Esta afirmação resultou em muita confusão em alguns leitores. «Então Casillas não é melhor do que Fabiano!?» Sim, claro que é. «Então como é que desportivamente não vai fazer diferença!?» Simples, entendendo o que é o papel de um guarda-redes do FC Porto no campeonato português.
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| Casillas, 35 anos |
Voltemos por um momento a 2014-15. No espaço de 6 meses, o FC Porto perdeu primeiro Helton, por lesão, e depois Otamendi, Fernando e Mangala. E mesmo com o contestado Fabiano nas balizas, conseguiu sofrer apenas 13 golos, sendo a melhor defesa de toda a Europa.
Este ano, já sem o contestado Fabiano mas com o ícone Casillas na baliza, o FC Porto sofreu 30 golos. Mais do dobro da época passada (tema debatido aqui), e a terceira pior defesa da história do clube numa liga a 34 jornadas. Quando O Tribunal do Dragão opinou que, desportivamente, Casillas ou Fabiano na baliza não fariam muita diferença, foi precisamente a pensar nisto: porque o modelo de jogo e os defesas do FC Porto têm tanta ou mais influência do que o guarda-redes.
O FC Porto já teve grandes guarda-redes, já ganhou muitos títulos. Mas houve algum título que tivéssemos ganho sobretudo graças a um guarda-redes?
Há quem diga que o FC Porto sofria poucos golos devido a uma posse de bola estéril de Lopetegui. Os mitos nunca resistem aos números: com José Peseiro (e com o agravamento de o mercado de janeiro ter deixado o plantel pior do que estava) a equipa piorou objetivamente em tudo. Não marca mais golos, sofre mais do dobro, remata menos, permite que os adversários rematem mais, cria menos ocasiões de golo e falha mais passes. Ora a tal posse de bola estéril, além de permitir que o FC Porto atacasse e marcasse mais, dava uma segurança defensiva que o FC Porto nunca teve com José Peseiro. Aliás, em dezembro Casillas até era o guarda-redes menos batido das ligas europeias. No mês seguinte começou a derrocada, com a troca de treinadores e o enfraquecimento do plantel, e a partir daí foi sempre a descer.
Que culpas se podem enquadrar aqui em Casillas? Poucas. Porque fez o que por norma os guarda-redes do FC Porto fazem no campeonato: ajuda a ganhar alguns jogos e comete erros que custam alguns pontos. Foi brilhante contra o Benfica e o Tondela, mas errou em Guimarães ou na Champions.
Desportivamente, Casillas pouco mudou porque há poucas coisas que um guarda-redes do FC Porto possa mudar. Para um guarda-redes, há uma diferença entre uma equipa com um meio-campo sólido e outra exposta a qualquer transição rápida; há uma diferença entre ter Otamendi e Mangala à frente e ter jogadores mais inexperientes e/ou limitados.
O impacto de Casillas seria sempre mais mediático e comercial do que desportivo. É claramente um bom guarda-redes, grandíssimo profissional (a maior surpresa para todos os que trabalham com ele), mas nunca iria ser por ele que o FC Porto ganharia o campeonato. Nem por Helton, nem por Baía, nem por Mlynarczyk, nem por Zé Beto, nem por Américo.
Iker Casillas é um guarda-redes como todos os outros, com qualidades e defeitos, e que ao longo de toda a carreira sempre fez sobressair as suas qualidades. Mas é, de facto, um guarda-redes muitíssimo caro para aquilo que rende desportivamente. E é por isso que, quando o R&C da época for publicado, é importante perceber se Casillas é um guarda-redes que de facto se paga a si próprio.
Ao que tudo indica vai continuar no FC Porto. Casillas e o clube já admitiram avançar para o ano de opção no contrato, até 2018, mas isso ainda não foi oficializado. Até porque o Real Madrid só comparticipa o salário de Casillas até 2017 (se Casillas fizer a época 2017-18 no FC Porto, o salário será na íntegra pago pela SAD), logo o salário teria que ser drasticamente reduzido para ficar no FC Porto.
Em Casillas vs. Emirates, vimos que a contratação de Casillas estava a ser muito benéfica financeiramente, mas é importante calcular os números finais no R&C. Até porque um clube que tem um guarda-redes com salário anual bruto de cerca de 5M€ não pode abdicar de um investimento num bom treinador, nem pode andar com a equipa coxa durante toda a época. A manta tem que dar para cobrir ombros e pés. E quando avaliamos um jogador como Marega em mais de 4M€, então a manta devia dar para cobrir Dragão, Aliados e a Ponte do Freixo.
A primeira época de Casillas no FC Porto não deixa saudades, devido à ausência de títulos. Oxalá as coisas mudem no próximo ano, de preferência sem sofrer outra vez 30 golos. Nunca esquecendo que é o guarda-redes quem fica com os golos sofridos, mas nem Lev Yashin ou Vítor Baía conseguiriam sobreviver a tanta asneira na defesa esta época. O Casillas da Luz é um guarda-redes que ajuda a ganhar campeonatos, mas o FC Porto nunca ganhará campeonatos se precisar que o guarda-redes faça tantas defesas como as que fez nesse jogo.
A melhor forma de proteger a baliza não é ter um guarda-redes que defende tudo: é fazer com que o guarda-redes tenha que defender o menos possível.
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| Helton, 38 anos |
E agora Helton, o capitão. Todos sabem que Helton, embora seja um jogador acarinhado e carismático, não tem um feitio fácil, pois detesta ser suplente (quem não detesta?). Esteve irrepreensível na Taça de Portugal... até à final, onde sofreu os primeiros 2 golos, não ficando bem na fotografia. Aos 38 anos, Helton dificilmente tirará o lugar a Casillas em 2016-17 - nenhum clube tem Casillas se não for para jogar. Tem mais um ano de contrato, por isso coloca-se a questão: uma última época como (mais que provável) suplente ou o adeus antecipado?
Helton tem um lugar cativo na história do FC Porto. Foram 18 títulos neste clube. Tudo dependerá do entendimento entre as partes. Quando ou se Helton quiser, seria certamente uma mais-valia integrá-lo nos quadros técnicos do clube. Mas se ainda entender que está em condições para jogar ao mais alto nível, está no seu direito.
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| José Sá, 23 anos |
José Sá já vai para o seu 5º ano de sénior e ainda não fez uma época completa e regular numa primeira liga. No FC Porto, a não ser que lhe seja garantido o lugar de 2º guarda-redes (com titularidade nas Taças e esporadicamente na B), não faz sentido continuar. Foi uma contratação, não um reforço.
Raúl Gudiño teve a sua primeira experiência na primeira liga, pouco positiva. Deu dois ou três frangos que o marcaram no União da Madeira. Ainda assim, este foi apenas o seu primeiro ano de sénior, e a margem de evolução continua toda cá.
Ter um bom treinador de guarda-redes é essencial (Bruno Freitas, o treinador do União, teve como expoente máximo da sua carreira profissional a titularidade no Ribeira Brava). Já não vai contar como jogador formado no FC Porto, devido a este empréstimo, pelo que agora deve continuar a procurar-se um enquadramento de primeira liga (o Chaves já o pediu).
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| Gudiño, 20 anos |
Na temática dos guarda-redes, deseja-se ainda que a nova equipa técnica inclua um treinador de guarda-redes de provas dadas, habituado a trabalhar com diversos guarda-redes, desde jovens, que precisam de evoluir, a mais experientes, que precisam de manter a forma física. Nada pode ser descurado.
Os guarda-redes ligados ao clube, mas que não iniciaram a época no FC Porto, serão analisados no post destinado aos emprestados.
Pergunta(s): Quem deve ser o número um e o 2º guarda-redes para 2016-17?











