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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Análise 2015-16: os avançados

Não foi um ano fácil para os avançados do FC Porto. Aboubakar, Osvaldo, André Silva e Suk, juntos, marcaram 24 golos. Sozinho, Jackson Martínez marcou mais golos em qualquer uma das três épocas em que representou o FC Porto. Entre o começo auspicioso de Aboubakar, a aposta completamente falhada em Osvaldo, a entrada de Suk num comboio que já descarrilava e o sinal de esperança de André Silva no fim da época, ninguém conseguiu verdadeiramente fazer esquecer Jackson Martínez. É caso para dizer: tínhamos um ponta-de-lança que valia por quatro. 

Há qualidade e potencial para um futuro mais animador (Rui Pedro, enfim, renovou, depois de ter sido encostado a meio da fase final do nacional de sub-19), mas pensar na época 2015-16 nunca vai ser pensar em grandes goleadores do FC Porto. Mas oxalá que seja pensar naquela em que um deles começou a dar os primeiros passos.

Aboubakar - Foi um regalo ver o seu início de época. Aboubakar era um jogador capaz de tudo. Confiante, desinibido, influente, goleador. Uma fera. Depois, ao primeiro momento menos bom da equipa, o efeito Aboubakar começou a desaparecer. Não voltámos a ver aquele jogador que pegava na bola, virava-se para a baliza, encarava o adversário e deixava todos os adeptos na expetativas de algo de bom. Por mais estranha que a afirmação possa parecer, Aboubakar é demasiado... bom rapaz. É demasiado humilde e deixa-se abater com facilidade. Há outra expressão, concentração competitiva. Aboubakar é um jogador com dificuldades em revelar-se no momento adverso. Perde a confiança com demasiada facilidade. E assim é difícil aguentar-se num clube como o FC Porto, onde há sempre exigência máxima. Aboubakar tem que ser mais forte mentalmente. 
Contrato até 2018

Nuno disse que o FC Porto deve continuar a jogar em 4x3x3. As caraterísticas de Aboubakar são mais convidativas para um 4x4x2, no papel de segundo avançado. Aboubakar não é o típico ponta-de-lança que pode ficar entre os dois centrais e ser referência na grande área. Aboubakar é mais forte quando se liberta, quando recua, dá apoio aos médios e embala para o ataque. Não significa que não se possa adaptar ao 4x3x3, pois já o vimos brilhar nesse esquema, mas dependerá muito do uso que Nuno der ao ponta-de-lança.

A SAD tem 37,5% a 40% do passe de Aboubakar (surgem as duas informações no último R&C), pelo que uma eventual venda não seria rentável. Faz todo o sentido que Aboubakar continue no plantel (atenção ao contrato). Tem potencial e valia para evoluir. Acima de tudo, tem que ser desenvolvido um trabalho a nível mental. Aboubakar tem que ser mais confiante, mais arrogante (no bom sentido), mais duro. Tem que ser mais à Porto. Que ninguém diga que não tem potencial para vingar, pois tem. Falta o resto.

Suk - Podemos recuperar uma análise antiga d'O Tribunal do Dragão: «Suk é um jogador que agrada aos adeptos pela raça, por ser muito combativo e não dar uma bola por perdida. Mas não iria ser ele a solução para a falta de golos do FC Porto. Suk não garante mais golos do que Aboubakar (...) Suk movimenta-se bem na grande área e é forte no jogo aéreo, mais até do que Aboubakar, mas tem dificuldade em jogar sem espaço, contra linhas defensivas recuadas, demora a soltar a bola e é difícil para ele jogar de costas para a baliza. É um jogador com algumas qualidades, mas seria difícil formatá-lo para encaixar no FC Porto em janeiro.»

Contrato até 2020
Foi uma contratação ao encontro das expetativas. Suk não tinha caraterísticas para chegar e encaixar na equipa em janeiro. É um jogador que tem escola, que tem coisas interessantes, mas que não era melhor do que quem cá estava e nunca tinha jogado numa equipa com o modelo do FC Porto. Fez coisas interessantes na Madeira e no Setúbal, mas se lá estivesse Aboubakar também faria. 

Os adeptos gostam de Suk pela forma como ele pressiona os defesas e se movimenta na grande área. Mas conforme esperado, não consegue jogar quando não tem espaço. É difícil para Suk libertar-se da marcação, vir atrás tabelar, jogar em espaço curto. Numa equipa como o FC Porto, que assume o jogo, um jogador como Suk terá sempre dificuldades. Podia ter tido mais algumas oportunidades, mas entre André Silva e Aboubakar, era naturalmente a 3ª opção para o ataque. Pode perfeitamente fazer a pré-época (não faz sentido algum, aliás, que quem chega em janeiro, mês de «reforços» e não meras «contratações», já não sirva no final da época - isto também deveria servir para Marega, que custou mais do dobro de Suk), mas só com uma grande evolução pode enquadrar-se no plantel. Custou 1,5M€ por 70% do passe. Não foi o mais caro dos reforços, mas há que tentar rentabilizar a aposta. Mas entre Suk e Gonçalo Paciência (será analisado juntamente com os emprestados), o sul-coreano só ganha em experiência e agressividade.  

Contrato até 2019
André Silva - Foi considerado o 3º melhor jogador da época pelos leitores d'O Tribunal do Dragão. É um facto que os resultados podem estar um pouco inflacionados pela final da Taça de Portugal, mas agora percebem o porquê de, há dois anos, o TD ter defendido que era essencial amarrar André Silva. Já não é só futuro: é também presente. André Silva tem tudo o que um ponta-de-lança precisa de ter. É forte fisicamente, bom de cabeça, rápido, tem capacidade no um para um, é agressivo, consegue finalizar com os dois pés e consegue jogar tanto em profundidade como mais longe da grande área. É um avançado completo, é nosso, é portista.

O primeiro golo custou a aparecer, mas aquele bis no Jamor não foi nenhum momento Rodrigo Tiuí (que também marcou de bicicleta numa final da Taça). André Silva é capaz disto e de muito mais. Terá que continuar a ser humilde, trabalhador e profissional. Tem condições para começar a disputar o lugar na pré-temporada. A contratar alguém para o ataque, não faz sentido que venha alguém que não seja melhor do que André Silva (como aconteceu em janeiro); mas vindo alguém melhor, poderia tapar André Silva. Mas a questão é mesmo essa: que ponta-de-lança melhor do que André Silva o FC Porto poderia arranjar a curto/médio prazo? Sinceramente, não vale a pena pensar nisso. Quem já tem um leão não precisa de ir à savana. 

Pergunta(s): Partindo do princípio que o FC Porto jogará em 4x3x3, quem deverão ser os três pontas-de-lança para 2016-17?

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Contratações, não reforços

Há uma grande diferença entre contratações e reforços. Infelizmente, José Peseiro confirmou aquilo que já se perspetivava em janeiro: Suk e Marega não foram reforços, foram contratações (e a esses poderíamos juntar José Sá).

Por norma, o mercado de inverno implica a contratação de jogadores capazes de encaixar de imediato na equipa. José Mourinho teve Maciel: começou logo a jogar. Co Adriaanse recebeu Adriano: pô-lo logo a marcar golos. Jesualdo Ferreira recebeu Cissokho: direto ao lado esquerdo da defesa. Vítor Pereira teve Lucho e Janko: lá para dentro. Paulo Fonseca recebeu Quaresma: direto à titularidade.

É essa a função dos reforços de inverno. Jogadores capazes de chegar e jogar. Tanto Suk como Marega já eram, à partida, jogadores sem caraterísticas para encaixarem no FC Porto. Mas nem tiveram tempo de jogo que defendesse pertinência nas suas aquisições.

José Peseiro disse isto: «Tanto o Suk como o Marega chegaram muito em cima, muitas vezes jogaram sem conhecer o ambiente e numa altura em que muito mudou, inclusive o treinador. Isso também não contribuiu para a integração plena. Eles sabem que não serão avaliados só com base nisso

Contrato até 2020
É certo que a troca de Lopetegui por Peseiro em janeiro foi um erro, mas para Suk e Marega não é desculpa: tanto um como outro não fizeram um único treino com Lopetegui. Logo, no FC Porto só trabalharam sob as ideias de Peseiro. Mas não tendo sido jogadores pedidos por José Peseiro, o treinador não tem culpa que as contratações não tenham sido adequadas às suas necessidades.

Suk é um jogador que agrada aos adeptos pela raça, por ser muito combativo e não dar uma bola por perdida. Mas não iria ser ele a solução para a falta de golos do FC Porto. Suk não garante mais golos do que Aboubakar: marca um a cada 350 minutos com a camisola do FC Porto, enquanto Aboubakar marca um a cada 167 minutos. Não é uma ciência exata, mas é sempre uma referência. Uma dúzia de golos no V. Setúbal não é um atestado de garantia de golos num grande.

Suk movimenta-se bem na grande área e é forte no jogo aéreo, mais até do que Aboubakar, mas tem dificuldade em jogar sem espaço, contra linhas defensivas recuadas, demora a soltar a bola e é difícil para ele jogar de costas para a baliza. É um jogador com algumas qualidades, mas seria difícil formatá-lo para encaixar no FC Porto em janeiro. Foi até, sem grande surpresa, ultrapassado por André Silva nas opções de Peseiro - se o rapaz da equipa B, que já cá estava, acaba por jogar mais do que os caros reforços de inverno, isso já diz tudo do seu sucesso.

Contrato até 2020
Quanto a Marega, infelizmente, é o confirmar das expetativas sobre a sua contratação. Não mostrou uma única qualidade que recomendasse ou justificasse a sua contratação, sobretudo pelo seu preço. Não é possível dizer muito mais sobre este jogador, pois quem tem que o fazer foi quem viu nele qualidades para jogar no FC Porto. Se nós, adeptos (sendo certo que houve quem gostasse da sua contratação), não vimos razão alguma desde o início, não somos nós quem tem que justificar coisa alguma.

Neste caso, Marega não pareceu ter sido um caso de um jogador que ficou caído nos braços de Peseiro. Peseiro já era o treinador quando Marega foi contratado. Se o tivesse pedido e não o estivesse a utilizar, poderia ser responsabilidade sua; mas se além de contratarem um novo treinador lhe derem jogadores que não pediu, nem encaixam nos seus planos, então a responsabilidade é de quem avançou para Marega. Sobretudo quando este não era um talento desconhecido: a sua capacidade estava aos olhos de todos. 

Numa jornada que só serve para cumprir calendário, incluída na série de jogos nos quais era suposto os jogadores mostrarem «caráter», Suk e Marega vão para a bancada. Não será uma grande surpresa se Suk e Marega não fizerem parte do plantel para 2016-17. O mais preocupante não é isso: é que desde janeiro se previa que não seria uma surpresa.

Pergunta(s): Que papel para Marega e Suk em 2016-17?

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

T(r)emer até ao final

Três pontos que foram simultaneamente o mais importante, o melhor e a única coisa boa no jogo de ontem. Não havia margem para falhar e, no final, a equipa não falhou. Em três jogos na Grande Lisboa, o FC Porto de Peseiro saca 9 pontos. Mas a próxima jornada, em Braga, vai definir muito do papel que o FC Porto ainda poderá ter na luta pelo título. Até lá há um apuramento para o final da Taça para confirmar, mas a 25ª jornada tem que ser tratada como uma verdadeira final para o FC Porto. 






Brahimi (+) - Decisivo e de regresso às grandes exibições. Além de ter feito um golo, foi sempre o mais perigoso e rematador da equipa (4 remates, 2 à baliza). E mesmo sem nunca abdicar das voltinhas, acertou em todas as tentativas de drible perante a linha defensiva (5/5), além de ter conseguido levar a melhor em 8 de 12 duelos individuais. Pelo meio ainda esteve perto do 3x0 e fez um passe para golo que não teve seguimento.

Iker Casillas (+) - A equipa sofre golos há seis jogos consecutivos (nove consentidos), e o guarda-redes vai sendo o último responsável. Voltou a ser imprescindível, segurando o 2x1 em dois pares de ocasiões. Seguro nas saídas aos cruzamentos, voltou a garantir serenidade em momentos de aperto. Está a atravessar a sua melhor fase ao serviço do FC Porto, e oxalá que esteja a guardar a sua melhor exibição para a próxima jornada. Bem vamos precisar.


Suk (+) - Ganhou o lugar a Aboubakar e voltou a distinguir-se pela pressão agressiva e constante que faz sobre os defesas adversários. Não é mais eficaz do que Aboubakar nem garante mais golos (Aboubakar marca a cada 158 minutos, Suk para já tem média de um golo a cada 247 minutos), mas Suk tem a desvantagem de só ter chegado no mercado de inverno. Está a surpreender pela positiva no jogo aéreo: além de ter uma boa capacidade de antecipação, tem um gesto técnico interessante no cabeceamento. Destaque para a exibição completa de Herrera na primeira hora de jogo, até o meio-campo rebentar por completo (a saída de André André já tardava), e para mais um jogo limpo de Marcano






A exibição (-) - Estar a ganhar por 2x0, após ter feito apenas um remate à baliza, é algo que não acontecerá muitas vezes. Mas nem assim o FC Porto partiu para uma exibição tranquila, em que evidenciasse clara superioridade sobre o Belenenses. A primeira parte já tinha sido equilibrada: 5 remates para cada equipa e 51% de posse para o FC Porto. A segunda não mudou. O Belenenses acaba o jogo com 11 remates (3 à baliza), tantos quanto o FC Porto. Acaba o jogo com 55% de posse de bola, ou seja, o FC Porto não controlou o jogo com bola na segunda parte e perdeu o meio-campo. O Belenenses teve a mesma eficácia de passe: 76%. E o Belenenses fez oito passes para zonas de perigo, contra sete do FC Porto, além de ter conseguido ganhar mais duelos individuais (51-45). Se o remate de Carlos Martins ao poste tabelasse para dentro e se Tonel não tivesse tido aquela infelicidade, poderíamos estar com um estado de humor bem diferente. No plano individual, ainda não se viu Jesús Corona em 2016. Não é fácil, logo na primeira época de FC Porto, falhar a pré-época e apanhar dois treinadores com estilos completamente diferentes. 

Capela ou agressividade a mais? (-/+) - Do 8 ao 80. Contra o Moreirense, o FC Porto pareceu uma equipa de anjinhos: só fez uma falta nos primeiros 75 minutos, o recorde de uma equipa da liga nesta época. Contra o Belenenses, a equipa mudou por completo: 14 faltas ao intervalo, 24 no final do jogo. O Belenenses acabou com apenas 10. Não é que o FC Porto tenha sido assim tão mais agressivo: este fenómeno começa na facilidade de João Capela em marcar faltas contra o FC Porto. Por outro lado, o facto de o FC Porto ter permitido que o Belenenses tivesse sempre a iniciativa de jogo com bola, sobretudo na segunda parte, obriga a equipa a cometer mais faltas perto da sua grande área. E Carlos Martins quase o aproveitava. É essencial não só pressionar como cometer as faltas mais à frente. 

Dentro das expetativas
A sério, uma estátua (-) - As hipérboles no futebol abundam, seja para o melhor ou para o pior. Mas isto não é um exagero: Marega não acertou uma única ação enquanto esteve em campo. Podemos, com boa fé, isolar duas exceções: um passe para Maxi e uma arrancada em que, após fazer uso do que de bom tem (a capacidade física e aproveitar a bola em profundidade), acaba por escorregar. Foi penoso ver cada abordagem sua ao jogo. Receções, passes, desmarcações, desarmes e tentativas de remate: tudo o que Marega fez, fez mal. A sua exibição parecia uma compilação do Watts da Europsort. E que culpa tem o jogador disso? Absolutamente nenhuma. Ninguém pode ser obrigado a dar mais do que o que sabe. E ninguém está no direito de questionar o empenho de Marega, pois de certeza que ninguém mais do que ele quer aproveitar esta oportunidade - possivelmente porque sabe que caiu do céu e que dificilmente voltará a ter outra assim na sua carreira.

Peseiro utiliza-o há 7 jogos consecutivos, o que até pode indicar que vê alguma coisa nele - ou simplesmente sente que não tem melhor no plantel. Mas não foi ele o responsável pela sua contratação, e seria bom ouvir o responsável pela sua aquisição. Por uma simples razão: se Marega der jogador no FC Porto, quem o foi buscar merece uma estátua, pois conseguiu de facto ver o que mais ninguém viu. Não foi o único, pois quando O Tribunal do Dragão escreveu que se tratava de uma má contratação não faltaram adeptos, nas caixas de comentários, a dizer o contrário. Mas não foi nenhum desses adeptos que decidiu investir 4M€ nele. Se Marega der jogador, saia uma estátua para quem o for buscar; se não der, quem o foi buscar por aquele preço que se explique. Afinal, numa equipa cujo orçamento para esta época ronda os 150M€, ver o quarteto defensivo (Maxi, Chidozie, Marcano, Ángel) e o trio de ataque (Marega, Suk e Varela) com que o FC Porto terminou o jogo dá muito que refletir.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Reviravolta anormal

Virar um jogo de 0x2 para 3x2 é raro e difícil. Basta dizer que desde 1999 que não acontecia - na altura o FC Porto eliminou o Famalicão da Taça, por 4x2, com o bis de Quinzinho aos 118 minutos e um golo de Féher aos 119. Se nos restringirmos apenas ao campeonato, não acontecia desde os 3x2 ao Benfica, na Luz, em 1976, graças a um golo de Ademir e a um bis de Júlio Carlos nos minutos finais.

Aliás, em toda a história do campeonato, esta foi apenas a 4ª vez que o FC Porto venceu um jogo depois de estar a perder por 2x0. Mas isto quer acima de tudo dizer uma coisa: é extremamente difícil uma equipa abrir com uma vantagem de 2x0 frente ao FC Porto. E o Moreirense fê-lo com uma naturalidade assustadora.

Fazer 3 golos ao Moreirense deveria ser normal. Anormal foi estar a perder por 2x0 com o Moreirense à meia hora de jogo. Pela sexta vez em sete jogos, o FC Porto entra a perder, e quase sempre com golos apontados nos primeiros 10 minutos.

Nos últimos 2 jogos no Dragão, o FC Porto sofreu quatro golos. Durante a era Lopetegui, o FC Porto, é bom lembrar, esteve um ano inteiro sem sofrer golos no Dragão no campeonato, além de ter vencido 20 jogos consecutivos em casa ao longo de 2015. É normal que a equipa piore defensivamente, não só pela mudança de treinador (o modelo de Peseiro é isto - uma equipa constantemente exposta defensivamente; não é defeito, é feitio, o FC Porto saberia disso quando o contratou) como pelo desinvestimento em termos de qualidade no setor. 

Por muito que uma reviravolta assim seja saborosa, o FC Porto foi forçado a fazer o que só tinha feito 3 vezes em toda a sua história para vencer o Moreirense no Dragão. Uma vitória que deveria ter sido natural apareceu de forma muito suada. É bom ver que a equipa nunca se rendeu apesar das adversidades, mas em 2015 o FC Porto sofreu apenas 6 golos em 26 jogos no Dragão. Nos últimos 2 jogos, foram logo 4. É mera estatística, claro. Mas não é boa.






Layún (+) - Impressionante. Bateu com sangue frio o penalty, assistiu Suk (será que o problema das bolas paradas do FC Porto em 2014-15 seria resolvido com um batedor assim?) e lançou a jogada do 3x2. Mas mais do que isso, foi o dínamo de todo o corredor esquerdo do FC Porto ao longo de 90 minutos. Cruzou 18 vezes (10 deles tiveram resposta dos colegas na grande área!), criou nove situações de finalização e personificou toda a alma da equipa. 

Maxi Pereira (+) - Sempre incisivo na aproximação à grande área, apareceu várias vezes em zonas de finalização, esteve forte nos movimentos interiores e muito da reviravolta passou por ele. Claro, há o lance do penalty. André Micael corta a bola limpinho com o pé direito, facto. O problema é depois: chegar primeiro à bola não dá o direito de logo a seguir varrer o adversário. E é isto que separa Jonas de Maxi: Jonas saltou deliberadamente para o chão para provocar uma simulação; Maxi não. Maxi vai ao chão porque André Micael, com o seu pé esquerdo, atingiu Maxi no pé de apoio. Maxi não se lançou para a piscina, foi derrubado quando tinha o pé de apoio fixo no chão. Mas contacto era inevitável, o que daria ao árbitro justificação para não marcar penalty. Agora, simulação, não, de todo, pois Maxi só vai ao chão porque o atingem no pé de apoio. Não que não fosse capaz de simular, pois em oito anos aprende-se muita coisa. 

Aposta em Evandro (+) - Foi uma alteração extremamente curiosa. Com o Moreirense fechado, de que precisava o FC Porto? De largura pelos flancos. Mas José Peseiro não quis aquilo que tantas vezes era exigido ao FC Porto de Lopetegui: mais velocidade e largura. Preferiu colocar Evandro para reforçar a capacidade de circulação no meio-campo, pois Maxi e Layún estavam praticamente a jogar como extremos e garantiam a tal largura pelos corredores. Foi um risco. E correu bem.

Bola na grande área (+) - O que tantas vezes faltou ao FC Porto nos últimos meses aconteceu ontem em fartura: meter gente na grande área e lá criar situações de finalização. E daqui saiu um recorde no campeonato: 20 remates dentro da grande área. No meio de tantas bolas, alguma havia de entrar. Entraram as suficientes para a reviravolta, mas em lances de jogo algo periféricos (penalty, canto e um inesperado golpe de ninja). Se o FC Porto tiver 20 remates dentro da grande área, não há jogo no campeonato que não ganhe.


Outros destaques (+) - Grande jogo de Suk, que se destacou sobretudo no jogo aéreo: ganhou 6 bolas de cabeça na grande área adversária. Sempre aplicado, ainda está a aprender a jogar tendo uma linha defensiva completa à sua frente, mas vontade não lhe falta. Aproveitou a oportunidade. Grande destaque também para Casillas, que livrou o FC Porto várias vezes do 3º golo. E Herrera chega de forma quase impossível ao lance do 3x2 (se fosse o Ronaldo já estavam a fazer cálculos para descobrir quanto é que ele saltou), embora tenha manchado a sua exibição pela constante hesitação à frente da grande área. Bem a equipa na avalanche ofensiva para chegar à reviravolta.






Factor Chidozie (-) - Para quem tenha memória curta, Chidozie jogava como médio-defensivo nos sub-19 há um ano. E revelou-se um jogador normalíssimo nessa posição, sem nada que recomendasse particularmente a sua contratação. Na equipa B, adaptado a central, evoluiu muito. Mas continua a ser tudo aquilo que era antes e depois do jogo na Luz: um jogador totalmente inexperiente. Chidozie tem falhas de posicionamento graves e gritantes - são 3 em 2 jogos, provocando 3 golos para os adversários. Não é o único culpado, claro que não. E nem sequer o primeiro: está a cometer as falhas esperadas e próprias de um jogador com esta inexperiência. Não é um produto das escolas de centrais do FC Porto, pois só chegou em 2014 e para jogar como médio-defensivo. Já agora, para quem realça a grande escola de centrais do FC Porto: que têm em comum Lima Pereira, Fernando Couto, Jorge Costa ou Ricardo Carvalho? Nenhum deles era titular na defesa do FC Porto aos 19 anos e todos tiveram que ter experiência sénior antes de serem titulares no clube. Se já temos um treinador que nunca teve equipas fortes na transição defensiva, tendo um setor defensivo limitado torna tudo mais complicado.

Subrendimento (-) - A equipa do FC Porto parece esgotada fisicamente, com particular incidência em alguns jogadores. A equipa mudou de preparador físico e, embora não se possa estabelecer uma relação-causa, há jogadores que estão rebentados. André André já vem desde os últimos tempos com Lopetegui: perdeu a influência que teve em outubro/novembro. Não acelerou o jogo, foi quase sempre lento a reagir e foi uma sorte (?) ter feito os 90 minutos. Num jogador como André André, a condição física faz toda a diferença. Herrera, apesar de nunca parar de correr e da forma como inventou o 3x2, foi muitas vezes lento a soltar a bola, e hesitou demasiado quando aparecia à entrada da grande área. Corona não existiu: 45 minutos sem que se revelasse em nenhum lance. Parece ter sido um dos jogadores que acusou mais a troca de treinadores. Tempo, paciência e trabalho, é o que se pede. 


PS: Os factos e o rigor são essenciais para qualquer defesa. Sem eles, perde-se a razão. Isto a propósito do que escreveu o Dragões Diário: «São já muitos os penaltis que (Jorge Ferreira) assinala mal a favor do Benfica em situações decisivas». Não é por nada, mas o penalty em Paços de Ferreira foi o primeiro assinalado por Jorge Ferreira a favor do Benfica na sua carreira. Podiam ter sido evocadas 10 razões para criticar as suas arbitragens, mas o Dragões Diário escolheu logo uma que não é verdade. Assim perde-se a razão. E já não é a primeira vez que a newsletter oficial do clube falha num dos pilares de Pinto da Costa: o rigor.

PS2: As votações MVP dos jogos em atraso foram repostas. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Jamor ao virar da esquina

É uma questão de honra e orgulho: voltar a vencer a Taça de Portugal, cinco anos depois, e regressar à conquista de troféus. Depois de uma vitória por 3x0 num campo de uma equipa que não deve muito a várias equipas da primeira liga (o Gil Vicente estava invicto em Barcelos), só podemos assumir, sem que isso reduza a responsabilidade, que o Jamor está ao virar da esquina. Na final teremos, garantidamente, um adversário orientado por um dos melhores treinadores portugueses, que vai ter diversos argumentos para sonhar com o troféu e causar muitas dificuldades ao FC Porto, mas até lá há muito a merecer as nossas preocupações entre outras competições. 

Exibição a merecer nota positiva, com a pontinha de felicidade que faltou a muitos outros jogos - marcar na sequência de um canto, em cima do intervalo, e resistir a duas bolas na trave antes de matar o jogo. José Peseiro não abdicou de rodar a equipa, mas mantendo uma base segura. Por outro lado, e tendo em conta que a SAD não deu a José Peseiro o 10 que ele pretendia, o treinador montou uma possível solução, mas que deixa muito claro que não é assim que poderemos defrontar Benfica ou Dortmund. Já lá vamos.






Miguel Layún (+) - Bate o canto para o 1x0, faz um cruzamento perfeito para o 2x0, por Suk, e arranca o livre que dá o terceiro golo ao FC Porto, além de ter expulsado um jogador do Gil Vicente. São já 16 assistências esta época, uma autêntica barbaridade - no ano passado, os nossos melhores assistentes foram Herrera e Tello, com 11 passes para golo cada. A este ritmo, Layún vai dar mais passes para golo do que os nossos dois melhores assistentes da época passada juntos. Mas o maior desafio está para vir: o seu trabalho defensivo contra Benfica ou Dortmund. Se por cada erro defensivo compensar com uma assistência, ficaremos bem.


Rúben Neves (+) - Jogou mais adiantado, chegando muitas vezes perto da grande área e mantendo-se sempre no corredor central. Manteve uma boa eficácia de passe (90%) e conseguiu regressar aos golos, mais de um ano e meio depois. É um aspeto em que tem que evoluir: o remate, além do jogo aéreo. A primeira parte até nem tinha sido particularmente boa, mas depois do intervalo (ou depois do seu golo) surgiu completamente solto, confiante e a fazer fluir o jogo da equipa.

Outros destaques (+) - Suk estreia-se a marcar num bom gesto técnico, ele que curiosamente destacou-se sobretudo no jogo aéreo. Vai a todas e disputa cada lance na raça, embora ainda esteja claramente inadaptado ao modelo do FC Porto (completou apenas 5 passes enquanto esteve em campo) e tenha dificuldades em jogar sem espaço (quando ficou livre... marcou). Felizmente, aparentemente não será por falta de empenho do jogador que deixará de se adaptar. Bom jogo de Varela, o jogador com mais ataques e cruzamentos em campo, e uma entrada abençoada de Sérgio Oliveira: um toque, um golo (e que belo golo). Não víamos disto desde Lino, contra o Fenerbahçe, na Champions.






Brahimi a 10 (-) - Brahimi não pode jogar a 10. Brahimi não pode jogar a 10. Brahimi não pode jogar a 10. José Peseiro tem que trabalhar com o que tem, é certo. Desde o primeiro dia que está claro que o seu esquema precisa do tal médio-ofensivo, que acabou por não receber no fecho do mercado. Mas Brahimi não pode jogar nesta posição. O número 10, neste esquema, tem que ter a capacidade de soltar a bola rapidamente, em toque curto, de fazer tabelas e de conseguir fazer bem a variação de flancos. Brahimi não oferece nada disto.

Brahimi é um jogador que se amarra muito à bola, é lento a soltá-la e raramente joga ao primeiro toque. Com Brahimi a 10, o FC Porto perde muito mais na ala do que ganha nas costas do ponta-de-lança. Brahimi funciona muito melhor quando joga a partir da linha, através de movimentos interiores, aparecendo de forma circunstancial na zona central e não pré-definidamente. Basta ver a quantidade de passes que Brahimi falhou jogando nessa posição: acertou apenas 51,85% dos passes. E neste esquema, cada bola perdida é um convite ao contra-ataque do adversário. E se o FC Porto vai passar a estar mais exposto no momento defensivo... Brahimi não pode jogar a 10. O FC Porto pode ser Brahimi e mais 10, mas nunca Brahimi a 10.


PS: No final do jogo, Peseiro disse isto sobre a posição 10: «Hoje foi o Brahimi mas também temos Varela, o André que tem jogado ali, o Corona…». Bueno (e até Evandro) foi esquecimento ou parte atrás de todas estas soluções?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

De Osvaldo a Suk e um salto a Carregosa

Osvaldo foi uma grande jogada de risco na tentativa de ganhar uma solução. Correu mal. Só não sabemos o quão mal correu, pois o FC Porto nunca clarificou o moldes da transferência de Osvaldo.

Vai e não voltes
A única coisa que se soube foi que Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica, afirmou em direto na SIC Notícias que Osvaldo custou 4M€. O FC Porto nunca o desmentiu, e no R&C do primeiro trimestre apresentou despesas não discriminadas com outros jogadores de 8,62M€. Para quem se deu ao trabalho de desmentir os números da transferência do Hernâni, há um ano, numa diferença pouca, e não o faz quando Osvaldo é falado por 4M€, deixa a desejar a nível de coerência.

Osvaldo foi um erro, um playboy que estava mais interessado nas portuenses e no Porto do que no FC Porto. O Tribunal do Dragão escreveu na altura que Osvaldo nunca foi um goleador na carreira, mas havia a expetativa de que conseguisse pelo menos lutar pela titularidade com Aboubakar. Não resultou. E Osvaldo estava a ganhar o dobro de Aboubakar. Não deixa saudades e sai na linha de Pizzi.

Chega então Suk, uma opção muito longe de reunir consenso. Não é melhor do que Aboubakar neste momento e a médio prazo não promete mais do que André Silva. São jogadores diferentes, mas isso não é necessariamente bom.

Já estava contratado antes de Lopetegui ser despedido e entretanto vai chegar um novo treinador (que salvo um volte-face será Sérgio Conceição), o que deixará sempre Suk pendente face à sua integração nos planos do futuro técnico. Mas a maior incógnita prende-se com as caraterísticas de Suk, desadequadas ao modelo que o FC Porto teve nos últimos anos.

Suk é um avançado que faz a diferença quando tem 40 metros à sua frente, quando está num modelo de jogo que lhe permite ter profundidade. Nunca jogou numa equipa como o FC Porto, de posse, que joga com o avançado como apoio e não como referência para o passe longo. Vai acontecer o mesmo que a Hernâni há um ano (com a diferença de que Suk é mais jogador e tem mais provas dadas): ou o seu futebol sofre uma formatação ou vai ter dificuldades em entrar na equipa.

Ainda não sabemos que uso o futuro treinador do FC Porto quererá dar ao ponta-de-lança, mas não será difícil imaginar que manterá o 4x3x3. Suk jogava num esquema e modelo diferente em Setúbal, e é difícil encaixar este tipo de jogadores no mercado de inverno.

Suk até 2020
Suk gosta de tentar a meia distância e de assumir o um para um, mas não está habituado a jogar sem espaço, que é o que vai acontecer no FC Porto. Algo que pode não parecer importante, mas que é, é o facto de Suk ser... sul-coreano. Os futebolistas asiáticos, salvo algumas exceções, são por norma muito humildes, disciplinados, respeitadores, com muita vontade de aprender e trabalhar. São pontos a favor de Suk, pois não têm cá faltado pontas-de-lança com qualidades, que tinham que mudar/evoluir, mas não tiveram humildade para o reconhecer, exemplos vão desde Walter ou Ghilas a Osvaldo.

Suk, que terá custado um pouco mais do que os 1,7M€ noticiados (só se saberá no R&C - e também falta confirmar que foi Alexandre Pinto da Costa, uma vez mais, a lucrar num negócio do FC Porto), não é de todo a solução ideal, mas é ele quem já cá está. Resta desejar boa sorte ao sul-coreano, esperar que lhe deem espaço competitivo já na Taça da Liga e que consiga fazer dois pares de golos importantes na segunda metade da época. E oxalá que no verão não esteja já na lista de emprestáveis.

E por falar em empréstimos. O FC Porto sempre falou dos fundos como sendo importantes para chegar a jogadores mais caros. Tudo bem. Mas os leaks desta sexta-feira mostram que os fundos já servem outro propósito para a SAD, bem mais preocupante.

Conforme O Tribunal do Dragão aqui analisou na altura, o 3º trimestre foi particularmente difícil em termos financeiros para o FC Porto, que teve que recorrer a múltiplas formas de financiamento para pagar todas as despesas correntes (um crédito de 3M€, a 2 meses, com o Banco Carregosa, mais 1,5M€ com o Montepio e um financiamento de 5M€ da - não vale a pena googlarem - For Gool Co Ltd, que tem Herrera como garantia e retorno em caso de transferência). 

É normal para uma SAD, cujas receitas não constantes, ter que recorrer a créditos ao longo do ano para pagar todas as despesas. O que não é normal é ter que ser a Doyen a pedir um empréstimo para o FC Porto.

Com patrocínio da Doyen
Segundo os documentos leakados, o FC Porto começou por pedir um empréstimo de 3M€ à Doyen, que disse não ter fundos para isso. Então a Doyen assegurou as garantias sobre 80% do valor pedido pelo FC Porto ao Banco Carregosa, com a Doyen a entrar em contacto com o banco para que o empréstimo fosse feito. Contratamos jogadores da Doyen, com a Doyen, pagamos relatórios de jogadores, de scouting e de preferência sobre atletas à Doyen, e agora também usamos os connects da Doyen para ter dinheiro líquido.

Isto já não é depender dos fundos para contratar jogadores mais caros. É depender de fundos para conseguir financiamento para pagar salários e despesas correntes. Isto supera o limite do admissível na ligação aos fundos. Mais do que dependência, já começa a ser uma questão de sobrevivência para o FC Porto. Não queremos mais quatro anos disto.

PS: Suk é natural de um país asiático, com quase 50 milhões de habitantes, que tem uma das 15 economias mais ricas do mundo e poucos jogadores nacionais a jogar num clube do calibre do do FC Porto. E ainda assim, a sério que apresentam o rapaz com uma camisola sem patrocinador? Há muita gente a dormir.

PS2: Até domingo Rui Barros será o treinador do FC Porto e é com ele que vamos tentar buscar três pontos a Guimarães. A partir de segunda-feira será tempo de falar do seu sucessor.