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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Sem condições para ser campeão

Tentemos contextualizar isto com cara séria, sem ninguém se rir: numa jornada em que o primeiro classificado empata em casa com o último, o FC Porto consegue ficar ainda mais distante do primeiro lugar, sem depender de si próprio para ser campeão; e no espaço de 4 jornadas, o FC Porto perdeu 8 pontos para o Benfica de Rui Vitória. Inaceitável, e assim não há a mínima hipótese de lutar pelo título de campeão.

Não há milagres
O erro de Casillas mudou toda a história do jogo. O Vitória de Guimarães mostrou ser uma equipa limitada, de futebol pobre, sem ideias ofensivamente e limita-se a manter um bloco defensivo coeso e organizado. Mas o mais grave é mesmo isso: não precisaram de jogar porra nenhuma para ganharem ao FC Porto.

Não há milagres, e esta derrota é da inteira responsabilidade da administração do FC Porto. Se olharmos ao que foram as opções técnicas ao longo da partida, haveria muito a criticar. Mas ninguém pode levantar uma única crítica a Rui Barros. Ninguém tem direito a fazê-lo. E a justificação é muito simples: por maior que seja o elefante na sala, Rui Barros não é treinador principal. Não pode ser responsabilizado.

A culpa, ou responsabilidade, aplica-se a quem despediu Lopetegui sem ter uma 
única alternativa em vista. Já lá vão 11 dias desde que Lopetegui foi despedido, e desde então Rui Barros foi exposto a uma situação estremamente desconfortável, à qual só quem ama o clube se sujeita. Haveria pelo menos três ou quatro «Machados» a aplicar à estratégia e à gestão do jogo, mas não há moral absolutamente nenhuma para criticar Rui Barros. A responsabilidade, além dos jogadores, é da administração do FC Porto.

Se o pós-Lopetegui já seria difícil - só alguém iludido poderia pensar que, saindo Lopetegui, a partir daqui seria um mar de rosas -, assim será muito mais. Já não é o título a estar em risco, mas sim o apuramento direto para a Liga dos Campeões.





Esboço de reação (+/-) - Não houve muito a destacar positivamente no FC Porto. Maxi Pereira esteve sempre ao ataque, cruzou com perigo e foi possivelmente o mais empenhado em campo. Herrera estava a ser o melhor do FC Porto, o único a conseguir fazer sempre circular a bola e a criar linhas de passe nas variações, mas incompreensivelmente saiu (poderíamos pedir responsabilidades se tivéssemos, de facto, um treinador principal no banco). E Brahimi, apesar dos habituais exageros, ainda foi o único a acrescentar alguma magia à anarquia tática do FC Porto, tendo sido o mais perigo num jogo em que quase não criámos ocasiões de golo (o jovem guarda-redes adversário só teve que ir ao chão buscar bolas perdidas). Destaque para a dimensão física que Danilo emprestou ao jogo e para a entrada de Varela.





Casillas (-) - Cada bola que foi parar ao seu raio de ação fazia-o tremer como não se via num guarda-redes espanhol desde Roberto. Ficou claramente sem confiança devido ao lance do golo, um lance que ironicamente abordou com demasiada confiança (a mania de tentar sempre agarrar a bola tinha que correr mal um dia). Pior exibição com a camisola do FC Porto, a tirar o que deu no penálti defendido diante do Tondela. Errou, Casillas sabe que errou, mas também não tem culpa de à sua frente estarem 10 jogadores que não criaram uma única grande ocasião de golo.

Aboubakar (-) Chegámos à fase em que ser muito humilde, trabalhador e bom rapaz já não chega. Nem um remate, nem um passe, nem sequer uma progressão de 3 metros com bola. Aboubakar não conseguiu fazer nada de positivo ao longo da partida e sempre que era solicitado o FC Porto perdia o lance de ataque. Exibição péssima, daquele que é e vai continuar a ser o ponta-de-lança titular do FC Porto - quem acha que é Suk quem vai, a curto prazo, mudar isso só pode mesmo que estar com muta ilusión.

Outros destaques (-) - Layún teve sempre grande disponibilidade a subir, mas não acertou um cruzamento. Corona adornou demasiado os lances, foi lento a executar e acabou substituído depois de um bom começo de jogo. André André esbarrou sempre contra a defesa adversária, mas o lance do minuto 30 é mau de mais: perde a bola e fica parado em campo, em posição de fora de jogo, durante meio minuto a apertar a chuteira. A sua melhor fase parece já ter dias distantes.

Será mesmo o melhor plantel? (-) - Estas foram as três respostas ao resultado que saíram do banco do FC Porto: Varela, que não é titular no campeonato desde agosto; André Silva, inexperiente e vítima do mau momento da equipa (em 5 jogos com ele em campo, o FC Porto só ganhou o jogo da Taça no Bessa, em que ele entrou aos 90 minutos); e Sérgio Oliveira, que se estreou no campeonato para passado 10 segundos ver cartão amarelo. Foram estes 3 jogadores em que o FC Porto apostou quando estava a perder por 1-0 e a 5 pontos do Sporting. Isto parece um banco digno de uma equipa que assume querer ser campeã nacional?

A super-estrutura, sobre a qual alguém um dia disse que valia mais do que qualquer treinador - «No FC Porto qualquer treinador é campeão» -, vai para o 12º dia ainda sem oficializar a contratação do sucessor de Lopetegui. Que bem está a correr.

À data de hoje, o FC Porto não tem condições para ser campeão nacional. Ainda há tempo para mudar isso, mas não é com esta postura, nem com estes protagonistas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A Taça e três elefantes na sala

Um dérbi à antiga: um Boavista a jogar sob a máxima «é canela até ao pescoço» e um FC Porto a ter que lutar contra muito mais do que 11 jogadores do outro lado. A equipa sobreviveu e apurou-se para as meias-finais da Taça de Portugal. Faltam 3 jogos para atingir o objetivo de regressar aos títulos esta época, e numa eliminatória a duas mãos (algo feito pela FPF para ajudar os clubes grandes a chegar ao Jamor) não pode haver desculpa nenhuma para admitir outra coisa que não seja eliminar o Gil Vicente (há quanto tempo ninguém ouve o Fiúza falar?).

Lisboa é que é bom
O FC Porto ganhou, mas há muito mais a discutir. Não só a questão do treinador, mas sobretudo o que se passou ontem no Bessa. Tanto a expulsão de Imbula como o penálti de Indi não deixam margem para dúvidas: são boas decisões. O problema foi o critério utilizado por Nuno Almeida, o árbitro algarvio que só serve para apitar nos estádios de Benfica e Sporting.

É ver para crer: Nuno Almeida apitou 12 jogos do Benfica, dos quais 11 em casa. O único que apitou fora foi... o jogo entre Arouca e Benfica, em campo neutro, em Aveiro. A jogar em casa e apitado por Nuno Almeida, o Benfica tinha vencido sempre todos os jogos.

O historial com o Sporting também é maravilhoso: em 15 jogos, 14 em Alvalade. Os 12 primeiros foram todos em Alvalade. Ao 13º, foi a Vizela arbitrar um jogo fácil para o Sporting, da Taça de Portugal. 

Em relação ao FC Porto, foi o 10º jogo, o 4º fora de casa. No espaço de 1 ano, Nuno Almeida já arbitrou dois jogos do FC Porto fora de casa, tantos quanto Benfica e Sporting nos últimos 13 anos em que arbitrou. É um exemplo do critério de Vítor Pereira.

Que faz o FC Porto em relação a isto? Uma piadinha no Dragões Diário. O critério de Vítor Pereira e Nuno Almeida quase atiraram o FC Porto para fora da Taça de Portugal - neste momento o troféu que mais hipóteses temos de conquistar. Que faz o FC Porto? Nada, zero, caladinho. Agora ainda pior, pois já não temos um treinador que se insurja contra isso nas conferências de imprensa.

E agora falamos do nosso Rui Barros. Ele próprio o diz: é um homem grato ao FC Porto, ao serviço do FC Porto, que vai dar sempre o melhor de si. Só há um problema: não é, nunca foi, e nunca quis ser treinador principal de futebol.

Muitos outros ex-jogadores do FC Porto fizeram parte de equipas técnicas do clube, mas a determinada altura quiseram dar os seus próprios passos de treinador. De João Pinto a Domingos, de Pedro Emanuel a Capucho, há muitos exemplos de homens que quiseram efetivamente ser treinadores principais.

Não é o caso de Rui Barros. Ele é portista, sente-se bem no FC Porto e quer contribuir para o clube. Dará sempre o seu melhor. Mas não é treinador principal.

Portista, mas não treinador
Nem vale a pena discutir o perfil técnico-táctico, nem o facto de ter trabalhado de perto com vários treinadores do FC Porto (Nuno, Pedro Emanuel e Costinha são exemplos de treinadores de quem se dizia terem absorvido os conhecimentos de Mourinho, mas saíram pela porta pequena dos clubes por onde passaram). Rui Barros é demasiado boa pessoa e demasiado correto para exercer um cargo desses. Rui Barros não será o tipo de treinador/homem que vai repreender os jogadores do FC Porto, que se vai insurgir contra as arbitragens, que vai ter o punho de ferro que se exige no dia a dia de um treinador do FC Porto. Não é um comunicador, tanto que, na sua humildade, até deixou escapar na flash-interview que ia ser o treinador em Guimarães, tendo depois sido obrigado a corrigir isso na conferência de imprensa. É um amigo, uma pessoa agradável, mas tem pouco ou nada daquilo que caracteriza um grande treinador principal.

Enquanto estiver no cargo de treinador, Rui Barros não vai receber outra coisa que não seja apoio. Porque a responsabilidade não é sua. Não é treinador principal, nunca foi, logo não lhe podemos exigir o quer que seja. Está no cargo que ocupa de alma e coração, mas não será a ele que se podem apresentar as faturas em caso de falhanço de objetivos. Se Lopetegui ainda cá estivesse, de certeza que culpavam Lopetegui. Como já não cá está e Lopetegui já não pode ser culpado (ou será que pode?), não esperem que isso recaia em Rui Barros.

Daí que faça este comentário aqui, e não nos Machados, pois Rui Barros jamais poderá estar associado a algo negativo neste FC Porto: a hesitação após a expulsão de Imbula. O FC Porto estava rebentado fisicamente e não tinha meio-campo. Brahimi estava esgotado, Varela só fechava o flanco e Herrera estava sozinho a segurar o meio-campo todo. Rui Barros demorou 16 minutos a decidir entrar Rúben Neves, e olhava para ele de minuto a minuto, com claro ar de indecisão. Podia ter custado caro, pois aqui é o treinador quem tem que dar a resposta. Mas acontece que Rui Barros, um grande futebolista do FC Porto, não é treinador.

Portanto, quando Pinto da Costa disse que o futuro treinador do FC Porto vai ser «uma pessoa», não foi de todo a resposta ideal. Pelo menos, que seja um treinador.





Herrera (+) - Foi ele, quase sozinho e como pôde, que segurou o meio-campo do FC Porto na segunda parte. Fechava os espaços, segurava a bola e pressionava quase num fenómeno de omnipresença. Ainda conseguia levar a bola ao ataque, como foi exemplo o último remate de Aboubakar. Teve a importante ajuda de Danilo a proteger as suas costas. Desde a saída de Evandro (que até estava muito bem na partida), Herrera teve que jogar por dois: primeiro quando Imbula estava em campo; depois quando Imbula saiu.

Brahimi (+) - Um lance, uma eliminatória. Contra-ataque, deixa dois jogadores para trás e finaliza com eficácia. Fosse sempre assim. Foi o jogador em maior evidência na primeira parte e entendeu-se bem com Layún nas subidas pelo corredor. Bonita a forma como festejou o penalty defendido por Helton.

Varela a defender (+/-) - A atacar, foi quase uma nulidade. A defender, esteve impecável. A verdade é que qualquer lateral gosta de jogar com Varela no seu flanco, pois é um jogador inteligente, certinho taticamente, que está sempre bem posicionado no momento defensivo. O problema é que quando elogiamos um atacante pelo que este faz defensivamente, é porque falta algo no ataque. A Varela, faltou-lhe tudo do meio-campo para a frente. Defensivamente, esteve impecável.

O momento (+) - Primeiro, Indi salvou Helton de uma grande asneira, embora tenha sido mais demérito de Uchebo do que o contrário. Depois, foi a vez de Helton salvar um disparate de Indi. Helton detesta ser suplente, e não é Casillas que muda isso, mas quando é chamado a campo diz presente. Merece ir ao Jamor e ir à tribuna levantar esta Taça.







A entrada de Imbula (-) - Não é só a entrada para a expulsão: é a entrada em campo. Os adeptos têm que meter algo na cabeça: quem se esforça e trabalha ao máximo nos treinos, joga. É sempre assim. Os treinadores são sempre sensíveis ao trabalho desenvolvido pelos seus jogadores ao longo da semana. Imbula não joga mais porque parece que anda cá a passear e a fazer um favor ao FC Porto.

Acorda, rapaz!
Absolutamente inaceitável a sua postura em campo. Quando olhamos para ele, vemos que há ali um touro capaz de pegar na bola, arrancar, deixar dois ou três jogadores para trás e criar logo perigo. Nós já o vimos fazer isso, sabemos que há ali talento - não de 20M€, oh se não, mas há ali coisas boas.

O problema é que o Imbula que vemos em campo é lento, preguiçoso, completamente à margem da equipa. Mesmo que tenha entrado a frio, após a lesão de Evandro, teve o intervalo para aquecer como devia ser. Mas nada mudou. Não recupera bolas, não age com rapidez, não pressiona, não transporta, não mete o pé, nada. 

É certo que nem era suposto Imbula vir para o FC Porto, mas a Doyen não se entendeu com os parceiros de Milão e Imbula veio fazer uma época ao futebol português. Esperavam que chegasse, engatasse e se valorizasse a grande nível. O problema é que para isso é preciso uma coisa muito importante: trabalhar. Imbula anda desinteressado, próprio de quem sabe que, jogando bem ou mal, no fim da época já terá para onde ir. O problema é que é o FC Porto quem lhe paga, todos os meses, o salário. Mas Imbula pouco ou nada se esforça e nem a saída de Lopetegui lhe parece ter dado vontade de acordar. Se não soubéssemos que há ali potencial, ninguém se dava ao trabalho de se preocupar. Mas exigimos muito mais de Imbula pois sabemos que ele pode dar muito mais. Pode e deve, se não que se faça a vontade do pai dele. 

Muitos adeptos, há uma semana, diziam que queriam ver o que Imbula faria com um bom treinador. Eu estou mais interessado em ver o que Imbula faria comportando-se como um futebolista profissional do FC Porto.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Chicotada psicológica

O termo «chicotada psicológica» é um dos mais bem conseguidos do léxico do futebol português. Porque trocar de treinador a meio da época é, sobretudo, retirar o ar pesado que se abate sobre uma equipa quando o treinador é contestado. Os jogadores são os mesmos, o trabalho desenvolvido até então é o mesmo, e muitas vezes o staff técnico também é o mesmo. Mas a disposição muda, pois o princípio básico quando se substitui um treinador é melhorar.

O FC Porto passou com tranquilidade e competência um teste que poderia tornar-se difícil. Exatamente o mesmo 11 do último jogo e uma primeira parte longe de ser brilhante, mas na segunda parte, sobretudo após o golo de Corona, a equipa soltou-se para uma agradável exibição.

Quarta-feira é dia de regresso ao Bessa, num jogo que certamente não será tão fácil como este último. É um ciclo em que seis dos próximos sete jogos são disputados fora do Dragão. Urge resolver a questão da equipa técnica o quanto antes, até porque não faz sentido reforçar e/ou arrumar a casa sem o aval do novo treinador.





Tração à frente (+) - Com ou sem cunho de Rui Barros, foi a grande mudança na estratégia do FC Porto em relação aos últimos jogos: o papel dos médios interiores no início de construção. Com Lopetegui, um dos médios baixava sempre para junto do trinco/pivô - e no último jogo viu-se o absurdo que era os três médios baixarem para o início de construção. Ontem, Herrera e André André nunca baixavam: Danilo Pereira ficava sozinho no início de construção, e os médios ficavam em zonas mais adiantadas para receber a bola. Isto pode ser um risco contra equipas que pressionam muito à frente, mas não num contexto de futebol português funciona bem. O FC Porto jogou mais a pensar na progressão e na baliza do que na linha de passe, o que fez a diferença.

O meio-campo (+) - Um regalo. Danilo fez um jogo quase perfeito, não só porque aguentou a retaguarda sozinho - deu velocidade à equipa no primeiro passe e, depois do 2x0, libertou-se para o ataque, tendo feito uma belíssima assistência e um belo golo de calcanhar. Herrera fez um jogo completo, de grande intensidade: apareceu na zona do ponta-de-lança (bom golo), esteve envolvido em todas as transições da equipa, impecável na variação de flancos, na pressão, na recuperação e a oferecer linhas de passe. André André esteve uns furos abaixo dos colegas de setor, mas não deixou de fazer um bom jogo, com a assistência para Herrera e no apoio aos flancos. Destaque ainda para a excelente entrada de Evandro na partida.


Outros destaques (+) - Além do envolvimento de Maxi Pereira e Layún (já leva 9 assistências) no ataque, é de destacar o papel de Brahimi e Corona nos flancos. O argelino é mais forte a puxar marcações; o mexicano é mais forte a furá-las. Brahimi foi o principal dínamo criativo da primeira parte, mas Corona roubou a cena pela forma como fez o 2x0 - pegar na bola, arrancar e rematar, com objetividade e velocidade. E claro, há que destacar Aboubakar. Começou por ser perdulário, como nos últimos jogos, mas apareceu no sítio certo para conseguir duas belas finalizações.

Nada a destacar negativamente, na medida em que se trata de um momento delicado para o clube, de transição - e ainda não se sabe para onde, ou para quem. Golear por 5-0 em casa do Boavista, coisa que não se via há 34 anos, é positivo sob quaisquer circunstâncias. Resta aguardar, continuar a apoiar os jogadores e dar máxima tranquilidade a Rui Barros para preparar o jogo de quarta-feira, no qual um dos objetivos da época estará em jogo.