domingo, 20 de julho de 2014

Como tentar criar uma polémica que não existe

O jornal A Bola escreveu, no seu site, uma informação verdadeiramente surpreendente. Passamos a reproduzi-la:

O presidente do Hellas, pelos vistos, «revelou» aquilo que já se sabia desde que Iturbe assinou pelo FC Porto: tinha uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.  Uma coisa que já se sabe desde 2011, quando Iturbe assinou por cinco épocas com o FC Porto.

Ora, o que o jornal A Bola quer fazer parecer, vá-se lá saber com que propósito, era que a cláusula de compra do Iturbe para o Hellas era de 60 milhões de euros. Valeu a tentativa, mas há um problema:

Conforme foi declarado à CMVM, a cláusula de compra de Iturbe por parte do Verona era de 15 milhões de euros. A cláusula do contrato com o FC Porto, válida para qualquer outro clube, é que era de 60 milhões de euros.

Portanto, o encaixe com Iturbe ainda dá para qualquer coisa. Uns quê, três Garays?

sábado, 19 de julho de 2014

Genk vs. FC Porto (1-3), as boas dores de cabeça

Vitória por 3-1 em casa de uma das boas equipas do futebol belga, o Genk, e que vai começar o seu campeonato na próxima semana. Quaresma (8) e Sami (61 e 78) fizeram os golos frente a um adversário que é uma réplica perfeita daquilo que vão ser muitos dos oponentes do FC Porto na Liga ZON/NOS Sagres. 

Eis os destaques d'O Tribunal do Dragão, naquela que será a rubrica de análise aos jogos do FC Porto: o positivo, «Bonés», em homenagem ao treinador que mudou o futebol mundial, José Maria Pedroto, o Zé do Boné; e «Machados», o lado mau, apelido que dispensa justificações.

Bonés

Identidade (+) - Pressão alta, logo à saída do meio-campo adversário, e circulação constante, os dois princípios essenciais do tiki-taka. Porque o que distingue este modelo não é o conservar mais tempo a posse de bola, mas sim recuperá-la o mais rapidamente possível. Foi assim que nasceu o golo de Quaresma.
E nem precisou de
capas de jornais

Rúben Neves (+) - Quem acompanha os escalões de formação não está surpreendido. Com a sua idade, não encontram mais nenhum jogador melhor na sua posição. Chega a ser assustador lembrar que tem 17 anos. Maturidade, sentido posicional e presença física incríveis. Vai inevitavelmente ser um dos grandes jogadores do FC Porto se for devidamente aproveitado. Ah, e uma lembrancinha: há mais de onde este saiu.

Sami (+) - De sentença assinada à partida para estágio, foi a revelação da última semana. Marcou e deu a marcar contra o Venlo e fez dois excelentes golos hoje, contra o Genk. Forte fisicamente, rápido e tecnicista, assim vai ser difícil mostrar-lhe a porta de saída. Pode vir a ser uma surpresa para o centro do ataque e o próprio Lopetegui não estaria à espera de tanto do antigo parceiro de Yu Dabao no Seixal.

Machados

Faca de dois gumes (-) - Como já aqui tinha sido analisado, Lopetegui não joga com um trinco, mas sim com um regista. Josué fez essa posição na primeira parte, Rúben Neves esteve melhor, mas em ambos os casos surgiu o mesmo problema: com uma equipa que pressiona tão alto, torna-se perigoso abdicar de um trinco que consiga fazer as dobras e intercepções quando o adversário explora o corta-ataque e o espaço nas costas da defesa. Num contexto de campeonato pode funcionar, na UEFA será perigoso. Sobretudo quando Fabiano não consegue ser o líbero que Lopetegui precisa para este esquema.

Reyes ainda não
está pronto.. e já demora
Novamente a tremer (-) - Nada justifica a incrível falha de Reyes, que deu o golo ao Genk. Custou 7 milhões de euros há mais de um ano e meio, mas continua sem estampa para ser titular. Mas o custo não é culpa sua: aqui, os jogadores são avaliados pelas suas exibições e a SAD pelos negócios. As chegadas de Indi e Iván Marcano são justificáveis e assim Reyes pode voltar a ficar sem lugar na lista de inscritos para a UEFA. Que tem potencial todos o reconhecem, mas a evolução tem sido preocupante. Ou neste caso a falta dela.

Esclarecer quem é Adrián (-) Para que posição foi contratado Adrián López? Para jogar na ala ou a ponta-de-lança? Antes que digam «é polivalente e faz qualquer posição no ataque», diga-se desde já que esse é o pior argumento que podem apresentar. Um jogador avaliado em mais de 18 milhões de euros pela SAD tem que ser obrigatoriamente contratado para uma posição especifica, já com o papel esclarecido sobre o que fará no FC Porto. Na posição 9, Sami esteve melhor em menos tempo. Importa esclarecer o quanto antes se vai ser falso ala ou ponta-de-lança, pois Adrián não mostrou estar rotinado da melhor forma para jogar no eixo do ataque e a indefinição só irá prejudicar o jogador.

O líder (-) O capitão de equipa deve ser sempre o último a perder a cabeça. Quaresma é quase sempre o primeiro.

Inscrições na UEFA: um enorme problema para resolver

É cedo para perceber se o FC Porto formou uma grande equipa. Mas está a formar um grande plantel, com grandes jogadores... e com Lopetegui muito provavelmente a moldar um 11 que não vai incluir nenhum jogador português. Mas o tema aqui em destaque não é o jogador português, nem tampouco a pouca aposta neles, mas sim as inscrições nas competições europeias 2014-15.

Um reforço inesperado?
Surge desde já uma garantia: no máximo, o FC Porto só vai poder inscrever 21 jogadores na lista A e nenhum deles será jogador formado no clube (o único que preenche este requisito é... David Bruno, lateral da B, e se for inscrito a lista A passa a ter 22 jogadores), à imagem do que já aconteceu em 2013-14. Aliás, face ao elevado número de estrangeiros já contratados e de outros que estão para vir, o FC Porto até corre o risco de não preencher as 4 vagas destinadas a jogadores formados no país.

Há uma coisa que está garantida: o FC Porto vai inscrever 17 jogadores estrangeiros. Nem mais, nem menos. Como não há nenhum jogador formado no clube para ocupar uma das 4 vagas a eles destinadas, falta saber quem preenche as 4 vagas de jogadores formados no país.

Neste momento, o FC Porto tem 8 jogadores que preenchem esse estatuto: Ricardo Nunes, Abdoulaye, Josué, Licá, Ricardo Pereira, Quaresma, Varela e Sami. Desta lista de 8 jogadores, há a possibilidade de nem sequer ficarem pelo menos 4 no plantel. Por isso, a não ser que Lopetegui escolha 4 destes jogadores para manter no plantel ou que se contrate mais um jogador formado no país (possibilidade que se desconhece), então o FC Porto corre o risco de ter menos de 21 jogadores na lista A para a UEFA. Se houver apenas 3 jogadores formados no país, serão 20, e por aí adiante.

Então e Gonçalo Paciência?

Gonçalo não ocupa
vaga na lista A
Sim, Gonçalo Paciência pode ser inscrito e sê-lo-á se ficar no plantel. A diferença é que não vai ser inscrito na lista A. Como nasceu depois de 1 de janeiro de 1993, vai ser inscrito na lista B, que inclui os jogadores jovens. Para os jogadores poderem ser incluídos nesta lista, além de terem que ter nascido depois de 01-01-1993, têm que ter cumprido pelo menos 2 anos no FC Porto.

Por isso, Kayembé, Lichnovsky, Pavlovski, Pité e outros jovens com menos de 2 anos de FC Porto não vão ser inscritos na Liga dos Campeões, ou pelo menos não nesta lista. O mesmo vale para Ricardo Pereira e Oliver Torres, por exemplo. E não, Abdoulaye e Josué não contam como jogadores formados no FC Porto, pois não cumpriram 3 épocas completas no clube entre os 15 e 21 anos.

Nesta lista B, podem ser inscritos Kadu, Mikel e Gonçalo Paciência, além de basicamente qualquer jovem nascido depois de 1 de janeiro de 1993 que tenha pelo menos 2 anos de FC Porto.

Os 17 estrangeiros

Aqui as coisas vão complicar-se. O plantel ainda vai receber novos reforços (Iván Marcano, Casemiro e Brahimi estão garantidos e vão ser oficializados em breve) e também vai haver várias saídas, mas é praticamente certo que Lopetegui vai ter que excluir jogadores da equipa A, porque não haverá vagas para todos.

Opare sem espaço?
O Tribunal do Dragão apresenta uma possível lista de inscritos, sendo que obviamente não passa de um exercício especulativo, até porque há jogadores incluídos nesta lista de 22 jogadores que vão sair. Mas não deixa de ser um exemplo de que vai ser difícil formar a lista definitiva.

Então, vamos a isso:

Jogadores formados no clube: David Bruno (é o único que pode preencher esta vaga - nasceu antes de 01-01-1993 e esteve durante pelo menos 3 anos no FC Porto entre os 15 e os 21 anos).

Jogadores formados no país: Ricardo Nunes, Ricardo Pereira, Varela e Quaresma.

Jogadores estrangeiros (máximo 17, sob qualquer circunstância): Fabiano, Danilo, Alex Sandro, Reyes, Marcano, Maicon, Indi, Casemiro, Defour, Herrera, Quintero, Evandro, Óliver Torres, Brahimi, Adrián, Tello e Jackson Martínez (Para um jogador entrar nesta lista, pelo menos outro vai ter que sair).

Jogadores dispensados/dúvidas/sem vaga para serem inscritos: Helton, Abdoulaye, Lichnovsky, Opare, Carlos Eduardo, Kelvin, Kayembe, Josué, Sami, Licá e Ghilas. E todo e qualquer reforço que venha a seguir, pois para entrar alguém terá que sair.

Jogadores da lista B: Kadu, Mikel, João Graça, Ruben Neves, Gonçalo Paciência, Andorinha, Filipe Ferreira, Rafa, Rui Moreira, Francisco Ramos, Leandro Silva, Tomás Podstawski, André Silva, Ivo Rodrigues e Frédéric, além dos sub-19 com dois anos de FC Porto.

Como vêem, vai ser extremamente difícil compôr a lista. Opare, por exemplo, dificilmente será inscrito (a não ser, claro, que se registem várias saídas), porque David Bruno é o único jogador formado no clube e pode fazer as duas laterais, assim como Ricardo, Marcano e Indi podem dar uma perninha no flanco. Para Carlos Eduardo ou Josué entrarem, teria que sair alguém, sendo Evandro o nome mais discutível, pois todos os outros estão garantidos. Quem sai para outros entrar?

Por isso, lançamos o desafio aos leitores: componham a lista que gostariam de ver para as competições europeias, lembrando sempre o seguinte critério:

4 jogadores formados no clube: jogadores nascidos até 01-01-1993 e que tenham estado pelo menos 3 anos no clube entre os 15 e os 21 anos (só David Bruno é opção aqui).

4 jogadores formados no país: jogadores que jogaram em Portugal pelo menos 3 anos entre os 15 e os 21 anos. Até podem ser 5 os inscritos aqui, mas assim só seria possível inscrever 15 estrangeiros, e por aí adiante.

17 estrangeiros: jogadores nascidos antes de 01-01-1993 e/ou que não estiveram 3 anos em Portugal entre os 15 e 21 anos.

Lista B: jogadores nascidos depois de 01-01-1993 e que tenham estado pelo menos 2 anos no FC Porto.

Errata: Como alguns leitores alertaram, e bem, de facto Kelvin pode ser inscrito na lista B, isto caso fique no plantel, o que é dado como uma grande improbabilidade.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sucessor de Fernando no deadline de Lopetegui

Casemiro vai ser dragão
Lopetegui disse, ainda em início de pré-época, que esperava ter o plantel pronto «dentro de duas semanas». O seu desejo não ficará totalmente satisfeito, mas quase e bem mais cedo do que em épocas anteriores.

Com a chegada de Ivan Marcano, a defesa fica fechada quanto a entradas. E para guardar a defesa está a caminho um desejo antigo, já muitas vezes falado: Casemiro. 

O médio brasileiro de 22 anos do Real Madrid deverá viajar ainda hoje para o Porto, para fazer exames médicos e assinar um contrato de empréstimo, com opção de compra. O pagamento aquando do empréstimo será deduzível no momento da compra.

A sucessão a Fernando está assegurada, mas Casemiro ainda pode ter companhia, após a grave lesão de Mikel e perante a tenrinha idade de Ruben Neves.

Para já, bem vindo, Casemiro.

PS: Não é preciso colocar e recolocar questões sobre Brahimi, que está mais do que garantido e resta apenas aguardar a oficialização do negócio. Dois negócios de Alexandre Pinto da Costa.

O senhor que se segue

Ivan em acção contra Messi
Espanhol, 27 anos, sem internacionalizações, vem do Olympiacos (embora estivesse emprestado) que tinha o apetecível (e também mais caro) Manolas. Um elemento «low cost» (pelo menos face ao que tem sido hábito) numa defesa maioritariamente composta por jogadores que representaram grandes investimentos. 

Boa contratação? O tempo o dirá. Mas ver a SAD corresponder aos pedidos do treinador, por mais que possam diferir da habitual política do clube, merece todo o reconhecimento.

Bem vindo, Ivan Marcano.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O impacto de Indi nas contas e o comboio que não passa por Clasie

O FC Porto já oficializou Martins Indi: contrato até 2018, 7,7 milhões por 100% do passe. O esquema de três centrais no Mundial 2014 não pareceu ser o mais favorável para si e não se pode dizer que tenha justificado este valor no Brasil, mas Indi é um valor seguro para o futuro.

Indi, o sucessor
de Mangala
De qualquer forma, será uma gestão questionável se o central que custa 7,7 milhões de euros em 2014 superar o central que custou há um ano e meio 7 milhões de euros (Reyes) na luta pela titularidade. Uma dupla entre Reyes e Indi? Só Lopetegui saberá, mas o treinador não será obrigado (nem deve) a olhar ao estatuto e ao custo dos jogadores para definir o 11 titular; já a SAD deve ter sempre em consideração estes dois dados. Mas sendo Indi um pedido de Lopetegui, é credível que seja para ser aposta imediata no 11 e congratula-se a sua contratação.

É possível que a SAD avance para uma alienação do passe, mas à partida poderá não ser necessário, a não ser que posteriormente seja necessário para despesas correntes (o que só acontecerá se Jackson Martínez não sair). Tendo em conta que se trata de um contrato de quatro épocas, a grande incógnita é: quanto tem a SAD a pagar a pronto ao Feyenoord?

Em termos contabilísticos, Indi custará sensivelmente 1,925 milhões de euros em 2014-15, com o custo total da transferência ser repartido pelos 4 anos de contrato. Os próprios 11 milhões de Adrián López são «fogo de vista» e o relatório e contas do primeiro trimestre de 2014-15 ajudará a perceber melhor as despesas da operação. O grande desafio da SAD, por isso, nem será o campo prejuízo/lucro para esta temporada, mas sim a tesouraria e liquidez. De qualquer forma, todos os adeptos ansiavam por uma grande equipa. Este é o custo de uma grande equipa. Aliás, é o custo de grandes jogadores. A grande equipa, essa dependerá muito do trabalho dos jogadores e de Lopetegui.

Um nome que chega
demasiado tarde à agenda
Certo é que o FC Porto avaliou em 7,7 milhões Indi. Então, quando vale Clasie, o melhor jogador do Feyenoord? O Tribunal do Dragão ouviu que o jogador não deverá ser reforço, e nem faria sentido depois de garantir Indi.

O Feyenoord até poderá ter dificuldades financeiras, mas é óbvio que acabou por garantir melhores condições para segurar Clasie depois de ter vendido Indi por uma boa verba (o segundo central holandês mais caro de sempre, depois de Jaap Stam). Por isso, se o FC Porto queria Clasie, a melhor altura para o segurar seria antes ou ao mesmo tempo que Martins Indi, apesar de Swansea e Fiorentina não serem propriamente grandes ameaças ao eventual desejo do FC Porto querer o jogador.

Além disso, apesar de Clasie ser um excelente jogador, a SAD já passou (ou já devia ter passado) a fase de análise e definição de reforços; está a decorrer a fase da concretização dos alvos. Se tudo se conjugasse para uma oportunidade de negócio, Clasie seria uma magnífica aquisição, mas já seria uma mudança face ao planeamento para a sucessão a Fernando. Mas quiçá, uma mudança para melhor.

PS: Corrigida a troca de nomes do Feyenoord pelo PSV, obrigado aos leitores que alertaram para o erro!

terça-feira, 15 de julho de 2014

Nada nem ninguém está acima do FC Porto. Sobretudo quem não tem razão

«Nada nem ninguém está acima do FC Porto. Nem mesmo quem tem razão». Nem mesmo quem tem razão. Esta ressalva d'O Tribunal do Dragão, quando foi dada conta de que Rolando decidiu forçar a saída do FC Porto, prendia-se com a versão - que jamais ia ser anunciada por um blogue, dada a seriedade e delicadeza do assunto - de que o jogador teria uma verba em atraso a receber.

Rolando em litígio
O jornal CM (que não representa apenas a falência de escrúpulos em alguma comunicação social - é também o jornal que publica com meias provas aquilo que outros não publicariam com provas concretas) escreveu hoje que Rolando tem salários e prémios (que só podem ser relativos a 2012-13, pois na última época não foi inscrito pelo FC Porto) em atraso e que decidiu avançar para o pedido de rescisão.

Reinaldo Teles e Antero Henrique estão com a equipa em Horst, mas a SAD não está fechada para férias. Ao longo do dia de hoje, nem uma palavra, nem um desmentido face a esta acusação que desonra o nome do FC Porto. Estamos a falar de uma SAD que...

... perdeu tempo a fazer um comunicado a negar o interesse num jogador (Ghazal) que foi efectivamente negociado, que esteve quase a rumar ao FC Porto e que já era tema de imprensa há um mês.

... perdeu tempo para condenar a construção de uma estátua do fundador do Benfica pela CM de Lisboa. Apesar de se tratar de dinheiro público, o orçamento participativo de qualquer CM é um dado importante em democracia e uma vontade da sua fracção de contribuintes, logo esta «queixa» do FC Porto foi desprovida de sentido.

... perdeu tempo a preparar um manual de boas maneiras para viscondes. Ok, neste caso não foi perda de tempo, estavam mesmo a precisar.

... mas que não perde tempo a negar as acusações de que deve dinheiro a um profissional seu e de que Rolando está a ser ameaçado por (citamos) «muita gente ligada ao clube»? Não vamos dizer que o silêncio é assunção de culpa. Mas é mais do que convidativo a esta interpretação e é de uma gravidade que urge ser esclarecida.

Pinto da Costa afirmou que Rolando ia fazer parte do plantel. É absolutamente inconcebível que o presidente tenha afirmado isto tendo o jogador vencimentos em atraso, a não ser que houvesse algum acordo prévio para o pagamento. Alguns portistas até colocaram a hipótese de se tratar de uma posição concertada e de ser uma mensagem para o mercado. Pelo contrário, este litígio fragiliza gravemente a posição negocial do FC Porto, apesar de segundo O Jogo a Roma ter oferecido 5,5 milhões (o Inter nunca chegou ao 5M, que era quanto o FC Porto pedia inicialmente).

«O FC Porto não é uma
monarquia», disse PC
No dia em que Pinto da Costa disse que Rolando ia ficar, o empresário Paulo Teixeira (o mesmo que dá conta da existência de agressões ao CM) escreveu no Twitter (podem ver a sua conta clicando aqui) que o jogador, na véspera, comunicou ao presidente que não pretendia ficar no FC Porto. Então, porquê esta afirmação do presidente, ainda por cima afirmando que não ia ter gente contrariada no clube?

O CM conta também a suposta existência de agressões a envolver Alexandre Pinto da Costa, o sócio Pedro Pinho e o referido agente Paulo Teixeira. Alexandre não é, nem nunca foi, o empresário de Rolando, nem sequer estava mandatado para a transferência de Rolando, o que torna incompreensível como é que apareceu envolvido no assunto. A Pinto da Costa o FC Porto deve tudo, mas a Alexandre não deve nada. E se ele próprio confunde-se com um membro dos órgãos sociais da SAD, então ainda mais importante se torna o esclarecimento deste caso. Porque Alexandre Pinto da Costa até pode negociar em nome do FC Porto, desde que o presidente lhe atribua tais funções (como já o fez diversas vezes), mas não pode intrometer-se em negócios para os quais não está procurado.

Paulo Teixeira diz ao CM que Alexandre acusou Antero Henrique de ser um ladrão (sendo Antero o CEO da SAD, ainda mais urge que a SAD se defenda publicamente destas acusações) e que desafiou Mohammed Afzal a apresentar uma proposta de 10 milhões ao FC Porto por Rolando. Tanto Alexandre como Afzal jamais seriam empresários de renome se não tivessem ligações familiares aos dois nomes fortes do FC Porto (Pinto da Costa e Antero Henrique), o que só torna lamentável que envolvam o bom nome do clube numa lavagem pública de roupa suja.

Paulo Teixeira deu voz (e a
sua versão) à polémica
Mas nada disto, apesar de não ser um caso virgem, se aproxima da gravidade das acusações que são feitas ao FC Porto. Se a SAD está em incumprimento com um profissional dos seus quadros, deve imediatamente chegar a acordo com o próprio, porque os sócios não pagam quotas para ver os jogadores (que são quem levam os adeptos ao estádio, não são os dirigentes, embora Pinto da Costa seja o único presidente do mundo a ter direito a um cântico todos os jogos) serem alvos de incumprimento; ou o FC Porto desmente veementemente as acusações do jornal CM e reage com dureza a este atentado à credibilidade da SAD enquanto sociedade cumpridora. Até porque para um clube que se congratula pela confiança do mercado na emissão do empréstimo obrigacionista, de pouco vale se não tem a confiança dos seus profissionais no cumprimento dos vínculos acordados.

PS: Quem está mais preocupado com as transferências de Oblak, Garay e Markovic do que com esta acusação de que o FC Porto deve dinheiro a um profissional seu, então O Tribunal do Dragão definitivamente não será um espaço de eleição para si. Porque defender o FC Porto nem sempre é defender aqueles que agem em seu nome; e defender o FC Porto não é varrer para debaixo do tapete e criar tabus, mas sim combatê-los.