sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Caro Julen,

Nada é mais volátil do que o mundo do futebol. Há menos de duas semanas, após a primeira vez em que foste líder isolado em Portugal, Pinto da Costa não hesitou em vir a público afirmar que os assobios te davam sorte. Dar a cara nas vitórias é fácil, nas derrotas nem tanto. Passadas duas jornadas que se traduziram numa perda de 5 pontos, era necessário tomar uma decisão. A SAD, na palavra do seu presidente, o único que ainda te segurava, optou pelo mais fácil.

A situação tornou-se insustentável. Não eras o maior dos problemas do FC Porto, mas também não estavas a conseguir ser solução. Era necessário mudar alguma coisa. A equipa estava numa espiral regressiva da qual não dava sinais de conseguir sair. Numa jornada prometes que vamos ser campeões, na outra empatas com o Rio Ave e és convidado a sair. Num jogo tudo muda. 

Os treinadores espanhóis estão destinados a não serem os mais felizes no futebol português. Sais estando a 4 pontos da liderança. O teu compatriota Víctor Fernández saiu quando estava empatado com o Sporting no 1º lugar, e já tinha no bolso uma Supertaça, uma Taça Intercontinental e o apuramento para os 1/8 da Champions.

Pinto da Costa tinha que assumir uma decisão, pois as paredes começavam a ficar curtas. De rajada, vemos de um lado Vítor Baía lançar a cana sobre a candidatura à presidência do FC Porto; e António Oliveira, sem que ninguém lhe tivesse perguntado nada (é que nem um jornal falou nessa possibilidade), decide mandar um comunicado a todas as redações, só mesmo para lembrar «olá, estou aqui». 

Os adeptos, na sua generalidade, já não te queriam. Os jogadores, salvo algumas exceções de peso, também não te queriam. O staff técnico do Olival não te queria. O Conselho de Administração não te queria. E Pinto da Costa deixou de te querer. Não havia como continuar, Julen. Mas há coisas que a história de uma passagem pelo FC Porto sem títulos (desde Couceiro que não acontecia - Luís Castro é um caso à parte, que nunca na vida pode ser repetido!) não podem apagar.

Para começar, o FC Porto isola-te como responsável único do mau momento da equipa. Ninguém veio a público falar, ninguém deu a cara. A SAD demite-te ainda antes de saber sequer quem poderá ser o teu sucessor. Se um treinador português, se uma velha raposa mais experimentada, se alguém que conheça a casa. Isso significa que o FC Porto acha que o melhor é saíres já, e depois logo se vê. Vamos ao Bessa com o nosso Rui Barros, um grande portista mas sem a fibra de treinador principal. Pelo menos, vamos ao Bessa com um capital de apoio dos adeptos do FC Porto, coisa que contigo não seria possível.

Não é nada contra ti, Julen, pois o próximo treinador, ao fim de três ou quatro maus resultados, também fica com o pescoço na guilhotina. O FC Porto tem-se habituado a dar mais valor a treinadores depois de eles saírem do que enquanto cá estavam, como são exemplos Jesualdo Ferreira, Vítor Pereira ou até Paulo Fonseca. Não sei se será o teu caso, mas há méritos que ninguém te retira.

Começando pelo princípio. Chegaste e ajudaste a reabilitar competitivamente um clube que vinha de uma época miserável e uma SAD que apresentou o maior prejuízo da sua história. Algo ninguém pode negar: és um excelente manager, telefonista, diretor desportivo. Soubeste convencer a vir para o FC Porto quem, sem a tua intervenção, não viria. E até convencerias a vir quem o FC Porto não conseguiria pagar.

A tua primeira vitória no FC Porto é desconhecida à maioria dos adeptos, mas merece realce: o bate pé às contratações comissionistas, cuja lógica ia muito além do campo desportivo - ou não chegava sequer ao campo desportivo. Podemos falar claramente de Sami. Perguntaste, e bem, por que é que a SAD tinha dinheiro para contratar quem tu não precisavas e não para contratar quem te daria jeito. Podias ter feito o mais fácil: aceitavas o Sami e deixavas muitas famílias felizes, até o ex-cunhado. Mas não. Deixaste claro que tu é que escolhias quem jogava e quem faria o plantel. E muito bem.

Confesso que não percebi algumas contratações tuas. Porquê o Campaña ou o Andrés, por exemplo? Ainda assim, os nomes em quem falhaste saíram bem mais em conta do que todos aqueles em que a SAD tem falhado nos últimos anos.

Dizem que não sabes aproveitar o plantel que o FC Porto tem à disposição. Não concordo. É verdade que tinhas, e tens, obrigação de fazer muito melhor com o que tens. Mas estás longe de ter o melhor plantel em mãos. E se no ano passado o FC Porto tinha um plantel muito melhor, é também teu mérito.

Jackson, Danilo e Alex Sandro já eram matéria-prima de elite, mas foi após uma época contigo que saíram deixando 92,5M€ na Invicta. Com um guarda-redes sempre contestado (Fabiano) e sem ter uma grande dupla de centrais, conseguiste ter a melhor defesa de toda a Europa na época 2014-15. Ganhaste 20 jogos consecutivos no Estádio do Dragão, coisa que não voltaremos a ver nos próximos anos. 

Lançaste o Rúben Neves, que se não fosses tu iria iniciar a época nos sub-19, e sabe lá Deus onde estaria a (não) ser manifestado o seu talento por esta altura. Pegaste num miúdo, Óliver, e num sarrafeiro, Casemiro, e tornaste-os jogadores de equipa grande na liga espanhola. Meteste Herrera e Brahimi a brilharem ao mais alto nível na Champions. Meteste o Tello a marcar e a assistir como nunca em 2014-15. E até fizeste do Quaresma o jogador que nunca foi coletivamente.

Optaste por deixar sair o Quaresma, e bem, pois os adeptos não imaginam o que é ter um balneário com vedetas. Depois seguiu-se uma série de saídas importantíssimas. É verdade que o FC Porto vende 2 ou 3 titulares por época - e foi isso que aconteceu. Saíram Alex, Danilo e Jackson. Óliver e Casemiro não eram nossos e nunca haveria dinheiro para os ter. Logo, acabou por acontecer o normal, que é perder os tais dois ou três jogadores do clube em vendas milionárias. Mas aconteceu o que é normal na gestão da SAD: venda de dois ou três ativos; não aconteceu o que é normal na gestão de um treinador: perda de cinco ou seis titulares.

Uma coisa chocante é a tua revelação de que achavas que a SAD ia aplicar o dinheiro em novas contratações. Das duas, uma: ou ninguém te explicou como funciona a SAD do FC Porto, ou estavas com muita, mesmo muita ilusión. Qualquer uma é grave, mas não pá para acreditar que a SAD não te tenha explicado que não havia tusto para reforços, exceção feita a parcerias com fundos. Por outro lado, sempre questionaste, e bem, como é que havia dinheiro para tantas coisas e não para a maior prioridade: reforçar o plantel. O plantel principal deixou de ser a porta de entrada de contratações que não serviam propósitos desportivos - em compensação, na equipa B e nas camadas jovens dispararam.

O que foi a época 2014-15 desportivamente? Fizeste uma brilhante Champions. Ajudaste a apurar o FC Porto a frio e fizeste 11 jogos consecutivos sem perder na Liga dos Campeões - hão-de passar muitos anos até um treinador de um clube português voltar a fazê-lo. O desastre de Munique foi próprio de quem não tinha laterais suplentes inscritos na UEFA. Aos 75 minutos ainda estávamos a discutir o apuramento para as meias-finais com uma equipa muitíssimo superior a nós.

É verdade, inventaste na Taça de Portugal. Subestimaste o Sporting, e partir daí muitos adeptos ficaram com o pé atrás - e nunca mais o tiraram do sítio. Mas também foi um dos muitos jogos em que foste pé frio. Penaltys falhados, ineficácia a atacar, erros individuais a defender. Detalhes, detalhes e mais detalhes. Mas o detalhes foram-se acumulando e deixaram de ser detalhes para passarem a ter tendência. Foram demasiados jogos em que o FC Porto foi incapaz de dar a volta a uma desvantagem no marcador - apenas uma reviravolta em ano e meio.

No campeonato, ainda assim, fizeste 82 pontos. Tantos como o Mourinho em 2004, mais do que o Co Adriaanse e em três épocas do ciclo do penta. Para aquilo que eras - um treinador sem experiência a nível de clubes na luta por títulos, coisa que muitos pareciam esquecer que eras: inexperiente -, foi bem razoável. Tiveste, aliás, a segunda melhor defesa de sempre num campeonato a 34 jornadas. Podias, e devias, ter sido campeão. Mas os adeptos deixaram-se iludir pela máquina de propaganda que visava lavar o roubo que foi a forma como o Benfica tirou o campeonato ao FC Porto.

Só tu, sozinho, te insurgiste contra isso. Contra-atacaste sozinho, perante tudo e todos. O Jesus, o Manuel José e o Gomes da Silva. Atacaste as arbitragens tendenciosas, as nomeações e a comunicação social que desprezava tudo o que de bom o FC Porto conseguisse. Não é um problema, é tradição. Mas os adeptos deixaram-se levar pela própria propaganda encarnada - e o problema foi esse.

Pinto da Costa elogiou mais vezes publicamente um treinador que só era líder do campeonato devido ao colinho do que defendeu o FC Porto. Tudo calado, tudo no canto. O Benfica ganhou um campeonato da forma mais ilícita de que há memória e ninguém na SAD do FC Porto protestou. Porquê? Por indiferença? Por não ter moral para o fazer? Por outras razões? Não sabemos qual, e também não sabemos qual será a mais grave.

Temos uma SAD paga a peso de ouro. Reinaldo Teles, Adelino Caldeira e Fernando Gomes têm remuneração fixa anual de 287 mil euros, mas nunca saíram a público para defender o FC Porto. Podem alegar que é o presidente que o tem que fazer, mas não há mais ninguém na SAD? Não podem dar a cara pelo FC Porto? É verdade que por vezes, nomeadamente nas intervenções de Fernando Gomes, sai uma mescla que torna o silêncio ouro. E Antero Henrique, o «homem forte do futebol», porque é que só dá entrevistas a jornais estrangeiros a falar sobre o «modelo» e «a estrutura»?

O FC Porto foi atacado por inúmeras frentes em 2014-15, numa época em que muitos queriam que fosse o funeral do clube, depois do desastre que foi 2013-14. Lopetegui defendeu o clube sozinho. Ajudou a manter a SAD de pé. Depois de Lopetegui tanto ter defendido o FC Porto, seria altura de defender Lopetegui. A SAD nunca o fez.

Tu querias ganhar no FC Porto, sei que sim. Em condições normais, já terias ganhado em 2014-15. Esta época não conseguiste segurar o leme, reconheço. Há jogadores que não ajudam, mas não há treinador que passe pelo FC Porto sem ter problemas no balneário - muitos estão de passagem e não pensam na próxima vitória, só pensam no próximo milhão. Há quem diga que és convicto, como um treinador do FC Porto tem que ser. Mas muitas vezes foste casmurro e inflexível, que é algo que dificilmente serás no teu próximo clube. 

Os próprios jogadores sabem jogar com a instabilidade do treinador. Um jogador que sabe que o treinador não é apreciado pelos adeptos, e nem sequer pela própria SAD, é um jogador que sabe que o treinador já não é a voz autoritária inquestionável. Perdeste o balneário também por isso. Quiseste ser punho de ferro quando muitos jogadores sabiam que estavas a prazo. Um treinador só consegue triunfar no FC Porto enquanto tem apoio. Quando deixa de o ter, perde tudo.

Chega a hora de seguir caminhos separados. O FC Porto vai voltar a vencer sem ti. E tu hás-de vencer sem o FC Porto. Como tem sido apanágio nos últimos anos, o tempo confirmará se as culpas se podiam, ou não, resumir ao treinador.

Boa sorte, Julen. E força, FC Porto. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Lugar à disposição

A Wikipédia diz isto sobre a Lei de Murphy: «Lei de Murphy é um adágio ou epigrama da cultura ocidental que normalmente é citada como: 'Qualquer coisa que possa correr mal, ocorrerá mal, no pior momento possível.'» Por outras palavras, a Lei de Murphy está a tornar-se numa espécie de Lei do FC Porto 2015-16. 

Vão cada vez mais longe os tempos em que o FC Porto de Lopetegui não dava hipóteses a jogar no Dragão. Foram 20 vitórias consecutivas, sofrendo pouquíssimos golos. Mas seguiram-se empates com Braga e o Rio Ave, derrotas com Dynamo Kiev e Marítimo, resultados altamente penalizadores para três competições diferentes: no campeonato foram 4 pontos, com o Dynamo o adeus à Champions e o Marítimo também o adeus à Taça da Liga.

Podemos queixar-nos de muita coisa. Bola no poste, penalty por marcar, grande exibição do Cássio, o golo fortuito do Rio Ave (se bem que também só marcámos num lance que sofre um desvio)... Mas isto não são só os azares de um jogo: são os azares de já muitos jogos esta época. O FC Porto não deixou de atacar até ao último minuto, tentou, mas não foi suficiente. Continua a não ser suficiente.

Lopetegui já deixou ser o principal foco de contestação. Porquê? Porque as suas declarações foram altamente sugestivas: lugar à disposição. «Sou o máximo responsável por tudo o que de mal acontece.» «Todos temos que melhorar e o primeiro sou eu.» «O presidente sabe que não sou um problema.»

Lopetegui assumiu, nestas frases, responsabilidades pelo mau momento (e diz, e bem, que no FC Porto as derrotas são sempre culpa dos treinadores, mas as vitórias raramente são seu mérito). E se diz que Pinto da Costa sabe que ele não será um problema, é porque já manifestou junto do presidente que aceitará a saída se for essa a sua vontade.

Faz lembrar o caso de Paulo Fonseca. Quando o FC Porto perdeu em Coimbra, Paulo Fonseca não colocou, tecnicamente, o lugar à disposição, mas disse a Pinto da Costa que se fosse ele o problema saíria sem problemas. O presidente do FC Porto disse que nem iria ter aquela conversa. Só três meses depois, depois da derrota em casa com o Estoril, é que Paulo Fonseca formalizou a colocação do lugar à disposição. E nem assim Pinto da Costa deixou-o sair: só o fez ao terceiro pedido.

Lopetegui não está a aproveitar ao máximo o que tem, mas o que tem é um plantel inferior ao do ano passado, e nem de perto um dos melhores que o FC Porto já teve. Que se desfaça esse mito. Na época passada Lopetegui esteve associado à valorização de muitos jogadores (lançou Rúben, Danilo, Jackson e Alex Sandro saíram por 92,5M€, Casemiro e Óliver evoluíram imenso, Brahimi, Herrera e Tello fizeram a sua melhor época de seniores), mas também porque a matéria-prima era bem melhor.

Lopetegui não pode simplesmente dizer «demito-me» porque Pinto da Costa confiou nele. Isso seria trair a confiança do presidente do FC Porto, que se mantém Lopetegui no cargo é porque quer. Lopetegui passou para o mapa dos treinadores europeus graças à aposta de Pinto da Costa. Tem contrato, tem treino para dar hoje. Não pode desistir. Mas pode e deve (e fê-lo) colocar Pinto da Costa à vontade para mudar de decisão se assim o desejar.

Que Pinto da Costa assuma rapidamente o que pretende fazer. Aliás, pagar 3 anos de contrato de Lopetegui custa menos do que falhar o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões 2016-17... Foi Pinto da Costa quem disse «quando tenho Hulk, Falcao e James na equipa o técnico é-me indiferente». Pois, mas não temos um Hulk, nem um Falcao, nem um James. O treinador não pode ser indiferente. 

Se é para manter, que se mantenha, até porque contam-se pelos dedos as mudanças de treinador a meio da época que deram títulos a algum clube. Mas chega de se esconderem e enviarem recados através de massa adepta ou meios de comunicação. Pinto da Costa, Antero Henrique e restante Conselho de Administração: deem a cara, pois Lopetegui, mais do que a cara, já está é com o corpo todo baleado na praça pública. Falar na hora das vitórias, dos títulos e das transferências milionárias é muito bonito, mas ninguém além do treinador surge na hora das derrotas. Não esperem enquanto os adeptos desesperam.





Com boa vontade (+/-) - O FC Porto tentou. 55 ataques, 24 remates, 18 cantos. Uma bola no poste, um penalty por marcar sobre Brahimi (já alguém se insurgiu contra a arbitragem?), e Cássio esteve num daqueles dias. Houve quem tentasse, embora aquela célebre expressão de fazer a cama/folha ao treinador vá-se encaixando cada vez melhor por aqui e por ali. Maxi lutou ao último suspiro. André André batalhou e tentou empurrar a equipa como pôde. Herrera marcou e tentou dar ao meio-campo a velocidade que não tem. Pouco mais. Muito pouco.

Adeptos (+) - Assim sim. Equipa sob enorme pressão e contestação a ser recebida com apoio. Durante o jogo, 90 minutos de constante apoio e cânticos a puxar pela equipa, inclusive a abafar os assobios daqueles que foram ao estádio para protestar e ajudar o Rio Ave a enervar o FC Porto. No final do jogo, não havia motivos para estarem satisfeitos. E aí assim, assobios e manifestações de insatisfação. Assim é que deve ser: apoiar durante, criticar ou não depois.







Desnorte total (-) - Uma coisa é tentar - o FC Porto tentou. Outra é jogar sob desnorte total e sem qualquer fio de jogo que fizesse sentido: foi o que o FC Porto fez. Bola no flanco, bola para a área. Bola no flanco, bola para a área. Nenhum jogador do FC Porto conseguiu ganhar uma única bola de cabeça aos jogadores do Rio Ave. Porquê? Porque o Rio Ave tinha jogadores muito mais fortes no jogo aéreo! E o FC Porto insistiu, insistiu, insistiu, à espera de um milagre. Era Aboubakar quem ia ganhar uma bola de cabeça a Marcelo? Era Herrera que ia ganhar a Roderick? O Rio Ave tinha jogadores mais altos e fortes no jogo áereo, e tinha sempre a grande área povoada; o FC Porto não tinha nenhum jogador na grande área que fosse forte na disputa de bolas no jogo aéreo. E ainda assim, a equipa cruzou, cruzou e cruzou à espera de um milagre. Absurdo.

Sem ideias (-) - Há um lance de construção do FC Porto que fica na retina. Danilo começa a construção à frente dos centrais. A bola não entra no meio-campo do Rio Ave, então recua André André. A bola não entrou, então vai Herrera à frente dos centrais. No espaço de meio minuto, o FC Porto mete os seus três médios no início de construção, pois não sabia como é que havia de ultrapassar a primeira linha do Rio Ave. Não se vê disto em nenhuma equipa grande: uma equipa que não sabe o que fazer, ou que simplesmente não quer fazer nada do que Lopetegui pede. A limitação do futebol praticado também não conhece evolução: Herrera fazia variações arriscadas, de 30 a 40 metros, para meter a bola no corredor aposto. Quem a recebia, em vez de atacar, fazia recuar e circular a bola até que ela voltasse a Herrera. Brahimi, Corona e Aboubakar estiveram sempre escondidos do jogo, porque o jogo do FC Porto não manifesta ninguém.

Anjinhos! (-) - Não dá para acreditar: a primeira falta do Rio Ave acontece apenas ao minuto 32. E o primeiro cartão visto pelo Rio Ave aconteceu aos 90 minutos. Não quer dizer que a equipa de Pedro Martins (o melhor treinador português sem experiência de grande) seja impecável no desarme. Não, o FC Porto é que atacava com tanta força como um bater de asas de uma borboleta. Lentos, passivos, incapazes de um rasgo em velocidade. O Rio Ave nem teve que defender com uma pinta de agressividade porque o FC Porto não obrigava a isso. O Rio Ave só tinha que manter posição, com duas linhas, e esperar. Os jogadores do FC Porto não assustavam minimamente os do Rio Ave. Pior, Lopetegui sempre pareceu mais preocupado com a marcação a Ukra do que Pedro Martins com a marcação a Brahimi e Corona. Hoje em dia qualquer equipa que vá ao Dragão sabe que pode pontuar. Os adversários já não temem o FC Porto. Lopetegui grita, esbraceja e acaba sempre da mesma maneira: sentado no banco, com as mãos na cabeça. Das duas, uma: ou a mensagem não passa, ou os jogadores já se estão a cagar para a mensagem do treinador.

Por isso, que se faça ouvir a mensagem do presidente e da SAD.


PS: No espaço de duas semanas, o DN consegue proclamar dois campeões de inverno. É obra.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Regra ou exceção

A pontuação do FC Porto à 15ª jornada desde 1995. Fonte: ZeroZero
Conforme se vê nas épocas assinaladas a azul, desde que a vitória no campeonato vale três pontos, sempre que o FC Porto chegou à 15ª jornada com 35 ou mais pontos foi campeão (em 11 épocas, 11 títulos).

À 15.ª jornada de 2015-16, temos 36. Podemos confirmar a regra ou a exceção.

Preferimos lutar para confirmar a regra.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quem vai ser o treinador do FC Porto em abril?

Está tudo a ser preparado para Pinto da Costa recandidatar-se à presidência do FC Porto - a recolha de assinaturas termina em março, um mês antes da convocatória para eleições. Será o 14º mandato do presidente, extensível até 2020 - altura em que Pinto da Costa irá fazer 83 anos.

Por norma, quando há um candidato à presidência de um clube, esse candidato apresenta um treinador como bandeira eleitoral. Afinal, não é possível imaginar um projeto desportivo sem pensar no treinador - só uma mente aburguesada pode pensar que o treinador é um apêndice que só serve para dar a cara nas derrotas, enquanto na hora das vitórias os louros vão para a estrutura.

Portanto, a pergunta que os portistas devem colocar é esta: quem é o treinador em que Pinto da Costa pensa para o período 2016-2020? Todos sabemos que na gestão de Pinto da Costa os treinadores entram e saem, e dificilmente ficam mais do que três a quatro anos. Por outro lado, tudo tem um fim. Sobretudo o passado.

A aposta em Lopetegui
Não devemos eleger Pinto da Costa por aqui que fez no passado. Devemos elegê-lo por aquilo que pensa fazer no presente e no futuro. Há que apresentar um programa para o 14º mandato, em vez de apresentar apenas um currículo. Não chega o chavão «o objetivo do FC Porto é sempre o mesmo: ganhar». 

Pinto da Costa é um presidente único no futebol mundial. Não só por tudo o que conquistou com o FC Porto, mas por ser o único que pode falhar com 10 treinadores consecutivos, e ainda assim a maioria da massa adepta criticará sobretudo os treinadores, nunca o presidente.

Dos últimos 4 treinadores escolhidos para a equipa principal, todos foram criticados a determinada altura pela massa adepta. Mas Pinto da Costa, em todos os anos que leva de FC Porto, nunca demitiu um treinador por protestos dos adeptos. Não é agora que o vai fazer.

Pinto da Costa só demite um treinador quando acha que este deixa de ter condições para cumprir os objetivos do FC Porto. E por vezes, até quando os treinadores sentem que já não têm condições para o fazer, é o próprio Pinto da Costa quem os segura, como foi exemplo Paulo Fonseca.

Por outro lado, não fará muito sentido reeleger Pinto da Costa mantendo um treinador altamente contestado. Da mesma forma em que não fará sentido reeleger uma direção que passado um mês vai trocar de treinador, pois é suposto o treinador ser o rosto de um projeto. Isso seria o mesmo que dizer que a SAD é mais importante do que o treinador. E se assim é, então não temos que pedir responsabilidades por maus resultados a Lopetegui (ou a qualquer outro treinador), mas sim à SAD.

Se é só Lopetegui quem está a dar a cara perante os maus resultados (é obrigado a isso, na medida em que é obrigado a ir às conferências de imprensa), então não digam que o mais importante é a estrutura. Pinto da Costa tem que falar. Se não fala, que fale Antero Henrique, há anos sem se dirigir aos sócios do FC Porto publicamente. O FC Porto tem que falar a uma só voz, mas não tem que estar limitado às intervenções de uma só pessoa.

Quem vai ser o treinador do FC Porto em abril? Por vezes é preciso muito mais do que um contrato para o dizer. Lopetegui assinou por 3 anos, tem contrato, tudo bem. Mas Pinto da Costa foi reeleito, no 13º mandato, até 2016 - e mesmo assim Pinto da Costa assumiu a contratação de Lopetegui até 2017. Pinto da Costa confiou em Lopetegui para além do período em que os sócios confiaram a presidência do FC Porto a Pinto da Costa.

Ou seja, ou Pinto da Costa dava por garantido que ia continuar na presidência do FC Porto para além de 2016, ou então Lopetegui foi mais do que uma aposta pessoal: foi uma aposta que ele fez para o FC Porto, indo além da ligação contratual de Pinto da Costa à presidência do FC Porto. Assim sendo, não basta que Lopetegui tenha contrato.

É preciso que Pinto da Costa clarifique, de forma muito clara, o presente e futuro de Lopetegui no FC Porto. E não convém esperar pelo fim de março para o fazer.

PS: Repetindo um PS anterior: O Tribunal do Dragão assume-se, desde o primeiro dia, como um espaço de «defesa, crítica e análise ao FC Porto». Tudo é passível de ser defendido, tudo é passível de ser criticado, tudo é analisado. Lopetegui é defendido, criticado e analisado. Depois do jogo com o Rio Ave, quarta-feira, cá estaremos para realçar o positivo e o negativo. Como sempre.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Uma derrota (demasiado) normal

Um detalhe transformou um jogo que prometia ser equilibrado num jogo em que se viu 11 gajos (a palavra jogadores não faz justiça a todos) contra uma equipa. Jorge Jesus e Lopetegui disseram-lo e bem no fim do jogo: a equipa que marcasse primeiro teria uma enorme vantagem. Marcou o Sporting e o FC Porto não conseguiu nunca sequer chegar perto do empate - exceção ao remate de Aboubakar para a mancha de Rui Patrício, já depois do 1x0, o FC Porto não cria uma única boa situação para empatar. Tinha uma hora para o fazer, não o fez, e perdeu bem.

A visita a Alvalade era, teoricamente, a mais difícil das 34 etapas que o FC Porto tem que percorrer no campeonato. Não é por se perder em Alvalade que se perde o título, desde 2000 só dois campeonatos coincidiram com vitórias em Alvalade. E se estamos a defrontar o Sporting com maior investimento e argumentos a nível interno dos últimos anos, o grau de dificuldade sobe forçosamente. Foram 34 jornadas consecutivas sem conhecer o sabor da derrota, que chega no jogo em que mais probabilidades havia de isso acontecer. Se havia jogo para se perder a invencibilidade no campeonato, o mais provável era ser neste.

Vem aí um ciclo difícil: 8 jogos fora de casa nos próximos 11. Dependemos de nós próprios para cumprir os objetivos e chegar ao título. Só não será a jogar como ontem que o vamos conseguir. 





Danilo Pereira (+/-) - Também não ficou bem entre a paragem cerebral da defesa no lance do 1x0 e até no 2x0 mostrou passividade (já lá vamos), mas foi o único médio a exibir-se a bom nível e o único a conseguir impor-se em todos os momentos do jogo. Com o meio-campo do FC Porto raso em criatividade, foi o único a conseguir meter duas bolas em Aboubakar, que falhou isolado em ambos os casos. Lutou como pôde e enquanto pôde.

Brahimi (+/-) - Será possível censurar Brahimi por não passar a bola se a equipa não conseguia fazer absolutamente nada coletivamente? É negativo pois espelha uma equipa que não estava bem preparada para se impor coletivamente em Alvalade. Mas Brahimi, apesar de tudo, ainda foi quem mais tentou. Quatro remates, acertou 8 das 11 jogadas individuais que assumiu (embora no momento de decisão nunca tenha colocado um colega em zona de finalização) e fez provavelmente o melhor jogo no que toca à reação à perda de bola: 10 recuperações. Mais do que os próprios médios do FC Porto. Pequena nota positiva também para Corona.





Erros de distrital (-) - Privei várias vezes com um treinador que preparava assim a marcação à zona: «Quando estás a defender tens que ter um olho no adversário, um olho na bola e outro olho nos teus colegas. Se só tens dois olhos desemerda-te, usa o olho do cu, tens que controlar as três coisas». Indi tirou por momento os olhos de Slimani e deu, claro está, merda. Era impossível o FC Porto não estar prevenido para o perigo que era a redondinha ir parar à cabeça de Slimani. Uma desconcentração de Indi que depois nem Danilo nem Layún, em marcação à zona (se um falha, outro tem que assumir a dobra, senão falham todos) e sem nenhum oponente direto, conseguiram emendar. Esta falha de marcação mudou o jogo.

O lance do 2x0 curiosamente envolve os dois jogadores do FC Porto que melhor estiveram na partida, Brahimi e Danilo Pereira. Isto é um lance em que só há uma coisa: displicência e falta de empenho. Brahimi perde a bola em lance individual e permite o contra-ataque. Depois vê-se Danilo, já esgotado, e o recém-entrado André André a irem quase a passo atrás de Bryan Ruiz (quem nem é dos mais rápidos do Sporting), que tinha uma auto-estrada à sua frente e já tinha o espaço para meter a bola entre Maicon e Maxi. Ninguém foi capaz de um sprint para matar a jogada. Inaceitável.

Setores desligados (-) - O FC Porto quis dominar o jogo em Alvalade, sempre com futebol apoiado, mas nada disso funcionou. Corona e Brahimi ficaram quase sempre entregues ao lance individual, pois Maxi e Layún poucas vezes subiam. Herrera nunca fez bem o apoio entre linhas. Rúben Neves nunca pareceu entender que posição ocupar e chocou não raras vezes com Danilo. Aboubakar esteve quase sempre forçado a vir apoiar os médios, e depois desperdiçou as duas ocasiões que teve. A sua substituição, ao lançar André Silva às feras, pode muito bem sugerir que Lopetegui perdeu a paciência com ele (até porque o problema não estava no ataque, estava na incapacidade em fazer chegar a bola ao ataque). Pior foi, sobretudo na segunda parte, a insistência em chegar à linha de meio-campo e arriscar logo o passe longo para as alas. Tornou-se demasiado previsível. Pior. O FC Porto chegou ao intervalo com 48% de posse de bola. Acabou com 55%. Tendo mais bola, acabou por não criar nem uma única ocasião. Ninguém se pode queixar de perder assim.

Subrendimento geral (-) - Maxi e Layún fizeram dos seus piores jogos: o primeiro fez a falta do 1x0 e deixou Slimani fugir nas suas costas no segundo; já Layún só se viu a bater - e nada bem - as bolas paradas. Maicon fez um jogo altamente sofrível - hoje em dia parece que os adeptos já não têm apreço por nenhum dos centrais do FC Porto, o que torna impossível formar uma dupla titular que seja incontestável. Rúben Neves esteve de facto muito abaixo do habitual, quer no passe, quer no posicionamento. Herrera foi um corpo estranho a tudo o que se passava em campo e André André entrou a acusar uma notória falta de ritmo - se acham que não tinha problemas físicos, esta exibição é própria de quem está sem pedalada. Tello entrou para explorar um espaço que não existia - Varela segura melhor a bola, cruza melhor e apareceria melhor perto de André Silva. Enfim, opções.

PS: André Silva estreou-se na Liga em Alvalade, com o FC Porto a perder. Entretanto, Dani Osvaldo goza férias na Argentina enquanto recebe o seu chorudo salário. E em 2013 o Sporting, tal como o FC Porto, contratou um ponta-de-lança argelino,  mas que custou 10 vezes menos do que o nosso - e o Sporting só se virou para Slimani depois de falhar Ghilas. Só me ocorre isto: foda-se.

PS2: Pinto da Costa (e quem diz Pinto da Costa diz uma voz da SAD) esperou que o FC Porto subisse à liderança do campeonato para finalmente falar sobre a atualidade da equipa e do treinador. Esperemos que não espere pelo regresso ao primeiro lugar para voltar a falar novamente. É que vêm aí eleições e os sócios não querem escolher um currículo de 30 anos, querem escolher um projeto desportivo para o futuro próximo. E o treinador terá que ser parte essencial e um nome muito claro desse projeto, pois ninguém quer eleger uma direção que tem um treinador contestado, nem uma direção que ao fim de um mês de ser (re)eleita troca de treinador.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Dia de ser Porto

Últimos jogos entre Sporting e FC Porto em Alvalade

Alvalade foi-se tornando, ao longo dos últimos anos, no estádio português onde o FC Porto mais dificuldades sente em jogar e vencer. Nos últimos 12 jogos, apenas uma vitória. E se tivermos em conta as quatro vitórias lá alcançadas nos últimos 20 clássicos, vemos que os triunfos passam sempre por detalhes: um golo do fenómeno Pena na segunda parte; um desvio acrobático de Costinha aos três minutos; aquele golo do Jorginho perto do fim; e um livre de Bruno Alves. Quatro detalhes, quatro golos, quatro vitórias.

O Sporting consegue agigantar-se, motivar-se, sempre que recebe o FC Porto. Uma motivação inerente a quem defronta grandes equipas, que opõe quem ganha títulos de vez em quando a quem perde de vez em quando. 

Os adeptos do FC Porto querem algo muito claro: uma postura diferente da apresentada na Luz e em Londres, na qual Lopetegui preocupou-se tanto em travar os adversários que pouco pensou em impôr o FC Porto. Mas há um fator diferenciador: o FC Porto estava obrigado a ganhar a Benfica e Chelsea; neste caso, o empate garante a liderança. É um desafio acrescido para Lopetegui, pois no FC Porto é possível aceitar um empate num clássico; só não é possível aceitar que se jogue para o empate.

O Sporting está sob máxima pressão. Eliminado da Champions, eliminado da Taça e batalhas perdidas também fora de campo. Note-se que o FC Porto nem conseguiu ganhar em Alvalade durante a caótica era Godinho Lopes; então, seria muito difícil ao Sporting explicar, aos seus adeptos, uma derrota perante o FC Porto no ano em que mais estão a investir para ser campeões. E Pinto da Costa não prometeu o primeiro lugar a ninguém, ao contrário de Bruno de Carvalho.

O momento do FC Porto dispensa apresentações. Entre todos os títulos que conquistámos desde 2000, só dois passaram por vitórias em Alvalade. O FC Porto está e vai continuar em quatro frentes após este jogo. Mas os adeptos não tolerariam, uma vez mais, um jogo em que Lopetegui não monte uma equipa à Porto - e não basta montá-la, é preciso que os jogadores a personalizem.

Lopetegui pode e deve pensar em travar os pontos fortes do Sporting (transição rápida, apoio entre linhas e o jogo combativo do Slimani na grande área), mas isso não pode inibir o FC Porto de procurar o golo e os três pontos. O Sporting também vai apostar tudo em fechar os corredores ao FC Porto e entrar a matar no início de construção (isto é tão previsível que não há desculpa para que os jogadores não estejam preparados para isso), mas é quem está sob maior pressão, logo Jesus vai ter que procurar uma exposição que o FC Porto terá que saber aproveitar.

Queremos um FC Porto à Porto. Isso não implica ganhar sempre; mas implica lutar sempre para ganhar.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A(s) mentira(s) do Record


Quando o assunto é a transferência de Carlos Eduardo do FC Porto para o Al-Hilal o Record não consegue definitivamente dar uma para a caixa. Depois de em outubro já ter dado uma informação falsa, agora o Record diz que a informação falsa que deu... era falsa. Ver para crer.

O Tribunal do Dragão analisou o tema logo assim que o R&C de 2014-15 saiu: a dupla Carlos Eduardo e Célestin Djim.  O FC Porto vendeu estes dois jogadores, em pacote, para as Arábias. Era para ser Carlos Eduardo e Kayembé, mas acabou por ser outro jogador do mapa de Liège a seguir no negócio. 

Mas a verdade é que o FC Porto nunca anunciou a venda de Carlos Eduardo ao Al-Hilal. Nunca. Por isso, o Record mente quando escreve o seguinte: «O portal Football Leaks revela esta quarta-feira que o FC Porto apenas recebeu 2 milhões de euros pela transferência de Carlos Eduardo para o Al Hilal, ao contrário dos 5,5 milhões que comunicou à CMVM no Relatório e Contas Consolidado relativo à temporada 2014/15

Mente porque o FC Porto nunca disse que vendeu Carlos Eduardo por 5,5M€. Só o Record é que disse isso mesmo, e erradamente:


A única coisa que o FC Porto anunciou é que o Al-Hilal tinha uma dívida de 5,5M€. Não referiu a que jogadores se deviam essa dívida. Nem sequer referiu que tinha transferido Carlos Eduardo para esse clube. A verdade, e como O Tribunal do Dragão na altura revelou, é que Carlos Eduardo e Djim tinham sido vendidos em pacote. E o Record ignorou, ou desconhece(u), por completo a integração de Célestin Djim no negócio.

É grave, pois o Record está a acusar o FC Porto de mentir a nível de informação oficial. E está a acusar o FC Porto de mentir com base numa mentira lançada pelo próprio Record. Carlos Eduardo saiu por 2M€ (o FC Porto ficou com 50% dos direitos). Os restantes 3,5M€ foram para a avaliação de Djim, o documento que convenientemente não foi divulgado pelo Football Leaks - fica para depois ou será que o objetivo era mesmo tentar acusar o FC Porto de mentir no fornecimento de informação oficial? Não é a primeira vez que o Football Leaks semeia mentiras. Não por fornecer documentos falsos, mas por fornecer apenas partes de um todo, ou documentos que nunca passaram do planeamento à concretização.

Correu mal, correu mal, Record. Ainda hoje mantêm online a mentira de que Carlos Eduardo saiu por 5,5M€. Vão finalmente corrigir o erro ou alimentá-lo com uma segunda mentira?

Por outro lado, era algo evitável se o FC Porto se tivesse dado ao trabalho de, pelo menos, dar uma mínima informação sobre a transferência de Djim e de Carlos Eduardo (que Pinto da Costa disse que faria parte do plantel de Lopetegui) para as Arábias. Para um clube que gosta de ser conhecido pelos seus grandes negócios, até admira que não tenham dado atenção à obra que foi vender Djim por 3,5 milhões. Caraças, valeu mais do que o Garay!