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sábado, 12 de dezembro de 2015

Consequências do pós-Champions

O FC Porto falhou um dos grandes objetivos de época, o apuramento para os 1/8 da Liga dos Campeões. Financeiramente vai abrir um buraco nas contas da SAD, mas não tão grave quanto se poderia prever. Desportivamente, a equipa cai para a Liga Europa, competição em que pode assumir uma meta mais distante, e abateu-se um grande descrédito sobre Julen Lopetegui.

Não por perder em Londres - uma vez mais, é normal, o FC Porto perdeu 15 de 17 jogos em Inglaterra, e os dois que empatou foi com golos ao cair do pano -, mas pela forma como Lopetegui geriu o jogo contra o Dynamo (este sim, era o jogo decisivo, e a derrota foi inadmissível) e pelo 11 que apresentou contra o Chelsea.

Fazer 10 pontos numa fase de grupos da Liga dos Campeões é positivo, e por norma dá para passar. Do ponto de vista global, a pontuação na Champions foi razoável. O problema foi fazer apenas um ponto contra o segundo classificado. Assim torna-se muito difícil traçar o apontamento como meta. Acabou, o FC Porto falhou, é tempo de redefinir objetivos. A Liga Europa não é necessariamente mais fácil desportivamente - se fôssemos aos 1/8 da Champions podíamos defrontar o Gent, na Liga Europa pode calhar o Dortmund -, mas é uma competição que desperta mais expetativas de ir longe.

Para já, importa calcular o efeito que a eliminação terá na contas da SAD. Para já, esperemos que não saiam desculpas de que agora é preciso vender um jogador titular em janeiro. Não é. O FC Porto orçamentou ganhos de 27,437M€ com a UEFA. No primeiro trimestre já entraram 6,544M€. Entretanto a equipa ganhou duas vezes ao Maccabi (3M€). A SAD vai receber receitas de market pool (garantidamente sabe-se que vão entrar pelo menos mais 2,84M€, pois este valor vai direto a um pagamento ao IBD).  Participar nos 16 avos de final da Liga Europa dá 0,5M€. Juntando-se isto ao objetivo de garantir o acesso direto à Champions 2016-17 (ou seja, ganhar o campeonato tem o dobro da importância de ir aos 1/8 da Champions, pois o apuramento renderia apenas 5,5M€), já temos um encaixe de 24,884M€, que ainda pode aumentar mediante a entrada de mais receitas da UEFA. 

Tendo em conta que estavam orçamentados 27,437M€ da UEFA, esta margem está quase alcançada. Mesmo que não entrassem mais receitas (o que pode acontecer na Liga Europa, desde a bilheteira aos direitos televisivos), nada justificaria vender um jogador da equipa titular em janeiro por um buraco de 3M€. Se tivéssemos arranjado patrocinador para as camisolas, por exemplo, estava o problema resolvido. É época após época a pedir a treinador e jogadores para darem à SAD a maior fatia das receitas operacionais. Os atletas e a equipa técnica são pagos para isso, claramente, mas a volatilidade do futebol impede que possamos dar sempre o apuramento para os 1/8 da Champions por garantido. Aliás, nos últimos 5 anos, a equipa falhou 3 vezes o apuramento. Tempo de começar a fazer contas sem dar a receita da UEFA por garantida.

Desportivamente, Pinto da Costa fez o que sempre fez: jamais despediu um treinador por falhar os 1/8 da Champions. Lopetegui não é caso único. Foi assim com Carlos Alberto Silva, Robson, Oliveira, Fernando Santos, Co Adriaanse, Vítor Pereira e Paulo Fonseca. Por isso, quem acha que Pinto da Costa está a gerir de forma diferente o caso Lopetegui, não está: está a fazer exatamente o mesmo que faz há anos. Falhar os 1/8 da Champions nunca deu direito a demissão.

A prioridade é o campeonato, claro. De todos estes treinadores, só Paulo Fonseca acabou por não ser campeão ao serviço do FC Porto. Pinto da Costa não despede treinadores que estão na luta pelo título, nunca. Nem que estão há 27 jogos sem perder no campeonato, como Lopetegui hoje o lembrou, embora isto seja muito relativo - é mais vantajoso ganhar dois jogos e perder um do que ganhar um e empatar dois. A invencibilidade é importante, mas não é a invencibilidade que dá títulos, é o maior número de pontos.

Lopetegui, obviamente, não colocou o lugar à disposição. A notícia lançada serve para tentar fragilizar ainda mais a posição de treinador do FC Porto, ou um mero wishful thinking de alguém. A partir do momento que o fizesse, teria que sair no minuto seguinte. Pinto da Costa não pode repetir o ridículo de 2013-14, que é negar a saída a um treinador que sente que já não tem condições para lutar por títulos no FC Porto. Lopetegui acha que tem. Pinto da Costa acha que Lopetegui tem. São as duas peças-chave em tudo isto, por maior ou menor que seja a contestação dos adeptos.


Se o FC Porto não ganhar na Choupana, obviamente que as coisas começam a arrastar-se para algo insustentável. De qualquer forma, não vale a pena trocar de treinador só por trocar, que é o que muitos sugerem, com escolhas de nomes que não lembram ao Espírito Santo (pun intended).

No dia em que o FC Porto quiser escolher um novo treinador, terá que mudar de perfil. Chega de projetos de apostas de risco. Será necessário um treinador experiente. Habituado a lutar por títulos e a ter vedetas no balneário. Um treinador que saiba que tem que jogar quase sempre contra equipas fechadas, em maus relvados e a deparar-se contra o anti-jogo. Um treinador que saiba potenciar e evoluir jovens e ter que reconstruir a equipa ano após ano. E por fim, um treinador que saiba que vai ser mais criticado por uma derrota do que elogiado por 10 vitórias, um treinador que saiba que vai ter muita gente a não gostar dele - e não só clubes rivais. Quem achar que há alguém deste perfil livre, por aí, telefone ao presidente. A não ser que aproveitem a época festiva para pedir o Ancelotti.

PS: O Tribunal do Dragão assume-se, desde o primeiro dia, como um espaço de «defesa, crítica e análise ao FC Porto». Tudo é passível de ser defendido, tudo é passível de ser criticado, tudo é analisado. Lopetegui é defendido, criticado e analisado. Depois do jogo da Madeira, cá estaremos para realçar o positivo e o negativo. Como sempre.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Com vista para a Champions

Numa altura em que o mercado de transferências está perto do final, importa fazer um ponto de situação sobre as inscrições na UEFA. Pois como em anos anteriores, é quase inevitável que alguns jogadores do plantel principal fiquem de fora da Liga dos Campeões, algo que levanta várias questões, que vão desde o seu papel no plantel, à relação custo/rendimento e ao próprio moral de um jogador ao saber que não conta para jogar na competição que é a maior atração para qualquer futebolista.

Para recapitular as regras, basta ver a infografia abaixo do zerozero, apenas com a alteração da data de nascimento para jogadores da lista B (depois de 1 de janeiro de 1994).



Neste momento, o FC Porto tem 17 jogadores estrangeiros que só podem ser inscritos na lista de 17 jogadores sem restrições. E nestas contas já não entram Quintero e Adrián López.

Assim, a saber: Helton, Casillas, Maxi Pereira, Indi, Maicon, Iván Marcano, Ángel, Lichnovsky, Cissokho, Evandro, Herrera, Imbula, Brahimi, Aboubakar, Osvaldo, Bueno e Tello. Estes jogadores só podem entrar nas tais 17 vagas, caso contrário ficam de fora. O mesmo é dizer que entre as vagas para «estrangeiros» na lista A não cabe mais ninguém.

Em relação aos jogadores formados em Portugal. O FC Porto pode inscrever 4 jogadores formados no clube e 4 formados no país. Como consequência da má aposta na formação nos últimos anos (um problema que o projeto visão 611, supostamente, iria resolver), o FC Porto não tem nenhum jogador da equipa A elegível para inscrever na categoria de «jogador formado no clube». O único é... Mikel, que está na equipa B.

Rúben Neves, por ter nascido em 1997, entra na lista B. Já Sérgio Oliveira, que começou a ser emprestado logo ao segundo ano de sub-19, também não conta como jogador formado no FC Porto para a UEFA. André André só esteve um ano nos juniores, logo também não conta. Assim, o FC Porto fica limitado a 21 jogadores na lista A.

Quanto às 4 vagas para jogadores formados em Portugal, neste momento há 6 jogadores elegíveis para tal: Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira, Danilo Pereira, André André, Hernâni e Varela. Ou seja, destes 6, dois deles terão que ficar de fora... a não ser que entrem na lista dos 17 jogadores sem restrições. Mas para alguém entrar entre os tais 17, outros terão que sair.

E este é o dilema a ter em conta perante os últimos dias de inscrições: chegando um, dois ou três reforços terão que sair mais um, dois ou três jogadores da lista de inscrições. Jogadores como Lichnovsky, Ángel, Sérgio Oliveira, Evandro ou Hernâni só terão o seu futuro verdadeiramente clarificado aquando do fecho do mercado, mas ainda sem a chegada de mais reforços já há quem tenha de ficar de fora. E um jogador para quem o FC Porto não tem planos de Champions, talvez seja um jogador sem o melhor dos futuros no FC Porto.

Em relação à lista B. Nomes como Andorinha, Victor Garcia, Rafa, Tomás, Chico Ramos ou André Silva são inscritos sem restrições. Já os jogadores que não têm dois anos completos de FC Porto, como são exemplo Gudiño ou Leonardo Ruiz, não poderão ser inscritos na lista B.

Assim, além de Quintero e Adrián, já há pelo menos dois jogadores do plantel que não podem entrar na Champions. Então, para inscrever um reforço, três dos jogadores que estão neste momento no Olival têm que ser preteridos. Para somar, há que subtrair, sabendo o quão caro pode custar ir à Champions sem, pelo menos, um titular e uma alternativa por posição. Basta lembrar o que aconteceu quando faltaram Danilo e Alex Sandro pela primeira vez na Champions 2014-15.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

As expectativas já cumpridas e o que virá a seguir

Desportivamente, o FC Porto está no caminho certo da Champions. Primeiro passou o play-off, agora garantiu a vitória na fase de grupos, uma das melhores de sempre. Como é norma, se as coisas correm bem desportivamente, financeiramente a máquina funciona. Neste caso, está muito bem encaminhada para isso.

O FC Porto está a cumprir e ultrapassar as expectativas orçamentais para 2014-15. Para esta época a SAD orçamentou 28,229M€ em receitas da UEFA. Isso previa o apuramento para os oitavos-de-final, mas a possibilidade de chegar aos 16 pontos não estava prevista.

Em 2014-15 o FC Porto já ganhou 18,7M€ e pode ganhar mais um milhão contra o Shakhtar. De recordar que em 2013-14 não entrou o dinheiro pelo acesso à fase de grupos da Champions, por causa do play-off, e a SAD apontou para um buraco de 10M€. Acabou por haver uma mais-valia: o FC Porto recebeu um extra de 2,1M€ que não é habitual, por causa do play-off.

Mas isso já estava previsto nas contas, tal como está previsto que o FC Porto se apure directamente para a fase de grupos da Champions de 2015-16, ou seja que fique entre o 2 primeiros lugares do campeonato (mais concretamente o 1º, tendo em conta que os custos com pessoal já devem prever o pagamento das variáveis aos jogadores por títulos, de outra forma não se justificaria um aumento de mais de 40% nesta rúbrica).

Por isso, somando os 18,7M€ aos 8,6M€ já esperados para a próxima época, Lopetegui e os jogadores conseguem o que estava orçamentado pela SAD. Podem até superar, se vencer o Shakhtar. Mas há outra receita que deve ser tida em conta: o market pool.

Sabem aquela história de que é bom para Portugal ter os 3 grandes na Liga dos Campeões? Do ponto de vista de market pool, não é verdade. O ideal é que o FC Porto esteja lá sozinho. Isto porque o market pool, receitas televisivas e publicidade estática, é dividido por todas as equipas do mesmo país que disputem a Champions.

Em 2013-14 o FC Porto ganhou nesta rubrica 3,618M€, cerca de 350m mais do que o Benfica, tendo em conta que o campeão nacional tem direito a uma percentagem ligeiramente superior. Este ano como o Sporting está na Champions, o market pool é dividido por 3. Mas há uma boa notícia: a partir dos oitavos o valor de market pool sobe bastante, Para o FC Porto, nesta rubrica o ideal era que o Sporting não fosse aos oitavos da Champions, pois assim consegue uma maior fatia de market pool.

Independentemente disso, está a desenhar-se tudo para o FC Porto atingir os 30M€ de receitas da UEFA para ser contabilizadas em 2014-15, não esquecendo que para isso é preciso a qualificação directa para 2015-16. Se será possível chegar aos quartos, em Fevereiro veremos. Para já é preciso apostar tudo e o máximo no Campeonato, sobretudo porque o rival Benfica já não está na Europa, por isso vai poder dedicar quase toda a atenção no Campeonato, independentemente dos efeitos que a sua eliminação na Europa possa ter no mercado de Inverno. A eliminação do Benfica na Europa só ajuda o FC Porto no ponto de vista financeiro, não no desportivo. E no FC Porto o sucesso desportivo e financeiro estão ligados por cordão umbilical.

De recordar abaixo o que foi a proposta de orçamento para 2014-15. Com o apuramento para os oitavos-de-final garantido, está tudo a seguir conforme o alinhavado (tirando o 3º lugar no Campeonato, mas dependemos de nós para terminar Dezembro na liderança), por isso fica a faltar... o mais importante, que são as mais-valias com transferências: é preciso 66,5M€.


Para 2014-15 vão entrar Defour e Mangala, que vão gerar cerca de 25M€ de mais-valias. Não confundam valor de transferência com mais-valias. A mais-valia só é contabilizada depois de a) excluir o valor contabilístico do passe (o valor do jogador é calculado através do preço total da transferência, repartido pelo número de anos de contrato) b) prémios de fidelidade c) terceiras partes detentoras de direitos económicos d) comissões e intermediações, sem esquecer que paga-se IVA pelas transferências.

Por isso o FC Porto vai ter que fazer pelo menos 40M€ de mais-valias em 2014-15, segundo o orçamento. Mas é possível que até não o faça, com a transição de resultados para 2015-16, até porque para tal seria preciso vender pelo menos 2 titulares até 30 de Junho, e normalmente os tubarões não atacam o mercado tão cedo (veja-se como o FC Porto teve que vender Quaresma, Hulk e outros à pressão). São contas para fazer mais tarde, precisamente porque quanto mais lucrativos formos através da vertente desportiva em 2014-15, mais condições reunimos para reduzir a necessidade de venda de jogadores.

Isto para realçar que na UEFA as expectativas orçamentais podem ser superadas mesmo sem contar com o apuramento para os 1/4. Se o FC Porto passar os oitavos, pode ser a diferença entre vender 2 titulares, ou vender apenas 1 titular e alguns jogadores de segunda linha que saiam valorizados. Ou até pode não alterar os planos de venda, pois é normalmente isso que acontece - no início de cada época a SAD planeia quem vai transferir -, mas pode reforçar as condições de investimento.

Ir ou não ir aos quartos da Champions pode ser a diferença entre conseguir ou não conseguir manter ou contratar um titular para o 11, sabendo-se que o risco é o modelo de gestão de Pinto da Costa há 30 anos. Ou seja, o que cair numa mão, vai ser batido com a outra. O sucesso desportivo gera condições para ser bem sucedido desportivamente, um ciclo que se repete e que não pode falhar.

domingo, 23 de novembro de 2014

Só ele sabe porque não fica em casa

Ele está em todo o lado. Dá conferências em Londres onde promete inovadoras experiências interactivas para os adeptos que já se praticam no Estádio do Dragão, vai aos Emirados falar de futebol de praia, passa pela África do Sul e pelos EUA e é recebido como um Messias na UEFA, a avaliar por este pequeno texto do jornal Record. Seja qual for o final de época, o Sporting já deve ser campeão em milhas acumuladas.

Fim dos fundos: eles riem-se
Mas isto a propósito do visionário Bruno de Carvalho que deixou a FIFA e a UEFA a seus pés com as suas propostas anti-fundos. Só se lamenta que Bruno de Carvalho não tenha sido tão visionário aquando das eleições para a LPFP (bastava escolher um candidato e ter o apoio de três clubes para concorrer contra Luís Duque). Se há tanta visão para o futuro do futebol português, porque não nem uma sugestão? É a chamada gestão à José Régio. Bruno de Carvalho não sabe para onde vai, mas sabe que não vai por aí (e por aí entenda-se o sentido de voto de FC Porto e Benfica).

Mas não deixa de ter pensamento estratégico. O caso mais interessante foi a entrevista com os directores dos 3 jornais desportivos. Chamou-os para uma entrevista que rapidamente se tornou num ataque, onde utilizou um inteligente jogo de palavras para iludir os desatentos. Cumpriu os seus objectivos: atacou os 3 directores e os sportinguistas rejubilaram, espumaram-se, celebraram. Rejubilaram tanto que esqueceram-se por um momento do 8º lugar na liga. Bruno de Carvalho sabe chamar as atenções para si próprio e fazer com que se esqueçam do importante. Acreditem, não é fácil fazer isto. Tem mérito.

Mas quando o tema são os fundos, já não se trata de desviar as atenções. Trata-se mesmo de ignorância face ao que aí vem. Continuam a tratar Bruno de Carvalho como o valente cavaleiro da cruzada contra os fundos, que vai acabar com os fundos na UEFA e na FIFA. Percebe-se este empenho de Bruno de Carvalho: enquanto Benfica e FC Porto mantiverem parceiros estratégicos, o Sporting não cheira. Mas a Bruno de Carvalho interessa corrigir rapidamente o erro que fez no Sporting: fazer com que mais nenhum fundo queira negociar com o clube.

Porque é isso que está em causa. Não é só o Sporting a romper com os fundos. São os fundos que já não querem negociar com o Sporting. A maneira como rasgam o contrato com a Doyen Sports, tratando tal como um empréstimo sem taxa de juro que ia triplicar ou quadruplicar o lucro da instituição, mostra que não tem uma SAD pronta a honrar os compromissos que assina. Nenhum parceiro quer negociar com um clube assim.

Por isso é tão conveniente a história de que os fundos vão acabar. Mas é tão conveniente como mal contada. A FIFA não vai proibir os fundos de investimento, vai proibir a partilha de passes com fundos de investimento. Os fundos vão continuar a existir, como sempre. Na prática o que acontece é que os fundos vão passar a operar como se fossem uma instituição bancária: avançam com o financiamento da contratação e depois são reembolsados, ou com taxa de juro previamente definida, ou a troco de uma percentagem de uma futura transferência. Já ouviram a aquela história de que os fundos são proibidos em Inglaterra? Ouviram mal. O que não é permitido é o third-party ownership. Os fundos existiam, exitem e continuarão a existir, em todos os campeonatos.

Portanto a história do herói Bruno de Carvalho, que anda a batalhar na FIFA e na UEFA, é para inglês ver. Vai acabar a partilha de passes por terceiros. Mas os fundos vão continuar a operar como instituições bancárias. E vão continuar a financiar transferências para clubes onde saibam que a) os jogadores vão ser valorizados; b) os clubes vão cumprir os compromissos assumidos.

O Sporting, além de rasgar contratos quando lhe apetece, não valoriza os jogadores para um patamar que Benfica e FC Porto alcançam. Em toda a sua história o Sporting só vendeu um jogador acima dos 15 milhões, foi há 7 anos e até lhes foi emprestado de graça. E para fazer a segunda maior venda da sua história em 2010 o Sporting teve que vender o seu capitão ao FC Porto. Que interesse podem os fundos ter num clube assim?

A dependência dos fundos não é saudável para ninguém. Mas que são importantes para conseguir jogadores como Mangala, James ou Brahimi, são. O que se pedia era a transparência do processo. Coisas tão simples como a) conhecer os accionistas ligados aos fundos; b) revelar logo no momento da alienação quanto custa recuperar o passe; c) definir uma taxa máxima de valorização dos activos. Três coisas tão simples que acabavam com o problema. Mas sabem porque é que estas 3 coisinhas nunca foram opção? Porque nem a FIFA nem a UEFA têm interesse.

A FIFA e a UEFA querem que os fundos continuem a existir, porque é um negócios paralelo que envolve centenas de milhões. Vai proibir o third-party ownership, mas os fundos vão continuar a operar. Não muda nada. Bater palminhas por se fechar uma janela quando a porta continua aberta? A única porta que se fechou foi para o Sporting, e foi dos fundos.





- A saudade de ver o nosso FC Porto jogar é tanta que para ter tema tive que o centrar em Bruno de Carvalho. Isto porque não posso aceitar a sugestão de um estimado amigo portista, que sugeriu que falasse sobre os elogios a Pinto da Costa em Angola. Ver o FC Porto, na presença do seu presidente, ser reconhecido lá fora é sempre importante. Mas para quem tanto se queixa de imprensa tendenciosa e do regime, dedicar uma única palavra ao Jornal de Angola seria de uma hipocrisia e falta de coerência considerável. Pobre do FC Porto no dia em que necessitar de um panfleto estatal para massajar o ego. Fica a nota por Pinto da Costa mais uma vez exportar a imagem do FC Porto no estrangeiro, com expectativas de ver se terá importado algo.

- Não li a entrevista de Lopetegui à UEFA. Mas o jornal Record diz algo como «seremos campeões ou lutaremos até ao fim» e esta frase deixou alguns portistas incomodados, por Lopetegui admitir a possibilidade de não ser campeão. Claramente um motivo para indignação, ora vejamos o que disse Guardiola em meados de 2011-12: «Ser campeón? Solo queda luchar hasta el final». Ou então o que diz Mourinho depois de passar para a frente da liga inglesa em 2013-14: «Não somos candidatos ao título, o City é que tem obrigação de ser campeão». Seguindo a coerência, Guardiola e Mourinho não têm capacidade para treinar o FC Porto, porque são treinadores que admitem não ser campeões. Ah, esperem, são mind-games para aliviar a pressão sobre a equipa? Ah, tudo bem! Que pena que Lopetegui não tenha feito o mesmo na sua entrevista à UEFA... [Irony alert]. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

A inspiração para quem fica de fora da UEFA. E mais um pouco de Mangala

O FC Porto já entregou a lista de inscritos para o playoff da Liga dos Campeões. Os nomes ainda não são conhecidos publicamente, mas à partida Helton, Opare, Marcano, Carlos Eduardo e Defour são os excluídos. A confirmar.

Carlos Eduardo
Os nomes excluídos da lista para a UEFA podem muito bem coincidir com as dispensas definitivas de Lopetegui, sendo que há duas exclusões forçadas por problemas físicos, outra por ser um recém-chegado e outra por estar no mercado, mas é bom lembrar a lista de pré-inscritos para a Liga Europa de 2010-11.

Um tal de James Rodríguez, que em 2013 custou 45 milhões ao Mónaco e em 2014 foi o melhor jogador do Mundial e custou 80 milhões de euros ao Real Madrid, ficou de fora da pré-convocatória de Villas-Boas para o playoff da Liga Europa. Hoje é unanimemente considerado um dos melhores jogadores do mundo.

Portanto, quem ficar de fora não recebe um atestado de falta de qualidade, mas sim um desafio que tem que superar. Como James Rodríguez o fez.

PS1: A criatividade para explicar o negócio Mangala, em diversos espaços na internet, surpreende. O FC Porto, de modo a evitar um Garay v2.0 como no primeiro comunicado do Benfica à CMVM (ainda recordo os fervorosos que vendiam a mãe para provar que o negócio foi de 15 milhões de euros), explicou de imediato que os 30,5 milhões de euros correspondiam a 56,67% do passe. Mas há quem até o português explícito consiga contrariar.

Como é natural, o FC Porto vai ter encargos sobre os 30,5 milhões de euros. Há a comissão a Jorge Mendes, que ronda sempre os 10%, o prémio de fidelidade ao jogador e o mecanismo de solidariedade. O que meia dúzia de iluminados não compreendem, ou não querem compreender, é que o que o faz de Mangala um grande negócio é que o FC Porto não vai ter que pagar as intermediações sobre os 22,6 milhões de euros inicialmente previstos, que era o que «temia», mas sim sobre os 30,5 milhões, verba acrescida em quase 8 milhões após as complexas negociações com a 3.ª parte.

Sim, é um enorme negócio. Como a única entidade a receber é a FC Porto SAD, deixemos os demais entreterem-se com a matemática e a criatividade para tentar não aceitar aquilo que até o jornal Record consegue perceber.


sábado, 19 de julho de 2014

Inscrições na UEFA: um enorme problema para resolver

É cedo para perceber se o FC Porto formou uma grande equipa. Mas está a formar um grande plantel, com grandes jogadores... e com Lopetegui muito provavelmente a moldar um 11 que não vai incluir nenhum jogador português. Mas o tema aqui em destaque não é o jogador português, nem tampouco a pouca aposta neles, mas sim as inscrições nas competições europeias 2014-15.

Um reforço inesperado?
Surge desde já uma garantia: no máximo, o FC Porto só vai poder inscrever 21 jogadores na lista A e nenhum deles será jogador formado no clube (o único que preenche este requisito é... David Bruno, lateral da B, e se for inscrito a lista A passa a ter 22 jogadores), à imagem do que já aconteceu em 2013-14. Aliás, face ao elevado número de estrangeiros já contratados e de outros que estão para vir, o FC Porto até corre o risco de não preencher as 4 vagas destinadas a jogadores formados no país.

Há uma coisa que está garantida: o FC Porto vai inscrever 17 jogadores estrangeiros. Nem mais, nem menos. Como não há nenhum jogador formado no clube para ocupar uma das 4 vagas a eles destinadas, falta saber quem preenche as 4 vagas de jogadores formados no país.

Neste momento, o FC Porto tem 8 jogadores que preenchem esse estatuto: Ricardo Nunes, Abdoulaye, Josué, Licá, Ricardo Pereira, Quaresma, Varela e Sami. Desta lista de 8 jogadores, há a possibilidade de nem sequer ficarem pelo menos 4 no plantel. Por isso, a não ser que Lopetegui escolha 4 destes jogadores para manter no plantel ou que se contrate mais um jogador formado no país (possibilidade que se desconhece), então o FC Porto corre o risco de ter menos de 21 jogadores na lista A para a UEFA. Se houver apenas 3 jogadores formados no país, serão 20, e por aí adiante.

Então e Gonçalo Paciência?

Gonçalo não ocupa
vaga na lista A
Sim, Gonçalo Paciência pode ser inscrito e sê-lo-á se ficar no plantel. A diferença é que não vai ser inscrito na lista A. Como nasceu depois de 1 de janeiro de 1993, vai ser inscrito na lista B, que inclui os jogadores jovens. Para os jogadores poderem ser incluídos nesta lista, além de terem que ter nascido depois de 01-01-1993, têm que ter cumprido pelo menos 2 anos no FC Porto.

Por isso, Kayembé, Lichnovsky, Pavlovski, Pité e outros jovens com menos de 2 anos de FC Porto não vão ser inscritos na Liga dos Campeões, ou pelo menos não nesta lista. O mesmo vale para Ricardo Pereira e Oliver Torres, por exemplo. E não, Abdoulaye e Josué não contam como jogadores formados no FC Porto, pois não cumpriram 3 épocas completas no clube entre os 15 e 21 anos.

Nesta lista B, podem ser inscritos Kadu, Mikel e Gonçalo Paciência, além de basicamente qualquer jovem nascido depois de 1 de janeiro de 1993 que tenha pelo menos 2 anos de FC Porto.

Os 17 estrangeiros

Aqui as coisas vão complicar-se. O plantel ainda vai receber novos reforços (Iván Marcano, Casemiro e Brahimi estão garantidos e vão ser oficializados em breve) e também vai haver várias saídas, mas é praticamente certo que Lopetegui vai ter que excluir jogadores da equipa A, porque não haverá vagas para todos.

Opare sem espaço?
O Tribunal do Dragão apresenta uma possível lista de inscritos, sendo que obviamente não passa de um exercício especulativo, até porque há jogadores incluídos nesta lista de 22 jogadores que vão sair. Mas não deixa de ser um exemplo de que vai ser difícil formar a lista definitiva.

Então, vamos a isso:

Jogadores formados no clube: David Bruno (é o único que pode preencher esta vaga - nasceu antes de 01-01-1993 e esteve durante pelo menos 3 anos no FC Porto entre os 15 e os 21 anos).

Jogadores formados no país: Ricardo Nunes, Ricardo Pereira, Varela e Quaresma.

Jogadores estrangeiros (máximo 17, sob qualquer circunstância): Fabiano, Danilo, Alex Sandro, Reyes, Marcano, Maicon, Indi, Casemiro, Defour, Herrera, Quintero, Evandro, Óliver Torres, Brahimi, Adrián, Tello e Jackson Martínez (Para um jogador entrar nesta lista, pelo menos outro vai ter que sair).

Jogadores dispensados/dúvidas/sem vaga para serem inscritos: Helton, Abdoulaye, Lichnovsky, Opare, Carlos Eduardo, Kelvin, Kayembe, Josué, Sami, Licá e Ghilas. E todo e qualquer reforço que venha a seguir, pois para entrar alguém terá que sair.

Jogadores da lista B: Kadu, Mikel, João Graça, Ruben Neves, Gonçalo Paciência, Andorinha, Filipe Ferreira, Rafa, Rui Moreira, Francisco Ramos, Leandro Silva, Tomás Podstawski, André Silva, Ivo Rodrigues e Frédéric, além dos sub-19 com dois anos de FC Porto.

Como vêem, vai ser extremamente difícil compôr a lista. Opare, por exemplo, dificilmente será inscrito (a não ser, claro, que se registem várias saídas), porque David Bruno é o único jogador formado no clube e pode fazer as duas laterais, assim como Ricardo, Marcano e Indi podem dar uma perninha no flanco. Para Carlos Eduardo ou Josué entrarem, teria que sair alguém, sendo Evandro o nome mais discutível, pois todos os outros estão garantidos. Quem sai para outros entrar?

Por isso, lançamos o desafio aos leitores: componham a lista que gostariam de ver para as competições europeias, lembrando sempre o seguinte critério:

4 jogadores formados no clube: jogadores nascidos até 01-01-1993 e que tenham estado pelo menos 3 anos no clube entre os 15 e os 21 anos (só David Bruno é opção aqui).

4 jogadores formados no país: jogadores que jogaram em Portugal pelo menos 3 anos entre os 15 e os 21 anos. Até podem ser 5 os inscritos aqui, mas assim só seria possível inscrever 15 estrangeiros, e por aí adiante.

17 estrangeiros: jogadores nascidos antes de 01-01-1993 e/ou que não estiveram 3 anos em Portugal entre os 15 e 21 anos.

Lista B: jogadores nascidos depois de 01-01-1993 e que tenham estado pelo menos 2 anos no FC Porto.

Errata: Como alguns leitores alertaram, e bem, de facto Kelvin pode ser inscrito na lista B, isto caso fique no plantel, o que é dado como uma grande improbabilidade.