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terça-feira, 26 de junho de 2018

Análise 2017-18: os atacantes (1)

Contrato até 2020
Jesús Corona - Muitos esperavam que 2017-18 fosse a época da afirmação, mas a última temporada acabou por ser a pior do extremo mexicano ao serviço do FC Porto. A sua concorrência para a posição eram, basicamente, jogadores que o FC Porto havia dispensado no passado recente, mas a inconsistência acompanhou toda a temporada de Corona, que terminou a época com apenas 3 golos e 4 assistências. Sérgio Conceição bem puxou por Corona, fazendo dele titular no início da época, mas, com exceção ao grande golo em Braga, foi um ano de pouquíssima produtividade para Corona, por certo também afetado por problemas do foro familiar que devem ser tidos em conta. Ainda assim, contam-se pelos dedos das mãos as vezes em que Corona fez a diferença, e muitas as em que mal se fez notar em campo. O jogador de 25 anos custou 10,5 milhões por 70% do passe e tem apenas mais dois anos de contrato. Ou seja, aproxima-se o momento em que há que decidir se vamos renovar a aposta em Corona ou se o melhor será tentar encontrar uma saída. Tem tudo para ser, a par de Brahimi, o principal desequilibrador no plantel, mas três anos depois continuamos à espera do mesmo: que o potencial se traduza em eficiência. Ter que esperar quatro épocas até ver um match-winner se afirmar não costuma ser bom sinal.  

Contrato até 2019
Yacine Brahimi - O mais virtuoso jogador do plantel e o rei do drible. Com 12 golos e 10 assistências (ficou a uma contribuição da melhor época da carreira), Brahimi foi muitas vezes um oásis de criatividade e imprevisibilidade num futebol limitado, em grande parte da época, a jogo direto e bola na frente. Brahimi acabou a época com o maior número de dribles eficazes da Liga (167 - mais do dobro do segundo melhor da I Liga, Gelson Martins, e apenas superado por Messi nas Ligas europeias) e foi o jogador com mais duelos ganhos no Campeonato, num total de 306. Foi o jogador mais castigado dos três grandes, com 95 faltas sofridas, e teve apenas um factor particularmente negativo no seu rendimento: a ineficácia nos cruzamentos (embora a sua função fosse sempre mais o movimento interior), pois em toda a época teve apenas um cruzamento eficaz no Campeonato. 

E agora? Brahimi está a um ano do final de contrato, por isso ou renova ou sai. A questão é que Brahimi nunca será um jogador que garantirá uma grande venda ao FC Porto, pois a SAD detém apenas 50% do passe, e as opções de compra e revenda estabelecidas com a Doyen expiraram em 2017. E tendo em conta que Brahimi poderá assinar livremente por outro clube a partir de janeiro, é natural que, com o aproximar do próximo ano, fique cada vez mais difícil renovar com o argelino, pois as exigências dos jogadores e dos respetivos representantes sobem sempre a partir do momento em que começam a surgir outros clubes em carteira. Um caso para definir o quanto antes, pois Brahimi na próxima época dificilmente valerá mais do que agora, e desportivamente o FC Porto dificilmente arranja um extremo da sua qualidade pela verba que o argelino eventualmente render. Renovar será caro, muito caro, e difícil, mas desportivamente perder Brahimi seria um golpe rude para Conceição. 

Contrato até 2019
Hernâni - Ficou no plantel meramente perante a falta de alternativas e nada mudou desde que assinou pelo FC Porto: não tem qualidade para jogar a este nível. Foi apenas uma vez titular no Campeonato e foi jogando alguns minutos residuais ao longo da época, tendo contribuído com apenas um golo e uma assistência. A sua grande velocidade é uma caraterística que não é acompanhada por capacidade de decisão, eficácia no 1x1 ou perigo para as balizas adversárias. Tem apenas mais um ano de contrato, logicamente não justifica a renovação e o FC Porto deve procurar uma saída que permita o melhor encaixe financeiro possível - por outras palavras, não vale a pena renovar para andar a emprestar. O que Hernâni produziu na equipa A nesta época um extremo da equipa B não faria pior. 

Compra obrigatória
Majeed Waris - Foi o único jogador escolhido a dedo por Sérgio Conceição como reforço para o FC Porto em 2017-18, mas o ganês não conseguiu ter qualquer impacto na equipa. Além de ter chegado a um clube, país e realidade muito diferentes, Waris não trazia qualquer tipo de ritmo competitivo de França, algo que se refletiu no seu rendimento - ou falta dele. Não voltou a jogar desde que foi lançado na «piscina» de Paços de Ferreira, num jogo totalmente impróprio para as suas caraterísticas (e o treinador seria, certamente, o primeiro a saber isso), e pelo que foi o seu rendimento em 2017-18 não justificaria a continuidade. No entanto, a SAD está obrigada a ficar com Waris a título definitivo, e tudo aponta para que o avançado seja um jogador particularmente explorado por Sérgio Conceição na próxima época. Waris terá a possibilidade de começar a época de raiz, de fazer a pré-época, de trabalhar a vertente física e ser integrado nas ideias do treinador. Se Waris foi o único escolhido a dedo por Sérgio Conceição na última época, seria uma surpresa e até mau sinal se o treinador desistisse da sua aposta tão cedo. Por isso, Waris pode muito bem tornar-se um dos reforços para 2018-19.  Deve.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Salvos pelo gongo

Um daqueles jogos em que os instantes finais podem mudar a forma como se olha para os restantes 90 minutos. Até à entrada para o início de compensação o FC Porto era uma equipa desinteressada, que se pôs a jeito, com alguns jogadores a revelarem-se insuficientes mesmo para uma segunda linha e que só se poderia queixar de si própria por sair novamente de forma precoce da Taça; depois, no momento em que Brahimi faz o 3x2 final, o FC Porto passa a ser uma equipa lutadora, que teve garra, que acreditou até ao fim e que voltou a mostrar que tem um grupo unido e determinado. 


Para trás fica uma exibição muito pouco conseguida e o mais importante: a continuidade na Taça de Portugal, em vésperas de Champions e depois de duas semanas de difícil preparação, quer pelos trabalhos das seleções, quer pelas lesões. Tivemos a sorte que faltou noutros anos e que poderá faltar noutras situações, sobretudo se a equipa voltar aos níveis de relaxamento exibidos na primeira parte.




Alex Telles (+) - Bateu o canto que deu origem ao 1x0, com alguma felicidade à mistura (é incomum vermos a bola pingar naquela zona num jogo entre primodivisionários), mas foi ele quem descobriu o caminho para a permanência na Taça, com um excelente passe a desmarcar Aboubakar para o 2x2. Voltou a fazer a diferença no último terço, sem nunca comprometer defensivamente, e a compensar a falta de criatividade e ideias no ataque.

Danilo Pereira (+) - O melhor do meio-campo. Abriu o marcador e foi a constante referência da equipa no eixo, não só na primeira fase de construção como nos avanços que ele próprio assumiu pelo corredor. Falhou qualquer coisa na cobertura a Pedro Sá no 2x1 do Portimonense, mas Danilo Pereira foi sempre uma garantia de força, empenho e clarividência num jogo difícil. 

As pequenas coisas (+) - Um daqueles pormenores que podem passar despercebidos, mas que têm grande valia e que revelam inteligência e espírito competitivos. No momento em que Aboubakar atira para o 2x2, não celebrou: foi buscar a bola ao fundo da baliza, correu para o meio-campo e quis que o jogo fosse rapidamente reatado, de modo a tentar chegar ao 3x2 e evitar o prolongamento. Era o momento: o Portimonense estava atordoado, a jogar com 10 e não havia interesse nenhum em jogar mais 30 minutos antes da Champions. O esforço foi compensado pouco depois, com o golo de Brahimi. 




E janeiro está aí à porta (-) - Hernâni foi a jogo em seis dos últimos sete jogos do FC Porto, tendo sido titular em quatro. Fez um bonito golo de escorpião na Taça, mas de resto pouco ou nada consegue acrescentar à equipa. Constantemente alheado do jogo, inconsequente, improdutivo no 1x1 e por vezes a fazer parecer que tem medo de aleijar a bola na hora de rematar. Com o mercado de inverno aí à porta, cada exibição de Hernâni tem parecido um atalho para a saída em janeiro. Ficou no plantel e joga perante a falta de alternativas, mas nem isso o parece espevitar. No mesmo âmbito, André André continua em campo neutro (não compromete, mas também não acrescenta nada de substancial ao meio-campo), e embora se saúde a estreia e o empenho de André Pereira, sejamos francos: neste momento provavelmente não jogava em nenhuma equipa da Primeira Liga. Não é novidade, mas este plantel precisa de mais soluções, sobretudo se continuar em todas as frentes para lá do natal. E oxalá a visita a Istambul ajude nesse sentido, quer financeira, quer desportivamente. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A contratação e os reforços

Já lá vai mês e meio desde a contratação de Sérgio Conceição, mais três semanas de trabalho de pré-temporada, com o ciclo habitual - muita motivação, sede vencer e uma pressa descomunal em querer ver algo de diferente em relação à última época (os treinadores anteriores também passaram por isso - e neste caso, pegou a imagem de um FC Porto mais rematador e incisivo na proximidade da grande área, algo impossível de concluir após dois jogos particulares numa digressão pelo México). Irrelevante, como em muito do que se possa passar durante uma pré-temporada - o ideal, nesta fase e por mais irónico que possa ser, é expor tantas fragilidades quanto possível, de modo a que não deixem dúvidas de que necessitam de ser colmatas (seja com mais tempo de trabalho, seja com recurso ao mercado). Só conta a partir do dia 9 de agosto. 

Porém, a amostra nos primeiros 45 minutos em Guimarães já revelou um FC Porto muito, muito próximo do que se poderá idealizar para a época 2017-18. Maior facilidade para jogar ao primeiro toque e procurar a tabela perto da grande área; maior movimentação e versatilidade no último terço; capacidade de colocar mais gente na frente sem que isso implique a perda de equilíbrio no momento do contra-ataque; e uma dinâmica forte e funcional na tentativa de assegurar, simultaneamente, a profundidade através da subida dos laterais e presença no jogo interior. 

Muito positivo, restando apenas acrescentar um detalhe que pode fazer a diferença ao longo da época: quando há uma presença forte no ataque, os golos podem acabar por surgir em lances isolados, e não necessariamente através do que se construiu. Foi o caso dos golos de Aboubakar e Soares, que não nascem das melhores jogadas que o FC Porto fez na partida, mas que revelam o oportunismo que vai ser necessário muitas vezes para somar pontos - forçar o erro do adversário ao invés de tentar seguir o plano de construção da própria equipa. Sem dúvida, uma exibição que aguça a vontade de todos em ver mais deste FC Porto, apesar da expulsão de André André ter tornado a segunda parte atípica. 

Enquanto isso, o mercado. Até ver, o FC Porto fez uma contratação e ainda não foi buscar reforços ao mercado, mas já os tem. Vamos por partes.

Vaná foi o único jogador comprado pelo FC Porto até ao momento, um nome que não garante nada além de mais uma alternativa a Iker Casillas para a época 2017-18. Foi contratado para ser suplente de Peçanha no Feirense, mas saltou para a titularidade à 8ª jornada e foi um nome determinante para que o Feirense se aguentasse na primeira liga. 

Fez portanto uma época interessante, como é habitual vermos muitos outros guarda-redes da Primeira Liga o fazerem - foi isso que fez com que guarda-redes como Fabiano ou Bracalli saltassem para o FC Porto. Se garante alguma coisa para o FC Porto na época 2017-18, não garante, pois Iker Casillas tem a titularidade assegurada, salvo alguma eventual lesão.

Contrato até 2021
Quem não se lembra do muito criticado Fabiano, que foi só e apenas o guarda-redes menos batido das Ligas europeias na época 2014-15, e ainda assim não faltou quem lhe passasse o atestado de insuficiência para as balizas do FC Porto? O que Vaná fez no Feirense Fabiano fez no Olhanense, por exemplo. Agora, ser o guarda-redes menos batido das Ligas europeias (algo que se torna sempre mais fácil de alcançar quando há uma grande defesa à frente), isso já não é algo que se testemunhe frequentemente. 

Vaná é portanto uma contratação, não um reforço. E foi precisamente esta a premissa do post Contratações ou Reforços, feito há ano e meio que centrava outro nome implicado nesta contratação de Vaná: José Sá.

Conforme perspetivado, José Sá tem passado a sua estadia no FC Porto a conviver mais com o banco do que com a hipótese de jogar. Neste caso, não interessa o nome ser José, Miguel ou Artur: enquanto Iker Casillas estiver no FC Porto, o lugar será dele. E embora José Sá nunca tenha evidenciado ser um guarda-redes particularmente acima da média na sua geração, só terá hipóteses de evoluir jogando regularmente na próxima época. No FC Porto não o conseguirá, logo, a entrada de Vaná convida à sua saída, apesar de Sérgio Conceição não ter aberto o jogo quanto a isso. 

A baliza, no entanto, estará no fundo da lista de preocupações. Se Casillas renova por mais um ano, é para assegurar a titularidade ao longo da temporada. Há sempre o risco de uma lesão, mas já o havia o ano passado. Dentro de um ano a sucessão será provavelmente um tema de grande preocupação, mas para já o FC Porto volta a ter um nome que, desportivamente, dá garantias. 

Temos então a primeira e única contratação até ao momento, mas não é o mesmo que dizer que não há reforços. Há, e apesar de Vaná ser a única compra, o plantel não está de todo mais fragilizado do que o da temporada passada, que é o que por norma acontece quando o FC Porto começa a vender jogadores.

Entre os jogadores que caberiam nos planos para 2017-18 sem margem para dúvidas, destacam-se obviamente as saídas de Rúben Neves e André Silva. Rúben Neves, cuja operação já foi aqui descrita à melhor maneira de um prós e contras (que os há, sem dúvida), é um dos maiores talentos à escala mundial, mas dificilmente emergiria como primeira escolha para 2017-18, essencialmente devido à permanência de Danilo Pereira. Ainda que não haja uma alternativa ao nível de Rúben Neves, não é por aqui que o FC Porto, para o curto prazo, ficou fragilizado.

Quanto a André Silva, a venda ao AC Milan, por 38 milhões de euros, só é má se tivermos em conta que Pinto da Costa garantiu aos sócios que tinha rejeitado uma proposta de 60 milhões por ele. Se não fosse isso, seria uma venda bastante boa, próxima dos valores pelos quais foram saindo grandes avançados do FC Porto, como Falcao ou Jackson. André Silva poderia, sem dúvida, evoluir e render mais após mais uma época no FC Porto, mas dificilmente um jogador do futebol português se valoriza além da fasquia dos 40/45 milhões de euros. 

Desportivamente, e apesar de ter sido uma boa venda, o FC Porto perdeu um jogador importante, muitas vezes mais pelo trabalho que desenvolvia do que pelos golos que marcava. Mas objetivamente, André Silva fez 11 golos de bola corrida em 2016-17 no Campeonato. Ora, são números que um Aboubakar de cabeça limpa ultrapassa com facilidade. E se é certo que André Silva dava outras coisas ao FC Porto, Aboubakar também tem caraterísticas únicas no futebol português. 

Dois reforços sem ir ao mercado
Todos se recordarão que Aboubakar disse que não queria voltar ao FC Porto. São declarações que ninguém gosta de ouvir, mas que têm um contexto. Inicialmente, era suposto o Besiktas ficar com Aboubakar - só não o fez por causa do Fair-Play Financeiro da UEFA. Assim, o que tinha sido prometido ao jogador era que seria comprado no final do empréstimo. Não foi isso que aconteceu.

Além disso, é bom recordar que Aboubakar foi afastado do plantel do FC Porto por causa de um tal de Laurent Depoitre. Aboubakar ficou fora da lista da Champions de um dia para o outro, para que pudesse ser inscrito Depoitre. Então imaginem o ridículo quando se conclui que, na verdade, Depoitre nem sequer poderia ser inscrito para o play-off com a Roma. 

Aboubakar tem tudo para ser um reforço em toda a linha, mas há uma situação contratual para resolver o quanto antes. Nenhum jogador sub-30 do plantel principal deve iniciar uma época em final de contrato, sob pena de o ver assinar em janeiro por outro clube. Aboubakar é um jogador com mercado e potencial, tornando-se ainda mais apetecível por não haver CAN em 2018 a atrapalhar. Pelo dinheiro que renderia numa eventual transferência, o FC Porto não só dificilmente recuperaria o que já investiu em Aboubakar como não teria garantia nenhuma de ir buscar um avançado melhor ao mesmo preço.

Outro reforço, a todos os níveis, é também Ricardo Pereira, que torna Maxi Pereira num pequeno grande problema. No plantel, Maxi é um dos poucos jogadores que sabe o que é ser campeão, ainda que o tenha sido pelo rival. O seu espírito competitivo deixa-o em condições de fazer mais uma época, sem dificuldades, mas há que lembrar o quão raro e difícil é vermos um lateral de 33 anos no FC Porto. 

A um ano do final de contrato, que presente para Maxi Pereira? Ricardo dá todas as garantias para jogar a lateral-direito (tem a margem de progressão e a disponiblidade física para recuperar no corredor que Maxi já não tem), embora Sérgio Conceição já tenha deixado claro que tem também algumas expetativas sobre Ricardo numa zona mais adiantada. Seja qual o for o problema, ainda assim, Ricardo será parte da solução. 

Rafa vai ter mais dificuldades em jogar em 2017-18, tendo em conta que há várias opções para as laterais, mas é interessante traçar o paralelismo com os investimentos de 2011-12, quando o FC Porto investiu mais de 25 milhões de euros em Danilo e Alex Sandro; neste caso, já há dois laterais de presente e futuro que não implicaram nenhuma loucura.

Ainda na defesa, há Diego Reyes e Martins Indi, mas provavelmente só um ficará no FC Porto. Jogaram com regularidade na última época, mas aproximam-se do final de contrato, implicaram investimentos caros (no caso de Reyes, há ainda o problema de o seu passe ter sido partilhado, desde o início, com uma offshore de Pini Zahavi) e por isso quem ficar tem que renovar. Em cada um deles há um problema no seu perfil enquanto central: Diego Reyes, sendo ectomorfo, continua a ter dificuldades na dimensão física, mas continua a ter um punhado de caraterísticas que podem fazer dele um belíssimo central; no caso de Martins Indi, tem um grande problema no jogo aéreo, a única coisa a limitá-lo enquanto central. Cabe a Sérgio Conceição e às oportunidades de mercado decidir quem fica. 

Entre os recuperados para o plantel principal, destaque ainda para três nomes: Sérgio Oliveira, Mikel Agu e Hernâni. Sérgio Oliveira foi treinado por Sérgio Conceição no Nantes, mas não foi uma única vez titular com ele, tendo jogado apenas 109 minutos na Liga francesa, apesar de só não ter sido convocado para 3 jornadas. Se Sérgio Conceição não viu grande espaço para Sérgio Oliveira no Nantes, dificilmente acontecerá no FC Porto, tornando-o um forte candidato a ser vítima da sobrelotação do meio-campo. 

Mikel anda a trabalhar perto do plantel principal do FC Porto desde os tempos de Jesualdo Ferreira e é um dos jogadores oriundos da formação que mais oportunidades - e contratos - tem tido (melhor só mesmo Abdoulaye, emprestado pela 8ª vez - mais 7 ou 8 empréstimos e fica no ponto para ser opção no FC Porto). Após uma má experiência na Bélgica, jogou com regularidade em Setúbal, a médio defensivo, ele que curiosamente fez os seus melhores jogos pelo FC Porto B quando jogou a central. Veremos se ficará no plantel, embora pouco leve a crer que possa ser mais do que a sombra de Danilo e que encontre algum espaço nas Taças. A seu favor, o facto de poder ser inscrito na lista A da UEFA como jogador da formação. 

Sobra Hernâni, que nunca revelou créditos para ser opção no FC Porto, para além do trunfo que é a sua velocidade. Fez uma boa época em Guimarães, mas não é jogador para ultrapassar o campo da rotatividade e da utilidade em alguns jogos no FC Porto; sem ter estofo para ser opção regular no 11 inicial, cabe ao FC Porto estudar uma solução de mercado que garanta dois jogadores - um extremo com qualidade para entrar no 11 e «puxar» o melhor de Corona, Brahimi ou até Otávio e mais um ponta-de-lança, sobretudo se o 4x4x2 for para manter. Dois jogadores que hão-de chegar, de preferência dentro das próximas duas jornadas, pois a sua necessidade é clara. Tanto quanto o facto de nem valer a pena andarmos a tentar enganar alguém com Marega.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Três semanas depois

Três semanas após o último post, as contas do plantel do FC Porto só tiveram subtrações. Desde a confirmação da compra de Alex Telles, Nuno Espírito Santo tem passado as semanas e jogos de pré-época a riscar quem considera que não serve, quem realmente não serve, a treinar quem no dia seguinte poderá já não estar no clube e à espera de reforços seus.

Não surpreende, na medida em que era facílimo prever, através do orçamento projetado para a última época e do R&C do terceiro trimestre, que não haveria compras significativas no FC Porto enquanto não houvesse vendas (desde a saída de Alex Sandro que o FC Porto não gera uma mais-valia considerável). É normal que os adeptos questionem, então, como é que Alex Telles e Felipe chegam por mais de 12M€. Simples, negócios com condições específicas, só possíveis através de determinado parceiro. E esperamos que, com a chegada de Alex, a defesa do FC Porto não se torne numa escola de samba, como dizia Pedroto.

De certa forma, até também por ser tratar de uma operação ligada ao BMG (em forma nesta pré-temporada), fazem lembrar o caso de Otávio, um dos jogadores que mais têm agradado na pré-temporada. Otávio assinou contrato no final de agosto de 2014, mas no seu primeiro ano não custou um cêntimo ao FC Porto. Assinou não porque a SAD tivesse disponibilidade para investir no jogador naquele momento (até porque não era um pedido do treinador), mas porque permitia assegurar desde logo um miúdo com talento, sem grandes implicações financeiras no ano que se seguia (algo que por vezes pode correr mal, como foi o caso com Adrián López, mas estava em causa um valor bem mais reduzido), e negociando com parceiros habituais. 

Entretanto, no segundo trimestre de 2015-16, a SAD pagou os 2,5M€ (correspondentes a 33% do passe - a SAD tem agora 32,5%) ao Coimbra Esporte Clube, clube usado pelo BMG para transferir jogadores. Otávio não deixará nunca de ser um jogador caro (os 2,5M€ por 33% do passe não significam que o jogador estava avaliado em 7,5M€ - era ainda mais caro, pois a opção de compra de mais 35% do passe é de 5M€), mas foi um exemplo de um negócio sem custos imediatos, conseguido só através de determinada parceria.

Além de Felipe e Alex Telles, só Miguel Layún foi comprado para a nova época (João Carlos Teixeira, uma aposta interessante, chegou a custo zero e Zé Manuel, o dono da velocidade vertiginosa, foi uma contratação que só pode envergonhar quem o levou para o FC Porto). A opção de compra por Layún previa que o FC Porto teria que pagar 3M€ agora e mais 3M€ até o final de 2016-17. Valia bem o investimento, tendo em conta que o FC Porto já poderia ter lucrado com Layún (numa espécie de Iturbe-Hellas-Roma). Se não o fez, é porque tem bons planos para o jogador.

De resto, ainda não houve compras, mas houve saídas de jogadores que haviam sido anunciados como reforços. Depois de Rafa, foi a vez de Josué e Hernâni receberem guia de marcha, deixando assim Otávio como o único jogador prometido por Pinto da Costa que vai, de facto, integrar o plantel principal. E não deixa de ser (pausa para encontrar a palavra mais apropriada)... Discutível como é que, da equipa do FC Porto B que ganhou a Segunda Liga, não há nenhum jogador promovido definitivamente à equipa A (Chidozie e André Silva foram promovidos a meio da última época).
Contrato até 2019

Mas as dispensas mais recentes - Josué, Hernâni e Quintero - merecem uma análise mais profunda. Começando por Hernâni, jogador cuja contratação ao Guimarães foi na altura avaliada negativamente pel'O Tribunal do Dragão, por considerar que Hernâni estava para aquele Guimarães como Licá estava para o Estoril. Assim foi, sem surpresa, pois Hernâni nunca revelou ter caraterísticas para jogar no FC Porto, nem para valer o investimento de mais de 3M€. Há muitos portistas que tinham/têm algum apreço por Hernâni, mas talvez por de facto nunca ter tido assim tantas oportunidades. Ainda assim, não é surpresa nenhuma que esteja desde já condenado a empréstimos sucessivos. O FC Porto, em alguns casos, tem-se deixado entusiasmar muito por pouco com alguns jogadores em Guimarães. Assim foi com Tiago Rodrigues, assim foi com Hernâni. Que não se volte a cometer o mesmo erro já neste mercado.

Contrato até 2017
O caso de Josué também tem um desfecho previsível, mas por motivos diferentes. É um jogador com qualidade e caraterísticas que são úteis para ser ter num plantel. Mas o FC Porto decidiu prescindir dele, e após três empréstimos diferentes, Josué tem todo o direito de recusar um quarto. E fossem todos assim: não faz sentido o FC Porto andar a renovar sucessivamente com jogadores para os emprestar. Que haja mais Hugos Leais - após meio ano cedido à Académica, percebeu logo que não tinha futuro no FC Porto e quis sair, apesar de ter mais três anos de contrato. E a única coisa que pediu para rescindir foi três lugares no camarote, abdicando de todo o dinheiro que teria a receber. E seguiu o seu caminho. 

Veja-se o exemplo de Mikel, que já tem mais renovações de contrato do que jogos na equipa A. Ou Abdoulaye, que anda desde 2010 a ser emprestado e que voltou a renovar contrato para continuar a rodar por outros clubes. Lá para 2024 deve estar no ponto para resolver os problemas na defesa.

Josué está no seu direito de não querer renovar. Vai fazer 26 anos, já fez três empréstimos, já fez parte do plantel principal e, neste caso, ouviu da boca de Pinto da Costa que iria fazer parte do plantel. Quem tem que decidir quem faz parte do plantel é o treinador, não é o presidente, mas Josué cresceu num FC Porto em que a palavra de Pinto da Costa sempre foi sagrada e suprema. Se ouve o presidente garantir-lhe um lugar no plantel e acaba dispensado, é normal que não sinta motivação em renovar. Josué, provavelmente, nunca conheceu um FC Porto em que a palavra de Pinto da Costa não fosse cumprida. 

Se marcou na final da Taça, a culpa foi de quem o deixou ir para Braga, pois um jogador, quando está em campo, defende a camisola que tem vestida, não o clube que tem o seu passe. Josué poderia ser útil ao plantel, embora dificilmente tivesse espaço cativo na equipa titular. Resta tentar garantir o melhor encaixe possível com uma venda imediata - eventualmente garantindo uma parte significativa de uma futura transferência, pois é um jogador que se pode valorizar, e estando a um ano do final do contrato nenhum clube vai querer pagar muito por ele.

E com isto chegamos a Quintero, com vontade de bofetear uma cabeça que não faz jus aos pés que tem. Nuno Espírito Santo tentou, mas Quintero não quer saber. Sobra a questão: como é que, desde 2013, houve tanta incapacidade em antecipar que Quintero era um caso perdido e o porquê de tanto investimento progressivo num jogador que não correspondia?

Contrato até 2021
O caso mais preocupante já nem é a compra dos restantes 50% do passe, por 4,5M€, durante a curta (e única) boa sequência de jogos que Quintero fez com Lopetegui. O problema foi, em janeiro, renovar com Quintero por mais 4 anos, para ele logo depois ser afastado pelo Rennes. Foram cerca de 10M€ investidos num jogador sem retorno. E a renovação de contrato já não vai ao encontro da teoria da proteção do investimento, pois a SAD já pagou tudo o que tinha a pagar por Quintero. Concluir que Quintero não ia a lado nenhum era algo que deveria ter acontecido antes de se renovar por mais 4 anos e ter mais despesas com uma renovação de contrato, não depois de se ter reforçado, por duas vezes, o investimento nele.

E agora? O que se faz a um jogador com contrato por mais 5 anos que desperdiçou todas as oportunidades que lhe foram dadas no FC Porto? Dá para garantir royalties com todos os CDs de reggaeton que lançar até 2021? Já se recuperava uma parte do investimento. Neste caso, neste momento não resta mais do que tentar recuperar tanto quanto possível o investimento feito em Quintero. Até lá, metam-lo a dar voltas ao Olival e liguem o sistema de rega. Pode ser que a cabeça refresque.

Pergunta(s): Concordam com o afastamento de Quintero, Josué e Hernâni? Que temas gostariam de ver serem abordados nos próximos posts?

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Corona é «o» extremo?

Ter um blogue que se assume como um espaço de «opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto» torna-se por vezes um dilema. Por um lado, opinar sem ser refém da paixão pelo clube que, por vezes, leva a que se concorde com tudo, ou que se dê sempre o benefício da dúvida - crítica assim é vazia e não acrescenta nada, apenas apoio às decisões tomadas, concordando ou não com elas. Por outro lado, há sempre que tentar compreender as decisões tomadas pelo FC Porto, sob pena de assumir uma postura que vai contra aquilo em que acredita o próprio clube. Neste espaço, procura-se sempre um equilíbrio. Nem sempre concordar, mas tentar compreender. Criticar, mas explicando e justificando porquê. Acreditar, dando argumentos. Explicar, usando factos.
Falta de aposta ou
aposta precipitada?

E com isto chegamos a Hernâni. Tirando o último post sobre Lopetegui, a opinião que mais celeuma causou entre os leitores foi sobre a contratação de Hernâni. É normal os adeptos ficarem empolgados com jogadores portugueses que brilham na nossa liga. Mas a aposta em Hernâni foi sobretudo reativa.

Hernâni, que até ajudou a resolver dois jogos no campeonato, estava a funcionar em Guimarães pela mesma forma que Licá funcionava no Estoril: encaixa muito bem em modelos de contra-ataque, onde tem espaço para jogar em profundidade. Não é por acaso que Marco Silva, que fez de Licá um dos melhores jogadores do campeonato 2012-13 para a imprensa desportiva, quer agora Hernâni no seu Olympiacos. É um jogador talhado neste modelo.

No FC Porto, torna-se difícil encaixar Hernâni, pois os adversários jogam sempre em bloco baixo. Hernâni tem dificuldades em jogar em espaço curto. Isto era algo percetível ao visionar os jogos do Vitória de Guimarães, mas entende-se (sem concordar) que o FC Porto tenha achado que estava ali um protótipo de jogador que poderia ser muito interessante. Tudo bem. Mas Hernâni tinha pouca experiência de primeira liga, e há que ter cuidado com o fogo de vista no campeonato nacional.

Hernâni chega ao FC Porto na condição de jogador com caraterísticas interessantes e potencial. Em contrapartida, a SAD cedeu Ivo Rodrigues (mais talentoso), Otávio (uma aposta de 2,5M€ por um terço do passe da SAD) e Sami (mercadoria), além de pagar 2,9 milhões de euros por 75% do passe. Hernâni foi avaliado em 4M€ e foram cedidos três jogadores à troca. Não é coisa pouca.

No entanto Hernâni chega ao FC Porto para ser claramente o 4º extremo. Ora enquanto 4º extremo, e a jogar apenas na sombra dos habituais titulares, não dá para crescer. Não acredito que Hernâni possa chegar ao que muitos idealizam, mas não é a passar mais tempo na bancada do que dentro de campo que pode corresponder ao investimento e evoluir. Por outro lado, emprestar já Hernâni seria a confirmação de que a sua contratação no mercado de inverno não serviu a lógica da própria janela: acrescentar ao plantel algo que não tenha e que seja utilizado no imediato. Há a questão da tal jogada de antecipação, mas não são muitos os casos de jogadores de sub-23 para cima que regressaram ao plantel do FC Porto após serem emprestados.

Ora a entrar um extremo, o mais lógico seria Hernâni sair. E tendo em conta a idade de Varela, a situação contratual de Tello e a forte possibilidade da saída de Brahimi em 2016 (e aqui, injustamente, esquece-se Ricardo Pereira, por força do seu papel no plantel, que poderia ser libertado para tarefas mais ofensivas mediante a contratação de uma alternativa a Maxi Pereira - sem esquecer que vai para o 4º ano de sénior), é altura de definir muito bem se o extremo, a ser contratado, será «o» extremo. Não um projeto de jogador, como Hernâni, mas um jogador capaz de entrar já no 11, de jogar duas ou três épocas a um nível elevado, de se valorizar financeiramente. De realçar que entre as mega-vendas do FC Porto desde 2014, nenhum era extremo.

Corona, avaliação de 10M
O Dragões Diário referiu, há dois meses (ainda antes da pré-época), que Hernâni ia ficar no plantel, três dias após as primeiras notícias que apontavam para a sua saída. As opções de Lopetegui não têm reforçado o estatuto de Hernâni no plantel (jogou apenas 45 minutos a sério na pré-época e não foi convocado para as duas primeiras jornadas da liga). Logo é de concluir que a pré-época e primeiras semanas de trabalho não deixaram Hernâni mais perto de se afirmar no plantel, nem mesmo tendo a vantagem de começar a pré-temporada de início. Até poderia ficar com o plantel para 2015-16, mas uma coisa é certa. Não é, à data de hoje, «o» extremo que vai obrigar Brahimi, Tello e Varela a um rendimento constante ao mais alto nível (em termos de concorrência, claro, pois cada profissional do FC Porto deve ter o compromisso consigo próprio de estar sempre ao mais alto nível).

E então surge a questão: Corona é «o» extremo? Já em 2013 esteve perto de ser reforço (uma vantagem, está referenciado há dois anos, não é uma contratação reativa a um par de meses), quando o FC Porto começou a olhar para o México (Corona partilha o representante com Diego Reyes). Em 2013-14 foi para o Twente, na mesma época em que a Doyen Sports celebrou um acordo de investimento com o clube holandês. A mesma Doyen que terá uma percentagem da receita com Corona. Já se sabia que o espaço para aventuras a solo no mercado está muito reduzido, mas esperemos que Corona, a ser contratado, seja «o» extremo de que o FC Porto precisa, e não apenas aquele que tem melhores condições para ser contratado.

Peçam (e sobretudo avaliem) os pareceres de scouting que forem necessários (há muitas coisas boas a dizer de Corona) e que Lopetegui explique muito bem o que pode trazer Corona ao FC Porto, da mesma forma em que o impacto financeiro imediato e a médio prazo deve ser tido em conta pela SAD (escusado dizer, pois esse deve ser ponderado a cada contratação). Lopetegui pode pedir jogadores se tiver planos de primeira linha para eles. Apostas sob pressão de fecho de mercado, como foi Campaña há um ano, dispensam-se. Não precisamos de profundidade nem de alternativas no plantel. Precisamos «do» extremo.

Pergunta(s): Há espaço para Hernâni no plantel do FC Porto? Jesús Corona é uma boa aposta?

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Análise 2014-15: os extremos

Não há comparação possível entre os extremos que o FC Porto teve para iniciar 2013-14 e os que conseguiu para a última época. Paulo Fonseca basicamente só tinha Varela como jogador «feito», e tinha-o contrariado. Lopetegui teve qualidade de sobra, pois a época foi mais bem preparada, o treinador foi ouvido e o ataque ao mercado foi forte e bem conseguido. O resultado? Quaresma: 10 golos e 7 assistências. Tello: 8 golos e 11 assistências. Brahimi: 13 golos e 10 assistências. Contamos apenas este top 3, o mais produtivo que tivemos em muitos anos, sem contar com as passagens episódicas de Ádrian, Quintero, Óliver e até Hernâni pelas alas.

Todos os atuais extremos têm condições para serem mantidos no plantel. Temos experiência (Quaresma), explosão (Tello), criatividade (Brahimi) e projetos de jogador, que vão de Ivo a Hernâni, de Frédéric a Rúben Macedo. Cabe a Lopetegui escolher. Se alguém sair, que seja substituído por alguém do mesmo perfil, embora nada esteja previsto nesse sentido. Em relação a extremos, é um setor para o qual não precisamos de contratações para o 11, mas sim de continuar a aproveitar as soluções que já temos e os talentos que estão na forja. Não esquecer que só em Kelvin (continua no Brasil) e Hernâni foram investidos 6M€, dinheiro ainda por rentabilizar. Não estamos na melhor altura para apostar em «planos C» quando os «B» ainda estão na forja. Mas como sempre, há quem não seja da mesma opinião.

Quaresma - Esteve por um fio no início da época, fruto do feitio que fez com que fosse considerado um flop no Barcelona, no Chelsea ou no Inter. Mas amadureceu como poucos esperariam - talvez nem ele próprio. Tornou-se um extremo mais equilibrado e mais completo, mesmo perdendo velocidade (como é normal na sua idade). É muito raro um extremo de 31 anos ser titular numa grande equipa. Quaresma sabe - se não sabe ficará a saber - que será difícil ser titular absoluto em 2015-16, mas ficando no plantel será um elemento de grande valia. Isto se souber que quer no banco, quer dentro de campo, o símbolo que representa é sempre o mesmo. Não estava na morgue, mas o FC Porto reabriu-lhe todas as portas.

Tello - Uma, duas, três lesões, as duas últimas já quando estava na sua melhor forma ao serviço do FC Porto. Aprendeu a definir melhor, a usar o que de melhor tem, tornou-se decisivo numa sequência de jogos importantes, ora com golos ora com assistências. 2015-16 tem tudo para ser a sua grande época. Postura irrepreensível ao serviço do clube, em todos os momentos, e a não ser que o Barcelona decida estragar a festa entrará em 2015-16 como uma das grandes armas do FC Porto para resgatar o título e voltar a brilhar na Champions (onde Tello acabou por não conseguir ser influente como poderia ser).

Brahimi - Partiu tudo nos primeiros meses, a ponto de fazer uma cláusula de 50M€ parecer pouco. A partir de Novembro (ainda antes da CAN), caiu numa espiral de exibições apagadas e moleza, mesmo intercalada com alguns momentos/jogos do brilhantismo a que nos habituou. Era a primeira época de Brahimi num clube que joga na UEFA, que luta para ser campeão, que em todos os jogos a nível nacional joga contra equipas com linhas defensivas recuadas. Realidades novas para Brahimi, que também teve/tem que aprender a fazer de um passe a melhor finta, a enquadrar-se taticamente num coletivo e a perceber que é impossível ele partir todos os defesas em todos os jogos. Vai ficar e na próxima época estará bem mais preparado para a regularidade que lhe faltou. Sem Danilo e Jackson, deve emergir como a grande figura do FC Porto para 2015-16.

Hernâni - O TD não concordou com a sua contratação, como foi opinado no fecho do mercado. A não concordar com algo, que seja dito atempadamente, porque em prognósticos no final do jogo todos somos 100% certeiros. Mas a partir do momento em que Hernâni chega ao FC Porto, é de esperar que o elevado investimento seja rentabilizado e que as suas características sejam tão aproveitadas quanto possível. Ao fim de meia época, Hernâni é ainda o mesmo jogador que fomos buscar ao Guimarães: com bola no espaço pode fazer a diferença, mas em tudo o resto apresenta limitações. Fez 2 golos no campeonato, esforçou-se, mas em termos evolutivos ainda não deu para ver muito. Parte como última opção para as alas, se ficar no plantel, e precisa de muito mais para singrar no FC Porto.

Kelvin e Ivo Rodrigues serão analisados no setor de jogadores emprestados, enquanto Ádrian López entra nos avançados.

Pergunta(s): Há necessidade de ir ao mercado buscar um extremo? Que papel para Hernâni no FC Porto 2015-16?

PS: A efeméride passou ao lado. O Tribunal do Dragão celebrou um ano de existência. 245 posts, 5.000 comentários, 1,8 milhões de visitas. A frequência de posts não tem sido a maior nas últimas semanas, por motivos de força maior (daí o menor número de posts e a ausência de respostas a comentários), mas tentaremos repetir os números no segundo ano, sempre com o mesmo propósito: um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto. Um obrigado a todos os portistas que visitam e comentam regularmente este espaço.

domingo, 19 de abril de 2015

À espera que o risco compense

Hernâni decisivo
Vamos à faca de dois legumes do Pacheco. Colocar em campo um 11 declaradamente constituído por suplentes (neste caso que não jogarão na terça-feira) tem sempre um duplo efeito. Como vantagem, a oportunidade de quem joga aproveitar para mostrar serviço e dizer presente aos titulares, mostrando ao treinador que podem contar com ele. Por outro lado, joga um 11 com poucas rotinas, entrosamento, neste caso com uma nova dinâmica, em que os jogadores nem sempre conseguem mostrar o seu melhor nestas circunstâncias.

Mas os adeptos, mesmo que não o saibam, não têm nem nunca tiveram nada contra a rotatividade. O problema não é a rotatividade, são os possíveis maus resultados. E é verdade que uma equipa com menor estabilidade é mais susceptível a falhar em momentos cruciais.

Lopetegui disse claramente «estamos a pensar no Bayern e no Benfica». Foi essa a mensagem ao plantel, aos adeptos, aos adversários. Foi um risco de Lopetegui, embora o 11 em campo tivesse mais do que obrigação que ganhar um jogo em casa à Académica. E esse objectivo foi conseguido e era possível ter obtido um resultado mais volumoso, embora a equipa tivesse tremido como poucas vezes acontece no Dragão: deixámos a Académica atacar 16 vezes, rematar 8, ter 2 grandes ocasiões de golo. Mas o teste no final foi superado, é a 12ª vitória consecutiva no Dragão, com apenas 3 golos sofridos, e o plantel está preparado para a difícil semana que aí vem. A antevisão aos 2 jogos será feita a seu tempo.





Hernâni (+) - Muitas vezes a sua cabeça imagina coisas que os pés não conseguem fazer, o que o leva a perder lances que precisa de aprender a encarar com objectividade e simplicidade, e tem que aprender a jogar em zonas mais interiores. Mas a sua velocidade, capacidade de jogar em profundidade e a forma como disputa as bolas divididas (dois lances em que vai ao chão, levanta-se, ganha ao defesa e faz a assistência) são mais-valias. Num daqueles dias em que o guarda-redes, por mais limitado que seja, parece decidido em brilhar contra um grande (até Hernâni só marcou na recarga), foi decisivo.

Rúben e Evandro (+) - Elegância, precisão, dinâmica. Em dose de dupla. Nenhum deles tem a dimensão física de Casemiro, a verticalidade de Herrera e o virtuosismo de Óliver, o que explica que este trio seja o preferido de Lopetegui. Mas nenhum deves fica a dever muito quando é chamado. Nem melhor nem pior, diferentes. Rúben Neves tem a mais invulgar precisão e variação de passe que podemos conhecer num rapaz de 18 anos. E Evandro, inteligentíssimo, segura a bola como poucos, distribui com critério e dá sempre a dinâmica certa à equipa. Estiveram ontem no Dragão, podiam estar terça-feira em Munique.





Quintero (-) - O FC Porto ainda não sabe o que fazer ao seu talento. Mas o pior que tudo, Quintero também não. Surge a jogar a partir da linha, onde não tem a capacidade de explosão para criar desequilíbrios e mais facilmente se esconde do jogo. Quando a bola chega aos seus pés, é capaz do melhor passe. Mas o problema é a incapacidade de Quintero em descobrir a bola. A jogar nesta função, dificilmente se afirmará. Mas o problema é que ao fim de 30 minutos já está ofegante e não tem a capacidade física, a todos os níveis, para ser o terceiro médio de um 4x3x3. Não há nenhum adepto que não conheça o seu talento. Mas também já não deve haver nenhum que não tema por ver tanto potencial em corda bamba. Urge resolver no fim da época o que fazer a/com Quintero.

Desacerto a rever (-) - Aboubakar em novas funções. Foi sempre o apoio para um ataque que não tinha referência (faria mais sentido num 4x4x2), com interessantes movimentações fora da grande área e a abertura que deu o 1x0. Mas na hora de finalizar, foi demasiado perdulário. Neste caso não era preciso ser Jackson, era preciso ser eficaz (algo que nem Jackson o foi). Ricardo e Reyes, num jogo em que não devia ser necessário fazer muito defensivamente, cometeram lapsos que diante de um Bayern custarão caro. Porque uma coisa é apanhar Rafael Lopes e o grande portista Ivanildo, outra é levar com Lewandowski ou Müller em cima. E a equipa, colectivamente, apesar de ter criado cerca de 10 situações de finalização, deixou a Académica ameaçar muito com pouco. Um risco inerente ao risco de Lopetegui assumiu.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

(Ir)relevância

Nem 2, nem 4, nem 6. Não há um valor mínimo para que a SAD seja obrigada a declarar as suas transferências de jogadores à CMVM. A regra é algo interpretativa: devem ser declaradas todas as «informações relevantes» na perspectiva do mercado.
A relevância no mercado

O que é uma informação relevante? Por exemplo, receber um jogador internacional do Real Madrid ou do Barcelona emprestado. Foi por isso que a SAD declarou Tello e Casemiro à CMVM. O que é irrelevante? Receber um jovem da Sampdoria ou do Atlético por empréstimo, nomeadamente Campaña e Óliver, que não foram declarados.

Nas transferências a título definitivo, ainda mais ambíguo. O FC Porto investiu 5M€ na totalidade dos passes de Evandro e Marcano, mas não foi declarado no momento da compra. O FC Porto contratou um jogador avaliado em 7,5M€, Otávio, por 2,5M€ por 33% do passe (agora a SAD só tem 32,5%), mas também não foi prestada informação. Em Aboubakar foi investido pouco mais a curto prazo (3M por 30%), mas neste caso já foi declarado à CMVM. Uma curta nota: nada disto invalida que o FC Porto ainda tenha a SAD dos 3 grandes que melhor informação presta em Portugal. De longe.

E com isto chegamos a Hernâni. Uma contratação irrelevante para o mercado. Ou era isso que se julgaria até o FC Porto emitir um comunicado que parece conter bastante relevância. É verdade que desmente que a transferência tenha batido nos 4M€. Atenção que desmente «o valor de aquisição», não a avaliação total do negócio. Sintaxe, sintaxe. Otávio também só custou 2,5M€, mas foi avaliado em 7,5M€, embora isto também não seja sempre proporcional. E o Guimarães, de recordar, na altura da venda de Ricardo ficou com direito a 20% de um menino que recentemente renovou até 2019 e em quem o FC Porto acredita muito.

Mas a informação mais relevante é esta, transmitida hoje num comunicado do clube: «Como a maior revelação da primeira metade da Liga não quis assinar pelos clubes predilectos destes dois jornais então diz-se que foi caro, muito caro».

Recapitulando: o FC Porto contratou a maior revelação do campeonato e Hernâni rejeitou Benfica e Sporting para poder assinar por nós. É a própria SAD quem o diz. Como é que isto não é relevante, é a questão que fica. Em 2010, Ruben Micael estava a ser a maior revelação do campeonato. Esteve quase a assinar pelo Sporting, o FC Porto antecipou-se e contratou-o por 3 milhões. Foi relevante? Foi, daí que tenha sido comunicado à CMVM.

E acontece que nem sempre os relatórios trimestrais ou anuais esclarecem todas as dúvidas (a entidade reguladora pode sempre pedir esclarecimentos, claro). Por exemplo, a contratação de Andrés Fernández. Aqui vemos o Osasuna a garantir que o vendeu por 1,6 milhões. No R&C do 1º trimestre, o FC Porto declara 7 contratações (Indi, Ádrian, Marcano, Evandro, Otávio, Aboubakar e Brahimi), não refere o nome de Andrés Fernández e diz que teve custos com «outros jogadores» de 1,175M€. Tendo em conta que Andrés só podia ser incluído ali, algo não bateu certo. A direcção do Osasuna mentiu? A avaliar pelo nosso R&C, Andrés foi mais barato do que o que o Osasuna diz. Então porquê a ofensa quando A Bola e o Record dizem que o Hernâni foi mais caro, mas se são dirigentes do clube vendedor a dizer que o FC Porto pagou mais do que a realidade no pasa nada? A imprensa especular e errar é normal. Dirigentes de clubes vendedores mentirem sobre negócios com clubes cotados em bolsa? De normalidade nada tem.

A SAD esclarece que ficaremos a conhecer os devidos detalhes do negócio Hernâni no 3º trimestre de 2014-15, o que é óptimo, ainda que nada disso invalide o mais importante: independentemente do negócio ter ou não relevância no mercado, Hernâni veio para ser relevante no plantel.

PS: Ádrian López fora da lista para a Champions. Apenas mais uma resposta cabal de que os critérios de Lopetegui não obedecem a preço, nacionalidade ou a quaisquer outros factores externos ao rendimento dentro de campo. Hernâni tem entrada directa na lista pois tínhamos uma vaga para jogadores formados localmente aberta, então Lopetegui sente que é mais vantajoso reforçar a defesa, neste caso com Reyes. E sente bem. No caso de Andrés Fernández, que não pode entrar na vaga de Ricardo Nunes, só tem a ganhar se for emprestado a um clube de um campeonato mais periférico, onde pelo menos jogue com regularidade. Croácia? Suíça? Roménia? Ainda há tempo para decidir.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Balanço do mercado de Inverno

Como esperado, chegou mais um avançado e vários jogadores foram cedidos a outros clubes no último dia do mercado. A principal novidade do dia foi a contratação de Hernâni, que levou Sami, Ivo Rodrigues e Otávio para o Guimarães. Começamos a análise ao mercado por aqui.

Hernâni assinou até 2019
Não teria contratado Hernâni nesta altura. Mas há sempre o benefício da dúvida, e como é claro Hernâni vai receber apoio incondicional enquanto defender as cores do FC Porto, mas o dia de hoje é dedicado a analisar a pertinência e expectativas de cada negócio.

Para mim, mercado de Inverno é sinónimo de identificar carências na equipa e preenchê-las com jogadores capazes de entrar de imediato no 11. Foi assim com McCarthy (tirando a parte chata da CAN), Adriano, Lucho, Janko, Quaresma... Mas nem sempre é possível encontrar jogadores que se enquadrem na relação qualidade/experiência/preço, e depois como Jorge Mendes tem choramingado, a FIFA estragou a festa a algumas pessoas em Dezembro. Adiante. Foi a lesão de Ádrian a levar Lopetegui a pedir mais um avançado, mas teria feito mais sentido ir buscar o tal reforço no início do mês, quando Brahimi e Aboubakar estavam na CAN, e não agora.

Olho para Hernâni e vejo-o a fazer o que Licá fazia no Estoril. Ambos jogavam em equipas de contra-ataque e futebol directo, dependem muito da velocidade e da bola no espaço, não estão habituados a jogar contra equipas que jogam com bloco recuado e que metem o extremo/ala a fechar o corredor com o lateral... E alguns problemas técnicos, como a dificuldade em jogar e decidir no espaço curto. Tendo espaço para partir no 1 para 1, em velocidade, e flectir para a zona central a partir da direita (na esquerda não renderá tanto), pode tornar-se um elemento útil. Passa pelo treinador ajudar Hernâni a evoluir, mas oxalá não tenha o destino de Licá, Djalma ou outros tantos. Sobretudo porque se o Vitória de Guimarães pedia 5 milhões de euros e precisava de dinheiro fresquinho, de certeza que não foi com 3 empréstimos que resolveu os problemas de tesouraria.

Em contas de merceeiro, será necessário o apuramento para os 1/4 da Champions para pagar a contratação de Hernâni, um jogador que à data de hoje não é melhor que Brahimi, Tello e Quaresma, nem dá ares de maior potencial do que Ivo Rodrigues (Ricardo Pereira passa a lateral-direito). Soa a um excelente negócio, mas não para o FC Porto. Mas se isto dá a possibilidade de André André ser reforço no fim da época equilibra mais a balança. Um jogador muito apreciado por cá, por ter a tal raça e mística e de que tanto gostamos, mas que faz em Guimarães aquilo que Evandro também faria perfeitamente (até a bater penaltys atrás de penaltys). Bom com vista à profundidade do plantel, não muito mais que isso, mas que não vale a pena aprofundar já. No fim da época veremos.

Vamos às três saídas para o Guimarães. Sami, como se sabe desde o início, foi uma contratação sem obedecer a lógica desportiva. Vai andar de empréstimo em empréstimo, com o FC Porto a pagar salários a um jogador do qual nunca tirará proveitos. Oxalá se valorize no Guimarães (se fizeres um ou dois golinhos ao Benfica, maravilha) e que seja feliz por lá.

De Otávio já se sabia que era uma aposta da SAD, não de Lopetegui. Por isso é natural que não contasse para o treinador. Tem potencial e talento, e é essencial jogar nesta fase da carreira. Resta saber se o Guimarães, que ultimamente tem dependido imenso da valorização e venda dos próprios jogadores para subsistir, vai ter disponibilidade para dar rodagem a emprestados (com Tiago Rodrigues, por exemplo, correu mal). Com sorte vai poder mostrar-se e talvez ganhar lugar para a próxima pré-época. Entretanto, face à saída de Otávio, nova contratação by BMG para a equipa B, Anderson de Oliveira. Nunca ouvi falar.

E agora o que mais comichão dá na contratação de Hernâni, Ivo Rodrigues. Claro que Ivo Rodrigues não ia ter oportunidades de jogar na equipa principal, e se jogar na primeira liga pode ser bem mais positivo. Mas quase que arrisco a dizer que o Guimarães vendeu gasolina e em troca recebeu uma mota. Irá Hernâni ter assim tantas oportunidades a curto prazo? Se não as vai ter a curto prazo, é porque o FC Porto idealizou a sua contratação num projecto a médio-prazo. Mas para médio-prazo já temos um tal de Ivo Rodrigues, precisamente, e é bom que comecemos a falar um pouco mais de Frédéric. Resta saber se Rui Vitória será um bom treinador para Ivo e Otávio, algo de que tenho dúvidas e que será aprofundado quando ou se for oportuno no futuro. A boa imprensa e os resultados iludem muito e dizem pouco.

Esperamos ver já algo esta época, caso contrário não há justificação possível para esta contratação. Dito isto, bem vindo, Hernâni. Agarra a oportunidade de uma vida. 





Kayembe - Quando se soube do verdadeiro negócio Kayembe, foi defendido que devia imediatamente ser emprestado a um clube de primeira liga. Dito e feito. O Arouca não é o clube ideal para tal, mas pelo menos vai ter a possibilidade de jogar mais regularmente, na sua verdadeira posição (extremo), É um jogador que há que espremer ao máximo, tendo em conta que foi uma contratação cara, muito cara para a época de maior prejuízo da SAD. Parte a loiça, Joris.

Opare - Os melhores momentos de Opare no FC Porto foram aquele «Merry Christmas» no vídeo de Natal. Infelizmente lesionou-se cedo, Ricardo Pereira declarou-lhe guerra (no melhor sentido) pela sombra de Danilo e Ángel chegou numa oportunidade de negócio. Parecia a primeira alternativa para as laterais, passou a ser a última. Até Víctor García lhe passou à frente. O empréstimo ao Besiktas peca por ter que ser o FC Porto a pagar os salários. mas nisto é quase sempre assim. Que jogue com regularidade e que atinga um nível que permita rentabilizar o activo, desportiva ou financeiramente.

Kelvin - Emprestá-lo era essencial. Emprestá-lo ao Palmeiras foi uma má decisão. A opinião aqui

Tiago Rodrigues - Uma dúzia de jogos no Guimarães e já estava a caminho do FC Porto. Muito pouco. Terá que evoluir muito e a todos os níveis para ser sequer alternativa ao plantel. Que jogue com regularidade e qualidade no Nacional para que se abram outras portas.

Célestin Djim - Nem tudo o que vem pela auto-estrada de Liège funciona. Mangala é mesmo a excepção. O crédito esgotou-se, mas faz-se um desviozinho para Bruxelas. Boa sorte ao miúdo.

Braima Candé - Contratar jogadores aos rivais tem destas coisas. Coisas que são idealizadas como grandes golpes, mas não saem dos ideais. Boa sorte ao miúdo, com Djim no Freamunde.

Ricardo e Andrés - Ricardo foi dado como certo na Académica e acaba por ficar para ser o... 4º guarda-redes do plantel! Com Gudiño a defender na B e Kadu (já devia ter saído) como alternativa, não há a mínima oportunidade para algum guarda-redes da A ir dar uma mãozinha à B. Andrés Fernández tinha mercado em Espanha, mas também não saiu para rodar. Há mercados periféricos ainda abertos, mas com poucas possibilidades de algo interessante e oportuno surgir.

Reyes - O tal dilema. Para evoluir precisa de jogar com regularidade. Mas só faria sentido ao FC Porto ir buscar um central ao mercado se fosse melhor que Maicon e Marcano. E para ser melhor, seria caro. E para entrar, teríamos que emprestar o central de 7 milhões. Taça da Liga e pouco mais, infelizmente para o jogador.

Rolando - Um caso que se não envergonha, devia envergonhar muita gente. «Quem tiver vergonha que a tenha. Quem não tiver, não tenha.» Boa sorte, Rolando.

Gonçalo Paciência - Repetindo:  «(...) E Lopetegui dá o aviso de que quer que Gonçalo fique no FC Porto «muitos anos». Isto é uma afirmação de um treinador que já está a pensar em 2015-16 e do que pode fazer com Gonçalo no futuro. Se rejeitou que ele fosse emprestado à Académica, é porque acha que será melhor ele ficar a evoluir sob a sua supervisão, em vez de ir agora para a Académica, aprender fazer a anti-jogo e a jogar para o pontinho e daqui a duas semanas estar a trocar de treinador, sabe-se lá para quem.»

Até ao verão. Ou Março, que isto do mercado é como o Natal: de ano para ano vai começando mais cedo.