Layún terá 28 anos quando o contrato de empréstimo do Watford terminar. E podemos começar precisamente por esta questão da idade: entre as 40 compras mais caras da história do FC Porto, nenhum jogador tinha 28 anos. O jogador mais caro de 28 anos contratado pelo FC Porto foi Marc Janko (solução de mercado de inverno), que ficou meio época. Depois foi Nuno Espírito Santo, trazido por Jorge Mendes e que viveu sempre na sombra ora de Baía, ora de Helton. O 3º foi Jankauskas, depois de uma época no Benfica que agradou a Mourinho.
Os grandes investimentos do FC Porto, em toda a sua história, nunca foram efetuados em jogadores de 28 (ou mais) anos. E quando vemos que o mais caro foi Janko (3M€) e que a opção de compra de Layún é de 6M€, vemos o quão contra-natura face à política da SAD é considerar comprar o mexicano nestes moldes.
É cedo para avançar para a compra de Layún, mas não é cedo para debater em que medida este negócio se enquadradinha na conhecida política da SAD. Quando o FC Porto investe 6 ou mais milhões de euros num jogador, por norma mais tarde há transferência milionária (ou pelo menos que gere mais-valias e cubra o investimento financeiro). Foi assim em 80% dos casos.
Exceção feita aos jogadores que ainda estão ligados aos quadros do clube, entre as contratações por 6 ou mais milhões o FC Porto só falhou com Defour, Pelé (moeda de troca), Rodríguez e Postiga (envolveu moeda de troca) na sua segunda passagem pelo FC Porto. De resto, sempre que avançou com 6M€ por um jogador, o FC Porto conseguiu lucrar. Mas o FC Porto nunca avançou com 6M€ por um jogador de 28 anos. Nem com 5, nem com 4 milhões. Fê-lo sempre com jovens.
No que toca a vendas, o FC Porto já fez transferências bastante lucrativas com jogadores de 28 anos, como foram exemplo Jackson Martínez, Bruno Alves, Lucho González ou até Zahovic. Por outro lado, o FC Porto não tem hábito de vender e comprar no mesmo defeso. Logo podemos tomar por referência os 29 anos que Layún teria em 2017. E com esta idade, não há registo de grandes vendas por parte do FC Porto.
Contratar Layún é inverter a política da SAD. Como é lógico, não vamos comprar Layún a pensar que vamos vendê-lo por 30M€ passados três anos. É uma contratação que foge ao habitual, mas no último verão já vimos o FC Porto fugir à tendência, ao contratar Casillas, Osvaldo e... Maxi Pereira.
E daqui podemos partir para a comparação da dupla Danilo-Alex Sandro e Maxi Pereira-Layún. Já todos vimos as comparações a nível ofensivo, mas há algo que está a faltar na questão do rendimento. Danilo saiu por 31,5M€, Alex Sandro por 26M€, depois de ambos terem custado 22,6M€, além de encargos. Já Maxi Pereira foi contratado em free agent e Layún chegou por empréstimo.
Todos vão concordando que o FC Porto não perdeu nada a nível de rendimento. Mas se Maxi, saindo do Benfica, só encontrou boas portas para prosseguir a carreira num rival e se Layún estava no Watford não era por serem laterais mais desejados do que Danilo e Alex Sandro. Mas algo fez a diferença: experiência.
O FC Porto substituiu dois dos melhores laterais da Europa, que foram contratados seguindo a política habitual da SAD (contratar jovens caros e vendê-los a bom preço), com o recurso a dois jogadores que contrariam a tal política da SAD: experiência, jogadores feitos, capazes de chegar, jogar e render, em vez de ter que esperar por período de adaptação e que atinjam a maturidade.
Ninguém sente falta de Danilo e Alex Sandro porque o FC Porto contratou jogadores feitos, capazes de pegar de estaca na equipa. Maxi Pereira tinha muitos anos de campeonato português e vasta experiência internacional. Layún, além de também ser experiente, é um lateral que ataca muito bem, algo que encaixa totalmente no modelo de Lopetegui e no futebol português. Nenhum deles seria jogador para gerar mais-valias, mas ambos foram capazes de chegar, jogar e fazer esquecer quem cá estava. Não se nota a saída de Danilo e Alex Sandro porque o FC Porto contratou certezas para o curto prazo.
Promessas o FC Porto já tinha. Rafa é a maior delas todas, e prova-o a cada semana de trabalho na equipa B, envergonhando quem achou que Kayembé é que era um projeto interessante de lateral. E Rafa é um jogador que tem mais de 10 anos de casa e não houve escalão em que não prometesse ser uma opção de grande futuro. Para a lateral-direita, também já havia Víctor Garcia, jovem que, embora não haja ainda confirmação a nível de R&C, já terá sido bem mais caro do que aquilo que seria esperado aquando do seu primeiro empréstimo ao FC Porto.
![]() |
| O lateral-esquerdo do futuro |
Ainda sobre Layún. Apesar da opção de compra ser de 6M€, é especulativo tomar esse valor como inflexível. Trata-se de um jogador da rede Pozzo, o que se por um lado pode significar um investimento mais reduzido (veja-se o exemplo do Granada, que ainda só recebeu 500 mil euros por Brahimi, jogador desejado por meia Europa), por outro dificilmente será jogador para ser contratado sem envolver terceiros. Para a SAD, não importa reduzir apenas a dependência de mais-valias, mas também a dependência de envolver terceiros em contratações. Além disso, o Watford só vendeu um jogador em toda a sua história por mais de 6M€ - Ashley Young, internacional inglês do Man. United.
Dito isto, faz todo o sentido que o FC Porto pense em mais Maxis e Layúns: jogadores feitos, capazes de chegar e render, pois jovens promessas já temos em diversos setores nos quadros do clube. Por outro lado, a SAD nunca dependeu tanto de mais-valias como neste momento. E se há um ano tínhamos uma dupla de laterais capaz de render 50M€, neste momento não temos dupla de laterais para mais-valias. Isso vai exigir mais de outros jogadores... ou que a SAD decida de uma vez por todas meter travão e controlar os investimentos: pensar em mais jogadores rodados e menos em promessas para o médio/longo prazo. Não queremos que o FC Porto deixe de ter jovens de grande potencial, claro que não. Precisamos sempre deles. Mas o que muitos não querem perceber é que não precisamos de ir ao mercado se já os temos nos nossos quadros. Assim, deixem o mercado para os jogadores de hoje, porque os de amanhã já cá estão.



























