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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O mesmo filme x3

Terceiro clássico da época. Terceira vez em que o FC Porto é muito superior ao rival. Terceira vez que não sofre golos. Terceira vez em que também não os marca. As grandes penalidades castigaram uma equipa que tem sabido ser melhor, que tem sabido manter a baliza trancada, mas à qual tem faltado muita clarividência nos grandes jogos para acertar na baliza.

Não se trata apenas dos clássicos, pois já tínhamos notado esse fenómeno na Liga dos Campeões. Antes da goleada ao AS Mónaco, em 10 golos, sete foram de bola parada, e os restantes divididos entre um contra-ataque, uma bola em profundidade e uma jogada de insistência com vários ressaltos. 

Falta golo ao FC Porto nos grandes jogos. 270 minutos sem golos em clássicos - ainda que Aboubakar tenha marcado um golo limpo ao Benfica e que o golo anulado a Soares ao Sporting deixe muitas dúvidas; dúvidas essas que recomendariam que se deixasse o lance seguir - é algo para merecer a nossa preocupação, sobretudo sabendo que vêm aí mais quatro clássicos, que podem valer o Jamor ou até mesmo a liderança isolada/reforçada da I Liga. 

Exibicionalmente o FC Porto não se diminui. É mais forte, ataca mais, chega mais vezes ao último terço e tem sabido reduzir os rivais a escassíssimas oportunidades. Mas lá está: o FC Porto tem jogado sempre averso ao 0x0 inicial, é a equipa que mais luta para se desfazer dele, mas não tem sido feliz nesse aspecto. 

No que toca à Taça da Liga, houve diversas adversidades, desde o efeito psicológico de quebra por celebrar quase durante um minuto um golo que não valeu, a lesão de Danilo Pereira, a necessidade de remodelar um meio-campo que nunca tinha sido utilizado e a dureza imprópria neste jogo - FC Porto e Sporting têm uma média de 14 a 16 faltas cometidas e sofridas na I Liga, mas neste clássico cometeram 28 cada. 

E se já não bastava a maldita Taça da Liga, sobraram os malditos penáltis, onde o FC Porto tem sido imensamente infeliz. Benfica, Chaves, Braga, agora Sporting, não esquecendo os antecessores que vão desde o Fátima ao Schalke 04, o FC Porto tem perdido a esmagadora maioria de desempates por grandes penalidades nos últimos anos. Rui Patrício é forte nas grandes penalidades, mas acabou por defender tantos remates como Iker Casillas. Curiosamente, no último desempate com o Sporting o FC Porto tinha vencido, numa ronda em que só João Moutinho falhou. Desta vez saiu ao contrário. 

Aboubakar e Héctor Herrera (que até já tinha marcado desta forma a Rui Patrício num FC Porto x Sporting) nunca falharam uma grande penalidade em tempo regulamentar, mas desta vez erraram. O mesmo para Brahimi, que só tinha falhado 2 penaltys em toda a carreira e tinha uma eficácia de 80% na marca dos 11 metros, mas desta vez acertou no ferro. Correu quase tudo o que podia correr mal, enquanto o Sporting, inofensivo durante 90 minutos (a bola mais perigosa - a única - na direção de Iker Casillas foi-lhe endereçada pelo poste), teve a sorte grande nos penaltys. As meias-finais da Taça de Portugal já eram importantes, agora muito mais. 





Ricardo Pereira (+) - O melhor do lado do FC Porto, mesmo num jogo de dimensão física muito acima daquilo a que o lateral está habituado. Coentrão, Acuña ou Rúben Ribeiro não fizeram nada pelo seu corredor e Ricardo não se inibiu de ir ao ataque, com destaque para a grande jogada em diagonal que terminou com um remate para defesa de Rui Patrício. Fez quilómetros pelo corredor, deu sempre a zona central a Marega (poucos efeitos práticos, mas fartou-se de lutar) e mostrou uma condição física impressionante.


Alex Telles (+) - Certinho a defender, rápido a sair para o ataque. Não pôde chegar tantas vezes ao último terço como é habitual, mas tal como Ricardo fez um jogo irrepreensível na antecipação e na cobertura aos flancos. O Sporting não pôde utilizar os flancos para servir Bas Dost e isso deveu-se à boa exibição dos laterais do FC Porto, também sempre a saírem por cima nos lances de 1x1.

Reação à perda de Danilo (+) - Não há alternativa a Danilo no plantel do FC Porto. Isso já é um problema. Então perder Danilo nos primeiros minutos de um clássico, ainda pior. O FC Porto teve que reorganizar por completo a sua estratégia, com novas funções para Herrera e Sérgio Oliveira, Óliver a entrar a frio e o risco de ter a retaguarda mais exposta. Resultado? A partir dos 15 minutos, o FC Porto foi sempre superior ao rival e, na dimensão defensiva, não se sentiu a falta de Danilo. Ese também houve mais faltas do que o habitual, foi também porque foi necessário ser mais «rijo» perante a falta de Danilo. Grande resposta coletiva da equipa.





A definição (-) - Espaço para rematar? Mais um passe. Espaço para avançar? Vai remate daqui. Um colega ao segundo poste? Vai bola para o lado oposto. É um problema: o FC Porto chega sempre bem ao último terço, mas tem falhado bastante no momento de definição. Invariavelmente vimos Herrera, Sérgio Oliveira ou Marega chegarem com perigo à grande área, mas depois longe de tomarem a melhor decisão. Tendo em conta que o Sporting, em 180 minutos de clássico frente ao FC Porto, fez 2 remates à baliza, bastava aproveitar uma ou duas oportunidades das muitas criadas para ser feliz. 

Será a melhor fórmula? (-) - No Mónaco, Sérgio Conceição surpreendeu com a aposta em Sérgio Oliveira, num meio-campo reforçado. O FC Porto ganhou. Desde então, voltou a repetir isso mesmo em mais cinco jogos considerados «grandes». O FC Porto não ganhou nenhum deles. Talvez seja hora de repensar se esta estratégia funciona assim tão bem nos jogos de maior exigência. Sim, o FC Porto foi sempre melhor do que Benfica e Sporting, mas poderá Sérgio Oliveira ser o tal fator diferencial que vai aproximar o FC Porto da vitória? Não tem sido.

Além disso, há que colocar a questão: quantos clubes, em todo o Mundo, têm um jogador que só utilizam nos grandes jogos? Que tipo de jogador especial será Sérgio Oliveira que só jogou 26 minutos esta época em jogos de menor exigência, mas depois aparece 3 vezes como titular na Champions e 3 vezes em clássicos? Questionável, sobretudo quando há quase um espaçamento de dois meses desde a última aparição a titular. Uma vitória em seis jogos não é o melhor saldo para atestar a eficiência de uma fórmula para os grandes jogos. 

Os clássicos e o desenrolar da época mostram uma coisa: o FC Porto é melhor do que Benfica e Sporting. Mas aqui ninguém quer vitórias ou satisfações morais, mas sim resultados. A bola vai ter que entrar na próxima oportunidade. Para já o Moreirense. 

sábado, 23 de dezembro de 2017

Novas armas

Custou, mas o Dragão viu o que não via há três anos: o FC Porto ganhar um jogo na Taça da Liga. E fê-lo porque encarou estes 90 minutos como se não fossem... a Taça da Liga, pelo menos a avaliar pelo historial recente. Mais uma exibição séria, eficaz, sólida defensivamente e com a equipa novamente a mostrar a sua nova face no ataque - uma equipa que deixou de recorrer ao passe longo de 40 metros para tentar meter a bola nos avançados e que aprendeu a descobrir o espaço e as diagonais dos seus avançados. 


O FC Porto melhor imenso nas últimas semanas e está a apenas quatro remates certeiros de chegar aos 100 golos esta época - e 2017 ainda nem terminou, sendo que nos últimos 50 anos só Pedroto e Artur Jorge chegaram tão rápido a esta marca de golos. Sérgio Conceição bateu taticamente um dos treinadores mais interessantes e uma das equipas mais organizadas desta Liga e o FC Porto volta a ter perspetivas de apuramento na Taça da Liga, uma prova que - não há dúvidas - Sérgio Conceição quer vencer. E continua a haver muito de contagiante nessa sede de ganhar.




Estratégia e pragmatismo (+) - O Rio Ave é uma equipa diferente das demais no Campeonato. É, aliás, a equipa com maior percentagem de bola na Liga, à frente de FC Porto e Benfica, e insiste em tentar sair a jogar de forma organizada, sem chutão para a frente. Sérgio Conceição aproveitou isso e usou-o contra o adversário, com uma pressão fortíssima na saída do Rio Ave. Prova disso é que, no lance do 1x0, o FC Porto consegue ter 6 jogadores a atacar o início de construção do Rio Ave, que tinha apenas 4 unidades naquela zona. Ou o Rio Ave recorria ao chutão, algo que não gosta de fazer, ou ia perder a bola naquele momento. Ganhou o FC Porto.

Novamente, o espaço interior (+) - É uma repetição dos elogios nas últimas semanas, mas merece continuar a ser realçado: o fim do pontapé longo para a frente. O FC Porto lê cada vez melhor o espaço interior, como voltou a ser exemplo a assistência de Brahimi para Marega. O argelino tira um adversário do caminho, também após um bom trabalho de pressão da equipa, e rapidamente encontra uma via rápida para Marega entrar nas costas da defesa. Este tipo de movimento tem sido executado cada vez melhor e é mais uma arma a juntar à equipa que mais golos de bola parada faz na Europa neste momento.


Tudo à volta de Herrera (+) - Mais um par de boas exibições de Alex Telles e Ricardo, em constante profundidade no flanco e fiáveis a defender; Danilo sólido na retaguarda; Brahimi a desequilibrar por dentro; Soares e Marega a apareceram várias vezes em zonas de finalização e a libertarem-se dos centrais. Tudo funcionou no FC Porto, apesar do apagão na segunda parte, e isso teve um denominador comum: a organização à volta de Herrera. É preciso uma assistência de calcanhar? Herrera faz. É preciso ir aos flancos tabelar? Herrera vai. É preciso pressionar o portador da bola? Herrera corre. É preciso dar soluções a Danilo na saída de bola? Herrera aparece. É preciso transportar a bola? Herrera leva-a com ele. É preciso um capitão? Herrera diz presente. 




Cabeça. É preciso cabeça (-) - Não é propriamente um Machado, mas antes um lembrete para o que aí vem. O Benfica tem duas meras preocupações até ao final da época: o Campeonato e os e-mails. Em ambos os casos, trata-se de uma luta fora de campo. E não é coincidência que Felipe e Danilo tenham sido visados com acusações de «Vale tudo» nas últimas semanas. E coincidência ou não, primeiro vemos Felipe ser expulso de fora desnecessária na Champions, de cabeça perdida, a coroar uma série de exibições menos conseguidas; e agora Danilo, num jogo que estava completamente controlado e sem motivos para nervos, habilitou-se à expulsão com a chapada na bandeirola de canto. É uma expulsão ridícula, evitável, mas que está prevista nas leis de jogo. Mais do que nunca, é portanto preciso cabeça, muita cabeça.

O Tribunal do Dragão deseja a todos os leitores um Bom Natal a uma feliz época festiva, com renovações do desejo de que o melhor presente só seja desembrulhado em Maio.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Há o desinteresse e há a incapacidade


Marítimo. Outra vez Marítimo. Famalicão. Feirense. Belenenses. Novamente Feirense. Moreirense. Leixões.

Imaginemos, por breves instantes, que isto era uma sequência de oito jornadas da I Liga. Oito jogos, 24 pontos em disputa. E que desses 24 pontos, o FC Porto ganhava apenas três.

Três pontos em oito jornadas. Coisa para um adeus ao título muito precoce, o último lugar no Campeonato, uma demissão mais do que certa da equipa técnica, atestados de insuficiência ao plantel e uma contestação fortíssima por parte da massa adepta. São três pontos em oito jogos.

Felizmente, isto não aconteceu no Campeonato, mas é o saldo do FC Porto nos seus últimos oito jogos na Taça da Liga. Uma Taça que é literalmente feita para os três grandes passarem às meias-finais e na qual o FC Porto não foi capaz de vencer nenhum jogo desde janeiro de 2015, nem a defrontar várias equipas da Segunda Liga pelo meio. Nem na Liga dos Campeões o FC Porto consegue estar tanto tempo sem ganhar um jogo.

Renovando a apreciação feita na época passada, e que recordamos abaixo, isto já não é desinteresse relativamente à Taça da Liga: é uma extrema incapacidade nesta prova. Recordando e renovando a análise da época passada: 

«Este é o 10º ano [agora 11º] de Taça da Liga. Já foi uma competição desvalorizada pelo FC Porto (na verdade começou a sê-lo devido aos maus resultados), mas nos últimos anos tem sido sempre comentada como sendo um objetivo para o clube (não obviamente uma prioridade, mas uma competição para vencer). E a verdade é esta: o FC Porto nunca ganhou a Taça da Liga porque nunca foi suficientemente competente para o fazer. E era o troféu que mais hipóteses o FC Porto tinha de conquistar esta época, na medida em que a competição é curta e o formato altamente favorável para os grandes clubes.  
Ao longo destes 10 anos, o FC Porto ganhou menos de metade dos jogos que disputou na Taça da Liga. Tem uma média de golos marcados de 1,35/jogo (muito pobre, tendo em conta que joga contra adversários teoricamente inferiores), um golo sofrido por jogo, e nos últimos 7 jogos de Taça da Liga o FC Porto não ganhou nenhum e perdeu 5. Isto poderia ser relativizado se o FC Porto assumisse que a Taça da Liga serviria para colocar em cena as segundas linhas e a equipa B. Mas não, foi assumido que era para ganhar. E o desempenho nesta competição não está à altura dos pergaminhos do FC Porto.»

Já ouvimos Pinto da Costa afirmar que o Benfica podia ganhar todas as Taças da Liga, que o presidente do FC Porto não se importaria com tal. Mas desde então, desde NES a Sérgio Conceição, desde Fernando Gomes a Reinaldo Teles, várias figuras do FC Porto passaram a afirmar que a Taça da Liga, não sendo jamais uma prioridade, era/é uma competição para ganhar. 

Essa mensagem não chega ao plantel, não chega aos jogadores. Sim, na Taça da Liga jogam os menos utilizados. Mas não é desculpa, pois se não conseguem ser sérios, competitivos e competentes numa competição feita para que o FC Porto vá às meias-finais, então como poderemos contar nós com eles para o ataque ao título e para a Champions?

É tempo de uma reflexão e de definir/decidir o que anda o FC Porto a fazer na Taça da Liga. Nenhuma vitória em oito jogos, virtualmente três pontos em 24 possíveis. Inadmissível. O FC Porto não ganha esta prova, mas também não a está utilizar para que se possa dizer «a Taça da Liga foi útil para lançar X jogador». Nada. Nem jogadores ganhos, nem jogos. Tudo nesta competição tem sido um desperdício de tempo.

Não há dúvidas que o FC Porto vai dar uma resposta à altura no Bessa, vai lá buscar os três pontos e vai continuar a boa forma no Campeonato, com a determinação e qualidades já demonstradas. Agora, em relação à Taça da Liga? É tempo de encontrar algo mais para fazer do que somar maus resultados nesta prova. Decidam-se.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O fracasso é mútuo

Começando pela parte desportiva. A posição d'O Tribunal do Dragão em relação à Taça da Liga já é conhecida: uma Taça que deve ser destinada à promoção dos talentos da equipa B e como espaço competitivo para os suplentes. Mas a partir do momento em que o próprio FC Porto assume o objetivo de vencer esta Taça, é óbvio que a avaliação sobre o desempenho nesta competição tem que obedecer a critérios mais exigentes - sobretudo quando o treinador não abdica de apostar numa base de jogadores habitualmente titulares ao longo da competição. 

Posto isto, a participação do FC Porto na Taça da Liga voltou a ser um fracasso. Três jogos (dois em casa), apenas dois pontos e dois golos marcados, exibições cinzentas e que só revelaram qualidade a espaços - e quando a qualidade ia sobressaindo, um apito fazia questão de a inibir (já lá vamos). 

Este é o 10º ano de Taça da Liga. Já foi uma competição desvalorizada pelo FC Porto (na verdade começou a sê-lo devido aos maus resultados), mas nos últimos anos tem sido sempre comentada como sendo um objetivo para o clube (não obviamente uma prioridade, mas uma competição para vencer). E a verdade é esta: o FC Porto nunca ganhou a Taça da Liga porque nunca foi suficientemente competente para o fazer. E era o troféu que mais hipóteses o FC Porto tinha de conquistar esta época, na medida em que a competição é curta e o formato altamente favorável para os grandes clubes. 

Ao longo destes 10 anos, o FC Porto ganhou menos de metade dos jogos que disputou na Taça da Liga. Tem uma média de golos marcados de 1,35/jogo (muito pobre, tendo em conta que joga contra adversários teoricamente inferiores), um golo sofrido por jogo, e nos últimos 7 jogos de Taça da Liga o FC Porto não ganhou nenhum e perdeu 5. Isto poderia ser relativizado se o FC Porto assumisse que a Taça da Liga serviria para colocar em cena as segundas linhas e a equipa B. Mas não, foi assumido que era para ganhar. E o desempenho nesta competição não está à altura dos pergaminhos do FC Porto. Isto transcende as prestações dos jogadores e de NES nos últimos três jogos. 

Em relação ao que se passou em Moreira de Cónegos, foi uma vez mais o produto dos internacionais de proveta. O Tribunal do Dragão, na sua modesta e pequena posição no Universo Porto, orgulha-se de ter sido um dos primeiros espaços (senão mesmo o primeiro) a denunciar que a promoção de jovens árbitros estava a ir contra os regulamentos da FIFA e que não augurava nada de bom ao FC Porto. Enquanto isto acontecia, os responsáveis do FC Porto andavam ocupados com temas bem mais importantes, certamente. Como por exemplo preocupar-se imenso com o que iam escrevendo os blogues.

A forma como Luís Godinho expulsa Danilo mostra que não há respeito pelo FC Porto, e que os árbitros se sentem impunes perante qualquer decisão que tomem em prejuízo do FC Porto. Danilo Pereira é um jogador à Porto, uma das referências do atual clube, e ainda assim Luís Godinho nem pestanejou na hora de puxar do cartão. Mas alguém acredita que há 20, 15, 10 anos atrás, um árbitro agiria da mesma maneira se se virasse e visse Jorge Costa, Aloísio ou João Pinto? Não se trata de intimidar. Trata-se de impor respeito. 

Era coisa para rir - tanto que Pinto da Costa riu mesmo - se não fosse um assunto tão sério. O FC Porto tem tomado posição através de algumas vozes críticas, mas nada muda na arbitragem nacional. A contagem dos 19 penaltys é por certo exagerada, mas todos os lances têm algo em comum: em caso de dúvida, assinala-se contra o FC Porto. Redes sociais não chegam. Note-se que até o jornal O Jogo escreve que Danilo foi expulso porque «reclamou atraso de bola» e «não conteve os protestos». Se fosse Fejsa, A Bola tinha capas para a semana inteira. 

Andamos há semanas a dizer que é tempo de dizer «basta». Dizer basta não muda nada, porque a voz do FC Porto não tem sido respeitada, ouvida e considerada nos últimos meses. NES, no final do jogo, tocou num tema importante: o de ter que convencer os jogadores de que o que eles vão fazer é mais importante do que a arbitragem. Pois isto derruba o moral de qualquer jogador, o de saber que estão em campo inclinado.

Há portistas que dizem que uma equipa à Porto supera qualquer erro de arbitragem. Não brinquem. Nenhuma, nenhuma equipa consegue jogar jogo após jogo sabendo que vai ter sempre decisões de arbitragem em seu prejuízo. É que não estamos a falar de um, dois ou três jogos. É semana após semana. E nada muda.


Qualquer discussão do ponto de vista tático soa a repetição (como sempre, bastou ganharem um pequeno ciclo de jogos - que era suposto o FC Porto ganhar! - para muitos se deixarem levar pela euforia, querendo ver crescimento e evolução no que eram serviços mínimos), por isso apenas nota para algo que NES tem que abandonar: o politicamente correto.

O que estas intervenções serenas, mansas e monocórdicas de NES vão demonstrando é uma preocupação de não querer associar em demasia a sua imagem à de uma defesa acérrima do FC Porto, sob pena de não encurtar as opções que possa ter para a sua carreira no futuro. Um treinador do FC Porto que esteja preocupado com a simpatia que vai ter da generalidade não tem sucesso, ponto. Se NES sente que os seus jogadores, o seu grupo de trabalho estão a ser lesados, tem que liderar o grito de revolta. A diferença na ousadia do discurso entre um guarda-redes em final de carreira e um treinador no início da mesma vão sendo demasiado grandes. Não esquecendo que não pode ser o treinador a tomar a posição que os dirigentes não tomam. Ninguém poderá terminar a época a afirmar «a culpa foi do NES». 

FC Porto novamente prejudicado, outra participação de péssima qualidade na Taça da Liga. Os maus resultados na Taça da Liga não podem beliscar o que vai acontecer no que resta do Campeonato, mas arbitragens como a de ontem - a começar pelo afastamento de Danilo de Paços de Ferreira - podem muito bem fazê-lo. Que vai o FC Porto fazer relativamente a isso, é a questão. 

Depois de 40 mil no Dragão, num jogo de Taça da Liga, e 28 mil adeptos num treino aberto, o FC Porto devia mais aos seus associados. Aqueles que precisam de algo mais do que memórias do passado, e que reconhecem que o amanhã do clube é mais importante do que o ontem.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Tão lógico quanto marcar golos

O FC Porto já disputou 3233 jogos oficiais. Marcou 7165 golos. Ganhou dezenas de títulos, cá dentro e lá fora. Ao longo dos seus 123 anos de existência, foram quase 300 mil minutos de futebol. Nunca esteve tanto tempo sem marcar um golo.

É histórico. Nunca o FC Porto tinha passado 430 minutos sem marcar um golo (ou sem que lhe validassem um). Estamos, à 11ª jornada, a 7 pontos do Benfica, a primeira vez que acontece desde que Pinto da Costa foi eleito presidente. Temos 22 pontos, a pior pontuação desde que a vitória passou a valer três pontos (1995). 19 golos em 11 jornadas, o pior ataque dos últimos 10 anos. E estamos fora do pódio, o que não acontecia desde 1975. Copo meio cheio: este é um FC Porto de recordes. 

O Tribunal do Dragão já tinha destacado o facto do FC Porto não sofrer golos. É bom. Mas para todos os efeitos pontuais, é melhor ganhar um jogo e perder um do que empatar dois; é melhor ganhar dois e perder três do que empatar cinco; e em momento algum podemos considerar que não sofrer golos contra equipas como Setúbal, Chaves, Copenhaga e Belenenses é algum tipo de proeza que mereça criar um constaste positivo.

Sim, não sofrer golos é positivo, mas se não marcamos entramos na lógica residente noutras bandas: não somos campeões, mas jogamos o melhor futebol; não ganhámos, mas fomos quem mais mereceu

Sente-se a contestação cada vez maior a cair sobre Nuno Espírito Santo. As críticas são expectáveis, aconteceria o mesmo a qualquer outro treinador. No FC Porto, ao fim de 2 ou 3 maus resultados, para a generalidade da massa adepta o funeral fica feito. Aconteceu com Paulo Fonseca, com Lopetegui, com Peseiro e muito provavelmente vai acontecer com o próximo que chegar. 

Mas há algo a saudar em relação a Nuno Espírito Santo, em defesa do técnico: tem contrariado algo que vinha sendo uma tendência cada vez maior no FC Porto - o não defraudar as expetativas. Nuno Espírito Santo não desilude, vai ao encontro das expetativas. O seu trabalho no FC Porto tem sido um espelho do desenvolvido no Rio Ave e no Valência: o futebol praticado, as escolhas para a equipa que muitos não conseguem entender, o discurso monocórdico e saído de um manual rasca de auto-ajuda. 

Nuno Espírito Santo não está a fazer nada abaixo do que já tivesse demonstrado. Admita-se, nem é o caso de Paulo Fonseca, que meteu o Paços de Ferreira a jogar à Porto e o Porto a jogar à Paços de Ferreira, mesmo não tendo tido condições de trabalho suficientemente boas para lutar pelo título. Nuno Espírito Santo meteu o Porto a jogar à... Nuno Espírito Santo. Jamais será cobrada uma fatura ao técnico por fazer o mesmo trabalho que fez nos seus outros clubes. Logo, este funeral perde um pouco a sua lógica. Vamos condenar quem está a ser o que sempre foi?

Se o FC Porto passou de Lopetegui para Peseiro e de Peseiro para Nuno Espírito Santo, nem vale a pena entrar por uma conversa de sucessão. Dá medo.

A competição de ontem, como saberão, não é valorizada neste espaço. A Taça da Liga deve ser utilizada única e exclusivamente para dar espaço competitivo a jogadores pouco utilizados e para lançar jovens da equipa B. As escolhas de NES para o jogo de ontem serviram minimamente para esse efeito, ainda que ninguém consiga ignorar que se tratou de um prolongamento de mais 90 minutos sem golos, ainda por cima jogando quase uma hora contra 10.  De qualquer forma, o maior problema não foi o jogo de ontem, mas sim os últimos jogos. 

Por isso, troquemos os Bonés e Machados por algumas considerações. Primeiro, Brahimi. Ontem descobrimos que Brahimi não serviu para jogar no Campeonato, na Liga dos Campeões e na Taça de Portugal. Mas serve para jogar na Taça da Liga.

Isto consegue ser pior do que ter o Taarabt a ganhar 193 mil euros por mês para ir ao Main. Porquê? Porque esse nunca viram fazer nada de jeito no Benfica e não faz falta à equipa principal. Brahimi sim. Viram-lo os adeptos, os adversários, a Champions do futebol. Há dois anos, era o jogador mais aplaudido pelos adeptos. Desaprendeu? Não. Ao longo de novembro, em que o FC Porto esteve em 4 competições, Brahimi ficou no banco no Campeonato, na Champions e na Taça para jogar apenas na prestigiada Taça da Liga. Gestão danosa, nada mais. 

Inácio fez a sua estreia na equipa principal. Ainda que envolvido no negócio Maicon, estamos a falar de um dos cinco laterais-esquerdos mais caros da história do FC Porto. Mas aqui temos um perfeito exemplo da diferença entre um jogador da formação e um jogador que vem de um negócio do Brasil. Não apenas do Brasil: de um negócio do Brasil.

Inácio fez apenas 4, 4 jogos na Segunda Liga e teve logo uma oportunidade na equipa principal. Não se discute o mérito de Inácio, mas sim o tratamento bem diferente que teve Rafa: esteve 3 épocas desportivas a jogar ativamente na equipa B, sem nunca ter tido uma oportunidade de jogar na equipa principal. Inácio chega e tem logo a sua chance. Deve ser tudo uma questão do critério dos treinadores. Sim, sim.

Rui Pedro estreou-se pela equipa principal e foi provavelmente o mais aclamado pelos adeptos. Neste âmbito, uma saudação para Bernardino Barros, que afirmou, preto no branco, durante os seus comentários no Sentimento (para fazer honra ao Edmundo), que Rui Pedro esteve encostado e em risco de sair enquanto não renovou contrato «com quem eles queriam» na SAD. André Silva esteve na mesma situação. É assim que se gerem os nossos talentos. 

Depoitre esteve uma hora em campo. A jogar contra 10, com o jogador a precisar de ganhar confiança e não havendo melhor oportunidade para isso, NES decidiu tirá-lo de campo e lançar o miúdo. Está tudo dito sobre Depoitre. Nuno nem pensou «vamos esperar, a ver se ele marca para ganhar confiança». Por norma, um treinador que quer muito um jogador não desiste dele em circunstâncias tão favoráveis. Talvez isto diga muito do quão queria NES Depoitre. 

João Carlos Teixeira jogou 15 minutos. O suficiente para ir ao encontro do comentário do TdD aquando da sua contratação: «É daqueles jogadores que conseguimos apreciar pelo simples facto de receberem a bola». Porque não joga mais? Não procurem a lógica. Procurar lógica neste FC Porto tornou-se uma coisa tão complicada quanto acertar na baliza adversária.

Sábado regressa o campeonato, com o FC Porto no 4º lugar, a sete pontos da liderança. Ninguém se recusa a deixar de olhar para o primeiro lugar. Mas o problema não é apenas os adversários terem que perder pontos. É o FC Porto ter que ganhá-los. Sem golos, nada feito. E com estes meios, não esperem fins agradáveis. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Limpeza, precisa-se

Não é assim tão consensual que o momento mais importante do título do FC Porto em 2011-12 tenha sido o golo de Maicon na Luz. Antes disso, houve um momento absolutamente decisivo: a limpeza do balneário em janeiro. A SAD resistiu à tentação de despedir Vítor Pereira e, ao invés disso, segurou o treinador e afastou jogadores que, numa expressão muito bem conhecida, queriam «fazer-lhe a folha».

Que aconteceu depois disso? O FC Porto não perdeu mais nenhum jogo no campeonato com Vítor Pereira e arrancou para o bicampeonato. Neste momento, o FC Porto volta a necessitar dessa limpeza.

O que se passa no dia a dia nos treinos, no Olival, não está à vista do comum adepto, mas o que se passa dentro de campo sim. Não há empenho, não há inconformismo, não há esforço, não há sentimento da responsabilidade de envergar o símbolo do FC Porto, mesmo numa competição de importância reduzida e que à partida já estava perdida.

Mas seja na final da Liga dos Campeões ou a cumprir calendário na Taça da Liga, o símbolo do FC Porto é sempre o mesmo. Os jogadores são pagos todos os meses para defenderem esse símbolo, joguem bem ou mal. E parece não haver consciência disso em vários dos jogadores do atual plantel.

José Peseiro estava na bancada a ver o seu futuro plantel. Não se viu, dentro de campo, grandes manifestações de vontade em mostrar serviço perante o novo treinador e começar já a tentar agarrar o lugar. Nem sequer se viram manifestações de orgulho pessoal de vários jogadores, depois de a equipa B ter passado em Famalicão e vencido por 4-2.

Tempos houve em que quando Pinto da Costa entrava no balneário os jogadores borravam-se todos. Segundo o que contou o jornal O Jogo, a última visita de Pinto da Costa ao balneário foi para dizer que despediu Lopetegui porque «acredita nos jogadores e que ainda é possível ser campeão». Muito bem, mas falta dizer duas coisas: também é culpa de vários jogadores que Lopetegui tenha sido demitido e que o FC Porto esteja, neste momento, fora da Taça da Liga, da Champions e no 3º lugar do campeonato, sem depender de si próprio para ser campeão.

Quem não quer cá estar, rua. E quem quer cá estar, tem que provar a cada dia que merece a honra de ser futebolista do FC Porto.





Positivo (+/-) - Víctor García foi o melhor do FC Porto. Sempre disponível a atacar, acutilante a defender, cruza bastante bem e acabou por ser dos mais perigosos da equipa. Foi o único que já estava no plantel a mostrar a Peseiro que está aqui. Suk fez a estreia e mostrou-se empenhado em ganhar o lugar rapidamente. Não esteve bem na finalização, mas mostra prontidão e versatilidade a rematar, que é algo que tem faltado ao ataque do FC Porto.





Demasiado mau (-) - A solidariedade de Helton para com Casillas foi longe de mais, com o capitão a ter responsabilidades no lance do golo. Mas uma vez mais, uma equipa que em 90 minutos não mete uma bola na baliza não se pode queixar de nada. José Ángel fez o seu pior jogo da época. Rúben Neves esteve uma sombra de si próprio, a insistir sempre no futebol lateralizado e sem arriscar tanto no passe longo (poderão dizer que ainda são as réstias do modelo de Lopetegui, mas a verdade é que nunca se viu Rúben Neves jogar com outro treinador ou em outro modelo...). André Silva está demasiado ansioso, precisa de ter calma, o golo vai aparecer. Mas com ele em campo o FC Porto ainda não fez um único bom jogo, e em 6 jogos só ganhou 1. Aqui entrariam as críticas ao treinador, mas como foi dito, não se vai criticar Rui Barros, por não ser treinador principal - até o treinador mais calmo teria perdido a cabeça e mandado três berros lá para dentro face ao que se estava a passar.

A postura de Imbula em campo - e fosse só em campo - continua a ser vergonhosa. Não mete o pé, não pressiona, não arraca, é extremamente lento e os seus passes são sempre inconsequentes. Aqui não há volta a dar: é culpa do jogador, que não se está a empenhar o suficiente. De nada vale pensar num treinador que possa aproveitar as suas caraterísticas se o próprio Imbula não se dá ao trabalho de oferecer o princípio básico do empenho e vontade de aprender.

Sérgio Oliveira é outro exemplo em que era fácil atacar Lopetegui por não o meter a jogar, mas se trabalhasse mais se calhar jogava mais. Ontem esteve mal nas bolas paradas e não conseguiu oferecer nada ao meio-campo. Varela também esteve sofrível no ataque, praticamente sem lances dignos de registo. Para quem ganha mais num mês do que o plantel todo do Famalicão, não é admissível.  Do banco, em dia de estreia de Chico e Ismael, nada se acrescentou. Os jogadores podiam ter mostrado, nos últimos jogos, que a culpa era de Lopetegui. Já sabíamos que não era na sua totalidade, mas os últimos três jogos só dão provas que há uma quota-parte bem significativa de responsabilidade dos jogadores. 

Não é a Taça da Liga que belisca os portistas: é ver jogadores envergar esta camisola sem terem o mínimo de consideração pela SAD que lhes paga o ordenado todos os meses e para os adeptos que, mesmo numa Taça de pouco valor, não deixam de acompanhar a equipa e sofrer por ela. Falta pouco mais de uma semana para o fecho do mercado. Ou se limpa agora ou lida-se com a sujidade, e respetivas consequências, até ao fim da época. Um peso demasiado grande para ser José Peseiro a suportá-lo sozinho. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Feliz natal, Marítimo

A opinião d'O Tribunal do Dragão em relação à Taça da Liga já é conhecida. E é permanente: é uma competição que serve como espaço competitivo para as segundas linhas do plantel e para lançar jovens. Mas a partir do momento em que o FC Porto assume que conquistar esta prova é um objetivo, então a análise que fazemos à competição tem que ser forçosamente diferente.

Ao primeiro jogo o FC Porto já está fora da competição (não vale a pena pensar em outra coisa que não seja dar minutos aos menos rodados e aos jovens nos próximos dois jogos). Numa fase de grupos (com duas equipas da II Liga!) a 3 jornadas, e tendo o FC Porto começado em casa, isto só pode ser considerado um enorme fracasso.

Carlos Pereira
Pior: pela primeira vez na sua história, o FC Porto perdeu com o Marítimo em casa. Foram precisos 43 jogos e 84 anos para isso acontecer. Um dia feliz para Carlos Pereira, muito bem recebido na tribuna por Pinto da Costa. Mas enfim, o homem foi importante na vinda de Danilo Pereira, não é? Tão importante que Danilo nem era do Marítimo, mas sim do Portimonense/Teodoro Fonseca.

Em 2015, o FC Porto perdeu 3 jogos nas competições nacionais. Todos com o Marítimo. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. E se pensávamos que da maldição da Madeira já nos tínhamos livrados, eis que vêm cá os madeirenses para despertar os eternos fantasmas de contestação a Lopetegui.

Já entrando nos Bonés e Machados (não vale a pena individualizar - falar deste jogo é falar de coisas negativas, e só com muito boa vontade mencionar um ou dois pormenores positivos). O 11 escolhido por Lopetegui para este jogo foi bom. Mas isso depende da perspetiva para a competição.

Capitão na baliza, dupla de centrais rodada e experiente, regresso de André André após lesão, jogadores de segunda linha lançados (que, nos casos de Varela e Tello, era também a tentativa de ganhar os jogadores - Ángel tem estado bem sempre que joga, é um caso diferente) e espaço para inserir jovens, nomeadamente Víctor Garcia, André Silva e até Sérgio Oliveira. Quanto ao 11, nada a apontar.

O problema é que uma equipa que quer ganhar uma determinada competição não pode mudar 10 jogadores de um jogo para o outro. Percebemos que é o jogo pós-natal e que há clássico em Alvalade no sábado, mas notou-se claramente que Lopetegui montou um 11 sem rotinas, setores pouquíssimo ligados, jogadores com pouco ritmo. Para quem, como eu, secundariza a Taça da Liga, não pode criticar; para quem quer ganhar a Taça da Liga, então não há outra coisa a fazer. Lopetegui diz no jogo que o seu trabalho é preparar a equipa para todas as competições. Alguém viu hoje uma equipa preparada para ganhar a Taça da Liga?

A primeira parte foi normal. FC Porto mais perigoso, mesmo acusando a falta de rotinas, e não marca por manifesta falta de eficácia. Depois acontece o inesperado. O Marítimo abre a segunda parte com um golo de bola parada (que foi o capítulo em que o FC Porto mais melhorou em relação à época passada - na verdade, o único em que melhorou). Depois, Marcano, que já tinha estado mal com Maicon no primeiro lance, está diretamente ligado mais a dois golos do Marítimo. Um desastre de noite para os nossos centrais. Não há treinador ou equipa que resistam a três lances assim, capitais. Que responsabilidades podemos imputar ao treinador por 3 golos sofridos por erros dos centrais? E com a ineficácia que se verificou até ao último lance do jogo, só podia correr mal.

A contestação ao treinador
O jogo fica marcado pela grande contestação a Lopetegui, claro. Uma coisa é assobiar o treinador quando está a ganhar por 3x0. Outro é fazê-lo quando o FC Porto, pela primeira vez na sua história, está a perder por 3x0 em casa com o Marítimo e fica virtualmente eliminado de uma competição ao primeiro jogo. Pinto da Costa achou que só devia falar dos assobios a Lopetegui logo na semana seguinte à subida à liderança. Neste momento, já todos sabem que as vitórias só significam uma coisa: a contestação a Lopetegui fica no congelador até ao próximo mau resultado. Mas se o próximo mau resultado acontecer no dia 2, a porta do congelador corre o risco de nunca mais fechar.

Dia 2, pela primeira vez, o FC Porto de Lopetegui vai defender a liderança isolada do campeonato. Uma oportunidade, ou talvez a última, para equipa e treinador mostrarem o quão preparados estão e o quão querem conquistar o campeonato. 

PS: Tendo em conta que hoje era dia de jogo, o regresso ao debate sobre os direitos televisivos fica para depois.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Objetivo falhado

«O FC Porto nunca ganhou a Taça da Liga? Esperamos que seja este ano. Pela equipa que temos e pela forma como estamos a jogar, esperamos consegui-lo», Reinaldo Teles, 10-12-2014.

Defendo, desde o início, que a Taça da Liga deve ser destinada ao lançamento de jovens por parte do FC Porto. Que o que se passou em Braga deu uma vontade enorme de ganhar esta competição, deu. Mas foi antes assumido, pela própria direção do FC Porto, que a Taça da Liga, a competição que um dia Pinto da Costa disse que o Benfica podia «ganhar todas», era um objectivo para 2014-15. As opções de Lopetegui, desde a vitória em Vila do Conde, também evidenciaram que apesar de haver espaço para lançar um ou outro jovem, iria priorizar os resultados. Por isso, a participação do FC Porto nesta Taça da Liga foi declaradamente um objetivo falhado.

Urge então perceber o que correu mal e assumir o porquê do falhanço nesta competição. Os adeptos, talvez, até aceitariam falhar a final da Taça da Liga se fosse uma competição para lançar jovens e trabalhar o futuro. Não podem é aceitar exibições como a de hoje. Pois o símbolo que os jogadores ostentam na Liga dos Campeões e na Taça da Liga é o mesmo.





O destaque possível (+/-) - Maicon não acerta um passe longo. Chega a ser desesperante. Apesar de tudo, conseguiu ser o jogador mais perigoso do FC Porto na segunda parte e o único a entrar duas vezes na grande área adversária com a bola dominada. Óliver tentou mexer com o jogo e foi dos poucos a abrir (quase) sempre linhas de passe, mesmo hoje sem o menor entendimento com Evandro. E Hernâni, apesar de ter uma recepção de bola sofrível e continuar a achar que será preciso uma surpresa enorme para justificar a sua contratação em Janeiro, contudo esteve em alguns dos poucos lances de perigo do FC Porto, mesmo quase nunca lhes tendo dado boa sequência. 





O problema não foi a atitude (-) - Normalmente, quando o FC Porto perde os adeptos questionam sempre o mesmo: falta mística, falta raça. Hoje pode-se voltar a repetir isso, mas não foi esse o problema: o problema é que os jogadores não sabiam o que fazer em campo. Zero. Em termos técnicos e tácticos, o FC Porto apresentou-se em campo extremamente mal preparado, sem ideias e na segunda parte, tirando um remate frouxo de Aboubakar, não consegue criar um único lance de perigo contra um Marítimo que nunca mais atacou. Lopetegui mexeu em todos os sectores, mas se há semanas defendeu que a rotatividade tinha ajudado o FC Porto a conseguir uma série de importantes vitórias sem vários titulares, então é necessário questionar porque é que a equipa hoje parecia 11 jogadores que nunca se tinham visto na vida. Variações de flancos a roçar o amadorismo, sem jogo interior, uma equipa que vê que os corredores estão barrados e que continua a correr contra a parede e a incapacidade em criar situações de golo. Hoje tudo foi mau, inclusive nas inacreditáveis declarações de Lopetegui pós-jogo, poucos dias depois de o ter defendido aqui na questão das arbitragens. Passar de bons jogos a maus jogos é normal. Passar de uma equipa organizada e preparada para isto, não é.

Contratem um novo técnico (-) - ... para a equipa técnica. Repete-se o apelo: a equipa técnica de Lopetegui precisa de algo ou alguém para trabalhar as bolas paradas, simplesmente porque somos fracos nesse aspecto. O golo de Evandro nasce de um canto, tudo bem, mas é um canto mal marcado (mais um) e a bola sobra para um ressalto, onde o remate é feito sem oposição. Mas depois, três (!!!) jogadores do Marítimo conseguem jogar a bola de primeira, na grande área, sem que nenhum jogador do FC Porto consiga tirar dali a bola. Absolutamente sofrível. Muitos dizem que o FC Porto de Lopetegui já foi capaz do melhor e do pior. É verdade, mas nas bolas paradas só foi capaz do pior até hoje. Isto tem urgentemente que mudar. É inadmissível ter uma equipa que não sabe atacar nem defender nas bolas paradas, e não é por agora termos 3 ou 4 bons marcadores de livres que nos devemos esquecer da miséria que são os pontapés de canto. 

Sem rendimento (-) - Ricardo tem um problema. Como é português, jovem e foi uma contratação relativamente barata, não há risco e pressão, e assim olhando para a exibição dele o mais fácil será reafirmar que é preciso ir ao mercado. Se fosse uma aposta estrangeira, seria preciso tempo. Critérios. Hoje fez o seu pior jogo esta época, mas o FC Porto colectivamente provavelmente também o fez. O meio-campo, sem Herrera, andou perdido entre perceber quem devia pressionar, quem devia abrir e quem devia ir receber atrás. Dos flancos nada se aproveitou, com Quaresma sem metade da pedalada que mostra quando sai do banco. Aboubakar não é Jackson. Não significa que não é um excelente avançado, de grande potencial. Significa que não lhe podem pedir para fazer o que faz Jackson. E isso não se resolve com uma ida ao mercado, pois se há mais pontas-de-lança com o perfil de Jackson o FC Porto provavelmente não os pode pagar. Do banco nada saiu que mudasse ou melhorasse o jogo.

É melhor ir de barco (-) - Ou de kayak, ou mota de água, se calhar até a nado. Mas vejam lá se há algum problema nos aviões durante as viagens para a Madeira. Três jogos na ilha, três más exibições. E já na época passada perdemos lá os 2 jogos do Campeonato. Dou por mim a torcer para que o União da Madeira não suba à Primeira Liga. Não metam o Alberto João Jardim no Parlamento, que esta porra pode ser contagiosa.

No domingo celebra-se o dia em que dizem que Cristo ressuscitou. Rapaziada, vejam lá se na segunda-feira, contra o Estoril, ressuscitam o futebol que nos satisfez e entusiasmou até às duas últimas viagens à Madeira. Esse FC Porto pode e vai continuar a lutar pelo Campeonato e a materializar o sonho da Champions. O de hoje não. E vocês valem muito mais do que mostraram hoje. Treinador e jogadores.


terça-feira, 17 de março de 2015

Do Machado ao Matias

O FC Porto não se limitou a expressar a sua indignação com Cosme Machado através das intervenções de Pinto da Costa e Lopetegui. O JN traz-nos hoje a notícia de que o FC Porto apresentou uma denúncia e a Comissão de Análise e Recurso deu razão: Cosme Machado fez, oficialmente, a pior arbitragem da época em Braga, em prejuízo do FC Porto.

A CAR dar razão aos clubes é pouco habitual, pois é um organismo que tem que avaliar as decisões na perspectiva dos árbitros. Para se ter noção do quão raro é a CAR penalizar os árbitros (neste caso a avaliação que é feita pelos observadores), o Sporting há um ano fez um protesto contra Manuel Mota. Resultado: a nota de Manuel Mota foi melhorada.

Ora na Taça da Liga, foi este o parecer dado pela CAR:


Um cartão vermelho por mostrar num lance em que não houve sequer cartão. Evandro é mal expulso e deixa o FC Porto a jogar com 9. E Tiago Gomes, o tal ex-jogador do Benfica que teve a infelicidade de sofrer a primeira expulsão da carreira na Liga em pleno Estádio da Luz, também escapou à expulsão.

Cosme Machado
Entretanto, que tem feito Cosme Machado? É nomeado normalmente, sem punições, sem jarra. Um árbitro que tem acumulado protestos de Lisboa ao Minho, e sobretudo pela segunda liga. O Freamunde ainda tenta, mas pelo meio já levou uma machadada. Quem está mais perto? O Covilhã, que na próxima jornada vai ter... Cosme Machado. Bela sopinha.

Regressando à decisão da CAR. Soubemos através do JN que o FC Porto fez a denúncia... na Taça da Liga. Ora nenhum adepto pode aceitar que o FC Porto lute mais junto das instâncias desportivas na Taça da Liga do que no Campeonato. É que na Taça da Liga falamos de um jogo. No Campeonato são jornadas e jornadas. Nenhum portista aceitará que os dirigentes do FC Porto já tenham lutado mais pela continuidade na Taça da Liga do que pela integridade do Campeonato. Por isso só podemos acreditar que a CAR tenha recebido queixas pelo que tem acontecido na Primeira Liga, como por exemplo uma patada na cara na grande área que nem falta dá. Só para citar o caso mais recente.

JN, 17-03-2015
E a CAR, já aqui foi dito, poucas vezes dá razão aos clubes. Por isso quase se arrisca a dizer que concorda com o FC Porto porque este protesto não prejudica terceiros, isto é, não coloca em causa a classificação do Campeonato, e na Taça da Liga o vencedor do grupo seria sempre o FC Porto. Ao longo de toda a época, em termos de Campeonato não se ouviu nada sobre a CAR. Total silêncio. Que seja sinal que não há fugas de informação, como terá havido para o JN, e não que isto signifique o silêncio do FC Porto. Nenhum portista admitiria isto.

Votos para que Cosme Machado não volte a arbitrar. Não no FC Porto, mas no futebol português. 

E agora pelos vistos é necessário rever os regulamentos de disciplina. Escreve o Record que Tiago Rodrigues não pode defrontar o FC Porto devido a castigo. Até onde se sabe, a suspensão surge ao 5º cartão na liga, não ao segundo, que é o número de cartões que Tiago Rodrigues já viu ao serviço do Nacional.

Marco Matias
Mas a propósito deste tema, uma vez mais temos que agradecer a bem disposta e hilariante tentativa de algumas alminhas em argumentar sobre um benefício ao FC Porto com base no número de suspensões. Agora é Marco Matias, jogador formado no Sporting e assumidamente sportinguista, que é suspenso. Ninguém está preocupado em saber se viu bem ou mal o cartão amarelo, o escândalo é que não joga contra o FC Porto. 

Mas se é isso que está em causa e só interessa o número de suspensões, não a sua justiça, então ainda vai ter que haver muito e bom jogador a ser suspenso para não defrontar o FC Porto, pois ainda vamos longe do recorde do Benfica: 17 jogadores suspensos, 6 ex-jogadores que não jogaram sem haver impedimentos físicos e o único clube do futebol português que veta a utilização de jogadores que são pagos por outros clubes (Deyverson e Miguel Rosa - e agora que se faz ao Pelé e ao Dálcio?). Já para não falar que Sérgio Oliveira defrontou o FC Porto, em pleno Dragão, já depois de ter assinado contrato. 

Uma curiosidade pequena: Nuno Almeida foi quem mostrou o cartão a Marco Matias. Quem é Nuno Almeida? Um árbitro do Algarve... que só serve para arbitrar em Lisboa. 9 jogos com o Benfica, todos no Estádio da Luz. Saldo: um empate (o primeiro, em 2005) e 8 vitórias, sete delas consecutivas sem sofrer golos (andamos todos a elogiar o registo defensivo de Lopetegui, mas só agora apanhámos o Benfica/Nuno Almeida). E quanto ao Sporting? 11 jogos consecutivos em Alvalade. Só esta época, ao 12º, é que finalmente arbitrou fora de Lisboa, para acompanhar a dificílima deslocação do Sporting a Espinho. No jogo seguinte, voltou a Alvalade. Como Nuno Almeida gosta tanto de Lisboa e Marco Matias nasceu lá perto, se calhar foi por isso que suspendeu o avançado do Nacional: assim pode ir passar o fim-de-semana à terra natal. 

Ou se calhar achou que o avançado formado no Sporting, ao tentar fazer exactamente o mesmo que Gaitán fez contra o Braga (atirar-se para o chão à procura da falta), merecia ver o cartão. Se calhar, da mesma forma que os benfiquistas se indignam com Marco Matias, os rivais do Rio Ave também vão revoltar-se contra Gaitán.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Presente e futuro

As opções de Lopetegui, sobretudo a maneira como recorreu ao banco no Rio Ave x FC Porto, mostraram desde o primeiro jogo que a Taça da Liga era para ganhar. Mas mesmo tendo feito uma fase de grupos quase irrepreensível e conseguido o apuramento para as meias-finais, mostrou sobretudo como se gere um plantel: geriu o esforço dos jogadores nucleares, deu espaço às segundas linhas para se mostrarem e ainda mostrou um pouco daquilo que a formação tem para oferecer. Uma boa gestão na Taça da Liga, que nos vai levar a um campo onde temos que corrigir a imagem deixada há bem poucos dias.

A Académica é uma equipa frágil, e não havia outro remédio que não vencer tranquilamente, mas a primeira e última meia hora mostraram a profundidade, potencial e qualidade que há no plantel. Um meio-campo forte na circulação, um ataque nem sempre eficaz mas constantemente perigoso, e um banco a oferecer soluções e dores de cabeça a Lopetegui.

Afinal, a Taça da Liga não é assim tão inútil. Já tínhamos concordado com isto em Braga, mas não capitalizámos essa revolta na Madeira. Mas vale a pena insistir, não é assim tão inútil: ver os golos do Jackson e do Gonçalo já valeu bem a pena.





O mestre e o aprendiz (+) - É o melhor marcador da história do Dragão, e conseguiu esse feito em apenas 2 anos e meio. Comecem a contar os anos, pois há-de faltar muito tempo até que alguém o supere. No primeiro golo é oportunista e eficaz, no segundo marca um golo à Ibrahimovic. Qual Ibra, marca é um golo à Jackson! Ponta-de-lança de eleição, que há-de deixar muitas saudades, com 23 golos em 27 jogos esta época.

E depois de Jackson Martínez, Gonçalo Paciência. Quando O Tribunal do Dragão foi criado descrevia-o como o melhor avançado português sub-21 e o futuro titular da selecção A. E ele não precisou de muito tempo para mostrar porquê. Questionam como é que um miúdo tem a ousadia de fazer uma finta daquelas na estreia no Dragão. Ele explicou no final: «Estou cá há 14 anos». Não são 14 dias, são 14 anos. Está cá desde os 6 anos e não conhece outro clube que não o FC Porto, nunca teve outra vida que não a de um portista. É um avançado completo a todos os níveis, que se estivesse no estrangeiro já era considerado o novo Ibrahimovic. Tem tudo para ser o nosso 9. Ou quase tudo, pois falta-lhe uma coisa importante: oportunidade. Lopetegui já começou a inverter o rumo, para alegria nossa. Já agora: um golo de canto!!!!!!!!

Meio-campo (+) - O nosso espaço interior vinha servindo como um meio (distribuir para os corredores) e não como um fim (construir na zona central). Hoje inverteu-se essa tendência. Rúben Neves continua a ter uma evolução impressionante e percebe-se o porquê de Lopetegui também querer soltá-lo para 8 - é um médio completo em todos os momentos do jogo, com presença física, orientação e passe exímios. E hoje fez a melhor exibição ao lado de Campaña, que vive uma intranquilidade maior que os colegas - não só tem que lutar para ganhar o lugar no 11 como tem que lutar para ganhar um contrato no FC Porto; uma coisa é um emprestado jogar sabendo que tem uma «almofada» chamada Real Madrid ou Barcelona, outra é ter a Sampdoria. Do pouco que vimos, vai surpreendendo. E Evandro, mais uma vez a mostrar que é um grande complemento ao meio-campo e com veia goleadora: 4 golos nos últimos 5 jogos. 3 golos de penalty, é certo, mas cá no burgo isto quase que soa a proeza.

Cabeça levantada (+) - Há uma lacuna no modelo de Lopetegui, que é a dificuldade em encontrar um gajo que pegue na bola entre os médios e a linha defensiva adversária, encare a grande área e decida para onde vai sair o último passe. É por isso que dizem tanto que falta jogo interior ao FC Porto e que estamos tão dependentes das investidas pelos flancos - como os médios não assumem esse espaço entre-linhas, quase que são meros intermediários para mandar as bolas para os flancos Hoje Quintero entrou. E consegue uma, duas, três, quatro e cinco vezes receber a bola, virar-se para a grande área e meter os colegas na cara do golo. Uma jogatana do miúdo, finalmente com oportunidade para jogar como 3º médio - faz sentido no Dragão, sobretudo contra as Académicas que jogam para o ponto. Uma solução que merece mais tempo em campo, mas Quintero também tem que fazer por o merecer. Hoje fê-lo, e bem.

Outros destaques (+) - Marcano. É o nosso central mais forte no passe longo, consegue acelerar o jogo em 3 ou 4 metros e não sendo muito rápido tem grande sentido posicional e impulsão. Dizem que não pode jogar sempre com Indi, por haver 2 centrais canhotos. Continuo sem perceber como é que 2 destros podem jogar juntos, mas quando há 2 canhotos já é um problema. Rotinas, meus caros, tudo depende de rotinas e de tanto Indi como Marcano saberem como se devem posicionar para receber e para onde distribuir. Somou pontos para a titularidade, mesmo que no próximo jogo Indi não vá jogar.

Ricardo, desta vez a extremo. Raçudo, rápido, com alguma dificuldade em chutar ou cruzar de primeira mas com enorme disponibilidade. Mais prático que Tello e Quaresma a decidir, apesar de ser claro que lhe falta tempo de jogo na posição e maior imprevisibilidade no 1 para 1. José Ángel ia borrando a pintura em 2 lances (baixou muito o rendimento na segunda parte), mas na primeira parte superou o que temos visto de Alex Sandro em velocidade, profundidade, passe interior e cruzamentos. Temos dois bons laterais esquerdos. Um que tem mais potencial, estatuto e valor do que outro; e outro que apesar de ser underdog tem rendido mais e mostrado mais vontade. Não é preciso dizer quem. Reyes fez um jogo competente, resta saber nos próximos dias se o último.





Um ataque, um golo (-) - Quinto jogo consecutivo a sofrer golos. E não é nenhum acidente. Pode acontecer uma ou duas vezes e dizer que é azar. Agora, jogo após jogo ver adversários que só precisam de ir uma ou duas vezes à nossa baliza para fazer golo já não é azar, é desconcentração e displicência defensiva. Pior ainda, estamos habituados a sofrer pelo menos um golo contra equipas que passam o jogo todo à defesa. Então imagine-se quando será quando apanharmos uma equipa que queira jogar no nosso meio-campo. Nem todos os dias serão dias de São Helton...

Dois meses a seco (-) - No período em que precisávamos do melhor Tello, pela ausência de Brahimi, torna-se cada vez mais difícil perceber quem é este rapaz que veio de La Masia e que no início da época esperávamos ser o extremo match-winner que Paulo Fonseca nunca teve. Uma, duas, três, quatro vezes na cara do colo e mostra imaturidade, precipitação e displicência a finalizar. Tello é um avançado interior, que procura a baliza em vez da linha. Isso devia implicar que tivesse um mínimo de eficácia, mas isso não tem acontecido. Tello e até Quaresma, sendo os extremos titulares do FC Porto, fazem muito poucos golos. Isso acresce a responsabilidade de Jackson e força o meio-campo a ser produtivo (e daqui até se chega à crítica habitual a Herrera, excelente a aparecer no espaço mas pouco eficaz a finalizar). Comparem quantos golos marcam os extremos de Benfica e Sporting ao número de golos marcados pelos do FC Porto. Está há 2 meses sem fazer uma grande exibição pelo FC Porto. Só o estatuto e a crença de que possa vale algo mais é que lhe têm dado a titularidade.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Hoje o orgulho, amanhã a revolta

Imbuídos de um espírito Ulrichiano: ai aguenta, aguenta! Aguentou tanto que no final rebentou. Treinador, jogador e dirigentes do FC Porto só tinham uma palavra no final: orgulho. Orgulho é o que devemos sentir hoje. Revolta é o que devemos sentir até ao fim da época.

Fotos: Catarina Morais
Digo há anos que devíamos deixar a Taça da Liga para a equipa B (antes disso, para os sub-19, como chegou a fazer Jesualdo Ferreira) e as segundas linhas. Reafirmeio-o no início da época, outra vez após ganhar ao Rio Ave, novamente depois de ganhar ao União. E hoje pela primeira vez digo o contrário: eu quero aquele pedaço de chapa que mais parece uma peça de ludo no museu. Eu quero a Taça da Liga. Esta Taça da Liga.

Quero a Taça da Liga no museu, para que possamos olhar para ela e recordar este dia em Braga. Como nos recordamos do Derlei, completamente rebentado, a fazer sprints nos prolongamentos contra o Celtic e o Panathinaikos; como recordamos o Pedro Emanuel, com uma cãibra, a entrar pela baliza do Baía dentro para evitar mais um golo do Inter; o João Pinto, acompanhado pelo Baía, o Secretário e (quem diria) o Rui Jorge, a levarem com garrafas no Jamor; o Lisandro Lopéz a correr 70 metros para ir roubar uma bola ao Rodríguez quando o Benfica, de Chalana, ficou contente por perder apenas por 2-0; o Fernando com tentáculos que mais pareciam oriundos de um filme de porno japonês contra o Zenit; o Pedro Mendes a gritar, aos 91 minutos em Gelsenkirchen, para o Jorge Costa: «Oh bicho, eu nem acredito!».

Tantos momentos que simbolizam a mística portista. Hoje temos mais uns quantos. O Helton a fazer a vénia aos adeptos enquanto bate com a mão no peito; o Rúben Neves completamente rebentado ao fim de 90 minutos, após lesão; o Campaña com olhos esbugalhados de serial killer; o Ángel numa corrida que já não se via desde o sprint do Cissokho em Braga; o Marcano a levar à frente um, dois, três e a recuperar com mais um sprint à maluca. Raça de dragão como há muito não víamos, como pensávamos que não veríamos num plantel com tanta gente nova.

Falta de mística o tanas. Vimos empenho, garra, esforço mútuo, inconformismo e vontade insaciável de vencer. Se isto não é ser Porto, o que será? Um jogo à Porto, que pode muito bem marcar um ponto de viragem. Mas temos que ser nós a inverter a situação, e não esperar que ela mude por si mesma. Porque todas as ameaças aqui ontem enumeradas mantêm-se. O orgulho não chega. Não se não tiver a revolta como amiga íntima.

Quero esta Taça para que olhemos para ela e nos recordemos de Cosme Machado. Isso mesmo. Para que nos recordemos que nem assim nos conseguiram tirá-la. Quero esta, este ano. E quero o campeonato pelas mesmas razões.





Helton (+) - Mea culpa, Helton. Fui um dos primeiros a lamentar que após a lesão dificilmente o veríamos ao mais alto nível outra vez. Como estava errado. Na mesma exibição consegue parecer guarda-redes de futebol, andebol e hóquei em patins. Um gigante, como tinha sido Fabiano em Nápoles, como Andrés ainda não pôde ser, como Ricardo nunca poderá ser. Se isto não lhe dá a titularidade, nada dará. Como merece jogar nos Barreiros.

Rúben Neves e Campaña (+) - Pensar que Rúben Neves podia estar por esta altura a cumprir o primeiro ano de júnior é assustador. Deixem de perseguir os Minalas desta vida, pois os 17 anos de Rúben Neves é que merecem todas as suspeitas. Um patrão no meio-campo, mesmo a coxear, certinho no passe mesmo faltando 2 jogadores em campo e com uma raça interminável. E que grande parceria fez com Campaña. Na primeira parte temi que não acabasse o jogo, mas não só acabou como fez 45 minutos de altíssimo nível. Uma bela resposta à contratação de Sérgio Oliveira.

José Ángel (+) - Alex Sandro tem um problema. A 18 meses do final de contrato, continua a ser um grande lateral esquerdo, de craveira internacional e com grande potencial. Mas não consegue uma regularidade que leve a oferecer um salário dos mais altos do plantel, como Danilo já (quase) pode reclamar, nem que faça um clube europeu perder a cabeça por ele. Não sabemos como a SAD decidirá, mas estou descansado: Ángel tem tudo para ser titular no FC Porto. Fartou-se de fazer cortes, anular jogadas de dois para um e ainda foi desequilibrar no ataque. Exibição que pede mais jogos. Nota para Ricardo, também em bom plano.

Adeptos (+) - Absolutamente irrepreensíveis, em especial na segunda parte, e a contagiar a equipa como nunca. As atitudes de Lopetegui e Pinto da Costa no final do jogo foram mais do que merecidas. O comportamento dos ultras hoje merece todo o reconhecimento pela forma como empurraram uma equipa que, ao fim da primeira parte, estava destinada a uma derrota. Mudaram o jogo.

Outros destaques (+) - Sou fã de Herrera e este é um dos jogos que mostram porquê. Entra com uma imensa disponibilidade, agressividade, verticalidade e sem nunca deixar que o Braga ganhasse espaço na rectaguarda. Ricardo fez um bom jogo defensivamente, o que se pedia, Marcano fica mal na foto nos descontos mas Helton safou-o e passa com nota positiva. E por fim, Gonçalo Paciência. Tal como Ivo, teve uma estreia ingrata. Mas enquanto esteve em campo lutou no corpo-a-corpo, baixou, ficou perto do golo, arrancou um penalty e ainda foi fechar o corredor esquerdo. Para um avançado em estreia que funciona numa equipa que assume a posse de bola e que hoje teve tudo menos isso, foi bom. Com Ádrian lesionado, dos convocados já ninguém te tira. E ainda bem.





Anjinhos (-) - Reyes faz estes disparates porque não joga mais ou não joga mais porque faz estes disparates? O empréstimo só lhe fará bem. O problema é a dicotomia de emprestar um central de 7 milhões para ir investir noutro que, supostamente, tem que ser melhor do que os que já cá estão. Precisa de jogar, com regularidade, e de preferência que seja emprestado a uma equipa que assume predominante o jogo e que joga com a linha defensiva subida; se for para emprestá-lo a uma equipa de linha defensiva recuada não vale a pena. E Evandro, Evandro... Com a equipa reduzida a 10, é preciso evitar expor-se a situações de risco. Foi o que aconteceu e podia ter custado um jogo. Lembro-me de 2 expulsões no Estoril que também foram um disparate. Que a lição tenha sido aprendida.

À 3.ª tem que entrar (-) - Achei que se tínhamos alguma hipótese de ganhar o jogo era com uma bola para a corrida do Tello. E assim foi, a oportunidade apareceu, mas faltou força para finalizar bem e a pressão do Tiago Gomes (o tal que já devia ter sido expulso antes) impediu-o de rematar como devia ser. Dito isto, recuso-me a acreditar que um jogador com esta capacidade de explosão não aprenda a ser mais incisivo, ter mais critério a definir no último terço e a saber jogar em espaço mais curto. Em Alvalade falhou, hoje também. Na próxima tem que entrar. Vai entrar.

Cosme (-) - Havia uma razão muito forte para eu chamar a esta secção os «Machados». Agora há duas.

PS: O Helton merece um espacinho no mesmo corredor que o Guttmann. Afinal, já conseguiu fazer aquilo que outros tentam fazer há mais de 50 anos sem o treinador húngaro: meter as mãos numa taça europeia. Por isso, vamos lá ser solidários com esta causa. A votação MVP, como já repararam, está aldrabada. Mas quem não concordar que é o MVP é que seria o maior aldrabão.

PS1: Lopetegui e Pinto da Costa, impecáveis na reacção a um momento de orgulho nos jogadores e nos adeptos. Após o jogo era um momento para sentir orgulho. A partir do treino de amanhã será um momento para sentir revolta. E ainda aguardemos para conhecer os castigos que Evandro e Antero Henrique vão ter.