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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Colheita de 2013

«Como clube trabalhamos com um plano de 15 anos, mas com os jogadores marcamos um ciclo de três anos.» Foi desta forma que Antero Henrique descreveu o modus operandi do FC Porto, numa entrevista à Marca em 2013, naquela que foi a sua penúltima entrevista como dirigente do FC Porto - a última foi esta, em 2013, na altura como promoção ao Museu do FC Porto. Depois, acabaram os títulos, acabaram as entrevistas de Antero Henrique, na eterna relação causa-efeito ou efeito-causa.

Nunca se percebeu muito bem a questão do plano de 15 anos, pois os dirigentes são eleitos para mandatos de 3 a 4 anos, mas os ciclos de três anos para os jogadores eram compreendidos, no plano do recrutamento-desenvolvimento-rendimento. E com isso vemos, com curiosidade, como ficou a colheita de 2013, precisamente o último ano em que o FC Porto conseguiu o título.

As chegadas para 2013-14
Foram mais de 35M€ investidos em Reyes, Tiago Rodrigues, Ricardo, Josué, Carlos Eduardo, Licá, Herrera, Ghilas, Quintero e Bolat. Nenhum destes jogadores saiu para cumprir o tal ciclo de valorização a três anos. E o único jogador que conseguiu ter uma sequência de rendimento e influência na equipa titular foi Héctor Herrera, que até é um mal-amado para muitos adeptos do FC Porto. Se assim é, isso diz muito sobre o sucesso da colheita de 2013. E foi este o ano em que tudo começou a falhar - Vítor Pereira conseguiu adiar os problemas durante dois anos. 

Mas lá está, a culpa era de Paulo Fonseca, não era? Quando um treinador não é capaz de ter um reforço que cause um impacto considerável na equipa A, é difícil pedir o quer que seja. Ter chegado a janeiro na liderança do campeonato já foi bem mais significativo do que se possa pensar. Na altura, era sem dúvida fácil criticar e questionar porque é que Quintero ou Ghilas não jogavam mais. O tempo, como costuma ser habitual, dá razão aos treinadores do FC Porto (Nuno Espírito Santo, esperemos, já merecerá outra sensibilidade por parte de crítica e adeptos). E Quintero é o caso mais flagrante. 

A questão já tinha sido aqui debatida. Paulo Fonseca tentou puxar por Quintero, mas Quintero não quis saber. Lopetegui tentou puxar por Quintero, mas Quintero não quis saber. E Nuno Espírito Santo entendeu, ainda antes do início da época, que não valia a pena tentar puxar por Quintero.

O talento está lá, o resto não. O mercado fechou e Quintero nem sequer encontrou um clube europeu onde jogar. Todos vimos, a espaços desde 2013, talento naquele pé esquerdo. Não deve ter havido muitos portistas a torcer o nariz à sua contratação em 2013, que até foi das mais celebradas no defeso. Mas a verdade é que havia uma grande razão para nenhum clube italiano o ter ido buscar ao Pescara, e para o facto de o FC Porto não ter tido grande concorrência na hora de o contratar.

Resultado de imagem para quintero
Contrato até 2021
Em agosto de 2013, Pinto da Costa disse isto: «Já o acompanhávamos na Colômbia, desde muito jovem. Na época passada foi observado no Pescara e sabíamos como era o seu modo de vida e a sua forma de estar dentro e fora do futebol. Sabíamos tudo sobre o Quintero». Um tiro completamente ao lado, pois ou Quintero mudou por completo desde que aterrou no Porto, ou é precisamente o «seu modo de vida e a sua forma de estar dentro e fora do futebol» que o impedem de ser um grande futebolista.

Não há nada a prender o FC Porto. Quintero já foi pago e a SAD tem 100% do passe. Mas não há justificação alguma para Quintero ter renovado por mais 4 anos em Janeiro, até 2021, para depois nem sequer entrar nas contas para 2016-17. Quem decidiu que Quintero ia renovar se o FC Porto não ia contar com ele para a próxima época? Em 2013, o presidente disse que o FC Porto sabia tudo sobre Quintero. Não sabia. Houve um erro de casting, acontece, todos os clubes os cometem. Mas em 2016 já tinha obrigação de saber. 

A não ser que o FC Porto consiga as tais royalties com todos os CDs de reggaeton que Quintero lançar até 2021 - imaginem o single Quintero ft. Dani Stone «Joder el Oporto (A culpa no es nuestra)» -, é um caso perdido. O mínimo seria ter arranjado um clube para suportar o empréstimo por um ano, mas nem isso. Aparentemente, para o próprio Ricardo Calleri, foi bem mais fácil tratar da renovação de contrato do que arranjar um clube para o jogador. É para isto que se pagam centenas de milhares a empresários?

Contrato até 2018
Além de Quintero, há a alarmante situação de Kayembé, o tal que tinha que dar craque. Não deu, confirmando o erro que foi comprar Kayembé nos moldes em causa. Um jogador que tinha acabado o contrato de formação com o Standard Liège acaba por custar 2,6 milhões de euros. Não foi exceção, mas regra, envolvendo novamente a Danubio, empresa ligada a Luciano D'Onofrio que tem feito vários negócios questionáveis com o FC Porto. Ainda se tentou arranjar um lugar para Kayembé como lateral da equipa B (com isso encostando Rafa!), passou por Arouca e Rio Ave, mas não ter clube para Kayembé nesta fase chama à responsabilidade quem avançou para a sua compra em 2014. 

No R&C do primeiro semestre, o FC Porto ainda devia 957 mil euros a esta empresa, não sendo claro em relação a que jogador, mas significa que ainda há investimentos que estão a ser pagos e que não estão a ser rentabilizados. Proteger e rentabilizar os ativos da SAD é o mínimo que se exige a qualquer administração. Os dispensados para o FC Porto são, por norma, jogadores muito interessantes para outros clubes (até Marega já marca em Guimarães). Então, como se justifica a ausência de colocação para Quintero ou Kayembé, dois jogadores que custaram mais de 12 milhões?

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Três semanas depois

Três semanas após o último post, as contas do plantel do FC Porto só tiveram subtrações. Desde a confirmação da compra de Alex Telles, Nuno Espírito Santo tem passado as semanas e jogos de pré-época a riscar quem considera que não serve, quem realmente não serve, a treinar quem no dia seguinte poderá já não estar no clube e à espera de reforços seus.

Não surpreende, na medida em que era facílimo prever, através do orçamento projetado para a última época e do R&C do terceiro trimestre, que não haveria compras significativas no FC Porto enquanto não houvesse vendas (desde a saída de Alex Sandro que o FC Porto não gera uma mais-valia considerável). É normal que os adeptos questionem, então, como é que Alex Telles e Felipe chegam por mais de 12M€. Simples, negócios com condições específicas, só possíveis através de determinado parceiro. E esperamos que, com a chegada de Alex, a defesa do FC Porto não se torne numa escola de samba, como dizia Pedroto.

De certa forma, até também por ser tratar de uma operação ligada ao BMG (em forma nesta pré-temporada), fazem lembrar o caso de Otávio, um dos jogadores que mais têm agradado na pré-temporada. Otávio assinou contrato no final de agosto de 2014, mas no seu primeiro ano não custou um cêntimo ao FC Porto. Assinou não porque a SAD tivesse disponibilidade para investir no jogador naquele momento (até porque não era um pedido do treinador), mas porque permitia assegurar desde logo um miúdo com talento, sem grandes implicações financeiras no ano que se seguia (algo que por vezes pode correr mal, como foi o caso com Adrián López, mas estava em causa um valor bem mais reduzido), e negociando com parceiros habituais. 

Entretanto, no segundo trimestre de 2015-16, a SAD pagou os 2,5M€ (correspondentes a 33% do passe - a SAD tem agora 32,5%) ao Coimbra Esporte Clube, clube usado pelo BMG para transferir jogadores. Otávio não deixará nunca de ser um jogador caro (os 2,5M€ por 33% do passe não significam que o jogador estava avaliado em 7,5M€ - era ainda mais caro, pois a opção de compra de mais 35% do passe é de 5M€), mas foi um exemplo de um negócio sem custos imediatos, conseguido só através de determinada parceria.

Além de Felipe e Alex Telles, só Miguel Layún foi comprado para a nova época (João Carlos Teixeira, uma aposta interessante, chegou a custo zero e Zé Manuel, o dono da velocidade vertiginosa, foi uma contratação que só pode envergonhar quem o levou para o FC Porto). A opção de compra por Layún previa que o FC Porto teria que pagar 3M€ agora e mais 3M€ até o final de 2016-17. Valia bem o investimento, tendo em conta que o FC Porto já poderia ter lucrado com Layún (numa espécie de Iturbe-Hellas-Roma). Se não o fez, é porque tem bons planos para o jogador.

De resto, ainda não houve compras, mas houve saídas de jogadores que haviam sido anunciados como reforços. Depois de Rafa, foi a vez de Josué e Hernâni receberem guia de marcha, deixando assim Otávio como o único jogador prometido por Pinto da Costa que vai, de facto, integrar o plantel principal. E não deixa de ser (pausa para encontrar a palavra mais apropriada)... Discutível como é que, da equipa do FC Porto B que ganhou a Segunda Liga, não há nenhum jogador promovido definitivamente à equipa A (Chidozie e André Silva foram promovidos a meio da última época).
Contrato até 2019

Mas as dispensas mais recentes - Josué, Hernâni e Quintero - merecem uma análise mais profunda. Começando por Hernâni, jogador cuja contratação ao Guimarães foi na altura avaliada negativamente pel'O Tribunal do Dragão, por considerar que Hernâni estava para aquele Guimarães como Licá estava para o Estoril. Assim foi, sem surpresa, pois Hernâni nunca revelou ter caraterísticas para jogar no FC Porto, nem para valer o investimento de mais de 3M€. Há muitos portistas que tinham/têm algum apreço por Hernâni, mas talvez por de facto nunca ter tido assim tantas oportunidades. Ainda assim, não é surpresa nenhuma que esteja desde já condenado a empréstimos sucessivos. O FC Porto, em alguns casos, tem-se deixado entusiasmar muito por pouco com alguns jogadores em Guimarães. Assim foi com Tiago Rodrigues, assim foi com Hernâni. Que não se volte a cometer o mesmo erro já neste mercado.

Contrato até 2017
O caso de Josué também tem um desfecho previsível, mas por motivos diferentes. É um jogador com qualidade e caraterísticas que são úteis para ser ter num plantel. Mas o FC Porto decidiu prescindir dele, e após três empréstimos diferentes, Josué tem todo o direito de recusar um quarto. E fossem todos assim: não faz sentido o FC Porto andar a renovar sucessivamente com jogadores para os emprestar. Que haja mais Hugos Leais - após meio ano cedido à Académica, percebeu logo que não tinha futuro no FC Porto e quis sair, apesar de ter mais três anos de contrato. E a única coisa que pediu para rescindir foi três lugares no camarote, abdicando de todo o dinheiro que teria a receber. E seguiu o seu caminho. 

Veja-se o exemplo de Mikel, que já tem mais renovações de contrato do que jogos na equipa A. Ou Abdoulaye, que anda desde 2010 a ser emprestado e que voltou a renovar contrato para continuar a rodar por outros clubes. Lá para 2024 deve estar no ponto para resolver os problemas na defesa.

Josué está no seu direito de não querer renovar. Vai fazer 26 anos, já fez três empréstimos, já fez parte do plantel principal e, neste caso, ouviu da boca de Pinto da Costa que iria fazer parte do plantel. Quem tem que decidir quem faz parte do plantel é o treinador, não é o presidente, mas Josué cresceu num FC Porto em que a palavra de Pinto da Costa sempre foi sagrada e suprema. Se ouve o presidente garantir-lhe um lugar no plantel e acaba dispensado, é normal que não sinta motivação em renovar. Josué, provavelmente, nunca conheceu um FC Porto em que a palavra de Pinto da Costa não fosse cumprida. 

Se marcou na final da Taça, a culpa foi de quem o deixou ir para Braga, pois um jogador, quando está em campo, defende a camisola que tem vestida, não o clube que tem o seu passe. Josué poderia ser útil ao plantel, embora dificilmente tivesse espaço cativo na equipa titular. Resta tentar garantir o melhor encaixe possível com uma venda imediata - eventualmente garantindo uma parte significativa de uma futura transferência, pois é um jogador que se pode valorizar, e estando a um ano do final do contrato nenhum clube vai querer pagar muito por ele.

E com isto chegamos a Quintero, com vontade de bofetear uma cabeça que não faz jus aos pés que tem. Nuno Espírito Santo tentou, mas Quintero não quer saber. Sobra a questão: como é que, desde 2013, houve tanta incapacidade em antecipar que Quintero era um caso perdido e o porquê de tanto investimento progressivo num jogador que não correspondia?

Contrato até 2021
O caso mais preocupante já nem é a compra dos restantes 50% do passe, por 4,5M€, durante a curta (e única) boa sequência de jogos que Quintero fez com Lopetegui. O problema foi, em janeiro, renovar com Quintero por mais 4 anos, para ele logo depois ser afastado pelo Rennes. Foram cerca de 10M€ investidos num jogador sem retorno. E a renovação de contrato já não vai ao encontro da teoria da proteção do investimento, pois a SAD já pagou tudo o que tinha a pagar por Quintero. Concluir que Quintero não ia a lado nenhum era algo que deveria ter acontecido antes de se renovar por mais 4 anos e ter mais despesas com uma renovação de contrato, não depois de se ter reforçado, por duas vezes, o investimento nele.

E agora? O que se faz a um jogador com contrato por mais 5 anos que desperdiçou todas as oportunidades que lhe foram dadas no FC Porto? Dá para garantir royalties com todos os CDs de reggaeton que lançar até 2021? Já se recuperava uma parte do investimento. Neste caso, neste momento não resta mais do que tentar recuperar tanto quanto possível o investimento feito em Quintero. Até lá, metam-lo a dar voltas ao Olival e liguem o sistema de rega. Pode ser que a cabeça refresque.

Pergunta(s): Concordam com o afastamento de Quintero, Josué e Hernâni? Que temas gostariam de ver serem abordados nos próximos posts?

terça-feira, 29 de março de 2016

Que futuro para Quintero?

FC Porto continua a investir
Não há um único portista que alguma vez tenha duvidado do talento de Quintero. Vimo-lo no Mundial de Sub-20, naquela entrada no Bonfim na primeira jornada de 2013-14, na forma como se abriam mil possibilidades quando a bola encontrava o seu pé esquerdo. Todos sabem que Quintero é um jogador de enorme potencial. Só há um grande problema: é exatamente o mesmo jogador que o FC Porto contratou há quase três anos. Ou seja, muito potencial, muitas expetativas, mas nenhuma evolução ou rendimento e não mais do que um protótipo de jogador.

As notícias que o apontam ao Internacional não fazem o menor sentido na perspetiva de reintegrar Quintero no plantel principal do FC Porto. Quantos jogadores é que o FC Porto recuperou depois de os emprestar a clubes brasileiros? Pois.

Mas a partir do momento em que Quintero, em janeiro, renovou com o FC Porto até 2021 (ou seja, renovou por mais quatro anos), só se poderia admitir que o clube tencionasse reintegrá-lo no plantel principal no curto prazo. Ir para o Brasil, seja por dois meses ou um ano, não vai ajudar Quintero a evoluir no sentido de ganhar estofo para jogar no FC Porto.

Argel ainda não aparenta ter grande experiência na evolução de jogadores, até porque a sua carreira tem sido marcada por enorme instabilidade: desde o início da carreira de treinador, em 2008, já passou por 19 clubes. O futebol praticado pela sua equipa no Campeonato Gaúcho não impressiona. Teoricamente também não parece haver grande espaço para encaixar Quintero no Internacional, entre jogadores como Anderson, Rodrigo Dourado, Sasha ou Alex. Havia vaga após a saída de D'Alessandro, mas o Inter já contratou outros três jogadores para o miolo.

Além disso, as inscrições para o Campeonato Gaúcho já fecharam. Ou seja, se Quintero for para o Internacional, nem sequer poderá jogar no curto prazo e vai ficar parado à espera que possa ser inscrito na CBF.

O Globoesporte diz que a ideia é ficar com Quintero até dezembro. Ou seja, nem sequer se abriria a hipótese de Quintero ser chamado à pré-época de 2016-17. Mas se Quintero renovou em janeiro, teria que ser tendo como referência planos bem melhores do que o empréstimo a um clube brasileiro. Além disso, diz o Globoesporte que o empréstimo será feito por 200 mil euros. Tendo como referência que ter Quintero durante uma época desportiva completa custa 200 mil euros, também todo e qualquer tipo de sanidade impedirá a crença de que renovar com Quintero tenha custado cerca de meio milhão para o agente Riccardo Calleri. O R&C do FC Porto poderá certamente comprová-lo. 

Dirão que o FC Porto tem que proteger o ativo e defender o seu investimento. Mas há algo que importa ter em conta: Quintero já está pago. A SAD acabou de pagar Quintero, no primeiro semestre de 2015-16. E a SAD tem 100% do passe de Quintero.

Ou seja, não há o problema de a SAD ainda estar presa à obrigatoriedade de ter que pagar mais dinheiro por um jogador para o qual não há planos de médio prazo; e a SAD tem 100% do passe de Quintero, ou seja, não há parcelas de fundos que possam condicionar uma hipotética venda. Quintero é 100% do FC Porto. 

Mas sobra o maior problema de todos eles: o próprio Quintero. Quintero é o principal responsável pelo seu insucesso no FC Porto e na Europa. E estas recentes bocas de Quintero a atacar o treinador do Rennes são mais um exemplo da quase crónica falta de sintonia com os treinadores com quem tem trabalhado.

Quintero no Rennes: os números
Quintero tem muito talento, mas está sempre chateado com o mundo. Não se empenha, não tem a humildade devida, não sabe aproveitar os ensinamentos dos mais experientes e não responde bem aos treinos e aos treinadores.

Os treinadores do FC Porto raramente se enganam nestes aspetos. Se um jogador, por mais talentoso que possa parecer, não está a ter mais tempo de jogo, então há uma forte razão por trás disso. Por exemplo, era muito fácil bater em Paulo Fonseca por não dar mais tempo de jogo a nomes como Quintero, Ghilas ou Iturbe - que bem que lhes tem corrido a carreira fora do FC Porto, não é?

Quintero não jogava mais com Paulo Fonseca porque não trabalhava para isso; não ficou com Lopetegui pois não trabalhava para isso; e agora no Rennes volta a ter problemas com um treinador que queria apostar nele. E note-se que apesar de nada garantir que José Peseiro fique no FC Porto para 2016-17, quando se pensa no regresso de algum médio, Josué ou Otávio estão muito à frente de Quintero.

O culpado é o jogador, que não trabalha o necessário. Mas a gestão da sua situação no FC Porto também levanta questões. Por exemplo, em dezembro de 2014 a SAD comprou o resto do passe por 4,5M€ - depois dessa operação, Quintero deixou de ser opção para Lopetegui, apesar de ainda ter feito uma boa sequência de jogos na primeira fase da época.

Em janeiro, Quintero renovou por mais quatro anos. Desde então, deixou de jogar pelo Rennes. Quintero joga 20 minutos e já não aguenta. Fica rebentado ao fim de 6 sprints. Quintero pode ter nascido com um pé esquerdo dotado, mas a condição física trabalha-se. Quintero não sabe jogar futebol se não tiver a bolinha no pé esquerdo. E isso também se trabalha.

Apesar de Quintero ter evoluído zero desde que foi contratado, o FC Porto redobrou a aposta nele quando comprou o resto do seu passe. Quintero já tinha sido um jogador imensamente caro - os 100% do passe acabaram por ficar por 9,5M€. De notar que o Pescara só fez uma venda mais cara em toda a sua história (Verratti, ao PSG, por 12M€). E a terceira maior venda custou metade de Quintero (De Sanctis). Tendo em conta que Quintero nem era titular do Pescara e nenhum clube italiano quis contratá-lo em 2013, o FC Porto começou muito cedo a pagar por potencial e talento, mas não mais que isso: apenas potencial e talento que continuam a não ser aproveitados. Sobretudo pelo jogador.

Quintero é o maior responsável pela sua falta de evolução. Mas... não foi ele quem decidiu comprar mais 50% do seu passe por 4,5M€, nem renovar o seu contrato por mais 4 anos, nem encaminhar o seu empréstimo para um clube brasileiro. Ora, se o FC Porto aumentou a sua aposta em Quintero, então o talento do jogador terá que ser muito melhor aproveitado. Há essa responsabilidade. Isso implicava não só puxar por um melhor comportamento, profissionalismo e rendimento do jogador, mas também encontrar o meio onde acham que ele vai evoluir. Dificilmente será no Internacional.

Falta um médio-ofensivo no plantel principal do FC Porto; compra-se o resto de Quintero e renova-se com o jogador; e agora empresta-se o jogador a um clube brasileiro, nem sequer havendo espaço para surgir na pré-época? Não bate certo. Poderíamos dizer que Quintero é um caso quase perdido, de um jogador que não sabe aproveitar o talento que tem, mas depois das operações de investimento no atleta só podemos esperar que venha a ser o craque que prometia ser em 2013. E se em janeiro de 2016 renovou-se com Quintero quando faltavam (e continuam a faltar) jogadores a José Peseiro, então tem que haver futuro para Quintero no FC Porto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mercado e as peças para Lopetegui

Faltam duas semanas para o fecho do mercado. E uma das frases mais interessantes de Lopetegui enquanto técnico do FC Porto foi que só olha para o mercado «para melhorar a equipa», nunca para a deixar mais frágil. Num clube assumidamente vendedor como o FC Porto, é curioso o treinador assumir esta postura.

O plantel ainda vai forçosamente emagrecer, pois não haverá lugar para todos, mas a questão das entradas ainda não está sentenciada. Há quem peça um central, há quem deseje um extremo, mas o pedido que tem recolhido maior unanimidade é o do tal médio criativo para fechar o meio-campo, o jogador capaz de driblar em zona interior, distribuir jogo, fazer o último passe, ele próprio aparecer em zonas de finalização e sem nunca comprometer no processo defensivo.

9,5M€ por colocar
A lógica diria que esse médio está nos quadros do clube: Quintero. Estão quase 10M€ investidos num jogador que está a dois anos de terminar contrato e que ainda nem tem clube para jogar em 2015-16. O FC Porto nunca se enganou quanto ao seu talento. Quintero tem um excelente pé esquerdo, faz bem o último passe, tem bom remate, bate bem as bolas paradas, tem capacidade de drible curto acima da média... Só lhe falta uma coisa: saber jogar futebol. Ou duas: aprender a ser futebolista. O talento está lá, mas as componentes físicas e psicológicas estão abaixo dos exigível. Lopetegui deu-lhe alguma continuidade de jogos em 2014-15, e Quintero chegou a parecer que ia engatar, mas não aguentou.

Entende-se que Lopetegui não veja em Quintero o tal médio que falta ao plantel, mas importa não esquecer uma coisa: Quintero não é mercadoria que já podemos dar como descartável. Primeiro, porque estão 10M€ investidos num jogador que foi contratado em 2013-14, sem intervenção de Paulo Fonseca na altura, numa época negra a nível financeiro. Segundo, porque sabemos que tem talento. Não é um caso perdido. É um caso que a SAD não pode nunca dar como perdido, seja desportiva, seja financeiramente. Por diversos motivos Quintero pouco ou nada evoluiu em dois anos, e grande parte desse motivos são de responsabilidades imputadas ao jogador, mas o FC Porto não pode desistir dele, pois foi uma grande aposta do clube. E mesmo que não seja aposta no clube, exige-se máximo empenho na reabilitação e evolução do jogador. Ao clube e ao atleta.

De volta ao ponto inicial. Lopetegui, logo na 1ª jornada, já deu uma excelente resposta à carência no plantel. Ao envolver tanto os laterais no processo ofensivo, permitir aos extremos explorar o espaço interior e ganhar através de Herrera e Imbula grande verticalidade no meio-campo e capacidade em aparecer em zonas de finalização, o FC Porto disfarçou muito bem a falta do tal médio. Mas há uma pergunta que se impõe, e que deve ser feita ao treinador: o plantel está preparado para jogar sempre assim e não receber o tal médio? Lopetegui dirá, certamente, que não, pois um treinador que fala do mercado como Lopetegui o fez é um treinador que sente que ainda falta algo.

E com isto recuamos até 2013, a lembrar o caso Bernard. Há quem recorde que o FC Porto errou ao deitar todas as fichas em Bernard, dando o jogador por garantido, e depois já não teve capacidade para encontrar uma alternativa quando apareceu o Shakhtar. Nada mais falso, pois Bernard assinou pelo Shakhtar na primeira semana de agosto. Havia tempo de sobra para contratar uma alternativa. Não havia era outra coisa.

Plano B, precisa-se
O prejuízo apresentado no final da época justificou tudo: o FC Porto não teve condições financeiras para contratar mais ninguém. Acreditou-se em Licá e os resultados ficaram à vista. Bernard era um jogador com preço de mercado de 20M€, mas isso não significa que o FC Porto tinha capacidade para contratar um jogador desse preço. Era simplesmente o que a Doyen tinha para oferecer.

Dois anos depois, situação idêntica com Lucas Lima. Os grandes investimentos em Casillas e Maxi Pereira, já para não falar em Imbula, alimentaram a crença de que o FC Porto quase podia chegar a qualquer jogador no mercado. Mas o efeito está mais próximo do contrário: depois dum esforço tão grande em trazer 3 ou 4 jogadores mais experientes para a equipa titular, não restou grande margem para mais investimentos.

Porque é que não se vislumbra, para já, alternativa a Lucas Lima? Porque Lucas Lima é o que a Doyen tem para oferecer. O FC Porto só teve um grande investimento esta época, Imbula, e também envolveu a Doyen. Caso contrário, todas as contratações do FC Porto estariam feitas ou a custo zero (que implica normalmente maiores comissões, prémios e salários), ou no mercado nacional. O FC Porto está a investir (e muito bem) com extrema disciplina. Sobretudo se tivermos em conta a situação de alguns ativos.

É um balanço que poderá ser aprofundado depois, mas entre os emprestados do FC Porto estão investidos mais de 25M€. Ora isto é quase tanto como o valor contabilizado para compras de passes em 2015-16. Isto significa que houve uma série de investimentos que ou foram maus, ou precisam de mais tempo, ou simplesmente falharam. Depois, há um jogador de 9,5M€ para colocar (Quintero), um central de 7,7M€ que ainda não é titular (Indi) e dois ativos caros (Alex Sandro e Herrera), de mais de 17M€, que estão entre a renovação e a lei do mercado. Isto para não falar em Adrián López, que já se sabe que vai sair mas não em que moldes, e jogadores caros ainda sem o futuro resolvido, como Quiñones ou Rolando.

Investimento para 2015-16
Além disso, o FC Porto já tem uma lista de potenciais compras para 2015-16. Como por exemplo Aboubakar, de quem a SAD só tem 30% e cada parcela de 10% custa entre 1 a 2 milhões; Brahimi, de quem a SAD ainda pode resgatar mais 25% (até ver pagou 5,3M€ por 50%); Tello, emprestado pelo Barcelona, que tem opção de compra que só poderá ser exercida com grande ginástica financeira. Estes 3 ativos são candidatos às tais grandes vendas que permitem à SAD (sobre)viver acima das suas possibilidades operacionais todos os anos. Mas ainda vão custar mais do que já custaram. E tendo em conta que é cada vez mais raro ver um jogador com 100% do passe nas mãos do FC Porto, a percentagem de receita tem tendência a diminuir. Além disso, ainda em 2015-16, há a contar uma folha salarial que possivelmente será a maior da história da SAD e a própria liquidação de reforços já contratados, como Imbula e qualquer outra possibilidade que a Doyen possa ter. Uma venda, é certo, poderia dar mais alguma liquidez para o curto prazo e reduzir a necessidade de mais-valias para o 2º semestre. Mas apenas Alex Sandro tem mercado para isso neste momento. Portanto, ou a Juventus abre de facto os cordões à bolsa, ou Pinto da Costa terá que explicar como é que recusou 30M€; e se quiser explicar que os 30M€ não eram cash, então talvez tenha que explicar como se prescindiu da oportunidade de ter Óliver Torres pelo menos mais um ano. Como o presidente que todos conhecemos não é homem de ficar de mãos atadas na hora de negociar jogadores, aguardemos.

Tendo em conta que é quase impossível fugir a um défice operacional sempre acima dos 30 milhões de euros, aliado a todos os gastos previstos/possíveis para 2015-16, entende-se que a margem para investir ainda mais no plantel está reduzida. Daí tanta espera por Lucas Lima e pela Doyen, como há dois anos houve esperança e crença em Bernard e na Doyen. E em 2013-14, Licá e o bom início de época disfarçaram muita coisa. Daí a importância de agora avaliar a situação com o máximo pragmatismo: o plantel que Lopetegui tem em mãos dá mesmo as garantias necessárias para cumprir os objetivos do FC Porto?

Se sim, força, vamos para a guerra com o que temos, e quem achar que é suficiente no final estará sempre sujeito à eventualidade de explicar por que é que afinal não era suficiente. Se não, então mais que nunca o FC Porto terá que recuperar o toque de midas e procurar soluções baratas, com um euro no bolso - e esse euro não precisa de ser de um fundo. Lopetegui, enquanto treinador do FC Porto, também tem que ter a capacidade de sugerir nomes low cost para reforçar o plantel, como o fez tão bem com Óliver, Marcano e até Varela ou Rúben Neves, em diferentes circunstâncias e moldes negociais, e não tão bem com Campaña ou Andrés Fernández.

Largos dias têm duas semanas. É o tempo de acabar de compôr o plantel e de aprender com os erros cometidos em 2013-14.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Análise 2014-15: os médios

(Em)préstimos de grande valia
Em relação à última época, Herrera e Quintero foram os únicos médios que se mantiveram no plantel. Para uma equipa que sofre tão profundas alterações no coração da equipa, é necessário tempo. Tempo para os novos jogadores se adaptarem, para conhecerem mutuamente as respetivas caraterísticas, para assimilarem o modelo de jogo. Manteve-se o que vem sendo tradicional: o FC Porto tem sempre a equipa com maior percentagem de posse de bola e maior acerto no passe (média de top5 na Liga dos Campeões), mas todos repararam que, a nível interno, faltou alguma verticalidade. Por outras palavras, fazer em 12 passes ou 15 segundos o que muitas vezes fazemos em 25 passes ou 40 segundos. 

Somos uma equipa de ataque planeado, de posse, há vários anos. Vamos continuar a ser. Mas há que ter a capacidade e compreensão de que muitas vezes, no campeonato português, será necessário um pouco mais de pulmão e velocidade e um pouco menos de cabeça e calma. Lopetegui, ao ficar no FC Porto, tem que ter aprendido isto. Destacar o 3º médio para um papel mais criativo e desequilibrador e evitar que o 2º médio tenha que baixar para a primeira linha de construção são alguns dos pontos a rever. Mas como este setor ainda vai sofrer várias alterações, para já avaliemos o que foi 2014-15.

Rúben Neves - A grande vitória de Lopetegui. Fazer de um juvenil titular na equipa A do FC Porto mostra que em termos de aproveitamento de talentos nos sub-19 e na equipa B há muita gente a dormir (até Paulo Fonseca já tinha chamado Rúben Neves a treinar com a equipa A - coisa que ninguém nos juniores ou na B foi capaz de fazer). É presente e futuro para o FC Porto. Deverá renovar em breve, pois até completar os 18 anos não podia assinar um contrato de longa duração. Temos em mãos um dos jogadores mais promissores à escala mundial. E portista dos pés à cabeça. Pés com muito talento, cabeça com muito juízo, e coração com grande dedicação. Um digno Dragão de Ouro para esta época.

Casemiro - Foi do 8 ao 80. Começou a época com exibições penosas, mas continuou a merecer a confiança de Lopetegui e sempre teve boa imprensa, não só por cá como em Espanha. Chegava a ser desesperante vê-lo a falhar o mais simples dos passes. Na segunda metade da época, tornou-se simplesmente imprescindível. Qualidade, profissionalismo e dedicação em doses certas. Ajudou a fazer uma boa campanha na Champions, valorizou-se e ainda permitiu ao FC Porto fazer um grande encaixe financeiro, num negócio que motiva todos os elogios à SAD. Afinal, também é possível tirar proveitos financeiros, e não apenas desportivos, com jogadores emprestados. Não deve haver muitos exemplos de um clube que lucrou mais de 6M€ com um jogador que esteve emprestado. 

Evandro - Chega com um ano de atraso, pois Paulo Fonseca já o tinha pedido (e que jeito teria dado enquanto ninguém se entendia entre Defour, Herrera e Carlos Eduardo há um ano). Investimento significativo para a idade (afinal vai fazer já 29 anos), mas que valeu a pena. Comparação claramente ousada, mas a fazer lembrar o papel de Alenichev, o de um 12º jogador de luxo. É preciso velocidade? Mete o Evandro. É preciso manter a bola? Mete o Evandro. É preciso reorganizar a equipa? Mete o Evandro. Médio completo e apto para todas as funções. Justifica a continuidade no plantel. 

Campaña - Não era primeira, nem segunda, nem terceira escolhas. Lopetegui quis Clasie, quis Ñíguez, quis Darder, e não foi possível chegar a nenhum. Em cima do gongo apareceu Campaña, por empréstimo. Quando o vimos em campo, raramente desgostámos. Aquele olhar de serial killer mete qualquer adversário em sentido. Tem escola, sabe tratar a bola, é agressivo, mas não conseguiu ter grande relevância e espaço no plantel. Resta saber se por culpa da concorrência, se por insatisfação de Lopetegui ou também por culpa do jogador. Negociar a compra só faz sentido se for para ter um papel mais ativo na próxima época. Para só fazer 2 jogos no campeonato, não vale a pena.

Herrera - Casemiro foi do 8 ou 80 a meio da época. Herrera vai do 8 ao 80 de um jogo para o outro, mas ao longo da época foram bem mais os 80s do que o resto. Melhorou muito na precisão do passe, embora continue a nem sempre tomar as melhores decisões (momento de soltar a bola, passe de primeira), mas é sempre o jogador que mais corre, deixa sempre tudo em campo, fez alguns golos importantes e valorizou-se para um patamar acima do que o que o FC Porto investiu nele. Tem mais dois anos de contrato, o que para um jogador caro leva a que a sua situação seja revista. Serve de garantia num empréstimo com a célebre e quase obscura (na medida em que pouco se conhece) For Cool Co Ltd (envolvida em negócios com Walter e Hulk, mas de quem quase nada se sabe publicamente), com um método de reembolso que não é esclarecido pela SAD. Significa que interessará manter Herrera com uma valorização alta, com vista a uma transferência, nunca abaixo dos 20M€. Ficando no plantel, é natural que se mantenha como primeira escolha para o meio-campo. 

Óliver - O menino que ninguém queria e que agora todos querem de volta. Como Deco, não corre, desliza pelo campo. Foi a sua primeira época como titular numa grande equipa, e o início não podia ter sido mais promissor. O regresso ao FC Porto será sempre uma porta entreaberta, que dependerá da avaliação que Simeone fizer dele. Ter um jogador assim melhora qualquer equipa, e em 2015-16 fá-lo-ia muito mais. Óliver Torres mostrou, também, que nem só 10 anos de casa fazem um jogador à Porto: às vezes a mística já nasce com eles. Só precisa do sítio certa para se revelar. Serás sempre um dos nossos, Óliver.

Quintero - O caso mais discutido ao longo da época. Quando a bola lhe chega ao pé, ganha olhos e constroem-se mil possibilidades. Fora disso, Quintero ao fim de 30 minutos já está rebentado, é lento e não sabe jogar sem bola. Num 4x3x3, não há médio assim que se safe num clube de topo. Ao fim de 2 anos, pouco ou nada evoluiu. E a SAD assumiu o investimento de mais 4,5M€ no seu passe, mesmo sem que Quintero fosse um indiscutível para Lopetegui. O natural seria Quintero entrar na próxima época como titular, mas pouco fez para justificar isso. Ter talento não chega e Quintero tem sido a maior prova disso. Ou se assume como opção para 2015-16 (e isso depende mais do próprio Quintero do que de Lopetegui) ou é tempo de recuperar o investimento.

Os bês - É difícil avaliar em pleno o rendimento de uma equipa B quando não há treinador que a saiba potenciar/fazer evoluir. A insistência de Luís Castro em formar um trio de meio-campo com 3 jogadores de características mais defensivas em simultâneo prejudicou equipa e jogadores.  Mas tentemos. Mikel não jogou esta época, por lesão, mas muito dificilmente entraria nas opções de Lopetegui, pelo que um empréstimo a um clube de primeira liga é o ideal. Chico Ramos, já com contrato renovado, faz uma boa época, tornando-se já um indiscutível na B no seu primeiro ano de sénior. Tomás Podstawski, melhor a 6 do que a central, também tem um bom primeiro ano de sénior. Para segurar, obviamente. João Graça demorou a entrar na equipa e teve pouco espaço, mas mais por culpa do meio-campo altamente conservador de Luís Castro do que por falta de talento. O mesmo podemos dizer de Pité, a um nível baixo face ao que prometia no Beira-Mar, mas também algo lento e ainda com pouca intensidade (precisa de mais tempo de jogo). Já Pavlovski tornou-se um mistério: todos sabem que é bom jogador, mas Luís Castro raramente lhe deu continuidade. O FC Porto deveria comprá-lo, mas sem loucuras à Kayembé. E há ainda Leandro Silva, que foi subindo na formação como uma espécie de 12º jogador, mas já tem longo percurso nas seleções e assumiu-se como o patrão do meio-campo. O ideal seria rodar numa primeira liga, sobretudo aproveitando a projeção que teve em Inglaterra.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios da época? Que futuro para Campaña e Quintero? Herrera deve continuar ou ser negociado - por que preço? Qual seria o trio ideal para 2015-16 (com potencial contratação à mistura)?

domingo, 24 de maio de 2015

Terminou a época, arranca 2015-16

Quem viaja com o FC Porto para todo o lado ao longo da época, faça sol ou faça chuva, e consegue encontrar forças para ir apoiar a equipa ao aeroporto depois de uma derrota por 6-1 (apoiar, que é diferente da falácia que é dizer «receber em euforia»), tem o direito de no fim da época não estar satisfeito. Neste caso, os protestos foram feito da maneira mais correcta possível: a insatisfação ficou clara, sem necessidade de insultar. Os adeptos têm direito ao protesto, não ao insulto. Vale para adeptos, claques e para quem esteve à porta do centro de treinos.

Obrigado e boa sorte, Danilo
Os jogadores perceberam a mensagem. Perceberam o quão atípico é o FC Porto acabar uma época sem títulos. Nenhum outro clube em todo o mundo ganha de forma tão frequente como o FC Porto. Mas a frequência não pode nunca ser confundida com facilidade. É sempre difícil ganhar um título, seja ele qual for, sobretudo quando temos novos profissionais que (ainda) não estão habituados a ganhar, e adeptos que não estão habituados a não ganhar. Em 2015-16 todos estarão mais bem preparados, mas isso será aprofundado na análise detalhada de fim de época, que será publicada aos poucos.

Foi o dia de despedida a alguns dos nossos, ainda que só Danilo o tenha feito a nível oficial. Daqui a duas semanas já nos estaremos a roer com saudades de ver o FC Porto jogar e impacientes para que chegue a pré-época.





Danilo (+) - A época estava acabada, não havia nada mais a ganhar. Danilo tem muito com que se preocupar: mudança de casa para Madrid, foi pai há pouco mais de um mês, vai jogar num clube onde todos passam de bestas a bestiais e vice-versa em duas semanas e vai disputar a sua primeira grande competição pelo Brasil, a Copa América. Que faz ele? Galga o corredor como se estivesse numa final da Liga dos Campeões, nunca se encolhe na disputa dos lances e ainda oferece aos adeptos um último lance de alegria na época. Fez-se um jogador à Porto, honrando a mítica camisola 2, e afinal todo o silêncio nas bancadas foi a melhor homenagem possível para ele: não havia palavras que lhe pudessem agradecer o suficiente.

Jackson Martínez (+) - Ok, esteve muito mal na finalização. Mas acaba a época como o melhor marcador, pelo 3º ano consecutivo, e seria sempre o mais forte candidato ao 4º (Pinto da Costa sabe porque e para quem está a falar, isto a propósito da capa de O Jogo). É a definição de um profissional exemplar, que não precisa de conhecer a história do FC Porto para a honrar a cada segundo. Esteve 3 anos a levar a equipa às costas, em meses moribundos para o FC Porto, e também não pensou um único segundo no mercado enquanto jogava a feijões contra o Penafiel. Um campeonato em 3 anos é muito pouco para um jogador deste calibre. A liga portuguesa também. Um dos melhores pontas-de-lança da nossa história e provavelmente o melhor da atualidade. Se não for, não faz mal. Também há quem prefira Heineken à Carlsberg.

Destaques de fim de época (+) - Quaresma, também inconformado em fim de época, voltou a ser dos mais perigosos no ataque, cruzando várias vezes com perigo. Evandro deu cabeça e critério a um meio-campo que estava desgastado e desorganizado. E Aboubakar, nos últimos minutos, desatou o nó, com um oportuno golo e uma boa assistência.





Pela metade não chega (-) - Quintero teve apontamentos de qualidade. Como tem sempre que a bola lhe chega aos pés. Mas ao fim de 2 anos, ainda não conseguiu corrigir o que o impede de se afirmar numa grande equipa: é excessivamente lento, a circulação de bola perde sempre velocidade quando lhe chega aos pés (raramente solta de primeira) e só consegue desembaraçar-se em drible curto (e cada vez menos). A SAD investiu mais 4,5M€ nele, numa época que não foi melhor do que a primeira. Comprámos a totalidade do passe quando Quintero ainda jogava a 50%. Há várias questões a esclarecer: É o FC Porto que não aproveita o talento de Quintero, ou é Quintero que não aproveita o seu talento? E o talento que Quintero tem, será o suficiente para fazer dele um jogador que seja mais do que alguém que aparece a espaços? Todos os futebolistas podem ter talento. Mas nem sempre o talento faz um futebolista.

Terminou 2014/15. Segue-se o balanço, setor por setor, protagonista por protagonista, e a antecâmara para 2015/16, ao longo das próximas semanas.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Nota 10

Últimos jogos do FC Porto no Dragão | Fonte: zerozero.pt 
Décima vitória consecutiva no Dragão desde a derrota com o Benfica. Nesse período, 33 golos marcados, a uma média de 3,3 golos por jogo, exibições agradáveis, vitórias confortáveis, apenas 2 golos sofridos e ambos na Taça da Liga. É isto que todos queremos: o factor casa a prevalecer, equipas que poucas vezes conseguem atacar no Dragão (o Estoril não fez um único remate em 90 minutos), um FC Porto que faz golos com frequência e alguma arte, que ganha os seus jogos.

O FC Porto conseguiu igualar o Benfica na diferença de golos, sendo que este critério só interessará se ganharmos por 2x0 na Luz - coisa muito improvável de acontecer, tendo que conta que o SLB de JJ marca sempre em casa no campeonato. Mas é importante que esgotemos e aproveitemos todas as possibilidades que temos para ainda chegar ao título. Saber que neste momento, vencendo por 2x0 na Luz, conseguiríamos uma vantagem virtual de 4 golos é importante.

Para já, o importante é pensar no dificílimo teste em casa do Rio Ave. Depois tentaremos a 11ª vitória consecutiva no Dragão, a 12ª e teremos os dois jogos fora de casa mais complicados e importantes da temporada. É para estes momentos que todos nos preparamos. Continuamos na luta pelas duas mais importantes competições, coisa de que pouquíssimos clubes se podem orgulhar. Até onde essa luta nos levará, não importa. Para já, importa o Rio Ave.


Melhor exibição da época
Fórmula Quaresma (+) - Bola no Quaresma, cruzamento. Bola no Quaresma, cruzamento. Bola no Quaresma, cruzamento. Na primeira parte, Quaresma fez 14 cruzamentos (há-de ser um recorde esta época). Mas ele só cruza?, perguntávamos. Mas a ideia era essa: cruzar, cruzar e cruzar. Com Jackson Martínez, o FC Porto pode dar-se ao luxo de jogar com um ponta-de-lança recuado, em apoio. Com Aboubakar, não lhe podemos pedir o mesmo. E assim o FC Porto procurou mais vezes Aboubakar na grande área, como no 2x0. Muitas vezes, Quaresma cruzava e não havia mais ninguém. Não significava um mau cruzamento, significava que não estávamos a conseguir povoar a grande área o suficiente. Mas o próprio Quaresma precisava de saber qual a altura certa para cruzar, esperar que chegasse gente suficiente à grande área.  Quando conseguimos meter quatro jogadores na grande área, chegou o 1x0. Bravo, mister. Bravíssimo, Quaresma, com duas assistências e dois golos, na melhor exibição desde que regressou ao FC Porto.

Danilo, do FC Porto (+) - Ah e tal, o Danilo já assinou pelo Real Madrid, agora não vai meter o pé. Mas em campo não estava o jogador do Real Madrid. Estava o capitão do FC Porto. A forma como aos 37min vai com tudo recuperar uma bola e lançar a melhor jogada do FC Porto na primeira parte diz tudo. Faz um excelente golo numa brilhante jogada colectiva, e mostra que a braçadeira lhe assenta bem: é uma inspiração para os colegas, não só pelo empenho e rendimento, mas até pela transferência para o Real Madrid. Se trabalharem como ele, talvez um dia também joguem no Real Madrid (depois de ganharem títulos no FC Porto, claro).

Aboubakar (+) - Um golo oportuno, com uma movimentação inteligentíssima, e uma assistência de grande classe. Correu, trabalhou, pressionou, deu linhas de passe e fez o que qualquer jogador do FC Porto deve fazer: pode ter um jogo mau (como na Madeira), mas deve dar a resposta no jogo seguinte. Aboubakar fê-lo e bem. Nunca fará o papel de Jackson, mas em termos de média de golos nunca estará muito atrás do colombiano. Isto significa que não é Aboubakar que tem que aprender a jogar como Jackson - é o FC Porto que terá que usar o seu ponta-de-lança de forma diferente. Hoje funcionou muito bem.

Outros destaques (+) - Belo jogo da dupla Marcano-Indi, competentíssima e que não permitiu que o ataque do Estoril criasse um único lance de perigo. Casemiro, um ou outro passe errado, mas desta vez bem na saída de bola, no posicionamento e na pressão. Óliver Torres, sempre inteligente e pertinente nas movimentações, e também a aparecer em zonas de finalização. Brahimi esteve em 4 ou 5 lances de grande perigo na primeira parte, arranca o penalty e mostrou a espaços os pés de veludo a que nos habituou. Mas se está cercado por 3 jogadores, por vezes um passe é a melhor finta que pode fazer.


Hipocrisia (-) - Queremos jogadores à Porto! Queremos mística! Queremos aposta na formação! Então que vamos fazer? Vamos assobiar um rapaz portista, que pertence a esta casa desde os 12 anos, que foi o melhor jogador da equipa B nos últimos 2 anos, que tem o sonho de se afirmar no FC Porto e que na sua carreira nunca fez nada que não fosse ser um bom profissional. Pela lógica à lá Tozé, devem andar por aí portistas que se virem o FC Porto contra Barcelona, Real Madrid ou Atlético na Champions vão querer que o Tello, o Casemiro e o Óliver desatem a marcar autogolos. Afinal, primeiro está o clube-mãe, não é assim gente portista?

Problema ou solução?
Outra vez (-) - 9 cantos batidos para a grande área, nenhum onde aparecesse alguém a cabecear à baliza. Os optimistas dirão, não precisávamos de cantos para ganhar por 5x0. Mas aqui diz o realista: há-de haver um dia em que vamos precisar de um canto para ganhar um jogo. Globalmente, hoje o banco não acrescentou muito ao FC Porto (apesar do bom trabalho de Hernâni no 4x0), mas Quintero uma vez mais entrou dando a impressão que nunca chegou de facto a fazê-lo. Queres um bom exemplo? Vê o lance do 5x0: Quaresma, que em tempos não teve um feitio tão diferente do teu, já era o MVP, com 2 assistências e um golo, e ainda assim entra a matar para pressionar o adversário e fazer mais um golo. É com esta atitude que vedetas conseguem ter sucesso no FC Porto. Vais a tempo de mudar, Quintero, mas pouco ou nada tens feito por isso. E se Lopetegui ajudou Quaresma a tornar-se num dos melhores profissionais do FC Porto (opinião de quem vê, exterior à relação jogador-adepto), então aqui o problema não é da estrutura (que investiu mais dinheiro em ti), nem do treinador (que puxa por todos, por pior feitio e tiques que possam ter), nem dos adeptos (que continuam a aplaudir-te sempre que vestes o colete para aquecer e há quem religiosamente te peça a titular todas as semanas): és tu. Boas notícias: ser solução depende de ti.

domingo, 22 de março de 2015

Copo meio cheio ou meio vazio

Sempre que a Choupana está metida ao barulho é coisa para suspeitar. Há dois anos, o Benfica deixou lá dois pontos, no mesmo dia em que o FC Porto recebia o Olhanense. O FC Porto tinha a oportunidade de se isolar na liderança, mas não conseguiu ganhar em casa ao Olhanense. Nesse campeonato, o pontapé do Kelvin salvou o título. Mas desde então aquela máxima que diz que «o FC Porto não falha nos momentos decisivos» vai ficando tremida.

Ponto ganho? Dois perdidos
Marítimo, Benfica e Nacional, três jogos que nos custaram 8 pontos, por falta de eficácia, sorte e também competência, e não por factores externos. Já há um ano, é bom lembrar, foi no Estádio da Luz que perdemos a liderança, e nessa mesma época perdemos duas meias-finais contra o rival. Este ano, a Taça também se foi à primeira, contra o Sporting. É importante e urgente ir ao baú do clube descobrir a determinação que nos levava a não falhar nos momentos decisivos.

É tudo uma questão de perspectiva. A partir desta jornada o FC Porto depende matematicamente de si próprio. Quando perdeu com o Marítimo, estava em risco de ficar a 9 pontos. Mas não podemos ficar agarrados a ses anteriores. Esta era a oportunidade para ficar a um ponto da liderança. Era a jornada em que o Benfica tinha mais possibilidades de perder pontos. Depois disto, acaba por ficar mais difícil e vamos ter que pensar não só em 24 pontos como em golos, muito golos, pois não podemos confiar que um 1x0 chegue na Luz. Sabendo perfeitamente que a jogar como hoje nem esse 1x0 vai aparecer.

O Benfica vai ter 2 jogos consecutivos na Luz e 6 dos últimos 8 jogos vão ser disputados em Lisboa. Ficou mais difícil porque estávamos à espera de um deslize do Benfica, mas agora teremos que esperar por 2 ou acreditar numa reviravolta épica como na Taça de 2010-11 (não vale a pena pensar em 2-0 porque na Luz o Benfica nunca fica em branco no campeonato, logo será sempre necessário fazer 3 golos). Mas vencer o clássico por si só já seria difícil, agora tornou-se ainda mais. Um jogo para pensar e preparar depois, porque até lá faltam 3 jornadas e uma eliminatória com o Bayern, na qual o FC Porto não terá hipóteses de deixar uma boa imagem se jogar como hoje na Madeira.

Hoje há desilusão porque Lopetegui e os jogadores fizeram tudo e todos acreditar que era possível ser campeão, mesmo num campeonato sujinho. Mas para a história da 26ª jornada fica uma derrota do Benfica, com penalty e expulsão, e um jogo que o FC Porto não conseguiu ganhar por culpa própria. Fomos combatendo o que não podemos controlar, mas hoje falhámos no que estava ao nosso alcance. A luta não acabou, mas ficou mais difícil. Ficou mais difícil, mas ainda não acabou. Copo meio cheio ou meio vazio, certo é que temos que ganhar 8 finais até ao fim do Campeonato, ou morrer a lutar por cada final. Hoje nem ganhámos, nem lutámos o suficiente.





Sete golos na liga
Tello (+) - Fez mais ataques que Brahimi e Quaresma juntos, mais um bom golo e serviu de bandeja o 2-1 a Aboubakar, mas infelizmente Gottardi estava lá. Notou-se que teve dificuldades para arrancar naquele mau relvado, mas combinou várias vezes com Danilo e teve a objectividade e prontidão que Brahimi e Quaresma nunca tiveram. Não entrou bem na segunda parte, mas quem entrou?

Quaresma (+/-) - Uma vez mais, Quaresma não é capaz de meter uma bola de primeira na grande área, está sempre a fugir para a linha com o defesa em cima em vez de jogar rápido, é lento soltar a bola e não tem velocidade para ser o extremo do FC Porto que rompe no ataque. E uma vez mais, dito isto, volta a ser o mais inconformado, o mais interventivo, por muito que demore a cruzar a verdade é que meteu boas bolas na grande área e agitou o jogo. Está em melhor forma que Brahimi, e já que ainda ninguém percebeu para que foi Hernâni contratado em Janeiro, então que se aproveite ao máximo o bom momento de Quaresma.





Não deu para perceber (-) - Não sei se Casemiro pediu para sair, nem se Quintero tem treinado com grande intensidade no Olival ou se se passou o contrário com Óliver. Lopetegui é homem de convicções fortes e há-de ter tido as suas razões para gerir o jogo como geriu. Mas de facto as alterações feitas nada trouxeram ao jogo. Com a saída de Casemiro perdeu-se a dimensão física no meio-campo. Quintero não jogava há um mês e é o jogador mais lento do plantel, era suposto ser ele o abre-latas tendo Óliver no banco? E por fim, Aboubakar não consegue estar simultaneamente a jogar fora da grande área e a chegar a tempo dos cruzamentos. Faltava presença na grande área, faltava a ajuda de Gonçalo. Mas Lopetegui já tinha feito 2 alterações, e o que se diria se tivesse deixado Quaresma no banco? Quaresma devia ter entrado antes e a última alteração devia servir para meter Gonçalo, para arriscar, ou segurar o resultado após fazer o 2-1. Foi o jogo em que Lopetegui pior mexeu esta época, ou pelo menos aquela cujas alterações menos proveitos deram (nenhum). Não houve plano B e estivemos 90 minutos à espera que algo acontecesse.

Carrossel para lado nenhum
Levar a bola para casa (-) - Lopetegui confiou até ao limite que Brahimi ia sacar qualquer coisa da cartola. Mas hoje Yacine nem uma finta ou um cruzamento conseguiu acertar, quanto mais um momento que pudesse decidir o jogo. Tem uma coisa boa, que é mesmo jogando mal consegue segurar a bola e arrastar marcações. E quando isso acontece tem que aprender a soltar a bola para zonas interiores. Brahimi pode jogar mal, mas tem que aprender a jogar mal.

Pela milésima vez ... (-) - Já estive mais longe de fazer um levantamento do aproveitamento nos pontapés de canto. E arrisco dizer que o FC Porto é a equipa que pior aproveita os cantos no Campeonato. É bola na área de qualquer forma, para o molho, e quem quiser que lá chegue. Não há lances estudados, não há movimentações padrão, não há ninguém que se destaque ou seja referência ao primeiro e segundo postes. Se este é o calcanhar de aquiles de Lopetegui, a equipa técnica tem urgentemente que ser reforçada com alguém ou algo que potencie as bolas paradas, porque não há memória de um FC Porto tão fraco nestes lances. Que marquem cantos curtos ou devolvam a bola à primeira fase de construção, porque de bola directa não há uma que funcione.

Ingratidão para Aboubakar (-) - Aboubakar não esteve bem, não. Mas não é fácil fazer o papel de Jackson (que falta fez...), ao alcance de poucos no futebol mundial. Já evoluiu muito nesse sentido, mas hoje foram visíveis as dificuldades em jogar de costas para a baliza, longe da linha defensiva, e simultaneamente ter que chegar a tempo e às zonas certas na grande área. Tirando um cruzamento de Tello para Aboubakar, não houve mais nenhum lance assim. Precisava de apoio, mas Quaresma não podia ficar no banco e o sacrificado foi Gonçalo. De certeza que Lopetegui não voltará a cometer este erro nas substituições. Alex Sandro, Evandro e Herrera pareciam rebentados fisicamente e isso impediu-os de tomar as decisões mais acertadas. Jogo mal conseguido.

A culpa não é
do treinador
Queres sair? (-) - Quintero é menino para ter ficado chateado no dia do parto da mãe. Não dá para compreender, rapaz. Desde o primeiro que treinou no Olival, dizia quem via: «Tem um potencial fenomenal, mas julga que é craque e não leva os treinos a sério». Nós já te vimos fazer grandes coisas, Quintero, já vimos a bola sair dos pés com olhinhos. Mas hoje foi mais uma demonstração do porquê de não ter mais oportunidades. Lento, sem garra, sem se assumir sem bola, chateado com o mundo. O FC Porto investiu mais 4,5M€ no seu passe esta época, e desde então nada se viu de Quintero. Se não quer jogar no FC Porto, então que o seu futuro vá à mesa no fim da época. Mas se o jogador não tem sido opção, era hoje que Lopetegui esperava uma reação de Quintero? Certo é que não funcionou e foi uma substituição queimada. E uma vez mais vemos muito potencial a ser queimado, com culpas próprias. Está mais perto de ser o novo Iturbe do que o novo James.

Pausa para as Selecções. Não há equipas que passam de bestiais a bestas, mas é possível passar de jogos bons a jogos maus. Hoje foi um mau dia, coincidente com o desperdício da oportunidade que há muito ansiávamos. Não estamos obrigados a ser campeões, mas quem veste a camisola do FC Porto está obrigado a suar sangue por esse objectivo. Não fizemos a segunda parte, então ficamos mais distantes da primeira. Dia 2 há nova visita à Madeira. Nem quero saber da Taça da Liga: quero é que corrijam a miséria que têm sido os jogos do FC Porto na Madeira. Quem os viu na Madeira a festejar... Nós é que já não lá festejamos há um bom bocado. Já é hora, FC Porto.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Muito, pouco e suficiente

Nos últimos 33 anos, só por duas vezes o FC Porto ganhou por mais de um golo no Bessa. Hoje foi a segunda. E nesse espaço de tempo, o FC Porto só ganhou 1/3 dos jogos no Bessa. Os que ganhou, foram sempre em dificuldade. Como hoje.

Sem 4 titulares, com mais duas mudanças nas alas, num relvado de borracha, contra uma equipa que faz da sua defesa o ataque às canelas e confirmado-se o que já se esperava de Hugo Miguel (é dos árbitros com critério mais largo no campeonato e ia sempre tentar deixar jogar). Todas as condições reunidas para um jogo difícil, ou não se tratasse de um derby. O resultado são 3 pontos, mais saborosos do que elogiosos, e a felicidade de ninguém se ter aleijado ali (tanto Benfica como Sporting ficaram ali sem jogadores, por exemplo). Não podíamos falhar e não falhámos, mesmo já tendo tido resultados piores com exibições bem melhores.





Ricardo Pereira (+) - Mais uma vez uma garantia de qualidade. Excelente toque de bola, grande disponibilidade ofensiva e é o movimento de ruptura dele que dá origem ao primeiro golo. Cruza cada vez melhor e chega a ser surpreendente que este tenha sido apenas o seu 2º jogo no campeonato. Merecia jogar mais, mas não é qualquer um que tem a honra de ser a alternativa ao lateral direito mais cobiçado do mundo. A alternativa de hoje e o sucessor de amanhã, assim o esperemos.

Ruben Neves (+) - Não tem ainda a capacidade de choque de Casemiro, nem é tão forte no jogo aéreo, mas no que toca ao início de construção e à qualidade de passe está muito acima. Teve o azar do meio-campo hoje ter estado mal até à saída de Quintero, mas não deixou de fazer um bom jogo, fez várias aberturas para os flancos e não deixou o Boavista criar nenhum lance de perigo pela zona central.

Tello (+) - Com objectividade e simplicidade é tudo mais simples. No primeiro golo ultrapassa o defesa, ganha a linha e lê a movimentação do ponta-de-lança (Jackson também excelente a ganhar a posição). No segundo vê Brahimi desmarcado e faz a segunda assistência. É o jogador com mais assistências no FC Porto. Já são nove, praticamente 1/4 do total. Este Tello dava um jeitaço para Domingo (e para o resto da época).

Nova solução (+) - Brahimi é o jogador do FC Porto que mais arrasta marcações e a sua capacidade de progredir com bola ajuda a disfarçar as dificuldades no jogo interior. Enquanto não há Óliver, pode ser uma excelente solução para jogar atrás de Jackson, isto em jogos contra autocarros e contra equipa que entregam o meio-campo ao FC Porto. Os próximos 3 jogos serão difíceis e equilibrados, mas em fases de aperto, como hoje, é claramente uma opção a ter em conta. Nota positiva ainda para Ángel e Marcano. 





Zangado com o mundo (-) - Foi a primeira oportunidade de Quintero no lugar de Óliver. Sejamos justos, o FC Porto adaptou-se muito mal ao sintético (Herrera, Jackson, Quaresma, tudo jogadores com dificuldades neste piso) e este foi um jogo com circunstâncias particulares. Mas o que se viu de Quintero foi demasiado pouco. Um bom passe a isolar Jackson... e mais nada. Foi prejudicado pela dinâmica da primeira parte (que sentido faz ter que ser o 3º médio, logo o mais criativo, a baixar para a primeira linha de construção?), mas esconde-se demasiado do jogo, movimenta-se pouco sem bola e são poucas as ocasiões em que combina com os flanqueadores. Não foi um bom teste, apesar das circunstâncias pouco favoráveis.

Cruzar para quem? (-) - Contei pelo menos 21 cruzamentos de Ricardo, Quaresma ou Angel. Não houve um único em que o FC Porto tivesse alguém a cabecear. Herrera apareceu muito pouco na grande área, o segundo extremo poucas vezes surgia ao segundo poste e Jackson não chega para tudo. Para uma equipa que explora tanto os corredores, o FC Porto tira pouco proveito na hora de cruzar. O lance em que conseguimos meter 5 homens na grande área em bola corrida, coincidência ou não, deu golo. As críticas à dificuldade de jogo interior são as mesmas, mas desta vez nem Quintero as disfarçou (noutros jogos já foi várias vezes solução).

A rever (-) - Maicon não acertou uma abertura para o flanco. A partir do momento em que temos Marcano, o central que melhor constrói, e Ruben Neves a 6, nada justifica tanto pontapé de Maicon. Depois, é preciso apostar na capacidade de meia-distância desta equipa. São muito poucas as tentativas de remate à entrada da grande área (felizmente Brahimi não caiu na tentação de lateralizar mais um pouco). Hernâni foi ao encontro das expectativas, o seu futebol terá que levar uma formatação enorme para ser opção no FC Porto (o minuto 24 foi ilustrativo: correu de uma baliza à outra, depois apareceu-lhe a linha de fundo à frente e a bola... foi-se), mas ao levar tanta porrada e estrear-se num sintético não era fácil. Quaresma e Herrera abaixo do que era preciso para o clássico de hoje... e para o clássico de Domingo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Presente e futuro

As opções de Lopetegui, sobretudo a maneira como recorreu ao banco no Rio Ave x FC Porto, mostraram desde o primeiro jogo que a Taça da Liga era para ganhar. Mas mesmo tendo feito uma fase de grupos quase irrepreensível e conseguido o apuramento para as meias-finais, mostrou sobretudo como se gere um plantel: geriu o esforço dos jogadores nucleares, deu espaço às segundas linhas para se mostrarem e ainda mostrou um pouco daquilo que a formação tem para oferecer. Uma boa gestão na Taça da Liga, que nos vai levar a um campo onde temos que corrigir a imagem deixada há bem poucos dias.

A Académica é uma equipa frágil, e não havia outro remédio que não vencer tranquilamente, mas a primeira e última meia hora mostraram a profundidade, potencial e qualidade que há no plantel. Um meio-campo forte na circulação, um ataque nem sempre eficaz mas constantemente perigoso, e um banco a oferecer soluções e dores de cabeça a Lopetegui.

Afinal, a Taça da Liga não é assim tão inútil. Já tínhamos concordado com isto em Braga, mas não capitalizámos essa revolta na Madeira. Mas vale a pena insistir, não é assim tão inútil: ver os golos do Jackson e do Gonçalo já valeu bem a pena.





O mestre e o aprendiz (+) - É o melhor marcador da história do Dragão, e conseguiu esse feito em apenas 2 anos e meio. Comecem a contar os anos, pois há-de faltar muito tempo até que alguém o supere. No primeiro golo é oportunista e eficaz, no segundo marca um golo à Ibrahimovic. Qual Ibra, marca é um golo à Jackson! Ponta-de-lança de eleição, que há-de deixar muitas saudades, com 23 golos em 27 jogos esta época.

E depois de Jackson Martínez, Gonçalo Paciência. Quando O Tribunal do Dragão foi criado descrevia-o como o melhor avançado português sub-21 e o futuro titular da selecção A. E ele não precisou de muito tempo para mostrar porquê. Questionam como é que um miúdo tem a ousadia de fazer uma finta daquelas na estreia no Dragão. Ele explicou no final: «Estou cá há 14 anos». Não são 14 dias, são 14 anos. Está cá desde os 6 anos e não conhece outro clube que não o FC Porto, nunca teve outra vida que não a de um portista. É um avançado completo a todos os níveis, que se estivesse no estrangeiro já era considerado o novo Ibrahimovic. Tem tudo para ser o nosso 9. Ou quase tudo, pois falta-lhe uma coisa importante: oportunidade. Lopetegui já começou a inverter o rumo, para alegria nossa. Já agora: um golo de canto!!!!!!!!

Meio-campo (+) - O nosso espaço interior vinha servindo como um meio (distribuir para os corredores) e não como um fim (construir na zona central). Hoje inverteu-se essa tendência. Rúben Neves continua a ter uma evolução impressionante e percebe-se o porquê de Lopetegui também querer soltá-lo para 8 - é um médio completo em todos os momentos do jogo, com presença física, orientação e passe exímios. E hoje fez a melhor exibição ao lado de Campaña, que vive uma intranquilidade maior que os colegas - não só tem que lutar para ganhar o lugar no 11 como tem que lutar para ganhar um contrato no FC Porto; uma coisa é um emprestado jogar sabendo que tem uma «almofada» chamada Real Madrid ou Barcelona, outra é ter a Sampdoria. Do pouco que vimos, vai surpreendendo. E Evandro, mais uma vez a mostrar que é um grande complemento ao meio-campo e com veia goleadora: 4 golos nos últimos 5 jogos. 3 golos de penalty, é certo, mas cá no burgo isto quase que soa a proeza.

Cabeça levantada (+) - Há uma lacuna no modelo de Lopetegui, que é a dificuldade em encontrar um gajo que pegue na bola entre os médios e a linha defensiva adversária, encare a grande área e decida para onde vai sair o último passe. É por isso que dizem tanto que falta jogo interior ao FC Porto e que estamos tão dependentes das investidas pelos flancos - como os médios não assumem esse espaço entre-linhas, quase que são meros intermediários para mandar as bolas para os flancos Hoje Quintero entrou. E consegue uma, duas, três, quatro e cinco vezes receber a bola, virar-se para a grande área e meter os colegas na cara do golo. Uma jogatana do miúdo, finalmente com oportunidade para jogar como 3º médio - faz sentido no Dragão, sobretudo contra as Académicas que jogam para o ponto. Uma solução que merece mais tempo em campo, mas Quintero também tem que fazer por o merecer. Hoje fê-lo, e bem.

Outros destaques (+) - Marcano. É o nosso central mais forte no passe longo, consegue acelerar o jogo em 3 ou 4 metros e não sendo muito rápido tem grande sentido posicional e impulsão. Dizem que não pode jogar sempre com Indi, por haver 2 centrais canhotos. Continuo sem perceber como é que 2 destros podem jogar juntos, mas quando há 2 canhotos já é um problema. Rotinas, meus caros, tudo depende de rotinas e de tanto Indi como Marcano saberem como se devem posicionar para receber e para onde distribuir. Somou pontos para a titularidade, mesmo que no próximo jogo Indi não vá jogar.

Ricardo, desta vez a extremo. Raçudo, rápido, com alguma dificuldade em chutar ou cruzar de primeira mas com enorme disponibilidade. Mais prático que Tello e Quaresma a decidir, apesar de ser claro que lhe falta tempo de jogo na posição e maior imprevisibilidade no 1 para 1. José Ángel ia borrando a pintura em 2 lances (baixou muito o rendimento na segunda parte), mas na primeira parte superou o que temos visto de Alex Sandro em velocidade, profundidade, passe interior e cruzamentos. Temos dois bons laterais esquerdos. Um que tem mais potencial, estatuto e valor do que outro; e outro que apesar de ser underdog tem rendido mais e mostrado mais vontade. Não é preciso dizer quem. Reyes fez um jogo competente, resta saber nos próximos dias se o último.





Um ataque, um golo (-) - Quinto jogo consecutivo a sofrer golos. E não é nenhum acidente. Pode acontecer uma ou duas vezes e dizer que é azar. Agora, jogo após jogo ver adversários que só precisam de ir uma ou duas vezes à nossa baliza para fazer golo já não é azar, é desconcentração e displicência defensiva. Pior ainda, estamos habituados a sofrer pelo menos um golo contra equipas que passam o jogo todo à defesa. Então imagine-se quando será quando apanharmos uma equipa que queira jogar no nosso meio-campo. Nem todos os dias serão dias de São Helton...

Dois meses a seco (-) - No período em que precisávamos do melhor Tello, pela ausência de Brahimi, torna-se cada vez mais difícil perceber quem é este rapaz que veio de La Masia e que no início da época esperávamos ser o extremo match-winner que Paulo Fonseca nunca teve. Uma, duas, três, quatro vezes na cara do colo e mostra imaturidade, precipitação e displicência a finalizar. Tello é um avançado interior, que procura a baliza em vez da linha. Isso devia implicar que tivesse um mínimo de eficácia, mas isso não tem acontecido. Tello e até Quaresma, sendo os extremos titulares do FC Porto, fazem muito poucos golos. Isso acresce a responsabilidade de Jackson e força o meio-campo a ser produtivo (e daqui até se chega à crítica habitual a Herrera, excelente a aparecer no espaço mas pouco eficaz a finalizar). Comparem quantos golos marcam os extremos de Benfica e Sporting ao número de golos marcados pelos do FC Porto. Está há 2 meses sem fazer uma grande exibição pelo FC Porto. Só o estatuto e a crença de que possa vale algo mais é que lhe têm dado a titularidade.