Mostrar mensagens com a etiqueta Ex-jogadores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ex-jogadores. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Domingos teve o que André Silva não tem

Domingos Paciência foi um dos grandes avançados que o FC Porto teve na sua história. Ganhou 7 campeonatos, 5 Taças, marcou 142 golos e ainda hoje é um dos 6 melhores marcadores da história do clube. Começou a jogar pela equipa principal cedo, quando era sub-19 de segundo ano, seguindo aquilo que eram as tendências da época. 

Quando começou a jogar pelo FC Porto, Domingos não tinha a rodagem que André Silva já tinha (essencialmente de equipa B) quando começou. Mas jogava numa equipa que era a campeã europeia. Na primeira época, em 12 jogos (555 minutos), um golo. 

Na segunda época, na qual fez 33 jogos e 1961 minutos, seis golos. E na sua terceira época na equipa principal, fez apenas um golo, em 21 jogos (890 minutos). Na quarta época, Domingos explodiu e fez 31 golos em 44 jogos. E agora tracemos o paralelismo com André Silva. Fez 14 jogos na primeira época (800 minutos), e 3 golos. Esta época, em 8 jogos (663 min), leva 3 golos.

E se só houvesse Domingos?
Domingos Paciência fez 8 golos pela equipa principal nas suas três primeiras épocas. André Silva, que só começou a marcar em maio, já leva seis. Claro que daqui não se podem tirar grandes conclusões. São épocas diferentes, jogos diferentes, colegas diferentes. E é precisamente este último aspecto que devemos levar em consideração: colegas diferentes.

Domingos Paciência estreou-se num FC Porto que tinha acabado de ganhar a Taça dos Campeões Europeus. André Silva está num plantel em que nenhum dos titulares sabe o que é ganhar alguma coisa pela equipa principal do FC Porto. Só Silvestre Varela, que nem está a ser primeira (ou sequer segunda) escolha, sabe o que é ganhar alguma coisa pelo FC Porto. A diferença começa aqui.

Domingos estreou-se em circunstâncias totalmente diferentes das de André Silva. Para começar, André Silva estreou-se em 2015-16 porque Aboubakar não estava a ser consistente, Osvaldo foi um flop e as apostas de mercado de inverno, Suk ou Marega, tiveram os efeitos esperados. Não havia nenhum avançado no plantel a garantir golos. André Silva foi lançado não para ser alternativa, mas porque começava a não haver alternativa.

Esta época, idem. André Silva joga de início, em primeiro lugar, porque tem qualidade para isso. Mas também não há nenhuma alternativa que garanta mais do que ele. Só se contratou um ponta-de-lança, Depoitre, com limitações técnicas, caraterísticas e currículo incompreensíveis para um jogador com o seu preço. Mesmo os adeptos - O Tribunal do Dragão inclusive - que apostavam em André Silva para 9 titular esta época defendiam que ia ser necessário um terceiro avançado complementar. Esse jogador nunca chegou, e não é que não houvesse soluções nos quadros do clube - havia, fosse para o 4x3x3, fosse para o 4x4x2.

Agora comparem com o que teve, por exemplo, Domingos Paciência. Na época em se estreou, havia o Bibota, que marcou 31 golos essa época. E havia jogadores como Rui Barros, Sousa ou Madjer (até o Valência partir o coração de milhares de portistas), que garantiam mais de uma dúzia de golos cada. 

Na segunda época de Domingos, deu-se o princípio do fim de Fernando Gomes. Sentiu-se a falta dos golos do Bibota, mas ninguém dependeu do jovem Domingos. Veio Rui Águas, mais experiente, e continuámos a contar com o génio de Madjer e a base de jogadores campeões europeus em Viena, já quase todos trintões. 

Terceira época, Águas faz 25 golos e ninguém cobrou nada ao jovem Domingos, que marcou apenas uma vez. Nessa época até houve Demol, um defesa compatriota de Depoitre que se mostrou goleador (se Depoitre repetir o seu número de golos já será bastante positivo). E continuávamos a ter uma base de jogadores fortíssima, como Semedo, André, João Pinto, Geraldão, Branco, Magalhães, Madjer... 

Confiar sem poder depender
André Silva não tem, à data de hoje, nada disso. André Silva está a surgir num FC Porto que não tem cultura de campeão. Está a surgir num FC Porto que nada conquista desde 2013. Está a surgir num FC Porto que está a depender dos seus golos, pois não há ninguém melhor do que ele para essa posição. André Silva tem valor por si próprio, mas é uma pressão imensa. E é de facto estranho que se esteja a pedir mais ao miúdo da formação, de 20 anos, do que àquele que o R&C poderá confirmar como segundo ponta-de-lança mais caro da história do clube.

O FC Porto tem jogadores talentosos no seu plantel, tem jogadores que vão garantir golos e assistências ao longo da época, de Óliver a Otávio, de Corona a Brahimi. Mas não temos jogadores que saibam o que é ganhar pelo FC Porto; não temos jogadores que tenham vindo de uma grande época de valorização; não temos um plantel que mantenha a sua base há já alguns anos; não temos sequer uma liderança marcada pelo sangue na guelra e perspetivas de um futuro vitorioso e animador. Uma realidade bem diferente da que conheceu Domingos.

Vejam só estas duas passagens de uma entrevista ao MaisFutebol de Vítor Rodrigues, antigo jogador da formação do FC Porto que nunca chegou a jogar pela equipa principal, mas talvez entenda melhor essa responsabilidade do que muitos dos que a integram neste momento.
Não consigo entender como é que o FC Porto chegou a este ponto e vamos de mal a pior. Tinha um miúdo que jogou comigo, de 15 anos, num torneio da Nike, que trocou de camisola com um jogador do Benfica, porque ele era benfiquista, vestiu a camisola e entrou no balneário. No dia seguinte mandaram-no embora. Pode ser radical, que é, mas havia identidade.
No balneário havia cacifos de um lado, cacifos do outro, a entrada para a casa de banho e depois o armário do Jorge Costa, onde ele tinha uma santinha. Eu equipava-me ao lado do Nuno Espírito Santo, agora treinador do FC Porto, Derlei, Ricardo Fernandes, César Peixoto. Depois havia Costinha, Vítor Baía, Secretário... Lembro-me que certo dia, estava o Carlos Alberto estava a jogar à bola no balneário com o Alenitchev. De repente, deu um chuto na direção da parede e a santa do Bicho começou a abanar. Ele estava a ler o jornal, levantou os olhos e ficou tudo calado. Se a santa cai…felizmente não caiu, mas ele mandou um berro e os outros fugiram logo. Era uma questão de respeito.
Uma espécie extinta
Desde que Jorge Costa saiu do FC Porto, já tivemos bons capitães. Mas foram capitães que sempre se impuseram pelo diálogo e pela proximidade, não pelo respeito (atenção ao duplo sentido da palavra). Eram capitães para dar palmadinhas nas costas, como Helton ou Lucho, que construíam boas relações através do dialogo, da simpatia, da transmissão de um espírito positivo. Mas não eram o capitão que ia dar um berro aos mais novos, que dava o murro na mesa, o capitão em relação ao qual os mais novos até teriam medo de olhar nos olhos. Bruno Alves foi o único a estar dentro desse perfil desde então. Hoje em dia jogadores como Herrera e Rúben Neves podem fazer bom balneário e até serem respeitados e ouvidos pelos colegas, mas daqui a 15 anos ninguém vai falar deles da mesma maneira que Vítor Rodrigues fala hoje de Jorge Costa. 

De volta ao tema inicial. Nunca ninguém se preocupou com os poucos golos que o jovem Domingos marcava. Se não marcava Domignos, marcava o Gomes, marcava o Madjer, marcava o Águas. Quando não marca André Silva... Quem sobra?

A fatura não pode ser passada a André Silva. André Silva não vai marcar em todos os jogos, não vai resolver todos os jogos. Vai falhar muitas mais vezes quando só tem o guarda-redes pela frente, tal como vai fazer muitos mais golos. A questão é: e quando André Silva falhar, quem vai lá estar para fazer o que André não conseguiu? Seja Corona, Brahimi ou Adrián: não marca um, tem que marcar o outro.

Quando Domingos apareceu era assim. Tínhamos um plantel de campeões, à Porto, o FC Porto crescia na melhor era da sua história, tínhamos profissionais que estavam todos no ponto alto da sua carreira. André Silva vive o oposto. Está a ser o ponta-de-lança titular num FC Porto amorfo, que vive uma das suas piores fases das últimas décadas. 

É justo achar que o FC Porto vai deixar de ganhar por causa de André Silva? É precisamente o oposto. André Silva está a tentar carregar sozinho uma equipa que não tem um matador feito, que não tem extremos que estejam a resolver jogos, que nem sequer tem um meio-campo completo e um modelo de jogo positivo e definido. André Silva tem que melhorar na definição quando entra na grande área, tem que melhorar imenso a sua capacidade de 1x1 e vai ter que ser mais letal na finalização. Certamente que sim. Mas achar que André Silva vai ser parte do problema? Não. Na verdade, é a melhor solução.

E agora? Agora vamos continuar a confiar em André Silva, já amanhã, frente ao Boavista. Confiar sem nunca poder depender dele, como não se pôde depender de Domingos. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A saúde de Sebá

Sebá foi apresentado como reforço para a equipa B do FC Porto na pré-época de 2012/13. Mas a sua contratação foi efetuada muito antes, na altura envolvida no empréstimo de Walter ao Cruzeiro. A 6 de janeiro de 2012 já Sebá tinha contrato assinado com o FC Porto. 

O Cruzeiro emprestou o jogador a custo zero, ou seja, o FC Porto ficou apenas encarregado dos seus salários. E já não era coisa pouca: 12,8 mil euros/mês. De notar que estamos a falar de um jovem que só tinha feito um jogo a titular no Cruzeiro, e que ainda tinha três viagens ao Brasil pagas e o subsídio de renda (mil euros).

São dados que ajudam a explicar por que é que, antes da recuperação da equipa B, o FC Porto teve gastos com pessoal de 48,59M€ em 2011/12. Para esta época são projetados gastos de 68,89M€, uma subida de 41,77% desde a criação da equipa B. É natural que a criação de mais um plantel, todos com contrato profissional, implique subidas na folha salarial; mas isso deveria reduzir a massa salarial da equipa A e, em compensação, acabar com os plantéis completos de jogadores emprestados - há 30 atletas emprestados a outros clubes.

Por outro lado, o salário de Sebá - que não tem culpa, os jogadores só recebem o que lhes oferecem - levanta questões quando comparado com o vencimento de muitos dos jovens que saem da formação do FC Porto, que no seu primeiro contrato profissional recebem o salário mínimo, ou pouco mais do que isso, para um jogador de segunda liga. Um desses casos foi apenas e só a maior promessa do futebol português para a posição 9. E quando são negociações lideradas pelo mesmo interveniente, dá que pensar.

Na altura foi noticiado que havia uma opção de compra de 5M€. O FC Porto não ficou, e bem, com Sebá, que não justificava o investimento. Mas a estrutura de pagamento era diferente: 2,5M€ por 50% do passe; 1,5M€ por mais 25%; e 1,75% pelo resto. Nada se justificava, apesar de Sebá ter sido habitual titular na equipa B e de ter feito alguns jogos na A. Curiosamente o Sporting em 2013 também esteve interessado em contratá-lo, mas o Estoril/Traffic oferecia melhores condições financeiras. E não necessariamente apenas ao jogador.

Mas a principal revelação do empréstimo de Sebá é esta:


O FC Porto teve que fazer um seguro de 2,5M€ para contratar Sebá. O valor, por si só, já roça aquilo a que chamamos preço pornográfico. Mas além dos 2,5M€ altamente questionáveis, deixar o Cruzeiro como único beneficiário deste dinheiro não faz sentido na perspetiva de FC Porto e atleta.

O FC Porto é que ia pagar o salário a Sebá todos os meses, e teria que continuar a fazê-lo mesmo que Sebá se lesionasse. Quando por exemplo Izmaylov esteve afastado dos relvados em 2013-14, o FC Porto contou com uma seguradora para pagar os salários e outras despesas, que é normal nos contratos dos jogadores. O que não é normal é fazer um seguro de 2,5M€ para Sebá segundo o qual o Cruzeiro receberia tudo.

Podem realçar que se tratava de um empréstimo a custo zero, mas é bom lembrar que a contratação de Sebá era uma contrapartida da ida de Walter para o Cruzeiro. Logo, nada justifica este valor. 2,5M€ não é dinheiro para fazer um seguro de um jogador de uma equipa B: é dinheiro suficiente para construir um plantel inteiro para a segunda liga. Fica a reflexão.

Sem contexto para evoluir
De realçar o empréstimo de Kelvin ao São Paulo. Uma vez mais, o maior erro não é cometer um erro: é repetir um erro. Depois do fracasso que foi o empréstimo ao Palmeiras (não se esperava outra coisa), o FC Porto mantém um ativo de 3M€ no Brasil. Já lá vão quase 3 anos desde o minuto 92, e ninguém se preocupou em encontrar um meio para Kelvin evoluir no sentido de se afirmar no FC Porto. Em 2013-14 ficou no plantel só para inaugurarem o espaço K; seguiu-se o empréstimo absurdo ao Palmeiras. E agora fica no São Paulo.

Edgardo Bauza tem feito excelentes trabalhos no futebol sul-americano, sem dúvida, mas trata-se de um técnico que também nunca treinou na Europa. Kelvin não parte com perspetivas de titularidade no São Paulo, que não paga nada pelo empréstimo do jogador, segundo a imprensa brasileira. Discutiu-se a possibilidade de contratar um jogador sub-20 do São Paulo, mas nem Inácio, nem compensação pelo empréstimo. 

Kelvin renovou até 2018 antes de ir para o Brasil. Este empréstimo sugere claramente que o FC Porto já não pensa em integrá-lo nos seus quadros, nem mesmo quando se avizinha uma renovação de extremos (Tello não ficou, Varela é trintão e será uma surpresa - espera-se que boa - se Marega ficar no plantel para 2016-17). Kelvin vai tentar mostrar-se no Brasil até que alguém se chegue à frente com propostas. Para trás fica o minuto 92... e um investimento de 3M€ em 90% do passe, que entretanto passou a 75%.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A(s) mentira(s) do Record


Quando o assunto é a transferência de Carlos Eduardo do FC Porto para o Al-Hilal o Record não consegue definitivamente dar uma para a caixa. Depois de em outubro já ter dado uma informação falsa, agora o Record diz que a informação falsa que deu... era falsa. Ver para crer.

O Tribunal do Dragão analisou o tema logo assim que o R&C de 2014-15 saiu: a dupla Carlos Eduardo e Célestin Djim.  O FC Porto vendeu estes dois jogadores, em pacote, para as Arábias. Era para ser Carlos Eduardo e Kayembé, mas acabou por ser outro jogador do mapa de Liège a seguir no negócio. 

Mas a verdade é que o FC Porto nunca anunciou a venda de Carlos Eduardo ao Al-Hilal. Nunca. Por isso, o Record mente quando escreve o seguinte: «O portal Football Leaks revela esta quarta-feira que o FC Porto apenas recebeu 2 milhões de euros pela transferência de Carlos Eduardo para o Al Hilal, ao contrário dos 5,5 milhões que comunicou à CMVM no Relatório e Contas Consolidado relativo à temporada 2014/15

Mente porque o FC Porto nunca disse que vendeu Carlos Eduardo por 5,5M€. Só o Record é que disse isso mesmo, e erradamente:


A única coisa que o FC Porto anunciou é que o Al-Hilal tinha uma dívida de 5,5M€. Não referiu a que jogadores se deviam essa dívida. Nem sequer referiu que tinha transferido Carlos Eduardo para esse clube. A verdade, e como O Tribunal do Dragão na altura revelou, é que Carlos Eduardo e Djim tinham sido vendidos em pacote. E o Record ignorou, ou desconhece(u), por completo a integração de Célestin Djim no negócio.

É grave, pois o Record está a acusar o FC Porto de mentir a nível de informação oficial. E está a acusar o FC Porto de mentir com base numa mentira lançada pelo próprio Record. Carlos Eduardo saiu por 2M€ (o FC Porto ficou com 50% dos direitos). Os restantes 3,5M€ foram para a avaliação de Djim, o documento que convenientemente não foi divulgado pelo Football Leaks - fica para depois ou será que o objetivo era mesmo tentar acusar o FC Porto de mentir no fornecimento de informação oficial? Não é a primeira vez que o Football Leaks semeia mentiras. Não por fornecer documentos falsos, mas por fornecer apenas partes de um todo, ou documentos que nunca passaram do planeamento à concretização.

Correu mal, correu mal, Record. Ainda hoje mantêm online a mentira de que Carlos Eduardo saiu por 5,5M€. Vão finalmente corrigir o erro ou alimentá-lo com uma segunda mentira?

Por outro lado, era algo evitável se o FC Porto se tivesse dado ao trabalho de, pelo menos, dar uma mínima informação sobre a transferência de Djim e de Carlos Eduardo (que Pinto da Costa disse que faria parte do plantel de Lopetegui) para as Arábias. Para um clube que gosta de ser conhecido pelos seus grandes negócios, até admira que não tenham dado atenção à obra que foi vender Djim por 3,5 milhões. Caraças, valeu mais do que o Garay!

segunda-feira, 30 de março de 2015

Tudo aquilo que João Moutinho é

João Moutinho é...
... um jogador apreciado, admirado e adorado por todos os adeptos do FC Porto que já tiveram o prazer de o ver suar a camisola.

João Moutinho é...
... um jogador que só precisou de uma época de FC Porto para fazer o que Sporting e Benfica não fazem há mais de 50 anos: conquistar uma competição europeia.

João Moutinho é...
... um jogador que só precisou de um ano de FC Porto para fazer o que o Sporting não faz desde a abertura da muito aclamada Academia: ser campeão nacional.

João Moutinho é...
... um jogador que em três anos ganhou tantos títulos de campeão nacional como o Sporting nos últimos 34 anos e o Benfica nos últimos 20.

João Moutinho é...
... um jogador que já foi o triplo das vezes aos 1/8 da Liga dos Campeões do que o clube que o formou; e o clube que o formou nunca foi aos 1/8 da Liga dos Campeões sem João Moutinho.

João Moutinho é...
... um jogador que já foi aos 1/8 da Champions o triplo das vezes em relação ao auto-proclamado mestre da táctica.

João Moutinho é...
... um jogador que já foi aos 1/8 da Liga dos Campeões tantas vezes como o Benfica na sua carreira.

João Moutinho é...
... um tricampeão nacional, coisa que o Benfica não o é desde 1977 e que o Sporting só o foi na década de 50.

João Moutinho é...
... o médio português mais caro da história do futebol nacional.

João Moutinho é...
... um Dragão de Ouro que já era reconhecido como jogador à Porto quando ainda jogava no Sporting.

João Moutinho é...
... um jogador com direito a estátua no Museu do FC Porto, onde só há lugar para ilustres profissionais que marcaram a nossa história e fazem parte dela com todo o reconhecimento.

João Moutinho é...
... um jogador que não manteve a preferência clubística da sua infância. Daí que se entenda a mágoa que alguns sentem.

João Moutinho é... portista. Não por herança, mas por convicção, amor, dedicação e gratidão.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As redes que não precisam de mais peixe

Desde 2005-06, quase se pode afirmar que o FC Porto só teve 2 guarda-redes titulares: Helton e Fabiano. Helton foi o sucessor de Baía e só deixou a baliza por culpa da sua grave lesão. Tirando Helton e o agora titular Fabiano, só jogava quem entrava no esquema de rotação nas taças.
O digno sucessor de Helton

Mesmo só havendo 2 guarda-redes titulares nos últimos 8 anos, a verdade é que o FC Porto contratou desde então 10 guarda-redes. Além dessas 10 contratações que incluem o agora titular Fabiano, o FC Porto teve Paulo Ribeiro, Hugo Ventura, Tiago Maia e Kadu a rodarem como 3º guarda-redes do plantel.

Não se pode ignorar que a baliza é uma posição que requer rotação no mercado. Ninguém se conforma eternamente com o estatuto de número 2. Se não jogam, procuram sair e rodar noutro lado. O melhor exemplo disso é Beto. Estava tapado por Helton, foi para Braga, depois para Sevilha e hoje é titular num dos melhores campeonatos do mundo e não deve nada além de alguns centímetros ao titular da Selecção.

É também uma posição onde os jogadores atingem a maturidade mais tarde e onde podem levar anos e anos até evoluírem para um patamar que justifique o FC Porto. Mas nada disto que se acaba de referir justifica uma coisa: ter mais recursos do que aqueles de que se necessita e se pode usar.

Este foi o quadro de contratações de guarda-redes dos últimos anos:

2007-08 - Nuno Espírito Santo
2008-09 - Nenhum
2009-10 - Beto
2010-11 - Pawel K.
2011-12 - Bracalli
2012-13 - Fabiano, Stefanovic 
2013-14 - Bolat e Matos
2014-15 - Andrés e Ricardo

Só em 2008-09 o FC Porto não contratou nenhum novo guarda-redes. De resto tem sempre sido contratado um ou mais guarda-redes por época, muitas vezes por intermediários repetentes. Dos últimos 10 contratados, só Fabiano foi titular e só Beto mostrou capacidade para ser o número 1 (quanto a Andrés ainda é cedo para tirar conclusões). Mas passamos a avaliar a pertinência de cada contratação.

Nuno, eterno suplente
Nuno Espírito Santo - Na primeira passagem foi a sombra de Baía, na segunda a de Helton. Teve uma segunda vida no FC Porto pela mão de Jorge Mendes, ou não tivesse sido ele o primeiro jogador a ser representado pelo empresário (conheceram-se numa discoteca em Caminha, com 30 anos, ainda Jorge Mendes não tinha mais do que um pequeno clube de vídeo e um acordo publicitário no Lanheses). Um dos guarda-redes mais caros da história do clube, que mesmo sem ter sido titular e comprometendo muitas vezes (o melhor momento foi o jogo do hat-trick de Jankausas em Braga) conseguiu tornar-se acarinhado pelos adeptos.

Beto - Um bom suplente de Helton, que como mostrou mais tarde podia perfeitamente ser o número 1. Guarda-redes de Teixeira da Silva, saiu do Leixões abaixo da cláusula de rescisão (750 mil€) e depois saiu para o Braga a custo zero. O FC Porto ficou com 50% do passe e depois recebeu cerca de 500 mil€ (não confirmados) pela transferência para o Sevilha.

Pawel Kieszek - Guarda-redes de Gaspar Freire, não fez um único jogo no Braga no campeonato antes de vir para o FC Porto (onde ia ser o suplente de Helton e de Beto). Contratação que não obedeceu a qualquer lógica desportiva. Enterrou na Taça da Liga, fez dois jogos na Taça, 10 minutos no campeonato e foi emprestado ao Roda. Depois saiu. Assinou um contrato de quatro anos, num péssimo negócio que nada justificava.

Bracalli - Guarda-redes de António Araújo, falou-se num contrato de 3 anos, não confirmado. A sua contratação empurrou Beto para o Cluj no último dia do mercado. Mostrou alguma qualidade no Nacional, era um guarda-redes experiente. Fez alguns jogos nas taças e um ano depois foi encostado, dando lugar a outro guarda-redes. Rezam as crónicas que tinha uma relação difícil com Will Coort e também saiu pela porta pequena.

Fabiano - Único guarda-redes contratado desde Helton que conseguiu ser titular. Guarda-redes de Gaspar Freire, terá custado 1,2M€, valor não confirmado. Teve que esperar pela lesão de Helton. Uma infelicidade na base de outra felicidade. 

Nome sem história
Stefanovic - Guarda-redes de António Araújo, uma contratação surreal. Chegou no Verão que fez 24 anos e nas equipas B só há espaço para 3 jogadores maiores de 23. Queimou-se assim uma vaga na equipa, algo absolutamente desnecessário, violando-se logo a lógica da equipa B ser para lançar os jovens jogadores - neste caso foi-se ao mercado, não se sabe por que valores, contratar um jogar de idade superior aos regulamentos. Nem o Arouca o quis e nem no Chaves joga. Contrato de 3 anos.

Bolat - Pouco a acrescentar ao que já tinha sido analisado aqui. Teve direito a um contrato de 5 épocas. Na primeira época mal jogou enquanto cá esteve. Na segunda foi emprestado para ser suplente de Muslera ao Galatasaray. Ou seja, o FC Porto preocupou-se em arranjar um clube que lhe pagasse o salário em vez de encontrar um clube onde pudesse jogar regularmente. Lógica desportiva nem vê-la na estrada de ligação a Liége, que recentemente trouxe os irmãos Djim e um interessante extremo (ou lateral?) que tinha acabado o contrato com o Standard, mas que afinal custou 2,615M€. O sucesso com Mangala não pude justificar tudo.

Matos - É caso para dizer, Stefanovic, estás perdoado. Um guarda-redes de 34 anos que não jogava no Leixões foi contratado para ser suplente da equipa B. Como é claro não houve interesse desportivo nesta contratação. Mas há quem diga: é importante para o Kadu e para os mais jovens terem um jogador mais experiente a treinar com eles. Essa desculpa quase que faz sentido, mas acontece que existe uma coisa chamada treinador de guarda-redes que dedica 100% do seu tempo e atenção aos guarda-redes.

Não há espaço para Ricardo
Ricardo - Podia ter sido importante nas inscrições para a Champions, mas afinal foi irrelevante, porque o FC Porto inscreveu os 2 GR estrangeiros. Disse-o no dia em que foi contratado: é um razoável guarda-redes, mas que tinha muito boa imprensa na Académica, pois há sempre simpatia para portugueses que jogam em clubes de menor dimensão e pegar nestes casos de jogadores portugueses dava sempre jeito para embirrar com o Paulo Bento. Contrato de 4 anos, sem qualquer pespectiva de futuro no FC Porto. Em princípio vai ser emprestado à Académica em Janeiro. Tem 32 anos e está em fileira para se juntar ao clube dos que chegam, vêem e vão-se embora sem jogar. Tendo em conta que Lopetegui já estava contratado e já se sabia que queria um novo guarda-redes (Navas opção 1, Andrés opção 2), a contratação de Ricardo queimou tempo, dinheiro e o próprio jogador, que até agora a única coisa que pôde fazer foi desfilar com o equipamento. Merecia mais, até porque (não) está a jogar no clube do coração.

Andrés Fernandez - Cedo para fazer juízos de valor, embora tenha dito na pré-época: a contratar um guarda-redes, que fosse para ser titular. Fabiano surpreendeu Lopetegui e para já é o número 1, tendo já renovado contrato. Vai ser difícil para Andrés ganhar o lugar mas há uma contratação para justificar.

Este foi o balanço dos últimos 10 guarda-redes contratados. Neste momento o FC Porto tem 11 guarda-redes no clube com contrato profissional, 2 deles emprestados. Tudo isto para dizer desde já: não é necessário contratar nenhum guarda-redes em 2015-16. E quando digo que não é necessário, não significa que não possa haver uma saída e que seja necessário colmatar uma vaga. Mas se ninguém sair, que não se contrate A para empurrar B. Estamos bem servidos de guarda-redes.

O futuro passa por aqui
Helton à partida vai reformar-se no fim do ano. Ficam Fabiano e Andrés a lutar pela titularidade, duas excelentes opções. Ricardo, temo, vai rodar, rodar e rodar. Não faz sentido continuar cá para ser 3º guarda-redes. Stefanovic vai sair no fim da época e sobra o caso de Bolat para resolver. Na equipa A. não é preciso mais nenhum guarda-redes.

E na B? Kadu tem tido sucessivas oportunidades, mas apesar de ser um miúdo trabalhador e portista continua sem mostrar capacidade para a equipa A (uma opinião que não é consensual). Caio já merecia ter tido uma oportunidade. De qualquer forma, defendo que seria interessante tirar Kadu da zona de conforto e tentar emprestá-lo na próxima época, ainda que não imagine que algum clube lhe dê a titularidade na primeira liga. 

Além de Kadu e Caio, há Raul Gudino, que ainda é sub-19. Mexicano, está emprestado e há cláusula de compra. Já mostrou algumas qualidades e o Chivas diz que o FC Porto vai comprá-lo no fim da época. Por quanto? Não se sabe. Mas que a sua contratação obedeça a uma lógica desportiva e não à contratação da praxe para a baliza. Se não for para ser um dos 2 GR da equipa B, não vale a pena contratá-lo.

Mas para 2015-16 o FC Porto já tem 2 guarda-redes com grande potencial para a equipa B: Andorinha e Filipe Ferreira. Andorinha é o guarda-redes mais promissor do FC Porto. Junior de segundo ano, nada justifica que não seja um dos 2 GR da equipa B da próxima época. Depois há Filipe Ferreira, que esta época está tapado por Gudino e Andorinha, caso contrário podia estar a mostrar o seu potencial.

Tirando Helton e Stefanovic, que vão terminar contratado, e Gudino, que está emprestado, para 2015-16 há Ricardo, Fabiano, Andres, Bolat, Kadu, Andorinha, Caio e Filipe Ferreira para dividir entre equipa A e B. O ideal seria ter 2 GR na equipa A e 3 na B, sendo que o 3º guarda-redes da equipa A seria o 1º da B. Há pelo menos 8 guarda-redes garantidos para a próxima época, por isso nada justifica contratar mais. Nada. Estamos bem servidos. 





- Com a confirmação das renovações de Ivo e André Silva, não resta nenhuma promessa em fim de contrato. Notícia a registar com agrado, resta encontrar espaço competitivo para eles. Na equipa A a curto prazo será difícil (defendo que na Taça da Liga devemos usar os jovens), por isso resta tentar desenvolvê-los tanto quanto possível na equipa B e depois pensar num empréstimo ou numa subida à equipa A. Tudo isto para dizer que a lógica dos guarda-redes se deve aplicar às outras posições na equipa A e B: é tempo de espremermos os recursos que temos, não de pensar já em ir buscar mais. A situação financeira da SAD não recomenda mais do que ataques cirúrgicos ao mercado, pelo contrário, recomenda e bem que se aproveite todos os recursos que já temos à disposição. E Ivo e André Silva são 2 dos mais promissores desses recursos.