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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Análise 2015-16: os guarda-redes

Podemos regressar ao início da época e a uma frase d'O Tribunal do Dragão que na altura gerou alguma discórdia: a de que «desportivamente, Iker Casillas não faria uma grande diferença no FC Porto».

Esta afirmação resultou em muita confusão em alguns leitores. «Então Casillas não é melhor do que Fabiano!?» Sim, claro que é. «Então como é que desportivamente não vai fazer diferença!?» Simples, entendendo o que é o papel de um guarda-redes do FC Porto no campeonato português.

Casillas, 35 anos
Voltemos por um momento a 2014-15. No espaço de 6 meses, o FC Porto perdeu primeiro Helton, por lesão, e depois Otamendi, Fernando e Mangala. E mesmo com o contestado Fabiano nas balizas, conseguiu sofrer apenas 13 golos, sendo a melhor defesa de toda a Europa.

Este ano, já sem o contestado Fabiano mas com o ícone Casillas na baliza, o FC Porto sofreu 30 golos. Mais do dobro da época passada (tema debatido aqui), e a terceira pior defesa da história do clube numa liga a 34 jornadas. Quando O Tribunal do Dragão opinou que, desportivamente, Casillas ou Fabiano na baliza não fariam muita diferença, foi precisamente a pensar nisto: porque o modelo de jogo e os defesas do FC Porto têm tanta ou mais influência do que o guarda-redes.

O FC Porto já teve grandes guarda-redes, já ganhou muitos títulos. Mas houve algum título que tivéssemos ganho sobretudo graças a um guarda-redes?

Há quem diga que o FC Porto sofria poucos golos devido a uma posse de bola estéril de Lopetegui. Os mitos nunca resistem aos números: com José Peseiro (e com o agravamento de o mercado de janeiro ter deixado o plantel pior do que estava) a equipa piorou objetivamente em tudo. Não marca mais golos, sofre mais do dobro, remata menos, permite que os adversários rematem mais, cria menos ocasiões de golo e falha mais passes. Ora a tal posse de bola estéril, além de permitir que o FC Porto atacasse e marcasse mais, dava uma segurança defensiva que o FC Porto nunca teve com José Peseiro. Aliás, em dezembro Casillas até era o guarda-redes menos batido das ligas europeias. No mês seguinte começou a derrocada, com a troca de treinadores e o enfraquecimento do plantel, e a partir daí foi sempre a descer.

Que culpas se podem enquadrar aqui em Casillas? Poucas. Porque fez o que por norma os guarda-redes do FC Porto fazem no campeonato: ajuda a ganhar alguns jogos e comete erros que custam alguns pontos. Foi brilhante contra o Benfica e o Tondela, mas errou em Guimarães ou na Champions.

Desportivamente, Casillas pouco mudou porque há poucas coisas que um guarda-redes do FC Porto possa mudar. Para um guarda-redes, há uma diferença entre uma equipa com um meio-campo sólido e outra exposta a qualquer transição rápida; há uma diferença entre ter Otamendi e Mangala à frente e ter jogadores mais inexperientes e/ou limitados.

O impacto de Casillas seria sempre mais mediático e comercial do que desportivo. É claramente um bom guarda-redes, grandíssimo profissional (a maior surpresa para todos os que trabalham com ele), mas nunca iria ser por ele que o FC Porto ganharia o campeonato. Nem por Helton, nem por Baía, nem por Mlynarczyk, nem por Zé Beto, nem por Américo.

Iker Casillas é um guarda-redes como todos os outros, com qualidades e defeitos, e que ao longo de toda a carreira sempre fez sobressair as suas qualidades. Mas é, de facto, um guarda-redes muitíssimo caro para aquilo que rende desportivamente. E é por isso que, quando o R&C da época for publicado, é importante perceber se Casillas é um guarda-redes que de facto se paga a si próprio.

Ao que tudo indica vai continuar no FC Porto. Casillas e o clube já admitiram avançar para o ano de opção no contrato, até 2018, mas isso ainda não foi oficializado. Até porque o Real Madrid só comparticipa o salário de Casillas até 2017 (se Casillas fizer a época 2017-18 no FC Porto, o salário será na íntegra pago pela SAD), logo o salário teria que ser drasticamente reduzido para ficar no FC Porto.

Em Casillas vs. Emirates, vimos que a contratação de Casillas estava a ser muito benéfica financeiramente, mas é importante calcular os números finais no R&C. Até porque um clube que tem um guarda-redes com salário anual bruto de cerca de 5M€ não pode abdicar de um investimento num bom treinador, nem pode andar com a equipa coxa durante toda a época. A manta tem que dar para cobrir ombros e pés. E quando avaliamos um jogador como Marega em mais de 4M€, então a manta devia dar para cobrir Dragão, Aliados e a Ponte do Freixo. 

A primeira época de Casillas no FC Porto não deixa saudades, devido à ausência de títulos. Oxalá as coisas mudem no próximo ano, de preferência sem sofrer outra vez 30 golos. Nunca esquecendo que é o guarda-redes quem fica com os golos sofridos, mas nem Lev Yashin ou Vítor Baía conseguiriam sobreviver a tanta asneira na defesa esta época. O Casillas da Luz é um guarda-redes que ajuda a ganhar campeonatos, mas o FC Porto nunca ganhará campeonatos se precisar que o guarda-redes faça tantas defesas como as que fez nesse jogo.

A melhor forma de proteger a baliza não é ter um guarda-redes que defende tudo: é fazer com que o guarda-redes tenha que defender o menos possível.

Helton, 38 anos
E agora Helton, o capitão. Todos sabem que Helton, embora seja um jogador acarinhado e carismático, não tem um feitio fácil, pois detesta ser suplente (quem não detesta?). Esteve irrepreensível na Taça de Portugal... até à final, onde sofreu os primeiros 2 golos, não ficando bem na fotografia. Aos 38 anos, Helton dificilmente tirará o lugar a Casillas em 2016-17 - nenhum clube tem Casillas se não for para jogar. Tem mais um ano de contrato, por isso coloca-se a questão: uma última época como (mais que provável) suplente ou o adeus antecipado?

Helton tem um lugar cativo na história do FC Porto. Foram 18 títulos neste clube. Tudo dependerá do entendimento entre as partes. Quando ou se Helton quiser, seria certamente uma mais-valia integrá-lo nos quadros técnicos do clube. Mas se ainda entender que está em condições para jogar ao mais alto nível, está no seu direito.

José Sá, 23 anos
José Sá, conforme esperado, não chegou a jogar na equipa A, tendo sido apenas utilizado na equipa B. Tem que ser emprestado para, pela primeira vez na sua carreira, fazer uma época completa como titular de primeira liga.

José Sá já vai para o seu 5º ano de sénior e ainda não fez uma época completa e regular numa primeira liga. No FC Porto, a não ser que lhe seja garantido o lugar de 2º guarda-redes (com titularidade nas Taças e esporadicamente na B), não faz sentido continuar. Foi uma contratação, não um reforço

Raúl Gudiño teve a sua primeira experiência na primeira liga, pouco positiva. Deu dois ou três frangos que o marcaram no União da Madeira. Ainda assim, este foi apenas o seu primeiro ano de sénior, e a margem de evolução continua toda cá.

Gudiño, 20 anos
Ter um bom treinador de guarda-redes é essencial (Bruno Freitas, o treinador do União, teve como expoente máximo da sua carreira profissional a titularidade no Ribeira Brava). Já não vai contar como jogador formado no FC Porto, devido a este empréstimo, pelo que agora deve continuar a procurar-se um enquadramento de primeira liga (o Chaves já o pediu).

Na temática dos guarda-redes, deseja-se ainda que a nova equipa técnica inclua um treinador de guarda-redes de provas dadas, habituado a trabalhar com diversos guarda-redes, desde jovens, que precisam de evoluir, a mais experientes, que precisam de manter a forma física. Nada pode ser descurado.

Os guarda-redes ligados ao clube, mas que não iniciaram a época no FC Porto, serão analisados no post destinado aos emprestados.

Pergunta(s): Quem deve ser o número um e o 2º guarda-redes para 2016-17?

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Investimento a galope

Mlynarczyk. Zé Beto. Barrigana. Helton. Vítor Baía. Américo. A nossa história é rica em grandes e marcantes guarda-redes. E o mais caro de todos chama-se Raúl Gudiño e tem 19 anos.

Está comprado, de contrato assinado, e agora pertence aos quadros do FC Porto. Uma surpresa é que o investimento seja de 3,5 milhões, segundo se escreve no México. Os clubes nunca confirmaram o valor publicamente, logo não se sabe, publicamente, quanto era a opção. Por exemplo, Paco Palencia chegou a anunciar que era de 2,5M€ e que o Chivas estava insatisfeito, pois queria ter conseguido uma cláusula maior. E agora subiu para 3,5M€. Pela totalidade do passe? Teremos que esperar para ver.

Três anos é muito pouco
Raúl Gudiño vale os 3,5M€? Vai ter que valer. O FC Porto torna Gudiño o guarda-redes mais caro da sua história. Isto diz algo muito claramente: que vai ter que ser o futuro número 1. Que não faz sentido que, sobretudo após renovar com Helton, se volte a contratar outro guarda-redes. Há ainda Fabiano, que foi o titular em grande parte da época e o guarda-redes menos batido das ligas europeias, Andrés Fernández, com um investimento superior a 1M€, Ricardo e Bolat, que foram contratados para fazer números (o plural não é acaso), e os jovens Kadú, Caio, Andorinha e Filipe Ferreira. Chega e sobra de guarda-redes nos nossos quadros profissionais, para todos os gostos e planos.

Neste momento deixemos de nos preocupar em contratar mais um guarda-redes e preocupemo-nos em lançar Gudiño para ser o número 1. Não vai ser titular em 2015-16, claro que não. Mas o plano terá que ser fazê-lo evoluir nesse sentido. Não se falou do trabalho de Juan Arévalo durante a época, mas trata-se de um treinador que trabalhou com guarda-redes como Oscar Ustari, Miguel Moya ou Abbondanzieri, material de seleção espanhola ou argentina. Agora há que preparar Gudiño.

O jogador não tem culpa de quanto custa. Não podemos nunca colocar sobre Gudiño a responsabilidade de ter que estar à altura do estatuto de guarda-redes mais caro da história do clube. O que temos que esperar é que Lopetegui e a sua equipa técnica potenciem Gudiño na parte desportiva e que a estrutura, assumindo o grande investimento em Gudiño, perceba que agora é a hora de prepará-lo. Mas uma questão: um contrato de 3 anos para o guarda-redes mais caro da história do FC Porto? Apenas 3? Se não vai ser titular esta época, vai começar a ser titular quando faltar 1 ou 2 anos de contrato para o final? O investimento não está bem defendido com um contrato de apenas 3 anos. 

E agora um salto ao Liechtenstein, onde vamos ter Mauro Caballero a jogar na liga suíça. Vamos só recapitular um pouco do que já foi dito sobre o jogador há um ano. 

«É sabido que Gonçalo Paciência é o único ponta-de-lança para começar a pré-temporada. Onda está Caballero? Tal como Bolat, nem na lista apresentada pelo FC Porto se encontra, e no Olival nem sinal dele. Só para refrescar a memória. Estamos a falar de um jogador que envolveu um litígio e a FIFA; um jogador que fez capas de jornais a ser apresentado como alternativa imediata a Jackson; e que mal chegou relegou logo André Silva e Gonçalo Paciência, os dois mais promissores avançados portugueses, para segundo plano. 

Investimento sem
aposta sequente
Mais um refresco: em janeiro de 2013, o advogado Gerardo Acosta garantia que o FC Porto ia pagar 365 mil euros, apenas por direitos de formação. Chegou o Relatório e Contas e o que se viu foi 1,53 milhões de euros pagos à MHD, S.A.»

O Google ajuda como pode e diz-nos que a MHD é provavelmente um escritório situado em Chardonne, em Vaud, na Suíça. E agora Caballero vai jogar no... Vaduz. É esta a melhor solução para fazer evoluir um jogador que, quando chegou, começou a ganhar páginas de jornais como futura alternativa a Jackson ainda antes que um tal de Gonçalo Paciência (que vai para o Europeu a um ano do fim de contrato com o FC Porto)? Quem é sequer o treinador do Vaduz? Que experiência tem ele na evolução de jovens? Que tipo de futebol joga o Vaduz que possa ajudar Caballero? Se calhar até fica pertinho do escritório, mas não havia melhor para uma grande aposta da SAD, na medida em que até um litígio e a FIFA envolveu?

Teve números razoáveis no Aves. 15 golos na segunda liga, ainda que grande parte de penalty, que é sempre uma boa forma de valorizar um ativo (por exemplo, Abdoulaye marcava os penaltys no Covilhã - e assim conseguiu vender-se o jogador com o rótulo de central goleador, o que torna sempre um defesa mais apetecível). 

Caballero vai para o 3º de 5 anos de contrato com o FC Porto. Ansiamos pelo dia em que vejamos Rui Pedro, André Silva ou Gonçalo Paciência assinarem um contrato de 5 épocas. Até agora, de Caballero retemos um bom momento com a camisola de FC Porto, que foi um grande golo em Viseu. De resto, nada e nem para a pré-época contou. Marcou golos na Libertadores com 16 anos? Assinalável. Mas vejamos aqui o que aconteceu a alguns dos mais jovens goleadores da Champions.

Caballero não está condenado a ser um mau investimento. Mas não terá sido dado o melhor passo para evitar o contrário. Melhor das sortes da Gudiño e Caballero na sua evolução em 2015-16.

Pergunta(s): Gudiño justifica o investimento/contrato? O empréstimo de Caballero ao Vaduz foi uma boa solução?