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domingo, 22 de janeiro de 2017

Uma vitória com muita cabeça


O FC Porto venceu o Rio Ave porque teve cabeça. Mas não é a expressão idiomática à qual a língua portuguesa está habituada: teve cabeça nas bolas paradas, mas não no futebol corrido, onde houve enormes dificuldades para fazer frente a um Rio Ave que quis assumir jogo no Dragão e, não raras vezes, se organizou melhor a meio-campo. Três livres de Alex Telles e quatro golos de cabeça foram a fórmula para conseguir três importantes pontos, com o FC Porto a aproveitar da melhor forma o terrível momento do Sporting antes do clássico. 

O resultados não espelham tudo o que se passa em campo, mas há a assinalar o mérito do FC Porto já ter mais pontos do que nas últimas três épocas. Não há a consistência, o fio de jogo e a clarividência desejadas, nem em quantidade nem em qualidade no plantel, mas quanto a resultados no campeonato o FC Porto está melhor. Atacar a segunda volta em condições de lutar pelo título é excelente, mas é necessário o reconhecimento do plantel, de Nuno Espírito Santo e SAD de que uma primeira volta igual à primeira não chegará para o título. 

Nem uma exibição como ontem, a não ser que possamos sempre contar com Alex Telles de bandeja e com muita, muita cabeça.




Danilo Pereira (+) - Sabemos que fez uma exibição monstruosa quando não precisamos de falar do golo para a destacar. Foi o melhor jogador do FC Porto na época passada e, decorrida meia volta desta época, revalida esse estatuto. Estamos a falar do jogador em campo com mais remates (a par de Jota), recuperações, interceções, desarmes, faltas sofridas e que ganhou 88% dos lances que disputou. Muitas vezes forçado a cair mais sobre o lado direito, encheu o meio-campo, empurrou a equipa e fez um sprint do mais extraordinário que o Dragão já viu desde que Lisandro López mordeu a língua, galgou meio campo e secou Cristian Rodríguez nos tempos em que Cebolla ainda vestia um bocado mal. Se se chamasse Cristiano Ronaldo e estivesse em Espanha, já andavam a fazer cálculos para descobrir a velocidade daquele sprint. Mas não, chama-se Danilo Pereira e representa tudo aquilo que queremos ver num jogador do FC Porto. Que continue assim, e por cá, por longos anos!

Alex Telles (+/-) - Como dizia Jaime Pacheco, uma exibição com uma faca de dois legumes. Fez três assistências, sempre da mesma forma, e não fosse os seus cruzamentos e o FC Porto podia ter terminado o jogo em apuros. Já se tornou o melhor assistente da equipa, com sete passes para golo, a par de Otávio. Mas voltou a ter a tarefa inglória de ter quase todo o corredor esquerdo para ele, muitas vezes sem ninguém por perto para combinar naquela zona, e isso fez com que acabasse por ter entregado a posse de bola ao adversário 24 vezes, quer em perdas de bola, quer em cruzamentos ou passes mal medidos. Nada que três assistências não tenham compensado, mas Alex Telles foi o espelho da exibição do FC Porto: fantástico nas bolas paradas, pouco mais em todo o resto. 


Iván Marcano (+) - Elogiar Marcano é também elogiar a excelente dupla que formou com Felipe, pois ninguém pode falar da qualidade de um central sem lembrar quem joga ao lado. Mas a forma serena e calma, sem deixar de ser determinada e agressiva, com que Marcano se apresenta sempre em campo é notável. Tem uma média de faltas de 0,7/jogo no campeonato, com o pormenor de ainda só ter visto um cartão, e mostra que não é preciso criar hashtags e bater com as mãos no peito para os adeptos não terem dúvidas do seu empenho em representação do FC Porto. Nunca o ouviram reclamar ou manifestar-se negativamente, nem quando muitos o criticavam e achavam que não tinha nível para o FC Porto. Não só tem como o eleva. 


Primeira parte (-) - A primeira parte não foi má: foi terrível. O Rio Ave jogou à FC Porto (na medida em que tentou assumir o jogo e foi mais organizado) e o FC Porto jogou como deveria jogar uma equipa menos forte que visita o Dragão. Menos posse de bola, mais passes falhados, um só pontapé de canto, apenas 10 entradas na grande área adversária e duas únicas situações de perigo (uma delas podia ter dado o 2x0, mas Jota finalizou mal). Foram 45 minutos constrangedores e não sabemos o quão poderiam ter sido prolongados se não tivesse havido tanta eficácia nas bolas paradas. Primeiras partes a este nível nestas circunstâncias, nesta fase da época, não são aceitáveis. 

Outra vez, a equipa coxa (-) - Brahimi está na CAN, Otávio ainda não recuperou totalmente, por isso não havia alternativa para o lado esquerdo. Nuno prefere Corona à direita e não será choque nenhum se Kelvin nunca chegar a ser uma verdadeira opção para NES. Por isso, já se previa que o FC Porto ia tentar jogar novamente de forma híbrida, com Óliver e Jota a variem no aparecimento pelo lado esquerdo. Mas essa fórmula, uma vez mais, não funcionou. O FC Porto perdeu muita profundidade pelo lado esquerdo, raramente foi à linha de fundo (daí ter havido poucos cruzamentos e cantos) e só tinha lado esquerdo quando Alex Telles conseguia subir. Jota só começou a render quando passou para o meio e, uma vez mais, as limitações do plantel não facilitaram a tarefa de Nuno Espírito Santo: ou desviava um jogador de posição ou tinha que reorganizar a equipa taticamente. Seja como for, ter que fazê-lo em pleno mês de janeiro, com o mercado aberto, só pode ser visto como negativo.

Um dia mau x 3 (-) - Parecendo que não, Layún só fez 2 jogos a titular desde outubro. E acusou claramente a paragem de 6 semanas por lesão. Desconcentrado, a cometer várias falhas, pode agradecer aos céus por não ter sido expulso e por NES o ter tirado de campo a tempo. Foi um dia mau de Layún, como todos os jogadores têm direito a ter. Sobretudo quem, como ele, é sempre mais vezes solução do que problema. O dia também não foi memorável para André Silva, que só se destacou sem bola: na forma como procurou sempre correr, abrir espaços e pressionar os defesas. Mas com bola mal se viu, não criou desequilíbrios e valeu-lhe apenas a intervenção na jogada do último jogo (bom trabalho de JCT). E porque não há duas sem três, aquela bola é, tem que ser, de Casillas. Um dia mau para três dos jogadores mais importantes. Que tenha sido isso mesmo: apenas um dia mau. E se voltarem a tê-lo, que venha num dia em que as bolas paradas sejam tão proveitosas.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dez coisas sobre Miguel Layún


- Desde que assinou pelo FC Porto, em Agosto de 2015, Miguel Layún tornou-se o defesa/lateral do futebol mundial com mais passes/cruzamentos/assistências para golo. 19 em 2015-16, 4 esta época.

- Nos últimos 11 anos, só um jogador do FC Porto fabricou mais golos do que Layún na mesma época desportiva (Hulk, com 26 assistências em 2010-11). Em comum, o facto de ambos bateram bolas paradas, o que é sempre um benefício nestes casos.

- Com a camisola do FC Porto, Layún tem intervenção direta num golo a cada 133 minutos.

- Sempre que Layún jogou, o FC Porto sofreu uma média de 1,23 golos por jogo. Sempre que Layún ficou no banco, a média disparou para 1,75.

- Layún cria uma média de 1,9 situações de golo por jogo. Praticamente o mesmo que Marcelo e Jordi Alba (os laterais-esquerdos de Real Madrid e Barcelona) juntos (2,0).

- A compra de Layún ao Watford custou 3M€ pagos ainda na época 2015-16. A restante tranche de 3M€ será paga até 31 de Julho de 2017.

- Sempre que Layún marcou, o FC Porto ganhou (8 jogos, 8 vitórias).

- Desde a sua estreia no FC Porto, Layún teve intervenção direta em 30% dos golos marcados pelo FC Porto na Liga.  É o jogador mais influente da equipa neste aspecto.

- Layún tem uma eficácia de cruzamento de 18%, sendo o jogador do FC Porto com melhor aproveitamento nesta estatística.

- Pogba. Payet. Bale. Pjanic. Kroos. David Silva. Cristiano Ronaldo. Mahrez. De Bruyne. Dybala. Willian. E a lista pode continuar: desde 2015, Layún fez mais assistências e fabricou mais situações de golo/jogo do que qualquer um destes jogadores.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A Champions é nossa amiga

Oh, se é! O FC Porto não se pode queixar de falta de sorte nesta edição da Liga dos Campeões. 4 expulsões desde o playoff, mais um penalty, mais um adversário francamente banal pela frente (ainda que jogar na Bélgica não seja historicamente fácil - quem não se lembra do terror que foi em tempos visitar o Anderlecht?) e, uma vez mais, se o FC Porto não conquistasse pontos seria por manifesta aselhice própria. Um penalty caído do céu salvou a noite, mas infelizmente mostrou que a grande exibição realizada frente ao Nacional já está em pergaminhos passados: não foi ponto de viragem, foi até ver a exceção. 

Não é que uma vitória tirada a ferros, em cima do apito final, não saiba bem. Sabe. Mas já tivemos amostras suficientes disso esta época. Como não vai dar para contar sempre com um penalty nos descontos, há muito mais para melhorar - essencialmente, o mesmo desde o início da época - do que para celebrar. 




Layún (+) - Mal defensivamente na primeira parte, absolutamente decisivo do meio-campo para a frente desde então. Galvanizou a equipa para a reviravolta, não só pelo bom golo que marcou, mas também pela forma como empurrou a equipa para a grande área adversária, onde entrou 9 vezes, além de ter recuperado 11 bolas. Foi também o jogador com maior acerto de remate (3/4). Tendo em conta que a nossa dupla de avançados rematou pela primeira vez nos últimos 15 minutos, isso diz tudo do papel que Layún desempenhou em terrenos mais adiantados.

Iván Marcano (+) - Impecável. Em 3 jogos de Champions, fez apenas duas faltas. Isso não faz dele um central macio, mas sim que sabe jogar limpo, é prático, joga simples e evitou por várias vezes males maiores para a baliza do FC Porto. Está a ser dos melhores do FC Porto desde o início da época, e não é por um défice de qualidade em seu redor: tem mesmo sido eficiente. Não bate com a mão no peito, não dá entrevistas, não escreve #somosporto todos os dias: Marcano limita-se a ser um bom profissional, empenhado e responsável. Que ousadia, Iván!


Danilo Pereira (+) - Ser o médio-defensivo do FC Porto é uma trabalheira. A Danilo Pereira, não lhe bastou as muitas bolas que recuperou (9) e os lances de corpo-a-corpo que disputou contra os mais corpulentos belgas (14). Com Óliver a correr muito (está no top10 com mais quilómetros na Champions), mas sem grande orientação, e Héctor Herrera a regressar ao 8 (não a posição, mas o seu limbo de exibições entre o 8 e o 800), foi Danilo a empurrar a equipa para a frente, procurando correr para terrenos que não deviam ser seus. Quase sempre bem no passe (89%), uma garantia de equilíbrio. 

Outros destaques (+) - As entradas de Brahimi e Corona foram absolutamente decisivas. Agitaram um jogo no qual Herrera e Diogo Jota não estiveram bem. O FC Porto ganhou velocidade, verticalidade, capacidade de rasgo nas e a partir das alas. Se jogassem sempre com a postura e empenho demonstrado ontem, Nuno dificilmente pensaria em abdicar do 4x3x3. Otávio voltou a estar em alguns dos principais lances de perigo do FC Porto (muito bem na desmarcação para Layún) e foi dos poucos a desequilibrar na primeira parte. Um par de boas intervenções de Casillas e nervos de aço de André Silva num momento de enormíssima pressão. Os penaltys não eram uma especialidade sua na formação, mas quem não treme num momento como aquele revela estofo para assumir essa responsabilidade. Claro que a conversa seria outra se o guarda-redes se tivesse lançado para a esquerda, mas um bom penalty é aquele que é rematado para o lado... de dentro. 




Outra vez, pequenos (-) - Não vale a pena repetir críticas a Nuno Espírito Santo. Tentou dar continuidade às coisas boas que o FC Porto fez na Choupana, mas nada foi igual. Vimos, essencialmente nos primeiros 60 minutos, uma equipa de posse de bola estéril, quase inofensiva no último terço, novamente com mentalidade de equipa pequena. O meio-campo foi um poço sem ideias. O FC Porto teve a felicidade de marcar um golo em contra-ataque e um de penalty, mas são circunstâncias e resultados que só podem maquilhar o resto.

O FC Porto dificilmente sairá deste limbo: quando a equipa ganhar, os adeptos, portistas de coração e com boa vontade face ao presente e futuro do FC Porto, vão tentar enaltecer as coisas boas, mesmo que elas não existam; vão repetir «assim sim!», que a equipa está a crescer, que afinal há qualidade e que há raça e crer na equipa; quando o mau resultado voltar a aparecer, recuperam as críticas antigas, tendo sempre Nuno Espírito Santo como alvo principal, por, pasme-se, estar a jogar exatamente da mesma forma que sempre jogou na sua carreira de treinador. Ninguém pode dar mais do que tem, mas confirma-se que é muito mais fácil revelar ambição como guarda-redes suplente do que como treinador principal.

Agora o Arouca, equipa mandada para fora da Taça pelo Real Massamá, que ganhou apenas um jogo esta época e joga à imagem do seu treinador: equipa atrás da linha da bola, borradinha, com esperanças de que o placar não chegue a mexer. Por outras palavras, tem tudo para nos moer o juízo.

domingo, 11 de setembro de 2016

Normalidade

Estar já descansado aos 56 minutos, com a equipa a vencer por 3x0 no Dragão e com o resultado controlado no Campeonato. Um luxo que já não acontecia há um ano e cinco meses. O problema resolveu-se com três golos no espaço de menos de 20 minutos, mesmo em lances que obedecem sempre a peripécias específicas (bola parada, remate desviado e auto-golo), com as limitações óbvias de uma equipa que jogou num novo esquema e com os malefícios provocados pela pausa para as seleções, antes da estreia na Champions.

Não foi brilhante, mas houve brilho suficiente para que todos regressassem a casa satisfeitos e com sensação de dever cumprido. Ganhar em casa ao V. Guimarães é normal (19 vitórias nos últimos 20 jogos). E ontem foi normal o FC Porto vencer. Como tem que ser em todos os jogos desta dimensão. 





Óliver Torres (+) - É um daqueles predestinados que tem o tom de, além de acrescentar qualidade por si próprio à equipa, consegue libertar a qualidade dos que o rodeiam. A forma como oferece soluções aos colegas, une os setores e faz fluir o jogo, sempre com um acerto notável no passe (91%), não deixa dúvidas sobre a valia que é tê-lo no plantel. Jogou ligeiramente mais descaído para a faixa esquerda, mas com liberdade para pisar todos os terrenos. Se Nuno não cometer o erro de querer fazer dele mais extremo do que médio, será sempre Óliver e mais 10. Libertar Óliver é libertar o FC Porto.


Iván Marcano (+) - A confirmação de um excelente início de época. Tem sido dos melhores e mais regulares jogadores do FC Porto neste arranque. Fez um golo, mas foi pelo seu papel na defesa que mostrou que Boly, por muito que tenha sido uma contratação caríssima, não tem espaço para entrar neste momento na defesa. Entre cortes e desarmes, foram 11 intervenções de Marcano na defesa. Está confiante, forte na antecipação, competente no jogo aéreo e no início de construção. A dupla com Felipe está a funcionar e, a nível interno, tem que ser mais do que suficiente para consumo. 

Danilo Pereira (+) - Com os laterais muito projetados no ataque e com André André, Óliver e Otávio sempre a pisar terrenos mais adiantados, foi o tampão que manteve o FC Porto equilibrado e seguro na retaguarda. Essencial durante a primeira meia hora, na qual o FC Porto não esteve bem e permitiu que fosse o Guimarães a equipa mais perigosa até ao momento. Acerto em 94% dos passes, 6 desarmes e 6 recuperações de bola. Uma garantia de segurança, de regresso à boa forma, não esquecendo que teve uma pré-época atribulada. 

Outros destaques (+) - Miguel Layún continua a ser o denominador comum na capacidade do FC Porto em criar perigo nas bolas paradas. Bateu o canto para o 1x0, atirou à trave e ainda fez o cruzamento para o 3x0. Jogando no lado direito pode não ser tão forte nos movimentos interiores, mas voltou a ser de uma disponibilidade imensa - incrível o sprint que faz aos 89 minutos, para tentar fazer o 4x0, depois de só ter chegado ao Porto na sexta-feira. Isto, meus senhores, é a definição pura de um jogador à Porto.

Alex Telles esteve bem na constante profundidade que deu ao flanco esquerdo e nos vários cruzamentos que tentou. André Silva teve um falhanço daqueles que ninguém perdoaria a um Marega, um Varela ou um Herrera (é a verdade, goste-se ou não), mas fez um jogo competente numa nova posição. É uma tarefa ingrata, pois até ao momento jogou sempre na posição da qual foi desviado para entrar Depoitre, mas garantiu sempre amplitude ao ataque do FC Porto e saídas rápidas na frente. Tem que melhorar o 1x1 para jogar mais vezes aqui, ainda que não haja dúvidas que a sua melhor posição é a 9. 

Palavra então para Depoitre. Em termos práticos não criou muitos lances de perigo (um bom cabeceamento na primeira parte e uma chegada atrasada a um cruzamento de Óliver), mas destacou-se pela dimensão física que deu na hora de segurar e disputar a bola (ganhou todos os lances aéreos que disputou), além de ter penteado a bola para o golo de Marcano. Depoitre é isto: uma solução diferente na hora de tentar arrombar defesas, que não tem culpa dos custos e contornos da sua contratação. Mas que a sua titularidade não signifique um abuso da tentativa de jogo direto e bola para o ponta-de-lança, como se notou em vários momentos do jogo (pontapé de saída, bola no Alex Telles e balão para a frente? Really?).





Demasiada expetativa (-) - Com Nuno Espírito Santo, o FC Porto passa a ser uma equipa que aposta mais em transições rápidas. Mas isso não pode significar alergia à posse de bola, sobretudo na hora de gerir a vantagem. Depois do 3x0, o FC Porto entrega por completo a iniciativa de jogo ao Guimarães, deixando de pressionar e de querer ter bola no meio-campo adversário. O resultado era confortável, mas o FC Porto tem que ter a capacidade de descansar com bola, de manter a posse como forma de gerir a vantagem, ao invés de deixar de pressionar. Sobretudo porque fazer isto com 3x0 no marcador não será a mesma coisa do que tentar fazê-lo com 1x0. Livrem-se.

A demora em entrar (-) - Nos primeiros 25 minutos, só uma equipa tinha rematado à baliza, e tinha sido o Guimarães. Podemos já falar do golo anulado a André Silva: Nuno Espírito Santo diz que foi bem anulado, mas o lance é no mínimo duvidoso. Tanto que 2/3 d'O Tribunal O Jogo considera que o golo foi limpo, enquanto também identificam dois penaltys por marcar a favor do FC Porto e um vermelho por mostrar ao Guimarães. Jorge Sousa é, opinião, o melhor árbitro português. E é por isso que devemos estar preocupados: todos os lances que suscitam dúvidas estão a ser assinalados contra o FC Porto. Foi assim em Alvalade, foi assim ontem; foi assim com um internacional precoce, foi assim com o melhor árbitro português. Nuno quer ser politicamente correto, quer ser elegante, mas até Rui Vitória, o homem que não falava de arbitragens, percebeu que tinha que ter uma abordagem diferente. Não queiramos ser bons rapazes em demasia.

Quanto ao jogo propriamente dito, a primeira linha de pressão não estava a funcionar. O FC Porto pressionava com os primeiros 5 homens na frente, mas recuperou poucas vezes a bola perto da grande área do Guimarães. Pressionar só com uma primeira linha não funciona: a equipa tem que subir toda, de modo a obrigar o Guimarães a recorrer ao chutão ou a errar. Colocar André Silva, Otávio ou Óliver atrás do portador da bola, mas sem com isso encurtar o campo com a subida da linha defensiva, desgasta a equipa e não asfixia o adversário. Felizmente, uma bola parada e um remate feliz a abrir a segunda parte simplificaram tudo. Saímos satisfeitos no final dos 90 minutos, mas nem sempre poderemos contar que bons 20 minutos se sobreponham aos restantes 70. E isso vale já para quarta-feira.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Prova dos 9 ultrapassada

É o som de «Arrivederci Roma» que começamos com um facto... Bem, tirem as conclusões por vocês próprios: a Roma teve mais jogadores expulsos neste play-off contra o FC Porto do que o Benfica no seu ciclo de tricampeão. Sim, mais jogadores expulsos em 180 minutos (para ser mais exato, em 140 minutos) do que em 3 campeonatos inteiros. 

Posto isto, o FC Porto conseguiu uma das mais marcantes vitórias do passado recente. A Roma era favorita em toda a linha, e depois do resultado no Dragão ainda o era mais. Não seria pelo resultado de hoje que o FC Porto perderia o acesso à Liga dos Campeões. Não ganhar em Itália é normal. Perder com Aroucas e Tondelas é que não o é. Por isso, é uma vitória histórica, por o FC Porto ter desafiado o favoritismo da Roma, o desnivelamento financeiro (que curiosamente só existe ao nível do valor já investido em contratações, pois segundo a Gazzetta dello Sport a Roma paga salários inferiores aos do FC Porto - 55,5M€ em 2015-16), a própria história e de ter contornado debilidades a nível de construção do plantel com uma vitória que não faz ninguém ir do 8 ao 80, inclusive escrita numa noite atípica (não é todos os dias que se joga contra 9 jogadores, e a euforia pós-jogo não pode cegar um factor que teve, de facto, alguma influência na partida), mas que reacende aquela chama de crença que carateriza o portismo. 

Foi um objetivo alcançado, foi uma noite feliz, foi uma boa injeção de motivação para Alvalade. Foi um jogo que tão cedo não veremos repetido, mas que nos deixa plenamente satisfeitos e motivados, embora sem embandeirar em arco. Os portistas muitas vezes conseguem ser, simultaneamente, os adeptos mais exigentes do mundo e também aqueles que de menos vitórias necessitam para reacender a motivação. Não podemos ser o clube que está no limbo entre a euforia e a depressão. Esta equipa foi a mesma que empatou na primeira mão, que esteve a perder em Vila do Conde e que só marcou perto do fim ao Estoril. Tem qualidades, tem defeitos. As qualidades são para serem enaltecidas, elogiadas e potenciadas. Mas não servem para esconder os defeitos, que devem sempre ser identificados e trabalhados. Agora, Alvalade. 





Iker Casillas (+) - Casillas não fez o melhor jogo da sua carreira no Olímpico de Roma. E todos ainda se recordam daquela fífia no jogo da primeira mão. Mas para a história fica isto: nenhum jogador da Roma conseguiu marcar a Casillas em 180 minutos de Champions. Que mais se pode pedir a um guarda-redes? É certo que o mérito é sempre repartido pela defesa e pelo processo defensivo da equipa, mas Iker fez uma série de defesas importantes na eliminatória e revelou-se um elemento decisivo. Um FC Porto que não sofre golos é um FC Porto que estará sempre mais perto de vencer. É Casillas o destacado, mas em representação pela valia de o FC Porto não ter deixado nenhum romano marcar. 

Centrais (+) - O melhor e mais consistente Felipe (hoje chamar-lhe-ia Felipão, mas o Scolari ainda pensa que o estou a elogiar) até ao momento formou uma dupla de betão com Marcano, que está a ter um início de época de elevado nível. Limitar Dzeko a um único remate é obra. Fortes pelo ar, confiantes e limpos no desarme, sem deixarem espaço nas costas da defesa e sem tremerem perante um adversário com bons atacantes e que precisava de marcar. E sim, o FC Porto deve continuar a ver com bons olhos a chegada de um central. Estes são os mesmos centrais que tremeram na primeira mão, e não podem esperar que uma equipa em inferioridade numérica ataque tanto e de forma tão contínua como uma equipa que joga com 11. Felipe e Marcano fizeram um bom jogo, mas usar este único jogo como conclusão de que o FC Porto não necessita de mais um central é um tiro que pode fazer ricochete durante a época, nomeadamente nos clássicos e na Champions. A ter em atenção já no domingo.


Os mexicanos (+) - «E agora, como é que eu mantenho este gajo no banco?» Se não é nisto que Nuno está a pensar, devia ser. Layún, uma vez mais, foi absolutamente decisivo. Entrou a frio para o lugar de Maxi e mostrou toda a sua capacidade durante 45 minutos, mesmo no flanco oposto. Esteve impecável defensivamente (a ideia pré-concebida de que Layún defende mal está tão enraizada que nem notam as melhorias que tem tido neste aspeto), com uma disponibilidade física útil e impressionante, obrigando sempre o FC Porto a acelerar o jogo pelo seu corredor. Herrera viu que Layún estava com a corda toda, e soube desmarcá-lo na perfeição para o 2x0. Um jogo equilibrado de Herrera, bom no passe e que também esteve na jogada para o 3x0, num golpe individual de Corona (Manolas ainda anda à procura dele). É este o Corona que faz falta ao FC Porto: mais objetivo, a progredir com a bola colada ao pé e sem caixinhas pelo meio. Foi o jogador que mais jogadas de perigo criou e o golo foi um justo prémio, além de estar mais maduro a defender. Se fosse homem de apostas, diria que vai fazer mais do que Rafa em 2016-17. Depende de Corona mostrar que é capaz. Os mexicanos foram bons e recomendam-se, numa noite em que é difícil escolher quem não mereça destaque positivo, desde Danilo a André André. Para já ficam estes. Há espaço para mais no domingo, por isso quem quiser que se chegue à frente.

Pressão (+) - Cada vez mais, o FC Porto está a apostar num 4x2x3x1. Uma das formas de condenar esta tática às críticas é chamar-lhe «duplo pivô». Mas não é por aí que merece ser destacada, mas sim pela forma como o FC Porto meteu os 4 homens mais adiantados na pressão ao início de construção da Roma. Não só inibiu como enervou a equipa adversária. Só André Silva é verdadeiramente forte fisicamente, mas Otávio, Corona e André André/Herrera são capazes de uma pressão aguerrida, como se de carraças se tratassem. Não se encolher perante a Roma foi essencial. É certo que o FC Porto acabou por não criar muitas ocasiões de golo na primeira parte, mas a forma como impediu que a Roma fizesse o que fez nos 30 minutos iniciais no Dragão equilibrou tudo. Ah, e finalmente um livre bem estudado: Danilo, Marcano e Felipe, os mais altos e fortes no jogo aéreo, a atacarem a meia direita da grande área, onde Otávio meteu a bola. Simples e eficiente. 





Tremer sem razão (-) - A partir do momento em que o FC Porto está a vencer e a jogar contra 9, é óbvio que as exigências e perspetivas da eliminatória mudam. E aqueles 15 minutos, entre a segunda expulsão e o 2x0, deixaram o FC Porto num nervosismo imenso e inexplicável. A equipa parecia dividida entre o medo de sofrer estando a jogar contra 9 e a pressa de fazer o 2x0. Jogando contra 9, basta trocar a bola tranquilamente, que as linhas e o espaço abrem-se sozinhos (o lance do 3x0 foi um excelente exemplo). Aliado a isto, a saída de Otávio, para a entrada de Sérgio Oliveira, foi um Ai Jesus. Sérgio Oliveira entra e acumula uma série de más decisões (perde a bola, vê cartão e permite um ataque pelo seu lado em 40 segundos), impróprias para quem não quer ser considerado o elo mais fraco do meio-campo do FC Porto. O golo de Layún tranquilizou toda a gente, e a partir daí o FC Porto estabilizou por completo, mas com a possível chegada do #30 alguém terá de saltar. E aquele camisola 3 que vimos ontem entrar em campo em Roma bem precisa de um abanão, senão é um forte candidato.

Estamos na Liga dos Campeões. Parabéns aos jogadores, ao treinador e aos adeptos que apoiaram a equipa ao longo da eliminatória, sobretudo aos que se fizeram ouvir em Roma. Mereceram!