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sábado, 2 de junho de 2018

Análise 2017-18: os guarda-redes

Iker Casillas - Muito simples. Se Iker não tivesse regressado à baliza, o FC Porto muito provavelmente não teria chegado ao título. Porque ter Iker entre os postes não era apenas ter o melhor guarda-redes do FC Porto em campo: era ter estofo, experiência, voz de comando e saber dar confiança à sua defesa. 

Contrato até 2019
Já todos sabem que os guarda-redes do FC Porto são muito menos expostos a remates dos adversários do que os demais da Liga - por isso não importa saber quantas defesas fazem, mas sim a sua percentagem de aproveitamento. E nesse caso, Iker foi o guardião com mais percentagem de remates travados na Liga - 78,3%, ligeiramente acima de Rui Patrício (77,8%). E Iker Casillas melhorou, pois na época passada tinha defendido 75% dos remates e na primeira apenas 70%.

Já com contrato renovado por mais uma época, e com uma redução salarial bastante significativa (embora o FC Porto não pudesse dizer nunca que o espanhol era um jogador caro, pois não foi essa a posição assumida pela SAD no dia da sua chegada), Iker Casillas dá garantias de mais uma temporada na baliza, a nível interno e europeu. E bem, sendo que agora já sabem que têm 12 meses para preparar a sua sucessão - algo para a qual o FC Porto não teria capacidade de resposta interna caso Iker, conforme chegou a estar previsto, deixasse o clube. 

Contrato até 2020
José Sá - Não estava, não está, minimamente preparado para assumir a titularidade na baliza do FC Porto. Sérgio Conceição teve a oportunidade de deixar claro que a sua opção refletia o rendimento nos treinos - e nós, adeptos, não sabemos o que se passa no Olival, logo há sempre essa ressalva. Mas José Sá nunca mostrou ser um fora de série, nem sequer ao longo do seu percurso de formação. Foi dispensado de um Benfica que tinha Bruno Varela como projeto para a baliza, nunca chegou a ser titular indiscutível no Marítimo e tinha apenas um jogo de I Liga pelo FC Porto (derrota contra o Moreirense em 2017) antes de se tornar aposta de Sérgio Conceição.

Não funcionou. José Sá tem 25 anos e, em toda a sua carreira, acumula apenas 31 jogos de I Liga. Pouca experiência, poucas provas dadas. Sempre se revelou um guarda-redes algo permeável (consentiu 41% dos remates que enfrentou no Campeonato), e na Liga dos Campeões foi o segundo pior guarda-redes em prova, com uma percentagem de defesas de apenas 50%. O vendaval de Liverpool acontece uma vez na vida, mas se Munique foi cidade madrasta para Fabiano, Liverpool não poderia ser diferente para José Sá e foi o pretexto para voltar atrás numa aposta falhada.

Como ponto positivo ficam duas boas defesas frente ao SC Braga, no Dragão, e pouco mais. Tem mais dois anos de contrato e não vai evoluir estando no banco, e estando em campo arrisca comprometer. A sua continuidade na próxima época não faz sentido, pois de Beto a Bracalli, foram vários os guarda-redes de qualidade superior e dispensados nas últimas épocas.

Contrato até 2021
Vaná - Na perspetiva de 2017-18, foi uma contratação desnecessária, e o desenrolar da época comprovou-o. O FC Porto não tinha muito dinheiro para gastar, mas o pouco que havia gastou num guarda-redes que passou a maior parte da época na bancada. Estamos a falar de um guarda-redes que nem sequer rodou nas Taças. Jogou apenas no jogo da consagração do título e revelou-se uma pessoa muito divertida ao longo dos festejos, mas ter apenas uma época de Feirense e de I Liga no currículo, aos 27 anos, não oferece grandes perspetivas de futuro. A sombra de Casillas e um papel secundário são o máximo que lhe pode esperar na próxima época - a diferença é que Vaná não chegou a ter a sua oportunidade, enquanto José Sá teve-a e desperdiçou-a. 

Contrato até 2019
Fabiano - O seu papel ao longo de 2017-18 já foi um pouco descrito nos «Bonés» da última jornada da I Liga. O melhor Fabiano é melhor do que o melhor Josá Sá e o melhor Vaná. Mas aos 30 anos, e depois de superar graves problemas físicos, Fabiano está a uma época do final de contrato e é raro ter um guarda-redes que, depois de perder a titularidade, fique no clube para um papel de suplente. É sabido que Sérgio Conceição aprecia as qualidades de Fabiano, algo que pode favorecer o brasileiro na decisão. Para todos os efeitos, estando em forma, é o segundo melhor guarda-redes do plantel principal. Chegará para fazer sombra a Casillas? Ou fará mais sentido que a sombra de Casillas em 2018-19 seja alguém capaz de pegar no seu lugar em 2019-20? Integrar Diogo Costa definitivamente nos trabalhos da equipa A, jogando com regularidade na B e ganhando o seu espaço nas Taças nacionais, é algo a ter em conta, sobretudo porque já renovou até 2022.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Análise 2014-15: os guarda-redes

Quem gosta de basquetebol conhece esta frase: «Os ataques ganham jogos, as defesas campeonatos». Infelizmente, no futebol isto não é regra, caso contrário o FC Porto teria tido uma época muito melhor.

O menos batido da Europa
Depois de no espaço de 6 meses termos perdidos 4 esteios defensivos (Helton, por lesão, e Otamendi, Mangala e Fernando), o FC Porto conseguiu, em 2014-15, acabar a época com a melhor defesa das 25 principais ligas europeias. Tudo isto quando houve muita crítica a Fabiano ao longo da época e aos defesas-centrais. Quando ser a defesa menos batida da Europa não chega, o que chegará?

Claro que não se pode reduzir tudo aos números. Os guarda-redes do FC Porto raramente ganham jogos, pois por norma temos boas defesas e os adversários poucas vezes conseguem criar perigo. E este ano tivemos algo que ajudou a essa estatística, que foram grandes melhorias na reação à perda da bola. Por isso, um guarda-redes do FC Porto pode fazer 50 defesas, mas basta um erro para ficar marcado

Um dos primeiros pedidos de Lopetegui quando chegou foi um guarda-redes. E tinha nome: Navas, ainda antes do Mundial 2014. O FC Porto não agiu a tempo e perdeu-se o guarda-redes. A época teria sido melhor? Impossível saber. Facto é que mesmo com um guarda-redes contestado em parte da época, conseguimos ter a melhor defesa europeia. Agora, volta a haver um pedido de um novo guarda-redes. O nome já é conhecido, Perin, do Génova (e diria que será mais difícil ir buscá-lo ao Génova do que teria sido ir buscar Navas ao Levante). Mas a maior surpresa é a revelada por Pinto da Costa quanto à possível continuidade de Helton. 

Se renovar, mais gente terá que sair. Em Novembro foi alertado: o FC Porto tem que parar de contratar guarda-redes só porque sim, porque isto já é uma prática habitual e que se adivinhava novamente para 2015-16. Não podemos ter 4 guarda-redes com idade sénior no plantel. O ideal seria 2 seniores + o guardião titular da equipa B. Perin, a prioridade, não é uma contratação de ocasião mas sim de grande aposta de médio prazo. Não há memória de o FC Porto ter investido a sério num guarda-redes jovem já internacional por uma grande seleção europeia. Que tem grande potencial, tem. O valor investido e o leque de guarda-redes para 2015-16 definirão se se tratará, ou não, de uma boa contratação, isto se houver condições para a fechar.

Passemos à análise dos guarda-redes de 2014-15, a exemplo do que será feito nos outros setores.


Helton - É preciso uma enorme determinação para, aos 36 anos, conseguir superar uma lesão que a muitos outros jogadores ditaria o fim de carreira. É o mais carismático jogador do plantel, que entende a mística do clube, que ganhou 7 campeonatos e viu o que foi preciso para o FC Porto não ganhar os únicos 3 que falhou. Está bem fisicamente e tem condições para jogar mais um ano. Não sei se vai ficar, mas só faria sentido se fosse para continuar como número 1. Porque por mais peso que Helton possa ter no balneário, sendo ele um dos mais bem pagos do clube tem que render em campo, não fora dele. O problema esta época, muitas vezes, foi não haver voz de comando dentro de campo, não no balneário. Se Lopetegui quiser e entender que Helton será uma mais-valia, que siga a renovação. Caso contrário, preparem a estátua para o museu, porque Helton bem a merece.


Fabiano - Regressemos ao início: foi o guarda-redes menos batido da Europa. Ficou marcado pelos 6 golos em Munique, mas não tem culpa que a sua defesa, no espaço de poucos minutos, seja três vezes batida no jogo aéreo e sofra três golos. Tentou aproximar-se do que Lopetegui pretendia, o tal guarda-redes que oferece sempre linha de apoio na construção e joga com os pés. Evoluiu, mas passou de titular à bancada (ironicamente, na pré-época passou de possível dispensado a titular). Tem contrato até 2019. Se for para passar a época na bancada, que a SAD procure uma solução para ele no mercado.

Andrés Fernández - A mais estranha aposta de Lopetegui. Foi pé frio, pois em 4 jogos o FC Porto só venceu um. Mas em nenhum teve culpas. A verdade é que pouco ou nada pudemos ver de Andrés. Fazendo fé no R&C da SAD, custou não mais que 1,2M€, mas é estranho que tenha sido contratado para ser prioridade em relação a Fabiano, mas na verdade poucos meses depois Fabiano renovou contrato. Não pode ficar no FC Porto em 2015-16 se não for para jogar. Emprestá-lo a uma equipa de primeira liga, preferência estrangeira, que lhe garantisse a titularidade e cobrisse os salários seria o ideal, ou então recuperar o investimento. Lopetegui conhecia-o bem antes de o contratar. Não justificou a aposta do treinador ou houve erro de avaliação?

Ricardo Nunes - É ingrato dizer isto a um adepto do FC Porto que nem uma oportunidade teve, mas foi uma contratação que se sabia desde o primeiro dia desnecessária. Nem sequer serviu para facilitar as inscrições na Champions. Em termos de plantel principal, em 2014-15 só serviu para desfilar o equipamento. Um contrato de 4 anos para um guarda-redes trintão que se sabia que não seria titular? Que o FC Porto o deixe sair no fim da época, porque aqui não vai jogar e merece mais para a sua carreira do que fazer número. Ter um guarda-redes trintão só para jogar na equipa B e na Internacional Cup não cabe na cabeça de ninguém.

Os bês - Kadú pouco ou nada evoluiu nos últimos 2 anos e é tempo de sair do FC Porto por empréstimo, onde possa jogar com regularidade, de preferência tentando colocá-lo num clube com um bom treinador de guarda-redes, que bem precisa. Caio, nos seus 2 primeiros anos de sénior, fez 2 jogos pela equipa B. Se não puder jogar mais em 2015-16 (Filipe Ferreira e Andorinha já vão ter idade de sénior), é tempo de o deixar sair. E claro, o nome de que todos falam: Raúl Gudiño. Nada justificaria a não exerção da cláusula de compra. É um jogador de enorme potencial, que vai ter o primeiro ano de sénior, e faz todo o sentido que seja o titular da equipa B. 

Pergunta(s): faz sentido contratar mais um guarda-redes para a equipa principal? Perin é a solução ideal? Quem deve sair? Quem devem as opções na equipa A e B?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As redes que não precisam de mais peixe

Desde 2005-06, quase se pode afirmar que o FC Porto só teve 2 guarda-redes titulares: Helton e Fabiano. Helton foi o sucessor de Baía e só deixou a baliza por culpa da sua grave lesão. Tirando Helton e o agora titular Fabiano, só jogava quem entrava no esquema de rotação nas taças.
O digno sucessor de Helton

Mesmo só havendo 2 guarda-redes titulares nos últimos 8 anos, a verdade é que o FC Porto contratou desde então 10 guarda-redes. Além dessas 10 contratações que incluem o agora titular Fabiano, o FC Porto teve Paulo Ribeiro, Hugo Ventura, Tiago Maia e Kadu a rodarem como 3º guarda-redes do plantel.

Não se pode ignorar que a baliza é uma posição que requer rotação no mercado. Ninguém se conforma eternamente com o estatuto de número 2. Se não jogam, procuram sair e rodar noutro lado. O melhor exemplo disso é Beto. Estava tapado por Helton, foi para Braga, depois para Sevilha e hoje é titular num dos melhores campeonatos do mundo e não deve nada além de alguns centímetros ao titular da Selecção.

É também uma posição onde os jogadores atingem a maturidade mais tarde e onde podem levar anos e anos até evoluírem para um patamar que justifique o FC Porto. Mas nada disto que se acaba de referir justifica uma coisa: ter mais recursos do que aqueles de que se necessita e se pode usar.

Este foi o quadro de contratações de guarda-redes dos últimos anos:

2007-08 - Nuno Espírito Santo
2008-09 - Nenhum
2009-10 - Beto
2010-11 - Pawel K.
2011-12 - Bracalli
2012-13 - Fabiano, Stefanovic 
2013-14 - Bolat e Matos
2014-15 - Andrés e Ricardo

Só em 2008-09 o FC Porto não contratou nenhum novo guarda-redes. De resto tem sempre sido contratado um ou mais guarda-redes por época, muitas vezes por intermediários repetentes. Dos últimos 10 contratados, só Fabiano foi titular e só Beto mostrou capacidade para ser o número 1 (quanto a Andrés ainda é cedo para tirar conclusões). Mas passamos a avaliar a pertinência de cada contratação.

Nuno, eterno suplente
Nuno Espírito Santo - Na primeira passagem foi a sombra de Baía, na segunda a de Helton. Teve uma segunda vida no FC Porto pela mão de Jorge Mendes, ou não tivesse sido ele o primeiro jogador a ser representado pelo empresário (conheceram-se numa discoteca em Caminha, com 30 anos, ainda Jorge Mendes não tinha mais do que um pequeno clube de vídeo e um acordo publicitário no Lanheses). Um dos guarda-redes mais caros da história do clube, que mesmo sem ter sido titular e comprometendo muitas vezes (o melhor momento foi o jogo do hat-trick de Jankausas em Braga) conseguiu tornar-se acarinhado pelos adeptos.

Beto - Um bom suplente de Helton, que como mostrou mais tarde podia perfeitamente ser o número 1. Guarda-redes de Teixeira da Silva, saiu do Leixões abaixo da cláusula de rescisão (750 mil€) e depois saiu para o Braga a custo zero. O FC Porto ficou com 50% do passe e depois recebeu cerca de 500 mil€ (não confirmados) pela transferência para o Sevilha.

Pawel Kieszek - Guarda-redes de Gaspar Freire, não fez um único jogo no Braga no campeonato antes de vir para o FC Porto (onde ia ser o suplente de Helton e de Beto). Contratação que não obedeceu a qualquer lógica desportiva. Enterrou na Taça da Liga, fez dois jogos na Taça, 10 minutos no campeonato e foi emprestado ao Roda. Depois saiu. Assinou um contrato de quatro anos, num péssimo negócio que nada justificava.

Bracalli - Guarda-redes de António Araújo, falou-se num contrato de 3 anos, não confirmado. A sua contratação empurrou Beto para o Cluj no último dia do mercado. Mostrou alguma qualidade no Nacional, era um guarda-redes experiente. Fez alguns jogos nas taças e um ano depois foi encostado, dando lugar a outro guarda-redes. Rezam as crónicas que tinha uma relação difícil com Will Coort e também saiu pela porta pequena.

Fabiano - Único guarda-redes contratado desde Helton que conseguiu ser titular. Guarda-redes de Gaspar Freire, terá custado 1,2M€, valor não confirmado. Teve que esperar pela lesão de Helton. Uma infelicidade na base de outra felicidade. 

Nome sem história
Stefanovic - Guarda-redes de António Araújo, uma contratação surreal. Chegou no Verão que fez 24 anos e nas equipas B só há espaço para 3 jogadores maiores de 23. Queimou-se assim uma vaga na equipa, algo absolutamente desnecessário, violando-se logo a lógica da equipa B ser para lançar os jovens jogadores - neste caso foi-se ao mercado, não se sabe por que valores, contratar um jogar de idade superior aos regulamentos. Nem o Arouca o quis e nem no Chaves joga. Contrato de 3 anos.

Bolat - Pouco a acrescentar ao que já tinha sido analisado aqui. Teve direito a um contrato de 5 épocas. Na primeira época mal jogou enquanto cá esteve. Na segunda foi emprestado para ser suplente de Muslera ao Galatasaray. Ou seja, o FC Porto preocupou-se em arranjar um clube que lhe pagasse o salário em vez de encontrar um clube onde pudesse jogar regularmente. Lógica desportiva nem vê-la na estrada de ligação a Liége, que recentemente trouxe os irmãos Djim e um interessante extremo (ou lateral?) que tinha acabado o contrato com o Standard, mas que afinal custou 2,615M€. O sucesso com Mangala não pude justificar tudo.

Matos - É caso para dizer, Stefanovic, estás perdoado. Um guarda-redes de 34 anos que não jogava no Leixões foi contratado para ser suplente da equipa B. Como é claro não houve interesse desportivo nesta contratação. Mas há quem diga: é importante para o Kadu e para os mais jovens terem um jogador mais experiente a treinar com eles. Essa desculpa quase que faz sentido, mas acontece que existe uma coisa chamada treinador de guarda-redes que dedica 100% do seu tempo e atenção aos guarda-redes.

Não há espaço para Ricardo
Ricardo - Podia ter sido importante nas inscrições para a Champions, mas afinal foi irrelevante, porque o FC Porto inscreveu os 2 GR estrangeiros. Disse-o no dia em que foi contratado: é um razoável guarda-redes, mas que tinha muito boa imprensa na Académica, pois há sempre simpatia para portugueses que jogam em clubes de menor dimensão e pegar nestes casos de jogadores portugueses dava sempre jeito para embirrar com o Paulo Bento. Contrato de 4 anos, sem qualquer pespectiva de futuro no FC Porto. Em princípio vai ser emprestado à Académica em Janeiro. Tem 32 anos e está em fileira para se juntar ao clube dos que chegam, vêem e vão-se embora sem jogar. Tendo em conta que Lopetegui já estava contratado e já se sabia que queria um novo guarda-redes (Navas opção 1, Andrés opção 2), a contratação de Ricardo queimou tempo, dinheiro e o próprio jogador, que até agora a única coisa que pôde fazer foi desfilar com o equipamento. Merecia mais, até porque (não) está a jogar no clube do coração.

Andrés Fernandez - Cedo para fazer juízos de valor, embora tenha dito na pré-época: a contratar um guarda-redes, que fosse para ser titular. Fabiano surpreendeu Lopetegui e para já é o número 1, tendo já renovado contrato. Vai ser difícil para Andrés ganhar o lugar mas há uma contratação para justificar.

Este foi o balanço dos últimos 10 guarda-redes contratados. Neste momento o FC Porto tem 11 guarda-redes no clube com contrato profissional, 2 deles emprestados. Tudo isto para dizer desde já: não é necessário contratar nenhum guarda-redes em 2015-16. E quando digo que não é necessário, não significa que não possa haver uma saída e que seja necessário colmatar uma vaga. Mas se ninguém sair, que não se contrate A para empurrar B. Estamos bem servidos de guarda-redes.

O futuro passa por aqui
Helton à partida vai reformar-se no fim do ano. Ficam Fabiano e Andrés a lutar pela titularidade, duas excelentes opções. Ricardo, temo, vai rodar, rodar e rodar. Não faz sentido continuar cá para ser 3º guarda-redes. Stefanovic vai sair no fim da época e sobra o caso de Bolat para resolver. Na equipa A. não é preciso mais nenhum guarda-redes.

E na B? Kadu tem tido sucessivas oportunidades, mas apesar de ser um miúdo trabalhador e portista continua sem mostrar capacidade para a equipa A (uma opinião que não é consensual). Caio já merecia ter tido uma oportunidade. De qualquer forma, defendo que seria interessante tirar Kadu da zona de conforto e tentar emprestá-lo na próxima época, ainda que não imagine que algum clube lhe dê a titularidade na primeira liga. 

Além de Kadu e Caio, há Raul Gudino, que ainda é sub-19. Mexicano, está emprestado e há cláusula de compra. Já mostrou algumas qualidades e o Chivas diz que o FC Porto vai comprá-lo no fim da época. Por quanto? Não se sabe. Mas que a sua contratação obedeça a uma lógica desportiva e não à contratação da praxe para a baliza. Se não for para ser um dos 2 GR da equipa B, não vale a pena contratá-lo.

Mas para 2015-16 o FC Porto já tem 2 guarda-redes com grande potencial para a equipa B: Andorinha e Filipe Ferreira. Andorinha é o guarda-redes mais promissor do FC Porto. Junior de segundo ano, nada justifica que não seja um dos 2 GR da equipa B da próxima época. Depois há Filipe Ferreira, que esta época está tapado por Gudino e Andorinha, caso contrário podia estar a mostrar o seu potencial.

Tirando Helton e Stefanovic, que vão terminar contratado, e Gudino, que está emprestado, para 2015-16 há Ricardo, Fabiano, Andres, Bolat, Kadu, Andorinha, Caio e Filipe Ferreira para dividir entre equipa A e B. O ideal seria ter 2 GR na equipa A e 3 na B, sendo que o 3º guarda-redes da equipa A seria o 1º da B. Há pelo menos 8 guarda-redes garantidos para a próxima época, por isso nada justifica contratar mais. Nada. Estamos bem servidos. 





- Com a confirmação das renovações de Ivo e André Silva, não resta nenhuma promessa em fim de contrato. Notícia a registar com agrado, resta encontrar espaço competitivo para eles. Na equipa A a curto prazo será difícil (defendo que na Taça da Liga devemos usar os jovens), por isso resta tentar desenvolvê-los tanto quanto possível na equipa B e depois pensar num empréstimo ou numa subida à equipa A. Tudo isto para dizer que a lógica dos guarda-redes se deve aplicar às outras posições na equipa A e B: é tempo de espremermos os recursos que temos, não de pensar já em ir buscar mais. A situação financeira da SAD não recomenda mais do que ataques cirúrgicos ao mercado, pelo contrário, recomenda e bem que se aproveite todos os recursos que já temos à disposição. E Ivo e André Silva são 2 dos mais promissores desses recursos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

As renovações de Fabiano e Ruben Neves

Dois nomes que dificilmente contavam para o totobola no início da pré-época: Fabiano porque era conhecida a vontade de Lopetegui de ter um novo guarda-redes, Ruben Neves porque tinha acabado a época nos juvenis. Agora dois exemplos de que o trabalho e o profissionalismo pode não só valer um lugar entre os titulares como também novos contratos.

Renovação acertada
Começando por Ruben Neves. A cláusula de 40 milhões de euros é perfeita. Os clubes quase nunca batem cláusulas de rescisão, porque para isso acontecer tem que ser uma das partes (clube ou jogador) a invocar a rescisão unilateral. No FC Porto, nos últimos 14 anos isso só aconteceu com André Villas-Boas. Logo, Ruben Neves está mais do que protegido.

Entretanto já se lê a questão: porque é que renovou apenas até 2017? Simples, porque não podia renovar por mais. A FIFA não permite que menores de 18 anos assinem contratos de duração superior a 3 épocas desportivas: «Players under the age of 18 may not sign a professional contract for a term longer than three years. Any clause referring to a longer period shall not be recognised».

Na renovação com Rúben Neves o importante não era a duração, mas sim um salário mais condizente com o estatuto do jogador e uma cláusula de rescisão mais adequada. Um casamento perfeito, de fácil resolução. Quando já puder tirar a carta de condução, já pode assinar um contrato de longa duração com o FC Porto.

Confiança reforçada
Quanto a Fabiano, o contrato até 2019 é uma clara aposta por parte da SAD e de Lopetegui. O contrato de Helton acaba em 2015 e não será naturalmente renovado, o que significa que Fabiano está de pedra e cal no plantel do FC Porto. Andrés Fernández foi contratado como solução directa para o 11, mas Fabiano soube defender o posto que era seu. A cláusula de rescisão de 30 milhões de euros é altíssima face ao estatuto/posição do jogador, algo que deixa todas as partes tranquilas.

E agora Danilo, Alex Sandro... e Kelvin

Partindo do princípio que Abdoulaye e Izmaylov, emprestados, só renovarão se for para evitar uma saída a custo zero (têm contratos até 2016), e que Quaresma terá quase 33 anos quando terminar o seu actual contrato, o FC Porto tem mais três casos para resolver nos próximos meses: Danilo, Alex Sandro e Kelvin.

Kelvin já deveria ter sido emprestado em Agosto e oxalá assim o seja em Janeiro. Desde o minuto 92, deitou 18 meses da carreira ao lixo. Não evoluiu porque não teve espaço para isso. Na equipa B não há estímulo competitivo. Pode ter minutos de jogo, mas não terá evolução. Foi um jogador caro para o FC Porto (três milhões de euros) e já deu ao clube um momento que vale esse dinheiro... Mas o minuto 92 devia ser apenas um momento da sua carreira no FC Porto, não toda a carreira no FC Porto. Empréstimo em Janeiro e, mediante o serviço que mostrar no novo clube, a renovação de contrato seria o cenário ideal.

Renovar até Junho ou sair
Danilo e Alex Sandro são duas trutas na SAD. Danilo custou 13 milhões, Alex Sandro 9,6 e a SAD tem ambos a 100%. Na entrevista de Fernando Gomes ao Porto Canal, já ouvimos o responsável pela pasta financeira do clube a admitir - no clássico «não posso prometer nada» - que a Euroantas, ou engenharia financeira similar, pode ser novamente uma botija de oxigénio para as contas a médio prazo, devido ao fair-play financeiro. Para evitar tal operação, uma vez que o FC Porto não vai reduzir os custos operacionais e dificilmente aumentar significativamente as receitas em 2014-15 (só com uma boa Champions), a SAD poderá não resistir às saídas de Danilo, Alex ou ambos (mediante o que acontecer com Jackson Martínez).

Os casos de Danilo e Alex Sandro são fáceis de compreender: ou a saída fica já alinhava antecipadamente e não haverá renovação até Junho (e desta vez não há efeitos Mendes), ou serão para manter e a renovação de contrato terá que ser tratada até lá, de modo a evitar uma inaceitável saída a custo zero. De recordar que Ricardo renovou até 2019 (Opare ainda não se mostrou) e há José Ángel para o lado esquerdo - há quem diga que também há Kayembé, mas curiosamente para o treino de ontem Lopetegui preferiu chamar Rafa.

Há sucessores na forja. Resta saber se haverá compradores capazes de pelo menos dobrar o investimento em Danilo e Alex Sandro... ou se o FC Porto terá capacidade para manter um ou dois destes jogadores. Decisão para ser executada mais tarde, mas que tem que ser planeada atempadamente. Certamente já o estará.

PS: Dos casos de jogadores que estão entre a renovação e a saída excluem-se os sub-19 e a equipa B.

sábado, 5 de julho de 2014

O mal que já está feito, os péssimos exemplos de Bolat e Caballero e outras reflexões. E Tello

A questão dos guarda-redes já aqui foi abordada em dois pontos, primeiro há um mês, quando O Tribunal do Dragão ouviu que Lopetegui não confiava nas soluções que o plantel já tinha, e mais recentemente quando Navas passou a alvo prioritário. Uma questão que merece voltar a ser aprofundada, numa altura em que a chegada de Navas conheceu vários entraves.

Fabiano sabe que é
segunda opção
Ao contrário do que escreveu alguma imprensa, Lopetegui não escolheu Navas por causa das exibições no Mundial. Pelo contrário, o Mundial só confirmou aquilo que o treinador já defendia: Navas é melhor do que as soluções que o plantel tem para oferecer. Mas também caro. O guarda-redes rapidamente se mostrou receptível ao convite do FC Porto, pois sabe que aqui seria titular indiscutível - Lopetegui, ao pedir o maior investimento de sempre num guarda-redes da história do FC Porto (nunca um guarda-redes custou mais do que 3 milhões de euros, a proposta que o Levante rejeitou), teria que defender e justificar a sua opção até ao limite. Além disso, 1 milhão de euros líquidos/ano era um salário perfeitamente apetecível - ao contrário do que alguns adeptos pensam, é este o vencimento médio para um jogador internacional contratado no estrangeiro pelo FC Porto, até porque os jogadores são pagos em contratos a 10 meses/época e sem subsídios (que são substituídos pelos prémios colectivos/individuais).

Com ou sem Navas, Lopetegui já criou o seu primeiro desafio: o tal atestado de incompetência aos guarda-redes que já aqui foi tema. Independentemente de Navas chegar ou não ao FC Porto (o Bayern Munique tem o dinheiro, mas não o trunfo da titularidade; o Atlético chegou a poder prometer dinheiro e titularidade, mas virou-se para Oblak; e então será a vez do Benfica agitar o mercado por um guarda-redes...), Lopetegui já deu sinais óbvios a Fabiano, Kadu (que na equipa B até pode tirar espaço a Andorinha e Filipe Ferreira, mais jovens e promissores) e Ricardo de que não conta com eles para número 1 (Helton ainda tem uma longa recuperação pela frente e dificilmente fará mais do que o jogo de «despedida», se fizer).

Fabiano, quando foi interpelado no aeroporto com a possível vinda de Navas, fugiu àquilo que é sempre recomendado pelo departamento de comunicação. Dizer que «estou concentrado no meu trabalho», o «importante é o FC Porto» ou «não sei nada dessas especulações, estou concentrado na equipa». Mas Fabiano disse antes uma frase-chave: «Estou ao corrente dessas notícias». Fabiano já sabe que Lopetegui não conta com ele para número 1, mas depois lá respondeu com elegância, ao prometer que ia lutar para ser titular. No entanto, o mal já está feito: Lopetegui sentenciou antes do primeiro treino que precisa de um guarda-redes melhor. O que está em causa não é a razão para o pedido, até compreensível por algumas lacunas de Fabiano, mas o desafio para lidar com as suas consequências. O tal atestado de falta de qualidade.

De Bolat a Caballero, um mau exemplo

De guarda-redes para guarda-redes, falamos em Bolat. Um exemplo de como a SAD não deve gerir um futebolista nem confundir o mesmo com mercadoria, independentemente de numa possível venda Bolat render algum dinheiro. Vamos seguir os passos. Sem ingenuidade e tabus.

Bolat, exemplo para
não repetir
Bolat foi contratado, em 2013, através da rede Liège-D'Onofrio, que já trouxe o rentável e excelente Mangala, o pouco produtivo Defour, a razoável surpresa Kayembé e mais recentemente Opare e Célestin Djim. Negócios que envolvem a alienação de passes (que em 2011/12 foi uma absoluta necessidade para fazer face às despesas correntes, pois a SAD gastou demasiado em apenas 4 jogadores - Danilo, Alex Sandro, Defour e Mangala - e nenhum deles um match-winner) e que não são exemplos de transparência. Nenhum. Mas falamos apenas em Bolat.

Bolat foi descrito como uma oportunidade de mercado. Afinal, trava-se de um guarda-redes que já foi uma promessa na Bélgica e 24/25 anos é uma idade jovem para um jogador na sua posição. Mas já havia Helton, Fabiano, Kadu, e ainda Stefanovic e Matos (duas contratações que nem merecem comentários) na B. Esteve meio ano encostado, na segunda metade da época foi emprestado à Turquia. Quanto custou o custo zero de Bolat? Boa pergunta.

O Tribunal do Dragão ouviu que o FC Porto não tem 100% do guarda-redes, nunca teve, e que desde a sua transferência uma terceira parte ficou com direitos já a pensar numa futura venda. Como já aqui foi dito, a operação pode até dar lucro ao FC Porto. Mas será que Bolat pode ser vendido por uma verba tão grande que justifique tratarmos um jogador como mercadoria? E será que vai cobrir os custos?

No primeiro trimestre de 2013-14, o FC Porto só contratou 3 jogadores. Quintero, Ghilas e Bolat. O primeiro custou 5 milhões de euros por 50% do passe. O segundo, 3,8 milhões de euros por 50%. Já o nome de Bolat... não aparece. Aparece, isso sim, um encargo de 1,89 milhões de euros, que não é discriminado. E depois, as 3 entidades a quem o FC Porto pagou pelas três transferências: Ricardo Calleri, que é sabido ter sido o responsável pela vinda de Quintero, e as entidades C.B.Nafricatalentssport, Lda. e JOD-Gestão de Carreiras Desportivas, Lda. Então, se é também sabido que Jorge Mendes foi responsável pela vinda de Ghilas (embora não seja o seu empresário) e que Luciano esteve envolvido no negócio Bolat, boa sorte em encontrar as pontas soltas e o outro lado do túnel.

Nem A, nem B
À margem deste mau exemplo, o que preocupa é, como já foi dito, tratar um jogador como mercadoria. Há duas semanas, Bolat disse isto numa entrevista: «Trabalho a força, a condição física e a velocidade de reação. Vou estar mais pronto do que nunca quando voltar ao Porto». Prometia corresponder ao investimento que fizeram nele e até disse que estava a fazer 2 treinos por dia. Então, começou a pré-época... e Bolat nem sequer está na lista para a pré-temporada. Mas há 2 semanas já se sabia que Lopetegui queria outro guarda-redes. Então, porquê alimentar a ilusão de um profissional?  Mas importante: quem a alimentou?

Mais um caso, Mauro Caballero, que em Maio dizia à RR que tinha confiança e esperança em Lopetegui para chegar à equipa A. É sabido que Gonçalo Paciência é o único ponta-de-lança para começar a pré-temporada. Onda está Caballero? Tal como Bolat, nem na lista apresentada pelo FC Porto se encontra, e no Olival nem sinal dele. Só para refrescar a memória. Estamos a falar de um jogador que envolveu um litígio e a FIFA; um jogador que fez capas de jornais a ser apresentado como alternativa imediata a Jackson; e que mal chegou relegou logo André Silva e Gonçalo Paciência, os dois mais promissores avançados portugueses, para segundo plano. 

Mais um refresco: em janeiro de 2013, o advogado Gerardo Acosta garantia que o FC Porto ia pagar 365 mil euros, apenas por direitos de formação. Chegou o Relatório e Contas e o que se viu foi 1,53 milhões de euros pagos à MHD, S.A. Um ajuda a tentar localizá-la: está algures entre a C.B.Nafricatalentssport, Lda. e a JOD-Gestão de Carreiras Desportivas, Lda. E não vamos recordar Quiñones, que custou 2 milhões de euros e não aparece no grupo de trabalho nem da equipa A nem da B, porque já terão percebido a ideia, certo?

Mangala, o melhor exemplo na pior altura

O FC Porto já vendeu jogadores à nata do futebol mundial, Juventus, Barcelona, Real Madrid e Manchester United. Mas nos últimos anos tem sido, sobretudo, um vendedor de jogadores aos chamados novos ricos. Transferências onde o dinheiro diz mais aos jogadores do FC Porto do que propriamente a grandeza do destino. Foi assim com Falcao para o Atlético (que na altura ainda não era de Champions), Hulk para o Zenit ou até James e Moutinho para o Mónaco, num caso mais particular.

City ofereceu 40
milhões de euros
Por isso, talvez nenhum adepto do FC Porto imaginaria que algum jogador pudesse recusar, nesta altura, o Manchester City, o campeão inglês. Mangala foi o melhor exemplo na pior altura: o exemplo de que o FC Porto ainda consegue ter profissionais que não colocam o dinheiro à frente de tudo, e a pior altura porque o FC Porto necessita do dinheiro da sua venda.

Mangala e o City já tinham sido tema de discussão aqui. Não é que Mangala tenha dito, efectivamente, não ao City, mas esperava valorizar-se no Mundial e abrir outras portas. Algo que não aconteceu, pois a França foi eliminada sem que Mangala tivesse jogado, para desalento do jogador e da própria SAD. E agora? Vai Mangala aceitar o convite do City? Ou será que Mourinho conseguirá que o FC Porto seja forçado a vender o jogador por uma verba mais baixa? Certezas, apenas uma: o FC Porto não pode obrigar Mangala a sair contra a sua vontade, pois o contrato é feito para respeitar as duas partes. E Mangala serviu o FC Porto com lealdade, profissionalismo e qualidade nos últimos 3 anos, tendo como único ponto baixo a declaração infeliz em que disse que ia para o PSG a correr. E se o PSG apresentasse os números do City, talvez até ia, por ser adepto de infância do clube, mas já tem a dupla titular do Brasil...

Tozé: sim... e não

O empréstimo de Tozé ao Estoril, que segundo O Jogo fica com 35% do passe, não é uma decisão popular entre os portistas. Um pouco contra a opinião dominante, defendo que é a melhor solução para o jogador.

A solução
possível
Vítor Pereira só lhe deu uma oportunidade num momento de desespero. Paulo Fonseca não lhe deu oportunidades. Luís Castro só o lançou num jogo a feijões. E Lopetegui não contava com ele. Quatro treinadores, nenhum a morrer de amores por Tozé. Se perguntam, podia e devia ter tido mais oportunidades no último ano? Claramente, até porque poucos estavam a fazer melhor na A do que o Tozé ia fazendo na B. Mas tem a qualidade para ser já opção no 11 de Lopetegui? Não. E pelos vistos o treinador acha o mesmo, pois não contou sequer com ele para a pré-época.

A alienação de 35% do passe, essa, já é discutível e merece ser questionada. Evandro, que segundo O Tribunal do Dragão ouviu não virá a 100% do passe, é uma operação à margem de Tozé para os efeitos contratuais e negociais, porque já quando Evandro treinava no Olival Tozé ainda não estava garantido no Estoril. Mas já com Tiago Rodrigues (que está onde?), emprestado ao Guimarães, tivemos o exemplo de que cada vez mais os clubes médios preferem valorizar os próprios jogadores do que depender dos emprestados dos grandes. Por isso, é compreensível que o Estoril tenha salvaguardado os seus interesses futuros, com parte do passe de Tozé. O FC Porto terá que dobrar o investimento na recompra, mas certamente que se Tozé evoluir a ponto de ser um jogador de equipa A poucos se incomodarão. É um negócio que não agrada aos adeptos, mas que agrada ao Estoril, ao FC Porto e ao próprio Tozé.

Tello, fumo branco e caro

A não ser que clubes como Atlético e o Everton se antecipem nas próximas horas e apresentem propostas superiores para a transferência, Tello vai ser jogador do FC Porto. É o extremo favorito de Lopetegui, a prioridade, e como tal será sempre de aplaudir que a SAD corresponda ao desejo do treinador. Isto é, dependendo dos custos...

O caro pode tornar-se
barato
O Tribunal do Dragão ouviu que, ao contrário do que inicialmente era noticiado, o empréstimo com opção de compra já não é hipótese única, após a entrada na jogada de dois investidores dispostos a comprar o jogador com o FC Porto. Numa primeira fase pode custar 9 milhões de euros, mas não pela totalidade do passe. Posteriormente, o FC Porto pode comprar mais Tello, a ponto de quase dobrar o investimento inicial. O tempo dirá se Tello é caro ou barato. Afinal de contas, os 19 milhões de Hulk, o jogador mais caro e mais bem pago da história do FC Porto, não foram assim tão caros, pois não? É a vantagem de ser um match-winner: podem corresponder mais facilmente ao investimento do que um... lateral. 

De referir que Antero Henrique está a liderar as negociações para a aquisição de Tello e que outra opção na liga espanhola, Brahimi, está a cargo de Alexandre Pinto da Costa, também com a participação de um fundo, o mesmo empresário que teve Casemiro pronto para o FC Porto mas que «subitamente» ficou mais perto do futebol italiano. Não vamos aprofundar a discussão da terceira parte aqui pois isso faz parte de um extenso trabalho d'O Tribunal do Dragão que vai sendo publicado aos poucos, tendo para já apresentado apenas a primeira parte.

PS: Não agarrar o costa-riquenho Yeltsin Tejeda, um regista perdido nas Caraíbas, que custa um terço de Prediger e que se revelou no Mundial, é coisa para deixar qualquer adepto de bom futebol chateado.