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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Balanço do mercado e a força que resta

Fechou o mercado de inverno, e com ele chega a questão à qual importa sempre responder nesta altura: o FC Porto termina o mês mais ou menos forte? Na época passada, o FC Porto chegou ao final de janeiro claramente mais fraco, algo que acabou por se confirmar no fecho da temporada. Desta vez, o FC Porto chega ao início de fevereiro com menos variedade de soluções no plantel, com apenas mais uma opção no ataque... mas não necessariamente mais fraco.

Soares foi a única contratação, mas Nuno Espírito Santo teve outro reforço de luxo do qual ninguém tem falado: não perdeu nenhum titular. Todos os jogadores que saíram (Sérgio Oliveira, Evandro, Adrián e Varela) não estavam a ser nem primeiras nem segundas opções no FC Porto. Poupa-se na folha salarial e, desta forma, outros jogadores que não têm jogado muito mas que estavam no plantel, casos de Rúben Neves ou João Carlos Teixeira, teoricamente podem ter mais chances de serem opção. 

Entre os que saíram, Evandro era aquele que mais útil poderia ter sido ao FC Porto. Um médio completo, capaz de corresponder a qualquer momento do jogo e que seria útil em qualquer fase da temporada. No Hull, já jogou mais em duas semanas do que em meia época no FC Porto. 

NES nunca olhou para ele como opção, por isso a sua saída não acaba por surpreender, ainda que saia como um jogador que o FC Porto não aproveitou da melhor forma. Com o mesmo número de oportunidades, faria igual ou melhor do que outros concorrentes na sua posição. 

A saída de Sérgio Oliveira só merece subscrição. Passou meio ano só a treinar, pois entre o fecho do mercado de verão e o de inverno não jogou um único minuto. O Tribunal do Dragão comentou, na época passada, que Sérgio Oliveira tinha que aproveitar ao máximo os tempos com José Peseiro, pois provavelmente não voltaria a ter um treinador no FC Porto a dar-lhe tanto tempo de jogo. Assim foi. NES até o utilizou no início da época em 2 jogos, mas rapidamente se percebeu que nunca seria opção válida. A mentalidade competitiva também ajuda a evoluir, coisa que Sérgio Oliveira não revelou nos últimos meses. Vai jogar no Nantes, uma boa colocação por parte do FC Porto. No final da época há que rever a sua situação, mas dificilmente algum dia será opção inicial no clube. 

Chegou também o fim da era de Silvestre Varela no FC Porto. Oficialmente, pois já tinha acabado muito antes. Curiosamente, um dos primeiros posts d'O Tribunal do Dragão defendia que Varela devia ter saído em junho de 2014, terminando um ciclo no clube no momento apropriado. Já sai tarde, já bastante longe dos seus melhores tempos no FC Porto.

Varela é o melhor marcador português do Estádio do Dragão. Foi tricampeão, ganhou a Liga Europa, Taças e Supertaças. Abriu os 5x0 contra o Benfica, matou o Sporting na Taça, marcou no Jamor, resolveu no dilúvio de Coimbra e foi essencial para qualquer treinador que tenha passado no FC Porto desde 2009, exceção agora a Nuno Espírito Santo. Para quem não se recorda, foi um jogador contratado a custo zero, depois de uma época no Estrela da Amadora e dispensado pelo Sporting.  Fez 236 jogos, marcou 50 golos, fez 38 assistências, ganhou 11 títulos. Foi uma excelente contratação do FC Porto, que só pecou pelo momento tardio da saída. Maiores felicidades para o último jogador campeão pelo FC Porto a deixar o plantel. Faz parte da história do FC Porto e será recordado como tal. 

Sobra Adrián López, novamente de regresso ao Villarreal. NES tentou uma espécie de reabilitação logo em agosto (de certeza que Jorge Mendes agradeceu, pois revelou-se incapaz de encontrar uma solução para Adrián, e parece cada vez mais limitado aos milhões da treta no raide Rio Ave-Benfica-Atlético-Valência-Mónaco-Wolves), quando não tinha muito mais por onde escolher e não havia reforços à vista, mas infelizmente não correu bem. Há uma barreira, sobretudo psicológica, que impede Adrián de vingar no FC Porto. Não resta muito mais do que desejar o mesmo que na época passada: que se valorize em Espanha e seja possível o FC Porto fazer um encaixe com uma transferência, embora sejam poucas as vezes em que o FC Porto consegue de facto fazer bom dinheiro com excedentários.

Quanto a entradas, temos então Soares. Não será de estranhar se NES o utilizar já contra o Sporting, para tentar ganhar o jogador. Se Soares tiver a felicidade de contribuir ativamente para uma vitória no clássico, ganha desde logo um crédito enorme sobre a sua contratação. A sua contratação sugere que NES vai continuar no esquema de 2 avançados até ao final da época, restando saber qual a composição do meio-campo. Se o FC Porto não contratou nenhum médio e dispensou 2, não faz sentido ser agora que passe a jogar com 4, como contra o Estoril. Com Brahimi e Otávio de regresso, NES já tem todas as condições para formar um 11 muito forte, ainda que o plantel não tenha a profundidade e alternativas idealizadas. Mas sem lesões e castigos até ao final da época, e sem um calendário particularmente sobrecarregado, o FC Porto tem pelo menos uma base de 13 ou 14 jogadores que tem que jogar para ganhar em qualquer estádio em Portugal. 

Há que assinalar também a reintegração de Kelvin, mas não será surpresa nenhuma se NES nunca o considerar como opção. O minuto 92 aconteceu há quase 4 anos. Kelvin não evoluiu nada desde então e para as alas parte como última opção. E se por acaso faltarem extremos, o mais provável é NES fazer o mesmo que fez contra o Estoril: preferir abdicar de extremos e reforçar o meio-campo. Dificilmente será opção para o que resta da época, nem com NES nem com qualquer outro treinador no FC Porto. 

O FC Porto chega ao início de fevereiro com menos soluções, mas não com um plantel mais fraco. Não saiu nenhum titular, e ao contrário do que aconteceu no início da época, em que nem era claro se NES podia utilizar Brahimi, desta vez já não há a ameaça de uma saída antes do fim da época. E com isto conclui-se: neste momento, o FC Porto está com melhores condições para lutar pelo título. 


O FC Porto chega ao início de fevereiro novamente com uma das melhores defesas da Europa. Marcano e Felipe tornaram-se, com todo o mérito, uma dupla de centrais que dá todas as garantias. André Silva já deixou para trás todas as suspeitas (se é que elas ainda existiam) sobre se seria capaz de se assumir como o goleador da equipa. Brahimi está totalmente reabilitado. Danilo é neste momento um dos melhores trincos da Europa. Ou seja, em todos os setores temos elementos fulcrais que estão num excelente momento de forma. Mas não é tempo para continuar num limbo tático, com um sistema híbrido que acaba por não funcionar em parte alguma. NES não pode inventar no que resta da época. Já sabe que não vai perder ninguém, já sabe que tem jogadores dos quais não pode prescindir. Já não restam mais desculpas para errar, inventar ou ter mentalidade pequenina - livrem-se de, no caso de fazerem o 1x0 frente ao Sporting, fazerem o mesmo que fizeram contra o Benfica. 

O mais difícil foi conseguido: o FC Porto volta a depender de si próprio. Começámos janeiro a 4 pontos do Benfica. Neste momento, estamos a um. Mais: aos 78 minutos do Estoril x FC Porto, muitos já temiam ficar a 6 pontos do Benfica. As coisas mudam muito rapidamente. Tal como podem mudar nas próximas duas jornadas: os jogos contra Sporting e Guimarães vão ser extremamente difíceis.

Neste momento, não temos que olhar para o Benfica: só temos que pensar em chegar ao fim da 21ª jornada com 50 pontos. O rival vive um período de enorme instabilidade. Repare-se que o Benfica não conseguiu ganhar um único jogo em que tenha sofrido o primeiro golo da partida. Nem um. Quando sofre primeiro, o Benfica é incapaz de dar a volta ao jogo. É uma equipa que se enerva com muita facilidade. 

Além disso, o Benfica não conseguiu resistir ao mês de janeiro sem vender um titular. E pior do que isso: Luís Filipe Vieira teve que andar pela China e por Inglaterra a fazer leilão, a ver se pegavam em algum. Ao contrário de NES, Rui Vitória perdeu um jogador importantíssimo. E qualquer balneário fica desestabilizado ao perceber que vai haver alguém a ter que sair, quer queira quer não, porque o clube precisa de vender. Não é por acaso que o Benfica piorou precisamente no momento crucial do mercado de transferências. E agora já sente o bafo do FC Porto na nuca, e sabem que ao mínimo deslize podem perder a liderança.

Do lado do FC Porto, o momento é de concentração e responsabilidade. Basta perder com o Sporting e tudo entra novamente num estado depressivo. Para o Sporting, esta vai ser a sua derradeira palavra na luta pelo título: se perdem, adeus. É uma oportunidade tão grande para o FC Porto como para o Sporting. E só um pode estar satisfeito no final. 

A grande força do FC Porto 2016-17 está no balneário, no grupo de jogadores. É o espírito de união e crer que se formou no grupo de trabalho que nos permite estar, neste momento, numa posição que deixa o FC Porto com condições na luta pelo título, algo que é assinalável depois de toda a preparação e gestão da pré-época. São os jogadores, mais do que nunca, que fazem os adeptos acreditar. Faltam 15 finais até ao final da época, e este grupo de jogadores merece o apoio dos adeptos até ao final. Sábado será um bom dia para mostrar isso mesmo. Alguém vai sair do Dragão de rastos. Que seja quem já lá ajoelhou. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Análise 2015-16: os médios

Dizem, e bem, que o meio-campo é o coração da equipa e que sem ele nada funciona. Nos últimos três anos, que coincidem com a ausência de títulos, tem sido difícil para o FC Porto manter o setor estável. Na pré-época de 2013-14, só transitaram Lucho, Fernando e Defour da temporada anterior. Em 2014-15, só Herrera e Quintero já estavam no plantel. E no arranque para 2015-16, só Rúben Neves, Herrera e Evandro repetiram a presença no plantel principal.

Manter um meio-campo estável é essencial. Basta reparar no último tricampeonato: Fernando e João Moutinho estiveram sempre lá. Lucho entrou em 2011-12, quando saiu Guarín, e Defour ia surgindo como alternativa recorrente. 

No tetracampeonato, entre 2005 e 2009, Lucho González e Raúl Meireles estiveram sempre no plantel. Quando Paulo Assunção saiu na 3ª época, Fernando estava pronto para assumir. Havia uma base sólida no meio-campo.

Nos últimos três anos isso não existiu. Herrera foi o único denominador comum no meio-campo nas últimas três épocas. Experimentámos três/quatro médios-defensivos (Fernando, Casemiro, Rúben Neves, Danilo). Quintero, Rúben Neves e Evandro foram, além de Herrera, os únicos a fazer mais do que uma pré-época, mas nenhum deles foi verdadeiramente um titular indiscutível. Houve jogadores que só tiveram gás para algum tempo (Josué, Carlos Eduardo ou André André), outros que estavam de passagem (Óliver), outros que nunca chegaram a engatar (Defour e Imbula), outros que, por diversas razões, pouco ou nada acrescentaram (Campaña ou Bueno). 

Daí que o ideal seria mexer o menos possível no meio-campo para a próxima época. Conseguir finalmente alguma estabilidade no setor. Mas olhando ao plantel e ao mercado, já é possível prever que será difícil. Uns vão sair, outros vão entrar. Para já, manter Danilo Pereira e Rúben Neves seria essencial, pois o resto é um grande ponto de interrogação. 

Contrato até 2019
Danilo Pereira - No dia da sua contratação, O Tribunal do Dragão considerou que Danilo era a melhor contratação da época. Não era difícil prevê-lo: bastava olhar para a autoridade como que agarrava o meio-campo do Marítimo pelo pescoço. Danilo tem tudo o que um médio defensivo deve ter: capacidade física, bom jogo aéreo (fez 6 golos na sua primeira época de FC Porto, tantos quanto Fernando em toda a sua carreira no clube), sabe sair a jogar (87% de eficácia), agressivo mas limpo no desarme (um cartão a cada 350 minutos), capacidade para ganhar metros no terreno enquanto mantém a retaguarda segura. É um médio-defensivo completo, com tudo o que é preciso ter. Além disso, não só é um excelente profissional como é um potencial líder de balneário, que pode e deve integrar a lista de capitães para 2016-17. A SAD comprou 80% do passe por 2,8M€ (de lamentar que 20% tenham ficado em Portimão, pois este valeria cada cêntimo) e Danilo pode ser um dos destaques do Euro 2016. Com a capacidade física e técnica que tem, pode jogar em qualquer campeonato. Que tudo seja feito para que seja na Liga NOS em 2016-17.

Contrato até 2019
Rúben Neves - Época difícil para o menino prodígio do meio-campo, sobretudo mediante a troca de treinadores. Começou com uma utilização algo intermitente no início da época. Danilo Pereira agarrou cedo o lugar mais recuado do meio-campo, enquanto em 2014-15 Rúben Neves foi dono da posição enquanto Casemiro fazia os adeptos arrancarem cabelos. Começou a coexistir com Danilo, jogando um pouco mais adiantado no meio-campo, mas com a troca de treinadores teve que readaptar o seu jogo. Com Lopetegui, num futebol de posse e circulação, Rúben Neves era peixe na água. Com Peseiro, pedia-se mais verticalidade aos médios, um estilo ao qual Rúben não estava habituado. Nunca é de mais esquecer que tem 19 anos e só agora terminou o seu percurso enquanto júnior. No último ano, ganhou dimensão física e começou a arriscar mais vezes o remate. Há ainda aspetos a evoluir, como o jogo aéreo e a marcação, mas continua a ser um talento muito acima da média, por onde passa o futuro do FC Porto. Logicamente, para manter, para bem do presente e do futuro.

Contrato até 2019
Sérgio Oliveira - Não era opção para Lopetegui, mas em março Peseiro deu-lhe a titularidade e Sérgio Oliveira manteve o lugar até ao final. Alguns bons jogos, outros em que passava ao lado do jogo, sem intensidade suficiente para o meio-campo. Destaca-se pela meia distância (dois bons golos), mas esconde-se demasiado do jogo quando não tem a bola nos pés, além de ter que melhorar muito na reação à perda. A sua continuidade ou não no plantel deve seguir o aval de Nuno Espírito Santo. Se for primeira escolha para 2016-17 será uma surpresa - esperemos que boa. 


Contrato até 2018
Evandro - Perto de completar 30 anos, é possível que Evandro tenha feito a última época no FC Porto. Deixa claramente a impressão de que foi subaproveitado esta época. Evandro é um médio completo, capaz de ser integrado em qualquer momento do jogo. Mas ora por decisão de Lopetegui ou Peseiro, ora por problemas físicos, ora porque havia outras prioridades e só podiam jogar 11, Evandro acabou por ter um papel demasiado secundário. A sua experiência poderia ser importante no plantel, mas sendo titular e tendo quase 30 anos é difícil ter planos de longo prazo para Evandro. 


Contrato até 2019
Héctor Herrera - Até dezembro esteve em má forma, mas a partir daí conseguiu finalmente acordar e foi, a par de Danilo Pereira, o melhor jogador da segunda volta do campeonato. Curiosamente, esteve melhor com José Peseiro do que Lopetegui. Com Lopetegui, Herrera era mais influente nas ações defensivas. Recuperava mais bolas, fazia mais desarmes. Com Peseiro, Herrera começou a jogar mais à frente e destacou-se no ataque: rematava mais, fintava mais, criava mais situações de golo. Isto mantendo sempre a eficácia de passe de 85% (infelizmente, muitos adeptos memorizam mais facilmente um passe errado de Herrera do que seis de outro jogador). Herrera continua a ter as virtudes e defeitos de sempre: não se cansa de correr, pressionar, transporta bem o jogo, dá sempre apoio aos corredores, aparece bem entre linhas e é um médio que tem golo (nove na última época). Por outro lado, é sabido que erra muitas vezes no momento de soltar a bola e no passe de primeira. Isto porque Herrera é um médio de transição, não de posse/circulação. Curiosamente, agora que chega um treinador que joga(va) mais em transição rápida (Nuno), é que Herrera está mais próximo da saída. É um dos mais valiosos do plantel, já fez 3 épocas e o FC Porto precisa de vender. Não surpreende que, mediante uma boa proposta, possa sair. No último verão, o FC Porto atribuiu uma procuração para o vender por 30M€. Provavelmente nenhum clube chegará a esse valor, mas Herrera é jogador para gerar uma mais-valia acima de 18M€. Caso a decidir antes da pré-época. 

Contrato até 2019
André André - O grande arranque de época, em que fez 2/3 meses de alta rotação, só levantava uma questão: conseguiria André André manter o excelente momento de forma durante a maior parte da época? Infelizmente, não. A quebra começou por problemas físicos e André André não conseguiu igualar o nível que exibiu na primeira metade da época. Será difícil ser um titular indiscutível, mas a sua valia e utilidade no plantel são claras. Justifica plenamente a continuidade, e oxalá estas semanas sirvam para recuperar em plenitude de todos os problemas físicos. É essencial apresentar-se bem no arranque da próxima época.


Contrato até 2020
Alberto Bueno - Considerado como médio, pois Bueno só teria espaço no FC Porto como 3º médio, não como avançado num 4x3x3. Os adeptos habituaram-se a vê-lo no boletim clínico. Dois meses para recuperar de uma «contusão num pé», semanas de tratamento... E na última vez em que jogou no campeonato, ainda levou, indiretamente, com um coro de assobios antes da sua entrada em campo. Lamentável. Jogador muito mal aproveitado na sua primeira época. Lopetegui geriu mal a sua situação logo nas primeiras semanas, quando havia claramente um défice de criatividade no meio-campo, mas ainda assim Lopetegui hesitava em colocá-lo atrás de Aboubakar. Depois, entre problemas físicos e falta de ritmo de jogo, acabou por nunca ser opção. Há uma decisão para tomar: ou fica para jogar, ou sai. Bueno é demasiado caro para ser suplente. Nuno terá que decidir prontamente se as suas caraterísticas encaixam ou não nos seus planos, caso contrário Bueno é um jogador que não deixará de ter algum mercado. 

Os jogadores que estiveram cedidos a outros clubes serão analisados no post destinado aos emprestados.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios 2015-16? Que médios justificam a titularidade para 2016-17?

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Análise 2014-15: os médios

(Em)préstimos de grande valia
Em relação à última época, Herrera e Quintero foram os únicos médios que se mantiveram no plantel. Para uma equipa que sofre tão profundas alterações no coração da equipa, é necessário tempo. Tempo para os novos jogadores se adaptarem, para conhecerem mutuamente as respetivas caraterísticas, para assimilarem o modelo de jogo. Manteve-se o que vem sendo tradicional: o FC Porto tem sempre a equipa com maior percentagem de posse de bola e maior acerto no passe (média de top5 na Liga dos Campeões), mas todos repararam que, a nível interno, faltou alguma verticalidade. Por outras palavras, fazer em 12 passes ou 15 segundos o que muitas vezes fazemos em 25 passes ou 40 segundos. 

Somos uma equipa de ataque planeado, de posse, há vários anos. Vamos continuar a ser. Mas há que ter a capacidade e compreensão de que muitas vezes, no campeonato português, será necessário um pouco mais de pulmão e velocidade e um pouco menos de cabeça e calma. Lopetegui, ao ficar no FC Porto, tem que ter aprendido isto. Destacar o 3º médio para um papel mais criativo e desequilibrador e evitar que o 2º médio tenha que baixar para a primeira linha de construção são alguns dos pontos a rever. Mas como este setor ainda vai sofrer várias alterações, para já avaliemos o que foi 2014-15.

Rúben Neves - A grande vitória de Lopetegui. Fazer de um juvenil titular na equipa A do FC Porto mostra que em termos de aproveitamento de talentos nos sub-19 e na equipa B há muita gente a dormir (até Paulo Fonseca já tinha chamado Rúben Neves a treinar com a equipa A - coisa que ninguém nos juniores ou na B foi capaz de fazer). É presente e futuro para o FC Porto. Deverá renovar em breve, pois até completar os 18 anos não podia assinar um contrato de longa duração. Temos em mãos um dos jogadores mais promissores à escala mundial. E portista dos pés à cabeça. Pés com muito talento, cabeça com muito juízo, e coração com grande dedicação. Um digno Dragão de Ouro para esta época.

Casemiro - Foi do 8 ao 80. Começou a época com exibições penosas, mas continuou a merecer a confiança de Lopetegui e sempre teve boa imprensa, não só por cá como em Espanha. Chegava a ser desesperante vê-lo a falhar o mais simples dos passes. Na segunda metade da época, tornou-se simplesmente imprescindível. Qualidade, profissionalismo e dedicação em doses certas. Ajudou a fazer uma boa campanha na Champions, valorizou-se e ainda permitiu ao FC Porto fazer um grande encaixe financeiro, num negócio que motiva todos os elogios à SAD. Afinal, também é possível tirar proveitos financeiros, e não apenas desportivos, com jogadores emprestados. Não deve haver muitos exemplos de um clube que lucrou mais de 6M€ com um jogador que esteve emprestado. 

Evandro - Chega com um ano de atraso, pois Paulo Fonseca já o tinha pedido (e que jeito teria dado enquanto ninguém se entendia entre Defour, Herrera e Carlos Eduardo há um ano). Investimento significativo para a idade (afinal vai fazer já 29 anos), mas que valeu a pena. Comparação claramente ousada, mas a fazer lembrar o papel de Alenichev, o de um 12º jogador de luxo. É preciso velocidade? Mete o Evandro. É preciso manter a bola? Mete o Evandro. É preciso reorganizar a equipa? Mete o Evandro. Médio completo e apto para todas as funções. Justifica a continuidade no plantel. 

Campaña - Não era primeira, nem segunda, nem terceira escolhas. Lopetegui quis Clasie, quis Ñíguez, quis Darder, e não foi possível chegar a nenhum. Em cima do gongo apareceu Campaña, por empréstimo. Quando o vimos em campo, raramente desgostámos. Aquele olhar de serial killer mete qualquer adversário em sentido. Tem escola, sabe tratar a bola, é agressivo, mas não conseguiu ter grande relevância e espaço no plantel. Resta saber se por culpa da concorrência, se por insatisfação de Lopetegui ou também por culpa do jogador. Negociar a compra só faz sentido se for para ter um papel mais ativo na próxima época. Para só fazer 2 jogos no campeonato, não vale a pena.

Herrera - Casemiro foi do 8 ou 80 a meio da época. Herrera vai do 8 ao 80 de um jogo para o outro, mas ao longo da época foram bem mais os 80s do que o resto. Melhorou muito na precisão do passe, embora continue a nem sempre tomar as melhores decisões (momento de soltar a bola, passe de primeira), mas é sempre o jogador que mais corre, deixa sempre tudo em campo, fez alguns golos importantes e valorizou-se para um patamar acima do que o que o FC Porto investiu nele. Tem mais dois anos de contrato, o que para um jogador caro leva a que a sua situação seja revista. Serve de garantia num empréstimo com a célebre e quase obscura (na medida em que pouco se conhece) For Cool Co Ltd (envolvida em negócios com Walter e Hulk, mas de quem quase nada se sabe publicamente), com um método de reembolso que não é esclarecido pela SAD. Significa que interessará manter Herrera com uma valorização alta, com vista a uma transferência, nunca abaixo dos 20M€. Ficando no plantel, é natural que se mantenha como primeira escolha para o meio-campo. 

Óliver - O menino que ninguém queria e que agora todos querem de volta. Como Deco, não corre, desliza pelo campo. Foi a sua primeira época como titular numa grande equipa, e o início não podia ter sido mais promissor. O regresso ao FC Porto será sempre uma porta entreaberta, que dependerá da avaliação que Simeone fizer dele. Ter um jogador assim melhora qualquer equipa, e em 2015-16 fá-lo-ia muito mais. Óliver Torres mostrou, também, que nem só 10 anos de casa fazem um jogador à Porto: às vezes a mística já nasce com eles. Só precisa do sítio certa para se revelar. Serás sempre um dos nossos, Óliver.

Quintero - O caso mais discutido ao longo da época. Quando a bola lhe chega ao pé, ganha olhos e constroem-se mil possibilidades. Fora disso, Quintero ao fim de 30 minutos já está rebentado, é lento e não sabe jogar sem bola. Num 4x3x3, não há médio assim que se safe num clube de topo. Ao fim de 2 anos, pouco ou nada evoluiu. E a SAD assumiu o investimento de mais 4,5M€ no seu passe, mesmo sem que Quintero fosse um indiscutível para Lopetegui. O natural seria Quintero entrar na próxima época como titular, mas pouco fez para justificar isso. Ter talento não chega e Quintero tem sido a maior prova disso. Ou se assume como opção para 2015-16 (e isso depende mais do próprio Quintero do que de Lopetegui) ou é tempo de recuperar o investimento.

Os bês - É difícil avaliar em pleno o rendimento de uma equipa B quando não há treinador que a saiba potenciar/fazer evoluir. A insistência de Luís Castro em formar um trio de meio-campo com 3 jogadores de características mais defensivas em simultâneo prejudicou equipa e jogadores.  Mas tentemos. Mikel não jogou esta época, por lesão, mas muito dificilmente entraria nas opções de Lopetegui, pelo que um empréstimo a um clube de primeira liga é o ideal. Chico Ramos, já com contrato renovado, faz uma boa época, tornando-se já um indiscutível na B no seu primeiro ano de sénior. Tomás Podstawski, melhor a 6 do que a central, também tem um bom primeiro ano de sénior. Para segurar, obviamente. João Graça demorou a entrar na equipa e teve pouco espaço, mas mais por culpa do meio-campo altamente conservador de Luís Castro do que por falta de talento. O mesmo podemos dizer de Pité, a um nível baixo face ao que prometia no Beira-Mar, mas também algo lento e ainda com pouca intensidade (precisa de mais tempo de jogo). Já Pavlovski tornou-se um mistério: todos sabem que é bom jogador, mas Luís Castro raramente lhe deu continuidade. O FC Porto deveria comprá-lo, mas sem loucuras à Kayembé. E há ainda Leandro Silva, que foi subindo na formação como uma espécie de 12º jogador, mas já tem longo percurso nas seleções e assumiu-se como o patrão do meio-campo. O ideal seria rodar numa primeira liga, sobretudo aproveitando a projeção que teve em Inglaterra.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios da época? Que futuro para Campaña e Quintero? Herrera deve continuar ou ser negociado - por que preço? Qual seria o trio ideal para 2015-16 (com potencial contratação à mistura)?

domingo, 19 de abril de 2015

À espera que o risco compense

Hernâni decisivo
Vamos à faca de dois legumes do Pacheco. Colocar em campo um 11 declaradamente constituído por suplentes (neste caso que não jogarão na terça-feira) tem sempre um duplo efeito. Como vantagem, a oportunidade de quem joga aproveitar para mostrar serviço e dizer presente aos titulares, mostrando ao treinador que podem contar com ele. Por outro lado, joga um 11 com poucas rotinas, entrosamento, neste caso com uma nova dinâmica, em que os jogadores nem sempre conseguem mostrar o seu melhor nestas circunstâncias.

Mas os adeptos, mesmo que não o saibam, não têm nem nunca tiveram nada contra a rotatividade. O problema não é a rotatividade, são os possíveis maus resultados. E é verdade que uma equipa com menor estabilidade é mais susceptível a falhar em momentos cruciais.

Lopetegui disse claramente «estamos a pensar no Bayern e no Benfica». Foi essa a mensagem ao plantel, aos adeptos, aos adversários. Foi um risco de Lopetegui, embora o 11 em campo tivesse mais do que obrigação que ganhar um jogo em casa à Académica. E esse objectivo foi conseguido e era possível ter obtido um resultado mais volumoso, embora a equipa tivesse tremido como poucas vezes acontece no Dragão: deixámos a Académica atacar 16 vezes, rematar 8, ter 2 grandes ocasiões de golo. Mas o teste no final foi superado, é a 12ª vitória consecutiva no Dragão, com apenas 3 golos sofridos, e o plantel está preparado para a difícil semana que aí vem. A antevisão aos 2 jogos será feita a seu tempo.





Hernâni (+) - Muitas vezes a sua cabeça imagina coisas que os pés não conseguem fazer, o que o leva a perder lances que precisa de aprender a encarar com objectividade e simplicidade, e tem que aprender a jogar em zonas mais interiores. Mas a sua velocidade, capacidade de jogar em profundidade e a forma como disputa as bolas divididas (dois lances em que vai ao chão, levanta-se, ganha ao defesa e faz a assistência) são mais-valias. Num daqueles dias em que o guarda-redes, por mais limitado que seja, parece decidido em brilhar contra um grande (até Hernâni só marcou na recarga), foi decisivo.

Rúben e Evandro (+) - Elegância, precisão, dinâmica. Em dose de dupla. Nenhum deles tem a dimensão física de Casemiro, a verticalidade de Herrera e o virtuosismo de Óliver, o que explica que este trio seja o preferido de Lopetegui. Mas nenhum deves fica a dever muito quando é chamado. Nem melhor nem pior, diferentes. Rúben Neves tem a mais invulgar precisão e variação de passe que podemos conhecer num rapaz de 18 anos. E Evandro, inteligentíssimo, segura a bola como poucos, distribui com critério e dá sempre a dinâmica certa à equipa. Estiveram ontem no Dragão, podiam estar terça-feira em Munique.





Quintero (-) - O FC Porto ainda não sabe o que fazer ao seu talento. Mas o pior que tudo, Quintero também não. Surge a jogar a partir da linha, onde não tem a capacidade de explosão para criar desequilíbrios e mais facilmente se esconde do jogo. Quando a bola chega aos seus pés, é capaz do melhor passe. Mas o problema é a incapacidade de Quintero em descobrir a bola. A jogar nesta função, dificilmente se afirmará. Mas o problema é que ao fim de 30 minutos já está ofegante e não tem a capacidade física, a todos os níveis, para ser o terceiro médio de um 4x3x3. Não há nenhum adepto que não conheça o seu talento. Mas também já não deve haver nenhum que não tema por ver tanto potencial em corda bamba. Urge resolver no fim da época o que fazer a/com Quintero.

Desacerto a rever (-) - Aboubakar em novas funções. Foi sempre o apoio para um ataque que não tinha referência (faria mais sentido num 4x4x2), com interessantes movimentações fora da grande área e a abertura que deu o 1x0. Mas na hora de finalizar, foi demasiado perdulário. Neste caso não era preciso ser Jackson, era preciso ser eficaz (algo que nem Jackson o foi). Ricardo e Reyes, num jogo em que não devia ser necessário fazer muito defensivamente, cometeram lapsos que diante de um Bayern custarão caro. Porque uma coisa é apanhar Rafael Lopes e o grande portista Ivanildo, outra é levar com Lewandowski ou Müller em cima. E a equipa, colectivamente, apesar de ter criado cerca de 10 situações de finalização, deixou a Académica ameaçar muito com pouco. Um risco inerente ao risco de Lopetegui assumiu.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A semente, os frutos e a colheita

Alegria, orgulho e gozo. Muito gozo. Dá gozo ver este FC Porto crescer. Há não mais que um ano víamos o FC Porto atravessar a sua pior época desportiva em muitos anos. Caótico, de rastos, com pouco ou nada que se relacionasse com os pergaminhos do clube.

Hoje vimos um FC Porto que faz 10 jogos consecutivos na Liga dos Campeões invicto. Um FC Porto que goleia e dá espectáculo, que satisfaz os adeptos e impressiona por essa Europa fora. Um FC Porto que tem vários jogadores de classe mundial e cobiçados a essa escala. Um FC Porto que fez da qualidade e da garra amigas íntimas.

10 jogos, 0 derrotas
Dá gozo. Dá gosto ver o crescimento do FC Porto de Lopetegui que muitos, inclusive portistas, condenavam ao insucesso. Ainda não ganhámos nada, não. Superámos as expectativas financeiras e desportivas na Champions, mas ainda não ganhámos nada e ninguém se dá por satisfeito.

Há quem julgue que ter «cultura de exigência» é o mesmo que ter que vencer obrigatoriamente todas as épocas. Essa é uma realidade à parte à qual ninguém corresponde mais do que o FC Porto. Cultura de exigência não significa obrigatoriadade de vencer. Significa a obrigatoriedade de lutar por todas as vitórias e de crescer e evoluir no sentido de chegar a essas vitórias. E agora temos garantias nesse sentido.

O FC Porto está entre as 8 melhores equipas da Europa. Não vale a pena dizer muito mais sobre a Champions. Quando o adversário for sorteado, certamente que a equipa técnica de Lopetegui vai estudar a melhor solução para o FC Porto potenciar as suas qualidades e inibir as do rival. Em relação ao campeonato, está difícil. Vamos lutar pelos 30 pontos que restam sem as garantias de que seja suficiente. Mas com ou sem título, o FC Porto tem a melhor defesa europeia, pratica um futebol ao alcance de poucos, desenvolveu um punhado de jogadores para a nata financeira do futebol europeu e volta a afirmar-se como grande clube europeu.

Conseguir tudo isto numa época com nova equipa técnica, novo plantel e logo após uma das piores épocas das últimas décadas... É de facto necessária uma «cultura de exigência» especial para não se perceber a importância e a magnitude do que o FC Porto de Lopetegui está a construir.

Este apuramento é fruto do que foi plantado no início da época. E a colheita não se vai limitar à época 2014-15.





O futebol de Lopetegui (+) - Lembram-se do FC Porto que mastigava o jogo em trocas entre os centrais e Casemiro e que dependia da profundidade dos corredores? A evolução desta equipa em todos os seus processos é notória. Fortíssimos na transição defensiva, organizados e objectivos na construção, quase perfeitos na pressão e na recuperação (quase sem fazer faltas!). Quando um grande clube espanhol precisar de um treinador, de certeza que o nome de Lopetegui não vai faltar na imprensa espanhola.
Futebol de equipa grande

Defesa (+) - O próximo a dizer que o Martins Indi tem que jogar merece levar com um balázio do Casemiro no nariz. A dupla Maicon-Marcano merece crédito absoluto. Há não muito tempo opinava-se que o FC Porto precisava de um grande central para fazer dupla com Indi. E de repente, zás, temos uma grande dupla. Martins Indi é um enorme central (e vai ter que jogar nos 1/4), mas quando temos uma dupla de centrais a render a este nível não há discussão possível. Alex Sandro está em grande forma e vem de uma sequência de enormes exibições. Hoje foi competentíssimo na direita. Indi também mostrou que é alternativa caso acontecessa alguma coisa a Alex Sandro na Europa. 

Casemiro (+) - Comparar o jogo do Casemiro em Basel com o jogo no Dragão é comparar realidades paralelas. Tem sido dos jogadores mais elogiados aqui nas últimas semanas e volta a merecer total destaque. Não é forte no início de construção, mas tendo o apoio de Evandro ou Herrera fica tudo mais simples. Defensivamente está um muro, é fortíssimo no desarme (faz cada vez menos falta e melhorou imenso no timing das entradas), dá dimensão física ao meio-campo do FC Porto e até teve o seu momento Hugo Almeida na Champions. Isto não é um bom momento. É evolução.

Controlo e equilíbrio
Herrera e Evandro (+) - Óliver estava no banco. Óliver estava no banco. Óliver estava no banco. É preciso repetir, porque a forma como Evandro e Herrera jogaram e se completaram hoje fez parecer que tínhamos dois Ólivers em campo. Herrera volta a aparecer num nível muito superior. Forte no transporte, no apoio a Casemiro e aos extremos, na ocupação dos espaços e na pressão. E depois há Evandro, um equilibrador perfeito, forte nas transições (por incrível que pareça, sobretudo na defensiva), oferece sempre soluções e linhas de passe, também pressiona e recupera bem. Como é que só aos 28 anos chegou à Champions? Já agora: com Evandro em campo, o FC Porto nunca perdeu. Acreditem em coincidências.

Brahimi (+) - Bons olhos te vejam, Yacine! Já sentíamos saudades daquela rotação, da maneira como desafia o seu centro de gravidade e torce os rins aos adversários, daquele serpentear estonteante. Em época de estreia na Champions, são já 5 golos e 3 assistências. É provavelmente o extremo mais produtivo da história do FC Porto numa só UCL.

5 golos, 3 assistências
Evolução à frente (+) - Tello, mesmo não tendo marcado hoje, faz sobretudo duas coisas que me deixam satisfeito. A primeira é logo no primeiro minuto fazer um sprint de 30 metros para ir tentar ganhar uma bola. A segunda é já nos descontos fazer um sprint de 30 metros para tentar ganhar uma bola. É isto que faltava ao futebol de Tello, o inconformismo, a capacidade de pressionar, usar a velocidade nos momentos defensivos e de pressão. O resto vem por acréscimo. E como foi bom ver Aboubakar. Aboubakar, quando chega ao FC Porto, é um jogador que encosta no último central e fica sempre de pé à frente, à espera de poder correr e jogar direto para a baliza. Hoje o que vimos foi Aboubakar durante 90 minutos a tentar fazer o papel de Jackson, a ir receber a bola nos lançamentos laterais e a jogar de costas para a baliza. Lopetegui está a fazer um excelente trabalho com ele (e Gonçalo vai pelo mesmo caminho). E no meio de tudo isto, ainda faz um golo Àbombakar. Não olha para o lado, não levanta a cabeça. Aquele momento era dele, e merecia-o. Três golos na Champions para um avançado suplente não está nada mal.





Quem se esqueceu de falar? (-) - Quando goleamos por 4x0 na Champions e reduzimos o adversário a pó não é possível apontar grande coisa. Mas porque é a saúde de um dos nossos que estava em causa, é preciso ser rigoroso na avaliação do lance: a pancada de Fabiano a Danilo nasce de uma falha de comunicação na defesa. Pior que custar um golo, é custar a saúde de um dos nossos. Felizmente Danilo está bem, mas isto começa numa falha de comunicação que não pode acontecer na Champions, nem no campeonato, nem sequer num treino.

E agora já todos queremos que chegue rapidamente ao dia 15, para vermos novamente o FC Porto de Lopetegui. É esta ânsia de querer que o próximo jogo chegue rapidamente que nos dá as certezas de que estamos no caminho certo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Tello e outro «calcanhar vagabundo»

Uma noite que a equipa e Lopetegui mereciam e precisavam. O Sporting, parecendo que não, era a equipa com menos derrotas no Campeonato. Não perdeu nenhum dos clássicos anteriores. Hoje foi reduzido a pó, não criou uma única ocasião de perigo e o 3x0 acabou por ser um resultado simpático para o rival. O Sporting nunca foi candidato ao título, mas pode sempre baralhar estas contas, tanto que até aqui tinha tirado pontos em todos os jogos com os rivais. Hoje era essencial vencer, para continuar na luta, mas de pouco valerá se não ganharmos em Braga já na sexta-feira. Cada jornada é uma final e há mais 11 para disputar. 

Red3nção
Planeamento perfeito de Lopetegui (no pós-jogo é sempre engraçado ver o drama que é saber que vai jogar Marcano em vez de Indi, Casemiro em vez de Rúben Neves ou Tello em vez de Quaresma - mas só um tem que tomar decisões e viver com as consequências, sejam boas ou más, e esse alguém é o treinador), atitude e empenho máximo dos jogadores, capacidade para corrigir os erros dentro do próprio jogo, evolução, espectáculo e Tello em dose tripla, como já não se via desde os tempos de António Oliveira. 

Em Braga haverá máxima dificuldade, pois estamos a falar de uma equipa que ganhou 2 vezes ao Benfica e que já só está a um ponto do 3º lugar, por isso também vai encarar o jogo como uma final, na medida em que vão lutar pela Champions. Tem o plantel praticamente na máxima força, pois de quatro titulares que tinha em risco para esta jornada não perdeu nenhum. Sorte diferente teve o Arouca, que ficou de uma só vez com 4 jogadores suspensos, todos por acumulação de cartões, para a recepção ao Benfica. Há sorte e há azar, já o dizia Lopetegui. Mas a pedido de alguns portistas, na próxima semana voltaremos com maior profundidade a esta questão.





Tello (+) - Incontornável. Três vezes perfeito na desmarcação, na frieza e na eficácia. Objectivo, rápido, dinâmico, com bom entendimento com Herrera e Danilo e com a vontade que não tínhamos visto muitas vezes. Os últimos 5 golos do FC Porto, que valeram 6 pontos que nos mantiveram na luta, passaram todos por ele. Quando se faz 3 golos num clássico, todo o louvor nunca é de mais. Este Tello, em Braga, na Luz e na Champions, será um ás de trunfo.
O único leão que rugiu

Óliver Evandro (+) - Colocar Brahimi no meio-campo, de início, era um suicídio e não havia a menor justificação para isso. O FC Porto precisava de disciplina, consistência, critério e capacidade de manter a bola no meio-campo, e ganha tudo isso com Evandro. Brahimi a 10 só contra autocarros ou em situações de emergência. Evandro é um médio completo, no verdadeiro sentido da palavra, que acrescenta na mesma medida visão de jogo e capacidade na transição defensiva. Sem Óliver, é o substituto ideal e liberta Herrera para aparecer no ataque. Evandro sabe jogar ao primeiro toque, Brahimi enrola-se demasiado à bola, o que é um risco para um médio na zona central.

Jackson (+) - O facto de Jackson jogar distante na grande área é, muitas vezes, um problema para o FC Porto. Isto porque Brahimi e Quaresma não são extremos que consigam ganhar a bola em velocidade nas costas da defesa. Quando Jackson baixa e tenta fazer o último passe, poucas vezes o FC Porto aproveita esses lances. A solução era Tello, que consegue ganhar esse espaço, mas não raras vezes definia mal. Hoje saiu tudo bem a Tello a finalizar, por isso Jackson conseguiu fazer duas excelentes assistências (aquele calcanhar é mágico) e tirar o melhor proveito possível do seu afastamento da grande área. Contra equipas que jogam com a linha defensiva subida, é algo que faz todo o sentido. Na maioria dos jogos da primeira liga, Jackson tem que estar mais próximo da grande área. Em Braga, na Luz ou na Champions, é uma fórmula para explorar.

Alguém viu Montero
e Slimani?
Muralha (+/-) - Desde que Martins Indi passou para o banco, Maicon e Marcano fizeram 5 jogos na primeira liga. E o FC Porto não sofreu nenhum golo. Para isso também muito contribuiu... Casemiro. Maicon e Marcano revelam grande entendimento, jogam bem com a linha defensiva subida e complementam-se nas dobras. Casemiro foi absolutamente essencial na segunda parte. É sofrível no início de construção e falha o mais simples dos passes, mas na marcação, na recuperação (é o jogador com mais recuperações de bola no campeonato), na agressividade que é necessária em jogos desta categoria e na dimensão física que Rúben Neves ainda não consegue dar foi essencial. Infelizmente, sobra um problema: Casemiro não funciona na saída de bola, Maicon só sabe recorrer ao pontapé longo e hoje Marcano, sobretudo nos primeiros 20/25 minutos, quando era pressionado cometia falhas. Não havendo Óliver para pegar no jogo mais atrás, há que melhorar o entendimento entre Evandro e Herrera nesta dinâmica, sobretudo porque contra equipas que jogam recuadas não podemos ter os 2 centrais e mais 2 médios recuados na saída de bola. Mas defensivamente, Casemiro tornou-se importante no FC Porto.

Outros destaques (+) - Tivemos o melhor Alex Sandro. Contra Nani ou Carrillo, esteve sempre impecável a defender e apoiou sempre bem o ataque, criando também desequilíbrios (mesmo tendo Brahimi apagado no flanco). Danilo com maiores preocupações defensivas, mas seguro. Herrera acompanhou o mau início da equipa, mas na segunda parte foi um monstro. Encheu o meio-campo e foi essencial para que o FC Porto fizesse 45 minutos de alta rotação e intensidade. E mais uma vez, a capacidade que o FC Porto de Lopetegui tem para recuperar a bola no momento de início de transição do adversário, criando desde logo um lance de perigo nos últimos 30 metros, é do melhor que vemos no futebol europeu. Jogão.





20/25 minutos (-) - Um pouco ao encontro da crítica que foi feita no início de construção. Casemiro é essencial defensivamente, mas na saída de bola, nos primeiros 20/25 minutos, o FC Porto chegou a ter momentos de amadorismo. Não havia soluções. O FC Porto tinha 3 jogadores para sair (Marcano, Maicon, Casemiro) e nenhum o conseguia fazer. Passes à queima para os laterais, dificuldades em fazer chegar a bola ao meio-campo e com isso Evandro e Herrera tinham que recuar, até ao momento em que o FC Porto jogava num espaço de 40/50 metros, e quando a bola chegava finalmente a um dos médios interiores já só havia Jackson para dar apoio na zona central; a alternativa era o balão à procura de Tello. A rever, pois nem sempre haverá um calcanhar mágico a desatar o que está a ser difícil. Uma nota para Brahimi, que mais uma vez tem que aprender a conjugar o seu virtuosismo com o sentido colectivo da equipa. Sobretudo quando as coisas individualmente não estão a correr bem.

Julgo que todos os portistas saem deliciados com este excelente triunfo. Mas como muita gente tem expectativas ainda mais altas, esperamos ter correspondido a todos os apelos.



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Evandro, Quintero, Quaresma e a prova dos 9 na Taça da Liga

Quintero em destaque
Pronunciar o nome «Taça da Liga» é quase tão eficiente como contar carneirinhos. Mas não restam dúvidas de que é uma prova que o FC Porto quer ganhar. Disse-o o representante da SAD no sorteio e dizem-lo as opções de Lopetegui (não necessariamente os 11 titulares, mas a forma como geriu os 2 primeiros jogos no que toca a substituições). Se é uma Taça para ganhar, espera-se então que se atinga um determinado nível exibicional. Um nível que hoje não foi atingido...

... e era difícil que fosse o contrário. Mudanças em todos os sectores, na dinâmica da equipa, nas funções de jogadores que já foram titulares mas em diferentes tarefas (Rúben, Campaña, Quintero, Ádrian)... Com tantas mudanças em tantos capítulos, era difícil esperar muito.

Dia de estreia para Ivo Rodrigues. Nervoso e condicionado fisicamente, pareceu. Não foi a estreia que idealizou mas as oportunidades voltarão a surgir se o nível na equipa B se mantiver elevado e a vaga no plantel principal surgir. Quanto a Gonçalo Paciência, claro que todos gostaríamos de ter visto um pouco dele, mas é de recordar que no Domingo fez 90 minutos de elevada exigência contra o Benfica B. Já teve um prémio importante pelo trabalho que está a desenvolver ao ser convocado. Já tinha acontecido com Ivo em Vila do Conde: convocatória e banco. Só depois veio a titularidade.

Saudar o regresso do capitão, Helton. Dificilmente voltará a ser o número 1, mas o papel de um capitão não se esgota dentro das 4 linhas. No que toca à Taça da Liga segue-se o Braga, onde será preciso mostrar bem mais do que hoje.





Evandro (+) - Sempre de cabeça levantada, tudo o que faz faz bem. Num meio-campo sem rotinas, teve sempre uma linha de passe para dar e soube conduzir o jogo. É um médio completo e um exímio marcador de penaltys, coisa tão rara por estas bandas. Quanto mais tempo de jogo tiver, maior qualidade terá para oferecer à equipa.

Quintero (+/-) - Juanfer, Juanfer... O golo e os pormenores de classe mostram (uma vez mais) que é um jogador de um talento enorme. E no meio de uma boa exibição, demonstra-se mais uma vez o porquê de não ser titular absoluto no FC Porto. A reacção à perda da bola é lenta (a principal diferença em relação a Oliver), não ganha um lance no corpo-a-corpo e quando a equipa não tem bola desaparece. Isto são lacunas que o Quintero tem que colmatar, mas que também têm que ser disfarçadas pelo colectivo.  Num 11 renovado e sem rotinas, era difícil ajudá-lo. Com a bola nos pés faz a diferença. Para ser titular indiscutível no FC Porto, também tem que saber jogar sem ela.

A rever (+/-) - Ricardo e José Ángel foram os jogadores que melhor replicaram as rotinas da equipa habitualmente titular. Sempre ofensivos, por vezes até em demasia e com muito espaço descoberto nas suas costas, que o U. Madeira lá aproveitou para fazer um golo (após uma perda de bola de Quaresma, antes da má reacção de Reyes, claramente a precisar de tempo de jogo e rotinas, aqui ou noutro clube). Pouco havia para fazer, mas o que havia Marcano fez bem. De Quaresma, fez um golo e ganhou um penalty, mas não consegue ultrapassar um jogador em velocidade. E está na fase da carreira em que já não é suposto fazê-lo. Quaresma não pode ser o jogador que rasga no FC Porto, porque já não tem velocidade para tal. Pode (e deve ser) o elemento que recebe, permite o movimento exterior do lateral, cruza e procura o jogo interior de forma mais simples. Não é por acaso que Jesualdo, um treinador que bem o conhece, disse que nesta fase da carreira tem que trocar de posição, como fez por exemplo Luís Figo. Campaña e Rúben mantiveram sempre o meio-campo equilibrado, mas num jogo destas características convém que alguém mais do que o terceiro médio (no caso Evandro) dê algo mais ao ataque.





Prova dos 9 (-) - Os jogos da Taça da Liga têm características próprias. Lopetegui roda a equipa e, com isso, roda também as rotinas de jogo. E hoje houve um grande problema. O FC Porto está habituado a um modelo onde Jackson tem um papel importantíssimo. E não é apenas por causa dos golos, mas pela sua movimentação: solta-se dos centrais para baixar, segura sempre a bola, ganha no ombro-a-ombro, consegue tocar e depois rodar para a grande área, onde é igualmente forte no jogo aéreo e a finalizar de primeira.

Um ponta-de-lança assim é raro (e curiosamente havia um protótipo de tal no banco). O que se viu hoje? Ádrian sem conseguir fazer o papel de Jackson. Nem era suposto, pois não tem características para isso. Uma, duas, três vezes em que Ádrian baixa para receber na zona central e perde a bola. Percebe-se que Lopetegui o teste na posição 9 enquanto Aboubakar está na CAN, e é de esperar que um jogador do estatuto de Ádrian cumpra minimamente bem o papel. Mas o jogador estava a começar a mostrar qualquer coisa a jogar a partir de um flanco e este jogo foi, digamos, um hiato na sua evolução. Adrian não pode jogar sozinho a 9. Ou joga a partir de um flanco ou como 2º avançado num 4x4x2.  Dado o contexto deste jogo, percebe-se a aposta na posição 9, mas não parece ser solução para quando for a doer.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os invictos da Invicta

8 jogos de Champions, 6 vitórias e 2 empates, contra este mesmo Shakhtar Donetsk, com um elenco brasileiro de luxo, com jogadores que o FC Porto queria para substituir Fernando e Hulk no banco (Fernando e Taison) e ainda sem o seu goleador, que em tempos o FC Porto também quis (Luiz Adriano). Uma equipa de grande qualidade, liderada por um treinador também muito apreciado pelos lados da Invicta (Lucescu), e que não conseguiu acabar com a invencibilidade do FC Porto.

À bomba(car)!
FC Porto é a única equipa da Europa que não perdeu no seu Campeonato (mesmo que não se possa comparar a Liga Portuguesa a Inglaterra, Espanha ou Alemanha) e na Liga dos Campeões. O apuramento para os 1/8 foi alcançado com grande categoria e o FC Porto continua a ser o representante por excelência de Portugal na elite europeia (14 pontos em 6 jogos, enquanto os rivais Benfica e Sporting fizeram 12 em 12).

Ser vencedor de um grupo sem derrotas
na Champions está ao alcance de poucos. Poder dar-se ao luxo de mudar praticamente toda a equipa (se Campaña e Ángel estivessem inscritos na UEFA provavelmente também iam a jogo) mostra bem o mérito que o FC Porto teve em chegar até aqui. 

O 11 foi exactamente o projectado aqui, sem surpresas. Muitas caras novas e como é claro uma equipa sem as rotinas dos habituais titulares. Não se podia esperar uma equipa a dar baile a um Shakhtar de qualidade, isso a nível de Champions não existe, sobretudo tratando-se de um 11 completamente renovado. Mas houve boas notícias, sobretudo Ricardo e Evandro, e a notícia que tornou a noite amarga, a lesão de Ruben Neves (ainda sem conhecer a gravidade, mas temendo-se uma paragem superior a 2 meses)

Uma nota: a falta que Herrera faz. Sem ele, o FC Porto não conseguia levar o jogo ao último terço (Quintero estava sempre a baixar e depois Aboubakar ficava sozinho, a lutar contra o mundo). Faltava profundidade, porque Quaresma estava sempre a vir para dentro e Ádrian estava quase sempre «fora» (e com Aboubakar na CAN, provavelmente vai passar a ser alternativa à posição 9 e vai continuar a saltar de posição em posição, o que não beneficia um jogador a precisar de afirmar-se). Lacunas naturais para um 11 sem entrosamento. Mas houve tempo para um bonito golo de Aboubakar. Um aperitivo para Domingo, esperemos todos.





Ricardo Pereira (+) - Ricardo, um projecto de sucessão na forja, foi o título deste post há três meses. O miúdo gosta de jogar a extremo, mas o Danilo também gostava de jogar no meio-campo. Já é uma alternativa de grande valor, pode tornar-se num sucessor de valor seguro. Falar-se em «Maykes» num contexto de aperto financeiro e tendo Ricardo no plantel não faz sentido e nem merece ir para a mesa de discussão. É o protótipo de lateral moderno, que ataca e desequilibra (mais pela linha do que pela zona interior, que Danilo faz como ninguém), e está melhor defensivamente. Hoje mal se viu o Bernard pelo qual muitos portistas suspiravam há uns tempos. Culpa de Ricardo.

Evandro merece
mais espaço
Evandro (+) - Uma exibição que não é uma surpresa. Podia perfeitamente ser titular na posição 8, mas Herrera é também um excelente médio de transporte, que assegura a verticalidade que hoje tanta falta fez durante grande parte do jogo. Podem jogar juntos? Talvez. E salta quem? Essa é a questão. Evandro é uma alternativa de luxo no plantel, capaz de estar 2 meses sem jogar e depois mandar no meio-campo na Champions. Foi isso que fez hoje.

Aboubakar (+) - Um golo a cada 80 minutos. Uma média bem jeitosa para um jogador que sabe que para já só lhe resta tentar aproveitar os períodos de descanso de um dos melhores pontas-de-lança do mundo, Jackson. É complicado vir de uma equipa de contra-ataque, onde só tem que rodar e correr, para uma equipa grande, onde tem que baixar, aguentar, observar, organizar, passar, combinar e só depois pensar na baliza. Ou então fazer o que fez hoje: virar-se e vai buscá-la. Grande golo e uma exibição de grande trabalho de um jogador que para já mostra que é alternativa segura a Jackson. Com tempo, poderá também ser sucessor.







Ádrian e a marcação (-) Há muitos treinadores que defendem que a marcação H-H vai voltar a ser a preferida no futebol. Tenho as minhas dúvidas. No golo do Shakhtar, o FC Porto tem 4 torres na grande área (Marcano, Maicon, Indi e Aboubakar) e todos eles estão fora do lance. Há 4 especialistas no jogo aéreo na grande área e o jogador que teve que tentar ganhar a bola nas alturas foi Ádrian, que não é forte no jogo aéreo. Depois claro que toda a gente culpa o jogador que foi batido nas alturas. Não concordo. Ádrian foi vítima da marcação H-H em detrimento de uma marcação à zona.

Sem Aboubakar, Ádrian
vai ter que se afirmar
Dito isto, é verdade que no decorrer do jogo Ádrian não agarrou a oportunidade. Tenta sempre partir no 1 para 1 quando recebe a bola, mas depois acaba por não sair nada. Teve um remate que ia dando golo, mas pouco mais e saiu, o que mostrou que Lopetegui estava mais preocupado naquela fase com o rendimento da equipa do que com o rendimento do Ádrian (a meu ver, correctamente).

Mas claro que Ádrian tem que continuar a jogar, porque é um jogador muito bem pago e que precisa de manter um certo nível de valorização (ou neste caso de chegar a um nível mínimo de rendimento). Já foi falso 9 no 4-4-2, jogou a ala interior no 4-3-3 e agora vai passar a ser alternativa a 9 com Aboubakar na CAN. Por um lado, tem que justificar as oportunidades que tem e não jogar por decreto; por outro, é óbvio que não há como encostar um jogador que foi contratado com uma avaliação de 11M€ por 60% do passe. A SAD precisa que Ádrian renda e  Lopetegui dava jeito que Ádrian rendesse. Todos estão sob pressão e todos necessitam do mesmo.

Dependência dos miúdos (-) - Gostei do jogo de Evandro, mas entre a saída de Rúben Neves e a entrada de Óliver Torres o meio-campo do FC Porto desapareceu. Como não havia Herrera para dar a verticalidade, Quintero baixava e desaparecia do espaço entre-linhas; Quaresma ia para a zona interior e perdia-se a profundidade (não havia Danilo, apesar do bom jogo de Ricardo). Kelvin não tem entrosamento nenhum com os colegas. Tudo isto é normal e consequência da grande rotação para este jogo, o que se compreende, mas depender primeiro de Ruben Neves, um menino de 17 anos, e depois da entrada de Óliver, que há uns meses era suplente do Villarreal, mostra que nas segundas linhas ainda há  muito trabalho a fazer, não só pelos jogadores como por Lopetegui.

Marcano a 6 não (-) - Ruben Neves estava a ser um dos melhores até se ter lesionado. Com a lesão, percebe-se que Lopetegui tenha optado por Marcano (a alternativa era meter Herrera a 6, mas precisamos dele fresco para Domingo). Mas apenas por limitação nas opções. Marcano não dá intensidade naquela zona e joga sempre num raio de acção muito curto. A jogar fora já tenho dúvidas da sua eficiência (útil para defender). A jogar em casa, não. Enquanto Ruben estiver a recuperar da lesão há Casemiro e Campaña. Tem que ser suficiente.





- Estádio da Luz num jogo para cumprir calendário: 17.500 adeptos. Dragão num jogo para cumprir calendário: 28.000 adeptos. Bom ver a massa adepta a apoiar em força. Domingo o estádio vai estar cheio para um jogo importantíssimo e de máximo grau de dificuldade.

- Rio Ave (fora), União da Madeira (casa), Braga (fora) e Académica (casa). Reinaldo Teles diz que o FC Porto tem a ambição de ganhar a Taça da Liga e que o plantel vai lutar por isso. Eu cá reafirmo: deixe jogar os B e os suplentes, mister. A Taça da Liga deve ser usada como em Inglaterra, um espaço competitivo para os mais jovens e não uma taça que faça comichão (e que ainda por cima só dá despesa esta época - porque aceitaram os clubes renunciar aos prémios desta época? Questão com resposta a breve prazo).

- «Erro da defesa ucraniana num alívio, Aboubakar recebe, roda e atira fortíssimo. Pyatov e a trave (que minutos antes roubara o empate a Indi) ainda tocam, mas o destino estava traçado: golaço e momento da noite. Um lance de génio que muitos dos espectadores que foram ao Dragão perderam. Muita gente a sair do estádio ainda a cinco minutos dos 90. É caso para dizer: nem com Kelvin em campo…»  Pormenor delicioso do jornalista João Tiago Figueiredo no MaisFutebol.