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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pavlovski tem um ano para mostrar o que vale, parte II. Uma reflexão sobre a integração dos jovens

Foi o maior mistério da equipa B da época passada - maior até que Kléber, que esteve durante meio ano com um inexplicável lugar cativo, a fazer exibições de enorme amadorismo (embora tenha tido a humildade de recomeçar por baixo, o FC Porto não decidiu bem o seu caso, que tinha que passar por novo empréstimo - na equipa B só estava a tirar espaço aos mais jovens e jamais seria reabilitado para ir para a equipa A), e que está agora em negociações para ir para Guimarães, onde há direito a receber um jogador por empréstimo do FC Porto ainda devido ao acordo Ricardo/Tiago Rodrigues.
O segundo ano para mostrar o que vale

A contratação de Pavlovski foi uma surpresa, em 2013. O FC Porto pode ter estado à pesca de salmão sérvio, mas trouxe uma sardinha. Mais barata, mas não necessariamente pior. O médio de 19 anos já brilhava nas selecções jovens da Sérvia e era tido como uma grande promessa no seu país, mas no FC Porto foi uma incógnita ao longo da temporada.

Estreou-se apenas em outubro, para jogar 45 minutos contra o Chaves, e mostrou um recorte técnico e visão de jogo acima da média: despareceu nas seis semanas seguintes. Voltou a aparecer episodicamente em dezembro para depois estar novamente dois meses sem jogar. Contas feitas, só jogou 200 minutos na segunda liga no último ano. Ora por problemas de ordem física, ora pela personalidade introvertida e pelas dificuldades em relacionar-se com os colegas pela barreira da língua.

Chegar a um país novo não é fácil, sobretudo quando numa equipa B os jogadores estão sempre de passagem e não há um verdadeiro capitão, um líder que integre os jovens. Um problema que também afecta a equipa A. Há dez anos atrás, por exemplo, não aconteceria o que aconteceu com Oliver Torres no seu primeiro dia no Olival: almoçar sozinho numa mesa, sem ser puxado pelos colegas. O Bicho rapidamente se apresentava, explicava as regras e avisava que quem pisasse o risco estava fodido (era mesmo assim). Depois, chamava um ou dois colegas mais velhos e avisava: «é para cuidar deste miúdo a semana toda e integrá-lo ao máximo, senão estão os dois fodidos». Neste FC Porto isso deixou de existir.

Há quem defenda que Zé António é o responsável por essa integração na equipa B. Vamos só visualizar isto: Chega um miúdo à equipa B, olha para um defesa central de 37 anos e imaginem a cara com que fica quando lhe dizem que Zé António nunca jogou na equipa A do FC Porto, nunca foi internacional A por Portugal e que já estava reformado quando decidiram ir buscá-lo para integrar os jovens na equipa B. Que inspiração pode Zé António oferecer aos jovens que chegam ao clube? Tanta quanto os golos que o Kléber ainda pode marcar pelo FC Porto: zero.

De volta à equipa B e a Pavlovski. Ao contrário do que foi avançado por alguma imprensa, O Tribunal do Dragão ouviu que o sérvio não foi contratado a título definitivo: está novamente emprestado. A cláusula de compra era de 5 milhões de euros, excessivamente sobrevalorizada, e Pavlovski apesar de tudo ainda era um risco, pois não mostrou o seu futebol na época passada. Faz todo o sentido que lhe tenha sido concedido um novo empréstimo e que eventualmente possa ser contratado no final do ano.

Lopetegui ainda quer mexer no meio-campo da equipa A, não só quanto a entradas mas como a saídas, e há a possibilidade de alguns jogadores terem espaço para rodar na B, que vai passar a mostrar o seu futebol no Olival e não em Pedroso. Mas há João Graça, Tomás, Francisco Ramos e Leandro Silva para se agarrarem ao 11, Belinha e Rui Moreira para tentar convencer Luís Castro a ter espaço na B e ainda Cléver, embora mais direccionado para os sub-19, a poder ambientar-se já ao futebol profissional numa ou outra oportunidade. Não esquecendo Ruben Neves, que tem feito as delícias de Lopetegui e que ainda é sub-19, e os planos que possa haver para Pité (pode vir a ocupar o papel que Tozé ocupava, de falso ala).

Tudo isto para assinalar que Pavlovski é o único estrangeiro neste meio-campo 100% português (Cléver nasceu no Brasil mas já tem dupla nacionalidade), até porque Élvis deve jogar sobretudo nos sub-19 nos primeiros meses. O FC Porto com que os adeptos sonham diz: «se vem de fora, que seja melhor do que os que já cá estão». Pavlovski recebeu uma segunda oportunidade num meio onde muitos jovens muitas vezes nem recebem a primeira. Resta agarrá-la.

Entretanto...

Treinar com a equipa A
antes de sair
Como O Tribunal do Dragão já tinha avançado, Antero Henrique lidera as negociações para a contratação de Tello e esteve ontem em Barcelona a propôr os moldes do negócio - compra definitiva com o envolvimento de terceira parte. Resta saber se o Barcelona está receptivo a esse molde (muito dependerá da forma e faseamento de pagamento), bem como o próprio jogador, mais receptível a um contrato de empréstimo - até porque nada garante que a principal (para não dizer única) razão para a sua vinda para Portugal, Lopetegui, vá ficar muito tempo no FC Porto, onde qualquer treinador que não ganhe no primeiro ano tem a porta de saída aberta. O empréstimo com opção de compra é a solução mais provável para agradar a todas as partes, com o dinheiro que o FC Porto avançar na primeira fase a poder ser «descontado» numa eventual futura compra.

Tiago Ferreira treinou ontem com a equipa A, mas O Tribunal do Dragão ouviu que o defesa vai sair, tendo uma proposta do campeonato belga nas mãos, após ter havido conversações com clubes espanhóis e italianos (Verona, que anda muito interessado nos jovens do FC Porto - imagine-se porquê e através de quem). É mais uma vez a maldição do Dragão de Ouro para jovem atleta do ano, pois os jogadores que têm recebido esse prémio não se têm conseguido afirmar totalmente (os últimos futebolistas foram Ricardo Dias, Atsu, Tiago Ferreira e Kelvin, este último entre empréstimo e saída a título definitivo). Livrem-se de dar o próximo Dragão de Ouro a Gonçalo Paciência, ok?