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domingo, 28 de janeiro de 2018

O que pode Gonçalo Paciência trazer à equipa

O FC Porto não tem grande tradição em repescar jogadores no mercado de inverno. Quem está emprestado, por norma, termina a época longe do Dragão. Kelvin, por exemplo, voltou ao FC Porto em 2017 para jogar 21 minutos na I Liga e Hélder Barbosa interrompeu a sua evolução na Académica, em 2008, para jogar pouco mais no regresso ao Dragão. 

Mas quando não há disponibilidade para investir e há o fair-play financeiro da UEFA à perna, algo que limita o FC Porto a empréstimos ou oportunidades muito específicas de negócio, há que olhar para dentro. E subitamente, com a Taça da Liga, o nome de Gonçalo Paciência regressou ao debate portista, agora que está finalmente a fazer a primeira época consistente na carreira sénior. 

Em 2014-15, Lopetegui quis que Gonçalo ficasse no plantel para a segunda metade da época, mas revelou-se um erro, pois acabou por não haver espaço para que fosse aposta. Seguiu-se o empréstimo a uma Académica medíocre, com um plantel fraco e mau futebol. Difícil esperar que Gonçalo fosse o milagreiro no meio daquele caos.

A cedência ao Olympiacos revelou-se uma solução ainda pior. Ainda que tenha sido uma solução encontrada por quem o representa - a ProEleven -, o clube grego iria, logicamente, tentar rentabilizar os seus próprios ativos em vez de dar minutos a um jogador emprestado, que chegava ao clube por intermédio do seu representante. Felizmente, a cedência foi interrompida em dezembro. Entre o fantasma das lesões e da falta de minutos, Gonçalo chegou ao Rio Ave, mas na altura o plantel vila-condense já estava formado e só encontrou protagonismo como suplente utilizado. 

No Vitória de Setúbal, enfim, Gonçalo Paciência tem finalmente o espaço desejado. E tem também números para acompanhar o seu rendimento: 11 golos e 6 assistências. A questão é: faria sentido o FC Porto promover o seu regresso se não fosse para jogar? Agora que Gonçalo está finalmente a jogar com continuidade, deveria o clube correr o risco de o fazer regressar para, depois, talvez ser a última opção da linha para o ataque?

Tudo passa, naturalmente, pela vontade de Sérgio Conceição. Mas olhando aos jogadores já recrutados no mercado de inverno - Paulinho e Waris -, ambos servem os propósitos já ensaiados no 4x4x2: avançados a jogar em profundidade. Ora, Gonçalo Paciência não pode ocupar essa função. Não é jogador para ganhar metros nas costas da defesa. É muito forte fisicamente, não deve muito nesse âmbito a Aboubakar ou Marega, mas não tem a velocidade e a capacidade de comer metros no último terço que os avançados africanos do FC Porto têm. 

Então, o que poderia acrescentar Gonçalo Paciência ao FC Porto?


Desde logo, a capacidade individual que, muitas vezes, se resume a Brahimi no ataque do FC Porto. Gonçalo Paciência é o 3º principal driblador do Campeonato, neste momento só atrás de Brahimi e Gelson Martins. Gonçalo tem 36 dribles eficazes na Liga - Marega e Aboubakar, juntos, têm 38. 

Há que ter em conta que o Vit. Setúbal é uma das 5 equipas que menos tempo tem a bola em seu poder no Campeonato. Logo, cada ação de Gonçalo com bola tem valor acrescido nesse aspecto. Por exemplo, na quantidade de faltas que consegue arrancar: já leva 57 no Campeonato, mais do que o jogador mais castigado do plantel do FC Porto, Brahimi, com 51. O mesmo é dizer que Gonçalo Paciência sofre mais faltas do que Marega e Aboubakar juntos (53). Numa equipa como o FC Porto, que sobretudo nos grandes jogos depende bastante das bolas paradas para chegar ao golo, é sempre bom ter um jogador a arrancar faltas nos últimos 30 metros. 

No 4x4x2 do FC Porto, muitas vezes, Aboubakar baixa para junto da linha média, para ir buscar jogo, enquanto Marega se prepara para atacar as costas da defesa. Gonçalo Paciência só poderia desempenhar a primeira função, a de jogar mais recuado, pois é nisso que é mais forte: receber, aguentar a pressão, explorar situação de 1x1 ou apostar desde logo no remate de meia distância. É pouco habitual ver o FC Porto rematar de fora da grande área com os seus avançados: Brahimi, Aboubakar e Marega têm 24 tentativas em conjunto... tantas quanto Gonçalo. Mas a verdade é que também são poucas as vezes em que esses remates se traduzem em golo. 

Gonçalo Paciência é o 6º mais rematador do Campeonato, com 47 disparos, menos do que Aboubakar (57) ou Marega (63), mas comparando com os avançados do FC Porto recebe muito menos vezes a bola na grande área. Daí que, embora remate mais de longe, tenha muitas poucas oportunidades para disparar nos últimos 15 metros. 

Mas nem tudo é um mar de rosas no rendimento de Paciência no Bonfim, havendo claramente alguns dados que o limitam enquanto opção para o que resta da época. Desde logo, o facto de ser o jogador com mais perdas/receções de bola falhadas no Campeonato, com 71, à frente do reforço de inverno Paulinho. O facto de jogar muitas vezes desapoiado no ataque do Vit. Setúbal não ajuda, claro. 

Além disso, tirando os guarda-redes, Gonçalo Paciência é o jogador da I Liga com maior percentagem de passes falhados: falhou 46% dos seus passes. Mas tendo em conta que Marega (continua a ser o pior passador do plantel, mas subiu para uma eficácia de 68,6%) liderou durante várias jornadas esta estatística, também não haveria de ser isso a riscar Gonçalo do mapa de possibilidades.

Porém, há algo que ajuda a explicar isso mesmo. No Vitória de Setúbal de Couceiro, Gonçalo Paciência é exposto muitas vezes à seguinte situação: receber mais atrás, rodar e tentar o passe em profundidade. Ou seja, Gonçalo não recua para fazer tabelas, jogar para trás ou ser um mero apoio: recua para segurar a bola e ser ele próprio o lançador do ataque. 

Isso explica porque é que 65,3% dos passes de Gonçalo Paciência são feitos para a frente, enquanto no FC Porto a maior parte dos passes de Marega e Aboubakar são feitos para trás - 55,1% para o maliano e 51,9% para o camaronês. Além disso, os africanos do FC Porto jogam num raio de ação mais curto, com passes médios de 14 a 15 metros, enquanto Gonçalo tem uma média de passe de 18 metros. Ou seja, é muito mais exposto ao risco e não tem tantas soluções para jogar curto. 

Por fim, as ocasiões de golo criadas na Liga. Aboubakar leva 15, Marega 14 e Gonçalo Paciência... 14. Ou seja, numa equipa que tem menos posse de bola, que ataca menos e que tem menos qualidade, o avançado português consegue, ainda assim, criar tantas ocasiões de golo como os ponta-de-lança do FC Porto. Diferente, muito diferente, mas não menos produtivo. 

Agora tem a palavra Sérgio Conceição. 

domingo, 7 de agosto de 2016

Não desistam da Paciência

Os talentos de hoje nem sempre são os de amanhã. Mas muitas vezes, o que separa a promessa da concretização é uma simples oportunidade. André Silva está a tê-la e a aproveitá-la, e agora percebem o porquê deste post, de julho de 2014, em que O Tribunal do Dragão defendia como prioridade segurar André Silva para o futuro.

O futuro já chegou, e agora André Silva é o ponta-de-lança do presente. Neste caso, não se trata do presente para António Teixeira, mas sim para a época 2016-17 do FC Porto, na qual André Silva está pronto para ser o 9, apesar de ter ficado com a camisola 10, honrando o antigo ídolo Deco. 

Mas não é de André Silva que falamos desta vez, mas sim de Calleri, atualmente nos Jogos Olímpicos e que fez um bonito golo na sua estreia. Ups, afinal não foi Calleri, foi Gonçalo Paciência a marcar. Mas o que se diria se aquele golo tivesse sido de Calleri? 

É interessante que, nos habituais plantéis virtuais que os adeptos formam e partilham em fóruns e redes sociais nas pré-épocas, Calleri tenha sido um nome muito utilizado. Provavelmente, muitos não o incluiriam se o seu nome não tivesse aparecido na imprensa. Mas o mais inquietante é que muitos o admitam apesar do valor exigido pelos investidores por Calleri: 20 milhões de euros, fosse por transferência ou empréstimo com opção de compra.

Calleri, que vai para o West Ham, e Gonçalo Paciência são jogadores de caraterísticas totalmente distintas. Mas é apenas um dado indicativo do quão pode ser diferente o tratamento/expetativa em relação a um jogador que chega, por exemplo, da América do Sul e outro que venha da formação.

Não é que o FC Porto não tenha tido grande sucesso no recrutamento de avançados sul-americanos - ninguém recusaria um Lisandro, um Falcao ou um Jackson -, mas a diferença é notória. O avançado estrangeiro tem o direito a ser muito caro, a ter período de adaptação e entrar em plantéis virtuais quando muitos nem sequer o viram jogar além de um best-off no Youtube. O jogador da formação não tem essa sorte.

Se calhar, alguns esperavam que Gonçalo Paciência chegasse a uma Académica ultradefensiva, mal trabalhada a todos os níveis, e que marcasse 20 golos. Quiçá os mesmos que iam torcendo o nariz em relação a André Silva até à final da Taça de Portugal. Nada se consegue sem paciência... e sem o contexto correto. 

Apesar da afirmação de André Silva, o FC Porto continua a necessitar de mais um ponta-de-lança, sem dúvida - e se Aboubakar sair, então poderão ser dois. É verdade que a juventude de André Silva recomenda uma alternativa mais experiente, mas a bem da verdade não é tarefa fácil contratar um avançado já mais rotinado, que garanta 15 ou 20 golos por época e que não venha ganhar mais do que André Silva. Isto além de ter que ser uma solução simultaneamente capaz de aceitar o banco enquanto dê garantias a titular. Um Aboubakar confiante e sem o bloqueio psicológico resolveria muitos problemas (o facto de ter sido apresentado, ao contrário de Indi, indicia que ficará no plantel se não houver uma boa proposta)... E aí, porque não Gonçalo Paciência?

De facto, há que compreender as caraterísticas de Gonçalo Paciência. Ao contrário de André Silva, Gonçalo não é jogador para receber a bola em profundidade, descair para os flancos e assumir o 1x1 ainda longe da grande área. Os jogos de pré-época deixaram claro que Nuno vai pedir isso aos avançados (o FC Porto vai ter menos posse de bola, controlar menos os jogos e depender mais da aceleração no último terço do terreno, tipo de futebol que não é propriamente o cartão de visita das equipas que têm ganho campeonatos).

Gonçalo não é um ponta-de-lança muito veloz, como nunca o foram Ibrahimovic, Sheringham ou Berbatov. Se lhe pedirem para jogar em profundidade, vai ter sempre dificuldade. Gonçalo tem um perfil diferente. Tem que jogar mais perto da grande área, com menor amplitude de jogo, pois Gonçalo é fortíssimo a segurar a bola, de costas para a baliza, a descobrir os espaços em drible curto e em arrastar os defesas. É forte fisicamente, tem um remate potente e ótimo no jogo aéreo. Gonçalo Paciência precisa de uma equipa que o «deixe» jogar mais perto da grande área... mas o FC Porto de Nuno Espírito Santo parece necessitar de avançados mais velozes e móveis.

Ainda assim, e cada vez mais no futebol português, haverá alturas em que os avançados terão que encostar aos centrais, bem perto da grande área, e aí faria todo o sentido confiar em Gonçalo Paciência. É curioso que Pepijn Lijnders, que trabalhou Gonçalo no Projeto Jogador de Elite, tenha dito isto sobre ele: «É um jogador capaz do impossível, que por vezes falha mais no possível». É uma grande verdade. Gonçalo Paciência é um jogador capaz de inventar a mais incrível jogada, coisas que a maioria dos avançados não consegue fazer, mas depois tem faltado o tal killer instinct. Mas trabalhar avançados para encostar é bem mais fácil do que ter o talento nato que Gonçalo tem, a capacidade de inventar quando os jogos estão fechados.

Se tivesse um toque mais hispânico no nome, um Gonzalo Paciencia, viesse da América do Sul e alguém tivesse compilado o seus melhores momentos e publicado um vídeo no Youtube com o título «El Nuevo Ibrahimovic», se calhar fazia correr mais água na boca. Mas sendo portista e nosso, o que deveria contribuir para haver ainda mais confiança, parece haver o sentido contrário.

Depois dos Jogos Olímpicos, sabe que tem as portas do seu «pai no futebol», Nuno Capucho, abertas no Rio Ave. Mas que ninguém pense em fechar-lhe as do FC Porto, seja nesta época ou na próxima. Fica o conselho, o mesmo sobre André Silva há dois anos. Basta ter um pouco de Paciência.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Taça, André, Visão e Diogos

Perdi a conta a quantas vezes vi o Portugal x França de 1984. E por muito que já conheça cada detalhe do jogo de cor, sempre que Rui Jordão vira para 2x1 acredito que Portugal vai ganhar aquele jogo. Sei que Jean-François Domergue vai empatar o jogo e que Platini vai virar para 3x2 aos 119 minutos. Mas continuo a acreditar que Portugal vai ganhar aquele jogo, mesmo sabendo que não vai. Não por ingenuidade, mas por inconformismo perante uma eterna injustiça.

Muito André para pouco Porto
No Jamor, vimos algo parecido, no último minuto do prolongamento. Mas por mais que veja e reveja o lance, espero sempre algo diferente: ou que André Silva remate logo de pé esquerdo; ou que as pernas do André Pinto não apareceram; ou que Marafona escorregue; ou que o remate em arco saia para o segundo poste. Infelizmente, a bola acaba sempre nas mãos de Marafona. Injustiça para todos os portistas, sobretudo para o próprio André Silva, expoente máximo do que é ser Porto na final da Taça.

A época já terminou, mas há alguns aspetos a ter em consideração. A começar pela afirmação de André Silva, um jogador que há dois anos já podia preparar-se para assinar por outro clube. Não o fez porque não quis. Porque é portista, porque é um rapaz bem formado, porque honra e respeita a camisola.

André Silva resistiu a tudo até ter a sua oportunidade. Viu, por exemplo, o FC Porto contratar Suk e Marega em janeiro - e que jeito deram eles na final da Taça de Portugal. Violar o princípio mais básico de qualquer contratação - a vir, que seja melhor do que os que cá estão - foi tudo aquilo que o FC Porto conseguiu fazer no mercado de inverno.

Agora já todos têm grandes expetativas sobre André Silva - só surpreende quem não o acompanhada desde o seu percurso de formação. Na próxima época, é natural que já se comece a pensar num novo contrato - o atual é válido até 2019 e com uma cláusula de rescisão de 25M€. Felizes dias para António Teixeira da Silva, o intermediário da sua renovação. Intermediário, não empresário. A Promosport, no seu site oficial, diz que representa 3 jogadores do FC Porto (Verdasca, Fernando Fonseca e Rodrigo Soares). Não fala em André Silva.

Record, 10.09.2015
Mas no acordo de renovação de André Silva, assinado em novembro de 2014, Teixeira da Silva ficou com 10% do seu passe; e além desses 10%, foi atribuída uma mais-valia de 10% numa futura venda. Como estamos a falar de um produto da formação do FC Porto, a mais-valia a ser gerada seria sempre altíssima, pelo valor que se poupa em amortizações e mecanismos de solidariedade. Neste caso, tendo André Silva uma cláusula de 25M€, estamos potencialmente a falar da cedência de um valor até 5M€ a um intermediário pela renovação de contrato de um dos maiores talentos do FC Porto (e há ainda previsto o pagamento de 100 mil euros pela realização de 10 jogos - mínimo 45 minutos - por época). Na altura era sénior de primeiro ano e estava encostado, devido ao impasse na renovação. Assim que renovou, não mais deixou de jogar. Dá para parar de alienar os passes de jogadores da formação nas suas renovações de contrato, ainda antes de os miúdos começarem a jogar na equipa A?

Ainda sobre a final da Taça, e depois do Projeto Visão 611 ter voltado à ribalta, vemos a crueldade poética de o SC Braga ter ganho a final com dois centrais que deixaram o FC Porto quando o Visão 611 estava em vigor. Ricardo Ferreira, que em 2011 ia passar a sénior após ser campeão de sub-19, um portista dos nossos, não chegou a acordo para renovar - como André Silva poderia não ter chegado... - e foi para o Milan. Fez uma grande época no Braga e vai dar com naturalidade um salto na carreira, pois é central de equipa grande. E portista. Fica questão: quantos esforços foram movidos pelo FC Porto para renovar com Ricardo Ferreira?

O outro foi André Pinto, que era sub-19 de primeiro ano quando o V611 foi criado. Foi emprestado a 4 clubes diferentes até deixar, de vez, o FC Porto. O SC Braga, uma vez mais, aproveitou uma das muitas réstias do FC Porto. E enquanto o SC Braga ganhou a Taça com 2 centrais que deixaram o FC Porto durante o período do V611, o FC Porto perdeu a Taça por erros cometidos pelos seus defesas. No Museu temos o Espaço K. Mas o K já não parece ser de Kelvin, parece ser de Karma. 

Com isto, tomem lá dois nomes para o futuro: Diogo Leite e Diogo Queirós. Nos últimos anos, o FC Porto não tem aproveitado centrais tão bons como antigamente. Reparem que a palavra-chave é «aproveitado», não é «produzido». Afinal, o FC Porto até produziu centrais que são bons o suficiente para ganharem uma Taça de Portugal - e veremos quanto dinheiro vai valer já Ricardo Ferreira, mas é bem provável que valha mais do que Indi, Marcano e Maicon numa transferência. 

Futuro com D
Leite e Queirós acabam de conquistar o Europeu de sub-17. Diogo Queirós já está um passo à frente dos centrais da sua idade - é juvenil e já é titularíssimo nos juniores. Além de ser forte fisicamente, é o típico central que joga sempre de cabeçinha levantada. Diogo Leite, embora ainda não jogue pelos sub-19, teve o seu princípio de afirmação neste Europeu: se o viram perder uma ou duas bolas de cabeça neste Europeu, já foi muito. Muito rápido na antecipação. Temos aqui dois centrais para trabalhar para o futuro.

Do lado direito, já não há surpresas para Diogo Dalot. Foi chamado aos treinos por Lopetegui quando ainda era juvenil, e na altura o ex-treinador do FC Porto confidenciou que esse menino não enganava (a mesma reação de Paulo Fonseca quando chamou Rúben Neves pela primeira vez a um treino, quando tinha 16 anos). É o protótipo de lateral-direito moderno. Rápido, forte, com grande disponibilidade para subir pelo corredor e com golo. João Pinto não consegue olhar para ele sem sorrir.

Esta é mesmo a geração dos Diogos (Diogo Verdasca já poderia ter dado jeito esta época na equipa A, sobretudo face a todas as oportunidades que Chidozie teve). Na baliza, Diogo Costa. Juvenil de segundo ano, titular nos sub-19. Claro que há sempre exceções, mas os melhores guarda-redes, os de topo europeu, são aqueles que começam a jogar muito jovens em equipas principais - não aqueles que ao fim de 4 ou 5 anos de sénior ainda não conseguiram agarrar a titularidade numa equipa de primeira liga (por vezes não por falta de valor, mas de oportunidade). Diogo Costa está um degrau acima e precisa de ter um bom acompanhamento para os próximos anos. Uma palavra ainda para João Lameira, segundo ano de sub-17, com menos espaço no Euro, mas também é campeão europeu. 

Decisão da SAD
De volta à Taça, sem surpresa, a postura de Josué já foi criticada, numa reedição daquilo que foi dito sobre Tozé há 2 anos. E sem razão nenhuma para isso. Josué estava com a camisola do SC Braga, não era com a camisola do FC Porto. E estava com a camisola do SC Braga porque a SAD assim o decidiu, quando emprestou Josué a um clube que só sabe explorar positivamente o FC Porto, enquanto no Dragão nunca tivemos nada de bom oriundo de Braga. 

A culpa não é de Josué: é de quem decidiu emprestá-lo ao SC Braga. No FC Porto, formamos profissionais para darem tudo pela camisola que vestem. Josué estava com a camisola do SC Braga. Se o FC Porto fosse jogar contra o Watford, queriam que Layún deixasse de meter o pé, por estar a jogar contra o clube-mãe? Claro que não, nunca o perdoariam. Josué ganhou a Taça porque deixaram. Os insultos a Josué foram a única coisa lamentável de adeptos que apoiaram exemplarmente a equipa no Jamor. E depois de Pinto da Costa ter dito que Josué ia regressar a casa, veremos se é mesmo isso que vai acontecer...

O FC Porto estará pelo menos mais um ano sem ganhar títulos, e desperdiçou a hipótese de disputar uma Supertaça com o Benfica no início da próxima época. Não houve apenas injustiça, houve também consequência: em janeiro, em vez de reforçarem a defesa, foram buscar Suk e Marega, que nem jogaram no Jamor; se não fosse André Silva, a equipa talvez nem tivesse feito um golo; em sentido inverso, foi por erros defensivos que o FC Porto sofreu os dois golos que deram a Taça ao SC Braga.

Os 120 minutos da Taça de Portugal foram de uma tamanha injustiça; mas o desfecho da Taça de Portugal é uma consequência natural da gestão da época.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Pérolas da Nigéria

A notícia da renovação do contrato de Chidozie até 2020 deu, desde logo, uma novidade: o facto de Chidozie já ser efetivamente jogador dos quadros do FC Porto, e não emprestado por outro clube. Uma renovação que se saúda, embora desconhecendo os moldes da mesma e a repartição do passe do atleta na SAD.

Chido até 2020
Chidozie fez uma época algo banal no seu primeiro ano nos sub-19, onde não revelou nenhum potencial por aí além a jogar a médio-defensivo, mas após ter sido adaptado a central as coisas começaram a mudar. Fez algumas boas exibições na equipa B, ganhou a confiança de José Peseiro e foi lançado às feras na equipa A - é certo que só jogou por não haver mais ninguém, mas Peseiro teria sempre outras possíveis soluções em vista, como adaptações. Ainda assim não deixou de confiar em Chidozie.

Chidozie cometeu os erros próprios da sua idade e inexperiência, mas mostrou que tem caraterísticas interessantes para ser um bom central. O contrato até 2020 vai permitir-lhe, se necessário, ter uma época de rodagem noutro clube e dá tempo e condições para trabalhar o seu potencial. Sem dúvida um jogador a merecer um pequeno investimento. Quanto? Boa questão.

Chidozie vem do El-Kanemi, um clube pouco conhecido. Segundo o Transfermarkt, este clube nunca fez dinheiro com transferências - o seu negócio mais mediático foi a venda de Samson Siasia ao Lokeren, isto em 1987. Num clube que nunca fez grandes negócios, vender agora Chidozie por 1 ou 2M€ seria um autêntico jackpot. Pelo que só podemos admitir que o FC Porto conseguiu Chidozie por uma autêntica pechincha. 

Haverá sempre a questão sobre se Chidozie foi contratado diretamente ao El-Kanemi ou se o seu passe foi adquirido já junto de um grupo de investidores/empresários, mas isto será certamente esclarecido a seu tempo pela SAD, tal como a eventualidade de Chidozie ter sido descoberto pelo mesmo grupo de scouting que trouxe Mikel ou Atsu.

É fundamental, para o futuro do FC Porto, que a SAD fique com 100% do passe dos jovens que recruta. Estamos a falar de jogadores muito jovens, que são contratados por quantias baixas. Não há necessidade absolutamente nenhuma de avançar para alienações de passes quanto estamos a falar de transferências tão baixas.

Um terço de talento
Tomemos o exemplo de Chidera Ezeh, outro nigeriano do FC Porto, que está no clube desde 2013 mas teve que esperar pelo 18º aniversário para começar a surgir nos Sub-19, com contrato profissional assinado. Foi uma das revelações do Mundial de Sub-17 e chegou ao FC Porto proveniente do River Lane, da Nigéria.

Em relação a esta operação, o FC Porto informou apenas ter uma dívida de 375 mil euros ao River Lane, que foi paga na época 2014-15. É fácil prever que este pagamento deveu-se a Chidera, mas não é claro que a totalidade do seu passe tenha custado 375 mil euros, pois a SAD pode ter pago algum valor no momento da contratação.

Mas neste momento a SAD já só tem 35% de Chidera Ezeh, pois cedeu 65% à For Gool, entidade ligada a Teodoro Fonseca. Desconhece-se que valor rendeu essa alienação. Mas recuperar 30% do passe custa 600 mil euros (opção até ao fim de 2016-17). Há uma opção de comprar mais 25% enquanto Chidera for jogador do FC Porto, mas essa já custa 1M€. Ou os 100% de Chidera custaram bem mais do que os 375 mil euros que estavam na rúbrica fornecedores, ou o passe do jogador já saiu altamente desvalorizado nesta alienação (feita muito antes de Chidera poder jogar nos Sub-19), com a opção de recuperar 55% a custar 1,6M€

Outro exemplo é Mikel, que está ligado ao FC Porto desde 2009, mas só pôde começar a jogar dois anos depois. Um miúdo que sempre se destacou pela sua capacidade de trabalho - rezam as crónicas que ninguém se aplicava mais do que ele nos treinos, motivo pelo qual todos os treinadores desde Jesualdo o chamavam para treinar na equipa A, mesmo que nunca o convocassem.

Ndubisi Mikel Agu
Mikel, a revelação
Mas Mikel, entrando no campo da opinião, nunca revelou qualidades para ser jogador da equipa A. Curiosamente, passou pelo menos processo que Chidozie: após tantas exibições sofríveis a médio-defensivo, Luís Castro meteu-o o central. Melhorou, embora no FC Porto B seja bem mais fácil jogar a central do que a médio-defensivo (a diferença entre só ter que destruir e ter que construir). Mas Mikel nunca mostrou grande evolução, embora tenha tido o azar de partir a perna logo no primeiro treino com Lopetegui (para quem gosta de alimentar mitos, Rúben Neves estava nesse treino, ou seja, Lopetegui não chamou Rúben Neves só porque Mikel se lesionou).

Mikel foi emprestado ao Club Brugge e tem sido... «uma revelação». Quem o disse foi o jornal A Bola, a 3 de fevereiro: «Grande revelação do campeonato belga», escreveram. O problema é que vamos ver os números de Mikel no Club Brugge e chegamos a uma simples conclusão: ainda só fez 2 jogos pelo clube, ambos em janeiro e contra duas das equipas mais fracas do campeonato. Estamos habituados a que o jornal A Bola considere que um jogador seja uma «grande revelação» ao fim de 2 jogos, mas foi a primeira vez que vimos A Bola fazer isso com um jogador do FC Porto. Simpatia galática

Mikel tem contrato até 2017 e pouco ou nada recomenda a sua renovação - até porque Mikel já chegou a renovar contrato duas vezes na mesma época desportiva, mas não tem mostrado grande evolução. Não fará sentido renovar mais uma vez para o emprestar em 2016-17. Vai fazer 23 anos, não é caso perdido, mas está desde 2009 a treinar perto da equipa A, fez duas épocas na equipa B (três com a da lesão), já renovou várias vezes contrato e vai para o 5º ano de sénior. Se os jovens da formação do FC Porto (isto é, os que começam nas escolinhas, nos iniciados ou nos juvenis) tiverem um terço da paciência e oportunidades que Mikel teve, de certeza que não se desperdiçará um único talento da formação do FC Porto.

Em 2012, a SAD alienou 10% do passe de Mikel, ao SIF, por 101,875 mil euros (a mesma operação que Edu Silva, do Penafiel). Neste momento a SAD terá 55% do seu passe, pois no início de 2014 foram cedidos mais 10% à SIF. Entretanto a Sans Souci ficou com 25% da receita líquida de uma futura venda, à luz de um protocolo, e o clube «Megapp» ficou com 10%. O caso de mais um jovem nigeriano contratado em tenra idade com o seu passe alienado.

A não repetir
Mas em relação a Chidozie, o maior termo de comparação (não em relação à qualidade), não sendo da mesma nacionalidade, será Abdoulaye. O FC Porto também foi buscá-lo a África em tenra idade e está desde 2008 ligado ao FC Porto. Ou seja, quase uma década, e poucos lhe reconhecem capacidade para vir a ser um central de equipa grande (já tem 25 anos e não aproveitou os empréstimos ao Rayo e ao Fenerbahçe para mostrar qualidade). 

Não se sabe quando expira o contrato de Abdoulaye - tinha contrato até 2016, mas por norma o FC Porto não deixa jogadores emprestados ficarem em fim de contrato, pelo que não se sabe se Abdoulaye renovou antes de sair. Se não renovou, também não valerá a pena fazê-lo agora, de todo. Por outro lado, dizia Abdoulaye, em 2012, que o seu empresário lhe tinha comunicado que havia o interesse de Benfica, Liverpool e Dortmund na sua contratação. Assim sendo, não haverá problema em recuperar o investimento no seu passe.

Embora tenha sido contratado enquanto júnior do Senegal, 60% do passe de Abdoulaye eram propriedade da Unifoot, de José Caldeira, segundo o R&C da SAD de 2010-11. Mas no R&C de 2012/13, o FC Porto informou que comprou 60% à Pearl Design, com um custo total de 1,1M€. Estávamos a falar de um júnior oriundo do Senegal. Votos de que seja uma situação bem diferente da de um júnior oriundo da Nigéria. 

Pergunta(s): Que futuro para Abdoulaye, Chidozie, Mikel e Ezeh no FC Porto?

terça-feira, 29 de março de 2016

Que futuro para Quintero?

FC Porto continua a investir
Não há um único portista que alguma vez tenha duvidado do talento de Quintero. Vimo-lo no Mundial de Sub-20, naquela entrada no Bonfim na primeira jornada de 2013-14, na forma como se abriam mil possibilidades quando a bola encontrava o seu pé esquerdo. Todos sabem que Quintero é um jogador de enorme potencial. Só há um grande problema: é exatamente o mesmo jogador que o FC Porto contratou há quase três anos. Ou seja, muito potencial, muitas expetativas, mas nenhuma evolução ou rendimento e não mais do que um protótipo de jogador.

As notícias que o apontam ao Internacional não fazem o menor sentido na perspetiva de reintegrar Quintero no plantel principal do FC Porto. Quantos jogadores é que o FC Porto recuperou depois de os emprestar a clubes brasileiros? Pois.

Mas a partir do momento em que Quintero, em janeiro, renovou com o FC Porto até 2021 (ou seja, renovou por mais quatro anos), só se poderia admitir que o clube tencionasse reintegrá-lo no plantel principal no curto prazo. Ir para o Brasil, seja por dois meses ou um ano, não vai ajudar Quintero a evoluir no sentido de ganhar estofo para jogar no FC Porto.

Argel ainda não aparenta ter grande experiência na evolução de jogadores, até porque a sua carreira tem sido marcada por enorme instabilidade: desde o início da carreira de treinador, em 2008, já passou por 19 clubes. O futebol praticado pela sua equipa no Campeonato Gaúcho não impressiona. Teoricamente também não parece haver grande espaço para encaixar Quintero no Internacional, entre jogadores como Anderson, Rodrigo Dourado, Sasha ou Alex. Havia vaga após a saída de D'Alessandro, mas o Inter já contratou outros três jogadores para o miolo.

Além disso, as inscrições para o Campeonato Gaúcho já fecharam. Ou seja, se Quintero for para o Internacional, nem sequer poderá jogar no curto prazo e vai ficar parado à espera que possa ser inscrito na CBF.

O Globoesporte diz que a ideia é ficar com Quintero até dezembro. Ou seja, nem sequer se abriria a hipótese de Quintero ser chamado à pré-época de 2016-17. Mas se Quintero renovou em janeiro, teria que ser tendo como referência planos bem melhores do que o empréstimo a um clube brasileiro. Além disso, diz o Globoesporte que o empréstimo será feito por 200 mil euros. Tendo como referência que ter Quintero durante uma época desportiva completa custa 200 mil euros, também todo e qualquer tipo de sanidade impedirá a crença de que renovar com Quintero tenha custado cerca de meio milhão para o agente Riccardo Calleri. O R&C do FC Porto poderá certamente comprová-lo. 

Dirão que o FC Porto tem que proteger o ativo e defender o seu investimento. Mas há algo que importa ter em conta: Quintero já está pago. A SAD acabou de pagar Quintero, no primeiro semestre de 2015-16. E a SAD tem 100% do passe de Quintero.

Ou seja, não há o problema de a SAD ainda estar presa à obrigatoriedade de ter que pagar mais dinheiro por um jogador para o qual não há planos de médio prazo; e a SAD tem 100% do passe de Quintero, ou seja, não há parcelas de fundos que possam condicionar uma hipotética venda. Quintero é 100% do FC Porto. 

Mas sobra o maior problema de todos eles: o próprio Quintero. Quintero é o principal responsável pelo seu insucesso no FC Porto e na Europa. E estas recentes bocas de Quintero a atacar o treinador do Rennes são mais um exemplo da quase crónica falta de sintonia com os treinadores com quem tem trabalhado.

Quintero no Rennes: os números
Quintero tem muito talento, mas está sempre chateado com o mundo. Não se empenha, não tem a humildade devida, não sabe aproveitar os ensinamentos dos mais experientes e não responde bem aos treinos e aos treinadores.

Os treinadores do FC Porto raramente se enganam nestes aspetos. Se um jogador, por mais talentoso que possa parecer, não está a ter mais tempo de jogo, então há uma forte razão por trás disso. Por exemplo, era muito fácil bater em Paulo Fonseca por não dar mais tempo de jogo a nomes como Quintero, Ghilas ou Iturbe - que bem que lhes tem corrido a carreira fora do FC Porto, não é?

Quintero não jogava mais com Paulo Fonseca porque não trabalhava para isso; não ficou com Lopetegui pois não trabalhava para isso; e agora no Rennes volta a ter problemas com um treinador que queria apostar nele. E note-se que apesar de nada garantir que José Peseiro fique no FC Porto para 2016-17, quando se pensa no regresso de algum médio, Josué ou Otávio estão muito à frente de Quintero.

O culpado é o jogador, que não trabalha o necessário. Mas a gestão da sua situação no FC Porto também levanta questões. Por exemplo, em dezembro de 2014 a SAD comprou o resto do passe por 4,5M€ - depois dessa operação, Quintero deixou de ser opção para Lopetegui, apesar de ainda ter feito uma boa sequência de jogos na primeira fase da época.

Em janeiro, Quintero renovou por mais quatro anos. Desde então, deixou de jogar pelo Rennes. Quintero joga 20 minutos e já não aguenta. Fica rebentado ao fim de 6 sprints. Quintero pode ter nascido com um pé esquerdo dotado, mas a condição física trabalha-se. Quintero não sabe jogar futebol se não tiver a bolinha no pé esquerdo. E isso também se trabalha.

Apesar de Quintero ter evoluído zero desde que foi contratado, o FC Porto redobrou a aposta nele quando comprou o resto do seu passe. Quintero já tinha sido um jogador imensamente caro - os 100% do passe acabaram por ficar por 9,5M€. De notar que o Pescara só fez uma venda mais cara em toda a sua história (Verratti, ao PSG, por 12M€). E a terceira maior venda custou metade de Quintero (De Sanctis). Tendo em conta que Quintero nem era titular do Pescara e nenhum clube italiano quis contratá-lo em 2013, o FC Porto começou muito cedo a pagar por potencial e talento, mas não mais que isso: apenas potencial e talento que continuam a não ser aproveitados. Sobretudo pelo jogador.

Quintero é o maior responsável pela sua falta de evolução. Mas... não foi ele quem decidiu comprar mais 50% do seu passe por 4,5M€, nem renovar o seu contrato por mais 4 anos, nem encaminhar o seu empréstimo para um clube brasileiro. Ora, se o FC Porto aumentou a sua aposta em Quintero, então o talento do jogador terá que ser muito melhor aproveitado. Há essa responsabilidade. Isso implicava não só puxar por um melhor comportamento, profissionalismo e rendimento do jogador, mas também encontrar o meio onde acham que ele vai evoluir. Dificilmente será no Internacional.

Falta um médio-ofensivo no plantel principal do FC Porto; compra-se o resto de Quintero e renova-se com o jogador; e agora empresta-se o jogador a um clube brasileiro, nem sequer havendo espaço para surgir na pré-época? Não bate certo. Poderíamos dizer que Quintero é um caso quase perdido, de um jogador que não sabe aproveitar o talento que tem, mas depois das operações de investimento no atleta só podemos esperar que venha a ser o craque que prometia ser em 2013. E se em janeiro de 2016 renovou-se com Quintero quando faltavam (e continuam a faltar) jogadores a José Peseiro, então tem que haver futuro para Quintero no FC Porto.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Desmistificando: Otávio

É uma daquelas imprecisões prontas a lançar confusão: «Otávio chegou gratuitamente ao FC Porto», diz o Record. «Otávio chegou livre aos dragões», escreve A Bola. Como é lógico, não é verdade. Trata-se da eterna confusão (sim, aparenta ser mais ignorância do que má-fé) entre direitos económicos e direitos federativos.

A saber: direitos económicos são o passe do jogador, cujos 100% podem ser repartidos por diversas entidades (entretanto a FIFA proibiu a partilha do passe por terceiros). Já os direitos federativos são meramente os direitos de inscrição do jogador. Neste caso, não se podem partilhar. Não é possível inscrever 50% de um jogador na FPF, como é lógico. Logo, quando se lê coisas como «o clube tem 100% dos direitos desportivos do jogador», é absurdo, pois não é possível ter um jogador de outra forma.

67,5% por 7,5M€
Neste caso, o «custo zero» que associam a Otávio é nada mais, nada menos do que a transferência dos direitos federativos do Internacional para o FC Porto. Os direitos federativos não movimentam dinheiro, o que movimenta dinheiro é o passe do jogador. Neste caso, o Internacional já não tinha qualquer percentagem do passe de Otávio quando este foi transferido para o FC Porto, pois antes o Internacional vendeu a maioria do seu passe ao BMG.

Assim sendo, em 2014 o FC Porto comprou 33% do passe de Otávio, por 2,5M€, não ao Internacional mas sim ao Coimbra Esporte Clube, que é o clube do BMG, destinado a ponte como transação para outros clubes. É utilizado para inscrever e posteriormente passar jogadores para vários clubes do Brasileirão, entre eles o Internacional. Entretanto a SAD passou a ter apenas 32,5% de Otávio, pois cedeu 0,5%, não se sabe publicamente por quanto ou a quem.

Depois disso, o passe de Otávio ficou assim repartido: 33% continuam no Coimbra Esporte Clube; 20% pertencem a uma empresa registada em 2012 com o nome G. E. Assessoria Desportiva; e os restantes 15% ficaram na posse do pai de Otávio.

Durante a época 2014-15, Otávio não custou nada ao FC Porto na transação, pois a dívida de 2,5M€ ao clube do BMG manteve-se inalterável. Estava previsto a SAD fazer esse pagamento ao longo desta época.

A SAD ficou com direito de comprar mais 35% do passe de Otávio, podendo então ficar com até 67,5% do seu passe. Mas não pode comprar a parte do Coimbra Esporte Clube: pode comprar apenas a parte do pai de Otávio e da referida empresa de assessoria. E não será nada barato: comprar estes restantes 35% custa 5 milhões de euros.

Conforme foi opinado aquando da sua contratação, Otávio foi uma contratação cara e inflacionada, mas que tinha o que não têm os Samis da gestão da SAD: sentido desportivo. Tratava-se, e trata-se, de um jogador que mostra grande potencial e qualidade técnica. Demorou, mas está finalmente a mostrá-lo em Guimarães, com uma sequência de jogos que já lhe devem valer pelo menos um lugar na próxima pré-época.

Foi positivo para ele ficar em Guimarães. É bom não esquecer que só começou a ser titular em dezembro. No momento em que regressasse ao FC Porto, o mais provável era passar mais tempo no banco ou na bancada. No meio-campo de Lopetegui não caberia (o mais provável era ser desviado para a ala). Com Peseiro talvez tivesse mais espaço, mas o treinador terá entendido ter melhores soluções para o curto prazo. E não faria muito sentido tirar Otávio de Guimarães quando ele tinha acabado de lá conquistar a titularidade. Poderia ter sido um caso Hélder Barbosa v2.0.

Desde que começou a ser titular em Guimaães, Otávio já fez 6 golos e 6 assistências. Além disso, está finalmente a ter condição física para aguentar 90 minutos (coisa que por exemplo Quintero nunca conseguiu), algo que pode fazer toda a diferença com vista ao regresso ao FC Porto. Joga e faz jogar, tem tudo para ser uma opção válida para o médio prazo do FC Porto.

Isto para concluir: não chegou a custo zero, não, e até foi/será bem caro, pois em 2014 o FC Porto pagou por potencial, não por qualidade imediata - prova disso é que só a partir da 3ª época poderá ganhar um lugar no plantel. Mas a qualidade, felizmente, está toda lá. E a avaliar pela sua postura em Guimarães, o mais importante também: trabalhar a qualidade que tem. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Análise ao fecho de mercado: as rescisões

O que é feito de Rolando, Quiñones e Djalma? Já todos sabemos que deixaram o FC Porto, mas saíram sem que o FC Porto divulgasse uma única informação oficial nesse sentido. Mesmo sendo jogadores dispensados, estes três elementos foram campeões nacionais, tiveram textos de apresentação no site oficial, representaram o FC Porto dentro e fora de campo e não eram três sacos de batatas dos quais ninguém daria conta. Não há razão nenhuma para o FC Porto não ter avançado com uma informação oficial no seu site sobre as saídas dos jogadores. Já com Opare aconteceu o mesmo.

Sem surpresa, o FC Porto limitou um pouco a dança de empréstimos e avançou para algumas rescisões. É preferível, na maior parte dos casos, assumir a rescisão de contrato e o prejuízo do que andar a arrastar situações que não trazem nada de positivo. É certo que nem sempre é fácil rescindir, pois é raro o ser humano abdicar do seu salário em prol de algo inferior, mas são situações com as quais há que tentar lidar da melhor forma. Se havia lógica desportiva para contratar determinado jogador, é perfeitamente admissível assumir a má contratação. Quando se contratam jogadores que se sabe que vão acabar por sair, como foi feito com Sami, aí sim já é um mau ato de gestão. 

O número de rescisões, como foi antecipado aqui, aumenta exponencialmente a partir do momento em que a FIFA proíbe a partilha de passes e aplica restrições às comissões. Há formas de o contrariar, como é lógico, pois a FIFA nunca fechará uma porta sem deixar duas janelas abertas. Por exemplo, no momento da contratação de um jogador, o clube pode aumentar o prémio de assinatura e o futebolista, posteriormente, acorda o que tiver que acordar com o seu representante. Mas as dispensas e rescisões vão ser cada vez mais habituais. Opare foi dispensado logo à segunda época. E Rolando e Djalma, que já tinham sido cedidos três vezes, já não passaram deste verão. Apenas alguns exemplos. Passando a rever cada um.

2 jogos pelo FCP
Quiñones - Chegou no último dia do mercado de 2012. Vítor Pereira tinha na pré-época Alex Sandro, Emídio Rafael (ainda a recuperar de lesão) e até David Addy, todos superiores a Quiñones, para o lado esquerdo da defesa. A contratação, por si só, já não faria sentido, mas o FC Porto recebeu mais um jogador pela mão de Marcelo Simonian. Quiñones custou 1,98M€ por 80% do passe. Fez um jogo na Taça, outro no campeonato e de repente parecia que já nem contava para o totobola. Vítor Pereira não o pediu, não indicou a sua contratação, logo é natural que não lhe tenha dado grandes oportunidades. Se não contava para o treinador, como se dá logo um contrato de quatro épocas a Quiño? Como se justifica que tenha ficado na equipa B, logo ao segundo ano, a tapar o lugar a Rafa em vez de ser logo cedido a uma equipa de primeira liga? 

Até podemos salvaguardar que não havia interessados. Mas isso só torna este negócio ainda pior, com o FC Porto a avaliar em 2,5M€ um lateral, com um contrato de 4 épocas, que nem às mais modestas equipas da primeira liga interessava. À 3ª época foi para o Penafiel... para jogar a maior parte do tempo a médio-ala esquerdo. Isto diz tudo da indiferença do FC Porto em relação a Quiño, que foi contratado para ser lateral-esquerdo, mas a determinada altura já ninguém se importava que andasse a médio-ala no Penafiel. Um empréstimo deveria obedecer a uma lógica de potenciar as caraterísticas do jogador, não apenas arranjar um clube que se ocupe do atleta durante um ano. Agora Quiñones rescindiu. Tudo foi mau, desde o negócio à gestão. Quem teve a ideia de o trazer e, subitamente, não mais aparentou se preocupar com a evolução do jogador?

20 jogos, 3 golos
Djalma - Foi uma boa contratação. Já tinha 3 épocas de Marítimo na primeira liga, qualidade acima da média e quando foi contratado havia espaço para um extremo das suas caraterísticas no plantel. Mas a partir do 2º ano deixou de contar. E a partir daí, já devia ter sido assumido que Djalma não voltaria a fazer parte dos planos do FC Porto. Ao invés disso, três empréstimos consecutivos para a Turquia, que não resultaram em nada.

Agora falta saber que (ou se) prejuízo deu Djalma, pois o «custo zero» do angolano levanta algumas questões. Recordando o texto «Djalma, à espera de quê?», de julho de 2014:

Djalma chegou ao FC Porto em 2011, proveniente do Marítimo, a «custo zero». O FC Porto ficou com 90% do passe de Djalma e cedeu 10% à Pacheco e Teixeira, com sede em Matosinhos, tal como a Promosport, do empresário António Teixeira, que todos os anos faz negócios com o FC Porto e que é carinhosamente tratado como o «agente das sobras», pois raramente oferece negócios realmente rentáveis ao clube. (...) 
Então, a SAD alienou 25% de Djalma ao recém-criado fundo Soccer Invest Fund. Está registado na CMVM e é uma ramificação da MNF Gestão de Activos. O valor nunca foi oficialmente declarado, embora alguma imprensa tivesse apontado para 500 mil euros. O FC Porto disse-o assim: 
«A alienação dos direitos desportivos e económicos sobre os jogadores Rúben Micael, Djalma (25% dos direitos económicos) e Iturbe (15% dos direitos económicos), que ocorreram igualmente neste período, não geraram resultados significativos.» 
A CMVM é a única entidade que tem acesso à lista de investidores ligados à Soccer Invest Fund. Sabe-se apenas que Lino de Castro, ex-administrador do Sporting, é um dos nomes com ligação ao fundo de investimento. Certo é que o FC Porto avançou para uma série de negócios com esse fundo: 20% de Mikel, por 200 mil euros, 5% de Fucile, por 110 mil, 10% de Edú, por 100 mil, e 11% (depois passaram a 15%, pois havia a opção de comprar mais 4%) de Iturbe, por cerca de um milhão de euros. 
Desconhece-se quantos jogadores continuam ligados ao SIF (não há conhecimento de negócios com os rivais da Segunda Circular), mas Fucile, Edú e Iturbe já não estão ligados ao FC Porto. Sobra Mikel, que se lesionou com gravidade, e Djalma.

Ora, o SIF, que se saiba, não voltou a fazer negócios (exceção feita a João Moutinho, quando ainda estava no Sporting, só negociou jogadores do FC Porto). E como os fundos por norma partilham os lucros, não o risco, resta saber em que medida os 35% (10% ao empresário e 25% ao SIF) que foram cedidos/alienados pelo FC Porto podem agora ter resultado num reembolso aquando da rescisão. A rever no R&C. De Djalma, só se torna incompreensível como é que nunca houve propostas concretas por um jogador que sempre teve um valor de mercado acima de 2M€, inclusive na avaliação do SIF. Ainda não foi desta, Teixeira.

175 jogos, 17 golos
e 11 títulos
Rolando - Terminou a ligação de Rolando ao FC Porto. Como? Não se sabe. Foi capitão do FC Porto, ganhou diversos títulos, sempre foi central com bom mercado, mas sai e não se lê uma palavra sequer do clube. Rescindiu ou foi transferido? A SAD não pareceu interessada em esclarecer. O R&C poderá fazê-lo, mas foi a cereja no topo do bolo que foi a péssima gestão deste caso. Segundo uma das versões, há uma compensação de 1,5M€. Se quiserem fazer gestão à Bruno de Carvalho, ao incluir no lucro do negócio o dinheiro que se poupa em salários, poderemos falar numa verba de cerca de 3,3M€. Houve em tempos propostas superiores (sim, 15 milhões de euros - e tanto aclamaram a alegada preferência por Praet e Tielemens que os dois jovens belgas nem sequer chegaram para ser rumor na silly season), mas tudo neste caso correu mal. Há quem afirme Rolando nunca mais, pois nenhum jogador está acima do clube. Toda a razão. Mas Rolando nunca teve problemas com o FC Porto, «o clube». Sublinhe-se, como «o clube». Discutiu-se a integração há um ano, voltou-se a fazê-lo este ano e agora, por fim, Rolando muda-se para Marselha, apenas porque concordou que fosse a Doyen Sports a tratar de tudo. Há quem diga que há parcialidade quando, aqui, se fala do caso Rolando. Mas é claro que há parcialidade, pois todas as opiniões são parciais. E esta é a que se queimou um capitão, um ativo, um futebolista. Distribuam as culpas por quem quiserem, mas quem perdeu foi o FC Porto.

Melhores felicidades profissionais e desportivas a Quiñones, Djalma e Rolando, campeões pelo FC Porto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Análise ao fecho do mercado: os empréstimos

Nos tempos que correm, ser emprestado pelo FC Porto não tem sido uma boa notícia, na medida em que são muitos raros os casos de jogadores que voltam à equipa principal depois de serem cedidos. Em jogadores acima de idade sub-23, é para esquecer. Mas nos jogadores que estão no 2º ou 3º ano de seniores, faz todo o sentido. 

Para os jogadores que mostram, de facto, potencial e capacidade em chegar à equipa principal, dois anos na equipa B é o máximo admissível. Depois precisam de estímulo competitivo superior, de futebol de primeira liga, com um bom treinador. Muitas vezes, é no momento do empréstimo que a SAD diz ao jogador se no futuro vai contar com ele: procurar um meio onde o jogador possa, de facto, crescer e evoluir, e não apenas um clube no qual possa jogar com regularidade durante um ano e que arque com uma parte do salário. O FC Porto não controla a vontade dos outros clubes, logo entende-se que por vezes não seja possível encontrar a melhor colocação possível. Neste fecho de mercado vimos exemplos de bons e maus empréstimos (felizmente a SAD encontrou colocação para todos, exceção feita a Ángel, o que deve ser realçado). Vamos a eles.

Contrato até 2018
Ricardo Nunes - Há um ano escrevia-se aqui:  «Disse-o no dia em que foi contratado: é um razoável guarda-redes, mas que tinha muito boa imprensa na Académica, pois há sempre simpatia para portugueses que jogam em clubes de menor dimensão e pegar nestes casos de jogadores portugueses dava sempre jeito para embirrar com o Paulo Bento. Contrato de 4 anos, sem qualquer pespectiva de futuro no FC Porto.» Infelizmente foi assim. O nosso grande portista Ricardo nunca teve oportunidades e deitou um ano da sua carreira fora. Dois desfiles de equipamentos, zero jogos. Aos 33 anos, sendo um guarda-redes que nunca vai render dinheiro e que chegou a «custo zero», a decisão lógica seria rescindir e permitir que Ricardo decidisse o seu futuro. Não foi isso que aconteceu. Foi emprestado ao Vitória de Setúbal e daqui a um será um caso excedentário para resolver.

Contrato até 2017
Mikel Agu - Tem contrato mais dois anos e passou uma época lesionado, época essa que deveria ser a primeira de futebol de primeira liga. Está há seis anos ligado ao clube, muitas vezes a treinar na equipa principal, mas a qualidade técnico-tática nunca acompanhou a atitude que diziam ter nos treinos. Com Lopetegui não teria oportunidades, nem com qualquer outro treinador no FC Porto, pois é facto que ainda não está, de todo, preparado para este nível (não seria uma exibição frente ao Benfica B a dizer o contrário). Infelizmente será uma surpresa se for utilizado com grande regularidade no Club Brugge, que tem um plantel com profundidade e bem composto (acabaram de dar 7-1 ao Standard), com muita concorrência a meio campo, apesar de os melhores jogos que fez pela equipa B (e não foram assim tantos) tenham sido a defesa central. Ano decisivo para ele, pois não se justifica nenhuma renovação no fim da época se não fizer uma boa temporada, até porque já teve o que nunca nenhum jovem do FC Porto conseguiu: renovar duas vezes na mesma época sem antes ter chegado à equipa A. Ah, e esqueçam a história de que Rúben Neves só foi chamado porque Mikel se lesionou: Lopetegui chamou os dois para o primeiro treino da pré-época, antes de Mikel se ter lesionado.

Contrato até 2019
Adrián López - Entre as possibilidades antecipadas aqui, saiu o empréstimo, ao Villarreal. Boa equipa, bom campeonato, bom treinador. Mas a maior preocupação com Adrián já não é desportiva, mas sim financeira. Pouco custou no primeiro ano de contrato, mas em 2015-16 está previsto que o FC Porto abata grande parte dos 11M€. Sendo impensável liquidar esse valor, ou se reestrutura a forma de pagamento com o Atlético/Jorge Mendes (esperando que Adrián se reabilite e seja transferido em 2016), ou replica-se um BE Plan/Roberto/Saragoça. Se Adrián não for capaz de se reerguer no seu país, não o fará em lado nenhum.

Contrato até 2017
Quintero - Bom empréstimo. Foi cedido a uma equipa que o queria para ser titular, que vai lutar pelos lugares cimeiros da liga francesa, e que fica bem debaixo de olho de alguns endinheirados do futebol internacional. A cláusula de 20M€ é bem colocada: na pior das hipóteses, dobra-se o investimento num jogador que, ao fim de 2 anos, ainda era uma incógnita que pouco evoluiu no FC Porto. Além disso, e como é importante ter em conta o treinador na hora de emprestar um jogador, Quintero é cedido a Montanier - o treinador estrangeiro que Pinto da Costa considerou para suceder a Vítor Pereira, antes de optar por Paulo Fonseca, e que já trabalhou diversos jogadores para as seleções de Espanha e França. Bom empréstimo e boa oportunidade para Quintero.

Contrato até 2019
Hernâni - Sem surpresa, o empréstimo de Hernâni ao Olympiacos diz que o FC Porto desportivamente já não conta com ele. A contratação de Hernâni, por si só, foi precipitar-se por fogo de vista. Pouquíssimas provas dadas na primeira liga e apenas numa equipa que se limitava a aproveitar aquilo em que Hernâni é bom: jogar em contra-ataque e em profundidade. Então que faz o FC Porto? Cede-o a Marco Silva. O mesmo Marco Silva que em 2012-13 fez de Licá um dos melhores jogadores do campeonato, precisamente porque era um jogador talhado para o seu modelo de transições rápidas. Marco Silva ainda não é treinador para equipa grande. Não sabe jogar num modelo dominador, de posse, e demonstrou-o no Sporting, onde passou um ano inteiro a resumir o seu futebol a isto: «A bola está nos flancos? Cruza! A bola ainda não está nos flancos? Então mete-a nos flancos e depois cruza!» Pode ter o melhor perfil e capacidade de liderança no balneário, mas do ponto de vista técnico-tático Marco Silva ainda não é um treinador de equipa grande. Há quem ache que sim, mas devem ser os mesmos que queriam Rui Vitória no FC Porto. Ora, e agora perguntam, então se Hernâni encaixa bem no modelo de Marco Silva o empréstimo não é bom? Depende da perspetiva. Não é bom desportivamente, pois assim Hernâni não vai evoluir no sentido de encaixar no FC Porto, de ser formatado para jogar numa equipa grande. Por outro lado, é bom porque estará num futebol adaptado às suas características, no qual poderá valorizar-se para que o FC Porto recupere o investimento em 2016. Regressar ao FC Porto será uma grande surpresa.

Contrato até 2019
Ricardo Pereira - Podemos especular que se a SAD tivesse encontrado colocação para Ángel Ricardo ficaria no FC Porto. Mas ficaria para quê? Por mais provável que Maxi Pereira antes da 10ª jornada já seja suspenso por acumulação de cartões, Ricardo Pereira ia passar a terceira época consecutiva no FC Porto a ser um tapa buracos, na sombra do habitual titular. Ricardo merece mais que isso. É a sua 4ª época de senior e é tempo de ganhar alguma definição na sua carreira: vai ser lateral ou extremo? No Nice há perspetivas de jogar com regularidade... novamente com outro treinador bem apreciado por Pinto da Costa (Claude Puel, que rejeitou um convite para suceder a Del Neri e, depois, foi sondado para suceder a Jesualdo), experiente e que já trabalhou com imensa matéria prima como Ricardo. Em 2016 o seu regresso pode ser ponderado (apesar do empréstimo ser de dois anos), e a única critica aqui é ao amadorismo que foi a SAD não ter notificado o Nice face à proposta por Carlos Eduardo (que ainda veremos, no R&C, quão boa - ou não - terá sido e o porquê de tanta pressa em vendê-lo para as Arábias). A história de Ricardo Pereira no FC Porto, esperemos, ainda está longe de conhecer o seus melhores tempos. Há esperança no miúdo, que tem tudo para fazer uma grande época em França. 

Pergunta(s): Que perspetivas para os jogadores emprestados no fecho de mercado? Quem tem maiores e menores hipóteses de regressar ao FC Porto?

sábado, 18 de julho de 2015

Negócios do berço e nova rodada de excedentários

Em janeiro, Hernâni no FC Porto e Sami, Ivo e Otávio em Guimarães. Em julho, André André no FC Porto e Tozé, Otávio e Licá em Guimarães. As relações do Berço à Invicta são boas e recomendam-se desde a entrada de Júlio Mendes. Altura de fazer a questão: quem ganhou mais com estes últimos negócios? Na sua proximidade com o Sp. Braga, muito superficialmente referenciada aqui, o FC Porto nunca ganhou nada. Como será em Guimarães?

Ainda sobre a questão dos empréstimos de janeiro, de Sami, Otávio e Ivo. Sabia-se perfeitamente que iam ser um fiasco. Otávio e Ivo, jogadores sem experiência de primeira liga, dificilmente iam ter grandes oportunidades de entrar na equipa titular num espaço de pouco mais de 4 meses. Otávio ainda teve algum espaço no 11 e vai voltar a ter uma oportunidade. Já Ivo Rodrigues desperdiçou meia época e agora regressou à estaca zero: equipa B. Não é um drama, pois vai para o 2º ano de sénior, mas é preciso tentar encontrar o quanto antes uma oportunidade de primeira liga.

Demasiado caro
para esperar
Otávio foi uma aposta da SAD, como foi Sami, mas com grande diferença. Otávio foi caro (2,5M€ por 33% do passe - entretanto reduzido a 32,5%), muito caro para ficar na equipa B. Logo é importante dar-lhe já futebol de primeira liga. Neste caso, sabemos que Otávio tem potencial, tem talento, houve sentido desportivo em apostar nele (embora a avaliação tenha sido claramente inflacionada). Temos que saber que tipo de futebol Armando Evangelista vai praticar em Guimarães (é tão bom ou melhor a trabalhar com jovens do que Rui Vitória, o que é um upgrade), pois a jogar para o pontinho é difícil que os jogadores evoluam no sentido de darem o salto para o FC Porto. Otávio tem que mostrar serviço em 2015-16.

Sami ainda não teve colocação. Uma sugestão: quem teve a ideia de o trazer para o FC Porto agora que arranje uma saída. Não se admite um novo empréstimo, pois é um jogador que nunca vai jogar no FC Porto e que só andará a arrastar-se, numa espécie de Djalma 2.0. Não está - nunca esteve - em causa o caráter, o profissionalismo e até a qualidade do jogador (tem-la - não o suficiente para o FC Porto, mas tem-la), mas sim o saber-se, desde o primeiro dia da sua contratação, que nada o justificava desportivamente.

Oportunidade
 completa
Entretanto chegou Hernâni, que vai fazer a primeira época completa, com pré-época incluída. Chegou a ser dado como dispensável e «emprestável» ao Guimarães. O FC Porto demorou três dias a desmenti-lo, o que indica que de facto o seu futuro esteve em dúvida, mas acaba por ficar no plantel. E tinha que ser assim, logicamente. Pagar 2,9M€ por 75% de um jogador para depois dipensá-lo 5 meses depois seria absurdo e a prova de que a contratação de Hernâni foi demasiado reativa a fogo de vista.

Sobre o jogador, o de sempre: pela velocidade e capacidade de jogar em transição rápida, destaca-se. De resto, está ainda muito longe de poder singrar no FC Porto, pois nunca praticou um futebol de posse, circulação, contra equipas que jogam em bloco baixo. Era difícil entrar logo na equipa em janeiro, mas agora terá uma oportunidade completa. Ficarei agradavelmente surpreendido se de facto se afirmar esta época.

Falta encontrar
espaço
Depois chegou André André. Esta reportagem do MaisFutebol sobre ele é deliciosa, pois mostra bem o caráter do jogador. Quando um jogo lhe correr mal, no dia seguinte não vai passear no shopping, nem tirar selfies, nem vai dormir de noite. Vai ficar tão mal disposto quanto os adeptos. É excelente ter no plantel jogadores com este caráter. André André só terá um grande problema/desafio pela frente: não é melhor do que nenhum dos médios que já estavam no plantel. E dispensar Evandro por isto seria absurdo. Há uma grande diferença em relação a Sérgio Oliveira: o Sérgio só dura bem 60/65 minutos por jogo. A partir daí, revela o desgaste e começa a tomar más decisões, quer no passe, quer no posicionamento e denota-se a falta de intensidade. Já André André tem pulmão de sobra e é muito resistente, disponível para todos os momentos do jogo. É um fator a seu favor e oxalá isso lhe garanta, pelo menos, lugar no plantel, pois mesmo não sendo titular habitual terá utilidade, sobretudo se vamos fazer cerca de 50 jogos na próxima época. Que aproveite da melhor forma a pré-época, sem Herrera e sem ainda o meio-campo estar fechado.

André André tinha uma cláusula de 1,5M€. Não se sabe quanto o FC Porto pagou por ele, mas ao ceder novamente Otávio, emprestar Licá e transferir Tozé a título definitivo é de esperar que André André já esteja «pago». 

Crescer longe
de casa
Sobre Tozé. Mesmo durante as suas duas épocas no FC Porto B, houve sempre alguma discórdia sobre o seu potencial. Não revejo, ainda, em Tozé caraterísticas para integrar o plantel principal do FC Porto. Tem boa qualidade de passe, não inventa, mas tem que aprender a ser um pouco mais que um chuta-chuta (chuta bem, mas é preciso mais). Será bom para ele sair de casa para crescer. Foram 10 anos de ligação ao clube (começou nos infantis, com André Gomes, Gonçalo Paciência e Fábio Martins), 3 como sénior, e é tempo de Tozé apostar no seu caminho. O FC Porto faz bem em assegurar uma palavra sobre o seu futuro.  

E por fim Licá. Um disparate, este empréstimo. Dependendo do futebol apresentado pelo Guimarães, Licá será um bom reforço para eles, pois encaixa bem numa equipa de transição rápida, que joga contra blocos mais subidos. Não esquecer que chegou a ser considerado um dos melhores jogadores da primeira liga em 2012-13, pois Licá encaixa bem nesse modelo. O problema é que no fim da época só terá mais um ano de contrato com o FC Porto. Vai haver possibilidade de recuperar o investimento? O FC Porto, ou os representantes de Licá, não conseguem encontrar uma solução de transferência a título definitivo em tão vasto mercado? «Então e se o empréstimo de Licá for a moeda de troca por André André?» Oxalá o R&C assim o indique, mas ter Tozé e Otávio já era uma contrapartida mais do que generosa, sobretudo porque o Guimarães dificilmente pagará sequer um terço do salário de Otávio. 

Ainda a propósito de algumas saídas já confirmadas:

http://www.fussballzz.de/img/jogadores/17/163617_pri_diego_reyes.jpg
Boa colocação,
se jogar
Diego Reyes na Real Sociedad: oxalá o FC Porto tenha tido fortes razões para crer que será titular. Se sim, é uma boa solução para jogador. 

Andrés Fernández emprestado ao Granada: não faria sentido continuar cá para ser suplente. Boa aposta, tornando-se apenas pouco compreensível por que Lopetegui pediu Andrés para depois quase nunca o usar. 

Kléber vendido ao Bejing Guoan: resta aguardar o R&C para conhecer, de facto, o valor da venda, esperando-se que tenha coberto o investimento que o FC Porto fez nele há quatro anos. Era jogador com mercado para ser vendido por 5M€.

Josué foi novamente emprestado ao Bursaspor. No final da época terá apenas um ano de contrato com o FC Porto. Não foi uma contratação cara (500 mil euros), o que alivia um pouco a pressão da colocação, mas se o Carlos Gonçalves aguentou Pereirinha 3 anos na Lázio podia e devia apresentar melhores alternativas. 

Por fim, Campaña, que não era jogador do FC Porto. Não havia opção de compra e nunca chegou sequer a haver debate sobre a sua continuidade. Não foi muito aproveitado no plantel, e se havia intenção em apostar em jovens para o meio-campo é preferível Sérgio Oliveira e Rúben Neves (deixem-lo estar quietinho, cá, a crescer). E pelo alegado preço que custaria José Campaña chegou Danilo Pereira. Assim é que deve ser.

A resolver/esclarecer o mais rapidamente possível: Opare, Rolando, Djalma, Bolat, Quiñones, Sami, Kayembé, Quaresma e Quintero (bem como as passagens circunstanciais pela pré-época, como David Bruno ou Tiago Rodrigues, e o caso Adrián). Só a resolução destes casos permite ao FC Porto pagar três ou quatro salários que, à partida, parceriam inimagináveis. Repetir ou ultrapassar uma folha salarial de 70M€ seria fazer o pino na corda bamba. 

domingo, 12 de julho de 2015

Excedentários e uma palavrinha à D. Carmen

Na ausência da análise aos jogadores que estiveram emprestados em 2014-15, passemos a analisar a lista de dispensas do FC Porto e a situação de cada jogador que já pertenceu ao plantel principal, tem contrato com o clube e foi dispensado. Ainda haverá mais dispensas durante a pré-época, que a seu tempo serão também comentadas. Para já, um olhar sobre quem nem sequer começou a treinar.

Opare - Vender. Se nem havendo ainda lateral-direito no grupo de trabalho serve para iniciar os treinos de pré-época, há que transferir Opare a título definitivo. Foi uma solução interessante no mercado (polivalência a baixo custo), mas se não conta, não conta. Uma contratação de pouco risco e que podemos, então, riscar.

Josué - Não conta para Lopetegui e fez uma boa época na Turquia. No final da próxima época só terá um ano de contrato, portanto há que tratar da saída a título definitivo. Podia ser um membro importante no plantel, mas para isso também há que ter paciência para conviver com o banco, coisa para a qual Josué nunca esteve muito virado. Foi das poucas coisas positivas na época 2013-14, mas se ao fim de tantos anos de ligação ao FC Porto ainda não é desta, nunca será. 

Rolando - O desejo resume-se a isto: que se faça com Rolando o que se fez com Varela. Caso contrário, vender e assumir a péssima gestão que se vem fazendo desde há 3 anos para cá com este jogador. Prolongar empréstimos pode ser útil a muita gente, mas não ao FC Porto.

Ghilas - Era muito fácil criticar Paulo Fonseca por só lhe dar os minutos finais dos jogos. Mas também era preciso perceber como Ghilas trabalhava nos treinos. Neste caso, não o suficiente para se afirmar no FC Porto. Já foi emprestado ao Levante, o que lhe vai permitir continuar na liga espanhola. Golos, valorização e possibilidade de recuperar o investimento que se fez nele, é o que se deseja.

Kléber - A reabilitação no Estoril foi razoável, mas não o suficiente para contar para Lopetegui. Tem sido um nome muito rodado em mesas de negociações, de Braga ao Anderlecht, da Turquia à China, onde poderá acabar. É perfeitamente possível recuperar os 3,5M€ investidos em 70% do passe numa venda definitiva. É o mínimo que se pode exigir, lamentado-se que a força mental de Kléber não acompanhe o muito potencial técnico e físico.

Licá - Vender. Não tem as qualidades necessárias para ser útil ao FC Porto. Jogador que só encaixa numa lógica de contra-ataque e não tem perfil para jogar numa equipa de posse, dominadora. Tem contrato por mais dois anos, logo que se esqueça essa ideia de voltar a emprestar. Custou 1,6M€ por 60% do passe. É melhor assumir o prejuízo, o erro de casting e não voltar a adiar a questão com um empréstimo que não o levará a lado algum. Poderíamos exaltar o grande profissional e portista que é Licá (porque é que jogava mais que Iturbe ou Kelvin? Talvez porque trabalhava o dobro nos treinos), mas quando começamos a avaliar um jogador por estes dois pontos é sinal que não há muito a nível técnico que possa ser destacado.

Sami - Colocando as coisas desta forma, já que o tema está na ordem do dia: no dia em que fosse realizada uma auditoria às contas da SAD, a contratação de Sami seria uma das coisas que teriam que ser explicadas. Sabia-se desde o primeiro dia que não faria parte do plantel, e mesmo assim foi contratado com um contrato de 4 épocas. Não briquem: voltar a emprestá-lo seria um absurdo ato de péssima gestão, salvo numa operação em que servisse como moeda de troca.

Djalma - Um ano depois repete-se a questão: estão à espera de quê? Tem mais um ano de contrato. E tem que sair. E de preferência que Sami não seja o seu sucessor nesta dança de empréstimos sem fim nem lógica.

Bolat - Pode-se repetir (como noutros casos) a análise que se fez no mercado de inverno: No 1º trimestre de 2013-14, o FC Porto contratou 3 jogadores: Ghilas, Quintero e Bolat. Aparece o custo de Ghilas (3,8M), o de Quintero (5M) e aparecem depois 1,89M de encargos, que não são discriminados. Esse encargo é Bolat? Não é esclarecido. Se Kayembe veio de Liège sem contrato e depois acaba por custar 2,65M€, o custo zero de Bolat também pode levantar muitas questões. Tem contrato até 2018. Passou a primeira época praticamente a treinar, foi rodar para o Kayserispor e agora emprestaram-lo para ser suplente de Muslera no Galatasaray (quem no seu perfeito juízo achava que ia ser titular?). Tem contrato por mais 3 anos e tudo leva a crer que foi contratado para ser mercadoria. Não necessariamente rentável para o FC Porto. Pelo contrário, até ver, só prejuízo. Uma venda ou a inclusão na equipa A, nada mais se admite. 

Quiñones - Mais de 2M€ investidos num lateral para depois andar a jogar com o Mangala a lateral-esquerdo. Jogou com regularidade no Penafiel, muitas vezes a médio-ala, mas sem evoluir no sentido de ser solução esta época, embora ainda seja jovem (23 anos). Tem contrato até 2016 e ao fim de 3 épocas de um contrato de 4 anos ainda não convenceu ninguém no FC Porto. Não faz sentido renovar e prolongar uma incógnita quando temos problemas muito maiores a resolver na posição de lateral-esquerdo. Se é para investir numa renovação, a de Alex Sandro urge muito mais e a de Rafa dá muito mais garantias futuras. Vender e manter direitos sobre uma futura venda, seria o ideal.

Kayembe - Tem que dar craque, tem. E a confiança era tanta no extremo Kayembe que fizeram dele lateral, agora nem para iniciar a pré-época serviu e já tentaram despachá-lo para a Bélgica. Tem contrato por mais 4 épocas, logo ainda pode e deve ser emprestado a um clube de primeira liga onde possa jogar com regularidade.

Abdoulaye - Já saiu, emprestado ao Fenerbahçe, a um ano do fim de contrato com o FC Porto. O clube não confirmou que tenha renovado, mas é um exemplo gritante da diferença que um empresário e a respetiva proximidade (profissional, pessoal ou familiar) com os dirigentes de um clube pode fazer na carreira de um jogador. É o 5º empréstimo consecutivo. Tomara por exemplo a Ricardo Ferreira, que jogou com Abdoulaye na formação e sempre demonstrou ter o triplo do potencial (já para não falar que é portista ferrenho e há-de ser uma das revelações do Braga), ter tido um décimo das oportunidades. E quem diz Ricardo diz André Pinto ou Lima Pereira, por exemplo. Para não se falar apenas no passado, que se deseje que no futuro Verdasca ou Diogo Queirós tenham um terço da paciência que Abdoulaye teve. Não é pedir muito.

Quaresma - Sendo um jogador com história no clube, é normal que se procure tratar desta situação com alguma harmoniosidade. Mas não vale a pena enganar ninguém: Quaresma foi dispensado pelo FC Porto e informado que não precisava sequer de se apresentar no Olival. Ele disse que estava de férias até dia 10 de julho, o que não era novidade nenhuma. Estava de férias mas também estava dispensado de iniciar a pré-época. Se depois da versão mais altruísta que mostrou em 2014-15 não chegou para ficar no FC Porto, nada chegaria. Lopetegui quer explorar outras soluções e a própria SAD não fará força para que Quaresma continue. O jogador tinha condições para ser um elemento muito útil no plantel, resta saber se teria disposição para passar mais tempo no banco do que dentro de campo (podemos colocar a mesma reflexão a Helton, enquanto há tempo). Foi uma questão muito debatida ao longo da época: Quaresma ama o FC Porto ou o que ele foi/é no FC Porto? Já pouco importa. Agora resta tentar encontrar a proposta que agrade simultaneamente à SAD e ao jogador, o que será muito difícil de reunir.

Insulto ao FC Porto, ao Real Madrid e a todos os clubes portugueses

Para quem não sabe, a mãe de Iker Casillas é conhecia por dizer disparate atrás de disparate, tanto que o filho até a afastou dos seus negócios. É o exemplo de quem quer viver às custas do dinheiro do filhoMas a parte mais ofensiva da entrevista não é a sua falta de inteligência ao falar num FC Porto de segunda B: é dizer que Iker devia ir para o Barcelona. Isso é cuspir nos 25 anos de história de Casillas no Real Madrid e nos milhões de adeptos madridistas que o aclamavam. 

Assim se vê o caráter desta gente, que não disfarça a azia por o melhor guarda-redes espanhol ter escolhido jogar num clube português. Já agora, senhora Carmen: o Real Madrid já precisou de muitos portugueses para ganhar títulos; já o contrário nunca aconteceu. Pior, foi um insulto ao futebol português. Se a D. Carmen diz que o FC Porto é de II B, então imaginem quão baixa consideração ela deve ter por Benfica e Sporting, os outros 2 clubes que formam os ditos 3 grandes.

Casillas podia ter escolhido qualquer clube, escolheu o FC Porto. Agora é tempo de trabalhar e integrar-se da melhor forma no plantel, pois o palmarés não ganha jogos nem dá títulos. E não é pelo guarda-redes que o FC Porto costuma ganhar troféus, mas sim por um coletivo forte, unido e de qualidade, no qual esperemos que Iker tenha um papel importante. Baía não é o primeiro nome que lembramos do penta, de Sevilha, Gelsenkirchen ou Tóquio, mas esteve lá sempre. Que com Iker Casillas seja o mesmo. O nome nas costas da camisola pode dar muito em termos de expetativas, marketing ou mediatismo. Mas só o símbolo à frente conquistará títulos.