Não esperava que o golo de Tozé ao FC Porto fosse debatido a uma escala tão grande. Deu para tudo, desde insultos bárbaros ao jogador a lamentações por não fazer parte do plantel principal. Tanto um como outro, exageros.
O Tribunal do Dragão reagiu da seguinte forma à sua exibição:
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| O profissionalismo não obedece ao clubismo |
«Nem vale a pena comentar as lamentações dos que já clamam que Tozé tinha lugar no FC Porto. Nem merece comentários. Tozé não tem lugar no FC Porto. Não ia jogar no FC Porto. Ia jogar tanto como Ricardo ou Kelvin. O empréstimo era a melhor solução para dar minutos ao jogador, disso não há a menor dúvida. O que se elogia aqui é a postura do jogador e o seu profissionalismo. O tempo do Manaca já lá vai (será?), mas o que se diria sobre o jogador se falhasse o penalty? Fez com facilidade aquilo que se tornou difícil no FC Porto e ainda se desculpou. Não tens que pedir desculpa, apenas continuar a fazer aquilo de que gostas, que é jogar futebol. O FC Porto não tinha possibilidades de te garantir minutos esta época, quiçá no futuro as coisas mudem. Quem sempre tratou o FC Porto com honra e respeito, como Tozé, merece sempre ser feliz».
Sinceramente, não percebo que crítica possa haver a Tozé. Tem contrato com o FC Porto? Tem. Tem contrato com o Estoril? Também. O seu passe está repartido pelos 2 clubes? Está. Quem paga o seu salário? Os dois clubes, a meias (o Estoril é um dos clubes que mais bem paga aos jogadores em Portugal, depois da entrada da Traffic na SAD).
O que é um bom profissional? O bom profissional é aquele que dá tudo para a sua equipa ganhar. Não é aquele que sente fortes dores de barriga na véspera do jogo contra o clube-mãe. Não é quem assume uma manipulação de resultados antes de um jogo, como retratou e bem o sempre atento Reflexão Portista no caso de Eusébio contra o Benfica (para mim, a palavra do jogador vale mais do que os recortes das crónicas d'A Bola ou do Record). Não é quem solta o Manaca que há em si. Não é quem saca um momento à Jorge Ribeiro ou Makukula na marcação de um penalty. O bom profissional é aquele que até pode estar 80 minutos sem fazer quase nada de significativo, como foi o caso da exibição de Tozé, mas que depois lá arranja espaço para um sprint como se não houvesse amanhã. E é penalty, um lance clássico no futebol. Quantas vezes já não vimos penaltys assim? O jogador chega primeiro, toca a bola para o lado, apanha os braços do guarda-redes. Penalty, quase sempre assim.
Quando Tozé entrou em campo, estava a ostentar o símbolo do Estoril. Não estava a jogar com nenhum contrato com o FC Porto chapado na testa, mas sim com o símbolo do Estoril. Tozé fez o que tinha que fazer: dar tudo para a sua equipa ganhar. Tozé fez exactamente o que eu quero que Tello faça contra o Barcelona, o Óliver contra o Atlético e o Casemiro contra o Real Madrid.
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| 9 épocas de FC Porto, nenhuma polémica |
Se o Tello for artista em sacar um penalty ao Claudio Bravo, vão pedir de imediato que rescinda com o FC Porto? Se o Casemiro varrer o Ronaldo, vão querer que seja expulso? E se o Óliver for rato o suficiente para tentar sacar um cartão a um adversário, também vão dizer que não pode jogar mais no FC Porto? E se algum deles sair a passo quando o FC Porto estiver a defender uma vantagem, também vão lá puxá-los para que eles saiam do campo mais depressa?
O problema é estarem a confundir o ser profissional com o ser portista. Há adeptos que não queriam que o Tozé fosse profissional, queriam que fosse portista. Queriam que não se tivesse feito ao lance, que não tivesse marcado o penalty, ou que tivesse mandado um bico para fora. Mas os bons profissionais começam no seu carácter, não na sua cor clubística. Tozé deu uma prova de profissionalismo, ponto. Fez o que tinha que fazer: defendeu o clube que estava a representar.
Confesso que não sou o maior apreciador do futebol de Tozé. É um atleta empenhado, esforçado, que tem um chuto forte e boa qualidade de passe, mas até hoje ainda não vi estofo para jogar na equipa principal do FC Porto. Por isso é que o empréstimo ao Estoril foi ideal. Vai poder jogar na primeira liga com regularidade, enquanto aqui ia estar a aquecer o banco e a jogar nos batatais da segunda liga.
Mas que foi o melhor jogador da equipa B nas duas últimas épocas, foi, sem margem para dúvida. Que merecia ter tido mais oportunidades além de dois jogos de ai Jesus contra o Olhanense, merecia. Se talvez jogaria com mais coração (ler entrevista ao Mais Futebol) do que alguns elementos que fazem parte do plantel actual, talvez. E quem tem sido um profissional exemplar desde 2005, sempre elogiado pelos treinadores da formação e sem nunca ter tido problemas disciplinares, é facto.
Durante 9 épocas, colegas, treinadores e até o presidente do FC Porto só tiveram elogios e palavras de apreço para o Tozé. Não há-de ser por causa de um jogo em que fez o seu papel de profissional que isso vai mudar, Tozé. Pelo menos nunca aqui neste espaço. Quem quiser que propague o contrário, mas não percam mais tempo aqui. Críticas sim, insultos nunca. É uma regra fácil de seguir, não?
Melhor sorte para Tozé e que a garra com que sacou o penalty seja a mesma quando defrontar o Benfica.
Ivo Rodrigues. Aposta da estrutura ou do treinador?
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| Futuro como 9 ou extremo? |
O jornal OJOGO diz que Ivo Rodrigues já renovou até 2019, com cláusula de rescisão de 30M€. Uma boa notícia e algo incomum. É raro os jogadores da formação renovarem duas vezes no espaço de um ano. Mikel foi um exemplo em 2013-14. Ruben Neves também acabou por sê-lo, mas em circunstâncias bem diferentes. Agora é a vez de Ivo Rodrigues.
De Itália houve notícias de um suposto interesse do Hellas Verona. Muito curioso: o Hellas anda a observar jogos da formação do FC Porto? Ou será que alguém percebeu o valor da mercadoria e tentou exportá-la?
É o mais talentoso extremo da formação do FC Porto da última década. OJOGO diz que a estrutura confia muito no seu potencial. Curiosamente refere-se aos «responsáveis portistas», que confiam muito no seu potencial, e não refere uma única vez o nome de Lopetegui na notícia. Confiando que o jornal que dá a notícia em primeira mão saberá os devidos detalhes, então a decisão de dar uma segunda renovação a Ivo Rodrigues parte da «aposta» da estrutura, não necessariamente de um sinal de que vá ser aposta a curto prazo de Lopetegui.
E há a questão: A estrutura renovou com o extremo Ivo ou com o ponta-de-lança Ivo? Luís Castro vê mesmo em Ivo Rodrigues um ponta-de-lança ou foi solução de transição até Gonçalo recuperar de lesão e André Silva ter acordo para renovar (o jornal OJOGO também revela, de forma deliciosamente subtil, o que desbloqueou o impasse para a renovação)?
Volto a dizer: no que toca a avançados centro, o futuro do FC Porto está em André Silva e Gonçalo Paciência. No que diz respeito à posição 9, na formação não há dois nomes mais adequados do que estes para já. Logo insisto que Ivo Rodrigues deva regressar à ala. Jogar na posição 9 até pode ajudar a que seja um jogador mais completo, e prova disso é que fez alguns golos nessa posição. Mas quem tem as características de Ivo tem é que ser trabalhado no flanco de um 4-3-3.
Se houver espaço para que Lopetegui lhe dê uma oportunidade em breve, quiçá na Taça da Liga, óptimo. Mas quando ainda há Ádrian, Kelvin e Ricardo para tentar potenciar, pelo menos até Janeiro será difícil imaginar que possa ser aposta. Pelo menos, e felizmente, o futuro contratual já está assegurado. O primeiro passo está dado... a dobrar.














