Tentemos contextualizar isto com cara séria, sem ninguém se rir: numa jornada em que o primeiro classificado empata em casa com o último, o FC Porto consegue ficar ainda mais distante do primeiro lugar, sem depender de si próprio para ser campeão; e no espaço de 4 jornadas, o FC Porto perdeu 8 pontos para o Benfica de Rui Vitória. Inaceitável, e assim não há a mínima hipótese de lutar pelo título de campeão.
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| Não há milagres |
Não há milagres, e esta derrota é da inteira responsabilidade da administração do FC Porto. Se olharmos ao que foram as opções técnicas ao longo da partida, haveria muito a criticar. Mas ninguém pode levantar uma única crítica a Rui Barros. Ninguém tem direito a fazê-lo. E a justificação é muito simples: por maior que seja o elefante na sala, Rui Barros não é treinador principal. Não pode ser responsabilizado.
A culpa, ou responsabilidade, aplica-se a quem despediu Lopetegui sem ter uma
única alternativa em vista. Já lá vão 11 dias desde que Lopetegui foi despedido, e desde então Rui Barros foi exposto a uma situação estremamente desconfortável, à qual só quem ama o clube se sujeita. Haveria pelo menos três ou quatro «Machados» a aplicar à estratégia e à gestão do jogo, mas não há moral absolutamente nenhuma para criticar Rui Barros. A responsabilidade, além dos jogadores, é da administração do FC Porto.
Se o pós-Lopetegui já seria difícil - só alguém iludido poderia pensar que, saindo Lopetegui, a partir daqui seria um mar de rosas -, assim será muito mais. Já não é o título a estar em risco, mas sim o apuramento direto para a Liga dos Campeões.
Esboço de reação (+/-) - Não houve muito a destacar positivamente no FC Porto. Maxi Pereira esteve sempre ao ataque, cruzou com perigo e foi possivelmente o mais empenhado em campo. Herrera estava a ser o melhor do FC Porto, o único a conseguir fazer sempre circular a bola e a criar linhas de passe nas variações, mas incompreensivelmente saiu (poderíamos pedir responsabilidades se tivéssemos, de facto, um treinador principal no banco). E Brahimi, apesar dos habituais exageros, ainda foi o único a acrescentar alguma magia à anarquia tática do FC Porto, tendo sido o mais perigo num jogo em que quase não criámos ocasiões de golo (o jovem guarda-redes adversário só teve que ir ao chão buscar bolas perdidas). Destaque para a dimensão física que Danilo emprestou ao jogo e para a entrada de Varela.
Casillas (-) - Cada bola que foi parar ao seu raio de ação fazia-o tremer como não se via num guarda-redes espanhol desde Roberto. Ficou claramente sem confiança devido ao lance do golo, um lance que ironicamente abordou com demasiada confiança (a mania de tentar sempre agarrar a bola tinha que correr mal um dia). Pior exibição com a camisola do FC Porto, a tirar o que deu no penálti defendido diante do Tondela. Errou, Casillas sabe que errou, mas também não tem culpa de à sua frente estarem 10 jogadores que não criaram uma única grande ocasião de golo.
Aboubakar (-) Chegámos à fase em que ser muito humilde, trabalhador e bom rapaz já não chega. Nem um remate, nem um passe, nem sequer uma progressão de 3 metros com bola. Aboubakar não conseguiu fazer nada de positivo ao longo da partida e sempre que era solicitado o FC Porto perdia o lance de ataque. Exibição péssima, daquele que é e vai continuar a ser o ponta-de-lança titular do FC Porto - quem acha que é Suk quem vai, a curto prazo, mudar isso só pode mesmo que estar com muta ilusión.
Outros destaques (-) - Layún teve sempre grande disponibilidade a subir, mas não acertou um cruzamento. Corona adornou demasiado os lances, foi lento a executar e acabou substituído depois de um bom começo de jogo. André André esbarrou sempre contra a defesa adversária, mas o lance do minuto 30 é mau de mais: perde a bola e fica parado em campo, em posição de fora de jogo, durante meio minuto a apertar a chuteira. A sua melhor fase parece já ter dias distantes.
Será mesmo o melhor plantel? (-) - Estas foram as três respostas ao resultado que saíram do banco do FC Porto: Varela, que não é titular no campeonato desde agosto; André Silva, inexperiente e vítima do mau momento da equipa (em 5 jogos com ele em campo, o FC Porto só ganhou o jogo da Taça no Bessa, em que ele entrou aos 90 minutos); e Sérgio Oliveira, que se estreou no campeonato para passado 10 segundos ver cartão amarelo. Foram estes 3 jogadores em que o FC Porto apostou quando estava a perder por 1-0 e a 5 pontos do Sporting. Isto parece um banco digno de uma equipa que assume querer ser campeã nacional?
A super-estrutura, sobre a qual alguém um dia disse que valia mais do que qualquer treinador - «No FC Porto qualquer treinador é campeão» -, vai para o 12º dia ainda sem oficializar a contratação do sucessor de Lopetegui. Que bem está a correr.



















