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domingo, 29 de maio de 2016

Moncho López, o treinador à Porto

Nas discussões sobre o sucessor de José Peseiro, vemos muitos adeptos pensarem em nomes, em vez de pensarem em perfis - e depois sim, enquadrar nomes no perfil definido. Posto isto, o melhor treinador possível para o FC Porto seria este: um Moncho López do futebol.

Não é pelo título: é por todo o percurso percorrido até chegar a este inesperado título. Quando o FC Porto optou por fazer reset na modalidade, Moncho López já levava três anos de clube, tendo ido sempre à final do campeonato nacional e vencido o título em 2011. 

Com apenas dois anos de clube, já levava seis troféus e dizia isto: «He interiorizado lo que es ser del Oporto». E nada o demoveu dessa dedicação. Que outro treinador estrangeiro, em Portugal, decide meter a tocar antes dos jogos a Pronúncia do Norte ou o Porto Sentido, como Moncho fazia antes dos jogos com o Benfica? «São estimulantes para nós. A última, acompanhada pelo vídeo com imagens da cidade do Porto, ajuda-me muito a concentrar e a relaxar.» Mais do que entender o clube, Moncho López entende a cidade, a região, a mística. Entende o que é a rivalidade com Lisboa, clube, cidade e treinador. Moncho sabe o que sente cada portista. 

No ano em que o FC Porto (lamentavelmente) suspendeu a equipa sénior, anunciando que ia reduzir drasticamente o orçamento para a modalidade, Moncho López tinha uma proposta mais vantajosa financeiramente do estrangeiro. Mas deixou claro que pretendia ficar no FC Porto. Renovou por três anos e acreditou no projeto Dragon Force. «É uma responsabilidade maior e uma motivação extra», dizia. 

OJOGO, 20-08-2012
JN, 20-08-2012
Onde muitos veriam reunidas circunstâncias para fazer as malas e ir embora, Moncho López viu a oportunidade para fazer história: recomeçar das cinzas e relançar a equipa profissional do FC Porto, rumo ao regresso à Primeira Divisão. Fez ainda melhor, com o título conquistado no ano do regresso. 

Uma palavra para a atmosfera do Dragão Caixa. Quem sente que a mística e a paixão pelo FC Porto estão em vias de extinção só precisa de ver um jogo no pavilhão. Há questões que se levantam com os bilhetes, mas os adeptos do FC Porto têm tido a capacidade de transformar sempre o Dragão Caixa num mini-inferno para quem o visita. Aqui nunca são apenas 5, 6 ou 7 jogadores: são (quase) sempre mais de dois mil, todos a puxar para o mesmo lado. Transportar essa atmosfera para uns metros ali ao lado seria um dos melhores reforços da próxima época.

A concluir, é claro que não há romantismos: não podemos dizer que este título se deve totalmente às bases do Dragon Force. Afinal, do projeto inicial, restam apenas dois jogadores, Pedro Bastos e João Galina. Nenhum clube ganha títulos com jogadores da formação, por isso é impossível imaginar este título sem a contribuição de nomes que vão desde Troy DeVries a Tinsley. Outros foram recrutados ainda na Proliga, como Miguel Queirós, e embora não tenham começado no projeto de 2012 foram parte integrante destes últimos 4 anos. 

Mas quando temos um treinador que entende o clube, os adeptos, a mística e a cidade, qualquer processo de integração se torna facilitado. E nunca descurando o mais importante de tudo: a competência. A avaliação por um treinador deve começar por aí, pelas suas valias técnico-táticas. Com Moncho López, temos tudo. Tem contrato por mais 4 anos, mas só se pode desejar que continue por muitos, muitos mais.

PS: Não podemos esquecer o quão importante foi Carlos Lisboa enquanto combustível para o FC Porto. Recordemos as sábias e eternas palavras de Moncho López. «Estive presente em fases finais de Campeonatos da Europa, em Jogos Olímpicos, competições internacionais de clubes, ganhei muitas finais, também perdi muitas, mas sempre vi o treinador campeão a levar a mão ao peito, ao coração, mostrar carinho aos seus adeptos, porque é aí que se sente o clube. Levar os dedos àquela parte... cada um sente o clube onde quer.»


PS2: No dia da apresentação de Moncho López, a 19 de maio de 2009, o presidente do FC Porto disse isto ao treinador. «Espero que este seja o primeiro de muitos contratos. Pode estar seguro que está num clube que lhe dará todas as condições e dirigentes do melhor que há em Portugal. Este é um projecto novo que procura um novo rumo». Não podemos desejar nada mais do que ouvir Pinto da Costa dizer, na próxima semana, exatamente as mesmas palavras ao futuro treinador da equipa principal de futebol do FC Porto. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O polvo que anda de patins e o princípio de Licá

Edo Bosh merecia ser severamente punido. Quanto a isso, não há discussão. Não só a nível federativo como interno. A agressão a um jogador do Benfica na final da Taça de Portugal de hóquei em patins foi bárbara e não foi a primeira vez que Bosh esteve associado a um episódio do género. O castigo é incontestável. O problema, como sempre, está nos dois pesos e duas medidas.

Castigado, sim, mas
com que medida?
Um castigo desportivo de 15 jogos é algo sem paralelo na FPP. Onde pelos vistos a memória também é curta. Isto remontando ao caso em que Mariano Velazquez, antigo capitão benfiquista (e conhecido por ser um «santo»), agrediu Tiago Barbosa, antes de um Benfica-Juventude de Viana, levando a que o adversário tivesse que receber tratamento hospitalar. Neste caso, como as instâncias federativas nada tinham reportado, o jogador teve que recorrer à justiça civil. Só após o CD ter conhecimento da queixa-crime decidiu avançar, levando o jogador a manter-se apenas na expectativa de uma punição na justiça desportiva. Resultado: 5 jogos de suspensão.

O CD da FPP, para quem não sabe, é liderado por Feliciano Pereira Martins. E para quem não conhece o indivíduo, trata-se de um ex-candidato à Mesa da AG do Benfica, o clube do coração.

Situação comum à da LPFP, onde Carlos Deus Pereira, o fiel escudeiro vermelho de Mário Figueiredo e ex-jogador do Benfica, violou todo e qualquer princípio democrático pelo qual se devia trabalhar numa Mesa da AG. Situação já abordada com profundidade aqui.

Ladra, não morde,
mas não larga o osso
Isto a propósito da mais recente entrevista de Mário Figueiredo, à RTP. Em fogo-cruzado, agarrou-se ao mais básico populismo para tentar ganhar um balão de oxigénio: atacou a Olivedesportos, a FPF, elogiou Bruno de Carvalho, puxou a «teia de influências» de que todos falam mas que ninguém identifica (pois, não convém esmiuçar as mesas da AG), atacou a estrutura do FC Porto e aconselhou o Benfica a não seguir o mesmo caminho (sabe-se lá que caminho esse, pois Figueiredo parece ter frequentado a escola Bruno de Carvalho - fala, fala, fala, mas acaba por não dizer nada além de um populismo insosso, que agrada às massas).

Mário Figueiredo tenta manter-se na LFPF da mesma forma que lá chegou: na crista da onda, sendo o presidente da conveniência. Chegou à liga prometendo o apetecível alargamento para os clubes pequenos e a centralização dos direitos televisivos. Conseguiu derrubar o candidato que tanto o FC Porto como Benfica e Sporting apoiavam, António Laranjo. Qual Hércules, Mário Figueiredo rompeu a teia de influências de que ele próprio se queixava - afinal parece que os 3 grandes nem sempre conseguem mandar assim tanto.

A sua gestão da liga é caótica, viola todos os princípios democráticos, condena clubes em praça pública quando os estatutos dizem que é seu papel defendê-los, e mesmo sendo vice-presidente da FPF deu-lhe para bater no organismo liderado por Fernando Gomes. Porque está na moda atacar Paulo Bento e Fernando Gomes, claro está. E porque sabe que Paulo Bento não vai durar muito e que Fernando Gomes já tem porta aberta para entrar na UEFA. E sabe também que, se o barco da LPFP se afundar (e vai afundar), terá que saltar para outro lado. Depois do «Apanha-me se puderes», eis o «Agarra-te ao que puderes».

De Licá a Luís Castro

Sempre gostei de Licá. Um profissional dedicado, portista, trabalhador, humilde e com uma postura correctíssima. Só havia um problema: não tinha/tem qualidade futebolística para jogar no FC Porto. E daqui partimos para Luís Castro.

Segundo alguma imprensa, Lopetegui não está satisfeito com o trabalho de Luís Castro na formação. Pelos vistos, só precisou de um par de meses para ver aquilo que muitos portistas continuam a não ver (ou a não querer que vejam) ao fim de 8 anos: Luís Castro não tem competência técnico-táctica que o recomende para as funções que desempenha no FC Porto.

É preciso mais
Regressamos ao «princípio de Licá»: os que condenam Licá por ser jogador do FC Porto não podem apoiar Luís Castro (aliás, não podem subscrever a sua continuidade, pois apoio todos os profissionais do FC Porto devem ter nos momentos em que representem o clube), por uma questão de coerência. Luís Castro é portista e quando foi chamado para a ingrata tarefa de substituir Paulo Fonseca soube representar o clube com cordialidade. Os resultados foram um desastre, mas era difícil fazer melhor. Teve resultados na equipa B do último ano, mas muito graças aos jogadores que vinham da equipa A. Este ano, ao que consta, Lopetegui não vai mandar jogadores para a equipa B. E se já é difícil com uma equipa basicamente de sub-20 competir na segunda liga, pior ficará sob um técnico que não tem a mínima vocação para a formação.

O fiasco do projecto Visão 611 já aqui foi abordado. Luís Castro foi/é o homem de Antero Henrique para a formação, mas foi Pinto da Costa quem decidiu premiá-lo no fim da última época com um contrato de 3 anos. Mas tal como Lopetegui achou que não devia trabalhar com Licá na equipa principal, tem o direito de entender que não deve ter Luís Castro como braço direito para a formação. Mas Lopetegui não pode chegar e contrariar uma decisão presidencial tomada a três anos, por isso este é assunto que tem que passar pela mais alta patente.

A competência não tem clube. Ou se é competente, ou não se é. Luís Castro validou dispensas de vários jogadores que são hoje titulares nas selecções jovens, alguns já com destaque na Champions de sub-19 e no rival, e tem validado outras tantas contratações de valor duvidoso. O problema não é esse, pois até Teles Roxo e Pinto da Costa já trouxeram carradas de jogadores estrangeiros de qualidade indiscutível - indiscutível quanto à sua inexistência. O problema é continuar-se, ao fim de 8 anos, na formação do FC Porto, num cargo privelígiadíssimo, sem nunca ter feito nada substancial por ela. Luís Castro não é mais do que Licá... e o FC Porto precisa de mais.

PS: A Porto Editora já foi avisada quanto à mais recente alteração na língua portuguesa: «indemnizar» é substituído por «investir». Seja que clube for, seja que fundo for, a realidade acaba sempre por ser a mesma: a partilha de risco não existe e os fundos nunca, nunca têm prejuízos.  Hoje estendem-te a mão, amanhã puxam-te o braço. Por vezes é necessário aceitar a mão estendida, mas não ignorem que o puxão acaba sempre por aparecer.