Kelvin vai regressar ao FC Porto, garante o Jornal de Notícias. O seu contrato com o São Paulo vai terminar, por isso o passo lógico é regressar à base, restando saber se é para reintegrar os quadros do clube ou continuar de empréstimo em empréstimo. Segundo o JN, vai ser para regressar ao plantel.
E aqui começam as novidades: «A decisão foi tomada pelo presidente Pinto da Costa e pelo novo diretor-geral do clube, Luís Gonçalves». Então, a decisão é tomada por duas pessoas e nenhuma delas é o treinador? A reintegração ou não de Kelvin deve passar pelas opções de Nuno Espírito Santo. Brahimi em janeiro irá para a CAN e faz todo o sentido tentar, antes de tudo, aproveitar as soluções da casa, mas integrar Kelvin sem que faça parte dos planos de Nuno Espírito Santo seria repetir um erro de 2013.
Em 2013, Paulo Fonseca não contava com Kelvin. Mas Kelvin teve que ficar no plantel - por um lado porque seria mal visto pelos adeptos que o herói do título saísse (seria algo atirado ao treinador ao primeiro mau resultado), por outro porque havia o espaço K para inaugurar, e era necessária a presença de Kelvin (não faria sentido inaugurar um espaço em homenagem a um jogador emprestado a outro clube).
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| Contrato até 2018 |
Se Nuno Espírito Santo estiver disposto a dar uma oportunidade a Kelvin, muito bem. Mas possivelmente terá que ser a última. O contrato de Kelvin termina em 2018. Que não se faça a asneira que se fez com Quintero: renovar o contrato por 4 anos para depois se decidir que não vai fazer parte do plantel. Com Kelvin, se renovar, que seja para ficar no plantel; se não houver perspetivas de ficar no plantel, e após 3 anos em que o FC Porto pouco se preocupou em fazer evoluir o jogador, não restam grandes justificações para defender o ativo.
Como curiosidade, uma retrospetiva. Em março de 2011, Kelvin já era oficialmente jogador do FC Porto, contratado ao Paraná, por 3 milhões de euros, por 90% do passe.
Por isso foi com grande curiosidade que foi visto o contrato que o FC Porto fez com Mohammed Afzal para a compra do jogador. Os serviços prestados pelo conhecido agente eram os tradicionais, que justificam os contratos de todos os clubes:
O FC Porto pagou 150 mil euros a Afzal e reservou-lhe 15% de uma futura transferência (o FC Porto obrigou-se a vender Kelvin por 10M€, ou a comprar a percentagem do empresário caso tivesse uma proposta desse valor pela quantia proporcional). O mais curioso foi ver a data da assinatura do contrato entre o empresário e a SAD: 2 de julho de 2011.
Ou seja, o FC Porto fez um contrato com o empresário Afzal em julho pelo aconselhamento na contratação de um jogador que já estava comprado em março? Poderia estar em causa o facto de Kelvin só ter feito 18 anos a 1 de junho. Mas este contrato foi celebrado um mês depois, e o FC Porto especificava no documento que o clube «pretende celebrar um contrato» com Kelvin, numa altura em que já estava comprado e no mapa de ativos da SAD. Mas lá está. O FC Porto tinha acabado de ganhar a Liga Europa. Os adeptos estavam felizes, ninguém ou poucos se preocupavam com a situação financeira da SAD. Quando os maus resultados aparecerem, muitos acordam. A frase «nós só queremos o Porto campeão» define qual o fim que pretendemos, mas não pode justificar e desculpar todos os meios - sobretudo em campos paralelos.
É importante transmistir a imagem de que Luís Gonçalves já trabalha ativamente no clube (na SAD, tendo em conta que Antero Henrique comunicou a sua demissão no início de setembro, a mesma só terá efeito a partir do final do próximo mês, seguindo o que está previsto em todas as empresas cotadas em bolsa), mas há mais duas curiosidades escritas pelo JN.
Primeiro, a de que «será reforçada a aposta na matéria-prima do clube», dizendo que a equipa B terá um papel muito importante. Se a aposta será reforçada não sabemos, mas pior não vai ser de certeza, tendo em conta que nenhuns dos campeões da Segunda Liga foram promovidos à equipa A (André Silva e Chidozie já estavam a trabalhar com o plantel principal na época passada).
Outro destaque é o de que a equipa de juniores vai passar a centrar-se mais na contratação de jogadores portugueses. Ótimo. Mas repare-se neste pormenor do JN: «A exemplo do que continuará a acontecer com a equipa B, a prioridade dos responsáveis portistas é trabalhar a todo o vapor com matéria-prima do clube». Assim sendo, os estrangeiros que chegam à equipa B vão deixar de vir na sua maioria por empréstimo, com cláusulas de compra altas? Tome-se o exemplo de Ismael Díaz. Já podia e devia ter sido comprado, mas foi emprestado pelo segundo ano consecutivo ao FC Porto, com uma cláusula de compra altíssima. Ou seja, o FC Porto está a valorizar e a fazer evoluir um jogador (do Panamá!) que ainda nem está nos quadros do clube, pelo segundo ano consecutivo. Neste caso, não há apostas a reforçar, mas sim grandes mudanças para fazer. Esperemos que Luís Gonçalves contribua nesse sentido.
Os discursos de inauguração de Pinto da Costa em casas do FC Porto eram, em tempos, um regalo de se ouvir. Que seja o caso em Marco de Canaveses, aproveitando obviamente para galvanizar os portistas (há um jogo importante já no sábado), mas sem sacudir culpas ou levantar areia.
PS: Antero Henrique precisou de sair do FC Porto para se insurgir publicamente contra um artigo do jornal A Bola? Por que é que nunca o fez enquanto estava em funções na SAD? Certamente que teria sido muito mais útil ao FC Porto que Antero Henrique tivesse quebrado o silêncio enquanto estava na SAD, não depois de sair. Agora já não é um assunto que diga respeito ao FC Porto, pelo que pode fazer a título pessoal o que bem entender. Em defesa do FC Porto, que fale agora o presidente (ou outro membro do Conselho de Administração). De preferência não apenas depois de vitórias.















