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sábado, 2 de junho de 2018

Análise 2017-18: os guarda-redes

Iker Casillas - Muito simples. Se Iker não tivesse regressado à baliza, o FC Porto muito provavelmente não teria chegado ao título. Porque ter Iker entre os postes não era apenas ter o melhor guarda-redes do FC Porto em campo: era ter estofo, experiência, voz de comando e saber dar confiança à sua defesa. 

Contrato até 2019
Já todos sabem que os guarda-redes do FC Porto são muito menos expostos a remates dos adversários do que os demais da Liga - por isso não importa saber quantas defesas fazem, mas sim a sua percentagem de aproveitamento. E nesse caso, Iker foi o guardião com mais percentagem de remates travados na Liga - 78,3%, ligeiramente acima de Rui Patrício (77,8%). E Iker Casillas melhorou, pois na época passada tinha defendido 75% dos remates e na primeira apenas 70%.

Já com contrato renovado por mais uma época, e com uma redução salarial bastante significativa (embora o FC Porto não pudesse dizer nunca que o espanhol era um jogador caro, pois não foi essa a posição assumida pela SAD no dia da sua chegada), Iker Casillas dá garantias de mais uma temporada na baliza, a nível interno e europeu. E bem, sendo que agora já sabem que têm 12 meses para preparar a sua sucessão - algo para a qual o FC Porto não teria capacidade de resposta interna caso Iker, conforme chegou a estar previsto, deixasse o clube. 

Contrato até 2020
José Sá - Não estava, não está, minimamente preparado para assumir a titularidade na baliza do FC Porto. Sérgio Conceição teve a oportunidade de deixar claro que a sua opção refletia o rendimento nos treinos - e nós, adeptos, não sabemos o que se passa no Olival, logo há sempre essa ressalva. Mas José Sá nunca mostrou ser um fora de série, nem sequer ao longo do seu percurso de formação. Foi dispensado de um Benfica que tinha Bruno Varela como projeto para a baliza, nunca chegou a ser titular indiscutível no Marítimo e tinha apenas um jogo de I Liga pelo FC Porto (derrota contra o Moreirense em 2017) antes de se tornar aposta de Sérgio Conceição.

Não funcionou. José Sá tem 25 anos e, em toda a sua carreira, acumula apenas 31 jogos de I Liga. Pouca experiência, poucas provas dadas. Sempre se revelou um guarda-redes algo permeável (consentiu 41% dos remates que enfrentou no Campeonato), e na Liga dos Campeões foi o segundo pior guarda-redes em prova, com uma percentagem de defesas de apenas 50%. O vendaval de Liverpool acontece uma vez na vida, mas se Munique foi cidade madrasta para Fabiano, Liverpool não poderia ser diferente para José Sá e foi o pretexto para voltar atrás numa aposta falhada.

Como ponto positivo ficam duas boas defesas frente ao SC Braga, no Dragão, e pouco mais. Tem mais dois anos de contrato e não vai evoluir estando no banco, e estando em campo arrisca comprometer. A sua continuidade na próxima época não faz sentido, pois de Beto a Bracalli, foram vários os guarda-redes de qualidade superior e dispensados nas últimas épocas.

Contrato até 2021
Vaná - Na perspetiva de 2017-18, foi uma contratação desnecessária, e o desenrolar da época comprovou-o. O FC Porto não tinha muito dinheiro para gastar, mas o pouco que havia gastou num guarda-redes que passou a maior parte da época na bancada. Estamos a falar de um guarda-redes que nem sequer rodou nas Taças. Jogou apenas no jogo da consagração do título e revelou-se uma pessoa muito divertida ao longo dos festejos, mas ter apenas uma época de Feirense e de I Liga no currículo, aos 27 anos, não oferece grandes perspetivas de futuro. A sombra de Casillas e um papel secundário são o máximo que lhe pode esperar na próxima época - a diferença é que Vaná não chegou a ter a sua oportunidade, enquanto José Sá teve-a e desperdiçou-a. 

Contrato até 2019
Fabiano - O seu papel ao longo de 2017-18 já foi um pouco descrito nos «Bonés» da última jornada da I Liga. O melhor Fabiano é melhor do que o melhor Josá Sá e o melhor Vaná. Mas aos 30 anos, e depois de superar graves problemas físicos, Fabiano está a uma época do final de contrato e é raro ter um guarda-redes que, depois de perder a titularidade, fique no clube para um papel de suplente. É sabido que Sérgio Conceição aprecia as qualidades de Fabiano, algo que pode favorecer o brasileiro na decisão. Para todos os efeitos, estando em forma, é o segundo melhor guarda-redes do plantel principal. Chegará para fazer sombra a Casillas? Ou fará mais sentido que a sombra de Casillas em 2018-19 seja alguém capaz de pegar no seu lugar em 2019-20? Integrar Diogo Costa definitivamente nos trabalhos da equipa A, jogando com regularidade na B e ganhando o seu espaço nas Taças nacionais, é algo a ter em conta, sobretudo porque já renovou até 2022.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A culpa de Conceição e do plantel

14-02-2018: o dia da maior derrota caseira da história do FC Porto. Os 5-0 sofridos diante do Liverpool superam, em volume de resultado e desilusão, os 6-2 que tinham sido sofridos nos longínquos anos de 1943 e 1945 contra os Unidos de Lisboa e os Belenenses. O que choca é isso: a expressão do resultado, que surpreendeu o próprio Liverpool. A derrota, essa, é mais do que natural. 


Sérgio Conceição e o plantel são culpados disso mesmo: o milagre que têm feito esta época é tão vasto que fez crer os adeptos que era possível competir frente a este Liverpool. Pura ilusão, mas que é inerente ao espírito de qualquer adepto do FC Porto. Os portistas são incapazes de olhar para uma eliminatória sem pensar em superá-la. Achavam que era possível superar este jogo como pensaram que o FC Porto de Luís Castro eliminaria o Sevilha, que FC Porto de Lopetegui resistiria em Munique, que o FC Porto de Peseiro ganhava ao Dortmund e que o FC Porto de Espírito Santo bateria a Juventus. Há jogo que não pensem em ganhar? Há jogo em que não sintam que há uma certa obrigação de vencer?

A verdade é que não temos, neste momento, pedalada para o Liverpool, nem para ambicionar a mais do que a fase de grupos da Champions. Em vez de A podia jogar B, Sérgio Conceição poderia ter optado por outra estratégia, mas o Liverpool, com maior ou menor facilidade, passaria esta eliminatória. Isto não é acaso nenhum e não nos podemos esquecer que já foi com imensa felicidade que o FC Porto conseguiu passar a fase de grupos - para todos os efeitos, o objetivo traçado e que já foi cumprido. O resultado final tem o poder de maquilhar 90 minutos, mas não nos podemos esquecer do trajeto até aqui.

Quem acompanhou os jogos da fase de grupos, com olhos de ver (o que, muitas vezes, não é o mesmo que olhos de adepto), já saberia que iria ser muito difícil tirar alguma coisa deste jogo. Recordamos somente dois dados escritos n'O Tribunal do Dragão há dois meses.

«Os guarda-redes do FC Porto estão entre os que menos trabalho tiveram na fase de grupos. Casillas e José Sá, juntos, fizeram 14 defesas, a 3ª marca mais baixa entre as equipas qualificadas (menos só Juventus e Basileia). No entanto, há que ter em conta que o FC Porto sofreu 10 golos, ou seja, as equipas adversárias quase conseguem marcar um golo a cada dois remates ao alvo. »

Lá está. Os guarda-redes do FC Porto não tiveram muito trabalho na Champions, mas quando os adversários rematam, na maior parte das vezes, dá golo. Foi o que aconteceu. O Liverpool atirou 6 vezes ao alvo e marcou 5 golos. O guarda-redes do Liverpool fez mais defesas do que José Sá. Mas quando os adversários rematam de forma enquadrada com a baliza... Normalmente dá golo. Outro detalhe:

«O FC Porto foi a equipa qualificada que menos tempo teve a bola em seu poder (23 minutos de tempo útil) e a 2ª pior percentagem de acerto no passe (77%). Algo a rever para quem quer sonhar nos 1/8.»

Aí está. O FC Porto foi alérgico à bola na fase de grupos. Basta recordar que, antes da goleada aos suplentes do Mónaco, o FC Porto tinha feito 10 golos: 7 de bola parada, uma bola em profundidade, um golo de contra-ataque e uma jogada de insistência na grande área. Ou seja, não viram o FC Porto marcar um golo que fosse após circulação e ataque planeado. Nada. Ou era de bola parada ou com uma bola direta na frente. Fomos uma equipa com muitas dificuldades em relacionar-se com a bola na fase de grupos. 

O que se viu na receção ao Liverpool? Adversário com 68% de posse de bola aos 10 minutos e 74% aos 20 minutos. Pecado mortal, relacionando isto com a forma como o TdD terminava a crónica da vitória frente ao Chaves: «E certamente que, frente ao Liverpool, não poderemos dar-lhes a bola como demos ao Chaves.» Por outro lado, era assim que o FC Porto vinha jogando desde a fase de grupos; era pouco credível que fosse possível mudar completamente para uma eliminatória com o Liverpool. 

Mas foi a morte do artista. O FC Porto não corrigiu este aspecto relativamente à fase de grupos e cometeu o erro de dar a bola ao Liverpool. Com os executantes e eficácia que a equipa inglesa tem, tinha tudo para correr mal. Demos o ouro ao bandido e o adversário fez o que quis do FC Porto.

A história poderia ter sido diferente? Podia. Se Otávio tivesse feito o 1x0, se Soares tivesse aproveitado a oportunidade a fechar a primeira parte, se José Sá não tivesse falhado... Se, se, se. Quando começamos a enumerar demasiados «ses», estamos em território perdido. 

Sejamos francos. Superar a fase de grupos, tendo em conta o futebol que o FC Porto apresentou, já foi notável. Não é normal uma equipa com tantas dificuldades no jogo com bola vingar na Champions. Logo, não é acidente. O que acontece é que o Liverpool é um bocadinho melhor do que Besiktas ou Leipzig. E fizemos dois grandes resultados contra o Mónaco, mas a fase de grupos revelou que o Mónaco se calhar não era assim tão bom. Não deu para corrigir os erros - ou mudar algumas coisas - após a fase de grupos e, assim, a derrota é uma mera consequência. Sérgio Conceição tentou não mudar muito, mas infelizmente não funcionou. 

Embora a superioridade do Liverpool seja natural, há algumas coisas que têm que ser discutidas. E indo diretamente ao assunto: se querem ganhar o Campeonato, a dobradinha, metam Iker Casillas na baliza. Estas coisas pesam. José Sá é bom rapaz, fez duas boas defesas contra o SC Braga, mas a única coisa que faz melhor do que o espanhol é a reposição da bola em campo (sim, há que dar mérito a Sá - repõe melhor a bola do que Iker, embora o português jogue mais vezes curto do que o espanhol). A maioria das bolas que vão à baliza de José Sá dão golo. Certo, podia ter feito mais no lance do 1x0, mas nos outros pouco podia fazer. Mas psicologicamente, mesmo para a equipa, é desolador saber que se os defesas deixarem escapar alguma bola provavelmente vai dar golo. 

Aquilo que José Sá está, neste momento, a fazer na baliza do FC Porto fá-lo-iam Vaná ou Fabiano. Ou Beto ou Bracalli. Ou Andrés Fernández ou Ricardo Nunes. Temos Iker disponível e não faz sentido nenhum que não seja o titular. É melhor do que José Sá (das 24 bolas que foram à sua baliza na Champions, 12 deram golo). Ponto. Os melhores têm que jogar. Sejamos francos: os adeptos só aceitam, toleram, esta opção de Sérgio Conceição por o FC Porto estar a liderar o Campeonato. Imaginem que esta seria uma decisão tomada por Paulo Fonseca ou Lopetegui. Ninguém ponderaria sequer a hipótese de Sá treinar melhor do que Iker...

E agora um pouco de contexto. A Champions reúne as melhores equipas da Europa. São 32 equipas. Centenas de horas de futebol. Centenas de futebolistas que foram utilizados no decorrer da prova. E entre todos esses jogadores, há apenas um, apenas um, que perdeu a bola na maioria das vezes que tocou nela. Só mesmo para reforçar: entre toda a competição, e todo o universo de Champions, só um jogador perde a bola na maioria das vezes em que interfere no jogo. Não vale a pena dizer quem é, pois. 

Marega tem sido um bom profissional no FC Porto, trabalha muito, tenta fazer o melhor que pode. Mas ver o FC Porto depender de um jogador com tamanhas e insuperáveis limitações no ataque é absolutamente penoso. Saímos do mercado de inverno, contratámos 3 jogadores de caraterísticas ofensivas (um deles um regresso após empréstimo) e parece que continua a não haver outro plano senão ter Marega no 11. Como podemos considerar que o mercado de inverno foi um sucesso neste sentido?

Sim, sim, Marega tem 16 golos no Campeonato. Não marcou na Champions, nem contra o top 4 da Liga (basicamente em nenhum jogo de grau de dificuldade elevado, mas isso é um problema de toda a equipa), mas para todos os efeitos é o melhor marcador do FC Porto na Liga. Mas considerando a quantidade de vezes em que a equipa lhe serve a bola na grande área e o facto de ser o mais rematador do plantel (ainda que 73,8% dos seus remates tenham sido desenquadrados), acaba por ser mais consequência de tempo de utilização/contexto de jogo do que da própria valia técnica individual do jogador. Não que não haja mérito na dimensão física e, não raras vezes, no bom posicionamento que Marega consegue assumir (veja-se o exemplo do clássico do Benfica - Marega desperdiça as 3 ocasiões, mas foi sempre ele a aparecer em posições favoráveis para finalizar). Mas não chega.

Os adeptos habituaram-se a observar/reconhecer que Marega luta muito pelo corredor direito, mas objetivamente: quantas vezes viram Marega ir à linha e sacar de um cruzamento eficaz?; quantas vezes viram Marega fazer uma diagonal, enquadrar-se com a baliza e rematar? A verdade é que a esmagadora maioria das disputas de Marega acabam por ter zero efeitos práticos. Muita luta, poucas consequências. Solução? Reconhecer que Marega pode ser importante em vários momentos no Campeonato português, mas não pode ser aquele jogador que vai estar sistematicamente 90 minutos em campo à espera que saquem de um coelho da cartola.

Não pode, por exemplo, ser comparável a Brahimi, que do nada pode inventar uma jogada que ajuda a resolver um jogo. Marega não faz isso, não pode resolver nada por si próprio, logo a equipa não pode estar dependente dele. As coisas estão a correr mal? Tirem Marega do jogo, pois possivelmente será o último a resolver algo sozinho. E porquê jogar sempre quase por decreto no 11? Porque não guardar Marega para uma segunda parte e enquadrá-lo no caudal ofensivo da equipa? 

Tem que haver mais soluções. Vêm aí jogos essenciais e, embora Marega vá certamente contribuir com alguns golos no que resta do Campeonato, não poderemos dar-nos ao luxo de ter um jogador que, nos clássicos, vai matar quase todas as jogadas de ataque com más receções e domínios de bola. 

Quanto à Champions, e por mais que este resultado tenha doído, a verdade é que esta é a única competição na qual o FC Porto já cumpriu os objetivos para esta época. SAD e equipa definiram os oitavos com meta e os resultados foram atingidos. Mais do que isso, neste momento, não dá. Não se esqueçam de como começou a época: o FC Porto foi o único clube castigado pela UEFA por não cumprir o fair-play financeiro para 2017-18. Esta conquista já ninguém tira à SAD. E Sérgio Conceição, antes de dar o primeiro treino, ficou logo sem 3 jogadores na lista de inscritos para a Champions, consequência da péssima gestão financeira e desportiva da SAD do FC Porto. Exigir o quer que fosse desta época, a nível europeu, era uma utopia.

Querem voltar a elevar a fasquia? Apresentem a fatura a quem aproximou o FC Porto da ruína financeira e não a quem tem feito milagres. Sim, Sérgio Conceição e este plantel têm feito milagres. Cumpriram os objetivos na Champions, estão a um passo da final da Taça de Portugal e dependem de si próprios para continuar na liderança da Liga, num dos campeonatos mais difíceis e competitivos dos últimos anos. 

Treinador e jogadores são culpados por isso: por terem reabilitado competitivamente o FC Porto num contexto de extrema incompetência/indiferença na SAD, que não cumpre o fair-play financeiro, não renova contratos (Aboubakar sendo uma das poucas excepções), não vende jogadores por verbas significativas sem a intervenção de Jorge Mendes no verão e não dá a cara na hora da pior derrota caseira da história do FC Porto. Se os adeptos acreditam que podem ser campeões, que podem fazer a dobradinha e que podiam ser competitivos diante do Liverpool é única e exclusivamente graças a Sérgio Conceição e ao grupo por ele liderado. Por isso, assim se justifica e se subscreve o aplauso dos adeptos que ficaram no Dragão após a maior derrota da história do clube a jogar em causa. Não pelos 90 minutos que ficaram para trás, mas pelo que aí vem. 

Venha o Rio Ave e os 90 minutos mais importantes da semana. 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Os Pentas: Novembro de 2017

Novembro não foi um mês fácil para o FC Porto. Houve uma quebra de rendimento a nível exibicional, algo que se acentuou nos últimos três jogos, mas a equipa chega ao início de dezembro na liderança da I Liga, em prova na Taça de Portugal e a depender de si própria para seguir para os 1/8 da Liga dos Campeões. 

A pausa para as seleções limitou o calendário a cinco jogos, que despertaram diferentes sensações: uma boa vitória frente ao Leipzig (3x1); uma performance q.b. frente ao Belenenses (2x0); um pé e meio fora da Taça de Portugal, mas a tempo de dar a volta ao Portimonense (3x2); um empate sofrido na visita ao Besiktas (1x1); e a primeira má jornada da época na I Liga, na visita ao Desportivo das Aves (1x1). Não era o ciclo de jogos mais difícil da temporada, sobretudo se tivermos em conta que dezembro começa com receções a Benfica e Mónaco, mas os resultados acabaram por ser melhores do que as exibições. E delas destacaram-se os seguintes nomes. 

5. José Sá

Uma estreia no top 5, curiosamente graças a dois jogos em que o FC Porto não conseguiu vencer. Na visita ao Besiktas, foi decisivo com três intervenções de elevado grau de dificuldade, que ajudaram a manter a igualdade no marcador. Já no último jogo, na visita ao Desp. Aves, acabou por ser novamente o jogador mais votado pelos leitores d'O Tribunal do Dragão para o prémio MVP, num jogo em que fez apenas duas - mas difíceis - defesas. Sérgio Conceição fez dele o novo dono da baliza do FC Porto, uma escolha que continua longe de ser consensual mas que não justifica nenhum dos últimos maus resultados que o FC Porto tenha tido. Iker Casillas tem sido um jogador decisivo nos clássicos contra o Benfica; estará José Sá à altura dessa responsabilidade já amanhã?

4. Yacine Brahimi

O melhor jogador dos meses de setembro e outubro esteve uns furos abaixo nos últimos jogos, mas isso não é suficiente para deixar de notar a sua influência na equipa. Contra Leizpig e Besiktas reforçou o estatuto de 2º melhor driblador da Champions (só atrás de Neymar - e tem mais lances de 1x1 ganhos do que todo o plantel do FC Porto junto), um oásis numa equipa que tem dependido das bolas paradas para chegar aos golos. A nível interno, foi na Taça de Portugal que resolveu, frente ao Portimonense, entre exibições mais discretas diante de Belenenses e Aves, mas sem nunca deixar de ser o jogador que mais desequilíbrios cria do ponto de vista individual. Mesmo sem estar ao seu melhor nível, Brahimi continua num nível à parte.

3. Danilo Pereira

Voltou a roçar o seu melhor nível exibicional no último mês, começando desde logo na receção ao Leipzig - fez um golo e esteve na jogada de outro, numa exibição em que esteve quase irrepreensível defensivamente. Falhou a receção ao Belenenses, mas voltou a marcar logo de seguida na Taça de Portugal, ante o Portimonense, tendo sido o melhor médio em campo. Na visita ao Besiktas sentiu, à imagem da equipa, dificuldades para lidar com o meio-campo turco, tendo estado longe do seu melhor nível, mas na visita ao Aves foi dos poucos a ter clarividência e rumo na procura, em vão, pela vitória. Está melhor fisicamente e, apesar de o 4x4x2 não ser o esquema que melhor revela Danilo, o médio-defensivo continua a ser uma garantia de segurança e organização na retaguarda.

2. Alex Telles

Foi do seu pé esquerdo que começaram por nascer as três vitórias do FC Porto no último mês. Contra o Leipzig, assistiu Danilo para o 2x1 e esteve na génese do golo de Herrera; na ronda seguinte, ante o Belenenses, esteve novamente na origem de um golo do mexicano, fazendo uso da apetência para as bolas paradas; contra o Portimonense, voltou a assistir na marcação de um pontapé de canto, mas foi no delicioso passe para Aboubakar, já para lá do minuto 90, que mais brilhou. As exibições contra Besiktas e Aves foram mais discretas, mas Alex Telles somou mais três assistências no último mês e esteve em mais duas jogadas de golo, continuando a destacar-se mais pelo que oferece do que pelo que tem para fazer na defesa. Continua a ser presença regular e justificada no top 5.

1. Héctor Herrera

Eleito o MVP pelos leitores d'O Tribunal do Dragão em dois dos quatro prémios atribuídos neste mês, agarrou-se desde logo ao primeiro lugar nas receções a Leipzig e Belenenses. Depois de um golo e uma exibição completa na Champions, brilhou com um golo e uma assistência na 11ª jornada. Descansou na Taça e não esteve ao mesmo nível frente a Besiktas e Aves, mas quem leva dois de quatro prémios MVP (Alex Telles e José Sá foram eleitos nos dois restantes), tendo sido o melhor em campo em duas de três vitórias, justifica a eleição para «Penta» do mês de novembro, tendo ele curiosamente sido alvo de uma análise mais detalhada que explica o papel desempenhado por Herrera nos últimos jogos. E seria de uma crueldade poética amanhã, em dia de clássico, Herrera, jogador tão polémico nas apreciações entre adeptos, não começar o mês de dezembro a justificar os elogios de novembro.


Cinco dos próximos seis jogos vão ser disputados no Estádio do Dragão. Há a liderança da I Liga, a passagem aos 1/8 da Champions, Taça de Portugal e Taça da Liga (seja lá o que signifique/importe esta prova) para disputar, e basta um mau resultado para qualquer um destes objetivos ficar por terra. A pressão é máxima e a margem de erro mínima. Como a malta gosta. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Defeito e feitio com vista para os oitavos

Sérgio Conceição resumiu tudo, sem falsas modéstias ou arrogância: «Nem o mais otimista» esperaria que o FC Porto chegasse à última jornada da fase de grupos a depender de si próprio para seguir para os 1/8 da Champions, enquanto lidera a I Liga de forma imaculada e responde com soluções a cada problema provocado por não terem dado um único reforço ao treinador. Mérito inabalável de Sérgio Conceição e do grupo por si liderado, sobretudo quando temos em conta o quão difícil tem sido para o FC Porto jogar esta Champions. 


Se era impensável que o FC Porto chegasse a esta fase com notórias hipóteses de se qualificar, também é difícil imaginar que o FC Porto tenha tanta dificuldade em tratar a bola na Champions, sendo a 2ª equipa que mais passes falha, só atrás do APOEL, e praticamente só as bolas paradas permitem à equipa estar no 2º lugar (7 dos 10 golos nesta fase de grupos foram obtidos desta forma, e os restantes divididos entre um lance de contra-ataque, uma bola em profundidade e uma jogada com vários ressaltos). 

O FC Porto de Conceição não nega as suas limitações, convive com elas, e está a apenas uma vitória de cumprir um difícil objetivo de época. O que é muito diferente de já se poder cantar vitória, pois a receção ao Zenit de 2011-12 deve ser sempre mantida como exemplo.




A equipa a defender (+) - Este FC Porto convive mal com a bola, mas isso não retira à equipa o mérito de saber controlar o espaço e a profundidade. O Besiktas teve momentos de grande superioridade, mas o FC Porto limitou o adversário a três únicas entradas perigosas na grande área, duas por Quaresma e uma por Pepe, - além, claro, do golo, um lance que deixou Felipe mal na fotografia (a única falha numa exibição de sentido prático quase irrepreensível) e no qual Sérgio Oliveira (o melhor do meio-campo) pareceu ter parado para coçar as jóias da família em vez de fazer o acompanhamento a Tosun quando este correu para o flanco. Não tivesse ocorrido esta falha e o FC Porto teria feito um jogo perfeito defensivamente, ainda que também José Sá, na sua melhor exibição desde que chegou ao clube, tenha feito 3 defesas de elevado grau de dificuldade.

Brahimi (+) - À imagem da equipa, teve dificuldades em criar perigo objetivo para a baliza adversária (além do golo, só ficaram na retina um remate de Aboubakar e a tentativa de trivela de Ricardo), mas sempre que recebia a bola parecia que o jogo parava. Brahimi arrastava a bola, descobria zonas novas, permitia à equipa subir, partia as linhas do Besiktas que iam aparecendo e foi sempre o único escape de criatividade da equipa. Foi o elemento com maior facilidade em manter e passar a bola, mesmo jogando em zonas mais recuadas e sempre com 2 jogadores do Besiktas em cima dele.




Demasiada alergia à bola (-) - Pode ser mais feitio do que defeito, mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O FC Porto divide-se demasiado entre a pressa de querer atacar rapidamente e jogadas perdulárias por querer acelerar demasiado o jogo. Sérgio Conceição pode querer isso, e a forma como monta a equipa, por exemplo jogando com Herrera em vez de Óliver, é um exemplo desse modelo, mas o FC Porto deita demasiadas vezes a perder a posse de bola gratuitamente. Estamos entre as equipas que menos controlam os jogos na Champions, ficando sempre à mercê da eficácia adversária e ficando demasiado limitados aos lances de bola parada. Apesar de o FC Porto gostar de acelerar o jogo, só fez dois golos de bola corrida dessa forma na Champions, o 0x2 no Mónaco e o 3x1 ao Leipzig. De resto, valem as bolas paradas, que são um trunfo, mas não podem significar 70% dos golos que o FC Porto marca.

Atacar as linhas (-) - Ok, o FC Porto é forte nas bolas paradas. E sai de Istambul sem um único pontapé de canto? Faltou forçar a ida à linha, obrigar o Besiktas a cortar para onde estivesse virado. O FC Porto foi forçado a 38 jogadas em que os defesas tiveram que, simplesmente, dar uma bicada ou cortar para a linha, enquanto o Besiktas esteve apenas exposto a 8 dessas situações. Alex Telles não teve a oportunidade de ir nenhuma vez à linha fazer um cruzamento, e o FC Porto conseguiu apenas cruzar 2 vezes com perigo, ambas por Ricardo. E não é por acaso que 2 das 3 jogadas de maior perigo do FC Porto nasceram por intermédio de cruzamentos de Ricardo. O Besiktas ganhou o meio-campo, mas poderia ter sido bem mais explorado pelos corredores. 

Verborreia (-) - «Às vezes não necessito de um treinador como Lopetegui. Quando tenho na equipa Hulk, Falcao e James, é-me indiferente quem é o treinador. Com eles é difícil não ganhar. Mas entrámos num período em que não tínhamos esses jogadores, nem capacidade económica para os substituir, e o trabalho é diferente. (...) No primeiro ano esteve bem, mas no próximo [esta época] vai ser melhor. Não ganhou nada, mas estou satisfeito. Na Liga, um estudo demonstrou que o Benfica foi favorecido com sete pontos. E na Liga dos Campeões foi o Bayern de Munique que nos eliminou nos quartos de final». Pinto da Costa, julho de 2015

Ontem ficámos a descobrir que o FC Porto não foi campeão nos últimos anos não por causa do colinho, do polvo e de tudo aquilo que vem sendo denunciado e combatido no Porto Canal. Descobrimos que o FC Porto não foi campeão porque Pinto da Costa decidiu ir buscar Lopetegui em 2014, um treinador com o qual afinal não era para ganhar. Dirão alguns portistas que Pinto da Costa lembrou-se só agora de vir falar, nas vitórias. Nada mais errado, pois o FC Porto ainda não ganhou nada. E se ganhar não será por certo por enxurradas de disparates, falta de coerência e fugas à responsabilidade como estas. Deprimente. Sérgio Conceição disse recentemente que não queria o diretor de comunicação a falar em nome da equipa. O melhor mesmo é limitar essa faculdade ao treinador.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A contratação e os reforços

Já lá vai mês e meio desde a contratação de Sérgio Conceição, mais três semanas de trabalho de pré-temporada, com o ciclo habitual - muita motivação, sede vencer e uma pressa descomunal em querer ver algo de diferente em relação à última época (os treinadores anteriores também passaram por isso - e neste caso, pegou a imagem de um FC Porto mais rematador e incisivo na proximidade da grande área, algo impossível de concluir após dois jogos particulares numa digressão pelo México). Irrelevante, como em muito do que se possa passar durante uma pré-temporada - o ideal, nesta fase e por mais irónico que possa ser, é expor tantas fragilidades quanto possível, de modo a que não deixem dúvidas de que necessitam de ser colmatas (seja com mais tempo de trabalho, seja com recurso ao mercado). Só conta a partir do dia 9 de agosto. 

Porém, a amostra nos primeiros 45 minutos em Guimarães já revelou um FC Porto muito, muito próximo do que se poderá idealizar para a época 2017-18. Maior facilidade para jogar ao primeiro toque e procurar a tabela perto da grande área; maior movimentação e versatilidade no último terço; capacidade de colocar mais gente na frente sem que isso implique a perda de equilíbrio no momento do contra-ataque; e uma dinâmica forte e funcional na tentativa de assegurar, simultaneamente, a profundidade através da subida dos laterais e presença no jogo interior. 

Muito positivo, restando apenas acrescentar um detalhe que pode fazer a diferença ao longo da época: quando há uma presença forte no ataque, os golos podem acabar por surgir em lances isolados, e não necessariamente através do que se construiu. Foi o caso dos golos de Aboubakar e Soares, que não nascem das melhores jogadas que o FC Porto fez na partida, mas que revelam o oportunismo que vai ser necessário muitas vezes para somar pontos - forçar o erro do adversário ao invés de tentar seguir o plano de construção da própria equipa. Sem dúvida, uma exibição que aguça a vontade de todos em ver mais deste FC Porto, apesar da expulsão de André André ter tornado a segunda parte atípica. 

Enquanto isso, o mercado. Até ver, o FC Porto fez uma contratação e ainda não foi buscar reforços ao mercado, mas já os tem. Vamos por partes.

Vaná foi o único jogador comprado pelo FC Porto até ao momento, um nome que não garante nada além de mais uma alternativa a Iker Casillas para a época 2017-18. Foi contratado para ser suplente de Peçanha no Feirense, mas saltou para a titularidade à 8ª jornada e foi um nome determinante para que o Feirense se aguentasse na primeira liga. 

Fez portanto uma época interessante, como é habitual vermos muitos outros guarda-redes da Primeira Liga o fazerem - foi isso que fez com que guarda-redes como Fabiano ou Bracalli saltassem para o FC Porto. Se garante alguma coisa para o FC Porto na época 2017-18, não garante, pois Iker Casillas tem a titularidade assegurada, salvo alguma eventual lesão.

Contrato até 2021
Quem não se lembra do muito criticado Fabiano, que foi só e apenas o guarda-redes menos batido das Ligas europeias na época 2014-15, e ainda assim não faltou quem lhe passasse o atestado de insuficiência para as balizas do FC Porto? O que Vaná fez no Feirense Fabiano fez no Olhanense, por exemplo. Agora, ser o guarda-redes menos batido das Ligas europeias (algo que se torna sempre mais fácil de alcançar quando há uma grande defesa à frente), isso já não é algo que se testemunhe frequentemente. 

Vaná é portanto uma contratação, não um reforço. E foi precisamente esta a premissa do post Contratações ou Reforços, feito há ano e meio que centrava outro nome implicado nesta contratação de Vaná: José Sá.

Conforme perspetivado, José Sá tem passado a sua estadia no FC Porto a conviver mais com o banco do que com a hipótese de jogar. Neste caso, não interessa o nome ser José, Miguel ou Artur: enquanto Iker Casillas estiver no FC Porto, o lugar será dele. E embora José Sá nunca tenha evidenciado ser um guarda-redes particularmente acima da média na sua geração, só terá hipóteses de evoluir jogando regularmente na próxima época. No FC Porto não o conseguirá, logo, a entrada de Vaná convida à sua saída, apesar de Sérgio Conceição não ter aberto o jogo quanto a isso. 

A baliza, no entanto, estará no fundo da lista de preocupações. Se Casillas renova por mais um ano, é para assegurar a titularidade ao longo da temporada. Há sempre o risco de uma lesão, mas já o havia o ano passado. Dentro de um ano a sucessão será provavelmente um tema de grande preocupação, mas para já o FC Porto volta a ter um nome que, desportivamente, dá garantias. 

Temos então a primeira e única contratação até ao momento, mas não é o mesmo que dizer que não há reforços. Há, e apesar de Vaná ser a única compra, o plantel não está de todo mais fragilizado do que o da temporada passada, que é o que por norma acontece quando o FC Porto começa a vender jogadores.

Entre os jogadores que caberiam nos planos para 2017-18 sem margem para dúvidas, destacam-se obviamente as saídas de Rúben Neves e André Silva. Rúben Neves, cuja operação já foi aqui descrita à melhor maneira de um prós e contras (que os há, sem dúvida), é um dos maiores talentos à escala mundial, mas dificilmente emergiria como primeira escolha para 2017-18, essencialmente devido à permanência de Danilo Pereira. Ainda que não haja uma alternativa ao nível de Rúben Neves, não é por aqui que o FC Porto, para o curto prazo, ficou fragilizado.

Quanto a André Silva, a venda ao AC Milan, por 38 milhões de euros, só é má se tivermos em conta que Pinto da Costa garantiu aos sócios que tinha rejeitado uma proposta de 60 milhões por ele. Se não fosse isso, seria uma venda bastante boa, próxima dos valores pelos quais foram saindo grandes avançados do FC Porto, como Falcao ou Jackson. André Silva poderia, sem dúvida, evoluir e render mais após mais uma época no FC Porto, mas dificilmente um jogador do futebol português se valoriza além da fasquia dos 40/45 milhões de euros. 

Desportivamente, e apesar de ter sido uma boa venda, o FC Porto perdeu um jogador importante, muitas vezes mais pelo trabalho que desenvolvia do que pelos golos que marcava. Mas objetivamente, André Silva fez 11 golos de bola corrida em 2016-17 no Campeonato. Ora, são números que um Aboubakar de cabeça limpa ultrapassa com facilidade. E se é certo que André Silva dava outras coisas ao FC Porto, Aboubakar também tem caraterísticas únicas no futebol português. 

Dois reforços sem ir ao mercado
Todos se recordarão que Aboubakar disse que não queria voltar ao FC Porto. São declarações que ninguém gosta de ouvir, mas que têm um contexto. Inicialmente, era suposto o Besiktas ficar com Aboubakar - só não o fez por causa do Fair-Play Financeiro da UEFA. Assim, o que tinha sido prometido ao jogador era que seria comprado no final do empréstimo. Não foi isso que aconteceu.

Além disso, é bom recordar que Aboubakar foi afastado do plantel do FC Porto por causa de um tal de Laurent Depoitre. Aboubakar ficou fora da lista da Champions de um dia para o outro, para que pudesse ser inscrito Depoitre. Então imaginem o ridículo quando se conclui que, na verdade, Depoitre nem sequer poderia ser inscrito para o play-off com a Roma. 

Aboubakar tem tudo para ser um reforço em toda a linha, mas há uma situação contratual para resolver o quanto antes. Nenhum jogador sub-30 do plantel principal deve iniciar uma época em final de contrato, sob pena de o ver assinar em janeiro por outro clube. Aboubakar é um jogador com mercado e potencial, tornando-se ainda mais apetecível por não haver CAN em 2018 a atrapalhar. Pelo dinheiro que renderia numa eventual transferência, o FC Porto não só dificilmente recuperaria o que já investiu em Aboubakar como não teria garantia nenhuma de ir buscar um avançado melhor ao mesmo preço.

Outro reforço, a todos os níveis, é também Ricardo Pereira, que torna Maxi Pereira num pequeno grande problema. No plantel, Maxi é um dos poucos jogadores que sabe o que é ser campeão, ainda que o tenha sido pelo rival. O seu espírito competitivo deixa-o em condições de fazer mais uma época, sem dificuldades, mas há que lembrar o quão raro e difícil é vermos um lateral de 33 anos no FC Porto. 

A um ano do final de contrato, que presente para Maxi Pereira? Ricardo dá todas as garantias para jogar a lateral-direito (tem a margem de progressão e a disponiblidade física para recuperar no corredor que Maxi já não tem), embora Sérgio Conceição já tenha deixado claro que tem também algumas expetativas sobre Ricardo numa zona mais adiantada. Seja qual o for o problema, ainda assim, Ricardo será parte da solução. 

Rafa vai ter mais dificuldades em jogar em 2017-18, tendo em conta que há várias opções para as laterais, mas é interessante traçar o paralelismo com os investimentos de 2011-12, quando o FC Porto investiu mais de 25 milhões de euros em Danilo e Alex Sandro; neste caso, já há dois laterais de presente e futuro que não implicaram nenhuma loucura.

Ainda na defesa, há Diego Reyes e Martins Indi, mas provavelmente só um ficará no FC Porto. Jogaram com regularidade na última época, mas aproximam-se do final de contrato, implicaram investimentos caros (no caso de Reyes, há ainda o problema de o seu passe ter sido partilhado, desde o início, com uma offshore de Pini Zahavi) e por isso quem ficar tem que renovar. Em cada um deles há um problema no seu perfil enquanto central: Diego Reyes, sendo ectomorfo, continua a ter dificuldades na dimensão física, mas continua a ter um punhado de caraterísticas que podem fazer dele um belíssimo central; no caso de Martins Indi, tem um grande problema no jogo aéreo, a única coisa a limitá-lo enquanto central. Cabe a Sérgio Conceição e às oportunidades de mercado decidir quem fica. 

Entre os recuperados para o plantel principal, destaque ainda para três nomes: Sérgio Oliveira, Mikel Agu e Hernâni. Sérgio Oliveira foi treinado por Sérgio Conceição no Nantes, mas não foi uma única vez titular com ele, tendo jogado apenas 109 minutos na Liga francesa, apesar de só não ter sido convocado para 3 jornadas. Se Sérgio Conceição não viu grande espaço para Sérgio Oliveira no Nantes, dificilmente acontecerá no FC Porto, tornando-o um forte candidato a ser vítima da sobrelotação do meio-campo. 

Mikel anda a trabalhar perto do plantel principal do FC Porto desde os tempos de Jesualdo Ferreira e é um dos jogadores oriundos da formação que mais oportunidades - e contratos - tem tido (melhor só mesmo Abdoulaye, emprestado pela 8ª vez - mais 7 ou 8 empréstimos e fica no ponto para ser opção no FC Porto). Após uma má experiência na Bélgica, jogou com regularidade em Setúbal, a médio defensivo, ele que curiosamente fez os seus melhores jogos pelo FC Porto B quando jogou a central. Veremos se ficará no plantel, embora pouco leve a crer que possa ser mais do que a sombra de Danilo e que encontre algum espaço nas Taças. A seu favor, o facto de poder ser inscrito na lista A da UEFA como jogador da formação. 

Sobra Hernâni, que nunca revelou créditos para ser opção no FC Porto, para além do trunfo que é a sua velocidade. Fez uma boa época em Guimarães, mas não é jogador para ultrapassar o campo da rotatividade e da utilidade em alguns jogos no FC Porto; sem ter estofo para ser opção regular no 11 inicial, cabe ao FC Porto estudar uma solução de mercado que garanta dois jogadores - um extremo com qualidade para entrar no 11 e «puxar» o melhor de Corona, Brahimi ou até Otávio e mais um ponta-de-lança, sobretudo se o 4x4x2 for para manter. Dois jogadores que hão-de chegar, de preferência dentro das próximas duas jornadas, pois a sua necessidade é clara. Tanto quanto o facto de nem valer a pena andarmos a tentar enganar alguém com Marega.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Análise 2015-16: os guarda-redes

Podemos regressar ao início da época e a uma frase d'O Tribunal do Dragão que na altura gerou alguma discórdia: a de que «desportivamente, Iker Casillas não faria uma grande diferença no FC Porto».

Esta afirmação resultou em muita confusão em alguns leitores. «Então Casillas não é melhor do que Fabiano!?» Sim, claro que é. «Então como é que desportivamente não vai fazer diferença!?» Simples, entendendo o que é o papel de um guarda-redes do FC Porto no campeonato português.

Casillas, 35 anos
Voltemos por um momento a 2014-15. No espaço de 6 meses, o FC Porto perdeu primeiro Helton, por lesão, e depois Otamendi, Fernando e Mangala. E mesmo com o contestado Fabiano nas balizas, conseguiu sofrer apenas 13 golos, sendo a melhor defesa de toda a Europa.

Este ano, já sem o contestado Fabiano mas com o ícone Casillas na baliza, o FC Porto sofreu 30 golos. Mais do dobro da época passada (tema debatido aqui), e a terceira pior defesa da história do clube numa liga a 34 jornadas. Quando O Tribunal do Dragão opinou que, desportivamente, Casillas ou Fabiano na baliza não fariam muita diferença, foi precisamente a pensar nisto: porque o modelo de jogo e os defesas do FC Porto têm tanta ou mais influência do que o guarda-redes.

O FC Porto já teve grandes guarda-redes, já ganhou muitos títulos. Mas houve algum título que tivéssemos ganho sobretudo graças a um guarda-redes?

Há quem diga que o FC Porto sofria poucos golos devido a uma posse de bola estéril de Lopetegui. Os mitos nunca resistem aos números: com José Peseiro (e com o agravamento de o mercado de janeiro ter deixado o plantel pior do que estava) a equipa piorou objetivamente em tudo. Não marca mais golos, sofre mais do dobro, remata menos, permite que os adversários rematem mais, cria menos ocasiões de golo e falha mais passes. Ora a tal posse de bola estéril, além de permitir que o FC Porto atacasse e marcasse mais, dava uma segurança defensiva que o FC Porto nunca teve com José Peseiro. Aliás, em dezembro Casillas até era o guarda-redes menos batido das ligas europeias. No mês seguinte começou a derrocada, com a troca de treinadores e o enfraquecimento do plantel, e a partir daí foi sempre a descer.

Que culpas se podem enquadrar aqui em Casillas? Poucas. Porque fez o que por norma os guarda-redes do FC Porto fazem no campeonato: ajuda a ganhar alguns jogos e comete erros que custam alguns pontos. Foi brilhante contra o Benfica e o Tondela, mas errou em Guimarães ou na Champions.

Desportivamente, Casillas pouco mudou porque há poucas coisas que um guarda-redes do FC Porto possa mudar. Para um guarda-redes, há uma diferença entre uma equipa com um meio-campo sólido e outra exposta a qualquer transição rápida; há uma diferença entre ter Otamendi e Mangala à frente e ter jogadores mais inexperientes e/ou limitados.

O impacto de Casillas seria sempre mais mediático e comercial do que desportivo. É claramente um bom guarda-redes, grandíssimo profissional (a maior surpresa para todos os que trabalham com ele), mas nunca iria ser por ele que o FC Porto ganharia o campeonato. Nem por Helton, nem por Baía, nem por Mlynarczyk, nem por Zé Beto, nem por Américo.

Iker Casillas é um guarda-redes como todos os outros, com qualidades e defeitos, e que ao longo de toda a carreira sempre fez sobressair as suas qualidades. Mas é, de facto, um guarda-redes muitíssimo caro para aquilo que rende desportivamente. E é por isso que, quando o R&C da época for publicado, é importante perceber se Casillas é um guarda-redes que de facto se paga a si próprio.

Ao que tudo indica vai continuar no FC Porto. Casillas e o clube já admitiram avançar para o ano de opção no contrato, até 2018, mas isso ainda não foi oficializado. Até porque o Real Madrid só comparticipa o salário de Casillas até 2017 (se Casillas fizer a época 2017-18 no FC Porto, o salário será na íntegra pago pela SAD), logo o salário teria que ser drasticamente reduzido para ficar no FC Porto.

Em Casillas vs. Emirates, vimos que a contratação de Casillas estava a ser muito benéfica financeiramente, mas é importante calcular os números finais no R&C. Até porque um clube que tem um guarda-redes com salário anual bruto de cerca de 5M€ não pode abdicar de um investimento num bom treinador, nem pode andar com a equipa coxa durante toda a época. A manta tem que dar para cobrir ombros e pés. E quando avaliamos um jogador como Marega em mais de 4M€, então a manta devia dar para cobrir Dragão, Aliados e a Ponte do Freixo. 

A primeira época de Casillas no FC Porto não deixa saudades, devido à ausência de títulos. Oxalá as coisas mudem no próximo ano, de preferência sem sofrer outra vez 30 golos. Nunca esquecendo que é o guarda-redes quem fica com os golos sofridos, mas nem Lev Yashin ou Vítor Baía conseguiriam sobreviver a tanta asneira na defesa esta época. O Casillas da Luz é um guarda-redes que ajuda a ganhar campeonatos, mas o FC Porto nunca ganhará campeonatos se precisar que o guarda-redes faça tantas defesas como as que fez nesse jogo.

A melhor forma de proteger a baliza não é ter um guarda-redes que defende tudo: é fazer com que o guarda-redes tenha que defender o menos possível.

Helton, 38 anos
E agora Helton, o capitão. Todos sabem que Helton, embora seja um jogador acarinhado e carismático, não tem um feitio fácil, pois detesta ser suplente (quem não detesta?). Esteve irrepreensível na Taça de Portugal... até à final, onde sofreu os primeiros 2 golos, não ficando bem na fotografia. Aos 38 anos, Helton dificilmente tirará o lugar a Casillas em 2016-17 - nenhum clube tem Casillas se não for para jogar. Tem mais um ano de contrato, por isso coloca-se a questão: uma última época como (mais que provável) suplente ou o adeus antecipado?

Helton tem um lugar cativo na história do FC Porto. Foram 18 títulos neste clube. Tudo dependerá do entendimento entre as partes. Quando ou se Helton quiser, seria certamente uma mais-valia integrá-lo nos quadros técnicos do clube. Mas se ainda entender que está em condições para jogar ao mais alto nível, está no seu direito.

José Sá, 23 anos
José Sá, conforme esperado, não chegou a jogar na equipa A, tendo sido apenas utilizado na equipa B. Tem que ser emprestado para, pela primeira vez na sua carreira, fazer uma época completa como titular de primeira liga.

José Sá já vai para o seu 5º ano de sénior e ainda não fez uma época completa e regular numa primeira liga. No FC Porto, a não ser que lhe seja garantido o lugar de 2º guarda-redes (com titularidade nas Taças e esporadicamente na B), não faz sentido continuar. Foi uma contratação, não um reforço

Raúl Gudiño teve a sua primeira experiência na primeira liga, pouco positiva. Deu dois ou três frangos que o marcaram no União da Madeira. Ainda assim, este foi apenas o seu primeiro ano de sénior, e a margem de evolução continua toda cá.

Gudiño, 20 anos
Ter um bom treinador de guarda-redes é essencial (Bruno Freitas, o treinador do União, teve como expoente máximo da sua carreira profissional a titularidade no Ribeira Brava). Já não vai contar como jogador formado no FC Porto, devido a este empréstimo, pelo que agora deve continuar a procurar-se um enquadramento de primeira liga (o Chaves já o pediu).

Na temática dos guarda-redes, deseja-se ainda que a nova equipa técnica inclua um treinador de guarda-redes de provas dadas, habituado a trabalhar com diversos guarda-redes, desde jovens, que precisam de evoluir, a mais experientes, que precisam de manter a forma física. Nada pode ser descurado.

Os guarda-redes ligados ao clube, mas que não iniciaram a época no FC Porto, serão analisados no post destinado aos emprestados.

Pergunta(s): Quem deve ser o número um e o 2º guarda-redes para 2016-17?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Contratações ou reforços

Desviar jogadores de outros clubes não me dá prazer nenhum. Isso só são boas notícias se as contratações acabarem por render no FC Porto, e se em sentido inverso as alternativas encontradas pelo clube que foi ultrapassado não se revelarem melhores (o Sporting falhou Ghilas, em 2013, e foi buscar Slimani por um décimo do preço). O facto de Marega e José Sá terem sido cobiçados pelo Sporting não lhes retira nem acrescenta qualidade. O importante é o que o FC Porto ganha, não é o que o Sporting perde. Jorge Jesus também prometia fazer de Derley, contratado ao Marítimo em 2014, um grande matador no Benfica. Ser alvo de JJ não é sinónimo de qualidade.

Dito isto, a reação às contratações de José Sá e Marega para o FC Porto. São contratações que, neste momento, não deixam o FC Porto mais perto do título 2015-16, e que levantam dúvidas sobre se terão sequer espaço no plantel da próxima época.

O FC Porto ainda não revelou detalhes sobre o negócio, sobre o qual se levantam várias questões. O Marítimo pediu 5M€ pelos dois ao Sporting - o FC Porto aceitou pagar esses 5M€, ou será que foi ainda mais além? À imagem de Danilo Pereira, algum deles também foi dar primeiro um giro a Portimão? É isso que implica que Maurício, que estava emprestado pelo Portimonense ao FC Porto B (e que não revelou qualidades para ficar no FC Porto, diga-se), possa seguir para o Marítimo?

Começando por José Sá. É um guarda-redes que faz lembrar... Mika. Como assim? José Sá começou a ganhar popularidade por causa das suas exibições no Europeu de sub-21. Um pouco à imagem de Mika, que apareceu no futebol português pelo seu Mundial de sub-20. 

José Sá é o habitual suplente de Salin no Marítimo. Na última época jogou quase sempre na equipa B. Tem 23 anos e ainda não fez nenhuma época completa como titular numa equipa de primeira liga. É inexperiente e, apesar de os guarda-redes evoluírem sempre mais tarde, até ao momento não mostrou nenhum potencial acima da média na carreira - também porque ainda não foi aposta em nenhum lado com continuidade. Faz lembrar quando o FC Porto foi buscar Paulo Ribeiro a Setúbal.


O que pode José Sá dar, neste momento, que Gudiño não pode? É bom não esquecer que Gudiño é o guarda-redes mais caro da história do FC Porto, e também ele um jovem de tremendo potencial. Além disso, na equipa B o FC Porto tem Andorinha, que joga regularmente na seleção desde os sub-16 (José Sá só começou nos sub-20) e não joga mais por estar tapado por Gudiño. E é bom lembrar a afirmação de Diogo Costa, que é juvenil mas já é guarda-redes titularíssimo dos juniores.

Poderão lembrar, e bem, a idade de Helton e Casillas. Mas quem diz que com José Sá e Gudiño o FC Porto assegura o futuro esquece-se de um pormenor: o presente. José Sá não poderá nunca fazer parte do plantel do FC Porto, como opção válida para a titularidade, antes de fazer uma época completa como guarda-redes de primeira liga. O mesmo vale para Gudiño, mas Gudiño é quatro anos mais novo. Um deles estará muito provavelmente emprestado a outro clube em 2016-17, se não mesmo ambos. E já agora, o FC Porto tem emprestados Ricardo Nunes, Kadú, Andrés Fernández, Bolat e Fabiano a outros clubes - foi-se contratar mais um guarda-redes sem antes saber o que fazer ao excesso de guarda-redes nos quadros do clube.

Outra grande questão é perceber que tipo de evolução podem ter os nossos guarda-redes trabalhando com Daniel Correia. Não é Peseiro, nem sequer outro treinador principal quem vai ajudá-los a evoluir: o trabalho do treinador de guarda-redes é muito mais importante. Daniel Correia praticamente só trabalhou na equipa B do FC Porto, e nunca foi profissional. Levantam-se questões sobre se esta será a melhor solução para trabalhar os nossos jovens. Por outro lado, estando Helton perto do fim de carreira, por que não abordá-lo nesse sentido? É certo que Helton sente-se capaz de continuar a ser titular numa grande equipa, mas teria todas as valias profissionais, técnicas e pessoais para continuar ligado ao FC Porto.

Nem será de descartar a hipótese de José Sá ser já emprestado a outro clube, caso contrário vai estar ou meio ano sem jogar, ou a aparecer apenas esporadicamente na equipa B, onde já temos quatro guarda-redes (além de Gudiño, que é quem mais joga, há Andorinha, Caio e Filipe Ferreira). O melhor seria José Sá ser já cedido. 

Quanto a Marega... Há coisas que não se percebem. É forte fisicamente, é rápido. E está descrito Marega. Trata-se de um jogador sem escola, que há dois anos estava na terceira divisão francesa. Não é raro vermos jogadores que se afirmam um pouco mais tarde no futebol profissional (vejam o exemplo de Vardy em Inglaterra), mas a contratação de Marega parece estar muito longe daquilo que o FC Porto necessita.

Marega é um jogador muito limitado tecnicamente, o tipo de ponta-de-lança que funciona como referência para a bola longa, para as costas da defesa, e para o jogo aéreo. O FC Porto não costuma ser bem sucedido tendo pontas-de-lança deste perfil. Sem espaço, tal como Suk, tem muitas dificuldades. É certo que Marega pode jogar a partir de uma ala, mas também não tem a qualidade técnica que se possa pedir a um extremo do FC Porto. O FC Porto já contratou 3 jogadores no mercado de inverno e nenhum deles capacitado para pegar de estaca na equipa.

De facto, José Peseiro quer apostar num modelo de transição mais rápida, que é mais adequado a Marega do que o seria, por exemplo, o modelo de posse de Lopetegui. Por esse prisma, faz sentido. Por outro lado, Suk já é uma contratação dentro do mesmo perfil: bom a jogar em profundidade e com 40 metros à frente. Mas Suk ainda teve escola, ao contrário de Marega. Marega tem a valia física, é forte no jogo aéreo, o que poderia ser interessante se o FC Porto procurasse muitas vezes o ponta-de-lança na grande área. Mas custa a acreditar que possa ser essa a estratégia para o que resta da época. Uma coisa é transição rápida, outra é chuveirinho para o ponta-de-lança.

Se custasse um milhão de euros, o risco aceitava-se - mesmo sem o subscrever. Se Marega custa o triplo ou o quádruplo disto, parece ser um mau investimento, inoportuno e que levanta dúvidas sobre se conseguirá ter retorno desportivo a esse nível - ou sequer recuperar o dinheiro numa futura transferência. Dias felizes para Carlos Pereira, que faz o melhor negócio da história do Marítimo e que já deve ter estado mais longe de receber um Dragão de Ouro. Em menos de um ano já leva cerca de 8M€ de negócios com o FC Porto. Mais um bocado e têm o estádio pago.


A partir do momento em que começarem a treinar/jogar, estão sujeitos ao mesmo que qualquer outro futebolista do FC Porto: têm a obrigação de trabalhar ao máximo para evoluir, ter espaço nas opções de José Peseiro e ajudarem o clube a cumprir os seus objetivos. Falando especificamente de Marega, temos vários jogadores muito mais talentosos nos quadros do clube, mas a falta de humildade, de empenho e de disponibilidade para aprender impedem que sejam titulares no FC Porto. Se Marega vier com a atitude correta, já terá algo com que combater e colmatar as suas debilidades técnicas.

As expetativas sobre os jogadores, confesso, estão longe de ser as maiores, ou sequer positivas na relação qualidade/investimento. São contratações caras. Esperemos que cheguem a ser reforços. Que daí saiam boas surpresas. Até porque só podem surpreender pela positiva.

Boa sorte, Sá e Marega.