domingo, 12 de outubro de 2014

E agora algo diferente: Sporting queixa-se que o FC Porto cumpriu os regulamentos

O Sporting queixar-se não é novidade. O Sporting emitir comunicados não é novidade. O Sporting atacar o FC Porto não é novidade. Mas o Sporting queixar-se, emitir um comunicado e atacar o FC Porto por, pasme-se, estar a cumprir as regras é novidade.

«Pela primeira vez em jogos da Taça de Portugal, o Sporting foi obrigado a pagar todos os bilhetes requisitados sem possibilidade de qualquer devolução (recordamos que se trata de um jogo em que 37,5% da receita apurada é sua). Por exemplo, na época passada, no jogo da 4.ª eliminatória no Estádio da Luz, não foi pedido qualquer pagamento à priori, tendo o Benfica concedido os 10% regulamentares e permitido a devolução dos bilhetes não vendidos na véspera do jogo. Exatamente o mesmo procedimento que o Sporting teve com o FC Porto, em 2008, quando este visitou pela última vez o Estádio José Alvalade para um jogo da Taça de Portugal».

O Sporting revela toda a indignação no seu comunicado. E surge com uma estratégia... à falta de uma palavra mais elegante, sobram estas: absolutamente ridícula e hilariante. O rival Sporting usa os regulamentos para se queixar que o FC Porto está a cumprir os... regulamentos. Melhor que isto, só lendo o comunicado ao mesmo tempo em que toca a musiquinha do Benny Hill.

O Sporting diz que os amigalhaços do Benfica não exigiram qualquer pagamento à priori quando os defrontaram na Taça de Portugal e mostrou-se indignado por o FC Porto ter exigido ontem a transferência de 44 mil euros. E para se defender, o Sporting cita a seguinte parte dos regulamentos: «Os sócios do clube/SAD visitante têm direito de adquirir até 10% (dez por cento) da capacidade do estádio, desde que o solicitem ao clube/SAD visitado com a antecedência mínima de 8 (oito) dias e no mesmo prazo efetuem o pagamento do valor devido

Portanto, ontem, 11 de Outubro, o Sporting contactou o FC Porto e pediu a sua parte, até 10% dos lugares disponíveis, mas pelos vistos não lhe apetecia pagar. O FC Porto, esses tramados, resolveram exigir que o Sporting cumprisse o que dizem os regulamentos: paguem o devido valor e receberão o respectivo número de bilhetes.

Então, os bons samaritanos de Alvalade, como são uns tipos porreiros, até aceitaram pagar os 44 mil euros correspondentes aos 4 mil bilhetes a que têm direito. Uma atitude louvável, apesar dos malvados do FC Porto, volto a referir, terem exigido exactamente o que dizem os regulamentos: «Os sócios do clube/SAD visitante têm direito de adquirir até 10% (dez por cento) da capacidade do estádio, desde que o solicitem ao clube/SAD visitado com a antecedência mínima de 8 (oito) dias e no mesmo prazo efetuem o pagamento do valor devido».

Mas o Sporting, o grande embaixador do futebol português, que o melhor jornal inglês confunde com o Gijón e que tem tantas idas aos oitavos-de-final da Champions como o FC Porto em Taças de campeão da Europa conquistadas (2), e que tem ainda 3 milhões de fiéis adeptos, teme que não consiga vender os bilhetes todos. Então queriam os ingressos a que tinham direito, mas sem qualquer pagamento; depois, na véspera do jogo, aí sim pagavam e devolviam aqueles que não conseguissem vender.

O que dizem os regulamentos sobre a devolução de bilhetes? «Quando a FPF emita bilhetes compete ao clube/SAD visitado a devolução dos remanescentes no prazo de 4 (quatro) dias da realização do jogo». Neste caso, não há norma aplicável, pois a FPF não emite os bilhetes para esta partida e esta tarefa está a cabo da SAD. Então segue-se o segundo ponto: «Quando os bilhetes sejam emitidos pelo clube/SAD visitado encontra-se este obrigado a utilizar a imagem e o conteúdo definidos pela FPF».

E recordem-me lá, o que diz a FPF sobre a emissão/pagamento de bilhetes? «Os sócios do clube/SAD visitante têm direito de adquirir até 10% (dez por cento) da capacidade do estádio, desde que o solicitem ao clube/SAD visitado com a antecedência mínima de 8 (oito) dias e no mesmo prazo efetuem o pagamento do valor devido».

Só resta citar o que dizia, e bem, Bruno de Carvalho há bem pouco tempo: «Se os regulamentos existem têm de ser cumpridos».

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O que (realmente) vai acontecer com os fundos de investimento e a cruzada de Bruno de Carvalho

«FIFA proíbe fundos de investimento.» Fomos bombardeados com esta frase nas últimas semanas. Rapidamente surgiram vozes que davam conta do fim da competitividade dos clubes nacionais. Os melhores clubes portugueses  passariam a estar, diziam, ao nível dos melhores na Bélgica, Holanda e noutros países europeus de PIB superior ao de Portugal. Resumidamente, o nível de competitividade do futebol estaria adaptado à realidade económica e financeira do país em que está inserido. Uma valente treta.

Acabar com um negócio
de 1107 milhões? Rir.
Para começar, um pormenor que muda tudo: a FIFA não vai proibir os fundos de investimento. Vai proibir a partilha de passes com fundos de investimento, com terceiros, o tal third-party ownership (TPO) que não se pratica em Inglaterra. Como muitos não sabem sequer a diferença, é normal que se leiam barbaridades como «FIFA proíbe fundos de investimento».

FC Porto, Benfica e Sporting praticam, já há alguns anos, aquela que vai ser a realidade alternativa ao fim da partilha de passes. Exemplificando: quantas vezes já ouviram que nos clubes ingleses «é proibido partilhar os passes com terceiros»? É verdade. Mas não deixam de manter negócios com fundos de investimento para contratar jogadores.

Estamos todos habituados à modalidade tradicional: o clube oferece uma parte do passe de um activo (jogador) a um fundo, a troco de determinado valor, e no momento da transferência desse activo entrega ao fundo a percentagem da receita a que tinha direito - sendo que os fundos nunca têm prejuízo, pois caso haja uma desvalorização os clubes têm que proceder à indemnização. Logo, a partilha de risco é um conceito utópico.

Os fundos de investimento vão continuar a existir. A FIFA não pode proibir este tipo de actividades. O que vai deixar de existir é a partilha de passes. E então entra em cena a alternativa: o financiamento. Um exemplo com um caso recente no FC Porto, nomeadamente a contratação de Walter.

«Na sequência da aquisição dos direitos desportivos e económicos do jogador Walter, realizada em Julho de 2011, a Sociedade celebrou um contrato com a For Gool Co. Ltd., no âmbito do qual esta entidade adianta o pagamento de parte do valor em dívida para com o clube vendedor, no montante de 2.000.000 Euros, a ser reembolsado pela Sociedade em Julho de 2012. Como remuneração deste acordo, aquela entidade auferirá 10% de uma eventual mais-valia numa futura transacção do jogador»

Walter, um exemplo de
negócio alternativo
Na prática, o que acontece é que os fundos vão passar a operar como se fossem uma instituição bancária: avançam com o financiamento da contratação e depois são reembolsados, ou com taxa de juro previamente definida, ou a troco de uma percentagem de uma futura transferência. Na prática, os fundos de investimento nunca ficam com direitos económicos dos jogadores; depois, no momento da venda, recebem uma percentagem, além do reembolso do empréstimo. É algo que já se faz por toda a Europa, inclusive na sempre elogiada Inglaterra, e que tanto Benfica como Sporting já praticaram - curiosamente, em ambos os casos com a Doyen Sports. A única coisa que os fundos têm que fazer é declarar anualmente, às Federações de cada país, que não têm direitos económicos dos jogadores. De facto não têm: têm sim direito a uma percentagem de venda futura.

E damos o exemplo da Doyen Sports por causa da sua reacção ao fim da partilha de passes: «Não estamos nada preocupados, já que o nosso modus-operandi não é o TPO (third party ownership). Estamos preparados para isso e por isso é que nosso modelo é tão diferente dos outros». Ora aqui está. A FIFA quer proibir o TPO, mas não pode proibir os fundos. Por isso, a Doyen e outros fundos vão passar a ser financiadores de transferências e não detentores de partes de passes.

As vantagens? Possivelmente nenhuma. A FIFA não vai proibir o TPO com vista a maior transparência. Pelo contrário. Há muito que defendia a regulação e transparência dos fundos de investimento, mas o que vai acontecer é precisamente o contrário: menor transparência em todos os negócios.

Com o TPO, a FIFA tinha um sistema de monotorização que registava qualquer alienação de passes significativa nos clubes cotados em bolsa. Isso vai deixar de existir. Os clubes vão manter os negócios com os parceiros financeiros, mas as suas contrapartidas nem sempre vão ser esclarecidas. Um exemplo.

«A 9 de Março de 2012, a Sociedade celebrou com a For Gool Co. Ltd. um contrato de financiamento no montante total de 4.500.000 Euros. O valor financiado foi entregue em duas tranches (2.500.000 Euros em Março de 2012 e 2.000.000 Euros em Abril de 2012) e será reembolsado de uma só vez em 30 de Setembro de 2012. Este empréstimo vence juros variáveis em função da efectivação, ou não, de alienações dos direitos económicos de determinados jogadores no mercado de transferências até 31 de Agosto de 2012 e dos montantes envolvidos nessas transacções

Um empréstimo que «vence juros variáveis em função da efectivação, ou não, de alienações dos direitos económicos de determinados jogadores no mercado de transferências e dos montantes envolvidos nessas transacções» é demasiado ambíguo. O comum adepto não terá acesso detalhado a este tipo de informação. A FIFA ainda poderá intervir nestes mecanismos, mas até ao momento não há informação nesse sentido. Sabe-se apenas que o TPO vai acabar. A Doyen Sports, por exemplo, chegou a pagar salários do Sporting («dificuldades de tesouraria» é mais soft), conforme disseram em comunicado. Que valores? Que contrapartidas? Boas perguntas.

Em relação ao TPO, vai haver um período de transição, à partida de três anos. Todas as alienações já registadas até ao início da época 2014-15 não sofrerão quaisquer alterações, mas a partir daqui haverá um limite. Resta saber se esse limite será aplicado em relação ao valor das alienações, ou ao número de alienações, ou a ambas. Certo é que a partilha de passes vai acabar, mas a relação entre clubes e fundos não. Porque razão iria a FIFA acabar com um negócio paralelo que move 1.107 mil milhões de euros (número da KPMG)?

A novidade sobre este novo mecanismo de financiamento é que os fundos vão ser bem mais selectivos nas escolhas dos clubes. Clubes em falência técnica, sob reestruturação, fora das competições europeias ou que não valorizem jogadores no mercado vão deixar de ser apetecíveis. Daí que o presidente do rival Sporting, Bruno de Carvalho, esteja tão empenhado em tentar acabar com quaisquer ligações entre clubes e fundos.

Bruno de Carvalho está a tentar salvar o clube da sua própria, chamemos-lhe, «auto-destruição». Enquanto Benfica e FC Porto tiverem acesso ao financiamento com terceiros, o Sporting não conseguirá igualá-los em termos de competitividade. O facto de terem um bom punhado de jogadores da formação está a disfarçar esse grande abismo que há entre um clube e os dois rivais. Mas a longo prazo vão perceber que, em Portugal, são raros os casos em que quem ganha é quem gasta menos. O Sporting está a tentar ser essa raridade. Resultado: em 9 jogos com Marco Silva, ganhou 3, e está já a 6 pontos do primeiro lugar.

Ele sabe porque não se cala
Bruno de Carvalho é esperto, não digo o contrário. Enquanto ele fala, fala, fala e fala, os jornais têm que lhe dedicar tempo de antena, os comentadores têm muito que discutir e os adeptos também. Enquanto se fala sobre Bruno de Carvalho, esquece-se um pouco a pressão sobre o plantel e sobre o treinador. É uma estratégia que não é uma novidade, e que é bem aplicada - mas que só oculta os problemas, não os resolve.

A insistência de Bruno de Carvalho em tentar acabar com a ligação fundos-clubes é precisamente por já ter percebido que, enquanto Benfica e FC Porto tiverem apoios, não vão chegar-se à frente na luta pelo título. Ao rasgar unilateralmente o acordo com a Doyen Sports, Bruno de Carvalho fez com que mais nenhum fundo, em parte alguma do planeta, queira investir ou negociar com o Sporting. Então que faz ele? Tenta retirar a Benfica e FC Porto o que ele próprio já tirou ao Sporting.

Além disso: lembram-se dos 29 milhões de euros que o Benfica teve que pagar em Setembro para poder fechar o fundo do clube? O Sporting terá que fazer uma operação idêntica quando fechar o Sporting Portugal Fund. Não de valores tão superiores, mas as receitas operacionais e a capacidade orçamental do Sporting, sob reestruturação, são muito inferiores às do Benfica. Se a competitividade não cresce, há que tentar retirá-la aos rivais, pois haverá um grande problema para resolver em Alvalade. 

Portanto, podemos contar com muito Bruno de Carvalho nos próximos meses, mais fora do que dentro do relvado. Para sua infelicidade, o FC Porto continuará a ser um clube extremamente apetecível para investidores. Mas como é claro, a SAD deve adaptar-se às restrições da FIFA nos próximos três anos e combater o facto do fim da TPO retirar transparência às alienações de passes. Resumindo, o nosso faro terá que ser mais apurado do que nunca na procura de Mangalas e Brahimis e em saber separá-los dos Walters (com o devido respeito ao jogador).

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um passo em frente após tantos para trás

Quintero decidiu
«Mandámos embora o Defour, mas parece que temos 5 ou 6 em campo». Reacção de quem assistiu comigo à difícil vitória sobre o Braga, por 2x1. Percebe-se a base da crítica, ainda que o essencial tenha sido garantido: 3 pontos antes da paragem para as selecções, na qual Lopetegui terá certamente muito que discutir com os jogadores que ficarem por cá.

Este Braga de Sérgio Conceição, se não for vítima da intolerância de António Salvador como outros projectos anteriores foram, é equipa para se meter na luta pelo 3º lugar e por uma ou duas Taças. Bons jogadores, bom treinador, boa equipa. Por isso é que a vitória, mesmo suada, foi daquelas que sabem bem. E quando o campeonato regressar, talvez se perceba o quão importantes foram estes 3 pontos, pois até ao final da 1ª volta o Braga talvez seja a equipa que mais condições tem para tirar pontos ao Benfica - cujos maus resultados na Champions não nos ajudam em nada, pois estamos a competir com eles em Portugal, não é na Europa.

Foi o primeiro de 3 jogos seguidos em casa: o próximo é um clássico de Taça que ninguém quer perder (aproveitando a paragem nas selecções, Lopetegui deverá priorizar quem ficar nas próximas 2 semanas no Olival, mas não é altura para uma rotação à Jesualdo), e o seguinte em caso de vitória deixa os oitavos da Champions à vista. Uma fase importante da época, onde o FC Porto tem que conjugar resultados com evolução. Ontem só foi possível a primeira.





Danilo em grande forma
Locomotiva pela direita (+) - Uma perguntinha: quanto é que custou Danilo? Há tantas semanas que não ouço ninguém questionar o preço do jogador, até estranho. Está numa forma impressionante, física, técnica e táctica, e em cada subida que o vemos fazer pelo corredor está cada vez mais patente o espírito de Porto. Com o afastamento do veterano Maicon da selecção do Brasil, pode vir a ser titular e confirmar-se como o jogador de projecção Mundial que é. Falta que as suas subidas sejam mais capitalizadas, com golos ou assistências. Ontem a trave não deixou e um adorno também não.

Os miúdos arrumaram a casa (+) - Rúben Neves e Quintero fizeram tudo parecer fácil, com um simples pormenor: nunca virar as costas para o jogo. Quando Rúben Neves recebe a bola, está sempre orientado para a frente, e tem uma qualidade de passe invulgar para além de 17 anos (talvez por ter essa qualidade é que Lopetegui pense nele para 8). Quintero recebe muitas vezes de costas, mas sabe rodar sobre a bola e consegue soltá-la de olhos fechados - a jogar sempre assim, Óliver (que ontem não esteve bem) teria vida bem difícil na titularidade. O golo, claro, foi decisivo.

Outros destaques (+) - Há muito que queria ver um golo de Indi. Sempre que há golos, além de correr 50 metros para felicitar o marcador, dirige-se sempre para a bancada, de punho cerrado, a puxar pelos adeptos. As pequenas coisas que definem o carácter de um jogador. Além de estar a evoluir (o golo do Braga não é culpa sua), já marca e tem uma postura que vai fazer dele um jogador muito feliz no FC Porto. A destacar Brahimi: muitas vezes pecou pelo individualismo, mas era ele quem ia empurrando a equipa para a frente. Ele próprio cai na tentação de tentar assumir o jogo quando as coisas não estão a sair bem colectivamente, mas não é isso que as estrelas tentam sempre fazer? Nota para Tello. Ainda algumas más decisões, mas fartou-se de tentar o 1x1, deu profundidade, velocidade ao jogo e nunca deixou a ala adormecer, em 90 minutos sem quebras.





Virar as costas ao inimigo (-) - O fenómeno de multiplicação de Defours merece ser analisado e discutido. Todos concordam que a titularidade de Marcano não funcionou. Ter Marcano em campo significava uma coisa: sentido posicional, mas sempre passe curto e recuado. Os centrais saíam, Marcano devolvia. Herrera baixava mas não conseguia pegar no jogo. Quando Óliver, Tello ou Brahimi baixavam para tentar ser eles a construir, já a equipa do Braga estava bem organizada. Assim é difícil. Mas o principal destaque é a reacção de Lopetegui: estava sempre a reclamar com Marcano e com os médios, por virar as costas ao jogo. Ou seja, a equipa não estava a fazer o que o treinador pedia. Mas o treinador também saberá melhor que ninguém que ter 3 centrais em campo, numa equipa já com nítidas dificuldades na saída de bola, não ia ser remédio santo.

Estratégia sem retorno
Saída de bola (-) - Numa equipa que já tem na posse de bola a sua imagem de marca, não deixa de ser irónico que haja tantas dificuldades na saída de bola. Mas a verdade é que essa posse de bola é em grande parte obtida ainda dentro do nosso meio-campo. Os médios estão quase sempre de costas voltadas para o jogo (foi assim que Brahimi perdeu a bola para o 1-1). Rúben Neves mudou isso. O 6 do FC Porto tem que assumir esse papel, sobretudo se os centrais não constroem. Campaña ontem teria sido uma boa aposta, mas Lopetegui terá entendido que ainda não era a altura de o lançar. De qualquer forma, de nada vale ter tanto bola se depois são as individualidades a garantir as vitórias. É que tem sido quase sempre assim.

Toca a acordar (-) - Alex Sandro salvou um lance em que Pardo ia fazer o 2-1 para o Braga, mas o modo soneca na primeira parte tem que acabar. Não só porque está a menos 2 anos do final de contrato, como assim de certeza que não volta à selecção do Brasil. E Ángel não anda a dormir. Marcano não teve uma má exibição, teve a exibição que o seu futebol e as características do jogo só podiam oferecer. Herrera teve os piores 45 minutos da época, entalado no meio-campo de grande qualidade do Braga. Óliver não teve o virtuosismo a que já nos habituou (e Quintero deixou o «aviso» na segunda parte). Jogadores importantes que precisam de mostrar mais nestes grandes jogos, mas repito, não haverá muitas equipas a bater este Braga.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Agora, o clube é verdadeiramente dos sócios

Quando o presidente disse, na entrevista ao Porto Canal, que o FC Porto «jamais será comprado», foi uma declaração que parecia não merecer grande importância. Afinal, a participação na SAD era de 40%. O que significa que qualquer magnata poderia comprar o FC Porto, a partir do momento em que reunisse uma maioria na restante participação da SAD. Tendo em conta a ligação aos irmãos Oliveira, que em conjunto detêm 21,02% (António mais 1% do que Joaquim) da participação da SAD, naturalmente que não era credível que haveria verdadeiramente esse risco.  Mas afinal já havia uma cartada na manga.

O único grande português
a ter a maioria da sua SAD
O Futebol Clube do Porto passa a ter a maioria da Sociedade Desportiva, uma notícia que registo com total agrado. Ao longo dos próximos dias, serão discutidos e analisados os vários pontos da AG (e o R&C de 2013-14 vai sair este mês), mas desde já há que assinalar a importância da compra da participação da Somague (empresa que, entre outros, detém os centros comerciais Dolce Vitta).

O receio aqui abordado com a opção Euroantas foi devidamente exposto e depois aprofundado. O clube preparava-se para «pagar» à SAD (cuja facturação era/é imensamente superior) 37,5 milhões de euros a troco de... nada. Uma sociedade cumpridora ia tapar um buraco aberto por demasiados riscos de gestão nos últimos 3 anos. Com isso, o clube perdia metade do seu principal património sem ter direito a acções que lhe conferissem direito de voto,

O clube ficava exposto, fragilizado. E se é verdade que na era Pinto da Costa poucos riscos haveria face a possíveis compradores estrangeiros, no pós-Pinto da Costa esse era o mais forte cenário, ou pelo menos o mais tentador para muita gente, quisessem ou não admiti-lo. Até hoje. Hoje, a SAD recolocou o clube nas mãos dos sócios.

O clube detinha 40% da SAD, além de 1,65% do presidente e 0,07% de Reinaldo Teles. Agora, ao adquirir as acções da Somague (que, ao contrário da absorção da Euroantas, já conferem voto participativo), o FC Porto, o clube, passa a controlar 60,52%. E com isto, directa e indirectamente, a posição sobre a Euroantas sai mais reforçada do que seria previsto (cuja alienação nunca chega a ser uma boa notícia, mas aproxima-se de um cenário idealmente mais equilibrado), mas é tema para abordar nos próximos dias. Para já, o importante é que o clube é hoje dos sócios.

Perdemos o «orgulho» de afirmar que éramos o único clube português que não sacrificou o estádio para tapar buracos na SAD (sendo que a operação Euroantas implicava 50%, enquanto os rivais tiveram que usar a totalidade dos seus estádios). Mas surge agora o orgulho de podermos afirmar que somos os únicos a ter no clube a maioria da SAD. Praticamente tanto como Benfica (40%) e Sporting (25,28%) juntos directamente.

Em relação à OPA, era uma obrigatoriedade (e dificilmente será mais do que uma formalidade). O FC Porto não irá subscrever a oferta pública, uma vez que já detém larga maioria (os 60,52% estendem-se a 3/4, basicamente). Resta conhecer a posição dos irmãos Oliveira... Mas esta excelente notícia, com devido mérito aos intervenientes, já ninguém nos tira. Mais informações no regulador de mercado.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Adeptos do FC Festas não, obrigado!

Dei uma vista de olhos pela página do FC Porto no Facebook e li com particular interesse os comentários feitos nos momentos em que o Shakhtar fez os seus 2 golos. Já todos sabemos que a internet tem o poder de propagar a estupidez e a ignorância de cérebros (?) que confundem a liberdade de expressão com o direito ao insulto, à injúria e (perdoem a redundância) à manifestação da sua própria estupidez, e as redes sociais fazem com que esse fenómeno se torne mais rápido e viral. Mas houve um comentário que me sensibilizou, de um jovem portista.

«1h30m de vida desperdiçada. Parece que ainda não aprendi com as ultimas vezes»

Como poderemos nós não estar sensibilizados com este jovem portista? O pobre até admite que não aprendeu com as últimas vezes. O melhor a fazer é chamar o Raúl Meireles, mandar o Helton pegar na viola e começar a cantar «Muda de Vida». Ninguém merece sofrer tanto, e este jovem portista merece ter uma vida melhor.

A este jovem, e a tantos outros que insultaram a equipa no momento em que esta estava a jogar um jogo fora na Liga dos Campeões, no sempre difícil leste europeu, passo a sugerir uma série de alternativas:

- Vitória Sport Clube // Site Oficial

- Boavista FC / Homepage

- Sporting Clube de Portugal

- Página Oficial do FC Shakhtar Donetsk (estes são bons, a ganhar 2-0 aos 88 min. conseguem deixar-se empatar)

- Bónus: Site Oficial do Sport Lisboa e Benfica

Aqui têm. Podem fazer-se sócios de qualquer um desses clubes. Esses é que são bons. Nenhum deles perdeu com o FC Porto, veja-se lá! São timaços, vale a pena acompanhar esses clubes até ao fim da época. De certeza que não voltarão a perder 90 minutos da vossa preciosa vida.

É só para isto que vos
interessa o FC Porto?
Façam um favor a vocês próprios: não se intitulem portistas. Porque vocês não são portistas. São pessoas que só querem ganhar no futebol para poder esfregá-lo na cara dos adversários. Isso não é portismo. Porque um portista não sente vergonha. O portista não aparece apenas para festejar as vitórias, revela-se nos momentos de adversidade. Não ganha sempre, mas responde às derrotas com uma vontade de voltar a vencer ímpar no futebol mundial.

Para os pipoqueiros, o FC Porto está obrigado a ganhar porque sim. O problema já não é a imprensa, nem os rivais, nem os paineleiros: são essa elite de adeptos de festas que dizem portistas. Gostava de saber que alternativa terão ao clube que mais títulos ganhou em todo o mundo no século XXI, mas sei lá, não chega. Esses finórios portistas, alunos, trabalhadores ou cidadãos exemplares, nunca erraram nas suas vidas, como alguns jogadores do FC Porto hoje.

Tudo mudou no FC Porto. Mudou a visão da estrutura, o treinador, o plantel, tudo. Mas há quem tenha metido na cabeça que essa mudança tem que dar frutos imediatamente. O FC Porto tem que começar a partir da Europa do futebol segundo esses iluminados.  Possivelmente, os mesmos que suspiravam por Van Gaal para treinar o FC Porto, mas que agora se riem do que está a fazer nos rios de dinheiro de Manchester. Ou os que preferiam Marco Silva, que em 8 jogos de Sporting ganhou 2. Apoiem estes clubes, que esses é que são bons.

Está tudo já com a mira apontada a Lopetegui. Hoje já desataram a disparar, mas o Jackson lá os obrigou a cessar fogo. E assim ficará até ao próximo empate ou derrota. Mas como não desejo que mais ninguém desperdice 1h30 da sua vida, por favor, mudem já de clube, que certamente serão mais felizes.

Podíamos ter ganho, podíamos ter perdido, acabámos por ter um empate com sabor a vitória. Mas os últimos 5 minutos podem ter mudado o resultado, mas não mudaram a história dos restantes 85 minutos. Mas a solução não é condenar, criticar, insultar. Também não é concordar com tudo e meter tudo em linha no rebanho, como os lobinhos desejam. O portista alia-se à luta da sua equipa com crítica, mas construtiva (um conceito confuso para muita gente); não se limita a lamentar os problemas, apresenta soluções. A paciência não deve ser curta, porque a época vai ser longa. Por isso decidam já, ou vão apoiar e acompanhar o crescimento desta equipa... ou que la chupen y sigan chupando, porque este livro de honra de vitórias sem igual não se escreveu com gente assim. E vocês não merecem fazer parte do próximo capítulo, adeptos do FC Festas.






Cafeteros (+) - Foi o melhor jogo que vi Quintero fazer no FC Porto. Claro que o facto da equipa estar balanceada para o ataque beneficiou-o, pois assim todo o jogo passava por ele, mas posicionou-se sempre bem, abriu e deu linhas de passe e dinamizou a equipa. Se dava para 90 minutos, é outra história. De Jackson não há muito mais a dizer: Aboubakar, é meter olhinhos no segundo golo. A forma como Jackson se antecipa ao defesa foi o que faltou na razoável exibição de Aboubakar. Nos seus últimos 3 penaltys não falhou nenhum, mas continua a haver um calafrio antes de cada remate (aquela paradinha podia ter corrido muito mal). Mas nos penaltys a história será sempre a mesma: quando marcam está tudo bem, quando falham surge logo uma lista alternativas e as condenações.
Decisivo, como sempre

Reinvenções (+) - Desconhecia que Marcano tinha passado (embora algo distante) como médio-defensivo, mas notou-se. Autoritário, sempre a ler bem o jogo, a jogar simples e a dar ajuda a uma defesa que esteve bem até à infelicidade de Maicon (livra-te de voltar a deixar que algo estrague a tua afirmação!). E aqui destaca-se o importante papel de Herrera, que fartou-se de fazer quilómetros, não só a baixar para o início de construção como depois a chegar ao ataque. Brahimi teve os seus momentos (o penalty é uma infelicidade, e não é um pontapé que define uma exibição) e a equipa fez algo bem: soltou várias vezes Tello para o ataque rápido, conseguiu que ele tivesse espaço para correr. O problema que restou é o de sempre: não define bem.

Danilo (+) - Mais uma grande exibição. Defensivamente não comprometeu, deu grande profundidade ao ataque, arrastava sempre 1 ou 2 ucranianos/brasileiros sempre que galgava para zonas interiores. Incansável, é uma das afirmações do FC Porto de Lopetegui. Alex Sandro esteve em parte do jogo em modo soneca, Indi não teve nenhuma falha grave (embora Luiz Adriano tenha finalizado nas suas costas, mas ali o lateral tem que dobrar). Bem Fabiano a ler o jogo e a sair da grande área, embora não haja memória de ter feito uma defesa digna de registo.





Bolas paradas (-) - Ora em pontapés de canto ou em livres, o FC Porto, que hoje até estava com 4 torres em campo, não está a conseguir marcar nas bolas paradas (excluindo aqui os 2 livres de Brahimi, claro). Mas o pior nem é isso: é o desposicionamento após as bolas paradas. Quando o adversário intercepta a bola, tem quase sempre espaço para o contra-ataque. O Shakhtar ia aproveitando isso hoje. Uma das coisas para rever, mister, porque ninguém é campeão sem ganhar jogos com as bolas paradas.

Basta um jogo para
o aclamado virar vilão?
Corpos estranhos (-) - Lopetegui não fez nada de inovador além da aposta em Marcano. Fez sentido que tivesse apostado no jogador mais utilizado a nível europeu em vez do menino de 17 anos. Jackson não estava a 100%, segundo o treinador, e Aboubakar não é um suplente, é uma alternativa de luxo, e tem tudo para ser um dos grandes pontas-de-lança do FC Porto. Logo, a questão da rotatividade hoje vale zero, nem há sequer discussão. Mas sobretudo no ataque, via-se uma equipa pouco entrosada, o que pode ser natural, tendo em conta a titularidade de Aboubakar pela primeira vez. Mas a equipa está a depender demasiado dos corredores, e muitas vezes Óliver e Brahimi enrolam-se demasiado com a bola por não descobrirem outras soluções. Recordar, mister, que «há que encontrar soluções para todas as situações», e a rotação só faz sentido se for assente em ideias que funcionam.

A rever (-) - Os erros de Óliver e Maicon foram uma infelicidade, acontece, mas uma infelicidade que não deve acontecer na Champions. Mas Óliver, que devia ser o médio mais adiantado, foi quem teve que vir dar linha de passe a um central... Sobre Tello: é provavelmente um dos 10 jogadores mais rápidos da Europa. Mas chega a ser frustrante que desperdice tantos bons lances por más decisões. Felizmente, aos 93 minutos já vimos aquilo que Tello pode ser neste FC Porto: um jogador que resolve (ou ajuda a resolver) um jogo que estava perdido. E já tinha sido decisivo em Lille.





- O BATE Borisov, essa equipa fracote, ganhou ao Bilbau, que era visto como a principal ameaça. O que se faz agora? Em vez de se bater no BATE, bate-se no Bilbau. Enquanto isso, o FC Porto é uma das poucas equipas de topo europeias invictas e lidera o seu grupo. Agora o Braga, jogo de extrema importância, porque a desvantagem de 4 pontos em relação ao Benfica não pode aumentar até ao clássico.

sábado, 27 de setembro de 2014

Soluções e problemas para Lopetegui rever

Nós últimos 10 títulos de campeão do FC Porto, só por duas vezes venceu em Alvalade (uma com Co Adriaanse, com o célebre golo de Jorginho, outra com Jesualdo, por 2-1 em 2008). Portanto, quando fazendo as contas para o título, um empate em Alvalade não é o problema. Empatar com o Boavista é que é desastroso. Empatar em casa do Sporting, não sendo um resultado que satisfaz o FC Porto, não há-de ser o problema nas contas para o título, sobretudo à 6ª jornada.
Danilo desequilibrou
no ataque

Primeira parte miserável do FC Porto. Não há outra forma de adjectivar, mas sofrer um golo aos 2 minutos, num clássico de grande pressão psicológica, torna sempre tudo complicado. Na segunda parte, Óliver Torres mostrou porque é que Lopetegui batalhou tanto para ter emprestado o menino que, se bem me recordo, os adeptos não queriam, porque se recusavam a valorizar jogadores para o Atlético. Meus caros, o Óliver é que está a valorizar o FC Porto.

Depois do remate do Capel à trave que até dá direito a manchete, o FC Porto tem 3 grandes ocasiões para ganhar o jogo: o remate do Herrera (que não é um jogador de ir do 8 ao 80 de um jogo para o outro, é um jogador que vai do 8 ao 800 no mesmo jogo), o penalty que fica por marcar por corte com o braço do Maurício (e devida expulsão) e o pecado de Tello, que define mal e é o motivo que levou a que não se afirmasse no Barcelona.

6 pontos perdidos em 3 jornadas, apesar das circunstâncias, é muito. É extremamente importante não desperdiçar mais pontos até ao clássico com o Benfica (o jogo de ontem mostrou que tanto Sporting como FC Porto não têm um sistema tão rotinado e assimilado como o rival - não é um problema de qualidade, mas de manter as mesmas rotinas e intensidade ao longo do jogo), ainda que venha aí uma série de jogos difíceis, já a começar com a receção a um Braga com sangue na guelra. E pelo meio já há Champions. 





Centrais (+) - Não foi pela ausência de Maicon que o FC Porto não ganhou. Indi esteve imperial, mesmo contra um ponta-de-lança que não é fácil de marcar e jogando no lado oposto. Marcano cumpriu, sempre sereno e de cabeça levantada, mas tem que melhorar no lançamento longo - não houve um passe dele que os alas tivessem conseguido recolher. Ainda na defesa, Danilo sentiu dificuldades na primeira parte, mas subiu de rendimento na segunda e criou o lance do jogo.
Quem está a valorizar quem

Banco bom (+/-) - De Óliver já não há muito a dizer: é titularíssimo no FC Porto e um jogador influente em todos os momentos do jogo. Tem que jogar, pois faz a equipa jogar como ninguém. Além de ser uma carraça a pressionar e a defender (coisa que falta a muito jovens portugueses), tem objectividade, tem visão de jogo e sabe desequilibrar ora em passe, ora em drible. Perfeito. Quanto a Tello, tem uma velocidade vertiginosa e com a mais simples finta consegue passar com a maior facilidade pelos adversários. Mas não define bem, a crítica que já é feita desde o início da época. Consegue fazê-lo melhor do que Quaresma, mas o seu raciocínio não acompanha a sua velocidade. E para mim, o pior nem foi o remate no minuto 92: foi o lance em que pode ir isolado para a grande área e decide atirar-se para o chão. Não sei se isto é resultado de uma época de treinos com Neymar, mas que não se repita a infeliz brincadeira.

Outros destaques (+) - Brahimi tentou. Muitas vezes individualmente, mas tentou. Consegue arrastar marcações, e com os seus movimentos interiores consegue ora orientar-se para a baliza, ora criar espaço para soltar a bola (capacidade que os outros extremos do FC Porto não têm, pelo menos a nível tão claro). Tem que se mais espotâneo a rematar quando faz a diagonal. Já Diego Reyes entrou bem na posição de trinco, que fez durante toda a formação, embora como sénior tenha passado para central. Com a lesão de Casemiro, Lopetegui terá que escolher Rúben Neves, Campaña  ou... Reyes. Mas os dois últimos não podem ir à Ucrânia, abrindo-se uma vaga para um jogador da lista B. Podstawski é mais fácil de pronunciar para os lados de Leste, não?





Em noite não
O miolo de Lopetegui (-) - Lopetegui voltou a juntar Casemiro, Rúben Neves e Herrera no meio-campo e os problemas repetiram-se. Sou adepto da rotação, mas só quando essa rotação é feita entre ideias que funcionam. Há que lembrar que foi assim que o FC Porto ganhou em Lille, mérito para isso. Mas Rúben ficou logo intranquilo com o golo do Sporting, Casemiro andou com as voltas trocadas com João Mário e Herrera, apesar de ser um poço incansável de energia, tem pouco critério a nível ofensivo. Resultado: este meio-campo não só não faz funcionar a equipa como não dá nada ao ataque. Nada. Brahimi tentou mudar isso na primeira parte, Óliver conseguiu fazê-lo na segunda. Com a lesão de Casemiro, o meio-campo vai ter forçosamente que mudar, mas seja quem for o homem mais recuado, Rúben e Herrera não podem ser os complementos.

Em noite não (-) - Que se passou, Alex? Absolutamente irreconhecível. Física e tacticamente, teve muitas dificuldades contra os extremos do Sporting.  Vai voltar a ser titular na Ucrânia, por isso é bom que tenha sido apenas uma noite má. A titularidade de Quaresma podia ter sido uma boa aposta, mas tudo saiu furado: tirou 2 cruzamentos e nada mais. E Jackson, aquele lance, a abrir a segunda parte, tem que dar golo. A primeira parte não censuro, pois não houve quem lhe desse a bola. E assim era difícil aproveitar as fragilidades da defesa do Sporting.





- Pinto da Costa dá hoje, às 20h15m, uma entrevista ao Porto Canal, onde vai abordar os temas quentes da actualidade. Depois faremos o devido balanço.

- Começa a profecção da desgraça: os fundos de transferências vão acabar e o futebol português vai perder toda a competitividade. E repetir-se-á isto enquanto não perceberem que tanto FC Porto como Benfica e Sporting já praticaram formas de financiamento alternativas, também com fundos de transferências, e vão poder continuar a fazê-lo. Um tema para mais tarde.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Caso João Moutinho para totós (e para quem quer fazer dos outros totós)


Abrir os sites desportivos, por esta altura, quase leva a crer que o Sporting x FC Porto de sexta-feira já tem vencedor. Mas não, o Sporting anunciou uma vitória junto da CA da Liga - uma decisão que curiosamente foi anunciada pelo Sporting, não pela CA. Mas quando nos lembramos que o Sporting votou na continuidade de Mário Figueiredo e que o presidente da CA da Liga, Armando Triunfante, declarou nula a reunião do G-18, em Fevereiro, para demitir Mário Figueiredo, o puzzle fica mais simples de encaixar. Adiante, fala-se numa «vitória» do Sporting.


Os adeptos do clube que demorou 6 anos para pagar Hélder Postiga ao FC Porto rejubilam. «Uma vitória», diz a imprensa. Afinal, o FC Porto vai ter que pagar a comissão que estava a ser deduzida. Mas cá vai uma perguntinha: porque é que não é notícia que o FC Porto ganhou o diferendo com o Sporting quanto ao mecanismo de solidariedade FIFA? Ups. Pois é, parece estar tudo entusiasmado com a vitória do Sporting na CA. E porque não falar da vitória do FC Porto no mesmo processo? O 1-0 para o Sporting, afinal, parece que no máximo é um 1-1.

O que está em causa é simples. O FC Porto explorou o facto da definição de «mais valia» ser ambígua. O acordo para a transferência com o Sporting convidava a duas interpretações, o FC Porto puxou pela que lhe convinha. Qual é o clube que não tenta defender ao máximo os seus interesses?

Portanto, o FC Porto disse que só tinha a pagar 2,841 milhões de euros. Estava aqui a descontar uma percentagem pelos direitos de formação e pelos serviços do agente. Nunca antes as mais-valias, salvo acordo prévio, permitiam que as despesas com terceiros fossem «abatidas». Estou em crer que a própria SAD do FC Porto sabia disso, mas tentou aproveitar a ambiguidade do termo «mais valia». Como Portugal é um país onde as pessoas passam na rua e não apanham notas de 20 euros quando as veem no chão, ou se apanham entregam nos perdidos e achados, certamente que haverá puristas chocados com isto.

Ora então, o que é notícia hoje é que o FC Porto vai ter que pagar 650 mil euros ao Sporting, que vão perfazer os 3,5 milhões da tal mais valia de 25% acima dos 11 milhões da transferência da maçã podre, que em três épocas de FC Porto ganhou tantos títulos de campeão como o Sporting em 34 anos e tantos títulos europeus como o Sporting em 108 anos de história. E faz-se a festa em Alvalade, porque afinal o FC Porto vai ter que pagar os 3,5 milhões na íntegra. Mas esperem lá...

Mau. Então o Sporting, que afinal exigia 4,039 milhões ao FC Porto, obteve uma vitória no CA porque afinal vai ter direito a mais 650 mil euros (a comissão deduzida da Gestifute), e não a mais 1,197 milhões como era exigido no relatório e contas? Eu compreendo que, enquanto portista, estou mais habituado a festejar do que os outros e que quem tem menos tem que encontrar felicidade nisso. Mas é impressão minha ou o FC Porto não vai ter que pagar os 547,047 mil euros que o Sporting exigia de direitos de formação do João Moutinho? 

Touché. Vitória para o FC Porto no caso João Moutinho, que não vai ter que pagar a totalidade dos 4,039 milhões de euros que o Sporting exigia. E no final do comunicado da SAD, num parágrafo discreto lá para baixo, o Sporting lá anuncia que não obteve razão no caso dos direitos de formação e que vai avançar para recurso. Quanto aos 650 mil euros da comissão de Jorge Mendes, bom proveito. Com jeitinho, dá para pagar meio ano de salário do Miguel Lopes. Não tens que agradecer, Miguel.

E como esta é uma vitória para o FC Porto, na véspera do clássico com o Sporting, tomo a liberdade de editar a página do jornal Record para uma versão mais factual e verdadeira.