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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Caça ao golo em quatro finais

Ao sétimo e último clássico da época, a primera derrota frente a um dos rivais. As grandes penalidades voltaram a ser uma realidade na qual o FC Porto não encontrou a felicidade, ironicamente novamente com os ferros à mistura. Para trás ficam 660 minutos (sete jogos + um prolongamento) nos quais o FC Porto confirmou dois predicados nos clássicos esta época: uma equipa que defende bem, mas que também denuncia muitas limitações na dimensão ofensiva. 

Em Alvalade, repetiu-se um filme que não era inevitável, mas que já havia sido anunciado. Recordando aquele que foi o único «Machado» do jogo da primeira mão, em que o FC Porto venceu por 1x0, golo de Soares. 


No post anterior também já tinha sido feito o alerta: o Sporting venceu todos os jogos que disputou em Alvalade, a nível interno, desde o início de novembro e sempre sem sofrer golos (se der para prolongarem essa sequência até à receção ao Benfica, a malta é capaz de agradecer). Mas o que aconteceu ao longo dos quase 90 minutos em Alvalade? O FC Porto fez o que quis. 

Sérgio Conceição montou uma equipa para anular o Sporting. E conseguiu-o, quase até ao final. Essa foi uma constante nos clássicos desta época: o FC Porto poucas vezes concedeu grandes ocasiões de perigo aos rivais. Basta dizer que foram apenas 2 golos sofridos: o de Rafael Leão, no Dragão, e o de Coates, numa jogada de ressaltos/bola parada. É atípico sofrer tão poucos golos em clássicos. 

O Sporting, obrigado a ganhar e à reviravolta, foi quase inexistente ao longo dos 90 minutos. Bas Dost não se viu a incomodar Casillas, Bruno Fernandes não teve espaço para a meia distância nem para o último passe, os laterais foram barrados e o pouco que Gelson produziu não chegou para pôr à prova Casillas. No que toca à missão defensiva, o FC Porto esteve quase sempre no controlo.

Mas faltou pensar no outro lado. Pois se é verdade que o FC Porto secou o Sporting, também há que reconhecer que o FC Porto foi absolutamente inexistente no ataque. Rui Patrício não fez uma defesa. E, cúmulo das ironias, também não teve que defender nenhum penálti para seguir em frente. O Sporting pouco conseguiu fazer, mas Rui Patrício também não teve que fazer quase nada. Não combina com algo positivo. 

Na primeira parte o FC Porto teve momentos de boa circulação, soube jogar em apoio e com as linhas mais próximas do que o fez na Luz, mas a equipa praticamente não teve presença nos últimos 18 metros. Admita-se ou não, o FC Porto jogou sempre com o 1-0 da primeira mão no pensamento, e não admitiu nunca que o Sporting pudesse chegar ao golo e forçar o prolongamento. 

Um momento muito contentado pelos adeptos do FC Porto foi a última alteração de Sérgio Conceição, a entrada de Diego Reyes. E a verdade é que essa alteração, dentro das opções existentes, é de fácil compreensão.

O FC Porto esteve sempre em controlo do jogo. O Sporting, mesmo após a entrada de Montero para jogar ao lado de Bas Dost, não estava a colocar bolas na zona de finalização. Mas Sérgio Conceição quis antecipar-se à possível reação do Sporting. Felipe e Marcano estavam a jogar para dois avançados do Sporting. E, para os mais esquecidos, o FC Porto não só não tem Danilo como não tem nenhum outro médio-defensivo no plantel. Ali, naquele momento, foi a alteração que qualquer treinador faria: colocar um tampão na zona central, para evitar que os centrais fiquem expostos a uma situação de 2x2.

E poderia perfeitamente ter funcionado. Tanto que o golo do Sporting acontece depois de duas situações que nada têm a ver com a composição tática da equipa: uma bola parada e, logo depois, um corte incompleto de Marcano. Foi o pior que podia ter acontecido: no momento em que reforça o setor defensivo, e até ganha mais argumentos para as bolas paradas defensivas, o FC Porto sofre um golo que é raro de ver acontecer nesta equipa (uma falha de um central na grande área).

Nas grandes penalidades, Sérgio Conceição fez o inverso ao que é comum nos jogos: colocou os defesas a bater primeiro. E Herrera, Aboubakar e Brahimi, que tinham falhado na Taça da Liga, ficaram fora da lista dos 5 batedores. O único a falhar foi Marcano (que tinha marcado na vitória no Campeonato), que até conseguiu enganar Rui Patrício, mas o poste voltou a fazer a diferença. 

Mas foi pelos penáltis que o FC Porto se pode queixar de falhar o Jamor? Não. Foi por um lance de infelicidade na grande área e por não ter tido a ambição de procurar um golo que mataria a eliminatória em Alvalade. O FC Porto esteve tão concentrado e empenhado na missão de anular o Sporting, algo que conseguiu quase até ao fim, que se esqueceu de impor a sua própria força. 


A dificuldade do FC Porto em fazer golo nos grandes jogos já foi aqui diversas vezes analisada, desde a Champions aos clássicos. Mas curiosamente, isto vai de encontro à filosofia que Sérgio Conceição assumia antes de chegar ao FC Porto. 


Com Sérgio Conceição, os clássicos não são jogos para 4x3. São jogos para 1x0. Uma equipa que defende bem, anula bem o adversário, mas que depois acaba por se limitar a ela própria no ataque. Há que reconhecer que o FC Porto, nos sete clássicos disputados, teve muito mais volume ofensivo do que os adversários, mas para a história ficam apenas quatro golos - ou cinco, contando com o que foi anulado a Herrera na receção ao Benfica. 

A última imagem é sempre a que fica. Por isso recordamos sempre o golão de Herrera na Luz, aos 90 minutos, e ficámos a ver uma exibição de muito empenho, garra, luta e dedicação até ao final. Mas a verdade é que, até ao golo de Herrera, a última vez que o FC Porto tinha criado perigo foi no remate em arco de Brahimi, aos 66 minutos. Desde então, foram quase 25 minutos em que o FC Porto não metia bolas na frente, não chegava à grande área e não criava situações de remate. Não tivesse existido o golo de Herrera e provavelmente muitos encontrariam, na exibição do FC Porto na Luz, tantos ou mais defeitos do que os viram nas meias-finais da Taça em Alvalade. 

Mas a que se deve essa seca de golos? À dinâmica da equipa? Ou ao subrendimento individual? Basta olhar para a seca de golos dos avançados para perceber que passa por aí. Porque as lesões não só limitam o FC Porto nas suas opções. A lesão, além de afastar um jogador dos relvados, quebra o momento de forma/ritmo que esse atleta vinha tendo.

Aboubakar é um exemplo disso. O maior, aliás. Em dezembro era o segundo avançado mais concretizador da Europa, só atrás de Cavani. Mas nos últimos três meses e meio só conseguiu um golo. Soares marcou oito golos em fevereiro. Desde então não voltou a faturar. Brahimi, nas últimas 13 jornadas, teve intervenção direta em apenas 3 golos. Marega, o melhor marcador no Campeonato, não serve para os jogos grandes (leia-se, Champions, clássicos, eventualmente os jogos com o SC Braga - Marega não marcou nenhum golo nos principais desafios). Waris e Gonçalo Paciência foram reforços de inverno para o ataque, mas não só não faturaram como estão na cauda das opções para o ataque. 

Os avançados do FC Porto não estão a conseguir faturar. Entre lesões e azares, já lá vão dois meses desde a última vez em que os avançados do FC Porto fizeram golos (Marega e Soares, em Portimão). É certo que há o desgaste da época, e que a equipa atravessa a fase de maior exigência e dificuldade da temporada. Mas nos últimos dois meses, o FC Porto fez apenas 7 golos - nos 135 minutos anteriores a este ciclo, em Portimão e no Estoril, tinha feito oito. 

O Jamor já lá vai. O FC Porto não vai à final da Taça de Portugal, mas terá quatro finais pela frente. As próximas duas jornadas são de uma importância nuclear. Se o FC Porto passa o Vit. Setúbal e o Marítimo, pode ter uma oportunidade para matar o Campeonato na 33ª jornada. Sendo que não pode haver ilusões: se o FC Porto não fizer a sua parte, rapidamente corre o risco de ver o Sporting ficar mais próximo do que propriamente a liderança do Campeonato. Margem de erro zero. Há expetativas de ver o Benfica escorregar em Alvalade, mas o FC Porto só terá interesse em meter olhos nesse jogo se fizer seis pontos nas próximas duas jornadas. 

O Vit. Setúbal empatou na época passada no Dragão. E para quem não se recorda, o Benfica tinha empatado em Paços de Ferreira. Ou seja, se o FC Porto tivesse vencido os sadinos, passava para a liderança da Liga, à 26ª jornada, mas falhou. No espaço de um ano, o Vit. Setúbal empatou na Luz, ganhou ao Benfica no Bonfim, tirou pontos ao Sporting e, há duas semanas, só não voltou a empatar contra o Benfica por culpa de um penálti arrancado nos descontos. Máxima exigência, máxima seriedade.

Quatro finais para ganhar o Campeonato. Hoje podem ficar a faltar apenas três. E não vão ser 90 minutos. O Vit. Setúbal não vai deixar jogar 90 minutos. Nem metade. Quanto mais tardar o golo, mais a equipa adversária poderá dedicar-se à missão de atrasar a reposição da bola em campo, passar tempo a rebolar no chão e tentar enervar a equipa do FC Porto. No final não queremos uma equipa a queixar-se do anti-jogo: queremos sim, desde o início, uma equipa que não vai deixar o adversário fazer anti-jogo, pois vai atacar, massacrar e marcar cedo. 

Depende de vós.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Agora com um final feliz

Quarto clássico da época. Quarta vez em que o FC Porto é superior ao rival. Quarto jogo sem sofrer golos. A primeira vitória, que não deixou de pecar por escassa - e o histórico recente de meias-finais da Taça de Portugal é um exemplo de que um 1x0 em casa não é garantia de nada. Mas quatro clássicos em que o FC Porto parece ser a única equipa a querer assumir-se como grande e a jogar para ganhar, isso sim, é a melhor garantia de que o trabalho desenvolvido por esta equipa está recheado da matéria que faz campeões. 




Ricardo Pereira (+) - Chega a ser irrisório que este jogador nunca tenha feito um jogo oficial pela seleção nacional e que tenha jogado apenas 54 minutos em jogos de preparação. Numa altura em que a fadiga física se faz sentir no plantel, Ricardo continua com uma frescura física invejável e cada vez mais confiante/acutilante no último terço. Galga metros com ou sem bola, garante a profundidade no flanco mas não se inibe ele próprio de explorar o espaço interior. A cobertura defensiva continua a ser a lacuna a corrigir - e podia ter custado caro no minuto 90 -, e pode e deve melhorar os cruzamentos, mas com Ricardo o FC Porto tem, neste momento, um dos melhores laterais da Europa. Alguém se lembra de Danilo?

Sérgio Oliveira (+) - Muita gente - inclusive/sobretudo o treinador - pensou nele como o 3º médio para o 4x3x3 da equipa nos grandes jogos. A verdade é que essa fórmula não estava a funcionar na hora de garantir vitórias. Mas o problema talvez não estivesse no jogador em si, mas sim no seu papel em campo. É no 4x4x2, e numa excelente dupla com Herrera, que Sérgio Oliveira faz os seus 2 melhores jogos com a camisola do FC Porto, ele que não fazia 2 jogos completos seguidos há dois anos - o que não deixa de ser surpreendente, sobretudo por se tratar de um jogador que, no passado recente, nunca dava ares de aguentar 90 minutos e ser pouco intenso. Está mais agressivo, ocupa melhor o espaço e conseguiu assinar o cruzamento para o golo da vitória numa jogada que não é hábito ver o FC Porto fazer (cruzamento do médio antes dos últimos 22 metros). De suplente do Nantes a titular do FC Porto com o mesmo treinador: Sérgio Conceição sabia, de facto, o que estava a fazer. 


Estratégia (+) - Ouvir a conferência de Jorge Jesus no final da partida era entrar numa realidade paralela. O Sporting voltou a ser vulgarizado frente ao FC Porto e completamente anulado naquilo que são os seus princípios - profundidade pelos flancos, bola para a grande área (leia-se, para Bas Dost). O FC Porto secou o adversário pelos corredores e limitou o Sporting a duas ou três investidas do sempre perigoso Gelson Martins. Pouco mais. 

Além disso, a estratégia do Sporting para este jogo pressupunha, com a linha defensiva reforçada, ter mais soluções na saída de bola. Mas não funcionou, pois o FC Porto nunca recuou e soube sempre fechar todos os espaços - Sérgio Oliveira juntava-se a Marega e Soares na linha de pressão, enquanto Brahimi e Corona (bem a colocar as bolas na grande área) fechavam os corredores. Herrera ficava exposto no eixo, mas a equipa nunca se desequilibrou. O Sporting fez 5 remates à baliza do FC Porto em 270 minutos de clássicos. Tudo dito.




Faltou matar (-) - Na época 2013-14, quando o FC Porto venceu o Benfica por 1x0 nas meias-finais, Quintero mandou uma bola ao poste nos descontos. Muitos portistas temeram: «Espero que esta bola não nos faça falta». Fez. Abril ainda vai distante, FC Porto e Sporting atravessarão diferentes momentos de forma até lá e a equipa adversária não poderá apequenar-se como tem feito até aqui. Mas poderíamos, sem dúvida, ter dado já uma machadada na eliminatória, tamanha que foi a subserviência do adversário. O Sporting tentou quanto possível minimizar os estragos e levar a eliminatória para Alvalade, algo que acaba por conseguir. Cabe ao FC Porto ir à procura do golo e obrigar o Sporting a expor-se de uma maneira que não o fez nos três clássicos já disputados. 

Agora o Chaves, equipa que não perde em casa há meio ano. Fica o aviso. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Salvos pelo gongo

Um daqueles jogos em que os instantes finais podem mudar a forma como se olha para os restantes 90 minutos. Até à entrada para o início de compensação o FC Porto era uma equipa desinteressada, que se pôs a jeito, com alguns jogadores a revelarem-se insuficientes mesmo para uma segunda linha e que só se poderia queixar de si própria por sair novamente de forma precoce da Taça; depois, no momento em que Brahimi faz o 3x2 final, o FC Porto passa a ser uma equipa lutadora, que teve garra, que acreditou até ao fim e que voltou a mostrar que tem um grupo unido e determinado. 


Para trás fica uma exibição muito pouco conseguida e o mais importante: a continuidade na Taça de Portugal, em vésperas de Champions e depois de duas semanas de difícil preparação, quer pelos trabalhos das seleções, quer pelas lesões. Tivemos a sorte que faltou noutros anos e que poderá faltar noutras situações, sobretudo se a equipa voltar aos níveis de relaxamento exibidos na primeira parte.




Alex Telles (+) - Bateu o canto que deu origem ao 1x0, com alguma felicidade à mistura (é incomum vermos a bola pingar naquela zona num jogo entre primodivisionários), mas foi ele quem descobriu o caminho para a permanência na Taça, com um excelente passe a desmarcar Aboubakar para o 2x2. Voltou a fazer a diferença no último terço, sem nunca comprometer defensivamente, e a compensar a falta de criatividade e ideias no ataque.

Danilo Pereira (+) - O melhor do meio-campo. Abriu o marcador e foi a constante referência da equipa no eixo, não só na primeira fase de construção como nos avanços que ele próprio assumiu pelo corredor. Falhou qualquer coisa na cobertura a Pedro Sá no 2x1 do Portimonense, mas Danilo Pereira foi sempre uma garantia de força, empenho e clarividência num jogo difícil. 

As pequenas coisas (+) - Um daqueles pormenores que podem passar despercebidos, mas que têm grande valia e que revelam inteligência e espírito competitivos. No momento em que Aboubakar atira para o 2x2, não celebrou: foi buscar a bola ao fundo da baliza, correu para o meio-campo e quis que o jogo fosse rapidamente reatado, de modo a tentar chegar ao 3x2 e evitar o prolongamento. Era o momento: o Portimonense estava atordoado, a jogar com 10 e não havia interesse nenhum em jogar mais 30 minutos antes da Champions. O esforço foi compensado pouco depois, com o golo de Brahimi. 




E janeiro está aí à porta (-) - Hernâni foi a jogo em seis dos últimos sete jogos do FC Porto, tendo sido titular em quatro. Fez um bonito golo de escorpião na Taça, mas de resto pouco ou nada consegue acrescentar à equipa. Constantemente alheado do jogo, inconsequente, improdutivo no 1x1 e por vezes a fazer parecer que tem medo de aleijar a bola na hora de rematar. Com o mercado de inverno aí à porta, cada exibição de Hernâni tem parecido um atalho para a saída em janeiro. Ficou no plantel e joga perante a falta de alternativas, mas nem isso o parece espevitar. No mesmo âmbito, André André continua em campo neutro (não compromete, mas também não acrescenta nada de substancial ao meio-campo), e embora se saúde a estreia e o empenho de André Pereira, sejamos francos: neste momento provavelmente não jogava em nenhuma equipa da Primeira Liga. Não é novidade, mas este plantel precisa de mais soluções, sobretudo se continuar em todas as frentes para lá do natal. E oxalá a visita a Istambul ajude nesse sentido, quer financeira, quer desportivamente. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sem espinhas

Seriedade, compromisso e empenho num jogo que convidava a algum relaxamento? Check.
Oportunidade para lançar uma equipa alternativa e alguns jovens? Check.
Golos bonitos e bom futebol? Check. 
Prémio Puskas para Hernâni? Não, porque esse já está reservado para Loures. 

Tudo o que se podia pedir neste contexto de Taça de Portugal foi cumprido com distinção, a poucos dias da deslocação à Alemanha, onde o Leipzig tem como mais recente cartão de visita uma vitória em Dortmund. Promete.

Aboubakar (+) - Os regulamentos que condicionaram a composição do 11 para a partida eram não só desconhecidos por grande parte dos adeptos como pela própria imprensa, mas Sérgio Conceição fez questão de os lembrar. Aboubakar teve que jogar, num jogo em que o FC Porto acabaria sempre por vencer, com menor ou menor dificuldade. Aboubakar, em dois minutos, assegurou que a equipa o faria com menor dificuldade, com duas boas finalizações, em particular o golpe de cabeça.

Diogo Dalot (+) - Este jogo não foi um teste à qualidade de Diogo Dalot, pois a verdade é que qualquer adversário do FC Porto B na Segunda Liga tem mais qualidade do que este Lusitano. Mas na sua estreia oficial pela equipa principal foi desinibido, entendeu-se bem com Brahimi do lado esquerdo (embora tenha feito toda a formação do lado direito) e arrancou um cruzamento perfeito para a cabeça de Aboubakar. Está, há muito, a um nível muito acima do da sua geração e o FC Porto pode ter aquilo um lateral para muitas épocas - embora a SAD não tenha historial de manter os talentos da formação no clube. 



O envolvimento da equipa (+) - Muitos destes jogadores estavam a jogar juntos pela primeira vez, mas foi visível a existência de rotinas e jogadas-padrão. Sérgio Conceição sabe que não tem um plantel vasto, mas não há elemento que não esteja totalmente integrado no colectivo da equipa, o que permite surpresas como ver Sérgio Oliveira saltar para a titularidade sem um minuto de jogo. E entre alguns rasgos de criatividade e minutos em que pareciam ausentes do jogo, Otávio e Hernâni acabaram por mostrar serviço e contribuir com dois bons golos. 

Segue-se a Champions. Entretanto a SAD já divulgou o Relatório e Contas da época passada. A análise habitual d'O Tribunal do Dragão será publicada dentro de alguns dias.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Chaves e Champions

A culpa não foi do Layún, nem do Depoitre, nem do André Silva. O FC Porto podia ter falhado os 5 penaltys: a explicação para uma derrota em Chaves nunca pode passar pelo desempate por grandes penalidades. Nunca. O FC Porto poderia e deveria ter garantido o apuramento muito antes. 

O FC Porto só tinha perdido uma vez na sua história em Chaves, e já lá iam quase 30 anos. Os flavienses conseguiram construir uma boa equipa, desde o Euromilhões até às ideias de um Jorge Simão promissor, mas em condições normais o FC Porto teria que ter vencido tranquilamente aquele jogo. Mas lá está: não houve condições normais.

Depois de ter mostrado o seu melhor futebol da época contra o Benfica, o FC Porto regressou ao nível habitual demonstrado desde o início da época. Uma equipa que não explora, de todo, todas as suas capacidades; limitada na procura da baliza adversária; que não recebe sinais esclarecedores a partir do banco; que demonstra falta de ambição na procura da vitória. Tudo isto não impediu que o FC Porto tivesse oportunidades para marcar e vencer o jogo. Depois, João Capela decidiu brilhar.

Nuno Espírito Santo diz que foi um penalty. O Dragões Diário e o Facebook do clube dizem que foram três. O Tribunal d'O Jogo diz que foram dois. Não é conclusivo, mas há um facto: em todos os lances de dúvida, João Capela arbitrou sempre em desfavor do FC Porto (com exceção de um penalty por marcar para o Chaves). São demasiados erros.

Há adeptos que defendem que o FC Porto tem que ganhar apesar dos erros de arbitragem, dizendo que isso faz parte do ADN do clube: vencer contra os erros de arbitragem. Entendendo o porquê dessa afirmação, não: não é normal errar tantas vezes, e sempre em desfavor do FC Porto. Foram contabilizados 12 penaltys desde o início da época. Provavelmente nem todos os lances são referentes a grande penalidade, mas lá está: em caso de dúvida, foi sempre, sempre contra o FC Porto

Recordando a época 2014-15. O Benfica não jogava bem, mas enquanto a equipa tremia, não havia um erro de arbitragem a deitá-la abaixo. Neste caso, o FC Porto também não joga bem. Mas contrariamente ao que sucedeu ao Benfica, o FC Porto não tem aquele erro de arbitragem a puxá-lo para cima nos momentos difíceis. Nenhum clube o deve ter, diga-se. Mas os critérios deveriam ser iguais para todos, e não têm sido.

Foi bom ver a reação do FC Porto à derrota em Chaves. Pinto da Costa decidiu falar (algo que se tornou uma raridade após maus resultados), e bem, mas foi de lamentar a falta de sintonia entre Nuno Espírito Santo e a comunicação do FC Porto. O treinador queixa-se de um penalty, para depois o FC Porto reclamar que são três? Se não há sintonia dentro do próprio clube nas críticas à arbitragem, nada feito. 


As críticas têm sido relativamente vorazes, mas é preciso que os seus destinatários tenham consequências. Repare-se que o Conselho de Arbitragem nem ousou abrir a boca. Ao contrário do que já fez em situações anteriores, nem sequer se deu ao trabalho de tentar defender publicamente João Capela. Por isso, das duas uma: ou ignora por completo a posição do FC Porto - que, diga-se, nunca pareceu muito incomodado quando o Benfica era beneficiado pela arbitragem, algo que indiretamente prejudicava o FC Porto -, ou quem cala consente

Tendo em conta que já é dia de Champions e que uma crónica ao jogo de Chaves já viria fora de horas, apenas algumas considerações sobre o afastamento da Taça de Portugal. Foi o adeus à competição que o FC Porto, teoricamente, mais hipóteses teria de ganhar esta época, pois era a maios curta - ainda que também seja aquela que permite menor margem de erro, mas também é a que reúne adversários mais acessíveis. Foi-se um dos objetivos.

Disseram os protagonistas, no final do jogo, que o FC Porto foi a única equipa a querer assumir o jogo e a querer resolver a questão antes dos penaltys. Meus caros, mas seria de esperar o quê? Que fosse o Chaves a mandar no jogo? Não brinquem. Em qualquer campo em Portugal, com duas ou três exceções, o FC Porto vai ser sempre a equipa a querer mandar no jogo, a querer dominar, a querer marcar. Isso não é uma valia: é uma obrigação.

Criticar Nuno Espírito Santo é algo que vai soando a repetição, pois infelizmente quase sempre que mexe na equipa durante os jogos a tendência é para piorar, mas a gestão da partida não foi bem conseguida. Aos 78 minutos, sai Otávio, o único criativo do meio-campo, e entra Depoitre, que nos últimos 2 meses só tinha jogado uma vez e que arrisca ser um dos maiores flops da história do FC Porto, sem que ninguém possa ficar surpreendido. A batata quente foi bem cedo chutada para as mãos de Nuno, mas há uma grande diferença entre não conhecer Campaña e contratá-lo meramente por empréstimo, sem comichões, e contratar Depoitre, um avançado limitadíssimo que se tornou, sem que o seu percurso ou valia desportiva o justificasse, um dos mais caros da história do FC Porto. De qualquer forma, O Tribunal do Dragão manifestou, aquando da sua contratação, o otimismo de que Depoitre talvez conseguisse fazer mais golos do que Tiago Caeiro. Para já está ela por ela: 1 golo para cada um. Confiança, vai conseguir!

Para o prolongamento, Nuno fez dupla alteração. Entrou Evandro, que não jogava há 3 meses e só tinha feito 6 minutos em Roma. E entrou Layún, para o meio-campo. Três medidas tomadas por Nuno que fogem a qualquer tipo de padrão que fosse sendo trabalhado desde o início da época. Soa a desespero. E muitas vezes, Nuno transpira insegurança a partir do banco. Olha para o banco, olha para os suplentes que estão a aquecer, conversa com o adjunto, passa as mãos na cabeça, olha para o banco e repete o ciclo. Nuno já mostrou saber preparar jogos, como o fez muito bem contra o Benfica; mas na hora de mexer no jogo e de reagir, tem sido limitadíssimo e, pior ainda, prejudica a equipa. 

Por fim, o FC Porto descobriu, mais de 2 anos depois, que Brahimi é muito mau profissional. Deve ser terrível enquanto elemento de balneário, treina muito mal e o FC Porto, por estar num excelente momento de forma, até se dá ao luxo de o levar a Chaves, só para o ter 30 minutos a aquecer e mandá-lo para o duche. Para Copenhaga é que já nem valeu a pena gastar dinheiro no bilhete de avião. Mas brincamos? Brahimi, o mais virtuoso jogador do FC Porto, não conta? Algo de muito mau devo ter feito Brahimi, só pode. Há quem diga que seria curioso cruzar uma espécie de Mendes vs. Doyen desde o início da época. Certo é que quem perde é o FC Porto. Tirem Gelson ao Sporting e Pizzi ao Benfica, e vejam o resultado. 

Agora, se Nuno não usa Brahimi porque não pode, estão a prejudicar as suas condições de trabalho. Se Nuno não usa porque não quer, está a prejudicar o seu próprio trabalho e o rendimento do plantel. Se Brahimi fez algo de errado, à partida então nem deveria ser convocado ou colocado a aquecer. As razões desconhecem-se, mas só perde o FC Porto.


Hoje, em Copenhaga, o apuramento para os 1/8 da Champions pode ficar resolvido. Na UEFA, o FC Porto poucas queixas tem tido da arbitragem. Por isso, mostrem que em Chaves o que mais pesou na balança não foi o treinador, o plantel ou a exibição, mas sim a arbitragem. Falhar na Dinamarca seria dar razão a quem acha que as arbitragens são uma desculpa para uma equipa sem estofo. Não desperdicem esta oportunidade. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Feito, próximo

A Taça de Portugal é como o Martelinho: pode ser uma faca de dois legumes, muito em função do resultado. Nuno Espírito Santo optou por colocar a base dos melhores jogadores em campo, preferindo não correr muitos riscos (se é que era possível correr grandes riscos contra o Gafanha, em campo neutro, jogasse sem jogasse).

Não é propriamente incomum os treinadores do FC Porto usarem uma base mais consolidada de jogadores no primeiro jogo de Taça, ao invés de mudar meia equipa. Até Villas-Boas não prescindiu de Hulk contra o Limianos. Nuno fez a sua escolha, a equipa passou o jogo-treino sem dificuldades e a única interrogação em torno das suas escolhas é o que se dirá a jogadores como Sérgio Oliveira, João Carlos Teixeira ou Varela: se não servem para jogar contra o Gafanha, a que momento da época é que poderão mostrar utilidade à equipa dentro de campo?

Nuno também optou por dar continuidade ao 4x4x2 que tão bem funcionou contra o Nacional, ainda que dificilmente seja contra o Gafanha que uma equipa consolida ou deixa de consolidar o modelo e dinâmicas de jogo. O jogo contra o Club Brugge, amanhã, já será um teste bem mais difícil, no país onde todos aprendemos a detestar o Anderlecht. Aí sim, já será possível tirar sinais mais conclusivos, até porque em caso de um mau resultado (um empate dificilmente saberá bem) o apuramento para os 1/8 pode complicar-se. Bem mais do que ganhar ao Gafanha, pelo menos.




Iván Marcano (+) - Desta vez com Boly ao lado, voltou a fazer uma exibição irrepreensível e sai deste jogo como um dos melhores do FC Porto. Dizer que o nosso central foi o melhor contra o Gafanha, num jogo de Taça, não quer dizer que o adversário atacou muito, mas sim que Marcano soube ser prático e ajudar a equipa nos processos ofensivos: passou rapidamente no início de construção, controlou sempre o espaço em profundidade, deu indicações a Boly (bom ver Marcano assumir-se e ter voz na defesa), fez a assistência para o 2x0 e foi mais rápido e agressivo na recuperação. Contra o Gafanha, um bom ou um não tão bom Marcano podem não fazer diferença, mas contra o Club Brugge acreditem que fará.

Otávio (+) - Dá ao FC Porto o que tem faltado: rasgo individual. Aquele jogador que, qual Madjer, Deco ou Hulk, pega na bola, assume o lance individual, com objetividade, encontra um atalho para a baliza e faz golo. Brahimi pode fazer isso, Corona pode fazer isso, mas não o estão a fazer. Esse papel está a ser um exclusivo de Otávio esta época. Um belo golo e uma vez mais a destacar-se na forma como consegue distribuir jogo e crescer a partir do lado esquerdo. Os lances de perigo nasciam sempre dos seus pés.


A entrada de Corona (+) - Esteve com problemas físicos, teve 25 minutos para mostrar serviço, faz um golo e uma assistência. Objetivamente, não dá para pedir mais. Oportuno no 2x0, atento à movimentação de Depoitre no 3x0, volta a mostrar mais nos minutos em que é suplente utilizado do que nos jogos em que é titular. Nota para um bom regresso de Maxi Pereira à equipa. 




A rever (-) - Muitas vezes, jogar na Taça é uma missão ingrata para jogadores pouco utilizados. Admita-se isso. Se um jogar faz o primeiro jogo pelo FC Porto, por mais frágil que seja o adversário, se não revelar já bom entendimento com os colegas as coisas podem correr mal. Herrera não teve essa desculpa. Do meio-campo para a frente, Nuno Espírito Santo não mexeu, mas Héctor pareceu muitas vezes um corpo estranho à equipa. Muita hesitação na progressão e a soltar a bola, sem conseguir acelerar o jogo e pouco participante na circulação. Se o FC Porto rejeitou uma proposta de 30M€, não foi pelo jogador que vimos contra o Gafanha. Há também que insistir na melhoria da capacidade de meia-distância. Contra equipas que enfiam o Boeing 777 na grande área, ter capacidade de remate à entrada da grande área pode resolver muitos problemas.

Está feito, venha o próximo.

PS: O FC Porto, num salutar ato de transparência, publicou uma imagem de um contrato assinado por Helton e administradores da SAD que visa demonstrar que a rescisão já foi feita a 15 de Setembro. Há que acabar com o ruído, sem dúvida, pois criar ou alimentar polémicas com ex-capitães, independentemente dos argumentos de cada parte, nunca traz nada de bom. Só não se percebe o porquê do FC Porto fazer questão de mostrar uma rescisão assinada a 15 de Setembro, se no R&C de época 2015-16 o FC Porto já dava conta de uma rescisão ocorrida até 30 de Junho de 2016. Um R&C anual já deveria ser fonte de informação suficientemente esclarecedora para evitar dúvidas ou polémicas.



Helton é passado, um passado que será sempre recordado com carinho enquanto foi o número 1 da baliza do FC Porto, vencer o Club Brugge tem que ser o futuro. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Taça, André, Visão e Diogos

Perdi a conta a quantas vezes vi o Portugal x França de 1984. E por muito que já conheça cada detalhe do jogo de cor, sempre que Rui Jordão vira para 2x1 acredito que Portugal vai ganhar aquele jogo. Sei que Jean-François Domergue vai empatar o jogo e que Platini vai virar para 3x2 aos 119 minutos. Mas continuo a acreditar que Portugal vai ganhar aquele jogo, mesmo sabendo que não vai. Não por ingenuidade, mas por inconformismo perante uma eterna injustiça.

Muito André para pouco Porto
No Jamor, vimos algo parecido, no último minuto do prolongamento. Mas por mais que veja e reveja o lance, espero sempre algo diferente: ou que André Silva remate logo de pé esquerdo; ou que as pernas do André Pinto não apareceram; ou que Marafona escorregue; ou que o remate em arco saia para o segundo poste. Infelizmente, a bola acaba sempre nas mãos de Marafona. Injustiça para todos os portistas, sobretudo para o próprio André Silva, expoente máximo do que é ser Porto na final da Taça.

A época já terminou, mas há alguns aspetos a ter em consideração. A começar pela afirmação de André Silva, um jogador que há dois anos já podia preparar-se para assinar por outro clube. Não o fez porque não quis. Porque é portista, porque é um rapaz bem formado, porque honra e respeita a camisola.

André Silva resistiu a tudo até ter a sua oportunidade. Viu, por exemplo, o FC Porto contratar Suk e Marega em janeiro - e que jeito deram eles na final da Taça de Portugal. Violar o princípio mais básico de qualquer contratação - a vir, que seja melhor do que os que cá estão - foi tudo aquilo que o FC Porto conseguiu fazer no mercado de inverno.

Agora já todos têm grandes expetativas sobre André Silva - só surpreende quem não o acompanhada desde o seu percurso de formação. Na próxima época, é natural que já se comece a pensar num novo contrato - o atual é válido até 2019 e com uma cláusula de rescisão de 25M€. Felizes dias para António Teixeira da Silva, o intermediário da sua renovação. Intermediário, não empresário. A Promosport, no seu site oficial, diz que representa 3 jogadores do FC Porto (Verdasca, Fernando Fonseca e Rodrigo Soares). Não fala em André Silva.

Record, 10.09.2015
Mas no acordo de renovação de André Silva, assinado em novembro de 2014, Teixeira da Silva ficou com 10% do seu passe; e além desses 10%, foi atribuída uma mais-valia de 10% numa futura venda. Como estamos a falar de um produto da formação do FC Porto, a mais-valia a ser gerada seria sempre altíssima, pelo valor que se poupa em amortizações e mecanismos de solidariedade. Neste caso, tendo André Silva uma cláusula de 25M€, estamos potencialmente a falar da cedência de um valor até 5M€ a um intermediário pela renovação de contrato de um dos maiores talentos do FC Porto (e há ainda previsto o pagamento de 100 mil euros pela realização de 10 jogos - mínimo 45 minutos - por época). Na altura era sénior de primeiro ano e estava encostado, devido ao impasse na renovação. Assim que renovou, não mais deixou de jogar. Dá para parar de alienar os passes de jogadores da formação nas suas renovações de contrato, ainda antes de os miúdos começarem a jogar na equipa A?

Ainda sobre a final da Taça, e depois do Projeto Visão 611 ter voltado à ribalta, vemos a crueldade poética de o SC Braga ter ganho a final com dois centrais que deixaram o FC Porto quando o Visão 611 estava em vigor. Ricardo Ferreira, que em 2011 ia passar a sénior após ser campeão de sub-19, um portista dos nossos, não chegou a acordo para renovar - como André Silva poderia não ter chegado... - e foi para o Milan. Fez uma grande época no Braga e vai dar com naturalidade um salto na carreira, pois é central de equipa grande. E portista. Fica questão: quantos esforços foram movidos pelo FC Porto para renovar com Ricardo Ferreira?

O outro foi André Pinto, que era sub-19 de primeiro ano quando o V611 foi criado. Foi emprestado a 4 clubes diferentes até deixar, de vez, o FC Porto. O SC Braga, uma vez mais, aproveitou uma das muitas réstias do FC Porto. E enquanto o SC Braga ganhou a Taça com 2 centrais que deixaram o FC Porto durante o período do V611, o FC Porto perdeu a Taça por erros cometidos pelos seus defesas. No Museu temos o Espaço K. Mas o K já não parece ser de Kelvin, parece ser de Karma. 

Com isto, tomem lá dois nomes para o futuro: Diogo Leite e Diogo Queirós. Nos últimos anos, o FC Porto não tem aproveitado centrais tão bons como antigamente. Reparem que a palavra-chave é «aproveitado», não é «produzido». Afinal, o FC Porto até produziu centrais que são bons o suficiente para ganharem uma Taça de Portugal - e veremos quanto dinheiro vai valer já Ricardo Ferreira, mas é bem provável que valha mais do que Indi, Marcano e Maicon numa transferência. 

Futuro com D
Leite e Queirós acabam de conquistar o Europeu de sub-17. Diogo Queirós já está um passo à frente dos centrais da sua idade - é juvenil e já é titularíssimo nos juniores. Além de ser forte fisicamente, é o típico central que joga sempre de cabeçinha levantada. Diogo Leite, embora ainda não jogue pelos sub-19, teve o seu princípio de afirmação neste Europeu: se o viram perder uma ou duas bolas de cabeça neste Europeu, já foi muito. Muito rápido na antecipação. Temos aqui dois centrais para trabalhar para o futuro.

Do lado direito, já não há surpresas para Diogo Dalot. Foi chamado aos treinos por Lopetegui quando ainda era juvenil, e na altura o ex-treinador do FC Porto confidenciou que esse menino não enganava (a mesma reação de Paulo Fonseca quando chamou Rúben Neves pela primeira vez a um treino, quando tinha 16 anos). É o protótipo de lateral-direito moderno. Rápido, forte, com grande disponibilidade para subir pelo corredor e com golo. João Pinto não consegue olhar para ele sem sorrir.

Esta é mesmo a geração dos Diogos (Diogo Verdasca já poderia ter dado jeito esta época na equipa A, sobretudo face a todas as oportunidades que Chidozie teve). Na baliza, Diogo Costa. Juvenil de segundo ano, titular nos sub-19. Claro que há sempre exceções, mas os melhores guarda-redes, os de topo europeu, são aqueles que começam a jogar muito jovens em equipas principais - não aqueles que ao fim de 4 ou 5 anos de sénior ainda não conseguiram agarrar a titularidade numa equipa de primeira liga (por vezes não por falta de valor, mas de oportunidade). Diogo Costa está um degrau acima e precisa de ter um bom acompanhamento para os próximos anos. Uma palavra ainda para João Lameira, segundo ano de sub-17, com menos espaço no Euro, mas também é campeão europeu. 

Decisão da SAD
De volta à Taça, sem surpresa, a postura de Josué já foi criticada, numa reedição daquilo que foi dito sobre Tozé há 2 anos. E sem razão nenhuma para isso. Josué estava com a camisola do SC Braga, não era com a camisola do FC Porto. E estava com a camisola do SC Braga porque a SAD assim o decidiu, quando emprestou Josué a um clube que só sabe explorar positivamente o FC Porto, enquanto no Dragão nunca tivemos nada de bom oriundo de Braga. 

A culpa não é de Josué: é de quem decidiu emprestá-lo ao SC Braga. No FC Porto, formamos profissionais para darem tudo pela camisola que vestem. Josué estava com a camisola do SC Braga. Se o FC Porto fosse jogar contra o Watford, queriam que Layún deixasse de meter o pé, por estar a jogar contra o clube-mãe? Claro que não, nunca o perdoariam. Josué ganhou a Taça porque deixaram. Os insultos a Josué foram a única coisa lamentável de adeptos que apoiaram exemplarmente a equipa no Jamor. E depois de Pinto da Costa ter dito que Josué ia regressar a casa, veremos se é mesmo isso que vai acontecer...

O FC Porto estará pelo menos mais um ano sem ganhar títulos, e desperdiçou a hipótese de disputar uma Supertaça com o Benfica no início da próxima época. Não houve apenas injustiça, houve também consequência: em janeiro, em vez de reforçarem a defesa, foram buscar Suk e Marega, que nem jogaram no Jamor; se não fosse André Silva, a equipa talvez nem tivesse feito um golo; em sentido inverso, foi por erros defensivos que o FC Porto sofreu os dois golos que deram a Taça ao SC Braga.

Os 120 minutos da Taça de Portugal foram de uma tamanha injustiça; mas o desfecho da Taça de Portugal é uma consequência natural da gestão da época.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Um jogo histórico sem história

Um jogo histórico, pelos motivos menos simpáticos. Apenas 4.683 adeptos no Estádio do Dragão. A mais baixa assistência de sempre tinha acontecido em 2013/14, com 10.507 adeptos num FC Porto - Estoril da Taça de Portugal.

Um jogo às 21h de quarta-feira não ajuda. Mas os preços dos bilhetes para um jogo sem história também não. Teria sido uma boa oportunidade para lançar preços simbólicos, até porque de certeza que a SAD não teria perspetivas de uma grande receita no jogo de ontem. Num jogo que ia marcar certamente o regresso a uma final da Taça, cinco anos depois, perdeu-se uma boa oportunidade de mobilizar a massa adepta.
Eliminatória q.b.

Quanto ao jogo, José Peseiro optou por privilegiar as segundas linhas do plantel principal e dar ritmo de jogo a alguns titulares. Percebe-se. Até ao final da época, o FC Porto não vai voltar a ter jogos fáceis, onde possa falar em rotação de equipa. Quando se lança um jovem, essa aposta tem que ter continuidade. Lançar ontem um jovem para não voltar a utilizá-lo até ao final da época não traria muitos benefícios ao jogador quanto à sua afirmação no FC Porto. Não concordando, percebe-se.

Nota-se que a equipa não está bem fisicamente, uma realidade bem diferente daquela que o FC Porto vivia há um ano. Não se pode negligenciar a importância de ter bons preparadores físicos. Por mais que custe reconhecer, esta equipa não estava preparada para jogar duas vezes por semana. Não só porque as opções não abundam no plantel, mas também porque vários jogadores andam em claras limitações físicas. E num modelo que expõe a equipa a transições mais rápidas, esse desgaste pode notar-se mais.

Agora há uma final por semana. Não há desculpas para gestão de esforço, rotatividade, nada. Cada perda de pontos pode significar o adeus definitivo ao título. 







Sérgio Oliveira (+) - É preciso de ter olhinhos nos pés para ter o direito a bater as bolas paradas quando Layún está em campo. Sérgio Oliveira ficou com essa responsabilidade e assistiu para o 1x0. Mas fez muito mais. Foi sempre o elemento a pegar no jogo a meio-campo, marcou o ritmo e contribuiu para as duas fases. Perdeu algumas bolas com facilitismo, mas foi quem mais aproveitou a oportunidade ontem. Mais trabalho para mais oportunidades, é o que se pede.


Víctor García (+) - Fez o seu sétimo jogo pela equipa A do FC Porto - quando chegar aos 20, a SAD tem que pagar mais 2M€ à Northfields Sports, de Marcelo Simonian, por um jogador cuja totalidade do passe custaria menos de 1M€ quando esteve emprestado aos sub-19. Outros rosários. Víctor Garcia aproveita quase todas as oportunidades na equipa A. Garante constante profundidade no corredor direito, é agressivo, cruza bem. Tem pouco entendimento com o extremo, mas é normal, devido à falta de rotinas. O seu valor já recomendava que fosse considerado como sucessor de Maxi Pereira. O seu preço obriga a isso. E o FC Porto não ficará mal servido.

Outros destaques (+) - A jogada do 2x0 é de uma simplicidade deliciosa, curiosamente construída por três jogadores que não estavam bem na partida. Bueno desmarcou Aboubakar de olhos fechados; Aboubakar soube ter sangue frio e altruísmo; e Marega, após tantas abordagens desastrosas ao jogo, conseguiu encostar. José Ángel fez um jogo agradável, sobretudo na segunda parte (muito bem a cruzar) e Rúben Neves esteve sempre tranquilo e eficaz à frente da defesa. Chidozie, sem grande trabalho defensivo, estreou-se a marcar e não cometeu nenhum erro. 






Oportunidades desperdiçadas (-) - Varela em plano negativo. Poucas vezes conseguiu desequilibrar no flanco. Poucos movimentos interiores, nenhum remate, passe ou cruzamento perigoso. A sua época tem sido uma desilusão, com apenas um golo e uma assistência (é a pior época profissional da sua carreira). Bueno, sem ritmo, salvou dentro do possível a sua noite pela forma como abriu caminho para o 2x0. É um jogador que pode dar mais à equipa, mas agora será difícil entrar nela. Aboubakar, entre o azar de duas bolas aos ferros, foi quem mais rematou, mas poucas vezes com objetividade. Ainda assim, teve calma na assistência para a estreia a marcar de Marega, aposta de Peseiro pelo 8º jogo consecutivo. Ficamos felizes pelo golo de Marega, mas foi mais uma má exibição, com deficiências graves em aspetos fundamentais do jogo, como o passe, a receção e a desmarcação. Peseiro está a dar-lhe toda a confiança possível, mas Marega não acerta uma, até ao momento em que fez o golo que lhe pode dar algum ânimo. Mas o problema não é o ânimo, nem o moral, nem o profissionalismo. Um golo na Taça não salva ninguém. Quinzinho, que marcou dois e evitou uma derrota nas Antas com o Famalicão, que o diga.  Uma coisa é certa: por este já ninguém pode culpar o treinador, pois Peseiro está a fazer tudo para aproveitar Marega. Pelo contrário, se alguém tiver algo a reclamar, só se for por dar oportunidades a mais. 

Lugar garantido no Jamor. Será essencial derrotar o SC Braga. Mas para já não estamos a falar da final da Taça de Portugal, mas sim do jogo da 25ª jornada.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Jamor ao virar da esquina

É uma questão de honra e orgulho: voltar a vencer a Taça de Portugal, cinco anos depois, e regressar à conquista de troféus. Depois de uma vitória por 3x0 num campo de uma equipa que não deve muito a várias equipas da primeira liga (o Gil Vicente estava invicto em Barcelos), só podemos assumir, sem que isso reduza a responsabilidade, que o Jamor está ao virar da esquina. Na final teremos, garantidamente, um adversário orientado por um dos melhores treinadores portugueses, que vai ter diversos argumentos para sonhar com o troféu e causar muitas dificuldades ao FC Porto, mas até lá há muito a merecer as nossas preocupações entre outras competições. 

Exibição a merecer nota positiva, com a pontinha de felicidade que faltou a muitos outros jogos - marcar na sequência de um canto, em cima do intervalo, e resistir a duas bolas na trave antes de matar o jogo. José Peseiro não abdicou de rodar a equipa, mas mantendo uma base segura. Por outro lado, e tendo em conta que a SAD não deu a José Peseiro o 10 que ele pretendia, o treinador montou uma possível solução, mas que deixa muito claro que não é assim que poderemos defrontar Benfica ou Dortmund. Já lá vamos.






Miguel Layún (+) - Bate o canto para o 1x0, faz um cruzamento perfeito para o 2x0, por Suk, e arranca o livre que dá o terceiro golo ao FC Porto, além de ter expulsado um jogador do Gil Vicente. São já 16 assistências esta época, uma autêntica barbaridade - no ano passado, os nossos melhores assistentes foram Herrera e Tello, com 11 passes para golo cada. A este ritmo, Layún vai dar mais passes para golo do que os nossos dois melhores assistentes da época passada juntos. Mas o maior desafio está para vir: o seu trabalho defensivo contra Benfica ou Dortmund. Se por cada erro defensivo compensar com uma assistência, ficaremos bem.


Rúben Neves (+) - Jogou mais adiantado, chegando muitas vezes perto da grande área e mantendo-se sempre no corredor central. Manteve uma boa eficácia de passe (90%) e conseguiu regressar aos golos, mais de um ano e meio depois. É um aspeto em que tem que evoluir: o remate, além do jogo aéreo. A primeira parte até nem tinha sido particularmente boa, mas depois do intervalo (ou depois do seu golo) surgiu completamente solto, confiante e a fazer fluir o jogo da equipa.

Outros destaques (+) - Suk estreia-se a marcar num bom gesto técnico, ele que curiosamente destacou-se sobretudo no jogo aéreo. Vai a todas e disputa cada lance na raça, embora ainda esteja claramente inadaptado ao modelo do FC Porto (completou apenas 5 passes enquanto esteve em campo) e tenha dificuldades em jogar sem espaço (quando ficou livre... marcou). Felizmente, aparentemente não será por falta de empenho do jogador que deixará de se adaptar. Bom jogo de Varela, o jogador com mais ataques e cruzamentos em campo, e uma entrada abençoada de Sérgio Oliveira: um toque, um golo (e que belo golo). Não víamos disto desde Lino, contra o Fenerbahçe, na Champions.






Brahimi a 10 (-) - Brahimi não pode jogar a 10. Brahimi não pode jogar a 10. Brahimi não pode jogar a 10. José Peseiro tem que trabalhar com o que tem, é certo. Desde o primeiro dia que está claro que o seu esquema precisa do tal médio-ofensivo, que acabou por não receber no fecho do mercado. Mas Brahimi não pode jogar nesta posição. O número 10, neste esquema, tem que ter a capacidade de soltar a bola rapidamente, em toque curto, de fazer tabelas e de conseguir fazer bem a variação de flancos. Brahimi não oferece nada disto.

Brahimi é um jogador que se amarra muito à bola, é lento a soltá-la e raramente joga ao primeiro toque. Com Brahimi a 10, o FC Porto perde muito mais na ala do que ganha nas costas do ponta-de-lança. Brahimi funciona muito melhor quando joga a partir da linha, através de movimentos interiores, aparecendo de forma circunstancial na zona central e não pré-definidamente. Basta ver a quantidade de passes que Brahimi falhou jogando nessa posição: acertou apenas 51,85% dos passes. E neste esquema, cada bola perdida é um convite ao contra-ataque do adversário. E se o FC Porto vai passar a estar mais exposto no momento defensivo... Brahimi não pode jogar a 10. O FC Porto pode ser Brahimi e mais 10, mas nunca Brahimi a 10.


PS: No final do jogo, Peseiro disse isto sobre a posição 10: «Hoje foi o Brahimi mas também temos Varela, o André que tem jogado ali, o Corona…». Bueno (e até Evandro) foi esquecimento ou parte atrás de todas estas soluções?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A Taça e três elefantes na sala

Um dérbi à antiga: um Boavista a jogar sob a máxima «é canela até ao pescoço» e um FC Porto a ter que lutar contra muito mais do que 11 jogadores do outro lado. A equipa sobreviveu e apurou-se para as meias-finais da Taça de Portugal. Faltam 3 jogos para atingir o objetivo de regressar aos títulos esta época, e numa eliminatória a duas mãos (algo feito pela FPF para ajudar os clubes grandes a chegar ao Jamor) não pode haver desculpa nenhuma para admitir outra coisa que não seja eliminar o Gil Vicente (há quanto tempo ninguém ouve o Fiúza falar?).

Lisboa é que é bom
O FC Porto ganhou, mas há muito mais a discutir. Não só a questão do treinador, mas sobretudo o que se passou ontem no Bessa. Tanto a expulsão de Imbula como o penálti de Indi não deixam margem para dúvidas: são boas decisões. O problema foi o critério utilizado por Nuno Almeida, o árbitro algarvio que só serve para apitar nos estádios de Benfica e Sporting.

É ver para crer: Nuno Almeida apitou 12 jogos do Benfica, dos quais 11 em casa. O único que apitou fora foi... o jogo entre Arouca e Benfica, em campo neutro, em Aveiro. A jogar em casa e apitado por Nuno Almeida, o Benfica tinha vencido sempre todos os jogos.

O historial com o Sporting também é maravilhoso: em 15 jogos, 14 em Alvalade. Os 12 primeiros foram todos em Alvalade. Ao 13º, foi a Vizela arbitrar um jogo fácil para o Sporting, da Taça de Portugal. 

Em relação ao FC Porto, foi o 10º jogo, o 4º fora de casa. No espaço de 1 ano, Nuno Almeida já arbitrou dois jogos do FC Porto fora de casa, tantos quanto Benfica e Sporting nos últimos 13 anos em que arbitrou. É um exemplo do critério de Vítor Pereira.

Que faz o FC Porto em relação a isto? Uma piadinha no Dragões Diário. O critério de Vítor Pereira e Nuno Almeida quase atiraram o FC Porto para fora da Taça de Portugal - neste momento o troféu que mais hipóteses temos de conquistar. Que faz o FC Porto? Nada, zero, caladinho. Agora ainda pior, pois já não temos um treinador que se insurja contra isso nas conferências de imprensa.

E agora falamos do nosso Rui Barros. Ele próprio o diz: é um homem grato ao FC Porto, ao serviço do FC Porto, que vai dar sempre o melhor de si. Só há um problema: não é, nunca foi, e nunca quis ser treinador principal de futebol.

Muitos outros ex-jogadores do FC Porto fizeram parte de equipas técnicas do clube, mas a determinada altura quiseram dar os seus próprios passos de treinador. De João Pinto a Domingos, de Pedro Emanuel a Capucho, há muitos exemplos de homens que quiseram efetivamente ser treinadores principais.

Não é o caso de Rui Barros. Ele é portista, sente-se bem no FC Porto e quer contribuir para o clube. Dará sempre o seu melhor. Mas não é treinador principal.

Portista, mas não treinador
Nem vale a pena discutir o perfil técnico-táctico, nem o facto de ter trabalhado de perto com vários treinadores do FC Porto (Nuno, Pedro Emanuel e Costinha são exemplos de treinadores de quem se dizia terem absorvido os conhecimentos de Mourinho, mas saíram pela porta pequena dos clubes por onde passaram). Rui Barros é demasiado boa pessoa e demasiado correto para exercer um cargo desses. Rui Barros não será o tipo de treinador/homem que vai repreender os jogadores do FC Porto, que se vai insurgir contra as arbitragens, que vai ter o punho de ferro que se exige no dia a dia de um treinador do FC Porto. Não é um comunicador, tanto que, na sua humildade, até deixou escapar na flash-interview que ia ser o treinador em Guimarães, tendo depois sido obrigado a corrigir isso na conferência de imprensa. É um amigo, uma pessoa agradável, mas tem pouco ou nada daquilo que caracteriza um grande treinador principal.

Enquanto estiver no cargo de treinador, Rui Barros não vai receber outra coisa que não seja apoio. Porque a responsabilidade não é sua. Não é treinador principal, nunca foi, logo não lhe podemos exigir o quer que seja. Está no cargo que ocupa de alma e coração, mas não será a ele que se podem apresentar as faturas em caso de falhanço de objetivos. Se Lopetegui ainda cá estivesse, de certeza que culpavam Lopetegui. Como já não cá está e Lopetegui já não pode ser culpado (ou será que pode?), não esperem que isso recaia em Rui Barros.

Daí que faça este comentário aqui, e não nos Machados, pois Rui Barros jamais poderá estar associado a algo negativo neste FC Porto: a hesitação após a expulsão de Imbula. O FC Porto estava rebentado fisicamente e não tinha meio-campo. Brahimi estava esgotado, Varela só fechava o flanco e Herrera estava sozinho a segurar o meio-campo todo. Rui Barros demorou 16 minutos a decidir entrar Rúben Neves, e olhava para ele de minuto a minuto, com claro ar de indecisão. Podia ter custado caro, pois aqui é o treinador quem tem que dar a resposta. Mas acontece que Rui Barros, um grande futebolista do FC Porto, não é treinador.

Portanto, quando Pinto da Costa disse que o futuro treinador do FC Porto vai ser «uma pessoa», não foi de todo a resposta ideal. Pelo menos, que seja um treinador.





Herrera (+) - Foi ele, quase sozinho e como pôde, que segurou o meio-campo do FC Porto na segunda parte. Fechava os espaços, segurava a bola e pressionava quase num fenómeno de omnipresença. Ainda conseguia levar a bola ao ataque, como foi exemplo o último remate de Aboubakar. Teve a importante ajuda de Danilo a proteger as suas costas. Desde a saída de Evandro (que até estava muito bem na partida), Herrera teve que jogar por dois: primeiro quando Imbula estava em campo; depois quando Imbula saiu.

Brahimi (+) - Um lance, uma eliminatória. Contra-ataque, deixa dois jogadores para trás e finaliza com eficácia. Fosse sempre assim. Foi o jogador em maior evidência na primeira parte e entendeu-se bem com Layún nas subidas pelo corredor. Bonita a forma como festejou o penalty defendido por Helton.

Varela a defender (+/-) - A atacar, foi quase uma nulidade. A defender, esteve impecável. A verdade é que qualquer lateral gosta de jogar com Varela no seu flanco, pois é um jogador inteligente, certinho taticamente, que está sempre bem posicionado no momento defensivo. O problema é que quando elogiamos um atacante pelo que este faz defensivamente, é porque falta algo no ataque. A Varela, faltou-lhe tudo do meio-campo para a frente. Defensivamente, esteve impecável.

O momento (+) - Primeiro, Indi salvou Helton de uma grande asneira, embora tenha sido mais demérito de Uchebo do que o contrário. Depois, foi a vez de Helton salvar um disparate de Indi. Helton detesta ser suplente, e não é Casillas que muda isso, mas quando é chamado a campo diz presente. Merece ir ao Jamor e ir à tribuna levantar esta Taça.







A entrada de Imbula (-) - Não é só a entrada para a expulsão: é a entrada em campo. Os adeptos têm que meter algo na cabeça: quem se esforça e trabalha ao máximo nos treinos, joga. É sempre assim. Os treinadores são sempre sensíveis ao trabalho desenvolvido pelos seus jogadores ao longo da semana. Imbula não joga mais porque parece que anda cá a passear e a fazer um favor ao FC Porto.

Acorda, rapaz!
Absolutamente inaceitável a sua postura em campo. Quando olhamos para ele, vemos que há ali um touro capaz de pegar na bola, arrancar, deixar dois ou três jogadores para trás e criar logo perigo. Nós já o vimos fazer isso, sabemos que há ali talento - não de 20M€, oh se não, mas há ali coisas boas.

O problema é que o Imbula que vemos em campo é lento, preguiçoso, completamente à margem da equipa. Mesmo que tenha entrado a frio, após a lesão de Evandro, teve o intervalo para aquecer como devia ser. Mas nada mudou. Não recupera bolas, não age com rapidez, não pressiona, não transporta, não mete o pé, nada. 

É certo que nem era suposto Imbula vir para o FC Porto, mas a Doyen não se entendeu com os parceiros de Milão e Imbula veio fazer uma época ao futebol português. Esperavam que chegasse, engatasse e se valorizasse a grande nível. O problema é que para isso é preciso uma coisa muito importante: trabalhar. Imbula anda desinteressado, próprio de quem sabe que, jogando bem ou mal, no fim da época já terá para onde ir. O problema é que é o FC Porto quem lhe paga, todos os meses, o salário. Mas Imbula pouco ou nada se esforça e nem a saída de Lopetegui lhe parece ter dado vontade de acordar. Se não soubéssemos que há ali potencial, ninguém se dava ao trabalho de se preocupar. Mas exigimos muito mais de Imbula pois sabemos que ele pode dar muito mais. Pode e deve, se não que se faça a vontade do pai dele. 

Muitos adeptos, há uma semana, diziam que queriam ver o que Imbula faria com um bom treinador. Eu estou mais interessado em ver o que Imbula faria comportando-se como um futebolista profissional do FC Porto.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A história da Taça não reza de boas exibições

A história da Taça de Portugal não reza de quem jogou bem ou mal: reza de quem passou ou não as eliminatórias, de quem foi ou não ao Jamor, de quem ficou com o caneco. Terceira eliminatória consecutiva fora de casa, terceiro jogo contra uma equipa inferior motivada por fazer o jogo das suas vidas, terceira vitória sem sofrer golos.

Não foi uma boa exibição, foi a exibição suficiente. Um canto, um desvio, um golo. Terá sido a primeira vez que o FC Porto de Lopetegui ganhou um jogo assim. O Feirense é uma equipa superior a muitas da primeira liga, o que impunha cautelas, mas o FC Porto esteve sempre exposto aos riscos de gerir/defender/controlar um jogo em que está a vencer apenas por 1x0.

Um golo que deveria tranquilizar a equipa acabou por relaxá-la. Nestes jogos, com alterações em todos os setores, é sempre difícil imprimir uma dinâmica forte e revelar níveis altos de entrosamente, mas não justifica tudo. Muitos cruzamentos (20) mas pouco ou nenhum seguimento na grande área, individualidades improdutivas, poucas ocasiões de golo e circulação lenta e sempre em zonas recuadas.

Já lá vão umas valentes semanas sem que o FC Porto faça uma exibição que leve os adeptos a dizer «assim sim, carago!» Domingo era um bom dia para isso.





Helton (+) - Sempre tranquilo, rápido e ágil na resposta aos cruzamentos e ao jogo aéreo, evitou que o jogo fosse a prolongamento com uma grande defesa. Um guarda-redes do FC Porto não fez 10 defesas por jogo: faz duas ou três, e são essas que podem resolver um jogo. Assim foi.

Danilo Pereira (+) - Está a atravessar um bom momento. Afirmou-se como o pêndulo do FC Porto na zona mais recuada do meio-campo. Referência no início de construção, ganha todos os duelos físicos, limpa tudo pelo ar, nunca perde o sentido posicional. Precisa que os dois médios à sua frente deem mais ofensivamente, seja no transporte, na chegada à grande área e na meia distância, pois essas funções, ainda que pudessem fazer de Danilo um jogador mais completo, não é a ele que lhe competem.

Outros destaques (+) - O regresso de Aboubakar aos golos, mais uma boa resposta de Ángel na Taça (que futuro para Cissokho?), Maicon quase impecável até aos 88 minutos e Corona a entrar bem na partida.





Tello (-) - Vamos chegar a janeiro e Tello ainda só tem 2 golos e uma assistência esta época. Há um ano, por esta altura já tinha estado envolvido em 11 golos da equipa. Uma quebra enorme de rendimento para um jogador que está num ano decisivo: não volta ao Barcelona de certeza e a jogar assim também não vai ficar no FC Porto. Não se viu uma arrancada, um bom cruzamento, um bom remate, nem sequer um drible. Vamos criar o #AcordaTelloCaralho.

A rever (-) - Continuamos a ver mais do mesmo. Todos sabemos que é intenção de Lopetegui fazer uma circulação apoiada, com calma, controlada, em vez de andar a fazer piscinas de campo a campo. Mas uma coisa é fazer uma transição lenta mas tendo a baliza como destino; outra coisa é resumir a circulação a um espaço de 30 metros, entre a linha defensiva e os médios, ignorando que há uma baliza do outro lado para atacar e que um 1x0 é sempre um risco. O FC Porto, ao não querer correr riscos, acaba por correr o maior risco de todos. É pôr-se a jeito.

1/4 da Taça já estão, e restam apenas equipas da primeira liga em prova (exceção feita ao Gil Vicente). Preocupações para 2016, pois para já resta a receção a Académica em casa, antes de pensar no ataque à liderança em Alvalade.