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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Análise ao fecho de mercado: as rescisões

O que é feito de Rolando, Quiñones e Djalma? Já todos sabemos que deixaram o FC Porto, mas saíram sem que o FC Porto divulgasse uma única informação oficial nesse sentido. Mesmo sendo jogadores dispensados, estes três elementos foram campeões nacionais, tiveram textos de apresentação no site oficial, representaram o FC Porto dentro e fora de campo e não eram três sacos de batatas dos quais ninguém daria conta. Não há razão nenhuma para o FC Porto não ter avançado com uma informação oficial no seu site sobre as saídas dos jogadores. Já com Opare aconteceu o mesmo.

Sem surpresa, o FC Porto limitou um pouco a dança de empréstimos e avançou para algumas rescisões. É preferível, na maior parte dos casos, assumir a rescisão de contrato e o prejuízo do que andar a arrastar situações que não trazem nada de positivo. É certo que nem sempre é fácil rescindir, pois é raro o ser humano abdicar do seu salário em prol de algo inferior, mas são situações com as quais há que tentar lidar da melhor forma. Se havia lógica desportiva para contratar determinado jogador, é perfeitamente admissível assumir a má contratação. Quando se contratam jogadores que se sabe que vão acabar por sair, como foi feito com Sami, aí sim já é um mau ato de gestão. 

O número de rescisões, como foi antecipado aqui, aumenta exponencialmente a partir do momento em que a FIFA proíbe a partilha de passes e aplica restrições às comissões. Há formas de o contrariar, como é lógico, pois a FIFA nunca fechará uma porta sem deixar duas janelas abertas. Por exemplo, no momento da contratação de um jogador, o clube pode aumentar o prémio de assinatura e o futebolista, posteriormente, acorda o que tiver que acordar com o seu representante. Mas as dispensas e rescisões vão ser cada vez mais habituais. Opare foi dispensado logo à segunda época. E Rolando e Djalma, que já tinham sido cedidos três vezes, já não passaram deste verão. Apenas alguns exemplos. Passando a rever cada um.

2 jogos pelo FCP
Quiñones - Chegou no último dia do mercado de 2012. Vítor Pereira tinha na pré-época Alex Sandro, Emídio Rafael (ainda a recuperar de lesão) e até David Addy, todos superiores a Quiñones, para o lado esquerdo da defesa. A contratação, por si só, já não faria sentido, mas o FC Porto recebeu mais um jogador pela mão de Marcelo Simonian. Quiñones custou 1,98M€ por 80% do passe. Fez um jogo na Taça, outro no campeonato e de repente parecia que já nem contava para o totobola. Vítor Pereira não o pediu, não indicou a sua contratação, logo é natural que não lhe tenha dado grandes oportunidades. Se não contava para o treinador, como se dá logo um contrato de quatro épocas a Quiño? Como se justifica que tenha ficado na equipa B, logo ao segundo ano, a tapar o lugar a Rafa em vez de ser logo cedido a uma equipa de primeira liga? 

Até podemos salvaguardar que não havia interessados. Mas isso só torna este negócio ainda pior, com o FC Porto a avaliar em 2,5M€ um lateral, com um contrato de 4 épocas, que nem às mais modestas equipas da primeira liga interessava. À 3ª época foi para o Penafiel... para jogar a maior parte do tempo a médio-ala esquerdo. Isto diz tudo da indiferença do FC Porto em relação a Quiño, que foi contratado para ser lateral-esquerdo, mas a determinada altura já ninguém se importava que andasse a médio-ala no Penafiel. Um empréstimo deveria obedecer a uma lógica de potenciar as caraterísticas do jogador, não apenas arranjar um clube que se ocupe do atleta durante um ano. Agora Quiñones rescindiu. Tudo foi mau, desde o negócio à gestão. Quem teve a ideia de o trazer e, subitamente, não mais aparentou se preocupar com a evolução do jogador?

20 jogos, 3 golos
Djalma - Foi uma boa contratação. Já tinha 3 épocas de Marítimo na primeira liga, qualidade acima da média e quando foi contratado havia espaço para um extremo das suas caraterísticas no plantel. Mas a partir do 2º ano deixou de contar. E a partir daí, já devia ter sido assumido que Djalma não voltaria a fazer parte dos planos do FC Porto. Ao invés disso, três empréstimos consecutivos para a Turquia, que não resultaram em nada.

Agora falta saber que (ou se) prejuízo deu Djalma, pois o «custo zero» do angolano levanta algumas questões. Recordando o texto «Djalma, à espera de quê?», de julho de 2014:

Djalma chegou ao FC Porto em 2011, proveniente do Marítimo, a «custo zero». O FC Porto ficou com 90% do passe de Djalma e cedeu 10% à Pacheco e Teixeira, com sede em Matosinhos, tal como a Promosport, do empresário António Teixeira, que todos os anos faz negócios com o FC Porto e que é carinhosamente tratado como o «agente das sobras», pois raramente oferece negócios realmente rentáveis ao clube. (...) 
Então, a SAD alienou 25% de Djalma ao recém-criado fundo Soccer Invest Fund. Está registado na CMVM e é uma ramificação da MNF Gestão de Activos. O valor nunca foi oficialmente declarado, embora alguma imprensa tivesse apontado para 500 mil euros. O FC Porto disse-o assim: 
«A alienação dos direitos desportivos e económicos sobre os jogadores Rúben Micael, Djalma (25% dos direitos económicos) e Iturbe (15% dos direitos económicos), que ocorreram igualmente neste período, não geraram resultados significativos.» 
A CMVM é a única entidade que tem acesso à lista de investidores ligados à Soccer Invest Fund. Sabe-se apenas que Lino de Castro, ex-administrador do Sporting, é um dos nomes com ligação ao fundo de investimento. Certo é que o FC Porto avançou para uma série de negócios com esse fundo: 20% de Mikel, por 200 mil euros, 5% de Fucile, por 110 mil, 10% de Edú, por 100 mil, e 11% (depois passaram a 15%, pois havia a opção de comprar mais 4%) de Iturbe, por cerca de um milhão de euros. 
Desconhece-se quantos jogadores continuam ligados ao SIF (não há conhecimento de negócios com os rivais da Segunda Circular), mas Fucile, Edú e Iturbe já não estão ligados ao FC Porto. Sobra Mikel, que se lesionou com gravidade, e Djalma.

Ora, o SIF, que se saiba, não voltou a fazer negócios (exceção feita a João Moutinho, quando ainda estava no Sporting, só negociou jogadores do FC Porto). E como os fundos por norma partilham os lucros, não o risco, resta saber em que medida os 35% (10% ao empresário e 25% ao SIF) que foram cedidos/alienados pelo FC Porto podem agora ter resultado num reembolso aquando da rescisão. A rever no R&C. De Djalma, só se torna incompreensível como é que nunca houve propostas concretas por um jogador que sempre teve um valor de mercado acima de 2M€, inclusive na avaliação do SIF. Ainda não foi desta, Teixeira.

175 jogos, 17 golos
e 11 títulos
Rolando - Terminou a ligação de Rolando ao FC Porto. Como? Não se sabe. Foi capitão do FC Porto, ganhou diversos títulos, sempre foi central com bom mercado, mas sai e não se lê uma palavra sequer do clube. Rescindiu ou foi transferido? A SAD não pareceu interessada em esclarecer. O R&C poderá fazê-lo, mas foi a cereja no topo do bolo que foi a péssima gestão deste caso. Segundo uma das versões, há uma compensação de 1,5M€. Se quiserem fazer gestão à Bruno de Carvalho, ao incluir no lucro do negócio o dinheiro que se poupa em salários, poderemos falar numa verba de cerca de 3,3M€. Houve em tempos propostas superiores (sim, 15 milhões de euros - e tanto aclamaram a alegada preferência por Praet e Tielemens que os dois jovens belgas nem sequer chegaram para ser rumor na silly season), mas tudo neste caso correu mal. Há quem afirme Rolando nunca mais, pois nenhum jogador está acima do clube. Toda a razão. Mas Rolando nunca teve problemas com o FC Porto, «o clube». Sublinhe-se, como «o clube». Discutiu-se a integração há um ano, voltou-se a fazê-lo este ano e agora, por fim, Rolando muda-se para Marselha, apenas porque concordou que fosse a Doyen Sports a tratar de tudo. Há quem diga que há parcialidade quando, aqui, se fala do caso Rolando. Mas é claro que há parcialidade, pois todas as opiniões são parciais. E esta é a que se queimou um capitão, um ativo, um futebolista. Distribuam as culpas por quem quiserem, mas quem perdeu foi o FC Porto.

Melhores felicidades profissionais e desportivas a Quiñones, Djalma e Rolando, campeões pelo FC Porto.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Querem um central? Cá está ele. Literalmente

O FC Porto versão 2015-16 é um clube que...

... contratou Maxi Pereira, um símbolo do Benfica, que durante oito anos foi rival do FC Porto e à chegada ao Dragão passou a ser um jogador acarinho, inclusive com honras de camisola 2.

... contratou Dani Osvaldo, jogador com um historial de conflitos e processos disciplinares invulgar - e diria mesmo único - a assinar pelo FC Porto, numa altura em que nenhuma outra grande equipa parecia estar disposta a tentar a reabilitação do jogador.

... resgatou Silvestre Varela, após este quase ter sido reduzido a um rótulo de mercenário por parte de Pinto da Costa numa entrevista ao Porto Canal. Quis sair para «ganhar dinheiro», podia ter caído em desgraça, mas foi recuperado e reabilitado para ser um jogador importantíssimo no plantel.

... redobrou a confiança em Julen Lopetegui, cuja primeira época no FC Porto coincidiu com a primeira temporada desde 1989 sem nenhum título numa época desportiva.

Estes são apenas quatro exemplos que dizem que o FC Porto versão 2015-16 tem uma componente de segundas oportunidades. São apostas que dizem simplesmente que o passado ou o que fizeram não importa, pois o FC Porto sabe o que valem no presente e o que podem valer em 2015-16. Maxi Pereira, Dani Osvaldo e Silvestre Varela são jogadores que, por diferentes motivos, podiam hoje conhecer mil e um entraves para não vestir a camisola do FC Porto. 

Mas estão cá, integrados no grupo, acarinhados, com um papel relevante no plantel em perspetiva e até mesmo com números místicos nas costas. Tudo isto para chegar a um nome que está esquecido nesta pré-época. Discute-se a necessidade de um central patrão e hesita-se em perceber se Lichnovsky deve rodar para ser 1ª opção na primeira liga ou ficar no plantel para não aprender nada na equipa B e ser o 4º central da equipa A.

Um problema que devia
ser solução
E enquanto isso, o FC Porto esquece-se que tem nos seus quadros um central experiente, internacional, de qualidade bem acima da média; que sabe ser um líder, foi capitão, tem experiência em jogar em grandes clubes, em defrontar grandes adversários; um jogador do qual nunca nenhum treinador disse uma palavra má; mais, numa altura em que o FC Porto não tem grande margem para mais aventuras no mercado (há uma diferença em depositar todas as fichas em Lucas Lima e estar, meramente, à espera da única solução que a Doyen tem para oferecer neste momento) e não consegue pensar em contratar um nome de peso para a defesa sem envolver fundos e complexidade, eis uma solução a custo zero: Rolando.

Se há época para reincorporar Rolando, é esta. Está cá, é nosso, é portista. Tem qualidade, dispensa período de adaptação e ganhou 11 títulos pelo FC Porto. Agiu mal, como outros agiram para com ele e continuam no FC Porto merecendo total confiança do clube, mesmo quando o seu nome sai para a praça pública por problemas extra-futebol. Rolando não esteve oito anos a lutar contra o FC Porto. Não agrediu colegas ou dirigentes. Cometeu erros no passado? Certamente. Mas o FC Porto não contratou Maxi, Osvaldo e não resgatou Varela a pensar no passado, mas sim a pensar no que poderiam ser em 2015-16.

O que se pede não é muito e não é difícil: Rolando, Lopetegui, Pinto da Costa, Antero Henrique e o seu empresário (Cardoso da Silva, não é Alexandre Pinto da Costa nem nenhum dos 738 representantes em Itália) sentados à mesa, a conversar e a ultrapassar os problemas que houver para ultrapassar como gente crescida. No final, podem ter a certeza, quem ganharia era o FC Porto.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Em que ficamos?

A Bola: «Segundo o jornal Sudpresse, os dragões deverão exercer, já no próximo verão, a preferência pelos médios Dennis Praet (20 anos) e Youri Tielemans (17 anos) que já vinham sendo associados ao interesse do clube nortenho.»

Renascença: «Praet e Tielemans são apontados como duas das mais jovens promessas do futebol belga e, de acordo com o jornal "Sudpresse", os dragões deverão exercer essa opção preferencial já no próximo verão.»

Voetbal Nieuws: «Alguns meios de comunicação sugeriram que o clube português iria receber uma opção de preferência sobre Youri Tielemans e Dennis Praet. A Sudpresse informa que esse rumor é descabido e que não existem tais ofertas».

La Dernière Heute: «Vários rumores na transferência de Rolando diziam que o FC Porto tinha uma opção sobre Praet, mas esse rumor é falso. O FC Porto não tem opção de compra sobre o jovem, nem nenhum outro».

Contrato até 2016
O que se sabe? Que um agente próximo do empresário de Rolando acusa o FC Porto de ter recusado 700 mil euros + opção de compra de 4 milhões do Inter para emprestar o jogador de graça ao Anderlecht. É verdade? Não se sabe, mas é pelo menos uma versão da história. Uma versão que merece ser desmentida, caso contrário trata-de de um acto de gestão que merece justificação. O direito de preferência sobre dois jovens belgas seria interessante, mas pelos vistos há aí um problema de tradução qualquer. Um agradecimento ao monsieur Luciano por o Anderlecht ter ficado com o Defour ou uma compensação por o FC Porto não ter valorizado Defour?

No empréstimo de Rolando, nem uma informação a dar conta da saída foi dada por parte do FC Porto, excepção a uma nota no Porto Canal. Era ou não era um jogador com uma carga salarial de quase 200 mil euros brutos na SAD? A história em que o jogador é o vilão já todos ouviram. Mas ainda é um internacional português, bem pago no FC Porto, com muito mercado e que podia significar um encaixe financeiro bastante interessante.

Estamos a falar de um jogador que já teve propostas de 15 milhões de euros e que o FC Porto rejeitou, numa época em que houve prejuízo de 35,7M€. No espaço de pouco mais de 2 anos, um jogador que tinha mercado a um preço bastante razoável salta de empréstimo em empréstimo a baixo custo. 

O próprio Sudinfo (da Sudpress, o maior grupo de comunicação da Bélgica) garantiu em Setembro que o jogador mais bem pago da Liga Belga era Defour, a par de Matias Suarez, que recebia 1,5 milhões de euros por ano. Tendo em conta que o vencimento bruto de Rolando é superior a isso e que o Anderlecht dificilmente faria de um jogador emprestado durante 4 meses o mais bem pago da Bélgica, tudo leva a crer que o FC Porto continue a pagar parte (senão a totalidade) dos salários de Rolando.

O Jogo traz hoje declarações do director desportivo do Anderlecht e conta «a história da saída de Rolando». Diz que tem contrato até 2016 e não há nenhuma palavra sobre direitos de preferência. Até ver, só existe em aparentes erros de tradução. Em que ficamos?

terça-feira, 15 de julho de 2014

Nada nem ninguém está acima do FC Porto. Sobretudo quem não tem razão

«Nada nem ninguém está acima do FC Porto. Nem mesmo quem tem razão». Nem mesmo quem tem razão. Esta ressalva d'O Tribunal do Dragão, quando foi dada conta de que Rolando decidiu forçar a saída do FC Porto, prendia-se com a versão - que jamais ia ser anunciada por um blogue, dada a seriedade e delicadeza do assunto - de que o jogador teria uma verba em atraso a receber.

Rolando em litígio
O jornal CM (que não representa apenas a falência de escrúpulos em alguma comunicação social - é também o jornal que publica com meias provas aquilo que outros não publicariam com provas concretas) escreveu hoje que Rolando tem salários e prémios (que só podem ser relativos a 2012-13, pois na última época não foi inscrito pelo FC Porto) em atraso e que decidiu avançar para o pedido de rescisão.

Reinaldo Teles e Antero Henrique estão com a equipa em Horst, mas a SAD não está fechada para férias. Ao longo do dia de hoje, nem uma palavra, nem um desmentido face a esta acusação que desonra o nome do FC Porto. Estamos a falar de uma SAD que...

... perdeu tempo a fazer um comunicado a negar o interesse num jogador (Ghazal) que foi efectivamente negociado, que esteve quase a rumar ao FC Porto e que já era tema de imprensa há um mês.

... perdeu tempo para condenar a construção de uma estátua do fundador do Benfica pela CM de Lisboa. Apesar de se tratar de dinheiro público, o orçamento participativo de qualquer CM é um dado importante em democracia e uma vontade da sua fracção de contribuintes, logo esta «queixa» do FC Porto foi desprovida de sentido.

... perdeu tempo a preparar um manual de boas maneiras para viscondes. Ok, neste caso não foi perda de tempo, estavam mesmo a precisar.

... mas que não perde tempo a negar as acusações de que deve dinheiro a um profissional seu e de que Rolando está a ser ameaçado por (citamos) «muita gente ligada ao clube»? Não vamos dizer que o silêncio é assunção de culpa. Mas é mais do que convidativo a esta interpretação e é de uma gravidade que urge ser esclarecida.

Pinto da Costa afirmou que Rolando ia fazer parte do plantel. É absolutamente inconcebível que o presidente tenha afirmado isto tendo o jogador vencimentos em atraso, a não ser que houvesse algum acordo prévio para o pagamento. Alguns portistas até colocaram a hipótese de se tratar de uma posição concertada e de ser uma mensagem para o mercado. Pelo contrário, este litígio fragiliza gravemente a posição negocial do FC Porto, apesar de segundo O Jogo a Roma ter oferecido 5,5 milhões (o Inter nunca chegou ao 5M, que era quanto o FC Porto pedia inicialmente).

«O FC Porto não é uma
monarquia», disse PC
No dia em que Pinto da Costa disse que Rolando ia ficar, o empresário Paulo Teixeira (o mesmo que dá conta da existência de agressões ao CM) escreveu no Twitter (podem ver a sua conta clicando aqui) que o jogador, na véspera, comunicou ao presidente que não pretendia ficar no FC Porto. Então, porquê esta afirmação do presidente, ainda por cima afirmando que não ia ter gente contrariada no clube?

O CM conta também a suposta existência de agressões a envolver Alexandre Pinto da Costa, o sócio Pedro Pinho e o referido agente Paulo Teixeira. Alexandre não é, nem nunca foi, o empresário de Rolando, nem sequer estava mandatado para a transferência de Rolando, o que torna incompreensível como é que apareceu envolvido no assunto. A Pinto da Costa o FC Porto deve tudo, mas a Alexandre não deve nada. E se ele próprio confunde-se com um membro dos órgãos sociais da SAD, então ainda mais importante se torna o esclarecimento deste caso. Porque Alexandre Pinto da Costa até pode negociar em nome do FC Porto, desde que o presidente lhe atribua tais funções (como já o fez diversas vezes), mas não pode intrometer-se em negócios para os quais não está procurado.

Paulo Teixeira diz ao CM que Alexandre acusou Antero Henrique de ser um ladrão (sendo Antero o CEO da SAD, ainda mais urge que a SAD se defenda publicamente destas acusações) e que desafiou Mohammed Afzal a apresentar uma proposta de 10 milhões ao FC Porto por Rolando. Tanto Alexandre como Afzal jamais seriam empresários de renome se não tivessem ligações familiares aos dois nomes fortes do FC Porto (Pinto da Costa e Antero Henrique), o que só torna lamentável que envolvam o bom nome do clube numa lavagem pública de roupa suja.

Paulo Teixeira deu voz (e a
sua versão) à polémica
Mas nada disto, apesar de não ser um caso virgem, se aproxima da gravidade das acusações que são feitas ao FC Porto. Se a SAD está em incumprimento com um profissional dos seus quadros, deve imediatamente chegar a acordo com o próprio, porque os sócios não pagam quotas para ver os jogadores (que são quem levam os adeptos ao estádio, não são os dirigentes, embora Pinto da Costa seja o único presidente do mundo a ter direito a um cântico todos os jogos) serem alvos de incumprimento; ou o FC Porto desmente veementemente as acusações do jornal CM e reage com dureza a este atentado à credibilidade da SAD enquanto sociedade cumpridora. Até porque para um clube que se congratula pela confiança do mercado na emissão do empréstimo obrigacionista, de pouco vale se não tem a confiança dos seus profissionais no cumprimento dos vínculos acordados.

PS: Quem está mais preocupado com as transferências de Oblak, Garay e Markovic do que com esta acusação de que o FC Porto deve dinheiro a um profissional seu, então O Tribunal do Dragão definitivamente não será um espaço de eleição para si. Porque defender o FC Porto nem sempre é defender aqueles que agem em seu nome; e defender o FC Porto não é varrer para debaixo do tapete e criar tabus, mas sim combatê-los.

domingo, 13 de julho de 2014

Nada nem ninguém está acima do FC Porto. Nem mesmo quem tem razão

A 3 de julho, dia em que Rolando foi reintegrado no plantel, foi aqui defendido que o regresso fazia todo o sentido, pois nada nem ninguém está acima do FC Porto. Referência, como é óbvio, para o desentendimento com Antero Henrique e com Vítor Pereira, que foi tornado público, sem que se conheça as razões de cada um - talvez porque houvesse uma parte sem razão.

Rolando não vai a
estágio e força saída
Mas quezílias existem em todos os clubes. A diferença é que nada nem ninguém pode estar acima do FC Porto. Por isso, foi defendida a integração de Rolando. E porque nada nem ninguém pode estar cima do FC Porto, agora condena-se a atitude do jogador, que não teve um comportamento digno ao faltar à concentração de pré-estágio e forçar a saída. Rolando, se tinha razão, perdeu-a. Embora tenha dito que estava disponível para regressar ao clube de que é assumidamente adepto, a janela italiana continua a ser demasiado tentadora. Rolando sabe que Lopetegui gosta do seu futebol, possivelmente seria titular, mas nem assim pretendeu ficar.

Pinto da Costa afirmou que não ia manter jogadores contrariados no plantel. Uma declaração demasiado audaz, sabendo que Rolando pretendia sair para o Inter e que lhe tinha comunicado isso na véspera. O presidente agora vai ter mesmo que levar a sua posição à letra: jogadores contrariados não podem ficar no FC Porto. Aliás, até podem ficar. Não podem é desonrar compromissos.

Rolando foi sempre um profissional dedicado e um membro exemplar no balneário, mas perante este comportamento só tem duas saídas: pedido de desculpas a quem faltou aos compromissos ou adeus e até sempre. Porque nada nem ninguém está acima do FC Porto.

Lopetegui levou Abdoulaye e Lichnovsky para estágio, mas a saída de Rolando abre uma nova vaga para os planos do treinador para a defesa, que será preenchida com uma incursão ao mercado de transferências. Quem gostariam de ver ser contratado?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Rolando regressa a uma casa que continua por arrumar

«Alguns adeptos poderão questionar: será possível a integração de Rolando depois de toda a polémica com Antero Henrique? Respondo com outra questão: que melhor prova de uma estrutura unida e a remar para o mesmo lado do que deixar para trás as questões pessoais em prol do FC Porto?»

De volta a casa, para já
Foi assim que O Tribunal do Dragão abordou, a 18 de junho, o regresso de Rolando ao FC Porto, que é agora confirmado pelo jornal O Jogo, no dia em que começa a pré-época 2014-15. Importa esclarecer que a sua permanência no plantel ainda não é um dado garantido - se o Inter Milão chegar aos 5 milhões de euros, a saída ainda pode acontecer -, mas o primeiro passo foi dado. Não é apenas uma obrigação contratual (os jogadores com contrato têm que se apresentar no Olival), mas o cumprimento de algo que deve ser regra em relação a passado, presente e futuro: nada nem ninguém está acima do FC Porto.

Rolando é um elemento que conhece o balneário, já foi capitão, experiente, com qualidade e foi um dos melhores centrais da Serie A do último ano. Caso fique no plantel, terá que renovar, pois só tem mais um ano de contrato - tal como Izmaylov, que vai renovar até 2016 antes de ser emprestado, para prevenir uma saída a custo zero. Uma curta nota: o FC Porto errou na contratação do jogador, mas não na gestão dos problemas de ordem emocional, familiar e psiquiátrica de Izmaylov. Salvou-se o homem e, ao que tudo indica, recuperou-se o futebolista. Bravo, FC Porto.

De volta ao tema inicial. Rolando, dos jogadores que estiveram emprestados, é o único que sabe que tem lugar no plantel de Lopetegui, isto caso o Inter não suba a parada. Bolat, Tiago Rodrigues e Djalma têm ordens para se apresentar, mas dificilmente algo mais do que obrigações contratuais, além de Caballero, que pode tentar aproveitar o facto de Gonçalo Paciência ser o único ponta-de-lança disponível para as primeiras duas semanas.

Mangala tem sucessor. Jackson não
Lopetegui ainda espera pelos seus reforços e curiosamente hoje o jornal CM até escreve que o treinador tem «plenos poderes», a ponto da SAD decidir dar-lhe jogadores por empréstimo (para já só Oliver está confirmado) para tentar satisfazer as suas opções. Uma meia verdade: se é certo que Oliver Torres foi um pedido do treinador, os empréstimos também são uma forma da própria SAD se adaptar ao mercado e às dificuldades de tesouraria que apresenta e vai continuar a apresentar, enquanto Mangala (para quem a sucessão já está tratada, embora Indi não esteja oficializado) e Jackson Martínez (que Pinto da Costa não quer deixar sair - sobretudo porque Lopetegui, ouviu O Tribunal do Dragão, disse que Jackson seria o ponta-de-lança ideal para ele) estiverem no Brasil. Um plano que muito, muito dificilmente resistirá à lei do mercado e de um clube que depende de vendas - não só para investir como para subsistir.

A Lopetegui resta, para já, tentar tirar ao máximo proveito dos jogadores que tem à disposição, mesmo que já tenha a opinião formada sobre a generalidade. À SAD resta adotar a consciência de que quanto mais tarde as entradas e saídas forem fechadas, maiores serão as limitações para preparar a época, sobretudo num mês de agosto em que pode aparecer um tubarão no play-off da Champions.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Rolando, Antero Henrique e a mensagem que não é só para presidentes. Os centrais e um «até já»

«Tudo o que fazemos, tudo o que pensamos fazer, tem uma exclusiva finalidade: servir o FC Porto!» As palavras de Cesário Bonito estão na galeria dos presidentes, mas não são apenas para os presidentes: são para todos aqueles ligados ao FC Porto.

A possibilidade de um
«reforço» inesperado
A saída de Rolando foi atribulada e de pouco valerá recordar toda a polémica em seu redor. Um profissional exemplar e competente, ao longo de quase cinco anos, que desde a conquista da Liga Europa viu a sua situação ser mal gerida por SAD (no que toca a propostas) e treinador (na utilização e na inibição para a mesma).

Disse que «Villas-Boas tem o meu número?». Disse sim. E na mesma intervenção lembrou que tinha contrato com o FC Porto e que a direção é que ia decidir se era altura para ele sair. De Rolando, nunca foi notícia um amuo, nem queixas em redes sociais. Quando foi emprestado ao Nápoles, soltou tudo de uma vez, acusando Vítor Pereira e Antero Henrique de lhe fazerem «a vida negra». Poderia ser evitado? Podia. Mas erros cometem-se sempre: o que importa é saber corrigi-los em prol de interesses superiores: os do FC Porto.

Rolando é um elemento que conhece o balneário, já foi capitão do FC Porto, experiente, com qualidade e foi um dos melhores centrais da Serie A do último ano. Numa altura em que o FC Porto vai necessitar de um ou dois centrais (a continuidade de Abdoulaye não é garantida, Mangala é um caso no mercado ainda por resolver), pode Rolando vir a ser a solução que falta? Pode.

As negociações com o Inter Milão estão num impasse. O clube quer ficar com Rolando e Rolando gostava de ficar em Itália, mas os números em cima da mesa ainda não convenceram o FC Porto a libertar o central, que tem contrato até 2015. Neste momento, as propostas não chegam a um terço do valor pelo qual Rolando podia ter saído em 2011. Quer isto dizer que neste momento, financeiramente, Rolando nunca renderá tanto como desportivamente - um pouco à imagem do que a SAD entende ver em Varela, segundo foi contado recentemente pelo jornal O Jogo.

Um défice de liderança
Qual será a melhor opção para reforçar a defesa? Apostar em mais um central promissor (já há Reyes, que nem titular numa defesa com três centrais, no México, está a conseguir ser) ou num central experiente que é necessário (desde a saída de Otamendi que não há ninguém para esse papel, sendo Maicon uma incógnita neste momento). Para central experiente, Rolando é a melhor solução. Seria necessário renovar, pois só contrato por mais um ano, mas esse seria um obstáculo fácil de superar.

Rolando é oficialmente representado por João Cardoso, o seu empresário de sempre e que considera um pai, mas Peppino Tirri, um empresário italiano com boas relações com Alexandre Pinto da Costa (que está em vias de levar Licá para Itália), tem procuração para o negociar para Itália (à imagem de Jackson Martínez, o capricho de Peter Lim). Da mesa com o Inter ainda não saiu qualquer acordo. A transferência ainda é a prioridade, mas caso esta falhe Rolando deverá ser integrado no plantel.

Alguns adeptos poderão questionar: será possível a integração de Rolando depois de toda a polémica com Antero Henrique? Respondo com outra questão: que melhor prova de uma estrutura unida e a remar para o mesmo lado do que deixar para trás as questões pessoais em prol do FC Porto? Aguardemos o desfecho do caso, certamente resolvido até ao final do mês.

Uma porta sempre aberta
Rolando, como possível resposta à dificultada contratação de Balanta, não disfarça um problema: o FC Porto, uma das melhores escolas de centrais na Europa, tem um défice nos seus quadros para esta posição, que afecta inclusive os escalões de formação. O dinamarquês Malte Johansen é hipótese, mas para os sub-19. O chileno Igor Lichnovsky tem feito correr tinta, com vista a um ingresso na equipa B. E há ainda uma grande incógnita no defeso: o jovem Pedro Monteiro, que se juntou à carteira de António Araújo (por estes dias no Brasil - país de onde vão chegar mais atletas para ingressar nos sub-19 do FC Porto, juntando-se ao compatriota Elvis) e está entre Braga e Pedroso. Três boas apostas, caso se confirmem, e o central Júnior Pius promete dar que falar na equipa B já na próxima época.

Equipa B essa que, ouviu o Tribunal do Dragão, já não contará com Nuno Capucho (inicialmente apontado como adjunto de Luís Castro), de saída para o Minho, após sete anos a trabalhar na formação do clube. Pode acompanhar a nova geração de bons treinadores na sua linha (Pedro Emanuel, Nuno Espírito Santo, Sérgio Conceição) e merece a oportunidade a solo, após uma exemplar dedicação ao clube. Boa sorte, que esta porta fica aberta. Mais saídas dos quadros técnicos a confirmar nos próximos dias.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Rolando: lei Webster não é hipótese

O título é chamativo, mas não passará de um falso alarme.
Lealdade ao presidente
fala mais alto.

O Jornal de Notícias traz à capa na sua edição de 9 de junho que Rolando «vai rescindir com o FC Porto para ficar no Inter». Um título que sugere que a lei Webster é hipótese para o futuro do central. Nada mais errado.

Rolando aguarda pacientemente a conclusão das negociações entre Inter e FC Porto, à espera do ok para permanecer em Milão. Uma rescisão à Paulo Assunção está descartada pelo atleta que, diga-se, contratualmente o poderia fazer. Mas não o fará.

«Pinto da Costa é um senhor, um gentleman. Com a ajuda dele o FC Porto ainda conseguiu ser campeão. Com um presidente como Pinto da Costa, não que seja fácil ser campeão, o FC Porto está sempre um passo à frente dos adversários», disse Rolando à Antena 1, numa recente entrevista. Palavras de quem admira o presidente e de quem não colocaria em causa um negócio cujo encaixe será precioso ainda para 2013-14.

Mas precioso, precioso, seria que Rolando tivesse a oportunidade de render em campo, visto que financeiramente a hipótese de render o triplo do que o que poderá render agora foi, literalmente, vetada anteriormente. Um tema para um futuro próximo.