terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Reviravolta anormal

Virar um jogo de 0x2 para 3x2 é raro e difícil. Basta dizer que desde 1999 que não acontecia - na altura o FC Porto eliminou o Famalicão da Taça, por 4x2, com o bis de Quinzinho aos 118 minutos e um golo de Féher aos 119. Se nos restringirmos apenas ao campeonato, não acontecia desde os 3x2 ao Benfica, na Luz, em 1976, graças a um golo de Ademir e a um bis de Júlio Carlos nos minutos finais.

Aliás, em toda a história do campeonato, esta foi apenas a 4ª vez que o FC Porto venceu um jogo depois de estar a perder por 2x0. Mas isto quer acima de tudo dizer uma coisa: é extremamente difícil uma equipa abrir com uma vantagem de 2x0 frente ao FC Porto. E o Moreirense fê-lo com uma naturalidade assustadora.

Fazer 3 golos ao Moreirense deveria ser normal. Anormal foi estar a perder por 2x0 com o Moreirense à meia hora de jogo. Pela sexta vez em sete jogos, o FC Porto entra a perder, e quase sempre com golos apontados nos primeiros 10 minutos.

Nos últimos 2 jogos no Dragão, o FC Porto sofreu quatro golos. Durante a era Lopetegui, o FC Porto, é bom lembrar, esteve um ano inteiro sem sofrer golos no Dragão no campeonato, além de ter vencido 20 jogos consecutivos em casa ao longo de 2015. É normal que a equipa piore defensivamente, não só pela mudança de treinador (o modelo de Peseiro é isto - uma equipa constantemente exposta defensivamente; não é defeito, é feitio, o FC Porto saberia disso quando o contratou) como pelo desinvestimento em termos de qualidade no setor. 

Por muito que uma reviravolta assim seja saborosa, o FC Porto foi forçado a fazer o que só tinha feito 3 vezes em toda a sua história para vencer o Moreirense no Dragão. Uma vitória que deveria ter sido natural apareceu de forma muito suada. É bom ver que a equipa nunca se rendeu apesar das adversidades, mas em 2015 o FC Porto sofreu apenas 6 golos em 26 jogos no Dragão. Nos últimos 2 jogos, foram logo 4. É mera estatística, claro. Mas não é boa.






Layún (+) - Impressionante. Bateu com sangue frio o penalty, assistiu Suk (será que o problema das bolas paradas do FC Porto em 2014-15 seria resolvido com um batedor assim?) e lançou a jogada do 3x2. Mas mais do que isso, foi o dínamo de todo o corredor esquerdo do FC Porto ao longo de 90 minutos. Cruzou 18 vezes (10 deles tiveram resposta dos colegas na grande área!), criou nove situações de finalização e personificou toda a alma da equipa. 

Maxi Pereira (+) - Sempre incisivo na aproximação à grande área, apareceu várias vezes em zonas de finalização, esteve forte nos movimentos interiores e muito da reviravolta passou por ele. Claro, há o lance do penalty. André Micael corta a bola limpinho com o pé direito, facto. O problema é depois: chegar primeiro à bola não dá o direito de logo a seguir varrer o adversário. E é isto que separa Jonas de Maxi: Jonas saltou deliberadamente para o chão para provocar uma simulação; Maxi não. Maxi vai ao chão porque André Micael, com o seu pé esquerdo, atingiu Maxi no pé de apoio. Maxi não se lançou para a piscina, foi derrubado quando tinha o pé de apoio fixo no chão. Mas contacto era inevitável, o que daria ao árbitro justificação para não marcar penalty. Agora, simulação, não, de todo, pois Maxi só vai ao chão porque o atingem no pé de apoio. Não que não fosse capaz de simular, pois em oito anos aprende-se muita coisa. 

Aposta em Evandro (+) - Foi uma alteração extremamente curiosa. Com o Moreirense fechado, de que precisava o FC Porto? De largura pelos flancos. Mas José Peseiro não quis aquilo que tantas vezes era exigido ao FC Porto de Lopetegui: mais velocidade e largura. Preferiu colocar Evandro para reforçar a capacidade de circulação no meio-campo, pois Maxi e Layún estavam praticamente a jogar como extremos e garantiam a tal largura pelos corredores. Foi um risco. E correu bem.

Bola na grande área (+) - O que tantas vezes faltou ao FC Porto nos últimos meses aconteceu ontem em fartura: meter gente na grande área e lá criar situações de finalização. E daqui saiu um recorde no campeonato: 20 remates dentro da grande área. No meio de tantas bolas, alguma havia de entrar. Entraram as suficientes para a reviravolta, mas em lances de jogo algo periféricos (penalty, canto e um inesperado golpe de ninja). Se o FC Porto tiver 20 remates dentro da grande área, não há jogo no campeonato que não ganhe.


Outros destaques (+) - Grande jogo de Suk, que se destacou sobretudo no jogo aéreo: ganhou 6 bolas de cabeça na grande área adversária. Sempre aplicado, ainda está a aprender a jogar tendo uma linha defensiva completa à sua frente, mas vontade não lhe falta. Aproveitou a oportunidade. Grande destaque também para Casillas, que livrou o FC Porto várias vezes do 3º golo. E Herrera chega de forma quase impossível ao lance do 3x2 (se fosse o Ronaldo já estavam a fazer cálculos para descobrir quanto é que ele saltou), embora tenha manchado a sua exibição pela constante hesitação à frente da grande área. Bem a equipa na avalanche ofensiva para chegar à reviravolta.






Factor Chidozie (-) - Para quem tenha memória curta, Chidozie jogava como médio-defensivo nos sub-19 há um ano. E revelou-se um jogador normalíssimo nessa posição, sem nada que recomendasse particularmente a sua contratação. Na equipa B, adaptado a central, evoluiu muito. Mas continua a ser tudo aquilo que era antes e depois do jogo na Luz: um jogador totalmente inexperiente. Chidozie tem falhas de posicionamento graves e gritantes - são 3 em 2 jogos, provocando 3 golos para os adversários. Não é o único culpado, claro que não. E nem sequer o primeiro: está a cometer as falhas esperadas e próprias de um jogador com esta inexperiência. Não é um produto das escolas de centrais do FC Porto, pois só chegou em 2014 e para jogar como médio-defensivo. Já agora, para quem realça a grande escola de centrais do FC Porto: que têm em comum Lima Pereira, Fernando Couto, Jorge Costa ou Ricardo Carvalho? Nenhum deles era titular na defesa do FC Porto aos 19 anos e todos tiveram que ter experiência sénior antes de serem titulares no clube. Se já temos um treinador que nunca teve equipas fortes na transição defensiva, tendo um setor defensivo limitado torna tudo mais complicado.

Subrendimento (-) - A equipa do FC Porto parece esgotada fisicamente, com particular incidência em alguns jogadores. A equipa mudou de preparador físico e, embora não se possa estabelecer uma relação-causa, há jogadores que estão rebentados. André André já vem desde os últimos tempos com Lopetegui: perdeu a influência que teve em outubro/novembro. Não acelerou o jogo, foi quase sempre lento a reagir e foi uma sorte (?) ter feito os 90 minutos. Num jogador como André André, a condição física faz toda a diferença. Herrera, apesar de nunca parar de correr e da forma como inventou o 3x2, foi muitas vezes lento a soltar a bola, e hesitou demasiado quando aparecia à entrada da grande área. Corona não existiu: 45 minutos sem que se revelasse em nenhum lance. Parece ter sido um dos jogadores que acusou mais a troca de treinadores. Tempo, paciência e trabalho, é o que se pede. 


PS: Os factos e o rigor são essenciais para qualquer defesa. Sem eles, perde-se a razão. Isto a propósito do que escreveu o Dragões Diário: «São já muitos os penaltis que (Jorge Ferreira) assinala mal a favor do Benfica em situações decisivas». Não é por nada, mas o penalty em Paços de Ferreira foi o primeiro assinalado por Jorge Ferreira a favor do Benfica na sua carreira. Podiam ter sido evocadas 10 razões para criticar as suas arbitragens, mas o Dragões Diário escolheu logo uma que não é verdade. Assim perde-se a razão. E já não é a primeira vez que a newsletter oficial do clube falha num dos pilares de Pinto da Costa: o rigor.

PS2: As votações MVP dos jogos em atraso foram repostas. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Jonas tem que ser suspenso e a SAD tem que reagir

Estamos habituados a muita coisa no futebol português, como violar os regulamentos do CA para proteger o Benfica e contrariar todas as normas da FIFA para promover determinados árbitros escolhidos a dedo. O denominador comum tem sido sempre um: o benefício ao Benfica.

Mas uma vez mais, não pode haver margem para dúvidas: Jonas, o melhor marcador do Benfica, tem que ser suspenso. Quem o diz são os próprios regulamentos da Liga. Todos sabem qual é o lance em causa: a simulação de Jonas frente ao Paços de Ferreira.

Tribunal O JOGO, 21-02-2016
A Comissão Disciplinar é muito clara no que toca a simulações para penaltys:

Artigo 154 do Regulamento Disciplinar da Liga
Ora então segundo os regulamentos, quem simula penalty e interfere no marcador (na altura o Benfica fez o 2x1 em cima do intervalo) deve ser suspenso. Mais, Jonas pode ser suspenso até três jogos. Mas adivinhem lá quem foi o único jogador, em toda a história do futebol português, a ser suspenso pela simulação de uma falta? Lisandro López, num jogo frente ao Benfica, em 2009.


A diferença de tratamento é gritante. Por norma, as instâncias disciplinares defendem a perspetiva dos árbitros. Mas Pedro Proença escreveu no relatório de jogo que assinalou penalty devido a «uma rasteira sobre adversário», no lance entre Yebda e Lisandro. Será fácil de deduzir que Jorge Ferreira também escreveu que houve uma rasteira sobre Jonas. Mas segundo o precedente aberto com Lisandro, isso não interessa. Não interessa se os árbitros foram induzidos em erro, o que interessa é o que se vê nas imagens televisivas. Logo, Jonas tem que ser suspenso e pode falhar até três jogos. E se ainda há dúvidas, basta ouvir as palavras de um responsável do Benfica: os regulamentos são para cumprir.
Na altura, sabem quem foi que denunciou Lisandro e fez uma participação? O próprio Benfica, parte interessada em que o FC Porto ficasse sem o seu melhor avançado. Não é então de esperar outra coisa que não uma participação formal do FC Porto, caso contrário os seus responsáveis mostram que não estão minimamente empenhados na luta pelo título de campeão e revelam absoluta indiferença em que o Benfica possa eventualmente chegar ao tricampeonato. Não é aceitável, muito menos a menos de dois meses de recondução - não vale a pena falar em «eleições» - para um novo mandato de quatro anos.

Tal como não é aceitável que Jonas não seja suspenso, pois os regulamentos são claros, é igualmente inaceitável que os responsáveis do FC Porto não reajam prontamente a este caso. Não é uma pitadinha de ironia no Dragões Diário: é uma participação formal ao Conselho de Disciplina.

E que mais se pode dizer do árbitro Jorge Ferreira, aqui na foto ao lado num jantar num restaurante com uma decoração sugestiva? Há um ano, abriu um novo capítulo na Liga Aliança, ao tornar-se no primeiro árbitro em Portugal a expulsar um jogador por protestos, ele que já tem um longo historial de jogos arbitrados de onde o Benfica saiu beneficiado. Além disso, este trata-se do árbitro sobre o qual Jorge Jesus sabe «muita coisa do ano passado», além de há um mês ter feito uma arbitragem habilidosa no Dragão.

Ou o FC Porto continua à espera que José Peseiro e o plantel façam milagres, ou os seus responsáveis começam finalmente a agir como alguém que esteja, de facto, empenhado no sucesso do FC Porto e em luta declarada pelo regresso do clube aos títulos. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Jogar para perder por poucos

O FC Porto não jogou para não perder: jogou para perder por poucos. Seria muito difícil sair da Alemanha com um resultado positivo, não só dada a qualidade do adversário como as próprias limitações do plantel do FC Porto, que diz querer ganhar uma competição em que se estreia com o extremo a lateral, o lateral a central, um novo meio-campo e um ataque inédito, numa projeção de 4x4x2 que nunca o chegou a ser e que rapidamente voltou ao limbo do 4x3x3.

Mais do que começar a atacar as invenções de José Peseiro - até porque não foi pela readaptação de alguns jogadores que perdeu -, é altura de refletir: os mais recentes treinadores do FC Porto inventam por convicção, ou simplesmente tomam decisões em função da limitação do plantel? Dispensar um central, vice-capitão, para depois ir a Dortmund com esta inovadora defesa só nos melhores sonhos daria bom resultado. Já para não falar que temos um dos mais importantes jogadores da primeira volta (André André) rebentado fisicamente, mas a SAD optou por não reforçar o meio-campo no mercado de inverno.

Mas a verdade é que não foi pela posição de Varela (se tivesse apanhado Jorge Jesus na sua carreira, podem ter a certeza que tentá-lo-ia adaptar a lateral) nem de Layún (o lateral que não defende bem foi o melhor do FC Porto jogando como central) que o FC Porto fez tão pouco em Dortmund. Foi pela estratégia da equipa, que abandonou toda e qualquer identidade para passar a jogar como equipa pequena - ou, se preferirem, reconhecendo toda e qualquer superioridade no adversário.

O FC Porto nunca virou uma eliminatória depois de ter perdido por 2-0 fora de casa. Respeito e consideração por quem comprou, atempadamente, bilhete para a segunda mão é o mínimo e máximo que se pode pedir.






A destacar (+) - Casillas, sem culpas nos golos sofridos, fez o que pôde. Martins Indi fez um bom jogo de marcação a Aubameyang, embora tenha traído Casillas no lance do 2x0. Layún, sabendo-se que como lateral o seu ponto franco é defender, acabou por ser uma boa surpresa no centro da defesa, não cometendo nenhuma falha clamorosa. E Herrera voltou a ser o médio com melhor eficácia de passe do FC Porto, ao acertar 90,9% dos passes, embora, sabe-se lá porquê, ainda alimentem o mito de que Herrera é quem mais passes falha. Tentou ligar os setores e organizar a equipa entre a anarquia tática, em vão. A equipa não merece acusações de falta de empenho, pois esse não faltou. O problema foi outro...






Deixar jogar (-) - Chegou a ser frustrante a forma como o FC Porto se encolhia perante o Dortmund no início de construção. Onze jogadores atrás da linha da bola, sem pressionar. É certo que a equipa não podia abrir espaços para o Dortmund entrar no seu meio-campo, mas a perder e a precisar de marcar o FC Porto fez muitíssimo pouco. Mais do que o facto de só ter tido um terço da posse de bola, choca o FC Porto ter deixado o Dortmund ter uma eficácia de 90% de passe. Isso mostra que a equipa poucas vezes perturbou o Dortmund na troca de bola. Aliás, o Dortmund conseguiu uma sequência de 1m49s sempre a trocar a bola, à largura do campo, sem que o FC Porto a recuperasse.

Sem acutilância (-) - O FC Porto deixou o Dortmund ter bola, mas quando a recuperou pouco fez. O Dortmund só fez 6 faltas em todo o jogo, o que mostra que nunca precisou de ser uma equipa agressiva perante o FC Porto. O FC Porto fez apenas 3 remates em todo o jogo, contra 19 do Dortmund, e o mais perto que esteve de criar perigo foi num remate à figura de Sérgio Oliveira e na última tentativa de Suk, já perto do fim. O FC Porto raramente levou a bola a zonas de perigo, ao fazer apenas 3 passes para ocasião de golo. O Dortmund fez 16. Antes da Luz, Peseiro prometeu que o FC Porto ia manter a sua identidade, e manteve. Em Dortmund, abandonou-a por completo em prol de tentar perder por poucos. 

Outros destaques negativos (-) - Se Varela, aos 31 anos, faz em Dortmund a estreia numa nova posição, não parece correto apontar nada ao jogador. Rúben Neves esteve mal, particularmente no passe (falhou 10), e acusou a falta de dimensão física para um jogo desta natureza e o facto de estar rodeado de uma nova equipa, sem conhecer a dinâmica de passe da mesma. Os próximos meses não serão fáceis para Rúben Neves: passou de um treinador que privilegiava a transição lenta, apoiada e muita circulação de bola (onde Rúben Neves se destacava) para um que prefere transições mais rápidas, onde o médio mais recuado é menos solicitado no papel de circulação, além de ter que partilhar o espaço à frente da defensa com um segundo médio. Há muito para trabalhar.

Brahimi foi inconsequente, e meteu na cabeça que tem que fazer tudo sozinho quando a equipa, coletivamente, nada faz. O problema é que Brahimi não recua para dar linha de passe aos colegas, recua para agarrar-se à bola quando ainda tem 50 metros à sua frente. Nota-se que não sente a maior confiança no coletivo que o rodeia, mas não pode jogar assim. Nem um remate, um passe de rotura ou um cruzamento na linha de fundo para amostra. Aboubakar nunca foi solicitado, é certo, mas esteve sempre cercado pelo Dortmund e não conseguiu um único remate. Marega, numa exibição dentro das expetativas, já tem uma história para contar aos netos: um jogo completo ao serviço do FC Porto, em Dortmund, na UEFA. Um sonho realizado, mas podemos esperar muito mais de um jogador que, segundo o site oficial do FC Porto, «reúne características físicas e técnicas que fazem lembrar Hulk». De facto, quem tem um Hulk consegue ser campeão sem ponta-de-lança, como em 2011-12. Mas tomara que em 2015-16 a única carência fosse um ponta-de-lança. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O pós-Maicon na defesa

Não é uma situação comparável à de Jorge Costa, mas que acaba com um desfecho idêntico: empréstimo a outro clube. Não concordo com a saída de Maicon, mas entendo, desejando apenas que a palavra de José Peseiro tenha sido essencial na resolução deste processo.

Renovar, sair e... voltar?
É um processo que já é habitual na SAD: renovar com jogadores antes de eles serem emprestados, mesmo sem que isso implique que há planos futuros para os atletas em causa. Izmailov, Kelvin ou Walter são alguns exemplos recentes de jogadores que renovaram antes de serem emprestados. 

Maicon renovou por mais um ano, e desconhece-se se o São Paulo vai assumir a totalidade dos salários do jogador. Sendo um empréstimo válido por apenas quatro meses, Maicon vai basicamente fazer alguns jogos no campeonato paulista, onde só vai ter possibilidades de fazer dois ou três jogos a sério, e deverá participar em alguns jogos na fase de grupos da Libertadores. Basicamente, vai ocupar-se até se decidir, no final da época, o que fazer com o jogador.

Até lá, o FC Porto fica com apenas dois centrais dos que começaram a época, Marcano e Indi. Se em janeiro já todos realçavam que havia carências no eixo defensivo, agora pior ainda. Oxalá não se caia no erro de achar que Chidozie vai ser a solução para todos os problemas. Ainda se trata de um jogador inexperiente, e não é um (bom) jogo que muda isso. Todos são inexperientes antes de começar, mas há uns contextos mais favoráveis do que outros para integrar jovens.

É também um desafio para José Peseiro, que nunca trabalhou com nenhum grande central nem fez evoluir um grande defesa. Os melhores defesas com que trabalhou foram Beto e Polga, o que não é um grande atestado. Além disso, no FC Porto havia a tradição de os centrais habitualmente titulares fazerem um acompanhamento aos jovens que vão sendo lançados. Indi e Marcano dificilmente assumirão esse papel perante Chidozie ou Verdasca.

Verdasca à espreita
Falando em Verdasca, trata-se de um dos poucos sobreviventes do projeto Visão 611. Da equipa de sub-14 que em 2009 foi apresentada, restam também Andorinha, Rui Moreira e Rúben Macedo. Mas Verdasca ainda passou pelo Boavista, antes de regressar para os juvenis. É um central de grande valor e potencial, mas há que compreender os riscos de fazer a estreia frente a um tal de Aubameyang, que passa por qualquer defesa antes que este consiga pronunciar o seu nome.

Chidozie também se estreou a frio na Luz e teve nota bastante positiva. Falhou no lance do golo do Benfica, mas a partir daí não voltou a errar, o que não era fácil. Mas o adversário não deixou de ter oportunidades para complicar a vida ao FC Porto. Há a expetativa de Marcano recuperar a tempo, mas se tiver que jogar Verdasca há que haver tolerância e compreensão para as circunstâncias da sua estreia. O problema não é o miúdo que entra cometer erros: é não ter vindo nenhum reforço para o setor. Felizmente, José Peseiro está a trabalhar com o que tem em vez de lamentar o que não tem - e estaria no seu direito fazê-lo.

Na Alemanha, há que lutar por um resultado que dê perspetivas de apuramento na segunda mão, no Dragão, reconhecendo que o favoritismo está do outro lado - como esteve na maioria das grandes conquistas europeias do FC Porto.

PS: A inútil Comissão de Instrução e Inquérito da Liga, que legitimou quem infringiu os regulamentos, instaurou um processo contra o FC Porto pelo que se escreveu no Dragões Diário após o jogo com o Arouca. De um organismo inútil, não se pode esperar outra coisa senão parvoíces destas. Por outro lado, possivelmente seria evitável se o Dragões Diário, em vez de andar a fazer um joguinho de parentescos e coincidências face ao árbitro, se limitasse a factos. Mas nem isso conseguiram fazer, pois nem sequer foram capazes de reconhecer que o golo anulado a Brahimi era responsabilidade do árbitro auxiliar (que continua sem nome), não de Rui Costa. O Dragões Diário queixa-se que «a Liga de Clubes quer silenciar a livre expressão de opinião», mas o que o Dragões Diário fez também não foi dar opinião, foi enumerar uma série de coincidências familiares em relação a Rui Costa, insinuações sem concretização, quando a única coisa que tinha que fazer era identificar o erro gravíssimo do auxiliar de Rui Costa. Mas nem isso conseguiram fazer, fazendo lembrar a ridícula campanha do Benfica contra Pedro Proença por um erro de Ricardo Santos. Por fim o Dragões Diário diz hoje, pela primeira vez, que é uma espécie de «provedor do sócio». Se é, deixa ainda mais a desejar, pois raramente aborda os temas que realmente inquietam a massa adepta do FC Porto - basta passar os olhos pela bluegosfera. Quando o FC Porto apresentou o Dragões Diário, era descrito como um jornal diário para informar os adeptos do clube. Mas hoje diz-se que afinal é algo para «dar eco ao sentimento dos milhares de adeptos subscritores». Em que ficamos?

PS2: O blogue continua temporariamente sem sondagens para os prémios MVP.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Temos que ganhar ao Moreirense

Primeira reação à vitória na Luz: temos que ganhar ao Moreirense. Todo e qualquer efeito positivo que possa advir desta vitória perder-se-á ao primeiro deslize. Continuamos na mesma situação que antes do clássico: sem depender de nós e sabendo que cada perda de pontos pode tornar-se irrecuperável. Antes disso ainda haverá um dificílimo jogo na Liga Europa, frente ao Dortmund, mas que em nada muda os planos no campeonato: há que ganhar ao Moreirense.

Dito isto, três pontos saborosíssimos, num jogo em que, como seria de se esperar, ganhou quem foi mais eficaz. O Benfica teve mais bola, remates, ataques e ocasiões de golo, mas não faltou sangue frio a este FC Porto, abençoado pela chuva e por San Iker. E acima de tudo, foi uma vitória para José Peseiro.

A esmagadora maioria dos treinadores teria recuado Danilo Pereira. Peseiro optou por não mexer no meio-campo e lançou Chidozie. O miúdo não tremeu e Danilo foi, uma vez mais, um dos melhores em campo. Além disso, todos os sinais dados por José Peseiro ao longo da partida passaram por nunca recuar, por tentar ganhar o jogo. 

Como um dia disse Vítor Pereira, o Benfica pagava caro a alteração de ADN frente ao FC Porto. Neste caso, foi o FC Porto a manter o seu ADN e a sair vitorioso graças a isso. Peseiro manteve sempre a mesma matriz da equipa e, com o jogo empatado ao intervalo, trouxe uma equipa ainda mais determinada e ofensiva para o segundo tempo. Tudo isto poderia ser uma conversa diferente se Casillas não tivesse tido tão grande noite, mas entre todas as circunstâncias e adversidades só há que ficar satisfeito com o trabalho de jogadores e treinadores.


Iker Casillas (+) - A melhor exibição com a camisola do FC Porto, com meia dezena de defesas absolutamente decisivas. Mais do que as defesas e uns reflexos invejáveis, fartou-se de dar instruções à nova dupla de centrais que tinha à sua frente e transmitiu claramente confiança aos colegas. E mesmo tendo o Benfica jogadores fortes no jogo aéreo - a dupla de centrais do FC Porto, contrariamente, não é a mais forte pelo ar -, nunca tremeu nas saídas aos cruzamentos. Impecável.


O líder da reviravolta
Danilo Pereira (+) - Esquece as férias de verão: não só vais ao Euro 2016 como a titularidade na posição 6 terá que ser, por mérito, tua. Mérito de José Peseiro ao mantê-lo no meio-campo, sem alterar o seu fundamental papel em campo: sentido posicional perfeito, forte no desarme, na recuperação e na cobertura e raramente falhou no primeiro passe. Fisicamente esteve um monstro, contra adversários que por vezes pareciam aviões, com asas bem abertas. Imprescindível.

Héctor Herrera (+) - Quando, aos 28 minutos, fez o empate com um bom remate de fora da grande área, o FC Porto ainda nem um remate tinha feito. Este golo mudou a história de um jogo que corria o risco de se aproximar do 2x0. Foi o motor da equipa, dando sempre linha de apoio e nunca deixando de pressionar (recuperou 3 bolas no meio-campo do Benfica) e procurar o espaço. Eficácia de passe muito acima da média da equipa (o FC Porto acertou 77% dos passes, Herrera acertou 86%; e o Benfica 81%, já agora). E a braçadeira fica-lhe bem.

Outros destaques (+) - Não se podia pedir mais a Chidozie. No golo do Benfica notou-se toda a sua inexperiência (tentou ir ao encontro de Renato Sanches e abriu o espaço para Mitroglou entrar nas suas costas), mas este foi o primeiro jogo a sério da carreira de um miúdo que, na época passada, jogava a médio-defensivo (e não particularmente bem, a adaptação de Luís Castro a central foi feliz) nos sub-19. Mas esta acabou por ser a única grande falha que cometeu, num jogo que vai querer recordar para sempre.

Decisivo
André André subiu de rendimento na segunda parte, e embora não tão influente quanto Herrera foi importante na pressão no meio-campo do Benfica e como referência para a circulação. Brahimi também esteve bem melhor na segunda parte, com a particularidade de ter sido quando procurou a combinação com o colega (André André) em vez de serpentear que o FC Porto chegou ao 2x1. Aboubakar faz o golo da vitória, que é o melhor que se pode pedir a um ponta-de-lança, mas não se limitou a isso: arrancou, tentou desequilibrar em movimentos interiores, segurou a bola e aguentou a marcação forte do adversário. Destaque ainda para a entrada madura de Rúben Neves em campo: entrou numa fase em que não era preciso pezinhos de lã, mas sim rigidez. Entrou, viu cartão, varreu dois ou três e manteve o Benfica longe da grande área.

Reação de Peseiro (+) - O FC Porto começou mal. Quase 30 minutos em que a equipa nem um remate conseguia fazer. Felizmente, o treinador mudou a tempo e desistiu da ideia de meter André André à esquerda e fazer Brahimi surgir nas costas de Aboubakar. O FC Porto passou a funcionar melhor. André André e Herrera ficaram mais disponíveis para pressionar o Benfica na primeira zona de construção e isso mudou o jogo. A equipa esteve muito forte na recuperação (26 cortes) e Peseiro nunca fez alterações no sentido de recuar a equipa, mas sim de a manter pressionante e forte no meio-campo. Pode agradecer a Casillas, pois caso contrário toda a sua estratégia teria ido pelo cano, mas ganhar um jogo nestas circunstâncias e sob tantas adversidades é sempre louvável.


A rever (-) - O FC Porto apostou num modelo de transição mais rápida, mas a bola nas costas da defesa adversária poucas vezes funcionou: oito vezes apanhados em fora de jogo. Não é pouco, até porque o Benfica também não tinha um quarteto defensivo que seja de eleição (tudo composto por jogadores que só são titulares por não haver melhor disponível). A equipa entrou mal, como já foi dito, mas Peseiro reagiu a tempo. Corona foi a unidade mais apagada, Brahimi deixou muitas vezes Layún sozinho a fechar o flanco e enquanto André André estava à esquerda o FC Porto não conseguia pressionar. Um segundo golo do Benfica nesta fase acabava com o jogo. Nota ainda para a entrada de Marega, muito displicente: não sabia se tinha que segurar a bola, dando largura à circulação, ou se tinha logo que procurar a profundidade. Mas o pior foi aquele lance nos descontos, em que pode dar a bola a Aboubakar para matar o jogo mas decide inventar uma brincadeira qualquer. A diferença é que o FC Porto, felizmente, não precisou daquela bola para ganhar o jogo. Uma sorte que Renteria não teve em 2007.

Segue-se a Liga Europa, num dos estádios mais maravilhosos da Europa. Um resultado que permita ao FC Porto ter perspetivas de apuramento no Dragão seria bom. Nas contas do campeonato, tudo na mesma: não podemos perder pontos e temos que esperar por deslizes dos rivais. E oxalá não seja necessário voltar a precisar de uma noite tão inspirada de Casillas. O FC Porto ganhou o clássico, mas só os próximos jogos dirão se ganhou alguma coisa ao ganhar o clássico.

PS: Para a posterioridade ficam as imagens de Layún, à patrão, a refrescar-se graças a uma garrafa que lhe foi atirada por um adepto do Benfica. Ficam aqui os agradecimentos a esse generoso adepto: depois de um jogo tão intenso para o FC Porto, água fresquinha é o ideal para hidratar os jogadores. Obrigado a esse benfiquista que ajudou ontem o FC Porto. Um gesto de desportivismo fica sempre bem.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O clássico e Maicon

José Peseiro não poderia ter uma tarefa mais atribulada na preparação para o seu primeiro clássico. Começou por não ter nenhum reforço no mês de janeiro e agora, de um momento para o outro, ficou sem dois dos três centrais do plantel principal; já teve que lidar com problemas no balneário, que o próprio não teve problemas em citar na conferência de imprensa; vem de uma pesadíssima derrota frente ao Arouca; e vai jogar na Luz, contra um Benfica que atravessa um grande momento.

Coisas do futebol. Se o Benfica tivesse perdido em Braga, à 11ª jornada, Rui Vitória teria sido despedido. Mas a equipa aguentou-se e foi um ponto de viragem. O Benfica tornou-se uma equipa de golo fácil, mais eficaz do que o FC Porto. É isso que faz a diferença: eficácia. Não é o futebol praticado, nem sequer o número de ocasiões de golo criadas. 

Nas primeira 20 jornadas, o Benfica acumulou 121 remates à baliza, apenas mais 5 do que o FC Porto. Aqui, a estatística é quase ela por ela. Mas a eficácia faz a diferença: o FC Porto desperdiçou 37 ocasiões de golo flagrante, contra apenas 18 do Benfica. Jonas foi o achado que sustenta quase tudo isto. Basta dizer que, sozinho, tem 23 golos. Tantos como Aboubakar (10), Corona (7), Brahimi (4), Osvaldo (1) e Varela (1), os nossos cinco avançados que marcaram no campeonato, juntos.

Ora, enquanto o Benfica atravessa um grande momento ofensivo, o FC Porto tem problemas na defesa. Não é apenas os problemas na transição defensiva, mas sim as próprias opções para formar o quarteto defensivo. 

Para José Peseiro, o mais fácil será fazer recuar Danilo para junto de Indi. Qualquer treinador do mundo sente mais segurança em readaptar um jogador da equipa A do que em recorrer a um miúdo dos sub-19 ou da equipa B. Por exemplo, frente ao Arouca talvez fosse uma boa oportunidade para meter Víctor García à direita, e assim só se fazia uma alteração. Mas fez-se duas, e a derrota do FC Porto começou pelo flanco esquerdo, numa questão de segundos. Se Danilo recua, é também uma alteração a mais na equipa. E o meio-campo ficará enfraquecido, certamente. 

Por outro lado, Chidozie é absolutamente inexperiente. Os mais otimistas recordarão  que Fernando e Rolando também se estrearam a frio na Luz. Mas há uma diferença: ambos já tinham experiência de primeira liga. Chidozie não a tem, de todo. E contra uma equipa que está a fazer imensos golos e que vai jogar em casa, mais difícil será.

E embora ainda não seja altura de pensar em Dortmund: com Danilo e Maxi Pereira castigados, Maicon e Marcano lesionados (?) e Chidozie fora dos inscritos na UEFA, como é que tencionam formar o quarteto defensivo para a Liga Europa? O FC Porto não tem, de todo, o melhor plantel. As limitações estão à vista. Não se pode pedir a José Peseiro mais do que o plantel pode dar. As carências eram facilmente identificadas por qualquer adepto, mas a resposta da SAD no mercado de inverno limitou-se a José Sá, Suk e Marega. O plantel já não era o melhor, mas não só não foi reforçado como ainda saiu de janeiro enfraquecido.

Ouvir a palavra de Peseiro
Agora, com a janela fechada, de nada vale lamentar. José Peseiro tem que trabalhar com o que tem. O FC Porto tem que lutar com os que tem. E entre esses jogadores há que incluir Maicon.

Se o FC Porto quiser tentar transferi-lo para a China está no seu direito, mediante uma boa proposta. Mas esqueçam lutar por títulos sem ter defesas-centrais para o que sobra da época. É a dura realidade, mas é assim. Mas Maicon não pode pagar a fatura de todos os problemas do FC Porto no último mês.

Ele errou, e deve ser punido com base no erro que cometeu. Pode ser com multa, pode ser não jogando durante X jogos, por até ser com a despromoção na hierarquia de capitães. Maicon tinha que assumir o erro, e já assumiu, perante colegas e equipa técnica. Tem que sofrer as consequências do seu erro, que é o que está a acontecer. Mas depois não pode ficar sozinho a pagar pelos erros todos que outros cometeram e em relação aos quais passaram ilesos.

Maicon foi, durante quase 7 anos, sempre um profissional exemplar. Nunca teve problemas com nenhum treinador, nunca entrou em conflitos com colegas no balneário. Já se sacrificou pelo FC Porto anteriormente. Contra o Arouca teve o ponto baixo da sua carreira, ao não honrar a história e a mística do FC Porto. Mas é só Maicon quem não tem feito isso? Então por que só Maicon é réu nesta história?

Uma perguntinha: se Maicon fosse um futebolista que tivesse parte do seu passe na Doyen ou noutro fundo de investimento, será que alguém pensaria em algum momento em afastar o jogador? Pois, mas como foi uma contratação barata, e tendo a SAD 100% do seu passe (aliás, em 2013-14 tinha, em 2014-15 não declarou o passe de Maicon no R&C), talvez se torne mais fácil prescindir dele. 

Até os maiores símbolos do portismo cometeram, um dia, erros. Jorge Costa também atrou a braçadeira de capitão ao chão, e André uma vez também deixou um jogo a meio, queixando-se de uma lesão, no campeonato de 1991-1992, contra o Marítimo. Obviamente que as circunstâncias foram diferentes. Tanto Jorge Costa como André André foram, e são, jogadores sempre respeitados pelos adeptos, enquanto Maicon é um eterno mal-amado. E nenhum deles alegou uma lesão logo após cometer um erro que deu um golo ao adversário. Mas há poucos jogadores que passaram pelo FC Porto sem terem cometido erros. Maicon é mais um deles. Um erro em sete anos. Um jogador a cometer um erro num clube onde tantos têm sido cometidos, sobretudo nos últimos anos, sem consequências algumas.

A perspetiva de José Peseiro também deveria ser importante. O treinador deve ter a primeira e última palavra sobre a situação de Maicon, porque a SAD não lhe deu nenhum central no mercado de inverno. Se José Peseiro acha que Maicon teve uma situação imperdoável no contexto do seu grupo de trabalho, e se considera que tem centrais suficientes para cumprir os objetivos a que se propôs, então boa sorte. Mas se quer a reintegração de Maicon como opção normal no plantel, só tem que ser respeitado nessa decisão. 

Que Maicon assuma todas as responsabilidades que lhe caibam (as dele, não as dos outros), cumpra o castigo que lhe for imposto e seja reintegrado no grupo de trabalho, é o desejo que fica.

Quanto ao resto, só se pode pedir a José Peseiro um pouco mais do que em 2014-15. Na última visita à Luz, com Lopetegui, o FC Porto não foi inferior ao Benfica, mas não era o Benfica quem precisava de ganhar, e o FC Porto não fez o suficiente para merecer ganhar; agora fica esse desejo - deixar claro que o FC Porto fez tudo o que estava ao seu alcance pelo melhor resultado possível. Não será nunca por perder um jogo na Luz que se perde o título de campeão. Mas quem perde 11 ou 14 pontos em relação ao rival em pouco mais de um mês não pode pensar no título. Não há pressão, apenas responsabilidade e honra.


PS: O absurdo aconteceu com o mercado já fechado. Gudiño foi emprestado ao União da Madeira. Que significa isto? Que Gudiño já não irá contar como jogador formado no FC Porto à luz dos regulamentos da UEFA. Num clube que tem extremas dificuldades em completar a lista A de inscritos na Champions, estes pequenos grandes pormenores fazem toda a diferença. Ou a SAD ignorou por completo esta questão, ou entendeu que era mais vantajoso Gudiño ter quatro meses de experiência na primeira liga (se não for titular será ridículo, a SAD tem que ter garantir de que vai ser) do que ser formado no FC Porto. Ou então tinha que se arranjar algum espaço para José Sá não passar meia época sentado na tribuna do Dragão, e então sacrifica-se o mais promissor e caro guarda-redes do FC Porto. Boa sorte, Gudiño.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Tudo gente séria

O Tribunal do Dragão expôs, há um mês, «A Robertada», tema que nenhuma imprensa portuguesa se mostrou interessada em aprofundar. E na altura apresentámos Agapito Iglesias, o homem por trás do BE Plan e das negociações com Benfica e Saragoça para a transferência de Roberto. Ora e não é que este honestíssimo senhor, o mentor da Robertada, acaba de ser condenado a quatro anos de prisão em Espanha? É tudo gente séria. Quem teve a sorte de o Apito Dourado ter acabado em Leiria deve estar a rezar para que este caso não ultrapasse a fronteira.