Nas discussões sobre o sucessor de José Peseiro, vemos muitos adeptos pensarem em nomes, em vez de pensarem em perfis - e depois sim, enquadrar nomes no perfil definido. Posto isto, o melhor treinador possível para o FC Porto seria este: um Moncho López do futebol.
Não é pelo título: é por todo o percurso percorrido até chegar a este inesperado título. Quando o FC Porto optou por fazer reset na modalidade, Moncho López já levava três anos de clube, tendo ido sempre à final do campeonato nacional e vencido o título em 2011.
Com apenas dois anos de clube, já levava seis troféus e dizia isto: «He interiorizado lo que es ser del Oporto». E nada o demoveu dessa dedicação. Que outro treinador estrangeiro, em Portugal, decide meter a tocar antes dos jogos a Pronúncia do Norte ou o Porto Sentido, como Moncho fazia antes dos jogos com o Benfica? «São estimulantes para nós. A última, acompanhada pelo vídeo com imagens da cidade do Porto, ajuda-me muito a concentrar e a relaxar.» Mais do que entender o clube, Moncho López entende a cidade, a região, a mística. Entende o que é a rivalidade com Lisboa, clube, cidade e treinador. Moncho sabe o que sente cada portista.
No ano em que o FC Porto (lamentavelmente) suspendeu a equipa sénior, anunciando que ia reduzir drasticamente o orçamento para a modalidade, Moncho López tinha uma proposta mais vantajosa financeiramente do estrangeiro. Mas deixou claro que pretendia ficar no FC Porto. Renovou por três anos e acreditou no projeto Dragon Force. «É uma responsabilidade maior e uma motivação extra», dizia.
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| OJOGO, 20-08-2012 |
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| JN, 20-08-2012 |
Onde muitos veriam reunidas circunstâncias para fazer as malas e ir embora, Moncho López viu a oportunidade para fazer história: recomeçar das cinzas e relançar a equipa profissional do FC Porto, rumo ao regresso à Primeira Divisão. Fez ainda melhor, com o título conquistado no ano do regresso.
Uma palavra para a atmosfera do Dragão Caixa. Quem sente que a mística e a paixão pelo FC Porto estão em vias de extinção só precisa de ver um jogo no pavilhão. Há questões que se levantam com os bilhetes, mas os adeptos do FC Porto têm tido a capacidade de transformar sempre o Dragão Caixa num mini-inferno para quem o visita. Aqui nunca são apenas 5, 6 ou 7 jogadores: são (quase) sempre mais de dois mil, todos a puxar para o mesmo lado. Transportar essa atmosfera para uns metros ali ao lado seria um dos melhores reforços da próxima época.
A concluir, é claro que não há romantismos: não podemos dizer que este título se deve totalmente às bases do Dragon Force. Afinal, do projeto inicial, restam apenas dois jogadores, Pedro Bastos e João Galina. Nenhum clube ganha títulos só com jogadores da formação, por isso é impossível imaginar este título sem a contribuição de nomes que vão desde Troy DeVries a Tinsley. Outros foram recrutados ainda na Proliga, como Miguel Queirós, e embora não tenham começado no projeto de 2012 foram parte integrante destes últimos 4 anos.
Mas quando temos um treinador que entende o clube, os adeptos, a mística e a cidade, qualquer processo de integração se torna facilitado. E nunca descurando o mais importante de tudo: a competência. A avaliação por um treinador deve começar por aí, pelas suas valias técnico-táticas. Com Moncho López, temos tudo. Tem contrato por mais 4 anos, mas só se pode desejar que continue por muitos, muitos mais.
PS: Não podemos esquecer o quão importante foi Carlos Lisboa enquanto combustível para o FC Porto. Recordemos as sábias e eternas palavras de Moncho López. «Estive presente em fases finais de Campeonatos da Europa, em Jogos Olímpicos, competições internacionais de clubes, ganhei muitas finais, também perdi muitas, mas sempre vi o treinador campeão a levar a mão ao peito, ao coração, mostrar carinho aos seus adeptos, porque é aí que se sente o clube. Levar os dedos àquela parte... cada um sente o clube onde quer.»
PS2: No dia da apresentação de Moncho López, a 19 de maio de 2009, o presidente do FC Porto disse isto ao treinador. «Espero que este seja o primeiro de muitos contratos. Pode estar seguro que está num clube que lhe dará todas as condições e dirigentes do melhor que há em Portugal. Este é um projecto novo que procura um novo rumo». Não podemos desejar nada mais do que ouvir Pinto da Costa dizer, na próxima semana, exatamente as mesmas palavras ao futuro treinador da equipa principal de futebol do FC Porto.










