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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Balanço do mercado de Inverno

Como esperado, chegou mais um avançado e vários jogadores foram cedidos a outros clubes no último dia do mercado. A principal novidade do dia foi a contratação de Hernâni, que levou Sami, Ivo Rodrigues e Otávio para o Guimarães. Começamos a análise ao mercado por aqui.

Hernâni assinou até 2019
Não teria contratado Hernâni nesta altura. Mas há sempre o benefício da dúvida, e como é claro Hernâni vai receber apoio incondicional enquanto defender as cores do FC Porto, mas o dia de hoje é dedicado a analisar a pertinência e expectativas de cada negócio.

Para mim, mercado de Inverno é sinónimo de identificar carências na equipa e preenchê-las com jogadores capazes de entrar de imediato no 11. Foi assim com McCarthy (tirando a parte chata da CAN), Adriano, Lucho, Janko, Quaresma... Mas nem sempre é possível encontrar jogadores que se enquadrem na relação qualidade/experiência/preço, e depois como Jorge Mendes tem choramingado, a FIFA estragou a festa a algumas pessoas em Dezembro. Adiante. Foi a lesão de Ádrian a levar Lopetegui a pedir mais um avançado, mas teria feito mais sentido ir buscar o tal reforço no início do mês, quando Brahimi e Aboubakar estavam na CAN, e não agora.

Olho para Hernâni e vejo-o a fazer o que Licá fazia no Estoril. Ambos jogavam em equipas de contra-ataque e futebol directo, dependem muito da velocidade e da bola no espaço, não estão habituados a jogar contra equipas que jogam com bloco recuado e que metem o extremo/ala a fechar o corredor com o lateral... E alguns problemas técnicos, como a dificuldade em jogar e decidir no espaço curto. Tendo espaço para partir no 1 para 1, em velocidade, e flectir para a zona central a partir da direita (na esquerda não renderá tanto), pode tornar-se um elemento útil. Passa pelo treinador ajudar Hernâni a evoluir, mas oxalá não tenha o destino de Licá, Djalma ou outros tantos. Sobretudo porque se o Vitória de Guimarães pedia 5 milhões de euros e precisava de dinheiro fresquinho, de certeza que não foi com 3 empréstimos que resolveu os problemas de tesouraria.

Em contas de merceeiro, será necessário o apuramento para os 1/4 da Champions para pagar a contratação de Hernâni, um jogador que à data de hoje não é melhor que Brahimi, Tello e Quaresma, nem dá ares de maior potencial do que Ivo Rodrigues (Ricardo Pereira passa a lateral-direito). Soa a um excelente negócio, mas não para o FC Porto. Mas se isto dá a possibilidade de André André ser reforço no fim da época equilibra mais a balança. Um jogador muito apreciado por cá, por ter a tal raça e mística e de que tanto gostamos, mas que faz em Guimarães aquilo que Evandro também faria perfeitamente (até a bater penaltys atrás de penaltys). Bom com vista à profundidade do plantel, não muito mais que isso, mas que não vale a pena aprofundar já. No fim da época veremos.

Vamos às três saídas para o Guimarães. Sami, como se sabe desde o início, foi uma contratação sem obedecer a lógica desportiva. Vai andar de empréstimo em empréstimo, com o FC Porto a pagar salários a um jogador do qual nunca tirará proveitos. Oxalá se valorize no Guimarães (se fizeres um ou dois golinhos ao Benfica, maravilha) e que seja feliz por lá.

De Otávio já se sabia que era uma aposta da SAD, não de Lopetegui. Por isso é natural que não contasse para o treinador. Tem potencial e talento, e é essencial jogar nesta fase da carreira. Resta saber se o Guimarães, que ultimamente tem dependido imenso da valorização e venda dos próprios jogadores para subsistir, vai ter disponibilidade para dar rodagem a emprestados (com Tiago Rodrigues, por exemplo, correu mal). Com sorte vai poder mostrar-se e talvez ganhar lugar para a próxima pré-época. Entretanto, face à saída de Otávio, nova contratação by BMG para a equipa B, Anderson de Oliveira. Nunca ouvi falar.

E agora o que mais comichão dá na contratação de Hernâni, Ivo Rodrigues. Claro que Ivo Rodrigues não ia ter oportunidades de jogar na equipa principal, e se jogar na primeira liga pode ser bem mais positivo. Mas quase que arrisco a dizer que o Guimarães vendeu gasolina e em troca recebeu uma mota. Irá Hernâni ter assim tantas oportunidades a curto prazo? Se não as vai ter a curto prazo, é porque o FC Porto idealizou a sua contratação num projecto a médio-prazo. Mas para médio-prazo já temos um tal de Ivo Rodrigues, precisamente, e é bom que comecemos a falar um pouco mais de Frédéric. Resta saber se Rui Vitória será um bom treinador para Ivo e Otávio, algo de que tenho dúvidas e que será aprofundado quando ou se for oportuno no futuro. A boa imprensa e os resultados iludem muito e dizem pouco.

Esperamos ver já algo esta época, caso contrário não há justificação possível para esta contratação. Dito isto, bem vindo, Hernâni. Agarra a oportunidade de uma vida. 





Kayembe - Quando se soube do verdadeiro negócio Kayembe, foi defendido que devia imediatamente ser emprestado a um clube de primeira liga. Dito e feito. O Arouca não é o clube ideal para tal, mas pelo menos vai ter a possibilidade de jogar mais regularmente, na sua verdadeira posição (extremo), É um jogador que há que espremer ao máximo, tendo em conta que foi uma contratação cara, muito cara para a época de maior prejuízo da SAD. Parte a loiça, Joris.

Opare - Os melhores momentos de Opare no FC Porto foram aquele «Merry Christmas» no vídeo de Natal. Infelizmente lesionou-se cedo, Ricardo Pereira declarou-lhe guerra (no melhor sentido) pela sombra de Danilo e Ángel chegou numa oportunidade de negócio. Parecia a primeira alternativa para as laterais, passou a ser a última. Até Víctor García lhe passou à frente. O empréstimo ao Besiktas peca por ter que ser o FC Porto a pagar os salários. mas nisto é quase sempre assim. Que jogue com regularidade e que atinga um nível que permita rentabilizar o activo, desportiva ou financeiramente.

Kelvin - Emprestá-lo era essencial. Emprestá-lo ao Palmeiras foi uma má decisão. A opinião aqui

Tiago Rodrigues - Uma dúzia de jogos no Guimarães e já estava a caminho do FC Porto. Muito pouco. Terá que evoluir muito e a todos os níveis para ser sequer alternativa ao plantel. Que jogue com regularidade e qualidade no Nacional para que se abram outras portas.

Célestin Djim - Nem tudo o que vem pela auto-estrada de Liège funciona. Mangala é mesmo a excepção. O crédito esgotou-se, mas faz-se um desviozinho para Bruxelas. Boa sorte ao miúdo.

Braima Candé - Contratar jogadores aos rivais tem destas coisas. Coisas que são idealizadas como grandes golpes, mas não saem dos ideais. Boa sorte ao miúdo, com Djim no Freamunde.

Ricardo e Andrés - Ricardo foi dado como certo na Académica e acaba por ficar para ser o... 4º guarda-redes do plantel! Com Gudiño a defender na B e Kadu (já devia ter saído) como alternativa, não há a mínima oportunidade para algum guarda-redes da A ir dar uma mãozinha à B. Andrés Fernández tinha mercado em Espanha, mas também não saiu para rodar. Há mercados periféricos ainda abertos, mas com poucas possibilidades de algo interessante e oportuno surgir.

Reyes - O tal dilema. Para evoluir precisa de jogar com regularidade. Mas só faria sentido ao FC Porto ir buscar um central ao mercado se fosse melhor que Maicon e Marcano. E para ser melhor, seria caro. E para entrar, teríamos que emprestar o central de 7 milhões. Taça da Liga e pouco mais, infelizmente para o jogador.

Rolando - Um caso que se não envergonha, devia envergonhar muita gente. «Quem tiver vergonha que a tenha. Quem não tiver, não tenha.» Boa sorte, Rolando.

Gonçalo Paciência - Repetindo:  «(...) E Lopetegui dá o aviso de que quer que Gonçalo fique no FC Porto «muitos anos». Isto é uma afirmação de um treinador que já está a pensar em 2015-16 e do que pode fazer com Gonçalo no futuro. Se rejeitou que ele fosse emprestado à Académica, é porque acha que será melhor ele ficar a evoluir sob a sua supervisão, em vez de ir agora para a Académica, aprender fazer a anti-jogo e a jogar para o pontinho e daqui a duas semanas estar a trocar de treinador, sabe-se lá para quem.»

Até ao verão. Ou Março, que isto do mercado é como o Natal: de ano para ano vai começando mais cedo.

sábado, 7 de junho de 2014

Sami confirma o melhor reforço da época

Rossato: Contratado
e dispensado.
«Fiquei surpreendido. Fui chamado à SAD e informado que vou para Espanha. Fui apanhado totalmente de surpresa, não contava sair.»

O verão de 2004 prometia ser de felicidade para o brasileiro Rossato. Levou o FC Porto a pagar 1,2 milhões de euros por ele, mais o passe de Serginho, depois de ter sido uma revelação no campeonato, com 10 golos, fruto de um pontapé canhão que prometia fazer as delícias dos adeptos.
Cumpriu a atribulada pré-época, com a troca de Del Neri por Victor Fernández pelo meio, e no penúltimo dia de mercado foi informado de que estava dispensado. O contrato de quatro épocas com o FC Porto ficou sem efeito e Rossato foi de imediato transferido para a Real Sociedad, sem se estrear no Dragão.

Dez anos depois, eis Sami. O agora ex-avançado do Marítimo, que em 2013-14 foi dos jogadores menos produtivos no campeonato entre assistências e golos (1), assinou por quatro anos pelo FC Porto, cuja camisola não deverá chegar a vestir em jogos oficiais. Então, a que se deveu a sua contratação?

Em fim de contrato com o Marítimo, Sami estava livre para assinar por qualquer clube desde janeiro, mês da aproximação ao FC Porto, já prevista. Em março, procuração e pré-acordo assinados, numa altura onde o nome do futuro treinador era uma incógnita. Sami foi uma contratação sem interferência de qualquer treinador, mas é sabido que a estrutura gosta de negociar à margem desse processo: os treinadores duram menos tempo no clube do que administradores e intermediários.

Com a chegada de Lopetegui, surge a questão: o que fazer com Sami? 

Sami, o negócio que interessava
e o jogador que pouco interessará
Desportivamente - o último factor a ter sido em conta neste negócio -, não é melhor do que nenhuma das soluções que o plantel já oferece. Tem qualidade, mas dificilmente terá a que o FC Porto precisa. O facto de já ter 25 anos não deixa antever a maior margem de progressão. De qualquer forma, discutir a valia futebolística que Sami pode dar ao plantel torna-se irrelevante: não foi por isso nem para isso que foi contratado.

Sami pode perfeitamente ser incluído nos trabalhos de pré-época, mas o destino, à partida, está traçado e não passa pelo Dragão. Mas o mais importante no tema Sami acaba por não ser o papel do jogador, mas o papel do treinador sobre o jogador.

Mais reprovável do que contratar um jogador que o treinador não quer seria impôr-lhe um jogador que não quer. Lopetegui tem a palavra. Um treinador firme, com pulso de ferro, era o que se pedia. Um treinador que só responde a uma pressão no FC Porto: à de vencer. 

Co Adriaanse.
É impossível perceber que tipo de treinador será técnica e táticamente neste momento. Treinar uma seleção pouco tem a ver com treinar um clube, e a experiência de Lopetegui é residual em clubes. Do treinador ao homem vai uma grande distância, mas o primeiro depende muito do segundo.

Resta perceber os limites e a razão de ser um treinador firme. Co Adriaanse foi contratado por ser exigente, duro, inflexível e fiel às suas ideias. E foi despedido por ser exigente, duro, inflexível e fiel às suas ideias.

No entanto, Co Adriaanse queria um ponta-de-lança, Van Hessenlink, que dizia valer «por dois» e que custava 8 milhões de euros, após uma época onde fez 11 golos em 40 jogos na Holanda. Razoável? Não. E o tempo deu razão a Pinto da Costa perante a intransigência de lhe oferecer esse jogador.

Pode Lopetegui exigir a aquisição de um jogador nestes moldes? Não pode. Mas pode e deve sempre seguir - neste caso, continuar a seguir - duas normas quando o mercado é o tema.
1. «Por esse preço, arranjamos melhor».
2. «Esse não é melhor do que os que cá estão. Não quero».