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quinta-feira, 3 de março de 2016

Um jogo histórico sem história

Um jogo histórico, pelos motivos menos simpáticos. Apenas 4.683 adeptos no Estádio do Dragão. A mais baixa assistência de sempre tinha acontecido em 2013/14, com 10.507 adeptos num FC Porto - Estoril da Taça de Portugal.

Um jogo às 21h de quarta-feira não ajuda. Mas os preços dos bilhetes para um jogo sem história também não. Teria sido uma boa oportunidade para lançar preços simbólicos, até porque de certeza que a SAD não teria perspetivas de uma grande receita no jogo de ontem. Num jogo que ia marcar certamente o regresso a uma final da Taça, cinco anos depois, perdeu-se uma boa oportunidade de mobilizar a massa adepta.
Eliminatória q.b.

Quanto ao jogo, José Peseiro optou por privilegiar as segundas linhas do plantel principal e dar ritmo de jogo a alguns titulares. Percebe-se. Até ao final da época, o FC Porto não vai voltar a ter jogos fáceis, onde possa falar em rotação de equipa. Quando se lança um jovem, essa aposta tem que ter continuidade. Lançar ontem um jovem para não voltar a utilizá-lo até ao final da época não traria muitos benefícios ao jogador quanto à sua afirmação no FC Porto. Não concordando, percebe-se.

Nota-se que a equipa não está bem fisicamente, uma realidade bem diferente daquela que o FC Porto vivia há um ano. Não se pode negligenciar a importância de ter bons preparadores físicos. Por mais que custe reconhecer, esta equipa não estava preparada para jogar duas vezes por semana. Não só porque as opções não abundam no plantel, mas também porque vários jogadores andam em claras limitações físicas. E num modelo que expõe a equipa a transições mais rápidas, esse desgaste pode notar-se mais.

Agora há uma final por semana. Não há desculpas para gestão de esforço, rotatividade, nada. Cada perda de pontos pode significar o adeus definitivo ao título. 







Sérgio Oliveira (+) - É preciso de ter olhinhos nos pés para ter o direito a bater as bolas paradas quando Layún está em campo. Sérgio Oliveira ficou com essa responsabilidade e assistiu para o 1x0. Mas fez muito mais. Foi sempre o elemento a pegar no jogo a meio-campo, marcou o ritmo e contribuiu para as duas fases. Perdeu algumas bolas com facilitismo, mas foi quem mais aproveitou a oportunidade ontem. Mais trabalho para mais oportunidades, é o que se pede.


Víctor García (+) - Fez o seu sétimo jogo pela equipa A do FC Porto - quando chegar aos 20, a SAD tem que pagar mais 2M€ à Northfields Sports, de Marcelo Simonian, por um jogador cuja totalidade do passe custaria menos de 1M€ quando esteve emprestado aos sub-19. Outros rosários. Víctor Garcia aproveita quase todas as oportunidades na equipa A. Garante constante profundidade no corredor direito, é agressivo, cruza bem. Tem pouco entendimento com o extremo, mas é normal, devido à falta de rotinas. O seu valor já recomendava que fosse considerado como sucessor de Maxi Pereira. O seu preço obriga a isso. E o FC Porto não ficará mal servido.

Outros destaques (+) - A jogada do 2x0 é de uma simplicidade deliciosa, curiosamente construída por três jogadores que não estavam bem na partida. Bueno desmarcou Aboubakar de olhos fechados; Aboubakar soube ter sangue frio e altruísmo; e Marega, após tantas abordagens desastrosas ao jogo, conseguiu encostar. José Ángel fez um jogo agradável, sobretudo na segunda parte (muito bem a cruzar) e Rúben Neves esteve sempre tranquilo e eficaz à frente da defesa. Chidozie, sem grande trabalho defensivo, estreou-se a marcar e não cometeu nenhum erro. 






Oportunidades desperdiçadas (-) - Varela em plano negativo. Poucas vezes conseguiu desequilibrar no flanco. Poucos movimentos interiores, nenhum remate, passe ou cruzamento perigoso. A sua época tem sido uma desilusão, com apenas um golo e uma assistência (é a pior época profissional da sua carreira). Bueno, sem ritmo, salvou dentro do possível a sua noite pela forma como abriu caminho para o 2x0. É um jogador que pode dar mais à equipa, mas agora será difícil entrar nela. Aboubakar, entre o azar de duas bolas aos ferros, foi quem mais rematou, mas poucas vezes com objetividade. Ainda assim, teve calma na assistência para a estreia a marcar de Marega, aposta de Peseiro pelo 8º jogo consecutivo. Ficamos felizes pelo golo de Marega, mas foi mais uma má exibição, com deficiências graves em aspetos fundamentais do jogo, como o passe, a receção e a desmarcação. Peseiro está a dar-lhe toda a confiança possível, mas Marega não acerta uma, até ao momento em que fez o golo que lhe pode dar algum ânimo. Mas o problema não é o ânimo, nem o moral, nem o profissionalismo. Um golo na Taça não salva ninguém. Quinzinho, que marcou dois e evitou uma derrota nas Antas com o Famalicão, que o diga.  Uma coisa é certa: por este já ninguém pode culpar o treinador, pois Peseiro está a fazer tudo para aproveitar Marega. Pelo contrário, se alguém tiver algo a reclamar, só se for por dar oportunidades a mais. 

Lugar garantido no Jamor. Será essencial derrotar o SC Braga. Mas para já não estamos a falar da final da Taça de Portugal, mas sim do jogo da 25ª jornada.