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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A história da Taça não reza de boas exibições

A história da Taça de Portugal não reza de quem jogou bem ou mal: reza de quem passou ou não as eliminatórias, de quem foi ou não ao Jamor, de quem ficou com o caneco. Terceira eliminatória consecutiva fora de casa, terceiro jogo contra uma equipa inferior motivada por fazer o jogo das suas vidas, terceira vitória sem sofrer golos.

Não foi uma boa exibição, foi a exibição suficiente. Um canto, um desvio, um golo. Terá sido a primeira vez que o FC Porto de Lopetegui ganhou um jogo assim. O Feirense é uma equipa superior a muitas da primeira liga, o que impunha cautelas, mas o FC Porto esteve sempre exposto aos riscos de gerir/defender/controlar um jogo em que está a vencer apenas por 1x0.

Um golo que deveria tranquilizar a equipa acabou por relaxá-la. Nestes jogos, com alterações em todos os setores, é sempre difícil imprimir uma dinâmica forte e revelar níveis altos de entrosamente, mas não justifica tudo. Muitos cruzamentos (20) mas pouco ou nenhum seguimento na grande área, individualidades improdutivas, poucas ocasiões de golo e circulação lenta e sempre em zonas recuadas.

Já lá vão umas valentes semanas sem que o FC Porto faça uma exibição que leve os adeptos a dizer «assim sim, carago!» Domingo era um bom dia para isso.





Helton (+) - Sempre tranquilo, rápido e ágil na resposta aos cruzamentos e ao jogo aéreo, evitou que o jogo fosse a prolongamento com uma grande defesa. Um guarda-redes do FC Porto não fez 10 defesas por jogo: faz duas ou três, e são essas que podem resolver um jogo. Assim foi.

Danilo Pereira (+) - Está a atravessar um bom momento. Afirmou-se como o pêndulo do FC Porto na zona mais recuada do meio-campo. Referência no início de construção, ganha todos os duelos físicos, limpa tudo pelo ar, nunca perde o sentido posicional. Precisa que os dois médios à sua frente deem mais ofensivamente, seja no transporte, na chegada à grande área e na meia distância, pois essas funções, ainda que pudessem fazer de Danilo um jogador mais completo, não é a ele que lhe competem.

Outros destaques (+) - O regresso de Aboubakar aos golos, mais uma boa resposta de Ángel na Taça (que futuro para Cissokho?), Maicon quase impecável até aos 88 minutos e Corona a entrar bem na partida.





Tello (-) - Vamos chegar a janeiro e Tello ainda só tem 2 golos e uma assistência esta época. Há um ano, por esta altura já tinha estado envolvido em 11 golos da equipa. Uma quebra enorme de rendimento para um jogador que está num ano decisivo: não volta ao Barcelona de certeza e a jogar assim também não vai ficar no FC Porto. Não se viu uma arrancada, um bom cruzamento, um bom remate, nem sequer um drible. Vamos criar o #AcordaTelloCaralho.

A rever (-) - Continuamos a ver mais do mesmo. Todos sabemos que é intenção de Lopetegui fazer uma circulação apoiada, com calma, controlada, em vez de andar a fazer piscinas de campo a campo. Mas uma coisa é fazer uma transição lenta mas tendo a baliza como destino; outra coisa é resumir a circulação a um espaço de 30 metros, entre a linha defensiva e os médios, ignorando que há uma baliza do outro lado para atacar e que um 1x0 é sempre um risco. O FC Porto, ao não querer correr riscos, acaba por correr o maior risco de todos. É pôr-se a jeito.

1/4 da Taça já estão, e restam apenas equipas da primeira liga em prova (exceção feita ao Gil Vicente). Preocupações para 2016, pois para já resta a receção a Académica em casa, antes de pensar no ataque à liderança em Alvalade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Parece fácil. Não é

4 jogos, 10 pontos. Aos 12 milhões de euros pela presença na fase de grupos, já se acrescentam 5M€ pela prestação da equipa. Falta um ponto para chegar aos oitavos-de-final, arrecadar mais 5,5M€ e fazer o market pool disparar para valores na ordem dos 4M€. Os objetivos ficarão assim cumpridos para a edição 2015-16 da Champions. Para já, importa bater o Dynamo Kiev. Vencer, pois o FC Porto não sabe jogar para o pontinho. Nem devia.

A um ponto dos 1/8
O FC Porto cumpriu a difícil obrigação. Três vitórias consecutivas na fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que era na dupla-jornada com o Maccabi e na receção ao Dynamo que tudo ficaria decidido. Não ficamos em euforia por ter 9 pontos, sentimo-nos com dever cumprido por ter 10. Há que ganhar ao Dynamo para sentenciar este objetivo da época. Se pudermos ir a Londres discutir o primeiro lugar já com a qualificação assegurada, melhor, até porque todos conhecemos o historial altamente negativo do FC Porto em Inglaterra.

A vitória contra o Maccabi não foi brilhante, mas foi boa, segura, tranquila. Ganhar um jogo fora de casa na Champions merece sempre nota positiva. É sempre difícil, seja em Barcelona ou Borisov, Haifa ou Munique. Que o diga por exemplo Jorge Jesus, que em toda a sua carreira só ganhou 3 jogos fora de casa na Champions, aos colossais Otelul, Anderlecht e Basel. Lopetegui já vai em 4, com uma ida aos 1/4 da Champions pelo meio e mais uma aos 1/8 à distância de um ponto. A carreira do treinador que diz que se for para o estrangeiro vai a uma final da Champions resume-se a uma única passagem de fase de grupos. É caso para dizer: se Lopetegui, sendo mau, já faz mais do que Jesus, que é bom, na Champions, então imaginem se Lopetegui fosse bom. Irony alert, convém apontar.



Danilo Pereira (+) - O jogo em que melhor se entendeu com Rúben Neves. Nem uma falta em todo o jogo, ocupou sempre bem o espaço, mesmo estando muitas vezes desapoiado no momento defensivo. Foi o médio com melhor eficácia de passe (91%), mas não se limitou a jogar simples, como foi exemplo dois excelentes passes a rasgar para Tello e Aboubakar. Exibição completa.

Layún já marca
Laterais (+) - Dos pés de Maxi Pereira e Layún já saíram sete passes para golos esta época. Por esta altura, há um ano, Danilo e Alex Sandro tinham fabricado apenas três golos. Ofensivamente a equipa não perdeu nada. Excelente assistência de Maxi Pereira para André André, antes de um belo golo de Layún, a fazer uso da parte positiva de ter um destro a jogar à esquerda. A grande diferença é que Layún tem rasgo para ser extremo e procurar a baliza - nunca veríamos Fucile, que tantas vezes jogou à esquerda, fazer um golo daqueles, por exemplo. Maxi Pereira não tem culpa do penalty, por ter sido um lance inventado pela equipa de arbitragem, logo defensivamente também estiveram ambos competentes.

André André (+) - O movimento e o cabeceamento no 2x0 é de goleador. Fez a abertura para Tello inaugurar o marcador. Apareceu bem entre linhas, deu espaço para Maxi subir no corredor, ajudou a dar apoio em zona interior, arrancou faltas, pressionou. Mais uma exibição completa de André André. Isto já não é apenas um excelente momento de forma. E ontem até recebemos a boa notícia de que, daqui a uns aninhos, a linhagem dos Andrés poderá ter mais um membro. O FC Porto agradece.

Cristian Tello (+) - Mesmo no seu pior momento de forma, Tello tem um dom: saber onde posicionar-se. Consegue sempre encontrar o espaço vazio onde sabe que pode criar perigo. Quando a bola entra no seu espaço, já se sabe que vai chegar a zona de perigo, mesmo que ele nem sempre tome a melhor decisão. Excelente na desmarcação e finalização do 1x0, muito bem na assistência para Layún. Combinou muito bem com o lateral e respondeu a tudo: à ausência de Brahimi, à presença de Corona no banco e à entrada de Varela. Assim o lugar é dele.



Joga quem rende (+) - Herrera (8M€), Imbula (20M€) e Corona (10,5M€). O FC Porto tinha jogadores mais caros no banco do que o 11 titular. E mesmo que estes três jogadores sejam nomes que o FC Porto tem que valorizar, Lopetegui não obedece a preços ou estatutos. Não estavam bem, deu oportunidades a outros. E quem entrou correspondeu da melhor forma. Assim se obriga o plantel a estar sempre a 100% e em máxima concentração competitiva. Além disso, é de destacar a importância de uma vitória numa equipa - nunca é de mais lembrar - renovada. Tello, contratado em 2014, era o jogador em campo com mais jogos pelo FC Porto, e está longe de ser um veterano.


Ausência de pressão (-/+) - Quando jogamos fora, na Liga dos Campeões, não podem esperar ópera rock (inserir estilo de música favorito). Vencer já é bom. Vencer de forma folgada, melhor ainda. E vencer com absoluta tranquilidade, como o FC Porto o fez, melhor ainda. Ainda assim, há muito a rever, sobretudo a forma como o FC Porto (não) pressionou o Maccabi. O FC Porto deixou uma equipa limitada tecnicamente ter 48% de posse de bola. Podemos assumir que se tratava de uma estratégia, uma vez que Lopetegui saberia que o Maccabi, sendo tecnicamente limitado, podia ter bola mas não criaria perigo. 

Em parte, é verdade. O Maccabi corria pelo corredor central, mas quando chegava à grande área o FC Porto quase sempre resolvia - apesar de Casillas ainda ter sido forçado a algum trabalho. O FC Porto nunca aplicou no seu jogo uma pressão constante, ainda que possa ter entendido que não precisava de o fazer. O FC Porto não teve menos posse de bola do que o habitual (52%) por ter feito transições mais rápidas, mas sim por não ter pressionado tanto o adversário e não ter recuperado tantas bolas.

Ainda assim, de destacar negativamente o distanciamento entre linhas do FC Porto, o que expõe a equipa a riscos que, contra o Dynamo ou Chelsea, terão consequências, e a ineficácia em alguns lances de finalização. Nada impediu a vitória tranquila em Haifa, mas fica a garantia de que contra o Dynamo ou o Chelsea esta estratégia/erros/displicência terá outras consequências. Tempo de pensar no Vit. Setúbal, cuja única derrota esta época foi em casa do Marítimo.


PS: Mariana Cabral apresenta-se assim no Expresso: «Quando disse em casa que queria ser jornalista, o pai, também ele jornalista, levou as mãos à cabeça e proibiu-a.» A avaliar pela sua crónica da vitória do FC Porto em Israel, o paizinho tinha muita razão. O ramo ficava a ganhar. Já agora, menina (visto não poder utilizar o termo jornalista), recordemos lá a matemática da última vez em que o Benfica saiu de Israel. 

Na verdade, a menina tem razão: equipa portuguesa + viagem a Israel = a 3. É matemática. 

domingo, 18 de outubro de 2015

Seriedade e segundas linhas de primeira

Mais do que exuberante ou brilhante, o FC Porto foi acima de tudo sério. Foi essa seriedade que lhe permitiu superar o Varzim e continuar na Taça de Portugal. Julen Lopetegui mexeu imenso na equipa (9 mudanças, 10 se contarmos com a troca de posição de Layún), o que significou um decréscimo nas rotinas e sintonia da equipa, mas serviu para ganhar ou reforçar soluções no plano individual.

Tello, o melhor na Póvoa
Lichnovsky estreou-se ao pé de um bem mais seguro Indi, Layún ganhou rotinas para substituir Maxi Pereira, Evandro disse presente junto a um Imbula mais confiante, Bueno reclamou mais protagonismo, Tello acordou e Osvaldo, mesmo sem pontaria, mostrou que se pode contar com muito trabalho e entrega por parte dele, que até era a maior incógnita em seu redor. 

Todos gostariam que a Taça de Portugal fosse sinónimo de oportunidades para um ou outro jovem, inclusive da equipa B, mas essa deveria ser a função da Taça da Liga. Na Taça de Portugal, pelo historial da competição e até pela desilusão que foi a participação em 2014-15, faz todo o sentimento que Lopetegui privilegie as chamadas segundas linhas do plantel principal. Até porque, como se viu em alguns casos, só não jogam mais porque o nível competitivo e qualitativo do plantel é de facto muito elevado.

Seguem-se dois testes importantíssimos em casa: receção ao Maccabi, que poderá muito bem valer a liderança isolado do grupo da Champions, rumo aos 1/8, e jogo contra o competente e fortalecido SC Braga, numa jornada em que há dérbi em Lisboa. Depois será tempo de matar a maldição na ilha da Madeira. Um passo de cada vez, três passos onde não poderemos falhar.





Reabilitação (+) - Ao encontro do 2.º parágrafo. A Taça de Portugal é uma oportunidade para as segundas linhas, que não deixam de ter qualidade para jogar regularmente no 11, aparecerem. Indi (que será titular nos próximos jogos), Evandro e Bueno são perfeitos exemplos disso mesmo, sobretudo este último. As caraterísticas de Bueno oferecem, simultaneamente, capacidade para ser 3º médio e 2º avançado, muito útil contra autocarros. Percebe-se o meio-campo de combate de Lopetegui nos maiores testes, mas no campeonato português Bueno arrisca-se a ser útil em qualquer jogo. Evandro está tapado por André André, que está a travessar a melhor fase da sua carreira, mas tudo o que faz faz bem, com naturalidade, critério e qualidade. Pode perfeitamente saltar para o 11 a qualquer momento, não esquecendo a sua importância aquando da lesão de Óliver há um ano. Indi esteve muito melhor na ocupação do espaço e no jogo aéreo, afirmando-se como o patrão ao lado de um jogador ainda inexperiente.

Osvaldo, bem e mal
Cristian Tello (+) - Acordou. É o verbo que melhor se aplica à sua exibição. Rápido, aguerrido, excelente na progressão orientada para a baliza, preciso nos cruzamentos. Jogou como só o sabe fazer - depressa - e como ainda não o tinha feito esta temporada - bem. Está num ano decisivo da sua carreira. Será difícil para o FC Porto mantê-lo nos seus quadros, mas se não brilhar no FC Porto também não voltará ao Barcelona. A concorrência de Brahimi e Corona (ontem pouco se viu de Varela) vai obrigá-lo a ser o Tello que vimos ontem.

Trabalho de Osvaldo (+/-) - Osvaldo nunca foi conhecido por ser um goleador. Quase a fazer 30 anos, ainda não atingiu a centena de golos na carreira e no seu percurso sénior só por uma vez superou a barreira dos 15 golos e apenas em quatro chegou à dezena. A maior incógnita em relação à sua contratação não era saber se ia fazer 25 golos, era saber que tipo de profissional íamos ter. Dentro de campo, sobretudo ontem, nada a apontar a não ser coisas boas: lutador, aguerrido, sempre a pressionar e a pedir bola. A atitude a manter é esta, mas como é claro isto não chega, e falhou três ocasiões que um matador não pode perdoar. Castigo duro, pois aos 6 minutos já tinha feito um golo limpo, invalidado sem qualquer razão. Depois, a cada oportunidade falhada sentia que se afastava mais da titularidade. Quanto a mim, somou pontos: o ponta-de-lança do FC Porto tem que se distinguir, acima de tudo, pelo trabalho e empenho. Os golos serão sempre consequência disso. Mas não falhando três golos cantados por jogo.





Pouco caudal (-) - A vitória não mereceu contestação e o FC Porto teve oportunidades para golear, mas a equipa não fez assim tanto em termos ofensivos. Apenas 8 remates, só mais 2 do que o Varzim. Sem proveito nas bolas paradas ofensivas (3 cantos), só duas tentativas de remate de meia distância e o guarda-redes do Varzim acabou por não ser assim tantas vezes solicitado. Um pouco consequência da falta de rotinas da equipa, claro, mas era possível fazer bem mais. Apontamento negativo para as exibições de Cissokho e Varela, que não aproveitaram para reclamar mais tempo de jogo.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Análise 2014-15: os extremos

Não há comparação possível entre os extremos que o FC Porto teve para iniciar 2013-14 e os que conseguiu para a última época. Paulo Fonseca basicamente só tinha Varela como jogador «feito», e tinha-o contrariado. Lopetegui teve qualidade de sobra, pois a época foi mais bem preparada, o treinador foi ouvido e o ataque ao mercado foi forte e bem conseguido. O resultado? Quaresma: 10 golos e 7 assistências. Tello: 8 golos e 11 assistências. Brahimi: 13 golos e 10 assistências. Contamos apenas este top 3, o mais produtivo que tivemos em muitos anos, sem contar com as passagens episódicas de Ádrian, Quintero, Óliver e até Hernâni pelas alas.

Todos os atuais extremos têm condições para serem mantidos no plantel. Temos experiência (Quaresma), explosão (Tello), criatividade (Brahimi) e projetos de jogador, que vão de Ivo a Hernâni, de Frédéric a Rúben Macedo. Cabe a Lopetegui escolher. Se alguém sair, que seja substituído por alguém do mesmo perfil, embora nada esteja previsto nesse sentido. Em relação a extremos, é um setor para o qual não precisamos de contratações para o 11, mas sim de continuar a aproveitar as soluções que já temos e os talentos que estão na forja. Não esquecer que só em Kelvin (continua no Brasil) e Hernâni foram investidos 6M€, dinheiro ainda por rentabilizar. Não estamos na melhor altura para apostar em «planos C» quando os «B» ainda estão na forja. Mas como sempre, há quem não seja da mesma opinião.

Quaresma - Esteve por um fio no início da época, fruto do feitio que fez com que fosse considerado um flop no Barcelona, no Chelsea ou no Inter. Mas amadureceu como poucos esperariam - talvez nem ele próprio. Tornou-se um extremo mais equilibrado e mais completo, mesmo perdendo velocidade (como é normal na sua idade). É muito raro um extremo de 31 anos ser titular numa grande equipa. Quaresma sabe - se não sabe ficará a saber - que será difícil ser titular absoluto em 2015-16, mas ficando no plantel será um elemento de grande valia. Isto se souber que quer no banco, quer dentro de campo, o símbolo que representa é sempre o mesmo. Não estava na morgue, mas o FC Porto reabriu-lhe todas as portas.

Tello - Uma, duas, três lesões, as duas últimas já quando estava na sua melhor forma ao serviço do FC Porto. Aprendeu a definir melhor, a usar o que de melhor tem, tornou-se decisivo numa sequência de jogos importantes, ora com golos ora com assistências. 2015-16 tem tudo para ser a sua grande época. Postura irrepreensível ao serviço do clube, em todos os momentos, e a não ser que o Barcelona decida estragar a festa entrará em 2015-16 como uma das grandes armas do FC Porto para resgatar o título e voltar a brilhar na Champions (onde Tello acabou por não conseguir ser influente como poderia ser).

Brahimi - Partiu tudo nos primeiros meses, a ponto de fazer uma cláusula de 50M€ parecer pouco. A partir de Novembro (ainda antes da CAN), caiu numa espiral de exibições apagadas e moleza, mesmo intercalada com alguns momentos/jogos do brilhantismo a que nos habituou. Era a primeira época de Brahimi num clube que joga na UEFA, que luta para ser campeão, que em todos os jogos a nível nacional joga contra equipas com linhas defensivas recuadas. Realidades novas para Brahimi, que também teve/tem que aprender a fazer de um passe a melhor finta, a enquadrar-se taticamente num coletivo e a perceber que é impossível ele partir todos os defesas em todos os jogos. Vai ficar e na próxima época estará bem mais preparado para a regularidade que lhe faltou. Sem Danilo e Jackson, deve emergir como a grande figura do FC Porto para 2015-16.

Hernâni - O TD não concordou com a sua contratação, como foi opinado no fecho do mercado. A não concordar com algo, que seja dito atempadamente, porque em prognósticos no final do jogo todos somos 100% certeiros. Mas a partir do momento em que Hernâni chega ao FC Porto, é de esperar que o elevado investimento seja rentabilizado e que as suas características sejam tão aproveitadas quanto possível. Ao fim de meia época, Hernâni é ainda o mesmo jogador que fomos buscar ao Guimarães: com bola no espaço pode fazer a diferença, mas em tudo o resto apresenta limitações. Fez 2 golos no campeonato, esforçou-se, mas em termos evolutivos ainda não deu para ver muito. Parte como última opção para as alas, se ficar no plantel, e precisa de muito mais para singrar no FC Porto.

Kelvin e Ivo Rodrigues serão analisados no setor de jogadores emprestados, enquanto Ádrian López entra nos avançados.

Pergunta(s): Há necessidade de ir ao mercado buscar um extremo? Que papel para Hernâni no FC Porto 2015-16?

PS: A efeméride passou ao lado. O Tribunal do Dragão celebrou um ano de existência. 245 posts, 5.000 comentários, 1,8 milhões de visitas. A frequência de posts não tem sido a maior nas últimas semanas, por motivos de força maior (daí o menor número de posts e a ausência de respostas a comentários), mas tentaremos repetir os números no segundo ano, sempre com o mesmo propósito: um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto. Um obrigado a todos os portistas que visitam e comentam regularmente este espaço.

sábado, 28 de março de 2015

A incubadora que todos querem

Pausa para as Selecções, buraco para preencher com especulações e antevisões sobre o mercado. Dois nomes lançados, Lucas Lima e Lucas Silva, exactamente pelos mesmos motivos. Não por manifestas pretensões do FC Porto, mas sim pelo desejo de terceiras partes em aproveitar aquilo em que o FC Porto se distingue: desenvolver jogadores.

Casemiro, parte II
Os clubes habituaram-se a comprar qualidade no FC Porto. Mas conforme já aqui foi explicado, com as restrições do fair-play financeiro vai tornar-se cada vez mais difícil, até para os clubes mais poderosos financeiramente, chegar e bater propostas acima dos 30M€ num clube português. Mas o que é que Atlético, Barcelona e Real Madrid descobriram esta época? Que há outra forma que aproveitar o quanto o FC Porto valoriza jogadores: colocando-os cá a rodar.

A evolução com Casemiro é notória. Por isso é normal que o Real Madrid queira fazer o mesmo com Lucas Silva. Daí a ser um jogador cobiçado por Lopetegui (que já pediu Sérgio Oliveira para a posição 6) e que o FC Porto tenha condições para receber e manter, vai uma grande distância. 

Os empréstimos não são problema desde que se obedeça a um plano lógico e coerente. Não é coincidência nenhuma que só Óliver Torres tenha começado cedo a render desde o início da época: era o único que já conhecia Lopetegui. Campaña chegou tarde, Casemiro e Tello demoraram muito até começarem a render a bom nível. Por isso, o FC Porto só pode ter jogadores emprestados assumindo um plano de continuidade do treinador. 

Podem chegar emprestados se forem peças para encaixar na equipa. Se chegam jogadores não para reforçar uma equipa, mas sim para ajudar a formar uma equipa, não funciona. Na segunda época com Lopetegui, o FC Porto já terá uma base definida. E a partir daí não devem chegar peças para fazer um puzzle, mas sim para encaixar e reforçar alguns sectores. 

(Des)vantagens
Já aqui foi desmistificado que os empréstimos são um problema. Problema são os camiões de jogadores que chegam com contratos de 4 anos e que ao fim do primeiro ano já são para despachar. O FC Porto raramente tem mais do que 5/6 jogadores no plantel candidatos às tais vendas milionárias que permitem à SAD continuar a operar num patamar financeiro superior. Antes de pensar em empréstimos para 2015-16, é preciso definir se o FC Porto terá esse punhado de jogadores para valorizar em 2015-16.

Depois, há o problema dos vencimentos. Não, Tello não ganha 240 mil euros por mês, e bastava o Record informar-se minimamente sobre como funciona o Barcelona para não escrever essa asneira. No Barça os contratos são atribuídos em função de cinco escalões. Tello, quando renovou até 2018, não era titular no Barcelona, logo assinou um contrato de Categoria Base, colocando-o a par de jogadores como Bartra, Montoya ou Rafinha quanto aos vencimentos, na casa dos 3M€ brutos por ano. 

Mas o FC Porto está a investir mensalmente em jogadores que não vão dar retorno financeiro. Podem dar desportivamente, mas assim terá que haver outros jogadores, que o FC Porto controle a 100% na SAD, que o possam fazer (este ano, por exemplo, Danilo e Jackson resolveram esse problema; e no próximo?). Além disso, os empréstimos não deixam de ser despesas (Casemiro, por exemplo, vai custar 600 mil euros no segundo semestre e Cristian Tello 1,5M€). O FC Porto vai ter que reduzir drasticamente os custos com pessoal na próxima época, e a SAD sabe disso, logo não há espaço para grandes aventuras. Quem chegar por empréstimo, que seja para encaixar na máquina de Lopetegui. A época de adaptação e reestruturação é/era esta.

Assim, não
Mas não só o Real Madrid sabe que o FC Porto valoriza jogadores como ninguém. Fundos como a Doyen Sports, que ganhou o jackpot com Mangala e viu o FC Porto valorizar Brahimi em flecha, terão todo o interesse em continuar a recorrer a esta barriga de aluguer. Daí a usar o FC Porto como cartão de visita com números absolutamente pornográficos, fica-se pela tentativa. Uma avaliação de 13M€ por um jogador que não é internacional, não tem percurso nas camadas jovens e que tem um ano de primeira liga brasileira não merece mais do que assinalar a boa disposição. Não estamos em tempo de mais excepções.

Com o anunciado fim da partilha de passes, já a partir de Maio, fundos como a Doyen não poderão voltar a ter percentagens de passes. Logo ou passam a operar como instituições financeiras, com financiamento e direito a percentagens de futuras vendas, ou inventam novos Rentistas que mantenham a totalidade dos passes dos jogadores e depois vendam. O FC Porto jamais poderá ser uma barriga de aluguer nesse sentido. Por isso urge perceber onde começa a parceria, como foi com Brahimi, e onde começa a rentistização. Nem por metade poderíamos ou deveríamos aceitar Lucas Lima. Sobretudo porque já não poderá haver o modelo Brahimi (isto é, o FC Porto ficar com uma percentagem do passe e ficar com opção de comprar mais posteriormente). Agora a Doyen e demais fundos vão querer livrar-se de toda a percentagem e vender directamente tudo. Isto o FC Porto não pode aceitar. Se nem com Lucho González, Lisandro López ou Brahimi o fez, não será com Lucas que isso pode acontecer. No dia em que o FC Porto tiver capacidade para comprar 100% do passe a um fundo, então deixa de precisar dos fundos e pode voltar a negociar apenas com clubes.

Vai sendo tempo de deixar de lamentar o problema (o fim da partilha de passes) e começar a pensar em alternativas. Sobretudo quando já nem jogadores do mercado nacional, que custam pouco acima de meio milhão, estão livres de chegar ao FC Porto sem antes alguém meter a mão...

domingo, 22 de março de 2015

Copo meio cheio ou meio vazio

Sempre que a Choupana está metida ao barulho é coisa para suspeitar. Há dois anos, o Benfica deixou lá dois pontos, no mesmo dia em que o FC Porto recebia o Olhanense. O FC Porto tinha a oportunidade de se isolar na liderança, mas não conseguiu ganhar em casa ao Olhanense. Nesse campeonato, o pontapé do Kelvin salvou o título. Mas desde então aquela máxima que diz que «o FC Porto não falha nos momentos decisivos» vai ficando tremida.

Ponto ganho? Dois perdidos
Marítimo, Benfica e Nacional, três jogos que nos custaram 8 pontos, por falta de eficácia, sorte e também competência, e não por factores externos. Já há um ano, é bom lembrar, foi no Estádio da Luz que perdemos a liderança, e nessa mesma época perdemos duas meias-finais contra o rival. Este ano, a Taça também se foi à primeira, contra o Sporting. É importante e urgente ir ao baú do clube descobrir a determinação que nos levava a não falhar nos momentos decisivos.

É tudo uma questão de perspectiva. A partir desta jornada o FC Porto depende matematicamente de si próprio. Quando perdeu com o Marítimo, estava em risco de ficar a 9 pontos. Mas não podemos ficar agarrados a ses anteriores. Esta era a oportunidade para ficar a um ponto da liderança. Era a jornada em que o Benfica tinha mais possibilidades de perder pontos. Depois disto, acaba por ficar mais difícil e vamos ter que pensar não só em 24 pontos como em golos, muito golos, pois não podemos confiar que um 1x0 chegue na Luz. Sabendo perfeitamente que a jogar como hoje nem esse 1x0 vai aparecer.

O Benfica vai ter 2 jogos consecutivos na Luz e 6 dos últimos 8 jogos vão ser disputados em Lisboa. Ficou mais difícil porque estávamos à espera de um deslize do Benfica, mas agora teremos que esperar por 2 ou acreditar numa reviravolta épica como na Taça de 2010-11 (não vale a pena pensar em 2-0 porque na Luz o Benfica nunca fica em branco no campeonato, logo será sempre necessário fazer 3 golos). Mas vencer o clássico por si só já seria difícil, agora tornou-se ainda mais. Um jogo para pensar e preparar depois, porque até lá faltam 3 jornadas e uma eliminatória com o Bayern, na qual o FC Porto não terá hipóteses de deixar uma boa imagem se jogar como hoje na Madeira.

Hoje há desilusão porque Lopetegui e os jogadores fizeram tudo e todos acreditar que era possível ser campeão, mesmo num campeonato sujinho. Mas para a história da 26ª jornada fica uma derrota do Benfica, com penalty e expulsão, e um jogo que o FC Porto não conseguiu ganhar por culpa própria. Fomos combatendo o que não podemos controlar, mas hoje falhámos no que estava ao nosso alcance. A luta não acabou, mas ficou mais difícil. Ficou mais difícil, mas ainda não acabou. Copo meio cheio ou meio vazio, certo é que temos que ganhar 8 finais até ao fim do Campeonato, ou morrer a lutar por cada final. Hoje nem ganhámos, nem lutámos o suficiente.





Sete golos na liga
Tello (+) - Fez mais ataques que Brahimi e Quaresma juntos, mais um bom golo e serviu de bandeja o 2-1 a Aboubakar, mas infelizmente Gottardi estava lá. Notou-se que teve dificuldades para arrancar naquele mau relvado, mas combinou várias vezes com Danilo e teve a objectividade e prontidão que Brahimi e Quaresma nunca tiveram. Não entrou bem na segunda parte, mas quem entrou?

Quaresma (+/-) - Uma vez mais, Quaresma não é capaz de meter uma bola de primeira na grande área, está sempre a fugir para a linha com o defesa em cima em vez de jogar rápido, é lento soltar a bola e não tem velocidade para ser o extremo do FC Porto que rompe no ataque. E uma vez mais, dito isto, volta a ser o mais inconformado, o mais interventivo, por muito que demore a cruzar a verdade é que meteu boas bolas na grande área e agitou o jogo. Está em melhor forma que Brahimi, e já que ainda ninguém percebeu para que foi Hernâni contratado em Janeiro, então que se aproveite ao máximo o bom momento de Quaresma.





Não deu para perceber (-) - Não sei se Casemiro pediu para sair, nem se Quintero tem treinado com grande intensidade no Olival ou se se passou o contrário com Óliver. Lopetegui é homem de convicções fortes e há-de ter tido as suas razões para gerir o jogo como geriu. Mas de facto as alterações feitas nada trouxeram ao jogo. Com a saída de Casemiro perdeu-se a dimensão física no meio-campo. Quintero não jogava há um mês e é o jogador mais lento do plantel, era suposto ser ele o abre-latas tendo Óliver no banco? E por fim, Aboubakar não consegue estar simultaneamente a jogar fora da grande área e a chegar a tempo dos cruzamentos. Faltava presença na grande área, faltava a ajuda de Gonçalo. Mas Lopetegui já tinha feito 2 alterações, e o que se diria se tivesse deixado Quaresma no banco? Quaresma devia ter entrado antes e a última alteração devia servir para meter Gonçalo, para arriscar, ou segurar o resultado após fazer o 2-1. Foi o jogo em que Lopetegui pior mexeu esta época, ou pelo menos aquela cujas alterações menos proveitos deram (nenhum). Não houve plano B e estivemos 90 minutos à espera que algo acontecesse.

Carrossel para lado nenhum
Levar a bola para casa (-) - Lopetegui confiou até ao limite que Brahimi ia sacar qualquer coisa da cartola. Mas hoje Yacine nem uma finta ou um cruzamento conseguiu acertar, quanto mais um momento que pudesse decidir o jogo. Tem uma coisa boa, que é mesmo jogando mal consegue segurar a bola e arrastar marcações. E quando isso acontece tem que aprender a soltar a bola para zonas interiores. Brahimi pode jogar mal, mas tem que aprender a jogar mal.

Pela milésima vez ... (-) - Já estive mais longe de fazer um levantamento do aproveitamento nos pontapés de canto. E arrisco dizer que o FC Porto é a equipa que pior aproveita os cantos no Campeonato. É bola na área de qualquer forma, para o molho, e quem quiser que lá chegue. Não há lances estudados, não há movimentações padrão, não há ninguém que se destaque ou seja referência ao primeiro e segundo postes. Se este é o calcanhar de aquiles de Lopetegui, a equipa técnica tem urgentemente que ser reforçada com alguém ou algo que potencie as bolas paradas, porque não há memória de um FC Porto tão fraco nestes lances. Que marquem cantos curtos ou devolvam a bola à primeira fase de construção, porque de bola directa não há uma que funcione.

Ingratidão para Aboubakar (-) - Aboubakar não esteve bem, não. Mas não é fácil fazer o papel de Jackson (que falta fez...), ao alcance de poucos no futebol mundial. Já evoluiu muito nesse sentido, mas hoje foram visíveis as dificuldades em jogar de costas para a baliza, longe da linha defensiva, e simultaneamente ter que chegar a tempo e às zonas certas na grande área. Tirando um cruzamento de Tello para Aboubakar, não houve mais nenhum lance assim. Precisava de apoio, mas Quaresma não podia ficar no banco e o sacrificado foi Gonçalo. De certeza que Lopetegui não voltará a cometer este erro nas substituições. Alex Sandro, Evandro e Herrera pareciam rebentados fisicamente e isso impediu-os de tomar as decisões mais acertadas. Jogo mal conseguido.

A culpa não é
do treinador
Queres sair? (-) - Quintero é menino para ter ficado chateado no dia do parto da mãe. Não dá para compreender, rapaz. Desde o primeiro que treinou no Olival, dizia quem via: «Tem um potencial fenomenal, mas julga que é craque e não leva os treinos a sério». Nós já te vimos fazer grandes coisas, Quintero, já vimos a bola sair dos pés com olhinhos. Mas hoje foi mais uma demonstração do porquê de não ter mais oportunidades. Lento, sem garra, sem se assumir sem bola, chateado com o mundo. O FC Porto investiu mais 4,5M€ no seu passe esta época, e desde então nada se viu de Quintero. Se não quer jogar no FC Porto, então que o seu futuro vá à mesa no fim da época. Mas se o jogador não tem sido opção, era hoje que Lopetegui esperava uma reação de Quintero? Certo é que não funcionou e foi uma substituição queimada. E uma vez mais vemos muito potencial a ser queimado, com culpas próprias. Está mais perto de ser o novo Iturbe do que o novo James.

Pausa para as Selecções. Não há equipas que passam de bestiais a bestas, mas é possível passar de jogos bons a jogos maus. Hoje foi um mau dia, coincidente com o desperdício da oportunidade que há muito ansiávamos. Não estamos obrigados a ser campeões, mas quem veste a camisola do FC Porto está obrigado a suar sangue por esse objectivo. Não fizemos a segunda parte, então ficamos mais distantes da primeira. Dia 2 há nova visita à Madeira. Nem quero saber da Taça da Liga: quero é que corrijam a miséria que têm sido os jogos do FC Porto na Madeira. Quem os viu na Madeira a festejar... Nós é que já não lá festejamos há um bom bocado. Já é hora, FC Porto.

domingo, 8 de março de 2015

Antestreia de 2015-16

No futebol, o azar de uns é a sorte e oportunidade de outros. Jackson Martínez, goleador, líder e capitão, vai parar um mês. O FC Porto vai ter que fazer já a partir de terça-feira aquilo para o qual tinha que se preparar a partir de Julho: viver e vencer sem o melhor ponta-de-lança do futebol europeu (não faz mal acharem o contrário, mas também não chateia ninguém dizer que a Calsberg é provavelmente a melhor cerveja do mundo).

Já tivemos a antestreia de Aboubakar, que fez a assistência para a vitória em Braga. Agora aproxima-se o momento de Aboubakar ser protagonista. Como vai ter que ser a partir da próxima época, naturalmente com Gonçalo Paciência também garantido no plantel de Lopetegui. É o senhor que se segue na legião de goleadores do FC Porto.

Protagonista
Jackson é de uma importância nuclear, não há dúvidas. Como disse Lopetegui, o seu valor vai muito além dos golos. O ponta-de-lança do FC Porto de Lopetegui tem uma importância que vai além da finalização. A boa notícia é que já vimos em Aboubakar trabalho que vai além disso. A movimentação dele no golo em Braga não é algo que ele fazia no Lorient, mas sim algo muitas vezes feito por Jackson. Há trabalho de casa, há evolução, há formatação para ser o 9 do FC Porto.

Normalmente, para substituir um goleador o FC Porto tem necessitado de ir ao mercado. Desta vez não será, ou não poderá ser, assim. Aboubakar já cá está. Para já com investimento reduzido (3M€ por 30%), mas a partir da próxima época a SAD começará a investir mais. A cada 20 jogos, é possível comprar mais 10 a 20%. No total, a SAD tem opções de compra de 92,5% do passe até 12,2M€. Se todas as opções forem exercidas, torna-se o ponta-de-lança mais caro da história do FC Porto. Mas é cedo para fazer estas contas. Para já, Aboubakar pode começar a mostrar que podemos estar tranquilos quanto à sucessão de Jackson.

E na ausência de Jackson, há que emergir o líder dentro de campo. Tem sido Danilo o sub-capitão nas fichas de jogo e, ao que tudo indica, é algo para manter. A Marca e o As vão continuam a chutar para o ar (tantas vezes criticamos a imprensa nacional, e com razão, mas nada consegue ser pior que a espanhola e a inglesa), enquanto Danilo pode e deve dar provas do excelente profissional que é e da lealdade ao FC Porto. Provas essas que devem passar por não permitir que o FC Porto fique alguma vez fragilizado numa posição negocial. Agora sem Jackson, deve mais que nunca ser o exemplo de dedicação e superação para os colegas. Danilificar, é preciso.

Já pensamos na sucessão de Jackson, vamos ter que pensar na de Danilo. A UEFA destaca Ricardo. E bem, porque os tempos não são de torrar 10M€ em mais um lateral brasileiro. Danilo não pode nunca ser dado como exemplo para justificar uma elevada contratação. Isso seria argumento fácil. Porque a verdade é que quanto mais caros forem os investimentos, mais difícil será para o FC Porto gerar mais-valias. Claro que não vai sair por 20M€, mas em termos daquilo que é a mais-valia não renderá muito mais que Paulo Ferreira ou Bosingwa, dois campeões europeus.
Atentos ao mercado

E falemos também de Tello. Em Outubro dizia que pensava em voltar ao Barcelona. Cinco meses depois, diz que espera ficar muito tempo no FC Porto. O FC Porto também espera ficar muito tempo com Tello, o das últimas semanas. E isto não significa que tenha que fazer assistências ou golos em todos os jogos. Porque o melhor momento de Tello em Braga nem é o golo, é o minuto em que ele vai com tudo atrás do Pardo para fazer o corte na grande área e ajudar a equipa a defender. Tudo começa a melhorar quando Tello se entrega ao jogo como não o fazia no início da época.

Será importante para o FC Porto estar atento à cláusula de compra. Se Tello continuar a render como nos últimos jogos, não há-de faltar interessados. Diz-se que o Barcelona tem que indemnizar o FC Porto se fizer Tello regressar, e é verdade. Mas não haverá grande problema em pagar essa indemnização ao FC Porto se tiver um clube interessado em pagar o dobro ou o triplo ao Barcelona por Tello. «Claro o Barça não ia manchar as boas relações com o FC Porto dessa forma», pensamos. Pois, a não ser que fosse feito algo como vender ao Real Madrid um jogador muito desejado pelo Barcelona. Felizmente para nós, Tello parece comprometido com o FC Porto e dará prioridade ao seu crescimento por cá. 

Para terminar, de volta à questão dos pontas-de-lança. Anotem no calendário: 20 de Março de 2015. Este é o dia para renovar com o menino chamado Rui Pedro, que aí já pode assinar contrato profissional de média duração (ainda sob os limites da FIFA). É injusto destacar apenas um jogador depois da brilhante vitória por 3x0 no Seixal, mas este não engana. Como é fácil fazer prognósticos no final, diga-se já: este menino vai dar craque e o FC Porto tem que blindá-lo e lapidá-lo, como a muitos outros valores da formação.

sábado, 7 de março de 2015

«Agora gostam do nosso futebol»

Pinto da Costa disse-o e nós concordamos. Tem sido um regalo acompanhar o FC Porto. Uma equipa que luta do primeiro ao último minuto, que sabe o que fazer em cada momento do jogo, que se dedica de corpo e alma a uma luta que sabe que não depende de si própria para vencer. 

2 jogos, 4 golos, 6 pontos
Ao Braga aconteceu o mesmo que ao Sporting: não conseguiu cheirar porque o FC Porto não deixou. O Braga é a equipa mais forte em Portugal nas transições rápidas, mas não conseguiu criar um único lance de perigo. Mérito absoluto para Lopetegui e para os jogadores. O FC Porto age e reage, domina e aniquila. O projecto idealizado no início da época ganha forma.

O FC Porto continua a crescer, mesmo em circunstâncias adversas e que não pode controlar. Percebe-se o receio dos caça-tachos, que são anti-Vieira, pró-Moniz e pró-Rangel até se tornarem vieiristas convictos pelo lugar no poleiro, e do único director de comunicação de um clube a fazer capa de um jornal a choramingar pela arbitragem (numa época em que a única derrota do FC Porto foi, unanimemente, reconhecida como um  roubo em Barcelos, tanto que Bruno Paixão não voltou a apitar o FC Porto - já lá vão mais de 3 anos). E que agora também se torna o único a comprar espaço num jornal estrangeiro para plantar um artigo de (des)opinião. Não tremam, estimados rivais. O Arouca é um docinho (experimentem o pão-de-ló lá do sítio) e está tudo nas vossas mãos. E quanto mais suarem, mais a coisa escorrega.





Casemiro (+) - O melhor jogo pelo FC Porto. Foi perfeito para aquilo que era necessário hoje: alguém que desse dimensão física ao meio-campo, que matasse todos os ataques do Braga pela zona central, que fosse agressivo (no bom sentido) à reacção à perda da bola. No início de construção tem sempre dificuldades (demasiadas, até), mas para destruir o FC Porto não tem como ele no plantel. Volta a sofrer mais faltas do que aquelas que cometeu (sofreu 7, cometeu 2) e foi o jogador com mais recuperações de bola. Às vezes não é preciso um jogador que faça tudo bem, é preciso sim alguém que faça o que é preciso. Feito.

Patrão Marcano
Marcano-Maicon (+) - Um senhor jogador, Iván Marcano. Desde que Lopetegui apostou nesta dupla, o FC Porto não sofreu um único golo (já lá vão 6 jogos), e melhor que isso, quase não permite ocasiões de golo aos adversários. Além das valias defensivas (antecipação, jogo aéreo, velocidade), é o central que melhor constrói e que mais consegue acelerar o jogo. Maicon por vezes (ok, muitas vezes) quer adornar, mas tem estado muito bem. Uma dupla que reclama todo o mérito.

Agir e reagir (+) - Lopetegui deu ao jogo aquilo que o jogo pedia. Começa por arriscar ao retirar Evandro e meter Brahimi a 10. Chega ao golo, então reorganiza a casa, com a entrada de Rúben Neves (excelente entrada). Incansável nas instruções para o posicionamento dos jogadores. Não é alguém que espera que as coisas aconteçam, mas sim que tenta conduzi-las nesse sentido. De repetir os elogios das últimas semanas: o FC Porto é fortíssimo na reacção à perda da bola, na ocupação dos espaços e na pressão. A equipa está top neste capítulo.

Tomou-lhe o gosto (+) - Duas assistências no Bessa, 3 golos ao Sporting e agora mais um golo decisivo. Para um tipo que define mal, isto nos últimos 3 jogos está bastante razoável. Excelente momento de Tello, finalmente numa dinâmica que potencia as suas características (ponta-de-lança a baixar para depois meter a bola entre-linhas).

Outros destaques (+) - Mais um bom jogo de Alex Sandro. Começou por cruzar mal, uma, duas, três vezes, mas subiu de rendimento no decorrer da partida e acaba o jogo com um pulmão impressionante. Herrera tem um papel importante em termos de pressão e equilíbrio no meio-campo, mas revelou muito desacerto no passe e hesita demasiado na hora de rematar. Brahimi bastante melhor após o intervalo, boa entrada de Aboubakar (não se limitou a substituir Jackson - fez o papel dele. Uma coisa não implica a outra, mas felizmente assim foi). Confiança máxima para o Basel.





Bolas paradas, outra vez (-) - Mais uma dezena de cantos onde a equipa não consegue sequer ganhar um lance de cabeça e rematar à baliza. É a maior crítica ao FC Porto de Lopetegui, porque isto é algo que se trabalha e no qual não se vê evolução desde o início da época. Mesmo tendo 4 jogadores fortes no jogo aéreo, um canto raramente tem sido sinal de perigo.

A rever (-) - Percebe-se algum nervosismo inicial (o FC Porto tinha de perceber se o Braga ia pressionar alto ou não, se ia subir a linha defensiva, se ia jogar com o triângulo invertido no meio-campo, etc. - demora sempre algum tempo a encaixar), mas a quantidade de passes falhados nos primeiros 15/20 minutos foi comprometedora. A partir daqui foi sempre a crescer, mas nunca podemos subestimar a importância de marcar cedo (coisa que não tem sido fácil de fazer). Brahimi, na primeira parte, e Quaresma demasiado inconsequentes. É básico, e eles sabem-lo: se estão rodeados por 2 ou 3, não é para fintar, é para passar, porque se estão a arrastar marcações é sinal que têm colegas soltos. Colocar mais gente nas zonas de finalização e ser mais assertivo nos remates não fazia mal nenhum (em boa verdade, Matheus só fez uma ou duas defesas).

Se perdemos um soldado (Jackson), outro se erguerá (Aboubakar), pois a guerra continua. 10 finais, 30 pontos. Até ao fim.

PS: Os portistas sabem que ninguém tem pior perder que Sérgio Conceição. Sempre foi assim. Não é defeito, é feitio. Estamos a falar de alguém que se chateou por não ter sido titular no jogo de homenagem ao Deco. Mas essa «certeza absoluta que é penalty claro» precisa de ser revista. Jorge Sousa, que já tinha feito uma arbitragem quase perfeita no último FC Porto x Benfica, confirma que é provavelmente o melhor árbitro português no activo.

O Jogo, 07-03-2015

segunda-feira, 2 de março de 2015

Tello e outro «calcanhar vagabundo»

Uma noite que a equipa e Lopetegui mereciam e precisavam. O Sporting, parecendo que não, era a equipa com menos derrotas no Campeonato. Não perdeu nenhum dos clássicos anteriores. Hoje foi reduzido a pó, não criou uma única ocasião de perigo e o 3x0 acabou por ser um resultado simpático para o rival. O Sporting nunca foi candidato ao título, mas pode sempre baralhar estas contas, tanto que até aqui tinha tirado pontos em todos os jogos com os rivais. Hoje era essencial vencer, para continuar na luta, mas de pouco valerá se não ganharmos em Braga já na sexta-feira. Cada jornada é uma final e há mais 11 para disputar. 

Red3nção
Planeamento perfeito de Lopetegui (no pós-jogo é sempre engraçado ver o drama que é saber que vai jogar Marcano em vez de Indi, Casemiro em vez de Rúben Neves ou Tello em vez de Quaresma - mas só um tem que tomar decisões e viver com as consequências, sejam boas ou más, e esse alguém é o treinador), atitude e empenho máximo dos jogadores, capacidade para corrigir os erros dentro do próprio jogo, evolução, espectáculo e Tello em dose tripla, como já não se via desde os tempos de António Oliveira. 

Em Braga haverá máxima dificuldade, pois estamos a falar de uma equipa que ganhou 2 vezes ao Benfica e que já só está a um ponto do 3º lugar, por isso também vai encarar o jogo como uma final, na medida em que vão lutar pela Champions. Tem o plantel praticamente na máxima força, pois de quatro titulares que tinha em risco para esta jornada não perdeu nenhum. Sorte diferente teve o Arouca, que ficou de uma só vez com 4 jogadores suspensos, todos por acumulação de cartões, para a recepção ao Benfica. Há sorte e há azar, já o dizia Lopetegui. Mas a pedido de alguns portistas, na próxima semana voltaremos com maior profundidade a esta questão.





Tello (+) - Incontornável. Três vezes perfeito na desmarcação, na frieza e na eficácia. Objectivo, rápido, dinâmico, com bom entendimento com Herrera e Danilo e com a vontade que não tínhamos visto muitas vezes. Os últimos 5 golos do FC Porto, que valeram 6 pontos que nos mantiveram na luta, passaram todos por ele. Quando se faz 3 golos num clássico, todo o louvor nunca é de mais. Este Tello, em Braga, na Luz e na Champions, será um ás de trunfo.
O único leão que rugiu

Óliver Evandro (+) - Colocar Brahimi no meio-campo, de início, era um suicídio e não havia a menor justificação para isso. O FC Porto precisava de disciplina, consistência, critério e capacidade de manter a bola no meio-campo, e ganha tudo isso com Evandro. Brahimi a 10 só contra autocarros ou em situações de emergência. Evandro é um médio completo, no verdadeiro sentido da palavra, que acrescenta na mesma medida visão de jogo e capacidade na transição defensiva. Sem Óliver, é o substituto ideal e liberta Herrera para aparecer no ataque. Evandro sabe jogar ao primeiro toque, Brahimi enrola-se demasiado à bola, o que é um risco para um médio na zona central.

Jackson (+) - O facto de Jackson jogar distante na grande área é, muitas vezes, um problema para o FC Porto. Isto porque Brahimi e Quaresma não são extremos que consigam ganhar a bola em velocidade nas costas da defesa. Quando Jackson baixa e tenta fazer o último passe, poucas vezes o FC Porto aproveita esses lances. A solução era Tello, que consegue ganhar esse espaço, mas não raras vezes definia mal. Hoje saiu tudo bem a Tello a finalizar, por isso Jackson conseguiu fazer duas excelentes assistências (aquele calcanhar é mágico) e tirar o melhor proveito possível do seu afastamento da grande área. Contra equipas que jogam com a linha defensiva subida, é algo que faz todo o sentido. Na maioria dos jogos da primeira liga, Jackson tem que estar mais próximo da grande área. Em Braga, na Luz ou na Champions, é uma fórmula para explorar.

Alguém viu Montero
e Slimani?
Muralha (+/-) - Desde que Martins Indi passou para o banco, Maicon e Marcano fizeram 5 jogos na primeira liga. E o FC Porto não sofreu nenhum golo. Para isso também muito contribuiu... Casemiro. Maicon e Marcano revelam grande entendimento, jogam bem com a linha defensiva subida e complementam-se nas dobras. Casemiro foi absolutamente essencial na segunda parte. É sofrível no início de construção e falha o mais simples dos passes, mas na marcação, na recuperação (é o jogador com mais recuperações de bola no campeonato), na agressividade que é necessária em jogos desta categoria e na dimensão física que Rúben Neves ainda não consegue dar foi essencial. Infelizmente, sobra um problema: Casemiro não funciona na saída de bola, Maicon só sabe recorrer ao pontapé longo e hoje Marcano, sobretudo nos primeiros 20/25 minutos, quando era pressionado cometia falhas. Não havendo Óliver para pegar no jogo mais atrás, há que melhorar o entendimento entre Evandro e Herrera nesta dinâmica, sobretudo porque contra equipas que jogam recuadas não podemos ter os 2 centrais e mais 2 médios recuados na saída de bola. Mas defensivamente, Casemiro tornou-se importante no FC Porto.

Outros destaques (+) - Tivemos o melhor Alex Sandro. Contra Nani ou Carrillo, esteve sempre impecável a defender e apoiou sempre bem o ataque, criando também desequilíbrios (mesmo tendo Brahimi apagado no flanco). Danilo com maiores preocupações defensivas, mas seguro. Herrera acompanhou o mau início da equipa, mas na segunda parte foi um monstro. Encheu o meio-campo e foi essencial para que o FC Porto fizesse 45 minutos de alta rotação e intensidade. E mais uma vez, a capacidade que o FC Porto de Lopetegui tem para recuperar a bola no momento de início de transição do adversário, criando desde logo um lance de perigo nos últimos 30 metros, é do melhor que vemos no futebol europeu. Jogão.





20/25 minutos (-) - Um pouco ao encontro da crítica que foi feita no início de construção. Casemiro é essencial defensivamente, mas na saída de bola, nos primeiros 20/25 minutos, o FC Porto chegou a ter momentos de amadorismo. Não havia soluções. O FC Porto tinha 3 jogadores para sair (Marcano, Maicon, Casemiro) e nenhum o conseguia fazer. Passes à queima para os laterais, dificuldades em fazer chegar a bola ao meio-campo e com isso Evandro e Herrera tinham que recuar, até ao momento em que o FC Porto jogava num espaço de 40/50 metros, e quando a bola chegava finalmente a um dos médios interiores já só havia Jackson para dar apoio na zona central; a alternativa era o balão à procura de Tello. A rever, pois nem sempre haverá um calcanhar mágico a desatar o que está a ser difícil. Uma nota para Brahimi, que mais uma vez tem que aprender a conjugar o seu virtuosismo com o sentido colectivo da equipa. Sobretudo quando as coisas individualmente não estão a correr bem.

Julgo que todos os portistas saem deliciados com este excelente triunfo. Mas como muita gente tem expectativas ainda mais altas, esperamos ter correspondido a todos os apelos.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Muito, pouco e suficiente

Nos últimos 33 anos, só por duas vezes o FC Porto ganhou por mais de um golo no Bessa. Hoje foi a segunda. E nesse espaço de tempo, o FC Porto só ganhou 1/3 dos jogos no Bessa. Os que ganhou, foram sempre em dificuldade. Como hoje.

Sem 4 titulares, com mais duas mudanças nas alas, num relvado de borracha, contra uma equipa que faz da sua defesa o ataque às canelas e confirmado-se o que já se esperava de Hugo Miguel (é dos árbitros com critério mais largo no campeonato e ia sempre tentar deixar jogar). Todas as condições reunidas para um jogo difícil, ou não se tratasse de um derby. O resultado são 3 pontos, mais saborosos do que elogiosos, e a felicidade de ninguém se ter aleijado ali (tanto Benfica como Sporting ficaram ali sem jogadores, por exemplo). Não podíamos falhar e não falhámos, mesmo já tendo tido resultados piores com exibições bem melhores.





Ricardo Pereira (+) - Mais uma vez uma garantia de qualidade. Excelente toque de bola, grande disponibilidade ofensiva e é o movimento de ruptura dele que dá origem ao primeiro golo. Cruza cada vez melhor e chega a ser surpreendente que este tenha sido apenas o seu 2º jogo no campeonato. Merecia jogar mais, mas não é qualquer um que tem a honra de ser a alternativa ao lateral direito mais cobiçado do mundo. A alternativa de hoje e o sucessor de amanhã, assim o esperemos.

Ruben Neves (+) - Não tem ainda a capacidade de choque de Casemiro, nem é tão forte no jogo aéreo, mas no que toca ao início de construção e à qualidade de passe está muito acima. Teve o azar do meio-campo hoje ter estado mal até à saída de Quintero, mas não deixou de fazer um bom jogo, fez várias aberturas para os flancos e não deixou o Boavista criar nenhum lance de perigo pela zona central.

Tello (+) - Com objectividade e simplicidade é tudo mais simples. No primeiro golo ultrapassa o defesa, ganha a linha e lê a movimentação do ponta-de-lança (Jackson também excelente a ganhar a posição). No segundo vê Brahimi desmarcado e faz a segunda assistência. É o jogador com mais assistências no FC Porto. Já são nove, praticamente 1/4 do total. Este Tello dava um jeitaço para Domingo (e para o resto da época).

Nova solução (+) - Brahimi é o jogador do FC Porto que mais arrasta marcações e a sua capacidade de progredir com bola ajuda a disfarçar as dificuldades no jogo interior. Enquanto não há Óliver, pode ser uma excelente solução para jogar atrás de Jackson, isto em jogos contra autocarros e contra equipa que entregam o meio-campo ao FC Porto. Os próximos 3 jogos serão difíceis e equilibrados, mas em fases de aperto, como hoje, é claramente uma opção a ter em conta. Nota positiva ainda para Ángel e Marcano. 





Zangado com o mundo (-) - Foi a primeira oportunidade de Quintero no lugar de Óliver. Sejamos justos, o FC Porto adaptou-se muito mal ao sintético (Herrera, Jackson, Quaresma, tudo jogadores com dificuldades neste piso) e este foi um jogo com circunstâncias particulares. Mas o que se viu de Quintero foi demasiado pouco. Um bom passe a isolar Jackson... e mais nada. Foi prejudicado pela dinâmica da primeira parte (que sentido faz ter que ser o 3º médio, logo o mais criativo, a baixar para a primeira linha de construção?), mas esconde-se demasiado do jogo, movimenta-se pouco sem bola e são poucas as ocasiões em que combina com os flanqueadores. Não foi um bom teste, apesar das circunstâncias pouco favoráveis.

Cruzar para quem? (-) - Contei pelo menos 21 cruzamentos de Ricardo, Quaresma ou Angel. Não houve um único em que o FC Porto tivesse alguém a cabecear. Herrera apareceu muito pouco na grande área, o segundo extremo poucas vezes surgia ao segundo poste e Jackson não chega para tudo. Para uma equipa que explora tanto os corredores, o FC Porto tira pouco proveito na hora de cruzar. O lance em que conseguimos meter 5 homens na grande área em bola corrida, coincidência ou não, deu golo. As críticas à dificuldade de jogo interior são as mesmas, mas desta vez nem Quintero as disfarçou (noutros jogos já foi várias vezes solução).

A rever (-) - Maicon não acertou uma abertura para o flanco. A partir do momento em que temos Marcano, o central que melhor constrói, e Ruben Neves a 6, nada justifica tanto pontapé de Maicon. Depois, é preciso apostar na capacidade de meia-distância desta equipa. São muito poucas as tentativas de remate à entrada da grande área (felizmente Brahimi não caiu na tentação de lateralizar mais um pouco). Hernâni foi ao encontro das expectativas, o seu futebol terá que levar uma formatação enorme para ser opção no FC Porto (o minuto 24 foi ilustrativo: correu de uma baliza à outra, depois apareceu-lhe a linha de fundo à frente e a bola... foi-se), mas ao levar tanta porrada e estrear-se num sintético não era fácil. Quaresma e Herrera abaixo do que era preciso para o clássico de hoje... e para o clássico de Domingo.