Mostrar mensagens com a etiqueta Martins Indi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Martins Indi. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A contratação e os reforços

Já lá vai mês e meio desde a contratação de Sérgio Conceição, mais três semanas de trabalho de pré-temporada, com o ciclo habitual - muita motivação, sede vencer e uma pressa descomunal em querer ver algo de diferente em relação à última época (os treinadores anteriores também passaram por isso - e neste caso, pegou a imagem de um FC Porto mais rematador e incisivo na proximidade da grande área, algo impossível de concluir após dois jogos particulares numa digressão pelo México). Irrelevante, como em muito do que se possa passar durante uma pré-temporada - o ideal, nesta fase e por mais irónico que possa ser, é expor tantas fragilidades quanto possível, de modo a que não deixem dúvidas de que necessitam de ser colmatas (seja com mais tempo de trabalho, seja com recurso ao mercado). Só conta a partir do dia 9 de agosto. 

Porém, a amostra nos primeiros 45 minutos em Guimarães já revelou um FC Porto muito, muito próximo do que se poderá idealizar para a época 2017-18. Maior facilidade para jogar ao primeiro toque e procurar a tabela perto da grande área; maior movimentação e versatilidade no último terço; capacidade de colocar mais gente na frente sem que isso implique a perda de equilíbrio no momento do contra-ataque; e uma dinâmica forte e funcional na tentativa de assegurar, simultaneamente, a profundidade através da subida dos laterais e presença no jogo interior. 

Muito positivo, restando apenas acrescentar um detalhe que pode fazer a diferença ao longo da época: quando há uma presença forte no ataque, os golos podem acabar por surgir em lances isolados, e não necessariamente através do que se construiu. Foi o caso dos golos de Aboubakar e Soares, que não nascem das melhores jogadas que o FC Porto fez na partida, mas que revelam o oportunismo que vai ser necessário muitas vezes para somar pontos - forçar o erro do adversário ao invés de tentar seguir o plano de construção da própria equipa. Sem dúvida, uma exibição que aguça a vontade de todos em ver mais deste FC Porto, apesar da expulsão de André André ter tornado a segunda parte atípica. 

Enquanto isso, o mercado. Até ver, o FC Porto fez uma contratação e ainda não foi buscar reforços ao mercado, mas já os tem. Vamos por partes.

Vaná foi o único jogador comprado pelo FC Porto até ao momento, um nome que não garante nada além de mais uma alternativa a Iker Casillas para a época 2017-18. Foi contratado para ser suplente de Peçanha no Feirense, mas saltou para a titularidade à 8ª jornada e foi um nome determinante para que o Feirense se aguentasse na primeira liga. 

Fez portanto uma época interessante, como é habitual vermos muitos outros guarda-redes da Primeira Liga o fazerem - foi isso que fez com que guarda-redes como Fabiano ou Bracalli saltassem para o FC Porto. Se garante alguma coisa para o FC Porto na época 2017-18, não garante, pois Iker Casillas tem a titularidade assegurada, salvo alguma eventual lesão.

Contrato até 2021
Quem não se lembra do muito criticado Fabiano, que foi só e apenas o guarda-redes menos batido das Ligas europeias na época 2014-15, e ainda assim não faltou quem lhe passasse o atestado de insuficiência para as balizas do FC Porto? O que Vaná fez no Feirense Fabiano fez no Olhanense, por exemplo. Agora, ser o guarda-redes menos batido das Ligas europeias (algo que se torna sempre mais fácil de alcançar quando há uma grande defesa à frente), isso já não é algo que se testemunhe frequentemente. 

Vaná é portanto uma contratação, não um reforço. E foi precisamente esta a premissa do post Contratações ou Reforços, feito há ano e meio que centrava outro nome implicado nesta contratação de Vaná: José Sá.

Conforme perspetivado, José Sá tem passado a sua estadia no FC Porto a conviver mais com o banco do que com a hipótese de jogar. Neste caso, não interessa o nome ser José, Miguel ou Artur: enquanto Iker Casillas estiver no FC Porto, o lugar será dele. E embora José Sá nunca tenha evidenciado ser um guarda-redes particularmente acima da média na sua geração, só terá hipóteses de evoluir jogando regularmente na próxima época. No FC Porto não o conseguirá, logo, a entrada de Vaná convida à sua saída, apesar de Sérgio Conceição não ter aberto o jogo quanto a isso. 

A baliza, no entanto, estará no fundo da lista de preocupações. Se Casillas renova por mais um ano, é para assegurar a titularidade ao longo da temporada. Há sempre o risco de uma lesão, mas já o havia o ano passado. Dentro de um ano a sucessão será provavelmente um tema de grande preocupação, mas para já o FC Porto volta a ter um nome que, desportivamente, dá garantias. 

Temos então a primeira e única contratação até ao momento, mas não é o mesmo que dizer que não há reforços. Há, e apesar de Vaná ser a única compra, o plantel não está de todo mais fragilizado do que o da temporada passada, que é o que por norma acontece quando o FC Porto começa a vender jogadores.

Entre os jogadores que caberiam nos planos para 2017-18 sem margem para dúvidas, destacam-se obviamente as saídas de Rúben Neves e André Silva. Rúben Neves, cuja operação já foi aqui descrita à melhor maneira de um prós e contras (que os há, sem dúvida), é um dos maiores talentos à escala mundial, mas dificilmente emergiria como primeira escolha para 2017-18, essencialmente devido à permanência de Danilo Pereira. Ainda que não haja uma alternativa ao nível de Rúben Neves, não é por aqui que o FC Porto, para o curto prazo, ficou fragilizado.

Quanto a André Silva, a venda ao AC Milan, por 38 milhões de euros, só é má se tivermos em conta que Pinto da Costa garantiu aos sócios que tinha rejeitado uma proposta de 60 milhões por ele. Se não fosse isso, seria uma venda bastante boa, próxima dos valores pelos quais foram saindo grandes avançados do FC Porto, como Falcao ou Jackson. André Silva poderia, sem dúvida, evoluir e render mais após mais uma época no FC Porto, mas dificilmente um jogador do futebol português se valoriza além da fasquia dos 40/45 milhões de euros. 

Desportivamente, e apesar de ter sido uma boa venda, o FC Porto perdeu um jogador importante, muitas vezes mais pelo trabalho que desenvolvia do que pelos golos que marcava. Mas objetivamente, André Silva fez 11 golos de bola corrida em 2016-17 no Campeonato. Ora, são números que um Aboubakar de cabeça limpa ultrapassa com facilidade. E se é certo que André Silva dava outras coisas ao FC Porto, Aboubakar também tem caraterísticas únicas no futebol português. 

Dois reforços sem ir ao mercado
Todos se recordarão que Aboubakar disse que não queria voltar ao FC Porto. São declarações que ninguém gosta de ouvir, mas que têm um contexto. Inicialmente, era suposto o Besiktas ficar com Aboubakar - só não o fez por causa do Fair-Play Financeiro da UEFA. Assim, o que tinha sido prometido ao jogador era que seria comprado no final do empréstimo. Não foi isso que aconteceu.

Além disso, é bom recordar que Aboubakar foi afastado do plantel do FC Porto por causa de um tal de Laurent Depoitre. Aboubakar ficou fora da lista da Champions de um dia para o outro, para que pudesse ser inscrito Depoitre. Então imaginem o ridículo quando se conclui que, na verdade, Depoitre nem sequer poderia ser inscrito para o play-off com a Roma. 

Aboubakar tem tudo para ser um reforço em toda a linha, mas há uma situação contratual para resolver o quanto antes. Nenhum jogador sub-30 do plantel principal deve iniciar uma época em final de contrato, sob pena de o ver assinar em janeiro por outro clube. Aboubakar é um jogador com mercado e potencial, tornando-se ainda mais apetecível por não haver CAN em 2018 a atrapalhar. Pelo dinheiro que renderia numa eventual transferência, o FC Porto não só dificilmente recuperaria o que já investiu em Aboubakar como não teria garantia nenhuma de ir buscar um avançado melhor ao mesmo preço.

Outro reforço, a todos os níveis, é também Ricardo Pereira, que torna Maxi Pereira num pequeno grande problema. No plantel, Maxi é um dos poucos jogadores que sabe o que é ser campeão, ainda que o tenha sido pelo rival. O seu espírito competitivo deixa-o em condições de fazer mais uma época, sem dificuldades, mas há que lembrar o quão raro e difícil é vermos um lateral de 33 anos no FC Porto. 

A um ano do final de contrato, que presente para Maxi Pereira? Ricardo dá todas as garantias para jogar a lateral-direito (tem a margem de progressão e a disponiblidade física para recuperar no corredor que Maxi já não tem), embora Sérgio Conceição já tenha deixado claro que tem também algumas expetativas sobre Ricardo numa zona mais adiantada. Seja qual o for o problema, ainda assim, Ricardo será parte da solução. 

Rafa vai ter mais dificuldades em jogar em 2017-18, tendo em conta que há várias opções para as laterais, mas é interessante traçar o paralelismo com os investimentos de 2011-12, quando o FC Porto investiu mais de 25 milhões de euros em Danilo e Alex Sandro; neste caso, já há dois laterais de presente e futuro que não implicaram nenhuma loucura.

Ainda na defesa, há Diego Reyes e Martins Indi, mas provavelmente só um ficará no FC Porto. Jogaram com regularidade na última época, mas aproximam-se do final de contrato, implicaram investimentos caros (no caso de Reyes, há ainda o problema de o seu passe ter sido partilhado, desde o início, com uma offshore de Pini Zahavi) e por isso quem ficar tem que renovar. Em cada um deles há um problema no seu perfil enquanto central: Diego Reyes, sendo ectomorfo, continua a ter dificuldades na dimensão física, mas continua a ter um punhado de caraterísticas que podem fazer dele um belíssimo central; no caso de Martins Indi, tem um grande problema no jogo aéreo, a única coisa a limitá-lo enquanto central. Cabe a Sérgio Conceição e às oportunidades de mercado decidir quem fica. 

Entre os recuperados para o plantel principal, destaque ainda para três nomes: Sérgio Oliveira, Mikel Agu e Hernâni. Sérgio Oliveira foi treinado por Sérgio Conceição no Nantes, mas não foi uma única vez titular com ele, tendo jogado apenas 109 minutos na Liga francesa, apesar de só não ter sido convocado para 3 jornadas. Se Sérgio Conceição não viu grande espaço para Sérgio Oliveira no Nantes, dificilmente acontecerá no FC Porto, tornando-o um forte candidato a ser vítima da sobrelotação do meio-campo. 

Mikel anda a trabalhar perto do plantel principal do FC Porto desde os tempos de Jesualdo Ferreira e é um dos jogadores oriundos da formação que mais oportunidades - e contratos - tem tido (melhor só mesmo Abdoulaye, emprestado pela 8ª vez - mais 7 ou 8 empréstimos e fica no ponto para ser opção no FC Porto). Após uma má experiência na Bélgica, jogou com regularidade em Setúbal, a médio defensivo, ele que curiosamente fez os seus melhores jogos pelo FC Porto B quando jogou a central. Veremos se ficará no plantel, embora pouco leve a crer que possa ser mais do que a sombra de Danilo e que encontre algum espaço nas Taças. A seu favor, o facto de poder ser inscrito na lista A da UEFA como jogador da formação. 

Sobra Hernâni, que nunca revelou créditos para ser opção no FC Porto, para além do trunfo que é a sua velocidade. Fez uma boa época em Guimarães, mas não é jogador para ultrapassar o campo da rotatividade e da utilidade em alguns jogos no FC Porto; sem ter estofo para ser opção regular no 11 inicial, cabe ao FC Porto estudar uma solução de mercado que garanta dois jogadores - um extremo com qualidade para entrar no 11 e «puxar» o melhor de Corona, Brahimi ou até Otávio e mais um ponta-de-lança, sobretudo se o 4x4x2 for para manter. Dois jogadores que hão-de chegar, de preferência dentro das próximas duas jornadas, pois a sua necessidade é clara. Tanto quanto o facto de nem valer a pena andarmos a tentar enganar alguém com Marega.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Análise 2015-16: os centrais

O FC Porto terminou esta época da mesma forma que terminou 2014-15: sob um grande clima de suspeita face à qualidade dos seus centrais. Normal, tendo em conta que os 30 golos sofridos foram a 3ª pior marca de sempre num campeonato a 34 jornadas.

Ironicamente, os centrais foram praticamente os mesmos de 2014-15, exceção feita à entrada de Chidozie a meio da época. E na época passada, mesmo entre muitas críticas, Maicon, Marcano e Indi acabaram por integrar a defesa menos batida da Europa.

Não era fácil. O FC Porto perdeu, no espaço de 6 meses, dois centrais de classe mundial (Otamendi, o melhor em muitos anos, e Mangala) e o melhor amigo de qualquer defesa, Fernando. Teve que se habituar a jogar com um novo guarda-redes, Fabiano, também ele tantas vezes contestado. E ainda assim, marcar ao FC Porto foi sempre difícil para qualquer clube. 

Mas este ano tudo mudou. O FC Porto contratou um novo guarda-redes, trocou os laterais e optou por não reforçar o centro da defesa. O resto é o que se sabe.

Apesar da troca de treinadores, e de José Peseiro ser um treinador que sempre preparou mal as suas equipas defensivamente, grande parte dos golos sofridos pelo FC Porto não se deviam a exposição na transição defensiva, mas sim por erros individuais dos centrais. Foram muitos, demasiados.

Embora o FC Porto não tenha tido um jogador a garantir golos como Jonas ou Slimani, a equipa deste ano fez mais golos do que o FC Porto de Co Adriaanse ou do que no bicampeonato de José Mourinho. Ofensivamente, não há desculpas para uma equipa que não marca ao Tondela ou ao Paços de Ferreira. Mas foi o mau desempenho defensivo que esteve na base da derrocada que foi esta época. 

É naturalmente um setor a precisar de ser reforçado e há dois nomes na minha da frente, ambos oriundos do mercado sul-americano, Felipe e Gustavo Gómez. Mas como sempre, antes de pensar em que vem, há que decidir quem deve ou não ficar. 

Contrato até 2018
Maicon - Capitão, iniciou a sua sétima época no FC Porto, começou em boa forma e a marcar golos importantes, até que chegou o momento que todos se recordam. Maicon foi riscado do plantel e emprestado ao São Paulo, depois de ter renovado contrato por mais um ano, até 2018. Pinto da Costa já disse que no FC Porto não há «pena de morte» e anunciou que Maicon vai regressar. Não sabemos ainda quais são os planos efetivos para Maicon, pois ou o regresso é mesmo possível, ou pode ser um sinal dado ao mercado de que o jogador não estará em saldos. 

O Tribunal do Dragão concorda com a reintegração do jogador no plantel, se houver predisposição de todas as parte para assumir e ultrapassar o erro que foi cometido por Maicon, jogador que ao longo de 6 anos sempre foi um bom profissional e que não raras vezes se sacrificou em campo pelo FC Porto. Tirando as charutadas às quais insiste em chamar passes longos e a mania de complicar o que deve ser simplificado, Maicon é um elemento de valia desportiva. Ser ou não titular sempre dependeu da qualidade dos seus parceiros de setor (Bruno Alves, Rolando, Otamendi ou Mangala eram superiores), mas é um elemento de qualidade para se ter no plantel.

Superou as expetativas no São Paulo, sendo um dos centrais do Brasileirão em melhor forma nos últimos meses. Vai fazer 28 anos, e não deixa de ser curioso que o melhor Maicon, no São Paulo, não deva muito - se é que deve algo - ao melhor Felipe do Corinthians. A diferença estará sempre na consistência exibicional, algo que faltou várias vezes a Maicon no FC Porto. 

É um caso em que qualquer decisão poderá ser compreendida. Ou a saída, mediante uma boa proposta, ou a permanência no plantel. É bom lembrar que, até à sua saída, era o central com mais duelos e bolas de cabeça ganhas no FC Porto. Além disso, entre todos os centrais da liga, era o central com melhor média de desarmes no 1x1 e o segundo melhor no jogo aéreo, só atrás de André Pinto, do Braga. Certo é que, com ou sem Maicon, o setor defensivo necessitará de ser reforçado. E o regresso de Maicon não será esse reforço, ainda que ajude à profundidade no plantel.

Contrato até 2018
Martins Indi - Quando o FC Porto comprou Martins Indi em 2014, num investimento de 7,7M€, muitos imaginariam que, passados dois anos, já seria o patrão da defesa do FC Porto, seguindo o exemplo da evolução de Mangala. Infelizmente, não foi o caso, e Indi não conseguiu evoluir como seria de desejar nestes dois anos. 

O problema de Indi está, acima de tudo, no jogo aéreo. Ganha poucas bolas de cabeça (na liga ganhou em média apenas 40% dos duelos aéreos) e não controla bem o espaço na grande área. Coisas que escapavam ao olho nu no Mundial 2014, ao serviço da Holanda. Indi jogava num esquema de três centrais, pelo lado esquerdo. Acontece que neste esquema o central que joga por fora é menos exposto ao jogo aéreo, o que fez com que as debilidades de Indi no jogo aéreo não se notassem tanto.

Jogar a defesa-esquerdo seria então solução? Não numa equipa como o FC Porto. Os laterais do FC Porto têm que jogar em profundidade, precisam de velocidade, saber cruzar, ter capacidade para ir à linha e ser fortes no movimento interior. Tudo caraterísticas que Indi nunca revelou. A grande valia de Martins Indi está no início de construção, na forma como faz o primeiro passe, mas isso não chega ser central de equipa grande.

Tem 24 anos, mais 2 anos de contrato, e está longe de ser um caso perdido. Pode e tem condições para evoluir. O FC Porto já acabou de pagar o seu passe ao Feyenoord, pelo que Nuno terá que decidir se Martins Indi tem capacidade para se assumir como titular no FC Porto. Certo é que não poderá acabar a época 2016/17, a um ano do final de contrato, ainda com dúvidas sobre se terá o estofo necessário para se afirmar no clube. Aliás, não é recomendável que um ativo de 7,7M€ fique a um ano do final de contrato, portanto a sua situação terá que ser resolvida a curto prazo. 

Contrato até 2018
Iván Marcano - Com a saída de Maicon, passou a ser o melhor central do plantel, com a maior percentagem de interseções, desarmes, duelos e duelos aéreos ganhos. É o central low-profile que nunca vai ser o líder de uma defesa, mas que é sempre um elemento útil para se ter no plantel. É o tipo de jogador que não vão ver a dar entrevistas, a violar a hora de recolher e a falhar nos deveres de profissional.

Infelizmente, acabou a época a errar no Jamor, num jogo de circunstâncias difíceis e em que mais 2 erros defensivos provocaram a perda de uma Taça. Era apenas a segunda vez que estava a jogar com Helton e Chidozie (nenhuma equipa que se preze vai a uma final da Taça com uma dupla de centrais + guarda-redes sem rotinas), mas não terá sido por isso que entregou o golo a Josué. 

Custou 2,65M€ por 100% do passe e vai fazer 29 anos. Com a chegada de dois novos centrais, é possível que Marcano, o central que não mostra os dentes, seja dado como negociável pelo FC Porto. Desportivamente é um elemento de valia. Não pode ser o patrão de uma defesa, mas pode ser sempre um bom parceiro de setor (e metam na cabeça que dois centrais canhotos podem jogar juntos, pela mesma razão que dois centrais destros o podem fazer). Uma vez mais, que a palavra de Nuno seja ouvida na composição da sua defesa.

Contrato até 2020
Chidozie - Sub-19, equipa B e equipa A na mesma época. Foi um carrossel de emoções para Chidozie, lançado às feras na Luz. O Tribunal do Dragão foi da opinião de que Diogo Verdasca, tendo o mesmo número de oportunidades que Chidozie, faria igual ou melhor. Opinião que se mantém, mas José Peseiro escolheu confiar em Chidozie, que acusou toda a sua inexperiência ao longo destas semanas.

A grande exibição de Casillas contra o Benfica disfarçou muita coisa. Chidozie comete os erros próprios da idade e da sua inexperiência. Bruno Alves, Jorge Costa ou Ricardo Carvalho não jogavam no FC Porto aos 19 anos por um motivo. O mesmo que penalizou Chidozie: inexperiência e falta de devida preparação. Repara-se que Chidozie nem sequer teve um parceiro consistente ao lado, o que não ajudou. Não houve jogo em que Chidozie não cometesse erros graves de posicionamento. Mais culpa das circunstâncias do que propriamente do jogador, que fez o que podia, sem a preparação devida.

E agora? Chidozie já fez meia época integrado na equipa A, por isso regressar à equipa B poderia ser encarado como um retrocesso. Empréstimo? É preciso cuidado, pois se Chidozie começar já a ser emprestado corre o risco de deixar de contar como jogador formado no FC Porto (tem época e meia feita). Apesar de a sua aposta, desportivamente e na prática, não ter dado os resultados desejados, continua a ser um jovem com muitas potencialidades e caraterísticas interessantes para o médio prazo. Há que apostar na sua evolução.

Por princípio, o 4º central de um plantel deve ser mais jovem, por isso Chidozie pode enquadrar-se nesse perfil. Treinar sempre com a equipa A, ir jogando ocasionalmente na equipa B. Mas Chidozie não tem 2 anos de FC Porto completos, por isso não pode ser inscrito na lista B da UEFA - e o FC Porto não pode voltar a cometer o erro de não ter 4º central para a Champions/Liga Europa (Verdasca, por exemplo, é elegível). Uma vez mais, tudo dependerá dos planos que o treinador possa ter a médio prazo para Chidozie.

Pergunta(s): Que futuro para Maicon, Chidozie, Indi e Marcano? Que centrais seriam mais-valias como reforços?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Jogar para perder por poucos

O FC Porto não jogou para não perder: jogou para perder por poucos. Seria muito difícil sair da Alemanha com um resultado positivo, não só dada a qualidade do adversário como as próprias limitações do plantel do FC Porto, que diz querer ganhar uma competição em que se estreia com o extremo a lateral, o lateral a central, um novo meio-campo e um ataque inédito, numa projeção de 4x4x2 que nunca o chegou a ser e que rapidamente voltou ao limbo do 4x3x3.

Mais do que começar a atacar as invenções de José Peseiro - até porque não foi pela readaptação de alguns jogadores que perdeu -, é altura de refletir: os mais recentes treinadores do FC Porto inventam por convicção, ou simplesmente tomam decisões em função da limitação do plantel? Dispensar um central, vice-capitão, para depois ir a Dortmund com esta inovadora defesa só nos melhores sonhos daria bom resultado. Já para não falar que temos um dos mais importantes jogadores da primeira volta (André André) rebentado fisicamente, mas a SAD optou por não reforçar o meio-campo no mercado de inverno.

Mas a verdade é que não foi pela posição de Varela (se tivesse apanhado Jorge Jesus na sua carreira, podem ter a certeza que tentá-lo-ia adaptar a lateral) nem de Layún (o lateral que não defende bem foi o melhor do FC Porto jogando como central) que o FC Porto fez tão pouco em Dortmund. Foi pela estratégia da equipa, que abandonou toda e qualquer identidade para passar a jogar como equipa pequena - ou, se preferirem, reconhecendo toda e qualquer superioridade no adversário.

O FC Porto nunca virou uma eliminatória depois de ter perdido por 2-0 fora de casa. Respeito e consideração por quem comprou, atempadamente, bilhete para a segunda mão é o mínimo e máximo que se pode pedir.






A destacar (+) - Casillas, sem culpas nos golos sofridos, fez o que pôde. Martins Indi fez um bom jogo de marcação a Aubameyang, embora tenha traído Casillas no lance do 2x0. Layún, sabendo-se que como lateral o seu ponto franco é defender, acabou por ser uma boa surpresa no centro da defesa, não cometendo nenhuma falha clamorosa. E Herrera voltou a ser o médio com melhor eficácia de passe do FC Porto, ao acertar 90,9% dos passes, embora, sabe-se lá porquê, ainda alimentem o mito de que Herrera é quem mais passes falha. Tentou ligar os setores e organizar a equipa entre a anarquia tática, em vão. A equipa não merece acusações de falta de empenho, pois esse não faltou. O problema foi outro...






Deixar jogar (-) - Chegou a ser frustrante a forma como o FC Porto se encolhia perante o Dortmund no início de construção. Onze jogadores atrás da linha da bola, sem pressionar. É certo que a equipa não podia abrir espaços para o Dortmund entrar no seu meio-campo, mas a perder e a precisar de marcar o FC Porto fez muitíssimo pouco. Mais do que o facto de só ter tido um terço da posse de bola, choca o FC Porto ter deixado o Dortmund ter uma eficácia de 90% de passe. Isso mostra que a equipa poucas vezes perturbou o Dortmund na troca de bola. Aliás, o Dortmund conseguiu uma sequência de 1m49s sempre a trocar a bola, à largura do campo, sem que o FC Porto a recuperasse.

Sem acutilância (-) - O FC Porto deixou o Dortmund ter bola, mas quando a recuperou pouco fez. O Dortmund só fez 6 faltas em todo o jogo, o que mostra que nunca precisou de ser uma equipa agressiva perante o FC Porto. O FC Porto fez apenas 3 remates em todo o jogo, contra 19 do Dortmund, e o mais perto que esteve de criar perigo foi num remate à figura de Sérgio Oliveira e na última tentativa de Suk, já perto do fim. O FC Porto raramente levou a bola a zonas de perigo, ao fazer apenas 3 passes para ocasião de golo. O Dortmund fez 16. Antes da Luz, Peseiro prometeu que o FC Porto ia manter a sua identidade, e manteve. Em Dortmund, abandonou-a por completo em prol de tentar perder por poucos. 

Outros destaques negativos (-) - Se Varela, aos 31 anos, faz em Dortmund a estreia numa nova posição, não parece correto apontar nada ao jogador. Rúben Neves esteve mal, particularmente no passe (falhou 10), e acusou a falta de dimensão física para um jogo desta natureza e o facto de estar rodeado de uma nova equipa, sem conhecer a dinâmica de passe da mesma. Os próximos meses não serão fáceis para Rúben Neves: passou de um treinador que privilegiava a transição lenta, apoiada e muita circulação de bola (onde Rúben Neves se destacava) para um que prefere transições mais rápidas, onde o médio mais recuado é menos solicitado no papel de circulação, além de ter que partilhar o espaço à frente da defensa com um segundo médio. Há muito para trabalhar.

Brahimi foi inconsequente, e meteu na cabeça que tem que fazer tudo sozinho quando a equipa, coletivamente, nada faz. O problema é que Brahimi não recua para dar linha de passe aos colegas, recua para agarrar-se à bola quando ainda tem 50 metros à sua frente. Nota-se que não sente a maior confiança no coletivo que o rodeia, mas não pode jogar assim. Nem um remate, um passe de rotura ou um cruzamento na linha de fundo para amostra. Aboubakar nunca foi solicitado, é certo, mas esteve sempre cercado pelo Dortmund e não conseguiu um único remate. Marega, numa exibição dentro das expetativas, já tem uma história para contar aos netos: um jogo completo ao serviço do FC Porto, em Dortmund, na UEFA. Um sonho realizado, mas podemos esperar muito mais de um jogador que, segundo o site oficial do FC Porto, «reúne características físicas e técnicas que fazem lembrar Hulk». De facto, quem tem um Hulk consegue ser campeão sem ponta-de-lança, como em 2011-12. Mas tomara que em 2015-16 a única carência fosse um ponta-de-lança. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Três pontos melhores do que tudo o resto


Jogar na Madeira já é, tradicionalmente, difícil. Com nevoeiro, interrupções e adiamento pior ainda. Contra uma equipa que, em 2015, não tinha perdido um único jogo em casa (algo que não é normal em clubes portugueses), pior ainda. Com a substituição forçada de Danilo, pior. E tendo o FC Porto, uma vez mais, mudado novamente o seu modelo de jogo o grau de dificuldade só subiu.

Não subscrevo os muitos elogios que já li em relação à exibição do FC Porto, sobretudo na primeira parte. O FC Porto nunca controlou o jogo na Choupana. Expôs-se sempre a um jogo partido, deixou o Nacional meter bolas na frente e interessou-se em espaços para transições rápidas que depois nunca chegou a aproveitar.

O FC Porto tinha/tem que aprender a incluir transições rápidas no seu modelo, sobretudo num contexto de campeonato português. Mas fazer isso durante 90 minutos é um risco tremendo. O Nacional podia perfeitamente ter chegado ao empate, pela forma como o FC Porto se expôs. Felizmente, a equipa aguentou e consegue três pontos que seriam difíceis de conquistar sob quaisquer circunstâncias. 





Martins Indi (+) - Marcano até faz um bonito golo, mas quase borrava a pintura em dois lances, ambos que justificariam penalty. Indi, por sua vez, fez uma exibição completa. Varreu tudo o que foi para o seu raio de ação, ganhou todos os lances de cabeça, bolas em antecipação, fez dobras a Layún e ainda foi fechar o flanco esquerdo com eficácia. Grande exibição.


Herrera (+) - Lopetegui entregou-lhe praticamente todo o corredor do meio-campo - Danilo e Rúben Neves não passavam da linha da bola e Imbula só o fez a espaços - e Herrera aproveitou para se libertar. Serviu várias vezes Aboubakar, distribuiu para os flancos, deu sempre solução de passe entre linhas e funcionou muito bem na pressão ao início de construção do Nacional. Apareceu também em zonas de finalização, algo obrigatório no 3º médio do FC Porto, e está na jogada do 2x1. Boa exibição. 

Outros destaques (+) - Na jogada do 2x1, o FC Porto consegue meter quatro homens na grande área, em vez de deixar apenas Aboubakar cercado de adversários. Resultado? Tínhamos um homem ao segundo poste (Corona), outro a aparecer para rematar em zona central (Herrera) e outro já a surgir no poste contrário para a recarga (Brahimi). É isto que o FC Porto precisa de fazer mais vezes no campeonato. Nota também para a exibição de Brahimi e para o envolvimento de Layún no ataque (mais uma vez excelente a cruzar).





Tudo partido (-) - O FC Porto foi do 80 ao 8: abdicou quase por completo de ter bola e expôs-se a um jogo que esteve quase sempre partido. O Nacional acabou por ter mais bola (51%), atacou mais (41-33) e só fez menos um remate do que o FC Porto (9-8). Além disso, o FC Porto esteve muitas vezes lento na reação à perda (Herrera era a exceção), tanto que só fez 13 faltas, o que indica que a equipa deixou o Nacional ter mais bola do que é habitual e foi pouco agressiva.

Estratégia planeada? (-) - Podemos perceber que a estratégia de Lopetegui ao lançar Evandro se tenha mantido. Não tinha a ver com a condição física, mas sim com um reforço do meio-campo, por mais que qualquer jogador fique insatisfeito por sair ao fim de 4 minutos. Curioso é que Brahimi ficou surpreendido por ele sair. Então, Lopetegui não explicou a que se iria dever a entrada de Evandro antes do jogo? Não fazia parte de uma estratégia já pensada e trabalhada para segurar o jogo? Esperaria Brahimi que fosse Corona a sair? Não se percebe. Se Lopetegui ia mudar a disposição passado 3 minutos, era algo para assumir e planear no balneário. Além disso, o FC Porto continuou a dar toda a iniciativa de jogo ao Nacional e não foi capaz de ter bola no meio-campo adversário. O FC Porto não estava interessado em jogar mais 15 minutos: só queria que os 15 minutos passassem. 

Aboubakar (-) - Luta sempre, mas isso não chega. Já não chega. Perdulário em frente à baliza, não ganhava bolas dividas, e depois quando conseguia progredir alguns metros não tomava a melhor decisão. Tem valor para muito mais e é por isso que leva destaque negativo: só esperamos o melhor de quem pode fazer o melhor. Como Aboubakar.

Anjinhos (-) - O FC Porto entra a ganhar com um golo madrugador, mas depois sofre um golo numa bola parada. No minuto seguinte, o Nacional já está a ganhar um canto e a chegar ao empate. Brahimi marcou mal Willyan, Layún meteu-se à bola como pôde e Casillas já não conseguiu evitar o empate. Isto, aliado, a dois penaltys (quase) oferecidos ao Nacional, são demasiados erros defensivos num só jogo, quer por falhas de marcação individual, quer por má abordagem dos defesas ao desarme ao adversário.

Ficam os três pontos, que era o mais importante. Segue-se um difícil jogo com o Feirense, equipa superior a vários conjuntos da primeira liga, antes de voltar ao Dragão. Essencial não falhar nenhuma etapa até 2 de janeiro e manter os níveis de concentração e profissionalismo no topo. Não vale a pena pensar no Dortmund antes de meados de fevereiro. Até haverá muitas etapas tão ou mais importantes. 


terça-feira, 2 de junho de 2015

Análise 2014-15: os centrais

Foi porventura um dos sectores mais criticados e instáveis da época. O que mostra o quão estranho pode ser o futebol. O FC Porto perdeu, no espaço de 6 meses, dois centrais de classe mundial (Otamendi, o melhor em muitos anos, e Mangala) e o melhor amigo de qualquer defesa, Fernando. Teve que se habituar a jogar com um novo guarda-redes, com uma forma de comunicar com a linha defensiva completamente diferente da de Helton. E mesmo sob todas estas condicionantes, acabou a época com a melhor defesa das 25 principais ligas europeias, com apenas 13 golos sofridos.

Quando ser o melhor não
chega para (con)vencer
Houve vários erros defensivos ao longo da época? Sim. Mas era possível fazer melhor? Talvez até fosse, mas a estatística diz que ninguém foi melhor do que nós. Mas houve de facto um problema, que não tem que ver necessariamente com a forma de defender, mas com a forma de atacar com a defesa.

E regressamos ao ponto mais criticado da época: às bolas paradas. Só fizemos 3 ou 4 golos, em toda a época, de bola batida para a grande área, num livre ou num canto, e alguém a cabecear ou desviar para golo. Se repararmos nos números ofensivos da nossa defesa, Danilo está acima de tudo, com 7 golos. Mas Alex Sandro, em 40 jogos, só fez um golo. Martins Indi, em 37, fez dois. E Maicon (39 jogos) e Marcano (32) não fizeram nenhum golo em toda a época. Como é claro, não podemos culpar nenhuma perda de pontos por um defesa não marcar golos. Mas talvez fosse isso que faltava para não perder alguns pontos decisivos. Se compararmos com o rival, Maxi fez 5 golos e Luisão, Jardel e Eliseu fizeram 4 cada um. 

Em termos defensivos, a equipa foi do melhor que há na Europa. Mas a nossa defesa fez poucos golos. Mesmo contando com o número acima da média de Danilo, em 2014-15 os nossos defesas só fizeram 10 golos. A última vez que tivemos uma defesa a marcar tão pouco foi em 2007-08, mas provavelmente nunca ganhámos um título com tão fraca concorrência como nesse ano. Por isso, Lopetegui e a sua equipa técnica (que pode perfeitamente subtrair e somar para melhorar) têm que fazer com que o FC Porto melhore nas bolas paradas. Defensivamente, é impossível pedir mais, pois já somos os melhores da Europa. Mas há muito por melhorar no sector, não só nas bolas paradas ofensivas, mas como no envolvimento dos centrais na construção de jogo. Vamos à análise, um por um.

Maicon - É o segundo mais antigo do plantel, perfeitamente identificado com o FC Porto. Foi o central mais utilizado por Lopetegui e, tirando as charutadas às quais insiste em chamar passes longos e a mania de complicar o que deve ser simplificado, é um elemento de valor. Não está ao nível dos grandes centrais projetados pelo FC Porto em vendas milionárias, nem voltou a atingir o nível a que jogou com Vítor Pereira, mas justifica a presença e continuidade no plantel. Mas há um problema: apenas mais dois anos de contrato. Como deixar um jogador a um ano de fim de contrato dá quase sempre mau resultado, sobretudo um com 26/27 anos, a sua situação contratual/negocial deve ser revista, isto sempre tendo em conta os planos que Lopetegui tenha para 2015-16.

Indi - À partida, no início da época, era visto como o melhor central do FC Porto. Experiência internacional, cotação no mercado, mas não a melhor das escolas (a Holanda não é propriamente a mais rica em defesas-centrais). Mas nunca podemos pensar apenas num central. Temos que pensar numa dupla. O facto de ser esquerdino não é problema nenhum, pois se dois destros podem jogar juntos, dois canhotos também. É tudo uma questão de rotinas. Mas de facto Maicon e Marcano, a determinada fase da época, complementavam-se muito melhor. Indi é agressivo, forte, rápido, competente no primeiro passe, mas no jogo aéreo deixa a desejar. Tem tudo para melhorar. É para manter, não esquecendo que há um investimento alto a rentabilizar.

Iván Marcano - Uma das melhores surpresas da época. Face à lamentável saída de Rolando, que teria sido muito útil ao FC Porto esta época, foi uma solução interessantíssima. Alto, forte no jogo aéreo, bom na antecipação, bom na construção e leitura de jogo, inteligente e seguro. Não mostra os dentes (é que nem os da frente), poucas vezes sorri, mas é um profissional sério e exemplar, e um elemento que merece entrar em 2015-16 como titular, depois de uma primeira época de adaptação a uma realidade diferente. Ri-te, Marcano, porque gostamos de ti. 

Diego Reyes - Ainda não tinha chegado e já tinha metade do passe alienado. uma vez que foi uma aposta da SAD e não um pedido do treinador (no caso Vítor Pereira) para entrar a curto/médio prazo na equipa. Que tinha potencial, tinha, e tem. Para valer 7€, seguramente não. Sobretudo porque não podemos potenciar/aproveitar a qualidade técnica/tática de um jogador que ainda nem sequer está formado fisicamente (é impossível vingar a nível europeu sendo tão magro). Tal como há 2 anos se dizia, precisa de ganhar massa muscular e precisa de jogar com regularidade. 2014-15 foi uma época deitada fora na sua evolução. Dificilmente vai entrar em 2015-16 como titular ou sequer primeira alternativa, logo deve ser emprestado para que a sua evolução prossiga (ou comece, finalmente). Ter um central de 7M€ que, na sua segunda época, jogou mais na equipa B do que na A é um sinal de que a coisa não está a correr como devia. Reyes é bom miúdo, com vontade de trabalhar e singrar no FC Porto, mas vai precisar forçosamente de jogar com muita regularidade na próxima época. E de ferro, muito ferro! Não esquecendo que, havendo ainda Reyes por evoluir/rentabilizar, a SAD terá que ponderar muito bem no momento de contratar mais um jovem central, com o reconhecimento do treinador.

Os bês - O passe de Lichnovsky já foi reduzido a 55%, o que significa que alguém acredita muito no seu potencial. E tem razões para isso. Já está perfeitamente preparado para ser titular numa equipa de primeira liga, com toda a naturalidade, e faz todo o sentido que assim o seja, embora haja alguma falta de centrais nos nossos quadros. Zé António devia sair, pois não faz o menor sentido ter um homem de 38 anos a jogar numa equipa B e a tapar lugar para um jovem. Diego Carlos, mesmo sendo ainda jovem, foi mostrando por que é que o Estoril não o queria. De Siemann pouco ou nada se viu. Para a próxima época Malthe e Verdasca já terão idade senior e podem e devem ser opção regular na B. Poderíamos falar de Podstawski, mas a maioria concordará que a 6 será melhor.

Pergunta(s): Qual deve ser a dupla titular no início da próxima época? Que papel para Reyes em 2015-16? Há necessidade de contratar um novo central? Quem?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Deu para muito e dá para muito mais

O Gil Vicente é fraquito. Quão fraquito? Tão fraquito que em 15 jornadas ainda não venceu um único jogo. E tão fraquito que para perder na Luz teve que ser com um golo em fora-de-jogo. A vitória por 5x1 foi justificada em pleno e podia ter sido bem mais gorda. Dava para mais em Barcelos... e pode dar para muito mais nas 19 finais que restam até ao final do Campeonato.

Os primeiros 20 minutos foram maus, mas apesar de ser essa a vontade de todos não é fácil entrar a matar. Muito menos contra uma equipa ultra-defensiva, no único campo em que o FC Porto de Vítor Pereira perdeu no Campeonato e contra um treinador que, durante mais de 5 anos, foi o único a ir buscar três pontos ao Dragão. Mesmo contra dez em grande parte do jogo, a partir daí foi do melhor FC Porto que se viu esta temporada. Em qualidade, dinâmica, concentração e sobretudo em atitude.

Apesar de Brahimi e Aboubakar terem partido para a CAN, Lopetegui tem margem para rodar convenientemente o plantel entre Taça da Liga e Campeonato nas próximas semanas. Há segundas linhas que vão aparecer em Janeiro com maior espaço, o que vai permitir evoluir alguns jogadores e aumentar a competitividade do plantel. E acima de tudo, aproximar este FC Porto da dimensão que 23 mil adeptos num treino merecem.





Óliver (+) - Com a expulsão de Jander, o Gil Vicente perdeu a (pouca) capacidade de pressão que tinha no meio-campo. Isso permitiu que Óliver pudesse receber a bola em zonas mais adiantadas e que não estivesse tão agarrado ao início de construção. O resultado foi uma exibição de requinte, no papel de organizador de jogo, a oferecer sempre uma linha de apoio ao portador da bola. O golo foi um pormenor que a sua exibição, já fantástica, dispensava. Gracias a Lopetegui por ter convencido os adeptos - e sobretudo a SAD - que ter um miúdo de 19 anos emprestado era uma boa ideia. Poucos ou nenhuns achariam o mesmo e este mérito, aqui, jamais será esquecido.

Dinâmica e atitude (+) - A facilidade com que o FC Porto conseguiu criar situações de finalização e entrar na grande área foi assustadora, no bom sentido. O facto do Gil Vicente estar reduzido a 10 contribuiu para isso, mas o FC Porto nunca se encolheu, nunca abrandou o ritmo de jogo e procurou sempre o próximo golo. Os 5 golos não nasceram por o Gil Vicente ser ultra-defensivo, nasceram por o FC Porto estar sempre com o pé no acelerador. Isso levou a que nem me chateasse com a expulsão de Alex Sandro: ao minuto 90 ainda foi com tudo tentar ganhar uma bola. É esta a raça que faz os campeões, rapazes.

Outros apontamentos (+) - Madjer, perdão, Indi foi verdadeiramente uma excelente contratação do FC Porto. Isto porque por norma os nossos patrões da defesa ou são criados por cá ou precisam de 2 ou 3 anos de casa para se adaptarem. Indi chegou e mandou. Herrera pecou pela finalização (quem aparece tão bem em zonas de finalização tem que ser mais eficaz), de resto esteve em bom nível, dinâmico e a assegurar a verticalidade do meio-campo. Brahimi regressou ao seu nível na segunda parte (onde também vimos o melhor Danilo), Jackson Martínez desperdiçou algumas ocasiões mas fez o golo da ordem e voltou a mostrar que tem reportório para ser mais do que um finalizador. Até deu para Ádrian se envolver na manobra colectiva da equipa, finalmente, e não parecer um corpo estranho.





Duo em baixa (-) - Um bom golo não faz uma boa exibição. Mais que isso, nem sempre salva uma má exibição. Casemiro fez um golo de levantar qualquer estádio, mas até aí foi um acumular de erros que volta a dizer que a titularidade só se vai justificando por estatuto (e pela ausência de Rúben Neves). O problema nem é, como se ia vendo de Ádrian, o passar ao lado do jogo; é fazer asneira quase sempre que interfere no jogo. Oxalá que o grande golo seja o despertador. E mais uma prova de que vir de um clube grande não é garantia de nada é Tello. Sem Brahimi, esta é altura de ver o Tello rápido, explosivo, que entra com facilidade na grande área e é forte no um para um. Nos últimos jogos, tem-se visto pouco mais que zero. Em Barcelos foi mesmo um zero, tanto que Lopetegui não lhe deu mais que 5 minutos para se redimir da má primeira parte. Se o Barcelona te quiser fazer regressar de certeza que não é pelas boas exibições, Tello.