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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Um coelho em 23 cajadas: viagens pelo Brasil

O FC Porto B está na sua sétima participação consecutiva na II Liga. Já se sagrou campeão nesse escalão, mas tem estado muito, muito distante daquilo que era idealizado como «viveiro» de jogadores para a equipa A. Uns por falta de oportunidades, outros por falta de qualidade. A determinada altura, por exemplo, era necessário um lateral-esquerdo na equipa principal, estavam a negociar Zakarya com o Belenenses e nessa mesma altura estavam quatro defesas-esquerdos a fazer a pré-temporada na equipa B (Diogo Bessa, Inácio, Oleg e Luís Mata).

André Silva acaba por ser o caso mais bem sucedido desde 2012, na medida em que cumpriu quatro dos cinco patamares que deveriam existir neste processo - a saber, 1) qualidade; 2) promoção; 3) rendimento; 4) êxito coletivo, que acabou por não existir, face à ausência de títulos; 5) transferência/valia financeira.

Mas serve isto como ponto de partida para uma análise diferente, um olhar sobre aquilo que tem sido o FC Porto B desde a sua criação, com particular incidência num mercado que é muito querido ao FC Porto: o Brasil. Desde que a equipa B foi recuperada, já foram recrutados diretamente 23 jogadores a clubes brasileiros. Poderíamos falar de africanos, sul-americanos, portugueses, mas para já vamos analisar apenas uma parcela: o mercado brasileiro com destino à equipa B. 23 jogadores, ou seja, um plantel inteiro. Desses 23 jogadores brasileiros contratados, conseguem adivinhar quantos chegaram a jogadores de equipa A?

...

Um. Otávio. Entre 23 jogadores contratados no Brasil, o FC Porto só acertou num: Otávio, que não foi propriamente um achado, pois já custou 7,5 milhões de euros por 68% do passe (foram cedidos posteriormente 0,5%) e era um jogador sobre o qual havia sentido desportivo em ser aposta. Já tinha  60 jogos de Brasileirão nas pernas e, embora a sua contratação não tivesse passado por um pedido/desejo da equipa técnica da altura, sabíamos que havia ali talento. Caro, mas material para se trabalhar, tanto que com outro treinador poderia até eventualmente ser logo acolhido na equipa A.

Passamos agora um olhar sobre os jogadores que foram contratados a clubes brasileiros nas respetivas épocas:

2012-13: Diogo Mateus, Víctor Luís, Anderson Santos, Guilherme Lopes, Sebá, Dellatorre;
2013-14: -
2014-15: Diego Carlos, Otávio, Roniel, Anderson Dim;
2015-16: Rodrigo Soares, Maurício, Wellington Nascimento, Ronan, Enrick Santos, Gleison;
2016-17: Inácio, Galeno;
2017-18: Luizão, Danúbio, Anderson Canhoto;
2018-19: Diego Landis, Emerson Souza. 

Pergunta: quantos destes jogadores estão, neste momento, a jogar numa I Liga europeia, em clubes minimamente conhecidos ou com presenças nas provas da UEFA? É certo que nem todos estão condenados ao insucesso (Galeno, por exemplo, começou agora a jogar com regularidade no Rio Ave), mas a maioria destes jogadores «desapareceu» do mapa depois de ter representado o FC Porto B.

Otávio contra a maré, à quinta época em Portugal
Otávio é, efetivamente, o único que ficou no plantel principal para ser opção, ao contrário por exemplo de Sebá, que teve um tempo de participação mínimo na equipa A. E o próprio Otávio não só foi uma contratação cara como vai para a quinta época em Portugal, ainda à procura da afirmação. 

Tomemos o exemplo da primeira «fornada». O jogador que mais se destacou, Sebá, acarretava custos completamente injustificados e em boa hora não ficou no FC Porto - está atualmente na China. Dellatorre, que passou a época como titular na posição 9, está agora no APOEL, após ter jogado na Tailândia. Víctor Luís regressou ao Brasil e por lá continua, tendo evoluído ao serviço de Botafogo e Palmeiras. E o que é feito de Diogo Mateus, Anderson Santos e Guilherme Lopes?

O pioneiro de uma saga pouco proveitosa
Anderson Santos, desde que regressou ao Brasil, já esteve dois anos sem clube e está atualmente ao serviço do São Mateus, clube dos escalões inferiores. Diogo Mateus pertence ao Ferroviária, da Série D. E Guilherme Lopes... acabou a carreira. Estamos a falar de um jogador que, ao longo da sua estadia no FC Porto B, jogou o total de... um minuto na II Liga. Um minuto. Regressou ao Brasil e terminou a carreira aos 24 anos.

Mas não foi o único que passa de bom o suficiente para merecer um lugar no FC Porto para tão mau que tem que deixar o futebol. Enrick Santos, contratado em 2015, jogou apenas 23 minutos, na última jornada da época. Na época seguinte não arranjou clube e deixou o futebol aos... 20 anos. Há vidas piores: passam um ano a treinar no FC Porto, com tudo pago, jogam um ou dois jogos e voltam ao Brasil. Não deve haver programas de Erasmus melhores.

Vejamos Anderson Dim, contratado em 2015. Na época seguinte foi logo cedido ao Freamunde. E correu tão bem que ficou sem clube até 2018, ano em que foi contratado pelo Coimbra Esporte Clube. Nada mais, nada menos que o clube ao qual Otávio foi «contratado» e que é controlado pelo bem conhecido BMG. Um talento incompreendido, por certo. Igual exemplo foi o Anderson Canhoto, na época passada. Jogou 20 minutos em toda a época, voltou ao Brasil e está agora no quarto escalão. Ou Ronan, que chegou, jogou dois jogos e está agora no estimável Nova Iguaçu.

É certo que nenhum clube acerta em todas as contratações. O Real Madrid também não vai buscar todos os jogadores ao Castilla, e o Barcelona não dá oportunidades a tudo o que sai de La Masia. Mas isto não é apenas o olhar a dois ou três negócios que correram mal: são 23 jogadores contratados, sete anos de trabalho de scouting/prospeção (?) e dos quais só se aproveita, até hoje, um jogador para a equipa A.

Mas afinal, quem são os responsáveis por tanta importação de jogadores de qualidade duvidosa oriundos do Brasil? Não estamos a falar de jogadores que possamos dizer «olha, tinha talento, mas não se adaptou». Estamos a falar de rapaziada que regressa ao Brasil pela porta pequena, para jogar nos escalões inferiores, e que termina a carreira aos 20s. 

Em Abril de 2016, Pinto da Costa anunciou que estava a dividir a estrutura em seis setores. Passando a citar o presidente do FC Porto: 

«De acordo com os estatutos que foram discutidos e aprovados em Assembleia Geral, e em que eu não interferi em nada, foi decidido que os 14 vice-presidentes passavam a seis e os dez diretores passavam a seis. Nesse sentido, dividi o clube em seis setores: o financeiro, do qual será responsável o dr. Fernando Gomes; o jurídico, que estará a cargo do dr. Adelino Caldeira; o futebol de formação será da responsabilidade do sr. Antero Henrique; o Património será da competência do eng.º Eduardo Valente; as casas, filais e delegações serão da competência do sr. Alípio Jorge. E introduzi um novo setor, que é o do planeamento dos novos projetos e do qual será responsável o professor Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.»

Portanto, seis setores com intervenção da cúpula da SAD: financeiro, jurídico, formação, património, casas/filiais e novos projetos. Alguém notou a falta de alguma coisa? Prospeção? Contratações? Era sabido que Antero Henrique tinha sido designado o responsável pelo «futebol de formação». Entretanto veio Luís Gonçalves, para ocupar o cargo de Antero, mas sem nunca ter sido especificado/esclarecido se assumiria também todo o controlo da formação. 

Nota: Chidozie é o único jogador do plantel campeão da II Liga que está na equipa A
Então, até quando o próprio FC Porto colocará a si próprio a questão: todo este investimento na equipa B e, em concreto, no mercado brasileiro, valeu a pena? Quem está a identificar estes craques incompreendidos? Como são observados jogadores que, em alguns casos, nem jogam no Brasil? 

E a verdade é que, ao observar estes 23 jogadores, podem observar um padrão um tanto dominante que envolve muitas vezes as mesmas entidades. Começamos pelo Algarve. A SAD do Portimonense tem como accionista maioritário Teodoro Fonseca, que saltou para a ribalta como empresário de Hulk e que enriqueceu/cresceu às custas da proximidade com o FC Porto.

Ora, Maurício, Gleison e Inácio são exemplos de jogadores que chegaram ao FC Porto por via do Portimonense, clube com quem o FC Porto fez o negócio mais estranho do defeso: a compra e consequente dispensa de Ewerton, de volta ao ponto de partida. Ewerton, curiosamente, chegou a Portugal após ter deixado o Desportivo Brasil

O Desportivo Brasil foi fundado pela Traffic, empresa que ficou conhecida em Portugal quando assumiu o controlo do Estoril, e em 2014 foi comprada pelo grupo chinês Luneng. Este mesmo clube foi a porta de entrada de Dellatorre ou Diego Carlos para o futebol português e também serviu o propósito de «armazenar» jogadores até transferi-los para a Europa.

E neste Campeonato, ninguém bate o Grêmio Anápolis, um clube controlado pelo empresário António Teixeira (sim, esse), dono da Promosport e que todos os anos distribui vários jogadores do clube brasileiro por equipas portuguesas. Roniel, Wellington (que nem chegou a jogar pelo FC Porto - foi logo cedido ao Leixões), Rodrigo Soares, Galeno e Danúbio (o nome mais sugestivo da história do futebol) chegaram ao FC Porto através do referido clube. 

No último verão, foi a vez de Diego Landis e Emerson Souza assinarem pelo FC Porto. Landis é oriundo do já mencionado Desportivo Brasil, enquanto Emerson jogou um total de 109 minutos de futebol em 2018. Esteve em Israel, ingressou no Rio Branco de Venda Nova e estava sem jogar praticamente desde o início do ano.

Chegou ao FC Porto B como um ilustre desconhecido e já recebeu guia de marcha, tendo sido emprestado ao Fafe. Como exatamente é que avaliaram um jogador que não jogava, fica a questão, mas o site brasileiro Tribuna Online tem uma versão: «O caminho dele até Portugal começou na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017, quando atuou pelo Nacional/SP e foi descoberto pelos empresários portugueses Pedro Silva e Jorge Boas, que prepararam um DVD com lances do jogador.» OK. Não jogou em 2018, mas tem um DVD com os lances de 2017. Bem dizem que a qualidade não tem prazo de validade.

Emerson, o 23º brasileiro na equipa B, chegou, viu e já saiu
Mas o que mais há a destacar de Emerson é a sua franca humildade e sinceridade. Estamos numa era em que todos os jogadores querem ganhar mais, procuram melhores condições financeiras e tentam sempre puxar o salário. Uma ambição normal, não só em qualquer futebolista como em qualquer trabalhador de qualquer área. Mas Emerson não. Emerson é um caso único, citando o próprio jogador:

«"Não esperava ganhar tão bem em tão pouco tempo. Todo mês eu ajudo minha família”, comentou o capixaba, que também elogia a estrutura do clube português: “Eles gostam muito de brasileiros e dão todo o suporte”». Ficamos com grande expetativa em acompanhar a evolução de Emerson, o jovem craque que não esperava ganhar tão bem em tão pouco tempo, e de vê-lo espalhar magia no Municipal de Fafe.

Até lá, sobra a questão: que género de scouting é este no mercado brasileiro que se limita a catálogos de três ou quatro clubes/empresários? Um país tão grande, um viveiro de talentos tão conhecidos, e vêm sempre pela mão dos mesmos? Em 23 contratações, ao longo de sete anos, só acertamos num jogador com vista à equipa A? Como é que há jogadores que têm qualidade para atravessarem o Atlântico e assinarem pelo FC Porto, mas logo a seguir nem clube conseguem arranjar e terminam a carreira? Brasileiros e talentos, sim, são bem vindos. Mas a via que os tem trazido e o proveito do passado recente não combinam com o futuro que todos (?) queremos para o FC Porto.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Plano B

Uma equipa B, com média de idades sub-20, ganhar a longa e extremamente competitiva segunda liga, onde a experiência tem um grande grau de importância, é um feito histórico. Mas não é um acidente. 


Não podemos falar de um Leicester, de um David contra Golias. O FC Porto B tem um dos maiores orçamentos da segunda liga, senão o maior. Os seus jogadores têm excelentes condições de treino e logísticas, a todos os níveis. Teoricamente, o FC Porto B deveria ser sempre candidato a lutar pelo topo da segunda liga. 

Por exemplo, o Freamunde, equipa que luta pela subida de divisão, disse que o seu orçamento para esta época é de 750 mil euros. Se tivermos em conta que só 50% do passe de Víctor García, o lateral direito da equipa B, custou 1,8M€, já temos uma ideia de quão afortunado é o investimento do FC Porto na sua equipa secundária quando comparado com os demais clubes.

A equipa B significou, a partir de 2012, a oportunidade de passar a apostar a médio prazo em mais jogadores da formação, o que talvez permitisse uma redução da folha salarial. Não foi ainda, de todo, o caso. Nas quatro épocas anteriores à criação da equipa B, a média salarial anual foi de 46,59M€. Nas quatro épocas seguintes à criação da equipa B, e contando com a projeção orçamental para 2015-16, a média aumentou para 60,44M€. Estes quase 15M€ de aumento por ano não se devem, certamente, inteiramente à equipa B, mas mostram que ter a equipa secundária não inverteu o despesismo na equipa A (tendo também em consideração que ter uma equipa B, com mais 25 jogadores com contrato profissional, implica um aumento óbvio de custos; mas não de quase 15M€, sobretudo tendo em conta que desde 2012 só o golo de Kelvin rimou com campeão; e continuar a ter 30 emprestados não ajuda).

Agora é tempo de pensar em colher os frutos deste trabalho. Uns vão fazer a pré-época na equipa A, outros serão dispensados, outros emprestados e outros continuarão na equipa B. A verdadeira valia da equipa B não estará em ganhar a segunda liga, mas sim em lançar jogadores que ajudem a equipa A a voltar aos títulos. Vamos ao quem é quem (contando apenas os jogadores que terminam a época na equipa B, pois os emprestados terão o seu próprio post).
Sem espaço

Começando pelos guarda-redes e pelo talismã Andorinha, que foi campeão em todos os escalões pelo FC Porto. Jogou pouco, por culpa de José Sá e Gudiño, mas foi apenas o seu primeiro ano como sénior e deve prosseguir a sua evolução na equipa B. Contrariamente, Caio tem que sair. Vai para o seu 4º ano de sénior e foi sempre guarda-redes suplente na equipa B, onde fez apenas 4 jogos em 3 anos. 

José Sá (tecnicamente jogador da equipa A, mas como só jogou pela B é aqui avaliado) acabou por tornar-se com naturalidade o titular da equipa B, onde não pode ficar para a próxima época. Vai para o 5º de sénior sem nunca ter sido o titular na primeira liga (chegou a alternar o lugar com Salin no Marítimo, mas sem a consistência desejada). Ficar na equipa A para ser suplente ou terceiro guarda-redes não ajudará à sua evolução, por isso o empréstimo é o mais adequado; a resolução dos casos de Helton, Casillas (que diz que fica até 2018) e dos guarda-redes seniores emprestados ajudará a perceber um pouco o enquadramento que possa ter para a próxima época.

Na defesa, Víctor García está pronto para o salto. Três épocas como titular da equipa B é mais do que suficiente. Cumpriu sempre que foi chamado à equipa A e certamente que terá a oportunidade de jogar numa primeira liga na próxima época. Se será no FC Porto, talvez só a pré-época o possa esclarecer. É um valor seguro para o futuro.

Ronan vai sair pela mesma porta por onde entrou, sendo daquelas contratações que ninguém chega a perceber. Rodrigo Soares, que até foi dar uma perninha ao lado esquerdo da defesa após a saída de Rafa, tem jogado com regularidade nas últimas semanas, mas dificilmente será o suficiente para justificar a sua continuidade no FC Porto, até porque já tem 23 anos e pouco ou nada mostrou na carreira até ao momento.

O futuro atrás
Diogo Verdasca deu mais um passo na sua evolução, que pode muito bem terminar com a afirmação de central da equipa A. Após a saída de Maurício e a promoção de Chidozie agarrou o lugar na equipa B (não é descabido imaginar que Verdasca fizesse tanto ou melhor do que Chidozie nas oportunidades que este último teve, mas foi uma escolha de Peseiro). Para o segundo ano de sénior, deve continuar na equipa B.

Palmer-Brown está emprestado pelo Kansas City, e desconhecem-se os termos que poderiam permitir ao FC Porto comprar o jogador. Mostrou muitas coisas interessantes, embora só tenha chegado em fevereiro, e a sua continuidade por pelo menos mais um ano pode muito bem ser ponderada. Aliás, o Kansas City anunciou que o jogador seria emprestado até ao fim de 2016. Como não faz sentido ter um emprestado que pode sair a meio da época, o FC Porto terá que rever a sua situação no fim da época. A América do Norte é um mercado pouco explorado pelo FC Porto e o Kansas City é um clube que costuma vender barato, por isso a sua continuidade deve ser avaliada.

Vamos ao meio-campo. Pité, também muitas vezes utilizado a defesa-esquerdo por Luís Castro (uma invenção melhor do que Kayembé, mas continua a parecer ser no meio-campo que Pité mais pode ter a dar), teve uma lesão que praticamente o fez terminar a época em janeiro. Mas até então, já mostrava alguns problemas de consistência exibicional, o que fez com que nunca conseguisse fazer 3 jogos seguidos a titular. O 2º ano de equipa B não foi o desejado, apesar de ter tido números muitíssimo interessantes (faz um golo/assistência a cada 82 minutos). É um jogador para continuar a merecer a atenção do FC Porto, pelo menos mais um ano.

Nassim Zitouni, emprestado pelo Vitória de Guimarães e que chegou em janeiro, pouco ou nada mostrou. Foi, tal como Cláudio Ribeiro (o FC Porto aparenta ter extremos mais talentosos nos seus quadros), um jogador que chegou através da MNM Sports (a empresa de Fernando Meira e Pedro Mendes). Ambos dificilmente caberão nos planos do FC Porto. 

Rui Moreira, recuperado da grave lesão sofrida no último ano, teve uma boa série de exibições entre fevereiro e abril. Será natural que continue na equipa B. Sérgio Ribeiro teve um papel secundário no seu primeiro ano de sénior, sendo quase sempre o suplente que entrava para os últimos minutos. Há quem defenda que o seu posicionamento em campo deve ser reconsiderado, recuando no corredor. Ficar na equipa B pelo menos mais um ano seria o ideal.

Haykeul Chikhaoui chegou a meio da época e não se conseguiu adaptar à equipa a tempo de ter um papel importante em 2015-16. É provável que avance para o segundo ano de equipa B, por ter mostrado potencial considerável nos escalões jovens em França. Já Fede Varela foi opção secundária ao longo de toda a época, e pouco mostrou nas oportunidades que teve. Já Enrick Santos ainda nem sequer jogou na segunda liga, e vai sair pela mesma porta por onde entrou. 

Tomás Podstawski, uma das promessas da formação do FC Porto, está pronto para o salto, pois já não está a evoluir na equipa B. Não pode continuar na equipa B, já fez 3 épocas (sendo que na primeira ainda era sub-19), e aos 21 anos está pronto para jogar num patamar superior (melhor a 6 do que a central). E pode ser dito o mesmo sobre Francisco Ramos, com a ressalva de que em 2013-14 jogou apenas nos sub-19. Grande evolução no último ano, e é natural que tenha um lugar na pré-época (veremos em que medida os Jogos Olímpicos podem condicionar o seu caso). 

Um mini Moutinho
O passe de Omar Govea já foi comprado. O FC Porto costuma pagar caro por jogadores mexicanos, e desconhece-se se terá sido uma vez mais o caso, mas Govea justifica a continuidade no FC Porto. Tem tudo para singrar no futebol europeu: posiciona-se bem, boa qualidade de passe, visão de jogo, sabe sair a jogar e é incansável ao longo dos 90 minutos. Faz lembrar um pouco Moutinho.

João Graça ganhou lugar na pré-época, após uma temporada em cheio na equipa B. Depois do papel secundário que teve em 2014-15, foi um dos melhores e mais consistentes jogadores da temporada. É daqueles que não engana, de grande elegância técnica, que joga e faz jogar. Tem que melhorar a sua capacidade física, sem dúvida, mas está a dar garantias de futuro. Veremos como corre a pré-época, mas Graça já teria lugar em muitas equipas da primeira liga.

E agora o ataque, começando pelo nome que mais deu que falar: Ismael Díaz. Está emprestado e surgiram notícias de que o seu passe custaria 3M€ (lá meteram o Benfica ao barulho, sempre bom para inflacionar preços). Ora, o FC Porto não pode pagar 3M€ por Ismael. 

O preço da evolução
Expliquemos. O potencial de Ismael justificaria um investimento de 3M€? Sim. Mas o problema é este: Ismael atingiu este potencial por todo o trabalho que a equipa técnica do FC Porto desenvolveu com o jogador no último ano. O FC Porto tem que pagar um valor alto pelo próprio trabalho que fez no desenvolvimento do jogador? Questionável.

Em toda a sua história, segundo o Transfermarkt o Tauro só fez uma venda revelante: Luís Henríquez, para o Lech Poznan, por 70 mil euros. O FC Porto vai pagar 40 vezes mais por um jovem de 18 anos, que há um ano era um perfeito desconhecido (aliás, muitos já o tinham visto no Mundial de Sub-17 e no Sudamericano de sub-20)? Não faz sentido. Contratar um jogador no Panamá deveria, deve, ser barato. A não ser que o Tauro seja um negociador implacável, que pulveriza o recorde de maior venda da história do Panamá. Queremos ficar com Ismael Díaz, claramente. E neste momento, entre pagar 3M€ e ficar sem Ismael, provavelmente a maioria prefere pagar os 3M€. Mas se o FC Porto começar a pagar por jogadores que o próprio clube desenvolve, então a equipa B sairá (ainda mais) cara.

Leonardo Ruiz também está emprestado, e o seu contrato acaba esta época. Alguns golos, mas esteve na sombra de André Silva e revelou algumas dificuldades na dimensão física da segunda liga. Precisa de evoluir mais. A sua continuidade poderia justificar-se por um valor dificilmente superior a 1M€, o que já seria bastante generoso. De preferência pela totalidade do passe. Se for para ser o número 9 prioritário, então que se avance (Rui Pedro vai fazer o segundo ano de sub-19 ou começar já na equipa B?)

Gleison é outro caso de um emprestado que o FC Porto deve ponderar em contratar. Só há dúvidas quanto ao preço. Gleison pertence ao Portimonense, cuja maioria da SAD pertence a Teodoro Fonseca. Quanto custará comprar Gleison? Nas últimas semanas, baixou imenso de forma, e a segunda metade da época é incomparável ao que fez nos primeiros meses. É um produto totalmente inacabado, de capacidade técnica requintada mas com as limitações próprias dos extremos brasileiros. Se não for caro e não for para ser tratado como Kelvin - o FC Porto desistiu da sua evolução enquanto jogador desde o minuto 92 -, recomenda-se a sua continuidade. 

A crescer
Por fim, Rúben Macedo, também em primeiro ano de sénior e com potencial que recomenda a sua continuidade na equipa B. É, juntamente com Andorinha, Verdasca e Rui Moreira, o sobrevivente da equipa de lançamento do Visão 611. Há a destacar, isso sim, a relação entre o Projeto de Jogador de Elite e esta fornada de talentos que está a sair da equipa B. Rafa e João Graça são bons exemplos. Sobretudo após a crítica de Rui Moreira, tem havido uma tentativa de colar o Visão 611 a este título, quase sempre através do jornal O Jogo. Se isso assim é, então podemos deduzir que 6 jogadores da formação estarão na equipa A em 2016-17? É que o Visão 611 prometia isso todas as épocas. 

Falta elogiar a equipa técnica, começando por João Brandão. Já tinha passado pelas camadas jovens no FC Porto, chegou para adjunto e está para Luís Castro como Vítor Pereira esteve para Villas-Boas: o sucesso de um deveu-se muito aos métodos de treino do outro.

Quanto a Luís Castro, após 10 anos no comando da formação do FC Porto, e sem grandes proveitos que justificassem aposta e continuidade, atinge agora o resultado de maior sucesso. Enquanto treinador da equipa B, teve aquilo que os técnicos da equipa A raramente têm: estabilidade. Teve mais derrotas do que vitórias em 2014-15 (com apenas 17 vitórias em 46 jogos e uma diferença de golos de +2), mas poucos foram críticos para com o seu trabalho. Sobretudo porque a muitos pouco interessava a equipa B até ao último fim-de-semana. O seu trabalho na equipa B nunca pareceu estar particularmente articulado com os treinadores da equipa A. Sobretudo por ser difícil fazê-lo quando o treinador da equipa A, ao fim de 2 maus resultados, já tem a cabeça a prémio. Já Luís Castro, mesmo após uma época de maus resultados, mau futebol e escassa evolução de jogadores, nunca teve o seu lugar em perigo.

Não é fácil treinar uma equipa B e ser campeã com ela, logo tem que haver mérito. A equipa técnica perdeu jogadores em janeiro, teve muitas caras novas e sistematicamente há jogadores a irem às seleções ou à equipa A. Não se ganham títulos sem competência. Que Luís Castro teve e tem condições que mais ninguém teve, sem dúvida que sim. Tem as melhores condições de treino, o plantel (ou um dos) mais caro da segunda liga, e passou quase imune à crítica pelos maus resultados até esta época. E desta vez não insistiu num esquema com dois (por vezes até três) médios de caraterísticas defensivas, o que foi meio caminho andado para meter o FC Porto a fazer golos com grande regularidade (defensivamente a equipa foi sempre insegura, tanto que o FC Porto B tem uma das piores defesas da parte superior da tabela, também porque houve muitas alterações no setor defensivo). 

Luís Castro tem contrato por mais um ano e fala-se no interesse de equipas da primeira liga. Se de facto existir, o FC Porto não deve colocar entraves à sua saída. Se quiser ir, que o FC Porto assim o permita. Sai como campeão e terá a oportunidade de mostrar, noutro contexto, a sua valia. Caso contrário, é natural que os resultados atingidos esta época justifiquem a sua continuidade. 

Pergunta(s): Que jogadores da equipa B têm lugar no FC Porto em 2016-17?

PS: Na sondagem sobre quem mais se destacou na equipa B, foram considerados apenas os 20 jogadores mais utilizados esta época. Maurício foi excluído, por ter saído em janeiro e não pertencer ao FC Porto. Podem escolher mais do que um jogador.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Imbula e um plantel enfraquecido

A principal mudança entre 31 de dezembro e 2 de fevereiro foi, definitivamente, esta: a troca de Julen Lopetegui por José Peseiro. E José Peseiro não só herdou a difícil tarefa de ainda lutar por três frentes como acaba, no final do mercado de inverno, por ficar com um plantel enfraquecido face àquele que Lopetegui tinha em mãos no início do mês. É um plantel com menos qualidade... Mas isso não significa necessariamente uma equipa mais fraca.

Saíram Cissokho, Lichnovsky, Imbula, Tello e Osvaldo e entraram José Sá, Marega e Suk. O FC Porto perdeu qualidade. Muita qualidade. Imbula, Tello ou Osvaldo são jogadores com maiores potencialidades do que Marega e Suk. Mas a verdade é que não eram titulares do FC Porto, nem estavam a justificar sê-lo, apesar de sabermos que tinham qualidade para muito mais. Será difícil que Suk ou Marega façam pior em termos de rendimento na equipa principal, pois de facto Imbula, Tello e Osvaldo pouco estavam a acrescentar em termos práticos à equipa.

A mesma expressão desde o início
O mais importante não é ter qualidade: é o que se faz com a qualidade que se tem. E com isto podemos começar a falar de Imbula, que em boa hora saiu do FC Porto.

Para começar, jogando bem ou mal, muito ou pouco, Imbula iria sair no fim da época, com o preço referência de venda de 30M€. Não é um Roberto, é um Ramires: um jogador contratado para jogar apenas um ano e depois ir para uma liga melhor. Mas ao contrário do exemplo de Ramires, que num ano foi sempre titular e ajudou o Benfica a ser campeão, tudo correu mal com Imbula. Porquê? Porque foi um péssimo profissional desde o primeiro dia em que cá pôs os pés.

Nem era suposto Imbula vir para o FC Porto, mas a Doyen chateou-se com os compadres de Milão e o negócio caiu. E o FC Porto procedeu então àquilo que não deve voltar a fazer: ter que convencer um jogador a assinar pelo FC Porto.

Chega disso. Têm que ser os jogadores a convencer o FC Porto a contratá-los, e não o contrário. Ter um convite do FC Porto tem que ser algo encarado como único por qualquer jogador. Com Imbula, até Pinto da Costa teve que persuadir o jogador a assinar. Casillas, que podia ter ido para qualquer equipa do mundo, quis vir para o FC Porto, por mais variadas que fossem as suas motivações; já Imbula, que em 2014 era considerado um flop na liga francesa (convenhamos que isso não quer dizer nada, pois Moutinho estava na mesma lista), não é um internacional A e sempre mostrou mais potencial do que qualidade imediata, teve que ver o FC Porto prestar vassalagens para o contratar.

A história do Ferrari foi muito engraçada, sem dúvida, e Pinto da Costa é inteligente: era preciso criar união e responsabilizar alguém pelos últimos meses. Atirou as culpas para Lopetegui, o que correspondia ao sentimento de 90% dos portistas. Mas Lopetegui é um homem crescido, e pode muito bem apresentar a sua versão. Ele já disse que Imbula não era uma prioridade sua, o que é verdade, mas se calhar também podia ter dito que quem ele queria era Darder, que custava metade de Imbula.

O outro Ferrari
Mas a SAD do FC Porto está agarrada a uma gestão segundo a qual torna-se mais fácil ir buscar o mais caro do que o mais barato. Porquê? Porque os fundos só colaboram na contratação de quem lhes interesse. Se a Doyen tinha Imbula para colocar, algum dia iria abdicar de um jogador do seu catálogo para ajudar o FC Porto a contratar Darder? Lógico que não. Veio então Imbula pelo dobro do preço, comportando-se como se estivesse a fazer um favor a alguém e com um progenitor que nos faz sentir saudades de Washington Alves.

É verdade que Lopetegui não deixou de idealizar planos de equipa A para Imbula. Lógico, pois todos sabem que é um jogador com potencial e caraterísticas interessantes. Rezam as crónicas que, nos primeiros treinos de pré-época, Imbula tinha a mania de pegar na bola, galgar 40 metros e deixar 2 ou 3 jogadores para trás. Isto não é uma mania, isto é uma grande qualidade. O problema é que depois ou rematava mal (marca poucos golos, por mais que lhe queriam associar o estatuto de especialista em meia distância) ou não acertava um bom passe. 

Em 2 épocas como titular do Marselha fez apenas 3 golos e 4 assistências. É muito pouco para um médio de 20M€. André André, só este ano, já leva 5 golos e 5 assistências. Podemos então lançar a questão: de que vale ter um jogador que leva tudo à frente no meio-campo se, ao chegar perto da grande área, depois não faz um bom remate ou um bom último passe?

Quando assim é, o treinador tem que fazer uma de duas coisas: ou ajuda o jogador a melhorar o último passe e o remate; ou coloca-o numa função mais recuada do meio-campo. Lopetegui tentou as duas; e Imbula não quis saber de nenhuma, porque estava a borrifar-se para o FC Porto e para este ano de transição na sua carreira. A determinada altura, a sua postura em campo quase pareceu gozo para com o treinador: «Ai não querem que arranque? Então vou jogar a passo, quietinho, cá atrás». 

É absolutamente inadmissível o FC Porto admitir nos seus quadros um jogador que desiste das aulas de português logo na primeira semana. Isto mostrou logo ao que vinha Imbula: quem quiser que me entenda. É óbvio que isso complicou a comunicação entre o jogador e a equipa técnica, que dava instruções e Imbula ou as ignorava ou não compreendia. 

O exemplo
Depois, andar a passo nos treinos, não percebendo que era precisamente por essa atitude que não jogava, diz tudo sobre a falta de espírito competitivo deste jogador. Em vez de pensar «porra, estou a ser suplente de um gajo que veio do Vitória de Guimarães, que custou 13 vezes menos e que ganha 5 vezes menos do que eu, que vergonha!», pensou: «Porra, estou a ser suplente de um gajo que veio do Vitória de Guimarães, que custou 13 vezes menos e que ganha 5 vezes menos do que eu - o FC Porto não percebe mesmo nada disto!».

Não podemos lamentar aquilo que Imbula possa vir a ser. Temos que avaliar aquilo que ele era no FC Porto: um jogador que não trabalhava, não se empenhava em melhorar e que nunca mostrou interesse em singrar no clube. De nada vale ter todo o potencial do mundo se não se trabalha nem com ele nem para evoluir. De qualquer forma, iria sair no fim da época. Assim sendo, antecipa-se a saída e resolve-se um grande problema. Nem com a chegada de Peseiro Imbula pensou «ok, livrei-me do Lopetegui, posso agora mostrar que o problema era o treinador». Mas não, Imbula comportou-se exatamente da mesma maneira. E Peseiro deu-lhe o mesmo tratamento que Lopetegui: banco. Porquê? Porque a culpa sempre foi do jogador.

Em relação ao negócio. Mark Hughes queria muito Imbula no Stoke, e com o novos contrato de direitos televisivos em Inglaterra vamos passar a ver muito isto: os Crystal Palaces, os Norwichs e os Watfords vão passar a ter argumentos financeiros (resta saber se terão desportivos) para contratar os melhores jogadores dos clubes portugueses. No caso de Imbula, resolveu um grande problema ao FC Porto... e à Doyen.

Aconteceu o que era suposto acontecer com Adrián: se o jogador não engata, quem o trouxe leva-o para outro lado, cobrindo os custos. O problema é que nem Jorge Mendes, o melhor empresário do mundo, conseguiu encontrar solução para a borrada que foi a época de Adrián. No caso de Imbula, Mark Hughes foi o melhor aliado do FC Porto, pois fartou-se de insistir junto do Stoke para o contratarem. E assim se fez o negócio - o Stoke anunciou 18,3M de libras, o que dá 24,08M€ (a SAD não acrescentou estes 80 mil euros no comunicado à CMVM). O FC Porto fica ainda com uma mais-valia de 15%, mas para este valor ter algum impacto Imbula terá que ser transferido por uma grande quantia - por exemplo, se sair no futuro por 40M€, o FC Porto recebe 2,4 milhões. Dificilmente esta mais-valia terá grande, ou sequer algum, impacto.

O importante, aqui, era cobrir o investimento inicial, ou pelo menos minimizar as perdas. Não há lucro de 4M€, claro que não, simplesmente porque há outras despesas a ter em conta.

Entre 20M€ que o FC Porto deverá receber, esta parcela vai direta para a Doyen e/ou Marselha. Dizer que os restantes 4M€ são lucro é ignorar outras despesas, como por exemplo as comissões aquando foi contratado (só o pai de Imbula ganhou 2M€), as comissões desta transferência, os mecanismos de solidariedade FIFA e os prémios de assinatura/fidelidade que possam ter sido pagos a Imbula. Isto já para não falar nos salários que Imbula foi recebendo sem justificar um cêntimo. No final a passagem de Imbula pelo FC Porto dá prejuízo, mas o que importava era minimizá-lo tanto quanto possível. E no final das contas, 24M€ por um jogador que não mostrou nada na sua passagem pelo FC Porto é uma salvação caída do céu.

Que o sucesso de Imbula na sua carreira profissional seja proporcional ao quanto ele lutou para ajudar o FC Porto a atingir os seus objetivos. 

As chegadas de Suk, Marega e José Sá já tinham sido analisadas. O FC Porto acabou por não conseguir contratar mais ninguém, nem mesmo quando José Peseiro tinha a expetativa de receber reforços - não jogadores, mas sim reforços. Se já era difícil pedir a um treinador que não está habituado a lutar por título corresponder aos objetivos do início de época, mais difícil fica. A SAD delegou a José Peseiro o desafio, a responsabilidade, mas não lhe deu recursos

Peseiro tem um plantel, do ponto de vista de qualidade e potencial, inferior ao que Lopetegui tinha. Mas como já foi dito, isso não significa que fique com uma equipa pior. Para já, Peseiro só tem que tentar tirar o melhor partido possível das armas que tem à disposição, ele que certamente se irá agarrar a algo como o chavão «só faz falta quem cá está e tenho confiança em todos os meus jogadores». Que remédio!

Um trio de classe... nacional
O grande reforço acabou por ser a folga na folha salarial. Imbula, Tello e Osvaldo estavam entre os sete mais bem pagos do FC Porto. Na relação custo/rendimento, é difícil que Marega ou Suk façam pior. Mas havia expetativas de que os três nomes fortes que saíram fosse opção para a equipa titular; algo que não acontece com Marega e Suk. Outros tinham a qualidade, mas não o rendimento; quem veio tem menos qualidade, mas será difícil render menos do que quem saiu.

Sobre os centrais, há algo que importa clarificar: Maicon, Indi e Marcano têm que ser suficientes para consumo interno. Não pode haver dúvidas quanto a isso. Acham que Naldo ou Jardel tinham lugar numa grande equipa europeia? Claro que não. Mas para o campeonato português, serão sempre acima da média. Na prática, a SAD não quis reforçar o setor defensivo: saiu Lichnovsky, que era o 4º central, e só voltará a ser solicitado um central da equipa B caso alguém se lesione na equipa A. 

O FC Porto nunca contratou um central para ser titular no mercado de inverno. Não podemos nunca pensar num central, temos que pensar numa dupla. Era difícil proceder a essa troca. Logo, ou se encontrava um central capaz de ser de imediato o patrão, ou não faria sentido. A SAD não encontrou esse nome e, assim, a defesa não sofre alterações. Não temos uma grande dupla de centrais, mas temos a melhor defesa da liga. Mas sendo José Peseiro um treinador que se expõe muito na transição defensiva, vai ser complicado continuar a ter a melhor defesa. Peseiro não se importa, pois o seu futebol é mais propício ao 3-2 do que ao 1-0. Mas terá o FC Porto atacantes de qualidade suficiente para assegurar que o ataque vai compensar os erros da defesa?

Sérgio Oliveira ia ser emprestado, mas acabou por ficar. Vai passar mais meio ano entre a bancada e tempo residual de jogo, o que deixa antever que no fim da época vai muito provavelmente começar a ser emprestado. Quanto a André Silva, a sua continuidade só fará sentido se não lhe derem o tratamento que foi dado a Gonçalo Paciência na segunda metade de 2014-15. Se ficou, que seja para jogar. E felizmente, abortaram o disparate que era emprestar Gudiño - se fosse emprestado por meia época, deixava de ser considerado jogador formado no FC Porto no futuro, e isso é algo de que precisamos nas inscrições para a UEFA.

Quanto ao tal médio criativo que falta(va), o reforço é este: Alberto Bueno. Não deram um único reforço a José Peseiro, nenhum pedido do treinador, logo Peseiro terá que trabalhar com o que tem. Se Bueno não estivesse lesionado já se teria estreado antes. Oxalá possa ser uma boa surpresa.

O FC Porto aproveitou ainda para trazer mais três estrangeiros para a equipa B. Erik Palmer-Brown é emprestado pelo Sporting Kansas City e é o primeiro norte-americano nos quadros do FC Porto (exceção ao jovem Samir Badr, que era sub-19 sem experiência senior). Vai para o lugar de Maurício, que estava emprestado pelo Portimonense e que segue para o Marítimo à boleia do negócio Marega/Sá. Desconhece-se o valor de Palmer-Brown. 

Ah, e Wellington, outra daquelas contratações que são feitas não por valor desportivo, mas porque dá jeito a alguém, vai para o Leixões sem ter feito um único jogo pela equipa B. É fácil de explicar: Wellington estava emprestado pelo Grémio Anápolis, clube que é controlado pelo empresário António Teixeira. Até Teixeira viu mais pedidos satisfeitos do que Peseiro no mercado de inverno.

Nassim também chega emprestado pelo V. Guimarães. O que esperar de um jogador que não era titular indiscutível na equipa B do Vitória e que não mostrou nenhum potencial por aí além? Faz lembrar a contratação de Cláudio Ribeiro.

Por fim, chegou Haykeul Chikhaoui, um desconhecido para todos, a não ser que tenham tirado muitos apontamentos dos 4 minutos que ele jogou ao serviço do Sochaux na segunda liga francesa. Assinou um contrato de dois anos e meio.

Não temos um plantel mais forte. Resta lutar para ter uma equipa forte o suficiente para honrar o FC Porto e continuar a lutar pelos objetivos assumidos pelo clube. Força Peseiro e força equipa.

PS: Qual foi o único clube representado na defesa à Doyen Sports num painel de defesa do TPO? A refletir

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Lutar por nós sem (ainda) ser um de nós

Maxi Pereira já é jogador do FC Porto. E agora, que fazer? Rasgar o cartão de sócio, fazer boicote aos jogos e passar a assobiar quem veste a nossa camisola? Claro que não. A opinião já foi aprofundada aqui. Agora, Maxi Pereira é mais um a lutar a nosso lado pelo regresso aos títulos. Não é, ainda, dos nossos. Mas vai lutar por nós, que para já é o que basta e se exige. 

Oportunidade
Se estiver em campo com a mesma postura com que representou o Benfica (o tal espírito de sacrífico de que gostamos), tudo estará bem. Dificilmente gozará da mesma impunidade, mas os nossos camisola 2 estão habituados a isso. 

Agora, cabe aos adeptos darem a Maxi Pereira a oportunidade que devem dar a todos os jogadores: a oportunidade de conquistarem os adeptos pelo seu empenho e trabalho dentro de campo. Não temos que subscrever a contratação, mas devemos compreendê-la. Contrato de 3 anos, o que defende um pouquinho melhor o clube, e pouco mais há a acrescentar. De destacar a importância de Pinto da Costa ter dado a cara pela contratação e explicado tudo, embora o negócio tenha sido conduzido por Antero Henrique, como o próprio confirmou.

Não deixa de ser curioso constatar a vulnerabilidade de um Benfica bicampeão. Na sua melhor fase em três décadas, não conseguiu evitar perder o treinador para um rival e um jogador nuclear para outro. Acaba por ser uma consequência da sua frágil situação financeira, mas também que mostra que os seus profissionais nem num Benfica bicampeão sentiram confiança e segurança para continuar. Não deixará de ser uma corrida a 3, mas fica a interessante nota. Ah, e o Sporting só irá buscar quem o FC Porto não quiser, como este mercado já o comprovou. Logo, na hora de escolher, o FC Porto, mesmo não ganhando nada há dois anos, ainda é o mais desejado. Não podemos ignorar o fator financeiro, mas o estatuto também tem dólar.

Não precisamos que Maxi Pereira faça juras de amor ao FC Porto, que comece a renegar publicamente o Benfica e que desate a apregoar portismo. Não, basta que se defenda esta camisola até ao limite, até à última gota de suor, com profissionalismo, e perceber o risco que o FC Porto assumiu ao contratá-lo, não só financeiro como até mesmo na relação adepto-clube. Desportivamente, há muito a ganhar e para ganhar. E o trabalho para alcançar esse objetivo já começou.

Época de afirmação como 9 futuro
Os resultados não merecem grande importância nesta altura, mas é sempre bom abrir a pré-época a ganhar e a fazer golos. Neste caso, com André Silva a marcar pontos. Teve uma época prejudicada em 2014-15 pelo impasse na renovação (que não foi culpa do jogador) e pelo 4x3x3 da B que só dava lugar a Gonçalo Paciência a 9, além de continuarmos sem ter um treinador com mínimo perfil para orientar os bês (isto sim, preocupante, tendo em conta que da B podem sair talentos que valham mais do que meia dúzia de patrocínios - quando houver novidades neste aspeto, serão tema, certamente).

Gonçalo Paciência, já se sabe, vai sair por empréstimo. Percebe-se e aceita-se a decisão, pois vai para o 3º ano de sénior e praticamente ainda não teve futebol de primeira liga. Só se torna incompreensível a decisão de o ter mantido no plantel na segunda metade de 2014-15, tendo em conta que agora sairá para um clube que não terá as rotinas do FC Porto, de futebol de posse que usa o 9 como um apoio e não como uma referência para o pontapé para a frente. Que Gonçalo renove e volte, é o que se deseja e exige. Até lá, André Silva e Leonardo Ruiz (que assinou um novo contrato de empréstimo, decisão lamentável - a cláusula de compra era de exercer logo, pois assim a futura compra arrisca-se a uma inflação e a mais concorrência), com Rui Pedro aos poucos, são os nomes que merecem toda a atenção e dedicação na B. André Silva já está uns degraus acima, o que ainda assim não lhe dá lugar no plantel, mas certamente Lopetegui terá minutos para ele ao longo da época, quando as circunstâncias se conjugarem para tal. 

Falando ainda da formação. David Bruno volta a fazer uma pré-época, novamente por circunstância de carência na posição, mas já vai para o 5º ano de senior sem nunca ter jogado na primeira liga. Tem forçosamente que fazê-lo este ano, para bem da carreira do jogador, que é o miúdo com mais anos de FC Porto na formação. Uma palavra para Chico Ramos, que segundo O Jogo pode ser o novo Rúben Neves e vai ficar no plantel. Provavelmente não será assim, pois o meio-campo ainda vai ter que emagrecer e ainda nem acabou de engordar, mas de destacar que fez um bom primeiro ano de senior na equipa B e é titular no FC Porto e nas seleções desde os iniciados. Tem futuro, mesmo que não seja imediato.

Para terminar, uma palavra a dois jogadores que deixam o FC Porto rumo ao novo brinquedo de Pini Zahavi. Frédéric sai a título definitivo, ficando o FC Porto com parte do passe (tecnicamente de futura venda), e é pena que não tenha renovado e sido meramente emprestado. Não voltou ao Sporting porque não quis e é um nome ao qual não convém perder o rasto. E Pavlovski sai após um segundo ano de empréstimo. Sempre que esteve em campo, vimos qualidade. Por que é que não passou mais tempo em campo, é um mistério. O futuro esclarecerá se foi mal aproveitado, o que parece ter sido. Melhor sorte aos dois miúdos.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Análise 2014-15: os laterais

Já tinham uma enorme importância com Vítor Pereira, mas com Lopetegui a influência cresceu. Os laterais do FC Porto são cada vezes mais asas de ataque, responsáveis por dar profundidade ao mesmo tempo em que também saibam procurar o espaço interior. Lopetegui até poderá variar a dinâmica de jogo em 2015-16, mas de certeza que a importância dos laterais não sofrerá alterações. Resta saber se teremos soluções à altura.

Alex Sandro só fez um golo mas teve 5 assistências, na Champions foi o 2º jogador do FC Porto com mais milhas nas pernas (o primeiro foi Herrera), foi o lateral com melhor média de cruzamentos e sofreu mais faltas do que as que cometeu. Danilo fez 7 golos, 5 assistências e contagiou tudo e todos pela forma como galgava pelo corredor, cortava para dentro e arrastava marcações. A SAD investiu e arriscou imenso nestes dois laterais, que felizmente corresponderam. Foram donos e senhores das laterais nos últimos anos, não deixando espaço para mais ninguém entrar. Mas um dia teremos que os substituir, e esse dia aproxima-se. Vamos às análises da época 2014-15.

Danilo - Que mais se pode dizer? Que faz um jogador que ouve da boca do sr. Scolari «não te chamo à seleção porque jogas no FC Porto»? Danilo podia ter pedido para sair rapidamente de Portugal. Mas não. Cerrou os dentes, honrou o símbolo e chegou a titular da seleção do Brasil como jogador do FC Porto, mesmo que só o tenha sido após Scolari sair. Foi top 5 esta temporada, fez-se um dos melhores laterais do mundo e ninguém mais que ele merecia ter saído com um título. Vai para o Real Madrid, clube que nenhum jogador em Portugal pode recusar, e deixa um vazio. Não só dentro de campo como nos corações dos portistas. O investimento, 13M€ + encargos, valeu cada cêntimo. Grande contratação, grande jogador, grande profissional, grande venda. 

Alex Sandro - Normalmente, quando um jogador em fim de contrato hesita em renovar, tende-se a condenar o jogador e realçar que a SAD fez o seu papel. «Já ofereceram a renovação e o jogador não quis. Querem que faça o quê, que lhe aponte uma arma à rótula!?» Pois, mas esta não pode caber. Sendo Alex Sandro um jogador em que a SAD investiu quase 10M€ e que é hoje reconhecidamente um dos laterais esquerdos de maior potencial, a SAD não pode nunca perder o controlo da situação do jogador. É responsável por um alto investimento num activo caro, valioso e que continuará a ter alta cotação desportiva e/ou financeira. Não podemos ter mais Cebollas. Assuma-se: ou renova ou sai por um valor aceitável/possível. Alex Sandro tinha um contrato de 5 anos e houve muito tempo para tratar e antecipar esta situação. E ainda há. Conforme já foi descrito no segundo parágrafo, fez uma boa época e é uma mais-valia que vale a pela blindar. E continuar a rentabilizar, seja em campo ou na SAD.

Ricardo Pereira - Sempre que joga, cumpre. Mas é aposta maioritariamente em jogos teoricamente menos exigentes, como os jogos das Taças ou envolvido no esquema de rotação. Tem 21 anos, uma larga margem de progressão pela frente e renovou contrato recentemente. Ultrapassou Opare na hierarquia de opções de Lopetegui, ficando como a alternativa a Danilo, mas a opção de colocar Reyes em Munique pode dizer muito da confiança a curto prazo para fazer de Ricardo o titular no lado direito da defesa. Compreende-se que Lopetegui queira uma solução no mercado, mas não podemos cometer loucuras. Ironicamente, quando contratámos Danilo, não precisávamos dele (havia Fucile e Sapunaru e o primeiro jogo de Danilo até foi a médio - não sabiam que fazer dele). Agora precisamos de um lateral e não encontraremos nenhum com a qualidade imedita de Danilo. Por outro lado, se Ricardo não for já titular, vai para a 3ª época no FC Porto como mera alternativa. Assim é difícil crescer. Cruza e ataca bem, mas defensivamente tem lacunas, sobretudo quando lhe metem a bola nas costas da defesa e tem que fechar em zona mais interior. Limitações próprias da idade... ou de um extremo?

José Ángel - Uma boa aposta do FC Porto no mercado, contratação de pouco risco e muita pertinência. Lateral de propensão ofensiva, que sabe cruzar bem, mas ainda não conhece o momento certo para soltar a bola e muitas vezes enrola-se demasiado, a ponto de depois perder o lance. Havendo Alex Sandro, é difícil jogar. Sem Alex Sandro, é uma solução mais do que interessante para começar a nova época. É preciso ter em conta que esteve várias semanas consecutivas sem jogar e poucas vezes fez 2 ou 3 jogos seguidos. Assim, é difícil ganhar consistência. Conseguindo uma sequência de jogos, pode tornar-se dono da posição. É para ficar.

Opare - O Tribunal do Dragão vai analisar, à parte, os jogadores emprestados, mas como Opare iniciou a época entra aqui. Uma questão: valeu a pena entrar numa guerra de empresários, com ameaças de queixas contra o FC Porto à FIFA, por Opare? Podia ter valido, mas nem houve hipótese de Opare mostrar o seu valor. Assim, qualquer análise torna-se injusta para o jogador. À partida seria alternativa para Danilo e Alex Sandro, mas depois houve a hipótese de ir buscar Ángel e Lopetegui gostou mais de Ricardo. Foi emprestado ao Besiktas, alternou entre o banco e a titularidade, fala-se da existência de mercado na Turquia. Tendo o FC Porto de gerar mais valias e emagrecer a folha salarial, e havendo jovens de valor para a posição a evoluir nas camadas jovens, ou integra-se Opare no plantel ou que se siga uma transferência. 

Os bês - David Bruno, agora com 23 anos, há muito que devia ter sido cedido a outro clube. É o jogador com mais anos de clube nos nossos quadros, já fez pré-épocas com a equipa A e precisa da possibilidade de futebol de primeira liga. Tem mais um ano de contrato, foi habitual titular na equipa B, ora à esquerda ora à direita, e é altura de sair do FC Porto, para jogar a um nível superior, pois aqui a oportunidade não parece que vá surgir. Victor García: esperava-se a época de afirmação, mas não evoluiu tanto quanto se desejaria. Ainda é jovem, tem 20 anos, é um jogador que faria todo o sentido o FC Porto manter. Se houver hipóteses de comprar e colocá-lo na primeira liga, óptimo. Se até o Pedro Queirós lá consegue jogar, o Victor também consegue. E seria bom começar a abrir já espaço para Fernando Fonseca.

Rafa: andou-se a perder tempo com um projecto de lateral Kayembé que era tão bom que chegou ao Arouca para jogar a extremo. Rafa vai estar no Mundial sub-20 e poucos duvidam que será um dos destaques. É sempre redundante esperar evolução dos bês quando não há um treinador com um mínimo perfil que o recomende para isso (opinião por cá, mas podem sempre pedi-la aos jogadores), mas Rafa, que tem um pé esquerdo com régua e esquadro, necessita de melhorar vários aspetos defensivos do seu jogo. Próprio da idade. 

Pergunta(s): quem deve ser o sucessor de Danilo? José Ángel está pronto para assumir a vaga de Alex Sandro?

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Análise 2014-15: os guarda-redes

Quem gosta de basquetebol conhece esta frase: «Os ataques ganham jogos, as defesas campeonatos». Infelizmente, no futebol isto não é regra, caso contrário o FC Porto teria tido uma época muito melhor.

O menos batido da Europa
Depois de no espaço de 6 meses termos perdidos 4 esteios defensivos (Helton, por lesão, e Otamendi, Mangala e Fernando), o FC Porto conseguiu, em 2014-15, acabar a época com a melhor defesa das 25 principais ligas europeias. Tudo isto quando houve muita crítica a Fabiano ao longo da época e aos defesas-centrais. Quando ser a defesa menos batida da Europa não chega, o que chegará?

Claro que não se pode reduzir tudo aos números. Os guarda-redes do FC Porto raramente ganham jogos, pois por norma temos boas defesas e os adversários poucas vezes conseguem criar perigo. E este ano tivemos algo que ajudou a essa estatística, que foram grandes melhorias na reação à perda da bola. Por isso, um guarda-redes do FC Porto pode fazer 50 defesas, mas basta um erro para ficar marcado

Um dos primeiros pedidos de Lopetegui quando chegou foi um guarda-redes. E tinha nome: Navas, ainda antes do Mundial 2014. O FC Porto não agiu a tempo e perdeu-se o guarda-redes. A época teria sido melhor? Impossível saber. Facto é que mesmo com um guarda-redes contestado em parte da época, conseguimos ter a melhor defesa europeia. Agora, volta a haver um pedido de um novo guarda-redes. O nome já é conhecido, Perin, do Génova (e diria que será mais difícil ir buscá-lo ao Génova do que teria sido ir buscar Navas ao Levante). Mas a maior surpresa é a revelada por Pinto da Costa quanto à possível continuidade de Helton. 

Se renovar, mais gente terá que sair. Em Novembro foi alertado: o FC Porto tem que parar de contratar guarda-redes só porque sim, porque isto já é uma prática habitual e que se adivinhava novamente para 2015-16. Não podemos ter 4 guarda-redes com idade sénior no plantel. O ideal seria 2 seniores + o guardião titular da equipa B. Perin, a prioridade, não é uma contratação de ocasião mas sim de grande aposta de médio prazo. Não há memória de o FC Porto ter investido a sério num guarda-redes jovem já internacional por uma grande seleção europeia. Que tem grande potencial, tem. O valor investido e o leque de guarda-redes para 2015-16 definirão se se tratará, ou não, de uma boa contratação, isto se houver condições para a fechar.

Passemos à análise dos guarda-redes de 2014-15, a exemplo do que será feito nos outros setores.


Helton - É preciso uma enorme determinação para, aos 36 anos, conseguir superar uma lesão que a muitos outros jogadores ditaria o fim de carreira. É o mais carismático jogador do plantel, que entende a mística do clube, que ganhou 7 campeonatos e viu o que foi preciso para o FC Porto não ganhar os únicos 3 que falhou. Está bem fisicamente e tem condições para jogar mais um ano. Não sei se vai ficar, mas só faria sentido se fosse para continuar como número 1. Porque por mais peso que Helton possa ter no balneário, sendo ele um dos mais bem pagos do clube tem que render em campo, não fora dele. O problema esta época, muitas vezes, foi não haver voz de comando dentro de campo, não no balneário. Se Lopetegui quiser e entender que Helton será uma mais-valia, que siga a renovação. Caso contrário, preparem a estátua para o museu, porque Helton bem a merece.


Fabiano - Regressemos ao início: foi o guarda-redes menos batido da Europa. Ficou marcado pelos 6 golos em Munique, mas não tem culpa que a sua defesa, no espaço de poucos minutos, seja três vezes batida no jogo aéreo e sofra três golos. Tentou aproximar-se do que Lopetegui pretendia, o tal guarda-redes que oferece sempre linha de apoio na construção e joga com os pés. Evoluiu, mas passou de titular à bancada (ironicamente, na pré-época passou de possível dispensado a titular). Tem contrato até 2019. Se for para passar a época na bancada, que a SAD procure uma solução para ele no mercado.

Andrés Fernández - A mais estranha aposta de Lopetegui. Foi pé frio, pois em 4 jogos o FC Porto só venceu um. Mas em nenhum teve culpas. A verdade é que pouco ou nada pudemos ver de Andrés. Fazendo fé no R&C da SAD, custou não mais que 1,2M€, mas é estranho que tenha sido contratado para ser prioridade em relação a Fabiano, mas na verdade poucos meses depois Fabiano renovou contrato. Não pode ficar no FC Porto em 2015-16 se não for para jogar. Emprestá-lo a uma equipa de primeira liga, preferência estrangeira, que lhe garantisse a titularidade e cobrisse os salários seria o ideal, ou então recuperar o investimento. Lopetegui conhecia-o bem antes de o contratar. Não justificou a aposta do treinador ou houve erro de avaliação?

Ricardo Nunes - É ingrato dizer isto a um adepto do FC Porto que nem uma oportunidade teve, mas foi uma contratação que se sabia desde o primeiro dia desnecessária. Nem sequer serviu para facilitar as inscrições na Champions. Em termos de plantel principal, em 2014-15 só serviu para desfilar o equipamento. Um contrato de 4 anos para um guarda-redes trintão que se sabia que não seria titular? Que o FC Porto o deixe sair no fim da época, porque aqui não vai jogar e merece mais para a sua carreira do que fazer número. Ter um guarda-redes trintão só para jogar na equipa B e na Internacional Cup não cabe na cabeça de ninguém.

Os bês - Kadú pouco ou nada evoluiu nos últimos 2 anos e é tempo de sair do FC Porto por empréstimo, onde possa jogar com regularidade, de preferência tentando colocá-lo num clube com um bom treinador de guarda-redes, que bem precisa. Caio, nos seus 2 primeiros anos de sénior, fez 2 jogos pela equipa B. Se não puder jogar mais em 2015-16 (Filipe Ferreira e Andorinha já vão ter idade de sénior), é tempo de o deixar sair. E claro, o nome de que todos falam: Raúl Gudiño. Nada justificaria a não exerção da cláusula de compra. É um jogador de enorme potencial, que vai ter o primeiro ano de sénior, e faz todo o sentido que seja o titular da equipa B. 

Pergunta(s): faz sentido contratar mais um guarda-redes para a equipa principal? Perin é a solução ideal? Quem deve sair? Quem devem as opções na equipa A e B?

quinta-feira, 19 de março de 2015

Frederic: vem aí a hora do salto

Foi há 2 anos que Frederic Maciel assinou contrato profissional com o FC Porto. Válido até 2016, pertinente cláusula de rescisão de 20 milhões de euros. Na altura sofreu uma fissura no pé e perdeu o resto da época 2012-13.

Frederic: é para renovar
A época seguinte não começou melhor, desta vez com fratura no pé. Foram poucas as oportunidades no primeiro ano de sénior, até porque para as alas havia Ricardo, Kelvin, Kayembe, Tozé, Ivo... Mas esta época, já livre de lesões, Frederic Maciel começa finalmente a mostrar-se na equipa e a justificar atenção.

É neste momento o melhor marcador da equipa B, com 11 golos. Consistente e regular. Rápido, forte no um para um, joga bem em zonas interiores e finaliza muito bem na grande área, com os dois pés ou de cabeça. Mais prático do que exuberante, Frederic justifica que o FC Porto continue a acreditar no seu potencial. 

A poucos meses de entrar no último ano de contrato, merece a renovação. A forma como recuperou das lesões revelam um carácter forte. Tem vindo a construir o seu percurso nas selecções jovens desde os sub-16 e se não fosse o tempo perdido no primeiro ano de sénior já podia estar no mapa dos sub-21, onde a concorrência também é forte (tudo jogadores já de primeira liga).

Lopetegui tem a palavra, e Frederic já treinou várias vezes com a equipa principal. Mas é importante procurar uma oportunidade de futebol de primeira liga para Frederic na próxima temporada, pois um sénior de terceiro ano não deve jogar na equipa B. Os ciclos não devem ser superiores a 2 anos, pois os jovens precisam de estímulo competitivo superior. 

Não faz sentido Frederic permanecer na segunda liga na próxima época, pois nesse escalão já se destaca e já está acima da média. Tem que jogar num patamar superior, até porque Sérgio Ribeiro e Rúben Macedo estão a terminar o segundo ano de sub-19 e já vão subir - assim o esperemos, e outra coisa não se admite - para a equipa B. Rúben Macedo já vai aparecendo na equipa B, e bem, enquanto o capitão Sérgio Ribeiro, por razões que o rendimento desportivo não consegue explicar, só se vai estrear na B depois de Tony Djim.

Quanto mais cedo os jogadores tiverem o estímulo competitivo de jogarem em escalões superiores, melhor. E deve ser o rendimento a ditar a ordem das promoções, não o estatuto ou outros factores. No caso de Frederic, está na hora de lhe dar futebol de primeira liga. Vai valer a pena.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Arrumar a casa antes de comprar mobília nova

Em 2011-12, o FC Porto teve custos com pessoal de 49,59M€, que incluíam os prémios pela conquista do título de campeão nacional (que têm um impacto considerável, sobretudo porque a receita pela conquista do campeonato não chega para pagar os prémios por ser campeão). Três épocas depois, esses custos serão de pelo menos 70,9M€.

Este aumento de quase 43%, sem um crescimento de receitas que o suporte, não se deve apenas à contratação de jogadores mais caros nos últimos anos, mas também pela criação da equipa B, que agravou a massa salarial do clube. Isto porque não nos limitamos à lógica de deixar que a B seja uma extensão para os Sub-19. Jogadores bem pagos, com contratos de longa duração, intermediações e compras de passes inflaccionados, um pouco de tudo vai aumentando os custos.

Quem merece a 2ª vida?
Como se sabe, a equipa B dá prejuízo, pois por si só não gera receitas. A única maneira de tornar a equipa B rentável financeiramente é promovendo jogadores à equipa A e, mais tarde, transferi-los após se valorizarem. E há mais uma listinha de compras a caminho.

Mas a equipa B, acima de tudo, devia implicar uma coisa: o fim do camião de jogadores emprestados a outros clubes. Algo que urge rever, pois o FC Porto já não está apenas a suportar a massa salarial dos excedentários (raramente os outros clubes cobrem a totalidade ou sequer parte do salário) mas também a sustentar uma equipa B, que só dará frutos no médio prazo. O FC Porto continua a ter diversos jogadores emprestados que nunca vão jogar na equipa A.

Por vezes é difícil arranjar colocação, mas também pode ser melhor assumir o prejuízo em algumas compras do que a andar a arrastá-lo entre empréstimos que não levam a lado nenhum. Se os representantes da mercadoria estão insatisfeitos por o FC Porto não ter valorizado o seu produto, problema deles, pois também é trabalho seu arranjar soluções para a mercadoria.

Independentemente da vontade de apostar na equipa B e de haver segundas-linhas que na próxima época vão saltar para titularidade, é claro que a SAD vai procurar algumas soluções no mercado para 2015-16. E antes de comprar mobília nova, então convém esclarecer, em comunhão com Lopetegui, a situação de cada jogador emprestado pelo FC Porto. Quem tem hipóteses de regressar em 2015-16? Quem pode beneficiar de mais um ano emprestado? Quem tem mercado para sair já? Seja qual for a solução, se houve erros na contratação de alguns jogadores, que se assuma. Porque não há pior erro do que não assumir os erros.

Licá - 1,5 milhões de euros por 60% do passe, mais comissão de 10%. Contrato até 2017. Bom profissional, mas sem características para singrar no FC Porto. Nem hoje, nem amanhã. Há que transferi-lo no final da época.

Abdoulaye - Tem contrato até 2016 e há possibilidades de renovar. Para quê? É a questão. Um ex-júnior vindo do Senegal em quem o FC Porto já investiu mais de 1,5M€. Tem 24 anos, já deu provas de algum potencial, mas a temporada no Rayo não tem sido particularmente boa, tanto dentro como fora dos relvados. É a 4ª vez que é emprestado. O FC Porto tem 3 centrais a 100% (Marcano, Maicon, Indi), um central de 7M€ para rentabilizar (Reyes) e um diamante na B (Lich), isto para não falar nos Sub-19 que vão ser promovidos. Há espaço para Abdoulaye? Não. Mas se o seu empresário diz à imprensa e ao jogador que Dortmund, Liverpool, Benfica e sabe-se lá quantos mais já o quiseram, então não há-de ser problema nenhum encontrar uma boa proposta no verão.

Ghilas - Jogador muito caro (3,8M€ por 50%), com contrato até 2017. Podia ser uma solução alternativa, podia, mas não se conforma com o banco e Lopetegui não terá ficado muito entusiasmado com o que viu. Joga com regularidade no Córdoba, mas muitas vezes encostado a uma ala e aparentou ter ganho peso. Procurar uma solução no mercado deve ser seriamente considerado.

Kléber - Investimento total de 4,2M€ em 70% do passe. Não digam que não tem qualidade, porque tem. Já todos vimos. Mas o desgaste é notório. A maneira como humildemente se expôs a exibições pouco memoráveis na equipa B não ajudou. Está a fazer golos no Estoril e restaurou a sua imagem a nível nacional. Agora o grande problema: o contrato acaba em 2016. Das duas, uma: ou sai já no verão, ou renova para fazer parte do plantel. Renovar para ir rodar noutro lado não é compreensível.

Pedro Moreira - Vai fazer 26 anos, esteve 5 épocas emprestado e passou mais 2 anos na B. Se até aqui nenhum treinador o quis na equipa A do FC Porto, não será depois disto que vai acontecer. Joga com regularidade no Rio Ave, tem contrato por mais um ano. Não faz sentido renovar. Não conta como jogador formado no FC Porto e não seria mais do que uma solução de profundidade no plantel. Os adeptos gostam dos Castros, mas esquecem-se que os Castros não são burros e sabem perfeitamente se têm ou não hipóteses de serem titulares no FC Porto. Se não são, querem sair. O amor à camisola não combina com o banco de suplentes durante muito tempo.

Tozé - Tem mais um ano de empréstimo ao Estoril. Só lhe fará bem, melhor do que estando aqui. Contrato até 2017.

Varela - Contrato até 2016, sem hipóteses de regressar ao FC Porto, depois do presidente praticamente o ter condenado ao rótulo de mercenário numa entrevista ao Porto Canal. Sim, Varela quis sair para ir ganhar dinheiro. Faltou foi mencionar a parte em que tal como Deco, Jackson ou demais, Varela também teve a promessa de ficar mais um ano e depois sair. O problema é que não teve mercado para isso no último verão. Já podia ter saído antes por propostas vantajosas, mas o timing falhou. E agora? Assumir e deixar o jogador sair no verão. Lopetegui de certeza que gostaria de ter um extremo como ele, mas depois desta época de empréstimos irrisórios não sobram muitos argumentos. 

Quiñones - Mais de 2M€ investidos num lateral para depois andar a jogar com o Mangala a lateral-esquerdo. Joga com regularidade no Penafiel, mas sem evoluir no sentido de ser solução na próxima época, embora ainda seja jovem (22 anos) e esteja pela primeira vez a jogar com regularidade na primeira liga. Tem contrato até 2016. Que fazer no verão? Renovar com um lateral de 2M€ sem saber se vai ter hipóteses de jogar na equipa A não seria lá muito recomendável. Se um contrato de 4 anos não chega para um jogador relativamente caro mostrar se serve para o FC Porto, algo de errado haverá.

Bolat - No 1º trimestre de 2013-14, o FC Porto contratou 3 jogadores: Ghilas, Quintero e Bolat. Aparece o custo de Ghilas (3,8M), o de Quintero (5M) e aparecem depois 1,89M de encargos, que não é discriminado. Esse encargo é Bolat? Não é esclarecido. Se Kayembe veio de Liège sem contrato e depois acaba por custar 2,65M€, o custo zero de Bolat também pode levantar muitas questões. Tem contrato até 2018. Passou a primeira época praticamente a treinar, foi rodar para o Kayserispor e agora emprestaram-lo para ser suplente de Muslera no Galatasaray (quem no seu perfeito juízo achava que ia ser titular?). Tem contrato por mais 3 anos e tudo leva a crer que foi contratado para ser mercadoria. Não necessariamente rentável para o FC Porto. Pelo contrário, até ver, só prejuízo. Uma venda no verão ou a inclusão na equipa A, nada mais se admite. 

Opare - Também veio pela via de Liège, com contrato até 2018. Não conta para Lopetegui e foi agora emprestado ao Besiktas. Se não jogar com regularidade, não entra nas contas para a próxima época. E se assim não for, não valerá a pena arrastar mercadoria. Mas se foi a custo zero, não há muito a perder, não é?

Walter - Custou 6M€ por 75%. Claro que hoje em dia é considerado um dos maiores flops da história do FC Porto, mas na altura não nos enganámos na compra: era um jogador de enorme potencial, com enorme faro de golo, talentoso e um touro em campo. O problema é que tem uma coisa maior que o potencial e o faro pelo golo, a barriga, e uma coisa mais pequena que tudo o resto, o cérebro. Um belo problema para resolver. A sua transferência envolveu a participação de um fundo e os fundos não ficam com prejuízo, por isso podem esquecer a partilha de risco. A SAD já teve que renovar com ele até 2017 para o emprestar ao Fluminense, que não quer pagar a participação, o que vai forçar a que se procure nova colocação. Temos 15% de um fardo.

Josué - Contrato até 2017, provas de valor no plantel mas inconformado com o banco. O Bursaspor diz que o quer comprar. Com uma proposta interessante, não devem ser colocados entraves a tal, até porque custou 500 mil quando foi resgatado ao Paços. A entrevista que deu ao Mais Futebol diz muito sobre como encara o futuro (ou a falta dele) no FC Porto de Lopetegui.

Djalma - À espera de quê? Pois é. Tem contrato até 2016 e tem que sair no verão, forçosamente. Até porque já tem sucessor no cerne da questão.

Sami - É preciso dizer alguma coisa?

Carlos Eduardo - Foi notícia em França por marcar 5 golos num jogo. Teve alguns bons momentos a época passada. Vimo-lo fazer grandes jogos, grandes golos, mas também com uma preocupante inconsistência. Tem contrato até 2017 e custou pelo menos 900 mil euros por 80% do passe. Se Lopetegui não encontrar espaço para ele no verão, há que estar atento a possibilidades de mercado que se possam abrir, sobretudo em França.

Izmailov - Processo extremamente bem gerido pela SAD, devido aos problemas particulares que afectaram o jogador e que poderiam ter tido um desfecho trágico. Teve direito a uma segunda vida na Rússia, felizmente. Tem contrato até 2016, mas vai sair no fim da época. Não há muito mais a dizer.

Kelvin - Situação já analisada aqui. Em relação a Ivo Rodrigues, Otávio, Kayembe e Tiago Rodrigues, saíram recentemente e as suas situações também já foram aprofundadas nos últimos posts. A possibilidade de ingressar no plantel principal é indicada pela ordem dos nomes.

Outros casos - Braima e Célestin nem na B mostraram serviço, logo não há muito a dizer. Junior Pius tem sido uma desilusão no Aves, após ter feito alguns bons jogos nos Sub-19. Rúben Alves prometeu muito quando chegou do Boavista, mas nem na III divisão joga. Caballero joga com muita regularidade no Aves, mas em 9 golos 5 são de penalty. Se possível, procurar uma solução de primeira liga para o jogador na próxima época, para tentar ver se ainda há ali qualquer coisa do miúdo que aos 16 anos fazia golos na Libertadores, caso contrário não vale a pena enganar ninguém. Estão 1,5M€ investidos nele.

São estes os jogadores emprestados pelo FC Porto e cujos casos merecem ser revistos (e resolvidos) no fim da época. Quanto mais cedo a casa for arrumada, melhor para o cinto. Até porque conseguir bons negócios com excedentários pode reforçar as condições do FC Porto para atacar o mercado em 2015-16, ou reforçar as condições para manter um jogador do actual plantel.

PS: Um bom mecanismo de defesa para a SAD seria, ao invés de dar contratos de 4 ou 5 épocas, reduzir a duração dos contratos mas salvaguardando a possibilidade de accionar opções de extensão por 1, 2 ou até 3 épocas. O FC Porto raramente fica com cláusulas de prolongamento de contratos. Porque não considerar esta hipótese? Reduz o risco para o curto prazo, com contratos mais curtos, mas salvaguarda a posição da SAD para manter os activos no futuro. Talvez por defender melhor os clubes é que os empresários não achem muita piada a este modelo.

PS2: Hoje se visse o Fidel era capaz de lhe dar um abraço. Já há comunicado por os caraças dos comunistas terem permitido que o Quintana e o Alexis atravessassem o Atlântico?