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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Uma conversa entre Mística e Cifrão

Mística - Um dia triste para o Futebol Clube do Porto...

Cifrão - Calma, Mística, que eu tenho uma coisa para te animar: vendemos um suplente por cerca de 18 milhões de euros! Não é incrível?

Mística - Essa é a tua alegria, Cifrão? O menino que deliciava os adeptos aos 17 anos, que carregou a braçadeira de capitão aos 18 e que foi apresentado pelo próprio presidente como o sucessor de João Pinto, é descrito por ti como o «suplente»? Isso leva-me a pensar em todos os outros grandes negócios que perdemos por não termos vendido suplentes como João Pinto, Jaime Magalhães ou Domingos. 

Cifrão - Percebe uma coisa, Mística. O Rúben Neves estava há 3 anos a trabalhar com o plantel principal. Só se revelou com Lopetegui, e mesmo assim, assim que Casemiro esteve pronto, Lopetegui não mais prescindiu dele. De resto, Rúben Neves nunca esteve perto de ser um titular indiscutível...

Mística - É esse o problema dos talentos precoces. Tu, Cifrão, e tantos outros esquecem-se que esta foi a primeira época de sénior de Rúben Neves. A primeira!

Cifrão - E então? Diz-me lá: achas que Rúben Neves foi mais importante na posição 6 do que foram Paredes, Costinha, Paulo Assunção ou Fernando? Não brinques, Mística, há que ser pragmático: o Rúben Neves sai por mais dinheiro do que todos estes juntos, sem ter feito um terço do que esses fizeram!

Mística - Curioso que fales desses nomes, Cifrão. Rúben Neves tem 20 anos feitos em março. A mesma idade com a qual Paredes era suplente do Olimpia e Paulo Assunção do Palmeiras. Costinha estava no Oriental. Fernando chegava do Brasil para ser emprestado ao Estrela da Amadora. Por alguma razão, muitos esperavam que Rúben Neves fizesse o que poucos fizeram no FC Porto: ser titularíssimo aos 20 anos. 

Cifrão - Percebe uma coisa, Mística. Com a saída do Rúben Neves, é possível segurar o Danilo Pereira! E tens que concordar que, neste momento, o Danilo não só é o melhor 6 do futebol português como assenta que nem uma luva na descrição de jogador à Porto! O que é melhor: sair o Rúben ou o Danilo?

Mística - É aí que erras, Cifrão. Noutros tempos, o FC Porto pensaria no Rúben Neves como o sucessor de Danilo, em vez de estar a pensar em vender o Rúben Neves para segurar o Danilo. O que vemos é Rúben Neves a pagar a fatura dos erros da administração da SAD do FC Porto, cujo responsável financeiro dá passadas largas para meter os tempos áureos do Sporting de Godinho Lopes no bolso. 

Cifrão - Sê realista, isto é negócio! Imagina que o Rúben passava mais uns meses no banco, ou que se lesionava? Já não havia negócio para ninguém!

Mística - Bem, nesse caso é melhor vender já todo o plantel, não vá alguém lesionar-se na pré-temporada. Após tanto termos condenado a teia da qual a formação do Benfica e Jorge Mendes fazem parte, queres rejubilar com esta venda do Rúben Neves, que sai por pouco mais do que um tal de Hélder Costa?

Cifrão - E então? Imagina lá o que devem preferir os benfiquistas: ter um plantel com Bernardo Silva, João Cancelo e Hélder Costa ou serem tetracampeões? Queremos jogadores ou títulos?

Mística - Não é uma questão de jogadores vs. títulos, pois estás a comparar meios com fins. Rúben Neves é o tipo de jogador que ajudaria o FC Porto a ganhar troféus. Neste caso, sai muito antes de poder meter as mãos num caneco. Outrora, os jogadores cumpriam o ciclo de valorização, que coincidia com a conquista de títulos, antes da saída; agora saem antes de conquistar títulos e muito antes de atingirem o seu pico de valorização. Não é por acaso que o FC Porto nunca se preocupou em vender Fernando, Paulo Assunção ou Costinha num pico de valorização: eram jogadores que interessavam mais desportivamente do que financeiramente.

Cifrão - Mas talvez nunca nenhum desses jogadores tenha tido a proposta que teve Rúben Neves, senão também teriam saído. Insisto, o Rúben Neves está a sair por mais dinheiro que todos os grandes médios defensivos que tivemos, e não teve metade da importância que cada um desses teve! Como pode isto ser um mau negócio?

Mística - É um mau negócio não pelo rendimento que Rúben Neves teve na equipa principal, mas por aquele que já não o vão deixar ter. Não estamos a falar de um jogador com talento que podia resultar ou não, de um sul-americano que precisa de um longo período de adaptação ou de um jogador a precisar de evoluir taticamente. Rúben Neves estava pronto e preparado para render mais. Poderia até haver compatibilidade com Danilo no meio-campo.

Cifrão - E quem deixava de jogar? Temos variadas opções para o meio-campo, desde Óliver a Herrera...

Mística - O mesmo Herrera por quem rejeitaram 30 milhões de euros para agora estar a vender Rúben Neves por pouco mais de metade? Questiono esta lógica de gestão. Rejeitam 60 milhões por André Silva para depois o vender por 38. Rejeitam 30 pelo Herrera para depois vender Rúben Neves por cerca de 18. 

Cifrão - Sabes, o FC Porto não comanda todo o mercado... Pode haver uns meses em que uns clubes estão a oferecer mais, outros em que oferece menos. Infelizmente, a SAD tem que decidir no momento, enquanto os adeptos têm a facilidade de poderem mudar de opinião de um mês para o outro, dependendo do momento de forma de cada jogador. 

Mística - Mas o que decide a SAD? Até agora, a única coisa que se viu foi Jorge Mendes a levar dois dos seus jogadores, Rúben Neves e André Silva, e Sérgio Conceição com zero reforços. Que fez a SAD no meio destas operações? Já sei. Deu 10% do passe de André Silva (ou 10% da mais-valia - os jogadores da formação geram sempre mais valias mais elevadas, por não haver direitos de formação a pagar a outros clubes) a António Teixeira, quando a Promosport nem o representava. E sobre Rúben Neves? Deu 5% ao irmão de Adelino Caldeira, além de lhe ter pago 225 mil euros só pela renovação e uma soma de 100 mil euros por 20 jogos disputados. Sendo que José Caldeira podia ganhar mais 5% dependendo da concretização de uma proposta. A isto junta agora as comissões que Jorge Mendes vai receber das duas vendas. De facto, isto tem sido uma trabalheira para a SAD. 

Cifrão - Eh pah, outra vez a falar nisso? Preocupa-te é com os e-mails e com os esquemas de corrupção a envolver o Benfica. Temos que apontar as armas para fora, não é para dentro!

Mística - Sabes, Cifrão, por mais graves que as práticas do Benfica sejam, isso não vai resolver os problemas do FC Porto internamente. Continuamos a ter graves problemas financeiros, continuamos a ter o fair-play financeiro à perna, continuamos com problemas na gestão de ativos do plantel. Nada, nada dos problemas internos do FC Porto mudou com a divulgação dos e-mails. A não ser que a Gmail seja apresentada como reforço e que garanta 30 golos esta época, desportivamente, não te iludas: isto não muda nada no FC Porto, apenas condiciona o modus operandi do Benfica dos últimos 4 anos. Se acham que a única forma de fortalecer o FC Porto é enfraquecendo o Benfica, isso constata que se preocupam mais com a casa dos outros do que com a nossa. Não me parece o caminho correto.

Cifrão - Inacreditável. Repara, com as saídas de André Silva e Rúben Neves, devemos garantir uma mais-valia acima dos 40/45 milhões de euros com dois jogadores que não estavam a ser, sequer, titulares indiscutíveis! Num passado bem recente, era normal o FC Porto vender dois ou até três titulares por época. E a máquina funcionava! Já vendemos melhores por bem menos! Neste caso, não sai nenhum titular verdadeiramente indiscutível, e ainda assim queixam-se?

Mística - Sim, pois estas vendas são consequências de erros gravíssimos de questão. A forma como têm relativizado o falhanço do fair-play financeiro é altamente preocupante. Eu ainda me lembro de ouvir Fernando Gomes dizer, no início de 2016, que o contrato com a PT ia permitir «gerir o FC Porto de outra forma». É esta a forma de que falavam? Desde então, o que fizeram? Apresentaram o maior prejuízo da história da SAD, de quase 60 milhões de euros; falharam o FPF; venderam Rúben Neves e André Silva em saldos (atenção, não digo que os 38 milhões tenham sido maus, não foram - mas se o presidente diz que antes rejeitou 60 milhões por ele, então não foi o melhor negócio possível), e já cometeram a proeza de antecipar 57 milhões de euros do contrato com a PT, que só devia começar em junho de 2018. São pelo menos 12,5% já utilizados de um contrato que só arrancava dentro de um ano. Os treinadores vão saltando e os responsáveis por este caos seguem imaculados. 

Cifrão - Não te desvies do essencial, Mística. Para a história, fica que vendemos um suplente por 18 milhões de euros. O mais próximo disso ter acontecido foram as vendas do Imbula e do Iturbe, que não permitiram grandes mais-valias mas cujo bolo total foi bem apetecível. A venda de Rúben Neves foi ainda melhor. Concluo, o FC Porto está mais rico.

Mística - Não, Cifrão. O portismo está mais pobre. 

sábado, 1 de julho de 2017

Lembrete






«Espero que ele fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto». Pinto da Costa dixit

Com uma mera e pequena nota a acrescentar: imaginem que João Pinto, no seu 2º ano de futebolista sénior, tinha sido posto a andar do FC Porto. Não haveria João Pinto a levar pedrada no Jamor; não haveria João Pinto agarrado à orelhuda em Viena; não haveria João Pinto a jogar, às escondidas, com um dedo do pé partido; não haveria João Pinto para levantar a Intercontinental e a Supertaça Europeia; não haveria o histórico e marcante capitão que ganhou 9 campeonatos, que se tornou recordista de jogos e que meteu as mãos em 24 troféus ao serviço do FC Porto. Imaginem. 

Poderia, algum dia, Rúben Neves ter um percurso idêntico ao de João Pinto? Podemos nunca vir a saber. Tudo dependerá de quanto (ainda) vale a palavra de Pinto da Costa.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dois golpes pela metade

Um grande jogo? Não, de todo. Um jogo em que a vitória esteve em risco? Também não. Uma vitória que acabou por ser natural e justificada? Sim. Primeira parte deplorável, como muitas outras, segunda parte com qualidade revelada a espaços. Em dose suficiente para ganhar em Chaves, mas dificilmente suficiente para colmatar a falta de consistência que vale campeonatos.

Sobressaiu o facto de o FC Porto ter jogado com um meio-campo bem diferente daquele que seria, à partida, o preferencial no início da época (Danilo, Herrera e Óliver), e da vitória ter nascido precisamente através das unidades de meio-campo, com André André em particular destaque e a reviver o momento de forma que chegou a ter em outubro/novembro de 2015. 

Já não há grande margem para sonhar com o título, mas a luta mantém-se de pé até ao final.




André André x2 (+) - A vitória deve-se a dois momentos de André André no jogo. Primeiro, por ser capaz de se adiantar na linha de pressão sobre o portador da bola. Os momentos que antecedem o 2x0 são sugestivos: o FC Porto tem 6 jogadores nos últimos 20 metros! Isto é algo que tem faltado desde o início da época: soluções à entrada da grande área.

André André tem Soares a correr para a marca de penálti, mas tem também quatro soluções livres de marcação ao lado: tem Corona aberto na linha, Jota no eixo, Otávio a dois metros e ainda tem Rúben Neves na meia direita para entrar na grande área. Entre todas estas opções, optou pelo remate, ao qual a sua posição e enquadramento também convidavam. 

No lance do 2x0, um exemplo de como é questionável a forma como os avançados do FC Porto têm sido usados. Mas antes, um lance que também tem faltado esta época: um médio a aparecer em zonas de finalização servido por um outro elemento do meio-campo. Grande passe de Otávio, desmarcação inteligente de André André. Mas repare-se que Soares, logo antes do passe de Otávio, está completamente sozinho... encostado junto à linha. Não está a arrastar nenhum defesa, não está numa zona de perigo, não está na jogada. Os otimistas dirão que estava a abrir espaço na zona central para André André entrar. Como, se não tirou de lá nenhum defesa? Felizmente, a pintura de Otávio e André neste lance foi letal. Caso contrário, seria mais um exemplo de que nada vale ter um finalizador se ele não estiver em zonas de... finalização.


Rúben Neves (+) - É um clássico, uma repetição em todos os jogos em que Rúben joga no lugar de Danilo: Danilo tem coisas que Rúben não tem, mas Rúben dá outras coisas ao jogo. Maior capacidade de circulação, mais toques e passes na bola, maior amplitude no momento da saída e algumas tentativas de meia distância. É certo que Rúben não ganhou nenhum lance de cabeça, mas ainda assim teve 16 assinaláveis intervenções defensivas que ajudaram a manter a baliza de Casillas a seco. 




Um clássico de primeira (-) - Nos últimos 7 jogos, o FC Porto saiu para o intervalo a vencer em dois. Contra o Setúbal, com um belo golo de Corona aos 45+1' num momento de inspiração individual, e contra o Belenenses, por Danilo, numa bola parada. Dois golos específicos e que disfarçaram, na altura, primeiras partes em que o FC Porto revelou inúmeras dificuldades para criar lances de perigo, para jogar de forma organizada e orientada na procura do 1x0. Um futebol sem ideias, sem ambição, sem querer procurar a vitória desde o primeiro minuto. Algo que vai-se tornando numa imagem de marca desta equipa, incapaz de jogar bem em primeiras partes - e muitas vezes sem conseguir recuperar do prejuízo nas segundas.

Já agora fica o aviso: o jogo contra o Marítimo terá, à partida, 90 minutos. Jogar apenas 45 tem tudo para correr mal. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Tondela não merecia isto

As críticas foram bem audíveis nos últimos dias. E trata-se, de facto, de uma grande injustiça. O Tondela, na visita ao estádio de um grande do futebol português, perdeu por 4-0. Mas o problema não esteve apenas no resultado final, mas em dois lances nos quais o Tondela foi claramente prejudicado.

Falamos de um penalty e de uma expulsão, imerecidas e injustificadas, que acabaram por prejudicar o Tondela no jogo em causa. Jogar no estádio de um grande do futebol português já é, por si só, complicado. Mas quando a equipa da casa beneficia de um penalty mal assinalado, e vê um jogador do Tondela ser mal expulso, só se pode lamentar o tratamento de que o Tondela foi alvo.

Passando às imagens, o lance em causa é este:


Neste lance, André Almeida não sofre qualquer falta de Pica na grande área. Não havia grande penalidade a favorecer o Benfica, nem o Tondela ficaria sem um dos seus defesas. O Benfica acabou por vencer por 4-0. Venceria de qualquer maneira? Certamente. Mas custa sempre ver um clube modesto, como o Tondela, ser assim prejudicado pela arbitragem em casa de um grande. Felizmente, Gilberto Coimbra, presidente do Tondela, reagiu de pronto a esta injustiça...

Hmm, afinal não. Criticou o Sporting e o Jorge Jesus depois de ir a Alvalade e queixou-se imenso da arbitragem agora que o Tondela perdeu com o FC Porto, também por 4-0. Contra o Benfica, por incrível que possa parecer, Gilberto Coimbra não se lembrou de condenar a arbitragem.

De certeza que não terá nada a ver com isto.


No que diz respeito ao FC Porto, uma vitória sem sobressaltos, ainda que não há-de ser sempre que, no espaço de 3 minutos, a equipa beneficie de um penalty e uma expulsão, momentos que certamente ajudaram a que, na segunda parte, o 4x0 até tenha sido pouco para todas as ocasiões que a equipa construiu. 

53 pontos em 22 jornadas, um saldo bastante positivo e acima das expetativas, sobretudo tendo em conta que, nas últimas 12 épocas, só por 3 vezes o FC Porto tinha mais pontos nesta fase: no segundo ano com Jesualdo Ferreira, na época com Villas-Boas e na segunda época com Vítor Pereira. Três épocas que acabaram em festa nos Aliados. Se há momento para acreditar é este, independentemente do que se passar na eliminatória com a Juventus.




Rúben Neves (+) - Tem que haver algo de extraordinário para Rúben Neves não ser titular no FC Porto. E há: chama-se Danilo Pereira, imprescindível pelo que acrescenta à equipa. Mas Rúben Neves tem a capacidade de dar ao meio-campo do FC Porto uma qualidade de circulação de bola, de amplitude de jogo e de cabecinha a construir (sem Óliver em campo, a sua importância neste aspeto foi ainda maior) incomuns.

Um exemplo. Nos últimos 4 jogos, Danilo Pereira fez 36 passes no meio-campo adversário. Rúben Neves, que joga na mesma posição, fez mais contra o Tondela. 

Rúben Neves vs. Tondela
São jogadores de caraterísticas muito diferentes, o que ajuda a explicar a diferença. Mas Rúben Neves tem essa capacidade: de empurrar a equipa para os últimos 45 metros. O facto do Tondela ter jogado com 10, e ter deixado de pressionar tanto, ajudou a essa subida, claramente, mas é uma capacidade intrínseca no futebol de Rúben Neves: obriga todas as linhas a subir, pela forma como circula a bola. Defensivamente, também não esteve longe do rendimento habitual de Danilo, com 19 ações defensivas, entre recuperações, desarmes e intercepções. O único problema de Rúben é este: só podem jogar 11 de cada vez. Mas pode ter o que nem todos tiveram: muitos anos de FC Porto pela frente.


André André (+) - O seu melhor jogo esta época. Esteve literalmente por todo o lado, impecável no passe (93%), recuperou várias vezes a posse no meio-campo adversário e manteve, em sintonia com Rúben Neves, a equipa equilibrada no meio-campo na transição defensiva. Uma exibição a fazer lembrar o seu grande momento de forma em outubro/novembro de 2015, tamanho que foi o pulmão que foi capaz de mostrar em campo.

André André vs. Tondela
A capacidade de criar (+) - Sim, jogar em superioridade numérica, contra uma das equipas com maiores fragilidades do campeonato, ajuda. Mas foi um dos jogos em que o FC Porto mais capacidade teve de levar a bola a zonas de finalização. Foram efetuados 18 passes que deixaram um colega em situação privilegiada para atirar à baliza e fazer jogo. Foi o recorde desta época, também com grande destaque para o número de entradas na grande área do Tondela (51). Dos 24 remates, 15 foram feitos dentro da grande área do Tondela, o que mostra a facilidade para criar situações de finalização. Além disso, foram efetuados 33 cruzamentos, ainda que desses só 8 tenham tido seguimento direto na grande área. Quando se cria oportunidades desta forma, ninguém terminará o jogo a lamentar a ineficácia: no meio de tantos lances, pelo menos um há-de entrar.

Outros destaques (+) - Mais dois golos para a dupla André Silva/Soares, a revelar um bom entendimento - Soares mais fixo no eixo central, André Silva sempre mais recuado e a cair muitas vezes nas faixas. O golo de Soares foi uma delícia de finalização, a colocar a bola onde quis. Já leva 4 jogos em 3 jogos, uma excelente média - os «dois pares de golos» que se pediam para ajudar o FC Porto na luta pelo título podem já estar feitos -, embora haja ainda muita coisa para melhorar quando é forçado a ir para o 1x1 (foi o único, a par de Rúben Neves, que não fez nenhum drible - não que tenha precisado para marcar) e na forma como tem que perceber as movimentações dos colegas (algo que o levou a ser o jogador com mais perdas de bola em campo). 

Há ainda a destacar que, dos 10 remates que André Silva e Soares fizeram, nove foram efetuados dentro da grande área. Ou seja, a bola está a chegar à grande área e aos pontas-de-lança. Quando assim é, tudo é mais fácil. Palavra ainda para um bom jogo de Corona.




A rever (-) - Os golos e a superioridade numérica na segunda parte ajudam a que isso se «esqueça», mas no primeiro tempo foi nítido, uma vez mais, o fosso que é criado entre o meio-campo e a linha avançada. Faltava muitas vezes alguém para ir receber a bola entre linhas e uma referência no eixo central. André André tinha limites para subir, pois só sobraria Rúben Neves no meio-campo, e Otávio aparecia poucas vezes em zonas interiores. Jogar com apenas dois médios obriga a uma disciplina e versatilidade na dinâmica da equipa que o FC Porto, com estas unidades, ainda não revelou da forma desejada. Isto provocou, algumas vezes, um desequilíbrio na zona central, algo que poderia ter sido muito perigoso - aos 30 minutos já tínhamos os centrais e o médio defensivo amarelados.

Quando se criam muitas oportunidades, a bola acaba por entrar. Mas a forma como foram desperdiçadas várias ocasiões, com André Silva, Soares e Otávio à cabeça, não é coisa para se repetir. Foram ocasiões que, falhadas noutro jogo qualquer, poderiam ter custado caro. Como por exemplo contra a Juventus.

domingo, 21 de agosto de 2016

André Silva resolve, mas não disfarça tudo

Soube bem. Uma daquelas vitórias em que a qualidade pode só aparecer as espaços, mas que não deixou dúvidas quanto ao empenho e luta da equipa. Desde 2004, o FC Porto ganhou sempre o primeiro jogo da época em casa no campeonato. A última equipa a impedir isso foi o... Estoril, com um 2x2 no Dragão, resultado que envergonhou toda a gente, inclusive um banco de suplentes que tinha Quaresma, Raúl Meireles, Derlei e McCarthy. Comparando com o banco de ontem, certamente dará que pensar. Já lá vamos.

O FC Porto nem sempre jogou bem, mas teve o caudal ofensivo suficiente para justificar a vitória. Cruzou, rematou, pressionou, poucas vezes deixou o Estoril contra-atacar e coube a André Silva mostrar que o FC Porto, mesmo em dias não tão bons, pode contar com ele. Mas depender sempre dele, não. Para bem do FC Porto e do próprio André Silva. Segue-se o dificílimo jogo em Roma e a não muito menos complicada visita ao Sporting. Na antecâmara a esses desafios, a vitória contra o Estoril deixou claro que vamos ter um FC Porto lutador e combativo, mas com opções manifestamente curtas para esperar - ou poder exigir - vitórias que não se vêem desde 1996 (no caso de Itália) ou desde 2008 (no caso de Alvalade). A história existe para ser contrariada, mas sem condições bem podem rezar a todos os Espíritos e Santos. 





Miguel Layún (+) - É impressionante a capacidade de Layún, o lateral, conseguir criar mais situações de golo do que Corona, Varela e Adrián juntos. Tentou 4 vezes o remate, mas destacou-se novamente sobretudo nas assistências, ao fazer 8 passes/cruzamentos para zonas de finalização. Com ele, o FC Porto tem sempre um dínamo constante na asa esquerda, que nunca deixa que a equipa adormeça. Porque perdeu prontamente a titularidade para Alex Telles, só Nuno Espírito Santo o poderá explicar. A intenção de meter os laterais a procurar mais a linha e menos o espaço interior pode ajudar a justificar. Então que faz a Layún? Com 20 metros de corredor pela frente, puxa para dentro, cruza a partir de zona interior e mete a bola redondinha para André Silva fazer o resto. Que se lixe a profundidade, que se lixe a linha. Layún cruza de onde quer e para onde quer. E assim o FC Porto ganhou o jogo.

André Silva (+) - Há quem diga que teve uma noite má. Bom, o que foi a noite má de André Silva? Foi o único capaz de meter uma bola no fundo da baliza do Estoril, marcou pelo 5º jogo oficial consecutivo e garantiu 3 pontos para o FC Porto. Se fez isto numa noite má, mal podemos esperar para ver o que fará em noites boas. Dito isto, é claro que André Silva tem que melhorar a receção (sobretudo orientada - veja e revela vídeos de Jackson quando estava no FC Porto) e decidir melhor no 1x1, mas lá está: é um ponta-de-lança que está sempre, sempre presente. Movimenta-se sempre bem e está sempre à procura da bola, sem que com isso o FC Porto deixe de sentir que tem uma referência na grande área. Se é certo que Layún cruzou a bola redondinha, André Silva foi inteligente a antecipar-se e a atacar o espaço. Um belo golo.


Rúben Neves (+) - Durante anos, houve uma teoria que dizia que o FC Porto perdia muito quando usava Fernando nos jogos em casa. Há quem diga o mesmo de Danilo Pereira, como se o médio mais recuado ainda fosse, aos tempos de hoje, o trinco que só tem que dar sarrafada, cortar a bola e jogar simples para o colega mais próximo. Basta comparar quantos golos o FC Porto sofria no Dragão com Fernando e quantos passou a sofrer desde que Fernando saiu. Não é certamente a única razão, mas o FC Porto esteve 6 anos sem perder no Dragão, sempre com Fernando como o 6 predileto.

Não é portanto por Danilo Pereira não ser pertinente nos jogos em casa que foi para o banco. Está, isso sim, a acusar o facto de ter tido um período de férias mais reduzido e de ter apanhado a pré-época num ritmo avançado. Para quem não se recorda, Danilo apresentou-se no Olival e dois dias depois Nuno meteu-o logo a titular em Guimarães. Danilo Pereira ainda não está no ponto fisicamente, e Rúben Neves dá todas as garantias para, nos jogos em casa, jogar sem problema na posição 6. E de certeza que não foi por ter chorado, pois pobre do treinador que dá a titularidade a um jogador só porque este jogou.

Rúben Neves jogou porque é uma garantia de qualidade. Não tem a dimensão física, nem o jogo aéreo de Danilo, mas todo o jogo do FC Porto começou e passou pelos seus pés (fez mais de 90 passes). A diferença, que favorece Rúben Neves, é a amplitude que o FC Porto ganha com ele em campo. A bola circula mais, os passes longos saem melhor (embora não tenha deixado de falhar alguns - melhorou muito na segunda parte), e dispensa que a bola passe por 4 jogadores para ir de um flanco ao outro. A abertura para Layún foi soberba. Ele e Danilo não são incompatíveis em campo. Mas estando um ou outro, nunca será por aí que o FC Porto terá menos argumentos para vencer. Pelo contrário. Se falta criatividade, não é por quem está na posição mais recuada do meio-campo, mas sim por quem está à frente.

Ataque constante (+) - Contra a Roma, o FC Porto teve muitas dificuldades em entrar na grande área. Contra o Estoril, mudança completa: dos 17 remates que a equipa fez na primeira parte, 15 foram feitos dentro da grande área. Assim, com tanta capacidade de meter bolas na grande área (algo que tem muito a ver com a utilização de Layún), pode entender-se a preferência por um jogador com o perfil (expressão-chave) de Depoitre. Com tantas bolas a cair na grande área, haverá sempre uma ou duas a serem aproveitadas. O FC Porto fez 39 cruzamentos e beneficiou de 17 pontapés de canto. São muitas bolas a cair na grande área, e André Silva não pode estar em todo o lado. No entanto, há também que criar alguma versatilidade. Por exemplo, a determinada altura Nuno só pedia a Corona para meter a bola na área. Corona esteve sempre a fazê-lo, mas dos seus 14 cruzamentos só 3 foram parar a zonas de remate dos colegas. Ainda assim, com tanto caudal ofensivo, será uma raridade para o FC Porto não fazer golos no Dragão.





Pobreza alternativa (-) - Assim que começou a segunda parte, o FC Porto já não tinha mais opções de ataque no banco. É inqualificável que o FC Porto chegue a este jogo tendo apenas Adrián López como opção de ataque no banco. Tudo isto começa na forma como estão condicionas as opções de Nuno Espírito Santo. Sim, acham mesmo que NES não usa Brahimi ou Aboubakar simplesmente porque não quer? É certo que tem que haver alguma concertação entre o treinador e a SAD. Se o treinador sabe que a SAD precisa de vender Aboubakar ou Brahimi, tudo bem. Mas se assim é, há que dar alternativas ao treinador!

Por exemplo, Vítor Pereira sabia que ia perder Falcao e Hulk. Mas pôde usá-los no início de época. Neste caso, Nuno não utiliza Brahimi e Aboubakar e nem sequer tem alternativas. Crítica, talvez, só por ter preterido Gonçalo Paciência, que não conta para NES desde o início da pré-época. E ontem, sem um único ponta-de-lança como alternativa a André Silva, teria certamente dado muito mais jeito do que Sérgio Oliveira, também ele regressado dos Jogos Olímpicos. Aqui, a responsabilidade é de Nuno. Uma coisa é não ter alternativas em número, outra é tê-las mas achar que a qualidade não chega. Mas se assim é, normalmente aproveita-se o que se tem. 

Há também a questionar os casos de Alberto Bueno e João Carlos Teixeira. João Carlos era o maior criativo dos 3 médios que o FC Porto tinha no banco. Então fica João Carlos no banco para entrarem André André e Sérgio Oliveira, ao mesmo tempo em que o FC Porto fica sem o seu médio mais criativo (Otávio)? Não fosse o golo de André Silva e NES já estaria a receber o seu primeiro enxoval de críticas pelas suas opções táticas. Mas na verdade, o golo não passou pelos médios - foi de Layún para André Silva. As mexidas no meio-campo deixaram muito a desejar. João Carlos Teixeira tem tudo para ser um jogador útil, sobretudo não havendo mais opções criativas disponíveis. Assim, como entender o seu papel, sobretudo diante do possível e agradável regresso de Óliver? E o que dizer de Alberto Bueno? Aqui, são opções do treinador, então NES só pode responder por elas. Mas na ausência de alternativas a Aboubakar e Brahimi, a responsabilidade é da SAD. 

O único avançado ontem disponível como alternativa era um jogador que, há um mês, estava dispensado na equipa B. Se o FC Porto quer lutar pelo título e ir à Champions, não pode apresentar uma pobreza tão grandes a nível de alternativas. Em quantidade e qualidade. 

Silvestre (-) - Nunca houve treinador do FC Porto que não gostasse de Varela. Foi assim com Jesualdo, Villas-Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca. Até Lopetegui o queria muito no arranque para 2014-15. Em 2015-16, percebeu que já não era o extremo que idealizava. E Nuno, com os 45 minutos de ontem, arrisca muito bem concluir o mesmo. Admita-se, não fez sentido nenhum Varela fazer uma pré-época (maioritariamente) a lateral para ontem jogar a extremo. Mas Varela já não é aquele extremo de rasgo, capaz de galgar metros com bola, evitar um ou dois defesas e criar lances de perigo. Varela é cada vez mais um extremo de apoio, por a velocidade já não ser a de outros tempos. Mas jogando em apoio, Varela tem que fazer várias coisas: segurar bem a bola, solicitar o lateral pelas suas costas, ter critérios nos cruzamentos para a grande área e saber procurar os médios no espaço interior. Ontem não fez nada disso. Assim não. Se é certo que poucos extremos trintões são titulares no FC Porto, nenhum a jogar assim mereceria sequer um lugar na ficha de jogo. Pede-se mais ao melhor marcador português da história do Estádio do Dragão.

Duas notas finais. O Tuttosport diz que Rúben Neves foi oferecido por Jorge Mendes à Juventus. Ora os empresários não podem oferecer jogadores sem terem uma procuração atribuída pelos clubes, portanto: a) ou o Tuttosport mentiu; b) ou Jorge Mendes ofereceu ilicitamente o jogador; c) ou o FC Porto permitiu de facto a Jorge Mendes que este oferecesse Rúben Neves à Juventus. Pim-pam-pum.

André Silva renovou até 2021, com cláusula de rescisão de 60 milhões de euros. Felizmente, esta renovação de contrato foi bem mais fácil de fechar do que a renovação de 2014, que quase afastou André Silva do FC Porto. Saúde-se esta excelente notícia, antes de André Silva se estrear na seleção nacional. O FC Porto comunicou a informação básica, não falando sobre a eventual envolvência de Jorge Mendes na renovação de contrato, ou se eventualmente o agente ficou com uma parte (digamos 10%) do seu passe. Seria, sem dúvida, preocupante quanto ao rumo a seguir na aposta na formação. É que a Promosport já tinha 10% de André Silva. Juntando a isto eventuais 10% de Jorge Mendes (que, diga-se, é a percentagem base de Mendes nas vendas a outros clubes), seriam já 20% nas mãos de empresários num atleta que só há bem pouco tempo começou a ganhar o seu espaço no FC Porto. E tendo uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros, estaríamos já a falar de potenciais 12M€ destinados a empresários. Deve ter sido mesmo difícil convencer André Silva a renovar contrato com o clube do seu coração. Que nunca ninguém ganhe nada com uma transferência de André Silva, pois seria sinal de que continuaria muitos e longos anos no FC Porto. É o que todos os adeptos do Futebol Clube do Porto desejam.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Em Roma sê Porto

Já era difícil, agora tornou-se ainda mais. Não foi um problema de falta de empenho, de todo. Antes de falta de eficácia, cabeça e bastante clarividência em alguns momentos do jogo. O caudal ofensivo esteve lá, mas houve demasiada precipitação, tanto que em mais de 60 minutos a jogar contra 10 o FC Porto só marcou de penalty. E numa segunda parte que até foi bem conseguida, além do penalty (não esquecendo outro que ficou por marcar), o FC Porto só fez mais um remate na direção da baliza adversária. A parra foi vasta, a uva nem tanto e ainda não se percebe muito bem o que pretende Nuno Espírito Santo semear e colher, sabendo que os terrenos que tem à disposição não são os mais férteis. Os ventos de Roma ameaçam levar tudo. Pensemos nisso depois de vencer o Estoril.





Movimentações de André Silva
André Silva (+) - André contra o mundo. Se é certo que não foi particularmente incisivo no remate (apenas 2 em 8 à baliza), André Silva garante uma coisa que, por exemplo, Aboubakar não conseguia fazer: presença permanente. O FC Porto sente sempre que André Silva está ali. Sente sempre que há uma referência para segurar a bola, para vir buscar jogo, para atacar o espaço na grande área. É um ponta-de-lança completo, desinibido. Estreou-se na Europa com um golo, aos 20 anos. Fernando Gomes tinha 22. Não errou um único passe (15/15), arrancou 5 faltas e correu todo o meio-campo adversário, nunca tendo deixado de marcar presença na grande área, ligeiramente descaído para a direita. Vejam o heat map. Será muito difícil ir à Champions, mas se o FC Porto tiver hipóteses de ir as mesmas passarão muito por André Silva.

Movimentações de Otávio
Otávio (+) - Outro menino em estreia em noites de Champions. Também contribuiu para muito desacerto nos remates (1/6, capítulo a melhorar), mas foi sempre a gota de criatividade e capacidade individual no FC Porto. Foi o mais solicitado durante toda a partida (tocou 80 vezes na bola), meteu 5 bolas em zona de finalização e foi dos poucos a ter capacidade para, num rasgo, abrir a defesa da Roma. Está a acrescentar - e a disfarçar - muitas coisas neste arranque de época, e é cada vez mais claro que faz a diferença em zonas interiores. Quando, ou se, chegar um extremo ao plantel, desviá-lo para ser o homem mais adiantado do meio-campo será um passo natural.




Não foi discreto, foi péssimo (-) - Nuno analisou que o FC Porto teve «20 minutos discretos». Não foram discretos. Na verdade deram bem nas vistas, de tão maus que foram. O FC Porto iniciou a partida como uma equipa incapaz de assumir o jogo, de construir uma jogada, de fazer circular a bola. A pressa de meter a bola na frente era tanta que o chutão para André Silva chegava a ser irrisório. O FC Porto quer ser uma equipa de transição rápida, mas isto não é transição rápida, isto é dar a bola ao adversário e não perceber que tem que ter calma para construir, calma para perceber que para jogar em transição rápida é preciso ter espaço; e por vezes é preciso criar esse espaço antes de isso acontecer. Este trio de meio-campo - melhor, a organização deste trio - dificilmente durará muitos jogos (Herrera não pode jogar tão atrás, André não pode jogar tão à frente), ainda que o FC Porto tenha esboçado um 4x4x2. O FC Porto chega aos 35 minutos com 30% de posse de bola. Nunca vimos uma equipa vir ao Dragão ter tanta posse de bola aos 35 minutos. Dirão que isso, por si só, não ganha jogos. Mas a verdade é que a Roma massacrou durante todo esse período e, não fosse a expulsão de Vermaelen, as coisas poderiam ter ficado ainda mais feias. 

Chuta, cruza, chuta, cruza (-) - O FC Porto teve oportunidades para ganhar o jogo. Atacou muito (67 vezes), mas muitas vezes sem nexo. Os remates de fora da grande área (13) quase nunca levaram perigo. O FC Porto teve sempre dificuldades em entrar ou aproximar-se da grande área em progressão. Na segunda parte, a equipa descobriu espaço nos corredores, mas os jogadores poucas vezes conseguiam ir à linha, optando por cruzar ainda com alguma distância. O FC Porto fez 30 cruzamentos na partida, 22 dos quais na segunda parte, mas há limites para André Silva; e o FC Porto perdeu muito com a saída de Adrián López, cujas movimentações estavam a beneficiar André Silva (e o espanhol teve ações importantes no ataque). O mais irónico é que, a determinada altura, o FC Porto está sempre a meter bolas na grande área e faltava lá mais alguém para ganhar nas alturas, para bater os centrais. Depoitre, Aboubakar e Gonçalo Paciência, por diferentes razões, não deram um contributo que podia ter sido útil. 

A tradição (-) - 13 minutos de competições europeias 2016-17 e o FC Porto já tem um lance para o Watts da Eurosport. Casillas tremeu (depois salvou várias vezes o FC Porto), Alex Telles salvou, mas os fantasmas da época anterior continuam: o FC Porto treme pela mais pequena coisa na defesa. O autogolo de Felipe é um infortuito, mas em 2 jogos são já 2 golos sofridos em pontapés de canto. Na transição defensiva, o FC Porto está demasiadas vezes exposto e desequilibrado, sendo lento a recuperar. Na Roma, a maioria dos jogadores do seu 11 seriam titulares no FC Porto, o que diz muito da sua qualidade, mas uma vez mais o FC Porto sofre mais por erros próprios do que por imposição do adversário. Marcano vai sendo o melhor elemento da defesa. Isso se calhar diz muito.

O banco (-) - Nuno Espírito Santo não tem culpa da escassez de opções no banco. É inaceitável que um jogador valioso como Brahimi, o principal desequilibrador do FC Porto, não conte para o playoff da Champions. Para os mais esquecidos, foi muito graças ao argelino que o FC Porto passou o playoff de 2014-15. Para que raio foi Brahimi apresentado, então? Para não desvalorizar o ativo da Doyen? Para quê, se depois não conta para jogos importantes? Outrora o FC Porto vendia jogadores depois de eles darem o seu importante contributo à equipa; agora não só os jogadores não saem como não dão o seu contributo. No meio de tudo isto, Nuno fica com opções curtas para ir à Champions. A jogar contra 10, com a Roma completamente encostada às cordas, o FC Porto não teve opções para dar companhia a André Silva; e então que faz o FC Porto quando tem hipóteses de matar a eliminatória? Tira o jogador mais criativo da equipa (Otávio) e mete Evandro. Isto não é um FC Porto que explorou todas as suas opções para ganhar. Também porque, na verdade, não havia muito por onde escolher. Uma eliminatória começa a perder-se assim. E a culpa não foi de Nuno, nem de Felipe, nem de Herrera, nem de Depoitre. 

Duas notas. Rúben Neves não é o primeiro, nem o último jogador que está para entrar, mas depois o treinador muda de ideias. Não sabemos o que se passou durante a semana. Não sabemos se Rúben treinou sempre com os titulares, ia jogar de início e depois, em cima da hora, Nuno mudou de ideias; não sabemos o que lhe disse Nuno ao intervalo; nem sabemos o que levou Nuno a mudar de ideias. O treinador diz que num minuto as coisas mudam, e só ele saberá o que é, aos seus olhos, mudou naquele momento. Mas Rúben Neves, naquele momento, não foi o Rúben profissional; foi o Rúben adepto. Queria ver o FC Porto ganhar, queria ajudar, e deixou-se levar pela emoção. Está a viver uma nova realidade, pois saiu um treinador que favorecia as suas caraterísticas (Lopetegui) e tem tentado, nos últimos meses, encaixar em dinâmicas diferentes. Mas Rúben tem que ser mais rijo. A sua oportunidade vai chegar novamente. Rúben Neves não está aqui de passagem. É presente e futuro do FC Porto. Teve uma quebra, assumiu-o e vai fortalecer-se. À Porto.

A titularidade de Adrián López, que curiosamente foi relevada antecipadamente na TSF, por João Ricardo Pateiro, que também já tinha confirmado Nuno Espírito Santo como treinador do FC Porto atempadamente. Qual é o primeiro dado a retirar desta titularidade? É que Adrián tem que ser titular frente ao Estoril. Nenhum adepto do FC Porto admitirá que isto tenha sido uma titularidade à Cristian Rodríguez vs Barcelona na Supertaça Europeia, com a intenção de valorizar o jogador para uma venda. Por isso, a opção de Nuno visa recuperar o jogador, recuperar o ativo. E assim é, agora há que mantê-la.

Não valerá de nada Adrián ter jogado de início frente à Roma para agora voltar para o banco. Se é para recuperar o jogador, vamos recuperá-lo, mantendo uma aposta fixa. Por exemplo, teria sido demasiado fácil atirar André Silva para o banco depois das suas dificuldades iniciais até chegar ao primeiro golo pelo FC Porto. Mas José Peseiro, com a sorte de não haver uma alternativa a garantir mais, manteve a aposta em André Silva e os resultados estão à vista. Adrián teve ações interessantes frente à Roma, não foi de todo a tábua rasa que chegámos a ver em 2014-15, e é um ativo caro no plantel. Por isso, se é para recuperar o jogador, que se tenha a certeza que o FC Porto fez tudo o que era possível. Passar da titularidade para o banco ou para a bancada seria um sinal de que a titularidade de Adrián visava a sua valorização no mercado, e não a sua reintegração no FC Porto. Ninguém admitiria isso. Por isso, vamos Adrián, de início contra o Estoril. 

E esta é para calar os críticos, que dizem que o FC Porto não dá oportunidades aos jogadores da equipa B. Adrián López, há um mês, estava na equipa B e agora foi titular no play-off da Champions. Tomem lá!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Não há cláusula para a mística

Pela terceira vez em 5 anos, a SAD fechou uma época financeira com prejuízo. Depois dos 35,7M€ de 2011-12 e dos 40,7M€ em 2013-14, intercalados com resultados positivos de 20,3M€ em 2012-13 e 19,3M€ em 2014-15, a SAD vai voltar a apresentar um dos prejuízos mais elevados da sua história. 

Por norma, o FC Porto não se pronuncia sobre os resultados financeiros no fecho imediato da época. Por isso, o balanço só deverá ser feito em outubro, e isso inclui o enquadramento do fair-play financeiro, sobre o qual há muito ninguém do FC Porto se pronuncia. Embora só em outubro se devam conhecer os números finais do Relatório e Contas da época 2015-16, já é possível prever uma parte significativa. 

A venda de jogadores no período de 2015-16 foi francamente negativa. O FC Porto chegou ao último trimestre com apenas 29,98M€ dos 72,59M€ necessários nos resultados com transações de passes de jogadores. Faltavam à partida 42,6M€, e o FC Porto não comunicou ao mercado nenhuma venda relevante durante os últimos três meses.

Ou seja, a única boa venda declarada no período de 2015-16 acabou por ser Alex Sandro, que saiu no mercado de verão e gerou uma mais-valia de 21,3 milhões de euros. O FC Porto precisava de vender até 30 de junho, não o fez (o FC Porto não comunicou, ainda, a venda de Maicon, portanto ou a venda ainda não foi totalmente fechada ou a SAD considerou que o valor gerado não era relevante para o mercado), e os resultados estão - melhor, estarão em outubro - à vista. 

A insuficiência na rúbrica de venda de jogadores junta-se aos 15,73M€ que já estavam em falta face ao orçamento de 2015-16 nas receitas da UEFA. Tendo em conta que a SAD já fechou o terceiro trimestre com prejuízo de 37,904M€ e a atividade trimestral da SAD não é, por norma, autossustentável, por as receitas operacionais serem sempre inferiores aos gastos (e com o agravamento de não termos o prémio de 12M€ da UEFA que deveria entrar no último trimestre), o prejuízo será elevadíssimo.
Deixem-lo chamar
Dito isto, recuperemos o tema que marcou o último dia. O Jogo noticiou que o mercado (infelizmente não era o Bolhão) chamava por Rúben Neves: O Tribunal do Dragão fez a coisa mais simples do mundo, que foi colocar uma citação de Pinto da Costa, a propósito dos planos para Rúben Neves no FC Porto, sem acrescentar comentários ou considerações. A partir daqui, multiplicaram-se os comentários e as considerações. Todos na caixa de comentários, nenhum no texto do blogue. Conclusivo.

Mas podemos entrar na discussão: o que poderia significar uma venda de Rúben Neves? Certamente que não faltariam motivos válidos para defender a sua saída. Se algum dia acontecer, não faltará quem lembre que rende mais dinheiro do que Paredes, Costinha, Paulo Assunção e Fernando, seus antecessores, juntos; que nunca foi verdadeiramente um titular indiscutível no FC Porto; que é mais importante manter Danilo; que o FC Porto é, e sempre foi, um clube vendedor e exportador, que depende sucessivamente da venda de jogadores e refaz ciclicamente o plantel. 

Não concordar não significa deixar de compreender. Mas neste caso, a saída de Rúben Neves não poderia acontecer. Por estas palavras:

«Espero que ele fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto». Isto não é um recado ao mercado. Isto não é um o FC Porto só vende pela cláusula. Não é um se faltar um euro para a cláusula do Quaresma, eu meto esse euro. Pinto da Costa não estava a falar para os compradores. Estava a falar para os portistas. 

Sim, objetivamente, se Rúben Neves rendesse mais dinheiro do que Paredes, Costinha, Paulo Assunção ou Fernando juntos seria fantástico. Sendo um talento de enorme futuro, nunca foi um titular verdadeiramente indiscutível; não esteve numa base de um FC Porto campeão. Mas com 19 anos, seria suposto o quê?

A permanência de Rúben Neves era essencial. Pinto da Costa prometeu que o FC Porto, com o novo contrato de direitos televisivos, iria apostar num modelo de continuidade de jogadores, ao invés de contratar já a pensar na saída. E apresentou Rúben Neves como a bandeira para passar a mística, como novo João Pinto. Não podia, por isso, nunca sair ontem. Nem amanhã. Nem a 31 de agosto. 

Capitão João Pinto
Por um momento, imaginem que na história do FC Porto não há o João Pinto a levar pedrada no Jamor (vídeo para os mais confusos); não há o João Pinto agarrado à Taça dos Campeões Europeus; não há o João Pinto para levantar a Intercontinental e a Supertaça Europeia; não há o João Pinto que ganhou 9 campeonatos; não há o João Pinto que é o recordista de jogos pelo FC Porto. Imaginem que João Pinto tinha saído aos 19 anos.

Não sabemos se Rúben Neves conseguirá, algum dia, ter o sucesso que João Pinto teve no FC Porto. Não sabemos se algum jogador, algum dia, o terá. Mas sabemos que Rúben Neves foi apresentado como sucessor de João Pinto na mística e história do FC Porto, pela palavra do presidente. Não há milhões que paguem a história do FC Porto. E Rúben Neves ainda mal começou a escrever a sua história no FC Porto. 

A época 2016-17 será a primeira de Rúben Neves enquanto futebolista sénior. Com a mesma idade, João Pinto ainda nem se tinha estreado, e só à sua sexta época de sénior João Pinto conquistou o primeiro campeonato pelo FC Porto. Rúben Neves não é João Pinto, mas poderá começar a ganhar bem mais cedo. Que Rúben Neves seja um dos alicerces do sucesso desportivo do FC Porto e não um ativo para tapar buracos nas contas SAD. A mística não tem cláusula de rescisão.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Sem mais a acrescentar


«Espero que ele fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto». Pinto da Costa dixit. 

Sem mais a acrescentar. Boa quinta-feira, 30 de junho, último dia da época 2015-16 da SAD. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Análise 2015-16: os médios

Dizem, e bem, que o meio-campo é o coração da equipa e que sem ele nada funciona. Nos últimos três anos, que coincidem com a ausência de títulos, tem sido difícil para o FC Porto manter o setor estável. Na pré-época de 2013-14, só transitaram Lucho, Fernando e Defour da temporada anterior. Em 2014-15, só Herrera e Quintero já estavam no plantel. E no arranque para 2015-16, só Rúben Neves, Herrera e Evandro repetiram a presença no plantel principal.

Manter um meio-campo estável é essencial. Basta reparar no último tricampeonato: Fernando e João Moutinho estiveram sempre lá. Lucho entrou em 2011-12, quando saiu Guarín, e Defour ia surgindo como alternativa recorrente. 

No tetracampeonato, entre 2005 e 2009, Lucho González e Raúl Meireles estiveram sempre no plantel. Quando Paulo Assunção saiu na 3ª época, Fernando estava pronto para assumir. Havia uma base sólida no meio-campo.

Nos últimos três anos isso não existiu. Herrera foi o único denominador comum no meio-campo nas últimas três épocas. Experimentámos três/quatro médios-defensivos (Fernando, Casemiro, Rúben Neves, Danilo). Quintero, Rúben Neves e Evandro foram, além de Herrera, os únicos a fazer mais do que uma pré-época, mas nenhum deles foi verdadeiramente um titular indiscutível. Houve jogadores que só tiveram gás para algum tempo (Josué, Carlos Eduardo ou André André), outros que estavam de passagem (Óliver), outros que nunca chegaram a engatar (Defour e Imbula), outros que, por diversas razões, pouco ou nada acrescentaram (Campaña ou Bueno). 

Daí que o ideal seria mexer o menos possível no meio-campo para a próxima época. Conseguir finalmente alguma estabilidade no setor. Mas olhando ao plantel e ao mercado, já é possível prever que será difícil. Uns vão sair, outros vão entrar. Para já, manter Danilo Pereira e Rúben Neves seria essencial, pois o resto é um grande ponto de interrogação. 

Contrato até 2019
Danilo Pereira - No dia da sua contratação, O Tribunal do Dragão considerou que Danilo era a melhor contratação da época. Não era difícil prevê-lo: bastava olhar para a autoridade como que agarrava o meio-campo do Marítimo pelo pescoço. Danilo tem tudo o que um médio defensivo deve ter: capacidade física, bom jogo aéreo (fez 6 golos na sua primeira época de FC Porto, tantos quanto Fernando em toda a sua carreira no clube), sabe sair a jogar (87% de eficácia), agressivo mas limpo no desarme (um cartão a cada 350 minutos), capacidade para ganhar metros no terreno enquanto mantém a retaguarda segura. É um médio-defensivo completo, com tudo o que é preciso ter. Além disso, não só é um excelente profissional como é um potencial líder de balneário, que pode e deve integrar a lista de capitães para 2016-17. A SAD comprou 80% do passe por 2,8M€ (de lamentar que 20% tenham ficado em Portimão, pois este valeria cada cêntimo) e Danilo pode ser um dos destaques do Euro 2016. Com a capacidade física e técnica que tem, pode jogar em qualquer campeonato. Que tudo seja feito para que seja na Liga NOS em 2016-17.

Contrato até 2019
Rúben Neves - Época difícil para o menino prodígio do meio-campo, sobretudo mediante a troca de treinadores. Começou com uma utilização algo intermitente no início da época. Danilo Pereira agarrou cedo o lugar mais recuado do meio-campo, enquanto em 2014-15 Rúben Neves foi dono da posição enquanto Casemiro fazia os adeptos arrancarem cabelos. Começou a coexistir com Danilo, jogando um pouco mais adiantado no meio-campo, mas com a troca de treinadores teve que readaptar o seu jogo. Com Lopetegui, num futebol de posse e circulação, Rúben Neves era peixe na água. Com Peseiro, pedia-se mais verticalidade aos médios, um estilo ao qual Rúben não estava habituado. Nunca é de mais esquecer que tem 19 anos e só agora terminou o seu percurso enquanto júnior. No último ano, ganhou dimensão física e começou a arriscar mais vezes o remate. Há ainda aspetos a evoluir, como o jogo aéreo e a marcação, mas continua a ser um talento muito acima da média, por onde passa o futuro do FC Porto. Logicamente, para manter, para bem do presente e do futuro.

Contrato até 2019
Sérgio Oliveira - Não era opção para Lopetegui, mas em março Peseiro deu-lhe a titularidade e Sérgio Oliveira manteve o lugar até ao final. Alguns bons jogos, outros em que passava ao lado do jogo, sem intensidade suficiente para o meio-campo. Destaca-se pela meia distância (dois bons golos), mas esconde-se demasiado do jogo quando não tem a bola nos pés, além de ter que melhorar muito na reação à perda. A sua continuidade ou não no plantel deve seguir o aval de Nuno Espírito Santo. Se for primeira escolha para 2016-17 será uma surpresa - esperemos que boa. 


Contrato até 2018
Evandro - Perto de completar 30 anos, é possível que Evandro tenha feito a última época no FC Porto. Deixa claramente a impressão de que foi subaproveitado esta época. Evandro é um médio completo, capaz de ser integrado em qualquer momento do jogo. Mas ora por decisão de Lopetegui ou Peseiro, ora por problemas físicos, ora porque havia outras prioridades e só podiam jogar 11, Evandro acabou por ter um papel demasiado secundário. A sua experiência poderia ser importante no plantel, mas sendo titular e tendo quase 30 anos é difícil ter planos de longo prazo para Evandro. 


Contrato até 2019
Héctor Herrera - Até dezembro esteve em má forma, mas a partir daí conseguiu finalmente acordar e foi, a par de Danilo Pereira, o melhor jogador da segunda volta do campeonato. Curiosamente, esteve melhor com José Peseiro do que Lopetegui. Com Lopetegui, Herrera era mais influente nas ações defensivas. Recuperava mais bolas, fazia mais desarmes. Com Peseiro, Herrera começou a jogar mais à frente e destacou-se no ataque: rematava mais, fintava mais, criava mais situações de golo. Isto mantendo sempre a eficácia de passe de 85% (infelizmente, muitos adeptos memorizam mais facilmente um passe errado de Herrera do que seis de outro jogador). Herrera continua a ter as virtudes e defeitos de sempre: não se cansa de correr, pressionar, transporta bem o jogo, dá sempre apoio aos corredores, aparece bem entre linhas e é um médio que tem golo (nove na última época). Por outro lado, é sabido que erra muitas vezes no momento de soltar a bola e no passe de primeira. Isto porque Herrera é um médio de transição, não de posse/circulação. Curiosamente, agora que chega um treinador que joga(va) mais em transição rápida (Nuno), é que Herrera está mais próximo da saída. É um dos mais valiosos do plantel, já fez 3 épocas e o FC Porto precisa de vender. Não surpreende que, mediante uma boa proposta, possa sair. No último verão, o FC Porto atribuiu uma procuração para o vender por 30M€. Provavelmente nenhum clube chegará a esse valor, mas Herrera é jogador para gerar uma mais-valia acima de 18M€. Caso a decidir antes da pré-época. 

Contrato até 2019
André André - O grande arranque de época, em que fez 2/3 meses de alta rotação, só levantava uma questão: conseguiria André André manter o excelente momento de forma durante a maior parte da época? Infelizmente, não. A quebra começou por problemas físicos e André André não conseguiu igualar o nível que exibiu na primeira metade da época. Será difícil ser um titular indiscutível, mas a sua valia e utilidade no plantel são claras. Justifica plenamente a continuidade, e oxalá estas semanas sirvam para recuperar em plenitude de todos os problemas físicos. É essencial apresentar-se bem no arranque da próxima época.


Contrato até 2020
Alberto Bueno - Considerado como médio, pois Bueno só teria espaço no FC Porto como 3º médio, não como avançado num 4x3x3. Os adeptos habituaram-se a vê-lo no boletim clínico. Dois meses para recuperar de uma «contusão num pé», semanas de tratamento... E na última vez em que jogou no campeonato, ainda levou, indiretamente, com um coro de assobios antes da sua entrada em campo. Lamentável. Jogador muito mal aproveitado na sua primeira época. Lopetegui geriu mal a sua situação logo nas primeiras semanas, quando havia claramente um défice de criatividade no meio-campo, mas ainda assim Lopetegui hesitava em colocá-lo atrás de Aboubakar. Depois, entre problemas físicos e falta de ritmo de jogo, acabou por nunca ser opção. Há uma decisão para tomar: ou fica para jogar, ou sai. Bueno é demasiado caro para ser suplente. Nuno terá que decidir prontamente se as suas caraterísticas encaixam ou não nos seus planos, caso contrário Bueno é um jogador que não deixará de ter algum mercado. 

Os jogadores que estiveram cedidos a outros clubes serão analisados no post destinado aos emprestados.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios 2015-16? Que médios justificam a titularidade para 2016-17?

domingo, 24 de abril de 2016

A memória de um golo

Aqui está uma frase provavelmente nunca antes construída: Rúben Neves fez lembrar Pepe. Em 2006, em plena pré-época, o FC Porto defrontou o Manchester United. Provavelmente, poucos se lembrarão desse jogo, de quem jogou, do resultado, mas lembram-se do balázio que Pepe enfiou na baliza inglesa.

Um golo para recordar
O dia de ontem (curiosamente também um jogo de pré-época), daqui a 10 anos, não será muito diferente. Um passe para dentro da baliza, um passe de Rúben Neves para as redes. Que grande golo. Poucos se recordarão da exibição, da equipa, mas lembrarem-se-ão desta obra prima de Rúben Neves, o mais parecido que vimos desde aquele golo de Lucho González em Hamburgo

Pouco mais haverá a reter. O FC Porto garantiu matematicamente o 3º lugar e não há mais a fazer do que conquistar a Taça de Portugal. O clássico deve ser encarado como ponto de honra e é para ganhar, obviamente. A luta pelo título já não diz respeito ao FC Porto, não interessa se quem vai ser campeão é o Benfica ou o Sporting. O que se sabe é que, no dia 30 de Abril, 11 jogadores vão subir ao relvado com o símbolo do FC Porto e que do outro lado vai estar o Sporting. Qualquer sentimento de desvalorização por perder com o Sporting, alegando que assim podem tirar o título ao Benfica, seria o maior atestado de pequenez da história do clube - bem mais vergonhoso do que os que festejaram o golo de Kelvin na casinha

Uma nota antes da análise ao jogo. Subitamente já há críticas a José Peseiro por fazer exatamente o mesmo que fazia Lopetegui: dizer que todos os jogos são difíceis, que todos os adversários são bons. Mas depois dos elogios maioritariamente injustificados ao Nacional, vimos José Peseiro dizer isto sobre a Académica: «Jogámos contra uma equipa que sofre poucos golos». Uma coisa é valorizar o seu trabalho com recurso aos chavões do costume, como por vezes Lopetegui fazia, outra é dizer inverdades destas, pois a Académica tem a 2ª pior defesa da liga e é a equipa que sofre mais golos em casa. José Peseiro é um otimista, mas pede-se um pouco mais de rigor nestas questões, mister. Pelo menos até 22 de maio.






Maxi Pereira (+) - O que define um jogador à Porto não é a ausência de erros, pois todos erram: é a forma como se reage a esse erro. Maxi esteve na origem do golo da Académica, com uma má cobertura defensiva, mas depois tomou-se por um inconformismo que o levou a ser um poço de força no corredor direito. Atacou, tabelou, cruzou, entrou na grande área, procurou o remate e não descansou enquanto não se redimiu do erro. No final do jogo, o merecido descanso.



Danilo Pereira (+) - A Académica foi apenas mais uma equipa que, com apenas dois homens no contra-ataque, consegue logo intimidar a defesa do FC Porto. Mas Danilo chegou para (quase) tudo. Muito bem nas dobras, a impor a capacidade de física e a ser referência não só no início de construção como na grande área adversária. Tudo isto aliado a uma capacidade de liderança que se faz sentir cada vez mais - Corona e Sérgio ficaram com as orelhas a arder durante o jogo.

Outros destaques (+/-) - Finalmente, Rúben Neves a apostar mais na meia distância. É um capítulo que precisa de melhorar no seu jogo - e curiosamente, os seus 2 golos esta época nascem de remates de longe. Imaginem o que seria Pirlo sem a capacidade de rematar. José Ángel continua a ser o jogador que melhor cruza de primeira e de forma tensa - o problema é que os outros aspetos do seu jogo não se aproximam da sua capacidade de cruzar. André Silva esteve incansável na pressão ao início de construção da Académica e movimentou-se sempre bem na grande área, embora vá sendo tempo de materializar o seu empenho num golo, que vai aparecer. Corona precisa de melhorar imenso a recepção de bola, mas está a melhorar bastante no passe - 85% de acerto e fez cinco passes para zonas de finalização (mais do que os 3 médios), além do seu papel defensivo, com sete ações de recuperação/desarme; faltou-lhe mais objetividade na procura do remate e no um para um. 






Condição física (-) - Estamos em abril, pelo que é normal que alguns jogadores já não estejam no seu melhor fisicamente. Mas José Ángel é pouco utilizado, e o próprio André Silva só tinha feito 89 minutos nas últimas duas semanas e meio. Ainda assim, vários jogadores estavam rebentados, inclusive com Ángel e André a sentirem cãibras. Por um lado, é bom: mostra que os jogadores estavam a dar tudo. Por outro, a condição física dos jogadores tem vindo a cair nos últimos dois meses - bem diferente do que aconteceu em 2014-15, em que a equipa estava muito melhor fisicamente. Não querendo associar isso diretamente à troca de preparadores físicos, uma equipa que luta por várias frentes tem que ter a certeza que está o melhor servida possível neste aspeto. Estará?

Descompensação (-) - A Académica não precisou de meter muita gente na frente para criar perigo, o que vem sendo crónico nos adversários do FC Porto. Só marcaram numa bola parada, mas a cobertura defensiva do FC Porto deixou sempre a desejar, sendo também um reflexo da ausência de Danilo do meio-campo - Rúben Neves não tem a capacidade física e defensiva do compatriota, embora dê outra capacidade de circulação à equipa. A linha defensiva do FC Porto nem sempre esteve - passe a redundância - alinhada da melhor forma, tanto que apesar da Académica procurar muitas vezes o espaço nas costas da defesa nenhum dos seus jogadores caiu na armadilha do fora-de-jogo. Depois quando faltam pernas, como faltou a Maxi no lance do livre, pode sair caro.

Subrendimento (-) - Varela apoia sempre bem as subidas dos laterais e procura bem o espaço interior, mas objetivamente não criou nenhum lance de perigo - nem um cruzamento ou um remate na retina. Para um jogador que está a queimar as últimas oportunidades de ir ao Euro 2016, esperava-se mais. Herrera, desta vez, acusou a falta de espaço no meio-campo da Académica e não conseguiu dar tanto nas vistas no ataque - à imagem de Sérgio Oliveira, muitas vezes a ir atrás pegar no jogo, mas sem servir os avançados, abrir espaços ou até tentar a meia distância. André André fez mais em menos tempo, com menos ritmo. Está a ter a sequência de jogos que Lopetegui achava que não merecia, por isso só depende dele próprio.

Uma semana para preparar um clássico em que nada mais interessa do que a honra de vencer. Muita coisa pode ter mudado no FC Porto, mas repugna imaginar que algum portista possa encontrar conforto num empate ou numa derrota num clássico. Primeiro o FC Porto, depois o FC Porto, depois o FC Porto. Só depois dos rivais.