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sábado, 28 de maio de 2016

Análise 2015-16: os laterais

No dia em que analisamos os laterais, o FC Porto deu a conhecer que «chegou a acordo com o Watford» para a contratação de Layún. Chegar a acordo pressupõe que o Watford esteve envolvido nas negociações, o que indicia que a cláusula de compra não foi batida - o que não significa que Layún não tenha custado 6M€, mas quiçá com um faseamento de pagamento diferente do que estaria previsto na opção de compra. Aliás, desconhecem-se publicamente todos os pormenores (quanto custa, duração de contrato, etc.)

Compra. Reforço?
Layún é uma boa compra do FC Porto, resta saber se será uma contratação para a próxima época. A possibilidade de renegociar o jogador até ao final de junho não é descartável, tendo em conta que Layún fez uma grande época e despertou a atenção de outros clubes e mercados.

Face à necessidade de apresentar resultados com passes de jogadores de 72,59M€ até 30 de junho, ou a SAD já estudou uma forma de fazer as mais-valias necessárias até ao fim do mês (na medida em que apresentar um prejuízo superior a 8,6M€ poderia trazer consequências no fair-play financeiro), ou este investimento em Layún já é feito a contar com uma futura venda. Até porque esta compra de Layún é o oposto da política da SAD nos últimos anos. Aliás, o acordo original com o Watford previa que o FC Porto tinha que pagar 3M€ até 15 dias depois de informar que iria comprar o jogador; se vendesse o jogador nas próximas duas semanas, poderia até pagar Layún com o dinheiro da venda a um terceiro clube. 

Desportivamente, Layún foi uma mais-valia para o FC Porto. Basta dizer que se não tivesse sido contratado no fecho do mercado, os laterais para esta época teriam sido José Ángel e Cissokho (tendo em conta que Rafa não estava integrado na equipa A). Esteve em 26 dos golos marcados pelo FC Porto esta época. Além disso, sempre personificou em campo aquilo a que os adeptos gostam de chamar um jogador à Porto.

É melhor a atacar do que a defender, certamente. Mas num contexto de campeonato português, os nossos laterais passam mais tempo a atacar do que a defender. Não era por causa de Layún que a equipa estava constantemente exposta contra Aroucas, Tondelas e afins. Cometeu alguns erros, como outros cometeram, mas Layún foi sempre mais vezes parte da solução do que do problema.

Neste momento é uma boa compra, pois se a SAD quiser já o vende com lucro e necessita de gerar mais-valias no próximo mês. Mas desportivamente, seria recomendável manter Layún no plantel, por ter tudo aquilo que o FC Porto necessita: qualidade, profissionalismo e dedicação. Se se concretizar a possibilidade de fazer o que o Hellas Verona fez com Iturbe, é necessário identificar outra solução de qualidade. E aí Rafa diz olá.

Contrato até 2018
Do outro lado, Maxi Pereira. Fez uma época bem razoável, embora nas últimas semanas tenha acusado claramente o desgaste (estamos a falar de um jogador de quase 32 anos que nunca sofreu uma lesão grave, e que é sempre titularíssimo por onde passa), com a sua condição física a deixar a desejar (não raras vezes víamos jogadores ganharem-lhe metros em pouco espaço). 

É também ele um jogador caro (podem dizer que não veio para o FC Porto pelo dinheiro, mas também não foi por lhe oferecem menos do que ganhava no Benfica), já sem grandes perspetivas de uma boa venda (só mesmo no Oriente ou nas Arábias), mas que foi influente na equipa. Maxi Pereira fez 13 assistências - em lances de bola corrida, fez mais assistências do que Layún, e foi sempre uma peça importante pela profundidade que dava ao corredor. Defensivamente, cometeu algumas falhas. 

Tem mais dois anos de contrato, por isso a continuidade no plantel parece um passo natural. Há uma boa alternativa na equipa B, chamada Víctor García, que já devia ter sido integrado num plano de rotação com Maxi esta época. Ricardo Pereira tem mais um ano de contrato com o Nice, por isso não entra nestas contas. 

Sobra José Ángel, um dos «patinhos feios» de que os adeptos nunca prescindem. Comete demasiados lapsos defensivamente, o que é uma pena, tendo em conta que é excelente a cruzar. A sua contratação, em 2014, foi boa e teve toda a lógica desportiva: era um lateral com escola, titular em bons campeonatos e boas equipas, jovem e que chegou ao FC Porto sem encargos imediatos (a Roma repartiu o passe com a SAD, que depois cedeu 5% à ARB Sport Asesores, de Alfredo Nora).

José Ángel, jogador que entretanto desapareceu do catálogo de jogadores que a Doyen Sports exibe no seu site, esteve sempre na sombra ora de Alex Sandro, ora de Miguel Layún. Quando era chamado, ora fazia um jogo consistente, ora estava diretamente ligado a um mau resultado no jogo seguinte. Não temos garantias de que Layún vá ficar no plantel, mas perante a promoção de Rafa é natural que José Ángel procure outra solução para o seu futuro. Tem contrato por mais dois anos e dificilmente partirá para uma 3ª época sendo suplente do FC Porto. Não dá garantias para o presente e o futuro não passa por ele. 

Não vale a pena falar de Cissokho, pois não?

Contrato até 2018
À partida, o FC Porto perdia qualidade nos laterais para esta época. Há uma diferença entre ter dois laterais de seleção brasileira vendidos ao Real Madrid e à Juventus, por mais de 55M€, e entre contratar um lateral que após 8 anos de Benfica só teve convite de um rival (Maxi) e outro que na época passada estava na segunda liga inglesa (Layún). Mas não foi, de todo, por Layún e Maxi que o FC Porto fez uma má época.

A primeira função de um lateral, logicamente, é defender bem. Mas os números no ataque são o que mais surpreende: Layún (26) e Maxi Pereira (14) tiveram intervenção direta em 40 golos do FC Porto. Danilo e Alex Sandro, há um ano, tiveram intervenção em 18. Ou seja, com Maxi e Layún, os laterais do FC Porto participaram em mais do dobro dos golos; mas na época passada o FC Porto teve a melhor defesa da Europa, enquanto este ano qualquer equipa, por maior ou menor vocação ofensiva que tivesse, conseguia marcar ao FC Porto com facilidade. Maxi e Layún tiveram as suas culpas no cartório defensivo, mas foram mais vezes solução do que problema.

Pergunta(s): Maxi e Layún devem manter o lugar para 2016-17? Quem deverão ser as alternativas nos corredores?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Seriedade, parte 2

Depois da forma como a equipa foi eliminada precocemente na temporada passada, o FC Porto poupa no entusiasmo o que ganhou em seriedade na Taça de Portugal. Resolveu cedo e não sentiu necessidade de fazer muito mais.

Se é verdade que do outro lado estavam amadores, estavam amadores a fazer o jogo das suas vidas. Do lado do FC Porto, 11 sem rotinas e estímulo competitivo baixo, a jogar contra 11 jogadores atrás da linha da bola, sem espaço, num mau relvado. Jogos que têm tudo para correr mal se não houver seriedade. 

De notar que entre as equipas da primeira liga, além do FC Porto, a única que se apurou sem ganhar pela margem mínima foi o Nacional. De resto ou é nos penáltis, ou no prolongamento, ou por um golo. Uma competição que é decidida nos detalhes, seja num dérbi, seja num jogo de David contra Golias. Que seja esta a imagem de marca a manter: seriedade.





Bueno (+) - Lopetegui dizia dele que era um avançado disfarçado de médio. Contra o Angrense foi um extremo disfarçado de finalizador. Não tem velocidade para rasgar a partir da ala, mas foi interessante vê-lo nesta nova função: jogar atento ao espaço interior, dar o corredor a Ángel e aparecer mais vezes na grande área (algo que tem faltado muito ao FC Porto quando se usa e abusa de Aboubakar em zonas recuadas). Resultado: duas vezes na grande área, dois golos à ponta-de-lança. Se é difícil encaixá-lo no meio-campo, Lopetegui ganhou mais uma solução para encaixar Bueno na equipa.


Ángel (+) - Não tendo nada para fazer defensivamente (que, basicamente, é o que acontece com Layún e Maxi na maioria dos jogos do campeonato), tinha que dar nas vistas no ataque. E fê-lo. Sempre a dar profundidade, a decidir com maior precisão e rapidez e a cruzar para o 1x0. Foi contra o Angrense, pois foi, mas a confiança tinha que começar a ser ganha em algum lugar. E não ia ser na Champions, de certeza. Uma palavra para Imbula, confortável na posição 6 e mais rápido e prático a decidir, embora o Angrense não oferecesse pressão nenhuma.





É preciso mais (-) - Esperava - e espero - muito mais de Varela no FC Porto de Lopetegui. Excessivamente lento e preso de movimentos desde que começou a partida. Notou-se a falta de entendimento com o lateral, normal para um 11 com poucas rotinas, mas não foi objetivo, não fez bons cruzamentos e não ultrapassou nenhum defesa em velocidade. Muito, muito pouco. O mesmo para Osvaldo. Fez a assistência para o 2x0 e nota-se a vontade de trabalhar fora da grande área, mas não está a conseguir ser incisivo e muitas vezes decide mal. Nunca foi um goleador, o FC Porto saberia isso desde que o contratou, mas temos que esperar mais dele. Sobretudo nas próximas semanas, pois o mercado de janeiro está aí à porta.

Terça-feira é dia de alcançar o segundo maior objetivo da época: a qualificação para os oitavos-de-final da Champions. De preferência invicto, com mais uma vitória, e logo se verá se com o estatuto de cabeça de série para os 1/8. Lopetegui pode ser o primeiro treinador de um grande português a ir duas vezes aos 1/8 da Champions nas últimas 6 épocas. Se fosse fácil, não era para nós.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Oportunidades

Pablo Osvaldo é oficialmente reforço, mesmo com uma ambiguidade que soa a José Régio. «Não sabemos de onde vem, sabemos que vem para aqui.» No momento do R&C do 1º trimestre poderemos avaliar com maior rigor a transferência, esperemos, mas para já importa destacar que o contrato defende o investimento da SAD. Um ano de contrato, dois de opção. Boa decisão.

Se o FC Porto for campeão e Osvaldo fizer uma boa dose de golos, ninguém se importará com os meios, nem com quanto custaram os meios. Só não queiramos comprar a história cor de rosa de que o Uruguai é agora uma forma de fugir aos impostos numa contratação. Interessante, é tão vantajoso que só se lembraram de o fazer com Osvaldo? Porque não, só para citar outro jogador contratado a custo zero, com Maxi Pereira, que até é uruguaio? Na duração do contrato, o FC Porto defendeu-se bem. Esperemos que também o tenha feito nos valores e meios praticados para contratar Osvaldo.

Com golos tudo se resolve
Ao jogador, exigimos o mesmo que a outro qualquer: empenho e respeito. Osvaldo não será julgado pelo que fez no passado. Será julgado pelo que fizer ao serviço do FC Porto. «Enquanto formos bons rapazes somos sempre comidos». Este de bom rapaz não tem nada. Mas aquilo em que estamos mais interessados é em ter um bom profissional, um bom goleador e boa concorrência para Aboubakar.

Entretanto, Cissokho regressou a casa e fica com o seu 28. Uma contratação interessante, na medida em que se trata de um jogador de qualidade, que conhece os cantos à casa, e a verdade é que desde que deixou o FC Porto foi sempre titular com regularidade em grandes equipas ou grandes ligas, por maiores ou menores críticas que recebesse. E era um negócio de ocasião, daqueles que se aproveita no momento ou pode-se lamentar mais tarde.

Será uma boa alternativa a Alex Sandro, que não pode sair do FC Porto. Primeiro, por Pinto da Costa ter dado a renovação como garantida. Segundo, porque se já foram rejeitados 25 milhões limpos (isto para não referir os 30M€ comentados por Pinto da Costa na entrevista a O Jogo), ou estamos à espera que algum clube perca a cabeça por um jogador quase em fim de contrato ou não é mesmo para vender. Não é para vender, mas já o sabem: o FC Porto não está obrigado a vender jogadores até ao final de Agosto, mas se não o fizer terá que o fazer entre Janeiro e Junho de 2016, possivelmente até com negócios de antecipação como foram Otamendi e Danilo. Nada que a SAD já não saiba.

Assim, abre-se a porta para José Ángel rodar e ser titular noutras paragens. Desenganem-se, Ángel foi uma boa contratação, na medida em que obedecia a uma lógica: jogador com escola, experiente, titular em bons clubes e bons campeonatos. Além disso, chegou ao FC Porto sem encargos no imediato. Foi uma boa contratação. Foi uma boa alternativa a Alex Sandro na última época, mas se em 2015-16 não voltaria a ser titular e não havia confiança para lhe entregar a titularidade em caso de saída de Alex Sandro, procurar uma solução no mercado é uma decisão que se compreende.

A terminar, uma curiosidade: Cissokho em dois pares de meses no FC Porto ganhou tantos títulos como Dani Osvaldo em toda a carreira. Sim, Osvaldo, é assim que as coisas funcionam por cá.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Análise 2014-15: os laterais

Já tinham uma enorme importância com Vítor Pereira, mas com Lopetegui a influência cresceu. Os laterais do FC Porto são cada vezes mais asas de ataque, responsáveis por dar profundidade ao mesmo tempo em que também saibam procurar o espaço interior. Lopetegui até poderá variar a dinâmica de jogo em 2015-16, mas de certeza que a importância dos laterais não sofrerá alterações. Resta saber se teremos soluções à altura.

Alex Sandro só fez um golo mas teve 5 assistências, na Champions foi o 2º jogador do FC Porto com mais milhas nas pernas (o primeiro foi Herrera), foi o lateral com melhor média de cruzamentos e sofreu mais faltas do que as que cometeu. Danilo fez 7 golos, 5 assistências e contagiou tudo e todos pela forma como galgava pelo corredor, cortava para dentro e arrastava marcações. A SAD investiu e arriscou imenso nestes dois laterais, que felizmente corresponderam. Foram donos e senhores das laterais nos últimos anos, não deixando espaço para mais ninguém entrar. Mas um dia teremos que os substituir, e esse dia aproxima-se. Vamos às análises da época 2014-15.

Danilo - Que mais se pode dizer? Que faz um jogador que ouve da boca do sr. Scolari «não te chamo à seleção porque jogas no FC Porto»? Danilo podia ter pedido para sair rapidamente de Portugal. Mas não. Cerrou os dentes, honrou o símbolo e chegou a titular da seleção do Brasil como jogador do FC Porto, mesmo que só o tenha sido após Scolari sair. Foi top 5 esta temporada, fez-se um dos melhores laterais do mundo e ninguém mais que ele merecia ter saído com um título. Vai para o Real Madrid, clube que nenhum jogador em Portugal pode recusar, e deixa um vazio. Não só dentro de campo como nos corações dos portistas. O investimento, 13M€ + encargos, valeu cada cêntimo. Grande contratação, grande jogador, grande profissional, grande venda. 

Alex Sandro - Normalmente, quando um jogador em fim de contrato hesita em renovar, tende-se a condenar o jogador e realçar que a SAD fez o seu papel. «Já ofereceram a renovação e o jogador não quis. Querem que faça o quê, que lhe aponte uma arma à rótula!?» Pois, mas esta não pode caber. Sendo Alex Sandro um jogador em que a SAD investiu quase 10M€ e que é hoje reconhecidamente um dos laterais esquerdos de maior potencial, a SAD não pode nunca perder o controlo da situação do jogador. É responsável por um alto investimento num activo caro, valioso e que continuará a ter alta cotação desportiva e/ou financeira. Não podemos ter mais Cebollas. Assuma-se: ou renova ou sai por um valor aceitável/possível. Alex Sandro tinha um contrato de 5 anos e houve muito tempo para tratar e antecipar esta situação. E ainda há. Conforme já foi descrito no segundo parágrafo, fez uma boa época e é uma mais-valia que vale a pela blindar. E continuar a rentabilizar, seja em campo ou na SAD.

Ricardo Pereira - Sempre que joga, cumpre. Mas é aposta maioritariamente em jogos teoricamente menos exigentes, como os jogos das Taças ou envolvido no esquema de rotação. Tem 21 anos, uma larga margem de progressão pela frente e renovou contrato recentemente. Ultrapassou Opare na hierarquia de opções de Lopetegui, ficando como a alternativa a Danilo, mas a opção de colocar Reyes em Munique pode dizer muito da confiança a curto prazo para fazer de Ricardo o titular no lado direito da defesa. Compreende-se que Lopetegui queira uma solução no mercado, mas não podemos cometer loucuras. Ironicamente, quando contratámos Danilo, não precisávamos dele (havia Fucile e Sapunaru e o primeiro jogo de Danilo até foi a médio - não sabiam que fazer dele). Agora precisamos de um lateral e não encontraremos nenhum com a qualidade imedita de Danilo. Por outro lado, se Ricardo não for já titular, vai para a 3ª época no FC Porto como mera alternativa. Assim é difícil crescer. Cruza e ataca bem, mas defensivamente tem lacunas, sobretudo quando lhe metem a bola nas costas da defesa e tem que fechar em zona mais interior. Limitações próprias da idade... ou de um extremo?

José Ángel - Uma boa aposta do FC Porto no mercado, contratação de pouco risco e muita pertinência. Lateral de propensão ofensiva, que sabe cruzar bem, mas ainda não conhece o momento certo para soltar a bola e muitas vezes enrola-se demasiado, a ponto de depois perder o lance. Havendo Alex Sandro, é difícil jogar. Sem Alex Sandro, é uma solução mais do que interessante para começar a nova época. É preciso ter em conta que esteve várias semanas consecutivas sem jogar e poucas vezes fez 2 ou 3 jogos seguidos. Assim, é difícil ganhar consistência. Conseguindo uma sequência de jogos, pode tornar-se dono da posição. É para ficar.

Opare - O Tribunal do Dragão vai analisar, à parte, os jogadores emprestados, mas como Opare iniciou a época entra aqui. Uma questão: valeu a pena entrar numa guerra de empresários, com ameaças de queixas contra o FC Porto à FIFA, por Opare? Podia ter valido, mas nem houve hipótese de Opare mostrar o seu valor. Assim, qualquer análise torna-se injusta para o jogador. À partida seria alternativa para Danilo e Alex Sandro, mas depois houve a hipótese de ir buscar Ángel e Lopetegui gostou mais de Ricardo. Foi emprestado ao Besiktas, alternou entre o banco e a titularidade, fala-se da existência de mercado na Turquia. Tendo o FC Porto de gerar mais valias e emagrecer a folha salarial, e havendo jovens de valor para a posição a evoluir nas camadas jovens, ou integra-se Opare no plantel ou que se siga uma transferência. 

Os bês - David Bruno, agora com 23 anos, há muito que devia ter sido cedido a outro clube. É o jogador com mais anos de clube nos nossos quadros, já fez pré-épocas com a equipa A e precisa da possibilidade de futebol de primeira liga. Tem mais um ano de contrato, foi habitual titular na equipa B, ora à esquerda ora à direita, e é altura de sair do FC Porto, para jogar a um nível superior, pois aqui a oportunidade não parece que vá surgir. Victor García: esperava-se a época de afirmação, mas não evoluiu tanto quanto se desejaria. Ainda é jovem, tem 20 anos, é um jogador que faria todo o sentido o FC Porto manter. Se houver hipóteses de comprar e colocá-lo na primeira liga, óptimo. Se até o Pedro Queirós lá consegue jogar, o Victor também consegue. E seria bom começar a abrir já espaço para Fernando Fonseca.

Rafa: andou-se a perder tempo com um projecto de lateral Kayembé que era tão bom que chegou ao Arouca para jogar a extremo. Rafa vai estar no Mundial sub-20 e poucos duvidam que será um dos destaques. É sempre redundante esperar evolução dos bês quando não há um treinador com um mínimo perfil que o recomende para isso (opinião por cá, mas podem sempre pedi-la aos jogadores), mas Rafa, que tem um pé esquerdo com régua e esquadro, necessita de melhorar vários aspetos defensivos do seu jogo. Próprio da idade. 

Pergunta(s): quem deve ser o sucessor de Danilo? José Ángel está pronto para assumir a vaga de Alex Sandro?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Hoje o orgulho, amanhã a revolta

Imbuídos de um espírito Ulrichiano: ai aguenta, aguenta! Aguentou tanto que no final rebentou. Treinador, jogador e dirigentes do FC Porto só tinham uma palavra no final: orgulho. Orgulho é o que devemos sentir hoje. Revolta é o que devemos sentir até ao fim da época.

Fotos: Catarina Morais
Digo há anos que devíamos deixar a Taça da Liga para a equipa B (antes disso, para os sub-19, como chegou a fazer Jesualdo Ferreira) e as segundas linhas. Reafirmeio-o no início da época, outra vez após ganhar ao Rio Ave, novamente depois de ganhar ao União. E hoje pela primeira vez digo o contrário: eu quero aquele pedaço de chapa que mais parece uma peça de ludo no museu. Eu quero a Taça da Liga. Esta Taça da Liga.

Quero a Taça da Liga no museu, para que possamos olhar para ela e recordar este dia em Braga. Como nos recordamos do Derlei, completamente rebentado, a fazer sprints nos prolongamentos contra o Celtic e o Panathinaikos; como recordamos o Pedro Emanuel, com uma cãibra, a entrar pela baliza do Baía dentro para evitar mais um golo do Inter; o João Pinto, acompanhado pelo Baía, o Secretário e (quem diria) o Rui Jorge, a levarem com garrafas no Jamor; o Lisandro Lopéz a correr 70 metros para ir roubar uma bola ao Rodríguez quando o Benfica, de Chalana, ficou contente por perder apenas por 2-0; o Fernando com tentáculos que mais pareciam oriundos de um filme de porno japonês contra o Zenit; o Pedro Mendes a gritar, aos 91 minutos em Gelsenkirchen, para o Jorge Costa: «Oh bicho, eu nem acredito!».

Tantos momentos que simbolizam a mística portista. Hoje temos mais uns quantos. O Helton a fazer a vénia aos adeptos enquanto bate com a mão no peito; o Rúben Neves completamente rebentado ao fim de 90 minutos, após lesão; o Campaña com olhos esbugalhados de serial killer; o Ángel numa corrida que já não se via desde o sprint do Cissokho em Braga; o Marcano a levar à frente um, dois, três e a recuperar com mais um sprint à maluca. Raça de dragão como há muito não víamos, como pensávamos que não veríamos num plantel com tanta gente nova.

Falta de mística o tanas. Vimos empenho, garra, esforço mútuo, inconformismo e vontade insaciável de vencer. Se isto não é ser Porto, o que será? Um jogo à Porto, que pode muito bem marcar um ponto de viragem. Mas temos que ser nós a inverter a situação, e não esperar que ela mude por si mesma. Porque todas as ameaças aqui ontem enumeradas mantêm-se. O orgulho não chega. Não se não tiver a revolta como amiga íntima.

Quero esta Taça para que olhemos para ela e nos recordemos de Cosme Machado. Isso mesmo. Para que nos recordemos que nem assim nos conseguiram tirá-la. Quero esta, este ano. E quero o campeonato pelas mesmas razões.





Helton (+) - Mea culpa, Helton. Fui um dos primeiros a lamentar que após a lesão dificilmente o veríamos ao mais alto nível outra vez. Como estava errado. Na mesma exibição consegue parecer guarda-redes de futebol, andebol e hóquei em patins. Um gigante, como tinha sido Fabiano em Nápoles, como Andrés ainda não pôde ser, como Ricardo nunca poderá ser. Se isto não lhe dá a titularidade, nada dará. Como merece jogar nos Barreiros.

Rúben Neves e Campaña (+) - Pensar que Rúben Neves podia estar por esta altura a cumprir o primeiro ano de júnior é assustador. Deixem de perseguir os Minalas desta vida, pois os 17 anos de Rúben Neves é que merecem todas as suspeitas. Um patrão no meio-campo, mesmo a coxear, certinho no passe mesmo faltando 2 jogadores em campo e com uma raça interminável. E que grande parceria fez com Campaña. Na primeira parte temi que não acabasse o jogo, mas não só acabou como fez 45 minutos de altíssimo nível. Uma bela resposta à contratação de Sérgio Oliveira.

José Ángel (+) - Alex Sandro tem um problema. A 18 meses do final de contrato, continua a ser um grande lateral esquerdo, de craveira internacional e com grande potencial. Mas não consegue uma regularidade que leve a oferecer um salário dos mais altos do plantel, como Danilo já (quase) pode reclamar, nem que faça um clube europeu perder a cabeça por ele. Não sabemos como a SAD decidirá, mas estou descansado: Ángel tem tudo para ser titular no FC Porto. Fartou-se de fazer cortes, anular jogadas de dois para um e ainda foi desequilibrar no ataque. Exibição que pede mais jogos. Nota para Ricardo, também em bom plano.

Adeptos (+) - Absolutamente irrepreensíveis, em especial na segunda parte, e a contagiar a equipa como nunca. As atitudes de Lopetegui e Pinto da Costa no final do jogo foram mais do que merecidas. O comportamento dos ultras hoje merece todo o reconhecimento pela forma como empurraram uma equipa que, ao fim da primeira parte, estava destinada a uma derrota. Mudaram o jogo.

Outros destaques (+) - Sou fã de Herrera e este é um dos jogos que mostram porquê. Entra com uma imensa disponibilidade, agressividade, verticalidade e sem nunca deixar que o Braga ganhasse espaço na rectaguarda. Ricardo fez um bom jogo defensivamente, o que se pedia, Marcano fica mal na foto nos descontos mas Helton safou-o e passa com nota positiva. E por fim, Gonçalo Paciência. Tal como Ivo, teve uma estreia ingrata. Mas enquanto esteve em campo lutou no corpo-a-corpo, baixou, ficou perto do golo, arrancou um penalty e ainda foi fechar o corredor esquerdo. Para um avançado em estreia que funciona numa equipa que assume a posse de bola e que hoje teve tudo menos isso, foi bom. Com Ádrian lesionado, dos convocados já ninguém te tira. E ainda bem.





Anjinhos (-) - Reyes faz estes disparates porque não joga mais ou não joga mais porque faz estes disparates? O empréstimo só lhe fará bem. O problema é a dicotomia de emprestar um central de 7 milhões para ir investir noutro que, supostamente, tem que ser melhor do que os que já cá estão. Precisa de jogar, com regularidade, e de preferência que seja emprestado a uma equipa que assume predominante o jogo e que joga com a linha defensiva subida; se for para emprestá-lo a uma equipa de linha defensiva recuada não vale a pena. E Evandro, Evandro... Com a equipa reduzida a 10, é preciso evitar expor-se a situações de risco. Foi o que aconteceu e podia ter custado um jogo. Lembro-me de 2 expulsões no Estoril que também foram um disparate. Que a lição tenha sido aprendida.

À 3.ª tem que entrar (-) - Achei que se tínhamos alguma hipótese de ganhar o jogo era com uma bola para a corrida do Tello. E assim foi, a oportunidade apareceu, mas faltou força para finalizar bem e a pressão do Tiago Gomes (o tal que já devia ter sido expulso antes) impediu-o de rematar como devia ser. Dito isto, recuso-me a acreditar que um jogador com esta capacidade de explosão não aprenda a ser mais incisivo, ter mais critério a definir no último terço e a saber jogar em espaço mais curto. Em Alvalade falhou, hoje também. Na próxima tem que entrar. Vai entrar.

Cosme (-) - Havia uma razão muito forte para eu chamar a esta secção os «Machados». Agora há duas.

PS: O Helton merece um espacinho no mesmo corredor que o Guttmann. Afinal, já conseguiu fazer aquilo que outros tentam fazer há mais de 50 anos sem o treinador húngaro: meter as mãos numa taça europeia. Por isso, vamos lá ser solidários com esta causa. A votação MVP, como já repararam, está aldrabada. Mas quem não concordar que é o MVP é que seria o maior aldrabão.

PS1: Lopetegui e Pinto da Costa, impecáveis na reacção a um momento de orgulho nos jogadores e nos adeptos. Após o jogo era um momento para sentir orgulho. A partir do treino de amanhã será um momento para sentir revolta. E ainda aguardemos para conhecer os castigos que Evandro e Antero Henrique vão ter.