terça-feira, 17 de novembro de 2015

Layún e a política da SAD

Layún terá 28 anos quando o contrato de empréstimo do Watford terminar. E podemos começar precisamente por esta questão da idade: entre as 40 compras mais caras da história do FC Porto, nenhum jogador tinha 28 anos. O jogador mais caro de 28 anos contratado pelo FC Porto foi Marc Janko (solução de mercado de inverno), que ficou meio época. Depois foi Nuno Espírito Santo, trazido por Jorge Mendes e que viveu sempre na sombra ora de Baía, ora de Helton. O 3º foi Jankauskas, depois de uma época no Benfica que agradou a Mourinho.

Os grandes investimentos do FC Porto, em toda a sua história, nunca foram efetuados em jogadores de 28 (ou mais) anos. E quando vemos que o mais caro foi Janko (3M€) e que a opção de compra de Layún é de 6M€, vemos o quão contra-natura face à política da SAD é considerar comprar o mexicano nestes moldes.


É cedo para avançar para a compra de Layún, mas não é cedo para debater em que medida este negócio se enquadradinha na conhecida política da SAD. Quando o FC Porto investe 6 ou mais milhões de euros num jogador, por norma mais tarde há transferência milionária (ou pelo menos que gere mais-valias e cubra o investimento financeiro). Foi assim em 80% dos casos.

Exceção feita aos jogadores que ainda estão ligados aos quadros do clube, entre as contratações por 6 ou mais milhões o FC Porto só falhou com Defour, Pelé (moeda de troca), Rodríguez e Postiga (envolveu moeda de troca) na sua segunda passagem pelo FC Porto. De resto, sempre que avançou com 6M€ por um jogador, o FC Porto conseguiu lucrar. Mas o FC Porto nunca avançou com 6M€ por um jogador de 28 anos. Nem com 5, nem com 4 milhões. Fê-lo sempre com jovens.

No que toca a vendas, o FC Porto já fez transferências bastante lucrativas com jogadores de 28 anos, como foram exemplo Jackson Martínez, Bruno Alves, Lucho González ou até Zahovic. Por outro lado, o FC Porto não tem hábito de vender e comprar no mesmo defeso. Logo podemos tomar por referência os 29 anos que Layún teria em 2017. E com esta idade, não há registo de grandes vendas por parte do FC Porto.

Contratar Layún é inverter a política da SAD. Como é lógico, não vamos comprar Layún a pensar que vamos vendê-lo por 30M€ passados três anos. É uma contratação que foge ao habitual, mas no último verão já vimos o FC Porto fugir à tendência, ao contratar Casillas, Osvaldo e... Maxi Pereira.

E daqui podemos partir para a comparação da dupla Danilo-Alex Sandro e Maxi Pereira-Layún. Já todos vimos as comparações a nível ofensivo, mas há algo que está a faltar na questão do rendimento. Danilo saiu por 31,5M€, Alex Sandro por 26M€, depois de ambos terem custado 22,6M€, além de encargos. Já Maxi Pereira foi contratado em free agent e Layún chegou por empréstimo. 

Todos vão concordando que o FC Porto não perdeu nada a nível de rendimento. Mas se Maxi, saindo do Benfica, só encontrou boas portas para prosseguir a carreira num rival e se Layún estava no Watford não era por serem laterais mais desejados do que Danilo e Alex Sandro. Mas algo fez a diferença: experiência.

O FC Porto substituiu dois dos melhores laterais da Europa, que foram contratados seguindo a política habitual da SAD (contratar jovens caros e vendê-los a bom preço), com o recurso a dois jogadores que contrariam a tal política da SAD: experiência, jogadores feitos, capazes de chegar, jogar e render, em vez de ter que esperar por período de adaptação e que atinjam a maturidade.

Ninguém sente falta de Danilo e Alex Sandro porque o FC Porto contratou jogadores feitos, capazes de pegar de estaca na equipa. Maxi Pereira tinha muitos anos de campeonato português e vasta experiência internacional. Layún, além de também ser experiente, é um lateral que ataca muito bem, algo que encaixa totalmente no modelo de Lopetegui e no futebol português. Nenhum deles seria jogador para gerar mais-valias, mas ambos foram capazes de chegar, jogar e fazer esquecer quem cá estava. Não se nota a saída de Danilo e Alex Sandro porque o FC Porto contratou certezas para o curto prazo. 


Promessas o FC Porto já tinha. Rafa é a maior delas todas, e prova-o a cada semana de trabalho na equipa B, envergonhando quem achou que Kayembé é que era um projeto interessante de lateral. E Rafa é um jogador que tem mais de 10 anos de casa e não houve escalão em que não prometesse ser uma opção de grande futuro. Para a lateral-direita, também já havia Víctor Garcia, jovem que, embora não haja ainda confirmação a nível de R&C, já terá sido bem mais caro do que aquilo que seria esperado aquando do seu primeiro empréstimo ao FC Porto.

O lateral-esquerdo do futuro
Tanto Rafa como Víctor são jovens que podem evoluir no sentido de chegar à equipa A do FC Porto. Não faz sentido que continuem na equipa B para lá de 2015-16. Não podemos cair no romantismo de dizer que já podiam estar a jogar regularmente na equipa A, pois de certeza que não iam formar a dupla com maior produtividade ofensiva da Europa, como são Maxi e Layún. Mas não vale a pena pensar em promessas quando já temos duas assim na equipa B. E são promessas que já têm capacidade para crescer na sombra dos habituais titulares - temos Cissokho e Ángel a discutir um papel para o qual Rafa bastaria. E quando Layún sentou na Champions, quem jogou à esquerda foi Indi. Só a massa salarial implicada por dois jogadores que não jogam, no caso Cissokho e Ángel, já ajudaria e muito a manter Layún.

Ainda sobre Layún. Apesar da opção de compra ser de 6M€, é especulativo tomar esse valor como inflexível. Trata-se de um jogador da rede Pozzo, o que se por um lado pode significar um investimento mais reduzido (veja-se o exemplo do Granada, que ainda só recebeu 500 mil euros por Brahimi, jogador desejado por meia Europa), por outro dificilmente será jogador para ser contratado sem envolver terceiros. Para a SAD, não importa reduzir apenas a dependência de mais-valias, mas também a dependência de envolver terceiros em contratações. Além disso, o Watford só vendeu um jogador em toda a sua história por mais de 6M€ - Ashley Young, internacional inglês do Man. United.

Dito isto, faz todo o sentido que o FC Porto pense em mais Maxis e Layúns: jogadores feitos, capazes de chegar e render, pois jovens promessas já temos em diversos setores nos quadros do clube. Por outro lado, a SAD nunca dependeu tanto de mais-valias como neste momento. E se há um ano tínhamos uma dupla de laterais capaz de render 50M€, neste momento não temos dupla de laterais para mais-valias. Isso vai exigir mais de outros jogadores... ou que a SAD decida de uma vez por todas meter travão e controlar os investimentos: pensar em mais jogadores rodados e menos em promessas para o médio/longo prazo. Não queremos que o FC Porto deixe de ter jovens de grande potencial, claro que não. Precisamos sempre deles. Mas o que muitos não querem perceber é que não precisamos de ir ao mercado se já os temos nos nossos quadros. Assim, deixem o mercado para os jogadores de hoje, porque os de amanhã já cá estão. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Salto à Segunda Circular

«Constatou-se que é fácil prejudicar o Sporting num jogo de futebol… Só é possível desejar que a visão do Artur Soares Dias melhore na próxima época. Sinto que o Sporting foi prejudicado, como sentem todos que viram o jogo. São lances que nem merecem discussão», Carlos Freitas, diretor-desportivo

«No jogo do passado domingo no Porto, quer os adeptos presentes, quer a equipa de futebol profissional não foram respeitados. Estamos a proceder à averiguação dos acontecimentos e iremos agir em conformidade», Godinho Lopes, presidente

«Os árbitros têm de perceber que se não estão em condições de exercer a sua profissão, vão para a pesca mas não podem dirigir jogos deste gabarito. A dois metros do sítio não vêem um penálti tão claro… O que é preciso é haver pessoas competentes a apitar. Isto tem de acabar de uma vez por todas. Como? Com processos, processos-crime», Carlos Barbosa, vice-presidente

«Escorregou? Devia ser penalty»
Três dirigentes do Sporting a queixarem-se da arbitragem por causa do mesmo lance. A saber, por causa de um lance num FC Porto x Sporting de 2011. Aconteceu já no tempo de descontos: Rolando escorregou e, posteriormente, acabou por dar uma braçada na bola. Soltou-se uma imensa indignação por causa deste suposto penalty por marcar. Não era para menos. Ao perder por 3x2 no Dragão, o Sporting ficava a 35 pontos do primeiro lugar e a 16 do 2º, isto à 27ª jornada. Aquele penalty mudaria a história toda do campeonato, claramente.

Na altura, ficámos a saber que a partir do momento em que um jogador escorrega não tem desculpa para nada. Rolando desequilibrou-se por completo quando escorregou e foi por isso que deu com o braço na bola. Mas não teve desculpa na praça pública. Escorregou, fez falta, então era penalty. Foi assim há 4 anos. Agora as regras mudaram.

O que vimos em Arouca foi muito, muito pior do que fez Rolando. Naldo escorrega, projeta-se para a frente, sem qualquer hipótese de jogar a bola, e vira ao contrário um jogador do Arouca que estava pronto para rematar sem oposição. Num só lance seria penalty, expulsão e golo para 1x0. Mas agora, ao contrário do que se passava há quatro anos, descobrimos que quando um jogador escorrega torna-se inocente de tudo o que possa acontecer a seguir. 

«Escorregou? Toca a levantar, que escorregadelas não dão penalty»
O que está em causa é, simplesmente, o critério. Por exemplo, Pedro Henriques, na sua coluna no jornal O Jogo, diz que este lance de Naldo não é penalty, tal como disse que há quatro anos não havia penalty de Rolando. Nos demais, o critério parece que mudou subitamente. Poderão dizer, claro, que estes três dirigentes acima citados já não estão ligadas ao Sporting. É verdade, mas o clube é o mesmo. Quem tanto se orgulha da sua fundação não pode ignorar que a história do Sporting começou - e desde então é contínua - em 1906, não foi a 24 de março de 2013.

Curiosamente, não se vê ninguém na praça pública a realçar que se tratava de um penalty. Já há 4 anos, tanto A Bola como o Record não hesitaram em afirmar, na sua capa, que era falta para grande penalidade. Quatro anos depois, shiu, ninguém viu. Já sabíamos que o Sporting está na frente do campeonato graças aos penaltys. A novidade é que não está apenas devido aos penaltys marcados, mas também àqueles que ficaram por marcar. 

Ainda a propósito do jogo em Arouca, João Mário diz algo extremamente acertado: «Até onde sei os treinadores não podem entrar dentro de campo». Tem toda a razão, mas o clube que tem Jorge Jesus como treinador é o último a poder queixar-se disto.

Peça de valor comercial
A rematar, do outro lado da Segunda Circular, soube-se hoje que os árbitros já prestaram esclarecimentos (por e-mail, que isto de pedir testemunhos on the record é coisa pré-histórica) sobre as prendas do Benfica. E os títulos que se vão lendo na imprensa desportiva é algo assim: «Árbitros confirmam prendas do Benfica dentro dos limites autorizados».

Mais poeira para o ar. Mas quais limites, se os regulamentos da FPF não falam em limites alguns? Os 200 francos são fixados pela UEFA para as competições europeias, não é para a liga portuguesa. O que os regulamentos da FPF dizem é que os árbitros não podem aceitar presentes com valor comercial. Como por exemplo, uma camisola histórica de Eusébio à venda no seu site por 59,90€, além das refeições pagas para dias posteriores aos dos jogos do Benfica. Libertem quanta poeira quiserem, mas qualquer regulamento que seja invocado só confirma o que já se sabe: Benfica fez ofertas ilegais a árbitros

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Invictos

Pela primeira vez em muito tempo, não foi a equipa a puxar pelos adeptos no Dragão: os adeptos é que puxaram pela equipa, que podia muito bem ter cedido à pressão depois de desperdiçar tantas ocasiões de golo. Mas os adeptos que se fizeram ouvir, sobretudo depois do início da segunda parte, empurraram a equipa para a vitória. Mais do mesmo, por favor.

Uma vitória que inclui todas as virtudes e defeitos do FC Porto de Lopetegui. Obrigação cumprida, com um resultado que torna o FC Porto a única equipa do top 15 europeu sem derrotas. Não é nada para embandeirar em arco, porque nas contas finais é mais vantajoso ganhar dois jogos e perder um do que ganhar um e empatar dois, mas os registos de imbatibilidade dão sempre confiança para continuar a trabalhar e evoluir.

21 pontos em 9 jogos, exatamente o mesmo que há um ano, mas abaixo das quatro épocas anteriores. O importante é recuperar o primeiro lugar o mais rapidamente possível. Se a equipa não ceder terreno, será uma questão de tempo. O Sporting, que está na liderança, é a equipa com mais penaltys em Portugal (5) e a 3ª com mais penaltys na Europa. Sem as grandes penalidades, não teria conseguido 3 vitórias. E três das suas vitórias foram conseguidas com golos para lá do minuto 85. Há quem lhe chame estrelinha de campeão, mas só mais à frente veremos se havia estrelinha ou sorte a disfarçar fraquezas. Até final do ano civil, é obrigação do FC Porto tentar fazer o pleno de vitórias na liga. Depois, faremos contas à deslocação a Alvalade. Nos próximos 7 jogos, cinco serão fora de casa. Ciclo difícil e de exigência.





Layún (+) - As notícias de que o FC Porto estaria a pensar em comprá-lo fizeram-lhe bem. Defensivamente, um lateral não tem muito a fazer quando joga no Dragão. Assim Layún pode jogar como gosta - com todo o corredor para explorar, mais espaço interior, e estar sempre perto da grande área adversária. Defensivamente tem lacunas, algumas consideráveis, mas a atacar é o protótipo de lateral perfeito para o FC Porto. Assistência e golo, ambos de qualidade. Não se pode pedir mais.


Segurança defensiva (+) - Parecendo que não, o V. Setúbal chegou ao Dragão tendo tantos golos marcados como o FC Porto. Ainda assim, nem um remate para amostra. Marcano e Indi limparam tudo e o FC Porto já leva 16 jornadas consecutivas sem sofrer golos em casa. São 24 horas sem sofrer um único golo em casa. Registo louvável. E mais uma palavra para Maxi Pereira, que descobriu Layún para o 2x0 - os dois laterais a construírem um golo no ataque. Se não há nada para fazer defensivamente, é assim que deve ser.





Vamos acabar com isso? (-) FC Porto x Maccabi: Danilo a aquecer aos 15 minutos. FC Porto x Braga: Rúben Neves a aquecer aos 15 minutos. FC Porto x V. Setúbal: André André a aquecer aos 15 minutos. Três jogos consecutivos em que Lopetegui já tem um jogador a aquecer ao quarto de hora. E é caso para dizer que já chega. De certeza que não é para espicaçar quem está em campo, pois Lopetegui acaba por não mexer antes do intervalo. Colocar cedo um jogador a aquecer é sinal de que Lopetegui não gosta do que vê. Mas três jogos consecutivos é de mais. Lopetegui repete sempre a mesma fórmula no meio-campo, então que diferenças espera ele? O que isto vai parecendo é uma equipa que não se preparou ao longo da semana, e que passado 15 minutos já sente que está tudo mal e que tem que mudar. Assim não, mister. 

Desgaste de Aboubakar (-) - Não é que Aboubakar tenha deixado de ter situações de finalização. Mas uma vez mais, o uso que Lopetegui dá ao ponta-de-lança retira ao FC Porto capacidade de ter presença na grande área adversária. Aboubakar está sempre forçado a jogar longe da baliza, a dar a apoio a linhas recuadas. O meio-campo é que devia dar algo mais ao ataque, em vez de Aboubakar ter que se andar a sacrificar. O jogo não correu bem a Evandro, nem aos médios do FC Porto na verdade, o que reduziu ainda mais a capacidade de meter gente em zonas de finalização. Felizmente, na segunda parte Lopetegui mudou a tempo. Resultado? Aboubakar estava perfeitamente posicionado na zona do ponta-de-lança para fazer o 1x0 (e os centrais do V. Setúbal estavam fora do lance, pois o FC Porto meteu mais gente na grande área). É necessário manter o nosso ponta-de-lança mais perto da baliza. Afinal, temos 16 jogos consecutivos sem sofrer golos. Não porque os nossos guarda-redes e defesas brilham em todos os jogos, mas porque os adversários pouco atacam no Dragão. A rever.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A queda de mais um mito

Não há portista (e benfiquista) que não se lembre. Na pré-época de 2014-15, o FC Porto fazia um «investimento sem igual», tinha «o plantel mais caro da história do futebol português» e estava a fazer uma aposta de extremo risco para tentar recuperar o título. Já o Benfica, se bem se recordam, era um coitadinho, que perdeu meia dúzia de titulares, vendeu muitos dos seus bons jogadores e estava muito poupadinho comparativamente ao FC Porto. Era o pânico desprovido de coerência.

E agora vamos ao fim do mito. Em 2014-15, foi campeão quem mais investiu. Quem? O Benfica. O coitadinho Benfica, que estava nas lonas, gastou mais do que o FC Porto, que supostamente seria a equipa mais cara da história do futebol português. Não é uma surpresa, pois isso já tinha sido assinalado neste espaço, mas agora temos a confirmação dos números da SAD do Benfica. E uma vez mais constatamos a dualidade de critérios na praça pública: o Benfica era quem mais gastava, mas aos olhos de muitos era o coitadinho poupadinho que não chegava aos calcanhares do FC Porto; já o FC Porto tinha que ser campeão porque, basicamente, era quem mais estava a investir. Não foi.

No exercício de 2014-15, o FC Porto teve gastos totais de 166,8M€. E o Benfica teve gastos de... 178,9M€. Por norma, no futebol português é campeão quem mais investe. É extremamente raro haver uma exceção a esta regra. Isso não quer dizer que o FC Porto tem que gastar mais todos os anos para ser campeão. Largos dias têm cem anos, e o FC Porto ainda tem muitos dias pela frente. Não queremos uma época de descontrolo total para recuperar um título se isso compromete a estabilidade do clube a curto/médio prazo. Nunca. O FC Porto nunca se esgotará numa época. 

Como é lógico, não faltará quem se aproveite da tal questão semântica já aqui debatida para discutir os números. Mas o facto é este: quem mais gastou foi o Benfica, o coitadinho Benfica que estava em poupança de custos. No futebol português, já é normal ser campeão quem mais investe. Se aliarmos isto ao que o Benfica investiu noutros setores, leia-se colinho, assim se explica como se conquista um bicampeonato. O FC Porto tinha um orçamento alto o suficiente para lutar pelo título até ao fim, claro - e lutou. E todos sabem o que desequilibrou a balança. Mais: o Benfica, com um orçamento de quase 180M€, não conseguiu passar a fase de grupos da Champions e nem à Liga Europa foi.

Se o investimento do FC Porto era de desespero, como disse este sujeito, então o que era o investimento do Benfica, que foi ainda maior?


No balanço operacional, como tem sido hábito, o Benfica apresenta melhores resultados do que o FC Porto: 4,5 milhões negativos contra 16,7M€ negativos do FC Porto. Este défice operacional já vem sendo corrente nas contas da SAD. Mas depois entramos no campo das mais-valias, e aí a balança inverte a favor do FC Porto. O Benfica teve 78,8M€ de proveitos com atletas (num verão em que varreu meio plantel), enquanto o FC Porto gerou 90M€. O Benfica ficou, assim, com um saldo positivo de 34,9M€ com atletas, enquanto o do FC Porto superou os 50M€.

Podem alegar que o aumento de custos do Benfica (43,9M€ em amortizações e despesas com transferências, contra 38,9M€ do FC Porto - lá está, até em contratações/transferências gastaram mais) se deve ao fim do fundo do clube, mas é uma despesa como as outras. É investir em jogadores, é despesa com o plantel. 

Além disso, no fim da época o FC Porto acabou com um resultado líquido de 20M€, contra os 7,1M€ do Benfica. E sem milhões da treta. A título de curiosidade, o orçamento de 25M€ anunciado por Bruno de Carvalho foi, na verdade, de 81,2M€. Ou seja, as despesas totais do poupadinho Sporting aumentaram 43,7% num ano. Vamos ver como será em 2015-16, já com Jorge Jesus e contratações para o topo da folha salarial do clube. 

Até seria interessante comparar os orçamentos dos três clubes para 2015-16, mas o FC Porto, uma vez mais, foi o único a detalhar a sua proposta de orçamento à CMVM. Podem conferi-la aqui. Por isso, podem contar com uma coisa na praça pública: Benfica e Sporting são uns poupadinhos, que gastam muito pouquinho e por isso a nada estão obrigados, e o FC Porto é que está obrigado a ganhar tudo, pois é quem mais gasta. Vale tudo para sacudir a pressão.

Já agora, a propósito ainda da vitória em Israel. É preciso ser-se de uma ignorância profunda e triste para não perceber o quão difícil é, sob qualquer circunstância, ganhar um jogo fora de casa na Europa. Seja em Haifa, seja em Barcelona. Já citamos o exemplo de Jorge Jesus (3 vitórias em toda a carreira fora de casa na Champions - e quer ele ir à final), mas reparem só no Sporting: 4 anos, 17 jogos, sem ganhar fora de casa na Europa. Estamos a falar de um clube sobretudo habituado à Liga Europa, mas isso só dá razão ao quão difícil é ganhar fora de casa na UEFA. É que o FC Porto, na Champions, trava-se com as melhores equipas da Europa. A Liga Europa tem um nível competitivo abaixo. E aí, veja-se que o Sporting foi a estádios como os do Vaslui, Legia, Videoton, Genk e Skenderbeu e não foi capaz de ganhar um único jogo.

Não podemos comparar o FC Porto ao Sporting, claro que não, pois não se mistura quem ganha na Champions com quem não ganha na Liga Europa. Mas é apenas mais um exemplo do facciosismo quando debatem sobre os objetivos e obrigações do FC Porto. Parece fácil. Não é. Tudo pressiona a equipa, com falsidades como ser fácil ganhar um jogo fora de casa na UEFA ou ter o plantel mais caro da história do futebol português. Cabe a cada portista combater os mitos. Não há mito que resista a factos e números, mas muitos continuarão a esconder factos e números para alimentar mitos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Parece fácil. Não é

4 jogos, 10 pontos. Aos 12 milhões de euros pela presença na fase de grupos, já se acrescentam 5M€ pela prestação da equipa. Falta um ponto para chegar aos oitavos-de-final, arrecadar mais 5,5M€ e fazer o market pool disparar para valores na ordem dos 4M€. Os objetivos ficarão assim cumpridos para a edição 2015-16 da Champions. Para já, importa bater o Dynamo Kiev. Vencer, pois o FC Porto não sabe jogar para o pontinho. Nem devia.

A um ponto dos 1/8
O FC Porto cumpriu a difícil obrigação. Três vitórias consecutivas na fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que era na dupla-jornada com o Maccabi e na receção ao Dynamo que tudo ficaria decidido. Não ficamos em euforia por ter 9 pontos, sentimo-nos com dever cumprido por ter 10. Há que ganhar ao Dynamo para sentenciar este objetivo da época. Se pudermos ir a Londres discutir o primeiro lugar já com a qualificação assegurada, melhor, até porque todos conhecemos o historial altamente negativo do FC Porto em Inglaterra.

A vitória contra o Maccabi não foi brilhante, mas foi boa, segura, tranquila. Ganhar um jogo fora de casa na Champions merece sempre nota positiva. É sempre difícil, seja em Barcelona ou Borisov, Haifa ou Munique. Que o diga por exemplo Jorge Jesus, que em toda a sua carreira só ganhou 3 jogos fora de casa na Champions, aos colossais Otelul, Anderlecht e Basel. Lopetegui já vai em 4, com uma ida aos 1/4 da Champions pelo meio e mais uma aos 1/8 à distância de um ponto. A carreira do treinador que diz que se for para o estrangeiro vai a uma final da Champions resume-se a uma única passagem de fase de grupos. É caso para dizer: se Lopetegui, sendo mau, já faz mais do que Jesus, que é bom, na Champions, então imaginem se Lopetegui fosse bom. Irony alert, convém apontar.



Danilo Pereira (+) - O jogo em que melhor se entendeu com Rúben Neves. Nem uma falta em todo o jogo, ocupou sempre bem o espaço, mesmo estando muitas vezes desapoiado no momento defensivo. Foi o médio com melhor eficácia de passe (91%), mas não se limitou a jogar simples, como foi exemplo dois excelentes passes a rasgar para Tello e Aboubakar. Exibição completa.

Layún já marca
Laterais (+) - Dos pés de Maxi Pereira e Layún já saíram sete passes para golos esta época. Por esta altura, há um ano, Danilo e Alex Sandro tinham fabricado apenas três golos. Ofensivamente a equipa não perdeu nada. Excelente assistência de Maxi Pereira para André André, antes de um belo golo de Layún, a fazer uso da parte positiva de ter um destro a jogar à esquerda. A grande diferença é que Layún tem rasgo para ser extremo e procurar a baliza - nunca veríamos Fucile, que tantas vezes jogou à esquerda, fazer um golo daqueles, por exemplo. Maxi Pereira não tem culpa do penalty, por ter sido um lance inventado pela equipa de arbitragem, logo defensivamente também estiveram ambos competentes.

André André (+) - O movimento e o cabeceamento no 2x0 é de goleador. Fez a abertura para Tello inaugurar o marcador. Apareceu bem entre linhas, deu espaço para Maxi subir no corredor, ajudou a dar apoio em zona interior, arrancou faltas, pressionou. Mais uma exibição completa de André André. Isto já não é apenas um excelente momento de forma. E ontem até recebemos a boa notícia de que, daqui a uns aninhos, a linhagem dos Andrés poderá ter mais um membro. O FC Porto agradece.

Cristian Tello (+) - Mesmo no seu pior momento de forma, Tello tem um dom: saber onde posicionar-se. Consegue sempre encontrar o espaço vazio onde sabe que pode criar perigo. Quando a bola entra no seu espaço, já se sabe que vai chegar a zona de perigo, mesmo que ele nem sempre tome a melhor decisão. Excelente na desmarcação e finalização do 1x0, muito bem na assistência para Layún. Combinou muito bem com o lateral e respondeu a tudo: à ausência de Brahimi, à presença de Corona no banco e à entrada de Varela. Assim o lugar é dele.



Joga quem rende (+) - Herrera (8M€), Imbula (20M€) e Corona (10,5M€). O FC Porto tinha jogadores mais caros no banco do que o 11 titular. E mesmo que estes três jogadores sejam nomes que o FC Porto tem que valorizar, Lopetegui não obedece a preços ou estatutos. Não estavam bem, deu oportunidades a outros. E quem entrou correspondeu da melhor forma. Assim se obriga o plantel a estar sempre a 100% e em máxima concentração competitiva. Além disso, é de destacar a importância de uma vitória numa equipa - nunca é de mais lembrar - renovada. Tello, contratado em 2014, era o jogador em campo com mais jogos pelo FC Porto, e está longe de ser um veterano.


Ausência de pressão (-/+) - Quando jogamos fora, na Liga dos Campeões, não podem esperar ópera rock (inserir estilo de música favorito). Vencer já é bom. Vencer de forma folgada, melhor ainda. E vencer com absoluta tranquilidade, como o FC Porto o fez, melhor ainda. Ainda assim, há muito a rever, sobretudo a forma como o FC Porto (não) pressionou o Maccabi. O FC Porto deixou uma equipa limitada tecnicamente ter 48% de posse de bola. Podemos assumir que se tratava de uma estratégia, uma vez que Lopetegui saberia que o Maccabi, sendo tecnicamente limitado, podia ter bola mas não criaria perigo. 

Em parte, é verdade. O Maccabi corria pelo corredor central, mas quando chegava à grande área o FC Porto quase sempre resolvia - apesar de Casillas ainda ter sido forçado a algum trabalho. O FC Porto nunca aplicou no seu jogo uma pressão constante, ainda que possa ter entendido que não precisava de o fazer. O FC Porto não teve menos posse de bola do que o habitual (52%) por ter feito transições mais rápidas, mas sim por não ter pressionado tanto o adversário e não ter recuperado tantas bolas.

Ainda assim, de destacar negativamente o distanciamento entre linhas do FC Porto, o que expõe a equipa a riscos que, contra o Dynamo ou Chelsea, terão consequências, e a ineficácia em alguns lances de finalização. Nada impediu a vitória tranquila em Haifa, mas fica a garantia de que contra o Dynamo ou o Chelsea esta estratégia/erros/displicência terá outras consequências. Tempo de pensar no Vit. Setúbal, cuja única derrota esta época foi em casa do Marítimo.


PS: Mariana Cabral apresenta-se assim no Expresso: «Quando disse em casa que queria ser jornalista, o pai, também ele jornalista, levou as mãos à cabeça e proibiu-a.» A avaliar pela sua crónica da vitória do FC Porto em Israel, o paizinho tinha muita razão. O ramo ficava a ganhar. Já agora, menina (visto não poder utilizar o termo jornalista), recordemos lá a matemática da última vez em que o Benfica saiu de Israel. 

Na verdade, a menina tem razão: equipa portuguesa + viagem a Israel = a 3. É matemática. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Olha a palhaçada fresquinha!

Para os que não estarão recordados, esta foi a reação do presidente da APAF, Fontelas Gomes, quando veio a público a história das ofertas do Benfica. «Não posso quantificar quanto custa cada jantar, mas posso garantir que os árbitros respeitam integralmente o código ético da UEFA. O código de ética da UEFA estabelece que o valor máximo das lembranças não pode ultrapassar os 200 francos suíços, o que dá qualquer coisa como 183 euros.» 

Diferença de tratamento
Ora o presidente da APAF veio logo a público fundamentar uma defesa para a prática do Benfica. Com falácia e mentiras, pois todos sabem que as diretrizes da UEFA, nomeadamente no artigo dos tais 200 francos, dizem apenas referência às competições europeias, não ao campeonato português. De qualquer forma, notou-se bem cedo o pânico da APAF em tentar fundamentar uma defesa do Benfica, que não existe nem nunca existiu, motivo pelo qual o Benfica permanece desde o primeiro instante calado.

Como não pode desmentir as acusações de que é alvo, é hora de desviar as atenções para outro lado, sobretudo após a derrota com o Sporting. O Benfica precisa mais do que nunca de Vítor Pereira e de passar entre os pingos da chuva, motivo pelo qual usa hoje o CM para atacar por duas vias: primeiro, os roupões que o FC Porto colocou à disposição de Soares Dias. Os clubes colocam toalhas e material de banho à disposição dos árbitros no balneário (se calhar o Benfica deixa-os passearem-se nus no balneário, não sabemos), não há espanto absolutamente nenhum - se personalizam o roupão, é normal, pois todas as camisolas e peças de vestuário do FC Porto são personalizadas; o FC Porto personaliza material para utilizar nas instalações do clube, no dia de jogo, não distribui cupões para irem jantar fora quando quiserem ou cede presentes que não têm referência absolutamente nenhuma ao jogo que o árbitro apitou. Mas se o CM descobre que o FC Porto cede água quente aos árbitros, aí sim o escândalo rebenta. Depois, uma bicada a Pedro Proença, candidato à liga apoiado por FC Porto e Sporting. O Benfica queria Luís Duque.

Então, agora reparem bem na reação de Fontelas Gomes, da APAF, à notícia sobre o FC Porto. «Nem sei se isso é um brinde, se o árbitro o tem, mas espero que se faça tudo de forma clara, que a Liga e a federação digam o que é ou não permitido, que se faça tudo de forma clara para não se andar neste clima». Eis a diferença: quando se soube das práticas ilícitas do Benfica, Fontelas Gomes deu-se ao trabalho de fundamentar uma desculpa, recorrendo a informações falsas; agora, em relação ao FC Porto, onde se desconhece toda e qualquer ilegalidade, desafia a Liga e a Federação a investigarem o tema. Uma diferença de tratamento que devia voltar a envergonhar uma das instâncias do futebol português, neste caso a APAF e quem a preside.

Continuando. Depois do apelo aqui feito, as palavras de Jorge Jesus no Sporting x Estoril já estão, pelo menos, na ordem do dia. E que grande eficiência a do Conselho de Arbitragem, que foi extremamente rápido a reagir. Quando comparado com o tratamento a toda a Liga Aliança que fez do Benfica bicampeão, é para rir. E para rir foi também a suposta reação do Sporting citada pelo CM.

A impunidade acabou
«Todos nós sabemos coisas do passado, mas este vídeo só está a ser valorizado para esconder o escândalo dos órgãos jurisdicionais da Federação Portuguesa de Futebol e do Ministério Público não terem feito o que quer que seja para esclarecer os 112 jantares dos ‘vouchers’ que o Benfica ofereceu aos árbitros. É preciso também não esquecer as acusações feitas pelo ex-árbitro Marco Ferreira sobre os telefonemas de Vítor Pereira [presidente do Conselho de Arbitragem da FPF] antes dos jogos do Benfica. Estas situações é que são graves». Não sabemos de que boca, se antes ou depois de almoço, saiu esta reação. Mas é de facto hilariante. Então estão a querer «esconder o escândalo» com algo que, pelo contrário, até contribui para o próprio escândalo!? Francamente, Sporting (?).

Estas declarações de Jorge Jesus não desviam atenções das suspeitas sobre o Benfica. Pelo contrário, aumentam! Depois de tudo aquilo que já se sabe, agora Jorge Jesus diz que «sabe de coisas do ano passado». O Sporting apressou-se a demarcar-se disso porque sabe que agora o seu treinador também incorre em risco de suspensão. Afinal Jorge Jesus está a incorrer na violação do artigo 66º do Regulamento Disciplinar, ao pressionar um árbitro com coisas que ele sabe. Se aconteceram ou não no Benfica, neste caso é irrelevante, pois Jorge Jesus está a usá-las para pressionar um árbitro na condição de treinador do Sporting.

Ainda assim o mais grave é a suspeita que se verifica sobre o passado recente do Benfica, que tocou tanto na ferida que numa tentativa desesperada lá se atiraram aos roupões, a Soares Dias e a Pedro Proença. Mas Jorge Jesus - que tem que ser chamado a dar explicações nas instâncias oficiais - voltou a tocar na ferida, mostrando que não tem problemas tocar nos podres dos últimos 6 anos para ajudá-lo a ganhar este ano. Mesmo sabendo que quanto mais falar, mais desvaloriza o seu trabalho, a sua competência e magoa o seu ego, ele que acredita que foi mesmo sobretudo graças a si que o Benfica ganhou 3 campeonatos em 6 anos - Jesualdo Ferreira fez 3 em 3 no FC Porto, indo sempre aos 1/8 da Champions. No big deal

Mas como estamos a falar de Jorge Ferreira, vamos recordar o que se escreveu aqui desse árbitro em fevereiro, depois do Moreirense x Benfica.
Jorge Ferreira merece atenção, o cidadão que expulsou Maicon no Dragão. Que tenha um critério disciplinar apertadíssimo, tudo bem, está no seu direito. Desde que o siga e aplique a todos os clubes, nenhum problema. Na verdade é o árbitro que mais jogadores expulsa em Portugal: são já 20. Mas no meio desses cartões todos, o único que expulsou na primeira parte por uma falta a meio-campo foi Maicon e o único por protestos foi André Simões. O Benfica é denominador comum quanto ao benefício.
E agora vamos a uma coincidência maravilhosa: em jogos arbitrados por Jorge Ferreira, o Benfica ganhou sempre. E nos últimos 3 jogos, acabou todos a jogar contra 10 e ganha com erros graves em todos. 
Na época passada, num Belenenses x Benfica, Fredy é expulso e o Belenenses perdeu 1x0. Aconteceu isto:

E já esta época, Marinho foi expulso contra a Académica já com o jogo decidido, mas antes acontece isto em Coimbra:
Como não se pode atribuir o (de)mérito todo a Jorge Ferreira, os auxiliares Inácio Pereira e Jorge Oliveira em caso de duvida não tiveram dúvidas: beneficiar a equipa que ataca o Benfica. Mas para a história fica que o Benfica venceu 100% dos jogos arbitrados por Jorge Ferreira, enquanto o FC Porto só venceu metade deles. Cada jogo é um jogo, mas no que toca ao rival cada jogo tem tido muito em comum.
Agora o FC Porto está em Israel para lutar por mais 3 pontos e abrir a porta dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Que Lopetegui e os jogadores consigam superar-se, pois uma vez mais não vemos o FC Porto, a nível diretivo, muito interessado em pressionar as instâncias do futebol português a reagir a todas estas suspeitas, exigindo justiça pela forma como nos afastaram do título em 2014-15. Mas vá, culpam-se os pontos que o FC Porto perdeu na Madeira e nos clássicos em vez da quinzena de pontos que o rival ganhou de forma ilícita. A Liga Aliança agradece esse pensamento. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Que sabes tu, Jesus?

Quando terminou o último Benfica x FC Porto, todos os caminhos foram dar à boca de Lopetegui. Todos queriam saber o que ele disse a Jorge Jesus, tanto que o MaisFutebol e a TVI até chegaram ao ponto de recorrer a um especialista em leitura labial e à Associação Portuguesa de Surdos. Lá se chegou à conclusão da história do puñetazo

Já que inauguraram a possibilidade de utilizar leitura dos lábios no futebol português, então façam o jeitinho e tentem lá descobrir o que disse Jorge Jesus a Daniel Cardoso durante o Sporting x Estoril. O vídeo partilhado pelo +FC Porto no Facebook sugere as seguintes palavras: «Eu conheço-o. Eu sei muita coisa, atenção. Eu sei muita coisa do ano passado. Beemmmm».


Ora, como aqui não há nenhum especialista em leitura labial, sugerimos que quem quis perceber o que disse Lopetegui tenha agora todo o interesse em confirmar o que disse Jorge Jesus. É que se se confirmarem as palavras acima, bem podem ser interpretadas como pressão à equipa de arbitragem, não se sabe se ao árbitro Jorge Ferreira ou aos seus assistentes - um deles cometeu a proeza e não assinalar um penalty e de assinalar outro que não o devia ser.

E o Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional é muito claro no que toca ao artigo 66º, de pressão ou coação sobre equipas de arbitragem.


Que sabes tu, Jorge Jesus? Que sabes tu que há um ano era silêncio e esta época serve como arma de pressão? Deixem falar Jorge Jesus. E já agora, será que a equipa de arbitragem mencionou as palavras do treinador do Sporting no seu relatório de jogo? Vítor Pereira, faça lá um telefonema. Não espere pelas vésperas do Benfica x Boavista.