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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Análise 2014-15: os extremos

Não há comparação possível entre os extremos que o FC Porto teve para iniciar 2013-14 e os que conseguiu para a última época. Paulo Fonseca basicamente só tinha Varela como jogador «feito», e tinha-o contrariado. Lopetegui teve qualidade de sobra, pois a época foi mais bem preparada, o treinador foi ouvido e o ataque ao mercado foi forte e bem conseguido. O resultado? Quaresma: 10 golos e 7 assistências. Tello: 8 golos e 11 assistências. Brahimi: 13 golos e 10 assistências. Contamos apenas este top 3, o mais produtivo que tivemos em muitos anos, sem contar com as passagens episódicas de Ádrian, Quintero, Óliver e até Hernâni pelas alas.

Todos os atuais extremos têm condições para serem mantidos no plantel. Temos experiência (Quaresma), explosão (Tello), criatividade (Brahimi) e projetos de jogador, que vão de Ivo a Hernâni, de Frédéric a Rúben Macedo. Cabe a Lopetegui escolher. Se alguém sair, que seja substituído por alguém do mesmo perfil, embora nada esteja previsto nesse sentido. Em relação a extremos, é um setor para o qual não precisamos de contratações para o 11, mas sim de continuar a aproveitar as soluções que já temos e os talentos que estão na forja. Não esquecer que só em Kelvin (continua no Brasil) e Hernâni foram investidos 6M€, dinheiro ainda por rentabilizar. Não estamos na melhor altura para apostar em «planos C» quando os «B» ainda estão na forja. Mas como sempre, há quem não seja da mesma opinião.

Quaresma - Esteve por um fio no início da época, fruto do feitio que fez com que fosse considerado um flop no Barcelona, no Chelsea ou no Inter. Mas amadureceu como poucos esperariam - talvez nem ele próprio. Tornou-se um extremo mais equilibrado e mais completo, mesmo perdendo velocidade (como é normal na sua idade). É muito raro um extremo de 31 anos ser titular numa grande equipa. Quaresma sabe - se não sabe ficará a saber - que será difícil ser titular absoluto em 2015-16, mas ficando no plantel será um elemento de grande valia. Isto se souber que quer no banco, quer dentro de campo, o símbolo que representa é sempre o mesmo. Não estava na morgue, mas o FC Porto reabriu-lhe todas as portas.

Tello - Uma, duas, três lesões, as duas últimas já quando estava na sua melhor forma ao serviço do FC Porto. Aprendeu a definir melhor, a usar o que de melhor tem, tornou-se decisivo numa sequência de jogos importantes, ora com golos ora com assistências. 2015-16 tem tudo para ser a sua grande época. Postura irrepreensível ao serviço do clube, em todos os momentos, e a não ser que o Barcelona decida estragar a festa entrará em 2015-16 como uma das grandes armas do FC Porto para resgatar o título e voltar a brilhar na Champions (onde Tello acabou por não conseguir ser influente como poderia ser).

Brahimi - Partiu tudo nos primeiros meses, a ponto de fazer uma cláusula de 50M€ parecer pouco. A partir de Novembro (ainda antes da CAN), caiu numa espiral de exibições apagadas e moleza, mesmo intercalada com alguns momentos/jogos do brilhantismo a que nos habituou. Era a primeira época de Brahimi num clube que joga na UEFA, que luta para ser campeão, que em todos os jogos a nível nacional joga contra equipas com linhas defensivas recuadas. Realidades novas para Brahimi, que também teve/tem que aprender a fazer de um passe a melhor finta, a enquadrar-se taticamente num coletivo e a perceber que é impossível ele partir todos os defesas em todos os jogos. Vai ficar e na próxima época estará bem mais preparado para a regularidade que lhe faltou. Sem Danilo e Jackson, deve emergir como a grande figura do FC Porto para 2015-16.

Hernâni - O TD não concordou com a sua contratação, como foi opinado no fecho do mercado. A não concordar com algo, que seja dito atempadamente, porque em prognósticos no final do jogo todos somos 100% certeiros. Mas a partir do momento em que Hernâni chega ao FC Porto, é de esperar que o elevado investimento seja rentabilizado e que as suas características sejam tão aproveitadas quanto possível. Ao fim de meia época, Hernâni é ainda o mesmo jogador que fomos buscar ao Guimarães: com bola no espaço pode fazer a diferença, mas em tudo o resto apresenta limitações. Fez 2 golos no campeonato, esforçou-se, mas em termos evolutivos ainda não deu para ver muito. Parte como última opção para as alas, se ficar no plantel, e precisa de muito mais para singrar no FC Porto.

Kelvin e Ivo Rodrigues serão analisados no setor de jogadores emprestados, enquanto Ádrian López entra nos avançados.

Pergunta(s): Há necessidade de ir ao mercado buscar um extremo? Que papel para Hernâni no FC Porto 2015-16?

PS: A efeméride passou ao lado. O Tribunal do Dragão celebrou um ano de existência. 245 posts, 5.000 comentários, 1,8 milhões de visitas. A frequência de posts não tem sido a maior nas últimas semanas, por motivos de força maior (daí o menor número de posts e a ausência de respostas a comentários), mas tentaremos repetir os números no segundo ano, sempre com o mesmo propósito: um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto. Um obrigado a todos os portistas que visitam e comentam regularmente este espaço.

terça-feira, 12 de maio de 2015

A diferença entre 78 e 81 pontos

Lopetegui e os jogadores têm que seguir o politicamente profissional: dizer que o título ainda é possível. Logo, percebe-se que Lopetegui tenha apostado praticamente no melhor 11 à disposição. Mas... Como bons portistas, temos que acreditar no FC Porto. Mas não temos que acreditar em Rui Vitória ou no Guimarães, nem em Carlos Pereira - oh, se não podemos! - ou no Marítimo.

Isto para dizer que teria sido uma boa oportunidade para lançar as segundas linhas. Porque há vários jogadores caros no plantel que, se não servem para jogar contra o Gil Vicente no Dragão, então o seu futuro deve ir à mesa. Mas é Lopetegui quem vê quem trabalha bem ou mal ao longo da semana, logo neste caso a opção do treinador deve sempre ser respeitada.

Mas seria bom aproveitar os últimos dois jogos da época para dar uma oportunidade a menos utilizados, sobretudo porque o campeonato já está, com maior ou menor fé, perdido. E resume-se de forma muito simples: é por culpa própria que o FC Porto não tem mais que 78 pontos. Mas é pelos factores externos que todos conhecem que o Benfica tem 81 pontos. Factores esses que o FC Porto, sobretudo a nível directivo, não combateu como devia. A SAD construiu (a valente preço, que exigiu a Lopetegui valorização de activos e ao plantel uma excelente Champions - objetivos cumpridos) um bom plantel, mérito nisso, mas há que se mentalizar de algo: o tempo dos campeonatos em piloto automático acabou. Uma lição a aprender para o último triénio do 13º mandato de Pinto da Costa, onde não podemos repetir a passividade demonstrada esta época. Repetindo os erros, não há forma de pensar em 2016-2020.





Abono em tempos de fome
Jackson Martínez (+) - Não foi campeão europeu, como Derlei ou McCarthy, não foi tetracampeão, como Lisandro López, nem resolveu uma final europeia, como Falcao. Jackson fez algo não menos significativo: foi líder, goleador, referência e inspiração nos últimos 3 anos, nos quais o FC Porto atravessou uma das fases mais delicadas dos últimos 30 anos, inclusive tendo como rival um Benfica forte (e não falamos necessariamente apenas de força futebolística) como há muito não se via. O melhor marcador do FC Porto no séc. XXI faz 30 golos por época e deixa saudades, muitas saudades. Porque Jackson não liderou o FC Porto em tempos áureos, como McCarthy, Derlei, Lisandro ou Falcao. Liderou-o em tempos difíceis. Merece ser perpetuado no museu.

Óliver e Quaresma (+) - Não tendo sido a mais brilhante exibição do FC Porto, não faltou clarividência. Ao contrário do que aconteceu no Bonfim, onde quase não houve oportunidades de golo, desta vez o FC Porto soube criar várias ocasiões. Para isso muito contribuiu Quaresma, preciso nos cruzamentos e a ajustar o seu estilo de jogo à velocidade que já não é muita. De Óliver, o de sempre. Virtuoso, rápido a criar e a corresponder a linhas de passe, e a cruzar muito melhor. De destacar também a boa exibição de Maicon (foi de um dos seus chatíssimos passes longos que começou o lance do 1x0).





2015-16 tem que começar já! (-) - As velhas críticas do costume. Uma dúzia de cantos, zero de perigo (ps: o golo de Jackson é um lance que acontece 1 ou 2 vezes na carreira de um jogador, que nasce da inspiração de predestinados e não de planos de treino). É gritante a falta de evolução no FC Porto nas bolas paradas desde o início da época. Até mesmo em livres cruzados para a grande área, é extremamente raro vermos algum jogador ganhar uma bola de cabeça e criar perigo. Livres batidos de qualquer maneira, movimentações na área que não revelam grande estudo prévio. Agora como há 6 meses: se Lopetegui não consegue evoluir a equipa neste aspecto, que se contrate alguém para reforçar a equipa técnica que o consiga. Por outro lado, a falta de verticalidade em vários momentos do jogo. Somos uma equipa de posse, de ataque planeado, que joga mais com a cabeça do que com o pulmão. Mas num contexto de futebol português, temos que saber jogar em mais de 30 metros, atacar com velocidade e agressividade o último 1/3 do campo e encurtar a distância nas transições. Não é mudar o estilo de jogo, é readaptá-lo. Se não melhorarmos estes dois aspectos, em 2015-16 poderemos repetir erros há muito detetados. E o FC Porto, como qualquer clube com qualquer profissional, tem o direito a errar, desde que trabalhe para corrigir esses erros. 2015-16 tem que começar já.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Inferno de Dante

Sempre preparados
Copo meio cheio ou meio vazio? Não foi Xabi Alonso que perdeu aquela bola. Foi Jackson que a recuperou. Também não foi Dante a perder a bola. Foi Quaresma a recuperá-la. Como é que uma equipa fortíssima, com a maior percentagem de passes certos na Champions, com 9 jogadores titulares que já ganharam Liga dos Campeões/Mundial (os únicos 2 que não o fizeram são Bernat, o jogador mais utilizado por Guardiola, e Lewandowski, um dos melhores pontas-de-lança do mundo e o segundo melhor em campo no Dragão) consegue sofrer dois golos daquela forma em 10 minutos? Simples: mérito do FC Porto.

Nunca o Bayern ou Guardiola levaram com uma pressão tão grande como a de hoje do FC Porto. O Bayern está habituado a jogar contra equipas recuadas, que dão espaço na primeira fase de construção, que só pensam em sair para o contra-ataque quando o Bayern perder a bola ou falhar um passe. O FC Porto não esperou por isso. Forçou o Bayern a perder a bola, forçou o Bayern a falhar passes, e reduziu alguns dos melhores avançados do mundo a muito pouco ofensivamente (tiveram mais bola e mais ataques, mas não foram mais perigosos).

Agora querem fazer de Dante e Boateng, titularíssimos na segunda defesa menos batida das Ligas europeias (a melhor é o FC Porto!), pernetas que caíram por cá de pára-quedas? Erraram porque o FC Porto os forçou a isso. Por isso é que erraram hoje e não noutros jogos da Liga dos Campeões ou da Bundesliga. Lopetegui e os seus foram premiados pela audácia, desinibição, coragem e determinação em representar o FC Porto ao mais alto nível. Uma verdadeira exibição à Porto, onde ninguém se encolheu, todos sabiam o que fazer e quiseram sempre mais do que o Bayern.

O Bayern fez quase 600 passes, o FC Porto nem metade disso. Mas a equipa soube agarrar-se à qualidade e utilidade em detrimento da quantidade. Porque se há uma bola e o Bayern em campo, normalmente essa bola é para o Bayern. Soubemos mantê-la longe das zonas de perigo e fomos lá buscá-la nas 3 vezes em que precisámos para marcar. Lopetegui e os jogadores estiveram sempre preparados, fazendo jus ao mote da temporada.

E agora, como escreveu Dante Alighieri, depois do inferno vem o purgatório (que será Munique), e só depois podemos pensar em chegar ao paraíso. Uma equipa que tenha dois golos de vantagem em Munique só tem uma coisa garantida: vai levar massacre, vai ter que sofrer, vai ter que estar preparada para ir buscar a bola ao fundo das redes e metê-la no meio-campo, vai ter que levar bolada, vai ter que se superar em todos os capítulos. Vamos pensar nisso depois de ganhar à Académica, ok?





Preparação e resposta (+) - A vitória não começa em erros do Bayern, começa no plano de jogo do FC Porto: forçá-los a errar. Assim foi. Guardiola ensinou um médio (Fàbregas) a jogar a avançado, mas Lopetegui tem em Jackson um avançado que sabe jogar como médio. Isto levou a que a equipa tivesse sempre o meio-campo equilibrado e depois contasse com o talento que recheia os flancos para sair para o ataque, além da insanidade que foi a pressão no corredor central. Alguém se lembra de um lance de Müller, Götze ou Lewandowski que tenha ficado na retina? O FC Porto esteve preparadíssimo a todos os níveis para vencer. Essa era a vitória que se exigia. A outra, o 3-1, foi um regalo.

Quaresma, sete anos depois (+) - Quando Quaresma se isola, traz à memória o FC Porto-Schalke 04, mas agora não havia Farias ali ao lado para reclamar a bola. «Dass, não faças como em 2008, faz como em Londres, ao Cech, trivela nisso!» E assim o fez. Esqueçam os dois golos: o momento, já perto do fim, em que vai até ao limite fazer um corte acrobático, que o rebenta todo, e que o leva a pedir substituição a Lopetegui (alguma vez o tinham visto pedir substituição antes?) é o que define a sua exibição: estava disposto a tudo para que o FC Porto ganhasse e dedicou-se até ao limite. Aquela braçadeira que perdeu, por culpa própria, no início da época pode regressar ao braço, por mérito próprio, na próxima pré-época.

Os tais dedos (+) - Guardiola queixou-se que faltavam mãos ao Bayern e dedos ao FC Porto. Um segredo que ninguém se preocupou em descobrir quando diziam que o pobre Bayern ia jogar com remendos: Guardiola contou com os seus 10 jogadores mais utilizados em campo. O FC Porto, apenas com 9 dos 10 mais. Pobre Bayern, tão desfalcado. Adiante. A defesa fechou mal e falhou o corte no golo do Bayern, mas globalmente fez um jogo bastante positivo. Bom entendimento entre Maicon e Martins Indi (quantas bolas ganhou Lewandowski de cabeça?), Danilo e Alex competentes a defender e perigosos a atacar (Danilo hoje mais conservador). Alex Sandro anda a pedir a renovação...

Casemiro, não há maior elogio que este: fez lembrar Fernando contra o Zenit em 2013. Que animal! Óliver esteve sublime a organizar e distribuir jogo, sempre rápido a reagir à perda. Herrera foi essencial para manter sempre os equilíbrios e dar velocidade pela zona central. Brahimi teve que se adaptar a jogar em zonas mais recuadas, mas guardou bem a bola, desequilibrou quando pôde e arrastou sempre 2 jogadores com ele. Boa entrada de Rúben Neves.

O trunfo (+) - Fez lembrar o regresso de Derlei à Corunha, em 2004. Regresso em pleno de Jackson, um segredo bem guardado no Olival. Que enormíssima exibição, do mais completo ponta-de-lança que o FC Porto alguma vez teve. Jackson faz tudo. Não há função que não consiga desempenhar. E fá-lo com o bónus de que (quase) tudo o que faz, faz bem,  com uma exibição que deve ter feito Lewandowksi corar de vergonha. Aboubakar no banco e Gonçalo na bancada não tinham outro remédio que não fosse aplaudir. Top. Admire e aprendam.





Então... (-) - Meus senhores. Ganharam por 3-1 a uma equipa que: tem um orçamento que ronda os 400 milhões de euros; é treinada por um treinador top, que ganhou 2 Champions, 3 Mundiais de Clubes e marcou uma geração no futebol internacional; tem 6 campeões do mundo no 11 e uma carrada de campeões europeus; tem o estatuto e o peso que leva a que não se expulse um guarda-redes que faz falta sobre um jogador isolado aos 2 minutos; é uma equipa alemã, e a final da Champions vai jogar-se em Berlim; foi a 3 das últimas 5 finais da Champions; está a passear na Bundesliga e só tem que pensar na Champions; em 22 jogos nunca tinha perdido com clubes portugueses em eliminatórias; e que foi largos períodos dominada e massacrada pelo FC Porto, que não vai às meias-finais há 11 anos, joga com plantel e treinador novos esta época, está sob enorme pressão no campeonato e ainda luta contra os ostracismo que não conhece fronteiras.

A eliminatória ainda é uma incógnita. Mas o jogo, por si só, hoje merece ser recordado como um dos grandes triunfos da história do FC Porto. Como em Viena, 90 minutos que honram os pergaminhos do clube e que merecem espaço entre eles. Em 180 minutos é mais difícil? Talvez. Mas de Viena ao Dragão foram 180 minutos em que todos se renderam ao que se passou: o FC Porto foi melhor do que o Bayern e desfez a lógica do futebol. Um divino orgulho onde muitos esperariam uma Divina Comédia.


domingo, 12 de abril de 2015

Ao colinho da determinação

Teoricamente, o que nesta altura vale muito pouco, era o teste mais difícil para o FC Porto até ao final da época, além do clássico. Mais uma vez, a equipa superou-se. Ninguém criou tantas situações de golo e rematou tantas vezes em Vila do Conde como o FC Porto. Houve pressa em resolver, sem pensar na Champions, e quando foi preciso responder a um lapso a equipa não se coibiu. 

Abordagem correta
Só uma grande exibição, com empenho e determinação, conseguiria superar novamente a (in)competência do Conselho de Arbitragem da FPF: para um jogo em casa da última equipa a derrotar o Benfica, nomeia uma dupla de auxiliares composta pelo 46º melhor auxiliar (de uma lista de 53) da época passada (Bruno Trindade) e pelo 11º do escalão C2N3 (Sergio Jesus). O resultado esteve à vista.

Lopetegui não pensou um único segundo no Bayern - prova disso foi a forma insistente como pedia sempre mais pressão, mais concentração, mais critério, e inclusive a gestão da equipa - e o FC Porto passou um teste difícil. Será difícil projetar já o que esperar de um jogo que se vai disputar entre uma eliminatória europeia, mas contra a Académica interessará acima de tudo vencer, se possível por números generosos. E vamos ver se o mestre Viterbo também fará a gentileza de entrar borradinho no Dragão, com 3 centrais e a deixar-nos jogar no meio-campo deles sem pressão. De certeza que nos daria jeito arrumar esse jogo nos primeiros 20 minutos.





Laterais (+) - Impecáveis. O FC Porto esteve muito forte no envolvimento pelos corredores, graças à excelente exibição de Danilo e Alex Sandro. O primeiro jogou ao nível que nos habituou e que impressionou o Real Madrid, com mais um bom golo. Mas o seu melhor momento é no último lance do jogo: entra com tudo para ganhar um lance na grande área, para fazer o 4x1, o árbitro apita e a primeira coisa que Danilo vai fazer é explicar ao colega como é que queria a bola passada para rematar. À Capitão. Alex Sandro esteve endiabrado no ataque - foi o jogador que mais vezes rematou, deu muito apoio a Brahimi, esteve forte nos movimentos interiores e, apesar de muitas vezes demorar a soltar a bola, foi isso que lhe permitiu dar o 2x0 a Danilo. 

Criatividade (+) - Três estilos virtuosos, três estilos diferentes, três boas exibições. Com Herrera algo desconcentrado (talvez o único) e Casemiro com pouca margem para aventuras no ataque, Óliver foi dinamizador da equipa, que solicitava os flancos, dava sempre a linha de passe para o toque curto e foi soberbo na pressão, sem fazer uma única falta em todo o jogo. Brahimi esteve bem melhor. Tem mais liberdade do que Quaresma para levar a bola em vez de procurar já o cruzamento, desposicionou várias vezes a defesa do Rio Ave, esteve três vezes perto do golo (numa até o celebrou) e apesar de por vezes se agarrar demasiado à bola só teve duas perdas. Já Quaresma voltou a apostar na fórmula enquadrar-cruzar: fez 10 cruzamentos, mais 7 do que Danilo, teve dois remates perigosos além do seu golo e dá um jeitaço na forma altruísta como pressiona e fecha o corredor. Ter Lopetegui deve ter sido a melhor coisa que lhe aconteceu na carreira depois de Bölöni.

Impecável
O esteio (+) - Se algo custou no jogo de ontem, foi ver que aquele Marcano não vai defrontar o Bayern. Varreu tudo o que havia para varrer, não cometeu uma única falta em todo o jogo, foi sempre rápido e prático a sair a jogar e não merecia que Danilo e Maicon tivessem sido papados no golo do Rio Ave. Um central completíssimo, que em boa verdade faz lembrar a afirmação de Pedro Emanuel no FC Porto: chegou algo já tarde, mas em boa hora e a tempo de se tornar importantíssimo.

Outros destaques (+) - Excelente, a estratégia de Lopetegui, a pedir pressão e agressividade sem parar na primeira parte, como é hábito. A reacção à perda da bola é o ponto mais forte do FC Porto e vai também ser a nossa principal arma frente ao Bayern. Ainda não foi desta que os cantos renderam, mas pela primeira vez viu-se a equipa tentar marcá-los de forma diferente, o que pelo menos mostra que Lopetegui já percebeu que há algo de errado (finalmente!). E um destaque para Aboubakar. Não foi feliz na finalização, nota-se que é um jogador que baixa a cabeça quando as coisas não correm bem, mas o mérito do 3x1 é dele, pelo trabalho e pelo altruísmo em oferecer o golo a Hernâni, que se estreou a marcar.





A rever (-) - Genericamente, não houve nenhum erro táctico ou no plano de jogo. A equipa esteve sempre bem posicionada, sempre preparada para responder ao pouco perigo do Rio Ave. Os dois lances de maior perigo do adversário são erros individuais, não estruturais: a má abordagem de Danilo e a falha de Maicon na dobra, no golo do Rio Ave, e uma falha de Herrera (não pode cometer estes lapsos na Champions) na saída de bola. Erros que contra o Bayern podem custar muito caro. 

PS: O coitadinho do Bayern jogou ontem com amostras de jogadores como Xabi Alonso, Dante, Bernat, Lahm, Thiago, Müller, Götze e Lewandowski. Provavelmente, qualquer um destes jogadores seria titular e estrela no FC Porto, que só por acaso ganhou em Vila do Conde sem o seu maior assistente (Tello) e o seu maior goleador (Jackson). Mas o Bayern é que está debilitado, coitado.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Nota 10

Últimos jogos do FC Porto no Dragão | Fonte: zerozero.pt 
Décima vitória consecutiva no Dragão desde a derrota com o Benfica. Nesse período, 33 golos marcados, a uma média de 3,3 golos por jogo, exibições agradáveis, vitórias confortáveis, apenas 2 golos sofridos e ambos na Taça da Liga. É isto que todos queremos: o factor casa a prevalecer, equipas que poucas vezes conseguem atacar no Dragão (o Estoril não fez um único remate em 90 minutos), um FC Porto que faz golos com frequência e alguma arte, que ganha os seus jogos.

O FC Porto conseguiu igualar o Benfica na diferença de golos, sendo que este critério só interessará se ganharmos por 2x0 na Luz - coisa muito improvável de acontecer, tendo que conta que o SLB de JJ marca sempre em casa no campeonato. Mas é importante que esgotemos e aproveitemos todas as possibilidades que temos para ainda chegar ao título. Saber que neste momento, vencendo por 2x0 na Luz, conseguiríamos uma vantagem virtual de 4 golos é importante.

Para já, o importante é pensar no dificílimo teste em casa do Rio Ave. Depois tentaremos a 11ª vitória consecutiva no Dragão, a 12ª e teremos os dois jogos fora de casa mais complicados e importantes da temporada. É para estes momentos que todos nos preparamos. Continuamos na luta pelas duas mais importantes competições, coisa de que pouquíssimos clubes se podem orgulhar. Até onde essa luta nos levará, não importa. Para já, importa o Rio Ave.


Melhor exibição da época
Fórmula Quaresma (+) - Bola no Quaresma, cruzamento. Bola no Quaresma, cruzamento. Bola no Quaresma, cruzamento. Na primeira parte, Quaresma fez 14 cruzamentos (há-de ser um recorde esta época). Mas ele só cruza?, perguntávamos. Mas a ideia era essa: cruzar, cruzar e cruzar. Com Jackson Martínez, o FC Porto pode dar-se ao luxo de jogar com um ponta-de-lança recuado, em apoio. Com Aboubakar, não lhe podemos pedir o mesmo. E assim o FC Porto procurou mais vezes Aboubakar na grande área, como no 2x0. Muitas vezes, Quaresma cruzava e não havia mais ninguém. Não significava um mau cruzamento, significava que não estávamos a conseguir povoar a grande área o suficiente. Mas o próprio Quaresma precisava de saber qual a altura certa para cruzar, esperar que chegasse gente suficiente à grande área.  Quando conseguimos meter quatro jogadores na grande área, chegou o 1x0. Bravo, mister. Bravíssimo, Quaresma, com duas assistências e dois golos, na melhor exibição desde que regressou ao FC Porto.

Danilo, do FC Porto (+) - Ah e tal, o Danilo já assinou pelo Real Madrid, agora não vai meter o pé. Mas em campo não estava o jogador do Real Madrid. Estava o capitão do FC Porto. A forma como aos 37min vai com tudo recuperar uma bola e lançar a melhor jogada do FC Porto na primeira parte diz tudo. Faz um excelente golo numa brilhante jogada colectiva, e mostra que a braçadeira lhe assenta bem: é uma inspiração para os colegas, não só pelo empenho e rendimento, mas até pela transferência para o Real Madrid. Se trabalharem como ele, talvez um dia também joguem no Real Madrid (depois de ganharem títulos no FC Porto, claro).

Aboubakar (+) - Um golo oportuno, com uma movimentação inteligentíssima, e uma assistência de grande classe. Correu, trabalhou, pressionou, deu linhas de passe e fez o que qualquer jogador do FC Porto deve fazer: pode ter um jogo mau (como na Madeira), mas deve dar a resposta no jogo seguinte. Aboubakar fê-lo e bem. Nunca fará o papel de Jackson, mas em termos de média de golos nunca estará muito atrás do colombiano. Isto significa que não é Aboubakar que tem que aprender a jogar como Jackson - é o FC Porto que terá que usar o seu ponta-de-lança de forma diferente. Hoje funcionou muito bem.

Outros destaques (+) - Belo jogo da dupla Marcano-Indi, competentíssima e que não permitiu que o ataque do Estoril criasse um único lance de perigo. Casemiro, um ou outro passe errado, mas desta vez bem na saída de bola, no posicionamento e na pressão. Óliver Torres, sempre inteligente e pertinente nas movimentações, e também a aparecer em zonas de finalização. Brahimi esteve em 4 ou 5 lances de grande perigo na primeira parte, arranca o penalty e mostrou a espaços os pés de veludo a que nos habituou. Mas se está cercado por 3 jogadores, por vezes um passe é a melhor finta que pode fazer.


Hipocrisia (-) - Queremos jogadores à Porto! Queremos mística! Queremos aposta na formação! Então que vamos fazer? Vamos assobiar um rapaz portista, que pertence a esta casa desde os 12 anos, que foi o melhor jogador da equipa B nos últimos 2 anos, que tem o sonho de se afirmar no FC Porto e que na sua carreira nunca fez nada que não fosse ser um bom profissional. Pela lógica à lá Tozé, devem andar por aí portistas que se virem o FC Porto contra Barcelona, Real Madrid ou Atlético na Champions vão querer que o Tello, o Casemiro e o Óliver desatem a marcar autogolos. Afinal, primeiro está o clube-mãe, não é assim gente portista?

Problema ou solução?
Outra vez (-) - 9 cantos batidos para a grande área, nenhum onde aparecesse alguém a cabecear à baliza. Os optimistas dirão, não precisávamos de cantos para ganhar por 5x0. Mas aqui diz o realista: há-de haver um dia em que vamos precisar de um canto para ganhar um jogo. Globalmente, hoje o banco não acrescentou muito ao FC Porto (apesar do bom trabalho de Hernâni no 4x0), mas Quintero uma vez mais entrou dando a impressão que nunca chegou de facto a fazê-lo. Queres um bom exemplo? Vê o lance do 5x0: Quaresma, que em tempos não teve um feitio tão diferente do teu, já era o MVP, com 2 assistências e um golo, e ainda assim entra a matar para pressionar o adversário e fazer mais um golo. É com esta atitude que vedetas conseguem ter sucesso no FC Porto. Vais a tempo de mudar, Quintero, mas pouco ou nada tens feito por isso. E se Lopetegui ajudou Quaresma a tornar-se num dos melhores profissionais do FC Porto (opinião de quem vê, exterior à relação jogador-adepto), então aqui o problema não é da estrutura (que investiu mais dinheiro em ti), nem do treinador (que puxa por todos, por pior feitio e tiques que possam ter), nem dos adeptos (que continuam a aplaudir-te sempre que vestes o colete para aquecer e há quem religiosamente te peça a titular todas as semanas): és tu. Boas notícias: ser solução depende de ti.

domingo, 22 de março de 2015

Copo meio cheio ou meio vazio

Sempre que a Choupana está metida ao barulho é coisa para suspeitar. Há dois anos, o Benfica deixou lá dois pontos, no mesmo dia em que o FC Porto recebia o Olhanense. O FC Porto tinha a oportunidade de se isolar na liderança, mas não conseguiu ganhar em casa ao Olhanense. Nesse campeonato, o pontapé do Kelvin salvou o título. Mas desde então aquela máxima que diz que «o FC Porto não falha nos momentos decisivos» vai ficando tremida.

Ponto ganho? Dois perdidos
Marítimo, Benfica e Nacional, três jogos que nos custaram 8 pontos, por falta de eficácia, sorte e também competência, e não por factores externos. Já há um ano, é bom lembrar, foi no Estádio da Luz que perdemos a liderança, e nessa mesma época perdemos duas meias-finais contra o rival. Este ano, a Taça também se foi à primeira, contra o Sporting. É importante e urgente ir ao baú do clube descobrir a determinação que nos levava a não falhar nos momentos decisivos.

É tudo uma questão de perspectiva. A partir desta jornada o FC Porto depende matematicamente de si próprio. Quando perdeu com o Marítimo, estava em risco de ficar a 9 pontos. Mas não podemos ficar agarrados a ses anteriores. Esta era a oportunidade para ficar a um ponto da liderança. Era a jornada em que o Benfica tinha mais possibilidades de perder pontos. Depois disto, acaba por ficar mais difícil e vamos ter que pensar não só em 24 pontos como em golos, muito golos, pois não podemos confiar que um 1x0 chegue na Luz. Sabendo perfeitamente que a jogar como hoje nem esse 1x0 vai aparecer.

O Benfica vai ter 2 jogos consecutivos na Luz e 6 dos últimos 8 jogos vão ser disputados em Lisboa. Ficou mais difícil porque estávamos à espera de um deslize do Benfica, mas agora teremos que esperar por 2 ou acreditar numa reviravolta épica como na Taça de 2010-11 (não vale a pena pensar em 2-0 porque na Luz o Benfica nunca fica em branco no campeonato, logo será sempre necessário fazer 3 golos). Mas vencer o clássico por si só já seria difícil, agora tornou-se ainda mais. Um jogo para pensar e preparar depois, porque até lá faltam 3 jornadas e uma eliminatória com o Bayern, na qual o FC Porto não terá hipóteses de deixar uma boa imagem se jogar como hoje na Madeira.

Hoje há desilusão porque Lopetegui e os jogadores fizeram tudo e todos acreditar que era possível ser campeão, mesmo num campeonato sujinho. Mas para a história da 26ª jornada fica uma derrota do Benfica, com penalty e expulsão, e um jogo que o FC Porto não conseguiu ganhar por culpa própria. Fomos combatendo o que não podemos controlar, mas hoje falhámos no que estava ao nosso alcance. A luta não acabou, mas ficou mais difícil. Ficou mais difícil, mas ainda não acabou. Copo meio cheio ou meio vazio, certo é que temos que ganhar 8 finais até ao fim do Campeonato, ou morrer a lutar por cada final. Hoje nem ganhámos, nem lutámos o suficiente.





Sete golos na liga
Tello (+) - Fez mais ataques que Brahimi e Quaresma juntos, mais um bom golo e serviu de bandeja o 2-1 a Aboubakar, mas infelizmente Gottardi estava lá. Notou-se que teve dificuldades para arrancar naquele mau relvado, mas combinou várias vezes com Danilo e teve a objectividade e prontidão que Brahimi e Quaresma nunca tiveram. Não entrou bem na segunda parte, mas quem entrou?

Quaresma (+/-) - Uma vez mais, Quaresma não é capaz de meter uma bola de primeira na grande área, está sempre a fugir para a linha com o defesa em cima em vez de jogar rápido, é lento soltar a bola e não tem velocidade para ser o extremo do FC Porto que rompe no ataque. E uma vez mais, dito isto, volta a ser o mais inconformado, o mais interventivo, por muito que demore a cruzar a verdade é que meteu boas bolas na grande área e agitou o jogo. Está em melhor forma que Brahimi, e já que ainda ninguém percebeu para que foi Hernâni contratado em Janeiro, então que se aproveite ao máximo o bom momento de Quaresma.





Não deu para perceber (-) - Não sei se Casemiro pediu para sair, nem se Quintero tem treinado com grande intensidade no Olival ou se se passou o contrário com Óliver. Lopetegui é homem de convicções fortes e há-de ter tido as suas razões para gerir o jogo como geriu. Mas de facto as alterações feitas nada trouxeram ao jogo. Com a saída de Casemiro perdeu-se a dimensão física no meio-campo. Quintero não jogava há um mês e é o jogador mais lento do plantel, era suposto ser ele o abre-latas tendo Óliver no banco? E por fim, Aboubakar não consegue estar simultaneamente a jogar fora da grande área e a chegar a tempo dos cruzamentos. Faltava presença na grande área, faltava a ajuda de Gonçalo. Mas Lopetegui já tinha feito 2 alterações, e o que se diria se tivesse deixado Quaresma no banco? Quaresma devia ter entrado antes e a última alteração devia servir para meter Gonçalo, para arriscar, ou segurar o resultado após fazer o 2-1. Foi o jogo em que Lopetegui pior mexeu esta época, ou pelo menos aquela cujas alterações menos proveitos deram (nenhum). Não houve plano B e estivemos 90 minutos à espera que algo acontecesse.

Carrossel para lado nenhum
Levar a bola para casa (-) - Lopetegui confiou até ao limite que Brahimi ia sacar qualquer coisa da cartola. Mas hoje Yacine nem uma finta ou um cruzamento conseguiu acertar, quanto mais um momento que pudesse decidir o jogo. Tem uma coisa boa, que é mesmo jogando mal consegue segurar a bola e arrastar marcações. E quando isso acontece tem que aprender a soltar a bola para zonas interiores. Brahimi pode jogar mal, mas tem que aprender a jogar mal.

Pela milésima vez ... (-) - Já estive mais longe de fazer um levantamento do aproveitamento nos pontapés de canto. E arrisco dizer que o FC Porto é a equipa que pior aproveita os cantos no Campeonato. É bola na área de qualquer forma, para o molho, e quem quiser que lá chegue. Não há lances estudados, não há movimentações padrão, não há ninguém que se destaque ou seja referência ao primeiro e segundo postes. Se este é o calcanhar de aquiles de Lopetegui, a equipa técnica tem urgentemente que ser reforçada com alguém ou algo que potencie as bolas paradas, porque não há memória de um FC Porto tão fraco nestes lances. Que marquem cantos curtos ou devolvam a bola à primeira fase de construção, porque de bola directa não há uma que funcione.

Ingratidão para Aboubakar (-) - Aboubakar não esteve bem, não. Mas não é fácil fazer o papel de Jackson (que falta fez...), ao alcance de poucos no futebol mundial. Já evoluiu muito nesse sentido, mas hoje foram visíveis as dificuldades em jogar de costas para a baliza, longe da linha defensiva, e simultaneamente ter que chegar a tempo e às zonas certas na grande área. Tirando um cruzamento de Tello para Aboubakar, não houve mais nenhum lance assim. Precisava de apoio, mas Quaresma não podia ficar no banco e o sacrificado foi Gonçalo. De certeza que Lopetegui não voltará a cometer este erro nas substituições. Alex Sandro, Evandro e Herrera pareciam rebentados fisicamente e isso impediu-os de tomar as decisões mais acertadas. Jogo mal conseguido.

A culpa não é
do treinador
Queres sair? (-) - Quintero é menino para ter ficado chateado no dia do parto da mãe. Não dá para compreender, rapaz. Desde o primeiro que treinou no Olival, dizia quem via: «Tem um potencial fenomenal, mas julga que é craque e não leva os treinos a sério». Nós já te vimos fazer grandes coisas, Quintero, já vimos a bola sair dos pés com olhinhos. Mas hoje foi mais uma demonstração do porquê de não ter mais oportunidades. Lento, sem garra, sem se assumir sem bola, chateado com o mundo. O FC Porto investiu mais 4,5M€ no seu passe esta época, e desde então nada se viu de Quintero. Se não quer jogar no FC Porto, então que o seu futuro vá à mesa no fim da época. Mas se o jogador não tem sido opção, era hoje que Lopetegui esperava uma reação de Quintero? Certo é que não funcionou e foi uma substituição queimada. E uma vez mais vemos muito potencial a ser queimado, com culpas próprias. Está mais perto de ser o novo Iturbe do que o novo James.

Pausa para as Selecções. Não há equipas que passam de bestiais a bestas, mas é possível passar de jogos bons a jogos maus. Hoje foi um mau dia, coincidente com o desperdício da oportunidade que há muito ansiávamos. Não estamos obrigados a ser campeões, mas quem veste a camisola do FC Porto está obrigado a suar sangue por esse objectivo. Não fizemos a segunda parte, então ficamos mais distantes da primeira. Dia 2 há nova visita à Madeira. Nem quero saber da Taça da Liga: quero é que corrijam a miséria que têm sido os jogos do FC Porto na Madeira. Quem os viu na Madeira a festejar... Nós é que já não lá festejamos há um bom bocado. Já é hora, FC Porto.

domingo, 15 de março de 2015

Uma rasteira que não fez o Dragão tombar

Sétima jornada consecutiva a vencer, sempre sem sofrer golos. Enorme pressão pela distância em relação ao Benfica, lesões, castigos, jogadores naturalmente a sonhar e pensar na Champions, dualidades de critérios cada vez mais gritantes e uma balança que Lopetegui já percebeu que não vai equilibrar. Mas o FC Porto não vacila. Na adversidade se forjam os campeões.

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Com 10, sem sofrer
A expulsão de Fabiano no limite aceita-se (com relutância, pois Claro domina a bola sob a pressão do Ricardo, não sozinho). O que não se aceita é um árbitro que consegue avaliar esse lance mas que não vê uma patada na cara na grande área. Mas se estamos perante um árbitro que subiu à primeira categoria há 4 anos e que só agora serviu para arbitrar um jogo do FC Porto no campeonato, nada que espante.

E agora podemos perguntar ao senhor Vítor Pereira: porque é que só ao fim de 4 anos é que decidiu chamar Jorge Tavares para arbitrar o FC Porto no campeonato? Estamos a falar do terceiro pior árbitro da última época, que acabou com média negativa, abaixo de 3,5 valores. Numa jornada em que o Benfica ia encontrar o seu carrasco anterior, parece uma extrema coincidência. Mais uma prova da falência moral e de competência do Conselho de Arbitragem. Aliás, competência tem havido muita, mas não é para servir a integridade do futebol português.

Até quando Lopetegui e os jogadores conseguirão aguentar isto? Pior: acham mesmo que Lopetegui e os jogadores vão combater isto sozinhos? Não é preciso adicionar destinatários à pergunta, mas a memória depois não será curta.





O patrão da defesa (+) - O nosso engenheiro está cada vez melhor. Foi o nome sugerido por Lopetegui assim que Rolando saiu do plantel. Bendita a hora. Chega a ser irónico que muitos tenham suspirado por Manolas há um ano, quando na verdade a solução, bem mais barata e madura, estava no seu colega de defesa. Iván Marcano não fez uma única falta em todo o jogo, é o central que melhor constrói e não perde um lance de um para um. Com Maicon, Indi ou Casemiro ao lado, já não restam dúvidas: está no topo da hierarquia.

Tampão (+) - Percebe-se as alterações de Lopetegui ao intervalo. Casemiro não podia estar dividido entre a defesa e o meio-campo. Tinha que estar no lugar dele, à frente da defesa, para interceptar lances, impor a sua presença física e manter o meio-campo seguro e equilibrado. Mais um bom jogo de Casemiro. A bola começa a não queimar tanto no pé e mais uma vez sofre mais faltas do que aquelas que comete.

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Decisivo
Defeitos e virtude (+) - Irritei-me com Quaresma uma, duas, três vezes. Adornava, perdia tempo quando devia cruzar de primeira, não era capaz de devolver a bola ao primeiro toque. Mas tira 3 cruzamentos excelentes, faz a assistência para golo, os lances de perigo são quase todos dele e depois dele sair o FC Porto não voltou a criar perigo. No meio de todos os defeitos, foi a principal virtude do FC Porto. Objectivamente, criou mais perigo que Brahimi.

Picar o ponto (+) - Aboubakar, o jogador que mais correu hoje. Desde que Jackson se lesionou, assistiu para a vitória em Braga, marcou na Champions e hoje fez o golo que deu 3 pontos. Lesionou-se o jogador mais influente, então Aboubakar assumiu-se como decisivo. Pareceu-me extremamente arriscado não levar Gonçalo para o banco, mas Aboubakar voltou a dar conta do recado. Vai evoluir muito mais.

Outros destaques (+) - Alex Sandro, outra vez a um grande nível. Hoje deu razão aos elogios à sua condição física. Não tem o jogo interior de Danilo e muitas vezes demora a soltar a bola e perde a oportunidade de tabelas rápidas no flanco, mas vê-mo-lo raçudo, empenhado e em alto rendimento. Helton, seguríssimo e tranquilo. Não parecia que não jogava no campeonato há um ano. O problema não foi a expulsão de Fabiano, foi passar a jogar com 10, pois Helton fará sempre parte da solução. Indi e Herrera cumprem bem mesmo fora das posições de origem. Óliver Torres deu o seu toque de classe e inteligência ao meio-campo, mas naturalmente ainda longe da melhor forma.





CANTOS! CANTOS! CANTOS! (-) - Já não há paciência. Já não bastava o FC Porto estar muito mal no aproveitamento dos pontapés de canto esta época. Agora, um canto a nosso favor consegue terminar na expulsão do nosso guarda-redes. O erro é de Fabiano na saída, mas a equipa está completamente desposicionada e não está preparada para o contra-ataque do Arouca. Inadmissível. Esta é a maior, senão única, crítica ao FC Porto de Lopetegui. A equipa não evoluiu nada nestes lances desde o início da época. Fazemos golos de livres como já não se via desde os tempos de Deco, mas isso não é trabalho colectivo, é fruto da capacidade técnica individual dos jogadores. Nos pontapés de canto estamos mal, mal, mal, e este lance foi o cúmulo. Pior que não criar perigo nos cantos, é esses lances serem ainda mais perigosos contra nós.

Num jogo com estas circunstâncias, pós-Champions, tudo o que termine com a conquista dos três pontos é positivo. Mais um teste superado. Faltam 9 finais, 27 pontos. Temos mais 12 pontos do que o ano passado, onde demos uma péssima imagem na Choupana. Sábado é tempo de a corrigir. E já agora, um bocadinho mais de competência na arbitragem, pois não nos esquecemos que há um ano João Capela validou erradamente um golo ao Nacional e invalidou mal um do FC Porto. E citando uma célebre capa do jornal A Bola, decidiu o que estava decidido. Continuaremos a lutar contra o que querem voltar a decidir e que já estaria decidido não fosse a resistência de Lopetegui e dos jogadores.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O jogo das diferenças

Porque falar da luta pelo título é falar de FC Porto e Benfica, a análise à vitória de hoje começa com uma citação do treinador do rival. «Foi o melhor jogo no estádio da Luz», Jorge Jesus, depois do Benfica vencer o Guimarães por 3x0. A estatística diz sempre muito pouco. Ou, por vezes, o suficiente. No quadro abaixo, vemos os números do Benfica na sua vitória contra o Guimarães. No segundo quadro, os números do FC Porto.

Benfica - Guimarães (3x0)
FC Porto - Guimarães (1x0)
Os chatos dos números muitas vezes não passam disso: números. E o futebol é sempre mais do que 2+2=4, é sempre mais do que um quadrado com três vértices. Mas neste caso particular, o que dizem os números é que o FC Porto de «serviços mínimos» consegue ter mais posse de bola, mais remates e apenas menos uma ocasião de golo do que o melhor Benfica da época no estádio da Luz. O dado mais importante: o melhor Benfica da época deixou que o Guimarães rematasse 12 vezes na Luz e que criasse 4 oportunidades de golo. Já o FC Porto que venceu pela margem mínima não deixou o Guimarães criar uma única oportunidade de golo no Dragão.

Tudo isto para dizer para que não há resignação possível. O Benfica versão 2014-15 não é melhor do que o FC Porto. Não joga melhor futebol. Está numa situação confortável na luta pelo título, e sabemos que teremos que sofrer até ao fim, mas não digam que não é possível. Ninguém. O FC Porto também está na situação em que está por alguns erros cometidos no passado. Mas esses erros estão a ser corrigidos, por Lopetegui e pelos jogadores. A nossa luta não se esgota num campeonato, mas a luta por este campeonato está longe de estar esgotada. Podemos não ter tudo para ser campeões, mas temos que dar tudo para o ser. Se fizermos a segunda parte, a primeira torna-se mais fácil.





Iván Marcano (+) - Lopetegui explicou que 6 jogadores estiveram a antibióticos a meio da semana, um deles Indi. Em Basel é normal que Indi regresse, mas temos cada vez mais razões para estar satisfeitos com Marcano. É provavelmente o melhor central no início de construção (rápido, de cabeça levantada e forte no passe longo (mete a bola 4  vezes nos extremos com passes de 40 metros)), raramente faz faltas, é forte na marcação e tem tudo o que um central de equipa grande deve ter. Uma grande valia desportiva para o FC Porto.

Casemiro (+) - O caceteiro foi o jogador que mais faltas sofreu hoje. Sim, comete muitos excessos, mas pela 2ª jornada consecutiva é dos melhores. Com Herrera e Óliver em constante movimento, foi ele a segurar o meio-campo, a dar linha de apoio mais atrás, foi muito agressivo na reacção à perda de bola e após a entrada de Rúben Neves vimo-lo em zonas ainda mais adiantas a pressionar. Já se nota evolução e já tem algo com que justificar a titularidade. 

Óliver Torres (+) - Nada de novo: divinal. Mete a bola onde quer, quando Lopetegui quer, como a equipa precisa. Se o Barcelona tiver um olheiro em condições, em vez que entregar o relatório sobre o Danilo entrega um sobre o Óliver, com pena nossa. É um predestinado e é difícil acreditar que tenha feito 20 anos há pouco tempo e que ainda haja quem ache que não serve para determinados modelos de jogo. Óliver é bom em qualquer modelo de jogo. Se não é, o problema é do modelo, pois este pirralho faz sempre parte da solução.

Evolução (+) - Aquilo que faz do tiki-taka um sistema quase infalível não é apenas a capacidade imensa de fazer 50 passes seguidos, mas sim a forma como a equipa se posiciona de modo a reagir logo à perda da bola. O FC Porto de Lopetegui está fortíssimo neste segundo ponto, na reacção à perda da bola. É a nota de maior evolução até aqui. O FC Porto ganha várias bolas no meio-campo do adversário, muitas vezes logo na primeira linha de pressão, feita pelos avançados. Havia um problema no início da época, que era a forma como isso deixava as costas da defesa expostas. Problema corrigido.

Palavra de mister (+) - O treinador pode pensar no jogo seguinte. Os jogadores não. E muitas vezes para obrigar os jogadores a não pensarem no jogo seguinte, o próprio treinador vê-se forçado a não o fazer. Foi isso que Lopetegui fez. Lopetegui não pensou uma única vez nem em Basel, nem no Sporting. Lopetegui esteve quase 10 minutos a tentar corrigir o posicionamento de Herrera. Fartou-se e tirou-o. No mesmo minuto tira Brahimi, depois de este ter perdido uma bola que deu origem a um contra-ataque do Guimarães. Não poupou ninguém. Depois, há os 3 cartões a Danilo, Alex Sandro e Casemiro. Nenhum deles provocou o cartão e pensar o contrário só ao alcance de iluminados na carequinha. Depois, Lopetegui novamente forte no discurso na conferência de imprensa. Lopetegui está a adaptar-se cada vez melhor à realidade do FC Porto e, muito importante, à realidade do futebol português.

Outros destaques (+) - O Herrera da primeira parte é essencial e rasgou o meio-campo do Guimarães. Danilo e Alex Sandro estiveram bem no apoio ao ataque, embora muitas vezes faltasse a combinação com o extremo. Brahimi, por ironia, fez o golo que lhe foi anulado na primeira volta. Quaresma não consegue ultrapassar um único lateral em velocidade no 1 para 1 junto ao flanco, mas quando vem para zona interior ou procura logo o cruzamento mostra a sua utilidade neste contexto. Jackson hoje não marcou, mas fez o que sempre faz: trabalho incansável e um farol para o resto da equipa. A entrada de Ruben Neves voltou a ser essencial para dar tranquilidade à equipa.





Quem não mata ... (-) - A intenção de Lopetegui depois do intervalo era compreensível: descansar com bola, construir de forma mais lenta, obrigar o Guimarães a abrir e a subir para depois meter o 2-0. O FC Porto deixou de fazer a pressão que fez na 1ª parte. E isso podia ter custado caro. Fazer isso com apenas 1-0 no marcador é arriscado. Basta uma bola perdida na grande área para custar um golo. O FC Porto teve oportunidades para fazer o 2-0 na primeira parte, mas não o fez. Antes de descansar, é preciso matar o adversário. Fará parte da evolução da equipa controlar o jogo de forma mais pautada, mas hoje houve um risco, apesar de nunca ter perdido o controlo.

Bolas paradas (-) - Houve ali uma tentativa de formar uma barreira atrás de uma barreira, um lance estudado, num livre do Casemiro. Mas de resto mantêm-se as críticas de sempre. O FC Porto aproveita mal os pontapés de canto e os livres cruzados para a grande área. Na Champions, as bolas paradas podem fazer a diferença. Nota-se pouco trabalho de casa da equipa neste aspecto.

Readaptar (+/-) - É verdade que temos um Quaresma mais maduro, mais forte tacticamente e que, diz-se, é dos jogadores mais empenhados nos treinos e cresceu muito psicologicamente com Lopetegui. Hoje foi dos jogadores que mais vezes procurou desequilibrar e cruzar, mas há algo que urge rever: a tentativa de ultrapassar o lateral no 1 para 1 junto ao flanco. Quaresma não ganha um lance em velocidade aos laterais do campeonato português. Já tem 31 anos e são pouquíssimos os extremos do futebol mundial que ainda têm o pico que se pede no 1 para 1 com esta idade. Quaresma não é excepção. Quando vem para zona interior e aposta no drible mais curto, torna-se um jogador importante. Evoluiu muito no futebol de primeiro toque e no apoio ao meio-campo, mas tem que deixar de tentar rasgar no 1 para 1 pelo flanco, pois não tem velocidade para ultrapassar os laterais. Readaptar é necessário.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Tello, o do Barcelona. Quaresma, o de antigamente. Jackson, o de sempre. E Lopetegui, o homem certo.

5-0 contra uma das melhores e mais bem preparadas equipas do campeonato, que tirou pontos aos 2 rivais, numa noite em que alguns jogadores mostraram uma subida de rendimento. Boa exibição, excelente resultado, óptima resposta à derrota na Madeira. E isto vai para segundo plano.

Fotos: Catarina Morais
Lopetegui deu hoje uma demonstração cabal de que é o homem certo no lugar certo. A vencer por 4x0, insiste nos princípios de circulação de bola, no modelo que há muito tenta definir (e que claro que continua a ter lacunas, algumas que tardam a ser corrigidas), continua a exigir máximo empenho e concentração dos jogadores. A resposta dada dentro de campo nem sempre é a pretendida, mas isso é algo a ser trabalhado.

Depois, a conferência de imprensa. Não pestaneja e a voz não treme. Falou de Ruben Neves e Gonçalo Paciência com a razão do seu lado. Não conheço nenhum portista que não gostasse de ter Gonçalo na convocatória, mas se calhar foi melhor jogar hoje pela equipa B, e fazer mais um golo, do que ficar no banco como Aboubakar. E Aboubakar correspondeu sempre que foi chamado, é um digno sucessor de Jackson e terá capacidades para discutir a posição 9 com Gonçalo no próximo ano. Houve uma hierarquia definida na pré-época. Jackson o titular, Aboubakar a alternativa, Gonçalo um projecto de futuro. Essa hierarquia mantém-se de pé. E Lopetegui dá o aviso de que quer que Gonçalo fique no FC Porto «muitos anos». Isto é uma afirmação de um treinador que já está a pensar em 2015-16 e do que pode fazer com Gonçalo no futuro. Se rejeitou que ele fosse emprestado à Académica, é porque acha que será melhor ele ficar a evoluir sob a sua supervisão, em vez de ir agora para a Académica, aprender fazer a anti-jogo e a jogar para o pontinho e daqui a duas semanas estar a trocar de treinador, sabe-se lá para quem. De Ruben Neves, mais razão ainda. Todo o trabalho que tem feito com Ruben tem sido excelente. Merece jogar mais? Merece. E só sabemos isso por causa da aposta de Lopetegui.

Depois, respostas cabais a Jorge Jesus e Manuel José. Podemos dizer o mais simples: a melhor forma de ter respondido a Jorge Jesus seria ter ganho quando o Benfica veio ao Dragão, e quanto a Manuel José, apesar da forma como corrosiva como fala do FC Porto, devido à má relação que tem com Pinto da Costa, não deixa de ter uma pontinha de razão na comparação que fez. Digo eu, que gosto de Paulo Fonseca, um bom treinador que não estava preparado e veio parar ao FC Porto no pior ano possível, depois de muita gente acreditar que o minuto 92 era a prova de que podíamos ser campeões em piloto-automático e em quaisquer circunstâncias. Vai fazer muitos bons trabalhos no futuro, não tenho dúvidas. É um homem que nunca desrespeitou esta instituição, e que infelizmente não pode dizer o contrário. Fossem todos os ex-treinadores assim. E é bom que Paulo Fonseca continue a fazer evoluir jogadores até ao final da época, como fez evoluir Sérgio Oliveira, que só temos a agradecer.

Mas a melhor parte foi especificamente a resposta a Manuel José, do caviar de 1996 (e não 95, mas percebemos a ideia) - e por caviar não falou necessariamente do plantel. E digo isto porque de certeza que Lopetegui não andou a vasculhar nos arquivos para ver que tipo de trabalho que ele fez no Benfica, com o propósito de responder. Não, alguém no FC Porto fez o trabalho de casa e preparou-o para fazer aquilo. Alguém preocupou-se em preparar o treinador para se defender e contra-atacar. O FC Porto quis fortalecer a posição de Lopetegui enquanto treinador e defendê-lo da crítica. Não há dúvidas de que é um treinador para manter. Assim pensa o FC Porto. 






Provavelmente, o melhor ponta-de-lança do mundo (+) - Como bom portista, bebo Super Bock. Não necessariamente pela Unicer, mas por hábito e gosto. Mas não me choca que alguém diga que a Calsberg é provavelmente a melhor cerveja do mundo. Até pode ser, mas prefiro Super Bock. E com isto chego a Jackson. Não sei se é o melhor ponta-de-lança do mundo, mas hoje não o trocava por nenhum outro. É um líder, um ponta-de-lança de referência, que fez um golo, arrancou um penalty, deu um golo a marcar, arranca uma expulsão e uma falta que dá outro golo, e além de tudo isto está do primeiro ao último minuto a batalhar para ganhar a bola e servir os colegas, quando muitas vezes devia ser o contrário. E já agora parabéns, Jackson, que é o primeiro ponta-de-lança a ser aplaudido por falhar um chapéu depois do falhanço do Lisandro contra o Fenerbahçe. Só um jogador à Porto tem este tipo de perdão.

Quaresma e Tello (+) - No último post, critiquei os nossos extremos por acrescentarem muito pouco à lista de goleadores (marcam menos de metade dos extremos de Benfica e Sporting), sobretudo durante a ausência de Brahimi. Então toma lá, 3 golos. Gostei de Tello, tirando aquele lance em que se esquece da melhor coisa que tem: a velocidade. Combinou bem com o lateral (mais do que Quaresma e Danilo), esteve mais forte no jogo interior, foi mais objectivo, conseguiu fintar adversários em espaço curto e ainda faz um bom golo. Ótimo jogo, Tello. E depois há Quaresma, que em grande parte da primeira parte reclama muito (no bom sentido) mas sai pouco: estava difícil sair um cruzamento, um passe a rasgar a defesa, uma grande abertura para o lateral, algo da utilidade de um extremo. Está melhor no papel de equilíbrio, mas é cada vez mais difícil sair o desiquilíbrio. Até que sai aquela maravilha do pé torto que nas camadas jovens do Sporting queriam que fosse direito, como se fosse defeito e não predestinação. Um golo que nunca hão-de ver Messi ou Ronaldo marcar. Um golo que só Quaresma sabe fazer, hoje como há 8 anos. É verdade que tiveram que sair umas 20 ou 30 trivelas falhadas nos últimos 12 meses para finalmente acertar, mas aí está o golo, o melhor deste campeonato. E agora, quando chegar Brahimi? No dia em que a Argélia sai da CAN, Quaresma e Tello decidem fazer o melhor jogo do último mês. Malditos.

Óliver Torres (+) - O meio-campo do FC Porto esteve sempre bem, antes e após as alterações, apesar de durante grande parte da primeira  parte ter faltado, entre Jackson e o meio-campo, o tal maestro entre-linhas que só Quintero parece conseguir ser, mas o 4x3x3 de Lopetegui não tem espaço para um jogador que se limite a essa função (até Deco teve que aprender, Quintero). Casemiro, apesar das entradas abruptas que me tiram moral quando quero reclamar com o Maxi, desta vez esteve bem, ou digamos que as virtudes superaram os defeitos, o que nos últimos jogos não tem sido fácil. Herrera finalmente aparece bem no espaço para finalizar (outra crítica que vinha sendo feita), mas o melhor voltou a estar nos pés do pirralho, Óliver. Por todo o lado e para todo o lado, com a bola a ganhar olhinhos quando sai dos seus pés, a dar sempre uma solução aos colegas e problemas aos adversários. Acho que vou deixar de te elogiar, Óliver, e começar a dizer o piorio de ti. Assim pode ser que o Simeone ache não serves para o Atlético. Faz-me um favor, faz como o Lucho, e arranja uma namorada portuense que tenha como heroína a Padeira de Aljubarrota e que não te deixe voltar para o país vizinho.

Iván Marcano (+) - Deixar desde já a nota positiva para as exibições de Fabiano e dos laterais, hoje Alex Sandro num dos melhores jogos da época. E depois temos Marcano, o central low-profile que não mostra os dentes, mas que é forte no passe longo, sabe sair a jogar com a cabeça levantada, é rápido e forte na antecipação e no jogo aéreo, e que já anda a cheirar um golo lá à frente. Maicon complica o que é simples, Marcano consegue simplificar tudo, até o mais complicado. Por mim, já não saías do 11, mas continuo sem perceber porque é que dois centrais destros podem jogar juntos, mas se são ambos canhotos já é um problema.

Alta pressão (+) - No que toca aos princípios que Lopetegui quer aplicar, foi a melhor notícia. A equipa esteve excelente a sair na pressão, a ganhar bolas no meio-campo do Paços de Ferreira e sem que com isso deixasse que o Paços apanhasse alguma bola para o contra-ataque nas costas do Marcano e do Maicon. Voltámos a ver a insistência em sair pelos corredores (não dá pela esquerda, vira; não dá pela direita, vira outra vez), mas a maneira como a equipa pressionou e a rapidez no meio-campo do Paços enalteceram a boa exibição. E mais uma coisa: viram o que acontece quando o nosso ponta-de-lança está na área, o seu habitat natural, em vez de ter que andar a dar apoio mais atrás? De vez em quando lá há um guarda-redes que falha... e dá golo. E assim se começa a construir uma goleada.





A rever (-) - Não necessariamente pontos negativos, mas a melhorar. Voltamos a criar pouco perigo em pontapés de canto. Lembram-se do Costinha a aparecer ao segundo poste? E do Bruno Alves? Lances estudados. Neste FC Porto não vemos isso. O marcador do canto bem levanta os braços, mas depois parece que sai sempre improviso. E nem sempre podemos contar com o calcanhar do Jackson. Além disso, a apatia depois do 4-0. Não podemos fazer 90 minutos de alta intensidade, mas o FC Porto deveria ter tido capacidade para ter mais bola no meio-campo do Paços de Ferreira, obrigá-los a recuar e saber descansar com bola estando ao ataque. Víamos Lopetegui pedir isso, mas os jogadores a não corresponder. O remédio? Rúben Neves lá para dentro. Coincidência ou não, a coisa melhorou. Sem coincidência, claro.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sorte e azar, competência e incompetência

Não passámos do orgulho à vergonha, porque um portista não sente vergonha. Tristeza, sim. Desilusão, também. Porque a determinada altura os ses acumulam-se e já nem esses ses servem de desculpa ou consolação.

Jackson e pouco mais
E se o remate do Tello tabelasse para dentro? E se o homónimo do Rúben não aparecesse para salvar um golo certo? E se em vez do Salin jogasse o guarda-redes que sofreu 4 do Benfica? São demasiados ses, e de se em se a desvantagem para o Benfica vai-se tornando cada vez maior. E de nada adianta aguardar que o rival passe por uma fase de incompetência se nós próprios não formos primeiro competentes.

Há uma diferença entre um campeonato de colinho e um campeonato onde entregamos pontos de bandeja. No Dragão o Lima foi duas vezes à baliza e fez dois golos. Hoje bastou o Marítimo ir uma vez à baliza e lá se foram mais 3 pontos. Em ambos os jogos o FC Porto foi muito superior e foi por manifesta falta de eficácia que perdeu. Num jogo podemos falar de sorte ou azar. Quando se repetem, já é uma questão de eficácia ou ineficácia. O mesmo é dizer, de competência ou incompetência.

Isto jamais será meramente o campeonato do colinho se o FC Porto não fizer a sua parte. Se não fizer, é um campeonato onde não fomos competentes. Tal como 2004-05 não foi Estoril Gate nenhum, foi um campeonato onde o FC Porto não foi competente e só ganhou 17 vezes nas 34 jornadas. Se nós próprimos falharmos na nossa parte, sem o reconhecer, não há factores externos que o possam justificar.

Perder onde o rival há uma semana espetou 4 é difícil. Mas o pior é que estamos na fase onde o Benfica, mesmo a jogar mal, consegue ganhar os seus jogos. Mas já ao FC Porto, mesmo jogando bem e sendo superior a todas as equipas, basta irem uma ou duas vezes às balizas e lá se vão mais 3 pontos. Uma vez é azar, duas muito azar, a partir daí é culpa nossa.

Má preparação,
pior reação
Vencendo Benfica e Marítimo estaríamos no 1º lugar. Podemos dizer que o Benfica, não fosse determinados erros de arbitragem, não teria a pontuação que tem hoje. Verdade. Mas contra Benfica e Marítimo perdemos bem e sem poder apontar o dedo ao árbitro. Ou seja, não fizemos a nossa parte. E a maior crítica ao jogo de hoje: o Capela hoje esteve melhor do que nós.

Tempo de reflectir. Para mim um projecto não se esgota numa competição, nem num ano. Mas o presente tem que dar mais sinais de que o futuro pode ser promissor. É difícil ser campeão numa época com 15 jogadores novos, novo treinador, logo após a pior época em 30 anos e sobretudo contra um rival que tem há anos o mesmo treinador, a mesma estrutura e que nos momentos em que parecia ir vacilar teve um empurrãozinho. Mas nos momentos-chaves quem está a falhar somos nós.

16 jornadas, 48 pontos. Precisamos da garra que mostrámos em Braga e da eficácia que não tivemos hoje. Será difícil voltar a justificar um jogo assim, porque hoje não perdemos nem pelo árbitro, nem pelo tempo, nem por factores externos. Já ganhámos e perdemos jogos em que tivéssemos feito menos que hoje, mas acima de tudo perdemos porque não fomos competentes e eficazes como o devíamos ter sido.





Um pouco de Quaresma (+/-) - Irritei-me com Quaresma, uma, duas, três vezes. Adorna o que tem que fazer simples, não consegue perceber que ajudar a equipa não significa que tenha que ser ele a fazer tudo, tem dois lances onde tenta o remate quando pode assistir, não dá uma para a caixa nas bolas paradas, colectivamente a dinâmica nunca passa por ele... E no meio disto tudo foi quem mais tentou remar contra a maré, assumiu o jogo, nunca se escondeu, tentou desequilibrar... No meio de tão pouco, difícil implicar com isto.

Jackson, sempre ele (+) - Temos um dos melhores finalizadores do futebol europeu. E em vez de potenciarmos estas características, como o jogo aéreo e a presença na grande área, Jackson é obrigado a andar a baixar para dar ao meio-campo aquilo que o meio-campo não lhe consegue dar a ele. A partir dos 60 minutos, pior ainda. Lutou como ninguém e é simplesmente impossível que o obriguem a dar apoio ao meio-campo e nos flancos e que ainda esperem que seja ele a aparecer na grande área. Merecia mais. Palavra para a grande entrada de Rúben Neves, claramente a merecer a titularidade, e para uma estreia destemida de Gonçalo Paciência no campeonato (difícil esperar muito quando um jovem entra num jogo em que estamos a perder e a jogar num esquema táctico sem rotinas). Aquele lance de Óliver à Zidane devida ser perpetuado em GIF, mas há pouco para lembrar deste jogo.





Aos papéis (-) - «Quintero começa no flanco. Vamos lá mudar, vai o Óliver para o flanco e o Quintero para o meio. Porra, assim não, sai Quintero e vai Tello para o flanco. Calma que assim não dá, sai Herrera, Gonçalo vai para a frente e Jackson baixa mais. 3 minutos e nada? Sai daí Indi, vai Casemiro, ficamos com 3 defesas. É melhor não, baixa lá Casemiro. Assim também não dá, sobe um bocado Casemiro e Jackson vai mais para a frente. Vai pela esquerda. Não dá? Pela direita. Não dá? Tenta outra vez pela esquerda. Não dá? Direita.» Em fast-forward, foi este o caos táctico que o FC Porto mostrou hoje. Em vez de ter um esquema preparado para ganhar o jogo, experimentou 5 ou 6 à espera que o resultado lá aparecesse. Muito mal hoje, mister. É verdade que mesmo assim tivemos ocasiões de sobra para marcar, e bastava que duas delas entrassem para se ter um discurso diferente (é sempre assim, o que os adeptos querem é resultados), mas nada disfarça a desorganização e má preparação para este jogo.

Nem meio Miro (-) - Impossível culpar (totalmente) Maicon no golo do Marítimo. Não é o central que tem que fazer o acompanhamento ao médio. Casemiro estava a dormir no lance do golo. Maicon não abordou bem o lance, e o próprio Indi esteve em muitas dificuldades contra Maazou, mas o erro vem de trás. E se O Jogo, a Marca, o AS ou um jornal qualquer te elogiam amanhã, rapaz, deixo de ver futebol, porque é um sinal definitivo de que não percebo nada disto. Hoje nem Casemiro, nem Miro, nem meio Miro. O potencial está todo lá, o rendimento está todo em parte nenhuma. Rúben e o próprio Campaña já mereciam um terço das oportunidades. O factor Doyen não pode justificar tudo - já não justifica é nada.

Preciso mais
e melhor
Muito pouco (-) - Fisicamente, Danilo é sempre de enorme disponibilidade. Mas já vimos mais acerto no passe e no cruzamento. Maicon não consegue ter acerto no início de construção e num dia mau de Indi tudo fica mais complicado. Alex Sandro faz duas grandes aberturas, mas continua a léguas do que já mostrou com Vítor Pereira. Herrera fez um dos piores jogos desde que chegou ao FC Porto. E exactamente com a mesma crítica: é excelente a chegar a zonas de finalização, mas muito pouco eficaz. Nas transições hoje foi inexistente. Quintero tem o talento, mas não a atitude. Continua chateado com o mundo e assim é difícil singrar no FC Porto. Mas é justo dizer que a posição não o ajuda: Danilo também gosta de fazer diagonais, tal como Quintero, e assim perde-se a profundidade no flanco direito. E se no esquerdo Quaresma demora N segundos a soltar a bola, perde-se muito. E aqui entra o trabalho do treinador...

Já não há paciência (...) - ... para as bolas paradas. Devemos ser a equipa que pior aproveita os lances de bola parada na liga. E será que estão mesmo a ser trabalhados? Apenas 3 golos de canto em toda a época. Tendo em conta que já fizemos 30 jogos oficiais e ganhamos uma média de 8 a 12 cantos por jogo, quase o mesmo é dizer que precisamos de 100 pontapés de canto para fazer um golo. Pior que isso, não há soluções para bater os livres descaídos para o flanco e não há lances estudados na grande área. É bola bombeada e quem quiser que a apanhe... Porventura a maior crítica a fazer a Lopetegui, as bolas paradas, porque não se nota trabalho nenhum neste campo.

Uma última nota: