O resultados não espelham tudo o que se passa em campo, mas há a assinalar o mérito do FC Porto já ter mais pontos do que nas últimas três épocas. Não há a consistência, o fio de jogo e a clarividência desejadas, nem em quantidade nem em qualidade no plantel, mas quanto a resultados no campeonato o FC Porto está melhor. Atacar a segunda volta em condições de lutar pelo título é excelente, mas é necessário o reconhecimento do plantel, de Nuno Espírito Santo e SAD de que uma primeira volta igual à primeira não chegará para o título.
Nem uma exibição como ontem, a não ser que possamos sempre contar com Alex Telles de bandeja e com muita, muita cabeça.
Danilo Pereira (+) - Sabemos que fez uma exibição monstruosa quando não precisamos de falar do golo para a destacar. Foi o melhor jogador do FC Porto na época passada e, decorrida meia volta desta época, revalida esse estatuto. Estamos a falar do jogador em campo com mais remates (a par de Jota), recuperações, interceções, desarmes, faltas sofridas e que ganhou 88% dos lances que disputou. Muitas vezes forçado a cair mais sobre o lado direito, encheu o meio-campo, empurrou a equipa e fez um sprint do mais extraordinário que o Dragão já viu desde que Lisandro López mordeu a língua, galgou meio campo e secou Cristian Rodríguez nos tempos em que Cebolla ainda vestia um bocado mal. Se se chamasse Cristiano Ronaldo e estivesse em Espanha, já andavam a fazer cálculos para descobrir a velocidade daquele sprint. Mas não, chama-se Danilo Pereira e representa tudo aquilo que queremos ver num jogador do FC Porto. Que continue assim, e por cá, por longos anos!
Alex Telles (+/-) - Como dizia Jaime Pacheco, uma exibição com uma faca de dois legumes. Fez três assistências, sempre da mesma forma, e não fosse os seus cruzamentos e o FC Porto podia ter terminado o jogo em apuros. Já se tornou o melhor assistente da equipa, com sete passes para golo, a par de Otávio. Mas voltou a ter a tarefa inglória de ter quase todo o corredor esquerdo para ele, muitas vezes sem ninguém por perto para combinar naquela zona, e isso fez com que acabasse por ter entregado a posse de bola ao adversário 24 vezes, quer em perdas de bola, quer em cruzamentos ou passes mal medidos. Nada que três assistências não tenham compensado, mas Alex Telles foi o espelho da exibição do FC Porto: fantástico nas bolas paradas, pouco mais em todo o resto.
Primeira parte (-) - A primeira parte não foi má: foi terrível. O Rio Ave jogou à FC Porto (na medida em que tentou assumir o jogo e foi mais organizado) e o FC Porto jogou como deveria jogar uma equipa menos forte que visita o Dragão. Menos posse de bola, mais passes falhados, um só pontapé de canto, apenas 10 entradas na grande área adversária e duas únicas situações de perigo (uma delas podia ter dado o 2x0, mas Jota finalizou mal). Foram 45 minutos constrangedores e não sabemos o quão poderiam ter sido prolongados se não tivesse havido tanta eficácia nas bolas paradas. Primeiras partes a este nível nestas circunstâncias, nesta fase da época, não são aceitáveis.
Outra vez, a equipa coxa (-) - Brahimi está na CAN, Otávio ainda não recuperou totalmente, por isso não havia alternativa para o lado esquerdo. Nuno prefere Corona à direita e não será choque nenhum se Kelvin nunca chegar a ser uma verdadeira opção para NES. Por isso, já se previa que o FC Porto ia tentar jogar novamente de forma híbrida, com Óliver e Jota a variem no aparecimento pelo lado esquerdo. Mas essa fórmula, uma vez mais, não funcionou. O FC Porto perdeu muita profundidade pelo lado esquerdo, raramente foi à linha de fundo (daí ter havido poucos cruzamentos e cantos) e só tinha lado esquerdo quando Alex Telles conseguia subir. Jota só começou a render quando passou para o meio e, uma vez mais, as limitações do plantel não facilitaram a tarefa de Nuno Espírito Santo: ou desviava um jogador de posição ou tinha que reorganizar a equipa taticamente. Seja como for, ter que fazê-lo em pleno mês de janeiro, com o mercado aberto, só pode ser visto como negativo.
Um dia mau x 3 (-) - Parecendo que não, Layún só fez 2 jogos a titular desde outubro. E acusou claramente a paragem de 6 semanas por lesão. Desconcentrado, a cometer várias falhas, pode agradecer aos céus por não ter sido expulso e por NES o ter tirado de campo a tempo. Foi um dia mau de Layún, como todos os jogadores têm direito a ter. Sobretudo quem, como ele, é sempre mais vezes solução do que problema. O dia também não foi memorável para André Silva, que só se destacou sem bola: na forma como procurou sempre correr, abrir espaços e pressionar os defesas. Mas com bola mal se viu, não criou desequilíbrios e valeu-lhe apenas a intervenção na jogada do último jogo (bom trabalho de JCT). E porque não há duas sem três, aquela bola é, tem que ser, de Casillas. Um dia mau para três dos jogadores mais importantes. Que tenha sido isso mesmo: apenas um dia mau. E se voltarem a tê-lo, que venha num dia em que as bolas paradas sejam tão proveitosas.























