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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Com vista a 2020

Presidente reeleito, entrevista pós-eleições dada, tempo de análise. A começar pela afluência às urnas, sem dúvida uma notícia que se saúda: o facto de o número de votantes quase ter dobrado, apesar de continuar a haver lista única. Quando o FC Porto passar a ser um clube minimamente modernizado e globalizado no processo eleitoral, abrindo espaço para votar online e nas casas do FC Porto espalhadas pelo país, o número de votantes vai certamente disparar - algo que deve ser uma realidade (no máximo) já para 2020.

Pinto da Costa pareceu estar sempre mais satisfeito com o aumento do número do votantes do que preocupado com a grande quantidade de votos nulos. Embora admitindo que possa ter havido quem votou em 2013 mas não votou em 2016, de umas eleições para as outras houve 1145 «novos» votantes. Ora e desses «novos» votantes, há mais portistas a votarem em Pinto da Costa do que contra: 494 fizeram votos nulos, mas 651 votaram a favor.

Ou seja, mais portistas às urnas significou mais votos para Pinto da Costa. Nessa perspetiva, é natural que o presidente esteja satisfeito e desvalorize os votos contra. Mas uma coisa é o número de votos, outra é a percentagem. E 21% de votos nulos, equivalente a 505 votantes, é um número muito elevado e que serve claramente de alerta.

Vejamos. Nos cinco atos eleitorais do séc. XXI que antecederam este último, Pinto da Costa foi sempre reeleito, com as seguintes percentagens:

2013: 99,13%; 1258 votos (11 nulos)
Um sócio a votar
2010: 98%; nº de votos não divulgado
2007: 98,6%; 3820 votos (51 nulos)
2004: 99,3%; 1068 votos (8 nulos)
2001: 98,8%; 1258 votos (12 nulos)

Embora em 2010 não tenha sido divulgado o número de votantes (fica a ressalva), entre 2001 e 2013 foram contabilizados 82 votos nulos. Ou seja, no simples ato eleitoral de 2016, os votos nulos aumentaram 6 vezes mais do que no espaço espaço de 12 anos. Não é possível minorizar a quantidade de votos nulos, de todo, pois foi francamente elevada quando avaliada por este prisma. E confirma sinais já dados antes, como uma AG que não teve espaço na sala para todos os sócios (mais de 300, quando anteriormente marcavam presença 20 a 40); e a própria lista de apoio à recandidatura de Pinto da Costa, desta vez, recolheu apenas 10 mil assinaturas, ao contrário das 20 mil do passado recente (neste caso não se pode tirar ilações definitivas, pois não se sabe se quantas pessoas a Comissão de Apoio à Recandidatura abordou para assinarem). 

Mas logo no anúncio dos resultados foi dito que a percentagem de votos nulos devia-se ao facto de muitos adeptos terem escrito mensagens de apoio a Pinto da Costa, e que por isso os seus votos foram inutilizados. De facto, houve movimentos de apelo ao voto nulo em alguns espaços da internet, e um grupo de associados fez questão de fazê-lo no próprio dia e imediações do Dragão - o «Acorda Porto». Dezenas de adeptos pelos mais diversos espaços ligados ao FC Porto na internet afirmam que fizeram votos nulos, e vários até tiraram fotos para as publicarem (não o deveriam fazer, pois o voto é secreto, mas o procedimento também pouco teve de secreto). 

O que se desconhecia, de todo, é que alguns adeptos tenham optado por votos nulos para apoiar Pinto da Costa. Não só são visionários como, esses sim, estão de parabéns: cumpriram na íntegra o artigo 3 do Regulamento Eleitoral, ao votarem com o maior secretismo. Não criaram sites, não tiraram fotos aos seus boletins, não fizeram cartazes; chegaram, escreveram «Força Porto» e «Força Presidente», inutilizaram os votos e está feito.

Essa foi a justificação da mesa da Assembleia Geral, e como não podemos ver os votos, ninguém a pode desmentir. Mas cá fica a reflexão: porque é que nenhum dos votantes se lembrou, entre 2001 e 2013, quando Pinto da Costa venceu sempre as eleições com mais de 98% dos votos, de escrever mensagens de apoio a Pinto da Costa nos boletins? Só se lembraram de o fazer em 2016, logo quando houve um movimento de apoio ao voto nulo como forma de protesto? Assinale-se a coincidência. A percentagem de votos nulos deve ser levada muito a sério, por todas as razões enumeradas nestes parágrafos.

Quanto à entrevista, Pinto da Costa começa por dizer que não vê nos votos nulos um «cartão amarelo». E depois segue-se uma comparação infeliz e sem qualquer espécie de sentido, ao questionar o que sentirão o Presidente da República e o primeiro-ministro. Primeiro, Marcelo Rebelo de Sousa não é o maior presidente da história da República, nem sequer António Costa é o melhor primeiro-ministro de sempre; Pinto da Costa, esse sim, é o melhor presidente da história do futebol, logo comparar-se a esses dois nomes é reduzir-se a si próprio. Depois, nenhum deles concorreu sozinho para os respetivos cargos. Poderia ser apenas uma piada e uma forma de abrir uma conversa bem disposta, mas não fez qualquer espécie de sentido. 

Pinto da Costa diz que não sentiu qualquer tipo de fúria dos adeptos, inclusive quando esteve a poucos metros das mesas de café onde os sócios estavam a votar. Mas o presidente esperava ser contestado naquele local? Não, os associados foram lá para votar secretamente, não foram lá para contestar o presidente - até porque quem vai às urnas não espera encontrar lá o candidato em quem vai, ou não, votar. Outra reflexão para futuras eleições: se houver dois candidatos à presidência do clube, poderá estar um deles em amena cavaqueira ao lado dos votantes? Certamente que não seria bem visto. 

De destacar o pormenor de Pinto da Costa ter dito que «durante anos não faltam candidatos», mas a verdade é que ninguém, nos últimos 3 anos, manifestou qualquer desejo de ser já candidato - Vítor Baía deixou claro que gostaria de avançar quando Pinto da Costa saísse; já António Oliveira, a candidatar-se, será sempre também depois de Pinto da Costa sair (até lá continuará a fazer eternos elogios ao presidente; pois nas futuras eleições, provavelmente a massa associativa verá com muitos melhores olhos alguém que sempre defendeu e elogiou Pinto da Costa do que alguém que o criticou).

Diga-se que falar de sucessão um dia após Pinto da Costa ser reeleito não faz nenhum sentido. Agora que Pinto da Costa foi reeleito, só temos que nos preocupar com o trabalho do presidente a ser desenvolvido até 2020. Em 2013, Pinto da Costa disse que «quem vier a seguir só tem que não estragar». Mas se o presidente acaba de reestruturar a SAD e se o clube «bateu no fundo», então é porque há coisas que, se não estão estragadas, então têm que ser altamente melhoradas. Não há maior desafio para Pinto da Costa do que, daqui a 4 anos, continue ou não no FC Porto, poder dizer: «Quem vier a seguir só tem que não estragar».

Entrevista ao Porto Canal, a 18-04-2016
Depois, Pinto da Costa passou para uma parte bastante agradável da entrevista e motivadora para todos os adeptos do FC Porto. Diz o presidente que não gostava que os filhos ou a mulher sucedessem ao seu lugar. Muito bem Pinto da Costa, desde logo a fazer afirmações com as quais todos os portistas se podem identificar. O único filho(a) de franca utilidade ao FC Porto é André André (o exemplo mais reconhecido; há também certamente outros frutos a ter em conta, como Francisco Ramos ou Afonso Sousa). O presidente deu ainda um voto de confiança a toda a sua estrutura, dizendo inclusive que vê nela gente como capacidade para suceder ao seu lugar.

Pinto da Costa pode e deve ter influência na escolha do seu sucessor no futuro. E deve exercê-la da seguinte forma: chegando ao dia das eleições e votando. Qualquer outra ação, como disse e bem, seria um atestado de mediocridade à capacidade dos sócios. Quando Pinto da Costa sair, e tendo em conta que foi através do presidente que (quase) todos os administradores chegaram ao FC Porto, mandam os princípios éticos e de serviço ao clube que acompanhem todos a sua saída. Depois, se algum deles quiser candidatar-se, então que o faça; o resto são os sócios a decidir. 

Pareceu valorizar-se excessivamente a vitória sobre o Nacional. Foi uma boa exibição, mas foi contra o Nacional, uma das piores equipas a jogar fora de casa no campeonato; e foi no Dragão, onde no passado recente todos os adversários caíam. Foi uma boa vitória, uma boa exibição, mas se a equipa não vencer em Coimbra já ninguém se lembrará deste jogo. Se calhar, daqui a um mês, quem viu este jogo só se lembra de um jogador do Nacional: do guarda-redes, o que diz muito da sua qualidade este ano. Ah, e Chidozie não jogou neste jogo. 

No que toca a contratações, as declarações de que Pinto da Costa deseja «duas ou três» contratações cirúrgicas foram importantes com vista à estabilidade no plantel. Não se pode pedir o título - ou torna-se difícil fazê-lo - quando se perdem 7 titulares de uma época para a outra (algo que foi francamente ignorado na projeção para esta época por muita gente). A questão dos eventuais regressos de ex-jogadores foi mencionada, e é natural que Pinto da Costa o vá tentar. O presidente anunciou que a equipa do próximo ano vai ser «uma equipa à Porto». E que melhor garantia disso do que fazer regressar jogadores à Porto? Veremos se se desenha alguma possibilidade de isso acontecer.

Curiosa a afirmação de que Hernâni, que aparentemente vai regressar, «está a brilhar no Olympiacos». De facto, quando Hernâni joga, deixa sempre a impressão de que merecia um pouco mais de oportunidades. Mas se não as tem, então é por algum motivo. Hernâni só foi 5 vezes titular no campeonato grego (contando apenas com os campeonatos nacionais, jogou menos do que Quintero no Rennes), mesmo com um treinador (Marco Silva) cujo modelo de jogo (contra-ataque/transição rápida/insistir pelos flancos) encaixava nas suas caraterísticas. Se a questão é Marega vs. Hernâni, nem merece discussão; que Hernâni tenha condições para se impor no FC Porto, restam muitas dúvidas. Mas essas devem ser dissipadas pela avaliação do treinador.

De qualquer forma, as afirmações de Pinto da Costa levam a crer que não se vão contratar Maregas, Hernânis ou quaisquer outros jogadores que: não tenham qualidade; não tenham caraterísticas adequadas; necessitem de grande período de adaptação; sejam com vista a melhorar o plantel mas não necessariamente o 11. Segundo o presidente, quem vier será para chegar, ver e jogar. Plano subscrito.

Pinto da Costa entrou depois num tema inesperado: o impacto que os pagamentos ao Estado têm no FC Porto. Em «Não temos que pagar as contas do Benfica», já tinha sido aqui realçado que o FC Porto é sem dúvida um dos maiores clientes do Estado, enquanto outros beneficiam de perdões, isenções e afins.  Mas a afirmação de Pinto da Costa de que o FC Porto paga 40M€ de impostos, tendo um orçamento de 150M€, merece algum enquadramento.

O presidente já tinha anunciado, em setembro, que o FC Porto pagou 31,68M€ de impostos na última época. Agora refere-se ao pagamento de 40M€ no último ano. Numa SAD que teve despesas operacionais de 110M€, e cujos custos totais com aquisições da última época ascenderam a 53,3M€, falar em 40M€ de impostos requer um melhor enquadramento. Por exemplo, há que ter em conta a dedução do IVA, e o facto da responsabilidade do IRS ser aplicável a todos os jogadores e trabalhadores do FC Porto. Que o FC Porto é um clube sem apoios, sem dúvida; mas já o era há 10, 20, 30 anos.

Pela primeira vez, Pinto da Costa revelou os números da proposta da NOS que o FC Porto teve em mãos: 320M€. Se assim foi, confirma-se, se ainda havia dúvidas, de que o negócio com a MEO foi o melhor possível para a SAD, com ou sem comissões - a acusação de Bruno de Carvalho que nunca teve resposta ou receptor. Mas falar do contrato de direitos televisivos como alternativa à falta de financiamento por parte dos bancos não faz sentido. Os bancos não dão receitas operacionais: antecipam verbas, financiam a atividade corrente da SAD, emprestam dinheiro; já as receitas televisivas sempre fizeram parte da gestão operacional da SAD. 

Pinto da Costa realçou a importância que Reinaldo Teles e Antero Henrique vão ter na gestão do futebol nos próximos 4 anos. Assim sendo, esperamos ver Reinaldo e Antero Henrique, pelo menos uma vez por época, no Porto Canal a falar sobre cada época desportiva; se temos dois dirigentes que vão ser influentes no futebol da SAD, então há que ouvi-los, para não se esgotar tudo em Pinto da Costa e no treinador. Desde que o Porto Canal foi criado, quantas pessoas responsáveis pelo futebol do FC Porto vimos dar entrevistas além de Pinto da Costa?

Sobre o treinador, por esta altura o FC Porto já tem que saber se vai ficar ou não com José Peseiro. Jesualdo Ferreira também acabou 2009-10 a ganhar 8 jornadas consecutivas e a conquistar a Taça de Portugal, mas saiu. Logo, nada do que Peseiro possa fazer neste fim de época devia mudar a decisão da SAD (Pinto da Costa admitiu, e bem, que não pode ser a Taça a decidi-lo). Se quer mantê-lo, que seja pela convicção que têm à data de hoje, e não por aquilo que forem às últimas jornadas. Pinto da Costa não podia fazer outra coisa senão reforçar a confiança de um treinador que pode ganhar a primeira Taça para o Museu do FC Porto, mas uma coisa é o discurso para fora e para o balneário, outra é a posição interna da SAD.

Depois não podia faltar o «espaço L», que parece tornar-se obrigatório em todas as entrevistas de Pinto da Costa: falar de Lopetegui. A bem da verdade, quem puxou o tema foi Miguel Guedes, que recentemente culpou Lopetegui por toda a má época do FC Porto. Mas uma vez mais, perdeu-se mais tempo a falar de Lopetegui do que do presente/futuro treinador do FC Porto. Aqui não vamos regressar a este tema: se Lopetegui sentir que deve dizer algo, que o faça, pois está no seu direito.

Direito esse de que já usufruiu Angelino Ferreira. Os adeptos do FC Porto sempre tiveram a sensibilidade de nunca misturar os assuntos pessoais e particulares de Pinto da Costa como a sua atividade no clube - e o mesmo se poderá dizer de todos os outros dirigentes, desde Reinaldo Teles a Antero Henrique -, mas foi isso que o presidente fez relativamente a Angelino Ferreira, ao falar na Gaianima. Também não seria nada bonito o ex-administrador vir agora dizer que Pinto da Costa ou Antero Henrique andam preocupados com a Operação Fénix e com as acusações do Ministério Público, ou que Reinaldo Teles esteve ocupado com o BPN. Evitável e inoportuno. Uma realidade onde nos tornamos amigos de quem nos atacava (Carlos Pereira, por exemplo) e em que nos viramos contra quem trabalhou durante vários anos na SAD e é portista é algo no qual poucos portistas se devem rever.

A entrevista termina com o tema (lançado por Júlio Magalhães, diga-se) mais ansiado pelos portistas: Pinto da Costa a manifestar apoio político ao PCP e a discutir o momento do país. Era mais interessante do que, por exemplo, debater o enquadramento do fair-play financeiro para esta época, sem dúvida.

Presidente reeleito, entrevista de lançamento (goste-se ou não) dos próximos 4 anos dada. Este foi o caminho que os associados do FC Porto, ou a sua maioria, escolheram. A confiança foi dada, agora há que correspondê-la por parte da SAD. Mãos à obra - neste caso, à reedificação da obra a que chamamos FC Porto. 

Pergunta(s): Reações à entrevista do presidente e que expetativas no lançamento do novo mandato?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Rescaldo da entrevista

Começando por uma curta nota para José Peseiro. Apresentação normal, discreta, com duas coisas a destacar: o assumir de que o objetivo é ganhar as três competições em que o FC Porto ainda está envolvido e a mensagem de apelo a que «os portistas não sejam os adversários». Repetiu umas dez vezes a palavra «ideias», a expressão-chave no post de reação à sua contratação, e agora resta dar tempo e tranquilidade ao treinador para trabalhar com o plantel. 

A entrevista de Pinto da Costa abre com as declarações de Vítor Baía. Fernanda Miranda falou pela primeira vez para atacar o ex-guarda-redes, Fernando Cerqueira emitiu um lençol de texto a reagir e o primeiro quarto de hora da entrevista foi dedicado a esse tema. As declarações de Vítor Baía causaram desconforto, disso ninguém duvida. Mas foi inteligente convidarem Vítor Baía a avançar para a presidência do FC Porto - isto porque sabem que provavelmente nunca será o rosto de uma candidatura, mas pode lançar a passadeira para que outro(s) o faça(m). O primeiro passo foi colocar tudo no mesmo saco da atual estrutura, dizendo que «varria tudo». Um extremismo que incomodou muita gente, mas foi o mais próximo de uma oposição declarada publicamente que o FC Porto teve desde Martins Soares.

14º mandato avança
De qualquer forma, o primeiro grande destaque de Pinto da Costa, e que é uma boa notícia, foi dizer que gostava que o seu sucessor não fosse «ninguém apoiado pelo Correio da Manhã» e que fosse «portista desde pequenino». De uma assentada, podemos então concluir que Alexandre Pinto da Costa e Fernando Gomes estão fora da corrida face ao que o presidente gostaria de ver? 

Juca, dentro dos limites óbvios do contexto, fez algumas perguntas que já cruzavam o limite, mas Pinto da Costa reagiu a todas à Neo. Sobretudo porque Júlio Magalhães não iria insistir num tema ao qual já teve uma primeira resposta.

O caso mais flagrante foi precisamente a questão da existência de conflitos internos. Como é óbvio, jamais o presidente do FC Porto iria admitir qualquer tipo de conflito existente na estrutura. Não é uma pergunta incómoda, pois é uma pergunta facilmente desmentível.

Só que depois Pinto da Costa desvia atenções, e como é óbvio Juca não iria insistir. O presidente diz que Alexandre Pinto da Costa só é empresário de «um rapaz dos juniores», de seu nome Rui Pedro, já agora. Pois, mas ninguém disse que Alexandre Pinto da Costa era empresário de nenhum jogador do FC Porto, porque não é. E o que levanta questões é isso: porque é que Alexandre, não sendo empresário de jogadores como Atsu, Rolando ou Carlos Eduardo, surgiu como intermediário em todos eles?

Assim é fácil. Alexandre Pinto da Costa não representa jogadores de relevo, daí que a Energy Soccer seja a única empresa de agenciamento de jogadores que apresenta esta bem disposta introdução no seu site:


Além disso, por exemplo, em 2013 o Estoril pagou-lhe 123 mil euros de comissão por Carlos Eduardo e o Inter 60 mil por Rolando. Ainda assim, o FC Porto também lhe pagou comissões sobre estes jogadores, entre um total de 430 mil euros de comissões por intermediações entre 2012 e 2013. Esta sim, é a grande questão. E nota-se o padrão: todos os jogadores que ele intermediou saíram do FC Porto ora a mal, ora em transferências pouco esclarecedoras.

Pinto da Costa acaba por não confirmar se foi Alexandre Pinto da Costa a intermediar Suk. Ainda assim, o presidente diz que tratou tudo diretamente com Fernando Oliveira, a pedido de Lopetegui, enquanto Fernando Oliveira disse o contrário, disse que quem tratou as coisas com o FC Porto foi «o empresário». Em que ficamos?

Segundo Pinto da Costa, Suk foi contratado a pedido de Lopetegui. E ainda bem que José Peseiro, aparentemente, gosta dele, caso contrário o pobre do Suk ficava «ali caído nos braços» sem que o FC Porto soubesse o que fazer com ele. E aqui surge outro dos destaques da entrevista: a passagem de responsabilidades a Lopetegui.

A história do Ferrari foi engraçada, sem dúvida. Mas se Lopetegui não fosse treinador do FC Porto, Imbula poderia na mesma ter vindo; mas se Imbula não tivesse ligação à Doyen, não viria de certeza, nem que Lopetegui fosse a Maranello pedir de joelhos. Se Imbula não jogava mais é porque não trabalhava o suficiente para isso. Contam-se pelos dedos os jogadores que diziam ser «mal aproveitados» no FC Porto que acabaram por ter grande sucesso noutros clubes. Porquê? Porque, regra geral, os treinadores do FC Porto têm sempre tido razão sobre a quem dar ou não oportunidades.

Quando Imbula desiste logo na primeira semana de aprender português, não revela grande interesse em adaptar-se ao clube e à cidade. É verdade que Lopetegui disse a Imbula que as suas caraterísticas encaixavam na equipa, o que não parecia ser de todo o caso. De qualquer forma, se Imbula trabalhasse mais, de certeza que jogaria mais.  As caraterísticas de Herrera também não são o protótipo num modelo de posse. Porque é que joga? Porque trabalha mais do que os concorrentes. Se  Imbula trabalhar mais com Peseiro, de certeza que joga mais. 

Curioso é Pinto da Costa ter dito que negócios como o de Adrián López nunca mais, mas o de Imbula não é assim tão diferente. E podemos então falar de Adrián López.

Para começar, a história de que foi Lopetegui a pedir a transferência de Adrián López. Isto sim, teria sido interessante perguntar na entrevista, a propósito de novos leaks.

9 de julho de 2013. É esta a data em que está celebrada a transferência de Adrián para o FC Porto, ainda Paulo Fonseca estava a começar a pré-época e Lopetegui era um desconhecido para 99,99% dos portistas. O documento é assinado por Pinto da Costa e Adelino Caldeira (que, ao contrário de Antero Henrique e Reinaldo Teles, não foi mencionado por Pinto da Costa entre a cúpula de decisões da SAD).



Hipóteses: o documento é falso. Assim sendo, o FC Porto só teria que avançar para instâncias judiciais, pois seria sinal de que o Football Leaks estava a usar a assinatura do presidente do FC Porto para fasificar documentos. É verdade que num canto discreto do documento está a data de 14/07/2014, mas deduz-se que esta tenha sido a data em que o fax foi enviado (dois dias depois de assinar pelo FC Porto). Mas como ninguém pode acreditar que o FC Porto assinaria, por dois máximos responsáveis, um documento de 11M€ em que tem um erro na primeira página, das duas uma: ou o documento é falso; ou Adrián López já tinha sido de facto contratado em 2013, para chegar um ano depois. 

Pinto da Costa critica publicamente Jorge Mendes, confirmando o que O Tribunal do Dragão escreveu muito antes sobre o carro, o stand e a gasolina. O problema é que ninguém imaginaria que Adrián fizesse uma época tão má a ponto de parecer que nem correr sabia. Assim, foi impossível encontrar quem o avaliasse em 11M€. E então vamos ver se também será fácil encontrar alguém que continue a avaliar Imbula acima de 20M€.

Adrián López não custou nada na época 2014-15, mas como O Tribunal do Dragão escreveu não havendo acordo para recolocar o jogador Adrián começaria a dar prejuízo a partir do 1º trimestre de 2015-16. Pinto da Costa confirmou isso mesmo. Agora, delegar a responsabilidade disso mesmo a Lopetegui não parece o mais correto, a não ser que o FC Porto decida desmentir que o mesmo tinha sido contratado já em 2013. Agora, com estas críticas a Jorge Mendes, de quem se dizia que as relações já não andavam a ser as melhores, que vai acontecer? Ainda mais negócios com a Doyen?

Pinto da Costa também responsabilizou Lopetegui pela ausência de títulos, ele que não costuma criticar ex-treinadores. Em vez de realçar que Lopetegui não foi campeão, talvez fosse interesse comentar por que é que o FC Porto, fazendo 82 pontos no campeonato, não foi campeão; podia explicar por que é que só Lopetegui fazia a defesa pública do FC Porto, enquanto a SAD ficava calada enquanto assistia à forma como o Benfica se aguentava no primeiro lugar. Enfim, estamos em plena época 2015-16 e não faz sentido continuar a lamentar o que aconteceu em 2014-15. Mas não queiram que Lopetegui seja o máximo responsável pela época passada, porque nunca o será, não isoladamente.

Outra justificação que não pareceu fazer sentido foi dizer que «Lopetegui não se adaptou». Foi preciso 18 meses para descobrir isso? Se o FC Porto tivesse espetado 3 ou 4 ao Rio Ave, de certeza que Lopetegui continuaria. Não foi um jogo a definir se Lopetegui estava ou não adaptado.

Todos sabem que Peseiro não foi a primeira opção. E não, Peseiro não contradisse a SAD do FC Porto. Como é óbvio, a SAD sondou várias possibilidades depois de despedir Lopetegui. Sondar não é negociar. Que não foi primeira ou segunda opção, todos sabem que não. E pelo currículo dos últimos 10 anos - ou seja, Pinto da Costa não está a apostar no percurso de Peseiro, está a apostar (lá está) nas suas ideias -, ser a 10.ª opção para treinar um clube como o FC Porto já era uma honra.

Interessante quando Juca tentou realçar que a boa época da equipa B se deveria à chegada de vários jogadores estrangeiros. Pinto da Costa impôs-se, ao dizer que isto eram os «frutos» de muito trabalho, e deu o exemplo de... Rúben Neves. Um rapaz que nunca sequer foi chamado para treinar com os juniores, nem sequer na equipa B. A bem da verdade, só Paulo Fonseca o chamou para fazer dois treinos com a equipa A.

Quanto à arbitragem, Pinto da Costa disse que Duarte Gomes é o novo Marco Ferreira. Não é: é o novo Artur Soares Dias. Porquê? Porque há dois anos o presidente dizia que Soares Dias não servia, mas entretanto considerou-o árbitro de top europeu. Já Duarte Gomes, tantas vezes criticado, agora até parecia uma grande perda para a arbitragem. Não se percebe.




Nada de revelador da MEO, a não ser o desmentir de a que a proposta da NOS era melhor (era importante afirmá-lo, mas o que gostávamos mesmo de saber é quem, ou se, foi intermediário do negócio...).

Pinto da Costa assume a recandidatura, e vai obviamente ser reeleito, pois terá eternamente um capital de votos para ser presidente do FC Porto enquanto quiser. Assume pela primeira vez que quer construir um centro de formação no 14º mandato. Quando soubermos mais do projeto poderemos comentar. Mas foi curioso Pinto da Costa revelar que tinha o sonho «há muitos anos» de ter uma equipa de ciclismo. Curioso, desconhecíamos o presidente como fã de ciclismo, tendo em conta que a modalidade foi fechada no FC Porto pouco depois de Pinto da Costa suceder a América de Sá e o regresso só se consumou após «desviarem» o parceiro que tinha tudo acertado com o Sporting.

Notas curtas. Lichnovsky, o quarto central do plantel, vai rodar no Sporting de Gijón, o que convida à entrada de um novo central antes do fim do mercado. Tello está a negociar com a Fiorentina, e não será uma surpresa se Peseiro pedir um extremo, pois Corona, Brahimi e Varela é curto para ganhar 3 competições. Há quem discuta a hipótese do 4x4x2, mas isso só Peseiro saberá. 

Uma entrevista que não acrescentou muito, pouco reveladora, mas que serve para procurar unificar adeptos, plantel e José Peseiro, tentando passar as responsabilidades pelo que se passou nos últimos 18 meses a Lopetegui (um dia há-de responder, como é claro, mas a sua imagem foi tão desgastada que 99% dos portistas reagirão com indiferença ou desprezo). Pela generalidade das reações dos adeptos do FC Porto, que adoraram a entrevista mesmo sem esta ter muito de revelador, assim se percebe que Pinto da Costa consegue, como ninguém, transformar a depressão em euforia: basta falar durante alguns minutos. É por isso que vai ser presidente do FC Porto enquanto quiser. E é por isso que tem que vir a público mais vezes.

PS: O site oficial do FC Porto fez um resumo, tópico a tópico, da entrevista de Pinto da Costa. Fala de todos os temas, exceto um, que omite por completo. Adivinhem lá qual é: precisamente tudo relacionado com Alexandre Pinto da Costa (sendo que também não fala de Antero Henrique, embora este tenha sido pouco focado no discurso). Ou não interessa, ou não querem que interesse.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Vinte perguntas

Pinto da Costa vai falar amanhã ao Porto Canal, sensivelmente dois anos após ter dado a sua última entrevista de balanço a meio da temporada. O essencial é que se foque nas questões importantes e, ao longo dos 50 minutos. não perca tempo com fait divers.

Entrevista em perspetiva
Há dois anos, Pinto da Costa, o tipo de entrevistado que sabe conduzir uma entrevista, disparou em diversas frentes, mas quase sempre ao lado. Passou mais tempo a atacar dois potenciais candidatos à presidência do FC Porto (António Oliveira e Fernando Gomes) do que a debater, concretamente, a atualidade da equipa; das finanças da SAD pouco ou nada se falou; disse que Soares Dias não devia ser árbitro, mas um ano depois disse que era um árbitro com tudo para ser top europeu; atacou Manuel Serrão, chamando-o de palhaço (o FC Porto, ao contrário de Benfica e Sporting, não prepara os «seus» comentadores para os debates televisivos, o que indica que não atribui importância a este formato); disse que Abdoulaye, Pedro Moreira e Tozé eram as promessas de curto prazo para a formação do FC Porto, além de prever um grande futuro a Reyes; disse que Lucho González, que saiu duas semanas depois, ia ficar para sempre no FC Porto. E de outras coisas se poderia falar, mas também há declarações com segundas intenções, como dar confiança ao treinador («Se o contrato de Paulo Fonseca acabasse hoje, renovava com ele») ou dar recados ao mercado («Se alguém sair será pela cláusula, nós vão vendemos pela metade» - Otamendi nem chegou à metade).

De há dois anos para cá, o FC Porto não ganhou nenhum título no futebol e a SAD apresentou o seu maior prejuízo de sempre. Desde então, já saiu Fonseca, Luís Castro subiu, Lopetegui chegou e saiu e Rui Barros aqueceu o lugar até José Peseiro chegar. A contestação para com a SAD vai subindo de tom e, daqui a dois meses, será data para fechar listas para eleições.

Por isso, há uma série de questões que poderiam e deveriam ser abordadas. O facto de ser uma entrevista no Porto Canal pode levar a que Júlio Magalhães não pergunte várias coisas que gostaríamos de ouvir, mas aqui ficam questões que mereceriam ser debatidas por Pinto da Costa.

1 - Disse que os assobios a Lopetegui davam sorte e exaltou a subida do FC Porto à liderança, mas pouco mais de uma semana depois decidiu avançar para a rescisão com Lopetegui. O que mudou nesse espaço de 10 dias? Que responsabilidades, méritos e culpas se podem distribuir na era Lopetegui?

2 - Como se justifica a demora do FC Porto em encontrar o sucessor de Lopetegui? Concorda com quem diz que o FC Porto tem dificuldade em atrair treinadores de topo? 

3 - O que pode José Peseiro dar à equipa nos 18 meses de contrato que assinou? O que exige ao treinador? Por que foi esta a sua escolha?

4 - No início da época disse: «Às vezes não é preciso um treinador como Lopetegui. Quando tenho Hulk, Falcao e James na equipa, o treinador é indiferente. Com eles é difícil não ganhar. Mas entrámos num período em que não tínhamos esses jogadores nem capacidade económica para substituí-los». Ou seja, Pinto da Costa dizia que apostou em Lopetegui por não ter grandes jogadores como Hulk, Falcao e James. Em que papel cabe então José Peseiro?

5 - Reconhece a dependência do FC Porto de fundos, nomeadamente e sobretudo da Doyen Sports, na abordagem ao mercado de jogadores? O FC Porto vai continuar a negociar sistematicamente com a Doyen ao lado ou deseja recuperar alguma independência no mercado? 

6 - Pinto da Costa sempre afirmou que os fundos permitiam ao FC Porto chegar a jogadores mais caros. Mas dados recentes mostram que o FC Porto começa a necessitar de fundos até para ter financiamento para pagar salários. Qual é o limite?

7 - Que comentário lhe merece a política do FC Porto de contratar diversos estrangeiros para a equipa B, mas sempre por empréstimo, o que depois significa comprar jogadores a título definitivo com inflação, como foram exemplos Kayembé ou Víctor Garcia?

8 - O FC Porto tem uma equipa B e formação recheada de grandes valores. No entanto, tem cerca de 100 milhões de euros investidos em jogadores que não utiliza, além de continuar a pagar o salário à maior parte de jogadores emprestados. Acha sustentável manter uma folha salarial e despesas com o plantel desta dimensão?

9 - A SAD orçamentou uma necessidade de mais-valias com jogadores de 72,519M€ para 2015-16. Tendo em conta que Alex Sandro já saiu e Brahimi vai pelo mesmo caminho, quem é o 3º jogador titular que poderá sair no fim da época? Pode assegurar a continuidade de Rúben Neves? E poderá o novo contrato de direitos televisivos aliviar a dependência de vendas do FC Porto? Em que medida a eliminação da Champions afetará os planos da SAD?

10 - Em relação ao contrato com a PT, pode desmentir o envolvimento de Alexandre Pinto da Costa e Pedro Pinho, já presente na contratação a «custo zero» de Quaresma, no papel de intermediários do negócio? Reconhece o FC Porto como destinatário da boca de Bruno de Carvalho, ao dizer que fez um contrato «sem comissões»? O novo contrato vai permitir ao FC Porto reduzir a dependência de mais-valias?

11 - Pinto da Costa já afirmou mais do que uma vez que o FC Porto «não é uma monarquia». É uma frase que se aplica apenas à presidência ou também a outros setores do clube, nomeadamente na relação e/ou favorecimento de empresários com relações familiares com membros da SAD?

12 - Uma vez disse que o seu sucessor «só tem que não estragar». Continua a achar que o FC Porto está a funcionar corretamente em toda a plenitude, que há total comunhão entre todos os administradores da SAD e que rumam todos em prol do propósito maior: «servir o FC Porto»?

13 - Ao recandidatar-se à presidência do FC Porto, planeia cumprir o mandato de quatro anos, até 2020, ou admite em algum momento passar a pasta durante o 14º mandato? Os sócios podem confiar que, ao votar em si, estarão a votar em Pinto da Costa para presidente e não em Pinto da Costa para, no médio prazo, passar o testemunho?

14 - A SAD reconhece a revenda de bilhetes do FC Porto, comprados por parte da massa associativa a um preço e revendida a comuns adeptos pelo dobro ou triplo?

15 - Como se justifica que, ao longo de 18 meses, o FC Porto tenha sempre deixado o treinador isolado na defesa do clube e no insurgimento contra as arbitragens e outros fatores externos?

16 - O FC Porto conformou-se com o papel de Vítor Pereira no CA da FPF? Por que deixou de combater o sistema de nomeações e assumiu o silêncio face às nomeações e arbitragens?

17 - Como se justifica que o FC Porto, nos últimos R&C, tenha apresentado uma média de dois a três intermediários/empresários por cada jogador transferido e declarado nas contas do clube? Há necessidade de envolver tantos empresários, com entidades que de transparante nada têm, nos negócios do FC Porto? Servir o clube não deveria também ser não deixar que se sirvam dele?

18 - Entre alguns dos negócios desta época: é verdade que Osvaldo custou 4M€? Imbula - dá para confirmar o modelo de pagamento de prestações a envolver Doyen e Marselha? - vai ser aposta de médio prazo ou o FC Porto vai admitir a sua saída no defeso? Cristian Tello vai sair? Pode esclarecer a alegada alienação de passe de Sérgio Oliveira após a proibição de partilha de passes da FIFA? Que comentário lhe merece o negócio a envolver Carlos Eduardo, Nice e a saída para as Arábias?

19 - A que objetivos se propõe caso avance para o 14º mandato na presidência do FC Porto? Quais são as bases do seu programa eleitoral?

20 - O que teria Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente eleito em 1982, a dizer sobre o FC Porto dos últimos três anos? Estaria orgulhoso e identificado com o clube atual?

PS: Que outras perguntas gostariam, os leitores, de ver serem colocadas ao presidente do FC Porto?

PS2: O Dragões Diário diz que Bruno Costa, que renovou até 2019, é «capitão dos juniores» do FC Porto. Quando o jornal oficial do clube não sabe que Bruno Costa usou, pela primeira e única vez na carreira, a braçadeira de capitão apenas no dia 9, contra o Boavista, assim se vê a atenção e rigor que dedicam à formação. Fica a nota da boa notícia pela renovação deste jovem talento, que está no FC Porto desde os infantis. 

PS3: Há um ano, O Tribunal do Dragão escreveu isto a propósito do empréstimo de Kelvin ao Palmeiras, defendendo que foi uma péssima decisão. Um ano depois, confirma-se. Passou um ano inteiro a ser suplente (jogou nas primeiras jornadas, mas desde junho só ia ao banco), fez apenas um golo em 2015 e não evoluiu absolutamente nada, pois o meio também não era convidativo a isso mesmo. Agora esqueçam o futuro: que presente dar a Kelvin?