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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Colheita 2018-19

Perder depois de chegar ao intervalo a vencer por 2x0 é atípico. Há poucas coisas mais invulgares do que um desfecho destes na história do FC Porto. Tanto que, até à noite de sábado, só tinha acontecido duas vezes na I Liga: uma em 1943, contra o Fabril Barreiro, e a outra em 1970, contra a Académica. A juntar a estes dois casos, houve o desaire europeu contra o Artmedia, em 2005. De resto, nunca o FC Porto tinha acabado batido após ir para o intervalo a vencer por 2x0.

Este resultado, por si só, já era uma raridade, mas as circunstâncias que antecederam os golos do Vitória de Guimarães tornam-lo ainda mais incomum. Uma entrada absolutamente desmiolada de Sérgio Oliveira na grande área, Maxi Pereira a não ter pernas para fechar o corredor no 2x2 (num lance em que o FC Porto tem 8 jogadores na grande área no momento do remate de Tozé), e um lance que começa num lançamento de linha lateral e no qual voltam a ser suficientes dois jogadores do Vitória para fazer frente a uma grande área povoada pelo FC Porto. Os sucessivos desperdícios em tempo de compensação acabaram por confirmar o que se testemunhava: era uma noite atípica a todos os níveis.

Brahimi e mais 10... com poucas ideias sem o argelino
Mas o problema não é apenas este jogo. Estamos à 3ª jornada, a um ponto da liderança. Sporting e Benfica vão perder mais pontos, o próprio FC Porto vai perder mais pontos. O drama não está aqui. Está naquilo que já todos (???) estão fartinhos de saber desde a temporada passada: que este plantel é curto e que lhe faltam soluções de maior qualidade. E isso não iliba o facto de o modelo de jogo do FC Porto estar distante daquilo que entendemos ser um futebol de qualidade e que a equipa tão bem chegou a mostrar na jornada inaugural da Liga.

«Pois, já diziam isso na época passada, que o plantel não chegava, e fomos campeões!». Este argumento não faltará ao longo da época. E podem usá-lo até maio, estejam à vontade. É verdade que o FC Porto chegou ao título, com um plantel ao qual eram reconhecidas várias limitações. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro a acreditar na época passada - Sérgio Conceição - foi o primeiro a desacreditar após um simples jogo de pré-época com o Portimonense e a reivindicar a necessidade de reforços. É o próprio milagreiro que não quer estar sujeito a um segundo milagre.

O FC Porto teve um ataque bastante produtivo na época passada. E não é justo dizê-lo que tenha deixado de ter, pois a verdade é que fez 10 golos em 3 jornadas - desde 1975 que não arrancava com uma dezena de golos. Mas também sofreu 5 em 3, algo que não sucedia desde 1969. Isto é muito mais do que uma questão golos marcados vs. sofridos. Tem a ver com a qualidade de jogo e com as próprias soluções do plantel.

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Muita luta, poucas pernas
Começando com a defesa, é lógico que vai ser uma época difícil. O FC Porto perdeu o seu melhor central e o lateral-direito, e Maxi Pereira passou da saída à permanência por culpa da transferência de Diogo Dalot. O uruguaio luta muito, apoia bem o ataque e até começou a época com um par de boas exibições, mas aos 60 minutos da 3ª jornada já não conseguia correr. Já não é uma questão de saber se Maxi Pereira aguenta uma época: é saber se aguenta um jogo completo no qual vai ter que correr para defender e não apenas subir para combinar com o extremo no ataque. Maxi é inteligente no relvado, posiciona-se bem, mas quando tem que correr para trás os 34 anos já pesam. E estamos, neste momento, a falar de Chaves, Belenenses ou Vitória. Não estamos a falar de clássicos ou de Champions, com dois jogos por semana. 

Diogo Leite, jovem promissor, entrou na equipa e fê-lo bem. Mas não é por acaso que estamos a falar de um jogador de 19 anos que está a cumprir a primeira época de sénior. O que faz um miúdo dessa idade? Comete erros. De posicionamento, de marcação, de antecipação. Há 30 anos que o FC Porto não tinha um central tão jovem na equipa - o último tinha sido Fernando Couto. E para quem não estiver recordado, Fernando Couto estreou-se mas foi logo depois emprestado por duas vezes. Só depois voltou para se afirmar. 

Diogo Leite foi lançado às feras (ou não, pois ainda não chegámos aos clássicos e à Champions) e ganhou o lugar com mérito. Mas tudo isto começa na lentidão da SAD em assegurar atempadamente e prontamente o sucessor para o eixo da defesa. Já sabiam que Marcano iria sair e que Diego Reyes não ficava. Isto era uma situação que poderia, deveria estar a ser preparada há meses. As negociações por Mbemba (cujo perfil faz lembrar Bruno Martins Indi) demoraram bem mais de um mês, e quando chegou, aí sim, houve o azar inesperado de o central congolês se ter lesionado. Isso pode acontecer, foi um azar. Mas que teve que fazer Sérgio Conceição desde então? Preparar o miúdo para o 11. Foi isso que fez, e manteve logicamente a sua aposta. 

«Poderia ter jogado o Chidozie», dirão. Aqui entramos no campo da opinião, logicamente, mas Chidozie esteve emprestado ao Nantes, equipa onde o melhor central era Diego Carlos, brasileiro que no FC Porto revelou pouco mais do que qualidades medianas. E aqui temos um possível exemplo da saúde financeira que a SAD portista respira neste momento: 

Recorte do jornal O Jogo
Um clube que rejeita 13 milhões de euros por Chidozie é um clube sem urgência em vendas e sem dificuldades financeiras. Só pode, embora esta proposta deva ter estado na mesma mesa onde o West Ham colocou 40 milhões de euros por Marega, com mandatários de Emerald City, Tardis e Valhalla.

Entretanto chegou o também jovem Éder Militão, proveniente do São Paulo, que apesar de rotulado de polivalente vem como opção para o eixo da defesa. E qualquer jovem brasileiro que chega à Europa precisa de tempo até entrar na equipa, muitas vezes só se conseguindo afirmar a partir da segunda época. Basta recordar os casos recentes de Fernando, Danilo ou Alex Sandro. Ainda assim, nota também para o facto de Éder Militão implicar um investimento de cerca de 7 milhões de euros - grande parte para empresários -, apesar de só ter contrato com o São Paulo até 11 de janeiro de 2019. Com tanto dinheiro investido para «antecipar» a transferência alguns meses, só podemos esperar que Éder Militão possa emergir como opção mais depressa do que o previsto, até porque não havia assim tanta concorrência pelo jogador, pelo menos ao nível da imprensa brasileira (que chegou a sugerir que o PSG poderia comprá-lo para emprestá-lo de imediato ao... Vitória de Guimarães).

Falando ainda do setor defensivo, a iminente chegada de Zakarya, do Belenenses, ao FC Porto sugere meramente uma coisa: desnorte completo na construção do plantel. O lateral-esquerdo, que cumpre 30 anos em janeiro, jogou sempre em clubes medianos ao longo da sua carreira e estava no Sochaux, da II Liga francesa. Assinou pelo Belenenses em julho e, segundo o jornal O Jogo, convenceu o FC Porto a avançar para a sua contratação depois do jogo no Jamor.

Portanto. Temos um lateral de 29 anos que estava livre, em julho, e que não seria nem primeira, nem segunda, nem terceira opção para as laterais do FC Porto. E de repente, por causa de um jogo, passa a ser prioridade e alternativa a Alex Telles, um dos jogadores mais importantes na manobra coletiva do FC Porto. Alguém acredita que no relatório de pré-época de Sérgio Conceição, que identificava seis pontos a reforçar no plantel, o nome de Zakarya aparecia por lá?

Tivemos meses e meses para preparar a época. Uma pré-época inteira. Temos um enorme departamento de scouting e prospeção, camadas jovens, equipa B. E no meio de tudo isto, porque fez um bom jogo contra o FC Porto, de repente Zakarya passa a ser a solução. Rúben Lima deve estar a lamentar que o jogo do Moreirense com o FC Porto não seja disputado antes de sexta-feira, caso contrário ainda se habilitava a uma transferência. 

Não é um problema com Zakarya, o jogador: é um problema com o modelo, com a preparação da época, e com uma gestão que nos faz lembrar os tempos em que se descobriam laterais-esquerdos do calibre de Ezequias, Lucas Mareque, Nelson Benítez ou Lino. Todos eles com motivações muito semelhantes. E todos eles campeões pelo FC Porto, mesmo pouco ou nada jogando. Tomara que com Zakarya também seja assim. 

Não há moral/justificação para alegar contingências financeiras (que, diga-se, a SAD nunca assumiu publicamente na construção ou preparação desta época - o máximo que tivemos foi a história da carochinha de que é possível gastar tanto quanto o FC Porto encaixar em transferências) quando já se celebraram os magníficos negócios da compra e consequente dispensa de Janko ou Ewerton. Seria interessantíssimo ouvir a explicação do FC Porto para a motivação por trás destes negócios. E perceber em que universo é que constrangimentos financeiros podem coexistir com negócios com notáveis empresários e homens do futebol como Alexandre Pinto da Costa, Teodoro Fonseca ou Luciano D'Onofrio. 

Do meio-campo para a frente, praticamente não houve alterações no plantel. Jogadores como Bruno Costa, Hernâni ou Adrián só estão no grupo de trabalho por não haver mais ninguém, e os dois últimos porque não têm propostas de compra no mercado. André Pereira acaba por ser um caso também muito ilustrativo: está a jogar porque não há mais soluções. Está certamente a trabalhar para isso, esteve nos dois golos frente ao Vitória de Guimarães (um deles irregular, é certo, mas já houve precedentes de falhas no VAR, nomeadamente num Aves x Benfica), mas certamente que Sérgio Conceição gostaria de ter outras soluções para o seu 4x4x2.

4x4x2 ou 4x3x3?
Embora, aqui, Sérgio Conceição também tenha que dar o braço a torcer e perceber que tem que haver um limite. Porque não dar uma oportunidade ao 4x3x3? Que mais tem Óliver Torres que fazer para entrar no 11? Quantos créditos tem Sérgio Oliveira para se aguentar no 11? Há assim tão pouca confiança em limitar o eixo do ataque a Aboubakar ou outro ponta-de-lança?

Mas aqui entramos naquilo que é a relação direta entre Sérgio Conceição e a administração. Quando renovou, Sérgio Conceição deixou claro que ia trabalhar a época em 4x4x2? A SAD garantiu que iria ter opções para isso? Uma coisa é a flexibilidade do treinador, que terá sempre que ter, por mais fiel que queira ser às suas ideias. Outra é o próprio investimento da SAD no treinador. 

Como tantas vezes foi comentado, o FC Porto da época passada nem sempre se distinguiu por ser uma equipa que jogava um grande futebol. Era uma equipa de guerreiros, lutadores, que teve sem dúvida semanas de bom futebol ao longo da época, mas muitas vezes esteve limitada a duas coisas: bolas diretas na frente, à procura da profundidade dos avançados, e as bolas paradas. Isto além do principal fator de desequilíbrio neste arranque de época: Brahimi, sempre ele. E reparem que não estamos há dois ou três meses a suspirar por uma solução match-winner para as alas, mas sim até antes da chegada de Sérgio Conceição. Mantêm-se Hernâni, pouco mais do que para fazer número, e esperanças de um ano de afirmação para Corona ou Otávio. Muito curto.

Quanto vale Marega?
E Marega? É de facto um dos mistérios deste defeso. Primeiro, há que separar aquilo que é a especulação típica de pré-época na imprensa, sobretudo quando envolve clubes ingleses, e aquilo que chegou realmente à mesa da SAD. Pinto da Costa diz que nunca teve uma proposta concreta e voltou à conversa para boi dormir da cláusula - estamos em 2018, o FC Porto nunca vendeu um jogador pela cláusula de rescisão (não esquecer, para uma cláusula ser ativada, tem que ser uma das partes, entre clube e jogador, a invocar esse direito - tal como o fez André Villas-Boas, por exemplo), e de certeza que Marega não seria o primeiro. 

Não é do domínio público quanto foi ao certo a eventual proposta do West Ham, mas que era intenção de Sérgio Conceição manter Marega. Mas porquê? Por considerar que o maliano era assim tão fulcral na equipa? Ou porque não tinha garantia nenhuma de que, caso Marega saísse, não viria ninguém melhor? Tudo o que fosse acima de 20 milhões de euros - assumindo que alguém chegaria a esses valores - por Marega seria uma das melhores vendas da história do FC Porto. A verdade é que Marega é um jogador tão fulcral que esteve encostado 19 dias a treinar sozinho. Não há memória de isto ter acontecido no FC Porto. Jogadores a pedir para sair ou a forçar transferências é ementa diária no futebol, sobretudo em clubes vendedores como os portugueses. Sérgio Conceição tem que ter tido motivos muitos fortes para encostar Marega desta forma, embora as suas passagens por Marítimo e Guimarães já tenham revelado histórias de mau profissionalismo. 

Marega acabou por ser reintegrado, restando saber agora se vai renovar ou não (antes de ser afastado do grupo, tinha a proposta de renovação nas mãos) e que jogador será em 2018-19. Porque na época passada, Marega era o ex-dispensado. Cada golo que marcava surpreendia, era colocá-lo acima das expetativas. Foi um jogador a garantir duas dezenas de golos em contexto de I Liga. Mas entre um ex-dispensado que só fica no plantel por não haver mais ninguém e um jogador pelo qual se rejeita a saída por números alegadamente muito mais do que generosos... Há uma enorme diferença. 

Quando o FC Porto assume todas as recusas por Marega, só pode esperar que o seu rendimento seja muito superior esta época. Na temporada passada, apesar de sofrível nos clássicos e na Champions, conseguiu garantir a média de um golo por jornada na Liga - falhava mais do que acertava, mas entre os pontas-de-lança do plantel também ninguém acertava mais do que ele. Ou esperamos um Marega a elevar a fasquia esta época, ou passámos ao lado da possibilidade de um grande negócio. Certo é que não podemos contar com mais uma época a tentar ganhar jogos com bolas que dependem da dimensão física de Marega. 

Sérgio Conceição fez milagres na época passada. Não lhe peçam a mesma receita. O treinador não teve sucesso nem ficou por ser um treinador muito evoluído taticamente, pois não foi essa a força do FC Porto na época passada. Foi a união, a superação, o pragmatismo e a sempre essencial sorte (outra vez, bastava não haver o pontapé do Herrera na Luz e poderia ser mais um ano a seco - ou bastava que tivessem validado o golo limpo a Herrera no jogo do Dragão, e aí talvez já não fosse necessário vencer na Luz).

E conforme foi comentado no post da vitória sobre o Belenenses: sempre que o FC Porto vencer, os adeptos vão ver um plantel bem aproveitado; quando os maus resultados aparecerem, afinal é um plantel curto e ao qual falta qualidade. Neste momento, este plantel não foi reforçado, no sentido em que não está mais forte. Sejamos francos, antes dos resultados, pois totobola à segunda-feira nunca deu nada a ninguém: este plantel é curto para uma equipa que ambiciona o bicampeonato e que tem que lutar por um lugar nos 1/8 da Liga dos Campeões. Na pré-época, Sérgio Conceição falou em «meia dúzia de jogadores sem capacidade» para jogar no FC Porto. Neste momento, numa altura em que Danilo e Soares ainda recuperam de lesões, o que apetece mesmo dizer é que falta mais meia dúzia de jogadores com capacidade para jogar no FC Porto. Porque em algo teremos que concordar: seja em 4x3x3 ou 4x4x2, o treinador campeão merece e precisa de melhores soluções. 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Análise 2017-18: os atacantes (2)

Contrato até 2021
Vincent Aboubakar - No início da época, perspetivava-se que Aboubakar, sendo titular, conseguiria sem problemas superar as contribuições em golos de André Silva na última época. E assim foi, com o camaronês a conseguir 26 golos e 7 assistências. Mas o mais notório é que Aboubakar praticamente fez isso em meia época, o que diz muito do elevado rendimento que teve até janeiro e da grande quebra que sofreu desde então. 

Entre problemas físicos e quebra de rendimento, Aboubakar fez apenas um golo e uma assistência nos últimos quatro meses da época. Até então, os seus golos foram sendo sempre sinónimo de vitórias - o FC Porto venceu 18 dos 19 jogos em que Aboubakar marcou. O camaronês, além dos golos que marcou, criou tantas ocasiões de golo flagrantes como Soares e Marega juntos (13), mas dos três foi aquele que teve menor eficácia em duelos ganhos (41%) e dribles eficazes (53%). Embora grande parte dos golos de Aboubakar pareçam quase sempre obtidos em esforço (há quase sempre um ressalto ou um desvio ao barulho), terminou a época como melhor marcador da equipa, mas a sua época teve claramente um «antes» e «depois». O mesmo é dizer que o Aboubakar da primeira parte da época tem tudo para se manter como referência goleadora da equipa, mas o Aboubakar pós-janeiro não pode carregar as dependências ofensivas da equipa. 

É de recordar que a SAD comprou a totalidade do passe de Aboubakar no decorrer da época, elevando o seu custo total a 11,5 milhões de euros, além da operação de renovação de contrato ter custado 5,1 milhões de euros (verba que inclui prémio de assinatura e comissões, tendo sido uma das renovações contratuais mais caras da história da SAD). É um ativo que tem que continuar a ser rentabilizado, até porque não aparenta haver compradores (pelo menos que agradem a todas as partes) que cubram o investimento em Aboubakar, mas o avançado tem que ser mais do que um jogador de meia época, embora ter tido interferência direta em 33 golos sejam números que muitos avançados não conseguem numa temporada inteira. 

Contrato até 2019
Gonçalo Paciência - Repescado no mercado de inverno, na altura quando a saída de Soares estava a ser negociada, o avançado português acabou por ser remetido a um papel secundário no FC Porto, até porque o brasileiro acabou por ficar no plantel. Foi apenas duas vezes titular, uma contra o Sporting (o único jogo em que conseguiu ter interferência decisiva, no passe para Brahimi), e de resto foi suplente utilizado de forma residual. A segunda metade da época acabou por quebrar o rendimento que estava a ter em Setúbal e, neste momento, parte no último lugar da hierarquia de opções para o ataque e dificilmente o FC Porto terá interesse em ir ao mercado pescar um jogador para ser suplente de Gonçalo Paciência. Ainda assim, face às caraterísticas e talento reconhecido por todos os que já trabalharam com o avançado, a um ano do final de contrato justificar-se-ia a renovação, pois o avançado, mesmo não ficando no plantel, pode perfeitamente ser titular na grande maioria das equipas da I Liga. Tudo dependerá do aval do Sérgio Conceição, sendo certo que ou joga com regularidade em 2018-19, ou arriscar-se-á a carregar o rótulo de eterna promessa. 

Contrato até 2020
Moussa Marega - O inesperado melhor marcador da equipa no Campeonato. Semana após semana, Marega conseguia combinar os mais sofríveis números no contacto com bola com a garantia de que ia fazendo um golo por jornada. Sérgio Conceição encontrou uma forma de encaixar a dimensão física de Marega na equipa e fazer com que o maliano, embora poucas vezes conseguisse acertar uma diagonal ou um cruzamento, tivesse sempre presença no ataque, ajudasse a esticar o jogo e a pressionar a linha defensiva adversária. Não é assim tão comum conseguir 22 golos no Campeonato - o último a fazê-lo foi Jackson, em 2013 -, por isso Marega distingue-se pela média de golos que conseguiu na Liga, uma surpresa que talvez não encontra paralelo desde os tempos de Pena. 

E agora? Agora seria a oportunidade perfeita para conseguir uma grande venda com Marega. Um jogador pelo qual ninguém dava dois tostões (daí que a SAD tenha dado 30% do passe de Marega ao Vitória de Guimarães aquando da contratação de Soares), que só não foi dispensado no início da época porque não sobravam mais opções e que foi reabalitado. O próprio jogador, mesmo sendo aclamado pela massa adepta, não se inibiu de afirmar que gostaria de ir para Inglaterra, mesmo sem saber se haveria propostas: Marega sabe que esta época foi única. Tem 27 anos, dois anos de contrato para cumprir e há que ter em conta o desempenho nos jogos grandes.

Entre Champions, clássicos e até os jogos com o SC Braga, foram 15 partidas em que Marega não só ficou em branco como foi sendo invariavelmente a unidade de menor rendimento na equipa - exceção à exibição no Mónaco, onde fez duas assistências. É certo que a I Liga não tem apenas quatro equipas, por isso Marega pode continuar a ter golo contra a maioria dos adversários, mas é altamente improvável ultrapassar este pico de valorização. O jornal O Jogo já deu conta de uma alegada recusa de 25 milhões de euros por Marega e, sendo verdade, seria apenas e só uma das três melhores (não confundir com maiores) vendas da história do FC Porto. A média de golos é um mérito intocável, mas Marega desperdiçou tantas ocasiões de golo flagrante como Soares e Aboubakar juntos (21 - 9 delas em clássicos), embora dos três o maliano tenha sido o jogador que melhor eficácia de dribles (65%) e duelos ganhos (48%) teve, tendo sido também o mais rematador (96 disparos na Liga, contra 77 de Aboubakar e 53 de Soares). Ainda assim, e apesar da evolução desde o início da época, foi o pior passador do plantel (67%) e o jogador com maior percentagem de perdas de posse nas provas da UEFA. Continuar a apostar num esquema de jogo tão dependente da dimensão física de Marega é uma fórmula que pode não surtir o mesmo sucesso na próxima época. Por isso, sim, se houver propostas, poderá ser a altura ideal para Marega sair... Restando saber se Sérgio Conceição planeia, ou não, continuar a apostar num esquema que privilegie - ou que faça mesmo depender - a presença de Marega.

Contrato até 2021
Tiquinho Soares - Se Aboubakar só durou até janeiro, Soares só durou em fevereiro. Esteve à beira de sair no mercado de inverno, mas o negócio falhou e Soares acabou por permanecer no plantel, tendo de imediato sido puxado para a titularidade por Sérgio Conceição, que recuperou bem o avançado. Soares entrou a matar, com 10 golos em fevereiro, mas desde então não mais voltou a marcar, vítima de uma lesão que lhe tirou um mês de competição numa altura em que estava em excelente forma. O brasileiro já tinha tido o azar de perder a titularidade logo no arranque da época, fruto de nova lesão, e a sua produtividade ofensiva acabou por se revelar curta nas últimas semanas da temporada. Dificilmente terá mercado para sair e tudo aponta para a sua continuidade no FC Porto, com o desafio de ter que melhorar a sua média de golos na Liga (um a cada duas jornadas).

terça-feira, 26 de junho de 2018

Análise 2017-18: os atacantes (1)

Contrato até 2020
Jesús Corona - Muitos esperavam que 2017-18 fosse a época da afirmação, mas a última temporada acabou por ser a pior do extremo mexicano ao serviço do FC Porto. A sua concorrência para a posição eram, basicamente, jogadores que o FC Porto havia dispensado no passado recente, mas a inconsistência acompanhou toda a temporada de Corona, que terminou a época com apenas 3 golos e 4 assistências. Sérgio Conceição bem puxou por Corona, fazendo dele titular no início da época, mas, com exceção ao grande golo em Braga, foi um ano de pouquíssima produtividade para Corona, por certo também afetado por problemas do foro familiar que devem ser tidos em conta. Ainda assim, contam-se pelos dedos das mãos as vezes em que Corona fez a diferença, e muitas as em que mal se fez notar em campo. O jogador de 25 anos custou 10,5 milhões por 70% do passe e tem apenas mais dois anos de contrato. Ou seja, aproxima-se o momento em que há que decidir se vamos renovar a aposta em Corona ou se o melhor será tentar encontrar uma saída. Tem tudo para ser, a par de Brahimi, o principal desequilibrador no plantel, mas três anos depois continuamos à espera do mesmo: que o potencial se traduza em eficiência. Ter que esperar quatro épocas até ver um match-winner se afirmar não costuma ser bom sinal.  

Contrato até 2019
Yacine Brahimi - O mais virtuoso jogador do plantel e o rei do drible. Com 12 golos e 10 assistências (ficou a uma contribuição da melhor época da carreira), Brahimi foi muitas vezes um oásis de criatividade e imprevisibilidade num futebol limitado, em grande parte da época, a jogo direto e bola na frente. Brahimi acabou a época com o maior número de dribles eficazes da Liga (167 - mais do dobro do segundo melhor da I Liga, Gelson Martins, e apenas superado por Messi nas Ligas europeias) e foi o jogador com mais duelos ganhos no Campeonato, num total de 306. Foi o jogador mais castigado dos três grandes, com 95 faltas sofridas, e teve apenas um factor particularmente negativo no seu rendimento: a ineficácia nos cruzamentos (embora a sua função fosse sempre mais o movimento interior), pois em toda a época teve apenas um cruzamento eficaz no Campeonato. 

E agora? Brahimi está a um ano do final de contrato, por isso ou renova ou sai. A questão é que Brahimi nunca será um jogador que garantirá uma grande venda ao FC Porto, pois a SAD detém apenas 50% do passe, e as opções de compra e revenda estabelecidas com a Doyen expiraram em 2017. E tendo em conta que Brahimi poderá assinar livremente por outro clube a partir de janeiro, é natural que, com o aproximar do próximo ano, fique cada vez mais difícil renovar com o argelino, pois as exigências dos jogadores e dos respetivos representantes sobem sempre a partir do momento em que começam a surgir outros clubes em carteira. Um caso para definir o quanto antes, pois Brahimi na próxima época dificilmente valerá mais do que agora, e desportivamente o FC Porto dificilmente arranja um extremo da sua qualidade pela verba que o argelino eventualmente render. Renovar será caro, muito caro, e difícil, mas desportivamente perder Brahimi seria um golpe rude para Conceição. 

Contrato até 2019
Hernâni - Ficou no plantel meramente perante a falta de alternativas e nada mudou desde que assinou pelo FC Porto: não tem qualidade para jogar a este nível. Foi apenas uma vez titular no Campeonato e foi jogando alguns minutos residuais ao longo da época, tendo contribuído com apenas um golo e uma assistência. A sua grande velocidade é uma caraterística que não é acompanhada por capacidade de decisão, eficácia no 1x1 ou perigo para as balizas adversárias. Tem apenas mais um ano de contrato, logicamente não justifica a renovação e o FC Porto deve procurar uma saída que permita o melhor encaixe financeiro possível - por outras palavras, não vale a pena renovar para andar a emprestar. O que Hernâni produziu na equipa A nesta época um extremo da equipa B não faria pior. 

Compra obrigatória
Majeed Waris - Foi o único jogador escolhido a dedo por Sérgio Conceição como reforço para o FC Porto em 2017-18, mas o ganês não conseguiu ter qualquer impacto na equipa. Além de ter chegado a um clube, país e realidade muito diferentes, Waris não trazia qualquer tipo de ritmo competitivo de França, algo que se refletiu no seu rendimento - ou falta dele. Não voltou a jogar desde que foi lançado na «piscina» de Paços de Ferreira, num jogo totalmente impróprio para as suas caraterísticas (e o treinador seria, certamente, o primeiro a saber isso), e pelo que foi o seu rendimento em 2017-18 não justificaria a continuidade. No entanto, a SAD está obrigada a ficar com Waris a título definitivo, e tudo aponta para que o avançado seja um jogador particularmente explorado por Sérgio Conceição na próxima época. Waris terá a possibilidade de começar a época de raiz, de fazer a pré-época, de trabalhar a vertente física e ser integrado nas ideias do treinador. Se Waris foi o único escolhido a dedo por Sérgio Conceição na última época, seria uma surpresa e até mau sinal se o treinador desistisse da sua aposta tão cedo. Por isso, Waris pode muito bem tornar-se um dos reforços para 2018-19.  Deve.

sábado, 2 de junho de 2018

Análise 2017-18: os guarda-redes

Iker Casillas - Muito simples. Se Iker não tivesse regressado à baliza, o FC Porto muito provavelmente não teria chegado ao título. Porque ter Iker entre os postes não era apenas ter o melhor guarda-redes do FC Porto em campo: era ter estofo, experiência, voz de comando e saber dar confiança à sua defesa. 

Contrato até 2019
Já todos sabem que os guarda-redes do FC Porto são muito menos expostos a remates dos adversários do que os demais da Liga - por isso não importa saber quantas defesas fazem, mas sim a sua percentagem de aproveitamento. E nesse caso, Iker foi o guardião com mais percentagem de remates travados na Liga - 78,3%, ligeiramente acima de Rui Patrício (77,8%). E Iker Casillas melhorou, pois na época passada tinha defendido 75% dos remates e na primeira apenas 70%.

Já com contrato renovado por mais uma época, e com uma redução salarial bastante significativa (embora o FC Porto não pudesse dizer nunca que o espanhol era um jogador caro, pois não foi essa a posição assumida pela SAD no dia da sua chegada), Iker Casillas dá garantias de mais uma temporada na baliza, a nível interno e europeu. E bem, sendo que agora já sabem que têm 12 meses para preparar a sua sucessão - algo para a qual o FC Porto não teria capacidade de resposta interna caso Iker, conforme chegou a estar previsto, deixasse o clube. 

Contrato até 2020
José Sá - Não estava, não está, minimamente preparado para assumir a titularidade na baliza do FC Porto. Sérgio Conceição teve a oportunidade de deixar claro que a sua opção refletia o rendimento nos treinos - e nós, adeptos, não sabemos o que se passa no Olival, logo há sempre essa ressalva. Mas José Sá nunca mostrou ser um fora de série, nem sequer ao longo do seu percurso de formação. Foi dispensado de um Benfica que tinha Bruno Varela como projeto para a baliza, nunca chegou a ser titular indiscutível no Marítimo e tinha apenas um jogo de I Liga pelo FC Porto (derrota contra o Moreirense em 2017) antes de se tornar aposta de Sérgio Conceição.

Não funcionou. José Sá tem 25 anos e, em toda a sua carreira, acumula apenas 31 jogos de I Liga. Pouca experiência, poucas provas dadas. Sempre se revelou um guarda-redes algo permeável (consentiu 41% dos remates que enfrentou no Campeonato), e na Liga dos Campeões foi o segundo pior guarda-redes em prova, com uma percentagem de defesas de apenas 50%. O vendaval de Liverpool acontece uma vez na vida, mas se Munique foi cidade madrasta para Fabiano, Liverpool não poderia ser diferente para José Sá e foi o pretexto para voltar atrás numa aposta falhada.

Como ponto positivo ficam duas boas defesas frente ao SC Braga, no Dragão, e pouco mais. Tem mais dois anos de contrato e não vai evoluir estando no banco, e estando em campo arrisca comprometer. A sua continuidade na próxima época não faz sentido, pois de Beto a Bracalli, foram vários os guarda-redes de qualidade superior e dispensados nas últimas épocas.

Contrato até 2021
Vaná - Na perspetiva de 2017-18, foi uma contratação desnecessária, e o desenrolar da época comprovou-o. O FC Porto não tinha muito dinheiro para gastar, mas o pouco que havia gastou num guarda-redes que passou a maior parte da época na bancada. Estamos a falar de um guarda-redes que nem sequer rodou nas Taças. Jogou apenas no jogo da consagração do título e revelou-se uma pessoa muito divertida ao longo dos festejos, mas ter apenas uma época de Feirense e de I Liga no currículo, aos 27 anos, não oferece grandes perspetivas de futuro. A sombra de Casillas e um papel secundário são o máximo que lhe pode esperar na próxima época - a diferença é que Vaná não chegou a ter a sua oportunidade, enquanto José Sá teve-a e desperdiçou-a. 

Contrato até 2019
Fabiano - O seu papel ao longo de 2017-18 já foi um pouco descrito nos «Bonés» da última jornada da I Liga. O melhor Fabiano é melhor do que o melhor Josá Sá e o melhor Vaná. Mas aos 30 anos, e depois de superar graves problemas físicos, Fabiano está a uma época do final de contrato e é raro ter um guarda-redes que, depois de perder a titularidade, fique no clube para um papel de suplente. É sabido que Sérgio Conceição aprecia as qualidades de Fabiano, algo que pode favorecer o brasileiro na decisão. Para todos os efeitos, estando em forma, é o segundo melhor guarda-redes do plantel principal. Chegará para fazer sombra a Casillas? Ou fará mais sentido que a sombra de Casillas em 2018-19 seja alguém capaz de pegar no seu lugar em 2019-20? Integrar Diogo Costa definitivamente nos trabalhos da equipa A, jogando com regularidade na B e ganhando o seu espaço nas Taças nacionais, é algo a ter em conta, sobretudo porque já renovou até 2022.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Campeões e recordistas

Não há maior testemunho da reabilitação competitiva que Sérgio Conceição injetou no FC Porto: ainda adeptos, jogadores e clube estavam na «ressaca» da conquista do Campeonato e já o treinador se tinha proposto ao recorde de pontos num Campeonato a 34 jornadas. Ninguém entrou em campo em Guimarães já a festejar, com cara e cabelo pintados e meramente para cumprir calendário. Não, havia um recorde a alcançar.

E o FC Porto tornou-se a equipa com maior pontuação de sempre num Campeonato a 34 jornadas (não confundir com aproveitamento máximo de pontos - essa marca foi estabelecida em 2010-11, com 93,3% de pontos conquistados). O Benfica também fez 88 pontos em 2015-16, certo, mas com uma vantagem de apenas dois pontos sobre o segundo classificado. Logo, os 88 pontos do FC Porto ganham especial relevância por terem deixado o Benfica a um Celta de Vigo de distância, leia-se, a sete pontos. 

Concluiu-se assim uma época que pode ser resumida numa palavra: superação. Sérgio Conceição não teve pudor em assumi-lo: não tinha o melhor plantel, não tinha os melhores jogadores, não teve reforços no mercado de verão. Não passou a ter um plantel vasto e completo no decorrer da 
época. Mas construiu uma equipa, que jogou até ao limite. É certo que a qualidade exibicional do FC Porto decresceu bastante desde o final de fevereiro - desde então, a esmagadora maioria das vitórias foram conseguidas pela margem mínima -, mas isso não retirou os estatutos de melhor ataque e melhor defesa ao plantel. Nem de melhor futebol.

Campeões nacionais com 7 pontos de avanço, objetivos cumpridos na Liga dos Campeões, e as finais da Taça da Portugal e da Taça da Liga ficaram à distância de um pouco mais de felicidade nas grandes penalidades. Plantel valorizado em várias unidades e comunhão absoluta entre adeptos e equipa. Segue-se um merecido descanso, com a garantia de que na próxima época será muito, muito difícil fazer melhor; mas que ninguém duvide que a meta de Sérgio Conceição será precisamente essa - mais e melhor.




Iván Marcano (+) - Na sua mais do que provável despedida do FC Porto, assinou o golo da vitória e entrou para a lista dos 10 defesas mais goleadores da história do clube. Exibição muito sóbria na defesa, com os atacantes do Vitória a não darem muito trabalho, por isso foi na grande área adversária que Marcano mais se distinguiu, tendo ainda criado uma ocasião de golo. A caminho de completar 31 anos, está no pico de maturidade e experiência, e arrisca deixar um vazio que o plantel, neste momento, não tem condições para preencher.


Alex Telles (+) - Fechou a época com a 14ª assistência no Campeonato, 20ª na época, e termina a temporada como o jogador que mais ocasiões de golo criou em toda a época - 95 no total. É certo que o brasileiro bate as bolas paradas, algo que ajuda a reforçar os números, mas é mais do que Brahimi (50 ocasiões) e Herrera (40), o 2º e 3º mais influentes, juntos. Certinho na defesa, disponível no ataque, voltou a estar na génese das principais jogadas de perigo dos dragões. Termina a época como uma das tentações do mercado de verão... e um forte candidato a ver o seu estatuto reforçado no Dragão em 2018-19.

Héctor Herrera (+) - Nem parecia que estava na ressaca de uma semana de festa e relaxamento. Foi de longe o jogador com mais ações com bola (90), ganhou 9 dos 14 duelos que disputou, criou uma ocasião de golo e esteve surpreendentemente bem no passe longo, ao acertar 6 das suas 7 tentativas. Encheu o meio-campo e acumulou um total de 16 intervenções na defesa, entre cortes, desarmes e recuperações de bola. Um jogo de pulmão cheio.

O regresso de Fabiano (+) - Um pouco à margem do jogo, mas é um momento que merece ser assinalado. Para quem não se recorda, Fabiano foi o guarda-redes menos batido das Ligas europeias em 2014-15. Uma prova de que o futebol e as balizas podem ser mundos tão complexos que o mais difícil - não sofrer golos - pode não ser de todo suficiente para encher as medidas a treinadores e adeptos. Perdeu a titularidade e o lugar no clube depois dos 6x1 de Munique. O mesmo jogo onde também estiveram jogadores como Marcano, Herrera ou Brahimi, agora «heróis» da época 2016-17.

Fabiano foi dispensado e emprestado ao Fenerbahçe, depois de Casillas ter sido contratado (ao contrário do que chegou a dizer Pinto da Costa ao El País, tendo afirmado que a hipótese Casillas só surgiu depois de Fabiano ter ido para a Turquia). O brasileiro dificilmente teria muito espaço para jogar no Fenerbahçe, pois Demirel é quase intocável para o clube e adeptos. Esteve duas épocas no Fenerbahçe, mas sofreu uma lesão grave. Voltou a Portugal e ao FC Porto meramente para tratar da lesão, mas Sérgio Conceição decidiu incluí-lo no plantel como sendo jogador da equipa A. Um ano depois da grave lesão, voltou a jogar, para ser campeão. A emoção no final não é indiferente a nenhum adepto: ver um jogador superar tamanho calvário, até à emoção de voltar a ser campeão no FC Porto, chega a ser simbólico e algo no qual cada adepto se pode rever. 

Terminou a época 2017-18, que será sempre recordada com orgulho e satisfação. A época do «Mar Azul».

segunda-feira, 7 de maio de 2018

A obra completa de Conceição

Há três anos, numa entrevista de Pinto da Costa ao El País, uma agora célebre frase ficou marcada. «Quando se tem Hulk, Falcao ou James, é-me indiferente quem é o treinador. Com eles é difícil não ganhar». Uma declaração na altura infeliz, por desvalorizar aquilo que foi o trabalho dos últimos treinadores campeões pelo FC Porto (AVB e Vítor Pereira), mas que agora pode ser parafraseada face àquele que é o desfecho da época 2017-18.

Com Sérgio Conceição como treinador, foi o contrário: foi indiferente o plantel que lhe calhou em mãos. Não tinha um Hulk, não tinha um James, não tinha um Falcao. Herdou um grupo de jogadores sem cultura de campeão, a lista de dispensas da época passada, não teve um único reforço na pré-época e nem sequer pôde ter o requisito básico de ter dois jogadores por posição. Sérgio Conceição pegou em tudo isto... e fez uma equipa. Uma equipa que acaba de conquistar um dos títulos mais marcantes da história do FC Porto. Não por marcar o fim de um jejum ao qual as últimas gerações não estão habituadas, mas pelas circunstâncias que rodearam o futebol português nos últimos anos. 


O que acontece nas últimas jornadas tem sempre o poder de mudar a perspetiva sobre como os adeptos olham para o resto da época, mas insiste-se no que foi dito no início da época: esta não foi uma época preparada para ganhar o Campeonato. Não foi. A administração do FC Porto foi a única a ser alvo de uma punição por parte da UEFA por ter violado o fair-play financeiro em 2016-17. Logo, a prioridade ficou clara, embora nunca assumida pela administração: não havia margem para investir, havia que capitalizar os recursos já existentes e a prioridade seria cumprir com as metas da UEFA para evitar males maiores. 

E Sérgio Conceição escolheu encarar isso como o maior desafio. Não chegou ao FC Porto trazendo com ele uma ideia de jogo particularmente sedutora nos clubes por onde passou. Cumpriu objetivos por onde andou, mas sem nunca mostrar um futebol condizente com quem tem que assumir jogos e que não pode jogar para o pontinho. Mas tudo isso ficou à porta do Olival. 

O treinador olhou para o plantel a aplicou-lhe o conceito de jogo possível. Temos bons laterais? Então vamos aproveitar a sua profundidade e projeção ofensiva. Brahimi é o que mais se aproxima de um match-winner no plantel? Tudo bem, vamos metê-lo a tirar um, dois, três do caminho e a tentar o último passe. Herrera não se adapta a jogar em posse? Não faz mal, vai ser box-to-box. Corona, Hernâni ou Otávio são demasiado intermitentes para garantir um 4x3x3? Sem problema, temos avançados fortes e velozes, vamos metê-los a cair em cima da linha defensiva adversária, a massacrar os defesas e a jogar em profundidade. 

Sérgio Conceição não fez ometeles sem ovos. Fez bolos, fez o banquete inteiro. Cometeu erros? Certamente, mas teve a sensibilidade e inteligência de saber quando ou como os podia ou devia corrigir. Iker voltou à baliza; Felipe saiu do 11 quando tinha que sair e voltou quando estava bem para regressar; mudou o meio-campo e a forma de jogar em vez de tentar descobrir um novo Danilo - que não havia - no plantel; pegou em Marega, que pouco mais oferecia do que força e velocidade, e fez com que não precisasse de mais do que força e velocidade para ser o melhor marcador portista na Liga; Soares, que podia ter ido para a China em ruptura com o treinador, foi transformado no melhor «reforço» de inverno. E podíamos continuar a enumerar exemplos que só reforçam um treinador que, perante uma enxurrada de problemas, respondeu sempre com soluções. 

É um título de Sérgio Conceição, do grupo liderado por Sérgio Conceição e de constantes provas de superação. Cumpriu os objetivos na Liga dos Campeões, ficou às portas das finais da Taça de Portugal e Taça da Liga devido às grandes penalidades e garantiu matematicamente a conquista do título de campeão nacional quando ainda faltavam disputar dois jogos. E agora está a uma vitória de bater o recorde de pontos do FC Porto numa Liga a 34 jornadas. Sem exigências, sem queixas, sem desculpas, mas com muito trabalho. 

Haverá muito mais a discutir sobre a construção do plantel e sobre o trabalho de Sérgio Conceição no final da temporada, mas para já é tempo de celebrar o feito deste grande grupo de trabalho, responsável pela alegria de milhões de portistas nas últimas horas. Nem padres, nem missas, nem afins: 2017-18 será sempre a época do FC Porto de Conceição.






Yacine Brahimi (+) - Foi o responsável pelo momento alto da noite no jogo de consagração do título, ao marcar com mestria o 2x0. Além do golo, Brahimi criou mais duas situações de finalização, teve 7 dribles eficazes e totalizou 81 ações com bola. Foi o principal agitador de um jogo em que, admita-se ou não, os efeitos de uma noite de festa não poderiam deixar de se fazer sentir.


Sérgio Oliveira (+) - Jogo com grande disponibilidade para chegar à grande área adversária - apareceu cinco vezes em zonas de finalização para tentar o remate, mais do que Soares, Marega e Aboubakar juntos. Foi dessa forma que conseguiu inaugurar o marcador, numa partida em que teve 89% de acerto no passe e priveligiou uma circulação mais segura e curta. 

Ricardo Pereira (+) - Não estava a brincar quando, no meio dos festejos, alertou que no dia seguinte havia jogo. Para Ricardo, foi como se os três pontos em causa fossem determinantes para a conquista do Campeonato. Aos 90 minutos ainda andava a percorrer todo o corredor com grande fulgor, ele que contribuiu com 13 ações defensivas e reforçou o seu estatuto de jogador com melhor eficácia de desarme no Campeonato (99 em 119 tentativas). Além disso, ainda criou duas ocasiões de golo, uma delas flagrante.

Tempo de celebrar e desfrutar, mas sem esquecer que ainda há um jogo para se disputar, em Guimarães. O FC Porto está a uma vitória de se tornar o clube com melhor desempenho num Campeonato a 34 jornadas. Que a sede de ganhar seja para manter. Por outras palavras: que Sérgio Conceição seja para manter, por muitas e boas épocas!


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Caça ao golo em quatro finais

Ao sétimo e último clássico da época, a primera derrota frente a um dos rivais. As grandes penalidades voltaram a ser uma realidade na qual o FC Porto não encontrou a felicidade, ironicamente novamente com os ferros à mistura. Para trás ficam 660 minutos (sete jogos + um prolongamento) nos quais o FC Porto confirmou dois predicados nos clássicos esta época: uma equipa que defende bem, mas que também denuncia muitas limitações na dimensão ofensiva. 

Em Alvalade, repetiu-se um filme que não era inevitável, mas que já havia sido anunciado. Recordando aquele que foi o único «Machado» do jogo da primeira mão, em que o FC Porto venceu por 1x0, golo de Soares. 


No post anterior também já tinha sido feito o alerta: o Sporting venceu todos os jogos que disputou em Alvalade, a nível interno, desde o início de novembro e sempre sem sofrer golos (se der para prolongarem essa sequência até à receção ao Benfica, a malta é capaz de agradecer). Mas o que aconteceu ao longo dos quase 90 minutos em Alvalade? O FC Porto fez o que quis. 

Sérgio Conceição montou uma equipa para anular o Sporting. E conseguiu-o, quase até ao final. Essa foi uma constante nos clássicos desta época: o FC Porto poucas vezes concedeu grandes ocasiões de perigo aos rivais. Basta dizer que foram apenas 2 golos sofridos: o de Rafael Leão, no Dragão, e o de Coates, numa jogada de ressaltos/bola parada. É atípico sofrer tão poucos golos em clássicos. 

O Sporting, obrigado a ganhar e à reviravolta, foi quase inexistente ao longo dos 90 minutos. Bas Dost não se viu a incomodar Casillas, Bruno Fernandes não teve espaço para a meia distância nem para o último passe, os laterais foram barrados e o pouco que Gelson produziu não chegou para pôr à prova Casillas. No que toca à missão defensiva, o FC Porto esteve quase sempre no controlo.

Mas faltou pensar no outro lado. Pois se é verdade que o FC Porto secou o Sporting, também há que reconhecer que o FC Porto foi absolutamente inexistente no ataque. Rui Patrício não fez uma defesa. E, cúmulo das ironias, também não teve que defender nenhum penálti para seguir em frente. O Sporting pouco conseguiu fazer, mas Rui Patrício também não teve que fazer quase nada. Não combina com algo positivo. 

Na primeira parte o FC Porto teve momentos de boa circulação, soube jogar em apoio e com as linhas mais próximas do que o fez na Luz, mas a equipa praticamente não teve presença nos últimos 18 metros. Admita-se ou não, o FC Porto jogou sempre com o 1-0 da primeira mão no pensamento, e não admitiu nunca que o Sporting pudesse chegar ao golo e forçar o prolongamento. 

Um momento muito contentado pelos adeptos do FC Porto foi a última alteração de Sérgio Conceição, a entrada de Diego Reyes. E a verdade é que essa alteração, dentro das opções existentes, é de fácil compreensão.

O FC Porto esteve sempre em controlo do jogo. O Sporting, mesmo após a entrada de Montero para jogar ao lado de Bas Dost, não estava a colocar bolas na zona de finalização. Mas Sérgio Conceição quis antecipar-se à possível reação do Sporting. Felipe e Marcano estavam a jogar para dois avançados do Sporting. E, para os mais esquecidos, o FC Porto não só não tem Danilo como não tem nenhum outro médio-defensivo no plantel. Ali, naquele momento, foi a alteração que qualquer treinador faria: colocar um tampão na zona central, para evitar que os centrais fiquem expostos a uma situação de 2x2.

E poderia perfeitamente ter funcionado. Tanto que o golo do Sporting acontece depois de duas situações que nada têm a ver com a composição tática da equipa: uma bola parada e, logo depois, um corte incompleto de Marcano. Foi o pior que podia ter acontecido: no momento em que reforça o setor defensivo, e até ganha mais argumentos para as bolas paradas defensivas, o FC Porto sofre um golo que é raro de ver acontecer nesta equipa (uma falha de um central na grande área).

Nas grandes penalidades, Sérgio Conceição fez o inverso ao que é comum nos jogos: colocou os defesas a bater primeiro. E Herrera, Aboubakar e Brahimi, que tinham falhado na Taça da Liga, ficaram fora da lista dos 5 batedores. O único a falhar foi Marcano (que tinha marcado na vitória no Campeonato), que até conseguiu enganar Rui Patrício, mas o poste voltou a fazer a diferença. 

Mas foi pelos penáltis que o FC Porto se pode queixar de falhar o Jamor? Não. Foi por um lance de infelicidade na grande área e por não ter tido a ambição de procurar um golo que mataria a eliminatória em Alvalade. O FC Porto esteve tão concentrado e empenhado na missão de anular o Sporting, algo que conseguiu quase até ao fim, que se esqueceu de impor a sua própria força. 


A dificuldade do FC Porto em fazer golo nos grandes jogos já foi aqui diversas vezes analisada, desde a Champions aos clássicos. Mas curiosamente, isto vai de encontro à filosofia que Sérgio Conceição assumia antes de chegar ao FC Porto. 


Com Sérgio Conceição, os clássicos não são jogos para 4x3. São jogos para 1x0. Uma equipa que defende bem, anula bem o adversário, mas que depois acaba por se limitar a ela própria no ataque. Há que reconhecer que o FC Porto, nos sete clássicos disputados, teve muito mais volume ofensivo do que os adversários, mas para a história ficam apenas quatro golos - ou cinco, contando com o que foi anulado a Herrera na receção ao Benfica. 

A última imagem é sempre a que fica. Por isso recordamos sempre o golão de Herrera na Luz, aos 90 minutos, e ficámos a ver uma exibição de muito empenho, garra, luta e dedicação até ao final. Mas a verdade é que, até ao golo de Herrera, a última vez que o FC Porto tinha criado perigo foi no remate em arco de Brahimi, aos 66 minutos. Desde então, foram quase 25 minutos em que o FC Porto não metia bolas na frente, não chegava à grande área e não criava situações de remate. Não tivesse existido o golo de Herrera e provavelmente muitos encontrariam, na exibição do FC Porto na Luz, tantos ou mais defeitos do que os viram nas meias-finais da Taça em Alvalade. 

Mas a que se deve essa seca de golos? À dinâmica da equipa? Ou ao subrendimento individual? Basta olhar para a seca de golos dos avançados para perceber que passa por aí. Porque as lesões não só limitam o FC Porto nas suas opções. A lesão, além de afastar um jogador dos relvados, quebra o momento de forma/ritmo que esse atleta vinha tendo.

Aboubakar é um exemplo disso. O maior, aliás. Em dezembro era o segundo avançado mais concretizador da Europa, só atrás de Cavani. Mas nos últimos três meses e meio só conseguiu um golo. Soares marcou oito golos em fevereiro. Desde então não voltou a faturar. Brahimi, nas últimas 13 jornadas, teve intervenção direta em apenas 3 golos. Marega, o melhor marcador no Campeonato, não serve para os jogos grandes (leia-se, Champions, clássicos, eventualmente os jogos com o SC Braga - Marega não marcou nenhum golo nos principais desafios). Waris e Gonçalo Paciência foram reforços de inverno para o ataque, mas não só não faturaram como estão na cauda das opções para o ataque. 

Os avançados do FC Porto não estão a conseguir faturar. Entre lesões e azares, já lá vão dois meses desde a última vez em que os avançados do FC Porto fizeram golos (Marega e Soares, em Portimão). É certo que há o desgaste da época, e que a equipa atravessa a fase de maior exigência e dificuldade da temporada. Mas nos últimos dois meses, o FC Porto fez apenas 7 golos - nos 135 minutos anteriores a este ciclo, em Portimão e no Estoril, tinha feito oito. 

O Jamor já lá vai. O FC Porto não vai à final da Taça de Portugal, mas terá quatro finais pela frente. As próximas duas jornadas são de uma importância nuclear. Se o FC Porto passa o Vit. Setúbal e o Marítimo, pode ter uma oportunidade para matar o Campeonato na 33ª jornada. Sendo que não pode haver ilusões: se o FC Porto não fizer a sua parte, rapidamente corre o risco de ver o Sporting ficar mais próximo do que propriamente a liderança do Campeonato. Margem de erro zero. Há expetativas de ver o Benfica escorregar em Alvalade, mas o FC Porto só terá interesse em meter olhos nesse jogo se fizer seis pontos nas próximas duas jornadas. 

O Vit. Setúbal empatou na época passada no Dragão. E para quem não se recorda, o Benfica tinha empatado em Paços de Ferreira. Ou seja, se o FC Porto tivesse vencido os sadinos, passava para a liderança da Liga, à 26ª jornada, mas falhou. No espaço de um ano, o Vit. Setúbal empatou na Luz, ganhou ao Benfica no Bonfim, tirou pontos ao Sporting e, há duas semanas, só não voltou a empatar contra o Benfica por culpa de um penálti arrancado nos descontos. Máxima exigência, máxima seriedade.

Quatro finais para ganhar o Campeonato. Hoje podem ficar a faltar apenas três. E não vão ser 90 minutos. O Vit. Setúbal não vai deixar jogar 90 minutos. Nem metade. Quanto mais tardar o golo, mais a equipa adversária poderá dedicar-se à missão de atrasar a reposição da bola em campo, passar tempo a rebolar no chão e tentar enervar a equipa do FC Porto. No final não queremos uma equipa a queixar-se do anti-jogo: queremos sim, desde o início, uma equipa que não vai deixar o adversário fazer anti-jogo, pois vai atacar, massacrar e marcar cedo. 

Depende de vós.

domingo, 15 de abril de 2018

Mais do que 90 minutos

Continhas rápidas: uma vitória deixa o FC Porto na frente, com vantagem no confronto direto e em posição favorável na luta pelo título a quatro jornadas do final; um empate mantém tudo em aberto, mas levará o FC Porto a depositar quase todas as esperanças no que o Sporting possa fazer; e uma derrota pode deixar o FC Porto mais perto do 3.º lugar do que da liderança no fecho da 30ª jornada. 

É um jogo vital. São mais do que 90 minutos. São 90 minutos que podem resumir e simbolizar toda a luta não só desta época, mas também dos últimos quatro anos. 

Quando olhamos para o adversário, o que vemos? Um líder justo e meritório? Não. Vemos o Benfica dos zero pontos europeus. O Benfica que não sabe o que é ganhar um jogo de Champions ou um clássico esta época, que foi arrumado das Taças por equipas inferiores, que só não saiu do Dragão praticamente arredado da luta pelo título graças à eucaristia

Significa que está no papo? Claro que não. Porque isto só torna este clássico mais alarmante e importante: perder um título de campeão nacional, no qual chegámos a ter uma vantagem muito favorável, para o Benfica dos zero pontos europeus? No ano em que o Benfica foi ridicularizado pela Europa do futebol, vai conseguir igualar o FC Porto no feito único de ser pentacampeão nacional? 

É muito mais do que uma questão de orgulho. No post anterior, O Tribunal do Dragão aprofundou esta questão já comentada no início da época: esta não foi uma temporada preparada para fazer do FC Porto campeão. Mas a equipa superou-se, manteve-se de pé e chega à 30ª jornada da Liga a depender de si própria para acabar com o jejum de troféus. Graças a Sérgio Conceição, graças aos jogadores, graças ao balneário. Foram eles quem trouxeram o FC Porto até aqui. E são eles quem merecem esta oportunidade.

90 minutos. Mas são 90 minutos que vão muito para além disso. Está muita coisa em jogo. O mais importante, o regresso do FC Porto aos títulos. Não só na tentativa de recuperar o estatuto e o lugar que já foi seu, mas na defesa do seu legado, o de único pentacampeão nacional. Temos um grupo de jogadores que não sabe o que é ganhar no FC Porto. E esse é o maior desafio que podem ter: 90 minutos em que podem mudar a história. Entrar para a história, ou passar à história. 

Esta não é só a época do Benfica dos zero pontos europeus. Esta é a época dos e-mails, dos padres, das missas. Não vale a pena ter ilusões: por mais processos que corram, o Benfica não vai perder os títulos que já conquistou e não vai ter penalizações desportivas. Esqueçam. O máximo que poderíamos espremer disto é que todo o modus operandi do Benfica, ao longo do seu ciclo de tetracampeão, foi exposto. E isso deveria limitar o Benfica em toda a sua estratégia fora de campo. Então, na época em que se dão a conhecer os padres e as missas... o Benfica tornar-se pentacampeão? Não. Impensável. É mais do que uma questão de orgulho. É uma questão de justiça.

Temos 90 minutos para colocar um travão a isso. O Rúben Dias e o Fejsa vão dar porrada. O Pizzi vai passar o jogo a mandar vir e a semear perdigotos. O Rafa e o Cervi vão fartar-se de correr e de tentar ganhar em velocidade e em diagonais. O Jonas vai ser matreiro, vai ganhar faltas, vai saber provocar. Felipe, Brahimi e Soares vão ser particularmente picados durante o jogo. E do outro lado está o treinador que disse, na antevisão à partida, que não gostava de usar a palavra «guerra», mas que ironicamente publicou um livro chamado «A Arte da Guerra». Coerente. 

São mais do que 90 minutos. São a honra e o orgulho de 124 anos de história. 

domingo, 8 de abril de 2018

A mesma luta

Depois do jogo em Paços de Ferreira, O Tribunal do Dragão escrevia: «FC Porto, Benfica e Sporting vão muito provavelmente voltar a perder pontos nas próximas jornadas, mesmo à margem dos clássicos que faltam disputar.» Seguiu-se a vitória q.b. sobre o Boavista, com o mesmo alerta para a «extremamente difícil visita ao Belenenses, num jogo que pode ser tão traiçoeiro quanto as visitas a Moreirense, Aves ou Paços de Ferreira». E assim foi, pois o FC Porto deixou no Restelo pontos e a liderança no Campeonato. 

Faltam seis jornadas para o fim da época, e não vale a pena fazer contas: é preciso vencer. Tal como o é desde a primeira jornada. Mas mais do que uma retrospectiva aos 90 minutos no Restelo, importa é recuar 10 meses atrás e recordar o post «A luta de Sérgio», aproveitando para relacionador alguns trechos publicados na altura com a realidade atual da equipa:

«O FC Porto não é, neste momento, um clube ganhador, que esteja a conquistar títulos e troféus. Não é um clube onde os treinadores chegam, veem e vencem. Vamos cumprir um período de pelo menos cinco anos sem títulos. Temos então o nome de Sérgio Conceição: é um treinador ganhador? Também não, ainda não conseguiu troféus na sua carreira de treinador. 
Então. Clube que não está a ganhar + treinador que nunca ganhou... O que faz os adeptos acreditarem? Nada mais do que a mística e a vontade intrínseca de vencer. Pois se o clube não está, atualmente, numa fase vitoriosa, que exigências podem ser apresentadas a Sérgio Conceição para que ganhe no FC Porto pela primeira vez? E que condições terá ele para isso?»

A seis jornadas do final da época, as circunstâncias são as mesmas. Depois da derrota por 5x0 com o Liverpool, o TdD escrevia que Sérgio Conceição e o plantel tinham, efetivamente, culpas: o milagre que tem sido esta época é tão vasto que faz os adeptos acreditarem que estávamos em piloto automático rumo ao título. Que podíamos arrumar o Liverpool, que se calhar íamos à Luz carimbar já o título e que a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal será pouco mais do que uma formalidade. Pura ilusão. 

Esta não foi uma época preparada para o título. Nunca foi. Foi uma época atípica, em que o FC Porto não pôde reconstruir o plantel, fruto da má gestão da SAD que terminou no incumprimento do fair-play financeiro. Sérgio Conceição pegou no que tinha. Combinou os jogadores que ficavam, os que a SAD não conseguiu vender por propostas razoáveis e outros que seriam dispensados na maioria dos plantéis dos últimos 12 anos.

E o que foi fazendo o FC Porto jornada após jornada? Foi apresentando números no ataque, na defesa e na tabela classificativa do melhor que já se viu na história do clube. Isto são factos, é o que fica para a história. Mas isto nunca passou a ser uma época de condições favoráveis. Nunca. O plantel não passou de curto a vasto, e as últimas semanas foram a maior prova disso. 

Sérgio Conceição foi espremendo este plantel até ao máximo. Terminámos o mês de fevereiro a marcar em abundância, a jogar um futebol de grande qualidade e a vitória sobre o Sporting, no Dragão, elevou os índices de confiança ao máximo. Mas seguiu-se um banho de realidade: a equipa estourou. 

Nenhum plantel resiste eternamente a uma onda de lesões que priva o treinador das suas melhores opções. E quando falta qualidade à equipa, também falta qualidade às individualidades. Brahimi, o melhor jogador da primeira metade da época, perdeu gás. Aboubakar, que em dezembro era, a par de Cavani, o melhor marcador de toda a Europa, só pôde contribuir com um golo nos últimos três meses. Soares e Marega também sofreram lesões numa altura em que iam garantindo golos no Campeonato. 

Durante toda a ausência de Alex Telles, o FC Porto deixou de fazer golos de bola parada. Sérgio Oliveira, tal como aconteceu com José Peseiro, fez aqueles dois pares de jogos de boa qualidade, mas é um jogador para quem olhamos e sabemos que, mais tarde ou mais cedo, vai cair da equipa por falta de consistência. Corona, Óliver ou Otávio são nomes que poderiam ter emergido e sido importantíssimos nas últimas semanas, mas não conseguem agarrar-se à equipa. E, infelizmente, os reforços de inverno não estão a ter o impacto mais desejado. 

No Restelo, mais um exemplo de Lei de Murphy. Osorio fez a sua estreia no FC Porto, depois de Iván Marcano ter sido suspenso. E no momento em que estreamos um jogador, acaba por ser o colega do lado, Felipe, a borrar a pintura no Restelo: primeiro, no lance do 1x0, ao sair da sua posição para ir meter-se entre Osorio e Nathan, quando o venezuelano tinha o lance controlado; no 2x0, primeiro faz a falta, desnecessária, que dá origem ao livre, e em seguida há uma repartição de culpas. Maurides é o jogador mais forte a jogar de cabeça da Liga portuguesa. Então por que raio era Osorio, o estreante e um central frágil no jogo aéreo (ganhou apenas 55% dos lances que disputou na Liga - um central do FC Porto tem sempre que ter aproveitamento na casa dos 80-85%), que fez a perseguição direta a Maurides, enquanto Felipe ficou a marcar à zona, no mesmo sítio? Pequenos pormenores, mas que no fim fazem a diferença.


Tudo isto, mais tarde ou mais cedo, acaba por se fazer sentir. Esta equipa tem lutado muito, jornada após jornada. Teve momentos de qualidade, de superação, e não teve o aparo para se manter de pé quando tropeçou. Sim, não nos podemos esquecer que o Benfica deveria ter saído do Dragão a oito pontos. Isto não desculpa uma exibição pálida no Restelo, em que os jogadores podiam e deviam ter feito muito melhor, mas tudo conta no final. 

Recordamos mais uma passagem do referido post do mês de junho:

«Nenhum adepto sabe ainda se Sérgio Conceição vai jogar em 4x4x2 ou 4x2x3x1. Se vai jogar em posse, em transição rápida, se vai ser híbrido. Não é, até à data, um treinador que tenha diferenciado os clubes por onde passou com um estilo de jogo particularmente brilhante ou positivo. O Paços de Paulo Fonseca jogou melhor futebol que o Braga ou o Guimarães (apenas 8 vitórias em 2015-16) de Conceição, por exemplo. O que não é garantia de nada, mas que sugere uma coisa: o FC Porto não está, com Sérgio Conceição, a contratar um modelo ou uma ideia de jogo.»

O FC Porto, efetivamente, não contratou uma ideia de jogo com Sérgio Conceição. Foi o próprio treinador a moldar-se e a procurar a melhor fórmula para a equipa. A determinada altura, tudo estava a funcionar, numa estratégia que explorava acima de tudo os flancos e a profundidade dos avançados. Mas semana após semana, ia ficando a nota nos Machados: este era um modelo com limitações e que, mais tarde ou mais cedo, se tornaria excessivamente previsível. Assim foi.

Não existe jogo interior neste FC Porto. Zero. A equipa tornou-se excessivamente previsível e, no Restelo, só ensaiava dois movimentos: procurar que os laterais fossem projetados nas costas dos extremos para irem à linha, enquanto Brahimi/Ricardo atacariam o espaço interior; como isso não funcionou, os laterais acabavam quase sempre a cruzar a 3/4 do meio-campo, despejando bolas na grande área com pouco ou nenhum critério. Jogo interior, estratégia entre linhas? Zero. É a seis jornadas do final da época que vamos descobrir uma fórmula para meter o FC Porto a saber jogar por dentro? É agora que vamos recuperar o meio-campo a três e tentar meter alguém a pensar o jogo por dentro? 

Seja como for, isto vai de encontro às expetativas sobre o modelo tático de Sérgio Conceição:

«FC Porto não está, com Sérgio Conceição, a contratar um modelo ou uma ideia de jogo. Está, isso sim, a contratar sede de vencer e um homem que vai ao encontro das dificuldades, trocando o conforto pelo risco. Sérgio Conceição não é, provavelmente, a melhor escolha para treinador. Mas como homem, já começou a vencer pelo FC Porto: está disposto a queimar-se a ele próprio para tentar a reerguer o clube que aprendeu a respeitar e a amar».

E após tudo isto... o FC Porto continua a depender de si próprio para ser campeão. Mesmo sem ter conseguido ser, nas últimas semanas, uma equipa evoluída taticamente, a equipa continua de pé. Para trás já ficaram 28 jornadas com uma belíssima média de golos, um bom registo defensivo, goleadas, penáltis por marcar, minutos por dar, anti-jogo ao extremo de adversários e afins. Lesões, muitas lesões. A obrigatoriedade de mudar a equipa quase todas as semanas. 

E, depois de tudo isto, onde estamos? Com os objetivos na Liga dos Campeões cumpridos, em vantagem nas meias-finais da Taça de Portugal e na luta pelo título de campeão, numa época em que não foram reunidas, de base, condições para estarmos nesta luta. A SAD, na preparação para 2017-18, não fez nada. Zero. Engoliu o resultado da sua própria incompetência, foi dando a ilusão de luta/revolta meramente graças aos e-mails que fizeram chegar ao diretor de comunicação para ler (não fosse isto e provavelmente seria uma época a fio sem pestanejar perante o domínio do polvo, como foram exemplo predominante os últimos 4 anos) e ficou à espera que Sérgio Conceição fizesse milagres. E tem feito.

As derrotas em Paços de Ferreira e no Restelo foram um duríssimo golpe, mas a equipa continua de pé. A seis jornadas do final, depende de si própria. Ganhando ao Aves fica com a oportunidade de voltar para a liderança do Campeonato dentro de uma semana. Felipe, Brahimi ou Aboubakar já estiveram no melhor e no pior, e Sérgio Conceição por certo também já cometeu erros. Mas após todos estes meses de trabalho, entusiasmo, evolução, limitações e desilusão... a equipa continua de pé. 

Recordando uma frase do treinador na apresentação no FC Porto: «Não me apetece falar do passado. Quero olhar para o presente e para o futuro e nisso já estamos a trabalhar. O passado não me interessa». Pois bem. As últimas 28 jornadas, as derrotas em Paços de Ferreira e no Restelo, são passado. O presente e o futuro passam por vencer já hoje o Desportivo das Aves.

sábado, 10 de março de 2018

Anfield e o balanço da Champions

Pela primeira vez na sua história, o FC Porto terminou um jogo em Inglaterra sem sofrer golos. Mesmo na anunciada despedida da Liga dos Campeões 2017-18, é um facto assinalável, tendo em conta que foram precisas 19 viagens a terras inglesas para tal acontecer nas provas europeias. É isso que se guarda da visita a Liverpool, num jogo do qual não há muito mais para contar e que certamente não perdurará nos livros de história. 


Tempo de uma apreciação à participação na prova. O FC Porto atingiu o máximo que podia atingir nesta Champions, cumprindo o difícil objetivo de alcançar os oitavos-de-final e que convida a uma reflexão para o médio prazo. O fosso competitivo entre os grandes clubes europeus e as equipas portuguesas promete aumentar e será cada vez mais difícil jogar declaradamente para os 1/8 da Champions. 

Primeiro, porque já só uma equipa terá garantido, via campeonato, um lugar na fase de grupos 2018-19. Depois, porque há que manter em retrospetiva o desempenho dos últimos anos. Por exemplo, com Jesualdo Ferreira, o FC Porto foi sempre aos oitavos-de-final da Champions, em quatro épocas consecutivas, mas nos últimos oito anos já só conseguiu essa meta por quatro vezes. Época após época, estar na elite europeia será cada vez mais complicado. 

E o FC Porto sentiu, precisamente, muitas dessas dificuldades já neste ano. Na Liga portuguesa, o FC Porto tem passeado superioridade jornada após jornada. Boas exibições, goleadas, um dos melhores ataques da história do clube e uma liderança bem vincada após 25 jornadas. Mas na Champions não houve capacidade para revelar a mesma força, com o FC Porto a mostrar, ao longo dos seus oito jogos europeus, muitas dificuldades quer a defender, quer a atacar

Na altura muitos estranharam esta apreciação na fase de grupos, mas o desfecho na prova mostra que não foi acaso. Nos primeiros cinco jogos, o FC Porto marcou 10 golos. Uma boa média num contexto europeu. Mas entre esses 10 golos, 7 foram de bola parada, um de contra-ataque, um numa bola em profundidade e outro numa jogada de insistência e ressaltos na grande área. Não vimos a diversidade ofensiva que o FC Porto apresenta na I Liga. Seguiu-se a goleada ao Mónaco, por 5-2, aí sim já com mais soluções ofensivas, mas frente a um adversário que jogava com suplentes e já arredado da prova. Contra o Liverpool, em 180 minutos, não deu para chegar ao golo. 

Entre lesões, castigos e outros condicionamentos Sérgio Conceição teve sempre as suas opções na Champions limitadas, mas há vários fatores que ajudam a explicar esta dicotomia. Primeiro, tivemos mais defesas do que avançados a marcar na Champions. Repare-se: Alex Telles, Felipe, Marcano, Layún e Maxi Pereira, contra Soares, Aboubakar e Brahimi. Marcaram ainda Danilo e Herrera. E entre todos estes jogadores, apenas Aboubakar marcou por mais do que uma vez (5 golos e 2 assistências, tendo tido influência em 50% dos golos do FC Porto na prova). 

Outro aspecto que mostra a diferença de contexto competitivo é Marega. Na Liga portuguesa, tirando os jogos de maior exigência, é um jogador capaz de garantir golos neste FC Porto, tendo já 20 no Campeonato. Mas na Champions, com exceção das duas assistências que conseguiu fazer no Mónaco, foi quase sempre o elo mais fraco jogo após jogo. As razões são óbvias: na Champions a qualidade das equipas é superior. Quer a defender, quer a atacar. E o facto de, na Liga portuguesa, o FC Porto estar habituado a jogar sempre em meio-campo adversário, contra equipas a jogar com o relógio e para o pontinho, não ajuda a criar o estímulo competitivo necessário para quando toca o hino da Champions. 

Mesmo na dimensão defensiva, houve dificuldades acrescidas. O FC Porto sofreu 15 golos em 8 jogos na UEFA - na Liga portuguesa tem apenas 13 golos consentidos em 25 jornadas. Uma vez mais, as razões são óbvias: os adversários europeus atacam mais, melhor e têm melhores atacantes do que as modestas equipas da I Liga. Mas o estilo de jogo do FC Porto implicava demasiada alergia à bola para poder conviver com a mais alta ambição europeia. Recordando, na fase de grupos: o FC Porto foi a equipa qualificada que menos tempo teve a bola em seu poder (23 minutos de tempo útil) e a 2ª pior percentagem de acerto no passe (77%). Isto prometia problemas que o Liverpool tratou de confirmar. 

Portanto, o FC Porto cumpriu os seus objetivos na Liga dos Campeões 2017-18, mesmo sem jogar um grande futebol e tendo tido diversos problemas/limitações no processo ofensivo e na dimensão defensiva. E há que ter a sensibilidade para compreender que era a primeira época de Sérgio Conceição na Champions, que a equipa mudou de sistema ao longo da prova e que, apesar de tudo, conseguiu apresentar os resultados que eram exigíveis. Os adeptos recordam e saúdam muito mais facilmente a vitória com um golo às três tabelas do que a derrota com uma grande exibição. 

E é precisamente por aqui que temos que terminar: a exigência da SAD em que a equipa marque presença nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Toda esta questão em torno do Estoril x FC Porto revelou um detalhe deveras importante. O FC Porto precisou da bilheteira do jogo com o Liverpool, no Dragão, para pagar dívidas antigas, por jogadores que já nem estão nos quadros do clube, e impedir que o clube chegasse ao final de março sujeito a nova punição por parte da UEFA. Isto já depois de a SAD ter tornado o FC Porto no único clube a ser punido por violar o fair-play financeiro na época passada.

É um tanto irónico. Sérgio Conceição a precisar de reforços e, por exemplo, Iván Marcano em final de contrato. Mas o desempenho desportivo destes profissionais a nível europeu, que permitiu mais um bom encaixe para a SAD, não servia para premiar/reforçar este plantel, mas sim para pagar por atletas que já não estão no clube. Não estamos a falar do prémio pela qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, de seis milhões de euros. Estamos a falar da receita de bilheteira, que tem sempre um peso altamente reduzido nos proveitos operacionais da SAD, sobretudo estando a falar de apenas um jogo.

O risco mantém-se época após época, mas há muito que O Tribunal do Dragão o defende: as épocas deveriam ser orçamentadas não contando com receitas da UEFA que a SAD não sabe se vai ter, sobretudo a partir desta época. Entre Benfica, Sporting ou FC Porto, dois deles não vão ter receitas da entrada na Liga dos Campeões no próximo exercício (sendo que um ainda poderá apurar-se, via pré-eliminatória e play-off). Entrar na Champions é cada vez mais difícil, quanto mais lutar por um lugar nos 1/8.

É compreensível que o FC Porto não quer perder competitividade e que o risco é a gestão da SAD há muitas épocas, mas tendo em conta que (ainda) estamos a atravessar o maior jejum de troféus das últimas décadas, sobrecarregar o plantel não é o caminho sustentável. Até porque todos concordam: desportivamente, o maior objetivo é ser campeão nacional. Mas o que dá dinheiro não é ganhar a I Liga, é a qualificação e o desempenho para as provas da UEFA. 

A necessidade financeira não pode ser maior do que a ambição desportiva.