da claque. Mas que haja a possibilidade de criar uma vantagem, é admissível. Afinal são as claques que viajam quilómetros para o todo o lado, para acompanhar a equipa ao frio e à chuva, e que impedem que o Estádio do Dragão quase pareça um cinema, onde se fica sentado a comer pipoquinhas e no final logo se decide se é para aplaudir ou assobiar. Quem mais grita e puxa pela equipa merece ser reconhecido, resta saber a que valor (a quota é fixada pela AG, mas partindo de proposta da direcção). Para os adeptos que não pertençam a claques, também há hipóteses de serem premiados: os aposentados com 30 anos de filiação podem ficar isentos de quotas. Mas nos anteriores estatutos esta possibilidade existia a partir de 25 anos de associado. De destacar ainda que passam a existir 5 classes de associado, menos 3 do que anteriormente
Na questão das quotas, há a relevante notícia de defender futuras eleições. Nos estatutos anteriores, era possível um camião de pessoas tornar-se associado do FC Porto e passado 3 meses já poderia votar. Com estas alterações, passa a ser necessário 12 meses. Além disso, nada leva a crer que a quota para membros de grupos organizados seja de 25% do valor habitual. Por isso, a questão de surgirem novos associados com as mesmas intenções de voto é falsa, pois estes novos estatutos combatem essa possibilidade mais do que os anteriores. Na relação tempo de filiação vs. quota especial, a quota não se tornará um atalho nesse sentido. Uma vez mais, não é por estas alterações que algum nome surge lançado - ou para usar a expressão do presidente, «encaminhado».
Por fim a questão dos equipamentos. Eis a alteração dos anteriores para os actuais estatutos.
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| Nota: o artigo 8 especifica que as «cores tradicionais» são o azul e branco |
PS: Texto aberto a reparos/opiniões adicionais, até pela hora tardia em que acaba de ser escrito. Posteriormente o tema poderá ser aprofundado mais amplamente.
PS1: De louvar a decisão de ver o malogrado Sardoeira Pinto dar nome ao auditório do Museu. E terminamos como ele: VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!

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