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segunda-feira, 21 de maio de 2018

A permanência de Iker e a saída de Ricardo

Caminhos opostos para duas figuras importantíssimas na caminhada do FC Porto para o título 2017-18. Iker Casillas fica mais um ano, Ricardo Pereira já assinou pelo Leicester City e torna-se a primeira de várias saídas - umas com mais impacto do que outras, naturalmente - que inevitavelmente terão lugar neste plantel. 

Começando pela renovação de Iker, que aceitou uma redução salarial para permanecer no FC Porto. Não é qualquer atleta que o faz. Embora o guarda-redes seja um futebolista mais do que afortunado, com mais dinheiro do que aquele que possa contar, a verdade é que é comum os futebolistas em final de carreira optarem por um futebol mais periférico para acumularem mais alguns milhões antes da reforma. Casillas, aos 37 anos, trocou isso por mais uma época de FC Porto, mais uma época de Champions, mais uma época a tentar lutar por títulos. 

De qualquer forma, o FC Porto não poderia decidir, ao final do terceiro ano de contrato, que afinal Iker Casillas era caro. Isto já foi explicado neste post. Quando o espanhol foi contratado, em 2015, Pinto da Costa garantiu que Casillas ganhava tanto como Andrés Fernández (que já saiu) e Fabiano (que está longe de integrar a fileira dos mais bem pagos) juntos. A diferença entre ter um grande guarda-redes e dois guarda-redes razoáveis. 


Caso Iker Casillas tivesse saído, a baliza tornar-se-ia um problema, pois não há, no atual plantel, um guarda-redes com o estofo necessário para assumir desde já o posto de número um. Assim, temos guarda-redes para mais um ano, e mais um ano para trabalhar a sucessão, até porque a herança das balizas costuma ser um tema complicado para o FC Porto. Veja-se o exemplo de Vítor Baía: o FC Porto só conseguiu verdadeiramente substituir Baía quando voltou a ir buscar Baía ao Barcelona; e quando o português se retirou, aí sim, o presente estava assegurado com Helton, que já era campeão e internacional brasileiro e tinha já considerável experiência e provas dadas na I Liga. Agora, um guarda-redes que era suplente do atual suplente do Sporting, ou outro que tem uma época de Feirense, são rédeas curtas. 

A continuidade de Iker Casillas é uma boa notícia. Já a saída de Ricardo Pereira, como é natural, não pode ser vista da mesma maneira, pelo menos na dimensão desportiva. E na financeira?

O FC Porto anunciou a transferência por 20 milhões de euros, mais eventuais 5 milhões em variáveis. Como as variáveis por norma são apenas para inglês ver, tanto que as SAD muitas vezes nem se dão ao trabalho de explicar como podem ser atingidos esses objetivos, teremos como referência os 20 milhões de euros. 

Ricardo Pereira, a um ano do final de contrato, sai basicamente pelo mesmo valor de Paulo Ferreira e Bosingwa, um transferido em 2004, outro quatro épocas depois. O mercado de transferências, desde então, inflacionou consideravelmente. Mas poderá o mesmo ser aplicável ao mercado dos laterais-direitos em particular?

Vejamos o top 12 dos laterais-direitos mais caros de sempre:


Desde logo, assinala-se o facto de quatro dos 12 laterais-direitos mais caros da história terem sido transferidos pelo FC Porto. E tirando Dani Alves, não vêem por aqui nenhum nome consagrado do futebol mundial.  O segundo em termos de palmarés será por certo Paulo Ferreira, seguido por Bosingwa.

O mercado de laterais-direitos é, por norma, propício a valores baixos. Mas vemos que a tendência é isso estar a mudar, como são exemplos as transferências recentes de Aurier, Zappacosta, Conti ou Nélson Semedo - nenhum deles é melhor do que Ricardo Pereira e todos eles foram transferidos por valores superiores. 

Por isso, 20 milhões de euros, considerando a qualidade e potencial atuais de Ricardo Pereira, são um número capaz de satisfazer os adeptos em plenitude? Provavelmente não, sobretudo quando tivermos em conta que a mais-valia poderá ser mais bem reduzida.  

Ricardo foi comprado ao Vitória de Guimarães em Abril de 2013, por 1,6 milhões de euros a troco de 80% do passe, mais 100 mil euros de encargos. No último R&C semestral da SAD, o FC Porto anunciou ter 88% do passe do lateral-direito. Na altura da transferência, Júlio Mendes disse que o Vitória de Guimarães ficou com uma parte de uma futura venda, mas não esclareceu se se estaria a referir à percentagem dos direitos económicos ou mesmo a uma futura transferência. 

Por exemplo, o FC Porto tem efetivamente 88% do passe de Ricardo, mas aquando da salgalhada que foi a transferência de Carlos Eduardo e de um dos irmãos Djim para as Arábias (leia-se, o facto de o FC Porto ter permitido/precipitado um negócio quando o Nice tinha direito de preferência sobre Carlos Eduardo) o Nice acabou por ficar com 15% de uma futura venda. 

Ou seja, o Nice não tem, na prática, direitos económicos de Ricardo Pereira, mas tem direito a receber 15% da futura venda do FC Porto. O caso de Marega também é ilustrativo: o FC Porto tem 100% dos direitos económicos do maliano, mas o Vitória de Guimarães tem direito a 30% da futura venda, percentagem que ficou definida aquando da transferência de Soares. 

Agora resta saber: o Leicester é quem paga os 12% do Vitória e os 15% do Nice?; o Leicester é quem paga o mecanismo de solidariedade FIFA?; o Leicester é quem paga as mais do que esperadas comissões pela concretização do negócio? A definição de todas estas parcelas é que ajudará a decidir quão boa - ou menos má - pode ter sido esta venda de Ricardo Pereira.


De qualquer forma, há que considerar ainda o factor «tempo». Sim, o FC Porto é campeão nacional. Mas a situação económica da SAD não mudou. Ser campeão em Portugal, por si só, não dá dinheiro - pelo contrário, acaba por dar é ainda mais despesa, pois a SAD tem que pagar os prémios pela conquista do Campeonato aos jogadores.

Logo, não é o facto de ser campeão em Portugal que melhora a situação financeira - o que permite isso é o factor UEFA, nomeadamente a qualificação direta para a Liga dos Campeões, que a partir de 2018-19 vai multiplicar os prémios e permitir um maior encaixe financeiro (ainda que, em contrapartida, a qualificação para a fase de grupos da Champions e para os próprios 1/8 de final se torne mais complicada de atingir).

Ora, e «tempo» era algo que o FC Porto não tinha no dossier Ricardo Pereira. O lateral ia entrar em final de contrato e a SAD não poderia permitir que um ativo chegasse a janeiro nesta condição contratual (Herrera e Brahimi estão na mesma situação, por isso ou renovam ou saem já). Logo, havia pressa em vender, sobretudo porque a SAD tem metas a cumprir por ter falhado o fair-play financeiro da UEFA. Há quem defenda que o Mundial 2018 poderia ser uma montra, mas sejamos francos; primeiro, não há garantia de que Ricardo seja titular na Rússia; segundo, os clubes interessados passaram uma época inteira a observar Ricardo, logo não haveria de ser por 2 ou 3 jogos num Mundial que iam decidir dobrar as suas propostas.

É de recordar que a SAD orçamentou, para 2017-18, um prejuízo de 17,27 milhões de euros. No final do primeiro semestre, o resultado negativo era de quase 24 milhões. Nos proveitos operacionais definidos a SAD não deverá ter dificuldades em cumprir as principais alíneas, mas há um setor sempre alarmante: os proveitos com transações de passes de jogadores.

Excerto do acordo entre a UEFA e o FC Porto para o FPF
No final do R&C do primeiro semestre 2017-18, a SAD teve proveitos de apenas 8,4 milhões de euros, tendo basicamente tido apenas uma venda relevante - a transferência de Bruno Martins Indi para o Stoke. 

Tendo em conta que a SAD projetava custos operacionais de 19,7 milhões de euros negativos, mais 35,5 milhões de euros em amortizações de passes, o FC Porto teria que registar, em 2017-18, 55 milhões de euros em proveitos com transações de passes de jogadores. Ora, a venda de Ricardo Pereira mantém o FC Porto longe desse valor, por isso podemos esperar que mais um titular possa ser alvo de uma transferência a curto prazo.

Para já despedimo-nos de Ricardo Pereira, com votos de sucesso em Inglaterra, e deixamos uma sugestão para o lugar de lateral-direito. Há por aí um miúdo bem jeitosito, de apenas 19 anos, mas com qualidade para o curto prazo e potencial enormes; anda há meses a ser observado por clubes como Bayern e Barcelona, e apesar de ter pouca experiência de equipa A já houve um clube a acenar com uma proposta bem próxima dos 20 milhões de euros da sua modesta cláusula de rescisão. Chama-se Diogo Dalot. E está também a entrar em final de contrato. Renovar com Dalot colmata, desde logo, a saída de um titular e assegura um lateral de qualidade e portismo inquestionáveis para as próximas épocas. Querem melhor? 

terça-feira, 13 de março de 2018

O preço de Iker Casillas

«Só conseguimos equilibrar as coisas verdadeiramente quando os contratos terminarem. Por exemplo, o contrato com o Casillas termina no final deste ano. É um contrato muito elevado. Vamos pagar até ao fim religiosamente, não temos alternativa. Quando o contrato terminar, vamos logo ter uma folga de alguns milhões de euros anuais», Francisco Marques, citado pela Revista Sábado, 02/03/2018

«Quem não gostaria de continuar com Casillas? Estou muito feliz por o termos. Está a demonstrar que é realmente uma mais-valia para qualquer clube. Ficar? Gostaria que sim. Se é possível? Quando é possível ter mar em Bragança é tudo possível», Pinto da Costa, 06/03/2018

Iker Casillas está a caminho do 37ª aniversário. É raro, senão inédito, vermos um guardião com essa idade defender as balizas do FC Porto. O guardião espanhol já não está no seu auge, mas continua a ser uma garantia de qualidade, com um rendimento que o aproxima - mas que não supera, diga-se - os dois últimos guardiões indiscutíveis no FC Porto.

O FC Porto venceu 64,2% dos jogos que disputou com Casillas na baliza. Com Vítor Baía (67,3%) e Helton (68,5%) venceu um pouco mais. A média de golos sofridos também apresenta algumas diferenças, mas residuais: 0,72 para Iker Casillas, 0,7 para Hélton e 0,65 para Vítor Baía.

A maior diferença, claro está, reside no palmarés. Helton e Vítor Baía são duas referências pelos títulos que conquistaram. Já Iker Casillas continua com o currículo em branco na sua passagem por Portugal. Portanto, neste momento, a maior preocupação é mudar isso: ver o FC Porto regressar aos títulos, algo que leva até a que os adeptos «aceitem» que haja diversos jogadores já elegíveis para assinar por outros clubes a custo zero e outros que estão a nove meses de o poder fazer. 

Ainda assim, tendo em conta as duas declarações acima citadas, importa recordar uma questão em torno de Iker Casillas. Todos defendem que o espanhol é caro. Muito caro para a dimensão do campeonato português. E nesse caso sobra a pergunta: quando, exatamente, é que Iker Casillas passou a ser caro? 

Oportunidade para recordar estas declarações de Pinto da Costa, em julho de 2015, ao jornal O Jogo, aquando da chegada do guarda-redes. «Para nós, foi altamente competitivo em termos de preço. Ele, que foi considerado várias vezes o melhor do mundo, tem o melhor currículo, e com 34 anos pode jogar mais três ou quatro anos em grande nível, como aliás o Helton prova; ganha tanto como o Fabiano e o Andrés Fernández juntos. E eu pergunto o que qualquer clube do mundo preferirá: ter o Fabiano e o André Fernández ou ter o Casillas?». 

Ora, tendo em conta que Andrés Fernández já saiu e que Fabiano está, neste momento, meramente a fazer número no plantel, o que faltará para Iker Casillas renovar contrato? Apenas que Fabiano saia?

Podemos ainda acrescentar o factor Vaná, com um pouco de mistério à mistura. O FC Porto apresentou Vaná a 15 de julho, mas o R&C da SAD do primeiro semestre diz que o guarda-redes foi comprado ao Feirense apenas em agosto - um milhão de euros por 80% do passe. Vaná andou 15 dias - ou mais - a treinar-se com o FC Porto antes de ser comprado ao Feirense? Para quê tanta pressa por um jogador que nem nas Taças nacionais calçou? 


Lá está. O FC Porto não tinha muita disponibilidade para investir no mercado no verão. Mas no pouco que investiu, investiu onde não era prioritário ou sequer necessário.

No final da época, e pegando nas palavras anteriores de Pinto da Costa, talvez possa ser colocada a mesma questão: o que é mais caro? Ter Iker Casillas na baliza? Ou ter Fabiano e Vaná meramente a treinar no Olival? Um tema que pode esperar dois meses. Para já, mais importante, é ter Iker Casillas campeão em maio. Aliás, o FC Porto campeão. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A culpa de Conceição e do plantel

14-02-2018: o dia da maior derrota caseira da história do FC Porto. Os 5-0 sofridos diante do Liverpool superam, em volume de resultado e desilusão, os 6-2 que tinham sido sofridos nos longínquos anos de 1943 e 1945 contra os Unidos de Lisboa e os Belenenses. O que choca é isso: a expressão do resultado, que surpreendeu o próprio Liverpool. A derrota, essa, é mais do que natural. 


Sérgio Conceição e o plantel são culpados disso mesmo: o milagre que têm feito esta época é tão vasto que fez crer os adeptos que era possível competir frente a este Liverpool. Pura ilusão, mas que é inerente ao espírito de qualquer adepto do FC Porto. Os portistas são incapazes de olhar para uma eliminatória sem pensar em superá-la. Achavam que era possível superar este jogo como pensaram que o FC Porto de Luís Castro eliminaria o Sevilha, que FC Porto de Lopetegui resistiria em Munique, que o FC Porto de Peseiro ganhava ao Dortmund e que o FC Porto de Espírito Santo bateria a Juventus. Há jogo que não pensem em ganhar? Há jogo em que não sintam que há uma certa obrigação de vencer?

A verdade é que não temos, neste momento, pedalada para o Liverpool, nem para ambicionar a mais do que a fase de grupos da Champions. Em vez de A podia jogar B, Sérgio Conceição poderia ter optado por outra estratégia, mas o Liverpool, com maior ou menor facilidade, passaria esta eliminatória. Isto não é acaso nenhum e não nos podemos esquecer que já foi com imensa felicidade que o FC Porto conseguiu passar a fase de grupos - para todos os efeitos, o objetivo traçado e que já foi cumprido. O resultado final tem o poder de maquilhar 90 minutos, mas não nos podemos esquecer do trajeto até aqui.

Quem acompanhou os jogos da fase de grupos, com olhos de ver (o que, muitas vezes, não é o mesmo que olhos de adepto), já saberia que iria ser muito difícil tirar alguma coisa deste jogo. Recordamos somente dois dados escritos n'O Tribunal do Dragão há dois meses.

«Os guarda-redes do FC Porto estão entre os que menos trabalho tiveram na fase de grupos. Casillas e José Sá, juntos, fizeram 14 defesas, a 3ª marca mais baixa entre as equipas qualificadas (menos só Juventus e Basileia). No entanto, há que ter em conta que o FC Porto sofreu 10 golos, ou seja, as equipas adversárias quase conseguem marcar um golo a cada dois remates ao alvo. »

Lá está. Os guarda-redes do FC Porto não tiveram muito trabalho na Champions, mas quando os adversários rematam, na maior parte das vezes, dá golo. Foi o que aconteceu. O Liverpool atirou 6 vezes ao alvo e marcou 5 golos. O guarda-redes do Liverpool fez mais defesas do que José Sá. Mas quando os adversários rematam de forma enquadrada com a baliza... Normalmente dá golo. Outro detalhe:

«O FC Porto foi a equipa qualificada que menos tempo teve a bola em seu poder (23 minutos de tempo útil) e a 2ª pior percentagem de acerto no passe (77%). Algo a rever para quem quer sonhar nos 1/8.»

Aí está. O FC Porto foi alérgico à bola na fase de grupos. Basta recordar que, antes da goleada aos suplentes do Mónaco, o FC Porto tinha feito 10 golos: 7 de bola parada, uma bola em profundidade, um golo de contra-ataque e uma jogada de insistência na grande área. Ou seja, não viram o FC Porto marcar um golo que fosse após circulação e ataque planeado. Nada. Ou era de bola parada ou com uma bola direta na frente. Fomos uma equipa com muitas dificuldades em relacionar-se com a bola na fase de grupos. 

O que se viu na receção ao Liverpool? Adversário com 68% de posse de bola aos 10 minutos e 74% aos 20 minutos. Pecado mortal, relacionando isto com a forma como o TdD terminava a crónica da vitória frente ao Chaves: «E certamente que, frente ao Liverpool, não poderemos dar-lhes a bola como demos ao Chaves.» Por outro lado, era assim que o FC Porto vinha jogando desde a fase de grupos; era pouco credível que fosse possível mudar completamente para uma eliminatória com o Liverpool. 

Mas foi a morte do artista. O FC Porto não corrigiu este aspecto relativamente à fase de grupos e cometeu o erro de dar a bola ao Liverpool. Com os executantes e eficácia que a equipa inglesa tem, tinha tudo para correr mal. Demos o ouro ao bandido e o adversário fez o que quis do FC Porto.

A história poderia ter sido diferente? Podia. Se Otávio tivesse feito o 1x0, se Soares tivesse aproveitado a oportunidade a fechar a primeira parte, se José Sá não tivesse falhado... Se, se, se. Quando começamos a enumerar demasiados «ses», estamos em território perdido. 

Sejamos francos. Superar a fase de grupos, tendo em conta o futebol que o FC Porto apresentou, já foi notável. Não é normal uma equipa com tantas dificuldades no jogo com bola vingar na Champions. Logo, não é acidente. O que acontece é que o Liverpool é um bocadinho melhor do que Besiktas ou Leipzig. E fizemos dois grandes resultados contra o Mónaco, mas a fase de grupos revelou que o Mónaco se calhar não era assim tão bom. Não deu para corrigir os erros - ou mudar algumas coisas - após a fase de grupos e, assim, a derrota é uma mera consequência. Sérgio Conceição tentou não mudar muito, mas infelizmente não funcionou. 

Embora a superioridade do Liverpool seja natural, há algumas coisas que têm que ser discutidas. E indo diretamente ao assunto: se querem ganhar o Campeonato, a dobradinha, metam Iker Casillas na baliza. Estas coisas pesam. José Sá é bom rapaz, fez duas boas defesas contra o SC Braga, mas a única coisa que faz melhor do que o espanhol é a reposição da bola em campo (sim, há que dar mérito a Sá - repõe melhor a bola do que Iker, embora o português jogue mais vezes curto do que o espanhol). A maioria das bolas que vão à baliza de José Sá dão golo. Certo, podia ter feito mais no lance do 1x0, mas nos outros pouco podia fazer. Mas psicologicamente, mesmo para a equipa, é desolador saber que se os defesas deixarem escapar alguma bola provavelmente vai dar golo. 

Aquilo que José Sá está, neste momento, a fazer na baliza do FC Porto fá-lo-iam Vaná ou Fabiano. Ou Beto ou Bracalli. Ou Andrés Fernández ou Ricardo Nunes. Temos Iker disponível e não faz sentido nenhum que não seja o titular. É melhor do que José Sá (das 24 bolas que foram à sua baliza na Champions, 12 deram golo). Ponto. Os melhores têm que jogar. Sejamos francos: os adeptos só aceitam, toleram, esta opção de Sérgio Conceição por o FC Porto estar a liderar o Campeonato. Imaginem que esta seria uma decisão tomada por Paulo Fonseca ou Lopetegui. Ninguém ponderaria sequer a hipótese de Sá treinar melhor do que Iker...

E agora um pouco de contexto. A Champions reúne as melhores equipas da Europa. São 32 equipas. Centenas de horas de futebol. Centenas de futebolistas que foram utilizados no decorrer da prova. E entre todos esses jogadores, há apenas um, apenas um, que perdeu a bola na maioria das vezes que tocou nela. Só mesmo para reforçar: entre toda a competição, e todo o universo de Champions, só um jogador perde a bola na maioria das vezes em que interfere no jogo. Não vale a pena dizer quem é, pois. 

Marega tem sido um bom profissional no FC Porto, trabalha muito, tenta fazer o melhor que pode. Mas ver o FC Porto depender de um jogador com tamanhas e insuperáveis limitações no ataque é absolutamente penoso. Saímos do mercado de inverno, contratámos 3 jogadores de caraterísticas ofensivas (um deles um regresso após empréstimo) e parece que continua a não haver outro plano senão ter Marega no 11. Como podemos considerar que o mercado de inverno foi um sucesso neste sentido?

Sim, sim, Marega tem 16 golos no Campeonato. Não marcou na Champions, nem contra o top 4 da Liga (basicamente em nenhum jogo de grau de dificuldade elevado, mas isso é um problema de toda a equipa), mas para todos os efeitos é o melhor marcador do FC Porto na Liga. Mas considerando a quantidade de vezes em que a equipa lhe serve a bola na grande área e o facto de ser o mais rematador do plantel (ainda que 73,8% dos seus remates tenham sido desenquadrados), acaba por ser mais consequência de tempo de utilização/contexto de jogo do que da própria valia técnica individual do jogador. Não que não haja mérito na dimensão física e, não raras vezes, no bom posicionamento que Marega consegue assumir (veja-se o exemplo do clássico do Benfica - Marega desperdiça as 3 ocasiões, mas foi sempre ele a aparecer em posições favoráveis para finalizar). Mas não chega.

Os adeptos habituaram-se a observar/reconhecer que Marega luta muito pelo corredor direito, mas objetivamente: quantas vezes viram Marega ir à linha e sacar de um cruzamento eficaz?; quantas vezes viram Marega fazer uma diagonal, enquadrar-se com a baliza e rematar? A verdade é que a esmagadora maioria das disputas de Marega acabam por ter zero efeitos práticos. Muita luta, poucas consequências. Solução? Reconhecer que Marega pode ser importante em vários momentos no Campeonato português, mas não pode ser aquele jogador que vai estar sistematicamente 90 minutos em campo à espera que saquem de um coelho da cartola.

Não pode, por exemplo, ser comparável a Brahimi, que do nada pode inventar uma jogada que ajuda a resolver um jogo. Marega não faz isso, não pode resolver nada por si próprio, logo a equipa não pode estar dependente dele. As coisas estão a correr mal? Tirem Marega do jogo, pois possivelmente será o último a resolver algo sozinho. E porquê jogar sempre quase por decreto no 11? Porque não guardar Marega para uma segunda parte e enquadrá-lo no caudal ofensivo da equipa? 

Tem que haver mais soluções. Vêm aí jogos essenciais e, embora Marega vá certamente contribuir com alguns golos no que resta do Campeonato, não poderemos dar-nos ao luxo de ter um jogador que, nos clássicos, vai matar quase todas as jogadas de ataque com más receções e domínios de bola. 

Quanto à Champions, e por mais que este resultado tenha doído, a verdade é que esta é a única competição na qual o FC Porto já cumpriu os objetivos para esta época. SAD e equipa definiram os oitavos com meta e os resultados foram atingidos. Mais do que isso, neste momento, não dá. Não se esqueçam de como começou a época: o FC Porto foi o único clube castigado pela UEFA por não cumprir o fair-play financeiro para 2017-18. Esta conquista já ninguém tira à SAD. E Sérgio Conceição, antes de dar o primeiro treino, ficou logo sem 3 jogadores na lista de inscritos para a Champions, consequência da péssima gestão financeira e desportiva da SAD do FC Porto. Exigir o quer que fosse desta época, a nível europeu, era uma utopia.

Querem voltar a elevar a fasquia? Apresentem a fatura a quem aproximou o FC Porto da ruína financeira e não a quem tem feito milagres. Sim, Sérgio Conceição e este plantel têm feito milagres. Cumpriram os objetivos na Champions, estão a um passo da final da Taça de Portugal e dependem de si próprios para continuar na liderança da Liga, num dos campeonatos mais difíceis e competitivos dos últimos anos. 

Treinador e jogadores são culpados por isso: por terem reabilitado competitivamente o FC Porto num contexto de extrema incompetência/indiferença na SAD, que não cumpre o fair-play financeiro, não renova contratos (Aboubakar sendo uma das poucas excepções), não vende jogadores por verbas significativas sem a intervenção de Jorge Mendes no verão e não dá a cara na hora da pior derrota caseira da história do FC Porto. Se os adeptos acreditam que podem ser campeões, que podem fazer a dobradinha e que podiam ser competitivos diante do Liverpool é única e exclusivamente graças a Sérgio Conceição e ao grupo por ele liderado. Por isso, assim se justifica e se subscreve o aplauso dos adeptos que ficaram no Dragão após a maior derrota da história do clube a jogar em causa. Não pelos 90 minutos que ficaram para trás, mas pelo que aí vem. 

Venha o Rio Ave e os 90 minutos mais importantes da semana. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O orçamento da época 2017-18

A SAD já deu a conhecer a proposta de orçamento que será submetida a aprovação na Assembleia Geral de 27 de novembro. Depois de meses em que as (poucas) intervenções dos dirigentes da SAD apontavam para um caminho de contenção de custos, redução da despesa e de dar passos rumo à auto-sustentabilidade, este orçamento era, é, a oportunidade de conferir se há realmente planos para isso ou se eram meras palavras. E como é hábito, resta deixar os números falarem por si - e também deixarem claro que, se queremos razões para festejar esta época, só podemos mesmo contar com Sérgio Conceição e os jogadores.


Há um ano, a SAD apontava para custos operacionais (sem despesas com passes de jogadores) de 116,5 milhões de euros - o valor final acabou por atingir os 121,8 milhões. Desta vez, a SAD prevê gastar mais do que o que havia sido orçamentado há um ano: 118,5 milhões de euros

Isto indica desde logo uma coisa: a folha salarial praticamente não baixa, apesar de ter havido um desinvestimento no plantel para esta época. A SAD prevê custos com pessoal de 69,4 milhões de euros esta época. Aliás, há uma pequena redução face ao orçamento da época passada, mas não chega aos 100 mil euros. Já em relação aos resultados finais da temporada passada, que atingiram os 73,26 milhões de euros, a redução aproxima-se dos quatro milhões de euros.

Portanto, a partir deste orçamento, concluímos que a SAD propõe uma redução dos custos com pessoal de 74 mil euros em relação ao orçamento de 2016/17 e de 3,822 milhões de euros face ao Relatório e Contas final da temporada passada. Isto leva-nos desde logo a questionar de onde saíram estas previsões particularmente animadoras. 


Além deste relato do jornal O Jogo, o site oficial do FC Porto cita Fernando Gomes: «Libertámos 26 jogadores que tinham contrato, o que nos permite já em 2017/18 uma diminuição dos custos com o plantel de 20,8 milhões de euros». De custos com plantel para salários, de 3,822 milhões de euros para 20,8 milhões, há aqui um triângulo das Bermudas qualquer, entre semântica e matemática, que faz as coisas não baterem certo. Onde está a poupança com 26 jogadores? Oportunidade para se explicar dia 27. A não ser que estejam à espera do mercado de inverno para emagrecer a folha salarial, quiçá com ativos bem remunerados que não estão a ser opção inicial para Sérgio Conceição. Especulação, nada mais. 

Os proveitos operacionais previstos também aparecem dentro da mesma linha. Na época passada, a previsão era de 98,4 milhões de euros, e ficou meio milhão acima da metade traçada. Agora, a SAD aponta para 98,8 milhões de euros. A maior fatia volta a ser esperada na UEFA, em que a SAD conta com a qualificação para os 1/8 de final da Liga dos Campeões. Mesmo havendo restrições nas opções de Sérgio Conceição e que não lhe tenham dado um único reforço para a Champions. 

Tudo isto resulta num prejuízo operacional de 19,737 milhões de euros, resultado que acaba por ser superior às previsões da época passada (18,1M€).

O resultado final esperado é então de um prejuízo de 17,277 milhões de euros (o prejuízo de 2016-17 transitará para este exercício), após serem considerados/esperados proveitos de 55 milhões de euros com transações de jogadores na próxima época. Posto isto, torna-se difícil de encontrar algo nesta proposta de orçamento que aponte para uma mudança de rumo, de redução de custos ou de aproximação da auto-sustentabilidade. Mas calma: Fernando Gomes por certo explicará, dia 27, que este é apenas o «ano zero» e que a verdadeira recuperação começará já em 2018-19. 

Coisa que nos leva a imaginar qual seria a disposição dos adeptos se um treinador do FC Porto que, estando há três anos e meio no cargo e que tenha estado envolvido nos piores resultados da história do clube, se desse ao luxo de prometer «calma que isto vai melhorar, estamos no caminho certo e a partir do próximo ano vamos começar a jogar futebol a sério». Tem tudo para correr bem. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Primeiras impressões do Relatório e Contas 2016/17

Após alguns dias de espera, chega então a aguardada análise do Relatório e Contas da época 2016-17, que será publicada em várias partes. Começamos pela análise geral, recordando sempre o orçamento desta época. Pela segunda época consecutiva, a SAD do FC Porto falhou nos objetivos propostos e fechou a época financeira com um elevadíssimo prejuízo. Depois dos 58,4 milhões de prejuízo na época passada, os piores resultados da história das SAD em Portugal, desta feita a administração fechou o exercício com 35,3 milhões de prejuízo.

O orçamento da SAD para esta época apontava para um saldo positivo de 2,7 milhões de euros no final da temporada, linhas que a administração não conseguiu cumprir. Esta época ficou marcada por o FC Porto ter sido, na temporada 2016-17, o único clube punido pela UEFA por não cumprir o fair-play financeiro (a SAD anuncia agora ter cumprido o acordo que foi posteriormente feito), possivelmente o ponto mais baixo de 20 anos de atividade da SAD e um mais um sinal que mostra o quão sábia foi esta frase de Pinto da Costa: «Misturar política com futebol dá sempre mau resultado». E nem um apelido de mítico goleador atenua a coisa.

Começando pelas principais rúbricas, os proveitos operacionais estiveram dentro do previsto, na casa dos 98 milhões de euros. O crescimento em relação à última época deveu-se meramente à qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o que permitiu receitas na UEFA de mais de 30 milhões de euros. Os orçamentos da SAD são sempre de risco, mas bastava o play-off com a Roma ter corrido mal e poderia estar aqui um buraco de mais uma ou duas dezenas de milhões de euros. Felizmente, correu bem. Alguns pontos da rúbrica ficaram acima das expetativas, outros abaixo, mas no final os objetivos foram cumpridos no que aos proveitos operacionais diz respeito. 

Os custos operacionais, por sua vez, foram maiores do que o esperado e atingiram os 121 milhões de euros. O principal destaque vai para os custos com pessoal, que chegaram aos 73 milhões de euros. Por outras palavras, se não tivesse sido obtido o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, todas as receitas operacionais do FC Porto talvez não chegavam para pagar os salários. O desequilíbrio continua a ser gritante e a SAD continua assim em défice operacional, embora tenha decrescido de 41,5 milhões para 18,3 milhões de euros.

Os capitais próprios também levaram um golpe em relação ao último ano, ao passarem de 25 milhões de euros para 9,1 milhões de euros negativos. Porém, tendo em conta os interesses minoritários e as respetivas consequências da operação Euroantas, os capitais sociais da Empresa-Mãe chegam quase aos 69 milhões de euros negativos. Negativos. 

O ativo cresceu ligeiramente, atingindo os 378 milhões de euros, mas em contraste temos mais uma subida assinável do passivo, que chegou aos 387 milhões de euros negativos. Em causa está uma subida de mais de 160 milhões de euros de passivo em relação à época do último título conquistado. 

As compras do último exercício serão analisadas de forma mais detalhada num próximo post, mas aqui ficam as compras declaradas pela SAD.


Destaque para a grande curiosidade de um (ou mais, pois não é especificado) jogador ter custado 25 mil euros, mas depois aparecem custos de intermediação/contratação de um milhão de euros. A contratação de Soares foi mais cara do que o inicialmente previsto, de 5,6 milhões de euros pela totalidade do passe, e Galeno custou 1,5 milhões por 75% do passe, tendo sido contratado a um clube controlado pelo empresário António Teixeira. 

Note-se a curiosidade, que deve merecer atenção, de estarem aqui despesas de 50 milhões de euros em jogadores, mas neste momento só um está a ser titular indiscutível na equipa principal, Alex Telles. É também de realçar que a SAD detalha as compras de oito jogadores, mas depois enumera 15 empresários/empresas que receberam comissões de intermediação no momento da compra dos jogadores. 

A venda de André Silva, por sua vez, acaba por gerar uma mais-valia reduzida se tivermos em conta que se tratava de um jogador da formação (os jogadores da formação têm, por norma, mais-valias muito superiores, pois não há amortizações do passe). Neste caso, a mais-valia de André Silva ficou-se por 27,8 milhões de euros. É também de notar que a SAD, além de ter pago 10% a Jorge Mendes pela percentagem que o empresário detinha, ainda foi pagar depois comissão à Gestifute pela transferência. São mais de 10 milhões de euros que se «perdem» no cálculo da mais-valia. A mais-valia de Rúben Neves também acaba por ser quase irrisória, de 12,5 milhões de euros. Estamos basicamente a falar do valor que se pagou pela compra de Boly e Depoitre. Quando os jogadores da formação geram mais-valias mais reduzidas do que os atletas comprados no mercado, algo vai mal. 

O AC Milan e o Wolves também acabaram por conseguir modalidades de pagamento que parecem ser relativamente interessantes. Por exemplo, o clube italiano vai pagar apenas 14 milhões de euros por André Silva no primeiro ano, ficando os restantes 24 milhões para prazo não corrente. O Wolves também só vai pagar 5 milhões de euros por Rúben Neves esta época; quando tiver que pagar as restantes tranches, possivelmente já Rúben Neves terá sido levado por Jorge Mendes para um clube de outras ambições. 

Os empréstimos bancários merecerão também uma análise mais detalhada, mas a SAD continua a antecipar variadas receitas através de contratos de factoring, sobretudo com o já bem conhecido Internationales Bankhaus Bodensee. A dívida corrente da SAD à banca ascende aos 119 milhões de euros, com a dívida total a chegar aos 196 milhões de euros. 

Outra pequena curiosidade. Todos estarão recordados da surpresa que foi o FC Porto ter pago a totalidade do Estádio do Dragão ano e meio antes do previsto, no início de fevereiro de 2017 (ato que a SAD justificou com as elevadas taxas de juro e «contas de garantia associadas»). O R&C revela agora que, no mesmo mês, foi apresentada uma hipoteca do Estádio do Dragão como garantia juntamente do Banco Carregosa (que vai receber um Dragão de Ouro como Parceiro do Ano) na emissão de papel comercial, juntamente com os passes de Danilo, Felipe e verba da transferência de André Silva para o AC Milan. 

Palavra ainda para o contrato de direitos televisivos com a Altice que, como se sabe, só entrará em vigor em 2018. No entanto, a SAD já antecipou uma quantidade bastante significativa, com já mais de 90 milhões de euros entre os 457,5 milhões da totalidade dos contratos. Além do adiantamento que já tinha sido mencionado no anterior R&C, de 56,9 milhões, a SAD recorreu a diversos contratos de factoring para um adiantamento de mais 34 milhões de euros. Era este o contrato que iria «permitir gerir o FC Porto de maneira diferente», disse alguém. Pois. 

Bons desempenhos, até ver, só mesmo dentro das quatro linhas.  

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Outra realidade

Mais do que uma derrota do FC Porto, foi uma vitória do Besiktas. Foram melhores, não por deslumbrarem, mas por taticamente terem dominado a partida durante largos minutos. A equipa foi exposta a novos desafios (um adversário a assumir mais o jogo, a marcar primeiro, a saber fechar as laterais e a ganhar o jogo interior), e com isso não houve resposta à altura de sair da estreia da Champions com um resultado positivo. Foram-se 3 pontos, há mais 15 em disputa, num grupo onde qualquer equipa é simultaneamente candidata a passar em 1º e a ficar em último lugar. 


Não é nenhum caso de I told you so, pois eles vão surgir com naturalidade ao longo da temporada. Não temos plantel que permita conciliar os esforços entre Champions e Campeonato. Ao fim de 45 minutos de Champions, na tentativa de encontrar uma solução para melhorar a equipa, Sérgio Conceição trocou Óliver por André André. Incompatível com melhorias na equipa. Ir também buscar ao banco Otávio e Hernâni, na tentativa de dar a volta a um resultado, tem as limitações que já se adivinhavam.

Soares passou 10 minutos a pedir a substituição, porque não aguentava, mas não havia alternativa. E via-se Marega lutar, lutar, lutar, mas uma vez mais a exibir-se penosamente em tudo o que não seja correr e ganhar metros em espaço livre. Culpados? Não. Sérgio Conceição reagiu bem no plano teórico, mas depois ficou entalado perante a falta de alternativas. Os jogadores? Alguns podem dar mais, mas isto não é plantel para estas andanças. Não é. 

Subitamente, discute-se que se calhar o FC Porto deve jogar com um meio-campo reforçado na Champions e nos jogos de maior dificuldade. Mas se Sérgio Conceição tivesse entrado assim na partida, abdicando do seu 4x4x2, talvez o acusassem de alterar a identidade da equipa. A verdade é que as opções são demasiado curtas para se exigir o quer que seja desta fase de grupos. 

Sofrer 3 golos no Dragão, numa noite de Champions, não acontecia desde aquela fatídica noite em que um tal de Artemedia (um clube tão mediático que já mudou 4 vezes de nome desde então) nos deu uma dor de barriga. E é também a primeira vez que uma equipa turca nos derrota. O Besiktas mereceu.

Agora as coisas vão aquecer, com quatro deslocações complicadíssimas (Vila do Conde, Mónaco, Alvalade e Leipzig) nos próximos cinco jogos, no típico ciclo de partidas que consolida ou destrói o moral clássico de um arranque de época com vitórias consecutivas. Confiantes e com vontade de vencer? Claro. Mas uma tangerina não dá um litro de sumo. 




Brahimi (+) - Vai-se tornando habitual: Brahimi pode ser o que mais dá nas vistas no ataque, mas também se destaca pelo seu trabalho defensivo. Voltou a ser o jogador que mais vezes recupera a posse de bola (11), esteve nos lances de maior perigo da equipa e só ele foi conseguindo, a espaços, ganhar situações de 1x1 diante do Besiktas. Imprescindível para a equipa neste momento.


Óliver Torres (+/-) - Não importa as voltas que tentem dar, mas a melhor versão possível deste FC Porto terá que ter sempre Óliver. Falhou alguns passes na primeira parte, mas tentou dar dinâmica e velocidade ao meio-campo, atirou uma bola ao poste e era dos poucos a tentar triangular e a «puxar» os laterais para a frente. Ficou a impressão de que, muitas vezes, tinha ideias que não eram capazes de ser executadas à sua volta. Sérgio optou por trocar o cérebro de Óliver por uma tentativa de ser mais direto e intenso com André André e Otávio no eixo. Não funcionou e, sem Óliver, este FC Porto perde muitos dos seus argumentos. 




Querem os oitavos? (-) - Ir aos oitavos-de-final não é meramente um objetivo do grupo de trabalho: é também uma meta declarada pela SAD. Com isto, olhar para as opções que estavam à disposição do treinador para este jogo é penoso. Não há milagres numa competição desta dimensão. Saca-se do banco André André, Otávio e Hernâni, que fizeram mais bons jogos no Vit. Guimarães do que no FC Porto. Podem ser úteis? Podem, claro. Mas são curtos para esta exigência.

Ver Soares, recuperado de lesão, em esforço a tentar manter-se em campo, há minutos a fazer sinal para o banco, sem que Sérgio Conceição pudesse aceder ao seu pedido, é deveras preocupante. Sérgio Conceição saltou do 4x4x2 para o 4x3x3, mas depois regressou ao plano inicial, sempre limitado pelas opções que tinha à disposição. E não foi preciso haver muitas baixas: bastou faltar Aboubakar no ataque. Não é uma onda de lesões, não é o desgaste de vários meses de temporada: foi um único jogador que não estava disponível para jogar do meio-campo para a frente.

Cobrar o quer que seja a Sérgio Conceição, com este grupo de trabalho, não é razoável. Não há memória de um treinador do FC Porto ter tão pouco em mãos: zero reforços, zero jogadores campeões no plantel (o estofo conta, e muito) e escassez de opções sequer em número. Querem milagres?

Falta talento (-) - Se um jogador como Danilo, Óliver ou Brahimi aparece em subrendimento, é normal que os adeptos lhes deem na cabeça: porque sabem que podem dar muito, muito mais. E é também essa a crítica feita à exibição de ontem de Danilo: desconcentrado, várias vezes mal posicionado e demasiado recuado no início de construção (passou mais tempo no eixo dos centrais do que no meio-campo do adversário). E Corona arrisca tornar-se aquele jogador que, lá para os 30 anos, ainda estão à espera da época de afirmação. 

Agora, criticar Marega? Não, isso não, porque está a fazer o máximo que se pode pedir: está a dar o melhor que tem. Tenta meter o corpo, tenta correr, tenta lutar. E quais são os resultados práticos disto? Metade das jogadas que vão parar aos seus pés são perdidas. Aliás, mais de metade, pois 57% das bolas nos seus pés perderam-se. Pior, em toda a 1ª jornada da Champions, só Forsberg, que vai ser adversário do FC Porto. 

Depois de ter perdido mais de 40 jogadas entre Braga e Chaves, Marega voltou a deixar ao claro as consequências de ter o ataque refém de uma tentativa de reabilitação de um jogador que não tinha lugar em qualquer equipa na história do FC Porto. É culpado? Pois claro que não. Está a ter a fazer algo que só pode merecer elogios: a dar o melhor de si próprio. Jesús Corona, por exemplo, não deu nem metade do que podia. 

Não é por isso uma crítica ao jogador, mas sim a quem compôs um plantel que faz com que os adeptos (e S. Conceição) tenham que aceitar que não há melhor do que Marega para o ataque e que é titular por mérito. É titular não por não haver melhor, mas porque simplesmente não há mais ninguém. É curto, demasiado curto, por muito que confiem em Sérgio Conceição, na garra e na mística (os lugares comuns que não podem ser substitutos da competência) para esticar o que há.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Como disse?

A imprensa é um eterno universo de preocupação para muitos adeptos. Não é surpresa para ninguém que determinados títulos têm maior proximidade com alguns clubes. Que existe compadrio - uma palavra provavelmente até elegante de mais para o caso - entre A Bola e o Benfica, não é novidade. E que o jornal O Jogo é, historicamente, o jornal que maior apreço recebe por parte do FC Porto, também não. Mas a notícia trazida hoje à capa é grave.

Cada adepto pode escolher o que lhe ocupa o topo das preocupações: ou o facto de Luís Filipe Vieira, o leitor, dar entrevistas à Bola que não o são; ou uma manchete d'O Jogo acusar basicamente a SAD de amadorismo. 

Em causa estão duas pequenas frases. 


«Última reunião foi na época passada» e «negociações com os jogadores em risco vão começar agora». É brincadeira, certo?

O FC Porto está em plena época 2017-18, em que para já tudo tem corrido bem. Teve dificuldades na venda e colocação de jogadores no último defeso, ficou com um caso bicudo por resolver (Bueno), e entre os excedentários/dispensáveis só Depoitre saiu por um valor acima do que seria expectável no mercado (quase 4M€). Ainda assim, há expectativa em ver se a folha salarial conseguirá descer um pouco (a previsão para a última época foi de 69,5M€ - um aumento de 28% em relação ao último campeonato conquistado).

E perante a ausência de reforços, transmitiu-se a ideia de que reforços eram os que ficavam. Mas então agora a SAD do FC Porto é acusada de ter iniciado a época sem antes ter assegurado a continuidade de ativos que estão em final de contrato?

Iván Marcano é um dos capitães do FC Porto e um jogador essencial no plantel. «Última reunião foi na época passada». A sério que o FC Porto começaria uma época sem assegurar, dentro do possível, que Iván Marcano era para continuar? Sem haver contactos diretos nesse sentido? E as negociações «com os jogadores em risco, vão começar agora»? Apenas agora, a menos de 4 meses de poderem assinar por outro clube a custo zero?

A SAD basicamente não comprou ninguém no último defeso. Houve muito menos trabalho para fazer a nível de mercado. E com isto, não houve tempo para encaminhar as renovações de contrato antes da época começar? 

É sabido que Iván Marcano quer ficar no FC Porto. E vai ficar, seguramente, porque estamos a falar de um capitão e de um profissional exemplar. Mas num mundo tão volátil como o futebol, em que as intenções e lealdade mudam ao ritmo do cifrão e de um dia para o outro, esta acusação de uma gestão de puro amadorismo é demasiado grave. 

Tomemos como exemplo a situação de Vincent Aboubakar. Fabrice Picot, o empresário do avançado, disse em julho que Aboubakar queria «jogar e ajudar» o FC Porto, mas que «a renovação não está nos planos». Por norma, um jogador que se recusa a renovar não volta a jogar. Neste caso, que alternativa poderá ter o FC Porto?

Não há alternativas no ataque. O FC Porto depende de Aboubakar pelo menos até janeiro. Tem que jogar, não há alternativa. E sabemos que o camaronês tem um empresário que não hesitou em afirmar que não havia planos para renovar. Quem garante que Aboubakar estará a ter o melhor tipo de aconselhamento nesta fase?

«Escuta, Vincent, já deu para ver que o FC Porto não pode prescindir de ti. O mercado está fechado e não podem jogar até janeiro só com Marega e Soares, por isso tens lugar quase sempre garantido. Fazemos assim: continua a jogar bem, a fazer golos, e depois em janeiro já podes assinar por outro clube a custo zero. E como não têm nada a pagar ao FC Porto, até pagam uma comissão e um prémio de assinatura bem mais altos». Claro, isto é meramente ficcional e extremamente pessimista. Mas estamos no futebol. 

O próprio Diego Reyes, único central suplente na equipa principal, está em final de contrato. Assim como Maxi Pereira, que dificilmente ficará para a próxima temporada. E na véspera, O Jogo trouxe-nos também à capa uma notícia de que Reyes mostrava serviço como alternativa a Danilo Pereira. 

Já não há uma alternativa de raiz a Danilo no plantel. Sugerem Reyes, que é então simultaneamente único central suplente e alternativa à posição 6. Está em final de contrato. 

Não passa pela cabeça de ninguém perder Iván Marcano e Aboubakar. Se tal acontecesse, Reyes entrava no 11, deixava de haver central suplente e a tal alternativa sugerida a Danilo; se Aboubakar deixasse de ser opção, Marega e Soares tinham que durar os 90 minutos semana após semana, ou então Sérgio Conceição teria que passar a jogar em 4x3x3. O pior que podia acontecer: o treinador ser forçado a mudar a sua tática por não ter opções suficientes no plantel. 

E já existem consequências disso. Perante a incerteza em torno de Corona, especula-se que Ricardo Pereira pode jogar a extremo. Tudo bem, tem qualidade para isso, e Maxi Pereira dá garantias de qualidade. Mas isso implica que, perante a ausência de um único jogador, Sérgio Conceição tem que mexer em dois setores; e mexe em dois setores apesar de ter Hernâni no plantel. Não é o maior atestado de confiança e de profundidade no plantel, diga-se.

Já que não foram capazes de dar um único reforço ao treinador, o mínimo que se pede é que Iván Marcano, Diego Reyes e Aboubakar tenham o seu futuro totalmente assegurado e comprometido com o FC Porto o quanto antes. Infelizmente, já temos variados exemplos de que no futebol a palavra não chega.

Ou então O Jogo está simplesmente mal informado e está tudo tratado, a tempo e horas. Isso. 

PS: Uma declaração de Petr Cech, guarda-redes do Arsenal, que vale a pena afixar. «Quando José Mourinho chegou ao Chelsea proveniente do FC Porto, ele trouxe com ele uma coisa essencial: veio de um clube onde não era aceitável para ele terminar o Campeonato em segundo lugar. Ele trouxe o mesmo espírito para o Chelsea». 

O Chelsea, um dos clubes mais poderosos do futebol atual, tomou como exemplo para crescer o FC Porto. Não é necessário acrescentar mais nada. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A ausência de reforços (nunca) explicada

Começando por uma pequena nota de lamento pela ausência recente, que incluiu a apreciação sobre a bela vitória do FC Porto em Braga. O mercado fechou e, pela primeira vez em décadas de FC Porto, não houve nenhum reforço oriundo do mercado de transferências. Sobra a questão: não vieram reforços por SAD e/ou treinador acharem que não era necessário; ou porque não havia meios para os contratar? Tudo vai ao encontro da segunda opção.

Mas recuemos até ao dia da apresentação de Sérgio Conceição no FC Porto. Pinto da Costa deixou esta intervenção: «Os dois reforços que me pediu, não haverá possibilidade, porque me pediu o Messi e o Ronaldo. Não pode ser, embora lhe tenha custado a aceitar. Não estou preocupado com isso, porque foi por isso que escolhi o Sérgio, para poder, com os jogadores que tivermos, fazer uma equipa competitiva para ganhar».

Talvez nem o próprio Pinto da Costa imaginaria o quão sincero estava a ser. Sérgio Conceição teve que fazer precisamente isso: pegar no que tinha e fazer uma equipa competitiva. Soares lesionou-se e teve que pegar em Marega, um jogador que encabeçava qualquer lista de dispensas; passou o mês de agosto sem uma única alternativa ao eixo do ataque no banco; foi forçado a mexer na estrutura e tática da equipa quando não podia, simplesmente, mudar apenas um jogador. Sérgio Conceição fez o máximo que podia fazer com o que tinha. E fê-lo bem. 

Sérgio Conceição adora desafios, e este é o maior que pode ter. Certamente que não terá maior gozo do que se tornar no treinador a que menos investimento teve direito na história do FC Porto, mas ainda assim chegar ao título. Mas a revelação de Valentin Rongier, médio do Nantes que afirmou que Sérgio Conceição o convidou para ir para o FC Porto, levanta uma grande questão. Ou o jovem francês está a mentir, ou então de facto Sérgio Conceição queria uma adição ao seu plantel. Mas queria o quê? Especificamente Rongier? Ou queria um médio, e Rongier correspondia a esse perfil?

Ninguém acreditará que Sérgio Conceição não queria reforços. Não há treinador no mundo que não queira adições ao seu plantel, sobretudo numa equipa onde não há sequer o requisito mínimo de ter dois jogadores por posição. Sim, temos a equipa B, e há muito que os adeptos ansiavam em ver a equipa B complementar a equipa principal. Mas repare-se que, mesmo perante a ausência de avançados, Sérgio Conceição nem sequer considerou ir buscar alguém à equipa B para fazer número. O que deixa desde logo antever que, mesmo que falte alguém na equipa A, Sérgio Conceição não aparenta estar convencido de que haja alternativas à altura na equipa B. 

Enquanto a equipa ganha tudo está bem para as massas, é um clássico. Mas não há maior erro do que não aprender com os erros do passado. O FC Porto também abriu o pós-Vítor Pereira com chocolate, a ganhar uma Supertaça e a arrancar com seis vitórias consecutivas. Mas mais à frente, no decorrer da época, concluiu-se que se calhar Josué e Licá não eram os melhores substitutos para as saídas de Moutinho e James. Esperemos que, dentro de três meses, o otimismo não se deixe tomar por uma realidade em que André André, Hernâni ou Marega se calhar são curtos para recuperar de um mau resultado. 

Mas neste caso, o FC Porto não perdeu nenhum Moutinho ou James. Saiu André Silva, mas Aboubakar pode garantir sem problemas os mesmos números do agora jogador do AC Milan. Saiu Rúben Neves, que não era titular, logo também não se pode falar aqui de uma baixa no 11 base da época passada. Então, qual é o problema? Profundidade, alternativas de melhor qualidades aos elementos da equipa A, dar condições a Sérgio Conceição, dar algo mais do que uma lista de dispensas a um treinador que largou tudo para se vir meter no meio da fogueira. E há que considerar a mudança de sistema tático, que pede mais alternativas no ataque e um perfil mais específico no meio-campo. 

A SAD não prestou explicações depois da última época. Nenhuma palavra sobre a saída de Nuno Espírito Santo ou um balanço da última temporada. E depois do ponto mais baixo da história recente do FC Porto - não, bater no fundo não é perder com o Tondela, é ser o único clube a ser punido pela UEFA na última temporada por falhar o FPF -, seria importante explicar os constrangimentos que existiram no mercado esta época.

Por exemplo, para 2017-18, o FC Porto só pôde inscrever 22 jogadores na lista A da Liga dos Campeões, menos 3 do que o normal. Se é certo que o clube raramente preenche sequer uma das quatro vagas para jogadores da formação (o prolongamento do falhanço que já vem desde o V611), o plantel torna-se ainda mais curto. Por exemplo, para o primeiro jogo já está garantido de que não haverá ponta-de-lança suplente no banco, pois Aboubakar está castigado. Não há uma alternativa natural. Como arrisca não haver quando qualquer jogador do meio-campo para a frente não estiver disponível. 

Mas o que mais se destacou do comunicado da UEFA, e que não teve a atenção devida, foi este detalhe:


O FC Porto aceitou, segundo as restrições da UEFA, reduzir «significativamente» os seus gastos no mercado de transferências. Quão? Aparentemente, para valores bem próximos do zero. A SAD não investiu porque não podia, porque a gestão financeira falhou redondamente, uma vez mais, na última temporada. E agora? Agora esperam que Sérgio Conceição não se limite a fazer omeletes com os ovos que tem: ainda lhe vão pedir uns quantos bolos. 

Agora o clássico quando o ataque ao mercado parece curto: a história de que os reforços são os jogadores que se conseguiu segurar no plantel. Mas entre todos os ativos que estavam no clube, provavelmente só Danilo Pereira (Ricardo Pereira também, embora não estivesse no plantel na temporada passada) seria candidato a uma boa venda. E ainda assim, de todo o bolo numa eventual transferência, o FC Porto provavelmente só chegaria a gerar pouco mais de metade de mais-valia com a saída de Danilo. E o mesmo vale para Ricardo Pereira. 

Mas a concluir, um pormenor que também faz a diferença. Diz-se que «o FC Porto só gastou com Vaná». Não, o FC Porto não gastou só com Vaná. O FC Porto desperdiçou com Vaná. O que diz a compra de Vaná é que o FC Porto tinha um pouco de dinheiro para investir. Então e o que fez o FC Porto com o pouco que tinha? Comprou um jogador que não era necessário, nem sequer como suplente. Se é certo que era muito difícil encontrar um médio ou um avançado por um valor na casa do milhão de euros, no pouco que o FC Porto poderia gastar, gastou onde não era necessário. Que lógica tem isto?

E agora sobra a expetativa de ver que mérito poderá ter a SAD este ano que não tenha tido o ano passado, porque o plantel é quase o mesmo. Saídas? As únicas relevantes foram ambas tratadas por Jorge Mendes (Rúben Neves e André Silva). Reforços? Nada. A SAD praticamente não mexeu no plantel desta época, e ainda não renovou com 3 ativos em final de contrato (Reyes, Marcano e Aboubakar). Que mérito se poderá ter este ano que não se teve no ano passado? Provavelmente, dirão que «não se gastou dinheiro com Depoitres». A sério que o mérito que sobra é esse? O não errar? Pois, quem não tenta acertar, também não erra. 

A luta desta época é com Sérgio Conceição e com o grupo por si orientado. São eles que merecem o apoio dos adeptos nos meses que se seguem, e que não estarão dependentes do mês de maio para serem alvo de apreciação. Não se pode exigir nada a quem não teve nenhuma das suas exigências preenchidas. 

Sérgio Conceição não teve um único reforço por consequência da péssima gestão financeira que se apoderou da SAD nos últimos anos. E o que faz ele? Está a preparar a equipa para a 5ª vitória consecutiva e para se manter na liderança da Liga. Vontade de trabalhar e vencer nunca faltará. E esperemos que também não sobrem papas na língua no final da temporada. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os outros reforços

Óliver Torres - 5M€
Boly - 3,76M€
Imbula - 4,8M€
Jesús Corona - 4,475M€
Felipe - 4M€
Alex Telles - 3,412M€
Brahimi - 3,332M€
Miguel Layún - 3M€
Depoitre - 3M€
José Sá/Marega - 2,425M€
Danilo Pereira - 3,165M€
Omar Govea - 1M€
Víctor García - 1,7M€
Otávio - 1,1M€
Kayembé/Djim(s) - 1,3M€
Danilo - 0,85M€
Outros - 6,2M€

Confusos? A explicação é simples. O FC Porto tem previsto até ao final de dezembro de 2017, no corrente ano civil, o pagamento de 52,5 milhões de euros por jogadores já existentes no seu plantel. Isto sem considerar os 25 milhões de euros que terão que ser «pagos», ou renegociados, por estes quatro jogadores em prazo não corrente (isto é, para lá do final de 2017): Óliver, Boly, Inácio e Govea.


Qualquer portista concordará: são necessários reforços e Sérgio Conceição disse que vinha para ensinar, não para aprender, mas também não disse que vinha para fazer milagres. São necessárias soluções, particularmente do meio-campo para a frente, mas antes de pensar em quanto vai custar o extremo Y e o ponta-de-lança X, há a considerar quanto ainda vai custar quem cá está.

Há, logicamente, algo que equilibra um pouco a balança, que são os cerca que 32M€ a receber por parte de outros clubes entre o segundo semestre de 2016/17 e o primeiro de 2017/18, em grande parte graças às vendas de Alex Sandro e Imbula. Dinheiro já com destinatário, por certo, mas é um exercício que nesta altura da época ajuda a arrefecer as expetativas quanto à urgência de reforços.

Só pela lista acima referida, note-se que o FC Porto tinha, na apresentação do R&C do primeiro semestre, previsto o pagamento de cerca de 20M€ por parte de jogadores que já não fazem parte do plantel ou que não serão opção para Sérgio Conceição. Esses mesmos 20M€ talvez serviriam para o treinador preencher todas as lacunas que identifica no plantel, mas é um problema com o qual todos os treinadores, infelizmente, lidam: com as réstias de apostas falhadas de antigos treinadores ou, sobretudo, por parte da SAD.

Por isso, o contexto convida precisamente àquilo que Sérgio Conceição está a fazer: espremer, ao máximo, a matéria prima que já tem à disposição. No Olival, há neste momento quase um «11» de jogadores que não estavam no plantel na época passada e que, noutras circunstâncias, talvez não teriam em vista perspetivas de fazer parte do plantel.

Sérgio Conceição ainda não sabe quando vai ter reforços no mercado. Por isso, faz aquilo ao qual convidam as circunstâncias: vai tentar descobrir reforços naquilo a que muitos chamariam lista de dispensas.

Podendo começar por aqui: por 4 milhões de euros, que é quanto ele renderia numa saída, dificilmente se arranja um ponta-de-lança melhor do que um Aboubakar de cabeça limpa; e se em tempos tivemos que pagar mais de 25 milhões de euros por dois excelentes laterais (Danilo e Alex Sandro), neste caso temos aqui à disposição uma dupla que já não vai mexer com os cofres - Ricardo Pereira e Rafa. Três exemplos de reforços ideais: qualidade, baixo ou nulo custo e já à disposição do treinador. 

Suficiente? Talvez não. Mas é um exemplo que já deveria ter sido seguido muito antes, e não apenas pelos treinadores: antes de pensar em ir lá fora, vamos tentar aproveitar tudo o que está cá dentro.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Uma conversa entre Mística e Cifrão

Mística - Um dia triste para o Futebol Clube do Porto...

Cifrão - Calma, Mística, que eu tenho uma coisa para te animar: vendemos um suplente por cerca de 18 milhões de euros! Não é incrível?

Mística - Essa é a tua alegria, Cifrão? O menino que deliciava os adeptos aos 17 anos, que carregou a braçadeira de capitão aos 18 e que foi apresentado pelo próprio presidente como o sucessor de João Pinto, é descrito por ti como o «suplente»? Isso leva-me a pensar em todos os outros grandes negócios que perdemos por não termos vendido suplentes como João Pinto, Jaime Magalhães ou Domingos. 

Cifrão - Percebe uma coisa, Mística. O Rúben Neves estava há 3 anos a trabalhar com o plantel principal. Só se revelou com Lopetegui, e mesmo assim, assim que Casemiro esteve pronto, Lopetegui não mais prescindiu dele. De resto, Rúben Neves nunca esteve perto de ser um titular indiscutível...

Mística - É esse o problema dos talentos precoces. Tu, Cifrão, e tantos outros esquecem-se que esta foi a primeira época de sénior de Rúben Neves. A primeira!

Cifrão - E então? Diz-me lá: achas que Rúben Neves foi mais importante na posição 6 do que foram Paredes, Costinha, Paulo Assunção ou Fernando? Não brinques, Mística, há que ser pragmático: o Rúben Neves sai por mais dinheiro do que todos estes juntos, sem ter feito um terço do que esses fizeram!

Mística - Curioso que fales desses nomes, Cifrão. Rúben Neves tem 20 anos feitos em março. A mesma idade com a qual Paredes era suplente do Olimpia e Paulo Assunção do Palmeiras. Costinha estava no Oriental. Fernando chegava do Brasil para ser emprestado ao Estrela da Amadora. Por alguma razão, muitos esperavam que Rúben Neves fizesse o que poucos fizeram no FC Porto: ser titularíssimo aos 20 anos. 

Cifrão - Percebe uma coisa, Mística. Com a saída do Rúben Neves, é possível segurar o Danilo Pereira! E tens que concordar que, neste momento, o Danilo não só é o melhor 6 do futebol português como assenta que nem uma luva na descrição de jogador à Porto! O que é melhor: sair o Rúben ou o Danilo?

Mística - É aí que erras, Cifrão. Noutros tempos, o FC Porto pensaria no Rúben Neves como o sucessor de Danilo, em vez de estar a pensar em vender o Rúben Neves para segurar o Danilo. O que vemos é Rúben Neves a pagar a fatura dos erros da administração da SAD do FC Porto, cujo responsável financeiro dá passadas largas para meter os tempos áureos do Sporting de Godinho Lopes no bolso. 

Cifrão - Sê realista, isto é negócio! Imagina que o Rúben passava mais uns meses no banco, ou que se lesionava? Já não havia negócio para ninguém!

Mística - Bem, nesse caso é melhor vender já todo o plantel, não vá alguém lesionar-se na pré-temporada. Após tanto termos condenado a teia da qual a formação do Benfica e Jorge Mendes fazem parte, queres rejubilar com esta venda do Rúben Neves, que sai por pouco mais do que um tal de Hélder Costa?

Cifrão - E então? Imagina lá o que devem preferir os benfiquistas: ter um plantel com Bernardo Silva, João Cancelo e Hélder Costa ou serem tetracampeões? Queremos jogadores ou títulos?

Mística - Não é uma questão de jogadores vs. títulos, pois estás a comparar meios com fins. Rúben Neves é o tipo de jogador que ajudaria o FC Porto a ganhar troféus. Neste caso, sai muito antes de poder meter as mãos num caneco. Outrora, os jogadores cumpriam o ciclo de valorização, que coincidia com a conquista de títulos, antes da saída; agora saem antes de conquistar títulos e muito antes de atingirem o seu pico de valorização. Não é por acaso que o FC Porto nunca se preocupou em vender Fernando, Paulo Assunção ou Costinha num pico de valorização: eram jogadores que interessavam mais desportivamente do que financeiramente.

Cifrão - Mas talvez nunca nenhum desses jogadores tenha tido a proposta que teve Rúben Neves, senão também teriam saído. Insisto, o Rúben Neves está a sair por mais dinheiro que todos os grandes médios defensivos que tivemos, e não teve metade da importância que cada um desses teve! Como pode isto ser um mau negócio?

Mística - É um mau negócio não pelo rendimento que Rúben Neves teve na equipa principal, mas por aquele que já não o vão deixar ter. Não estamos a falar de um jogador com talento que podia resultar ou não, de um sul-americano que precisa de um longo período de adaptação ou de um jogador a precisar de evoluir taticamente. Rúben Neves estava pronto e preparado para render mais. Poderia até haver compatibilidade com Danilo no meio-campo.

Cifrão - E quem deixava de jogar? Temos variadas opções para o meio-campo, desde Óliver a Herrera...

Mística - O mesmo Herrera por quem rejeitaram 30 milhões de euros para agora estar a vender Rúben Neves por pouco mais de metade? Questiono esta lógica de gestão. Rejeitam 60 milhões por André Silva para depois o vender por 38. Rejeitam 30 pelo Herrera para depois vender Rúben Neves por cerca de 18. 

Cifrão - Sabes, o FC Porto não comanda todo o mercado... Pode haver uns meses em que uns clubes estão a oferecer mais, outros em que oferece menos. Infelizmente, a SAD tem que decidir no momento, enquanto os adeptos têm a facilidade de poderem mudar de opinião de um mês para o outro, dependendo do momento de forma de cada jogador. 

Mística - Mas o que decide a SAD? Até agora, a única coisa que se viu foi Jorge Mendes a levar dois dos seus jogadores, Rúben Neves e André Silva, e Sérgio Conceição com zero reforços. Que fez a SAD no meio destas operações? Já sei. Deu 10% do passe de André Silva (ou 10% da mais-valia - os jogadores da formação geram sempre mais valias mais elevadas, por não haver direitos de formação a pagar a outros clubes) a António Teixeira, quando a Promosport nem o representava. E sobre Rúben Neves? Deu 5% ao irmão de Adelino Caldeira, além de lhe ter pago 225 mil euros só pela renovação e uma soma de 100 mil euros por 20 jogos disputados. Sendo que José Caldeira podia ganhar mais 5% dependendo da concretização de uma proposta. A isto junta agora as comissões que Jorge Mendes vai receber das duas vendas. De facto, isto tem sido uma trabalheira para a SAD. 

Cifrão - Eh pah, outra vez a falar nisso? Preocupa-te é com os e-mails e com os esquemas de corrupção a envolver o Benfica. Temos que apontar as armas para fora, não é para dentro!

Mística - Sabes, Cifrão, por mais graves que as práticas do Benfica sejam, isso não vai resolver os problemas do FC Porto internamente. Continuamos a ter graves problemas financeiros, continuamos a ter o fair-play financeiro à perna, continuamos com problemas na gestão de ativos do plantel. Nada, nada dos problemas internos do FC Porto mudou com a divulgação dos e-mails. A não ser que a Gmail seja apresentada como reforço e que garanta 30 golos esta época, desportivamente, não te iludas: isto não muda nada no FC Porto, apenas condiciona o modus operandi do Benfica dos últimos 4 anos. Se acham que a única forma de fortalecer o FC Porto é enfraquecendo o Benfica, isso constata que se preocupam mais com a casa dos outros do que com a nossa. Não me parece o caminho correto.

Cifrão - Inacreditável. Repara, com as saídas de André Silva e Rúben Neves, devemos garantir uma mais-valia acima dos 40/45 milhões de euros com dois jogadores que não estavam a ser, sequer, titulares indiscutíveis! Num passado bem recente, era normal o FC Porto vender dois ou até três titulares por época. E a máquina funcionava! Já vendemos melhores por bem menos! Neste caso, não sai nenhum titular verdadeiramente indiscutível, e ainda assim queixam-se?

Mística - Sim, pois estas vendas são consequências de erros gravíssimos de questão. A forma como têm relativizado o falhanço do fair-play financeiro é altamente preocupante. Eu ainda me lembro de ouvir Fernando Gomes dizer, no início de 2016, que o contrato com a PT ia permitir «gerir o FC Porto de outra forma». É esta a forma de que falavam? Desde então, o que fizeram? Apresentaram o maior prejuízo da história da SAD, de quase 60 milhões de euros; falharam o FPF; venderam Rúben Neves e André Silva em saldos (atenção, não digo que os 38 milhões tenham sido maus, não foram - mas se o presidente diz que antes rejeitou 60 milhões por ele, então não foi o melhor negócio possível), e já cometeram a proeza de antecipar 57 milhões de euros do contrato com a PT, que só devia começar em junho de 2018. São pelo menos 12,5% já utilizados de um contrato que só arrancava dentro de um ano. Os treinadores vão saltando e os responsáveis por este caos seguem imaculados. 

Cifrão - Não te desvies do essencial, Mística. Para a história, fica que vendemos um suplente por 18 milhões de euros. O mais próximo disso ter acontecido foram as vendas do Imbula e do Iturbe, que não permitiram grandes mais-valias mas cujo bolo total foi bem apetecível. A venda de Rúben Neves foi ainda melhor. Concluo, o FC Porto está mais rico.

Mística - Não, Cifrão. O portismo está mais pobre. 

sábado, 1 de julho de 2017

Lembrete






«Espero que ele fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto». Pinto da Costa dixit

Com uma mera e pequena nota a acrescentar: imaginem que João Pinto, no seu 2º ano de futebolista sénior, tinha sido posto a andar do FC Porto. Não haveria João Pinto a levar pedrada no Jamor; não haveria João Pinto agarrado à orelhuda em Viena; não haveria João Pinto a jogar, às escondidas, com um dedo do pé partido; não haveria João Pinto para levantar a Intercontinental e a Supertaça Europeia; não haveria o histórico e marcante capitão que ganhou 9 campeonatos, que se tornou recordista de jogos e que meteu as mãos em 24 troféus ao serviço do FC Porto. Imaginem. 

Poderia, algum dia, Rúben Neves ter um percurso idêntico ao de João Pinto? Podemos nunca vir a saber. Tudo dependerá de quanto (ainda) vale a palavra de Pinto da Costa.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Os lesados do NES

«Quem olhou para as contas da época passada, pode ver que as contas deram um prejuízo considerável. Assumidamente, não houve qualquer surpresa, porque ficou definido pela SAD que não haveria vendas, porque o treinador de então achou que os os jogadores não deveriam ser vendidos». Fernando Gomes, 07-06-2017

Três anos de trabalho
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Lembram-se dos tempos em que se dizia que, no FC Porto, o treinador treina, o jogador joga e a estrutura cuida de todo o resto? Entrámos, aparentemente, numa nova era: aquela em que o trabalho do treinador da equipa principal do FC Porto também passa por ser responsabilizado pelos prejuízos apresentados pela SAD. 

Fernando Gomes já habituou os adeptos do FC Porto às mais surreais intervenções, desde as camisolas sem patrocinador que ficam mais bonitas aos alertas para a necessidade de uma contenção que nunca chegou a pôr em prática.

Mas esta nova intervenção, de responsabilizar o treinador (no caso, o ex-treinador) pelo maior prejuízo da história da SAD, desafiam todos os limites da compreensão que se possa ter para decisões que, no cargo que ocupa, nunca são fáceis de tomar.

Aquando da operação Euroantas, o próprio Fernando Gomes admitiu que havia a necessidade de cumprir o fair-play financeiro. E na apresentação do maior prejuízo da história da SAD (em que ninguém se lembrou de dizer que era culpa do NES - como tem sido hábito, assim que um treinador deixa o FC Porto, leva com ele culpas que nunca lhe seriam imputadas enquanto estivesse no cargo), Fernando Gomes afirmou isto: «Nas nossas conversas estamos em sintonia relativamente ao que fazer: reduzir custos e não depender da venda de jogadores. Não temo sanções mais graves».

E agora, o que admitiu Fernando Gomes? «Se o FC Porto vai ter de vender jogadores? É evidente que sim.» Era capaz de ser mais fácil encontrar sintonia e segurança numa defesa composta por Kralj, Butorovic, Stepanov, Sonkaya e Benítez do que coerência nas palavras do administrador responsável pelas finanças do FC Porto. 

Esta falta de lógica não é nova. Basta recordar as palavras de Pinto da Costa em finais de novembro. «Havia dois caminhos. Era fácil apresentar resultados positivos: no último dia [de mercado], por exemplo, ofereceram-nos 30 milhões de euros por Herrera, 40 milhões por Danilo e quiseram pagar a cláusula de rescisão do André Silva que era de 25 milhões. Aí tínhamos feito 95 milhões e em vez de apresentarmos um resultado negativo íamos apresentar um resultado positivo de 40 e tal milhões. Mas a nossa opção foi aguentar porque tivemos prejuízo, mas os ativos continuaram cá, o André Silva renovou contrato».

Pinto da Costa afirmou, nesta entrevista à ESPN, que o FC Porto recusou as vendas (e fala no plural, não numa vontade expressa de NES - Danilo sempre foi imprescindível, mas Herrera foi opção intermitente e André Silva acabou secundado por Soares nas suas opções) devido a esta razão: «Não é só pelo dinheiro, é pelo prestígio porque o FC Porto, a par do Manchester United, é quem tem mais presenças na Champions e tínhamos a Roma para tentar eliminar logo a seguir. Se perdessemos esses três jogadores em cima da pré-eliminatória, as nossas possibilidades de eliminar o adversário iam diminuir muito. Foi uma opção e conseguimos o objetivo de ir para a Champions e esse prejuízo já está menor».

Ora então. O presidente do FC Porto afirmara que a SAD recusou propostas no último dia do mercado por Herrera, Danilo e André Silva, por causa do play-off com a Roma. Falta só realçar que o play-off com a Roma disputou-se a 17 e 23 de agosto. Ou seja, o FC Porto recusou a venda de jogadores porque queria estar na máxima força para um play-off que tinha sido disputado na semana anterior? 

Perante esta organização/coerência digna de um Phasianidae de cabeça cortada, o mais fácil acabou mesmo por ser isto, pelo menos na visão assumida por Fernando Gomes: coitados dos lesados do NES, neste caso, a SAD do FC Porto. 

Mas depois de tudo isto, a principal vítima tem um nome: Sérgio Conceição, que no dia seguinte à sua apresentação no FC Porto (uma excelente conferência de imprensa, a todos os níveis, com posições fortes e esclarecedoras em todas as vertentes) recebe a notícia de que ficará privado de 3 jogadores na Liga dos Campeões. 

O FC Porto já tinha dificuldades em compor a lista A da Champions, devido à falta de jogadores formados no clube com mais de 21 anos, e agora viu a UEFA reduzir a lista de 25 para 22 jogadores, o que vai certamente limitar as opções do treinador. E não, a responsabilidade não é de Nuno Espírito Santo. Nunca será de mais renovar os votos de confiança e apoio no trabalho de Sérgio Conceição, que ainda não deu o primeiro treino e já ficou sem três jogadores. Bem vindo ao FC Porto, mister!

Este é, infelizmente, o resultado de uma das frases mais acertadas que Pinto da Costa alguma vez proferiu: «Nada tenho contra políticos que são políticos, mas quando os vejo no futebol deito logo as mãos à cabeça, cheira-me logo a esturro». Sem mais a acrescentar.